Um dos marcos teóricos mais relevantes para compreender como a criança aprende a escrever é a obra Psicogênese da Língua Escrita, elaborada por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, cujos fundamentos dialogam com a epistemologia genética de Jean Piaget. Nesse referencial, a aprendizagem da escrita é entendida como um processo ativo de construção do conhecimento, no qual a criança formula e reformula hipóteses acerca do funcionamento do sistema alfabético. Segundo essa perspectiva, o desenvolvimento da escrita ocorre por meio de diferentes níveis de compreensão, que expressam modos distintos de pensar a relação entre fala e grafia. Tais níveis não devem ser interpretados como fases rígidas ou sequências obrigatórias, mas como construções cognitivas dinâmicas, elaboradas a partir das interações da criança com textos, leitores, escritores e situações reais de uso da língua. Compreender essa dinâmica é essencial para a prática pedagógica, pois permite ao professor identificar como o estudante está conceituando a escrita e, a partir disso, propor intervenções coerentes com seu nível de entendimento. Dessa forma, o ensino deixa de ser mera transmissão de regras e passa a favorecer avanços