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GESTÃO PÚBLICA APLICADA AO 
TURISMO
TEORIA POLÍTICA, GESTÃO E 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: NOÇÕES 
BÁSICAS E A APLICAÇÃO EM TURISMO
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Olá!
Nesta aula, você irá:
1.Reconhecer os principais conceitos da Ciência Política.
2.Reconhecer as noções básicas de administração pública.
3.Compreender a relação entre estes temas e as Políticas Públicas em turismo.
Estado, administração e governo - conceitos básicos
Promover o bem comum: esse é um dos princípios filosóficos que justifica o surgimento do Estado Moderno e de
todas as estruturas de governo que foram criadas ao longo dos séculos XV ao século XX no mundo ocidental
(especialmente na Europa). Esse princípio justificador independe das formas de governo e dos regimes políticos,
seja uma república, uma monarquia, um sistema parlamentarista ou um presidencialismo.
Para o filósofo francês Jean Jacques Rousseau, o que faz a vida social existir e a vida política poder ser articulada
em sua plenitude é o surgimento de um “contrato entre os cidadãos”. Contrato este que é amparado na vontade
geral. Aquela a que o soberano (seja um rei ou um representante eleito) deve ser o principal seguidor.
"Vontade geral e interesse comum são termos que remetem um ao outro. Em especial, não é possível
haver a primeira se não existe já, ainda que apenas parcialmente articulado, o segundo.
Efetivamente, um dos interesses do esforço de descobrir qual é a vontade geral está em que isso é
uma maneira de tentarmos justamente articular o interesse comum - e, com isso, enxergar mais
nitidamente os laços que nos unem em uma comunidade política." (REIS, 2010. p.15)
Nessa concepção, a forma de exercício do poder, a fonte da soberania do Estado e até o papel das finanças
públicas, tudo passa por mudanças radicais: o Estado e suas estruturas devem estar a serviço do povo e não mais
do soberano.
Assim, por exemplo, inaugura-se uma visão em que os impostos devem produzir para o cidadão contribuinte
benefícios que ele individualmente não teria condições de obter. Até então, os impostos existiam para atender,
principalmente, as necessidades dos soberanos. isso muda com o mundo moderno.
"Trata-se, no fundo, de redefinir a problemática das finanças públicas em termos de uma visão
contratualista do Estado em que, "é como se" houvesse uma troca entre os impostos pagos pelos
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cidadãos e os bens e serviços recebidos através da despesa pública. Para que essa 'troca' fosse
voluntária, era necessário não só que os benefícios da despesa pública fossem superiores aos seus
custos, mas que fossem a melhor aplicação do rendimento de particulares na opção entre bens
públicos e bens privados." (PEREIRA, 1997, p. 5)
O conceito de democracia
O conceito de democracia inclui o sentido filosófico do que é o ser humano, ou seja, é um ser livre, racional e com
direitos e interesses a serem reconhecidos e é a fonte da soberania do Estado. Na figura, vemos os outros
aspectos centrais desse conceito em sua perspectiva moderna, da qual todas as concepções de gestão públicas
derivam.
Democracia
Governo do povo, exercido direta ou indiretamente pelo povo.
Governa o interesse da maioria e o governo é a da maioria.
A liberdade é o princípio central, a obediência é voluntária.
Todos são formalmente iguais perante a lei.
Governo, Gestão, Administração e Estado
O professor Clézio dos Santos aponta, em seu livro Introdução à gestão pública, que os termos Governo, Gestão,
Administração e Estado são habitualmente confundidos pelo cidadão comum, ainda que expressem conceitos
diferentes. Assim, vejamos os diferentes conceitos listados.
Esquematicamente, os três conceitos formam um bloco, como na figura, onde o governo é a expressão da
soberania que manifesta seu poder através de dois braços de ação, a administração pública e a gestão pública:
O conceito de Governo para este autor é:
“O governo, em sentido institucional, é o conjunto de poderes e de órgãos constitucionais; em
sentido funcional, é o complexo de funções estatais básicas; em sentido operacional, é a condução
política dos negócios públicos, (...). A constante do governo, porém é a sua “expressão política de
comando, de iniciativa, de fixação de objetivos do Estado e de manutenção da ordem jurídica vigente
(Meireles, 1985)”. (SANTOS, 2006. p. 11)
Administração Pública
Atividade formal baseadas em regras e normas
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Para o autor, o conceito de Administração Pública:
“Em sentido institucional, é conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do governo; em
sentido funcional, é o conjunto das funções necessárias aos serviços públicos em geral; em sentido operacional, é
o desempenho perene e sistemático, legal e técnico dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em
benefício da coletividade.” (SANTOS, 2006. p. 11)
Gestão Pública
Atividades gerenciais baseadas em objetivos
O conceito de Gestão Pública deve ser percebido como uma espécie de união dos dois conceitos acima, num
período de tempo determinado (ou na duração de um mandato). Além disso, gestão é o exercício das atividades
administrativas básicas em favor dos objetivos do governo:
“Comparativamente, podemos dizer que governo é a atividade política e discricionária e com conduta
independente; administração é a atividade neutra, geralmente vinculada à lei ou à norma técnica, é a conduta
hierarquizada; quanto à gestão, esta implica o atendimento dos seguintes parâmetros básicos: tradução da
missão, realização de planejamento e controle, administração de recursos humanos, materiais, tecnológicos e
financeiros; inserção de cada unidade organizacional no foco da organização; e tomada de decisão diante de
conflitos internos e externos.” (SANTOS, 2006. p. 12)
Atos da gestão pública
Os atos de gestão pública são divididos em:
Atos de
Império
Todo aquele que contém uma ordem ou decisão coativa que obriga as pessoas a obedecê-la;
Atos de
gestão
Todo ato que organiza a conduta interna da Administração ou cria direitos e obrigações
para ela e os administrados;
Atos de
Expediente
Aquele de preparo e movimentação de processos e outros que não envolvam decisão do
mérito administrativo.
