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Lidia Weber
Pós-Dou tora em Desenvolvimento 
Familiar pela Universidade de Brasília, 
Doutora e Mestre em Psicologia 
Experimental pela Universidade de São 
Paulo, Psicóloga (CRP 08-0774) desde 
1981 e Professora da Universidade 
Federal do Paraná, onde leciona 
atualmente no Programa de Pós- 
-graduação em Educação (Mestrado 
e Doutorado). Realiza pesquisas com 
pais, crianças e adolescentes sobre 
interações familiares e coordena 
Grupos de Capacitação para Pais por 
meio do seu Programa de Qualidade 
de Interação Familiar. Atua como 
palestrante, consultora e parecerista 
das mais importantes revistas e jornais 
do país (e algumas internacionais) 
sendo convidada para participar como 
especialista em inúmeros programas 
regionais e nacionais de rádio e televisão. 
Além de ser presença constante em 
congressos científicos nacionais, 
faz parte do Conselho Científico da 
Association Francophone de Psychologie et 
Psychopathologie de VEnfant et de VÃdolescent 
de Paris. Ministrou palestras a convite 
e recebeu prêmios de viagem para 
apresentar suas pesquisas em diferentes 
países: Alemanha, Argentina, Bélgica, 
Canadá, Espanha, Estados Unidos, 
França, Itália, Marrocos, Portugal e 
Suécia. Este livro é fruto do que há de 
mais recente em pesquisas científicas 
sobre educação de filhos.
4a Edição - 11a tiragem 
Revista e Atualizada
Copyright 2005 by Lidia Natalia Dobrianski Weber
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial de 
qualquer forma ou por qualquer meio, salvo autorização por escrito da autora.
Impresso no Brasil / Printed in Brazil 
Capa e Ilustrações: Benett 
Fotografia: Manoel Guimarães 
Revisora: Antônia Schwinden 
Diagramação: Atilio Cropolato Castanho 
1a edição: 2005
W RUfí
B r a sil- Av. M unhoz da R ocha, I43 — Juvcvc - Fone: (41) 4009-3900 
Fax: 3252-1311 - CEP: 80.030 475 - Curitiba - Paraná - Brasil
EDITORA
Europa - Escritório: Av. da República, 4 7 - 9 ° Dt°— 1050-188 - Lisboa - Portugal 
Loja: Rua General Torres, 1.220 - Lojas 15 e 16 - Centro Comercial 
D ’Ouro - 4400-096 - Vila Nova de Gaia/Porto - Portugal
Editor: José Ernani de Carvalho Pacheco
W373
Weber, Lidia.
Eduque com carinho: Lidia Weber./ 4a ed., 11a ti r./ 
Ilustrações de Benett./ Curitiba: Juruá, 2012.
160p.; 15,3 x 21 cm
1. Educação. I. Título.
ISBN: 978-85-362-3971-2
CDD 370.1 (22.ed) 
CDU 37.013
Visite nossos sites na Internet: www.jurua.com.br e www.editorialjurua.com 
e-mail: editora@jurua.com.br
http://www.jurua.com.br
http://www.editorialjurua.com
mailto:editora@jurua.com.br
Para m eu m arido M arcus e m eus filhos, 
Taliana e Erik, que m e ensinam m uito m ais 
do que sempre sonhei.
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Sumário
Parte 8 
Sobre o livro, a Psicologia e a Educação Positiva
Algumas palavras iniciais 
O que queremos para nossos filhos?
Parte II 
Doze princípios para uma educação positiva
Princípio 1 - Amor incondicional
Princípio 2 - Conhecer os princípios do comportamento
Princípio 3 - Conhecer o desenvolvimento de uma criança
Princípio 4 - Autoconhecimento
Princípio 5 - Comunicação positiva
Princípio 6 - Envolvimento
Princípio 7 - Usar consequências positivas: reforçar, elogiar, valorizar 
Princípio 8 - Apresentar regras e supervisionar o comportamento 
Princípio 9 - Ser consistente
Princípio 10 - Não usar punição corporal, mas consequências lógicas 
Princípio 11 - Ser um modelo moral 
Princípio 12 - Educar para a autonomia
Parte III 
Um pouco de poesia e humor no desenvolvimento 
dos seus filhos
PARTE I
SOBRE O LIVRO, A PSICOLOGIA 
E A EDUCACÃO POSITIVAt
Meus filhos não são melhores, 
nem piores, 
nem iguais 
aos filhos dos outros pais.
Meus filhos 
são o que todo pai 
gostaria que seus filhos 
fossem.
Meus filhos 
são o que eu 
gostaria que meus filhos 
fossem.
Meus filhos 
não são diferentes 
de outros filhos.
Eles são só, 
sei lá, 
especiais, 
únicos.
O olhar de criança
Uni dia, papai Marcus eslava 
levando a filha Taliana, que era 
pequenininha, para a escola. Ela 
lhe disse espontaneam ente que, 
para ela, a parte mais importante 
do corpo não era o “célebro” nem 
o coração, m as a mão, “porque 
é com ela que a gente toca e faz 
carinho”. Ela foi tão convincente 
que seu pai acreditou piamente no 
que ela disse.
(Marcus Vinícius Keche Weber)
A lgumas palavras iniciais
"Aquele que ousa ensinar não deve jam ais cessar de aprender 
(John Cotton Dana)
“Caminhante, são tuas passadas o caminho, e nada mais; 
caminhante, não há caminho, 
se fa z caminho ao andar 
(Antonio Machado)
\
A s vezes as pessoas perguntam se o fato de eu ser psicóloga e de estudar o com portam ento entre pais e filhos traz benefícios pessoais à m inha interação com meus filhos. O que posso dizer? 
Não resta a m enor dúvida que sim! O fato de estudar há tantos anos este 
tema traz ótimas contribuições para mim, para meu marido e para nossos 
filhos. Torna as coisas mais fáceis. Além do mais, eu tam bém tive a sorte 
de pertencer a um a família incrivelmente envolvida na vida e na arte de 
educar os filhos. Por uma série de contingências especiais eu tive dois pais 
c duas mães, os quatro m uito presentes. O m eu avô por parte de pai era 
padre (a m inha religião é ucraniana ortodoxa e os padres podem casar) e, 
há longínquos 40 anos, cie já afirmava, com convicção, que não se devia 
bater nos filhos, mas educá-los com carinho. Eu nunca recebi nenhum 
tipo de punição corporal e, consequentem ente, m eus filhos tam bém 
não. Mas não é somente a ausência dc punições físicas que faz com que 
a educação de um filho seja exemplar. É m uito mais do que isso, o que 
tam bém sempre tive na m inha vida pessoal. Quando lembro da m inha 
infância ou quando ainda hoje convcrso com meus pais sobre o tema (que 
é frequente), sempre vêm à tona histórias em que há valorização, orgulho 
dos filhos, elogios, apoio incondicional, amor. Em m inha memória, isso 
sempre se sobressai às dificuldades ou brigas ou aos limites que nenhum a 
criança gosta m uito de receber, pelo m enos no m om ento em que recebe. 
Nós rimos muitos em nossos encontros.
E ste liv ro p re te n d e fa la r b a s ic a m e n te de p r in c íp io s do 
com portam ento, em especial do com portam ento de pais e de filhos.
Ed u q u e c o m c a r in h o
Gostaria de deixar claro que o que eu vou tentar m ostrar a você não c 
uma questão de opinião pessoal. Sou psicóloga e pesquisadora há 24 anos 
e estou estudando e conduzindo pesquisas específicas sobre as interações 
entre pais e filhos há mais de dez anos. Sempre trabalhei com a linha da 
Psicologia que é cham ada de Análise do Comportamento, que procura 
desvendar, por meio de pesquisas, como as pessoas se comportam e como 
aprendem certos comportamentos. Assim, as orientações mostradas neste 
livro vão além de m eras opiniões m inhas e da minha vida pessoal; elas 
eslão em basadas na ciência psicológica.
Geralmente, quando este inesgotável tema, a interação pais c filhos, 
entra na conversa, sempre há alguém que diz, “é pena, mas não existe um 
m anual para criar filhos perfeitos”. De falo, não existe m anual para criar 
filhos c nem pais perfeitos, pois este estado é impossível para a condição 
hum ana, mas estudiosos do m undo todo pesquisam com profundidade 
este tema há mais de 50 anos! Portanto, não há um m anual de perfeição, 
mas atualm ente existem respostas claras e precisas sobre como a criança 
aprende a se comportar e o que é im portante para o desenvolvimento 
Infantil nas interações entre filhos e pais. E claro que não é como ensinar 
uma receita de bolo, e sabemos que, mesmo seguindo exatamente a m esma 
receita, o bolo pode ficar muito diferente entre diversas pessoas.
Princípios de com portam ento não querem dizer rigidez, inflexi­
bilidade ou destino! O que importa é justamente a interação entre as pessoas. 
No entanto, gostaria de deixar claro que existem ordem e regularidade no 
comportamento; a vida não éfeita de ações ao acaso, dc sorte ou de azar, 
senão nem existiria uma ciência chamada Psicologia. É isso que vou tentar 
mostrar a você: alguns princípios básicos que modelam o comportamento 
das pessoas, cm especial dc crianças pequenas (sim, até mais ou menos 
de/ anos é m uito mais fácil ensinar uma criança...).
Neste contexto de princípios, é preciso dizer que eles servem para 
todas as idades, mas é claro que lidar com adolescentes requer algumas 
atitudes especiais que abordarei cm um futuro livro. Também é preciso 
enfatizar que existem valores diferentes para cada grupo dc pessoas, 
paia cada cultura ou para cada família. Não é possível falar de todos os 
valores, todas as diferenças, então vou falar somente sobre os princípios 
dii comportam ento, sobre como ocorrc a aprendizagem dc uma criança, 
»hic* o melhor modo de agir para ensinar e educar uma criança dentro
d.ts valores que você deseja que seu filho tenha.
Q uanto mais novo for o seu filho, m elhor para você. Você, por 
certo, já ouviu inúm eras vezes que “é m elhor ensinar uma criança do 
que consertar um adulto”, ou “é m elhor prevenir do que remediar...”. É 
preciso começar cedo, pois a criança começa a aprender como funciona 
o m undo exatam ente no m om ento cm que nasce! Assim, depois de 
trabalhar intensivam ente com pais e ouvir milhares de crianças em nossas 
pesquisas sobre estilos e práticas parentais, decidi que um livro para 
crianças deveria acom panhar o livro dos pais. Foi um gesto ousado escrever 
também um livro para o seu filho pequeno. As pesquisas m ostram que os 
comportamentos se repetem dc geração a geração e que há conceitos tão 
arraigados que as pessoas agem em função deles sem ao menos questioná-
-los verdade iram en te . A m inha ideia 
de prevenção foi tão longe que resolvi 
investir tam bém na criança que, muito 
provavelmente, será pai ou mãe no fu­
turo. O livro E duque com Carinho para 
filhos é para crianças desde a mais tenra 
idade: você pode ler para o seu filho, ler 
com o seu filho, pedir para ele ler para 
você, deixá-lo ler sozinho, enfim . Você 
poderá surpreender-se com sua filha ao 
vê-la fazendo com suas bonecas as ações 
corretas que estou tentando ensinar para 
você.
__________________________ A ideia do livro para os filhos é
uma inovação cujo objetivo é colocar a 
família como um time e, principalmente, 
fazer a criança entender que ela tam bém é protagonista da sua história. 
Ao com preender os princípios do com portam ento, a criança passa a 
entender que é responsável pelo seu com portam ento c, portanto, das 
consequências que quer da vida. Será dona do seu destino, sempre com 
seus pais ajudando-a, guiando-a e m ostrando o caminho. A ideia é plantar 
firm em ente a semente da Educação Positiva, com carinho e com firmeza.
Eu sei que ler um livro nem sempre é suficiente para modificar o 
com portam ento, mas pode ser um bom começo, especialmente se você 
parar para refletir cada capítulo, treinar e fizer os exercícios que indico
L íd ia W eb i.r
Ed u q u e c o m c a r in h o
(para o seu filho tam bém há treinam ento e exercícios). Mais ou menos 
no final dc 2002, depois de realizar dezenas de pesquisas sobre o tema 
pais e filhos, eu e duas alunas dc graduação, muito especiais, Ana Paula 
Viezzer Salvador e Olívia Ju stcn Brandenburg, resolvemos socializar 
o conhecimento das pesquisas internacionais e dos estudos realizados 
no Núcleo de Análise do Com portamento da Universidade Federal do 
Paraná. Decidimos m ontar um curso para pais! Brincando, as pessoas 
sempre dizem que há cursos para aprender isso e aquilo, mas não há 
curso para ser pai e ser mãe! O que eu mostro neste livro está embasado 
no curso que m ontam os (que tem apostila e tarefas para casa) e que 
aplicamos em dezenas de pais cm diferentes grupos, em um projeto de 
extensão de nossa universidade. Durante muito tempo ficamos pensando 
nos princípios que seriam gerais, nas atividades vivenciais que faríamos 
com os pais, nos vídeos que selecionamos para m ostrar modelos e nos 
vídeos didáticos que estam os produzindo atualm ente para facilitar a 
aprendizagem dos pais. Embora o trabalho nunca chegue ao fim, pois 
perfeição não existe, achamos que chegamos a um consenso no que se 
refere aos princípios do com portam ento para se ensinar a pais. O que eu 
gostaria é que você pudesse participar dc nosso curso vivencial, chamado 
Programa de Qualidade na Interação Familiar, mas é impossível atingir um 
núm ero tão grande de pessoas, e, atualm ente, estamos trabalhando com 
a ideia de formação de multiplicadores deste nosso método. Eu tenho que 
dizer que aprendemos muito com os pais dos Grupos. Há aqueles que são 
naturalm ente competentes e seguem os princípios porque, em verdade, 
eles tam bém tiveram pais afetuosos, interessados, e que erraram pouco.
Assim, ao finalizar este prefácio e iniciar a proposta de passar 
o conhecim ento científico sobre criação dc filhos e desenvolvim ento 
infantil para você, gostaria dc agradecer, em primeiro lugar, a quem me 
deu origem e a quem me fez conhecer c entender o mundo, meus pais. 
Agradecer ao meu marido, companheiro inseparável, pai fabuloso (que 
me ensinou muitos princípios e valores), e aos meus filhos, absolutamente 
fantásticos, que continuam a me ensinar diariam ente e mostrar que a 
vida vale a pena.
“A infância revela o H om em , assim como a m anhã revela o dia 
(John M ilton)
“Autoconfiança é como um a lanterna. Por mais escuro que esteja, ela o 
ajudará a achar o caminho 
(Mark Twain)
É preciso tempo e investimento para educar
Os diferentes pais parecem não diferir muito cm relação ao que 
querem dos seus filhos: desejam que os filhos sejam responsáveis, tenham 
autoestima elevada, assertividade, autocontrole, autonomia, boas habilidades 
sociais, que sejam amados pelos outros, confiantes, empáticos, felizes etc. 
Então não c tão simples assim, certo?
A maioria das pessoas, inclusive mães, está ocupada, trabalhando, e 
parece não ter tempo para nada. Mas, quero mostrar para você que a tarefa 
dc ser pai e mãe requer tempo. Não adianta você pensar que comprou um 
m anual para não precisar “perder muito tem po” com a educação dos seus 
filhos. Isso não existe. Em verdade, se você não tem tempo e quer realmente 
educar os seus filhos, terá que reorganizar suas prioridades. A infância passa 
muito rapidamente. Em um dia você está trocando fraldas, no outro dia o 
seu filho está indo para a escola, mais algum tempo c ele estará dormindo 
na casa dos amiguinhos e, quando menos você espera, ele está trazendo 
a nam orada para você conhecer. E aí você ficará pensando que deveria ter 
contado mais histórias na hora de dormir, ter ido mais a parques com ele c 
construído mais barracas dc cobertores na sala de jantar. Agora esse tempo 
já passou, e o que eles aprenderam com você levarão ate o fim da vida. É 
preciso estar presente e participar se você quiser realmente educá-lo. Esse 
comportamento dos pais chama-se investimento parental. É ter tempo c 
disposição para ser pai e ser mãe. É claro que você pode, e deve, ter vida
E d u q u e c o m c a r in h o
própria, ter seus interesses e um tempo somente para você. Mas o que não 
é possível é ser pai ou mãe somente uma hora por dia. É preciso tempo 
integral. Aliás, ser pai c mãe tam bém não acaba... Embora a infância seja 
curta, logo começa a adolescência, que tam bém precisa de m onitoria e 
cuidados, em seguida o adolescente vira adulto e precisará do seu apoio, 
c por aí vai. Parentalidade é para sempre. Educar bem significa preparar o 
seu filho para a vida, para ser autônom o e viver confiante.
L id ia W ebfr
Educar um filho dá trabalho. Não é tão simples quanto se imagina. 
Existem pegadinhas e surpresas. Só amor não basta, mas sem amor não 
funciona. Não podemos deixar nossos filhos eternamente felizes, mas se não 
forem felizes, não serve. Crianças gostam de fazer bagunça, mas precisam 
se sentir seguras e confiantes, e isso ocorre a partir das regrasdos adultos. 
A boa-nova é que os princípios apresentados neste livro funcionam para 
sempre! Seja paciente. “Nada pode ser feito a não ser pouco a pouco”, disse o 
poeta francês Charles Baudelaire.
A maioria dos pais deseja mesmo um filho perfeito, que tenha sucesso 
na escola, nos esportes, que ganhe medalhas nas competições e tire somente 
notas exemplares. Querem m ostrar o filho para os outros, sentir orgulho
e até mesmo esperam que os filhos realizem 
coisas que não conseguiram realizar. Nós 
também queremos que eles nos obedeçam in­
condicionalmente. Será que isso é bom? Um 
filho que, no futuro, não consiga distinguir 
entre um bom e um mau comando e obedeça 
sempre, não importa o que aconteça? É claro 
que não, não é? Às vezes os pais repetem sem 
pensar “que sorte que seu filho é assim, tão 
estudioso ou obediente”. Veja bem, ter um 
filho feliz, bem educado é fruto de estratégias 
educativas e não de um golpe de sorte!
Mas os pais reclam am que precisam ficar repetindo tudo qu inhen­
tas vezes, criticam demais, dizem que os filhos não obedecem, que os 
filhos enrolam , m anipulam , os filhos sabem mais táticas para irritar os 
pais do que eles sabem de estratégias para ensinar o com portam ento 
adequado. Os pais sentem culpa porque trabalham demais e não têm 
tem po para os filhos (têm de ter mesmo!), dão muito mais coisas do que o 
necessário para seus filhos, mesmo assim eles fazem birra c desobedecem; 
então os pais não aguentam c cedem ao comportamento do filho para ter 
um pouco de paz ou subornam, “fique quieto agora na casa do meu am i­
go e eu t.e dou um chocolate na saída”. Sentem raiva c frustração depois. 
UFA! Que encrenca, não? Não é preciso chegar a tanto, mas que há m uitas 
famílias enroladas nessas armadilhas, isso há...
É preciso estar presente e 
participar se você quiser 
educar seu filho. Esse 
comportamento dos pais 
chama-se investimento 
parental.
Ed u q u e c o m c a r in h o
A disciplina deve ser positiva
Este livro tem o objetivo de ensinar estratégias deprevcnção. O que 
vou ensinar funciona muito melhor se você começar bem cedo, com filhos 
pequenos, mas também é possível aprender a m udar algumas atitudes 
suas e, por consequência, ensinar seus filhos. Todo m undo erra e já errou, 
mas os poetas sabem dizer as coisas e Galeano assinalou que “Somos o que 
fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para m udar o que somos”. 
Não é um livro que vai mostrar técnicas de punição, pois disciplinar não é 
sinônimo de punir, mas sim de instruir, ensinar. Pode até acontecer algum 
nível dc consequências negativas, mas este não é o foco. O foco é o que se 
chama de Disciplina Positiva. Disciplinar é ensinar autocontrole para os 
filhos poderem se virar quando chegar a adolescência e, mais tarde, na vida 
adulta. Disciplinar é ensinar como estar no mundo, disciplinar é educar. 
Dizem que a teoria é mais fácil do que a prática. Claro que é. Para os pais. 
No entanto, para os cientistas chegarem a 
essa “teoria”, foram necessárias (c ainda
~ v w j i - Não é um livro que vaisao) décadas de pesquisas c compreensão
do comportam ento hum ano. São regras ou mostrar técnicas de
princípios do com portam ento estudados punição, pois disciplinar 
há mais de 50 anos, por pesquisadores do não é sinônimo de punir, 
inundo todo. Não são conselhos aleatórios mas Sjm de instruir,
nem baseados em valores morais ou pessoais. ensinar
Esses valores, cada fam ília tem os seus.
Também não é um livro dc receitas que vão
funcionar não importa com quem, nem dc fórmulas m atemáticas precisas 
e exatas que funcionarão não importa com qual criança e com qual família. 
Educar uma criança tem seus princípios em descobertas da ciência, mas 
tam bém é um a arte. Aliás, um a das coisas que devemos aprender e 
ensinar, é justam ente a flexibilidade, o jogo de cintura. Mas os princípios 
independem de valores, da idade, do gênero da criança e da composição 
familiar. Eles foram pesquisados c testados em milhares de estudos c nos 
fornecem um ótimo guia, que aos poucos você pode adaptar a seus próprios 
valores e características.
Afinal, nós também queremos filhos com boa autoestima (palavra- 
-chave na vida de todo inundo) que tenham autocontrole, filhos que sejam
L id ia W lber
alegres, tenham amor pela vida, sejam felizes, afinal de contas. Nós não 
queremos que nossos filhos sejam apenas obedientes e digam sim sem 
refletir. Nós queremos filhos que saibam pensar, que sejam independentes. 
Você já pensou nisso? Qual é o seu objetivo como pai? Nós queremos 
também ter uma boa relação com nossos filhos (sim, se você comprou ou 
se está lendo este livro, este é um dos seus objetivos!). Em resumo, nós 
queremos sim que eles tenham limites c obedeçam, mas que sejam críticos 
e autônomos; que nossa relação seja boa, com muito afeto e até diversão 
e que, por fim, eles sejam felizes, no ideal do que possa ser felicidade para 
eles, c não necessariamente para nós.
Os tempos mudam
Podemos ser pais dc primeira ou segunda viagem, mas em primeiro 
lugar todos nós já fomos filhos. E esse é o primeiro modelo que temos, ou 
seja, nós aprendemos com os nossos pais. Às vezes nem temos consciência 
do que de fato aprendemos. Repetimos frases feitas que um dia juramos 
nunca repetir, assim como “engula esse choro m enino”, “limpe o prato até 
ele ficar brilhando”, “você quer o tênis que seu amigo tem, mas se ele se 
jogar de um prédio, você tam bém vai atrás?”.
Será que a educação m udou ou não? Sim, com certeza. Há algumas 
décadas nós tínham os um ideal patriarcal e hierárquico nas famílias. 
Atualm ente não existe nem mais “cabeça do casal” dc acordo com o novo 
Código Civil! Hoje a família tem um ideal igualitário, ou seja, todos os 
membros têm a mesma importância e podem tomar decisões. Isso não 
quer dizer que tudo o que seu filho quiser, ele deva ter. Significa que 
nenhum membro é mais im portante do que outro. Isso faz diferença. 
Hoje em dia, realm ente o m undo está mais confuso, para quem mora 
em cidades grandes, está mais perigoso e mesmo em cidadcs menores 
não é mais possível brincar no meio da rua ou ir até o campo subir cm 
árvores. Há m uito mais estimulação do que nos “nossos tem pos”, escolas 
mais em polgantes, televisão, jogos eletrônicos, internet. Antigam ente 
as coisas eram mais lentas, as m udanças ocorriam com mais vagar. Os 
relacionamentos também mudaram; há distanciamento da família extensa, 
avós e tios não ficam mais tão próximos para nos ajudar, há muito mais 
divórcios e famílias recompostas, e há diferentes modelos de famílias.
Ed u q u e c o m c a r in h o
Ou seja, hoje existem tantos livros para pais, porque de fato os pais estão 
precisando de dicas, de um outro modelo que não aquele autoritário que 
aprenderam cm seu passado. Mas as dicas devem e?tar baseadas em 
estudos, na pesquisa científica e não em achismos ou opiniões pessoais. E 
devem ser claras e simples. É o que vamos tentar fazer neste livro.
M uitos pais são bons. G eralm ente tiveram a sorte de ter pais 
intuitivos e sensíveis ou, ainda, se não os tiveram, conseguiram refletir 
e alterar a sua história. Outros pais têm histórias difíceis e, às vezes, 
sem ter realm ente consciência de sua história, acabam por repetir o 
comportamento inadequado dos seus pais com os seus filhos. Por isso, 
para educar um a criança, prim eiram ente 
precisamos relembrar como fomos criados c 
como isso repercutiu em nossas vidas. Este 
livro pode servir para todos os pais, seja para 
aperfeiçoar o que já fazem de bom, seja para 
mudar ou para refletir sobre o seu próprio 
estilo de educar um a criança. Gostaria que, 
com este livro, você iniciasse uma reflexão 
junto com sua família (independente do tipo 
de família que você tem, ou seja, não importa se você é casado, solteiro, 
separado, recasado etc.), sugiro, porém, que você faça isso com os seus 
filhos.
Os princípios de um a educação positiva, coletados em décadas 
de pesquisas, vão ajudá-lo, as dicasvão fazer com que você relembre 
rapidamente os belos e engraçados desenhos e textos mais poéticos poderão 
fazê-lo sorrir e, assim, repensar algumas importantes questões.
O livro não tem receitas instantâneas, mas pode servir de guia. 
Muitas pessoas dizem que não é preciso m anual para criar filhos. Acham 
que é natural. Natural é um a palavra enganosa. As pessoas pensam 
que sabem tudo sobre como criar filhos porque já foram filhos um dia. 
Compram m anuais para quase tudo, m enos para m elhorar sua vida 
familiar. As coisas mudam, como disse Chico Buarque, “o tempo passou na 
janela e só Carolina não viu”. São outros tempos. Nos últimos 40 anos m uitas 
(Lis verdades que sabíamos sobre bebês e crianças m udaram radicalmente. 
Você sc lem bra de quando nossos avós e pediatras da época falavam 
que um recém-nascido poderia ser deixado enroladinho em um quarto
Para educar uma criança, 
precisamos relembrar 
como fomos criados e 
como isso repercutiu em 
nossas vidas.
L id ia W eber
escuro por cerca de três meses? Hoje se sabe que o bebê é um ser ativo e 
com petente desde o nascim ento. Mesmo atualm ente, do ponto de vista do 
desenvolvimento físico, ainda existem m uitas contradições sobre crianças, 
mas do ponto de vista comportamental e dc práticas parentais, as pesquisas 
m ostram consistência cm seus achados. Por exemplo, não há pesquisa que 
mostre que m udar a disciplina a cada dia é m elhor para a criança. Ou que 
diga que usar palmadas c críticas é um bom método para educar, ou que 
nunca elogiar é interessante para fortalecer o caráter da criança. O que as 
pesquisas m ostram com elareza são exatam ente os princípios que estou 
apresentando neste livro.
Gostaria que você entendesse o que é disciplina. Disciplinar não 
é sinônim o de punir, como mostra o senso comum; “este m enino está 
precisando de d iscip lina”, falam alguns adu ltos balançando a mão 
no famoso significado dc palm adas. Disciplinar, do original cm latim,
Disciplina não é achar que a criança é má e que nos provoca o tempo todo, 
e que essa maldade precisa scr retirada dela. N enhum a criança nasce má, 
mas tam bém não nasce sabendo como se comportar. Aprender leva tempo.
Fique sabendo que não é simples e nem fácil educar uma criança. 
É preciso um grande investim ento de tem po, energia, autocontrole, 
paciência, habilidades parentais... Mas é um a tarefa absolu tam ente 
fantástica. Às vezes, os pais falam em esculpir uma criança do jeito que 
eles querem, mas não é esse o ponto que quero enfatizar. Os pais e os filhos 
devem construir um a relação juntos. Você tem um relatório urgente para 
entregar, precisa colocar a roupa na secadora, ver se tem comida para o 
almoço, verificar se há comida para o peixinho dourado e ainda ensinar 
tudo sobre o mundo! Não é preciso ser superpai e supermãe. Ninguém é. 
Mas precisa ser bom para fazer a diferença. Ninguém é perfeito e, por mais 
que prosas c poesias digam que as mães o são, nem mesmo as mães são
O que é disciplina?
Disciplinar significa 
“ ensinar, formar” .
sign ifica “e n s in a r , fo rm a r” . Q uerem os 
filhos discip linados para que possam se 
virar sozinhos no futuro. Queremos filhos 
autônomos. Queremos filhos com autoestima 
elevada, que tam bém saibam cooperar, que 
sejam solidários, éticos, justos, honestos etc.
Ed u q u e c o m c a r in h o
perfeitas. E não precisam ser. Mas é preciso reservar tempo para ser pai 
c mãe sim, senão não fará diferença na vida do seu filho. Isso me lembra 
uma história interessante. Uma professora pediu para conversar com o pai 
de uma m enina de nove anos. Geralmente era a mãe quem participava das 
reuniões necessárias, mas a professora insistiu para que o pai comparecesse 
para uma conversa. Ao chegar lá, a professora lhe disse: “Eu gostaria de 
lhe m ostrar o desenho da família que sua filha fez”. O pai olhou o desenho 
e perguntou: “Onde eu estou no desenho?”. Então, a professora lhe disse 
<|iie ele fora chamado exatam ente por isso. Ela havia feito à m enina a 
mesma pergunta c ela respondeu: “Ele nunca está em casa, nunca brinca 
comigo, então eu o deixei fora do desenho”. É m uito frequente ouvir as 
pessoas falando “eu deveria passar mais tempo com meus filhos”, mas 
você nunca ouviu ninguém falando “eu deveria passar mais tempo no 
meu escritório”, não é mesmo? Pense nisso, somos nós que escolhemos 
as prioridades de nossa vida.
As mudanças acontecem aos poucos
Este livro não vai fazer acontecer nenhum passe dc mágica. Nem 
você e nem o seu filho vão m udar de um a hora para outra. Embora os pais 
de nossos grupos tenham relatado a 
eficácia quase que m om entânea dc 
alguns princípios comportamentais, 
geralm ente leva um tempo, tan to 
para você se adaptar com eles quanto 
para o seu filho. E lem bre-se, se 
o seu filho tem pouca idade, será 
mais fácil, não tenha dúvida. Outro 
alerta im portante é que, quando você 
começa a m udar o seu modo de agir e estabelecer regras, o comportamento 
do seu filho, não acostumado com isso, pode até piorar no início. Isto é claro: 
se ele está acostumado a receber atenção de um jeito errado e você m udar 
o esquema, ele vai reagir, e vai reagir do jeito que aprendeu durante tanto 
tempo. Por isso, uma das ideias foi fazer o livro para o seu filho. Ele também 
deve ser o protagonista da sua história. Então, sabendo disso, m antenha-se 
firme em sua sábia decisão de melhorar a forma como educar os seus filhos.
Família deve ter o sentido de ser 
um porto seguro. Aqueles que 
mais se envolvem com a família 
também se divertem mais.
Lembrc-se que, se a sua filha tem atualm ente oito anos, ela teve lodo este 
tempo de treinam ento do modo “menos correto”... então, fique frio. Diz o 
provérbio: unão importa o quão longe você lenha ido a um caminho errado, volte”.
Ultimas palavras antes dos princípios. A infância é m uito curta. 
Ela deve ser aproveitada tam bém em sua magia de castelos no ar, dc 
não ter contas para pagar, de tomar sorvete ao sol e lam buzar a mão, de 
acreditar em coisas impossíveis, dc pular na cama, tom ar banho de chuva 
e gargalhar até a m andíbula doer. Crianças são seres fantásticos. Família 
é sensacional. Família que acolhe, que tem o sentido de ser um porto 
seguro, é algo maravilhoso. Aqueles que mais se envolvem com a família 
tam bém se divertem mais. Essa é uma regra. Quero que você aprenda a 
curtir cada fase, cada idade, c não pense a tarefa de educar como um fardo. 
Não é somente um trabalho. Tem dc ter amor incondicional. Seu filho tem 
orelhas de abano? Tirou nota 3,0 em m atemática? É baixinho demais? Ou 
m uito alto? Corre feito uma lesma no futebol? Não faz mal, em algumas 
coisas você pode ajudá-lo, cm outras, você pode amá-lo! Ter filhos e educá- 
-los é um a missão, não é simples, mas a caminhada é repleta de amor, de 
alegrias, de risadas edificantes, de m om entos inesquecíveis, dc abraços 
apertados e corações em sintonia. Isso não é possível colocar em um livro, 
só no coração de cada um dc nós.
L íd ia W eber
PARTE II
DOZE PRINCÍPIOS PARA UMA 
EDUCACÃO POSITIVA/
Pr ncípio 1 Amor incondicional
Pr ncípio 2 Conhecer os princípios do com portam ento
Pr ncípio 3 Conhecer o desenvolvimento de uma criança
Pr ncípio 4 Autoconhecim ento
Pr ncípio 5 Comunicação positiva
Pr ncípio 6 Envolvimento
Pr ncípio 7 Usar consequências positivas: reforçar, elogiar, valorizar
Pr ncípio 8 Apresentar regras
Pr ncípio 9 Ser consistente
Pr ncípio 10 Não usar punição corporal, mas consequências lógicas
Pr ncípio 11 Ser um m odelo moral
Pr ncípio 12 Educar para a autonom ia
Abraçando a sua mãe, a criança diz:
"Mãe, eu amo muito você”.
A mãe pergunta: “Quanto você me ama querido?"
"Um tantão assim ”, diz a criança e estica os seus braços completamente. 
"Mas o quanto você me ama, mamãe?”
A mãe responde: "Eu não sei como medir, querido.
Eu amo você tanto quanto cabe no meu coração... Eu não posso amar 
você mais do que isso
"Eu posso”, afirma a criança orgulhosamente.
(Kamini Roy)“Eu te amo exatamente do jeito que você é 
(Billy Joel)
Ame o seu fiího e não o seu comportamento
O que é am ar incondicionalm ente? Aceitar todos os erros? Não 
percebcr os defeitos? Não ter crítica? Não. 0 amor incondicional, esse amor 
dos pais, é o amor que se sente simplesmente porque a outra pessoa é seu 
filho, porque veio de dentro de você ou veio pela adoção, porque você tem 
a responsabilidade e a tarefa de educá-la, de zelar por ela e de ensinar-lhe 
sobre o mundo. O amor incondicional não depende do que o seu filho faz 
de bom ou de ruim. Você o ama porque ele é o seu filho, c isso tem de ficar 
claro para ele.
A gente consegue am ar incondicionalmente quando separa a pessoa 
do comportamento. Nesse sentido não é interessante comparar um a criança 
com a outra. Cada criança e cada filho são únicos. Não podemos confundir
a criança com o que ela faz. Você pode não 
gostar de como seu filho se com portou, 
mas não deve deixar de amá-lo por causa 
disso. Com isso a criança, em qualquer 
circunstância, poderá contar com seus pais.
Eu enfatizo sobrem aneira o afeto e 
o carinho, mas não concordo com a ideia 
romântica e ingênua de que “o amor resolve 
tudo”. Amar incondicionalm ente vai além dc demonstrações de afeto 
e carinho. É um a habilidade dos pais dc m ostrar ao seu filho que seus 
pensam entos c sentim entos podem ser expressos livremente e sem risco 
para o relacionamento. Amar incondicionalmente não é só elogiar, dizer 
coisas boas, presentear, mas é accitar o seu filho, é valorizar as atividades 
e as escolhas que seu filho está fazendo. Parece simples, m as não é.
A gente consegue amar 
incondicionalmente 
quando separa a pessoa 
do comportamento.
