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1 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 ULTRASSONOGRAFIA E CARDIOTOCOGRAFIA USG USG DO 1º TRIMESTRE 1) Tem embrião? 2) Gestação tópica? 3) Embrião vivo? 4) Idade gestacional → MAIS FIDEDIGNO (a partir do comprimento cabeça-nádega); pouca interferência ambiental; margem de erro média de 5 dias *Na ausência de embrião – Comprimento do saco gestacional para calcular IG 5) Corionicidade e amniocidade – Gemelar? SACO GESTACIONAL: coleção de líquido, imagem anecoica ANEL ECOGÊNICO A partir de 5 SEMANAS VESÍCULA VITELÍNICA: Responsável pela nutrição do bebê A partir de 5,5 SEMANAS EMBRIÃO: se saco gestacional ≥ 16 mm JÁ É PARA VER O EMBRIÃO 6-7 SEMANAS Se não visualizado → OVO ANEMBRIONADO − Conduta: 1) Saco gestacional > 25mm e embrião não visualizado 2) Acompanhamento do beta – 2 dosagens com intervalo de 48 horas 3) Se caindo, confirma o diagnóstico de ovo anembrionado BATIMENTO CARDIOFETAL (BCF): A partir de 7 SEMANAS e/ou CCN ≥ 5mm Se comprimento cabeça-nádega (CCN) ≥ 5mm → Muito provavelmente é um embrião de 7 semanas Se não identificado → ABORTO RETIDO PLACENTA: espessamento do saco gestacional A partir de 12 SEMANAS 2 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 CORIOCIDADE E AMNIOCIDADE: duas placentas, duas bolsas? Duas placentas e uma bolsa? Importante para o pré-natal e avaliação de possíveis riscos Gestação gemelar dicoriônica → TP esperado em 40 semanas (2 bolsas) Gestação gemelar monocoriônica → Interrupção com 37 semanas (1 bolsa) Gestação gemelar monocoriônica/ monoamniótica → Indicação de interrupção a partir de 34 semanas (1 bolsa, 1 placenta – risco de síndrome transfusão feto-fetal) MORFOLÓGICO DO 1º TRIMESTRE Entre 11 e 13 semanas e 6 dias Primeiro rastreio de malformações e cromossomopatias Avalia: − Translucência nucal − Osso nasal Pode sugerir sexo fetal → Tubérculo genital com ângulo > 30° sugere meninO; se ângulo retificado/paralelo com a coluna, meninA. TRANSLUCÊNCIA NUCAL: PLANO SAGITAL Medida do acúmulo de líquido em região retrocervical TN ≥ 3,5mm → Sugere MALFORMAÇÕES, principalmente trissomia do 21 Figura 1 Translucência nucal NORMAL OSSO NASAL: Ausente ou curto → Sugere TRISSOMIA DO 21 (lembrar de observar se os pontos de referência do nariz – osso nasal, pele e extremidades – estão presentes para assegurar posicionamento correto da face fetal para mensuração correta) SEXO FETAL: APENAS SUGERE; só confirma no 2º trimestre Menino – Tubérculo genital com  > 30° Menina – Reto/paralelo à coluna cervical ATENÇÃO! Doppler da artéria uterina já pode ser realizado no 1º trimestre. indicado para pacientes com risco de desenvolvimento de hipertensão gestacional (prediz a probabilidade antes de 14 semanas). USG DO 2º TRIMESTRE Margem de erro médio de 10 dias para cálculo da IG 3 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 Parâmetros de medida: − Biometria facial − Diâmetro biparietal (nível do tálamo) − Comprimento femoral (APÓS 14 SEMANAS) − Circunferência abdominal − Circunferência cefálica MORFOLÓGICA DO 2º TRIMESTRE Entre 20 e 24 semanas e 6 dias MUITO IMPORTANTE Localização da placenta → Prévia, inserção baixa Comprimento do colo uterino PLACENTA: AVALIAÇÃO DE RISCO DE HEMORRAGIA DA SEGUNDA METADE DA GESTAÇÃO Descolamento prematuro da placenta Inserção anormal da