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GASTRITE POR REFLUXO BILIAR/REFLUXO ALCALINO
Introdução: O aparelho digestivo é composto de uma série de estruturas ocas, que formam um único tubo que se inicia na boca e termina no ânus. O sistema digestivo é fundamental no bom funcionamento do organismo, porém qualquer fator que o atinja pode gerar grandes problemas e reflexos em todo o corpo. Um dos principais quadros que podem acometer essa região do corpo é o refluxo. Embora esse seja um problema bastante conhecido, existem alguns tipos distintos dele (RIBEIRO; SOUZA, 2018). O refluxo mais comum é o gastroesofágico, ou ácido, no qual os ácidos do estômago retornam para o esôfago, gerando complicações e incômodos. Porém, outro tipo que pode gerar os mesmos incômodos e problemas é o refluxo alcalino/biliar, também conhecido como refluxo não ácido. O refluxo biliar acontece quando o esfíncter pilórico, que separa o estômago do duodeno, não funciona corretamente, o que pode acontecer como consequência de complicação de cirurgia gástrica, cirurgia de vesícula biliar ou presença de úlceras no estômago (ANDREOLLO et al, 2000). Em condições normais, a bile é produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar, e é liberada em situações em que hajam substâncias tóxicas para eliminação ou gordura para ser degradada; desta maneira, ela é transportada até o duodeno, onde se mistura com o alimento para degradar a gordura. Após isso, a válvula existente entre o estômago e o intestino, chamada válvula pilórica, se abre e permite apenas a passagem do alimento. No entanto, como consequência das situações já citadas, a válvula não fecha corretamente, o que permite que a bile volte para o estômago e esôfago, resultando no refluxo biliar (PERON et al., 2014).
Objetivos: Desta forma, objetiva-se com o presente trabalho, relatar casos de gastrite ocasionados pelo refluxo biliar, além de avaliar a resposta positiva ou não ao tratamento recomendado para cada um. 
Desenvolvimento: O refluxo biliar constante pode gerar uma lesão crônica na mucosa gástrica (gastrite) ocasionando sintomas clínicos de dor epigástrica, pirose, vômitos biliosos, perda de peso, podendo ocorrer ainda anemia e hemorragia digestiva alta. Em relato de Andreollo et al. (2000), três pacientes foram descritos, sendo o primeiro com antecedente de gastrectomia por úlcera péptica há 10 anos. Após 1 ano da operação teve início sintomas de refluxo pós-prandial, queimação retroesternal e emagrecimento. O exame físico e os exames laboratoriais eram normais, entretanto, no exame de endoscopia digestiva alta foi observado a presença de grande quantidade de bile no coto gástrico. O diagnóstico de gastrite alcalina sendo confirmado foi proposta a realização da cirurgia por videolaparoscopia. A recuperação cirúrgica foi excelente e no acompanhamento ambulatorial houve melhora dos sintomas, persistindo eventualmente queixas de má digestão. No exame endoscópico 6 meses após não foram visualizadas alterações inflamatórias na mucosa gástrica e também não foi constatado refluxo biliar. 
O outro caso descrito foi de um paciente com queimação epigástrica e emagrecimento, que havia passado por uma cirurgia gástrica para tratar úlcera péptica há 20 anos. Assim, como no caso anterior, o exame físico era normal e à endoscopia observava-se presença de bile em grande quantidade na luz gástrica. O resultado do exame histopatológico foi de gastrite crônica e metaplasia intestinal. A cirurgia foi proposta e realizada. No acompanhamento ambulatorial o doente referiu melhora da sintomatologia, queixando-se apenas de empachamento pós-prandial. A endoscopia de controle 6 meses após mostrou mucosa gástrica de aspecto normal. 
O outro paciente possuía antecedente de gastrectomia há 26 anos por úlcera duodenal. O exame de endoscopia mostrou mucosa enantematosa e lago mucoso bilioso. O exame ultrassonográfico abdominal evidenciou colecistolitíase. A cirurgia foi iniciada por videolaparoscopia, porém teve que ter seguimento com laparotomia. O exame radiológico com contraste do esôfago e estômago, três meses após a cirurgia, evidenciava ainda refluxo gastroesofágico de pequena intensidade, porém praticamente sem sintomatologia referida pelo paciente. Na avaliação endoscópica, o esôfago e estômago não apresentavam nenhum refluxo de bile e nem sinais inflamatórios na mucosa.
Em relato de Mello et al. (1988), foram apresentadas análises de 22 pacientes com gastrite de refluxo alcalino observada após operação de gastrectomia parcial com reconstrução à Billroth II. O quadro de todos os pacientes foi confirmado com endoscopia e foi realizado exame anatomopatológico de fragmentos de mucosa. Após realização de procedimento cirúrgico, 90,5% dos casos obtiveram cura clínica. 
Conclusão: Sendo assim, conclui-se que, com o diagnóstico correto e a intervenção adequada, a taxa de boa resposta dos pacientes com refluxo alcalino é alta, melhorando a qualidade de vida e diminuindo os sintomas ocasionados por tal enfermidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDREOLLO, N. A.; LOPES, L. R.; CHADU, M.; COELHO NETO, J. S.; BRANDALISE, N. A.; LEONARDI, L. S. Gastrite de refluxo alcalino: tratamento cirúrgico por videolaparoscopia. Disponível em: <https://www.sobracil.org.br/revista/numero6/artigo07.htm> Acesso em: 19 ago. 2021.
BURDEN, W. R.; HORGES, R. O.; HSUM, O. Alkaline reflux gastritis. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0039610916453314>. Acesso em: 13 ago. 2021.
MELLO, J. B.; GARRIDO JUNIOR, A. B.; MOREIRA, A. A.; MATSUDA, M.; GAMA RODRIGUES, J.; PINOTTI, H. W. Gastrite de refluxo alcalino: tratamento pela operação de Henley-Soupault. Disponível em: <http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=57101&indexSearch=ID>. Acesso em: 11 ago. 2021.
PERON, A.; SCHLIEMANN, A. L.; ALMEIDA, F. A. Entendendo as razões para a recusa da colecistectomia em indivíduos com colelitíase: como ajudá-los em sua decisão? Disponível em: <https://www.scielo.br/j/abcd/a/cfZnGtvmnvTc7q7hM7CdMGM/?lang=pt&format=pdf>. Acesso em: 15 jul. 2021.
RIBEIRO, P. C.; SOUZA, I. A. O. Medicina Intensiva: Abordagem Prática. 3ª edição. Editora Manole, 2018.

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