Ed u q u e c o m c a r in h o
Geralmente os pais acham que sempre devem interferir nas brincadeiras, 
liderar, mostrar o que acham certo, mesmo nas brincadeiras. Se seus filhos 
chamarem você para uma brincadeira, tente esta posição que chamamos dc 
aceitação: espere que ele comece a brincadeira, deixe-se guiar por ele, use 
expressões verbais e não verbais para mostrar que você está interagindo, 
deixe-o liderar a brincadeira; você até poder dizer: “ O que eu devo fazer 
agora?” Tente não fazer um monte dc perguntas, nem mudar o jeito que 
seu filho está brincando, resolver problemas que ele mesmo pode resolver
L íd ia VV i hi r
ou corrigir o que ele está fazendo. Se você fizer isso, você estará sendo 
intrusivo e não em um a posição dc aceitação. Aceitação c enfatizar para 
o seu filho “eu gostei do jeito que você fez isso” ou saber suas ideias e 
opiniões, “o que você pensa dessa história?”.
Os pais podem achar que am ar demais leva um a criança a ser 
m im ada. Amar demais não existe. Existe superproteger, ser permissivo ou 
ser intrusivo (sufocar), mas isso não é am ar demais. Amor incondicional
é am ar porque a criança é sua filha, sem 
outras contingências, como ser obediente 
ou ser boazinha. Estabelecer regras, limites 
e consequências são outras questões de que 
falarem os a seguir, nos outros princípios 
apresentados. O que se sabe é que quanto 
mais amada um a criança se sente, melhor 
ela aceita as regras c desenvolve am or c 
compaixão pelos outros. Crianças precisam 
saber que são im portantes, que são am adas, que têm valor. É esse o 
conceito do que cham am os am or incondicional. O grande pensador 
William James escreveu, no século 19: “o mais profundo princípio na natureza 
hum ana é o anseio de ser apreciado”. Os pais podem perguntar, “mas, então, 
devo concordar com tudo o que os meus filhos fazem, mesmo quando se 
com portam mal?”. Não é isso. Amor incondicional e aceitação da criança 
não significam ausência dc crítica do comportamento. A tarefa dos pais é 
clarificar expectativas, m ostrar o certo e o errado e ser um espelho moral. 
Mas você deve amar seu filho como ele é e corrigir o seu comportamento. 
Em vez de dizer “você é m uito egoísta”, depois que ele comeu todos os 
biscoitos sem deixar nenhum para seu irmão, você deve dizer “eu não 
gostei que você comeu todos os biscoitos; da próxima vez deve dividir com 
o seu irmão, certo?”. Amar e aceitar o seu filho, ter tempo c investir em 
sua educação, são presentes que você lhe dá a cada dia.
Fortaleça a autoestima do seu filho
Um dos fatores mais im portantes na vida de todas as pessoas é o 
que chamamos de autoestima. O quanto a pessoa sabe valorizar os seus 
atributos, as suas qualidades. A autoestim a é o juízo que cada pessoa tem
Quanto mais amada uma 
criança se sente, melhor 
ela aceita as regras 
e desenvolve amor e 
compaixão pelos outros.
Ed u q u e c o m c a r in h o
cio seu próprio valor, e é absolutam ente fundam ental para o resto de nossa 
existência; se eu reconheço o m eu valor eu posso ir adiante, enfrentar 
frustrações e desafios da vida, não esmorecer diante de dificuldades. 
Desenvolver a boa autoestima da criança é um a das molas mestras das 
atitudes parentais e da escola da atualidade. Mas é um desenvolvimento 
com crítica, ou seja, de nada adianta falar para a criança que ela toca 
piano m aravilhosam ente se ela mal consegue tocar três notas juntas. Os 
pais exercem papel essencial, e essa construção começa na tenra infância.
A autoestim a elevada vem do fato de sermos e nos sentirm os 
amados, especialmente por aqueles que amamos e que cuidam de nós. 
Vem do que chamamos de amor incondicional. Em poucas palavras, o 
seu filho precisa saber que você o ama não importa que erro ele tenha 
cometido ou o quanto você esteja zangado com ele. Isso não é difícil. E 
preciso perceber que, ao contrário do que muitas pessoas m al-hum oradas 
falam, “crianças são más por natureza”, “crianças só dão trabalho”, “você 
deve aproveitar a vida antes de ter filhos”, “crianças provocam os adultos
o tempo todo”, crianças são seres incríveis, c filhos são melhores ainda. 
Você não ama o seu filho porque ele se comporta bem. Você o ama porque 
ele é o seu filho e é único. É claro que apenas isso não basta, por isso o 
livro tem doze princípios. Há outros fatores que favorecem a autoestima, 
como as regras consistentes.
Ter um a au toestim a elevada é saber que você tem um lugar 
único no mundo. O quanto o modo que a pessoa explica o m undo (cm 
psicologia se cham a estilo de atribuição)
está voltado para o seu comportam ento, o i er uma boa autoestima 
seu esforço em fazer as coisas acontecerem. ^ saber que você tem
Por exemplo, um a criança que diz “eu tirei
, um lugar umeo no
nota boa na prova porque eu estudei mostra
um estilo explicativo positivo c otimista e mundo.
boa autoestim a, ou seja, ela entende que
pode conseguir as coisas na vida, se fizer
um esforço. Outra criança pode dizer, “eu estudei, mas tirei nota boa 
na prova porque tive sorte”, ou “porque a professora foi boazinha”. Veja 
que ela não acredita em seu esforço. Cada um de nós precisa ter orgulho 
de si próprio, deve acreditar em si. Deve ser capaz de acreditar que pode 
fazer acontecer. Essa característica é adquirida na infância. Em primeiro
L id ia W eber
lugar são os pais que valorizam o filho, m ostram que ele é importante, 
apresentam consequências boas após seus comportamentos, lhe ensinam 
autocontrole ctc. Esse com portam ento dos pais cria autorregras para a 
criança, que passa a entender o m undo de forma mais fácil, afinal é muito 
melhor ter uma regra que indica que ao estudar ela vai tirar notas boas, em 
vez de ter uma regra de que a sua nota depende da sorte, não c? Pessoas 
com boa autoestim a controlam o seu comportamento, esperam sucesso,
têm tolerância a críticas, têm tolerância às 
frustrações, reconhecem seus pontos fortes e 
fracos, adoram aprender coisas novas e têm 
prazer em viver.
Como já mostramos antes, uma ação 
interessante é ensinar a criança a valorizar
o seu próprio esforço. E ntão diga “você 
tirou n o ta boa em m ate m á tic a porque 
prestou atenção à aula” e não “vocc tirou 
nota boa em matemática porque c bom em 
m atem ática”. O contrário tam bém é verdadeiro, não é bom pensar “eunão sou bom nisso ou naquilo”, é preciso trabalhar e se esforçar para ser 
bom cm alguma coisa. Mesmo ter um talento genético para algo, como o 
ouvido absoluto para a música, por exemplo, só servirá de alguma coisa 
se a criança entrar em contato com a música. Sempre é preciso valorizar o 
processo e o resultado. A famosa frase do pai cujo filho lhe disse que tirou 
9,5, “Mas por que não tirou 10,0?”, é um comentário destrutivo que pode 
deixar a m ensagem de que a criança só tem valor integral se for perfeita, 
se for o máximo, seu resultado é que vale e não o desempenho e o esforço. 
Nunca é demais lem brar que filhos não vêm com certificado dc garantia.
Fortaleça a capacidade 
de resiliência do seu filho
Resiliência tem sido outra palavra-chave da atualidade: é um 
conceito que indica que um a pessoa é capaz de enfrentar e superar a 
adversidade. Resiliência pode ser vista como uma série de habilidades que 
podem ser aprendidas e aplicadas no decorrer da vida. Uma criança que
Todo relacionamento 
é um organismo com 
vida, portanto, é preciso 
alimentá-lo, acalentá-lo, 
fornecer energia, 
todos os dias.
E d u q u i com c a r in h o
possui resiliência c aquela que consegue lidar mais efetivamente com o 
estresse, com os desafios de cada dia, recuperar-se das frustrações, resolver 
problemas e ter expectativas realistas. Pesquisadores têm niostrado que essa 
c apacidade de ser resiliente tem as suas raízes mais profundas na interação 
com os pais que incorporam no seu manejo doses dc empatia, otimismo, 
am or incondicional, capacidade de com unicação ativa e paciência. 
Crianças adquirem resiliência tam bém quando têm os pais enorm emente 
compromissados com ela e podem dizer “eu sou am ada pelos meus pais 
exatamente como eu sou”. Enfim, bons pais significam filhos resilientes.
Crianças resilientes tam bém têm autoestima elevada, autoconfiança 
c’ sabem do seu valor; são socialmente com petentes c têm alto senso 
de autonom ia. Uma criança resiliente - e uma pessoa - possui senso 
de controle sobre a sua própria vida e assume para si mesma o crédito 
pelas coisas boas que conseguiu na vida. São esses fatores associados 
que os psicólogos chamam de “fatores dc proteção”, ou seja, fatores que 
permitem à criança desenvolver a resiliência 
e enfrentar a vida com mais eficácia. Entre 
outros aspectos, não é possível proteger seu
l i lho de tudo e dc todos, o tempo todo. Uma 
criança tam bém deve estar preparada para 
,is coisas que podem não dar certo. Amor 
Incondicional e elogios específicos são como 
injeções de autoestima, mas também deve
1 i.iver a crítica construtiva. A criança deverá 
ler doses de frustração e de modelos dos 
p.iis de como enfrentar o estresse c as coisas difíceis. Não é você quem vai 
protegê-la a vida toda, mas é a criança que deve desenvolver esta capacidade. 
Você pode ajudar seu filho a refletir sobre seu com portam ento e seus 
sentimentos, “você pegou o carrinho do seu irmão c acabou quebrando-o, o 
que vocc acha disso?”. Ao ajudar um a criança a se preocupar com a própria 
•uilorrcflexão, você estará contribuindo para a construção de uma eficácia 
pessoal emocional. Ou seja, em vez de se preocupar excessivamente com a 
opinião dos outros, passará a refletir e avaliar seu próprio comportamento 
c ter uma visão crítica sobre si mesmo.
Uma criança que possui 
resiliência é aquela que 
consegue lidar mais 
efetivamente com o 
estresse, com os 
desafios de cada dia.
L id ia W eber
❖ Todo filho é único e especial e não deve ser comparado com outros.
❖ Você ama o seu filho pelo que ele é; assim, a demonstração de amor 
deve ser independente do comportamento da criança. Portanto, não 
é necessário esperar que ela se comporte bem para demonstrar 
o seu amor.
❖ Procure demonstrar o seu amor com gestos de afeto, com 
expressões faciais positivas, com contato físico, palavras 
significativas, qualidade de tempo, presentinhos especiais como 
cartões carinhosos, montagem de fotos, livro de memórias, gestos 
surpreendentes: construa uma cabana com cobertores, deixe-os 
brincar na chuva, escreva bilhetes e coloque na sua lancheira, 
coloque seus desenhos em lugar de destaque da casa, tire muitas 
fotos, tenha momentos exclusivos de vocês.
❖ Participe sempre de ocasiões especiais, como festas na escola, 
apresentações.
❖ Cada filho é um presente, celebre a vida do seu filho. Aniversários 
não precisam ser festas esplêndidas, mas devem ser muito 
comemorados e ter o significado de mostrar como a família está 
feliz pelo nascimento daquela criança.
❖ Não rotule a criança, “você é tão desastrado” , “você é muito 
egoísta” , mas fale do comportamento dela.
❖ Ensine responsabilidade e compaixão aos seus filhos com 
oportunidades em que podem ajudar os outros.
❖ Ame seu filho pelo que ele é e não pelo que ele faz. Não se deve 
falar - nunca mesmo! - “eu gosto de você quando você tiras notas 
altas” (ou qualquer outro bom comportamento), mas sim “eu gosto 
quando você tira notas altas” .
❖ Faça um mural de fotos da sua família; perceba as diferenças em 
cada idade, cada fase da vida; escreva uma frase sua em cada retrato; 
recorte as fotos e faça uma montagem pessoal de sua família; 
observe cada detalhe de cada pessoa. Divirta-se. Ame simplesmente.
❖ Faça uma lista de coisas positivas de cada membro da sua família, 
incluindo você mesmo.
❖ Descreva situações em que você conseguiu expressar o seu amor 
por seus filhos e que eles se sentiram verdadeiramente amados.
❖ Da mesma forma, não é possível dizer, nunca, “você se comportou 
mal e eu não gosto mais de você” . Você deve dizer “eu não gostei do 
que você fez” . Lembre-se que a criança tem os pais como expressão 
máxima de afeto e o que eles dizem pode ser realmente muito 
marcante para ela.
Ed u q u e c o m c a r in h o
‘‘Nós não herdamos a sabedoria; é preciso descobri-la por nós mesmos por 
meio de um Irajeto que ninguém pode fazer por nós ”.
(Mareei Proust)
“Crianças tendem a viver de acordo com o que você acredita delas 
( Lady Bird Johnson)
Temperamento, aprendizagem e sociedade influ­
em em nosso comportamento
A ntes dc tudo é p reciso con h ecer os p rinc íp io s básicos do 
com portam ento , da aprendizagem e do tem peram ento e en tender o 
papel dos pais na educação dc uma criança. A Psicologia nos m ostra que 
existem três grandes fatores que influenciam o nosso comportamento: 
a herança genética e todos os com portam entos que temos como um a 
cspécie; a aprendizagem que vivência mos a partir do m omento em que 
nascemos (nossa história dc vida) e as influências culturais presentes em 
cada sociedade cm que se vive. As pessoas gostam de invocar os genes 
grande parte das vezes quando não conseguem explicar m uito bem o 
com portam ento de um a criança. Herança genética é im portante e traz 
informações sobre algumas probabilidades, tendências e sobre aspecto 
físico. É preciso saber que nem tudo o que está presente ao nascimento 
é genético, ou seja, podem existir alterações que ocorreram na vida 
intrauterina.
Saber o que de fato é genético c o que é aprendido ainda gera muita 
polêmica, mas atualmente parecc ser um a pergunta sem resposta completa. 
O mais im portante é saber o “quanto” de cada comportamento tem de 
genético e quanto vem da aprendizagem. E essa também é um a resposta 
que, embora difícil, tem-se tentado buscar. Talvez o mais im portante seja 
saber que, obviamente, sempre existirá uma interação entre hereditariedade
c ambiente, mas neste livro apresentaremos os princípios da aprendizagem. 
O que a história c a hereditariedade mostram é que a infância tem uma 
lunção muito importante e não devemos ser muito apressados com os 
nossos filhos. O desenvolvimento cerebral ocorre até perto dos 30 anos de 
vida c a espécie humana tem justamente a infância mais longa entre todas 
«is espécies porque somos seres sociais. Precisamos dc adultos que guiem 
nossos passos por um bom tempo. Assim, a eficácia dos pais, nas práticas 
educativas utilizadas,e a interação entre pais e filhos são dc extrema 
importância.
Há pesquisas que mostram a influência dos genes sobre alguns 
aspectos do comportamento. Por exemplo, a introversão parccc estar 
associada à herança genética, pois algumas pesquisas apontam que pode 
ser identificada com poucos meses de vida. No entanto, lembre-se - e as 
mesmas pesquisas indicam - biologia não é destino! Um bebê pode ter
Ed u q u e c o m c a r in h o
L id ia W eber
tendência à timidez, mas se tiver um ambiente favorável, um a família que 
o incentive, modelos adequados de habilidades sociais, não será tímido, ou 
essa tendência genética não será tão im portante para o seu desempenho 
social. E o contrário tam bém é verdadeiro. O mesmo pode acontecer com a 
depressão. Atualmente sabe-se que ela tem um a parcela devida à herança 
genética. Mas há pessoas que têm essa herança e não ficarão deprimidas 
e há pessoas que não têm essa herança e terão depressão. Um bebê tem 
competências inatas que serão moldadas na interação com os adultos. 
M esmo um traço objetivo como o “ouvido absoluto” para a m úsica, 
uma capacidade de identificar tons sem qualquer referência, tem de ser 
acompanhado de muito treinam ento. Há pessoas que nascem com este 
traço, mas crianças que iniciam o treinam ento musical antes dos quatro 
anos podem desenvolver este talento.
Perceba que os bebês são muito parecidos uns com os outros, mas 
m esm o assim há diferenças notáveis en tre eles. Com mais idade, as
diferenças entre as crianças passam a ser
Biologia não é destino! im pressionantes, é só você olhar para os
amiguinhos dos seus filhos: magros, gordos, 
loiros, m orenos, bons em m ate m á tic a , 
bons em algum esporte, ficam em recuperação, tiram dez em tudo, são 
bem comportados, carecem de certas habilidades sociais, são instáveis 
c incoerentes, às vezes são gênios no xadrez, mas precisam de luz acesa 
para dormir. Muitos desses comportamentos são frutos de como os pais 
interagiram com essas crianças. É claro que não podemos moldar uma 
criança a nosso bel-prazer e, sem dúvida, existem fatores genéticos, e, entre 
eles, está justam ente o fato de o comportam ento ser o que os cicntistas 
cham am de “adaptativo”. Isto significa que a principal característica do 
comportam ento é a sua plasticidade, flexibilidade, a incrível capacidade 
do cérebro hum ano de adaptar-se, de mudar.
Com isso não estou dizendo que as variáveis neurobiológicas ou 
genéticas não são importantes, mas, para a nossa análise, elas não são 
necessárias para entender como o ambiente influencia o comportamento 
das pessoas. Desta forma, vou focar a análise no meio que nos cerca, no 
que aprendemos, pois a m aneira como aprendemos as coisas no dia a dia 
e como são as pessoas que nos cercam têm extrema importância, um a vez
Ed u q u e c o m c a r in h o
que agem sobre como a herança genética vai se apresentar. Se na parte do 
aspecto físico isso já é complicado de saber, com a parte comportamental é 
mais ainda. Dizer que um a criança que agride e fala palavrões para todos 
herdou o gênio do seu pai não é útil e nem explica o seu comportamento, 
além de não existirem genes para “falar palavrões”. Esta criança aprendeu a 
lazer isso. Não existe mapeamento total e nem garantias de fabricação. Um 
bebê pode ter mais sensibilidade à estimulação e ter um sono mais irregular, 
inas o modo como a família vai agir com ele (mais ou menos calmamente) 
também vai determinar como ele vai regular o seu sono. Então, em verdade, 
existe um a grande m istura dc aspectos genéticos e ambientais. E o que 
sabemos com certeza é que a família, o modo de criação dc um a criança é 
absolutam ente fundam ental para o seu desenvolvimento e para o seu jeito 
de ser. Os pais influenciam os valores, os comportamentos, as habilidades, 
os gostos etc. Nenhuma criança se cria sozinha. Somos moldados e pintados 
com as cores daqueles adultos que nos cercam.
Assim, podem existir algumas características tem peram entais que 
acabam sendo reforçadas pelo ambiente, isto é, a criança acaba procurando 
o que recompensa determinado comportamento. Pesquisas m ostram que 
os bebês são diferentes entre si. Há aqueles que dormem a maior parte co 
tempo e são calmos, outros choram e são 
facilmente irritáveis. Mas o que m ostram 
os estudos é que isso tam bém determ ina 
como as pessoas ao seu redor agem com 
eles. Então um bebê que chora muito c uma 
mãe insegura e estressada vão fazer uma 
com binação diferente de um bebê calmo 
com uma mãe que conhece o comportamento 
dos bebês c tem segurança no que faz,
11,10 é? Há pesquisas que dem onstram que 
certas características individuais da criança 
tam bém influenciam como o am biente e 
.1 s outras pessoas se comportam com essa 
t liança. Os pesquisadores atuais falam em pelo menos três tipos de 
temperamento: a criança fácil, a criança lenta ou tímida e a criança difícil. 
Mas, como você se comporta diante do seu filho? Há outros aspectos que 
influenciam o modo como os outros agem com a criança. Por exemplo, 
crianças com características mais femininas podem ser consideradas mais
A maneira como 
aprendemos as coisas no 
dia a dia e como são as 
pessoas que nos cercam 
têm extrema importância 
uma vez que agem sobre 
como a herança genética 
vai se apresentar.
L id ia W eber
fracas ou dependentes. Estudos longitudinais não têm encontrado grandes 
correlações com padrões de comportamento identificados com um mês de 
vida c cm anos posteriores. Isso significa que inicialmente a biologia é um 
fator im portante, mas depois a ação do am biente tem a maior influência, 
e nisso estão presentes o que se chama de “práticas parentais”, como você 
educa o seu filho, como age com ele, como demonstra os seus valores. É 
esse lado que vamos enfatizar neste livro.
A aprendizagem é a maneira pela qual todas as pessoas interagem com
o seu ambiente c tam bém são modificados por este ambiente. Não existe 
só a biologia ou apenas o ambiente na vida das pessoas. A aprendizagem 
está entrelaçada com a herança genética de gerações anteriores, com o 
seu desenvolvimento, e selecionando comportamentos que constituirão o 
repertório comportamental da pessoa. A genética tem importância, mas 
mesmo diferenças muito pequenas na arte de educar os filhos trazem efeitos 
impressionantes no comportam ento futuro.
Aprenda a definir e analisar comportamentos
Em prim eiro lugar, preciso que você en ten d a o que significa 
com portam ento. Com portam entos são atos, reações, falas, emoções, 
sentimentos, pensamentos, ou seja, toda ação (observável ou não) de uma 
pessoa com relação ao seu ambiente. Comportamentos não existem no vácuo, 
mas sempre em relação ao ambiente, que pode ser qualquer evento físico
ou social capaz de afetar uma pessoa. Assim, 
com portam ento não é apenas um a ação, 
mas m últiplas relações entre antecedentes 
e consequentes. É preciso então, aprender 
a definir com portam entos em relação ao 
ambiente em que eles ocorrem. Aprenda a 
definir melhor o que o seu filho faz, ou seja, 
descrcva o comportamento dele e o que ocorre 
antes e depois e não use simplesmente rótulos 
que de nada adiantam . Por exemplo, dizer 
“meu filho é nervoso”, ou “m inha filha chora m uito”, revela m uito pouco 
sobre o que eles realmente fazem. É preciso saber: o que ele faz quando você
Devemos prestar atenção 
ao que vem antes 
(antecedente) e depois 
(consequente) de um 
comportamento, pois tais 
eventos o controlam.
Ed u q u e c o m c a r in h o
acha que ele está nervoso? Em que momento ele faz isso? Que atitudes você 
toma quando ele faz isso? Em que situações clc faz mais vezes? Ele faz na 
sua presença ou na presença de qualquer pessoa? Quantas vezes ele faz 
isso por semana ou por mês? Entendeu o que c definir comportamento? É 
saber o que significa o comportamento e não um rótulo, o que vem antes e 
depois dele, e em que situações ocorre esse comportamento.
O comportamento pode ser observável c não observável.Escrever 
c um comportamento observável, todos podem ver alguém fazendo isso. 
Sentir dor ou sonhar é um comportamento não observável, ou seja, não 
pode ser visto por outra pessoa. Quero chamar a atenção para o que se 
chama de interação entre com portam ento
e ambiente. A Psicologia nos ensina que o Vl_ , , , . ,, r , Nao e possível isolar
comportamento e função do ambiente, isto
, . . r, . , , o fato de uma criancae, o com portam ento e influenciado pelo
ambiente, pelas consequências apresentadas fazer manha; os pais
pelo am b ien te . Assim, devem os p resta r também são parte deste 
atenção ao que vem antes (antecedente) e comportamento,
depois (consequente) de um comportamento, 
pois tais eventos o controlam.
Por exemplo, Sofia, de seis anos, tem estabelecido o horário de dormir 
às 21h. Ao chegar esse horário, a mãe avisa, mas Sofia diz que está sem 
sono e não quer dormir. Os pais insistem para que ela vá para a cama. Ela, 
então, começa a chorar c a dizer que quer ficar mais um pouco e que se eles 
gostarem dela vão deixar. Os pais, que estavam assistindo a um filme e não 
querem ter mais problemas, acabam dizendo, “está certo, mais meia hora”.
0 que veio antes do comportamento de chorar da criança foi o aviso da mãe 
sobre o horário, denomina-se antecedente. Chorar foi o comportamento 
da criança. Depois do comportamento, foi apresentado o consequente, a 
permissão dos pais para ela ficar mais meia hora acordada. Veja que Sofia 
iccebeu uma recompensa depois de ter chorado, logo, aprendeu que pode
1 horar e fazer m anha para conseguir o que quer. Da próxima vez, haverá 
maior probabilidade de cia chorar para conscguir algo que deseja. Os pais 
lambem ficaram aliviados porque o choro parou e puderam assistir ao 
111 me sem perturbação. É uma rede complexa de situações. Isso é analisar o 
comportamento cm relação ao seu ambiente. Veja que todos estão envolvidos; 
não é possível isolar o fato de uma criança fazer manha; os pais também são
L__________ _ □
L íd ia Wi iíi r
parte deste comportamento. Ela poderia fazer outro comportamento, mais 
sedutor, dizer "m ãezinha c paizinho, vocês são tão bonzinhos, deixem eu 
ficar mais um pouquinho, só hoje, tá?" Também não deve cair nessa, pois 
você vai recompensar um comportamento de manipulação! Nas próximas 
páginas, você verá que regras existem para serem cumpridas; se as regras 
não funcionam, pode-se mudá-las, mas não se deve burlar as regras.
Se não sabemos analisar como um a criança adquire determinado 
co m p o rtam en to , podem os d e fin ir a criança com certos traços de 
personalidade. Sofia é m anhosa, Pedro é bonzinho, Aleksander é teimoso. 
Se Sofia continuar a receber tais consequências pelo seu com portam ento 
de m anha, apresentará cada vez com maior frequência tal comportamento! 
Assim, as pessoas podem dizer que Sofia tem um a "personalidade" 
m anhosa, mas o que de fato acontece é que "personalidade" não é algo 
que alguém "tem ", apenas um a descrição resum ida de um padrão estável 
de com portam ento. Cada pessoa é o que faz, e, portanto, personalidade 
é o repertório único de com portam entos que um a pessoa adquire sob 
condições especiais do seu desenvolv im ento , que incluem fatores 
fisiológicos e ambientais.
Entenda como uma criança chega 
a se comportar de maneira errada
Pesquisadores americanos do Oregon Learning Center têm estudado 
este tema há décadas e têm muito a nos ensinar. Eles classificam cm quatro 
estágios básicos a aprendizagem do comportamento antissocial: estágio 1 
é o treinam ento básico; no estágio 2, o ambiente social reage; no estágio 
3, ocorre o agrupam ento com colegas semelhantes e o desenvolvimento 
dc habilidades antissociais e, no estágio 4, será trajetória do adulto com 
história antissocial.
Geralmente os episódios de birra têm um início muito cedo na vida 
dos pequenos e vêm de episódios dc frustração. Sc a sua linda menina 
de dois anos pegou o celular do papai e começou a apertar os lindos 
botõezinhos, o que você vai fazer? Vai tirar o celular dc suas mãozinhas 
e colocá-lo cm um lugar inacessível dizendo-lhe que “não pode mexer”. 
Ela estava se divertindo e não vai gostar. Pode arm ar o maior berreiro,
Ed u q u e c o m c a r in h o
com lágrimas pulando dos olhinhos, ou gritar e se jogar no chão. Nesse 
momento, usar a estratégia “ignorar” é a melhor solução. Mas você deve ter 
firmeza, não ceder, não bater, não gritar e nem discutir ou argum entar com 
a criança. Saia de perto senão conseguir se controlar. Sem plateia, os atores 
não atuam. Se você não conseguir resistir c ceder, estará instalado o primeiro 
degrau do que a Psicologia chama de aprendizagem do comportamento 
coercitivo. Da próxima vez a criança apresentará o mesmo comportamento 
quando quiser alguma coisa. Veja este exemplo de diálogo entre mãe e filha 
de sete anos:
- Guarde o seu material escolar.
- Estou vendo TV agora.
- Filhinha, guarde, não seja irresponsável.
- (choram ingando) Ah, m as agora está tão legal o desenho. G uar­
de você!
- Filha, pegue e guarde, é a última vez que eu falo!
- (gritando) Eu não vou pegar, pegue você!
A mãe guarda o material e diz:
- Espere o pai chegar, você vai ver só, sua bagunceira irresponsável...
A mãe esperou que ela elevasse a voz e então cedeu ao compor­
ia mento e guardou o material. Esse é o protótipo de uma criança mimada, 
sem limites e que faz birra. Ela se tornará uma criança desagradável, de 
quem as pessoas se afastarão ou a quem deixarão que faça tudo para que 
lhes dê um pouco de sossego. Isso pode ocorrer até mesmo com os pais, 
que deixam a criança mais solta ou perm item que ela faça o que quiser 
para não ouvir os choros, gritos ou outros comportamentos como m entir 
r ameaçar. Desta forma, os pais deixam de lado a m onitoria e a criança 
pode, futuram ente, apresentar sérios problemas de comportamento. Com 
mais idade, na época escolar, as outras crianças não gostarão de brincar 
com cia e poderão rejeitá-la. Acabará por se juntar a colcguinhas que sejam 
Como ela, podendo intensificar esse comportam ento antissocial. Os pais 
leiulem a deixar essa criança mais de lado, pois tam bém não suportam 
llcai m uito tem po com ela, c o ciclo continua. Pesquisas m ostram que 
ciinnças com com portam entos agressivos, ou rejeitadas pelos colegas, 
tefldem a en tender que a agressão é um a boa m aneira para resolver
L id ia W eber
problemas e tendem mais a ver o comportamento de outros com o hostil: 
por exemplo, leva uma bolada nas costas e acha que foi de propósito. Sc 
a criança continuar com esse comportamento, ao chegar à adolescência 
poderá ter claramente comportamentos antissociais (enganar, mentir, 
roubar, destruir, agredir ctc.), pois não aprendeu autocontrole, não aprendeu 
a ter tolerância à frustração e acha que pode fazer qualquer coisa para ter 
o que deseja. Em vez de desenvolver habilidades pró-sociais para obter o 
que deseja, esta criança aprendeu a desenvolver habilidades antissociais. 
Rejeitada pelos colegas, certamente se juntará àqueles que são como ela, 
formando aquelas turmas que ninguém suporta. Por isso, resista fortemente 
aos primeiros ataques de birra e não ceda jamais.
Aprenda a entender a função 
de determinado comportamento
Depois de definir o comportamento, é preciso perceber a função de 
determinada ação do seu filho. Isso quer dizer que você sempre deve se 
perguntar “em que condições” a criança aprcscnla um comportamento e 
não “ por que” ela o faz. () seu lilho de quatro anos bate na babá quando
ela quer levá-lo a trocar de roupa. Por que ele 
faz isso? É para chamar a sua atenção? É um 
comportamento correto para lhe dar atenção, 
ou seja, c pró-social, ou não é adequado, mas 
você dá atenção do mesmo jeito? Ele faz isso 
simplesmente para explorar o ambiente? 
Faz sem querer? É para testar você? É 
curiosidade? Ele está cansado c com fome? 
Onde ele aprendeu esse com portam ento 
de bater? Veja que podem existir muitas 
causas para um mesmo comportamento c, portanto,não é possível sempre 
dar a mesma explicação, ou colocar todos em um mesmo caldeirão, pois 
até um mesmo tipo de comportamento pode ter diferentes motivações e 
consequências em diferentes momentos.
Aprenda a registrar o comportamento durante certo tempo. Isso 
significa saber o número de vezes em que a criança apresenta aquele
Um mesmo tipo de 
comportamento pode ter 
diferentes motivações 
e consequências em 
diferentes momentos.
Ed u q u e c o m c a r in h o
comportamento e em que situações. O que os outros membros da família 
fazem antes e depois que aquele comportamento é apresentado pelo seu 
filho? Você acha que o seu filho fala palavrões “o dia todo”? Registre para 
ver se isso é mesmo verdade, se aum enta em determinados horários do 
dia, ou na presença de um a determinada pessoa. Somente definindo o 
comportamento, sabendo quantas vezes ele ocorre c em que situações é 
que você pode programar uma estratégia para mudá-lo. Primeiramente, 
c preciso saber sob quais condições e não “por quê?”. Se você conhecer as 
condições, poderá inclusive prever o comportamento. Se quando o seu filho 
está cansado e você o leva ao supermercado ele inevitavelmente faz uma 
cena, então não o leve nesta situação. Saber “em que condições” ocorre 
um determ inado com portam ento faz com que não mais seja utilizada 
a “explicação circular”, que é aquele que gira em torno dela m esm a. 
Ilxemplo: o m eu filho é agressivo. Por que ele é agressivo? Ele é agressivo 
porque bate nos seus amiguinhos. Por que ele bate nos seus amiguinhos? 
Porque ele é agressivo. Nada se explica, nem em que situações ocorre esse 
comportamento, nem o que acontece antes e depois de tal comportamento, 
(Mi lão o “agressivo” virou um a explicação da “personalidade” dele. Não é, 
('le aprendeu a fazer esse comportamento, precisamos entender como e 
por que ele ainda continua a fazê-lo. A criança até poderá mudar, mas o 
rótulo que você tem dela vai confirmar tudo o que ela fizer e você poderá 
nem perceber a mudança.
♦> Genética não é destino! Seu filho pode ter os olhos da mãe, 
o queixo da avó e os cabelos do pai, mas são os pais que o 
educam e com quem ele aprenderá a ser habilidoso socialmente, 
ter comportamentos altruístas, ter autoconfiança, respeitar os 
outros etc.
❖ Características físicas e comportamentais da criança influenciam 
em como os pais agem com ela.
❖ A maneira como os pais agem com a criança desde o nascimento 
vai influenciar o seu comportamento.
Descreva o que o seu filho faz em termos de comportamentos 
(quanto, onde, como, de que maneira) e não de rótulos de 
“ personalidade” .
Verifique o que as pessoas fazem antes e depois do comportamento 
do seu filho e analise se o comportamento está sendo reforçado, 
ignorado ou punido.
Não ceda e nunca recompense um comportamento negativo como 
a birra, a manipulação, os gritos, a agressão.
Escolha algumas fotos da sua família, dos seus filhos e faça uma 
colagem divertida, assinalando quem é parecido com quem. Pegue 
fotos da sua infância. Alguns vão ser muito parecidos, outros muito 
diferentes, mas não é isso que importa, não é? Importa é o quanto 
vocês se amam.
Pegue um papel e escreva os comportamentos do seu filho que 
você acha que precisam ser modificados. Em seguida, defina o 
comportamento: o que ele realmente faz? Observe por alguns dias 
e registre todos os momentos em que ele faz este comportamento 
durante uma semana. Perceba o que você e as outras pessoas fazem 
antes e depois deste comportamento dele. Que consequências 
(positivas ou negativas) o seu filho recebe depois que fez este 
comportamento? Perceba que função pode ter este comportamento, 
isto é, uma criança faz manha porque está doente ou porque quer 
chamar a atenção do seu pai que nunca fica com ela quando está 
em casa. Faça isso com cada um dos seus filhos.
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üncípio 3 - Conhecer o desenvolvimento 
DE UMA CRIANÇA
In fância
Um goslo de amora 
comida com soi. A vida 
chamava-se “agora ”.
(Guilherme ie Almeida)
Resgate a infância
A primeira questão que devemos entender é que os papéis de mãe 
e de pai ajustam -se a cada idade da criança, assim como se ajustam à 
época. É um processo dinâmico. M antenha suas expectativas de m aneira 
realista e entenda algumas questões que fazem parte da idade do seu filho. 
