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ATIVIDADE PROPOSTA

A América Latina Logística (ALL) e a conquista de clientes de outros modais


Para conquistar clientes de outros modais, principalmente do modal rodoviário, as empresas ferroviárias investem em inovações e contam com veículos rodoviários para permitir a integração porta a porta.

A ALL, por exemplo, possui uma frota de 2 mil veículos entre próprios e agregados, o que lhe possibilita estar presente em praticamente todo o país. A frota está dividida entre veículos bitrem, tanque, silo, baú, sider e pesados. Além disso, a empresa conta com os road railers, que são carretas bimodais, podem ser usadas nas estradas ou nas ferrovias. Como não há manuseio da carga, o que poderia danificá-la, eles são muito utilizados no caso de transporte de mercadorias de maior valor agregado, como produtos de higiene e limpeza, alimentos, bebidas, embalagens e papel. São, atualmente, cerca de 160 carretas road railers na frota da empresa.

Para conquistar os clientes de outros modais, a ALL precisou passar a oferecer serviços logísticos completos, com movimentação (nacional e internacional) porta a porta, distribuição urbana, coletas milk run e gestão completa de armazéns, centros de distribuição e estoques. Numa visão de operador logístico, a ALL planeja, implementa e opera projetos especiais e customizados, sempre atendendo às necessidades específicas de cada cliente. Quando assumiu a malha sul da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), a ALL contava com apenas 234 locomotivas operando. Hoje existem 960 rodando sobre os trilhos desse trajeto. Além disso, a empresa tem uma frota de 27 mil vagões. Uma das estratégias adotadas, para financiar o crescimento, foi realizar parcerias com os clientes para a aquisição e a reforma de vagões, com o objetivo de lidar com novas cargas (confira o Quadro 5.4). Também foi promovida uma profunda adaptação dos vagões existentes, que perfazem 1.030 unidades.

Atualmente, a ALL conta com mais de 70 unidades de serviço pelas principais cidades do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, além de centros de distribuição e 185 mil metros quadrados de áreas de armazenamento. A ALL administra uma malha férrea de 20.495 quilômetros de extensão, cobrindo o Sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e a região central da Argentina. A companhia cruza as fronteiras do Paraguai e Uruguai e Chile por rodovia a partir da base logística intermodal de Mendoza, na Argentina. Seis dos mais importantes portos do Brasil e Argentina são atendidos pela ALL. (ALL, 2007a)


A empresa dispõe ainda de uma Central de Atendimento, na qual o cliente pode obter informações sobre a mercadoria embarcada num veículo da ALL. Esses dados também estão disponíveis no site da empresa. São atualizados referentes à(ao):

  • posição da mercadoria em tempo real;
  • momento de chegada ao destino final;
  • quantidade de veículos programada para carregamento;
  • existência de ocorrências, indenizações e seguros.

Quando o Grupo GP Investimentos adquiriu a concessão da malha sul da RFFSA (que viria a dar origem à ALL), em 1997, seguiu à risca uma cartilha de redução de custos e eliminação de mordomias , Depois de demitir 65% dos funcionários, instaurou na ex-estatal uma política de remuneração agressiva, baseada em metas e na delegação de responsabilidades. Dessa forma, a margem operacional da empresa, um dos melhores indicadores para medir sua eficiência, cresceu de 6% quando foi privatizada para os atuais 49%. (Como clonar..., 2006)

É possível perceber que a empresa está sempre buscando novas alternativas para reduzir os custos operacionais e, ao mesmo tempo, aumentar o nível de serviço logístico oferecido aos seus clientes.

Como exemplo dessa constante busca por melhorias, a empresa passou a testar, em outubro de 2006, novos computadores de bordo desenvolvidos pela empresa Daiken Indústria Eletrônica, exclusivos para locomotivas da malha sul da rede ferroviária. O OBC 2 (Sigla de On Board Computer 2, uma versão mais sofisticada do computador de bordo para locomotiva (CBL)) apresenta várias evoluções nos sistemas já existentes no CBL (computador anterior da operadora), como controle de velocidade, licenciamento, redução de consumo de combustível, registrador de eventos embutidos e cerca eletrônica por trecho. É uma grande evolução em relação ao equipamento anterior, pois permite uma economia ainda maior de combustível, através de novas funções relacionadas ao melhor controle de aceleração e frenagem (ANTF, 2007).

Entre as principais novidades estão: uma tela colorida que exibe os perfis de curvas e rampas; uma nova CPU de 32 bits; a integração com o aplicativo de planejamento Trains, da empresa CFlex; e também uma mecânica especial antivandalismo. O OBC 2 foi desenvolvido para atuar com o Trains, organizando e direcionando o agendamento dos horários dos trens para o Centro de Controle e o maquinista. A operadora já utiliza o aplicativo desde maio de 2006 e efetua a programação das composições com base em dados obtidos por satélite. Outra inovação da ALL, com vistas a otimizar os recursos disponíveis, foi o lançamento do protótipo do vagão de 6 eixos. Desenvolvido pela área de Engenharia e Projetos, ainda em fase de testes, o vagão FFF, ou Multicarga, como também é chamado, tem 3 truques e 6 eixos e pode transportar 87 toneladas úteis, sem passar das 20 toneladas por eixo (peso-limite em alguns trechos da via). Além da vantagem de transportar maior quantidade de carga útil, as portas laterais do novo modelo possibilitam o retorno do vagão carregado com bagagens do porto, material usado principalmente no transporte de fertilizantes. O protótipo também tem aberturas na parte inferior, o que aumenta a velocidade de descarga.

Quando era usado o vagão Hopper HFE, o processo demorava 12 minutos. No novo vagão, o tempo é de apenas 5 minutos. Com a adição de mais 1 rodeiro por truque, a capacidade de carga aumenta e a operação, por causa da maior flexibilidade do vagão, é otimizada.

O novo vagão (FFF) é considerado superior ao Hopper HFE, o mais usado na ALL atualmente.

O HFE tem 2 truques, 4 eixos e capacidade de transportar 77 toneladas. Em alguns trechos da malha, como na Serra do Mar, no Paraná, o vagão tinha de descer com apenas 57 toneladas para garantir a segurança da operação.



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Elivaldo Miranda

mês passado

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