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Farmacologia – Aula 12 
 
Medicamentos a nível ambulatorial, unidade de saúde, tratamento em casa, automedicação. Os medicamentos que 
vamos falar podem ser usados no manejo do tratamento sintomático da gripe, mas também para casos de rinite, 
alergia, rinosinusite, sinusite, muitos desses medicamentos acabam sendo usados para tratar esses sintomas que 
incomodam as pessoas: coriza, prurido, febre leve, congestão nasal e tosse que normalmente acompanha esse 
processo. 
 
Rinite 
É uma patologia de supersensibilidade, hipersensibilidade a algum alérgeno, antígeno. É particular de cada um, então 
uns tem a ácaro, outros tem a pólen, a odores, ar muito seco. Mas a característica final é igual para todo mundo: 
começa normalmente com prurido nasal, e depois começa a lacrimejar, começa a ter congestão e algumas vezes essa 
congestão excessiva vai desencadear processo de sinusite, ou seja, uma infecção oportunista e muitas vezes até um 
caso de otite em função desses fatos. 
As rinites podem ser classificadas de acordo com o agente etiológico, nós vamos dar mais ênfase hoje para as questões 
alérgicas e vamos falar um pouquinho desse manejo, que mesmo sendo infecciosa, mas o início do processo o 
tratamento é bastante parecido. 
E nós vamos principalmente classificar a rinite se ela é intermitente ou persistente. Nosso principal alvo é olhar para 
esse quadro, se esse quadro é de rinite intermitente, ou seja, eu tenho esporadicamente, normalmente cada vez que 
eu tenho crise, ela é bastante intensa, é sempre muito rápida. Quem tem rinite alérgica sabe disso, a pessoa está bem, 
chega em um determinado local e tem o alérgeno, em poucos minutos deflagra a crise e ela é bastante significativa, 
bastante intensa. A rinite persistente é daqueles quadros em que todos os dias está com congestão nasal, todos os 
dias com leve prurido, só que tem o incomodo diário, então acaba atrapalhando a rotina do dia a dia. 
Em ambas as situações a gente vai fazer o tratamento. Temos o tratamento agudo e o manejo crônico dessas situações. 
Essas mesmas manifestações da rinite normalmente aparecem na gripe, então se nós temos uma infecção viral, tipo 
influenza, não importa o tipo A ou B, normalmente tem coriza, congestão nasal, tosse, então acabam sendo 
empregados exatamente os mesmos medicamentos 
Então os fatores desencadeantes podem ser vários para cada pessoa, pode ser apenas um agente que deflagra, então 
cada pessoa tem que conhecer seu alérgeno para tentar evitar a superexposição. Mas é claro não tem como quem 
tem rinite alérgica viver numa bolha, sempre em algum momento ele vai se expor e vai ter a crise. 
 
- Mediadores químicos 
Normalmente começa com a liberação de Histamina, então o alérgeno entrou na nossa circulação, normalmente eu 
tenho uma IgE que é uma imunoglobulina que reconhece aquele antígeno e isso normalmente ativa mastócitos para 
fazer degranulação de histamina. Então a histamina é normalmente o primeiro componente das alergias, das rinites. 
E daí que vai caracterizar o prurido, esse prurido facial, orofacial, principalmente nasal; a vasodilatação, por isso que 
fica todo vermelho; e a partir daí já começa a deflagrar a ativação de outras células de outros mediadores. Então 
normalmente lá na histamina a gente vai ter essa vasodilatação, prurido, grande secreção de muco, por isso a coriza. 
Depois disso a gente tem o processo inflamatório mediado por prostaglandinas e em casos mais graves pensando no 
sistema respiratório inferior a ativação da via dos leucotrienos, pensando que o processo pode ter iniciado no sistema 
respiratório superior e deflagrado uma crise um pouco mais intensa a nível de pulmão. 
 