Por exemplo, até os quatro anos, mais ou menos, a criança não faz m uita 
diferença entre m entir e não mentir. Ela até pode achar que os desenhos 
da TV são seus amigos ou que podem sair da tela a qualquer momento. Sc 
a parede está pintada de vermelho e ela diz “não fui eu", nem sempre é 
uma m entira no scntico que os adultos entendem. Não grite nem brigue, 
mas aponte a verdade gentilm ente: “veja,
você está com o giz de cera vermelho cm sua Um pouco de bagunça . 
mão...”. Sc o mais velho está mentindo, tente
normal na infanda.conversar com ele e entender por que isso 
ocorre. Ele tem medo das consequências? 
listá envergonhado? Certa mãe relatou que
seu filho dc seis anos trazia frequentes bilhetes do colégio, solicitando sua 
presença para conversar com a orientadora. E ela, cansada, lhe disse que 
"da próxima vez que você trouxer um bilhete, você vai ficar sem sair para 
brincar por três meses 2 eu vou te bater dc cinta”. Aí um dia ela encontrou 
um bilhete do colégio no lixinho do banheiro, nem amassado estava... Ou 
seja, ela apresentou ameaça dc tão terríveis consequências que não havia
41
I II)lA Wl III R
mesmo outro jeito a não ser dar fim no bilhete... Nós queremos educar 
ou ameaçar? A criança deve aprender o que fazer e assumir os erros ou 
ter medo?
E preciso entender que um pouco de bagunça é normal na infância. 
Crianças que aproveitam ao máximo o seu desenvolvimento têm famílias 
que lhes ensinam os princípios claros, mas também sabem que perfeição 
não existe c que crianças são crianças! Tomando consciência disso, os 
pais também podem aprender a relaxar um pouco mais, a se divertir mais 
com os filhos e não temer “ o que os vizinhos vão dizer” se houver um 
pouco de louça suja na pia. Por outro lado, se a sua casa é completamente 
desestruturada em questão de horários, limpeza, organização, então este
será o modelo para seus filhos; é preciso haver ordem e regularidade para 
educar um a criança.
Alguns comportam cn:os das crianças não servem para provocar 
os adultos, mas fazem parte da fase, ou da falta de habilidade motora da 
criança cm certo momento. Por exemplo, bebês cospem a comida e ainda 
riem com isso; jogam o prato no chão só para ouvir o barulho, apertam a 
pasta de dentes, gostam de jogar coisas só para vê-las cair, adoram lamber os 
dedos, derrubam suco na roupa c sujam a roupa ao brincar... Eu sempre me
Ed u q u e c o m c -x r in iio
L íd ia W ehfr
assusto quando chego de surpresa a alguma casa com crianças pequenas no 
m omento em que elas estão lá (tem de ser de surpresa, senão a casa sempre 
estará arrum ada para “visitas” ) e vejo o quarto das crianças absolutamente 
arrum ado, cada jogo cm sua caixa, cada boneca em seu lugar, o quarto 
mais parece um a loja de brinquedos e não um quarto de criança! Um 
pouco dc bagunça é normal! Gosto quando chego a uma casa c há uma 
barraca dc cobertores m ontada em plena sala de estar! Gosto ainda mais 
quando vejo m uitas fotos dos pais em situações inusitadas e participando 
junto com os filhos. É claro que esse fator é um desses “valores” que você 
deve decidir o quanto ele c im portante para você e o quanto ultrapassa 
o seu limite. Barraca na sala de vez em quando tudo bem, sempre não. 
Ou ccrta bagunça no quarto tudo bem, mas sujeira não. Lembro de
u m film e (Lances Inocen tes) sobre um 
m enino jogador de xadrez. O quarto dele era 
realm ente bagunçado! Daqueles em que não 
se podia pisar antes de dar um a boa olhada 
no chão. Depois que ele começou com aulas 
dc xadrez e ficou um pouquinho mais velho, 
houve uma mudança radical no seu conceito 
de organização. Mas, o mais interessantedo filme é o respeito com que seus pais o tratavam, nunca forçando, nem 
exigindo que fosse campeão, e foram ate contra as indicações do seu 
mestre de xadrez, que o impediu dc jogar com os jogadores da praça para 
não aprender coisas erradas, embora o menino adorasse fazer isso. A mãe 
ficou do lado do m enino, pois antes que ele fosse um campeão de xadrez, 
ela queria que ele se divertisse.
Às vezes a criança não tem intenção de se com portar mal, mas 
acontece. É como quando a criança está andando dc mãos dadas com 
a mãe pela calçada, tropeça e a mãe a puxa com força e diz “sempre 
desastrado, olhe por onde anda” . Não é horrível? Então, veja bem sc a 
criança não fez alguma coisa pela prim eira vez, c não fez sem querer, sc 
não sabia como agir. Ela não está sempre querendo provocar você. Seja 
um guia, seja o mestre, ensine e não somente julgue e condcne. Lembre - 
-sc que a ideia de “desenvolvimento” indica que ocorrem alguns picos 
em determ inadas áreas, mas isso não c tão rígido quanto sc pensava há 
alguns anos. Não é porque a criança completou sete anos que passará 
inevitavelmente a outro estágio. Depende de toda a sua história de vida.
Às vezes a criança não 
tem intenção de se 
comportar mal, 
mas acontece.
Ed u q u i c o m c a r in h o
Diversas esferas do comportamento podem estar em fases diferentes do 
»|iie se chama de “m aturidade”, isto é, o menino pode ser um campeão no 
lUlebol, mas gostar sempre cio mesmo cobertor amareio para dormir.
(lonheça os comportamentos 
(* as necessidades em diferentes idades
Bebês - precisam de segurança, confiança e amor
O bebê deseja um a coisa na vida, mais do que qualquer outra: 
ientir-se amado e seguro. Ele quer receber cuidado e proteção 24 horas 
jjor dia e quer recebê-los de seus pais ou de outro cuidador que fique com 
lie frequentemente. O bebê hum ano nasce para viver culturalmente. Isso 
significa que ele é, em essência, um ser social e, portanto, precisa estar entre 
outras pessoas que o ensinem a entender o mundo, vem ao m undo pronto 
para estabelecer um vínculo de apego com o seu cuidador. Se os pais ficam 
menos tempo com ele, ou o tempo de qualidade não é tão bom quanto o 
tln babá, ele se apegará mais à babá. Em outras palavras, o bebê já nasce 
Jirontinho para ser amado e para amar quem cuida dele.
O bebê gosta de ser levado para passear, para ver outras pessoas e 
outros estímulos e cores do mundo. Isso estimula a sua curiosidade. E gosta 
de mamar no peito. Há inúm eras pesquisas que m ostram as vantagens de 
sei amam entado, além de auxiliar na vinculação afetiva entre mãe e filho. 
No comecinho de sua vida ele dorme a maior parte do tempo, mas tem 
ílrzenas de reflexos. Bebês pequeninhos gostam de ser pegos no colo e 
vêm prontos para isso, pois até enxergam melhor a um a distância de 20cm, 
IK.itamente a distância do colo de alguém e cio seu rosto... Eles gostam de 
lOtina: é bom ter horários para dormir e para comer.
O bebê hum ano é diferente dos bebês de outras espécies; é mais lento 
Mo seu desenvolvimento, pois seu cérebro deve se preparar para atividades 
bem mais complexas, que envolvem pensamento c emoções. Há algumas 
hl relas que não adianta tentar antes, tal como tirar a fralda, é só por volta 
ilns dois anos de idade que a criança começa ter algum controle. Se você 
çnmeçar antes, vai estressar o bebê, e a si próprio, sem necessidade, e vai 
levar mais tempo para chegar ao objetivo final.
L íd ia W i ui r
O bebê vem sim com um a carga genética, mas os pais são seu 
prim eiro espelho para o m undo. Um experim ento am ericano m ostra 
essa questão claram ente. Um bebê é colocado em cima dc um grande 
tabuleiro de dam as c, na outra ponta, é colocado um brinquedo para 
atraí-lo. O bebê engatinha pelo tabuleiro até que percebe que a textura 
do solo é diferente, pois agora é um vidro transparente que m ostra o 
tabuleiro em profundidade. O bebe para, assustado, pois a sensação é dc 
estar diante de um precipício. Sua prim eira reação é virar-se para a mãe; 
se ela faz que “sim ” com a cabeça o bebê continua. Se a mãe faz “não”, o 
bebê m ostra um a facc de medo e ele vira-se c volta atrás. Sem a mãe, ele 
não saberia o que fazer.
Vai levar um longo ano para o bebê adquirir ccrtas habilidades 
m otoras essenciais. Algumas fases são o que se cham a de “vértices 
com portam entais”, como engatinhar, andar e falar, pois possibilitam 
o u tra s ta n ta s re la çõ e s com o m u n d o . G e ra lm en te m e n in a s sc 
desenvolvem um pouco m ais rap idam en te do que os m eninos, mas 
tan to m eninas quan to m eninos têm um desenvolvim ento m ais rápido
q u a n d o b rin cam com seus pais! Mas 
brincar não significa querer pular etapas 
ou fazer com que a criança ande com seis 
m eses de idade. Quando o bebe atinge 
certos estágios, quer experim entá-los o 
tempo todo: balbucia sem parar, engatinha 
para todo lado, quando fica cm pé c anda, 
levanta e cai mil vezes por dia. Logo, a casa 
deve estar protegida para cie. O bebê não 
tem como saber que a tomada é perigosa c não vale a pena arriscar sua 
integridade física e ficar estressado gritando “não” o dia todo. Assim, 
p ro te to r na tom ada. P ro tetor dc cantos de m esa. Coloque no alto 
os cristais antigos que ganhou da sua avó; portãozinho na porta da 
cozinha c nos vasos dos banheiros. Nesta fase, toda atenção é pouca!
Os bebês conseguem se com unicar m uito antes de aprenderem a 
falar. Na realidade, o seu corpo todo fala. Com cinco meses já começam 
a brincar com a própria imagem no espelho. A fala vocal começa assim 
que ele nasce. Pesquisas m ostram que bebês com poucos dias dc vida 
conseguem diferenciar os sons dc um a língua dos sons de outra c preferem
O bebê deseja uma coisa 
na vida, mais do que 
qualquer outra: sentir-se 
amado e seguro.
Ed u q u e c o m c a r in h o
,i língua que seus pais falam. Dos seis aos doze meses, começa a falação 
dos monossílabos, “pá-pá”, “nê-nê”. Bebês tam bém sorriem, choram , 
sentem emoções, enfim. O sorriso nos cativa c aproxima, mas o choro, que 
pode chegar a ter mais de 80 decibéis (uma britadeira!), também faz com 
que o adulto se aproxime c faça de tudo para parar com aquela tortura 
auditiva! O bebê adora brincar com os sons que ele mesmo produz c adora 
brincar dc “esconde-esconde”: ele tampa o rosto e acha que está escondido!
❖ Adoram pegar, lamber, chupar e morder o que podem alcançar, 
portanto, cuidado com a limpeza.
❖ Olho no olho, o bebê adora e começa a captar mensagens e 
emoções.
❖ Adoram móbiles e descobrem que podem comandar o mundo 
batendo neles com os pés e fazendo-os se movimentar.
❖ Aos quatro meses já agarram o que querem e se viram, não podem 
ser deixados sozinhos em lugares altos.
❖ Esticam os braços quando querem colo aos seis meses e enxergam 
como um adulto.
❖ Começam a balbuciar aos seis meses; fale muito com o seu bebê.
❖ Converse e toque o seu corpo, massageie, ria para ele.
❖ Adoram e precisam brincar: divirta-se com eles, farra no 
banho, canções de ninar e de brincar, converse, movimente- 
-se, "cadê? Achou!".
❖ Passeie ao ar livre e mostre tudo.
L id ia W eber
1 e 2 anos: bebês que andam e falam 
- precisam explorar o mundo
A questão mais im portante para esta criancinha c sentir que é 
competente e ter autoconfiança a partir do amor e da proteção de seus pais. 
Sempre, nesta fase, vai existir certo conflito entre a segurança que a criança 
precisa e a autonomia que ela almeja.
O bebê que começa a andar e a falar é um guerreiro tentando 
conqu istar o m undo. Essa criancinha prccisa m ostrar aos outros e 
a si própria que pode, que tem o poder, que sabe e que faz; está em 
aprendizagem ininterrupta. Sobe, alcança, pega, puxa, grita, empurra, fala 
não. Geralmente as pessoas enfatizam o negativismo, a fase “terrível”, mas 
também é um a fase maravilhosa, como qualquer outra. O seu negativismo 
pode ser considerado um grito de independência, mas os pais, como 
“governo”, devem estar sempre por perto, comoprimeiros-ministros! Essa 
criancinha está repleta de um entusiasm o tão inebriante, de descobertas 
sensacionais, de alegria contagiante. Ela não pode perder tempo, é preciso 
conhecer tudo, rapidamente! Os pais devem guiá-la para que possa entender
o modo de operar no mundo.
Aprendem duas palavras novas por 
A questão mais dia, m as falam pouco em vista do que
importante para esta fazem. Às vezes gritam e ficam exasperados
s im p lesm en te porque não conseguem 
criancinha e sentir que . . , . ,
comunicar verbalmente o que desejam. E
e competente e ter m uito frustrante. Aprendem a dizer “não”
autoconfiança. como um atestado de poder. Os pais também
devem aprender a dizer “não”, mas sem raiva 
ou palmadas, o “não” dos pais deve ensinar 
regras. A frustração pode levar aos famosos episódios de birra, e o enfren- 
tam ento correto desse comportamento vai ensinar o funcionamento do 
mundo para essa criancinha. Não é um a cena fácil ver uma criancinha linda 
se jogar no chão e gritar com toda a força (e que não é pouca). M anter a 
calma c a sanidade é essencial para os pais, que podem ter a ccrteza de que 
ceder ao que a criança quer é o pior comportamento que podem ter. Negar 
algo a um a criancinha não vai deixá-la com traum as para o resto da vida e, 
por outro lado, essa linda criancinha vai aprender, mesmo que seja ao som de
Ed u q u e c o m c a r in h o
seus próprios gritos e lágrimas, que pode sobreviver muito bem mesmo diante 
de alguma frustração. Tenha certeza de que, das próximas vezes, os gritos e as 
lágrimas irão diminuindo a força. Sc a criancinha sente Os pais vulneráveis, 
pode partir até para a agressão, pois sente medo daquela cena em que 
os pais tam bém não mostram segurança. Se os pais se m antêm firmes e 
calmos (mesmo fingindo..), a criancinha vai aprendendo o que chamamos 
de “tolerância à frustração”. É como se aprendesse algo assim: “sim, cm 
alguns momentos as coisas não dão certo, ou eu não consigo o que quero, 
mas e daí, isso não é o fim do m undo”. Sc isso não ocorrer, essa criança 
lorna-se centrada cm si mesma e mais difícil dc ser amada. Atualmente se 
laia em aprender a ser “resiliente”, não esmorecer diante dc algo negativo, 
c essa capacidade vem com a prática em 
aguentar c enfrentar situações frustrantes.
Pais e crianças devem entender que às vezes 
têm objetivos diferentes c podem discordar, 
mas são companheiros e nunca adversários.
Nessa fase há um tre inam en to de 
emoções; a criança precisa exprimi-las com 
facilidade e perceber o que é aceito e o que 
não é. Começa um intensivo treinam ento 
social. Nunca deixe dc dem onstrar amor 
como uma maneira de mestrar consequência negativa, por exemplo, deixar 
de falar com a criancinha assim que fez algo errado ou deixar dc dar um 
beijo quando cia quiser te abraçar, ou, pior ainda, dizer “se você não dizer 
isso ou aquilo cu vou embora de casa”, ou usar a terrível técnica do “homem 
do saco”. Pais, abandonem para sempre essa história de dizer que vão 
chamar o homem do saco para levar o seu filho quando ele faz algo que não 
gostam. A criancinha acredita e isso faz um mal enorme para ela. Ela quer 
sempre ter a ccrtcza absoluta dc que os pais a amam não importa o que ela 
laça e que nunca, jamais, /ão abandoná-la. Repare quando uma criancinha 
se perde em um supermercado, por exemplo, ela raram ente vai dizer “eu 
me perdi” para a mãe, mas vai dizer “você me perdeu!”. Nessa idade, as 
crianças sentem tudo com m uita intensidade, desde aquele brinquedo que 
quebrou até a avó dizer tcliau ao ir para casa. Os pais devem estar perto para 
apoiá-la, consolá-la e nãopara colocar medo. Medo não é uma boa técnica 
para educar, c nunca foi. As interações com os pais devem ser cativantes,
E3
Ela quer sempre ter a 
certeza absoluta de que 
os pais a amam não 
importa o que ela faça e 
que nunca, jamais, 
vão abandoná-la.
L íd ia W eber
alegres, amorosas, atenciosas, pois uma das coisas mais importantes que a 
criancinha deve aprender é a confiança em seus pais e, por consequência, 
a ter confiança em si mesma e nos outros.
❖ Brincadeiras de esconde-esconde. Brincar com os filhos é essencial. 
Quando essa criança que quer governar o mundo toma a iniciativa, 
pode ser o guerreiro e vencer, pode comandar as regras. Rolar no 
chão, esconder-se, correr atrás e fingir que está com medo, são 
momentos mágicos e altamente educativos.
❖ Quer participar das atividades da casa, como varrer e limpar, deixe.
❖ Dizer sempre “ mamãe já volta” e fazer um treinamento e voltar em 
pouco tempo. A criança vai aprender que quem vai embora, volta.
❖ Começa a falar “ meu” e “ minha” para tudo, impõe o seu desejo, e 
perto dos três anos é a fase negativista, tudo é “ não quero” , “ não 
vou” ; ofereça escolhas, faça a criança participar, “você quer mamão 
ou banana?” .
❖ As escolas maternais são boas para a socialização; a criança aprende 
a brincar com coleguinhas e começa a aprender regras básicas de 
convivência, dividir brinquedos, esperar a sua vez, desenvolver 
habilidades motoras e verbais em grupo etc.
❖ Demonstre sentimentos e emoções com beijos e palavras.
❖ Necessita de colo e de sentir segurança.
❖ Se alguém de quem a criança gosta vai embora, ela pode abrir o 
maior berreiro, não consegue entender; elas não entendem regras 
até um ano de idade, nem princípios morais.
❖ Adoram e precisam brincar: divirta-se com elas.
5 0
Ed u q u e c o m c a r in h o
3 e 4 anos: pré-escolares - precisam aprender 
as regras sobre o mundo
Essas fases todas não vêm necessariamente com a idade cronológica. 
Algumas crianças começam a ir à escola nessa idade, outros antes disso, 
inas não espere resultados acadêmicos. O que se deve almejar nesta idade 
c que seu filho sinta-se feliz na escola, seguro, confiante e queira aprender, 
cada vez mais, a explorar o m undo c entender como tudo funciona. 
Quando ainda é criancinha, esperamos que o desenvolvimento físico dela 
seja ótimo; agora, cspcra-sc que aprendam a ser criaturas socializadas e a 
resolver problemas. Eles pensam o mundo de maneira concreta, portanto
I rascs dúbias podem confundi-lo. Dar escolhas c sempre bem-vindo: “você 
prefere vestir o vestido azul ou o verde?” dá a essa criança um pouco de 
controle e poder.
Próximas dos três anos as crianças entendem tudo o que se iola ao 
redor delas, mesmo que pareça que estão distraídas; portanto, veja bem o 
<|ue fala. Já sabe um pouco melhor como conseguir atenção de seus pais 
c conseguir o seu amor sem precisar ser destrutiva e coercitiva (e a fase 
anterior foi m uito im portante sobre essa 
questão...). Afinal, essa criança de três anos 
já conscgue se expressar com clareza.
C om eçam a e n te n d e r m elh o r as 
regras, assim como causas e consequências, 
estão aperfeiçoando o seu pensamento. São 
exploradores ativos c incansáveis e precisam 
de um am biente seguro. Fala-se que os dois 
anos são “terríveis”, mas é perto dos três que a criança apresenta um a 
energia intensa, um a atividade física incansável e um jeito de testar você e 
suas regras a todo o momento. Ainda podem ocorrer birras, pois a criança 
não tem habilidades verbais suficientes para se expressar nem habilidades 
iísicas para conseguir o que deseja; não ceda nunca. Por volta dos três 
anos, a criança começa a desenvolver a consciência do certo e clo errado. 
As noções de regras e limites dos pais são fundam entais para guiar seu
i omportamento e seu pensamento.
Por volta dos três anos, 
a criança começa 
a desenvolvera 
consciência do certo e 
do errado.
Incentive sua autonomia.
Surgem os primeiros amiguinhos, faça reuniões em casa.
Até essa idade acham que os pais são as criaturas mais perfeitas da 
face da terra e sentem-se seguras.
A qualidade do vínculo é quando a criança se sente compreendida, 
segura e amada; os pais não devem fazer tudo o que ela quer, 
mas mostrar interesse em tudo o que ela faz; ela deve se sentir 
importante e esse sentimento ela vai levar até o fim a vida.
Veja se a mentiraé uma fantasia ou tem a função de enganar 
mesmo; mentira para enganar tem de ser explicada e mostrar com 
firmeza que é errado.
Limite o espaço da bagunça, se isso for importante para você.
Diga não e exerça o seu papel de pai e de mãe, a criança não deixará 
de gostar de você por causa disso.
Passe informações de acordo com a realidade e ajude-o a descobrir
o mundo. Aos três anos as explicações devem ser curtas, ela não 
vai entender longos sermões.
Próximo aos três anos adoram lápis e papel, não se estresse caso 
apareçam riscos em lugares indevidos.
Adoram e precisam brincar: divirta-se com elas.
EDUQUE COM CARINHO
5 a 10 anos: escolares - outras pessoas 
são importantes
Nessa idade, as crianças querem im ensam ente desenvolver o seu 
senso de competência e precisam muito mais de apoio c incentivo dos 
pais. Precisam saber que são im portantes no m undo, que são im portantes 
para as outras pessoas, que sabem fazer as coisas. Existe um a m udança de 
expectativa nessa idade que tem a ver com atividades sociais e intelectuais.
Iintender essa m udança é essencial, uma vez que a criança passa a ter 
uma missão importante: resolver problemas e receber aprovação por isso. 
A criança nessa idade está pronta para aprender o jogo social e são os pais 
os guias principais.
Passam a brincar realm ente com as crianças e não apenas perto 
delas e, com isso, tam bém passam a ter a tr ito s , brigas, am izades 
profundas, tudo o que envolve as relações de amizade. Os pais precisam 
incentivar o contato social e ajudar a criança a desenvolver a empatia, isto 
é, saber entender os sentimentos dos outros,
com preender, ten ta r ajudar. Deixe seus A criança nessa idade
l ilhos escolherem seus amigos, m as sempre está pronta para aprender 
supervisione quem são eles, quem são os o jo0o social
pais onde ele vai passar a noite, m antenha 
c ontato com os pais e os amigos. Monitoria é 
fundamental, ou seja, os pais sempre devem
saber onde e com quem seu filho está. As brigas geralm ente se resolvem 
entre eles e raram ente precisa de interferência parental, mas nunca ignore 
um com portam ento agressivo. Converse sobre as relações entre amigos 
o ajude a criança a lidar com as situações, é um a m aneira de você estar 
próximo e envolvido. Seja amigável e receba seus amigos em casa c faça 
programas em conjunto com os pais; dormir na casa dos primos ou de 
amiguinhos próximos é benéfico.
Começam a fazer perguntas investigativas sobre nascim ento e 
diferenças de gênero. Ainda adoram fazer bagunça, ser provocados para 
lutar e brincar dc pega-pega. Aproveite e ria muito. As explicações sobre 
regras, conceitos e consequências podem ser mais elaboradas, à medida 
que avança cm seu desenvolvimento. Sempre que possível o seu filho
I i l ) ia Wi m k
deve estar junto na elaboração de uma decisão em ífamília. Ele se sentirá 
realmente participando da família e não só sendo comrandado.
Adoram e precisam brincar: divirta-se com ele>s.
❖ Incentive relações sociais.
❖ Saia para se divertir com as crianças.
❖ Ajude nas tarefas e pesquisas da escola sem ser intrusivo ou fazer 
por elas.
❖ Incentive o senso de competência e dê tarefas e ríesponsabilidades.
❖ Ajude o seu filho a desenvolver empatia, segiurança, amizade; 
incentive atividades solidárias: doação de brimquedos, visitas a 
instituições etc.
11-12 anos: pré-adolescentes - fase de 
transição para a independência, 
aprendendo como partir
Lembre-se que o tempo não para. O seu fiilho pré-adolescente 
não será o que você foi e nem o que você gostaria que ele fosse. Nesta 
fase, geralmente as meninas estão um pouco mais adiantadas em seu 
desenvolvimento do que os meninos. Elas já estão com pensamento de 
mocinhas e os meninos de 10 e 11 anos ainda são ímeninões. As meninas 
querem roupa da moda e os meninos não estão nem aí, basta uma calça 
com furos, um tênis velho e um boné virado para trás;, e tudo está bem. É a 
fase inicial da construção de uma nova identidade estando ainda recheados 
pela velha identidade infantil, tão controlada, mas tão conhecida e cheia
E d u q u e c o m c a r in h o
de privilégios e carinhos. Adoram os amigos 
c têm turmas diferenciadas, mas tam bém 
li.í fases cm que permanecem sozinhos. Veja 
.ilguns fatos, m itos e dicas.
É a fase inicial da 
construção de uma nova 
identidade estando ainda 
recheados pela velha 
identidade infantil.latos
• Crescimento: A palavra adolescer vem
do latim e significa estar em irocesso de crescimento, crescer, desenvolvcr- 
sc; logo, o adolescente está em fase de m odificação. É o começo de um 
doloroso adeus à infância, em todos os sentidos.
• Hormônios: Ocorrem alterações horm onais intensas - testosterona 
nos m eninos e estrogênio e progesterona nas m eninas. Entre outros tantos 
r.itores, m eninos tendem a ficar mais explosivos e m eninas, mais sensíveis 
e choronas. Ambos gostam de se trancar no seu santuário, digo, quarto.
• Corpo: A contecem m ud anças corporais desordenadas e, por 
vexes, constrangedoras: vozes estridentes, mãos, braços e pés enorm es, 
espinhas embaraçosas, suor forte, pelos incômodos. O pré-adolescente fica 
desconfortável em seu próprio corpo e, veja só, em uma época da vida em 
que ju stam en te é preciso agradar ao sexo oposto!
• Autonomia: O pré-acolescentc está cm um a fase em que com eça 
,i perceber a necessidade de alcançar uma independência dos pais, isto 
é, sua autonom ia; é a fase do não, dos questionam entos, de ser contra a 
ordem estabelecida, de m ost;ar-se contrário à autoridade. Aqui se incluem 
l.ilos como ter vergonha doe pais ou do carro dos pais (“pai, me deixe na 
esquina do colégio, que eu não quero pagar m ico” ) e brigas cm que saem 
.is palavras “eu te odeio” ou “quero sair logo desta casa”. Se em casa há 
um am biente extrem am ente rígido c falta de aceitação, podem ocorrer 
mentiras.
• Turma: Os p ré -a d o le sce n te s g o stam de an d ar cm grupo, 
constru ind o agora m ais d3 que um agrupam ento, m as um a turm a 
com in teresses que os d iferenciam de outras turm as (p a tric in h as, 
tterds, turma do fundão etc ) e, ao mesmo tempo, fazem com que eles 
se identifiquem entre si; eles querem ser sem elhantes. Há alguns que 
preferem ficar isolados.
Lídia W i m k
• Sexualidade: Sim, a entrada na sexualidade ocorre m ais cedo, c 
com com portam entos que “antigam ente” não existiam , como o “ficar”, 
que começa, em media, aos 11 anos e envolve beijos e carícias, às vezes, 
sem nenhum tipo de llerte prévio. Hoje os teens não falam mais “ele está 
paquerando”, mas “ele está baixando na m enina...”.
Mitos
• A maior influência nesta época é dos amigos: esta visão é exagerada. 
Os adolescentes procuram am igos parecidos com eles próprios, mas 
sua form ação e seus valores vieram de seus pais. No entanto, pesquisas 
m ostram que há uma palavra-chave para os pais nesta fase: m onitoria - 
saber onde estão seus filhos, quem são seus amigos e quais são os seus 
planos. Não é só controlar e desconfiar, mas estar por perto, participar e 
estar disponível.
• Não gostam de fa lar com os pais: na realidade, grande parte deles 
gosta de falar, mas eles querem um ouvinte atento e não apenas ouvir 
perguntas padrão “o que você fez h o je?” e nem esperar pela resposta; 
tam bém não quer um ouvinte inquisidor que nem espera a resposta e já 
com eça a falar “mas eu já te disse pra não fazer isso e aquilo... no meu 
tempo isso era uma vergon h a...”.
• Os pais devem ter controle absoluto dos filhos adolescentes: a bem da 
verdade, há que existir um nível de negociação entre o controle parental 
e o controle do adolescente, que está, como já vimos, em uma fase de 
desengajam ento da fam ília. Não diga sim a tudo e não diga não a tudo. 
Você deve ensinar a ele autocontrole c modo correto de argum entação. 
Deixá-los ter certo controle faz com que se sintam valorizados e melhora 
sua autoestim a.
• São sem pre rebeldes e não querem nada sério: e x is te m certas 
dificuldades nesta fase,alguns passam batido e outros entram a fundo... 
Mas é preciso que você olhe igualm ente o lado positivo e faça o seu filho 
tam bém ver isso. Para ele, tam bém pode não ser fácil! Veja a imaginação, a 
curiosidade, a energia, a vontade de mudar o universo. Direcione, mostre 
modelos, esteja conectado com ele.
E d u q u e c o m c a r in h o
• Não ligam para os outros: esse com portam ento de em patia, de 
solidariedade, desenvolve-se muito antes dessa fase. Se ele teve modelos 
bons, se os pais praticavam o que falavam, se aproveitam esta fase para 
mostrar a importância das relações interpessoais, treinavam a aquisição 
das habilidades sociais, o adolescente terá uma boa base.
EXÍRÇIÇIOS
K S
❖ Mostre real envolvimento e acessibilidade: saiba o que estão 
fazendo, ofereça-se para buscar toda a turma no final da festa, 
convide os amigos para um lanche em sua casa.
Mostre intimidade e empatia: embora digam que não, eles gostam 
ainda de elogios, abraços e até beijos. Divida algo pessoal, por 
exemplo, contando fatos que aconteceram com você quando você 
era adolescente. É bom ele saber que você não era perfeito. É bom 
conversar sobre você de vez em quando e não somente sobre os 
problemas dele. Coloque-se também no lugar dele, compreenda 
seus conturbados sentimentos e ofereça apoio, isso é ser empático.
❖ Dê privilégios e responsabilidades: essa é a vida; coloque relações 
necessárias, do tipo “você vai à festa da sua amiga se estudar duas 
horas por dia”.
❖ Apresente limites e seja firme e consistente: pode até negociar 
certas coisas, mas apresente regras claras e consequências se 
as regras não forem cumpridas. Se ele chegar depois do horário 
estabelecido, não irá à próxima festa. Pense bem antes de dizer sim 
ou não e mantenha sua posição. Se você ficou em dúvida, pode 
dizer “vou pensar um pouco sobre o que você me pediu, e então, 
vamos conversar”.
L id ia W lislr
❖ Não faça prognósticos destrutivos e nem use rótulos generalistas: 
“eu estou dizendo que se você não estudar, você vai reprovar e não 
vai ser ninguém na vida”. Se você acha que ele não está estudando, 
você é o pai/mãe, você é mais velho e tem experiência, então deve 
ajudá-lo a estabelecer estratégias para melhorar isso. Dizer “você 
é sempre egoísta e malvado” em nada ajuda. Pode até dizer “eu 
não gostei disso que você fez com o seu irmão. Vamos ver o que 
pode ser feito para consertar a situação”.
❖ Não use excesso de falação: fale o que você tem de falar diante de 
uma situação negativa, mas não fique fazendo sermão e lembrando 
de como você era perfeito “no seu tempo”. Seja claro e afirmativo.
❖ Dê atenção às coisas importantes: saber onde seu filho está é muito 
importante; não permitir (e não usar) agressão física e verbal é 
imprescindível; drogas, jamais e orientação à sexualidade, sempre. 
Mas será que é tão importante ficar discutindo o fato de o seu filho 
querer usar o cabelo comprido, ou a sua filha deixar a barriga de 
fora quando vai a uma festa?
❖ Aceite, valorize, elogie: não pode ser tudo ruim o tempo todo. Seu 
filho tem coisas boas; você pode aceitar que ele use bermudão e 
tênis surrado, elogiar o fato de ele ter ganhado o campeonato de 
videogame do condomínio e, veja bem, as piadas que ele conta 
até que são engraçadinhas. Mostre apoio e deixe-o expressar seus 
sentimentos, não faça simplesmente um interrogatório, senão ele 
só vai responder “sim”, “não” e “nada”.
❖ Use o humor e aproveite a vida com ele: que tal achar atividades 
que ainda podem fazer juntos? Valorize os encontros em família, 
mesmo que você tenha de deixar sua linda filhinha-princesinha 
levar aquele namorado que tem um piercing no nariz.
5 8
P r in c íp io 4 - A u to co n h ec im en to
“Não nos devemos surpreender com o falo de quanto mais sabermos sobre o 
comportamento alheio, melhor nos compreendemos a nós mesmos 
(B. F. Skinner)
Conhecer a si mesmo é fundamental
Todos conhecem a famosa frase de Sócrates, “conhece-te a ti mesmo”. 
O 4o princípio enfatiza que devemos lem brar como fomos educados e 
identificar o nosso estilo básico de educar, pois autoconhecim ento é 
fundamental. Sim, há muito tempo já se sabe que autoconhecimento é 
essencial para a vida de todos nós. Conhecendo a nós mesmos, podemos
Lídia W i m r
saber por que certas coisas nos deixam alegres, tristes ou irritados, perceber 
por que temos certas atitudes em lugar de outras, por que fazemos coisas 
que a princípio não concordamos, e tanto mais. A pergunta c: você quer
sim p lesm en te m ud ar o com p o rtam en to 
do seu filho, ou prevenir com portam entos 
in a d eq u a d o s e e n s in a r os ad eq u ad o s? 
Qualquer que seja a resposta, você precisa 
p r im eira m en te co n h e ce r o seu próprio 
com p o rtam en to . É im p o rtan te que você 
lembre das coisas boas que aconteceram na 
sua infância e também das que não foram tão 
boas. As histórias são diferentes para cada 
pessoa mesmo dentro da mesma família, e 
lembrar os fatos que não foram bons não tem 
a função de ficar remoendo o sofrimento. 
Eles já fazem parte do passado, mas é preciso tomar consciência, entendê- 
-los, às vezes perdoar os próprios pais, aprender com o passado c, só desta 
forma, não repetir o modelo.
Para cada um conhecer a si mesmo não basta ficar sozinho em um 
canto pensando sobre sua vida. A ciência mostra que a consciência c o 
autoconhccim ento são produtos sociais, ou seja, nós precisamos dos outros 
para conhecer a nós mesmos! Então, os trabalhos em grupos podem nos 
ajudar sobremaneira a entender a própria história e a nos conhecer melhor. 
E quanto mais nos conhecemos, mais podemos controlar nossa vida e nosso 
destino, não é mesmo? Quando isso acontece, fica mais fácil de perceber 
nossos erros. E todos nós erramos m uitas vezes, e pedir desculpas para os 
filhos vai lhes ensinar que é permitido errar, que podemos reconsiderar 
c tomar outro caminho, vai lhes ensinar humildade c vai ser um modelo 
positivo. Conhecer a si mesmo permite que a pessoa tome consciência de suas 
características individuais e sobre suas expectativas acerca de seus filhos.
É claro que o autoconhecim ento não é suficiente para a ação. Às 
vezes sabemos de alguma coisa, mas não conseguimos agir diferente. Por 
exemplo, você sabe que não pode comer três chocolates antes de dormir, 
pois acorda com dor de cabeça no dia seguinte. Mas costuma fazer isso. Em 
parte porque no m om ento em que com e os chocolates é m uito bom. Em 
parte porque está faltando um pouco de autocontrole e estratégias que a 
ajudem a não fazer isso (não ter chocolates cm casa seria o primeiro passo, 
mas como fazer para não comprá-los no supermercado?).
Conhecer a si mesmo 
permite que a pessoa 
tome consciência de suas 
características individuais 
e sobre suas expectativas 
acerca de seus filhos.
