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O QUE É? Ritmo taquicárdico é aquele cuja frequência é superior a 100 bpm, e o ritmo normal (SINUSAL) é aquele >60 e <100 bpm. O espectro de apresentação das taquicardias é amplo, de casos completamente assintomáticos, identificados durante investigação por outra queixa clínica, até eventos com instabilidade hemodinâmica significante, que podem ser fatais, se não forem tratados a tempo. A menos que uma disfunção ventricular importante esteja presente, é consenso entre os especialistas que somente ritmos acima de 150 bpm causam sintomas de comprometimento hemodinâmico. A Fibrilação Ventricular consiste em ondulações irregulares, presentes no ECG, com frequência >300bpm. É um ritmo assíncrono, caótico e irregular, onde não é possível distinguir a onda P, o segmento ST, a onda T e o complexo QRS. Antes da FV, pode ocorrer uma TV ou torsade de pointes, que acabaram se degenerando em fibrilação ventricular. Clinicamente, a FV corresponde à parada cardiorrespiratória. A Taquicardia Ventricular é definida como sequência de três ou mais batimentos acima de 100 bpm, podendo ser dividida em TV com pulso ou TV sem pulso. OBS: A TV sem pulso, pode ser tratada como uma FV. Quanto à morfologia e à apresentação clínica, a TV poder ser dividida em monomórfica (com uma única morfologia de QRS) ou polimórfica (com mudanças morfológicas de QRS), estável e instável hemodinamicamente. PCR em FV e TV sem pulso OBS: Na presença de uma TV polimórfica, a TV deve ser sempre tratada como FV e, portanto ser submetida à desfibrilação imediata com 200J (bifásico) ou 360J (monofásico). OBS: A “torção das pontas” (“torsades de pointes”) é um subtipo de TV polimórfica marcada pela mudança cíclica, sinusoidal e progressiva do eixo e da morfologia do QRS. Geralmente, é autolimitada e recorrente. Tais características a diferenciam da FV. Ocorre em pacientes com intervalo de QT longo desenvolvido ou congênito e está associada a alguns fatores predisponentes e potencialmente tratáveis. Esses fatores predisponentes incluem drogas que prolongam intervalo QT, hipocalemia, hipomagnesemia e hipocalcemia. Além disso, a TV também pode ser: NÃO SUSTENTADA Quando apresenta três ou mais complexos consecutivos ventriculares, com frequência >100bpm e duração espontânea <30 segundos. Podem ser monomórfica ou polimórfica; SUSTENTADA Taquicardia ventricular com mais de 30 segundos de duração, ou que resulta em comprometimento hemodinâmico, mesmo sendo revertida em menos de 30 segundos. Também pode ser mono ou polimórfica. MANEJO DA PCR: A PCR pode ser causada por quatro ritmos: FV, TVSP, AESP e assistolia. A sobrevida depende da integração do SBV, do Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (SAVC) e dos cuidados pós-ressuscitação. Para vítimas de FV/TVSP, a realização de RCP e desfibrilação precoce tem demonstrado aumento significativo da sobrevida. OBS: Lembrar que no SAVC, a prioridade é o RCP/desfibrilação e não a via aérea avançada. O atraso no início da administração de vasopressores para além dos primeiros 5 minutos de PCR, bem como a demora em instalar via aérea avançada, pode estar associado a pior prognóstico. Assim, pode-se sugerir o início do uso de vasopressores no início do segundo ciclo, para pacientes em FV/TVSP, no entanto ele pode ser usado logo no primeiro ciclo se disponível, pois quanto mais cedo a sua administração melhor. O socorrista deve tentar identificar a causa da PCR – diagnóstico diferencial, obtendo dados, examinando o paciente ou conversando com os familiares. A maioria das causas de PCR pode ser resumida na memorização mnemônica “cinco Hs e cinco Ts”. TRATAMENTO DA PCR PARA FV E TV SEM PULSO: Quando a monitorização com desfibrilador manual revela ritmo de FV/TVSP, a prioridade deve ser a desfibrilação precoce, uma vez que aumenta o sucesso do prognóstico. Um socorrista carrega o desfibrilador, e outro reinicia as compressões torácicas, até o dispositivo estar pronto para desfibrilar. Realiza-se prévio aviso para todos se afastarem e, imediatamente após o choque, as compressões torácicas devem ser reiniciadas, sendo mantidas continuamente por 2 minutos, ao fim dos quais todos devem se afastar do paciente para que o ritmo seja reavaliado. Nesse momento de pausa para análise do ritmo, que não deve exceder 10 segundos, os socorristas responsáveis pelas compressões devem se rodiziar, a fim de manter a boa qualidade da RCP. Durante a desfibrilação, as fontes de oxigênio devem ser desconectadas do paciente. Após a desfibrilação as compressões devem ser retomadas por mais um ciclo de 2 minutos. Durante a reanimação, devem ser consideradas drogas vasopressoras e antiarrítmicas, bem como identificar e tratar causas potencialmente reversíveis. No desfibrilador bifásico, a energia do choque deve ser entre 120 e 