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ALEXANDER LYFORD-PIKE 
 
TERNURA 
E FIRMEZA 
Com os filhos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 POR QUE E COMO EXERCER A AUTORIDADE 
 COMO CONCILIAR TERNURA E FIRMEZA NA EDUCAÇÃO 
 O QUE DEVE E O QUE NÃO DEVE SER FEITO 
 FILHOS LIVRES E RESPONSÁVEIS 
 
 
 
ALEXANDER LYFORD-PIKE 
 
 
TERNURA 
E FIRMEZA 
Com os filhos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Alexander Lyford-Pike é médico pela Faculdade de Medicina da Universidade da 
República Oriental do Uruguai (1978). Em 1981 obteve uma pós-graduação em 
Psiquiatria na Escola de Graduados da Universidade da República. Mais adiante, em 
1985, realizou cursos de especialização em psiquiatria biológica na Universidade de 
Navarra, Espanha, e de psicoterapia no Royal Edinburgh Hospital, Escócia. Nos anos 
1988, 1989, 1992, 1993 esteve na Western Psychiatric Institute and Clinic da 
Universidade de Pittsburgh, EUA., onde aprofundou seus estudos em psiquiatria. 
 
 É Diretor e fundador do Instituto de Psiquiatria e Psicologia de Montevidéu 
(I.P.M.), instituição na qual trabalham mais de 20 profissionais entre psiquiatras, 
psicólogos, psicopedagogos, psicomotricistas, neurologistas e neuro-psicólogos, 
todos dedicando seu tempo a área de saúde mental. Seu propósito, desde esta 
perspectiva multidisciplinar, é atender com uma visão antropológica integradora, os 
aspectos biológicos, psicológicos, familiares e sociais do indivíduo, sem descuidar 
sua dimensão ético moral. 
 
 Como Presidente da Sociedade de Psiquiatria Biológica do Uruguai, imprime em 
sua condução uma frutífera atividade científica e de pesquisa no país, com especial 
ênfase, desde 1992, no programa de formação médica contínua para seus associados, 
o que inclui a participação em congressos internacionais e tele-vídeo-conferências 
com universidades dos Estados Unidos. 
 
 Trabalha também como Membro Correspondente da American Psychiatric 
Association e Membro Honorário da Associação Argentina de Transtornos da 
Ansiedade, se ocupa em promover grupos de estudo e seminários sobre educação e 
família em Montevidéu, Buenos Aires, Assunção, Santiago do Chile e Bogotá. 
Simultaneamente a estas atividades, suas publicações se difundiram em revistas 
nacionais e internacionais com mais de 20 trabalhos científicos em seu tema, a 
psiquiatria. 
 
 
 
ÍNDICE 
 
PRÓLOGO ................................................................................................................................ 1 
 
INTRODUÇÃO........................................................................................................................ 3 
 
1. NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE .......................................................................... 5 
 
 
2. O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE (EP) .................................................. 15 
 
 
3. UM CAMINHO EM TRÊS ETAPAS ....................................................................................... 23 
 
 
4. O QUE NÃO DEVE SER FEITO ............................................................................................ 27 
4.1 Respostas Inseguras .................................................................................................... 27 
4.2 Respostas hostis ou agressivas ................................................................................... 34 
 
 
5. COMUNICAÇÃO EFETIVA ...................................................................................................... 41 
5.1 Linguagem assertiva adequada ................................................................................... 41 
5.2 Mensagens sem palavras ............................................................................................ 43 
5.3 Manejo das discussões ................................................................................................ 46 
5.4 Reconhecimento das boas condutas ........................................................................... 55 
 
 
6. RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS ............................................................................ 61 
6.1 Ações disciplinárias ...................................................................................................... 62 
6.2 Quando seus filhos o põem a prova ............................................................................. 68 
6.3 Reforçá-los positivamente ............................................................................................ 75 
 
 
7. ESTABELECER AS REGRAS DO JOGO ............................................................................... 83 
 
8. SITUAÇÕES ATÍPICAS ........................................................................................................... 87 
 
9. FILHOS RESPONSÁVEIS ........................................................................................................ 93 
 
PRÓLOGO 
1 
PRÓLOGO 
 
 Há que agradecer que um psiquiatra escreva com a clareza e simplicidade de 
Alexander Lyford-Pike, e que escreva com um amor apaixonado e sereno ao mesmo tempo 
pela família e sua missão educadora. 
 
 Estas páginas são uma antologia de sua experiência profissional, e o título já anuncia 
seu conteúdo: Ternura e firmeza; uma difícil harmonia para pais com critérios rígidos ou com 
uma fácil disposição para o carinho brando. Essa harmonia apenas se consegue com uma 
firmeza terna ou com uma ternura firme, isto, é, quando os pais não se guiam pelo amor 
espontâneo mas optam por um amor inteligente por seus filhos, por cada filho. Não se trata 
de um equilíbrio quantitativo. A ternura e a firmeza não são recursos nem receitas. São os 
componentes de um amor verdadeiro, que busca o bem dos filhos e não a comodidade 
própria. 
 
 Filhos com personalidade! Filhos que conquistem sua liberdade porque aprenderam a 
ser responsáveis! Estas metas não são sonhos mas metas possíveis para pais que 
efetivamente exercem seu papel de pais e que concebem que a autoridade bem entendida é 
o melhor serviço que podem prestar a seus filhos. 
 
 Ternura e firmeza também se podem traduzir como compreensão e exigência, como 
confiança e respeito, como liberdade e obediência, como intimidade e abertura. Saber 
harmonizar estes binômios constitui a arte de educar. A firmeza deve ser estimulante e 
motivadora. A ternura por sua parte é a causa e o fundamento da firmeza. Apenas se exige 
aos que se quer. 
 
 Alexander Lyford-Pike aprofunda nestas chaves, que não passariam de palavras se 
não viessem respaldadas com fatos. A coerência e o exemplo dos pais serão sempre 
imprescindíveis. 
 
 Este livro é uma ajuda necessária para as famílias e para todo educador que queira 
enfrentar seu trabalho com sentido comum. 
 
Diego Ibáñez Langlois. 
INTRODUÇÃO 
3 
INTRODUÇÃO 
 
 Não é fácil educar aos filhos. Depois de muitos anos de trabalho no manejo de 
problemas de conduta, nos parece útil resumir e explicar aos pais os resultados destas 
experiências, para ajudá-los na difícil tarefa formativa. 
 
 Neste tempo nos convencemos de que os filhos crescem seguros de si próprios e 
com boa personalidade quando os pais conseguiram transmitir-lhes essa segurança e 
confiança que lhes vai permitir, entre outras coisas, assumir a responsabilidade por seus 
atos. 
 
 Todos coincidiremos facilmente nesta conclusão, que é simples de expressar, mas 
difícil de colocar em prática. 
 
 Vocês encontrarão nas páginas seguintes modos práticos de tentar. A experiência 
nos demonstrou que na enorme maioria dos casos se obtêm bons resultados na formação 
dos filhos aplicando essa atitude de forma coerente, através de um sistema que chamamos 
Educação com personalidade (EP). 
 
 O nome designado para essa atitude educativa coerente não é arbitrário, já que EP 
indica desenvolver a firmeza da personalidade, tanto nos pais como nos filhos. Pois a 
firmeza dos pais se transmite aos filhos e os ajuda a conseguir uma personalidade bem 
formada. 
 
 A base da EP é a firmeza combinadaequilibradamente com a ternura. É essencial 
que ambos elementos estejam integrados em um justo ponto de equilíbrio para que a 
aplicação da EP tenha suas maiores possibilidades de êxito. Um excesso de firmeza pode 
desembocar em um autoritarismo contraproducente. Se, pelo contrário, a ternura impede ou 
dilui o exercício da firmeza, a tentativa educativa corre sério risco de fracassar. Equilibrar o 
grau justo de ambos elementos essenciais na medida adequada, sem exceder-se na firmeza 
nem sufocá-la no carinho, é a tarefa mais difícil que enfrentam os pais. 
 
 Além dos resultados de nosso trabalho direto com muitos casos, nos ajudou para a 
confecção deste livro o estudo a fundo das conclusões de outros autores como: Lee Canter, 
Assertive Discipline for Children; Gael Lindenfield, Confident Children; Fernando Corominas, 
Educar Hoje; e Fred Gosman, Basta de niños malcriados! 
 
 A utilidade de seus trabalhos facilitou nossa tarefa para produzir este volume, como 
ocorreu também com as sugestões recebidas de muitas pessoas, as quais devemos 
expressar-lhes nosso reconhecimento. 
 
 Também agradecemos especialmente ao Dr. Daniel Flores, com quem 
compartilhamos, passo a passo, estes dez últimos anos de trabalho profissional. Ao Dr. 
Guilherme Castro e à psicóloga Ileana Caputto, nosso agradecimento pelas contribuições de 
psiquiatria infantil e psicologia. 
 
 Para terminar, este livro não haveria sido publicado sem o tenaz esforço do jornalista 
José Maria Orlando, de Paula Barbé de Gari e de Ivan Pittaluga, que tiveram a árdua tarefa 
de estar atrás de nós - entre paciente e paciente, e viagens de avião -, para conseguir que 
um princípio de idéias e pensamentos pudesse ser transformado em letra impressa. 
 
INTRODUÇÃO 
4 
 
 
 
Este livro é deliberadamente breve, para facilitar 
tanto a leitura como a aplicação das técnicas 
educativas que sugerimos. Se você preferir, antes 
de começar a lê-lo pode tomar um atalho para 
adquirir uma rápida idéia do conteúdo, olhando 
primeiro as ilustrações que mostram exemplos do 
tema principal de cada capítulo, as quais lhe informarão 
dos pontos básicos que irá encontrando 
desenvolvidos no texto. 
 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
5 
-----------------------------------------------------1--------------------------------------------------- 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
 
 Em nossa sociedade, como em grande parte do mundo, existe atualmente uma crise 
de autoridade da família. Esta crise tem três graves efeitos: 
 
 Por um lado, deteriora ao papel da instituição familiar como núcleo básico da 
organização social. Por outro, prejudica a formação de crianças e jovens para uma vida 
adulta proveitosa. Esta fraqueza formativa, por sua vez, impossibilita aos jovens de hoje 
para educar à geração seguinte, isto é, seus próprios filhos, acentuando um progressivo 
deterioro em cadeia para a decadência da sociedade. 
 
 Para evitar esta catástrofe é necessário o exercício correto do princípio de autoridade. 
Quando os pais não conseguem marcar limites claros a seus filhos, deixam de cumprir sua 
obrigação de transmitir-lhes uma imagem positiva com perfis bem definidos. 
 
 Este incumprimento priva aos filhos da orientação que buscam e necessitam de seus 
pais e educadores: pontos de referência e modelos de conduta e aprendizagem. 
 
 A autoridade paterna cumpre sua função educativa quando é exercida com carinho, 
estímulo e paciência. A ausência destes requisitos essenciais a converte em um 
autoritarismo cujas consequências são tão perniciosas como a equivocada permissividade 
que invadiu tantas sociedades modernas. 
 
 Correntes de pensamento de diferentes tipos ajudaram a debilitar a autoridade dos 
pais. As idéias liberais e materialistas, representadas em grande parte por Jean Jaques 
Rousseau, impulsionaram o conceito de que o homem é bom por natureza, entretanto o 
processo de socialização o perverte. 
 
 Incidiram também a aplicação parcial de aspectos da psicologia, especialmente a 
insistência em que reprimir às crianças é causa de traumas posteriores. Este conceito 
ambientou uma tolerância quase total na conduta das crianças, contrariando a realidade de 
que sua formação exige precisamente o oposto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desde a mais tenra infância devemos aprender a colocar 
limites aos filhos. Quando a família não o consegue, é muito 
provável que tampouco o corrija a sociedade. 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para algumas correntes em psicologia, corrigir aos filhos é 
reprimi-los, isto é, criar-lhes traumas. Este conceito – que 
 vai contra o sentido comum – ambientou uma 
permissividade quase total em nossa sociedade 
contemporânea, que desorienta aos pais e colabora a 
que a imaturidade humana se prolongue eternamente. 
 
 
 
 
 Até as primeiras décadas do século XX os filhos seguiam padrões de conduta 
herdados de seus pais, os quais, por sua vez, os haviam recebido das gerações prévias. 
Estas normas cobriam desde temas de comportamento, como o vestuário, a atitude na mesa 
ou a idade de fumar, até a crucial formação moral. 
 
 Sua aplicação não foi inalterável mas adaptada gradualmente às mudanças da 
realidade social de uma geração a outra. Este processo educativo foi varrido por idéias e 
convulsões sociais que conduziram à atual situação crítica em muitas famílias. 
 
 As crianças necessitam e buscam normas, critérios e modelos claros em seus pais. 
As falhas das famílias neste campo geram potencialmente transtornos graves de conduta 
em crianças e jovens, que podem chegar, em alguns casos, a atitudes anti-sociais. 
 
 O exercício da autoridade de forma afirmativa e responsável ajuda decisivamente na 
educação dos filhos por seus pais dentro núcleo familiar. 
 
 A autoridade assertiva ou afirmativa significa a permanente colocação em prática dos 
direitos e obrigações mútuas entre pais e filhos, de maneira equilibrada e flexível. 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A missão principal da vida é levar adiante à família. 
Devem recordar, especialmente os homens, que seus filhos 
são o principal negócio a atender. É impossível ser feliz, se 
se fracassa em levar adiante a família. 
 
 
 
 Se os pais cumprem sua obrigação de formar a seus filhos, estes percebem clara e 
proveitosamente os limites de seus direitos e os alcances de suas obrigações nas diferentes 
etapas de sua formação e crescimento. 
 
 Este equilíbrio se consegue exclusivamente através do exercício paterno da 
autoridade. A ausência dela o converte em um barco à deriva. O autoritarismo impõe um 
contraproducente excesso repressivo. Mas a autoridade assertiva, ou seja, exercer a 
autoridade paterna na forma que mais ajudará ao filho na formação de sua personalidade, 
não apenas não se opõe à liberdade que proclamam os partidários da permissividade, mas a 
alenta e fortalece ao dar-lhe a base sólida de uma personalidade desenvolvida no bom 
caminho. 
 
 O conceito latino de auctoritas significa sustentar para crescer. Em seu sentido 
próprio e rigoroso, a autoridade se exerce finalmente em função da liberdade. A autoridade 
favorece que a liberdade individual não tolha as liberdades coletivas nem as de outros 
indivíduos. Exercida em forma autêntica, é sempre um serviço à liberdade. 
 
 Não é um conceito abstrato e isolado. Não é abstrato porque se exerce no que agir 
quotidiano. Não é isolado porque apenas pode ser exercida em função da liberdade 
individual e coletiva. 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
8 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A ausência de autoridade paterna converte a criança em um 
barco à deriva, já que não se lhe transmite um modelo a 
imitar, nem se lhe ensina que as condutas inadequadas 
devem ser modificadas, melhoradas. 
 
 
 
 
 A tarefa de educar é talvez a principal missão que pode ter umapessoa. Não basta 
trazer uma criança ao mundo: Há que educá-los e os primeiros responsáveis deles, ante 
Deus e ante a sociedade, são os pais. Essa responsabilidade é indelegável ante ninguém, 
nem nos colégios, nem no Estado. Por isso, são o apoio e a esperança dos filhos enquanto 
lhes vão ensinando a sustentar-se por si próprios, da mesma forma que a vara ou “tutor” que 
se coloca junto a uma árvore recém plantada para assegurar que cresça direito. 
 
 
 Quando se planta uma pequena árvore, tende a crescer para cima, buscando a luz e 
integrando-se a seu ambiente. Mas nesse processo de crescimento necessitará durante 
certo tempo estar atado a essa vara para que o desenvolvimento em altura seja reto 
enquanto afirma cada vez mais suas raízes na terra, alcançando sua máxima 
potencialidade. 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mediante uma educação que conjuga a ternura com a 
firmeza, se consegue a ordem e harmonia da personalidade, 
estimulando as tendências de integração social ao mesmo tempo 
que desmotivando as condutas anti-sociais. 
 
 
 
 
 Se isto acontece em um nível de vida elementar como a vegetativa, onde não existe a 
necessidade de locomoção e discernimento para nutrir-se, crescer e reproduzir-se, a 
importância dessa vara ou “tutor” é muito maior na pessoa, que integra em si própria tanto a 
vida vegetativa como a vida animal e intelectual. 
 
 
 No caso do ser humano, essa vara de respaldo que guia seu crescimento reto exige 
características de adaptabilidade, flexibilidade e firmeza. 
 
 
 Ser vara ou “tutor” equivale ao exercício da autoridade no caso dos pais, sustentando 
para evitar desvios ou para corrigi-los se aparecem. Esta função de autoridade significa 
sustentar para crescer. Ensinar a crescer é conseguir que os filhos aprendam a aproveitar as 
experiências dos pais de maneira favorável e operativa em sua própria vida, em um clima de 
liberdade e responsabilidade. 
 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Arvore que cresce torta, nunca se endireita”. 
 
O exercício da autoridade por parte dos pais, 
é como ”tutor” que ajuda a árvore recém plantada: assegura 
que cresça direito. 
 
 
 
 
 A operatividade significa para os filhos alcançar uma capacidade de escolha justa e 
equilibrada dentro das possibilidades que enfrentarão ao ir crescendo em suas próprias 
vidas. Saber optar, escolhendo o bem para suas vidas, é saber ser livres. 
 
 
 Na interação que se estabelece com os filhos, os pais cumprem permanentemente 
uma ação formativa. Dado que esse processo é contínuo, se corre o perigo de que a 
autoridade se desgaste. Este perigo é mais notório nas mães, que são aquelas que 
geralmente passam mais tempo com os filhos. A forma de evitar esse desgaste é o bom 
exercício da autoridade. 
 
 
 Uma forma prática de exercê-la é através da denominada EP. A EP deve estar 
presente sempre no processo de formação e educação de um filho. É um erro esperar que 
as crianças se tornem ingovernáveis ou que tenham fracassado os meios de comunicação 
com eles tentados por outras vias. A autoridade está na própria natureza do processo 
educativo. 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É um erro esperar a que as crianças tenham se tornado 
ingovernáveis..., para corrigi-los. Há que atuar já em 
sua primeira infância. 
 
 
 
 
 
 Esta realidade é deixada de lado, às vezes, como consequência de um grave erro 
antropológico de partida, ao desconhecer a desordem inata que todos temos conosco, que 
nos conduz frequentemente a não fazer o que queremos fazer e a fazer aquilo que não 
queremos fazer. 
 
 
 A desordem que existe na natureza humana facilita com que a inteligência se 
obscureça e a vontade se enfraqueça, impedindo que a consciência psicológica consiga seu 
fim proposto. 
 