E d u q u e c o m c a r in h o
É fundamental entrar cm contato com o que foi (ou ainda c) mais 
difícil para nós, senão há o risco de repetir ou superproteger nossos filhos 
cm função daquele aspecto do nosso comportamento. Por exemplo, digamos 
que sua mãe nunca ajudou você com as tarefas da escola e não se importava. 
Você sempre se sentiu mal com isso, especialmente quando os amiguinhos 
com entavam “m inha mãe m e ajudou com a pesquisa sobre baleias e 
comprou cartolina colorida”. Em nossos grupos para pais, uma mãe contou 
que repetia este mesmo comportamento e não sabia ajudar os seus filhos. 
Outra mãe relatou que, ao contrário, não só ajudava, corno fazia as tarefas 
c os trabalhos deles. As duas apresentavam atitudes que em nada ajudavam 
os filhos, mas somente tomaram conhecim ento disso a partir da lem brança 
de sua própria história de vida, reconheceram a dificuldade e aprenderam 
novas formas de agir. Certo pai relatou que tinha um pai muito pouco afetivo, 
que nunca o elogiava e nem mesmo fazia carinhos. Ele acabou achando 
isso normal e também agia assim com seus filhos. Exigia muito, eslava 
sempre presente c atento, mas achava pouco importantevalorizar as coisas 
boas que faziam e não tinha gestos de carinho físico. Assumiu que apesar 
de fazer o m esm o que seu pai, sempre sentiu falta de carinho e não sabia 
como fazer com os filhos e sentia-se culpado. Ao tomar consciência desse 
aspecto, traçamos estratégias para ele modificar o seu comportamento em 
relação aos filhos e, finalmente, os filhos se tornaram mais afetivos com ele. 
l embre-se, isso não significa ficar ruminando sobre o passado c sentindo-se 
vítima: “Ah, como eu fui infeliz”. Podemos aprender com o nosso passado e 
usar essa aprendizagem para melhorar o presente c o futuro.
Qual é o seu estilo de ser pai/mãe? 
Que práticas educativas parentais você 
usa para disciplinar?
P esq u isa d o res têm estu d ad o com o os p a is in f lu e n c ia m o 
desenvolvim ento das com petências sociais e instrum entais há m uitas 
décadas. Uma das m ais fo rtes áreas de p esquisa fa la dc estilo s e 
práticas parentais. Práticas Parentais são as estratégias que os pais usam 
para disciplinar, geralmente comportamentos específicos, como elogiar, ou 
Hi ii.tr, ou dialogar, ou bater etc. Cham a-se de Estilo Parental um conjunto dc 
comportamentos e atitudes dos pais c todo o clima existente cm uma relação 
pois-filhos, inclusive a expressão corporal, o tom de voz, o bom ou mau
L ídia W i m r
hum or c as práticas parentais usadas mais frequentemente. Dois fatores 
foram categorizados pelos pesquisadores para definir um estilo parental: a 
responsividade (afeto, envolvimento) c a exigência (regras c limites), sendo 
que a com binação dos dois fatores constitui um estilo parental.
De acordo com pesquisadores americanos, há quatro estilos básicos 
de se comportar como pai e como mãe. Um deles, o eslilo participativo, é o 
mais favorável ao desenvolvimento integral dc uma criança. Os outros 
estilos, autoritário, negligente e permissivo, trazem dificuldades, como veremos 
a seguir. É claro que, uma vez ou outra, misturamos os estilos e, às vezes, 
podemos apresentar algumas características de cada estilo, mas os estudos 
m ostram que os pais geralm ente têm um estilo principal cm sua interação 
com seus filhos. O pai pode ter um com portam ento de um estilo c a mãe 
de outro, então pode haver uma com binação que pode scr boa ou não para 
a criança. Veja a descrição dos estilos parentais a seguir e tente identificar 
o seu com portam ento de maneira imparcial.
ESTILO AUTORITÁRIO (muito limite e pouco afeto)
E d u q u e c o m c a r in h o
São p a is que têm 
ii in alto nível de exigência, 
mas pouca responsividade.
São os que colocam muitas 
regras e lim ites rígidos c 
in flexíveis, que têm como 
ob jetiv o a obed iência e o 
controle . São aqueles que 
mandam nos filhos e exigem 
o b e d iê n c ia em p rim e iro 
lugar. C on sid eram pouco 
o lado do filh o e os seus 
sentim entos; sempre fazem 
valer a sua própria opinião, 
não p e rm itin d o que seu 
f ilho participe de decisões 
ou esco lh as. E stab elecem 
muitos lim ites (horário para 
chegar cm casa , conhecer 
os a m ig o s, re g u la r TV c 
games, controlar notas), mas 
pouco afeto e participação 
( b r i n c a r , f i c a r ju n t o ,
«ijudar nas tarefas, elogiar 
o valorizar o comportamento 
bom).
Qual o resultado desse estilo parental para os filhos? As pesquisas 
têm mostrado que os filhos tendem a ter um desempenho escolar razoável, 
poucos problemas dc comportamento, mas são crianças mais submissas 
que imaginam que devem se anular ou fazer tudo para serem amados; 
i'in geral, o estilo autoritário dos pais faz com que as crianças apresentem 
habilidades sociais pobres, baixa autoestima e alto índice de depressão, 
ansiedade e estresse.
Lídia W i ber
Verifique se você tem os comportamentos 
do Estilo Autoritário
❖ Você controla e mantém as regras estabelecidas não importando o 
que aconteça, pois filho tem de obedecer.
❖ Para você, disciplina significa punição.
❖ Você sempre toma a maioria das decisões pelos seus filhos, pois 
são os pais que devem decidir as coisas.
❖ Você mostra sua raiva a seu filho com muita frequência quando ele 
sem comporta de modo errado.
❖ Acha que umas palmadas são sempre necessárias e não fazem mal; 
você também recebeu.
❖ Muitas vezes o seu filho não sabe o que você realmente quer que 
ele faça e precisa ficar repetindo.
ESTILO PERMISSIVO (pouco limite e muito afeto)
E d u q u e c o m c a r in h o
São pais que têm um baixo nível de exigência c muita responsividade. 
Permitem quase tudo ao filho, que “precisa expressar seus desejos e 
emoções”, e c o filho quem acaba estabelecendo as regras da casa. Valorizam 
o filho, oferecem coisas m ateriais em excesso, consideram os sentim entos, 
.is opiniões e necessidades do filho, mas deixam suas próprias opiniões 
e autoridade de lado. Geralmente têm receio de dizer “não” c não serem 
mais amados pelos filhos. Estabelecem, então, poucos limites e regras, mas 
muito afeio e participação.
Qual o resultado desse eslilo parental para os filhos? As crianças 
educadas por pais permissivos geralmente apresentam pior desempenho 
nos estudos e podem apresentar com porlam entos antissociais. Apesar 
de apresentarem boas habilidades sociais e baixos níveis de depressão, 
geralmente entendem que amar uma pessoa é ser cuidado por ela sem 
dar nada em troca, apegam-se em demasia a coisas materiais, não têm 
lolerância à frustração c não desenvolvem senso de auIneficácia, ou seja, 
acham que não são capazes de realizar as coisas por si mesmas.
L id ia W eber
Verifique se você tem os comportamentos 
do Estilo Permissivo
❖ Você apresenta poucas regras e expectativas para o seu filho.
❖ Às vezes você chama a atenção e disciplina o seu filho, e outras 
vezes não.
❖ Se você fica aborrecido com algo que seu filho fez não o deixa 
saber disso, guarda para você.
❖ Você se sente muito sobrecarregado com seu filho.
❖ Você geralmente não aguenta os pedidos, os choros e as discussões 
com o seu filho e faz o que ele quer.
❖ Você acredita que seu filho deve expressar todos os seus impulsos 
para se desenvolver.
REGRA 01. NÃO DEVE' 
REGRA 02: NÃO DEVE 
AAAS POPE... ESTILO NEGLIGENTE
(pouco limite e pouco afeto)
6 6
E d u q u e c o m c a r in h o
São pais que apresentam baixo nível tanto de exigência quanto 
de responsividade. São aqueles que permitem quase tudo, mas não se 
comprometem com seu papel de educador e deixam o filho “solto”. Ou são 
pais muito ocupados que não têm tempo algum para sua tarefa, ou não têm 
interesse necessário para a educação, ou ainda, são pais que estão confusos e 
não sabem como agir. Estabelecem poucos limites e pouco afeto c participação.
Qual o resultado para a criança? As pesquisas em todo o mundo 
têm mostrado que este estilo parental traz os piores resultados para as 
crianças, que apresentam o menor desempenho em todos os domínios com 
tendência a com portam entos antissociais, fraco desempenho acadêmico, 
correlação com depressão, baixa autoestim a, pessim ism o e estresse; 
podem ter um desenvolvimento atrasado e apresentar problemas afetivos 
e com portam entais. As crianças aprendem que não são im portantes, 
geralmente pensam que isso é culpa delas e, portanto, não são e nem serão 
amadas. Se o ser humano sempre deseja amor e atenção, essas crianças 
podem desenvolver alternativas antissociais para se sentirem parte de algo 
e para terem atenção.
L íd ia W i iii r
I........... ........................................... ...............
Verifique se você tem os comportamentos do
Estilo Negligente
❖ Você passa pouco tempo com seu filho.
❖ Você não acha que deve recompensar seu filho por tirar boas notas, 
pois é a sua obrigação.
❖ Você não ajuda seu filho nos trabalhos escolares, pois ele deve ter 
responsabilidade dentro de si.
❖ Você conhece muito pouco sobre os amigos do seu filho.
❖ Você abraça e beija pouco o seu filho.
❖ Você tem pouco tempo para estabelecer regras para seu filho, pois 
acha que ele é que deve ser responsável.ESTILO PARTICIPATIVO
(muito limite e muito afeto)
Esse c o melhor estilo parental, no 
qual os pais apresentam alto nível tanto de 
exigência quanto de rcsponsividade. São 
pais que exigem a obediência dc regras e 
m antêm a autoridade, mas, diferentes do 
estilo autoritário, os pais participativos 
são mais abertos para as trocas com seus 
filhos, fazendo muito uso de explicações 
e p erm itin d o o d esen v o lv im en to da 
autonomia. Consideram os sentimentos e 
as opiniões do filho, fazendo-o participar 
dc dccisõcs c escolhas. Apresentam muitos 
lim ites e m uito afeio, envolvim ento e
E d u q u e c o m c a r in h o
participação; estão disponíveis para brincar, ajudar com as tarefas, elogiar 
e valorizar. M ostram que têm orgulho do filho c dispõem de tempo para a 
família.
Quais os resultados para as crianças? Os m elhores! Os filhos de 
pais com estilo participativo-democrático entendem o respeito m útuo e as 
consequências do seu comportamento e sua responsabilidade no processo 
e, sobretudo, sentem-se valorizados, amados e gostam da vida. As pesquisas 
revelam os melhores resultados em termos de elevada autoestim a, menor 
nível de estresse e de depressão, maior otimismo, habilidades sociais c 
percepção de autoeficácia.
L íd ia W i ui r
Verifique se você tem os comportamentos 
do Estilo Participativo
❖ Você considera as opiniões e os desejos do seu filho da mesma 
maneira que os seus desejos e opiniões.
❖ Você consegue apontar o comportamento inadequado do seu filho 
com firmeza e sem punição física ou verbal.
❖ Você procura elogiar e recompensar o seu filho quando ele se 
comporta adequadamente.
❖ Você valoriza o seu desempenho escolar e o apoia nas suas tarefas 
e provas.
❖ Você sempre consegue comunicar as regras e os limites com clareza 
e objetivamente.
❖ Você frequentemente está junto com seu filho e se diverte com ele.
Às vezes quando perguntamos para alguns pais que tipo de pais 
eles são, eles costum am se definir com uma palavra: “conservador” ou 
“compreensivo”. Agora se entende que é apenas uma parte da questão; é 
preciso ver como agem nessas duas dimensões superimportantes - limites 
e afeto - c não em apenas uma delas. Então, já sabemos que para uma boa 
educação, os pais devem apresentar, de m aneira equilibrada, exigência 
(lim ites e regras) e responsividade (afeto e envolvimento). Mas, como 
será que os pais são na nossa população? Realizamos muitas pesquisas no 
Núcleo de Análise do Comportamento (c lemos outras pesquisas feitas no 
Brasil e no exterior) sobre estilos parentais, e os resultados obtidos com 
crianças e adolescentes de escolas públicas e particulares mostram um maior 
percentual de pais negligentes (35% ), seguidos dos participativos (35% ), 
empatam em terceiro lugar os permissivos (15%) e autoritários (15% ). Os 
questionários dessa pesquisa são respondidos por crianças e adolescentes
E d u q u e c o m c a rin eio
e, por suas respostas, categorizam-se os tipos de pais de uma população 
pesquisada. Esses resultados têm se repetido cm vários lugares do mundo. 
Assim, percebe-se que, ao contrário do que fala o senso comum e muitos 
manuais para pais, o que está faltando não são apenas limites, mas faltam 
também afeto, real participação e envolvimento na vida dos filhos. Os filhos 
responderam que seus pais nem sempre 
sabiam onde eles estão quando não estão 
na escola, raram ente os incentivavam ou 
mostravam orgulho, dificilmente passavam 
um tempo conversando com eles e raramente 
os elogiavam quando faziam algo bom 
(ao co n trário , m uitos escreviam que os 
pais só diziam “você não faz nada além da 
obrigação”, quando faziam algo bom, ou 
tiravam notas boas).
Veja algumas respostas de grupos de crianças de dez anos diante 
da pergunta “Diga que coisas que vocês gostariam que os pais fizessem mais vezes 
para você?
• “Eu gostaria que eles se unissem mais, é um favor que eles fariam 
pra m im ”.
• “Me dessem mais atenção; eles nem ligam pra mim; não acho quem 
tem orgulho de mim, nada do que faço está realm ente bom”.
• “Queria que ficassem mais comigo; meu pai só trabalha e quando 
chega em casa fica lendo o jornal; nem sabe do que eu faço na escola”.
• “Que m e dessem mais carinho, me levassem para passear; e queria 
que não batessem mais, dói m uito”.
• “Gostaria que me abraçassem c conversassem mais; m inha mãe 
só fala comigo pra brigar”.
• “Queria mais atenção, me ajudassem nas lições de casa e não me 
batessem”.
• “Ficassem mais satisfeitos comigo; se eu tiro nove, meu pai diz: 
‘não podia ser dez?”.
O que está faltando não 
são apenas limites, mas 
faltam também afeto, 
real participação 
e envolvimento na 
vida dos filhos.
71
I ID IA Wl lîl R
ï - Pense na sua infância
❖ Como você brincava com seus pais quando crianca?
❖ O que você queria ser quando crescesse?
❖ Quem era mais carinhoso com você, o seu pai ou a sua mãe?
❖ O que deixava você mais triste?
❖ Que roupa você mais gostava, de que cor?
❖ Qual era a sua brincadeira favorita?
❖ Como seus pais reagiam quando você desobedecia?
❖ Como seus pais reagiam quando você fazia algo legal?
❖ Qual o fato mais bonito que você lembra sobre a sua infância?
❖ Qual a situação mais triste que você se lembra sobre a sua infância?
❖ Como o seu pai e a sua mãe descreveriam você quando era criança?
2- Você tem valor
❖ Tenha um caderno e anote a cada dia três coisas boas que você fez 
naquele dia - "lembrei de regar a planta do escritório pela manhã"; 
"terminei o relatório da semana passada"; "elogiei meu filho pelo 
penteado que ele inventou no seu cabelo".
❖ Pense como os seus filhos descreveriam você.
❖ Tenha uma babá ou alguém para ficar com seus filhos de vez em 
quando para poder sair e passear sem eles.
❖ Faça um horário para fazer as suas coisas e também para ter tempo 
para seus filhos.
E d u q u e c o m c a r in h o
3” Quais são suas características?
❖ Faça uma lista de características positivas em seu comportamento. 
Discuta essas qualidades com uma pessoa de confiança e veja se 
os outros também têm essa mesma percepção de você.
Anote um comportamento seu que você gostaria de mudar. 
Reflita por que você quer mudar este comportamento e que 
consequências ele provoca em sua família. Registre quantas vezes 
e com quem você apresenta esse comportamento. Faça um plano 
de como você pode mudá-lo e peça ajuda se precisar.
P rincípio 5 - Comunicação positiva
‘'Chega mais perto e contempla as palavras, cada uma, tem mil faces 
secretas sob a face neutra 
(Carlos Drumonnd de Andrade)
“0 que um pai diz aos filhos não é ouvido pelo mundo, mas será ouvido 
pela posteridade 
(Jean Paul Richter)
As palavras marcam nossa vida
A importância de sc com unicar está no fato de as pessoas terem 
a necessidade de esclarecer os seus desejos, partilhar sentim entos e 
expressar emoções. Todas as pessoas já tiveram problemas derivados de 
com unicação; pode ser um a fofoca, pode ser uma coisa dita de maneira 
errada, ou no momento errado, ou mesmo não dila. A comunicação sempre 
deve ser clara e, no caso dos pais, deve ser adequada à idade do seu filho. A 
comunicação pode ser verbal e não verbal. Os estudos mostram a relevância 
da com unicação não verbal no nosso dia a dia, especialm ente quando 
queremos transmitir emoções. Não adianta você falar para o seu filho “estou 
contente com a sua nota”, mas mostrar o seu rosto inexpressivo ou distante, 
a m ensagem captada será do seu rosto e não de suas palavras. Temos de ter 
coerência entre o que falamos e o que transmitimos com nossas expressões.
Dizem que “as palavras, o vento leva”, porém as palavras são 
m arcantes. Em primeiro lugar devemos sempre cuidar com os rótulos. Não 
dê rótulos, pois eles podem ser levados a sério. “Você não é muito simpático 
com os meus amigos”; “Você é muito m andão”; “Você é egoísta”. Em vez 
disso, diga o que você não concordou com o comportamento do seu filho. 
“Quando meus amigos vêm me visitar, você não prccisabeijar todos, mas
Ed u q u e co m c a r in h o
deve dizer um bom-dia pelo menos de longe, está bem ?”. Em um grupo 
de pais surgiu tam bém uma questão importante: os rótulos positivos! Um 
p.ii sempre chamava o seu filho de campeão, e isso parece indicar que ele 
sempre deveria vencer qualquer competição. Esse m enino começou a se 
recusar a fazer atividades que não fossem de competição. Depois, passou 
.1 perder algumas (é lógico, ninguém pode vencer sempre) e a não querer 
m.lis praticar esporte nenhum. Isso sempre me lembra uma história cm 
que a professora perguntou para a turma o que cada um queria ser quando 
( rescesse. Um coro de respostas veio de todos os lados: jogador de futebol, 
psironauta, mágico, presidente, bombeiro, professora, modelo, igual ao 
Senna... Todos responderam, menos Marcelo. A professora reparou que 
ele estava sentado quietinho e lhe disse: “Marcelo, o que você quer ser
I II)IA W l III R
quando crescer?” M arcclo respondeu: “Possível”. “Possível?!”, perguntou 
.1 professora. “É”, ele disse. “Minha mãe sempre está falando que eu sou 
impossível. Então quando eu ficar grande, eu quero ser possível”.
• Diga o que ele deve fazer: “Não pegue o copo de vidro...”
• Explique rapidamente: “...porque pode quebrar...”
• M ostre as consequências: “...e você pode se m achucar...”
• Apresente alternativa: “...você pode pegar aquele copo dc plástico 
da gaveta”.
Com a comunicação, você também deve reforçar a obediência e nunca 
ignorar a não obediência. Sc o seu filho dc três anos continuar com o copo de 
vidro na mão, você deve ir até ele e trocar pelo outro copo. Não dê sermão; 
é chato e não é educativo. Não fique falando o tempo todo. Em vez de falar 
“não faça”, “eu já te falei”, “você vai ou não largar o copo”, “você vai cortar 
a sua mão e sangrar durante muito tem po”... Vá até ele c troque o copo.
Falar “não” tudo bem, mas não todo dia, o dia todo. Uma criança 
muito pequena, por exemplo, precisa de um ambiente protegido e seguro 
para brincar c explorar, senão realm ente tudo será perigoso. Repetir dez 
vezes a m esm a coisa tam bém não é possível. Se você precisa dar um 
comando, cham e seu filho pelo nome, olhe sério para ele e fale o aviso. 
Sc ele não obcdcceu, avise novam ente e mostre as consequências, se ele
comer até a hora do lanche; nada de doces tam bém ”.
A boa comunicação inclui ouvir. E para aprender a ouvir alguém, 
em p rim eiro lu gar devem os p assar a lgu m tem po ju n to com ele. 
Verdadeiramente, e não ficar lendo o livro, ou assistindo à novela enquanto 
a criança está falando alguma coisa. Uma mãe contou em um de nossos
Passos para uma comunicação clara
A boa comunicação 
inclui ouvir.
não se comportar conforme o aviso. Nada dc 
ameaças vazias, “se você não vier almoçar 
agora, vai ficar a semana toda sem almoço”. 
Isso nunca vai ocorrcr, pois seria um abuso, 
então faie a consequência seriam ente: “se 
você não vier alm oçar agora, ficará sem
E d u q u e c o m c a r in h o
encontros que ficava brincando com sua filha enquanto assistia à televisão, 
e um dia a filha pediu para eia desligar a TV c só brincar com ela...
Pergunte, para crianças maiores, de maneira a obter respostas mais 
elaboradas do que “sim” e “não”. “Foi tudo bem na escoia hoje?” não é uma 
boa pergunta. Pode tentar, “Hoje vocês foram a um passeio no zoológico, o 
<|ue mais você gostou do passeio?” É claro que há ocasiões em que seu filho 
não tem vontade de falar mesmo e pode responder “não sei” a qualquer 
pergunta por m ais elaborada que seja, então respeite.
Ajude seu filho a expressar os seus sentimentos
Um tem a discutido recentem ente c a inteligência emocional. Ela 
também precisa ser aprendida. Inteligência emocional é a capacidade de 
uma pessoa cm perceber, interpretar e expressar emoções, ou seja, uma 
capacidade para compreender c controlar as emoções com o objetivo de ter 
um relacionam ento saudável consigo c com os outros. Essas habilidades 
que incluem o que se chama de inteligência emocional começam muito 
cedo, na fam ília c com os pais, que devem ajudar seus filhos a identificar 
,is emoções, descrever as emoções, compreender e relacioná-las com os 
eventos do dia a dia c lidar com elas em interações com outras pessoas.
Outro aspecto im portante c você ensinar o seu filho a nom ear 
sentimentos, a falar de si próprio e a se conhecer. Já vimos que isso é 
fundamental para qualquer pessoa, então você pode dar a oportunidade 
para seu filho de com eçar muito cedo este processo. Se ele faz uma cena 
t|ue mostra raiva, você pode lhe dizer: “Você parece estar brabo com alguma 
coisa. Vamos ver o que é?” ou “por que você está tão brabo?”. Mostre 
empatia, e lembre que tudo o que você estiver fazendo, você está ensinando 
também a ele, que aprenderá por im itação. O que é ser em pático? É 
entender o que ele está sentindo, colocar-se no lugar dele, mas ser capaz 
de ajudá-lo. “Eu sei que você ficou triste porque tirou a nota mais baixa 
da saia, mas vou lhe ajudar a fazer um plano de estudo, certo?”
Os pais sempre querem proteger seus filhos de frustrações e lhes dói 
o coração quando percebem que eles estão sofrendo. O apoio dos pais é 
essencial nesse m om ento. Não adianta dizer para a sua filha de sete anos 
que chegou chorando porque a am iguinha brigou com ela “Ah, filha, isso
77
I II»IA W l III R
j,'i passa, não é nada”. Isso desqualifica o sentim ento da criança c ela pode 
ficar confusa, pois para ela é um fato muito importante. É um excelente
m om ento para você sentar e conversar e 
ouvir de m aneira ativa reflexiva: “Você me 
disse que ela não te deixou brincar com o 
grupo no recrcio? Puxa, posso im aginar 
porque você está triste”. Ela se sentirá à 
vontade para falar mais: “É mesmo, mamãe, 
eu estou triste, pensei que ela gostasse de 
m im ”. E assim , m ãe e filh a constru irão 
um vínculo de cum plicidade. Você pode 
lhe contar que também já passou por isso e 
ajudá-la a encontrar uma solução. “Puxa, sei 
que você está triste porque seu amigo ficou com outro coleguinha na hora 
do recreio. Isso tam bém aconteceu comigo quando eu tinha a sua idade. 
Você não gostaria de ligar para ele agora?”
Outro aspecto importante 
é você ensinar o seu filho 
a nomear sentimentos, 
a falar de si próprio 
e a se conhecer.
Fale de maneira positiva
Você já se pegou falando uma daquelas famosas e chatas frases que 
seus pais ou vizinhos falavam, c as quais jurou que nunca falaria? Tais 
expressões devem ser esquecidas!
• “Pare de se comportar como um bebê chorão”. Em vez disso, você 
pode dizer “você está chorando porque está brabo; quando você ficar mais 
calmo, nós conversamos, está bem ?”.
• “Se você não parar im ediatam ente de fazer isso, eu vou ter um 
ataque!”. Diga: “pare este com portam ento”.
• “Por que você não é como seu irm ão?” Frases comparativas nunca 
são boas, diga simplesmente o que você deseja “gostaria que você arrumasse 
os seus livros na estante”. Por falar em brigas entre irmãos, meus filhos 
inventaram o “dia do irm ão”, que não era uma vez por ano, mas várias; 
eles tinham que comprar presentinhos e fazer bilhetes para o irmão. Serve 
para minimizar as brigas e valorizar a relação entre irmãos.
• “Como você pode ser tão bobo?” Descreva o com portam ento: 
“Correr com o copo cheio não dá certo, vamos limpar esse leite do chão?”.
Ed u q u e c o m c a r in h o
• “O que há de errado com você?” É uma pergunta sem resposta, 
tente: “Você ofendeu a sua irmã, peça desculpas agora”.
• “Por que você fez isso?” Uma criança não tem como responder a 
essa pergunta, descreva: “você escondeu o brinquedo do seu irmão e agora 
ele está chorando. Vamos pegá-lo e devolver a ele, ok?”.
• “Se você me amasse de verdade, você não teria íeito isso”. Amor 
não tem nada a ver com comportamentos inadequados ou deslizes c ensinar 
a culpa não é adequado. Diga: “pare o que você está fazendo”.
• “Engula esse choro já ”. Isso é impossível de fazer, respeite os sen­
timentos da criança.
• “Aí m enino,fazendo coisas boas de novo, não ó mesmo?” (dian­
te de algum comportamento inadequado). Sarcasmo não é educativo, é 
destrutivo. “Acidentes acontecem, pegue a pazinha de lixo para tirar esse 
cercal do chão, ok?”
• “Ah, quando casar, isso sara!”. Isso geralmente é dito diante de 
alguma m anifestação de sentimento ou dor de uma criarça. Não é engra­
çado e desqualifica as emoções. Seja empático: “Eu enterido como você se 
sente, quer me contar o que aconteceu?”.
• Não faça ameaças dramáticas, pois seu filho poic provocar você 
para ver se você vai agir como falou... “Se você não levar o seu prato para 
a cozinha agora, vou torcer o seu pescoço”... Coloque a regra “leve a prato 
para a cozinha”.
Risque estas frases e expressões do seu repertório
• “Eu já falei isso um bilhão de vezes...”
• “Já mandei você vir almoçar, você c surdo?”
• “Não, porque não e pronto!”
• “Tire esse sorriso do seu rosto, já .”
• “Você não tem mesmo je ito .”
7 9
• “Por que vocc fez essa bobagem ?”
• “Vocc não é capaz de fazer nada direito?”
• “Pare de se comportar como um bebê!”
• “Por que você não se parece mais com o seu irm ão?”
• “O que há de errado com vocc?”
• “Você c mesmo estúpido.”
• “Se você me am asse você não teria feito isso.”
• “Você me deixa doente!”
Frases e atitudes positivas no seu dia a dia
Para colocar uma regra ou um pedido inegociável com clareza e 
firmeza: olhe diretamente em seus olhos, fale a mensagem e su­
pervisione para ver se a criança fez o que foi pedido.
Não pergunte “Você não vai tomar banho agora?”. Fale “É hora de 
tomar banho agora”.
Comece as frases com “eu”: “eu gostaria que você arrumasse seu 
quarto e colocasse as revistas na prateleira” e não “você é muito 
bagunceiro, olhe só o seu quarto”.
Fale uma tarefa de cada vez, especialmente para crianças meno­
res: “Coloque comida para o cachorro agora”. E não aproveite para 
falar várias coisas ao mesmo tempo, “você esqueceu de alimentar 
o cachorro, e ontem você não fez a tarefa e foi dormir depois do 
horário”.
Ed u q u e c o m c a r in h o
Acentue sempre o lado positivo, elogie e mostre entusiasmo (sem 
exagero ou falsidade).
Peça desculpas quando necessário.
Diga “obrigado” e “por favor” para seus filhos.
Use o nome do seu filho: "Igor, guarde o seu uniforme no armário”.
Valorize: “Você é ótimo menino”; “eu te amo”, “você escreveu 
essa redação de um jeito multo criativo”; “gosto do jeito que você 
arruma suas revistas”; “a cor do seu cabelo me lembra um pote de 
mel”; “eu estou sempre do seu lado”; “gosto quando você ajuda 
a sua irmã”; “obrigada por me ajudar a tirar a louça”; “você soube 
mesmo escolher as cores deste desenho”.
A hora de dormir é um bom momento para conversar um pouco, 
contar como foi o dia, recordar momentos preciosos. Os momentos 
passados no trânsito também podem ser úteis para brincadeiras e 
conversas enriquecedoras. Planeje essas ações e descreva como 
foi a reação dos seus filhos.
Aceite e respeite os sentimentos. Todos os sentimentos são legíti­
mos, pode sentir raiva, mas não pode xingar, isso deve ficar claro. 
Da próxima vez que seu filho mostrar raiva ou tristeza, sente para 
conversar com ele.
Em alguma oportunidade que seu filho contar algo que aconteceu 
com ele, mencione uma situação semelhante que tenha acontecido 
na sua infância.
“Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes 
cada uma à sua maneira 
(Leo Tolsloi)
Envolva-se e participe integralmente da vida do 
seu filho sem ser intrusivo
Veja o film e “U m a lição de a m o r”, com Sean P en n , pois é 
absolutam ente fantástico, é mesmo uma lição o modo como ele trata a sua 
filha, com o se envolve cm tudo o que ela faz, mas absolutam ente sem ser 
invasivo, sem ser intrusivo, o que se deve evitar a todo custo. Ser intrusivo 
c quando o seu filho de três anos está m ontando um castelo com blocos 
de m ontar e você lhe diz a todo o m om ento “não coloque assim, mas do 
outro lado”; é querer brincar com seu filho de seis anos quando ele quer 
ficar quietinho vendo o filme na TV; ser intrusivo é ver os bilhetes que as 
amigas de sua filha de dez anos m andam a ela; é fazer as atividades para 
o seu filho, não importando que idade ele tenha. No filme “Uma lição de 
amor”, uma cena é simplesmente maravilhosa e mostra brilhantemente esta 
questão. A filha dele, Lucy, de seis anos, deve fazer uma apresentação cm 
uma escola sobre borboletas. Ele c outros pais estão lá sentados para assistir 
à apresentação dos filhos. Só o fato de os pais estarem lá já indica uma boa 
participação, mostrando o quanto apreciam e dão importância às atividades 
de seus filhos. Mas envolvim ento significa algo mais do que só estar 
presente. Em primeiro lugar aparece a Lucy, filha do personagem de Sean 
Penn. Ela começa a falar de borboletas, ele fica sorrindo para ela; em um 
m om ento ela esquece as fases de desenvolvimento da borboleta, o pai não 
responde, mas diz à plateia, “é que são muitas etapas, não é fácil...”. Ela sorri 
e lembra a outra fase com tranquilidade. Esta cena é realmente emocionante, 
c m ostra com afetividade como devemos estar participando com os nossos
E d u q u e c o m c a r in h o
filhos: afetivos, carinhosos, presenles, mostrando apoio, entendendo suas 
dificuldades, mas não podemos nos com portar por eles, nem resolver 
suas dificuldades e nem esperar que sejam perfeitos. Em seguida, aparece 
Conncr, um m enino que com eça a falar sobre aranhas e, quando ele 
erra uma informação, o pai, m uito sério, o corrige de maneira dura na 
frente de todos; logo o menino esquece outra 
parte de sua apresentação e o pai, já irritado, 
lhe diz “você sabe isso”, ao que o m enino 
responde, “mas pai, foi você quem fez essa 
parte do trabalho, eu queria fazer o trabalho 
sobre batatas”.
Esse exemplo mostra o com portam ento intrusivo do pai, além de 
mostrar expecativas irrealistas para com o filho, falta de paciência, falta de 
controle e de confiança, enfim, o pai participa e fez bem em estar lá, mas 
usa estratégias erradas, é extrem am ente exigente, faz o trabalho pelo filho 
e ainda decide o tem a por ele. Ser intrusivo é não aceitar nem respeitar as 
escolhas do seu filho. Participar é levá-lo à casa dos amiguinhos, mesmo que 
você esteja cansado ou queira assistir ao jogo de futebol. Não há problema
Ser intrusivo é não 
aceitar nem respeitar as 
escolhas do seu filho.
I IMA W l III R
sc um dia ou outro isso acontecer com você, mas não pode ser regular. O 
regular deve ser a participação. Participar é ajudar o seu filho na pesquisa 
para a escola, mas não fazer toda a tarefa por ele. Não importa que ele não 
tire sempre 100, não é? Meus filhos me contam que há crianças que choram 
quando tiram notas m enores do que 90! Você pode im aginar a pressão que 
existe na vida dessas crianças para que elas façam isso?
Não deseje perfeição
nas atividades que seu filho pratica
Às vezes há pais que participam da vida dos filhos, especialmente em 
competições, mas dem onstram tanto desejo de que o filho seja campeão 
que chega a ser assustador. Qualquer atividade vira competição, até feira de 
ciências, onde os pais extrapolam e m ostram comportamento exibicionista 
nas atividades dos seus filhos. Em uma feira de ciências, que deveria ser 
m ontada pelos alunos, cheguei a ver discotecas inteiras armadas, carros 
importados sendo exibidos... Muito diferente das feiras da m inha época 
em que as crianças criavam seus próprios aparelhos.
De m aneira geral, as atividades artísticas, tais como Locar violino, 
d an çar bailei ou exp or p in tu ra s , d eterm in am um co m p o rtam en to 
essencialm ente em ocional nos pais, que ficam , literalm ente, com os olhos 
m arejados de lágrimas ao prim eiro acorde. Não importa m uito se a sua 
filha está como solista ou escondida na última fila e só se consegue ver o 
laço de fita am arela, cheio de purpurina, que você passou horas colando. 
Não interessa se seu filho toca o “lá” enquanto todos os outros estão 
tocandoo “dó” ou sc o an jo pintado por ele parece um ovo mexido. O mais 
im portante, e é isso que vale, é que essas pequenas criaturas acreditam 
em si m esm as e estão construindo sua autoestim a cuidadosamente. A sua 
coragem em enfrentar o público é fascinante, um ato que m uitos adultos 
trem em nas bases só de pensar em fazer. Os pais recompensam seus filhos 
com sorrisos e lágrimas, com beijos e abraços cheios de um orgulho que só 
quem passou por essa situação é que pode saber: “aquela é m inha filha”, 
aponta a mãe envaidecida. Pais e filhos saem sempre engrandecidos dessas 
perform ances artísticas.