placenta Placenta prévia *Se diagnóstico de placenta prévia, lembrar de solicitar USG doppler para ver se tem acretismo (principal complicação) COMPRIMENTO DO COLO UTERINO: AVALIAÇÃO DE RISCO DE TPP Se colo < 25mm / 2,5 cm → ALTO RISCO DE TPP *Profilaxia para TPP = PROGESTERONA VAGINAL (mais indicado ainda se a mulher tem história pessoal de parto prematuro) AVALIAÇÃO DAS 4 CÂMARAS CARDÍACAS E GRANDES VASOS (AORTA E PULMONAR): Alterações CV → Pode pesquisar rubéola, por exemplo SE ENCONTRAR QUALQUER SUGESTÃO DE ALTERAÇÃO CV → SOLICITAR ECOCARDIOGRAMA MORFOLOGIA DOS ÓRGÃOS: IG GESTACIONAL IDEAL ENTRE 20 E 24 SEMANAS E 6 DIAS – Todos os órgãos formados e bebê menorzinho, permitindo melhor visualização SEXO FETAL: ATENÇÃO! SE PACIENTE COM FATOR DE RISCO PARA HIPERTENSÃO GESTACIONAL (pré-eclâmpsia em gestação anterior, diabética, HAS crônica) HÁ INDICAÇÃO DE INICIAR AAS A PARTIR DA 12ª SEMANA – e só suspender na 36ª semana (idealmente 5-7 dias antes do parto) 4 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 USG DO 3º TRIMESTRE MAIOR MARGEM DE ERRO PARA IG – ATÉ 3 SEMANAS MUITO IMPORTANTE PARA AVALIAÇÃO DA VITALIDADE DO CONCEPTO Apresentação fetal Estimativa do peso na data provável de parto Perfil biofísico fetal − Volume de líquido amniótico − Movimentos fetais − Movimentos respiratórios − Tônus fetal CIRCULAÇÃO FETAL Sangue chega pela artéria uterina. Artéria uterina → Útero → Arteríolas → Placenta → Cordão umbilical → Bebê (veia umbilical) → Cordão umbilical = 2 ARTÉRIAS + 1 VEIA → Artérias levam sangue do bebê para a placenta (feto-placenta) e as veias levam sangue da placenta para o feto (placenta-feto) NO BEBÊ: sangue chega da placenta pela veia umbilical Veia umbilical → Ducto venoso (vaso fetal que comunica a veia umbilical com a veia cava inferior) → Veia cava inferior → Átrio direito → Forame oval → Átrio esquerdo No início da gravidez, há AUMENTO DA PROGESTERONA, promovendo o relaxamento da musculatura lisa e, consequentemente, das artérias, aumentando o seu diâmetro e provocando DIMINUIÇÃO DA RESISTÊNCIA DA ARTÉRIA UTERINA. Isso provoca a SEGUNDA ONDA TROFOBLÁSTICA, caracterizada pela invasão das arteríolas pelo tecido trofoblástico, resultando na destruição da camada muscular das delas. Consequentemente, as arteríolas que estavam contraídas/resistentes RELAXAM, FAVORECENDO A CHEGADA DO FLUXO SANGUÍNEO PARA O BEBÊ. No caso da PRÉ-ECLÂMPSIA, NÃO ACONTECERÁ A SEGUNDA ONDA TROFOBLÁSICA. Logo, a artéria uterina continuará resistente, com menor fluxo de sangue oxigenado para o bebê – sofrimento fetal. O aumento da resistência da artéria uterina pode ser visto no USG – principalmente no USG DOPPLER. USG DOPPLER SEMPRE SOLICITADO EM CASOS DE ALTERAÇÕES CV A resistência da artéria uterina já pode ser avaliada no USG MORFOLÓGICO DO 1º TRIMESTRE a partir da onda emitida pela passagem do fluxo sanguíneo pelos vasos durante a sístole e diástole cardíaca, formando um traçado – com picos na sístole (contração) e queda na diástole (relaxa e enchimento das camadas cardíacas). A partir disso, pode-se avaliar: Índice de resistência do vaso Índice de pulsatilidade do vaso *Se resistência da artéria uterina > 0.58, trata-se de uma paciente com risco de desenvolver pré-eclâmpsia. DOPPLER DE ARTÉRIAS UTERINAS – 2º TRIMESTRE Presença de incisura bilateral Relação A/B > 2,6 IR > 2,6 IP > 1,45 (IP > 2,5 – 1º T) INCISURA DA ARTÉRIA UTERINA: TRAÇADO – sua presença fala a favor de ALTO RISCO PARA DESENVOLVIMENTO DE PRÉ-ECLÂMPSIA. 