- Tratamento 
Então sempre a gente vai fazer o manejo não farmacológico, não medicamentoso, então, tentar evitar, daí cada um 
tem que se conhecer, se é pólen, poeira, pelo de bicho, tem que tentar evitar, sempre o quarto muito limpo, utilizar 
produtos com pouco cheiro e que sejam mais efetivos na limpeza, por isso vocês vão ver que muitos dos médicos que 
trabalham com pessoas que tem alergia vão trabalhar muito com o vinagre, com ácido acético como sendo produto 
de limpeza, porque ele é eficiente, tem um cheiro forte na hora que aplica mas depois não deixa resíduo, combate 
ácaros, acaba sendo bem efetivo, enquanto produtos que tem muito cheiro desencadeiam alergia e tem pouca 
efetividade em combater microrganismos. Não se recomenda nunca varrer, sempre passar pano ou aspirador. Tem 
algumas condições recomendadas, que devem ser do dia a dia da pessoa. Desde a questão de perfumes, desodorantes, 
talcos, roupa de cama, que tem que ser lavada e pegar sol, então são medidas que normalmente a gente já conhece, 
já sabe rotineiramente e que devem ser reforçadas. 
Quando a gente vai falar do tratamento farmacológico e falar em rinite a gente vai pensar em primeiro lugar, nos 
medicamentos chamados antialérgicos ou anti-histamínicos. 
 
 
- Anti-histamínicos 
Bloqueiam receptores H1, esse bloqueio preferencialmente deve ser periférico, mas pode ser periférico e central. E 
qual vai ser o problema? O problema é que se eu bloquear a ação da histamina no SNC eu vou ter sonolência. A 
histamina no SNC é responsável pela vigília, por isso sempre que usamos antigripal, aquelas formulações prontas, 
resfenol, cimegrip, naldecon, é só tomar, em questão de uma hora a gente quase não aguenta de tanto sono, porque 
nessas formulações tem anti-histamínico de primeira geração, ou chamado anti-histamínicos clássicos. Esses anti-
histamínicos clássicos permeiam a barreira hematoencefálica, então bloqueiam receptores H1 periféricos e central. 
O problema é que esses medicamentos não bloqueiam só receptores H1, eles vão bloquear também outros receptores, 
como os muscarínicos, então por isso que, rapidinho, é só tomar um antigripal que todo aquele nariz que está 
escorrendo imediatamente vai ficar seco. E aqui vem o que o paciente mais deseja, que é justamente parar o prurido 
e a coriza que é o que normalmente está incomodando ele, só que, no entanto, quando eu bloqueio a secreção de 
muco, principalmente nas fossas nasais, eu vou estar abrindo as portas para uma infecção oportunista. Então, nosso 
grande problema com os anti-histamínicos é que como ele seca a mucosa, isso propicia infecções oportunistas. Quase 
todas as pessoas que tem sinusite, que é normalmente o processo infeccioso, usaram anteriormente anti-histamínico, 
então isso é quase sempre notório. Por isso vocês vão ver que é contraindicado para idosos e crianças, porque eles 
têm um risco bastante importante de quando desenvolvem pneumonia de ser grave e quando se usa anti-histamínico 
eu propicio para uma possível infecção oportunista, e aí é justamente o público que usa bastante, principalmente 
crianças. Então quando eu uso anti-histamínico eu resseco mucosa e facilito infecção oportunista, esse é o grande 
risco do uso. Não que eles não devam ser usados, mas tem que ser usados pelo período mais breve possível. Então, 
teve uma crise e tem que vir para a aula, está escorrendo o nariz, toma um antigripal, vem para a aula, mas não toma 
o segundo. Nosso problema é que todas essas formulações vêm com a indicação de tomar de 4 em 4h ou de 6 em 6h, 
assim, frequentemente, em 2 dias de resfriado as pessoas tomam 5, 6 ou até 8 comprimidos de antigripais, contendo 
anti-histamínico, e ai de certeza que ela vai ter infecção oportunista. 
Bom então os anti-histamínicos nós dividimos em clássicos e não clássicos. 
Os anti-histamínicos podem ser usados por toda a população, sempre com esses riscos envolvidos, mas podem ser 
usados inclusive por gestantes. Então para as gestantes, tem os clássicos e inclusive os não clássicos como loratadina, 
que pode ser usado sem desencadear teratogênese. 
 