Por outro lado, quando a questão gira em torno dos esportes, o quadro 
muda de figura. M uitas vezes desaparecem os pais com olhos molhados
t D U Q U l C O M ( A R IN IIO
e entram em ccna torcedores fanáticos e furiosos, que percebem aquele 
coleguinha simpático, dc seis anos, que luta judô com seu filho, como um 
inimigo mortal a ser combatido. No futebol, esporte nacional por excelência, 
parece que é pior: gritam palavrões ensandecidos, gritam ordens para a 
pobre criança que mal consegue ficar no gol quando vê a velocidade da 
bola vindo cm sua direção, quanto mais segurá-la! A vitória parece uma 
questão de vida e morte, e toda ansiedade dos pais, muitos deles frustrados 
por não terem tido tempo - ou talento - para fazer seus próprios gois ou 
vencer suas lutas, cai como uma bomba sobre os filhos que não entendem 
aquele furor. O menino que saiu vencido da luta de judô, cm vez de receber 
apoio do seu pai recebeu um safanão e ouviu que ele deveria ter feito isso e 
aquilo “como eu te disse lá em casa”. A m enina que chora porque ficou em 
último lugar no campeonato de natação c porque “não gosta disso”, ouve 
de sua mãe que ela vai entrar em regime e treinar mais vezes porque “da 
próxima vez você tem de ser a cam peã".
Torcer pelos filhos é m uito bom e
m ostrar e n tu s ia sm o pelo que ele faz é Um dos fatores mais
benéfico. Mas não seja intrusivo. Forçar uma fortes de proteção para
criança a fazer um esporte ou uma atividade a c r j a n c a ç 0 m 'v e | çje
artística que ela não quer - ou não tem o . . .
, . . envolvimento dos pais
menor jeito - nao e nada conveniente. Ao
contrário, pode expor a criança ao ridículo.
Torcer é bom ganhar tam bém pode fazer
bem. No entanto, é necessário lembrar que
nem todos podem ser campeões e é preciso levar em conta a velha m áxim a 
de que “o im portante é competir”. A competição, cm certa medida, serve 
para mostrar que você deve esforçar-se c trabalhar pelo que quer; ajuda a 
entender a frustração da derrota e aceitar que o amigo possa ser o vencedor. 
Mas, pensar somente na vitória pode fazer com que a criança, e seus pais, 
não consigam compreender os lim ites e o desejo de cada um, além de levar 
ao esquecimento o companheirismo c solidariedade. Devemos lembrar que 
estimular as crianças é fundam ental, mas é imprescidível cuidar para que 
os desejos e as expectativas dos pais não venham cm primeiro lugar. O 
momento é dos nossos filhos. É indispensável apoiá-los c ajudar a fortalecer 
sua autoestima. Isso é muito m ais importante do que querer que eles sejam 
sempre os m elhores c os campeões.
IS
I ID IA W l ISI R
Tenha tempo para os filhos
Há dccadas as pessoas falavam que as mães tinham de passar o 
tem po todo com os filhos; os pais não, porque trabalhavam . Depois, 
quando as m ulheres entraram no mercado de trabalho, com eçou a se 
falar muito de “qualidade do tempo” com os filhos, ressaltando-se que era 
passar dez m inutos com qualidade sendo suficiente. Hoje se entende que 
esse tem po de qualidade não pode ser alguns m inutos por dia. É preciso 
ter tem po para os filhos para estar de fato participando de suas vidas. As 
pesquisas têm mostrado que um dos fatores mais fortes de proteção para a 
criança, ou seja, que é preditor de um ótimo desenvolvimento psicológico, 
é o nível de envolvim ento dos pais cm sua vida.
Para quem tem filhos é preciso reorganizar suas prioridades, c, sim, 
às vezes os pais precisam fazer alguns sacrifícios para ficar e ter tempo 
para os filhos. Sair m ais ccdo do trabalho para ir à feslinha na escola ou 
deixar o colega fazer aquela viagem de trabalho porque c aniversário da 
sua filha. Lem bre-se do que falamos 110 início, a infância passa muito 
rapidam ente c depois você não quer ficar se lam entando que ficou muito 
tempo no trabalho, não é? Basta você falar com qualquer pessoa com filhos 
adultos e ela vai lhe dizer que tudo foi m uito rápido. Então aproveite c 
se divirta com eles.
Os pais, por vezes não entendem o que é “ter tem po” para os filhos, 
ou ter um tempo de qualidade. Pensam que se estão na m esm a sala, cada 
um fazendo alguma coisa diferente, isso é estar junto. Não é. Isso é estar 
perto. Estar junto é estar engajado em uma mesma atividade e ter interesse 
verdadeiro pelo que o seu filho está fazendo. Sim, m uitas vezes os pais 
devem aprender a jogar “videogame”, ou decorar os nomes dos programas 
favoritos e das centenas de figurinhas que os filhos adoram. Isso significa 
que os pais não apenas devem tentar que os filhos se interessem pelo 
que eles fazem e os esportes que praticam , mas vice-versa; os pais devem 
tam bém se interessar pelas escolhas dos filhos. Estar junto é ver um filme 
c sair com entando os acontecim entos depois de assisti-lo. Estar junto é 
sentar com ele e ajudá-lo a encontrar aquela pesquisa na in ternet ou se 
interessar pelas figurinhas que ele coleciona e pelos amigos que ele tem.
E d u q u e c o m c a r in h o
Convide os amigos dos seus filhos para irem a sua casa, converse 
com eles, saiba de sua vida.
Estabeleça um “momento de família”, um horário para conversar e 
colocar os assuntos do dia.
Aprenda alguma coisa que só seu filho sabe e tenha interesse ver­
dadeiro pelas atividades dele. Deixe que ele guie você um pouco, 
peça para ele lhe ensinar alguma coisa.
Ajude seus filhos com suas atividades escolares, pesquisas, reu­
niões, mas sem fazer ou decidir por ele.
Veja se você sabe esses aspectos sobre os seus filhos. Se não sabe, 
procure saber: Qual a matéria que seu filho gosta mais na escola? 
E a que ele mais detesta? Qual é o nome do seu melhor amigo? 
De quem ele não gosta na sua sala de aula? Qual a professora que 
ele mais gosta? Qual o seu programa de TV favorito? Qual a sua 
cor favorita? Qual o carinho que ele mais gosta que você faça? Ele 
pretende ter filhos? Como ele imagina que vai educar os seus filhos? 
O que ele espera do futuro?
Incentive a autonomia, independência e valorize as opiniões do 
seu filho.
Construa memórias felizes na vida do seu filho. Ele poderá esquecer 
dos brinquedos que teve, mas nunca dos momentos especiais que 
passou com você, daquela bagunça na cama de todo domingo, ou 
de quando você levava café na cama para ele, ou de como você 
contava piadas todos os dias na hora de le\á-lo para a escola, ou 
das barracas de cobertores que seu pai fazia. Isso é insubstituível.
“0 poder de um toque, um sorriso, uma palavra afetuosa, um ouvido 
atento, um elogio sincero, um pequeno ato de cuidado não devem ser 
subestimados, pois tem o poder de mudar uma vida 
(Leo Buscaglia)
"Eu posso viver dois meses de um bom elogio ”.
(Mark Twain)
Apresente consequências ao 
comportamento adequado: reforce, elogie, 
recompense, mostre orgulho
As pessoas, de m aneira geral, notam mais os aspectos negativos do 
que positivos. Os pais tam bém geralmente prestam mais atenção nos filhos 
quando eles fazem algo de errado. É preciso aprender a perceber os acertos 
c as coisas boas. Você já aprendeu como “analisar com portam ento”, então 
sabe que se um com portam ento é seguido por consequências positivas, 
então ele terá maior probabilidade de ser repetido, não é? Então, mãos à 
obra, vamos reforçar o com portam ento positivo!
M as, o que é re fo rç a r? O re fo rço é uma co n seq u ên cia que 
valoriza o com portam ento, aum entando as chances de que este mesmo 
com portamento se repita. Sempre que seu filho estiver fazendo algo que 
considere certo, reforce. Reforçar é a m elhor forma de educar os filhos, 
faz parte de uma disciplina positiva, voltada para os acertos e não para 
os erros. Nós todos desejam os uma coisa m ais do que tudo na vida: amor 
e atenção. Se uma criança não consegue ter com portam entos pró-sociais 
para que os outros lhe deem atenção e amor, ela pode lançar mão de 
com portam entos antissociais. Então, os pais devem ensinar a criança a 
cultivar com portam entos pró-sociais, tais como: boa com unicação, afeto, 
em patia, am izade...
Qual o efeito do reforço para a criança? Aumenta a autoestima e o 
otimismo de seu filho, pois a criança aprende que o que ela faz tem valor, 
sentindo-se capaz, mais com petente para atuar no mundo. Diminui a 
ocorrência de comportamentos inadequados que existiam “para chamar a 
atenção”. Promove um melhor relacionamento entre você e seu filho. Seu 
filho se sentirá mais amado, querido c admirado.
Como reforçar o comportamento do seu filho?
Sempre depois, e não antes, dc seu filho se comportar, para isso vocc 
pode usar diferentes tipos dc reforçadores:
• Reforços Sociais: são os melhores! São os elogios, abraços, beijos, 
sorrisos, um contato visual positivo, um bilhetinho afetuoso com elogios 
sobre um fato positivo, contar coisas boas do seu filho para amigos ou
Ed u q u e c o m ca r in h o
I II )IA W l III K
pessoas da família quando ele estiver por perto. A com panhia do pai e 
(l<i mãe em m om entos de interação, alegria e afeto tam bém são muito 
reforçadores. Descreva o que seu filho está fazendo: não diga apenas 
“que bonito!”, mas sim, “puxa, eu notei que você desenha com m uita
criatividade”. Seja específico, “gostei que 
você guardou as bonecas no lugar”, e não 
simplesmente “você é querida!” O elogio deve 
ser sincero. Ensine-o a perceber sentimentos 
bons de suas próprias atitudes: “Você jogou 
muito bem hoje, deve estar muito orgulhoso 
de si m esm o”, ou “contente consigo”. Elogie 
só se for realm ente verdade, pois as crianças 
têm um a a n te n a fa n tá s tica para pegar 
inconsistências e bajulações sem sentido. 
Não precisa dizer que aquele desenho que 
seu filho fez é o mais maravilhoso do mundo, 
mas pode elogiar o seu esforço! A ideia é fazer 
a criança sentir uma autorrecompensa pelo seu desempenho, sentir orgulho 
de si mesma, logo, ela não mais precisará de tantos tapinhas nas costas, 
ela saberá que fez algo bem!
• Atividades reformadoras: permitir que a criança faça alguma atividade 
que goste, como por exemplo, jogar bola, meia hora a mais no computador 
ou sair tom ar um sorvete com amigos...
• Reforços Materiais: pode ser desde um bombom que ele goste, 
brinquedo, roupa, um lanche especial, ou até uma quantidade de dinheiro. 
Mas estes devem ser usados com cuidado e só de vez em quando! Poderá 
ser usado um sistema de fichas ou pontos oferecidos a cada comportamento 
adequado e que depois poderão ser trocados por alguma coisa ou atividade, 
como sc fosse um “vale”.
Valorizar o comportamento
• Esteja atento e descubra o que é reforçador para seu filho! Varia de 
uma criança para outra!
• Reforço não é suborno. Reforçar é aumentar a probabilidade de 
o seu filho sc comportar da maneira positiva novamente; subornar é, por
O reforço é uma 
consequência 
que valoriza o 
comportamento, 
aumentando as chances 
de que este mesmo 
comportamento 
se repita.
Eduque c o m c a r in h o
exemplo, você oferecer uma recompensa para ele parar de se comportar 
de m aneira errada. “ Se você parar de gritar, eu com pro o chocolate 
que vocc quer”, isso não é adequado e você estará recompensando um 
comportamento inadequado.
• Surpreenda seu filho fazendo qualquer coisa boa, “que legal que 
vocês estão brincando hoje!”.
• O esforço é mais importante que o resultado, valorize isso! É mais 
interessante valorizar o tanto que seu filho estudou do que a nota que ele 
tirou na prova.
• R efo rce o d iálogo. Dê a te n çã o 
quando seu filho vier conversar com você, 
quando der uma opinião c falar sobre suas 
preferências.
• Não economize elogios somente para 
as grandes conquistas, as pequenas também 
devem ser valorizadas.
• É preciso tomar cuidado para que os elogios e prêmios sejam dados 
com equilíbrio e adequados à dimensão do ato e à idade da criança. Exageros 
podem parecer falsos, e a criança poderá senti-los como uma mentira.
• Não faça elogios irônicos nem seguidos de críticas sarcásticas 
(“Puxa, até que enfim ” ), isso anula o efeito do elogio e a criança acha que 
nunca consegue ser boa o suficiente.
• Valorize o processo e o esforço e não o resultado “você estudou 
muito e por isso tirou uma boa nota, parabéns”.
• Não com parc com outros, compare o desempenho dela com ela 
mesma “esta redação ainda está melhor do que a do mês passado”; “você 
arrumou o quarto melhor do que ontem, muito bem”.
• Cuidado para não reforçar com portam entos errados! Os filhos 
precisam da atenção dos pais. Se os pais só prestam atenção no filho quando 
este faz algo inadequado, a tendência é de o filho continuar se comportando 
mal para cham ar a atenção.
Não econom ize elogios 
som ente para as grandes 
conquistas, as pequenas 
também devem 
ser valorizadas.
I IDIA W l III K
Qyadro de recompensas
♦> Selecione um ou mais comportamento que você quer fortalecer, 
sempre comportamentos específicos e não algo geral como “ser 
boazinha”.
❖ Faça uma tabela e um calendário, como o exemplo a seguir.
❖ Decidam juntos uma tabela de recompensas por número de pontos 
e o valor de cada ponto para a recompensa. Dê preferência para 
recompensas interativas, como passear no parque, ir ao cinema etc. 
Mas às vezes é possível colocar recompensas materiais, como um 
chocolate, uma revistinha ou ter o direito de escolher a sobremesa.
❖ Deixe a criança marcar o ponto correto, elas adoram fazer isso.
❖ O melhor é um esquema em que não possa perder pontos, 
somente não ganhá-los. Para o comportamento inadequado, 
veja outras alternativas que não entram nesse quadro de bons 
comportamentos.
❖ Com o tempo, e com mais idade da criança, o programa deve 
ser descontinuado e trocado somente por recompensas sociais, 
elogios, agrados; a criança já terá “dentro de si” as regras ensinadas; 
isso se chama autorregras.
❖ Em vez de marcarem um quadro, você pode usar fichas de plástico, 
um mural de feltro e outras alternativas, confirme a sua criatividade.
❖ Quando a pontuação estiver excelente, vocês podem promover 
uma “festa de formatura” daqueles comportamentos aprendidos, 
com direito a bolo e balões, e fazer um novo quadro com novos 
comportamentos, e assim por diante.
❖ Para crianças com mais idade, é possível fazer um contrato. 
Vocês sentam e decidem alguns comportamentos que devem 
ser incorporados no repertório, negociam uma solução e, juntos, 
escrevem (deve ser por escrito mesmo!) um contrato, com deveres, 
recompensas e prazos e as duas partes assinam. Por exemplo, 
seu filho quer que o cachorro durma em seu quarto e você não. 
Pode-se tentar negociar um dia na semana, desde que a criança 
limpe o espaço do cachorro e lhe dê comida todos os dias. Este 
tipo de contrato pode ser feito com adolescentes sobre questão 
de horários etc.
Ed u q u e c o m c a r in h o
Não esqueça
*• Reforce o comportamento correto sempre.
*> Pense antes de falar e reforce a si mesmo por ser consistente!
►> Tenha expectativas de bom comportamento de seus filhos. As 
crianças sabem o que os pais esperam delas.
* Crianças acreditam no que você fala, portanto, ensine, guie, 
encoraje.
* Se você reconhecer um comportamento inadequado, faça um 
plano: coloque regras e consequências razoáveis, use quadros e 
contratos e providencie estímulo para mudança. Um de cada vez, 
seja paciente.
* Ensine responsabilidade e escolhas de acordo com contingências
desde que seus filhos são pequenos. Nunca é demais você lembrar 
que crianças precisam de limites, estrutura, regras, consistência,sempre com carinho!
❖ Ensine o seu filho a buscar o autorreforço, ou seja, sentir-se bem e 
orgulhoso de um comportamento certo, de uma tarefa cumprida.
❖ Promova um clima familiar carinhoso, no qual as crianças sintam-se 
aceitas, orientadas e apoiadas.
❖ Enfoque as qualidades positivas de seus filhos sempre, mas ame-os 
porque são seus filhos e não porque se comportam bem.
Amor é diferente de elogio, amor é incondicional, elogio é 
condicional!
❖ Observe e anote aqui alguns comportamentos de cada filho que 
você considera inadequados. Registre quando ele apresenta esses 
comportamentos. Tente elogiar o comportamento oposto; por 
exemplo, se ele briga com a irmãzinha, elogie quando ele estiver 
perto da irmã e sem brigar.
❖ Observe e anote alguns comportamentos de cada filho que você 
acha adequados. Registre como e quando ele o apresenta. Anote 
por dois dias quantas vezes você “reforçou” seu filho depois de ele 
ter se comportado bem. Observe como foi a reação dele.
❖ Escreva todas as características positivas dos seus filhos e faça um 
painel. Seja criativo, “eu adoro o jeito que você penteia o cabelo 
para trás”; “você tem uma risada sensacional”; “o seu jeito de contar 
sobre o seu dia é bastante divertido”, e tantos outros.
Prin cípio 8 - A presentar regras 
E SUPERVISIONAR 
O COMPORTAMENTO
“Semeia uma ação e colherás um hábito; 
Semeia um hábito e colherás um caráter; 
Semeia um caráter e colherás um destino 
(Napoleon Hill)
Regras e limites são necessários 
para todas as crianças
Disciplinar não é só fazer obedecer. É mostrar as fronteiras entre o 
certo e o errado, os valores, os limites, enfim. Afinal, não queremos filhos que 
obedeçam sem pensar, que sejam somente subservientes. As pessoas dizem hoje 
cm dia “dê limites”, mas ninguém explica muito quais são esses tais “limites”.
Limites são fronteiras que demarcam o que é permitido ou possível 
fazer c o que não é. Alguns limites são colocados pela natureza como, por
l.iniA W i ui r
exemplo, você não pode cam inhar sobre as águas; algumas são colocadas 
pela sociedade, você não pode estacionar na frente de sua loja favorita, pois 
não é permitido; e algumas fronteiras são colocadas pela fam ília. Limites 
são regras, são condições, são formulações do tipo “se... então”. Existem 
regras biológicas, por exemplo, se a criança comer 30 pedaços de bolo de 
chocolate, tem alta probabilidade de ficar com dor de barriga. Há regras 
legais, apresentadas pelas agências oficiais de governo como, por exemplo, 
se você ultrapassar a velocidade tal, receberá uma multa. Há regras sociais, 
que não estão escritas, mas fazem parte da convivência: é interessante 
dizer “por favor” e “obrigado”, pois m ostra respeito para com o outro e 
consequentem ente os outros vão achar esta pessoa educada e simpática. 
Elas podem ser mutáveis, pois antigam ente os filhos chamavam seus pais
descalço, não mentir, ou seguir as outras regras sociais ou particulares.
Veja que cada fam ília deve decidir o que é fundam entalm ente 
importante, o que é negociável e o que é não negociável. É claro que é 
preciso ter um pouco de lógica c bom senso. Uma família não deve ser um 
quartel, onde os pais passem a maior parte do tempo apresentando regras 
e ordens inquestionáveis. Alguns comportamentos obviamente não podem 
ser tolerados, como m entir e bater, mas outros podem ser decididos pela 
família, tal como tomar banho pela manhã, à noite ou pela m anhã e à noite.
Limites são os fundam entos e a estrutura de uma casa. Sem a base, a 
casa vai cair, dia mais ou dia menos. Limites e regras são restrições, e restrições 
tam bém são boas porque dão segurança. Se você está descendo uma escada 
íngreme, você gosta que exista um corrimão para lhe dar apoio e segurança, 
não c? Os pais sempre estão ensinando o que os filhos podem c não podem 
fazer, mas em vez de som ente fazer previsões, “você vai cair”, diga a regra, 
“o chão está molhado, ande devagar”; “não ande com a tesoura na m ão”. 
Limites dão segurança e confiança a todos e servem para ensinar a vida
Limites são fronteiras 
que demarcam o que é 
permitido ou possível 
fazer e o que não é.
de “senhor” e “senhora”, pois era uma cpoca 
em que existia mesmo maior distanciamento 
entre pais e filhos, mas hoje isso faz pouco 
sentido. Há regras pessoais e fam iliares, cm 
que certos com portam entos são colocados 
em um a e sca la de valor, por exem p lo , 
para algumas famílias é m uito importante 
tomar banho duas vezes por dia, não andar
Eduquü com ca r in h o
social, para civilizar: “não atravesse a rua sem um adulto ju n to ”; “não 
aceite caronas de estranhos”; “são dez horas, hora de ir para a cam a”. 
Crianças precisam e até gostam de limites.
É claro que a lgu m as vezes podem não 
gostar de desligar a TV e ir para a cama, 
mas a ausência de regras leva à insegurança 
quando os pais não estão p resentes. Ou 
pode levar a criança a testar limites cada vez 
mais perigosos. Se a criança aprende esse 
com portam ento de “ir cada vez mais longe”, 
a adolescência será muito perigosa. Quando 
você ensina regras claras de m aneira consistente, seus filhos aprenderão 
organização, estrutura e direção. Com o passar do tempo, as próprias 
crianças dão orientações para si m esm as, “eu preciso ver o sinal antes de 
atravessar a rua” e passarão a controlar o seu próprio com portam ento. É 
o que se cham a em Psicologia de “autorregras”.
Valores, regras e limites são decididos pela família
Quando você apresenta limites, ensina o certo c o errado, isso indica 
os seus valores e o nível de respeitabilidade. Os limites que cada família 
impõe a seus filhos têm a ver com as expectativas sobre os filhos e, portanto, 
também podem ser diferentes em cada casa. É preciso lembrar que as regras 
são ensinadas e os filhos não podem adivinhar o que você espera deles. É 
preciso estabelecê-las claramente. Você quer que o seu filho de quatro anos 
sempre lhe dê a mão ao atravessar a rua? Espera que seus filhos de dez e 
doze anos sempre ajudem o pai e a mãe na arrumação da casa? Quer que 
a louça suja seja colocada na pia após as refeições? Espera que seus filhos 
lavem as mãos antes da refeição c após o uso do banheiro? Deixa que andem 
descalços quando está calor, mas não quando está frio? Quer que digam 
obrigado e peçam a benção ao dormir? Você espera que abram a porta do 
elevador para os mais velhos? Então deve dizer e reforçar estes comportamentos 
para que eles sejam incorporados no repertório dos filhos. Quando isso ocorre, a 
sua fala se transforma em uma regra para a criança, uma dica de como ela deve 
agir agora e no futuro, inclusive quando você não estiver presente.
Se as regras existem em uma família, é como um contrato. Se existe 
o contrato você vai poder deixar de lado o fato de cham ar dez vezes para 
o almoço, pedir pelo-amor-de-Deus para desligar a TV e implorar para
Limites e regras são 
restrições, e restrições 
também são bons porque 
dão segurança.
I ||>IA W l l!l R
que seus filhos tom em banho. Da m esm a forma, as regras, os limites e os 
contratos evitam aqueles acessos de raiva que os pais têm quando a situação 
fica insustentável. O problema com a raiva c que, de fato, se ela foi intensa, 
faz a criança agir. Com isso cia perde o respeito pela regra (pois ela não vale, 
o que vale é quando a mãe fica realmente brava) e, ao mesmo tempo, ensina 
os pais a terem ataques de raiva com mais frequência (pois foi assim que a 
criança fez o que foi pedido). Veja que círculo vicioso complicado c inútil! 
Lem bre-se do exemplo da aprendizagem de comportamento antissocial 
mostrado no 2° princípio.
Uma amiga disse, com orgulho, que suas filhas, de três e cinco anos, 
sabiam se comportar corretamente à mesa e não colocar os cotovelos, comer 
com garfo e faca etc. Isso era muito im portante para ela, pois costumava 
receber m uitas pessoas para almoçar e jan tar e queria ensinar a etiqueta 
adequada para as filhas não passarem vergonha e nem ela. De fato, em 
uma visitaà sua casa, pude constar que era verdade, no entanto vi também 
que as m eninas usavam palavrões com os pais e batiam na babá. Então é 
preciso decidir o que é mais importante (e em que idade).
As regras devem ser coerentes, razoáveis para a idade da criança e 
incorporar um certo grau de tolerância para com a infância! Por exemplo, 
levar a criança para brincar no parque ou à casa da vovó onde tem um 
quintal enorm e c dizer que ela não deve sujar a roupa não é possível! 
Limites tam bém têm de ter limite! Falar o tempo todo e limitar tudo faz 
com que a criança não respeite mais e aprenda a fugir, mentir, esconder o 
que está fazendo. Limites sem sentido fazem com que as crianças não os 
levem a sério. Dizer “não corra pela casa quando está de meias porque pode 
escorregar”, tudo bem, mas dizer “não resmungue, feche a boca e coma todo 
o almoço em dois m inutos”, não é um comando possível...
Regras têm que ser claras, justas e 
devem ter supervisão e monitoria
Apresente regras claras e específicas: dizer “limpe o quarto” pode 
não ser suficiente para uma criança de sete anos. O que você quer dizer 
exatam ente com isso? Você espera que ele pegue o balde e passe pano no 
chão, que dobre as suas roupas, que retire os papéis de bala de cima da mesa, 
que arrume os brinquedos por cor, que guarde os brinquedos no armário,
E d u q u i c o m c a r in h o
ou o quê? Diga claram ente o que você espera dela (e ensine e ajude se 
a criança for m uito pequena): “Depois de tomar café, você deve colocar 
a colcha sobre a cama, arrumar os seus brinquedos e jogar os papéis no 
cesto de lixo, está bem ?” Garanta que a criança entendeu.
Uma regra adequada também deve ter um nível de planejamento, ou 
seja, é preciso prever o com portam ento e prevenir. Não forçar a barra. Se 
você vai levar o seu filho de três anos ao supermercado (se não tem mesmo 
outro je ito ...), faça alguns combinados com ele antes como, por exemplo, 
“você pode escolher dois doces, está bem ?” Uma criança dessa idade não 
tem mesmo condições de ficar muito tempo em uma só atividade, então 
tente ser o mais breve possível e não adianta pensar “ah, mas ela tem 
de aprender m esm o a se comportar em um supermercado”. Tem, mas 
no m om ento certo c aos poucos. Sc não fizer o combinado antes, você 
tende a usar recursos de última hora que 
podem ser nocivos. Além do m ais, regras 
estabelecidas devem ser supervisionadas, 
isso significa que você deve verificar se a 
regra está sendo cumprida, como a criança 
está se virando com ela, se é adequada etc.
Quando uma regra nova é estabelecida pode 
causar certo desconforto e conflito entre pais c filhos, m as, com o tempo, 
o com portam ento se ajusta. No entanto, se há conflito sistem ático por 
causa de uma regra, verifique se ela não é rígida demais, se a expectativa 
não é muito grande, se não é injusta. Analise o que pode estar ocorrendo. 
Por exemplo, você estabelece um determinado horário para o seu filho 
ir dormir, mas todo dia ele chora c diz que quer ver um programa que 
somente passa àquela hora. Pode tentar alternativas, como prolongar um 
pouquinho o horário, ou gravar o programa. Regras podem e devem ser 
mudadas se não surtem efeito, mas não podem ser burladas. Não adianta 
você dizer para sua filha que ela deve fazer a tarefa da escola antes de ver 
a novela e todo dia ela arranja uma desculpa para ver a novela antes. Ou 
se muda a regra ou se retira a regra, senão o que você estará ensinando 
à sua filha não é obedecer às regras, mas como fazer para “burlar regras 
e lim ites”.
Os pais também devem seguir as regras. Não adianta você dizer que o 
banho deve durar 15 minutos e você ficar duas horas. A não ser que seja um 
banho de banheira para você relaxar, então pode. Por outro lado, podem
E9
Regras estabelecidas 
devem ser 
supervisionadas.
I II >IA W llllR
existir regras para crianças e para adultos, ou entre crianças de idades 
diferentes. Sua filha de 13 anos pode dormir às 10h30, mas o seu filho de 
cinco deve dormir às 9h. Você pode ficar no computador durante muito 
tempo se estiver fazendo pesquisa na internet. O seu filho deve ter um 
horário.
Já falam os sobre a necessidade de analisar o com portam ento e, 
portanto, já sabe que o com portam ento depende de suas consequências,
então, que é necessário ser firme. Ou seja, é imprescindível ser consistente 
c cumprir a consequência estipulada, senão a regra perde o sentido. Então 
pense bem qual deve ser a consequência e cumpra o que foi estabelecido. 
Não vale burlar a regra, como disse um a m ãe: “ah, tá bom, hoje estou 
contente porque m e dei bem no trabalho e você está tão fofo, pode ver TV 
antes da tarefa”. Veja tudo o que aconteceu nesta pequena frase:
• A regra depende do humor desta mãe e não da lógica e do bom senso;
• A regra depende do quanto ela está achando seu filho “fofo” e não 
do combinado anterior;
• O filho acaba de aprender que as regras não são muito sérias c não 
saberá como agir, pois como ele vai saber do hum or da mãe a cada 
m om ento?
cumprida e a decisão fica
com o seu filho. Isso é
Você estabelece uma 
regra lógica, explica 
por que ela deve ser
contingência.
então se você estabelece uma regra como 
“você pode ass istir à telev isão por um a 
hora”, ela tam bém deve ter em butida uma 
consequência, isto é, “se você não fizer isso, 
am anhã ficará sem televisão”. Isso é o que 
cham am os de contingência. Estabelece-se 
um a regra lógica, exp lica-se por que ela 
precisa ser cumprida e a decisão fica com o 
seu filho. Ele sabe o que vai acontecer se não 
cumprir a regra. Você já deve ter percebido,
• O filho acaba de aprender que pode m anipular a m ãe, pois se ele for 
“fofo” pode se livrar de várias regras.
Eduqul com CARINI l()
Certa ocasião eu estava no superm ercado e, como sempre faço, 
fiquei observando a interação entre pais e filhos. Vi uma jovem m ãe e 
o seu filho de cerca de dois anos dentro do carrinho. Ele se levantava a 
todo o m om ento, debruçava-se, queria alcançar certos objetos. A mãe 
ficava falando “não” todo o tempo e ia aum entando o tom de voz. As 
coisas eram m ais interessantes para ele do que ficar quieto, e o m enino 
continuava. Então a mãe, não aguentando mais, deu um tapa no braço 
do m enino e, cm seguida, disse que ele iria ficar sem ver televisão o dia 
todo e que se não parasse já , ela iria cham ar o “hom em do saco” para 
levá-lo em bora para sempre! Aí o m enino parou e sentou no carrinho, 
não porque entendeu que deveria se comportar, mas porque começou a 
chorar convulsivam ente c disse entre lágrimas, “m ãe, eu não faço mais, 
não cham e o homem do saco...” . Eu queria ter o poder de apagar esse 
“hom em do saco” do imaginário popular. Esse recurso é muito triste e não 
c por meio dele que os pais podem fazer com que a criança se comporte. 
Os estudos são indiscutíveis: crianças não se comportam quando as regras 
não são claras, quando há inconsistência no com portam ento educativo 
dos pais, quando há punição abusiva, quando não há supervisão e 
m onitoria adequada, ou quando o vínculo em ocional entre pais e filhos 
está prejudicado.
É deplorável essa questão de associar bom com portam ento com 
amor, não? Quer dizer que se ele não se comportar como você quer e no 
m om ento que você quer, você deve m andá-lo em bora?! A associação que 
a criança pequena faz é exatam ente essa, “se meus pais ficarem m uito 
bravos, ou se eu for muito mau, eles me mandam em bora”. Não é uma boa 
coisa para se ter como pensamento, não é? Exigir demais e antes da hora e, 
pior, colocar em risco a segurança do seu filho, também é errado. Eu já ouvi 
um pai, que m ora no 19° andar de um prédio de apartam entos, que não 
iria colocar rede nas janelas “porque seus filhos deveriam aprender que 
não é permitido debruçar-se na jan ela”. É sério! Eu quero que você entenda 
que não estou falando que esses pais citados não am em os seus filhos. 
Eles os am am com certeza, mas parecem dcsconheccr algumas questões 
práticas, outrasquestões sobre segurança e desenvolvim ento infantil 
e acabam sendo negligentes. Às vezes, os pais erram com o intuito de 
proteger dem ais, querem dar demais, só pensam no prazer m om entâneo 
da criança e não no que aprenderá a longo prazo. Por exemplo, você 11.10 
vê crianças m uito pequenas na praia, brincando na areia em baixo de um
III MA WllllU
sol de rachar e sem nenhum a proteção? A m ãe pode ter esquecido, estar 
entretida com outra coisa, ou apenas querer que a criança fique mais 
“livre para brincar”. Você não vê adolescentes na rua até de madrugada 
ou dirigindo? Pois é, pode ser o mesmo princípio inconsequente dos pais. 
Esses pais am am seus filhos, mas utilizam estratégias m uito inadequadas 
para lhes ensinar o que é certo c o que é errado, e como o mundo funciona.
Regras sobre as regras
❖ As regras devem ser sempre claras, consistentes, realistas e 
apropriadas à idade da criança.
❖ Deve haver supervisão e monitoria dos pais até que estejam 
estabelecidas no repertório da criança. Supervisão significa os país 
terem conhecimento e aprovarem o que o seu filho está fazendo e 
com quem está saindo. Monitoria significa os pais checarem onde 
e com quem seus filhos estão.
❖ Pense qual o objetivo que você quer atingir e o que o seu filho 
precisa para se sair bem nessa situação.
❖ As regras devem ser específicas e não vagas; melhor dizer 
“cumprimente a sua avó” do que “seja bonzinho”.
❖ Sempre explique o motivo para uma regra, mas seja breve, de 
acordo com a idade da criança.
❖ Regras devem ser repetidas. Quando a criança é pequena relembre 
com ela as regras, “o que pode acontecer se você correr de meias 
no chão liso?”.
❖ Seu filho tem o direito de não gostar da regra, mas vai entender que 
são os pais que as determinam em muitos momentos.
❖ Seu filho não é um robô, logo, as regras vão ser quebradas, ele 
desafiará você e testará até onde pode ir. Seja firme.
Ed u q u e c o m c a r in h o
Regras não significam prisão, existe flexibilidade diante de uma 
razão lógica.
Podem haver diferentes regras para adultos e crianças, isso é 
evidente, mas os pais devem cumprir regras também.
Reunião familiar: pode chamar de “conselho familiar” quando toda 
a família deve decidir um determinado problema, seja o destino 
das férias, seja o fato de um filho não estar indo bem nas provas.
Deixe absolutamente claro o que é proibido: “nessa família ninguém 
fuma” ; “ drogas, jamais e crianças não podem beber bebidas 
alcoólicas” .
Liste as opções para resolução do problema: “ se vocês não 
conseguem decidir qual programa assistir, cada dia da semana um 
escolhe” .
Fale sobre sentimentos: “Você ficou muito brabo com o seu irmão, 
mas isso não dá o direito de bater nele” .
Faça um plano de ação; negociar e fazer acordos são muito 
importantes: “ Essa semana você pode dormir na casa do seu primo, 
mas da próxima vez, ele vem dormir aqui em casa” .
Estabeleça metas: “ Pedrinho vai estudar duas horas por dia na 
semana que vem para recuperar a matéria” ; “ no próximo ano 
poderemos alugar um apartamento na praia” .
Consequências são resultados positivos ou negativos (dependendo 
da regra) para um determinado comportamento. Para cada regra 
deve haver uma consequência.
Faça um quadro de regras
Você pode facilitar a vida das crianças, e a sua, fazendo uma lista 
de regras e horários ou quando deseja incorporar uma nova rotina 
em sua família. É claro que você não vai regrar o dia inteiro a 
cada minuto, mas dependendo da idade da criança, coloque suas 
principais atividades de obrigações e lazer. Seja realista e, se quiser 
incorporar um novo comportamento, vá aos poucos e com calma; 
não coloque muitos comportamentos novos em cada quadro. 