5 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 Se for identificado sinais de resistência da artéria umbilical, é necessário investigar sinais de alteração da circulação fetal em busca de indicadores de sofrimento fetal. Em uma gestação normal, a artéria umbilical é a que tem MENOS resistência. O aumento a resistência com diminuição progressiva do fluxo diastólico pode culminar com ausência do fluxo diastólico (diástole zero) ou fluxo diastólico reverso (diástole reversa), com apenas saída de sangue. Como a PLACENTA tem 2 ARTÉRIAS e 1 VEIA (oposto do cordão umbilical), a veia leva o sangue oxigenado e a artéria traz o sangue venoso.A veia umbilical segue para o fígado fetal (ducto venoso), a fim de seguir para a veia cava e coração. Além disso, sempre que o organismo fetal está em sofrimento, ele se adaptará para enviar mais sangue para os tecidos nobres. Logo, se alteração do fluxo sanguíneo que chega na artéria umbilical, é necessário avaliar a cerebral média, que estará com menor resistência para receber mais sangue (*o pouco sangue que chega precisa ir para o cérebro). Por isso, para avaliar se o bebê tem alteração no seu fluxo sanguíneo, é necessário solicitar AVALIAÇÃO DA ARTÉRIA UMBILICAL, DUCTO VENOSO E ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA. SEMPRE. ARTÉRIA UMBILICAL, DUCTO VENOSO E CEREBRAL MÉDIA: AVALIAÇÃO DO SOFRIMENTO FETAL CRÔNICO Artéria umbilical → “Diástole resistente” Artéria cerebral média → Redução da resistência − Normal – Resistência maior do que a da umbilical − Sofrimento fetal – Resistência mais baixa do que a umbilical para que o sangue ejetado se concentre no cérebro (priorizando sangue para os órgãos mais nobres) → PROCESSO DE CENTRALIZAÇÃO Ducto venoso → Baixo fluxo; significa que pouco sangue está entrando e pouco sangue está seguindo para o coração O ducto venoso funciona como um esfíncter entre a veia umbilical direita e o átrio direito, evitando a passagem de todo o fluxo pelo fígado, conduzindo um sangue ricamente oxigenado através do forame oval para o átrio esquerdo e consequentemente para o cérebro e coração. Enquanto isso, o sangue com pouco oxigênio da veia cava inferior entra no ventrículo direito e é direcionado para aorta através do ducto arterioso, se misturando com o sangue oxigenado do átrio esquerdo. O ducto venoso tem aspecto característico ao Doppler espectral com dois picos e um vale, relacionados ao fluxo e à resistência do coração fetal. Sendo: Primeiro pico → SÍSTOLE VENTRILAR Segundo pico → DIÁSTOLE VENTRICULAR Vale → SÍSTOLE ATRIAL = “ONDA A” 6 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 Doppler alterado no ducto venoso. Observar ausência de fluxo (setas amarelas) no momento da contração atrial fetal (onda A). Doppler alterado no ducto venoso. Observar fluxo reverso (realce em vermelho) no momento da contração atrial fetal (onda A). SEMPRE QUE FOR IDENTIFICADO ALTERAÇÃO CV → SOLICITAR CARDIOTOCOGRAFIA CARDIOTOCOGRAFIA Registro contínuo da FCF e contratilidade uterina. Método biofísico de avaliação da vitalidade fetal Três transdutores para avaliar: − CONTRAÇÃO UTERINA – Colocado no fundo do útero − BCF – Colocado no foco cardíaco fetal − MOVIMENTOS