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Fichamento Os Mecanismos da Emoção no Encéfalo (cap 18 Bear) Bear, M.F., Connors, B.W., & Paradiso, M.A. (2017). Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso. 4ª Ed., Artmed Editora S.A., Porto Alegre. Cap.18 ● “No século XIX, diversos cientistas altamente respeitados, incluindo Darwin e Freud, ponderaram acerca do papel do encéfalo na expressão das emoções (Figura 18.1). Essa pesquisa inicial foi baseada no estudo cuidadoso da expressão emocional em animais e em seres humanos e na experiência emocional em seres humanos. Pode parecer apenas bom senso para muitos hoje, mas Darwin fez observações importantes, considerando que pessoas em diferentes culturas experimentam as mesmas emoções e que os animais parecem expressar algumas das mesmas emoções que os seres humanos expressam. Posteriormente, nos séculos XIX e XX, cientistas desenvolveram teorias para as bases fisiológicas da emoção e para a relação entre expressão e experiência emocional.” P. 617 ● “Uma das primeiras teorias bem articuladas acerca da emoção foi proposta, em 1884, pelo renomado psicólogo e filósofo norte-americano, William James. Ideias semelhantes foram propostas pelo psicólogo dinamarquês Carl Lange. Essa teoria, comumente chamada de teoria de James-Lange da emoção, propôs que experimentamos a emoção em resposta a alterações fisiológicas em nosso organismo.” P. 617 ● “A teoria de Cannon foi modificada por Philip Bard e tornou-se conhecida como a teoria de Cannon-Bard da emoção. Ela propõe que a experiência emocional pode ocorrer independentemente da expressão emocional. Um dos argumentos de Cannon contra a teoria de James-Lange era de que as emoções podem ser experimentadas mesmo quando mudanças fisiológicas não podem ser sentidas.” P.617-618 ● “Uma segunda observação de Cannon, que sugere inconsistência com a teoria de James-Lange, é de que não há correlação confiável entre a experiência emocional e o estado fisiológico do organismo. Por exemplo, o medo é acompanhado por um aumento da frequência cardíaca, uma inibição da digestão e um aumento da sudorese. Entretanto, essas mesmas mudanças fisiológicas acompanham outras emoções, como raiva, e mesmo condições patológicas não emocionais, como a febre. Como pode o medo ser uma consequência de mudanças fisiológicas, quando essas mesmas mudanças estão associadas a outros estados além do medo?” P.618 ● “A nova teoria de Cannon focou a ideia de que o tálamo teria um papel especial nas sensações emocionais. Nessa teoria, a entrada sensorial é recebida pelo córtex cerebral, que, por sua vez, ativa certas mudanças no organismo.” P.618 ● “ De acordo com James e Lange, você sente tristeza quando sente que está chorando; se você pudesse evitar chorar, a tristeza se iria também. Na teoria de Cannon, você não precisa chorar para estar triste: basta, apenas, que ocorra a ativação apropriada do seu tálamo em resposta à situação.” P.618 ● “Trabalhos subsequentes demonstraram que cada uma das velhas teorias tinha méritos, assim como tinha falhas. Por exemplo, ao contrário das predições de Cannon, tem sido demonstrado que medo e raiva estão associados a respostas fisiológicas distintas, embora ambos ativem basicamente o sistema nervoso simpático, divisão do SNV. Embora isso não prove que essas emoções resultem de respostas fisiológicas distintas, as respostas pelo menos são diferentes.” P.619 ● “Numerosos estudos em seres humanos têm examinado os efeitos de lesões que incluem a amígdala sobre a capacidade de reconhecer expressões faciais de emoção. Muito embora seja consenso que essas lesões prejudiquem o reconhecimento da expressão emocional, os pesquisadores discordam sobre quais emoções são afetadas. Em diferentes estudos, déficits associados a medo, raiva, tristeza e desgosto têm sido relatados. A variedade de déficits provavelmente reflete, em parte, diferenças nas lesões: duas lesões raramente são iguais e, em geral, incluem lesões a outras estruturas além da amígdala. Ainda assim, o sintoma mais comumente relatado para as lesões que incluem a amígdala é uma incapacidade de reconhecer o medo em expressões faciais.” P.632