Princípios da gestão pública
A gestão pública brasileira é articulada em alguns princípios, definidos na Constituição Federal, artigo 37:
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Administração direta e administração indireta
Para realizar suas diferentes atividades, a administração do Estado Brasileiro está organizada em dois tipos:
Administração Direta e Administração Indireta.
A primeira corresponde aos órgãos vinculados à estrutura de poder e são organismos com poder dirigente: são
os ministérios no âmbito federal e as secretarias nos âmbitos estadual e municipal.
A necessidade e justificativa para o surgimento da administração indireta é que os diversos procedimentos e
“ritos” da administração direta fazem com que suas atividades e sua capacidade de decidir sejam mais lentas.
Além disso, a interferência dos políticos nos processos decisórios também comprometia a qualidade técnica das
decisões.
Outra questão muito relevante é que as entidades da administração indireta teriam maior flexibilidade para
contratar e demitir, pois o regime de trabalho poderia ser o da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT (como
os demais trabalhadores, com “carteira assinada), o que possibilita maior facilidade para se contratar
profissionais altamente especializados, a preço de mercado, e para demitir sem justa causa, como qualquer
organização do setor privado. Todos esses elementos, em teoria, possibilitaram um aumento na eficiência e
agilidade desses órgãos.
A administração indireta compreende aqueles órgãos e entidades cuja finalidade e atividade podem ou devem
ser realizadas de modo descentralizado em relação ao governo. Elas possuem personalidade jurídica própria (ou
seja, são livres para assumir compromissos e obrigações sem a autorização do poder central, podem decidir
autonomamente).
Algumas aproximações iniciais entre turismo e gestãopública
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A definição de turismo pela Organização Mundial de Turismo como o movimento de pessoas para lugar diverso
daquele em que more por tempo inferior a 360 dias e desde que não realize atividades econômicas, implica num
conjunto amplo de atividades humanas em busca da satisfação pessoal, seja no lazer, passeio, negócio, religião.
Essas atividades, por sua dimensão e importância, interferem na e exigem interferência da ação do Estado.
A definição de turismo pela Organização Mundial de Turismo como o movimento de pessoas para lugar diverso
daquele em que more por tempo inferior a 360 dias e desde que não realize atividades econômicas, implica num
conjunto amplo de atividades humanas em busca da satisfação pessoal, seja no lazer, passeio, negócio, religião.
Essas atividades, por sua dimensão e importância, interferem na e exigem interferência da ação do Estado.
A missão do Ministério do Turismo expressa bem a visão estratégica atribuída ao segmento econômico das
atividades turísticas para o desenvolvimento do país:
“Desenvolver o turismo como uma atividade econômica sustentável, com papel relevante na geração
de empregos e divisas, proporcionando a inclusão social. O Ministério do Turismo inova na condução
de políticas públicas com um modelo de gestão descentralizado, orientado pelo pensamento
estratégico.” (BRASIL, 2012)
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Existência de um Ministério (órgão do poder executivo federal) específico para cuidar das políticas relativas ao
turismo, que é composto de duas secretarias nacionais (de programas de desenvolvimento e de políticas de
turismo);
Alinhamento da missão do Instituto do Turismo (EMBRATUR) para a priorização da promoção da imagem do
país no exterior;
Operacionalização das ações através de nove programas ou ações nacionais específicos:
• Planejamento e Gestão;
• Informações e estudos turísticos;
• Logística de transporte;
• Regionalização do turismo;
• Fomento à iniciativa privada;
• Infraestrutura pública;
• Qualificação dos equipamentos e serviços turísticos;
• Promoção e apoio à comercialização;
• Turismo sustentável e infância.
Existência de uma política nacional descentralizada e orgânica, que se estrutura em:
• Conselho Nacional do Turismo;
• Fóruns ou Conselhos Estaduais do Turismo;
• Instâncias de governança Regional (que inclui os municípios);
• Instâncias de governança Macrorregionais.
Existência de um comitê interministerial de facilitação turística;
A existência de um sistema específico de informações dos fóruns e conselhos estaduais de turismo.
Em nossas próximas aulas, estabeleceremos os papéis de cada um desses elementos na política pública
de turismo no Brasil.
O que vem na próxima aula
•Gestão da política pública de turismo:
•Limites teóricos;
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Saiba mais
Consulte o site de estatísticas do Ministério do Turismo.
http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/dadosefatos/home.html
Também o site do Organização Mundial de Turismo
https://www.unwto.org/es/acerca-de-la-omt
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•Limites práticos.
CONCLUSÃO
Nesta aula, você:
• reconheceu os principais conceitos da Ciência Política;
• reconheceu as noções básicas de administração pública;
• compreendeu a relação entre estes temas e as Políticas Públicas em turismo.
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