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AULA INTRODUÇÃO À ORTÓTICA Leonardo Lobo Saraiva Barros llsbarros@hotmail.com OBJETIVOS DA AULA • Conceituar e enumerar as diferenças entre órteses e próteses • Conhecer a história e evolução mundial das órteses • Conhecer os métodos de construção das órteses • Conhecer a biomecânica envolvida na criação e aplicação das órteses • Descrever os tipos de material utilizados na confecção das órteses • Descrever as nomenclaturas das órteses • Enumerar os principais benefícios das órteses TERMINOLOGIAS • A palavra órtese deriva do grego (orthós) – que significa “correção” • ORTESISTA (ORTOTISTA) – profissional da área de saúde que cria, fabrica, e adapta órteses em pacientes. • ORTÓTICA – campo do conhecimento relacionado às órteses e ao seu uso. • Brace e splints sinônimos de órteses de joelho e de punho/mão e dedos. TERMINOLOGIAS • ORTOSE • Aparelho ortopédico • Tala- órtese temporária • Tipóias, coletes, peças de roupa compressiva, ataduras • Aparelhos cirúrgicos TERMINOLOGIAS • ÓRTESE- exerce funções específicas sobre um segmento corpóreo • PRÓTESE- utilizadas para substituir segmentos amputados ou malformados • ORTOPRÓTESES- funções de órtese e prótese simultaneamente • NEUROPRÓTESES - dispositivos eletrônicos fixados externamente ao corpo humano que enviam estímulos elétricos para contração de grupos musculares EQUIPE CLÍNICA • ORTESISTA (ORTOTISTA) • MÉDICOS • FISIOTERAPEUTAS • TERAPEUTAS OCUPACIONAIS • PSICÓLOGOS • ASSISTENTES SOCIAIS EQUIPE CLÍNICA OBJETIVOS • Prescrever a órtese • Avaliar sua adaptação • Avaliar a função do usuário durante a utilização da órtese • Gerenciar a reabilitação do paciente: - treinamento com a órtese - necessidade de cirurgião ou de outros profissionais de saúde LEGISLAÇÃO Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais têm mais uma grande razão para comemorar: a partir de agora, o Sistema Único de Saúde (SUS) reconhece o direito desses profissionais de prescrever “órteses, próteses e materiais especiais não relacionados ao ato cirúrgico”, por meio da publicação da Portaria SAS/MS N° 661, de 2 de dezembro de 2010. LEGISLAÇÃO DECRETO No 3.298, de 20 de dezembro de 1999 Art. 18. Incluem-se na assistência integral à saúde e reabilitação da pessoa portadora de deficiência a concessão de órteses, próteses, bolsas coletoras e materiais auxiliares, dado que tais equipamentos complementam o atendimento, aumentando as possibilidades de independência e inclusão da pessoa portadora de deficiência. Art. 19. Consideram-se ajudas técnicas, para os efeitos deste Decreto, os elementos que permitem compensar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora de deficiência, com o objetivo de permitir-lhe superar as barreiras da comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua plena inclusão social. LEGISLAÇÃO Parágrafo único. São ajudas técnicas: I - próteses auditivas, visuais e físicas; II - órteses que favoreçam a adequação funcional; III - equipamentos e elementos necessários à terapia e reabilitação da pessoa portadora de deficiência; IV - equipamentos, maquinarias e utensílios de trabalho especialmente desenhados ou adaptados para uso por pessoa portadora de deficiência; V - elementos de mobilidade, cuidado e higiene pessoal necessários para facilitar a autonomia e a segurança da pessoa portadora de deficiência; VI - elementos especiais para facilitar a comunicação, a informação e a sinalização para pessoa portadora de deficiência; VII - equipamentos e material pedagógico especial para educação, capacitação e recreação da pessoa portadora de deficiência; VIII - adaptações ambientais e outras que garantam o acesso, a melhoria funcional e a autonomia pessoal; IX - bolsas coletoras para os portadores de ostomia. DECRETO No 3.298, de 20 de dezembro de 1999 ÓRTESE É um dispositivo externo aplicado ao corpo paramodificar os aspectos funcionais ou estruturais do sistema esquelético e neuromuscular para obtenção de alguma vantagem mecânica ou ortopédica. PRÓTESE Aparelhos ou peças que propõe substituir um orgão oumembro, na sua totalidade ou em parte, o que poderá, se possível, reproduzir suas formas e prestar os mesmos serviços. ORIGEM HISTÓRICA • Algumas órteses atuais são conhecidas pelo nome do seu criador • Pinturas de 2750 a 2625 a.C. – mostram homens usando órteses • Séc. IV a. C. Hipócrates- aparelhos ortopédicos e talas (fraturas, luxações e deformidades congênitas) • Séc II d. C- Galeno (seguidor de Hipócrates) – órteses escolióticas ORIGEM HISTÓRICA • 1575 – Ambroise Paré: publicou a construção de órtese de aço perfurada para a correção de escoliose e uma órtese para pé e tornozelo (pé torto), entre outras • 1607- órtese para reduzir retrações causadas por queimaduras • 1740 - Nicholas Andry escreveu sobre correção e prevenção das deformidades em crianças com órteses para o tronco ORIGEM HISTÓRICA • 1803 – diversas órteses para o pé torto • 1875- James Knight – órtese lombossacra que tem o seu nome • Final do séc. XIX - Friederich Von Hessing aprimorou a arte de construção de órteses As órteses tiveram importância histórica no desenvolvimento da reabilitação ortopédica e neurológica, bem como as profissões relacionadas com a reabilitação. FATORES RELACIONADOS À PRESCRIÇÃO ORTÓTICA • CUSTO X BENEFÍCIO • TEMPO DE USO • LOCAIS PARA USO • ADESÃO DO PACIENTE • CAPACIDADE COGNITIVA • ASPECTO PSICOLÓGICOS MATERIAIS PARA FABRICAÇÃO DE ÓRTESES • Gesso (comum) - (calhas, talas, coletes...) • Gesso sintético - (calhas, talas...) • Elástico - (rotadores internos e externos para MMII...) • Tecido - (ceda, brim, lona, malha...) • Neoprene (elastômero sintético...) • Couro / camurça - (fino, grosso, de boi, de carneiro...) • Madeira - (faia, freixo, choupo, são as mais usadas; • Esponjosa (talas...) • Borracha / Espuma - (neoprene, silicone, poliuretano...) • Metal - (magnésio, alumínio, ferro, aço, titânio...) • Plástico - (polipropileno, PVC...) - termoplástico - termorrígido - inflável, para órteses infláveis • Fibras - (de algodão, de vidro, de carbono...) maior custo Os materiais mais empregados para a confecção de órteses são: tecido, termoplástico e o metal. CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS PARA FABRICAÇÃO DE ÓRTESES Características físicas: • Resistência: capacidade de um material resistir a forças -As órteses devem ser suficientemente resistentes para controlar as tensões impostas pelo usuário. -Os tecidos devem estar suficientemente íntegros para resistir à pressão exercida pela órteses • Elasticidade: capacidade de um material de recuperar suas dimensões originais • Plasticidade: característica de um material modificar sua forma sem romper-se • Resistência à corrosão: quanto os materiais se deterioram quando expostos à agentes químicos. Quanto mais espesso o material mais rígida, mais pesada e mais grosseira é a órteses. NOMENCLATURAS ORTÓTICAS • Nome do projetista (anel de Thomas) • Lugar de origem (aparelho de Milwaukee) • Comprometimento (tala para punho gotoso) Atualmente: - Designação genérica que identifica a parte do corpo envolvida e a função ortótica Ex: órteses tóraco-lombossacras/ órtese de Boston/ órtese de Charleston - escoliose NOMENCLATURA ORTÓTICA MMSS • SO - Órtese para ombro. • EWHO - Órtese para cotovelo, punho e mão. • EO - Órtese para cotovelo. • WHO - Órtese para punho e mão. • WO - Órtese para punho. • HO - Órtese para mão. NOMENCLATURA ORTÓTICA MMII • AFO – órtese de tornozelo e pé • KO- órtese de joelho • KAFO- órtese de joelho, tornozelo e pé • HKAFO-órtese de quadril, joelho, tornozelo e pé • THKAFO- órtese de tronco, quadril, joelho, tornozelo e pé Trunk (tronco) Hip(quadril) Knee(joelho) Ankle (tornozelo) Foot (pé) NOMENCLATURA ORTÓTICA TRONCO • OCTLS - órtese cervico tóraco lombar sacral • OTLO - órtese tóraco lombar • OTLS - órtesetóraco lombo sacral • OLS- órtese lombo sacral DISPOSITIVOS AUXILIARES PARA DEAMBULAÇÃO E LOCOMOÇÃO Andador dobrável Bengala 4 pontos Bengala de madeira Muleta canadense Muleta axilar Cadeira de Rodas PRINCÍPIOS BIOMECÂNICOS Princípio da pressão força P=___________________ Área de aplicação Princípio do equilíbrio Σ=0 Princípio do Braço de alavanca M=Fxd T=Fxd FUNCIONALIDADE CONFORTO PESO REDUZIDO A órtese deve ser sempre um trinômio Estes princípios influenciam diretamente no conforto da órtese CONFORTO Quando a órtese é desconfortável irrita ou lesiona a pele e estruturas subjacentes Garantir o uso pelo paciente GARANTIA DO CONFORTO • Maximização da área envolvida pela órtese - Quanto maior a porção do corpo envolvida pela órtese, menor a pressão por unidade de área • Encaixe confortável - Contato excessivo ou frouxo trará problemas • Efeito alavanca - Quanto maior o segmento longitudinal de uma órtese, menor a pressão exercida em cada extremidade. BENEFÍCIOS TERAPÊUTICOS DAS ÓRTESES • Limitação do movimento - Controla movimentação excessiva ou indesejada - Manutenção de um determinado alinhamento - Escoliose • Assistência ao movimento - Oferece apoio mecânico aos músculos fracos ou paralisados na lesão do nervo fibular BENEFÍCIOS