 
 Se nasce com este germe de decomposição de tipo anti-social. Isto se percebe 
especialmente nas crianças menores, quando mostram explosões de crueldade em seus 
jogos e intercâmbios com seus pares (como o caso de outra criança com algum defeito 
físico) ou com seus próprios pais. 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
12 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esse germe de decomposição anti-social, se percebe 
especialmente nas crianças menores, quando mostram 
 explosões de crueldade em seus jogos e intercâmbios com 
companheiros (como o caso de outra criança com algum defeito 
físico) ou com seus próprios pais. 
 
 
 
 
 Estas situações se exemplificam com dois casos reais: 
 
 Logo após enfurecer-se com sua mãe, porque não o deixava sair para brincar na 
rua porque estava chovendo, uma criança de nove anos pegou uma pedra, e 
lançou-a de fora de casa contra a janela da cozinha, onde estava sua mãe. A 
pedrada estilhaçou um dos vidros, e um dos fragmentos cortou sua mãe. Ao 
perceber o que havia ocorrido, correu de volta para casa, chorando muito e pedindo 
perdão quase em desespero, enquanto repetia para sua mãe: “Te amo, te amo!”. 
 
 
 Uma noite, bem tarde, um médico recebeu um telefonema desesperado de um pai, 
pois seu filho ameaçava à mãe com uma faca. O ambiente que o médico encontrou 
era desolador: quadros, tapetes e até móveis quebrados. Ao menos, não havia 
sinais de sangue. O filho estava trancado em seu quarto, soluçando e pedindo 
perdão. Apesar de que minutos antes havia encurralado sua mãe com a faca ao 
pescoço, não deixava de repetir gritando: “Mamãe, te amo, te amo!”. 
 
NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM AUTORIDADE 
13 
 
 Este último caso pode ser o de um garoto drogado ou com um distúrbio grave de 
personalidade. Ambos exemplos refletem, talvez em grau extremo, a presença nas pessoas 
do germe do amor e do ódio, do bom e do mau, de construir e de destruir. 
 
 
 É, por exemplo, uma constante dentro das famílias com filhos drogados a falta de 
limites por parte dos pais na formação inicial da criança. E quando a família não consegue 
impor limites, é muito difícil que a sociedade possa fazê-lo mais tarde. 
 
 
 A educação é, em grande medida, um meio para estabelecer a ordem entre as 
potências encontradas que existem na personalidade de uma criança. E será o exercício de 
uma educação firme por parte dos pais (assim como também dos educadores) o que 
canalizará dentro da pessoa seus instintos anti-sociais, levando-os a ser pessoas úteis e que 
se integrem à sociedade harmonicamente e de uma maneira positiva. Este exercício 
adequado da autoridade é facilitado com a aplicação da EP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em todas as pessoas encontramos a presença do germe 
do amor e do ódio; do bom e do mau; de construir e de destruir. 
Desconhecer esta desordem inata é um grave erro antropológico. 
 
 
 
O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE 
15 
----------------------------------------------------- 2 ------------------------------------------------- 
O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE 
 
 O exercício da EP por parte dos pais significa: 
 
 Fazer valer eficazmente os direitos próprios e, ao mesmo tempo, respeitar os 
direitos dos filhos. 
 
 Conseguir que os filhos percebam e entendam a mensagem de seus pais, 
incluindo seus desejos, interesses e estados emocionais no processo de 
comunicação. 
 
 Tomar decisões sobre o que corresponde fazer com respeito aos filhos e levá-las 
a cabo sem mudanças de posição que signifiquem uma claudicação. 
 
 Isto implica a responsabilidade de produzir a mensagem que mais ajude à educação 
de um filho em uma situação determinada, transmiti-lo na forma adequada, ou seja, com 
eficácia, tomar decisões para assegurar seu cumprimento e assumir as consequências 
desse cumprimento. 
 
 A formulação vaga da posição paterna ou o voltar atrás no cumprimento de uma 
decisão são negativas no processo educativo. Se a indicação não éclara, compreensível e 
direta, o filho se sentirá menos induzido a cumpri-la. Se o pai ou a mãe anunciam uma 
decisão, mas a seguir voltam atrás, a criança absorverá a mensagem ineficaz de que tem 
margem para manipular o cumprimento, tanto nesse momento como em casos futuros. 
 
 Todas as pessoas se dividem em três grupos de acordo com a resposta que dão ante 
uma situação que envolva alguma forma de conflito: 
 
 
  
Inseguros 
 
  
Agressivos 
Não conseguem fazer valer 
eficazmente seus direitos, 
necessidades e afetos. 
Valem mais os direitos 
 dos demais. 
 
Impõem seus direitos sem ter 
em conta os direitos 
 dos demais. 
 
Atitude SUBMISSA 
 
 
Atitude DOMINANTE 
 
 
 
 Entre os dois extremos está a adequada resposta dos pais. 
O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE 
16 
 
 
COM PERSONALIDADE 
 
Conseguem fazer valer eficazmente seus direitos, tendo também em conta os direitos 
dos demais. Dizem o que pensam. Sabem dizer que não (ASSERTIVO) 
 
 
ATITUDE FLEXÍVEL 
E FIRME AO MESMO TEMPO 
 
 
 
 
 Esta divisão não é categórica mas dinâmica e mutável. Muitas pessoas se verão 
refletidas em mais de um desses grupos segundo sejam as situações em que pais e filhos 
interatuam. 
 
 Mas a percepção esquemática destes três níveis de resposta ajudará aos pais a atuar 
assertivamente na educação dos filhos mediante o exercício adequado da autoridade. Uma 
atitude de submissão insegura ou de domínio agressivo constituem igualmente uma 
mensagem ineficaz em matéria de autoridade educativa. Uma atitude assertiva, com firmeza 
equilibrada e com a flexibilidade que cada situação requer, constitui a adequada mensagem 
eficaz. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ninguém nasce sabendo como se educa. É mais fácil 
capacitar para curar enfermidades, ensinar matemática ou 
apagar incêndios, que para educar filhos. Freqüentemente, 
as modalidades de uma geração não servem à seguinte. 
Hoje, é claramente mais difícil que antes. 
 
O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE 
17 
 O conceito de assertividade se aplica em forma permanente na relação diária dos pais 
com os filhos. O diálogo e a compreensão de seus sentimentos estimulam a melhora em seu 
comportamento e sua integração social, isto é, a atitude em sua relação com os demais, 
dentro e fora do núcleo familiar. Os pais devem ter em conta que sua função de principais 
responsáveis pela educação dos filhos implica, em definitiva, a atitude educativa-assertiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os pais devem ser os principais educadores dos filhos. 
 Se estão ausentes ou não sabem exercer esse direito 
 indelegável, outros, com doutrinas, crenças e valores 
 diferentes, ocuparão seu lugar. 
 
 
 
 Por exemplo: 
 
 Há visitas em casa a noite e sua filha de quatro anos, já sendo tarde, ainda está 
acordada. Como costuma acontecer, está cansada e irritável, mas se nega a ir 
para cama. Você entende que sua filha não queira perder o entretenimento da 
visita, mas também compreende que pelo bem dela e o seu próprio a criança deve 
ir dormir. Como consegue que vá para a cama? 
 
 Seus dois filhos se incomodam continuamente entre si. Discutem, se enfrentam 
mutuamente e chegam a brigar. Você já experimentou separá-los, ter conversas 
com eles em reuniões familiares, entender a razão das brigas, mas os conflitos 
continuam. O tema chegou a tornar-se insuportável. Que se pode fazer? 
 
O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE 
18 
 A mãe tem um trabalho full time e necessita que seu filho adolescente colabore 
com algumas tarefas da casa. Ele se nega e insiste que odeia fazer o que lhe 
mandam. 
 
 A mãe percebe que os companheiros de seu filho não têm em suas casas 
responsabilidades desse tipo, mas ela termina o dia muito cansada para fazer tudo 
sozinha. Falou com seu filho até a exaustão, entretanto, ele segue negando-se a 
fazer o que sua mãe lhe pede. Como conseguir que colabore? 
 
 Ante situações deste tipo, os pais devem desenvolver condutas específicas para 
assegurar que seus filhos os escutem. Existem formas para manejar mais positivamente as 
situações conflitivas e fazer entender aos filhos que os pais representam a autoridade. Isto 
significa que os filhos devem respeito aos pais porque há entre ambos um vínculo 
hierárquico e de amor simultâneo. 
 
 Para ajudá-los a compreender, se lhes podem transmitir mensagens do seguinte 
estilo: 
 
 “Te amo muito como para deixar que se comporte assim. Seu problema de 
comportamento deve terminar e estou disposto a fazer o necessário para que se dê conta de 
que falo sério”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ante as condutas impróprias dos filhos esta é a mensagem 
que os pais devem transmitir. Assim lhes ficará claro que não é 
uma contradição amá-los muito e exigir-lhes. 
 
O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE 
19 
 Há que ter em conta que também se demonstra a autoridade quando se é capaz de 
estimular e reforçar positivamente as mudanças problemáticas que vão manifestando e 
quando se tem a integridade de reconhecer os próprios erros. 
 
 Uma dificuldade inegável é que é mais fácil capacitar um homem para curar 
enfermos, ensinar matemática ou apagar um incêndio do que para ser um bom pai. Além 
disso, não se trata apenas de “ser pai” como se fosse um generalizado título profissional 
mas de ser pai de João ou Paula, de Ricardo ou de Maria, isto é, de crianças que possuem 
características individuais próprias e que, por esse motivo, requerem em cada caso um trato 
paterno individualizado. 
 
 Como forma de enfrentar estas dificuldades cremos ser de grande utilidade três 
capacidades chaves no exercício da autoridade: 
 
- falar claro. 
- Respaldar as palavras com fatos. 
- Estabelecer as regras do jogo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para a difícil e apaixonante tarefa de ser pais, há muita 
experiência recolhida, tanto acadêmica como prática, que ajuda 
 e orienta. Educar é ir adiante, e para isso, há que fazer o 
esforço de assistir a cursos e conferências, além de estudar. 
 
 
O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE 
20 
 Estes três planos de comunicação constituem a base da EP a ser aplicada de acordo 
com o modo que se vá desenvolvendo a formação de cada criança. Educar é assegurar-se 
que o filho cresça retamente. A retidão supõe a existência de uma disciplina na pessoa. Nos 
anos formativos de cada pessoa, esta disciplina deve ser estabelecida pelos pais, em maior 
ou menor grau conforme sejam maiores ou menores os desvios que se produzam no reto 
crescimento. 
 
 O ser humano é ao nascer o animal mais incompleto, mais inacabado, mais frágil e 
indefeso. Diferente de um bezerro, que pode se separar da vaca um dia após haver nascido 
e só tem a necessidade de alimentar-se bem, para o homem é nefasto isolá-lo de seus 
progenitores, seja no dia seguinte ao seu nascimento, passado um mês ou um ano, aos seis 
ou aos doze anos. 
 
 Esta insuficiência, este inacabamento do ser humano, lhe impõe dependência dos 
demais para desenvolver-se, crescer e cultivar-se retamente. Necessitará durante a primeira 
parte de sua vida o apoio afetivo e a orientação disciplinada do núcleo social básico, que é 
sua família, para poder funcionar com plenitude tanto nessa esfera como no entorno mais 
amplo de toda a sociedade. 
 
 O alcance deste objetivo lhe permitirá alcançar sua condição de sujeito social, 
radicalmente orientado aos demais, aberto aos demais e interconectado com os demais, 
mas sem perder sua individualidade que o faz único e irrepetível. 
 
 
 A aplicação da EP, ou seja, o nível necessário de disciplina dentro da educação 
assertiva do filho no entorno familiar, reconhece a natureza própria da pessoa: sua ordem e 
desordem, sua individualidade e sociabilidade. 
 
 
 O exercício adequado da autoridade, sem exceder-se nem omitir-se, requer um 
equilíbrio difícil deser conseguido. Em algumas ocasiões, pode sentir-se incapaz de exercer 
a autoridade no nível exato demandado pela situação que enfrenta seu filho, por obstáculos 
centrados no excesso de força ou de submissão, ou em não saber mudar para perceber e 
atender melhor os direitos de seus filhos. 
 
 
 Quando um pai assume seu papel ou enfrenta uma situação conflitiva com um filho, 
pode responder de forma muito direta ou muito forte. Muitos sentem que fracassaram se têm 
que impor suas decisões pela força para conseguir que seus filhos lhes dêem ouvidos. 
 
 
 Outros foram instruídos por educadores que lhes asseguram que para conseguir uma 
boa saúde mental nos filhos devem evitar todo tipo de atitudes “inflexíveis” ou “autoritárias” e 
encontrar sempre alternativamente uma aproximação psicológica sem que importe a 
gravidade das condutas. 
 
 A busca da aproximação psicológica como, por exemplo, falar com eles sobre os 
motivos de sua má conduta, é correta, mas incompleta, é só um lado da moeda, se não vai 
acompanhada de uma mensagem clara e precisa do que os pais esperam das crianças e 
quais são os meios para consegui-lo. 
O QUE É A EDUCAÇÃO COM PERSONALIDADE 
21 
 Outro obstáculo que costumam encontrar, para manejar-se adequadamente em 
situações problemáticas, é que freqüentemente repetem sobre seus filhos modelos de 
disciplina que foram ensinados a eles, mas que podem não ser eficazes para uma geração 
posterior. É comum observar que as crianças de hoje se comportam de maneiras diferentes 
de como o faziam seus pais quando tinham a mesma idade. Isto induz aos pais a manifestar 
sua preocupação dizendo ou pensando que “eu nunca haveria atuado como faz meu filho” 
ou “meu filho diz coisas que eu jamais pensei”. 
 
 
 Isto é real; entretanto, acomodar-se nesta atitude equivale a declarar-se derrotado em 
um esforço recém começado. É verdade que educar hoje em dia é mais difícil que antes 
porque, entre outras razões, o núcleo familiar está mais ameaçado, intimidado e estorcido. 
 
 
Mas por sua vez, como contrapartida, os canais de comunicação estão mais abertos. 
Apenas é necessário saber usá-los para que a água corra mais clara e cristalina. 
 
 
Os impedimentos costumam conduzir um pai à conclusão frustrante de que nada 
pode fazer para melhorar o comportamento inadequado de seus filhos. O que lhe faz falta é 
dispor das ferramentas necessárias e da confiança em si próprio para manejar cada 
situação com firmeza e flexibilidade, isto é, assertivamente. 
UM CAMINHO EM TRÊS ETAPAS 
23 
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UM CAMINHO EM TRÊS ETAPAS 
 
 
 A EP é um caminho em três etapas. Os pais que o transmitem no trato quotidiano 
com seus filhos verificarão que é um sistema útil para corrigir problemas de conduta de 
crianças menores. Este livro explica de forma ordenada e com exemplos da vida real o que 
os pais devem fazer, assim como o que devem evitar, para conseguir que os filhos os 
escutem, aceitem sua mensagem e a cumpram. 
 
 A EP se consegue mediante a aplicação de três normas básicas e progressivas de 
ação. A primeira, é a adequada comunicação com seus filhos. A segunda, é não ficar em 
palavras, mas respaldá-las com fatos cada vez que for necessário. E a última, é fixar clara e 
firmemente as regras do jogo, para que cada filho, difícil de corrigir e orientar, saiba sempre 
a que ater-se e qual será a consequência se persiste em sua má conduta. 
 
 Cada um destes temas requer técnicas simples e outras ações cuja aplicação 
aumentará a utilidade de um plano de EP para solucionar as condutas inadequadas das 
crianças, consolidando a formação de sua personalidade. 
 
 Nos capítulos seguintes explicaremos de forma detalhada o que um pai necessita 
fazer em cada um dos três campos de ação, que são complementários e podem ser 
resumidos da seguinte maneira: 
 
 
1) Falar claro: Significa a forma mais conveniente de expressar-se para 
assegurar que seus filhos o escutem. A comunicação assertiva requer dos 
pais falar de forma adequada, utilizar algumas simples técnicas não verbais 
para reforçar as palavras, saber como manejar as discussões e a frequente 
atitude argumentativa das crianças e reconhecer as boas condutas. 
 
 
2) Respaldar as palavras com fatos: para todas as crianças, os fatos são 
mais eloqüentes que as palavras; porque as demonstram claramente e sem 
possibilidade alguma de dúvida que você não se limita a falar mas que 
também executa as ações corretivas quando é necessário. Estas ações 
devem ser planificadas previamente pelos pais, para estarem prontos a 
responder com fatos; falando assertivamente a seus filhos, se estes não 
escutam nem obedecem. 
 
 
3) Estabelecer as regras do jogo: Cobre a resposta sistematizada dos pais à 
conduta inadequada dos filhos quando a comunicação assertiva e o 
respaldo de palavras com fatos não foram suficientes. O estabelecimento 
antecipado das regras do jogo informa aos filhos, claramente e de antemão, 
que tal conduta imprópria específica provocará inevitavelmente tal resposta 
específica dos pais. 
 
UM CAMINHO EM TRÊS ETAPAS 
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Frente às diversas atitudes e problemas que estabelecem 
seus filhos, você tem a sua disposição técnicas simples 
 que o podem orientar adequadamente, fazendo mais 
eficaz a tarefa de sua educação. 
 
 
 
 Antes de entrar na explicação detalhada de como colocar em prática estes três 
aspectos básicos da EP, é importante advertir sobre seus alcances e suas limitações. 
 
 
 O plano que aqui se detalha foi desenhado para todos aqueles pais que querem e 
necessitam desenvolver melhores condutas em seus filhos. Se trata de influir mais 
positivamente em seu comportamento antes de que seja tarde. 
 
 
 Os três princípios em que se baseia o plano da EP – falar claro, respaldar as palavras 
com fatos e estabelecer regras de jogo – constituem um programa de ação integrado e 
global que, para seu maior êxito, convém executar em três etapas que devem ser seguidas 
nessa mesma ordem. Esta aplicação ordenada aumentará seu efeito didático. 
 
 
 
UM CAMINHO EM TRÊS ETAPAS 
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Pelas características da sociedade atual, os filhos estão 
expostos a influências externas à família que lhes apresentam 
modelos e padrões de conduta diferentes dos que têm seus 
pais. Isto torna mais dificultosa a tarefa educativa dos pais, 
 mas também estabelece obstáculos aos próprios filhos para 
 poder crescer. Hoje em dia, por exemplo, é mais difícil 
amadurecer como adolescente, que há 20 anos. 
 
 
 
 As ações descritas podem ser utilizadas de forma isolada em alguma intervenção 
paterna por uma situação específica. Ocorrem casos em que os pais se manejam bem 
dentro de um destes três princípios que, por modalidade ou características próprias e de 
seus filhos, utilizam com mais frequência. 
 