FETAIS – A paciente um botão sempre que sentir o bebê se movimentando Pode ser solicitada anteparto e/ou intraparto MOMENTO IDEAL PARA REALIZAÇÃO – A PARTIR DE 26 A 28 SEMANAS Solicitado de acordo com a necessidade da patologia materna − Diabética insulinodependente – 2x/semana a partir da 32ª semana RECOMENDAÇÕES Evitar jejum prolongado Paciente DEITADA em poltrona confortável ou DLE Duração mínima de 20 minutos Avaliar resultado com o uso de medicações da mãe CLASSIFICAÇÃO E INDICAÇÕES CARDIOTOCOFRAFIA ANTEPARTO → Basal → Estimulada Condições maternas Condições relacionadas à gravidez DM pré-gestacional Hipertensão gestacional Hipertensão crônica Pré-eclâmpsia LES Diminuição do movimento fetal DRC DM gestacional (mal controlado) Síndrome do anticorpo antifosfolípide Oligoâmnio Hipertireoidismo mal controlado Restrição do crescimento fetal Hemoglobinopatias Gravidez tardia ou pós- termo Doença cardíaca cianótica Morte fetal prévia (risco inexplicável ou recorrente Isoimunização Gestação múltipla monocoriônica (com significativa discrepância de crescimento) CARDIOTOCOGRAFIA INTRAPARTO *Causas fetais = SOFRIMENTO FETAL Causas maternas Causas fetais Causas INTRAPARTO HAS crônica Restrição de crescimento Taquissitolia DM Oligoâmnio Febre intraparto Pré-eclâmpsia Alteração de Doppler Indução do parto Pós-datismo Líquido meconial Alteração da ausculta fetal intermitente Rotura da MO > 24 horas Prematuridade > 28 semanas Hemorragia vaginal Indução do TP com misoprostol MULHERES SAUDÁVEIS Anteparto: MOBILOGRAMA (contagem diária dos movimentos corpóreos fetais) 7 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 Intraparto: AUSCULTA INTERMITENTE (a cada 20min; se período expulsivo a cada 15min) NÃO INDICADO porque trouxe aumento da incidência de indicação para cesariana. Monitorização EXTERA Monitorização INTERNA NÃO mede variações de pressão no momento da contração Intraparto Bolsa rota, 1cm de dilatação Risco de infecção e perfuração uterina (pouco usado) PARÂMETROS CONTRAÇÕES UTERINAS (frequência, duração e coordenação) MOVIMENTOS FETAIS BATIMENTOS CARDÍACOS FETAIS FREQUÊNCIA CARDÍACA FETAL LINHA DE BASE VARIABILIDADE *Se BRUSCA e SEGUIDA DE AUMENTO → PENSAR EM COMPRESSÃO DO CORDÃO ATENÇÃO! SE PADRÃO SINUSOIDAL → INDICAÇÃO DE INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ – SIGNIFICA HIPOXEMIA MODERADA secundária à anemia fetal grave. 8 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 ALTERAÇÕES DA FCF ACELERAÇÕES Movimentos fetais e contrações Amplitude de 15 bpm Duração de 5 segundos Início → 20 SEMANAS DESACELERAÇÕES Quedas transitórias da FCF. Podem ser: Leves → < 15 bpm Moderadas → 15-45 bpm Grave → > 45 bpm E: Periódicas → Durante contrações (momento fisiológico de hipóxia para o bebê) − DIP I, DIP II e DIP III – DESACELERAÇÃO INTRAPARTO Não periódicas − Prolongadas DESACELERAÇÃO PRECOCE, CEFÁLICA OU DIP I: Coincide com a contração Queda uniforme DESACELERAÇÃO TARDIA OU DIP II: Ocorre 20s ou mais após início da contração Uniforme O bebê já vem sofrendo, já tem ambiente de hipóxia – que piora durante a contração DESACELERAÇÃO VARIÁVEL OU DIP III: Início e formas variáveis Queda abrupta Pode pensar em compressão de cordão 9 Obstetrícia – Camila Carneiro Leão Cavalcanti 2021.2 DESACELERAÇÃO PROLONGADA: *COMUM QUANDO MÃE EM DECÚBITO DORSAL (compressão do cordão)