1. Não clássicos 
São aqueles que não permeiam a barreira hematoencefálica, que alguns autores chamam de segunda geração. Então 
esses que não permeiam a barreira hematoencefálica, são os medicamentos que causam pouca ou nenhuma 
sonolência, porqueeles vão bloquear os receptores H1 e os muscarínicos somente periféricos. Então não permeando 
a barreira hematoencefálica, vão causar quase que nenhum sono. 
Efeitos adversos: retenção urinária, constipação, menos secreção ácida, prejudica a digestão e os movimentos do TGI 
Cetirizina, Desloratadina e loratadina (a desloratadina é o enantiomero puro dela), a fexofenadina, que é o Allegra, 
Ebastina, Epinastina 
Não temos diferença de eficácia, a efetividade de todos é muito parecida. O que muda vai ser a potência, vocês vão 
ver que a loratadina (SUS) tem comprimidos normalmente de 10 mg, a desloratadina a metade. (potência: quanto que 
eu preciso de um fármaco para ele produzir a tal resposta). Isso pode indicar uma diminuição dos efeitos adversos. 
 
2. Clássicos 
Permeiam a barreira hematoencefálica, chamados de primeira geração 
Efeitos adversos: sonolência, tonta retenção urinária, constipação, menos secreção ácida, prejudica a digestão e os 
movimentos do TGI, receptores adrenérgicos: hipotensão ortostática e receptores serotoninérgicos aumento do 
apetite. 
Dexclorfeniramina (SUS), hidroxizina (SUS), prometazina (Fenergan) (SUS), Clemastina e Cetotifeno. 
Não temos diferença de eficácia, a efetividade de todos é muito parecida, o que muda é a potência. 
*Prometazina: até de uso tópico para picada de mosquito 
 
3. Outros 
Nós temos anti-histamínico de uso tópico intranasal, o spray nasal. Temos também o anti-histamínico colírio, para 
situações de alergia, o paciente entrou em contato com alguma substancia química que irritou o olho, que pode está 
utilizando, mas é muito raro, normalmente usa corticoide. 
Anti-histamínico nasal a gente tem a Azelastina, para quem tem rinite alérgica, principalmente relacionada com muito 
prurido nasal, para diminuir o prurido, mas tem pouca utilização porque é muito caro, e a gente tem outros 
medicamentos que tem indicação de primeira linha nesse caso, mas existe, está no mercado. O que a gente vê é que 
se a pessoa está com uma crise muito acentuada, não está mais só no nariz, já está sistemicamente, está lacrimejando, 
já tem coriza, então ela não quer mais só o nasal, ela quer o efeito sistêmico e acaba tomando loratadina ou 
desloratadina e vai resolver tudo sem precisar usar o spray que é tão caro. 
 