 
 Por exemplo, uma mãe de quatro filhos estava com a menor, uma menina de três 
anos, que se negava a comer o que havia pedido em um restaurante fast-food. Em 
determinado momento a mãe passou um braço sobre os ombros da menina e falando-lhe 
suavemente, começou a dar-lhe a comida que a menina recusava até esse momento 
aceitar. Incentivada pela atitude materna, começou a comer sem reclamar. Esta mesma 
mãe, entretanto, freqüentemente se equivoca ao gritar com seus filhos quando estes a tiram 
do sério. 
 
UM CAMINHO EM TRÊS ETAPAS 
26 
 Esta ação foi adequada e de acordo com um plano de EP. Mas comete um erro 
quando não segue o mesmo caminho no trato contínuo com os filhos, isto é, quando não 
aplica de forma ordenada e contínua as etapas da EP. 
 
 Conseguir mudanças de condutas e hábitos não é um processo fácil nem repentino. 
Inclui múltiplos fatores que por sua vez se combinam de diferentes maneiras. O objetivo 
deste material não é impor aos pais normas rígidase infalíveis mas apresentar-lhes pontos 
de referência e apoio na difícil tarefa de educar aos filhos. Os pais devem ter em conta, ao 
utilizar as técnicas sugeridas, que sua própria capacidade de persuasão é a arma mais 
efetiva para alcançar o nível necessário de comunicação com seus filhos. 
 
 O plano de EP foi escrito para pais com filhos menores que não registrem alterações 
graves de conduta até seu ingresso à adolescência. A partir do período adolescente, ainda 
que o plano continue sendo muito importante, a autoridade dos pais será o resultado do 
prestígio que tenham sabido conquistar ante seus filhos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conseguir mudanças de condutas e hábitos não é um 
 processo fácil nem repentino. Os pais devem ter em conta 
que sua própria capacidade de persuasão e afeto é a arma 
 mais efetiva para obtê-los. Algumas atitudes paternas 
 revelam que se declararam vencidos muito cedo. 
 
 
 Nos casos de crianças com problemas graves de conduta, a EP também pode ajudar, 
mas jamais deve substituir a atenção profissional ou de grupos especializados de orientação 
e apoio. As condutas graves são as que não se conseguem modificar com a aplicação do 
sentido comum e das sugestões contidas neste livro ou em outros manuais práticos para o 
assessoramento tanto dos pais como dos demais educadores de crianças. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
27 
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O QUE NÃO DEVE SER FEITO 
 
 Antes que comece a controlar-se melhor para conduzir a conduta inadequada de 
seus filhos, é conveniente avaliar a forma que você responde habitualmente quando estes 
não o escutam ou o tiram do sério, levando-o a uma sensação de frustração e impotência. 
 
 A maioria dos pais não se dão conta de quão ineficazes são, as vezes, suas reações 
ante um comportamento indesejável de seus filhos. Com frequência não percebem que sua 
maneira de responder estimula aos filhos a manter e até acentuar uma conduta 
inconveniente. 
 
 Tais respostas ineficazes dos pais se agrupam em duas categorias: 
 
 Inseguras 
 
 Hostis ou agressivas 
 
 Se você é como a maioria dos pais, com segurança reconhecerá algumas das 
respostas que apresentamos nos exemplos deste capítulo. 
 
 
 4.1 RESPOSTAS INSEGURAS 
 
 As respostas inseguras fracassam porque os pais não estabelecem claramente a 
seus filhos o que esperam deles e, se o fazem, não estão preparados ou dispostos a 
respaldar suas palavras com fatos. 
 
 Uma resposta é insegura quando não transmite à criança de forma precisa, facilmente 
compreensível e firme o que se espera que faça. 
 
 Quando os pais agem desta maneira, estão abrindo a porta para que os filhos 
ignorem suas palavras e até se aproveitem deles, porque lhes comunicam, mesmo sem dar-
se conta, que não estão falando a sério ou que carecem da fortaleza requerida para corrigi-
los. 
 
 Os exemplos seguintes, de respostas paternas tipicamente não assertivas frente à 
conduta indesejada dos filhos, mostram a razão pela qual este tipo de respostas não 
funciona. 
 
 
 Afirmação ineficaz 
 
 Mãe: “Te pedi que arrumasse seu quarto, mas ainda não o fez”. 
 
 A criança continua sem cumprir o pedido de sua mãe, ante o qual esta repete 
frustrada: “Não liga para o que eu falo”. 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A simples comprovação de uma conduta inadequada da criança, leva 
com frequência a que os pais, desconcertados, pretendam averiguar 
os motivos do comportamento impróprio. Isto só debilita sua posição, 
 posto que o pequeno não sabe ou não quer manifestar por que 
 atua desse modo. Se se persevera nesta atitude, em vez de educar 
se passa a negociar de igual para igual, o que é inadmissível 
 
 
 Este tipo de respostas, além de evidenciar que muitos pais sentem que é útil fazer ver 
ao filho que não está se portando adequadamente, supõem também que as crianças não 
são conscientes de que estão atuando mal e que, se o soubessem, parariam com sua 
conduta inconveniente. 
 
 Na realidade, a maioria dos filhos são plenamente conscientes de que estão fazendo 
algo inadequado. Dizer-lhes somente o que estão fazendo mal constitui uma mensagem 
incompleta, porque não transmite de forma clara e definida o que você realmente quer que 
façam e quando devem fazê-lo. 
 
 O pedido materno para que a criança ordene seu quarto seguido apenas por queixas 
porque não lhe dá importância, dilui a instrução e lhe tira força, deixando margem para que o 
filho a ignore. 
 
 A resposta indefinida da mãe converte em ineficaz a comprovação insegura da 
desobediência do filho. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
29 
 Perguntas (frequentemente seguem a exemplos como o anterior) 
 
 Depois de limitar-se a uma constatação passiva da conduta inadequada da criança, 
muitas vezes os pais, cansados ou desconcertados, agravam o caráter frágil de sua 
atuação: 
 
 “Por que se comporta mal comigo?” ou “Por que não liga para o que eu falo?”. 
 
 O pedido paterno não funciona porque raramente o filho pode ou quer explicar-lhe o 
motivo de seu comportamento impróprio, ou a razão pela qual não dá importância. 
 
 Ante perguntas deste tipo, muitas crianças limitar-se-ão a balançar os ombros, 
indicando que não sabem por que se comportam mal ou não dão importância. 
 
 A maioria dos pais pensam que se podem determinar a causa da conduta 
improcedente de seus filhos, recebendo deles uma explicação, estarão induzindo-lhes a 
reconhecer seus erros e deixar de cometê-los. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A maioria dos pais pensam, equivocadamente, que se 
podem determinar a causa da conduta improcedente de 
seus filhos, recebendo deles uma explicação “coerente”, os estarão 
induzindo a reconhecer seus erros e a deixar de cometê-los. 
A imaturidade psicológica dos filhos os impossibilita para isso. 
 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
30 
 
 Apesar de que este princípio tem uma base razoável, na prática as coisas são mais 
complicadas. As crianças pequenas geralmente não sabem ou não podem explicar por que 
se estão portanto de determinada maneira. As respostas inseguras de seus pais em forma 
de pergunta, certamente não os ajudarão a compreender ou perceber o motivo de seu erro. 
 
 
 Outro exemplo deste tipo: 
 
 Criança (ao sair de casa para a de um amigo vizinho, sem terminar os deveres do 
colégio): “Até logo, mamãe”. 
 
 Mãe (exasperada): “Quantas vezes tenho que dizer-lhe que termine seus deveres?”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As indicações em forma de pergunta, não apenas não 
 transmitem claramente o que se espera dos filhos, mas 
 que também manifestam falta de convicção, fraqueza 
ou insegurança por parte de quem as faz. 
 
 
 
 A pergunta da mãe é insegura porque apenas transmite o desgosto materno sem 
expressar autoridade ou orientação. Obviamente ela não espera que seu filho lhe responda 
“necessito que me diga nove vezes”, mas está apenas expressando fraqueza através de sua 
frustração. A reação assertiva da mãe deve ser: proibi-lo de sair até que termine os deveres. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
31 
 Uma situação semelhante se dá neste diálogo: 
 
 Criança (depois de quebrar uma janela com uma bolada): “Papai, o vidro quebrou”. 
 
 Pai (irritado): “Você sabe quanto custa um vidro novo?”. 
 
 É claro que o pai não espera que seu filho lhe informe o preço do conserto da janela, 
mas sua reação insegura através da pergunta não chega a transmitir-lhe a verdadeira 
mensagem: que um descuido irresponsável em seu comportamento está causando um 
prejuízo econômico à família. 
 
 As perguntas inseguras refletem o fato de que as crianças sabem como tirar os pais 
do sério quando estes se mostram incapazes de atuar com firmeza. 
 
 Súplica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A súplica à criança, pedindo-lhe que seja compreensivae se 
apiede do adulto, transmite uma imagem paterna de 
fragilidade e debilidade, que induz à desobediência e à 
desvalorização. Se perde assim prestígio, autoridade e não 
 se lhes apresenta um modelo atraente para ser imitado. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
32 
 Mãe: “Venha deitar-se”. 
 
 Filho: “Não tenho sono”. 
 
 Mãe: “É tarde e eu estou cansada. Por favor, vá se deitar”. 
 
 Filho: “Mas não estou cansado”. 
 
 Mãe: “Mas eu sim. Por favor vá dormir”. 
 
 Quando os pais suplicam, estão pedindo a seus filhos que lhes tenham compaixão. 
Isto não costuma ser razão suficiente para que deixe de comportar-se de forma imprópria, 
porque não compreendem a magnitude do cansaço de um adulto, que é diferente do deles. 
Pior ainda, a súplica para que seja compreensivo e se apiede do adulto, lhe transmite uma 
imagem paterna de fragilidade e fraqueza que induz à desobediência. 
 
 
 Ignorar a desobediência 
 
 Igualmente inseguro é dar ao filho uma ordem específica para que se comporte 
corretamente e depois fazer-se de desentendido se não obedece. Quando um pai dá uma 
ordem e o filho não a cumpre, é indispensável tomar medidas para que seja obedecida. O 
contrário é como dizer-lhe: “tenho que dar-lhe esta ordem, mas se não me dá importância, 
não se preocupe porque não lhe acontecerá nada”. 
 
 Por exemplo: 
 
 Mãe: “Cecília, deixou todo molhado o piso do banheiro. Venha secá-lo”. 
 
 Cecília: (recostada em um sofá, lendo uma revista): “Sim, mamãe, já vou”. 
 
 Mãe (vários minutos depois): “Cecília, te disse que deixasse essa revista e fosse 
secar o banheiro!”. 
 
 Cecília: “Já vou, já vou, deixe-me terminar de ler!”. 
 
 Passa mais tempo e Cecília no sofá lendo. A mãe a vê da cozinha, mas, vencida, 
continua com seu trabalho como se não tivesse percebido que Cecília não a obedeceu. 
 
 Quando você tenta disciplinar seus filhos e depois faz a vista grossa, está lhes 
ensinando a não o escutar nem lhe dar importância. Se der ordem, assegure-se de que seja 
cumprida. Do contrário, enfraquece sua autoridade e reduz a utilidade de sua função 
educativa. 
 
 Alguns pais se sentem incapazes de colocar ordem na conduta de seus filhos ou 
foram derrotados em tentativas prévias de fazê-lo, motivo pelo qual optam por ignorar o que 
devem corrigir. 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
33 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dar uma ordem sem verificar que seja cumprida, é como dizer 
 à criança; “tenho que dar-lhe essa ordem..., mas se não obedecer, 
não se preocupe porque não lhe acontecerá nada”. 
Proceder assim é minar a educação em suas bases. 
 
 
 
 Por exemplo: 
 
 Uma senhora visita a uma amiga cujo filho de doze anos ligou o aparelho de som em 
seu quarto com um volume ensurdecedor. 
 
 Amiga: “Como aguenta esse ruído?”. 
 
 Mãe: “O que posso fazer? Pedi a Augusto até me cansar que ouça a música num 
volume baixo e nunca me dá importância. É como se falasse com a parede e ele me venceu 
pelo cansaço”. 
 
 Os exemplos dados, que constituem apenas algumas das muitas situações similares 
que se apresentam na relação quotidiana entre pais e filhos, mostram respostas paternas 
inseguras que vão desde frases indiretas e pouco claras até passar por alto o 
comportamento inconveniente. Estas atitudes dos pais refletem ignorância de como 
expressar uma ordem precisa, debilidade em assegurar seu cumprimento e, finalmente, dar-
se por vencidos. As três linhas mencionadas de atitude paterna prejudicam aos filhos. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
34 
 4.2 RESPOSTAS HOSTIS OU AGRESSIVAS 
 
 A hostilidade ou a agressão constituem o segundo tipo de respostas estéreis. 
Representam uma mistura equivocada de autoritarismo e exasperação dos pais para 
conseguir que seus filhos se comportem de forma adequada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As formas verbais que diminuem aos filhos, transmitem 
uma hostilidade ou agressão por parte dos pais, que 
representam uma mistura equivocada de autoritarismo e 
exasperação. Atitudes como estas podem levar 
 inicialmente à submissão e depois à rebeldia. 
 
 
 
 É uma forma improdutiva e até perigosa de atuar porque não consegue que um filho 
entenda as razões pelas quais deve portar-se bem em seu próprio benefício e ignora, além 
disso, as necessidades e sentimentos das crianças. A resposta hostil ou agressiva afasta ao 
filho porque o faz sentir-se recusado por seu pai. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
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Quanto mais gritar com seu filho, mais transmitirá sua perda de 
controle e debilidade, fazendo com que sua mensagem careça de 
autoridade. As crianças, com uma capacidade intuitiva 
extraordinária, captam o descontrole; isto os convida 
a colocar-se em uma luta de poderes que obstaculiza 
o normal processo educativo. 
 
 
 
 Seguem alguns exemplos de respostas hostis em que os pais costumam cair com 
frequência. 
 
 
 Formas de inferiorizá-los: 
 
 “Você me deixa louca”. 
 
 “Você me deixa doente”. 
 
 “Você é um desastre”. 
 
 “Você é um sem-vergonha irresponsável”. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
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Quando na comunicação os pais transmitem seus 
 estados interiores, estão sepultando sua própria imagem, 
o que incentiva à rebeldia e à desobediência. 
 
 
 
 Ameaças sem conteúdo: 
 
 “Você vai ver só”. 
 
 “Você me pagará por todas de uma só vez”. 
 
 Estas ameaças muitas vezes acontecem depois de frases paternas como: “se 
continuar comportando-se mal vou...” ou “se brigar novamente com seu irmão vou...”. Estas 
frases implicam ignorar a falta original, atitude incorreta agravada pela ameaça pouco 
realista de uma forma indefinida e imprecisa de castigo. 
 
 As ameaças podem assumir formas diversas, mas observamos que a maioria das 
crianças aprendem a uma idade precoce que frases como: “se voltar a fazer isso, vou...” não 
costumam ser levadas a sério pelos pais que as formulam, os quais, na realidade, terminam 
por não cumprir o castigo prometido. As crianças aprendem a não dar importância a 
mensagens deste tipo e continuam portando-se como acham melhor. 
 
 As respostas hostis e agressivas costumam gerar sentimentos negativos entre você e 
seus filhos, portanto é importante evitá-las. Quanto mais gritar com seu filho, mais ineficaz 
será. Os gritos lhe informam claramente que você perdeu o controle de si próprio e da 
situação e que ele, em troca, ganhou terreno. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ante ameaças sem conteúdo, a maioria das crianças 
aprendem a uma idade precoce que não devem levá-las 
a sério, já que são a arma dos pais fracos, sem 
recursos e como que tomados por surpresa. Uma idéia 
 primordial é que nada do que fazem as crianças deve 
 surpreender-nos. Educar é ir adiante. 
 
 
 
 
 Castigos excessivos 
 
 Muitas vezes, os pais se excedem ao castigar seus filhos. Quando se dão conta de 
que o castigo é excessivamente severo, muitas vezes têm que voltar atrás, o que também 
dá a criança uma mensagem de fraqueza e inconsistência paterna. 
 
 
 O castigo consiste sempre em tirar da criança algo que lhe doa perder ou impor-lhe 
fazer algo que o contraria. O castigo pensado de antemão e com tranquilidade pelos pais e 
proporcional à conduta imprópria que se busca corrigir, é geralmente útil. Mas muitas vezes 
é um desabafo em um momento de raiva ou frustração, em vez de uma medida corretiva 
bem planificada. 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
38 
 Por exemplo: 
 
 João, de doze anos, tinha ordem de voltar para sua casa às 8 da noite, mas chegou 
da casa de seu amigo às 11, quando seus pais já se preparavam para ir dormir. Seu pai, 
enfurecido, gritou-lhe que era “um vagabundo inútil” e que, exceto para ir ao colégio, não 
sairia de casa durante um mês. 
 
 Na mesma semana, a mãe suspendeu o castigo e comentou com uma amiga: “Não o 
agüentavamais dentro de casa, todo o tempo incomodando e dizendo que estava 
aborrecido e eu não sabia o que fazer! Seu pai também não suportava mais”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O castigo deve ter um começo e um final. Quando é 
excessivo, é frequente que os pais voltem atrás, passando 
assim a mensagem de que não é preciso levá-los a sério 
por sua própria incoerência. 
 
 
 
O resultado claro e bem definido deste castigo excessivo, imposto em um momento 
de raiva paterno, de forma desordenada e impulsiva, foi que João chegou à conclusão de 
que os castigos que lhe impunham seus pais não eram a sério e que não tinha por que 
preocupar-se no futuro. 
 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
39 
 Castigos físicos 
 
 Os puxões de cabelo, beliscões, empurrões ou golpes são quase sempre resultado de 
uma explosão paterna impensada, com efeito negativo sobre a educação da criança. 
 
 Estes percebem claramente que os gritos fortes, os castigos extremamente severos 
que depois não são cumpridos em sua totalidade e os castigos físicos, indicam que um pai 
não pode conseguir o comportamento adequado do filho ou que não é capaz de manter-se 
firme na demarcação de limites. 
 
 Costuma ocorrer que um pai que foi incorreto, submisso e permissivo com seus filhos 
exploda um dia e descarregue sua frustração com qualquer uma das muitas formas de 
agressão física. O que tem um efeito ainda pior, já que desconcerta ao filho pela oscilação 
de sua atitude entre extremos igualmente inconvenientes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Normalmente, a agressão física pode ser uma explosão 
 paterna não meditada, com um efeito negativo sobre a 
 educação da criança, que o faz sentir-se recusada. Este 
distanciamento obstaculiza uma boa comunicação, 
 baseada no afeto, que dá fundamento às chamadas 
 “surras bem dadas”. 
 