Divirta-se e seja criativo. Veja um exemplo de um dia da semana 
para uma criança de 5 anos:
“0 que importa na vida não é o ponto de partida, mas a caminhada. 
Caminhando e semeando, no fim terás o que colher ".
(Cora Coralina)
As pessoas gostam de ritos e rotinas
Gosto m uito das mensagens de um livro que foi ícone da m inha 
geração na adolescência, “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint- 
-Exupéry. No encontro do Príncipe com a raposa, cia o ensina o que é
I IDIA Wi uru
“talivar”, que significa “criar laços” e tornar alguém único para nós. A 
sábia raposa tam bém fala da importância da consistência: “Se tu vens, por 
exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a 
hora for chegando, mais eu m e sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e 
agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca 
saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos”.
A inconsistênc ia é um dos piores com portam en tos dos pais
e traz c o n se q u ê n c ia s d e sa s tro sa s que
„ . , . . culminam no que se chama dc “problemas 
Ausência de consistência
torna a vida mais com portam ento na criança. Então, alem
confusa. apresentar regras claras para o seu filho,
você deve ter consistência. De fato, você 
precisa ter disciplina sobre ser consistente! 
Conseguir isso requer prática e treino, e embora possa parecer difícil no 
começo, é só treinar. Você tam bém precisa aprender algumas regras. Ter 
disciplina e consistência e aprender algumas regras básicas vão deixar a 
sua vida familiar com mais qualidade. As coisas devem ser previsíveis. Por 
exemplo, sua novela favorita começa sempre no mesmo horário, não é? E 
se um dia resolverem m udar o horário sem avisar antes, como é que você 
vai se sentir? Ausência de consistência torna a vida mais confusa, pois não 
há rotinas, não dá para esperar por algo que não vem.
Tenha comportamentos consistentes no dia a dia
O que é consistência? As regras devem ter consequências se não 
forem cumpridas; elas não podem depender do seu estado de espírito, isto 
é, se você está bem hum orado, você deixa passar, e se está dc m au humor 
porque aconteceu algo com você, você aplica as regras e as consequências 
ainda com maior dureza. Um “não” não pode virar um “sim” depois de 
muita insistência, de forma alguma! Se você disse “não”, m antenha o “não” 
até o final, mesmo que olhinhos marejados de lágrimas amoleçam o seu 
coração. Você pode dar avisos, com moderação, assim como os “não”. Se 
forem muitos, perdem a eficácia, se for o tempo todo, c não acontecer nada, 
a criança aprende que não é pra valer e que sempre poderá obedecer na 
próxima vez e não na primeira, além de ela estar ensinando a você a falar
Edu q u e c o m c a r in h o
muitas vezes a mesma coisa... Dessa forma, veja bem o que você promete, 
pois você deve cumprir o que diz. Ameaças não cumpridas perdem a razão 
de ser c você fica sem crédito. Sc você disse no carro para seus filhos que 
estão brigando, “parem de brigar, senão hoje não vamos à casa da vovó”, e 
se eles começam a brigar de novo, você deve cumprir. Ou não prometa isso. 
Não fale qualquer coisa, conte até dez e pense no que vai falar.
As crianças com eçam a ap render sobre causa e efeito, sobre 
consequências muito cedo. Já quando está no berço, o bebê de meses 
pode dar um chute no móbile e perceber que ele faz barulho. Pronto, se 
ele gostou, ele vai aum entar a frequência de chutes no móbile e acabou de 
aprender a primeira noção de “causa e efeito”. A criança aprende com muito 
mais facilidade e rapidez se você for consistente. É claro que você tem de 
aguentar as reclamações e não ceder. Há muitos pais que temem que seus 
filhos deixem de gostar deles pelo fato de estabelecerem regras. Isso não 
vai acontecer, se você for justo, afetivo e consistente. Resista ao “mas só 
hoje, paizinho”. Mas se você preocupa-se tanto com isso e não pode ver o 
seu filho chorar um pouco com uma proibição, você deve voltar ao princípio
4, “Autoconhecimento”, e ver o que está por trás dessa sua dificuldade. Às 
vezes é preciso procurar ajuda profissional.
Assim, se você for consistente, os filhos aprenderão que não adianta 
choramingar nem fazer birra. Isso resguardará você dosolhinhos lacrimosos 
e preservará sua autoestima, pois ninguém gosta de ser testado constan­
temente e nem aguenta que os filhos digam que estão com raiva, ou “não 
gosto de você”. Aliás, consistência é algo tão benéfico que funciona mesmo 
entre adultos, entre cônjuges... Pense nisso. Consistência constrói confiança.
Não é possível ser co n sis ten te só
de vez em quando , c ser co n sis ten te é _ * ,.H Consistência constroi
realmente uma tarefa das mais importantes e
, . . i .. confianca.tambem nao e muito simples. Nao e tacil ser
consistente, por exemplo, quando você chega
cansado do trabalho ou quando está com
problemas c seu filho começa a falar que quer assistir a mais um filme na TV 
antes de dormir e você, para não brigar, acaba cedendo. Mas é exatamente 
nessas horas que os princípios devem estar alertas, é nesses momentos que 
a consistência deve ser m antida, senão seu filho aprende a manipular e ale
I miA W i ui r
,i perceber “quando m eu pai está cansado eu posso pedir isso e aquilo”... 
O que você deve guardar para sempre é que ser consistente com as regras 
é absolutam ente fundam ental. As regras e os limites não podem depender 
do seu humor, da sua disposição cm certo dia. Não há meio termo. Não é 
possível ser consistente somente às vezes!
Cuidado com as promessas boas, que tam bém devem ser coerentes. 
“Sc você tirar acima de 90 em todas as m atérias no próximo bimestre, vai 
poder ir ao acam pamento de verão”. Veja que tirar acima de 90 cm todas 
as matérias não é algo muito fácil. Se o acampamento é m uito importante 
para seu filho, se você gostaria que ele realmente fosse, não coloque uma 
expectativa tão rígida, você pode trocar por “se no próximo bimestre você 
estudar pelo menos um a hora por dia, poderá ir ao acampamento de verão”. 
Sc ele estudar, terá alta probabilidade de realmente tirar notas boas, mas 
esperar sempre notas ma-ra-vi-lho-sas é meio exagerado. Valorize o processo 
e não somente o resultado. Se o seu filho tira nove e você em vez de elogiá-lo 
lhe diz “mas bem que poderia ser dez”, você não o está incentivando, mas 
fazendo com que fique frustrado consigo próprio e com você.
É preciso coerência entre os pais
Combinem certos comportam entos e certas regras, e não tentem 
competir para ver quem é o mais “bonzinho”, tanto em famílias nas quais 
os dois pais moram juntos quanto em famílias separadas ou recompostas. 
Na medida do possível também é aconselhável que existam regras coerentes 
com as dos pais na família extensa. Eles não devem ser iguais a vocês, mas 
se o seu filho vai passar uma noite na casa do primo, deixe claro que ele 
precisa fazer a tarefa e escovar os dentes, por exemplo. Os avós tendem a 
ser mais permissivos, isto é, gostam de mimar seus netos. Em certa medida, 
isso não é prejudicial, pois geralmente em questões de segurança os avós 
são ainda mais cuidadosos. As crianças conseguem discriminar bem na casa 
de quem certas coisas são permitidas, e os avós não têm o papel de pais (e 
não devem ter), suas responsabilidades são diferentes, mas, na medida do 
possível, as regras básicas enunciadas pelos pais devem ser seguidas pelos 
avós também.
É possível criar um quadrinho de tarefas básicas para os membros 
da casa, ou só para as crianças lembrarem suas atividades e seus horários,
Edu q u e c o m c a r in h o
assim como foi mostrado no capítulo anterior. Um quadro assim facilita
o diálogo e acaba com as eternas negociações e até com o perigo de ser 
inconsistente. A criança sente o cuidado dos pais com as suas atividades 
especificadas no quadro, sabe o que deve cumprir, tem segurança e mostra 
uma sequência de ações que são reconfortantes. Crianças gostam de rituais 
c eles são tão importantes quanto ocasiões superespeciais. A criança gosta 
de saber que quando chegar da escola na quarta-feira haverá bolinho de 
arroz no almoço. Gosta de esperar pela sexta-feira porque é dia de pizza e 
espera ansiosam ente pelo domingo por causa do almoço na casa da vovó 
e pela sobremesa surpresa! Se você tam bém ensinou flexibilidade a seus 
filhos, eles saberão que certa rotina tam bém não significa escravidão e 
destino! Saberão que um dia em que você chegou tarde do trabalho c não 
conseguiu comprar a pizza não será o fim do mundo.
Consistência não quer dizer rigidez
Perceba que, com coerência, regras e consistência, é a criança 
quem decide se vale a pena correr o risco. Às vezes há pessoas que 
foram criadas por pais superautoritários e não querem ser rígidos. Mas 
consistência não é rigidez. É adaptar-se ao lógico e ao bom senso. É 
preciso ressaltar que consistência e firmeza não quer dizer que você é um 
robô. Também precisamos ensinar “flexibilidade”, “jogo de cintura” para 
a criança. O m undo é mais um jogo de xadrez, em que precisamos tecer 
estratégias e uma jogada depende da anterior, do que um jogo de bingo 
em que tudo vem ao acaso ou um joguinho 
de videogam e in fan til em que tudo está 
previamente predeterminado. 0 mundo atual 
é dinâmico e complexo e não linear e simples.
Devemos ensinar lógica e m ostrar que é 
possível reform ular uma regra, se existem 
justificativas sérias. Disciplina consistente 
significa adaptar-se às situações, enquanto 
controle rígido é sem pre o m esm o, não 
importando o que aconteça. Por exemplo, ele 
não pode tomar refrigerante durante a semana, mas um dia vai almoçar n.i 
casa de um amiguinho e somente é servido refrigerante, então pode lonuii 
Sua filha está doente, de cama, então é possível estender o horário dc i V
Devemos ensinar lógica 
e mostrar que é 
possível reformular 
uma regra, se existem 
justificativas sérias.
I IDIA W l III R
e até comer sobremesa na cama. Está chovendo há dez dias e as crianças 
estão cansadas de ficar em casa, então dá para fazer um acampamento 
na sala de estar ou brincar de soltar bolinhas de sabão na varanda. Isso 
não vai m ostrar que você é mais fraco, ao contrário, a criança vai perceber 
que você é justo e lógico. O que não pode é ceder à criança diante de um 
comportam ento manipulativo ou que nos desagrada: se seu filho vier com 
os olhos cheios de lágrimas e chamar você de m ãezinha e pedir “só essa 
vez” para ficar mais meia hora acordado, respire fundo e não ceda. Tenha 
certeza de que você está fazendo o melhor para ele.
❖ Ser consistente é aplicar as mesmas regras para que o mesmo 
resultado ocorra com o passar do tempo.
❖ Regras devem ser claras e específicas e não devem ser burladas.
❖ Escolha e defina metas e comportamentos prioritários.
❖ Se uma regra passa a ser quebrada muitas vezes, verifique o que 
está ocorrendo, se é com a regra ou com a falta de consistência, 
ou ausência de supervisão.
❖ Não faça uma regra a não ser que você decida que será consistente 
sobre ela.
❖ Crianças vão testar sempre a sua consistência... tenha paciência.
[t©
luc,,
Escreva em um caderno as regras que você acha importantes e tente 
descrever por quê. Sente com sua família e discuta-as, deixe todos 
opinarem, mas lembre que são os pais que estabelecem certas 
regras. Faça lembretes para você mesmo, para monitorar as regras.
Prin cíp io 10 - N ã o usar p u n iç ã o
CORPORAL, MAS
c o n s eq u ên cia s lógicas
“Quando a severidade é excessiva, não cumpre o seu objetivo. Arco muito 
estendido se quebra ”.
(Friedrich Von Schiller)
Argumentos científicos, éticos 
e morais contra a punição corporal
Durante muito tempo, e não tão distante assim, as crianças eram 
severamente punidas por qualquer comportamento de desobediência de 
seus pais. A violência era inacrcditávcl. Aos poucos as coisas foram sendo 
modificadas, mas infelizmente ainda hoje ocorrem muitos episódios de 
violência contra a criança, e esse nosso passado de achar as crianças “m ás” 
nos persegue. Ouvimos crianças e adolescentes ainda dizendo “se eu não
I IUIA W l III K
l i/cr isso ou aquilo, m inha mãe vai me m atar”, como se fosse a coisa mais 
normal do mundo. É uma frase muito forte e dita assim sem consequência. 
Isso mostra que aindamuitos filhos são educados pelo domínio do medo e 
não da verdadeira disciplina que leva a autorregras. Ainda nos dias de hoje 
muitos dos pais levaram tapas e surras e usam esse recurso com os filhos, 
muitas vezes porque não conseguem se livrar do modelo e não conhecem 
alternativas, como as que estamos apresentando neste livro. Não basta não 
bater, é preciso ter todo um comportamento de “educar” verdadeiramente.
Palmada virou lugar comum, c muitos pais dizem “eu também levei 
uns tapas e estou aqui vivo e bem”. Mas no século 21, estudos mostram
que nem mesmo palmadas devem ser usadas 
na educação de uma criança. As pesquisas 
recentes são b astan te claras com dados 
inquestionáveis a respeito de alternativas para 
controlar um comportamento inadequado no 
lugar de punições corporais. Muitos pais não 
estão sendo permissivos como diz o senso 
comum, mas negligentes, ou seja, não colocam 
limites, nem afeto e envolvimento e, além 
disso, batem quando os filhos ultrapassam 
os limites que os próprios pais não deixaram 
claros. É uma m istura realmente explosiva para o desenvolvimento infantil.
Educar uma criança toma tempo e requer experiência, treinamento e 
prática, como estamos vendo; os pais devem ensinar limites, disciplina, como 
funcionam as coisas c os valores morais. E, acredite, tudo isso pode c deve 
ser ensinado sem que você precise m achucar o seu filho. Bater, humilhar, 
ameaçar e espancar não são métodos educativos. Você pode educar uma 
criança sem sequer levantar a mão. Sc você bate em seu filho, qual a primeira 
coisa que está ensinando? Que a violência é capaz de resolver problemas, 
que bater é uma forma correta de agir e de expressar a sua raiva. As pessoas 
dizem que “um tapinha” não faz mal nenhum e que é bem diferente do 
espancamento ou mesmo de um a surra. No entanto, é importante frisar que 
a palmada e o espancamento têm o mesmo princípio, isto é, usar a força e o 
poder para intimidar c punir uma pessoa (criança no caso).
Existem inúm eros argum entos, científicos, éticos c morais, que 
m ostram que surras c palmadas não devem ser utilizadas como práticas 
educativas pelos pais. Do ponto de vista da ciência, a punição corporal
A palmada e o 
espancamento têm o 
mesmo princípio, isto é, 
usar a força e o poder 
para intim idar e punir 
uma pessoa.
Ed u q u e c o m c a r in h o
é ineficaz a longo prazo, além de trazer importantes danos emocionais, 
psicológicos e sociais. Do ponto de vista da ética, a punição física é 
condenável, um a vez que existem diversas sanções para pessoas que 
agridem o seu semelhante. Por que, então, na relação familiar, permite- 
-se, tolera-se e até incentiva-se que os pais batam em seus filhos? Todos 
têm proteção menos as crianças? Moralmente a punição é errada, pois a 
primeira coisa que os pais ensinam a seu filho quando batem nele, é a falta 
de controle da sua raiva, e o fato de ser aceitável usar a força c o poder para 
resolver problemas; assim, a agressão se perpetua ao longo das gerações.
A punição corporal funciona?
De um m odo geral, quando um pai vê seu filho fazendo algo 
considerado desagradável ou errado, isso gera uma sensação de raiva. 
Por causa disso, a primeira coisa que acontece quando o pai bate no filho, 
por exemplo, é um a sensação de alívio. Parece que ao punir o filho, o pai 
“descarrega” naquele tapa ou naquela surra toda a sua raiva. Você já viu 
alguém dando um tapa pedagógico? “Meu filho - calm am ente falando
- você fez algo muito inadequado e eu vou punir com um tapa em seu 
bumbum para você aprender que isso e errado”. Alguém fala assim? Não... 
Geralmente os pais estão descontrolados e com raiva, e a agressão passa a 
ser um ato de vingança c não um ato educativo. Por causa dessa sensação 
de alívio é que, na maioria das vezes, o pai pune seu filho mais para aplacar 
sua raiva do que para propriamente educar a criança.
Muitas vezes os pais sentem culpa e percebem que não deveriam ter 
batido cm seu filho e, assim, apresentam uma série de atitudes que são 
inadequadas. Por exemplo, o pai pode tentar compensar aquela punição 
deixando que o filho faça coisas que ele não permitia anteriormente, o 
que pode causar uma confusão para o filho: “afinal, o que é certo e o que 
é errado? Como devo agir?” O pai ou a mãe, ao se sentir culpado, pode 
voltar atrás sem explicações nos castigos aplicados, como se fosse um ato 
de bondade: ao prometer deixar o filho uma semana sem videogame e no 
segundo dia dizer: “Tudo bem, pode jogar videogame, mas na próxima eu 
não vou te dar essa chance, certo?”. Com isso, a criança aprender que os pais 
fazem promessas que não cumprem ou que voltam atrás cm suas decisões 
depois de ele insistir muito ou se chorar muito; isso é inconsistência, que, 
já vimos, traz m uitas dificuldades na educação.
I I I »IA W ll l lU
Mas, será que, apesar de tudo, a punição, especialmente a punição 
C( )i poral, funciona? A Psicologia tem estudado este tema há várias décadas 
e os resultados das pesquisas têm mostrado alguns dados importantes. De 
um modo geral, a punição não é eficiente como método para se eliminar 
um com portam ento . Os estudos dem onstram que quando alguém é 
punido, inicialmente para de sc comportar daquela forma. Porém, depois 
de algum período, o com portam ento volta a ser apresentado e, com o 
tempo, a punição deixa de ter até m esm o este efeito tem porário. Ou
seja, a pessoa tende a se acostum ar com 
a punição e, se as consequências naturais 
do com portam ento punido forem m uito 
agradáveis ou recompensadoras, os efeitos 
temporários da punição são ainda menores 
e a pessoa vai se esforçar para arranjar meios 
de se comportar daquela forma de maneira a 
evitar ser pega “em flagrante”.
Eu resolvi colocar já no título a reco­
mendação de não utilizar nenhum tipo de punição física. Nunca! Sim, é um 
tema relativamente polêmico, mas entre as pessoas que realmente estudam 
o desenvolvimento da criança e as práticas educativas, é totalmente evidente 
que este comportamento não deve ser utilizado nunca. Alguns psicólogos 
ainda dizem que um tapinha não faz mal - o que acho incoerente com a 
sua posição de profissional c educador - , mas geralmente eles próprios 
utilizaram as palmadas. Em grande estudo norte-americano, muito recente, 
os dados revelam que o único benefício imediato que a palmada traz é 
a obediência da criança, em geral porque ela para de fazer o que estava 
fazendo porque sente dor e chora e não porque aprendeu. Por outro lado, 
os outros dez efeitos da punição investigados nessa pesquisa americana são 
muito prejudiciais ao desenvolvimento da criança!
Consequências e danos 
psicológicos com o uso da punição
1) Quando a criança é punida por fazer algo que gosta e que lhe 
dá prazer (por exemplo, a criança está tentando pegar um chocolate que 
só pode ser comido depois do almoço, é descoberta e apanha por causa 
disso), ela não aprende como deve sc comportar para ter o que quer, ou
De um modo geral, 
a punição não é 
eficiente como método 
para se eliminar um 
comportamento.
Ed u q u e c o m c a r in h o
para ter autocontrole, no caso; ela simplesmente aprende que o que fez é 
considerado errado, e que da próxima vez que quiser aquilo deverá fazer 
com mais cuidado, de form a escondida, para não ser descoberta. Isso 
significa que a punição não funciona para fazer com que criança deixe 
de sc comportar de determinada forma (não elimina o comportamento); 
apenas faz com que a criança arranje outras maneiras de fazer exatam ente 
o mesmo.
2) Uin segundo efeito da punição tem a ver com as emoções e o afe­
to. A criança punida apresenta um a série de emoções negativas, que estão 
associadas a outros comportamentos, no momento em que apanha, como 
veremos a seguir:
Raiva contra o agressor, principalmente quando a criança não 
compreende por que está sendo punida ou não vê motivo algum para 
estar recebendo aquele castigo. M uitas vezes, a raiva contra a pessoa 
que a agrediu vem associada a m uitasatitudes que a criança faz para ten tar 
ferir o agressor, como, por exemplo, dizer 
ao pai que está batendo nela que “nem 
está doendo”, ou dizer que o odeia e que 
ninguém gosta dele etc.
M e d o d o a g r e s s o r e de se 
comportar ou mesmo de permanecer na 
sua presença. Muitos pais dizem castigar 
seus filhos com severidade para impor 
respeito sobre os filhos, mas tudo o que eles conseguem coin isso não é 
urna relação de amor ou de respeito e sim, uma relação de medo! Medo 
não é uma estratégia favorável educativa ou afetiva, embora pessoas mais 
velhas ainda digam que sim. O comportamento associado ao medo é o 
afastamento: o filho prefere sc distanciar do pai (física ou psicologicamente) 
do que m anter contato com um a fonte de agressão. Você deseja que o seu 
filho se afaste de você?
Culpa e vergonha, e a crença de que as coisas que faz são erradas e 
condenáveis. Todos nós somos capazes de dizer quais os efeitos desagradáveis 
da culpa, mas só para citar alguns exemplos: muitos pais punem seus filhos 
dizendo-lhes “eu faço tudo por você e você se comporta assim”... às vezes <* 
mais sutil, mas também complicado, como quando a mãe diz para o filho
A criança punida apresenta 
uma série de emoções 
negativas, que estão 
associadas a outros 
comportamentos, no 
momento em que apanha.
adolescente “pode ir à festa sim querido, mas eu vou ficar aqui a noite toda 
acordada e preocupada com você”. No primeiro exemplo, a criança pode 
sentir que tudo o que faz traz descontentam ento para seus pais e que o que 
ele faz é ofensivo aos pais. No segundo exemplo, o que o menino deve sentir, 
afinal: contentam ento por estar em uma festa ou culpa por estar deixando 
sua mãe triste c preocupada? Associado a isso, a criança pode acreditar que 
está em dívida com os pais, e que nada que ele faça dali por diante vai ser 
suficiente para deixar os pais mais felizes. Os efeitos disso para a vida dessa 
criança não são difíceis de serem imaginados.
D esam paro aprendido, um estado que ocorre quando a punição é 
frequente e inconsistente, isto é, depende do humor dos pais e não de regras 
e princípios, a criança não consegue entender por que está sendo punida e 
não sabe mais o que fazer para escapar das punições.
A u toestim a baixa c derivada de um a história de punição que 
gerou medo, desamparo, culpa, vergonha e crenças de que as atitudes que 
toma são sempre erradas ou nunca são boas o suficiente para seus pais. 
A autoestim a está diretam ente relacionada com o conceito que a pessoa 
tem de si mesma; uma pessoa que tem um baixo conceito a respeito de si 
não tem segurança para tomar atitudes, não acredita em si mesma, vê o 
mundo como algo ameaçador e tem uma visão pessimista sobre as suas 
possibilidades de sucesso. Crianças que apanham passam a entender que 
são criaturas más, que realm ente merecem apanhar, e ainda os pais dizem 
“eu bato cm você, mas é para o seu bem”.
A ssociação entre am or e dor, um a relação perniciosa, que fica 
ainda mais fortalecida quando os pais insistem que “eu te surro porque eu 
gosto de você e quero seu bem ”, pois a criança passa a entender que quem 
ama tem o direito de machucar, podendo trazer dificuldades funcionais em 
seus relacionamentos futuros.
3) Um terceiro efeito da punição c fazer com que a criança que 
apanhou tente evitar ou escapar da punição. É uma forma natural de se 
defender e pode assumir várias formas, desde as mais brandas, como, por 
exemplo, “não ouvir” o sermão dos pais a respeito de bons comportamentos, 
até formas mais radicais, como fugir de casa literalmente ou ir estudar fora 
ou mesmo casar. Quando a fonte de punição é uma pessoa significativa 
como o pai ou a mãe, esta pessoa se torna “punitiva cm si m esm a”, que 
deve ser evitada ou destruída.
Ed u q u e c o m c a r in h o
4) Um quarto efeito da punição corporal, revelado cm estudos 
long itud inais recentes, revela que existe m aior probabilidade de a 
criança apresentar comportamentos antissociais no futuro, como mentir, 
enganar, provocar e bater em outros. Ou seja, bater em uma criança é um 
comportamento de risco. Vocc gostaria dc deixar o seu filho em risco?
Alternativas à punição corporal
Falar de alternativas, nesse momento do livro, c quase desnecessário. 
Se os pais seguirem os outros princípios do com portam ento , como 
participar e estar envolvido na vida do seu filho, m ostrar afeto, reforçar 
o co m p o rtam en to positivo, ser co n sis ten te , te r boa com unicação 
etc., poucas consequências negativas serão necessárias, pois estarão 
ensinando o com portam ento correto. Mas, digamos que você pretende 
m udar algum as atitudes em sua casa e que seus filhos já têm uma boa 
cam inhada em que você não seguiu os princípios da Educação Positiva. 
Então, algumas alternativas e castigos serão necessários. Eventualm ente 
as crianças saem do controle, não cumprem as regras c sc comportam de 
m aneira inadequada. É preciso saber o que fazer. Há pais que ignoram o 
com portam ento até chegar a um ponto de fervura! Esquecem de dialogar, 
perdem a paciência, não avisam a criança do que vai acontecer, dão 
palm adas a qualquer m omento. Há pais cansados, estressados c que não 
sabem exatam ente o que fazer. Agora vão saber. A criança não vem pronta 
e nem sabe tudo. Ela não sabe adivinhar o que pode c o que não pode ser 
feito. Criança tem o direito de errar também, de ter um acidente c até 
quebrar aquela caneca especial que você comprou na viagem que fez à 
Bahia. De vez cm quando acontece e você deve identificar se algo errado 
foi intencional ou não. Uma boa disciplina positiva deve ter mais atos de 
prevenção do que de punição. Sua caneca é muito especial c facilmente 
quebrável? Deixe-a fora do alcance do seu filho de cinco anos. Mas, não 
é possível an tecipar nem criar regras para tudo! Crianças, de vez cm 
quando, fazem coisas sem pensar muito. Uma mãe me contou que o filho 
foi com o am iguinho para o parquinho que ficava 110 terraço do prédio. 
Lá resolveram encher bexigas com água c jogar para baixo... Uma delas 
acertou 0 teto de cucalcx da garagem, quebrou, e 0 pedaço caiu cm cima 
de um carro. Foi um estrago e tanto, mas as crianças não tinham noção 
que um a simples bexiga com água poderia fazer aquele dano sc jogada
I II)IA Wl Itl k
bem do alio... Sc há regras, as crianças sabem que haverá consequências. 
Consequências têm a ver com escolhas, com aiitocontrole, com autorregras 
e são m uito diferentes de punição arbitrária. Você não quer se vingar da 
criança, não é? Você quer educá-la, então veja as dicas:
1) Diálogo: sim, a velha conversa racional, na qual são clarificadas as 
regras, o comportam ento que você espera do seu filho e as consequências. 
Mas não no formato de sermão ou com m uita emoção e raiva. Você deve 
ensinar a criança e não entcdiá-Ia. Não serve para crianças muito pequenas, 
a não ser que seja sempre m uito breve c claro. Para crianças maiores, você 
deve sentar e explicar o que ela fez errado, porque é errado c quais serão 
as consequências para a próxima vez, ou desta vez, se já haviam sido 
estabelecidas.
2) Dicas verbais para lembrar, especialmente para crianças pequenas, 
“lave as mãos após usar o banheiro”.
3) Ignorar o comportamento: esta estratégia funciona a longo prazo c 
é bastante difícil de os pais suportarem, mas funciona. Somente pode ser 
em pregada para alguns comportam entos, nunca para comportamentos 
agressivos ou destrutivos. Uma birra para pedir um doce fora de hora é um 
bom comportamento para o “ignorar”, ou seja, não dar nenhum a atenção à
criança. Mas não ceda nunca, senão a criança 
aprenderá que com aquele comportamento 
ela pode conseguir o que quiser!
4) Time out: isolamento ou tempo para 
pensar: tirar a criança da situação por alguns 
m inutos. G eralm ente usa-se o critério de 
idade da criança para estabelecer quanto 
tempo vai ficar fora da situação, usando um 
m inuto por ano de vida. Deve ser um lugar sem atrativo, como sentar 
em um a cadeirinha, ou ficarna sala longe de todos. Não adianta ficar 
falando com o seu filho, nem resm ungando c nem ficar com pena se ele 
chorar. Esclareça a regra, “você bateu de novo no seu irm ãozinho e bater 
não é perm itido aqui em casa, por isso vai para o time out Funciona para 
crianças pequenas que já aprenderam a obedecer ordens firmes de seus 
pais, e é m uito desagradável para elas ficar em um lugar sem atenção 
nenhum a; não é o tem po que importa, m as é o fato de cortar um a ação
Uma boa disciplina 
positiva deve ter mais 
atos de prevenção do 
que de punição.
Ed u q u e c o m c a r in h o
inadequada, e dá um certo tem po para os pais se recomporem! Para não 
errar: antes dos dois anos, essa técnica é ineficaz; não aplique para qualquer 
comportam ento e a todo o momento, escolha algo significativo; não seja 
inconsistente nem reaja com raiva; não tem 
resultados imediatos e não serve para tudo; 
sempre o melhor é ensinar o comportamento 
correto c não usar técnicas punitivas, sejam 
quais forem. O contrário de time out é o time 
in, ou seja, sempre veja o que o seu filho está 
fazendo de bom!
5) C onseq u ên cia s lógicas: Seu f i ­
lho deve sa b e r com a n te c e d ê n c ia as 
regras e as consequências: se brincar com o computador, deve desligá- 
-lo, senão no dia seguinte não poderá usá-lo. Deve fazer a tarefa de casa 
antes de sair para jogar futebol; se isso não acontecer, então ficará sem 
futebol no dia seguinte. São as famosas e eficientes “regras da vovó” que 
permitem à criança decidir e lhe ensinam responsabilidade. Deixou papel 
de bala e doces espalhados pelo quarto, então ficará sem balas e doces por 
cinco dias. Pegou o som da irmã sem pedir? Ficará sem o som por três dias.
6) Castigos ou penalidades: às vezes não é possível estabelecer uma 
consequência com pletam ente lógica a um com portam ento inadequado, 
então se pode utilizar o artifício da penalidade ou custo de resposta, des­
de que não seja severo, mas justo. Por exemplo, seu filho m entiu para 
você sobre o boletim, então ficará sem jogar videogame por um dia. As 
consequências lógicas e as penalidades devem ser sentidas como justas 
para a criança (embora ela não goste...) e não como um a vingança de sua 
parte: “você gritou e xingou na festa de aniversário do seu primo, então 
ficará dois meses sem comer sobrem esa” é exagerado. As consequências 
negativas após um com portam ento inadequado devem ser imediatas e 
surtem mais efeito se forem m oderadas e não exageradas a ponto de pro­
vocar m uitas emoções de raiva. E lembre-se, sempre você pode usar o que 
retiraria como recompensa, cm um a situação inversa: em vez de colocar 
a regra, “se não guardar os brinquedos, não vamos passear no sábado”, 
você pode colocar a regra “se os brinquedos forem guardados durante «i 
semana, vamos passear no sábado”. Entendeu o ponto?
As famosas e eficientes 
“ regras da vovó” que 
permitem à criança 
decidir e lhe ensinam 
responsabilidade.
do que não se deve fazer
k---------------------------------------------------------------------------------------------------- l
❖ Não queira educar no momento em que você está com raiva, nunca
funciona. Respire fundo, deixe passar, pode dizer “estou muito 
bravo e conversaremos daqui a 15 minutos” .
❖ Não use ameaças sem sentido: “se você não for já para a cama você 
nunca mais vai ver televisão à noite” ; “ se você não obedecer vou 
mandá-lo morar com sua avó” .
❖ Não use respostas sarcásticas ou humilhantes: “até que enfim você 
conseguiu tirar mais do que sete em uma prova”; “você é fracote 
igual o seu pai” .
❖ Não rotule: “você é mesmo preguiçoso” , em vez de dizer “você não 
arrumou o seu quarto, faça isso agora” .
❖ Não use nenhum tipo de punição corporal: bater, surrar, dar 
palmadas, beliscar, apertar, puxar as orelhas.
❖ Não use abuso verbal, tais como gritar, ser sarcástico, xingar, 
humilhar e nem usar sistematicamente comandos arbitrários (“ faça, 
porque eu disse e pronto!” ; “você sempre faz as coisas erradas” ).
❖ Não use ameaças coercitivas. “Se você não fizer a sua lição agora, eu 
te dou uma surra” . É diferente de clarificar uma regra estabelecida 
previamente: “você só pode comer o chocolate depois do almoço” ; 
“agora você deve desligar a TV porque acabou o horário combinado.
Se você não desligar agora, amanhã ficará sem assistir TV” . “Se você 
não comer o seu jantar, não haverá sobremesa” , isso é um aviso 
sobre a contingência - OK. “Se você não comer seu jantar, vai ficar 
de castigo por uma semana” é uma coerção.
❖ Não use retaliação, a sua atitude de educador deve ser positiva 
e não uma maneira de punição ou de vingança. “ Ele não me 
obedeceu na casa da minha amiga, então vou ficar sem falar com 
ele por uma semana” .
❖ Não deixe um comportamento perigoso, destrutivo, preconceituoso 
ou humilhante continuar. Se seu filho deu um tapa no colega, 
ou xingou a irmã, deve ser advertido e não basta você dizer 
“ah, os meninos são sempre assim” . Use consequências lógicas, 
penalidades ou time out.
Ed u q u e c o m c a r in h o
para fazer
❖ Deixe sua casa segura, especialmente se tiver filhos pequenos e 
evitar pânico.
❖ Evite bate-bocas e confrontos diretos. Se seu filho e pequeno e se 
recusa a parar de jogar comida do prato, distraia-o com outra coisa. 
Se tem mais idade, é hora das consequências. Use imaginação.
❖ Ensine empatia. Não adianta você dizer, “se você me bater, eu vou 
te bater de volta” , mas explicar que bater machuca as pessoas.
❖ Ensine seus filhos a evitarem os perigos evidentes.
❖ Deixe que seus filhos expressem todos os sentimentos; não diga 
que nunca se pode ficar com raiva ou triste. Isso é permitido, mas 
ensine que agredir e xingar não é permitido.
❖ Se usar outras alternativas à punição, deixe claro que você está 
apresentando consequências negativas ao comportamento do 
seu filho e não a ele. Nunca diga, “você é malvado”, mas “o seu 
comportamento foi errado” .
Exercícios para seo autocontrole
❖ Pare, respire profundamente uma vez, respire mais algumas vezes 
e lembre-se que você é um adulto!
❖ Pressione os seus lábios e conte até 10, pelo menos cinco vezes!
❖ Retire-se da situação. Vá até seu quarto e reflita por que você está 
sentindo tanta raiva. É realmente algo que seu filho fez ou é alguma 
outra coisa que está errada na sua vida?
❖ Pense, alguma vez a expressão de sua raiva diante de seu filho 
ajudou a melhorar a situação?
❖ Retire seu filho da situação por um momento até você se acalmar. 
Reflita se o comportamento foi proposital, se a criança realmente 
conhecia as regras e as consequências para o comportamento.
I II)IA W l lil R
A fala de uma criança ao seu cãozinho
E u não sei o que aconteceu hoje...
Ouvi m inha mãe gritando logo cedo com m eu pai 
E pensei que algum a coisa estava errada.
Fui até ela e tentei lhe dar um abraço para confortá-la e ela m e disse 
“Não amole menino, estou ocupada agora ”.
E u não sei o que eu f i z de errado porque ela m andou eu me apressar e ir 
para fora rapidinho.