Exemplo: dimenidrinato, vocês conhecem pelo nome comercial de Dramin. Para que que vocês aprenderam que serve 
o Dramin? Para enjoo, náuseas, vômitos, mas da qualquer situação? Não, para duas situações: Náuseas e vômitos 
causados por movimento (cinetose) e para manejo agudo das crises de labirintite (nada mais são do que distúrbios do 
movimento, alterações no aparelho vestibular. O Dimenidrinato (dramin) é um anti-histamínico, um antialérgico, só 
que popularmente ele foi trabalhado comercialmente para tratar náuseas e vômitos, mas se nós tivéssemos com crise 
de labirintite e eu tenho Fenergan (Prometazina) eu posso tomar, vai funcionar da mesma forma, porque esses 
medicamentos não tratam a disfunção vestibular, eles tiram as náuseas e os vômitos que é o que faz com que a pessoa 
não queira se movimentar, e para a pessoa se recuperar de uma crise aguda de labirintite, que nada mais é do que 
uma disfunção naqueles cristaizinhos lá da cóclea, ela precisa mexer a cabeça, mas quando ela mexe o corpo e a cabeça 
ela quer vomitar, então ela fica parada, e quanto mais parada mais tempo ela vai ficar sobre a crise, então tirar náuseas 
e vômitos acaba encorajando o paciente a movimentar-se, tanto é que a terapêutica ideal para quem tem crises 
constantes é fazer fisioterapia; procura um fisioterapeuta, ele vai lá pega a cabeça da pessoa faz vários movimentos 
bem intensos, ensina alguns movimentos ao paciente para fazer em casa e normalmente a pessoa fica livre pra sempre, 
o verdadeiro tratamento nas crises de labirintite não é conosco, é com a fisioterapia, normalmente chegam pessoas 
carregadas e conseguem sair andando numa boa. 
Porque eu quero chamar atenção? Porque tem várias pessoas, vocês vão encontrar vários idosos, que tem crises de 
labirintite e foi prescrito para eles Vertix, Vertix ND, stugeron, são todos anti-histamínicos de primeira geração, e eles 
tomam todos os dias pela manhã, então eles estão sempre meio sonolentos, com a coordenação motora 
comprometida, por que diminui a vigília, diminui a atenção e eles tem muita fome, então normalmente em 3 meses 
de uso já engordaram 4, 5 kg, vocês vão dizer: tanto assim? É! Isso tanto é verdade que o medicamento buclisina, se 
vocês falarem com os pediatras, eles prescrevem o nome comercial Buclina para tratar as crianças que não comem, 
não ganham peso. Então a buclisina é primeira escolha na pediatria para uma criança de 3, 4 anos que nega qualquer 
comida, a mãe pode fazer de tudo, está abaixo do peso porque ela não tem vontade de comer, então a mãe sempre 
antes de ir dormir da buclisina, porque dá sono, só que isso depois de 10, 15 dias seguidos vai dar muita fome e 
desperta o apetite, normalmente dali em diante a criança cria o hábito de comer e consegue se alimentar. Mas 
buclisina é um anti-histamínico? Se eu estiver com coceira porque vários insetos me picaram posso tomar? Pode. 
Posso tomar dramin para uma crise de alergia? Pode. O problema é que tradicionalmente alguns nomes comerciais 
foram nos apresentados como sendo para tal fim, dramin sempre para náuseas e vômitos, fenergan sempre para 
prurido, buclisina sempre para engordar. E não raramente na casa de uma família tem os 3, quando um deles serviria 
para qualquer uma das situações, mas é aquela tradição de uso vinculada ao nome comercial, como foi trabalhado 
pelos laboratórios. Só para mostrar para vocês que a gente está falando tudo de uma classe de medicamentos. 
Obviamente que para estimular o apetite, para diminuir náuseas e vômitos tem que atuar no SNC, então loratadina 
não vai se encaixar nessa nossa fala, fexofenadina (allegra) não se encaixa, porque só bloqueiam receptores H1 e 
muscarínicos periféricos, e para exercer essa ação tem que permear a barreira hematoencefálica, então somente os 
clássicos se enquadram nessa situação. 
A gente vai falar da Efedrina, porque quase todas as pessoas que tem rinite alérgica, começa com o prurido, vocês 
viram que a histamina vai fazer vasodilatação, quando dilata as várias artérias que nós temos na nossa mucosa nasal 
a passagem do ar fica prejudicada, então todo mundo tem congestão nasal. Durante o dia a gente ainda passa meio 
que com dificuldade, mas vai respirando pela boca, mas a noite, na hora que deita a coisa se complica, você respira 
pela boca, seca a boca, começa a tosse, se afoga, e aí quase todo mundo busca um descongestionante nasal. 
Um detalhe dos anti-histamínicos, porque isso que vocês estão vendo aqui, de poder induzir a rinite medicamentosa 
os anti-histamínicos também fazem, por incrível que pareça, depois que eu uso 5 dias seguidos, eu começo a ter rinite 
do próprio medicamentos anti-histamínico. É por isso que a gente tem uma falha bem grande, a gente tá vendo muito 
hoje prescrição de anti-histamínico para tratar sinusite, que as pessoas tem tosse porque tem o gotejamento durante 
a noite, durante o dia fica tendo tosse, normalmente se usa anti-histamínico para secar essas secreções, até porque 
vários acabam tendo otite além da tosse e faz-se um uso as vezes de 20 a 30 dias, e normalmente depois de um x 
tempo, 5 ou 10 dias no máximo, de anti-histamínico, ele começa a ter rinite do anti-histamínico, então também ter 
que ser por um período curto, não pode ser usado por esse período prolongado que a gente vem observando nas 
prescrições. Sem contar o risco, quando eu uso anti-histamínico, eu resseco a mucosa e desencadeio outras doenças 
secundárias por essa situação. 
 