 
O QUE NÃ0 DEVE SER FEITO 
40 
 É importante esclarecer que uma surra bem dada, que foi pré-avisada como eventual 
castigo a uma falta de comportamento e que não responde à explosão descontrolada de um 
pai mas a um calculado esforço corretivo, costuma ser altamente eficaz. 
 
 Mas como regra geral, não convém chegar à agressão física. 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
41 
----------------------------------------------------- 5 ------------------------------------------------- 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
 
 As reações e respostas inseguras em que costumam cair os pais, descritas no 
capítulo anterior, criam uma barreira prejudicial entre eles e seus filhos, dificultando o mútuo 
entendimento familiar e reduzindo as probabilidades de que seus esforços educativos os 
ajudem realmente na formação de uma boa personalidade. 
 
 Explicaremos agora a forma efetiva de comunicar-se com seus filhos através da EP. 
Este sistema, que também desenvolveram muitos outros profissionais e que se utiliza em 
diferentes países, é a aplicação constante e coerente de uma mistura de sentido comum, 
carinho, calma e firmeza para conseguir que os filhos percebam e entendam sua mensagem 
e estejam mais dispostos a dar-lhe importância. 
 
 Muitas das indicações que encontrará nas páginas seguintes incluem, com certeza, 
atitudes paternas que você já utilizou de forma natural, ainda que provavelmente as aplique 
sem a ordem sistematizada que as tornam mais produtivas. 
 
 Para que a EP tenha êxito é necessário aplicar suas técnicas de forma permanente, 
sem interrupções, claudicações ou debilidade. Se a primeira etapa do sistema, ou seja, a 
comunicação assertiva, basta para melhorar aceitavelmente a conduta das crianças, não é 
necessário recorrer às outras etapas mais severas. 
 
 Mas se a primeira etapa da EP não é suficiente e um ou mais filhos persistem em 
condutas más, deverá recorrer ordenadamente às ações que correspondem à segunda 
etapa; e a seguir, se ainda é necessário, às da terceira. 
 
 Para comunicar-se de uma maneira efetiva com seus filhos neste primeiro passo da 
EP, isto é, fazer-lhes entender o que você quer deles para que o cumpram, necessitará 
aplicar quatro técnicas chave para assegurar-se que a mensagem seja clara e penetre. 
 
 Estas quatro técnicas de comunicação são: 
 
 Linguagem assertiva adequada 
 
 Mensagens sem palavras 
 
 Manejo das discussões 
 
 Reconhecimento de boas condutas 
 
 
 5.1 LINGUAGEM ASSERTIVA ADEQUADA 
 
 A experiência de muitos profissionais ao longo dos anos mostrou que quando os pais 
estão dispostos que seus filhos com má conduta se comportem como é desejável, se 
dirigem a eles com frases assertivas diretas. Esta atitude é útil e correta e se reflete em 
mensagens claras dos pais como, por exemplo: 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
42 
 “Quero que arrume seu quarto AGORA MESMO!”. 
 
 “Tem EXATAMENTE CINCO MINUTOS para arrumar o banheiro antes de vir à 
mesa”. 
 
 “Deixe de incomodar seu irmão AGORA!”. 
 
 Tais mensagens diretas e assertivas não deixam dúvida na mente de seus filhos 
sobre o que você quer exatamente que façam e quando. 
 
 Quando falar com seus filhos seja concreto. Evite frases vagas e imprecisas como 
“seja bonzinho” ou “comporte-se como uma criança de sua idade”, que reflitam apenas a 
expressão de um desejo, mas não transmitem a instrução precisa de uma mensagem clara, 
calma e firme. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Falar direta e assertivamente não deixa dúvidas na mente 
de seus filhos sobre o que você quer exatamente que 
façam. Isto não os intimida, mas lhes dá segurança, 
porque para eles nada é melhor do que ver em seus pais 
pessoas com personalidade. 
 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
43 
 Os casos que se seguem exemplificam esta forma de atuar: 
 
 Pai (com calma e firmeza diz ao filho que lhe argumenta que tem vontade de 
continuar brincando): “Entendo-lhe que queira continuar brincando, mas já é hora de comer 
e quero que guarde esses brinquedos em seu lugar IMEDIATAMENTE”. 
 
 Mãe (da sala para sua filha, que está em seu quarto falando ao telefone): “Andréia, já 
terminou os deveres?”. 
 
 Andréa (de seu quarto): “Não, mamãe, estou falando no telefone com Paula”. 
 
 Mãe (caminha até o quarto de sua filha, se senta a seu lado na cama e lhe diz de 
maneira calma e firme): “Andréa, quero que desligue JÁ e termine seus deveres AGORA 
MESMO”. 
 
 Faltam quinze minutos para servir o jantar. A mãe entra no quarto de seu filho de sete 
anos, onde há brinquedos esparramados pelo chão. 
 
 Mãe: Pedro, o jantar está quase pronto. Arrume seu quarto A SEGUIR E EM DEZ 
MINUTOS venha sentar-se à mesa”. 
 
 
 5.2 MENSAGENS SEM PALAVRAS 
 
 Para transmitir à criança sua mensagem assertiva, clara e inequívoca, é necessário 
complementar o uso das palavras com a forma adequada de expressá-las. 
 
 Se quando você ordena a seu filho que arrume seu quarto, “AGORA MESMO!”, o faz 
gritando e com raiva, lhe mostrará um descontrole autoritário que torna negativo o resultado 
de sua mensagem. 
 
 Para que sua instrução tenha o necessário bom efeito, é tão importante o que diz a 
seu filho como a forma que diz. 
 
 Para conseguir esse melhor resultado e que as palavras adequadas tenham maior 
força de comunicação observe os pontos seguintes: 
 
 
 Não peça algo nem dê uma ordem gritando. 
 
 Fale sempre em tom firme, mas calmo. 
 
 Transmita sua tranqüilidade ao dar uma ordem ou instrução, isto comunicará 
à criança que você controla a situação. 
 
 Sempre fale a seus filhos olhando-os nos olhos. 
 
 
 O contato visual é fundamental para a comunicação humana. 
 
 Olhar às crianças nos olhos, enquanto falamos com elas, aumenta a eficácia de 
qualquer mensagem, ao refletir, o olhar, o carinho e a firmeza que há por trás do que um pai 
está lhes dizendo. 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
44 
 Um ponto importante: Muitas vezes, a criança, desviará olhar paterno, baixando a 
cabeça ou virando-a. Nesse caso, levante suavemente a cabeça de seu filho ou faça-a girar 
até que vossos olhos se encontrem. 
 
 A incidência doolhar em toda forma de inter-relação humana está representada 
naquela frase tão comum: “os olhos são o espelho da alma”, como se percebe nesta história: 
 
 Uma atriz filmava em uma ocasião um curto publicitário. O câmera lhe dizia que a 
postura, os movimentos, as palavras e o sorriso estavam bem, mas que os olhos não 
acompanhavam. Apesar de repetirem as filmagens várias vezes, não se pode melhorar a 
produção. O motivo era que a atriz havia se separado de seu marido no dia anterior e, 
apesar de que todos os elementos externos de sua atuação eram impecáveis, não 
conseguia transmitir a mensagem com seus olhos, que apenas refletiam o impacto de seu 
problema familiar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olhar às crianças nos olhos enquanto lhes fala aumenta a 
 eficácia de qualquer mensagem, ao refletir o carinho e a 
firmeza que há por trás do que um pai está dizendo 
 
 
 Utilize gestos não intimidatórios, por exemplo, com suas mãos, para dar 
maior ênfase e força a suas palavras. 
 
 Estes gestos geralmente comunicam à criança que você está falando a sério. Mas 
tenha sempre presente a enorme diferença que existe entre o gesto útil que enfatiza e o 
gesto contraproducente que intimida. 
 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
45 
 Pegar a criança pelo braço com violência para sacudi-lo ou beliscá-lo ou, inclusive, 
colocar seu dedo indicador estendido frente a sua cara enquanto lhe dá uma instrução, 
debilita a mensagem que você quer transmitir e que quer que seja entendida por seu filho. 
Se este o obedece por submissão atemorizada, sua mensagem fracassou. 
 
 A criança deve obedecê-lo porque entende que assim deve fazê-lo, não porque está 
assustada ou simplesmente para safar-se de uma situação de isolada repreensão paterna. 
Se a reação da criança é pensar “melhor fazer o que me dizem até que passe o tormento”, a 
mensagem paterna foi mal expressada. A forma paterna de expressar a mensagem é induzi-
lo à conclusão de que “papai evidentemente fala sério, e deve ter razões para isto e, ainda 
que não me agrade, melhor fazer o que me manda”. 
 
 Este importante resultado favorável se consegue estabelecendo um contato físico que 
lhe transmita a calma, o carinho e a firmeza do pai ou da mãe, jamais uma irritação 
agressiva que apenas o atemoriza ou o induz a uma rebeldia ainda maior. 
 
 Por exemplo, se você coloca sua mão sobre o ombro da criança enquanto lhe fala, 
olhando-a nos olhos, fortalecerá sua mensagem porque estará transmitindo sua firme 
sinceridade em ajudá-lo e não de agredi-lo ou descarregar a própria frustração paterna. 
 
 EM MUITOS CASOS, A MÃO DE UM PAI SOBRE O OMBRO DA CRIANÇA TERÁ 
MAIS PESO E SIGNIFICADO QUE AS PALAVRAS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em muitos casos, a mão de um pai sobre o ombro da criança 
 terá mais peso e significado que as palavras. A calma, o carinho, 
 e a firmeza que lhe transmite o contato físico, o predispõe 
 a compreender e a aceitar as mensagens paternas. 
 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
46 
 5.3 MANEJO DAS DISCUSSÕES 
 
 Há cinco técnicas ou formas básicas para manejar as situações que se apresentam 
quando os filhos, em vez de obedecer uma ordem paterna, respondem com diferentes tipos 
de argumentos e tentam estabelecer um discussão. São técnicas dirigidas a evitar que os 
pais caiam em uma estéril discussão argumentativa com seus filhos, quando estes não 
apresentam razões válidas mas apenas tentam estabelecer desculpas para ignorar ou 
obscurecer a ordem paterna. 
 
 Estas técnicas são conhecidas por “disco riscado”, “nevoeiro”, “interrogação negativa”, 
“extinção” e “tempo afastado”. 
 
 TÉCNICA DO DISCO RISCADO 
 
 De modo frequente ocorre que quando você quer dizer simplesmente a seu filho o 
que deve fazer, o resultado é uma discussão. 
 
 Por exemplo: 
 
 Mãe: “Ricardo, por favor, pode recolher seus brinquedos? Estão jogados por todo o 
 quarto”. 
 
 Ricardo: “Por que sempre eu tenho que juntá-los? Alberto nunca os junta”. 
 
 Mãe: “Você sempre deixa as coisas jogadas; ele, não”. 
 
 Ricardo (irritando-se): “Sempre implica comigo!”. 
 
 Mãe: (incomodada): “Isso não é verdade”. 
 
 Ricardo: “Está sendo injusta”. 
 
 Mãe: “Está errado, não sou injusta”. 
 
 
 Neste caso, a mãe terminou perguntando-se se era justa ou não e dando-se por 
vencida em vez de estabelecer com firmeza o que queria, isto é, que Ricardo recolhesse os 
brinquedos. 
 
 Nunca uma criança poderá vencer-lhe em uma discussão. Para ajudá-la a evitar que 
seus filhos a levem a discussões inúteis e, pelo contrário, manter-se em seu objetivo, 
encontramos um meio útil que chamamos “técnica do disco riscado”. 
 
 O nome reflete o fato de que quando você usa essa técnica, soa como um disco 
riscado que continua repetindo sempre o mesmo, uma e outra vez, até que consegue a 
penetração e aceitação de sua mensagem. 
 
 Quando aprender a falar como um disco riscado será capaz tanto de expressar o que 
quer como de conseguir que a mensagem penetre. Ao mesmo tempo, aprenderá a ignorar 
os esforços de seu filho para desviá-lo do tema e envolvê-lo em uma discussão que você 
não poderá ganhar. 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
47 
 Voltando ao exemplo de Ricardo: 
 
 Mãe: “Ricardo, por favor, pode recolher seus brinquedos? (argumento do que você 
quer). Estão jogados por todo o quarto”. 
 
 Ricardo: “Por que eu sempre tenho que juntá-los? Alberto nunca os junta”. 
 
 Mãe (com voz tranqüila): “Esse não é o tema. Eu quero que você recolha os 
brinquedos”. (repetição, disco riscado). 
 
 Ricardo: (acalmando-se): “Está bem, já lhe escutei, já os recolho”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“O disco riscado” 
 
Em geral, os adultos ignoramos que é impossível ganhar 
uma discussão de uma criança. Para ajudá-lo a evitar que seus filhos 
 o levem a discussões inúteis, e pelo contrário, manter-se 
em seu objetivo, a técnica do disco riscado é um meio muito útil. 
 
 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
48 
 Os seguintes, são uma série de diretrizes para o uso do “disco riscado” 
quando seus filhos discutem: 
 
 - Determinar claramente o que quer que seu filho faça. Por exemplo: “Eu quero que 
recolha os brinquedos”. 
 
 - Continue repetindo o que você quer quando seu filho argumenta. Não responda a 
nenhum de seus argumentos. 
 
 - Se depois de usar o “disco riscado” numa medida razoável seu filho ainda não faz o 
que você quer, deve estar disposto a apoiar suas palavras com ações. 
 
 O exemplo que segue mostra como aplicar esses parâmetros e integrar os gestos à 
técnica do “disco riscado”: 
 
 Pai (olhando-o nos olhos e com uma mão sobre seu ombro): “Raul, pare de 
incomodar seu irmão” (estabeleceu especificamente o que quer). 
 
 Raul: “Não é culpa minha, ele que começou”. 
 
 Pai (com firmeza): “Esse não é o ponto. Você vai deixar de incomodar seu irmão 
(disco riscado). 
 
 Raul: “Por que sempre você só chama minha atenção?”. 
 
 Pai (calmamente): “Raul, você vai deixar de incomodar seu irmão (disco riscado). Se 
não deixar de incomodá-lo, ficará de castigo até a hora de deitar-se”. 
 
 Raul: “Por que implica comigo?”. 
 
 Pai (calmamente): “Raul, se voltar a incomodar seu irmão estará de castigo até a hora 
de deitar-se” (disco riscado). 
 
 
 TÉCNICA DO “NEVOEIRO” 
 
 Busca conseguir que os filhos não os tirem do sério, fazendo-se de surdos a suas 
atitudes e argumentos provocativos, cuja finalidade é fazer com que os pais percam o 
domínio de si próprios e da situação. Usemos seu nome metaforicamente pelo fato de isolar-
se das intenções manipulativas da criança, como acontece quando uma pessoa ou um barco 
penetra em um “nevoeiro” e fica isolado do que o rodeia. 
 
 Por exemplo: 
 
 Ricardo: “Você é malvada!”. 
 
 Mãe: (calmamente): “Pode ser que para você pareça que sou malvada” (nevoeiro). 
 
 Ricardo: “Sempre zomba de mim”. 
 
 Mãe: “Pode ser que você acredite que sempre zombo de você” (nevoeiro). 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
49 
 Essa técnica, combinadacom a do “disco riscado”, favorece, por um lado, não reagir 
à crítica do filho e a evitar ser desviado do objetivo. Por outro, conseguir que responda à 
ordem. 
 
 Por exemplo: 
 
 Mãe: “Recolha seus brinquedos”. 
 
 Ricardo: “Você é malvada. Sempre eu tenho que juntá-los”. 
 
 Mãe (com calma): “Pode ser que você acredite que sou má (nevoeiro), mas recolha 
seus brinquedos (disco riscado). 
 
 Ricardo: “Sempre me perseguindo”. 
 
 Mãe (com calma): “Pode ser que você acredite que eu fico lhe peseguindo (nevoeiro), 
mas recolha seus brinquedos” (disco riscado). 
 
 É muito provável que esta mensagem penetre e Ricardo obedeça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando se associa a técnica do “nevoeiro” à do “disco riscado”, 
 os filhos ficam sem argumentos e não se distraem da mensagem 
 que se lhes quer transmitir. Por outra parte, ajuda aos pais a 
manter a serenidade e a calma, tão necessárias para formar 
 filhos com personalidade. 
 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
50 
 TÉCNICA DE INTERROGAÇÃO NEGATIVA 
 
 Uma resposta hostil de um filho esconde, às vezes com agressividade, a verdadeira 
razão de seu descontentamento. A técnica de interrogação negativa o vai conduzindo 
gradualmente até chegar ao motivo real da resposta agressiva inicial. 
 
 Por exemplo: 
 
 É o aniversário de Maria. Sua mãe está lhe organizando a festa, entretanto, Maria 
mostra uma atitude de crítica negativa. 
 
 O diálogo se desenvolve da seguinte forma: 
 
 Maria: “O bolo está maravilhoso”. 
 
 Mãe: “O que tem o bolo de maravilhoso?” (interrogação negativa). 
 
 Maria: “Que ficou feio”. 
 
 Mãe: “E o que tem para estar feio?”(interrogação negativa). 
 
 Maria: “É que meus colegas vão rir” (se chega ao ponto que verdadeiramente afeta à 
criança). 
 
 Mãe: “Por que acha que vão rir?”. 
 
 Maria: “Sempre zombam de mim e brigam comigo, não querem brincar comigo”. 
 
 Mãe: “E apenas zombam de você?”. 
 
 Maria: “Sim”. 
 
 Mãe: “Mas às vezes também devem zombar de outras meninas, não?”. 
 
 Maria: “Sim, às vezes sim”. 
 
 Mãe: “E não acha que parece que o fazem para irritá-la e divertir-se um pouco a suas 
custas?”. 
 
 Maria: “Sim, eu me irrito e deixo de brincar com elas”. 
 
 Mãe: “E que poderia fazer para não irritar-se e continuar brincando?”. 
 
 Maria: “Não dar-lhes importância”. 
 
 Mãe: “Muito bem, Maria, essa é precisamente a forma que evitará que riam de você”. 
 
 Lembre-se que quando seus filhos lhe fazem críticas agressivas estão buscando tirá-
la do sério. Dê respostas que neutralizem a agressão e esta irá desaparecendo, 
especialmente se conseguiu levar a criança à verdadeira razão de sua hostilidade e 
apresentar-lhe uma solução. 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
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 TÉCNICA DE EXTINÇÃO 
 
 É útil para suprimir ou extinguir uma determinada conduta indesejada em seu filho. A 
manutenção dessa conduta dependerá em grande parte dos resultados que gera. Quando 
estes aumentam, também aumenta a probabilidade de que a conduta indesejada volte a 
produzir-se. O que reforça essa conduta são as consequências, que são conhecidas como 
“reforçadores”. 
 