Eu arrum ei m inha cama do melhor jeito.
Eu tentei tomar o m eu leite bem depressa para não deixá-la ainda mais 
nervosa.
E, sem querer, derrubei leite na m inha camisa limpa.
Eu penso que ela não m e ouviu 
Quando eu pedi desculpas.
Pois ela me bateu realmente forte, veja só,
E m e chamou de nomes engraçados;
E m e falou que eu era realmen te ruim ,
E que eu deveria ficar en vergonhado.
Quando eu disse “eu te am o m am ãe ”,
Acho que ela não entendeu,
Porque ela gritou comigo e m andou eu fechar m inha boca.
Eu não sei o que fazer, amiguinho...
Eu gosto da m inha m am ãe
Mas eu não entendo por que os adultos batem nas crianças tão forte. 
Acho que eles esquecem como são grandes.
Eu queria que você conversasse comigo e m e ajudasse a encontrar um 
jeito de dizer para todos os pais que as crianças não precisam ser machucadas 
para aprender.
Essa dor que sinto no corpo vai passar, m as a dor de dentro nunca sara 
e fa z meu coração ficar frio...
Eu seique você nunca m e machucaria, amiguinho...
(Adaptação de um iexto deCindy Pike Dunning)
122
Princípio 11 - Ser um modelo
“As crianças precisam mais de modelos do que de críticas 
(Joseph Joubert)
'A s crianças nunca estiveram muito empenhadas em escutar os mais 
velhos, mas nunca deixaram de imitá-los 
(James Baldwin)
Seu filho está observando você
A famosa regra de ouro afirma que não devemos fazer aos outros o que 
não gostaríamos que fizessem conosco. Podemos acrescentar que os pais 
não devem se comportar de uma maneira que reprovariam em seus filhos. 
Já falamos de regras, de consequências, dc elogios, de comportamento 
consistente, e tudo isso mostra que os pais devem se comportar como 
gostariam que os filhos se comportassem.
I II »IA WllllK
Como fazer para que o seu filho tenha comportam ento m oralm ente 
apropriado? Sabe-se que o que se cham a de com portam ento moral não 
está ligado com um a bondade m oral interior, mas a um a sofisticada 
capacidade de favorecer os interesses de outra pessoa a longo prazo. O 
desenvolvimento desse com portam ento é um amplo repertório adquirido 
de regras morais. A criança pode aprender por regras, ou seja, você 
explica para ela como deve ser feito c ela tam bém aprende observando 
outras pessoas, em especial, os seus pais. Lembre-se, mais um a vez, que 
a criança não é somente um ser passivo que recebe tudo pronto; há um a 
interação entre criança e am biente de m aneira sequencial e recíproca. 
Uma história única de contingências resulta em diferenças individuais no 
com portam ento moral (ou imoral). Logo, os pais devem ajudar a criança 
a construir o seu com portam ento moral.
Para um a criança pequena, é n a tu ra l im itar as pessoas m ais 
próximas. Isto é uma forma de aprendizado. A criança pequena im ita sem 
pensar sobre as consequências de seu comportamento. Os filhos estão o
tempo todo nos observando, mesmo quando 
acham os que estão distraídos brincando 
Os pais devem se com ou r̂a coisa. Isso é um dos princípios
comportar como fundamentais do comportamento, ou seja, as
gostariam que os filhos pessoas, especialmente os filhos, aprendem 
se comportassem. de acordo com modelos que observam nos
outros c, principalmente, nos seus pais. Às 
vezes pegam os pais de surpresa, burlando 
uma regra que haviam ensinado. Nesse caso, os pais devem adm itir o seu 
erro c parabenizar o filho pela observação bem colocada. Certa vez uma 
família estava divertindo-se no parque quando apareceu um grupo de 
pessoas com roupas fora de moda e a mãe, inadvertidamente, falou: “puxa, 
que bando de gente mais feia!”. Im ediatam ente a sua filha de sete anos 
disse: “mamãe você sempre me disse que a gente não deve fazer preconceito 
contra os outros, não é?” A mãe im ediatam ente tomou consciência do seu 
comportamento e disse que havia errado. Outra mãe dos nossos grupos 
contou que certa vez estava no supermercado com seu filho de dez anos, e, 
como sempre apressada, esbarrou sem querer em outro carrinho e continuou 
andando. O seu filho, sem pestanejar, lhe disse: “mãe, peça desculpas pelo 
menos!” Como sempre, quem tem m uita pressa acaba fazendo de novo, a
Ed u q u e c o m c a r in h o
mãe vollou e pediu desculpas para a m ulher do outro carrinho, que sorriu 
satisfeita com o menino mais educado do que a mãe distraída.
Desde bebê o ser hum ano identifica sinais de como deve entender 
o m undo. As crianças aprendem o modelo com facilidade. Por meio 
de modelos elas aprendem palavrões, m anhas, respostas sarcásticas, 
organização, respostas engraçadas, respeito, empatia, habilidades sociais 
etc. Se sua filha quer um tênis muito caro porque “todas as amiguinhas 
têm ” e você nega por uma série de motivos, mas depois compra um a 
bolsa que tem o dobro daquele valor pra você, m anda uma mensagem 
inconsistente. Se você gritar com seus filhos, eles aprenderão a elevar a voz 
quando estiverem zangados; se você brigar com o seu marido o dia todo, ou 
menosprezar o porteiro, seu filho aprenderá que isso é permitido.
Trate seus filhos e seu cônjuge com respeito
Não resta dúvida de que a maneira de como você trata o seu filho 
repercutirá no modo de como ele vai tratar as outras pessoas da sua vida. 
Já vimos anteriorm ente que deixar o seu filho agir de acordo com a idade 
que tem é uma forma de respeito. Ouvir suas opiniões, ser consistente, ser 
claro nas regras tam bém é ter respeito pelo seu filho. “Faça isso porque eu 
m andei” ou “cale a sua boca agora” não são m aneiras respeitosas de falar 
com ninguém, m uito menos com sua família. Às vezes ficamos zangados 
em nosso trabalho e descontamos cm casa. Isso é um a situação que traz 
problemas e deve ser enfrentada com ajuda.
Um outro aspecto fundam en ta l é o que cham am os de “clim a 
conjugal”, que faz parte de todo um “clima fam iliar” . Se tem um 
com panheiro que m ora com você, deve ter cuidado com os modelos 
que apresenta a seus filhos. As crianças, nas pesquisas que temos feito, 
reclamaram bastante do jeito que os pais se comportam um em relação 
ao outro. Eles não têm observado comportamentos de carinho entre os 
pais, às vezes presenciam m uitas brigas, inclusive físicas, não percebem 
um elogiando ao outro, e há um a ausência grande de humor. Sim, é isso 
mesmo, hum or deve fazer parte do clima familiar. Deixa a vida mais 
leve. Inclusive ensinar a rir de si mesmo. Dizem que um dos diagnósticos 
mais precisos sobre saúde m ental é quando uma pessoa consegue i ii de 
si mesma. Como disse o escritor Wanke, “ 0 importante é rir de si mesmo, ( 1
I ID IA W l I II U
bonito da coisa é que, assim, estamos rindo da humanidade que, sem se dar conta, 
mora em nós”.
Analise se o clima geral da sua família não está repleto de críticas 
destrutivas constantes ou se é acolhedor e com o objetivo de ensinar; será 
que as coisas são sempre ditas com raiva, ou existe autocontrole e uma 
forma afetiva de falar? Se os pais gritam, xingam, falam mal de qualquer 
pessoa antes de saber dos fatos, julgam, falam de maneira preconceituosa, 
os filhos aprenderão esse mesmo modelo. Quando a criança tem um bom 
relacionamento com seus pais e confia neles, é maior a probabilidade de 
imitação dos comportamentos de seus pais. Isto porque os filhos amam
seus pais e acham que o que eles fazem 
está sem pre certo. Desta form a, se você 
Analise se o clima geral diz m entiras, grita ou fala palavrões, seu 
da sua família não filho certam ente irá mentir, gritar ou falar
está repleto de críticas p a d rõ e s . Mas se você é sincero, calmo e
costuma ter conversas agradáveis, seu filho 
destrutivas constantes ou , .
tambem sera sincero, calmo c se acostumara
se e acolhedor. a conversar com Você. Além disso, seu filho
poderá observar que as pessoas acham você 
simpático e agradável, que você consegue 
boas coisas sendo assim , e perceberá que o relacionam ento de vocês 
é m elhor dessa m aneira, agindo de forma agradável. Se você perder o 
controle, saia da situação, vá até o seu quarto, jogue água no rosto e pense 
alguns minutos. Geralmente isso é suficiente para parar um acesso de raiva. 
Não é possível você argum entar com ninguém se está fora de controle, e 
nem com alguém que está neste estado. Se o seu filho tiver um acesso de 
raiva, espere um pouco antes de conversar com ele.
Se existe respeito e amor, 
queremos sempre voltar para casa
Veja que isso diz respeito à interação dos pais com os filhos, como 
falamos no 5o princípio, da Comunicação, mas tambem diz respeito à relação 
dos pais entre si. Bom hum or tam bém se aprende, c é possível treinar para 
tê-lo. Fazer um a sessão de piadas, com apresentação de todos pode ser um
Ed u q u e c o m c a r in h o
começo. No trânsito tentar perceber o que está pensando a pessoa do carro 
ao lado ou assistirem a uma comédia juntos. O im portante é que, ao final 
do dia, as pessoas da família tenham realmente desejo de voltar para casa. 
Tanto as crianças quanto os pais. Não é ótimo pensar que, no final de um 
dia estafantede trabalho, você vai chegar em casa e alguém vai lhe fazer 
um carinho, ou você vai ouvir uma história interessante? Ao contrário, é 
muito difícil pensar “puxa, que droga, logo é hora dc ir para casa, e lá vou 
de novo ouvir m inha mãe reclamando das m inhas notas ou da bagunça 
do m eu quarto”. Gosto m uito de um quadrinho que m ostra um m enino 
acordando cedo com o barulho do despertador, colocando a roupa para 
ir à escola, está chovendo, fica sentado o tem po todo ouvindo coisas que 
não entende m uito, almoça no restaurante da escola e não tem nada que 
ele gosta, um m enino mais velho briga com cie, ele tira nota baixa em 
uma prova, volta para casa com chuva c triste, chega à sala e joga a sua 
capa no chão da sala. Mas a m ãe, antes de lhe dar um serm ão o abraça 
e pergunta se o dia foi bom... Ele então, relaxa, sorri, se aconchega nos 
braços da m ãe e responde “está melhorando!”.
❖ Aja como você gostaria que seu filho agisse. Se a regra é diferente 
para adultos e crianças, explique.
❖ Aja com seu filho exatamente como você gostaria que outras 
pessoas agissem com ele.
❖ Sua família é preciosa, não desconte problemas de outra ordem 
em quem você ama.
❖ Treine comportamentos de autocontrole, pense, conte até 20, 
saia de perto, mas não ofenda, não grite, não humilhe.
❖ Seu relacionamento com seu cônjuge será um modelo de 
relacionamento conjugal para seus filhos.
❖ O clima em seu lar deve ser um “ porto seguro” , onde as pessoas 
da família querem voltar e onde se sentem amadas e seguras.
I IIIIA W llH K
❖ Anote em um papel alguns comportamentos que você faz, mas 
que não gostaria que seus filhos fizessem. Converse com alguém 
sobre esses comportamentos e tente entender porque você 
continua apresentando esses comportamentos se não gostaria 
que seus filhos se comportassem assim. Pensem em estratégias 
para pelo menos dim inuir a frequência desses comportamentos 
no dia a dia.
Carta de um filho adulto para seus pais
Eu olho o á lbum de recordações que vocês fizeram durante a 
m inha infância e percebo quantos m om entos de ternura houve na 
m inha vida e como me sentir amado tem sido fu n d a m en ta l.
Eu lembro que vocês sem pre m e encorajavam em m in h a s 
dificuldades e eu aprendi a ser confiante.
Eu lembro que vocês se interessavam mais pelas coisas boas que eu 
fazia e isso me estimulou a ser bom e a valorizar meu comportamento.
Eu lembro que mesm o quando vocês chegavam tarde do trabalho 
vocês brincavam, mesmo u m pouquinho, só comigo e me senti tão 
amado.
Eu lembro sempre que vocês nunca usaram violência comigo e 
eu aprendi a tratar os outros com carinho e que bater não é certo.
Eu ainda tenho guardados os bilhetinhos que vocês colocavam 
em m eus cadernos da escola e eu sabia que nós estávamos sempre 
jun to s e aprendi a ir cada vez mais longe.
Eu lembro que vocês assistiam os campeonatos esportivos que eu 
participava, sempre torcendo, mas nunca exigindo que eu fosse o melhor 
e eu entendi que participar do jogo da vida é o mais importante.
Ed u q u e c o m c a r in h o
Eu lembro que vocês pediam desculpas para mim quando erravam ou 
exageravam e eu aprendi a ser humilde e rever meus aios.
Eu lembro que vocês aplaudiam m inhas apresentações artísticas 
com entusiasmo mesmo que eu estivesse no fu n d o do palco e eu 
aprendi que a beleza está no coração de quem ama.
Eu lembro que vocês mostravam o mundo sempre com carinho e 
entendiam meus erros e isso me ensinou a ser tolerante com os outros.
Eu lembro que vocês sabiam m e fazer entender as regras do 
m undo e eu aprendi a ser seguro nos caminhos da vida.
Eu lembro que vocês iam ao m eu quarto e m e beijavam de 
m a n sin h o e achavam que eu eslava dorm indo e eu m e sen ti 
incondicionalmente amado.
E u lembro que vocês não m entiam para m im e eu aprendi a 
dizer a verdade.
Eu lembro que vocês deixavam que eu escolhesse m inhas coisas 
pessoais e eu aprendi a ser independente e fazer m inhas próprias 
escolhas com confiança.
Eu lembro que algum as vezes vi lágrimas e tristeza no rosto de 
vocês e eu aprendi que algum as coisas podem m achucar m as que é 
permitido chorar.
Pai e mãe, agradeço por vocês terem sido bons modelos e por 
m e ensinarem as regras da vida. Eu lembro das m il fotos nossas 
que existiam pela casa, dos film es, dos cartões, dos m eus desenhos 
emoldurados, dos seus cartões na m in h a m ochila, dos lanches 
preparados com carinho, das histórias que vocês liam na cama, dos 
passeios especiais para m im , das palmas que vocês batiam para m im , 
das suas anotações sobre a m inha vida, dos seus beijos e do seu colo.... 
e eu m e senti amado, aprendi a m e conhecer melhor e construí um a 
forte autoestima... e hoje tenho um a grande capacidade para am ar o 
m undo e os outros, sou capaz de encontrar amor e amizade e meus 
caminhos são repletos de ternura!
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Princípio 12 - Educar para a autonomia
“Seus filhos não são seus filhos,
são os filhos da Vida desejando a si mesma.
Eles vêm através de vocês mas não são de vocês, 
e embora estejam com vocês, não lhes pertencem.
(...) Vocês são o arco de onde seus filhos são lançados 
como flechas vivas”.
(Khalil Gibran)
“Há sempre um momento na infância em que a porta se abre e deixa o 
futuro entrar ”.
(Graham Greene)
Eduque para a autonomia: 
primeiro dê raízes e depois, asas
Quando falo em “dar raízes” aos seus filhos, quero dizer proporcionar 
a eles tudo o que vimos anteriorm ente: m ostrar am or incondicional, 
participação, comunicação positiva, ter envolvimento, usar consequências 
positivas (reforçar, elogiar, valorizar), apresentar regras, ser consistente, não 
usar punição corporal (mas consequências lógicas, se necessário) e ser um 
modelo moral. Usar os princípios explanados neste livro certam ente fará 
com que seus filhos tenham vocês, pais, como um ponto de apoio, como as 
raízes de sua existência profundam ente estabelecidas no amor, nas regras 
do m undo e no respeito. Todos nós sabemos que, embora seja difícil e, às 
vezes, sentimos como injusto, os filhos não nos pertencem. Os pais devem 
educá-los, da melhor maneira, de modo que se sintam amados, sejam fortes 
e saibam enfrentar as dificuldades da vida, mas tem de ter certeza de que 
eles pertencem à Vida, como disse o poeta. Diz a sabedoria popular que 
educar não é cortar as asas, é orientar para o voo. Dessa forma, desde muito
Ed u q u e c o m c a r in h o
cedo é preciso entender que educar com qualidade e de maneira positiva 
compreende duas atitudes aparentem ente antagônicas: estar envolvido e 
deixar a criança encontrar o seu próprio caminho. Uma boa educação tem 
o sentido de ensinar autocontrole e direcionamento próprio.
Im ag in a-se que a necessidade de 
autonomia vem mais tarde e que não seria 
preciso falar disso em um livro especialmente 
para crianças pequenas. Ledo engano. Começa 
muito cedo. Imagine a seguinte cena: Faltam 
dois minutos para pegar o carro e sair de casa 
para ir à festa da vovó. Nesse tempo volta 
o m enino de dois anos, sorridente e com 
a roupa trocada, o que inclui um a capa de 
super-herói indefinido c tentando colocar a 
sandália do pé direito no pé esquerdo. Um 
pouco antes ele havia insistido cm colocar a 
própria comida no prato e leite no copo, o que 
deixou um a lagoa no chão da cozinha, para felicidade do gato. Sandálias 
trocadas e capa de super-herói no aniversário da vovó?
Educar com qualidade 
e de maneira positiva, 
compreende duas 
atitudes aparentemente 
antagônicas: estar 
envolvido e deixar a 
criança encontrar o seu 
próprio caminho.
L íd ia W eber
Isso m esm o. Esses pequenos (e que às vezes testam a nossa 
sanidade) atos autônomos fazem com que as crianças aprendam a fazer 
coisas por elas mesmas. Eles são tão im portantes que promovem uma base 
fundam ental para que as crianças se tornem adultos confiantes, seguros e 
autossuficientes. É preciso ter paciência, tempo, autocontrole e bom humor 
para entender essa necessidadede uma criança fazer por si mesma e de ser 
ela mesma e não seus pais. É claro que você pode fazer tudo mais rápido, 
escolher melhor, colocar a comida no prato e não derramar leite pela casa. 
Pode, mas não deve. Pare um pouco, respire fundo e compreenda o seu 
papel de “orientador dc voo”. Vai precisar de mais panos de limpeza, mas 
vai ganhar filhos mais competentes, confiantes e independentes. Crianças 
querem imitar os adultos e mostrar que podem “fazer sozinhas”, os grandes 
clássicos da independência começam com colocar os sapatos. Andar na rua 
sem dar a mão. Vestir as roupas e falar ao telefone...
Você deve garantir a segurança dos pequenos
Você pode pensar que precisa ga ran tir a segurança. Sim, com 
certeza, e haverá m om entos em que um sonoro “não” será m ais do 
que necessário, ou um “mais tarde, agora não”. Não c porque a criança
acha que pode fazer tudo soz inha que 
você pode deixá-la fazer tudo. É preciso 
Voce nao estaia ao tam bém respeitar a infância e a criança
lado dele o tempo precisa ser acom panhada e não se sentir
todo, então, ele precisa sozinha. Também não c aconselhável dar 
aprender a se proteger mais responsabilidades do que é possível 
sozinho em determ inada idade. Ser independente
demais, precoce demais não traz vantagens. 
Mas você não estará ao lado dele o tempo 
todo, en tão , ele precisa a p re n d e r a se 
proteger sozinho. É preciso lembrar que nem sempre é possível proteger o 
seu filho. Seu coração pode ficar apertado ao vê-lo andando cambalcante, 
mas você precisa incentivá-lo a dar uns passos mais além e sozinho, não 
c? Quando uma criança pequena cai, a prim eira coisa que ela faz é olhar 
para a mãe, para ver a expressão no rosto dela, como ela vai reagir. Assim, 
ela busca apoio, ela busca conforto e ela apreende o m undo à sua volta.
Ed u q u e c o m c a k in iio
Às vczcs, sc não há perigo nem dano à saúde, deixe seu filho experimentar 
o que ele deseja. Sc sua filha de quatro anos quer colocar o vestido de 
festa com a bota de inverno para ir à casa da vovó, deixe. Ela pode ouvir 
de outra pessoa que “está m uito esquisita” e aprender por si mesma, pela 
experiência, que vestido de festa e botas de inverno não combinam. Já 
falamos que a infância é m uito curta, não é?
Quando a criança é m uito pequena ela precisa descobrir quem ela 
é, quem são as outras pessoas c o que significa o m undo todo. O papel 
dos pais c fazê-la sentir-se segura, confortável, confiante e am ada. A 
criança gosta de um ambiente previsível, sabe que poderá ter apoio sempre 
que precisar e sentir-se segura leva à autonomia. Mesmo quando m uito 
nova, a autonom ia significa deixar que a 
criança faça coisas por ela mesma, sem a 
introm issão dos pais. Ouvir incentivos é 
sempre im portante, portanto, sempre elogie 
e incentive as pequenas vitórias de cada 
dia, com isso a criança aprende que fazer as 
coisas por si m esm a é m uito bom, agrada a 
ela c aos outros.
À m edida que vai crescendo, a criança 
precisa a u m e n ta r sua com preensão do 
u n iv e rso e fazer as ta re fa s com m ais 
perfeição. Isso implica entender-se como um ser único e um ser que pensa. 
O primeiro “não” que uma criança fala, geralmente por volta de dois anos, 
acentua-se aos três e permanece resistente até os quatro, pode assustar os 
pais. “Como não?!” E quando a criança descobre o poder dessa palavra, 
que significa que ela pensa, que ela contesta, que os pais reagem de 
m aneira diferente, você vai ouvir muitos “não”. Este período de oposição 
é indispensável para a criança construir o seu próprio comportam ento.
Uma das características da autonomia é que a criança (e, mais tarde, 
o adolescente) quer m ostrar a você que pode fazer tudo sozinho. Por outro 
lado, você precisa persuadi-la que ainda é necessário que você fique por 
perto, garanta a sua segurança, como um porto seguro. A partir dos dois 
anos, esse desejo da criança em conhecer e literalm ente escalar o m undo 
entra em choque com a sua segurança. Nesta fase todo cuidado c pouco,
A criança quer ser 
independente, mas é 
ainda uma criancinha, 
então fique atento 
e ofereça conforto e 
apoio quando algo 
não der certo.
L íd ia Wi isi r
mas a criança adora poder escolher, então, ofereça alternativas: “Você 
quer comer cereal no prato azul ou vermelho?”. Adora ajudar, então deixe 
que a criança “limpe” as gavetas do seu escritório, ou arrume as revistas. 
Lembre que um pouco de bagunça é necessária.
A criança quer ser independente, mas é ainda uma criancinha, então 
fique atento e ofereça conforto e apoio quando algo não der certo. Ela 
precisa sempre do seu colo e da sua supervisão. Atualmente as crianças 
vão para escolinhas cada vez mais cedo. Este novo ambiente traz novidades 
c também novos desafios que ela deverá superar. Seja positivo. As regras, 
como sempre, devem ser muito claras: “você pode assistir à TV por uma 
hora c não duas”.
Amar um filho é permitir sua independência
Perto dos oito anos, a criança começa a achar que é to talm ente 
independente . Ela sinaliza, a lodo o m om ento, que precisa de mais 
tem po c mais espaço. Começa a ter ideias próprias e entender o mundo 
com suas próprias opiniões. É claro que teve uma boa base com você, mas 
às vezes ela gosta de desafiar você e o que você pensa. Faz parte. Quanto 
mais o tempo passa, mais isso se fortalece e você tem de deixar claro que 
respeita a sua opinião, embora, às vezes, é a sua que deve prevalecer. 
Conversar é fundam ental. Mostrar envolvimento sempre, mesmo quando 
a criança já é pré-adolescente. Ela pode não gostar que você a beije em 
público, mas gosta de saber que você foi à reunião da escola. O meninão 
quer usar bermudão com tênis surrado para ir à festa? Qual o problema? 
Se for um a festa mais formal não é possível, se não for, que m al há? A 
pré-adolescente quer fazer tatuagem ? É um tema mais complexo. Faça um 
conselho familiar e discuta vantagens e desvantagens, pois já envolve um 
aspecto físico irreversível. O menino quer deixar o cabelo crescer? Veja as 
coisas que são mais im portantes para você decidir, outras, deixe para eles...
Ed u q u e c o m c a r in h o
Deixe a criança experimentar seus desejos estéticos, roupas, por 
exemplo, ou ofereça alternativas para ela escolher.
Respeite suas opiniões, não seja sarcástico.
Ensine a criança a refletir sobre escolhas e não decida tudo por ela.
Promova o comportamento de autonomia aos poucos, mas 
supervisione, não deixe a criança em perigo. Você deve ser o porto 
seguro.
As crianças também devem aprender com os erros, devem passar 
pelas contingências e não somente aprender por regras. Se não 
houver perigo, deixe que a criança decida e, se for uma má decisão, 
que aprenda com o seu erro.
Já falamos anteriormente de não ser intrusivo. A criança precisa 
de um espaço emocional próprio e às vezes precisa ficar sozinha.
Dê responsabilidades e torne as regras mais elásticas à medida que 
a criança for ficando mais velha.
Escolha as batalhas corretamente; não implique com tudo, nem 
decida tudo pela criança; se for possível, permita que a criança 
escolha. Fazer uma supervisão microscópica de todos os detalhes, 
do tipo que implica até como a criança senta, penteia o cabelo 
ou brinca com blocos de montar, é cansativo, contraproducente e 
estressante para a criança e para os pais. Batalhas certas têm a ver 
com questões de segurança, valores morais, com situações que 
têm probabilidade de trazer problemas futuros ou consequências 
irreparáveis. Há fatores não negociáveis (não pode: bater, deixar 
de escovar os dentes, xingar, deixar de usar o cinto de segurança, 
etc.) e outros podem ser conversados, não é?
I im a W in iR
❖ Experimente deixar o seu filho fazer algumas coisas sozinho, ajudar 
a arrumar as gavetas, colocar os sapatos, escolher a roupa para ir 
ao aniversário ou que corte de cabelo fazer.
❖ Faça uma lista de coisas que você não concorda para seus filhos, 
mas que sabe que eles podem decidir. Lembre-se de que seu filhoé uma pessoa única, ele não é uma cópia sua.
Crianças são corno pandorgas
Você gasta anos tentando I irá-Ias do chão.
Você corre com elas até ficarem com fa lta de ar. Elas caem, elas 
balem no teto... você fa z curativos, conforta e assegura que algum 
dia elas vão voar.
Finalmente, elas voam.
Elas precisam m ais linha, e você continua liberar linha e 
soltá-las no ar.
Elas puxam , e cada vez que a linha é fisgada, você sente, ao 
mesm o tempo, tristeza e alegria.
A pandorga fica cada vez m ais distante, e você sabe que não 
fa lta m uito tempo antes de aquela linda criatura rompera linha que 
une vocês dois e planar no ar... livre e sozinha.
Somente neste m om ento você tem certeza de que seu trabalho 
está completo.
(Texto da internet traduzido do inglês, sem indicação de autor)
PARTE III
UM POUCO DE POESIA E HUMOR NO 
DESENVOLVIMENTO DOS SEUS FILHOS
A infância passa rápido
A mãe de Tati, 8 anos, disse que estava com pressa e que ele não poderia ir ao
parquinho. Tati falou:
— “Mãe, você está fazendo com que eu perca dois minutos da minha infância! ”
Lógica infantil
No almoço, Igor, 3 anos, eslava tomando leite quando suas mãozinhas derrubaram 
o copo. O pai, m uito sério, disse:
— “Igor, tome cuidado! 0 que você deve dizer acora?”
— “Põe mais leite no copo?”
Au toes lima
Erik, 3 anos, estava exibindo-se para a fam ília ao falar palavas em ucraniano.
— “Oh, parabéns”, disse a vó, “quem ensinou pa-a você?”
— “Eu me ensinei sozinho! ”
Dúvida
Leonardo, de dez anos, colocou um anúncio no jornal: “Quero entrar em contato 
com alguém que lenha estudado em 1970 com o meu pai. Quero saber se ele era 
tão bom aluno quanto me diz todo dia
Combinados
Pai e filha fazem um combinado: notas acima da média no colégio ou castigo: um 
mês sem assistir à TV à noite. No fim do mês, chega o boletim com um a só nota
vermelha.
— “Sofia, você não cumpriu o nosso combino,do! ”
— “É pai, então você também não precisa cumprir c sua parte! ”
llDIA W l III lv
Preocupações com os fihos 
A nninha está olhando sua mãe penteando os cabelos e pergunta:
— “Mãe, por que você tem alguns cabelos brancos?”
A mãe, querendo aproveitar o momento, responde:
— “Toda vez que você fez algum a coisa errada, fiquei preocupada e nasceu um fio
de cabelo branco. ”
A nninha, pensou um pouco e, então, perguntou com um sorriso:
— “Mãe, por que os cabelos da vovó são todos brancos?”
A rg u m en t o irrefu tá vel 
Conversa de papai Marcus e filh a Tati, quase 4 anos:
— “Pai, vamos visitar a A line?"
— “Não dá, ela saiu com a mãe dela. ”
— “Então vamos visitara Letícia?”
— “Não, ela está viajando. ”
— “Então, vamos visitar o vovô?”
— “Ele está doente. ”
— “Então vamos visitar n inguém ?”
Então, saíram dar um a volta de carro pela cidade...
Ciúmes
Tatiana, três anos e meio, emburrada, sentada ao lado do irmão Erik, dois 
meses, que eslava mexendo as perninhas. Disse choramingando para seu pai:
“0 Erik m e empurrou! ”
Conclusão
Papai Marcus eslava contando aos filh o s que, quando ele 
era pequeno, ele e seus irm ãos abriram u m vidro de azeitonas caras do 
seu pai para jogar bolinha de gude. Ele ficou m uito zangado com eles 
e os colocou de castigo. E a filh a Tatiana, 6 anos, fa lou: “E então vocês 
aprenderam que azeitona fa z m al pra saúde! ”
OS 12 MANDAMENTOS DA CRIANÇA PARA SEUS PAIS
"Deixe seu filho caminhar por onde sua estrela o chama ’ 
(Miguel de Cervantes)
Se um a criança pudesse escrever um a carta para seus pais, antes 
mesmo dc nascer, talvez fosse algo parecido com:
Queridos pais, eu vou chegar a este m undo m uito pequeno e ainda 
não sei todas as coisas que preciso saber. Não sei nem mesmo pedir pelas 
coisas que preciso, mas eu entendo o mundo ao meu redor e sei reconhecer 
as pessoas que me amam. Eu preciso de adultos do meu lado que me 
ensinem as coisas e, principalmente, que me ensinem o que é amor e 
como funciona esse m undo maravilhoso. Vocês não podem fazer tudo por 
mim senão eu tam bém não vou aprender como me comportar diante das 
situações difíceis. Eu sou pequenininho, mas sou um ser humano! Tenho 
direitos e dignidade, e as relações com outros seres hum anos deixarão 
marcas profundas na m inha vida. Sei que vocês já foram filhos, então
I n»i \ WmrR
gostaria que lembrassem como foi a sua relação com seus pais, entendam, 
Até perdoem o que não foi bom e resgatem as coisas boas. A vida é muito 
preciosa e eu tenho tudo para ser feliz junto a vocês! Meus 12 mandamentos 
para vocês:
1. Eu sou único c você me ama porque sou seu filho e não porque 
laço coisas que você gosta.
2. Saiba um pouco como as crianças aprendem a se comportar, eu 
preciso que você seja o m eu guia e mostre como devo me comportar no 
mundo.
3. Os meus olhos não viram o m undo como os seus, e compreendo 
o m undo diferente de você porque sou criança, então entenda e respeite o 
meu desenvolvimento e meu tempo de ser criança.
4. Lembre-se de como você foi educado, compreenda o seu estilo dc 
educar e m ude alguns comportamentos que podem me machucar física ou 
emocionalmente.
5. Comunique-se comigo dc maneira clara, de acordo com a minha 
idade e não precisa gritar c nunca me humilhe, eu acredito no que você diz.
6. Eu preciso do seu tempo para brincar comigo e para explicar todas 
as coisas da vida; eu vou ser pequeno por pouco tempo, aproveite o seu 
tempo comigo porque eu adoro ficar com você.
7. Eu preciso construir m inha identidade e autoestima e, para isso, 
necessito do seu estímulo, do seu encorajamento. Veja as coisas boas que 
eu faço, sinta orgulho c valorize-as, eu me sentirei importante c confiante.
8. Eu preciso que você me guie e mostre as regras c as consequências 
da vida; ensine os limites de maneira carinhosa.
9. Seja coerente com o seu comportamento; se você está de mau 
hum or com outra coisa, não desconte em mim e, se você está m uito feliz, 
também não esqueça dc aplicar as regras, senão eu não vou entender o que 
realmente deve ser feito.
10. Se eu fizer alguma coisa errada, mostre e ensine o certo; critique 
o meu comportamento errado e não a m inha pessoa.
11. Faça o que você me diz que eu devo fazer; seja um modelo moral 
para o meu comportamento e m inha vida e me respeite como você gostaria 
que outras pessoas me respeitassem.
12. Não faça coisas por m im sem necessidade, eu preciso aprender a 
viver no m undo de maneira independente.
O BEBÊ
“Famílias com bebês e famílias sem bebês sentem pena limas das ou­
tras
(Edgar Watson Howe)
Os bebês despertam ternura e encantam ento em qualquer pessoa. 
Aquele rosto bochechudo, olhos grandes e narizinho pequeninho foram 
especialmente desenhados pela natureza para fazer isso com os adultos. 
Ficamos literalm ente com caras de bobos diante de um bebê. Aliás, esse é 
um bom teste para saber se uma pessoa está com o seu potencial dc ternura 
em dia: ficar bobo diante de um bebê. Parafraseando o samba, “quem não 
gosta de bebês, bom sujeito não é”...
I I I I IA Wl Ml li
Bebês são muito parecidos uns com os outros. Alguns dizem que 
sÃo parecidos com joelhos quando nascem, outros que parecem vermelhos 
c amassados como um pimentão. Para os pais, o seu bebe é perfeito e o 
mais lindo do universo. O bebê hum ano é especialmente pcqucninho e 
Indefeso. Antigamente se dizia que os bebês não enxergavam nada, não 
entendiam nada e não ouviam nada. Hoje c diferente. Sabe-se que os bebês 
são, sim, indefesos e não conseguiriam sobreviver sem um adulto por perto, 
mas não são despreparados. Não que os bebês tenham mudado, mas os 
cientistas aprenderam a estudá-los melhor. E entenderam que eles são seres 
competentes desde o nascimento! Quanto tempo perdido décadas atrás, 
quando os bebes passaram meses cm quartos escuros e nem era permitido 
falar m uito alto perto deles...
Bebês adoram pessoas. Eles querem se 
sentir seguros e amados. Os bebês preferem 
Além de vozes femininas, a im agCm do rosto hum ano, com olhos,
o bebê prefere a voz da boca e nariz, a qualquer outraimagem. Os 
sua mãe, pois aprendeu cientistas m ostraram que bebês preferem
a ouvi-la ainda no útero..’. Vüzes fem in inas (agudas) a m ascu linas
(graves), e na natureza parece que há uma 
compreensão intrínseca disso, pois não há 
um só macho que fale com um bebê com 
voz grossa, ele acaba sempre afinando a voz para dizer “oi, nenezinho, 
tudo bem?”. Além de vozes femininas, o bebe prefere a voz da sua mãe, 
pois aprendeu a ouvi-la ainda no útero... Sim, já no útero eles ouvem 
sons externos. Com poucos dias de vida o bebê sabe distinguir o cheiro de 
sua mãe do cheiro de outras mulheres, mesmo que elas tam bém estejam 
am am entando; sabe também reconhecer a voz de sua mãe em comparação 
com outras mulheres.