200 J, conforme as orientações do fabricante (Classe de Recomendação I; Nível de Evidência B). Se o socorrista desconhece as orientações do fabricante, o choque deve ser administrado com a energia máxima disponível no aparelho (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência C). Os choques subsequentes devem ocorrer com energia equivalente ou superior (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência B). Há duas possibilidades de posicionamento para as pás: anterolateral, em que as pás devem ser posicionadas na projeção do ápice cardíaco e abaixo da clavícula direita, ou anteroposterior. Não existe tamanho ideal, mas uma superfície maior gera menor resistência e maior corrente, associando-se à menor lesão miocárdica. OBS: O uso contínuo de um DEA não é recomendado quando houver um desfibrilador manual disponível e se as habilidades do socorrista permitirem a interpretação do ritmo. Isso porque, o uso de um DEA pode resultar em interrupções desnecessariamente prolongadas nas compressões torácicas para análise do ritmo e administração do choque. OBS: As compressões torácicas devem ser interrompidas SOMENTE para a ventilação (exceto quando se tem uma via aérea avançada segura), análise do ritmo e aplicação do choque. OBS: O ideal é que a interrupção na RCP para realizar a análise do ritmo NÃO EXCEDA 10 segundos. ♥ TRATAMENTO DA FV/TV EM PACIENTES COM HIPOTERMIA: Nesse tipo de paciente, que possui temperatura corporal <30ºC, uma única tentativa de desfibrilação é adequada. Se o paciente não responder às tentativas iniciais de desfibrilação é preciso adiar as tentativas subsequentes e a terapia farmacológica até que a temperatura central corporal esteja >30ºC. Isso ocorre pois, o coração com hipotermia pode não responder à farmacoterapia, à desfibrilação e à estimulação com marca- passo, além do metabolismo dos medicamentos também estar reduzido. A partir disso, existe uma preocupação de que os níveis dos medicamentos possam se acumular, chegando a níveis tóxicos quando usados em posologias convencionais. Para os pacientes com hipotermia moderada (30ºC a 34ºC), tentar a desfibrilação e administrar medicamentos em intervalos mais longos. O objetivo do tratamento de SAVC para o paciente com hipotermia grave (temp. <30ºC), em PCR no ambiente hospitalar, consiste em um reaquecimento central corporal rápido. MEDICAÇÕES PARA TRATAR A FV E A TV SEM PULSO: Após o primeiro choque, procede-se à RCP por 2 minutos, seguida de checagem de ritmo no monitor. Se a FV/TV persistir, procede-se a novo choque de alta energia, seguido por RCP durante 2 minutos. O momento para administrar o vasopressor não tem sido estabelecido, devendo-se considerar seu início após o estabelecimento do acesso venoso, podendo ser antes do 1º choque. A administração precoce poderia otimizar o fluxo sanguíneo miocárdico antes do próximo choque. Em qualquer ritmo de PCR, a primeira droga a ser utilizada deve ser a adrenalina. Embora o nível de evidência seja limitado,recomenda-se administração de adrenalina 1 mg a cada 3 a 5 minutos. Fazer flush com 20 ml de soro fisiológico e elevar o MMSS do paciente para facilitar a circulação da droga. OBS: A vasopressina e a Atropina não são mais indicadas como drogas vasopressora na PCR. Caso haja persistência de FV ou TVSP, apesar da RCP, desfibrilação e vasopressor, indica-se um antiarrítmico, podendo este ser amiodarona ou lidocaína. A amiodarona pode reduzir a recorrência de arritmias ventriculares em mais de 50% dos pacientes, devendo ser administrada por pelo menos 24 horas após o RCE, em bomba de infusão contínua. Durante a realização do PCR, a amiodarona deve ser administrada após o 3ºchoque, em dose inicial de 300 mg IV/IO e depois, pode-se considerar o uso adicional de uma dose de 150 mg IV/IO. Além da amiodarona, a lidocaína também pode ser usada com uma primeira dose de 1-1,5 mg/kg, e depois doses de 0,5-0,75 mg/kg até um máximo de 3 doses ou até atingir 3mg/kg. Fazer flush com 20 ml de soro fisiológico e elevar o MMSS do paciente para facilitar a circulação da droga. O sulfato de magnésio não deve ser utilizado de maneira rotineira. Estudos demonstram benefício do uso para FV ou TVSP associada a prolongamento do intervalo QT por drogas ou TV polimórfica do tipo Torção das Pontas (TdP). A naloxona também pode ser usada em casos depossível overdose por opióides, administração de 2 mg intranasal ou 0,4 mg IM, podendo repetir após 4 minutos. OBS: Em pacientes com suspeita de hipercalemia, acidose metabólica e intoxicação por tricíclicos, usar bicabornato de sódio – 1 meq/kg. Referências: ACLS – Edição 2006 Diretriz de RCP – Atualização de 2019 VASOPRESSOR: Provoca vasoconstrição periférica e serve para desviar o fluxo para o coração e o cérebro. ANTIARRÍTMICOS: Aumentam a chance de RCE em pacientes com FV/TV refratária.