 Estes reforçadores podem ser positivos ou negativos. Os positivos incorporam ou 
agregam algo ao ambiente da criança que emitiu a conduta, entanto os negativos tiram algo 
do ambiente da criança, produto da conduta. 
 
 Quando uma conduta deixa de ser reforçada, isto é, quando se eliminam os 
reforçadores, diminui sua frequência até desaparecer, extinguindo-se. 
 
 Uma criança pode estar mantendo uma conduta inapropriada porque a reforçamos 
positiva ou negativamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Técnica da extinção 
 
Há um princípio psicológico que estabelece que todo estímulo 
 que não é respondido, se extingue. Quando não se responde 
ante uma reclamação inadequada dos filhos, haverá inicialmente 
 um explosão de choro para captar a atenção e forjar uma 
 resposta favorável. Logo, esta irá se extinguindo pouco a 
pouco. É imprescindível ter fortaleza para não ceder. 
 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
52 
 Por exemplo: 
 
 Em um caso de conduta inapropriada, que é reforçada positivamente, cada vez que o 
filho de cinco anos começa a chorar e sua mãe lhe dá uma guloseima para consolá-lo, o 
estará reforçando positivamente e a conduta de chorar a cada momento (quando isto ocorre 
sem razões justificadas) continuará. 
 
 Em um caso de conduta inapropriada, que é reforçada negativamente, se obrigamos 
uma criança que tem medo da escuridão a dormir com todas as luzes apagadas, o medo à 
escuridão se manterá. 
 
 No primeiro caso, o hábito de chorar injustificadamente deve ser desmotivado, ou 
seja, deve evitar-se reforça-lo com alguma forma inapropriada de consolo como uma 
guloseima ou os braços da mãe, que incentivará a criança a querer o consolo repetindo seu 
choro. Ante a não-resposta haverá inicialmente um aumento do choro para captar mais a 
atenção, para a seguir ir-se extinguindo pouco a pouco. 
 
 No segundo caso, há que buscar um método que realmente ajude a criança a perder 
seu medo à escuridão, como deixar aceso um abajur de luz fraca durante algum tempo e ir 
observando sua reação gradual até perceber que perdeu o medo. 
 
 TÉCNICA DO TEMPO AFASTADO 
 
 Consiste em cortar o comportamento indesejado de uma criança separando-a do 
entorno ou da situação inconveniente onde se produz sua má conduta. 
 
 Por exemplo, uma criança pequena atira pedacinhos de pão durante a refeição 
familiar e seus irmãos riem dele. A mãe ordena à criança que deixe de fazê-lo, mas o 
pequeno, incentivado pelas risadas de seus irmãos que comemoram seu proceder 
impróprio, continua lançando pedacinhos de pão a torto e a direito. 
 
 O mais eficaz será tirá-lo da mesa e levá-lo a comer sozinho, em seu quarto. Dessa 
maneira deixará de ser o centro de atenção. Ao separá-lo do ambiente ou das circunstâncias 
que incentivavam seu comportamento inadequado, este tende a desaparecer. 
 
Se bem que a aplicação desta técnica não é sempre simples. Há que mostrar-se firme 
e não deixar-se levar a discussões ou a seguir seus pseudo-raciocínios, demonstrando-lhe, 
desta maneira, que quem dita as regras do jogo é você. Conseguirá marcar os limites e 
manter uma ordem respeitosa no lar. 
 
As cinco técnicas propostas podem não ser as únicas, mas freqüentemente são as 
mais úteis à hora de aplicar a autoridade. 
 
Do mesmo modo, podem combinar-se para o manejo de uma mesma situação. O 
exemplo que segue combina as táticas de “disco riscado”, “nevoeiro” e “interrogação 
negativa”. 
 
Este exemplo incorpora o chamado “compromisso viável”. 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
53 
Se trata do acordo a que se chega com a criança, cuja responsabilidade é incentivada 
ao mostrar-lhe que não se ganha necessariamente em todas as decisões e que muitas 
vezes há espaço para um acordo conveniente. Os compromissos não necessariamente 
devem satisfazer todas as necessidades e desejos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Técnica “tempo afastado” 
 
Uma criança atira pedaços de pão durante a refeição familiar e seus 
 irmãos o festejam. A mãe lhe ordena que deixe de fazê-lo, mas 
 incentivado por seus irmãos, continua com sua “proeza”. O mais eficaz 
será tirá-lo da mesa e levá-lo para comer sozinho em outro lugar, onde 
ninguém incentive suas más condutas, e deixe de ser, por sua vez, 
 o motivo do caos familiar. 
 
 
As técnicas descritas para o manejo adequado das discussões podem ser ensinadas 
às crianças para que elas as utilizem na interação com seus irmãos, colegas de jogos e 
outras pessoas. 
 
Exemplo: 
 
Pai: “A semana passada você chegou tarde quatro vezes para o jantar”. 
 
Filho: “Não foi culpa minha. Não podia voltar a tempo”. 
 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
54 
Pai: “Estou seguro de que tem essa sensação porque senão haveria vindo jantar a 
tempo. Mas não me importa de quem seja a culpa. A única coisa que quero é que esteja 
aqui à hora de jantar”(nevoeiro e disco riscado).Filho: “Tá bom”. 
 
Pai: “Você me disse isso a última vez que falamos. Não acredito quando o diz dessa 
maneira, como se estivesse tratando de encerrar o assunto e nada mais”. 
 
Filho: “Não, de verdade, não voltará a acontecer”. 
 
Pai: “Vamos esclarecer as coisas. Explique-me por que tem a sensação de não poder 
chegar em casa à hora de jantar” (compromisso viável). 
 
Filho: “Não vai entendê-lo”. 
 
Pai: “Talvez não, mas tentarei” (asserção negativa). 
 
Filho: “O que acontece é que me dá vergonha de voltar para casa antes que os outros 
amigos”. 
 
Pai: “O que lhe envergonha de voltar para casa antes que os outros?” (interrogação 
negativa). 
 
Filho: “Que me chame para voltar cedo para casa me faz sentir criança”. 
 
Pai: “Que há no fato de que lhe chame, mais que lhe faça sentir criança?” 
(interrogação negativa). 
 
Filho: “Para os outros, seus pais não os fazem voltar para casa às oito e meia”. 
 
Pai: “É que não jantam?”. 
 
Filho: “Ah, não sei”. 
 
Pai: “Jantarão mais tarde que nós, ou seus pais não se importam se seus filhos 
jantam ou não. Que acha que pode ser?”. 
 
Filho: “Que jantam mais tarde”. 
 
Pai: “Bom, amanhã, se você for o último a voltar para casa, observe o que dizem os 
outros quando se vão” (compromisso viável). 
 
Filho: “Para quê?”. 
 
Pai: “Quero saber a que hora vão jantar os outros” (compromisso viável). 
 
Filho: “Talvez fiquem até mais tarde”. 
 
Pai: “Não crê que terão fome se já é tarde?”. 
 
Filho: “Imagino que sim”. 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
55 
Pai: “E não crê que quando sentem fome preferirão ir para casa jantar?”. 
 
Filho: “Suponho que sim”. 
 
Pai: “Crê que ficarão ali somente porque você também fica?”. 
 
Filho: “Você acha que eles também ficam com vergonha?”. 
 
Pai: “Não. Creio que lhe perguntarão se você está com fome e por que não vai para 
casa jantar”. 
 
Filho: “Verdade?”. 
 
Pai: “Sim. Você não sente fome antes de jantar?”. 
 
 Filho: “Claro”. 
 
 Pai: “E Acha que sentir fome é uma razão para ter vergonha?”. 
 
 Filho: “Não”. 
 
 Pai: “Então, que acha de lhes dizer que tem fome e vai para casa comer, em vez de 
esperar que eu lhe chame? Assim continuarão achando-o muito criança?” (compromisso 
viável). 
 
 Filho: “Não”. 
 
 Pai: “Acredita que amanhã a noite terá que ser outra vez o último em chegar a sua 
casa?”. 
 
 Filho: “Não”. 
 
 5.4 RECONHECIMENTO DAS BOAS CONDUTAS 
 
 A assertividade que você demonstrou ao comunicar clara e firmemente a um filho o 
que quer que ele faça, deve ser complementada com o reconhecimento da boa conduta. É 
de grande importância que quando seu filho o escute e o obedeça, você responda 
assertivamente com alguma forma de reconhecimento que o incentivará a perseverar em um 
bom comportamento. 
 
 A medida do equilíbrio com que você deve tratar a seu filho é impor as medidas 
corretivas ou disciplinarias que sejam necessárias e a seguir, quando ele corrige e melhora 
sua conduta, fazer-lhe perceber sua satisfação pelo resultado. (Não deve descuidar-se o 
elogio às boas condutas espontâneas). 
 
 Para encontrar este equilíbrio lhe sugerimos formular-se a si próprio esse tipo de 
perguntas: 
 
 - Como ajo quando meu filho, habitualmente respondão e argumentativo, agora me 
obedece sem objetar cada coisa que lhe peço? 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
56 
 - Como ajo quando agora vem do colégio com boas notas, depois de um período em 
que o habitual era que chegasse com qualificações baixas? 
 
 - Como ajo quando vejo às crianças brincando de forma tranqüila e sem brigar, 
quando antes o comum era que seus jogos terminassem com gritos ou socos? 
 
 Elogio o que espontaneamente fazem bem ou me calo porque devo dar por 
compreendida sua boa conduta? 
 
 Frequentemente, os pais não percebem a importância do elogio e outras formas de 
incentivo quando os filhos se comportam adequadamente. É importante ter presente que o 
bom estado emocional das crianças requer que tenham confiança em si próprios, e para isso 
ajuda muito o reconhecimento que recebem de seus pais. 
 
 Respostas paternas usuais como: “Quem bom!” ou “Que lindo!” são assertivas, mas 
às vezes são ditas como de passagem, com pouco ênfase e escassa penetração, o qual as 
torna insuficientes. Quando seus filhos se comportam de modo adequado, você tem que 
estar atento para reforçá-los mediante o reconhecimento. 
 
 O reforçador demonstrará à criança que você aprova e aprecia seu melhor 
comportamento. Não aceite o melhoramento da conduta da criança como algo natural e 
compreendido e que, portanto, não requer um reconhecimento especial. Ao contrário, a 
demonstração de que você se alegra e aprecia o comportamento adequado (reforçador) 
comunicará à criança tanto o carinho como o sentido de justiça de um pai. 
 
 SEU FILHO NECESSITA DE SUA ATENÇÃO. SE NÃO A OBTÉM PORTANDO-SE 
DE FORMA DESEJÁVEL E POSITIVA, A BUSCARÁ PORTANDO-SE DE FORMA 
INDESEJÁVEL E NEGATIVA. O ELOGIO, NA PROPORÇÃO E MOMENTO ADEQUADOS, 
DEMONSTRA À CRIANÇA A ATENÇÃO E A PREOCUPAÇÃO PATERNAS E A AJUDA A 
MANTER-SE NO BOM CAMINHO. 
 
 O elogio 
 
 Os pais assertivos estão sempre atentos ao enorme impacto que podem ter seus 
elogios. Os utilizam não apenas para ajudar a fortalecer a auto-estima das crianças mas 
também para ensinar-lhes condutas apropriadas. 
 
 O elogio não deve ser impensado, mas medido, de acordo com o nível que se queira 
dar a esse reforçador. Não elogie excessivamente um êxito pequeno, mas tampouco seja 
modesto quando a criança deu um passo importante em melhorar sua conduta. 
 
 Se um filho melhorou um pouco suas notas no colégio, entretanto ainda não chegou 
ao nível requerido, não lhe diga: “Que maravilhoso, estão muito bem!” mas: “Melhorou 
bastante, mas ainda lhe falta um pouco. Um pouco mais de esforço e já conseguirá passar 
de ano”. 
 
 O elogio ou esforço é o reforçador positivo mais útil com que contamos. Esta utilidade 
se registra quando você lhe diz a um filho (sempre que as mereça) coisas como: 
 
 “Que bom que preparou sozinho todas suas coisas!”. 
 
 “Cumprimento-lhe pelo capricho com que fez seus deveres”. 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
57 
 “Obrigado pelo muito que me ajudou hoje em casa”. 
 
 Quando elogiar a seus filhos, lhe convém ter em conta os seguintes parâmetros: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Muitas vezes os pais não percebem a importância do 
 elogio e do incentivo quando os filhos se comportam 
adequadamente. É importante ter em conta que o 
 bom estado emocional das crianças requer que tenham 
confiança em si próprios. Para conseguir isto, o reconhecimento 
 dos pais ocupa um papel preponderante. 
 
 
 - Diga-lhes especificamente o que é que estão fazendo ou que fizeram que lhe 
agrada. 
 
 - Quando estiver elogiando, assegure-se de caminhar para eles ou de estar muito 
próximo, olhando-os nos olhos e, se for adequado, bater suavemente em seu ombro ou em 
sua cabeça para aumentar o impacto de sua mensagem. 
 
 - Quando elogiar a seus filhos evite o sarcasmo e toda outra forma de comentário 
negativo. A forma mais rápida de desentusiasmá-los é diluir os comentários positivos com 
outros como: 
 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
58 
 “Como limpou bem seu quarto hoje! Já era hora...”. 
 
 “Hoje se comportou tão bem, inacreditável”. 
 
 Este tipo de comentários são, na realidade, uma forma encoberta de hostilidade e 
fazem com que as crianças reajam com sentimentos de frustração para com seus pais. 
 
 O elogio é umas das ferramentas mais importantes que você pode usar para fazer 
saber a seus filhos que você está feliz com eles e que reconhece seu comportamento 
adequado. 
 
 O elogio pode ser reforçado, como explicamos a seguir. 
 
 - Primeiro: elogie seu filho por comportar-se bem. Por exemplo: 
 
 Mãe: “Me ajudou muito em casa hoje. Vamos contar ao papai quando chegar do 
trabalho, ficará muito contente”. 
 
 - Segundo: elogie seu filho diante de outro adulto: Por exemplo: 
 
 Mãe (falando ao pai na presença da criança): “Maria me simplificou muitoo trabalho 
da casa. Não imagina como me ajudou!”. 
 
 - Terceiro: o outro adulto agrada a criança, reforçando o elogio. Por exemplo: 
 
 Pai (a Maria): “Me alegra muito o que me conta mamãe. É realmente uma filha muito 
especial”. 
 
 Junto com os elogios verbais vão as ações não verbais: uma carícia, um abraço, 
podem significar tanto ou mais que o: “Que bom!”. 
 
 Um sorriso, um gesto, um toque no ombro, comunicam seu apoio e o reconhecimento 
de uma conduta apropriada de seu filho. 
 
 Dissemos neste capítulo que, quando seus filhos se comportam inapropriadamente, é 
necessário que você lhes comunique uma mensagem firme, clara e assertiva de que você 
quer que essa conduta se modifique. Sua mensagem deve estar equilibrada por elogios 
frequentes quando seus filhos fazem o mais apropriado. 
 
 Por exemplo: 
 
 Pai (olhando ao filho nos olhos): “Pedro, não é hora de olhar televisão. Quero que se 
apronte para o colégio agora mesmo!” (mensagem assertiva). 
 
 Pedro: “Apenas quero ver alguns minutos mais, já está terminando”. 
 
 Pai (calmamente): “Entendo-lhe, mas quero que esteja pronto para o colégio agora 
mesmo” (disco riscado). 
 
 Pedro: “Mas, papai, por favor...”. 
COMUNICAÇÃO EFETIVA 
59 
 Pai (serenamente): “Quero que esteja pronto para o colégio agora mesmo” (disco 
riscado). 
 
 Pedro: “Está bem, já lhe escutei, vou agora mesmo”. 
 
 Quando seus filhos fazem o que você se propôs, reconheça que estão atuando de 
forma conveniente e elogie-os: “Cumprimento-lhe pelo seu bom comportamento hoje” ou, 
“quanto me alegra que tenha chegado pontual à hora de jantar!”. 
 
 Reforce positivamente o elogio sempre que possa: 
 
 Pai: “Parabéns pelo ditado. Temos que mostrar para mamãe”. (Dirigindo-se à mãe): 
“Olhe que bem feito o ditado que José fez”. 
 
 Mãe (ao filho): “Estou orgulhosa, eu sei como é difícil não errar nenhuma palavra em 
um ditado”. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
61 
----------------------------------------------------- 6 ------------------------------------------------- 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
 
 Quando a comunicação assertiva descrita no capítulo 5 não dá o resultado que se 
busca e as crianças continuam comportando-se inadequadamente, apesar dos esforços dos 
pais por fazer-lhes entender o que querem que façam e como devem fazê-lo, chegou o 
momento de respaldar as palavras com atos. 
 
 Ao chegar a este passo, posterior à comunicação assertiva, é necessário que os pais: 
 
 - Estejam seguros de que o que exigem a seus filhos é o melhor para eles. Antes de 
tomar medidas de caráter disciplinário com as crianças, assegure-se que sua mensagem 
original, que foi desobedecida, era correta. Por exemplo, se você ordenou a seu filho que 
fizesse “os deveres de imediato”, deve estar seguro de que era impostergável ou 
conveniente que os realizasse nesse momento. Se realmente não era necessário exigir-lhe 
que os fizesse logo e podia realizá-los igualmente meia hora depois, permitindo-lhe, por 
exemplo, que terminasse de ver um programa de televisão, não agrave seu erro castigando-
o por não haver obedecido uma ordem que inicialmente não esteve bem fundamentada. 
 
 - Se você antecipa que sua ordem verbal inicial, mediante a comunicação assertiva, 
pode chegar a ser ignorada por seu filho, programe com antecedência as medidas que 
tomará nesse caso para respaldar com atos suas palavras que foram ignoradas. As medidas 
que você impor à criança terão sobre ela consequências positivas se lhe fazem 
compreender seu erro, ou negativas se sua mensagem não penetra e continua sem 
entender a razão das ações paternas. 
 
 POR ESTE MOTIVO, NÃO IMPROVISE. SE ANTEVÊ QUE SUA INSTRUÇÃO ORAL 
ASSERTIVA PODE CHEGAR A SER DESOBEDECIDA, PROGRAME 
ANTECIPADAMENTE COMO A RESPALDARÁ COM ATOS, ESTABELECENDO AS 
MEDIDAS CORRETIVAS QUE APLICARÁ E QUE DEVEM SER PROPORCIONAIS À 
FALTA PARA QUE TENHAM MAIORES POSSIBILIDADES DE UTILIDADE EFETIVA 
PARA A CRIANÇA. 
 
 
 Para cumprir este objetivo há três táticas que se deve ter em conta, complementárias 
entre si, para assegurar os melhores resultados: 
 
 Usar ações disciplinárias. 
 
 Agir assertivamente quando seus filhos o colocam a prova. 
 