Bebês são criaturas adoráveis. Especialmente os que têm poucos 
meses. Tudo o que fazem é fofo e faz com que seus pais percebam 
habilidades extraordinárias ou inteligência superior: balançam o chocalho, 
colocam o pé na boca e chutam o móbile: “nossa, acho que esse m enino 
vai ser bom no futebol!” O bebê faz um ruído com a garganta c estala o 
céu da boca, “puxa acho que vai ser bom locutor!” Basta sorrir para eles, 
ou fazer cócegas ou caretas alegres c cies abrem um sorriso, às vezes ainda 
desdentado, que derrete os corações mais duros. Encostamos em sua 
mãozinha e eles seguram e apertam o nosso dedo como se fosse o último
Ed u q u e c o m c a r in h o
galho à beira de um precipício. Quando estão com cerca de oito meses, 
o sorriso a estranhos não é assim tão fácil. E se queremos pegá-los no 
colo, podem abrir um berreiro tão repentino quanto estridente. Pessoas 
ao redor olham para nós como se fossemos o ser mais vil da face da terra. 
Como é que pudemos fazer uma criatura assim adorável chorar? Tentamos 
então fazê-los rir, e ficamos fazendo caretas ridículas ao seu redor e o bebê, 
impassível como um a rocha, nos olha com desdém. Somente sua mãe 
e familiares m uito próximos podem entretê-lo. É claro que mães e pais 
sentem-se m uito poderosos e especiais nessa época!
Bebes ficam um a graça enfeitados. Mesmo com certas roupinhas 
duvidosas, como de marinheiro, não há bebê que não seja irresistível. Levam 
a chave à boca, levam nossa mão à boca, querem engolir nossos cabelos e 
arrancar nossos brincos. Querem conhecer o m undo e suas mãos e boca 
são os instrum entos principais. E quando começam a arrulhar, então! Cada 
um acha que ouviu alguma palavra, geralmente seu nome, no meio de um 
tíshbrgfhaahhsshuuaaa'n do bebê. De vez em quando soltam bolhas pela boca c 
se deliciam com isso. Da mesma forma que acham a maior graça em cuspir 
a comida que cuidadosamente você preparou e bateu no liquidificador. 
Escorre a papinha verde-espinafre pela boca, queixo e, oh céus, pela linda 
roupinha cheia de laços que você colocou especialmente para ir visitar o 
pediatra. Nem ligue. Aproveite para rir. Um bebê fica lindo mesmo com 
pijama com manchas. Aproveite qualquer tempo disponível com o seu bebê; 
basta virar para o lado e ele já estará diferente!
“0 trabalho fundamental de uma criancinha que tem entre 1 e 3 anos é 
governar o universo (Lawrence Kutner)
Essa fase e conhecida pela literatura como “os anos terríveis”. Talvez 
os pais prefiram chamá-la de “a fase das feras indomadas”. Não importa. 
O fato e que as criancinhas, quando começam a engatinhar, depois andar 
e falar, são encantadoras, poderosas, impulsivas e possuem razão abaixo 
do razoável. Exigem atenção 30 horas por dia, pois sempre querem estar
Edu q u ü c o m c a r in h o
no centro do universo; “eu tenho o poder”, afirmam estes seres que se 
colocam em situações classificadas como impossíveis, assim como prender 
a cabeça em um buraco onde não deveriam tê-la colocado ou espalhar mel 
por todos os armários da cozinha, destruir carrinhos, despedaçar bonecas 
c chutar castelo de areia que você acabou de construir. Esse ser ainda não 
compreende os sentimentos de outras pessoas. É fácil reconhecer pais de 
uma criancinha que começa a andar e falar. Estão sempre cansados, com 
grandes olheiras, bocejando pelos cantos e afirmando que outros filhos 
não estão cm seus planos...
É preciso m uita cautela nesta fase, e tenha certeza de que esta 
agitação “felina” é natural, e as crianças não nasceram para testar sua 
paciência ou para deixá-lo louco o tempo todo. Esta criança não sabe o 
que é perigo. Aventura-se a subir no sofá, no armário, no colo do avô e 
na escada balançante, se não houver nenhum ser adulto para detê-la. 
Dizia Vinícius, nosso grande poeta, que crianças “chupam gilete, bebem 
xam pu, ateiam fogo no quarteirão...” Elas não sabem parar nunca, e tudo, 
absolutam ente tudo é irresistível, desde as tomadas até a bolsa nova da 
vovó. Esta criancinha não tem o m enor senso de propriedade alheia e nem 
do conceito de bagunça. Aquele amontoado de coisas ao seu redor significa 
mais coisas para brincar e explorar.
A solução não é colocá-la em um cercadinho, embora você possa ter 
esse desejo. Já foi, mas não é mais. Embora tenha certas semelhanças, uma 
criancinha não é um bicho selvagem. Ela tem de explorar o seu m undo, 
compreendê-lo e ter um adulto para guiá-la. Fazer um revezamento com 
a família extensa é uma boa pedida, especialmente com aquelas tias que 
adoram sobrinhos e têm muito tempo para gastar. Elas vão ficar felizes e 
ainda vão economizar na acadcmia dc ginástica.
Nesta fase, a criancinha não sabe repartir nada, acha que ela é o 
que existe de mais im portante na face da terra. Por volta dos três anos 
começam perguntas interm ináveis, e ela sequer espera pela resposta. 
Também surgem sonoros “não”, já que a criancinha está descobrindo, 
cada vez mais, o seu poder sobre o universo. Não tem noção dc habilidades 
sociais e interrom pe a conversa de qualquer um a qualquer momento, 
parece um poço de egoísmo. Você tem a impressão que alguma coisa saiu 
errada? Não pense isso, é normal. E ela sempre vive o agora. Daqui a 1 5
I in iA W i i i iK
m iim los já é outro tempo. Sc vocc quer colocar alguma regra, coloque logo. 
N.io parece, mas é normal.
Parece m uito difícil e estafante. Você acha que não vai conseguir, 
que o seu corpo e sua m ente vão explodir, ou, no mínimo, derreter no 
meio do caminho. Que nada. Basta você fazer qualquer coisa rem otam ente 
engraçada, ou apenas cócegas cm sua barriga, para que esta criancinha 
turbinada caia na mais sincera gargalhada, daquelas cm que a cabeça vai 
para trás, os cabelos balançam e todos os dentes branquinhos destacam-se 
na sua boca perfum ada. M eu Deus! Nessa hora, é como se o m undo se 
cobrisse de anjos e raios de sol. Você esquece o cansaço em um segundo e 
o som estridente percorre todo o seu corpo como um bálsamo refrescante. 
Ela só para quando o corpo, pobre coitado, não aguenta m ais e ela 
adormece largada em qualquer canto, com o cabelo úmido de suor, rosto 
afogueado e sorriso inocente. Ou quando esta criancinha começa a ficar 
cansada, ela recosta o seu corpinho no seu colo, os braços apertando 
o seu pescoço; os cabelos ainda com cheiro de bebe deslizam pelo seu 
braço acolhedor e em um gesto absolutam ente magnético, você beija esta 
cabecinha. Sim, esta criancinha é sua e você deve protegê-la. É a sua tarefa 
e você agradece aos céus por ter essa pessoinha maravilhosa ao seu lado.
É um a fase mágica, como todas. Talvez fisicamente cansativa como 
nenhum a outra. Às vezes pensamos que seria melhor já começar com 
filhos maiores. Ou não tê-los. Não tê-los?! Esse pensamento só dura poucos 
segundos. Como disse, novamente, Vinícius de Moraes (poema enjoadinho):
M elhor não lê-los... 
Mas se não os temos 
Como sabê-los? 
Como saber 
Que macieza 
Nos seus cabelos
Que cheiro morno 
Na sua carne 
Que gosto doce 
Na sua boca! 
Chupam gilete 
Bebem xa m p u
Ateiam fogo 
No quarteirão 
Porém , que coisa 
Que coisa louca 
Que coisa linda 
Que os filhos são!
Quando Deus criou as M eninas Pequenas
Deus fez o m undo com suas árvores imensas 
Montanhas majestosas e oceanos relaxantesEntão, parou e disse,
“Eu preciso mais uma coisa
Alguém para rir e dançar
Para andar nas florestas e colher flores
Para comungar com a natureza em horas calmas
Então Deus fez as meninas pequenas
Com olhos risonhos e cachos balançantes
Com corações alegres e sorrisos contagiosos
Gestos encantadores e seduções femininas,
E quando Ele completou a tarefa que havia começado 
Estava contente e orgulhoso do trabalho feito.
0 mundo visto através dos olhos das meninas pequenas 
Assemelha-se enormemente ao Paraíso.
(Tradução livre do Inglês, autoria não identificada)
Entre aquele bebê rosado com minúsculos brincos de pérola e fitinha 
cor-de-rosa presa com sabão nos ralos cabelos e a m ulher-amada-am ante, 
existe uma encantadora criatura chamada menina.
Elas podem ser muito diferentes entre si, loiras, morenas, ruivas, 
com sardas ou com pele cor de jambo, magrinhas ou cheias de dobras, mas 
têm um a coisa cm comum: preenchem a vida de todas as pessoas à sua 
volta com graça e doçura. Exceto quando estão brigando com o irmão para 
escolher o canal da TV., aí viram tigresas de voz esganiçada.
As m ães as adoram , os pais as ido latram (e se desm ancham 
literalmente diante da simples perspectiva de qualquer beicinho), os irmãos 
as atazanam (puxam seus cabelos, riscam seus desenhos e implicam com 
suas amigas), os meninos as perturbam (até certa idade meio indefinida, 
depois eles as perseguem), os adultos as abraçam e beliscam suas bochechas, 
mas todos os anjos estão ao seu lado.
1 4 /
Uma menina é a Ternura, quando nos olha com admiração; a Beleza, 
com sorvete de chocolate no vestido branco; a Compaixão, quando fala 
“pobrezinho do meu irmão (que tem nove meses), ele nem sabe ler...”; a 
Sabedoria, quando pergunta “por que existem pessoas pobres no m undo?”; a 
Preocupação, quando quer saber, “doeu quando descosturaram a sua barriga 
para tirar eu e o meu irmão?”; a Perspicácia, ao observar “Mamãe tem cabelo, 
meu irmão tem cabelo, eu tenho cabelo c papai não tem cabelo. Tem que 
comprar... no shopping!”; a Esperança, no futuro quando se preocupa se a 
joaninha que está passeando pela janela não vai cair.
Uma m e n in a a p re n d e a m a n ip u la r os seus s e m e lh a n te s , 
principalm ente seu sem elhante pai e sua sem elhante mãe, com um a
Ed u q u e c o m c a r in h o
destreza que deixaria Don Juan de queixo caído. Tem algumas habilidades 
sociais já estabelecidas pela natureza, tais como m anipular o sentim ento 
de outros. Quando tem algum desejo, lança seu olhar mais doce, olhar n° 
45, faz voz de anjo e encosta levemente a sua cabeça com cabelos cheirosos 
em nosso rosto, como uma gata. Quem há de resistir? Meninas ficam mais 
mimadas, mas seu comportamento é pura covardia. E, afinal, pais também 
são hum anos.
A sua capacidade dc adaptação camaleônica é estonteante: pela 
m anhã ela pode jogar bola junto com seu irmão (sim, eles se am am , às 
vezes) e ralar o joelho, e poucas horas depois se transform ar em um a 
princesa russa num vestido diáfano cor- 
-de-rosa. Aliás, tudo deve scr cor-de-rosa.
Por que as mães insistem em outras cores 
(“azul para combinar com os olhos, m inha 
filha...” ), ou em roupas fashion? As meninas 
pequenas gostam mesmo é de roupas cor-de- 
rosa com personagens de desenhos infantis.
Somente um a m enina é capaz de ter em sua 
gaveta 229 tiaras e fitinhas para o cabclo e 
chegar com lágrimas nos olhos: “m am ãe, 
não tenho nenhum laço para combinar com 
este vestido ...” . M eninas adoram filmes 
rom ânticos, corações de todos os tipos, 
cores e tam anhos, coleções de adesivos, cremes da mãe, bonecas barbies, 
m iniaturas, coisas iguais às da mãe, material escolar com personagens dc 
desenhos infantis, papai e mamãe, perfumes da mãe, sorvetes, festas de 
aniversário, bijuterias da mãe, mais corações, colo e carinho, ouvir histórias, 
agendas coloridas e beijos.
M eninas pequenas não gostam que a gente ralhe com elas. Meninas 
são muito sensíveis c seu choro machuca o coração de qualquer um. A 
m enina é emoção em estado puro. Só ela é capaz dc assistir “A Pequena 
Sereia” 30 vezes e chorar todas as vezes, mas todas as vezes mesmo, que 
o E T vai embora no final do filme. A m enina é capaz de passar horas a fio 
desenhando corações para seu papai (embora em pouco tempo comece a 
desenhá-los para seu namoradinho platônico), ou horas a fio brincando
A menina faz a sua 
mãe reviver sua própria 
infância e adora ficar 
um tempão na frente do 
espelho experimentando 
todos aqueles colares 
da mãe, vestindo seus 
vestidos, camisolas de 
seda e sapatos de salto.
I ima Wi ui ií
(Ir casinha com suas bonecas. A m enina faz a sua mãe reviver sua própria 
infância e adora ficar um tempão na frente do espelho experimentando 
Iodos aqueles colares da mãe, vestindo seus vestidos, camisolas de seda 
e sapatos de salto. Ela tam bém adora derram ar todos aqueles caríssimos 
perfumes franceses nos seus bichos de pelúcia (“para ficarem cheirosos 
igual vocc, mamãe!”) c derram ar a sua m aquiagem em cima do tapete 
chinês e passar batom no rosto do irmão (quando ele é mais novo). Muito 
cedo elas têm a “m elhor amiga da vida toda”, mesmo que seja por alguns 
dias, e adoram animaizinhos de estimação, que também ficam perfumados 
e cheios de fitas sob os seus cuidados.
Uma m enina é encantadora. Às vezes ela dança bailei e os pais 
ficam babando na prim eira fila com cara dc “m inha-filha-é-a-m ais- 
-maravilhosa-do-m undo”. Quem pode resistir a uma m enina com roupa 
de bailarina? Só a m enina chcga um dia em casa chorando copiosamente 
porque sua melhor amiga a chamou de “bobona” ou o seu colcga de sala, 
“aquele chato”, puxou o seu cabelo no recreio. No dia seguinte, a mesma 
m enina chega cantando porque aquela amiga dc ontem a convidou para 
o seu aniversário e o menino, já não tão chato, lhe deu uma figurinha 
do hom em -aranha de presente... M eninas são assim. Um treinam ento 
intensivo para serem m ulheres-am igas-amadas-amantes.
Às vezes você sente que está sendo manipulado, mas finge que não 
percebe. Todos aqueles bilhetes c coraçõcs que ela desenhou e escreveu para 
você, c que fizeram você emocionar-se, estão cuidadosamente guardados na 
gaveta. Um dia você irá mostrar-lhe. Talvez seja bom você mostrar-lhe no 
dia em que ela lhe contar que está apaixonada por aquele vizinho cabcludo 
que tem um brinco no nariz. A m enina é, e sempre vai ser, uma criatura 
encantadora, suave, intensa c mágica, principalmente quando ela se joga 
em seus braços, assim gratuitam ente, no meio de um a tarde morosa de 
verão: “Mamãe, papai, eu adoro vocês!”.
(Texto baseado em Alan Beck 1949 "What is a Boy?")
O MENINO PEQUENO
.....v r --- r-7------- ----- --------- :—7------ rt™------
Quando Deus criou os M eninos Pequenos
Deus criou um mundo além do seu sonho,
Com impressionantes montanhas, oceanos e rios,
Prados e planícies e uma terra cheia de árvores,
Então parou e pensou,
“Eu preciso de alguém para ficar no topo das montanhas,
Para conquistar os mares, explorar as planícies e
Subir nas árvores, alguém que comece pequeno e cresça robusto, forte
como uma árvore e assim por diante...
Ele, então criou os meninos, cheios de energia e diversão
Com faces sujas, bochechas afogueadas, com corações corajosos e caretas
infantis.
Quando Ele completou a tarefa que havia começado,
Ele certamente disse “Isso foi um trabalho bem feito 
(Tradução livre do inglês, autoria não identificada)
0 menino próximo à idade dc seis anos é uma criatura singular, 
voluntariosa e ambivalente. É capaz de vibrar c lutar valentemente com 
a “barata gigante” do filme e gritar como se tivesse sendo esquartejado 
ao ver um mosquito sozinho com ele no box do banheiro. Nessa época da 
vida, essa criatura mostra muito mais vivacidade e interesse em dominar 
o inimigo diante de sua irmã do que o adversário no campeonato de judô. 
Tem dificuldade cm associar o som e a forma de cada letra do alfabeto, 
mas conhece o nome c as características de todos os 150 pocket monstersou, abreviadamente, pokémons. Sim, ele é vidrado cm videogames, gameboys, 
playstations e qualquer outra parafernália eletrônica com a qual ele possa 
realizar suas fantasias dc lutar, envolver-se em aventuras, ter poderes sobre- 
-humanos e, é claro, sair vitorioso no final. Como as mães pouco entendem 
disso, os pais são seus melhores parceiros.
Em sua mochila da escola é possível encontrar, em um mesmo 
compartimento, uma pedra especial que conseguiu trocar por uma figurinha 
repetida, uma concha quebrada das últimas férias da praia, um pedaço
151
de galho mágico, vários chicletes (inteiros e já mastigados), figurinhas e 
tazzos diversos, moedas, um a lanterna do Mickcy c um cartão carinhoso 
que preparou e para entregar no dia das mães... O menino nesta idade 
ainda não completou sua evolução hom ínida de forma adequada nos 
seguintes quesitos: 1) Educação: quando está assistindo ao “Parque dos 
dinossauros" pela 21a vez, sua comunicação mais frequentemente hum ana é 
“manhêeeeeeeeeee, pipocaaaaaaaaaa”, com variações sobre o mesmo tema: 
“paiêeeeeeeeeeeeeeeee, tô com sede!”; 2) Alimentação e boas maneiras-, garfo 
para comer batata frita? Nem pensar!; 3) Locomoção: esse ser não conhece 
o andar ou caminhar, somente pular, saltitar, rodopiar e correr...
Nesta idade, m ais ou m enos até seis anos, o m enino acredita 
fielmente na “fadinha dos dentes”, parcialm ente cm Papai Nocl e tem 
dúvidas sobre o fato de bandidos poderem sair da TV e “pegar a gente”. 
Pensa que sabe exatam ente o que quer da vida quando anuncia que
Ed u q u e c o m c a r in h o
“quando crcsccr” quer ser astronauta, mágico, jogador de basquete e 
de futebol, soldado e bombeiro. Uma das coisas que mais o fazem rir é 
poder enganar seu pai c sua mãe: esconder-se atrás da cortina (deixando 
os pés para fora) e fazer com que sua mãe ande pela casa cham ando-o e 
lam entando que “Ai, meu Deus, os monstros levaram m eu m enino” é uma 
das suas diversões nesta idade, assim como a “farra familiar” no domingo 
pela m anhã, no quarto dos pais. Nesse m om ento, ele é até capaz de aliar- 
-se com sua irmã! São praticam ente os últimos m omentos de fantasias, 
meninices e bocas com falta de dentes, não devem ser perdidos... eles 
não voltam.
M uito diferente dc um a m enina, o m enino pequeno é um ser 
m utante que se aconchega cm nosso colo em um minuto e no outro grila 
desesperadam ente quando querem os dar-lhe um simples beijo, como 
se fossemos uma criatura extraterrestre repleta de escamas verdes. Em 
outros momentos igualmente cheios de ternura, na hora de dormir, por 
exemplo, quando queremos abraçá-lo ou fazer uma massagem em suas 
costas identifica-se neste pequeno ser a ambivalência em estado puro: 
verbalmente ele nos diz “sai pra lá” ou mais polidamente, “não” (embora 
à noite, o seu tom de voz esteja mais ameno), mas fisicamente ele move 
sua cabeça em direção ao nosso rosto, e o aroma daqueles cabelos ainda 
com cheirinho dc bebê nos faz sonhar que ele é completamente nosso. 
Quando nossos carinhos começam, ele sucumbe c relaxa, deixando para 
outra hora menos sonolenta o treinam ento de seu papel mais próximo dc 
vilão do que de mocinho. Sc você tem um filho nesta idade, valorize esse 
momento que passa muito rapidamente. Não tenha pressa. Acorde pelo 
menos cinco m inutos antes do horário estabelecido, entre no quarto do 
m enino e observe-o dormindo. Dcixc-sc levar por este encantam ento da 
infância; imagine a fantasia que ele está sonhando, passe sua mão em seus 
cabelos revoltos (mesmo que estejam grudados por alguma substância não 
identificada) c sinta seu hálito, não mais de bebê, mas ainda muito longe 
da adolescência. Aproveite também este estado dc inconsciência e lhe dê 
muitos beijos naquela bochecha macia. Sim, é covardia c quase uma falta 
de ética..., mas esse direito está no Estatuto dos Pais. Você não concorda?
A MENINA PRÉ-ADOLESGENTE____ ___________________________________
“Lembre que o adolescente está no último estágio da vida em que é feliz 
de saber que o telefonema é para ele 
(Fran Lebowitz)
Assim como os m eninos pré-adolescentes, as m eninas gostam de 
fazer parte de grupos. Os grupos ainda são, cm maioria, do mesmo sexo e 
são escolhidos por interesses em comum. Há os grupos das nerds, das patis 
(peruinhas), das descoladas, das esportistas, das que se acham normais 
etc., mas, apesar das classificações, os grupos são parecidos. Adoram 
ficar com as amigas, ir ao shopping e ficar on-line. Podem passar a tarde 
toda no parque, conversando sobre nada, até sobre meninos, e quando 
voltam para casa, im ediatam ente entram nos programas on-line, ou ficam 
no telefone, para conversar sobre as conversas que tiveram. Esse é o seu 
m undo e, não raram ente, esquecem mesmo de fazer as tarefas da escola 
ou arrum ar a sua cama.
Os diferentes grupos acabam se juntando cm turmas por ocasiões de 
um a festa, por exemplo. Mas os parecidos continuam agrupados mesmo 
neste ambiente. As regras dos grupos são mais ou menos rígidas e quem faz 
parte de um grupo pode criticar o outro, mas um a briga pode fazer com que 
a pré-adolesccnte se “identifique” mais com o outro grupo, aquele mesmo 
que ela criticava há dois dias. Nessa idade, guardar segredos é muito difícil, 
então as fofocas fazem vítimas o tempo todo c amizades duradouras acabam 
repentinamente. Geralmente, em uma briga, todos do grupo tomam partido 
de uma amiga ou de outra, e às vezes a pré-adolcscente chega à casa 
acabada e fala frases dramáticas, tais como “a minha vida acabou, eu nunca 
mais vou ter amigas”. Felizmente, elas também fazem as pazes facilmente. 
Elas adoram escrever bilhetes, colar nas agendas, fazer declarações de amor 
para as amigas e ter um m ural magnético no seu quarto, cheio de fotos de 
momentos emocionantes. É um treinam ento social intensivo!
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Nesta idade existe diferença entre as meninas que já são “m ocinhas” 
c as que ainda não ficaram mocinhas. Hormônios fazem diferença, c as 
primeiras começam a sentir interesse nos meninos. Podem “ficar” com 
os meninos e há uma grande pressão e competição para deixar dc ser BV 
(Boca Virgem); para essas m eninas da atualidade, estar dois meses sem 
ter ficado com nenhum m enino é “estar encalhada”. Há certas regras 
nem sempre cumpridas sobre o ficar e as amigas. Geralmente não é legal 
ficar com o m enino que quer ficar com você, mas que sua amiga está a 
fim... Em verdade, não fica mesmo se não estiver a fim; se estiver a fim 
do m enino e a amizade não for m uito esplendorosa, fica-se com o m enino 
e a amizade fica em segundo plano. Mas há aquelas que são fiéis com as 
amigas. E nesta idade, a maioria ainda tem somente o olhar platônico pelos 
meninos. Perto do final dos 12 anos é que começa a beijação... Mas não é 
só isso, as m eninas de hoje são diferentes mesmo: elas também participam 
ativam ente das feiras de ciências, jogam videogame, xadrez e até futebol. 
Não são som ente bonequinhas de luxo.
L id ia W eber
É um a fase de transição, complicada de se fazer entender e de 
entender o que está acontecendo. A mocinha já tem corpo de moça, não 
quer mais festas de aniversários com decoração, mas ainda adora bichinhos 
de pelúcia e, de vez em quando, você pode pegá-la penteando suas bonecas 
ou pedindo para comprar uma boneca, mas “mãe não conte pra ninguém 
que eu comprei isso.” Ao mesmo tempo gostam dos garotos e brigam com 
os irmãos “eu pedi antes para sentar perto da janela!”. Gostam m uito de 
adesivos e agendas coloridas - têm umas cinco por ano - cheias de adesivos 
e bilhetes das amigas. Talvez as muitas agendas tenham o sentido de tentar 
se encaixar melhor no mundo. Têm desejo de ser “grande”, mas ficam 
tristes com a infância que fica para trás, como disse m inha filha aos dez 
anos, impedida de entrar em uma piscina de bolinhas de um shopping: “pela 
primeira vez, eu estou com raiva de ser grande!”.
As pré-adolescentcs sofrem forte pressão para ser como o padrão 
de beleza estabelecido pelo m om ento c, como se desenvolvemantes 
dos m eninos, sempre reclam am que são m uito altas, têm pés grandes 
demais, estão enorm em ente gordas e a pele está horrível. Estão cm uma 
fase que as deixa ex trem am ente sensíveis, então choram por qualquer 
coisa, c as encrencas com os pais não são incom uns. Eslar “em burrada” 
faz parte dessa idade com emotividade a mil. Privacidade é esscncial, 
trancam o seu quarto, gritam com o irmão que pegou seus CDs, aliás, os 
CDs ensurdecedores ecoam pela casa, pois na música que gostam não 
existe o senso de harm onia, parece um “bate-estaca” ou cantarolam “tô 
nem aí, to nem aí...”.
Não é uma idade m uito fácil, nem para a interessada, nem para seus 
pais, mas é efcrvescente, e sempre que um adulto diz “no meu tempo”, ele 
estará se referindo a essa fase de quase adolescência ou de adolescência. 
Lembre do seu tempo. Chame as amigas dela para uma festinha. Leve a 
m eninada para um passeio na praia. Fique junto, saiba quem são suas 
amigas e amigos. Convide sua filha para sair, mamãe e filha ou papai e 
filha, ir ao shopping e fazer umas compras, escute seus problemas, conte 
como era “na sua época”. Seja cúmplice. Não faça cara de horrorizada 
quando souber que ela já ficou. Converse, entenda, oriente. É uma fase 
intensa, saborosa, dolorosa, emocionante, cheia de significados, repleta de 
descobertas, inesquecível.
1 5 6
O MENINO PRÉ-ADOLESCENTE
“Quando as crianças atingem a adolescência, elas precisam mais do que 
nunca de nossa supervisão (Ron Taffel)
Nessa idade dc 10 a quase 12 anos, os meninos são m uito menos 
próximos dos adolescentes do que as m eninas. Estão mais perto do 
universo infantil do que do universo adolescente. Quase não têm espinhas, 
a voz ainda está a mesma, e os meninos são menores do que as meninas, 
pois há um desenvolvimento mais acelerado das garotas. Ainda assim, 
há m uitas variações entre diferentes meninos nessa idade indefinida. Há 
aqueles que dão uma arrancada surpreendente de crescimento, ficando 
com pés e braços enormes, e para outros este crescimento abrupto só vai
I IDIA W l Hl R
acontecer mais tarde. De qualquer maneira, a primeira preocupação do 
m enino nesta idade é ter certeza de que ele é “normal”. Se o m elhor amigo 
dele cresceu muito e ele não, ele vai ficar preocupado. Se o m elhor amigo 
não cresceu e ele estirou abruptam ente, ele vai ficar inquieto. Se nem 
ele nem o melhor amigo cresceram, ou cresceram rapidamente, eles vão 
ficar apreensivos. Ou seja, não tem jeito. É a idade da comparação, e nos 
vestiários, os olhinhos ficam vagando disfarçadamente a título de estudos 
comparativos em todos os lugares do corpo.
As alterações hormonais, quando começam, são inacreditáveis. Então 
aprenda sobre isso e vá com cuidado na sua avaliação. Os pais não devem 
se m elindrar muito com as mudanças súbitas de humor. E súbitas não é 
só uma força de expressão. Em um m inuto o menino está um doce, e no 
m inuto seguinte grita desesperadam ente com a irmã porque ela pegou a 
sua lapiseira. Ele pode ter explosões repentinas, tanto com os pais quanto
com irmão e amigos. Precisa absolutam ente 
de aceitação em seu grupo de am igos, 
As alterações hormonais, portanto, se ele quiser usar aquela berm uda 
quando começam, são quatro núm eros acima do seu tam anho c o 
inacreditáveis. tênis surrado e sem cadarço, deixe. As vezes
a mãe pensa que comprando um tênis caro 
e novinho em folha vai resolver o problema 
do autoestim a do menino, mas ele nem o coloca no pé. Por quê? Porque 
sua turm a não usa isso, “vai ficar parecendo um nerd, m am ãe”. Ninguém quer 
ser deixado de fora do grupo, é muito doloroso. E nessa época, as gozações 
são infindáveis. Vale fazer um lanche hipercalórico em casa e convidar toda 
a turma para assistir a um filme dc gosto duvidoso. Eles vão achar a mãe 
muito legal e até serão educados na saída, “aí tia, valeu!”.
O menino, nesta idade da puberdade, brinca m uito com amigos, 
gosta dc chamá-los para dormir em sua casa, gosta de correr e jogar 
bola, e, aos dez anos, as m eninas ainda não fazem parte do seu universo 
como seres m uito interessantes. Ainda gosta de brincadeiras com os pais, 
daquelas de correr atrás, brinca com bonecos medonhos e dá gargalhadas 
à toa. Em verdade, é um m eninão mais encorpado. Esse m enino precisa 
m uito de atenção dos pais. Ele sabe diferenciar bem quando os pais “são 
legais”: quando participam de suas coisas, quando o entendem , quando 
não fazem m uito sermão e superfalação e quando o levam ao cincma e
Ed u q u e c o m c a r in h o
assistem a um filme esquisito junto com ele. Por exemplo, no cinema, ele 
adora ver a mãe se surpreender ou ficar com medo diante de alguma cena 
que ele entende tão facilmente. Ele precisa ter algum tipo de controle sobre 
os seus pais, precisa saber mais do que os pais em alguma coisa. Logo, vai 
adorar explicar para você porque o tal personagem invadiu a nave espacial 
e se transformou em um monstro com três vidas...
O m enino pré-adolescente gosta de coleções de tudo: carrinhos, gibis, 
CDs, bonecos monstruosos, pedras c, especialmente, figurinhas, tão cm voga 
neste século! Aquelas terríveis figuras do
Yu-Gi-Oh são idolatradas pelos meninos e ̂ ^ „ r ,
w l l l e i l l l l U d “U -(J"l"d
servem de instrumento de socialização,
videodames e se os
como treinam ento de negociação, para
desenvolver habilidade da língua inglesa e ^a 's nao íratarem
estratégias de guerras surreais, caso algum estabelecer um horário
dia a terra seja atacada por monstruosos sistemático para limitar o
alien ígenas. Essas figurinhas, tan to acesso, terão dificuldade
como cards, busters ou decks, têm inúmeras ,je {j^-lo do videogame
utilidades para os pais também: como . . ,* 1 pois criara musgo ao seu
recompensas, presentes, estímulo para
. . , , redor,encontrar os amigos c sair de perto do
videogame c para fazer o pré-adolescente
ficar quietinho sem perturbar a irmã. Sim,
o menino a-d-o-r-a videogames, c se os pais não tratarem de estabelecer 
um horário sistemático para limitar o acesso, terão dificuldade de tirá-lo do 
videogame, pois criará musgo ao seu redor.
O m enino pré-adolescente gosta de andar em grupo, rir muito, fazer 
piadas e tirar um sarrinho da cara de todo mundo. Gosta de esportes e 
pratica um pouco de tudo, antes de escolher aquele que mais o diverte. Há 
os mais aficionados por algum esporte. Especialmente os que amam futebol, 
são a alegria do pai, que pode levá-los aos jogos nos estádios c torcer junto 
com eles. Pais m uito participativos chegam a disputar partidas com o seu 
filho, ou concurso de pênaltis, para a alegria da garotada, que adora ver 
aquela barriguinha de cerveja do pai balançando ao vento e o suor correndo 
em bicas. Faça isso, não lenha medo do ridículo, pois é muito bom saber 
rir de si mesmo, mas não esqueça de fazer um check-up cardíaco antes 
dessa aventura esportiva, especialmente se você é do tipo que pratica o
I II >IA Wl Itl k
esporte de ler-jornal e apertar-o-controle-remoto. Atualmente, há também 
mães m uito participativas, e com anos de treinam ento em academias 
de ginástica, que são capazes de dar um olé nos pais, e até nos filhos, 
principalm ente cm resistência física. Esses m omentos são encantadores, 
c os filhos não esquecerão jamais.
Estão começando, ainda len tam ente, a fase da partida. Alguns 
pedem para que a mãe ou o pai os deixe na esquina do colégio, para que 
cheguem sozinhos e não escoltados pelos pais. Começa a necessidade dc 
autoafirmação, de desgarram ento. Ficam críticos m ordazes quanto ao 
comportam ento e vestuário dos pais e são capazes de dizer para o pai “você 
vai sair vestido assim?! ”, fazendo uma careta de desgosto. Ou quando você 
tenta fazer uma piadinha, ele a olha com desprezo e fala: “não teve a menor 
graça, mãe”. O menino pré-adolcscentc foge, como um vampiro do alho, 
dos beijos e abraços de sua mãe, especialmente se forem em público, “sai 
fora, mãe, que mico\” Não se ofenda, ria e lembre-se da sua pré-adolescência. 
Mas longe dos olhosdos amigos, o m enino ainda gosta, e precisa, de um 
chamego. E às vezes, pede à mãe ou ao pai para levá-lo a um lugar especial. 
Só os dois. Adora quando você vai ver o campeonato em que ele joga pela 
centésima vez. Gosta dc fazer algumas compras especiais com a mãe. Gosta 
de fazer “programa de hom em ” só com o pai. Esquece os amigos e se diverte. 
Fica mais junto. Nessas horas o pré-adoleseente ainda é completamente seu, 
aproveite o quanto pode, pois muito rapidamente ele estará partindo.
Prece Irlandesa 
Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente às suas costas.
Que o sol brilhe morno e suave em sua face.
Que a chuva caia mansinho em seus campos.
E até que nos encontremos de novo, que Deus 
Lhe guarde na palma de suas mãos.
“Não há um m anual de perfeição, mas atualm ente existem respostas claras e 
precisas sobre como a criança aprende a se comportar e o que é importante para o 
desenvolvimento infantil nas interações entre pais, filhos e adolescentes”. Com Base 
nesta afirmação a autora Lidia Weber, que é Pós-Doutora em Desenvolvimento 
Familiar, Doutora em Psicologia, Pesquisadora e Coordenadora de diversos 
grupos para pais, crianças e adolescentes, escreveu a presente obra que tem 
como objetivo, tornar os pais conscientes e seguros de seu papel de educadores, 
promovendo os Doze Princípios da Educação Positiva e fazendo com que o ato 
de ensinar consista em uma parceria saudável com os seus filhos, desenvolvendo 
ao máximo seus potenciais.
Eduque com Carinho considera que o amor, a disciplina e o respeito são bases 
fundamentais para uma educação completa. Através de reflexões, histórias, 
exercícios de comportamentos, humor e poesia, as crianças são incentivadas a 
se tornarem autônomas, responsáveis, competentes, autoconfiantes e afetivas.
Uma obra indispensável para pais que querem acertar na educação de seus 
filhos.
Ilustrado por Benett com lindos e divertidos cartuns, esta obra certamente 
proporcionará deliciosos momentos na relação entre pais e filhos.

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