8ª) Uma coisa é o contrato inaugurar uma relação jurídica entre as partes de modo equilibrado e, no decorrer de sua execução, tornar-se excessivamente oneroso para uma delas. Outra totalmente diversa é o pacto nascer prejudicial a uma das partes, devendo ser reduzido o âmbito de abrangência da avença a fim de evitar a onerosidade excessiva. Trata-se da previsão do art. 480, destaque-se: "Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva": I) o artigo 480 não evidencia um evento posterior ao momento da celebração do contrato, mas, sim, o exato instante que a avença se inaugura, "assim, assenta esse artigo que, cabendo, no contrato, as obrigações a apenas umas das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida ou alterado o modo de executa-la para evitar a onerosidade excessiva"(Azevedo, 2009, p. 28). Considerando a Teoria Geral dos Contratos, aplicáveis a todos os pactos em geral, não seria diferente com o Direito do Consumidor; II) a lesão enorme que nasce nos Contratos em Geral alcança os contratos de consumo. No art. 480, do Código Civil brasileiro, "encontra-se a posição justinianeia, existente no momento da formação do contrato" (Azevedo, 2009, p. 28). Em suma, "o contrato, nesse caso, nasce desiquilibrado, sem o justo preço, que causa a lesão enorme (onerosidade excessiva)" (Azevedo, 2009, p. 28) e com ela não se confunde. Não há, portanto, a necessidade de um fato superveniente que torne a obrigação excessivamente onerosa para uma das partes, a levando a um prejuízo. Com essa modalidade de lesão, o contrato como um todo nasce absolutamente desproporcional; III) num caso de ilegalidade da venda casada, tal fato ocasionaria, para o Tribunal Superior, a transferência de riscos do empreendimento para o consumidor ainda deve arcar com esse ônus. Ademais, ao buscar a compra de um ingresso, deve ser compelido ao pagamento de taxas que não decorram de lei, o que manifesta flagrante direito do consumidor. Entretanto, diverso do que ocorre no âmbito da onerosidade excessiva, com a venda casada do ingresso com a taxa de conveniência, o preço total do serviço acaba se elevando demais, dando margem à aplicação do instituto da laesio enormis. Como forma de correção, o Tribunal reconhece a ofensa à liberdade de contratar e a desproporcionalidade dos ganhos e das perdas entre as partes contratantes. Logo, configura cláusula abusiva e deve ser afastada do negócio, leia-se contrato, de imediato. a) I e II corretas. b) II e III corretas. c) I e II incorretas. d) II e III incorretas.