 Reforçá-los positivamente, através de diferentes formas de incentivo ou 
recompensa, quando se comportam de maneira adequada. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
62 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É muito importante que os pais tenham tempo para 
 conversar sobre os filhos e determinar com antecedência como 
vão respaldar suas palavras com ações que assegurem o 
bom comportamento. Quanto mais se preparem, terão mais 
segurança, confiança e firmeza. 
 
 
 
 6.1 AÇÕES DISCIPLINÁRIAS 
 
 Quando você completou a comunicação assertiva sobre o que quer que façam, tem 
que preparar-se para o passo seguinte no caso de que não obedeçam suas instruções e 
decidir o que fará se não o escutam e não lhe dão importância. 
 
 Determine com antecedência como vai respaldar suas palavras com ações para 
assegurar-se que seus filhos sigam o comportamento adequado. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
63 
 Por exemplo: 
 
 Mandá-los-ia a seu quarto por um determinado período de tempo? 
 
 Tirar-lhes-ia o privilégio de jogar futebol ou brincar com suas bonecas? 
 
 Deixá-los-ia sem sair o fim de semana? 
 
 A chave é adiantar-se, sem esperar que seus filhos ignorem sua mensagem e 
reiterem sua conduta improcedente, para decidir então como vai atuar. 
 
 Se educar é dirigir, dirige melhor quem vai adiante, não atrás, dos acontecimentos. 
 
 Quanto mais preparados estejam de antemão os pais, para respaldar suas palavras 
com atos, mais ajudarão seus filhos a que terminem com suas condutas inadequadas. 
 
 As medidas disciplinarias devem consistir em algo que não lhes agrade, mas que não 
os prejudique nem física nem psicologicamente. 
 
 Os seguintes parâmetros o ajudarão a determinar rapidamente as medidas que pode 
usar se seus filhos não o escutam. 
 
 Isolamento 
 
 Separá-lo de você e de outras pessoas e colocá-lo em uma situação pouco 
estimulante ou aborrecedora, tal como estar sentado ou parado em um lugar pouco atraente 
da casa, ficar em seu dormitório ou sentar-se em um pátio. 
 
 Se tem que impor uma medida disciplinaria simultaneamente a mais de um filho, é 
preferível que a cumpram separadamente em lugares diferentes. 
 
 Quando a penitência incluir um determinado período de tempo, marque-o com um 
relógio à vista da criança, para que este saiba quando termina o castigo que você lhe impôs. 
 
 É importante assegurar-se que o castigo seja algo que lhe desagrade. Se você 
percebe que seu filho não se importa de ficar dentro de seu quarto, mude o castigo por outra 
que lhe importe: não ver televisão, não usar o telefone, retirar-lhe um brinquedo. 
 
 Retirada de privilégios 
 
 Significa a retirara temporária de atividades prazeirosas habituais que podiam realizar 
até então: comer fora de hora, brincar na rua, ver televisão, falar ao telefone. 
 
 Condicionar condutas agradáveis 
 
 Assegure-se de que cumpram com o que você deseja antes que eles sejam 
autorizados a fazer o que querem. 
 
 Por exemplo: 
 
 “Não poderá sair para brincar com seus amigos enquanto não tiver ordenado todo seu 
quarto”. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
64 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Retirada de privilégios 
 
Significa a retirada temporária de atividades prazeirosas 
 habituais que podiam realizar até então. É uma forma 
 prática de que aprendam a ser responsáveis por seus atos, 
ao mesmo tempo que captam a bondade ou maldade dos mesmos. 
 
 
 
 Colocar de castigo 
 
 É restringi-los a um lugar da casa, permanecendo dentro desta ou em seu quarto 
durante um determinado período de tempo. 
 
 
 Ação física 
 
 Significa dirigir fisicamente seus pequenos para que façam o que você considera mais 
conveniente. Como pegá-lo pelo braço – suavemente, mas com firmeza– e conduzi-lo ao 
lugar onde deixou jogado um brinquedo para que o recolha. 
 
 A ação física deve ser firme, mas suave, evitando cair no ato agressivo do golpe, da 
zombaria ou qualquer forma de violência. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
65 
 Deve existir uma proporção lógica entre a conduta inapropriada e a medida 
disciplinária. 
 
 É conveniente apresentar as medidas disciplinárias como uma escolha das crianças, 
dando-lhes a opção de encerrar sua má conduta ou enfrentar o castigo que essa conduta 
inapropriada requer. Isto forma parte da atitude paterna de apoiar as palavras com atos. 
 
 
Conduta problema 
 
 
Consequência lógica 
Habitualmente, sua filha de doze anos coloca 
música com volume excessivo no aparelho 
de som de seu quarto. 
 
Tirar-lhe o aparelho de som do quarto 
durante três dias. 
Sua filha de nove anos quebra de propósito 
um brinquedo de seu irmão. 
Pegar dinheiro de suas economias para 
trocar a peça. Retirar-lhe seu próprio 
brinquedo semelhante e dar ao irmão. 
 
Seu filho de seis anos deliberadamente 
esparrama água no piso quando toma banho. 
 
Fazer-lhe secar o piso. 
 
 Podem escolher portar-se bem ou pagar o preço de sua conduta improcedente. 
 
 Por exemplo: 
 
 Pai: “Alberto, não posso permitir que incomode seu irmão na mesa. Se voltar a fazê-lo 
outra vez, irá para seu quarto. A escolha é sua”. 
 
 Alberto: “Está bem” (mas começa gradualmente a incomodar de novo seu irmão). 
 
 Pai: “Alberto, você voltou a incomodar a seu irmão, isto significa que escolheu ir par 
seu quarto sem a sobremesa”. 
 
 Quando você faz com que seus filhos escolham um conduta disciplinada ou não, está 
obrigando-os assertivamente a assumir a responsabilidade de sua própria decisão. No 
exemplo precedente, a criança escolhe continuar incomodando seu irmão após a 
advertência da ação disciplinária. Portanto, é a criança quem escolheu a opção de ir para 
seu quarto. 
 
 Quando você dá a seus filhos possibilidade de escolha, está dando-lhes a 
oportunidade de aprender as consequências naturais de suas ações e os ajuda a aprender 
que são responsáveis por suas condutas e pelas consequências das mesmas. 
 
 A medida disciplinária deve ser executada o mais breve possível, pois se demora dilui 
seu efeito corretivo. Quando seus filhos não o escutam, deve comunicar-lhes imediatamente 
a conduta disciplinária e fazer com que se cumpra. 
 
 Por exemplo: 
 
 Mãe: “Pedro, não é hora de jogar futebol, é hora de arrumar seus brinquedos”. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
66 
 Pedro: “Mamãe, deixe-me jogar”. 
 
 Mãe: “Pedro, já sabe a regra: não há futebol se antes não arrumar seus brinquedos”. 
 
 Sob à conveniência de que a ação disciplinária seja cumprida o mais breve possível, 
há casos em que é preferível adiá-la para poder aplicá-la sobre algo que seu filho planeja 
fazer mais tarde, ou no dia seguinte. 
 
 Por exemplo: 
 
 Maria (volta a chegar tarde sem ter avisado a seus pais): “Olá, papai”. 
 
 Pai (se senta com a filha): “Maria, disse-lhe que não me agrada que saia sem avisar-
nos aonde vai. Disse-lhe que se tornasse a fazer, você estaria escolhendo ficar de castigo”. 
 
 Maria: “Mas, papai, perdoe-me”. 
 
 Pai: “Nada de poréns. Sua mãe e eu temos que saber aonde vai. Lamento que não 
tenha me escutado. Você escolheu ficar de castigo, portanto amanhã não irá à festa de 
aniversário de sua amiga.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A ação física que acompanha as palavras com atos, 
dever ser firme e suave, evitando cair na ação 
 agressiva do golpe, da zombaria ou qualquer forma de 
 violência. Os pais têm o direito e o dever de atuar 
desta maneira, transmitindo uma personalidade firme que 
será ponto de apoio para o crescimento dos filhos. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
67 
 Utilize a medida disciplinária cada vez que seu filho escolher comportar-se 
inadequadamente. 
 
 A constância é essencial para demonstrar às crianças que você respalda as palavras 
com atos em todos os casos em que se faz necessário. 
 
 Nenhuma medida funcionará a menos que seus filhos saibam com clareza e certeza 
que ante cada conduta imprópria produzir-se-á sempre uma consequência. 
 
 Por exemplo: 
 
 Pai (ao filho que incomoda continuamente quando a família está conversando): “José, 
está irritando todos nós. Como já avisei, com sua má conduta você mesmo escolheu ficar 
em seu quarto até que se acalme”. 
 
 A criança vai a seu quarto, regressa após alguns minutos e continua incomodando. 
 
 Pai: “José, não posso permitir que incomode desta forma enquanto estamos falando. 
Cada vez que não puder controlar-se, estará escolhendo ir para o seu quarto. Por favor, vá e 
fique em seu quarto quinze minutos”. 
 
 Considere a medida disciplinária como um acordo pré-estabelecido em bons termos. 
 
 Por essa tendência interior desintegradora e anti-social que temos todos, as crianças 
passam por etapas de más condutas como: a mentira, o insulto, a falta de respeito, etc. 
Estas podem estar dirigidas com especial agressividade contra os pais, por serem eles seus 
principais educadores. 
 
 Para que este comportamento se modifique é essencial que os pais se mantenham 
sempre calmos. Perder a compostura é reduzir a eficácia de toda a ação educativa paterna. 
 
 Por exemplo: 
 
 Filho (irritado): “Não quero escutá-lo!”. 
 
 Pai (de maneira calma e firme): “Disse-lhe que não posso permitir que fale assim 
comigo. Escolheu ficar em seu quarto até que resolva falar-me de boa maneira. Vá para seu 
quarto agora mesmo!”. 
 
 
 Nunca suspenda uma medida disciplinária 
 
 Se a medida não funciona, mude-a por outra, mas nunca deixe sem efeito a ação 
disciplinária. Se o faz, seu filho nunca acreditará que você fala a sério. 
 
 Algumas das medidas que recomendamos nem sempre são eficazes com todas as 
crianças, por mais coerentemente que sejam aplicadas. 
 
 Se você usou uma medida disciplinária de maneira adequada, mas percebe que o 
comportamento de seu filho não melhora, experimente outra. 
 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
68 
 Por exemplo: 
 
 Pai: “Manuel, quero que brinque sem fazer barulho, porque não nos deixa ouvir 
música”. 
 
 Manuel: “Está bem, papai” (depois de alguns minutos começa a disparar sua 
barulhenta metralhadora de plástico). 
 
 Pai: “Manuel, essa pistola faz muito barulho. Por favor dê-me isso”. 
 
 Manuel: “Está bem papai, toma a pistola” (começa a brincar com um instrumento 
musical que novamente distrai toda a família). 
 
 Pai: “Manuel, esse instrumento faz muito barulho. Disse-lhe que queremos escutar 
música e que tem que brincar em silêncio. Dê-me isso agora mesmo”. 
 
 Apesar de que os pais fossem conseqüentes e lhe tiraram os brinquedos ruidosos, 
Manuel continuou impedindo-lhes de escutar música. 
 
 Será então necessário para os pais recorrer a uma medida disciplinária diferente 
como, por exemplo: 
 
 Pai: “Manuel, pode escolher: ou brinca em silêncio se quiser ficar aqui conosco ou vá 
brincar em seu quarto”. 
 
 Perdoar e esquecer 
 
 Uma vez que seu filho recebeu a medida disciplinária que ele mesmo escolheu, o 
assunto fica encerrado. 
 
 Não acumule rancor ou ressentimento recordando-lhe, em ocasiões posteriores, seu 
mau comportamento anterior. 
 
 Cada situação é nova. Em vez de recordar-lhe sua má conduta anterior, manifeste 
sua confiança na capacidade da criança para melhorá-la de agora em diante. 
 
 Por exemplo: 
 
 Pai (entrando no quarto de seu filho): “Já passou a meia hora e acabou-se o castigo. 
Não me agrada trancar-lhe em seu quarto, mas tenho a obrigação de ajudar-lhe a aprender 
como deve comportar-se”. 
 
 Filho: “Já sei, mas me agrada fazer o que eu tenho vontade”. 
 
 Pai: “Entendo-lhe, mas estou seguro que vai aprender. Não se esqueça que eu 
sempre vou estar aqui para ajudá-lo”. 
 
 6.2 QUANDO SEUS FILHOS O PÕEM A PROVA 
 
 Quando estiver educando seus filhos com medidas disciplinárias por sua conduta 
inapropriada, seja prudente evigilante, porque de modo frequente o colocarão a prova para 
ver se realmente fala a sério. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
69 
 Muitas vezes, põem a prova a decisão disciplinária dos pais chorando, sendo 
desafiantes ou tateando até onde podem chegar. 
 
 Êxito do filho com o choro 
 
 Pai (observando como seu filho, que levou ao parque, bate pela segunda vez em 
outra criança): “Rafael, lhe disse que se voltasse a bater-lhe iria para casa, portanto, venha 
já!”. 
 
 Filho (começa a chorar de imediato): “Papai, perdoe-me, não voltarei a fazer, mas 
deixe-me ficar”. 
 
 Pai (preocupado pelo choro cada vez mais intenso de seu filho): “Rafael, acalme-se e 
pare de chorar, não é para tanto”. 
 
 Filho (continua chorando): “Mas quero ficar aqui”. 
 
 Pai: “Está bem, mas deixa de chorar, não posso agüentá-lo”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com frequência as crianças põem a prova a decisão 
 disciplinária dos pais, sendo desafiantes ou 
 verificando até onde podem chegar. Isto é normal, e 
lidar tranquilamente com esses momentos, levará a que os 
 filhos sejam no dia de amanhã pessoas livres e 
responsáveis. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
70 
 Êxito do filho com o desafio: 
 
 Filha (irritada): “Nem pense que vou lavar louça essa noite”. 
 
 Mãe: “Cecília, disse-lhe que se não me ajudasse, ficaria em seu quarto por meia hora, 
portanto vá já e fique lá”. 
 
 Filha (furiosa): “Não vou!”. 
 
 Mãe: “Pois digo que irá!”. 
 
 A mãe leva a sua filha ao quarto, de onde a menina sai cinco minutos mais tarde. 
 
 Filha: “Não vou ficar em meu quarto, não aguento!”. 
 
 Mãe (tensa): “Como não? Disse-lhe que ficasse em seu quarto. Estou farta de suas 
encenações!”. 
 
 Filha (gritando): “Você começou tudo, sempre implica comigo!”. 
 
 Mãe (em gesto de derrota): “Deixe-me sozinha, não aguento mais. Nunca liga para o 
que eu digo”. 
 
 Os pais que cedem quando são postos a prova por seus filhos, estão ensinando-lhes 
a seguinte lição inassertiva: 
 
 
 SE VOCÊ SE IRRITAR OU PROTESTAR O SUFICIENTE, CONSEGUIRÁ O QUE 
 QUER. 
 
 Aprendem, portanto, a utilizar variadas formas de sondagem para conseguir o que 
querem, seja chorando ou repetindo incansavelmente a conduta indesejada, discutindo com 
raciocínios de aparência lógica, brigando ou desafiando porque estão seguros que, como já 
ocorreu no passado, os pais finalmente vão ceder. 
 
 Para manter-se firme quando o põem a prova e cumprir melhor sua função de ajuda 
educativa, você necessita responder assertivamente. 
 
 Nos dois exemplos anteriores, os pais foram postos a prova por seus filhos e 
fracassaram nessa prova. Para que o manejo paterno de ambas situações fosse assertivo, e 
conseqüentemente útil em sua formação, o desenvolvimento de cada caso deveria ter sido o 
seguinte: 
 
 Pai (observando como seu filho, que levou ao parque, bate pela segunda vez em 
outra criança): “Rafael, disse-lhe que se voltasse a bater-lhe iria para casa, portanto, venha 
já!”. 
 
 Filho (começa a chorar de imediato): “Papai, perdoe-me, não voltarei a fazer, mas 
deixe-me ficar”. 
 
 Pai (calmamente): “Rafael, entendo que queira ficar, mas voltou a brigar, portanto irá 
para casa” (disco riscado). 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
71 
 Filho (continua chorando): “Mas quero ficar aqui”. 
 
 Pai (pega-o firmemente por um braço e começa a levá-lo): “Rafael, entendo que lhe 
afete, mas voltou a fazer o que não devia, portanto irá para casa” (disco riscado). 
 
 Filho (com choro histérico, se joga na grama): “Não, não vou!”. 
 
 Pai: (suspende fortemente ao filho): “Rafael, vamos para casa, ainda que eu tenha 
que arrastá-lo!”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ceder ante as pressões, caprichos ou mal-humores dos filhos 
 é transmitir-lhes a mensagem de que não se pode com eles, 
fazendo-lhes o fraco serviço de deixá-los à deriva de seus 
 impulsos temperamentais, sem fazer-lhes ver que uma sólida 
personalidade se constrói lutando por adquirir virtudes. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
72 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Manter a calma sem perder a compostura ante os 
caprichos dos filhos multiplica a eficácia da educação ao 
mesmo tempo que lhes transmite um exemplo atraente de personalidade 
 que lhes servirá para toda a vida. 
 
 
 
 No outro caso: 
 
 Filha (irritada): “Nem pense que vou lavar a louça esta noite!”. 
 
 Mãe (calmamente): “Cecília, disse-lhe que se não me ajudasse, iria para o seu quarto 
por meia hora, portanto vá já e fique lá”. 
 
 Filha (furiosa e desafiante): Não vou!”. 
 
 Mãe (calmamente): “Pois digo que irá!”. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
73 
 A mãe leva a sua filha ao quarto, de onde a menina sai cinco minutos depois. 
 
 Filha: “Não vou ficar em meu quarto, não agüento”. 
 
 Mãe (levando-a com firmeza novamente a seu quarto): “Se voltar a sair ficará uma 
hora, o dobro do tempo”. 
 
 Filha (irritada, volta a sair de seu quarto quase em seguida): “Não vou ficar!”. 
 
 Mãe (olhando-a nos olhos e marcando bem cada palavra): “Cecília, vai ficar em seu 
quarto uma hora. Se voltar a sair antes de uma hora, ficará duas horas. Sou eu quem 
manda, não você”. 
 
 O comportamento paterno não-assertivo nos primeiros exemplos e assertivo nos dois 
segundos determinam a diferença entre o fracasso e o êxito em seu exercício da autoridade, 
que é essencial para a formação dos filhos. 
 
 Quando seus filhos o põem a prova, faça-os saber que você está resolvido a manter-
se firme. “Vá para seu quarto”, “não se mova daí” ou “não me importa quando chore” são 
formas assertivas de dar uma ordem. 
 