 
 
 
- Descongestionantes Nasais 
Nós temos de uso sistêmico: xaropes, comprimidos e uso tópico: aquelas gotinhas nasais, que são extremamente 
efetivas, mas o grande risco é o potencial para dependência que eles acabam induzindo. Vocês devem conhecer 
pessoas quevolta e meia estão lá pingando descongestionante nasal qualquer horário do dia. 
Mecanismo de ação: São agonistas adrenérgicos (1) ou adrenomiméticos, cuja ação principal é vasoconstrição 
Então nós temos vários: Efedrina, Pseudoefedrina, Fenilefrina, normalmente estão presentes nos comprimidos 
antigripais, o mais frequente é que estejam em doses baixas, porém existem exceções 
 
Exemplo: o Naldecon noite é uma formulação que existe só no brasil, 800 mg de Paracetamol com 20 mg de 
Pseudoefedrina, que é o descongestionante nasal, gente, imaginem você tomar 20 mg de um vasoconstritor, essas 
substancias são agonistas de receptores alfa 1, vão ativar os alfa 1 presentes nas artérias e arteríolas para promover 
a contração, diminui o tamanho desses vasos, melhora a passagem do ar, mas não vão só nos vasos sanguíneos da 
fossa nasal, mas sim de todo o corpo, então são potencialmente agentes hipertensores. Imagine usar um 
descongestionante nasal de ação sistêmica (vasoconstritor de ação sistêmica) para um hipertenso, e essas formulações 
são de venda livre, não tarjadas, as pessoas podem comprar livremente, e sem orientação tem um risco bastante 
importante. 
 
Pergunta: é verdade que o descongestionante pode alterar a PA? 
Resposta: O colocado no nariz não, só as formulações sistêmicas. O que é colocado no nariz não vai chegar a afetar 
isso, mas afeta muito a pressão dessa região, porque imagina você está colocando 1, 2 gotas. O que vai ocorrer? Ele 
vai sendo absorvido e fazendo a contração daqueles vasinhos, claro depois sistemicamente, mas é pouco. Mas nós 
temos um problema nessa situação: quanto que as pessoas aplicam? Então talvez eu até tenha que dizer sim para a 
tua pergunta, porque se eu olhar como é a forma correta de uso, não, mas como parte da população usa pode ser que 
sim. Porque é UMA gota em cada narina que se aplica de descongestionante nasal, pode-se aguardar mais 10 minutos 
e aplicar mais uma gota em cada narina e deu por 6 ou 12h, depende o descongestionante, nós temos os de duração 
curta, que reaplica de 6 em 6 h e os de 12 em 12h. 
Bom, qual é o problema, as pessoas estão congestionadas, cheias de muco, respirando pela boca, a maioria das 
pessoas não coloca 1 gota em cada narina, colocam jatos e aí faz uma vasoconstrição tão grande que tem que colocar 
um pano quente na frente do nariz porque dói para respirar. A vasoconstrição está tão intensa que não consegue 
aquecer o ar e dói toda a cavidade nasal, porque é uma gota em cada narina, pode-se repetir em 10 minutos outra 
gota, boa parte da população não faz assim. 
 