TERAPÊUTICOS DAS ÓRTESES • Transferência de força - Uso de uma órtese para o pé que transfere a carga do esporão de calcâneo para o antepé • Proteção de partes do corpo - Queimados – uso de órteses para proteger os enxertos de pele recentes contra traumatismos - Parte insensível – uso de uma órtese protetora CLASSIFICAÇÃO DAS ÓRTESES QUANTO À FUNÇÃO • Estabilizadoras (estáticas) - Mantém uma posição e impedem movimento indesejado • Funcionais (dinâmicas) - Permitem movimentos articulares, indicadas para auxiliar, limitar ou direcionar movimentos • Corretoras (estáticas) - Indicadas para corrigir deformidades esquelética. Mais em idades infantis. • Protetoras (estáticas) - Mantém protegido um órgão afetado. CLASSIFICAÇÃO DAS ÓRTESES QUANTO AO TEMPO DE USO A indicação e a prescrição de órteses corretamente é tão importante quanto saber dimensionar o seu uso • Temporário - Uso por um tempo determinado, quer seja por curto, médio ou longo prazo. • Definitivo - Uso por tempo indeterminado, quando quase que seguramente será usada para sempre, considerando a etiologia e incapacidade. CLASSIFICAÇÃO DAS ÓRTESES QUANTO À CONFECÇÃO • Órteses pré-fabricadas São fabricadas em série, geralmente confeccionadas em termoplásticos de alta temperatura ou diferentes tecidos. - Baixo custo - Praticidade - Nem sempre atende as necessidades - Diminui o tempo entre a prescrição e o fornecimento do produto - Ajustáveis • Órteses modeladas São confeccionadas em gesso de Paris, gesso sintético ou termoplástico de baixa temperatura, diretamente sobre o paciente. - Sob medida - Alto custo - Boa adaptação - Indicação especifica - Ajustáveis Projeto e fabricação computadorizada (CAD-CAM): facilita a armazenagem e a recuperação de informações sobre os contornos do paciente INDICAÇÕES DAS ÓRTESES • Estabilizar • Suportar / Sustentar • Imobilizar • Proporcionar descarga de peso • Prevenir ou corrigir deformidade articular • Auxiliar ou restaurar função • Proporcionar marcha / auxiliar na locomoção • Aliviar / abolir dor • Auxiliar / acelerar consolidação de fraturas (órteses de Sarmiento...) • Substituir / auxiliar função (através de tecnologia eletrônica, robótica...) Órtese de Sarmiento ASPECTOS PSICOSSOCIAIS • Capacidade cognitiva - Compreender como colocar, utilizar e manter a prótese • Experiência ortótica: - Quais características da órtese anterior se mostraram aceitáveis? - Que aspectos do desenho, material ou aparência desagradaram? - Quanto melhorou a função do indivíduo com órteses anteriores? • Probabilidade de adesão - Expectativas irreais de recuperação espontânea: dúvida à adesão no programa que inclua a órtese - Importância da retirada das órteses para verificar a condição da pele e de tecidos moles - Adolescente que se recusa a utilizar a órtese – temor do ridículo - Aparência da órtese é importante: pouco visível, muito visível, desenhos de histórias em quadrinhos ÓRTESES PRÓTESES ORTOPRÓTESE NEUROPRÓTESE REFERÊNCIAS COFFITO. PORTARIA Nº 661, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2010. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3345 MEC. DECRETO No 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Disponível em:http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dec3298.pdf CARVALHO, J.A. Órtese: um recurso terapêutico complementar. Editora Manole, 2013, 2ª edição. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Confecção, manutenção de órteses e próteses. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/confecao_manutencao_orteses_proteses.pdf Centro de Excelência em Reabilitação-CERB. Portifólio de órteses. Disponível em: http://www.cerb.com.br/portfolio/19/octls LEITURAS RECOMENDADAS PORTARIA E POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DEFICIÊNCIA COFFITO. PORTARIA Nº 661, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2010. Disponível em:https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3345 MEC. DECRETO No 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Disponível em:http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dec3298.pdf Ministério da Saúde. Plano Viver Sem Limite. Disponível em: . Acesso em: 21 mar. 2013. Organização das Nações Unidas. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Brasília, 2006. Organização Mundial de Saúde. Relatório Mundial sobre a Deficiência. 2011. Disponível em: Acesso em: 21 mar. 2013. Secretaria de Direitos Humanos. Avanços das Políticas Públicas para as Pessoas com deficiência, uma análise a partir das Conferências Nacionais. Brasília, DF, 2012.