 Frente aos argumentos ou encenações que utilizam para colocá-lo a prova, 
mantenha-se calmo, fale de forma enfática e decidida, marcando bem suas palavras. Se 
continuam discutindo, utilize o “disco riscado” e as demais técnicas que explicamos no 
capítulo 5. 
 
 “Existe outro tipo de prova com a qual as crianças tentarão manipulá-lo quando você 
marca limites. Diferente dos exemplos anteriores, esta prova difere em que tem menos carga 
emocional, apesar de que é, em muitos sentidos, a mais difícil de ser manejada por parte 
dos pais. 
 
 Esta prova que as crianças submetem aos pais é conhecida como: 
 
 Não me importo, para mim tanto faz...” 
 
 As crianças utilizam esta manipulação da seguinte maneira: você lhe diz como deve 
comportar-se e qual será o castigo se não o fizer, ante o qual, em vez de irritar-se, chorar ou 
argumentar, seu filho lhe responde: “Não me importo, para mim tanto faz...” 
 
 Uma resposta assim é difícil de manejar, já que você provavelmente está acostumado 
a que a reação de seus filhos seja de medo, desconcerto ou protesto quando lhes impõe 
uma penitência. 
 
 Esta resposta de indiferença pode deixá-lo desconcertado e você perguntará a si 
próprio: “Que vou fazer? Nada funciona com esta criança”. 
 
 Mas não é assim. Os que utilizam o “não me importo...” estão manipulando, porque 
perceberam que este tipo de resposta habitualmente deixa perplexos aos pais. 
 
 As crianças do “não me importo...” não requerem uma resposta tipo “disco riscado” 
mas necessitam que você atue de acordo ao exemplo seguinte: 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
74 
 Mãe: “Beatriz, tem que fazer os deveres. Não pode falar pelo telefone nem ver 
televisão até que os tenha terminado”. 
 
 Filha: “E daí? E o que eu tenho com isso? 
 
 Mãe: “A escolha é sua. Se não se importa, então hoje não haverá nem televisão nem 
telefone”. 
 
 Filha: “Mas esta noite passa o programa que mais me agrada...!”. 
 
 Mãe: “Mas você disse que não se importa. De todas maneiras a escolha é sua 
escolha. Se quer ver o programa, primeiro termina os deveres”. 
 
 Filha: “Bom, está bem, já os faço”. 
 
 Mãe: “Me alegra sua escolha, meu amor”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As crianças que utilizam o “não me importo”, estão 
manipulando, porque em suaastúcia infantil perceberam 
que os pais se descontrolam facilmente, e este tipo de 
resposta habitualmente os deixa perplexos. As pessoas que 
mais se importam com os castigos, prêmios ou retirada de 
privilégios, são as crianças. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
75 
 São poucas as crianças às quais realmente não lhes importe que os deixem sem 
televisão, telefone, videogames ou seus brinquedos preferidos. 
 
 Se para você realmente lhe importa o tema, a ele também importará. 
 
 Se você está disposto a usar todos os meios apropriados e necessários para influir 
positivamente em seus filhos a fim de que eliminem seu comportamento prejudicial, eles 
perceberão sua determinação e começarão a preocupar-se pelas consequências que 
enfrentarão se escolhem atuar inapropriadamente. 
 
 As vezes recorrerá ao “não me importo...” ante a ameaça de um castigo impraticável. 
Previna esta situação evitando anunciar-lhe um castigo que não poderá impor-lhe, pois do 
contrário você fica confuso e sua autoridade se enfraquece. 
 
 Por exemplo, uma mãe exasperada porque seu filho demora para entrar no carro 
quando foi buscá-lo no clube e continuava falando com seus amigos, gritou-lhe: “Alberto, se 
não se apressar e entrar de uma vez irá andando para casa”. 
 
 Quando lhe disse desafiantemente “tubo bem, não me importo...”, a mãe ficou sem 
argumento porque não podia cumprir sua advertência de enviá-lo a pé para casa, era muito 
longe. Isto é um claro exemplo do que não deve ser feito. 
 
 NUNCA ANUNCIE UM CASTIGO OU PENITÊNCIA QUE NÃO PODERÁ SER 
 CUMPRIDO. 
 
 Não repita muitas vezes o mesmo castigo, pois cada vez surtirá menos efeito. 
Quando um castigo se repete e continua sem produzir o efeito corretivo buscado, é 
preferível impor outro mais severo. 
 
 O sentido comum ditará aos pais quantas vezes convém repetir o mesmo castigo ou 
uma das técnicas corretivas aqui descritas. Desta maneira, os pais têm que se ajudar 
bastante, atuando em equipe, intervindo um e a seguir o outro, evitando o desgaste e 
controlando a eficácia das medidas. Este trabalho em equipe estimula aos pais para que 
arrumem o tempo necessário para conversar entre eles sobre os temas educacionais que 
estão utilizando. 
 
 6.3 REFORÇÁ-LOS POSITIVAMENTE 
 
 É importantíssimo planejar o que fará quando seus filhos não o escutam e também 
planificar como agirá quando lhe dão importância e reagem favoravelmente. 
 
 No capítulo anterior destacamos a importância do elogio para incentivar o bom 
comportamento de seus filhos. 
 
 Mas com alguns, especialmente os menores, apenas o elogio pode não ser suficiente 
para motivá-los a uma rápida e contínua melhora de seu comportamento. 
 
 Com estes é recomendável mudar o elogio por motivações mais tangíveis, como 
privilégios ou prêmios especiais. Vejam os exemplos seguintes como referência: 
 
 - Privilégios especiais: “João, esteve tão bem brincando com tranqüilidade e sem 
incomodar, que pode ficar acordado por mais uma hora”. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
76 
 - Prêmios especiais: “Rosana, ajudou-me tanto com a mesa e a cozinha, que convido-
lhe a tomar um sorvete”. 
 
 Muitos pais se negam a premiar seus filhos de outra forma que não seja com o elogio 
por medo de que se habituem ao esquema de comportar-se bem apenas quando recebem 
alguma recompensa palpável. 
 
 Por exemplo: 
 
 “Não arrumarei o quarto até que prometa ler-me a história”. 
 
 “ O que me dará se lavar os pratos?”. 
 
 Este risco não existe se quando recorre aos prêmios você mantém presente que é 
precisamente você quem exerce a autoridade e toma as decisões. 
 
 Se quer deixar que seus filhos escolham os prêmios que receberão pelos 
comportamentos convenientes, estabeleça as coisas entre as quais podem escolher. 
 
 Se tentam estorqui-lo com respeito aos prêmios, com ameaças e mau 
comportamento, não o tolere. 
 
 Não aceite jamais condições nem ameaças. 
 
 Você é quem toma as decisões. 
 
 A concessão de um prêmio adequado e bem escolhido pelos pais, sem submeter-se à 
pressão extorsiva da criança mas outorgado pela autoridade decisória paterna, constitui uma 
resposta com reforçadores positivos. 
 
 Sua resposta deve consistir em algo que as crianças desejem. 
 
 Pergunte-se o que seu filho gostaria de ganhar como prêmio. 
 
 Como resposta que o motive a continuar com seu bom comportamento, o prêmio 
deve ser algo que necessite ou deseje. Alguns se esforçarão muito por receber seu prêmio 
que – além de objetos – pode ser: compartilhar atividades com você como ir ao futebol ou ao 
cinema, ou assistir um vídeo ou ficar acordados até mais tarde. 
 
 Quando utilizar prêmios, reforce o bom comportamento de seus filhos outorgando-os 
de imediato. 
 
 Pode haver casos em que o prêmio seja concedido algum tempo depois como: “te 
levarei ao futebol comigo no domingo”, mas o anúncio, ou seja, a concessão do prêmio, 
deve ser feito logo em seguida do bom comportamento. 
 
 O prêmio imediato aumenta o impacto da ação positiva do pai... 
 
 Elogio 
 
 Filho (termina seus deveres rapidamente e sem necessidade de que o tenham 
ordenado): “Mamãe, já terminei os deveres”. 
 
 Mãe: “Muito bem, Augusto, parabéns. Me dá uma grande alegria”. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
77 
 Privilégio especial 
 
 Filho (sem ter sido mandado, veste o pijama, arruma a roupa que tirou, lava as mãos 
e escova os dentes): “Papai, já estou pronto para ir deitar”. 
 
 Pai: “Jorge, está muito bem que tenha feito tudo sem que tivesse que lembrá-lo. O 
que acha de eu lhe contar uma história?”. 
 
 Para a maioria das crianças, o “tempo especial” dedicado a algo que lhes produza 
prazer como: brincar ou que leiam uma história, é o melhor privilégio que se lhes pode 
outorgar. Utilize este recurso como reforçador sempre que puder. 
 
 
 Prêmio especial 
 
 Mãe (depois de um jantar tranquilo, durante o qual seus filhos não discutiram): “Se 
portaram tão bem que podem pedir sua sobremesa favorita esta noite”. 
 
 Reiteramos a importância de que o elogio, o privilégio ou o prêmio devem seguir 
sempre que possível de forma imediata ao bom comportamento. 
 
 Muitos pais elogiam seus filhos de noite por sua boa conduta na manhã ou lhes 
permitem uma saída extra porque se portaram bem durante a semana. 
 
 Os pais cometem muitas vezes o erro de oferecer prêmios a longo prazo. Não é 
produtivo, por exemplo, oferecer a uma criança de sete anos um bicicleta nova para o 
próximo verão ou prometer-lhe um brinquedo determinado para o Natal quando ainda faltam 
vários meses. 
 
 Você deve reforçar positiva e constantemente a seus filhos quando têm um 
comportamento apropriado. Elogiá-los, privilegiá-los ou premiá-los apenas uma a duas 
vezes não produzirá os bons resultados que se buscam. 
 
 Para obter estes resultados, deverá elogiá-los, privilegiá-los ou premiá-los 
sucessivamente durante vários dias ou ainda mais tempo, dependendo de cada um e de seu 
comportamento. 
 
 Por exemplo: 
 
 - Os pais elogiaram sua filha de quatro anos cada vez que se vestiu sozinha 
 durante toda uma semana. 
 
 - Os pais elogiaram seu filho de oito anos cada vez que brincou amigavelmente 
 com sua irmãzinha menor e o premiaram cada dia durante oito dias permitindo-
 lhe escolher sua sobremesa favorita. 
 
 - Os pais elogiaram seu filho de doze anos todas as noites durante duas 
 semanas por fazer os deveres bem e por iniciativa própria, premiando-o ao final 
 desse período com uma pequena soma de dinheiro para ir aos jogos do parque 
 de diversões. 
 
 Quanto mais positivo você for com seus filhos, menos terá que marcar os limites. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
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Para que os prêmios sejam formativos devem ser escolhidos 
 pelos pais. Se reforça ao bom comportamento dos 
 filhos outorgando-os de imediato, ao mesmo tempo que se lhes faz 
 ver as consequências boas dos atos que realizam bem. 
 
 
 
 Nestecapítulo dissemos que quando você fala assertivamente, não sendo suficiente, 
deverá decidir rapidamente como respaldar suas palavras com atos. E quando seus filhos 
começam a portar-se devidamente, esteja alerta para reforçá-los positivamente mediante 
elogios, privilégios ou prêmios. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
79 
 Por exemplo: 
 
 Pai (olhando à criança aos olhos): “Tomás, já lhe disse duas vezes que não permito 
que seja grosseiro com seus amigos. Ou os trata bem, como se trata aos amigos, ou irão 
para suas casas”. 
 
 Filho (incomodado): “Não quero que vão embora, eu não estou fazendo nada!”. 
 
 (A criança se distancia irritada e dez minutos depois começa a chamar seus amigos 
com nomes debochantes). 
 
 Pai: “Tomás, está incomodando seus amigos. Escolheu que fossem para suas casas. 
Estou seguro que amanhã brincará melhor com eles. 
 
 (No dia seguinte o pai observa Tomás brincando amigavelmente com as outras 
crianças que vieram em sua casa). 
 
 Pai: “Tomás, é assim como devem brincar os amigos, sem deboches nem brigas. Que 
tal se comprarmos um sorvete para cada um?”. 
 
 Como resumo da necessidade de respaldar as palavras com atos, tenha em conta 
estes pontos: 
 
 - São os pais que devem determinar limites equilibrados, mas firmes, quando se trata 
de disciplinar aos filhos e quando corresponde elogiá-los ou premiá-los. 
 
 - Planeje sempre a forma em que respaldará suas palavras com atos em caso de ser 
necessário. Quando disser a seus filhos o que você espera deles, pergunte-se em seguida: 
O que farei se não me escutam nem me dão importância? Do contrário, sua reação à 
desobediência corre o risco de ser tão imediata e irreflexiva quanto inconveniente. 
 
 - Decida uma medida disciplinária eficaz. 
 
 - Ponha sobre a criança a responsabilidade de enfrentar as consequências de suas 
ações: se faz tal coisa, será disciplinado com tal medida. 
 
 - Seja consequente. Cada vez que a criança se comporta em forma inapropriada, leve 
adiante a consequência programada por você, sem voltar atrás, sempre que esteja seguro 
de que está fazendo o correto. 
 
 - Perdoe e esqueça: logo que a criança se disciplinou, o assunto está encerrado. 
 
 - Para as crianças é muito importante o contato corporal. Utilize-o. Tanto se aplica a 
uma repreensão (por exemplo, quando o “encaminha” suave, mas firmemente, pelos 
ombros) como quando os reforça positivamente (por exemplo: abrace, acaricie, bata 
palmas). 
 
 - Programe o reforço positivo. Quando a criança o escuta e cumpre, recorra ao elogio, 
ao privilégio ou ao prêmio proporcional ao bom comportamento de seu filho. 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
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Há que aprender a virar a página e não ser reiterativos: Uma 
 vez que seu filho cumpriu o castigo segundo o 
estabelecido, o assunto está encerrado. Assim se transmite a 
ordem de que na vida se deve começar e recomeçar sempre, sem desanimar 
até atingir o que queremos. 
 
 
 
 DOIS OBSTÁCULOS A ENFRENTAR 
 
 Quando ambos os pais trabalham, muitas vezes falta tempo para poder refletir sobre 
as condutas dos filhos. Frequentemente o cansaço dos pais interfere negativamente. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
81 
 É comum que as mãe reclamem uma atitude mais ativa por parte de seus maridos, 
aos quais, por sua vez, chegam às vezes em casa fatigados por uma jornada complicada e 
ansiando um tempo de descanso, ou com vontade de ver o noticiário da televisão sem que 
os incomodem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Nestes casos, é importante evitar o confronto entre os cônjuges, que prejudica sua 
função de educadores. Se requer, ao contrário, compreensão carinhosa e paciente da 
mulher, proporcionando a seu marido um momento de relaxamento e tranqüilidade para a 
seguir animá-lo a colaborar no manejo dos problemas com os filhos. 
 
 Para tudo referente à educação das crianças, a mulher tem uma capacidade maior de 
tolerância à pressão dos problemas e uma intuição superior porque está 
temperamentalmente preparada para isso. Seu principal estímulo para ação é o afeto, 
enquanto que, em geral, os homens tendem mais ao exercício do raciocínio. 
 
 Ao homem é mais difícil, por isso necessita de certo período preparatório desde que 
chega em casa; porque sabe que os problemas dos filhos, que compartilhará com sua 
mulher, exigem um enfoque radicalmente diferente do que utilizou durante o dia no centro 
cirúrgico onde operava, ou no escritório, ou na fábrica. 
 
RESPALDAR AS PALAVRAS COM ATOS 
82 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Estas situações não ocorrem sempre, mas a experiência nos mostrou que se 
apresentam na maioria das famílias. 
 
 Outro obstáculo a superar é que freqüentemente os pais, que vêem pouco a seus 
filhos, pensam erroneamente que, se durante o tempo que estão com eles se dedicam a 
corrigi-los, as crianças terminarão perdendo-lhes o carinho. E não é assim. Eles necessitam 
ser corrigidos em suas condutas inapropriadas e estimulados nos hábitos bons, 
especialmente por aqueles que mais os querem e que são seus principais educadores. 
 
ESTABELECER AS REGRAS DO JOGO 
83 
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ESTABELECER AS REGRAS DO JOGO 
 
 Reunir-se com seus filhos para estabelecer as regras complementa o 
desenvolvimento de um plano sistemático da EP e o manejo de situações desbordantes que 
encaramos neste capítulo. Este é um passo de máxima importância, porque lança aos filhos 
para o futuro, para como terá que ser no dia de amanhã sua conduta de adultos, porque é 
uma maneira prática de ensinar-lhes desde o início que apenas eles e ninguém além deles 
serão os responsáveis pelas consequências de seus atos. 
 
 Hoje em dia, por uma “sociologização” do homem, se tende a responsabilizar às 
estruturas sociais de nossos males, deixando a responsabilidade individual totalmente em 
segundo plano. 
 
 Ao estabelecer junto com eles as regras de jogo para suas condutas, tanto dentro de 
casa como fora dela, se lhes está estabelecendo o germe da responsabilidade própria, 
intransferível, de seus atos. Se lhes transmite a idéia de que nosso atos são um 
prolongamento do eu que todos temos dentro; que são “meus”, que são manifestação de 
minha personalidade e que para tê-la devo ater-me às consequências de meus atos. Por 
outra parte, ao estabelecer as regras de jogo e suas consequências, se lhes está ensinando 
o exercício do livre-arbítrio e a descobrir a voz da consciência. 
 
 Ao chegar o momento de colocar seu plano em ação, o primeiro passo é reunir-se 
com seus filhos e colocar claramente sobre a mesa o que você quer e as consequências se 
não cumprem. Deverá ser uma conversa séria na qual o pai e a mãe reafirmarão sua 
autoridade com relação ao comportamento indesejado. 
 
 Exija a seu filho uma mudança de conduta e transmita-lhe a seguinte mensagem: “De 
nenhuma maneira permitirei que brigue com seu irmão (especifique sempre a conduta que 
quer melhorar para que a criança saiba com precisão o que se espera dela). Te amo muito 
para tolerar que faça coisas indesejáveis e que prejudicarão a você e a toda família”. 
 
 Parâmetros para uma reunião sobre estabelecimento das regras de jogo: 
 
 - Para aumentar a probabilidade de que seu filho o escute, reúna-se com ele quando 
ambos estão tranquilos. Não tente falar com a criança depois de uma grande briga ou 
quando um de vocês esteja tenso. 
 
 - A reunião deve ser exclusivamente de um ou ambos pais com a criança cuja 
conduta requer melhoramento. Ninguém mais, seja outro irmão ou um avô ou uma 
empregada, estará presente. 
 
 - Se apenas um de seus filhos se comporta mal, não permita que um irmão intervenha 
ou se intrometa na conversa. 
 