Porque que pode ficar dependente? Se eu estou com o nariz congestionado, aplico uma gota, em 15 minutos você 
está respirando e dorme perfeitamente, então normalmente a gente tem resfriado, gripe, mas mais comum no 
resfriado e na rinite alérgica, no dia seguinte, eu continuo congestionado, então aplico no dia seguinte também. No 
terceiro dia eu já estou, hora tá bom hora tá ruim, se nesse dia eu não resistir a aplicar, eu já estou me acostumando 
a respirar sempre de uma forma fácil, sempre com os vasinhos contraídos, no quinto ou sexto dia, quando meus vasos 
começam a ficar do tamanho normal, eu acho que está estranho, eu acho que estou tendo falta de ar pelo meus vasos 
estarem normais na verdade, porque estou tão acostumada a contração que quando dilata um pouquinho eu acho 
que está obstruindo a passagem do ar, então é muito rápido, entre quinto ao décimo dia de uso já tem dependência. 
Então o vasoconstritor de ação localizada nasal é contraindicado de forma absoluta para menores de 12 anos de idade, 
se usa só o soro que eu vou mostrar depois. Nas formulações dos antigripais para uso sistêmico, normalmente nessas 
crianças são xaropes que tem Paracetamol, Efedrina ou Pseudoefedrina e que tem anti-histamínico junto. Quando eu 
falo xarope nesse sentido aqui, não é o xarope, termo para tosse, é que na verdade para nós da farmácia, xarope é o 
tipo de formulação farmacotécnica que no momento do preparo tem açúcar na sua composição, e agora já tem 
formulações com açúcares não digeríveis, para os diabéticos. Mas xarope é uma forma farmacêutica, líquida, que 
normalmente na sua preparação tem açúcar e esses xaropes que eu estou falando aqui não tem nada a ver com tosse, 
é anti-histamínico. Para vocês ficaria mais claro como sendo uma solução de uso oral que tem anti-histamínico, 
normalmente Paracetamol e um vasoconstritor. Então para crianças de 12 anos tem isso, uma formulação bem 
baixinha de vasoconstritor para ação sistêmica. Alguns para menores de 5 anos as vezes só tem o anti-histamínico com 
o AINE. 
Então, esses medicamentos eles atuam como agonistas alfa 1, promovem a vasoconstrição, melhoram a passagem do 
ar e dão a sensação de desobstrução nasal, aí normalmente o paciente respira melhor e fica bem. 
Efeitos Adversos: Hipertensão marcante quando o efeito é sistêmico ou se uso localizado com doses exageradas; dores 
de cabeça, ansiedade, tremor, taquicardia, isso vai aparecer em doses elevadas, principalmente sistemicamente. Em 
doses altas pode ter uma complicação severa. 
 
Exemplo: imagina um descongestionante nasal lá em cima da cama e uma criança de 2, 3 anos tomar, que é um 
acidente bem frequente de acontecer com medicamentos e criança em casa, aí a gente tem uma situação que é grave. 
 
Pergunta: No caso de uma criança tomar, o que é feito? 
Resposta: Só tratar sintomas aqui, não existe antídoto, é um agonista alfa 1, eu vou usar os anti-hipertensivos e beta 
bloqueadores e só. Boa parte dos acidentes com medicamentos não tem antídoto, é sempre tratamento sintomático. 
 
Então vejam que os descongestionantes tópicos nasais devem ser usados por no máximo 5 dias. 
O mais comum que vocês vão encontrar é a base de Nafazolina e Oximetazolina, tem outros ainda, mas quase todas 
as formulações que vocês conhecem de Neosoro, das formulações que contém vasoconstritor normalmente contém 
um ou outro. E bastante cuidado gente, por exemplo, essa formulação que eu sempre falo do Neosoro, bem 
antigamente Neosoro era soro fisiológico, eles mudaram a formulação e tem vasoconstritor, só que o nome é sugestivo 
de soro fisiológico, é bastante perigoso e ele não é tarjado, é venda livre. 
 
- Corticoides tópicos 
A literatura descreve como a primeira linha de tratamento de manutenção, porque fase aguda, se está com crise de 
rinite alérgica, está sintomático da gripe, é anti-histamínico com vasoconstritor, mas não é essa a situação. A situação 
é que eu vou ter várias crises porque eu tenho rinite, alergia ao pólen e agora é primavera, eu sei que eu vou ter várias 
crises, então o que é comum: o médico prescrever um medicamento que aumente o limiar para o alérgeno, que vocês 
já conhecem bem porque a gente já falou deles lá na asma, que são os corticoides. A diferença é a forma de utilização, 
para a rinite alérgica o que se usa são formulações intranasais, então são formulações que normalmente vem esse 
dispositivo, que eu vou colocar dentro da narina e vou fazer o jato dentro da narina, um jato em cada fossa nasal. São 
várias formulações, vários laboratórios, todos os corticoides que a gente já viu na asma, Budesonida, Fluticasona, 
exatamente as mesmas substâncias. 
Como eles vão atuar e como se utiliza? O mais comum é que se faça um jato em cada narina pela manhã e um a noite, 
isso é o mais frente e o objetivo desse medicamento é aumentar o limiar, então se eu já estou em crise não vai resolver 
nada, o objetivo é usar antecedente, então a primavera começa em setembro, metade de agosto eu vou começar a 
usar o corticoide intranasal e vou passar a primavera inteira usando esse corticoide, depois quando meu período de 
crise ficar brando, normalmente a gente tem alta. 
 