 - Estabeleça claramente que é escolha de seu filho o que acontecerá: “João, se não 
faz de imediato os deveres,ficará em casa o resto do dia e sem ver televisão. Se isso não 
funciona, ficará em seu quarto todo o dia”. 
ESTABELECER AS REGRAS DO JOGO 
84 
 - Explique-lhe como fará o acompanhamento de suas instruções, ainda que você não 
esteja presente: “Tua mãe ou eu telefonaremos todos os dias às duas para assegurar-nos 
que chegou do colégio. Quando os dois voltarmos do trabalho, veremos todos os dias se já 
fez os deveres. Se não está em casa quando ligamos ou se não fez os deveres, ficará sem 
ver televisão o resto do dia”. 
 
 - Coloque seu plano escrito de EP onde todo o vejam. Após terminar de discuti-lo com 
seu filho, e estabelecidas as regras do jogo, coloque uma cópia em um lugar visível da casa, 
por exemplo, na porta do refrigerador ou do quarto da criança. Isto agregará um importante 
impacto visual a suas afirmações verbais e lhe servirá de recordação de que realmente você 
fala a sério. Também ajudará aos pais a perseverar no plano. 
 
 Em cada folha de papel que você coloque em um lugar visível escreva o nome da 
criança, os comportamentos que você exigiu e o que acontecerá se não cumpre: “João fará 
seus deveres antes de comer. Se escolhe não faze-lo, não poderá ir brincar com Paulo”. 
 
 - Se está usando uma hierarquia disciplinária, inclua na lista as consequências por 
hierarquia, por exemplo: 
 
 “Sofia obedecerá imediatamente. Se escolhe não obedecer:” 
 
 “A primeira vez escreverei seu nome na lousa como advertência”. 
 
 “A segunda vez irá para seu quarto por dez minutos”. 
 
 “A terceira vez irá para seu quarto por dez minutos, sem olhar tevê nem brincar com 
seus irmãos pelo resto do dia”. 
 
 “A quarta vez irá para seu quarto por meia hora e se deitará imediatamente depois de 
jantar”. 
 
 A lousa ou folha onde contenha estas anotações será colocada junto com a que 
registra as regras do jogo em seu plano disciplinário. 
 
 - Se você tem problemas com dois ou mais filhos, pode reuni-los todos ao mesmo 
tempo, apesar de que sempre é melhor fazê-lo por separado, como sinal de respeito à 
individualidade deles. 
 
 - Assegure-se que não haja distrações quando reunir-se com um filho. 
 
 Desligue a televisão ou o rádio, desconecte o telefone ou evite atendê-lo e peça às 
demais pessoas da casa que não entrem no quarto onde se faz a reunião. 
 
 - É importante que os pais atuem juntos, quando ambos estão disponíveis. Primeiro 
devem colocar-se de acordo sobre o que exigir-lhe-ão. A seguir, apresentem o plano ao filho 
juntos, olhando-o ambos aos olhos ao falar-lhe. 
 
 Por exemplo: 
 
 Mãe: “João, estou muito preocupada com o seu comportamento. Não posso admitir 
que ande vagabundeando pela vizinhança e metendo-se em confusões ao sair do colégio. 
Quero que venha diretamente do colégio para casa sem andar por aí e que em seguida faça 
seus deveres”. 
ESTABELECER AS REGRAS DO JOGO 
85 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É conveniente apresentar as medidas disciplinárias como uma 
escolha das crianças, dando-lhes a opção de terminar sua conduta 
imprópria ou enfrentar o castigo que essa conduta implica. 
 
 
 
 
 Pai: “Estou de acordo com sua mãe. Se meteu em muitas confusões depois do 
colégio. Virá direto para casa e fará os deveres”. 
 
 Nunca expresse uma opinião contrária à de seu cônjuge diante do filho nestas 
situações, porque enfraquecerá fatalmente sua mensagem. Os pais devem acordar de 
antemão o conteúdo e a forma do estabelecimento que farão à criança. 
 
 Nada funcionará se você, como pai, não está disposto a respaldar suas palavras com 
atos cada vez que o comportamento de seus filhos o requeira. 
 
ESTABELECER AS REGRAS DO JOGO 
86 
 Reiteramos que se se é fiel a este princípio essencial, a mensagem que transmitirá 
sempre a seu filho é: “Te amo demais para permitir que se comporte de modo inconveniente 
sem que eu faça algo para ajudá-lo”. 
 
 Os pontos analisados neste capítulo servem para quando você vê que fracassou no 
que tentou para melhorar as condutas impróprias de seus filhos. 
 
 Ante esta situação estabeleça primeiro um plano sistemático de EP, a seguir sente-se 
com seus filhos e estabeleça as regras do jogo. 
 
 Finalmente, e de grande importância, é fazer o acompanhamento da conduta, como 
no exemplo a seguir: 
 
 Filho (irritado): “Estou cheio de ficar recebendo ordens!”. 
 
 Pai (com calma coloca uma marca vermelha no papel de disciplina que está pregado 
na porta da geladeira): “Disse-lhe que não deve responder. Esta é a segunda vez que o faz. 
Você vá para seu quarto imediatamente”. 
 
 Filho (choramingando): “Mas acabo de estar em meu quarto! O que acontece é que 
vocês não me querem e não lhes agrada estar comigo...”. 
 
 Pai (com calma): “João, foi escolha sua. Lhe dissemos quando conversamos com 
você a noite que não podemos tolerar respostas de mal tom. Portanto, vá para seu quarto 
imediatamente”. 
 
 (João se comporta impecavelmente o resto do dia). 
 
 Pai: “Estou muito contente pela forma como está se comportando. Ganhou outro xis. 
Quando chegar a cinco, poderá ir dormir na casa de seu amigo Luis, como você queria”. 
 
 - Tente criar um equilíbrio. Estabeleça limites firmes e a seguir reforce-os com apoio 
positivo. 
 
SITUAÇÕES ATÍPICAS 
87 
----------------------------------------------------- 8 ------------------------------------------------
SITUAÇÕES ATÍPICAS 
 
 A aplicação da EP nem sempre terá êxito já que, apesar de ser muito útil e 
eficiente, existem situações na quais resultará insuficiente. Estas são cada vez mais 
frequentes e você não deve sentir-se culpada ou infeliz se ocorrem em algum de seus filhos. 
 
 A experiência demonstrou a eficácia da EP aplicada com ordem, firmeza, e coerência, 
de acordo com a forma descrita nos capítulos precedentes. Mas será ineficaz nas 
circunstâncias em que a criança sofra de alguma patologia. 
 
 É importante enfrentar esses casos com a maior rapidez possível, porque, em geral, 
costumam alterar toda a dinâmica familiar e, por imitação, filhos menores saudáveis 
tenderão a reproduzir as condutas distorcidas de um irmão com problemas patológicos. 
 
 Nestas ocasiões verificar-se-á se as condutas patológicas das crianças são 
generalizadas em todos os ambientes onde atuam ou se apresentam exclusivamente dentro 
de casa ou em forma mais ou menos acentuada nesse e outros entornos. 
 
 O assessoramento sobre a dinâmica familiar é, nessas situações, de capital 
importância, sendo, também, imprescindível determinar se existem patologias – crônicas ou 
transitórias – em algum dos pais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Déficit atencional. 
 
SITUAÇÕES ATÍPICAS 
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 Transtorno atencional com hiperquinésia 
 
 A primeira causa patológica na qual a EP não funciona é o chamado (Transtorno 
Atencional com Hiperquinésia”, antes conhecido como Disfunção Cerebral Mínima. 
 
 As crianças que sofrem Transtorno Atencional são dispersas, com dificuldades para 
manter uma atenção sustentada no que fazem como: acompanhar a aula no colégio ou 
concentrar-se nos deveres ou outra função em sua casa. 
 
 Geralmente, os pais deverão repetir-lhe uma ordem várias vezes e terão a impressão 
de que não os escuta nem lhes presta atenção. 
 
 Se trata de crianças que agem de forma precipitada e interrompendo a outras 
pessoas, a maioria das vezes, sem esperar sua vez nos jogos, em suas tarefas ou em uma 
conversação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Déficit atencional com hiperatividade 
SITUAÇÕES ATÍPICAS 
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 Hipercinésia significa movimento excessivo ou hiperatividade. Se manifesta em que a 
criança apresenta dificuldades para permanecer sentado ou ser perseverante. Por exemplo, 
se levanta constantemente de sua carteira em classe; não termina uma tarefa, mas começa 
outra diferente, que provavelmente também deixará inacabada; freqüentemente perde 
coisas como: utensílios escolares, brinquedos, peças de vestir,etc. 
 
 Uma criança hipercinética também mostra com frequência tendência a praticar 
atividades físicas perigosas, sem medir os possíveis riscos. 
 
 Ainda que muitos deles foram avaliados, mostrando um ótimo nível de inteligência, o 
mais provável é que tenham baixas qualificações no colégio, com rendimento inadequado 
em classe, más condutas e motivando queixas de seus mestres. 
 
 O Transtorno Atencional com Hipercinésia aparece em muitas crianças associado a 
transtornos de conduta: dirão mentiras, cometerão atos de roubo, se mostrarão briguentos e 
com poucos amigos, assim como desafiantes e respondões frente às figuras de autoridade. 
 
 Os que apresentam esta patologia deverão ser levados a consulta com um 
especialista. 
 
 Depressão 
 
 Uma segunda situação atípica em que a criança provavelmente não responderá à EP, 
e pela qual é necessário consultar a um profissional, está conformada pelos episódios de 
depressão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Depressão 
 
SITUAÇÕES ATÍPICAS 
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 É difícil de diagnosticar porque a criança não sabe dizer que está triste. Se manifesta, 
em geral, em decaimento ou movimento excessivo; agressividade; mal dormir ou 
dificuldades para ser despertados na manhã, quando este problema não existia 
anteriormente; inapetência ou grande voracidade; choro frequente com dificuldade para 
explicar o motivo de sua tristeza. 
 
 Os que sofrem de depressão também mostram uma diminuição de seu rendimento 
escolar e deixam de brincar ou o fazem com menor frequência que o habitual. 
 
 Se você observa algum desses sintomas, mesmo que seja apenas um deles, não 
hesite em consultar um especialista a fim de ser orientado. 
 
 Os tratamentos modernos costumam combinar psicoterapia e medicação com 
assessoramento familiar. Diferente dos adultos, as respostas são rápidas e as altas em curto 
prazo. 
 
 Ansiedade 
 
 Em terceiro lugar, deve levar-se em conta a ansiedade como situação atípica nas 
crianças. Principalmente porque é uma causa de sofrimento, mas também porque tampouco 
responderão à EP. 
 
 Existem dois tipos de transtornos de ansiedade: Angústia de Separação e Transtorno 
por Ansiedade Excessiva. 
 
 Sob a angústia de Separação uma criança se nega a separar-se de uma figura 
protetora (seus pais ou avós, um irmão maior, uma empregada) e se recusa a ir ao colégio 
ou cumprir outras obrigações que impliquem separação física. 
 
 Pode apresentar dores de cabeça e estômago. Geralmente tem pesadelos intensos 
ou medo de ir deitar-se a noite. 
 
 A outra forma de ansiedade se denomina Transtorno por Ansiedade Excessiva. Se 
trata de crianças inseguras e extremamente preocupadas por seu próprio desempenho no 
colégio, nos esportes e em sua vida social. Perguntam constantemente para reafirmar-se a 
si próprios e os observamos ansiosos em conseguir aceitação entre as pessoas com as 
quais convivem. 
 
 Ambas patologias melhoram rapidamente com a atenção de um psicoterapeuta 
infantil bem treinado e assessoramento familiar. 
 
 Em resumo, as três “situações atípicas” mais importantes e conhecidas são: 
 
 1) O TRANSTORNO ATENCIONAL COM HIPERCINÉSIA, em que a criança 
apresenta um déficit de atenção com excessivo movimento e condutas que podem chegar a 
ser bruscas. 
 
 2) A DEPRESSÃO, em que a criança apresenta um retração geral em seu estado de 
ânimo ou variações anímicas que não eram habituais previamente. 
 
 3) A ANSIEDADE (em suas duas formas): 
SITUAÇÕES ATÍPICAS 
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 A ansiedade de separação, em que a criança não quer separar-se de uma figura 
protetora, e para isso recorre a choros, súplicas intensas e apresenta dores, tendo também 
pesadelos noturnos e temor a deitar-se. 
 
 O transtorno por ansiedade excessiva, em que a criança se manifesta insegura de si 
própria, fundamentalmente em seu desempenho acadêmico, esportivo e social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ansiedade de separação. 
 
 
SITUAÇÕES ATÍPICAS 
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Transtorno por ansiedade excessiva. 
 
 
 Qualquer destas três situações atípicas são entidades clínicas que requerem 
necessariamente uma consulta profissional, já que se trata de dificuldades de 
comportamento nas quais a EP, apesar de dever ser aplicada, é insuficiente. 
 
FILHOS RESPONSÁVEIS 
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FILHOS RESPONSÁVEIS 
 
 Há duas palavras chaves para os pais quando educam seus filhos: compreensão e 
firmeza. 
 
 A compreensão exige, além do vínculo natural de carinho, o acompanhamento 
coerente e constante dos problemas que enfrenta uma criança e que costumam traduzir-se 
em mal comportamento. A reação espasmódica e irreflexiva de um pai ante uma conduta 
inadequada de um filho é no melhor dos casos, ineficaz, e pode chegar a ser prejudicial. 
 
 É necessário, em troca, compreender que a desobediência, a irritação e a rebeldia 
formam parte de uma personalidade infantil em formação. Sua correção é responsabilidade 
dos pais, junto com os educadores nos centros de ensino, exceto nos casos de perturbações 
de nível patológico que requerem assistência profissional especializada. 
 
 Os pais devem procurar entender por que um filho se porta mal e ajudá-lo a corrigir 
sua conduta, através de passos coerentes e consecutivos que incluem a persuasão, a 
advertência, vias não violentas de castigo e formas de premiar que incentivem a criança a 
perseverar no bom caminho. 
 
 O complemento fundamental deste acompanhamento compreensivo e constante é a 
firmeza em sua aplicação. Sem este ingrediente básico desaparecerá a utilidade do plano da 
EP que explicamos. 
 
 Firmeza significa exercer a autoridade paterna sem interrupção nem claudicações. 
Um pai que cede por pena ou desalento ao ver que seu filho não atua ou reage da forma 
requerida, sob uma medida corretiva, fracassará em sua responsabilidade educativa. 
Quando uma medida não surte o efeito buscado, se recorre à seguinte, de acordo com os 
passos que detalhamos. Do contrário, a vacilação ou o desânimo paterno é transmitido ao 
filho, induzindo-o ao desconcerto ou a aprofundar suas condutas impróprias. 
 
 Da combinação permanente e ordenada de compreensão carinhosa e firmeza 
corretiva por parte dos pais, dependerá que o plano de EP se converta em um instrumento 
útil para criar filhos responsáveis e com uma personalidade sadia. 
 
 A EP bem aplicada transmite aos filhos a mensagem de que os pais se preocupam 
por seu bem estar atual e futuro e que tudo o que fazem, mesmo o que não agrada às 
crianças, é para o seu bem. 
 
 Isto ajuda os filhos pequenos a desenvolver o controle de suas emoções e a aplicar 
cada vez mais o raciocínio em seus atos. A criança orientada neste caminho se dirige a uma 
adolescência equilibrada e a uma vida adulta madura. 
 
 A infância bem orientada pelos pais é o primeiro grande passo na busca da felicidade 
ao longo da vida. 
 
 A felicidade está determinada por um bom manejo das necessidades e pela 
abundância de carinho, sabendo discriminar o imprescindível do supérfluo. 
SITUAÇÕES ATÍPICAS 
94 
 O êxito desta busca depende de que cada pessoa seja orientada desde seus 
primeiros anos ao máximo aproveitamento de suas boas qualidades e a renunciar a 
desordem que se dá por uma vontade que também tende ao egoísmo e uma inteligência que 
também tende a ser superficial. Na aprendizagem de como ser bom e obter êxito, 
desempenha um papel decisivo o crescimento reto sob a orientação da vara ou “tutor” 
paterno que descrevemos no começo deste livro. 
 
 Nessa tarefa difícil, mas essencial de encaminhar à criança a uma vida de retidão, a 
EP ajuda aos pais. Mas é apenas um instrumento que lhes é oferecido. Sua utilidade 
depende, como com todo instrumento, de que o utilize correta e adequadamente. A 
responsabilidade principal recainos próprios pais. Seu esforço responsável por educar seus 
filhos com carinho, constância e firmeza dia após dia é o que produzirá filhos maduros e os 
ajudará a ser felizes. 
 
 
 
 
TERNURA 
E FIRMEZA 
COM OS FILHOS 
 ALEXANDER LYFORD-PIKE 
 
 
“Seu filho passa horas em frente à televisão, você observa-o, balança a cabeça, vai e se coloca entre 
ele e a TV. Já tentou de várias formas: irritado, compreensivo, brincando e mais uma vez volta a dizer-
lhe – A que horas irá fazer a tarefa? – então seu filho lhe diz que saia de frente, que fará, que daqui a 
pouco vai, que hoje não lhe deram nenhuma tarefa, que faça silêncio porque o programa está muito 
interessante ou que o deixe em paz.” 
 
 
 Com caricaturas educativas e cenas quotidianas extraídas da realidade familiar e escritas em 
forma de diálogos entre pai ou mãe com os filhos, Lyford-Pike, exemplifica e a seguir reflete sobre 
as atitudes tanto dos filhos com os pais como dos pais para com os filhos. 
 
 Como ser terno e firme sem ser autoritário nem tampouco consentidor, em que momento dizer 
sim ou dizer não, até onde tolerar as más condutas. O pai ou mãe de família encontrará técnicas, 
conselhos e um guia que lhes ajudará no ofício diário de ser pais, na tarefa diária de formar aos 
filhos. 
 
 Falar claro, respaldar as palavras com atos e estabelecer as regras do jogo são os três princípios 
que fundamentam o sistema proposto pelo autor: Educação com Personalidade (EP). Das mãos 
da ternura e da firmeza dos pais às mãos dos filhos. 
 
 Foi escrito com a experiência diária da convivência com os filhos, com as crianças, seja como pai 
seja como profissional e especialista, mas dirigido aos pais de família. 
 
 Alexander Lyford- Pike, destacado médico psiquiatra, é Diretor e fundador do Instituto de 
Psiquiatria e Psicologia de Montevidéu; Presidente da Sociedade de Psiquiatria Biológica do 
Uruguai; Membro Corresponsal da American Psychiatric Association e Membro Honorário da 
Associação Argentina de Transtornos da Ansiedade, além de ser um grande motivador e 
promotor de grupos de estudo e trabalho sobre educação e família.

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