Pergunta: O Avamys está nesse grupo? 
Resposta: Sim, é um corticoide intranasal. 
 
O objetivo desses medicamentos é aumentar o limiar para o alérgeno. Uma questão que a gente tem visto, é que 
algumas prescrições são de uso contínuo, qual é o problema disso?Esses corticoides intranasais é absorção de 100%, 
a mucosa nasal é uma área de ótima absorção de substâncias lipossolúveis como o corticoide, tudo bem que vamos 
estar trabalhando com doses muito baixas: 200 microgramas em cada jato, 400 microgramas de manhã e 400 a noite, 
por ex. Só que por 2, 3 anos nós vamos ter de forma muito mais acentuada que na asma a síndrome de Cushing, 
porque lá nos dispositivos para asma nos ainda jogávamos uma parte da dose para ação localizada de baixa absorção, 
que era no trato respiratório, agora aqui não, nas fossas nasais é absorção 100%, então ele age localmente nas células 
que encontra na mucosa nasal e o restante vai ser absorvido. 
Mecanismo de ação: O mesmo que vocês já aprenderam, eles vão entrar dentro da célula, então eu tenho macrófagos, 
mastócitos, células de defesa aqui na mucosa nasal, que quando elas encontram o pólen, que é o meu exemplo da 
alergia, elas acabam degranulando, liberando suas citocinas. No entanto se eu estou fazendo uso já 15 dias antes da 
primavera do corticoide, ele está entrando dentro da minha célula e ele está bloqueando a síntese das interleucinas, 
histamina. Lembram que localmente corticoide entra dentro da célula e ela diminui a produção das citocinas, então 
eu comecei a usar dia 15 de agosto, agora é setembro, tem muito pólen, eu estuo andando na rua, normalmente tem 
pólen circulando no ar, eu entro em contato, dá uma leve coceirinha talvez e não tenho nada. Claro que eu não posso 
ir para um campo florido também, porque lembram o que os corticoides fazem? Eles aumentam o meu limiar para o 
alérgeno, mas é até um tanto, se eu sobrecarregar de alérgeno, aí as minhas células vão degranular o que elas têm, 
elas têm pouco, mas vão degranular, só que aí é todas degranulando porque eu tenho muito alérgeno. Então o objetivo 
desses corticoides é aumentar o meu limiar. A vantagem dessa aplicação é que quando comparado com uso sistêmico, 
a dose é muito diferente, os efeitos colaterais serão diferentes, então a gente tem uma redução dos riscos para 
síndrome de Cushing, mas não posso esquecer que esses de uso tópico são absorvidos e a longo prazo a gente vai ter 
os mesmos problemas. 
A dose recomendada é de uma a duas instilações em cada narina, 1 a 2 vezes ao dia, o mais comum é uma instilação 
a cada narina, uma pela manhã e uma a noite, e tenta-se evitar dose acima de 400 miligramas, mas várias vezes vocês 
vão ver que para as pessoas é passado uma dose maior. 
Quem são eles? Os mesmos que vocês estudaram lá na asma, a Fluticasona, Budesonida, Beclometasona, exatamente 
as mesmas formulações que tem lá tem aqui, só que agora com esse dispositivo para uso intranasal. Então mostrando 
as várias formulações, existem outras, e são supercaras, não tem na atenção básica, lembrem que os dispositivos para 
asma têm porque é o componente estratégico para asma, isso aqui não tem, é só na rede privada. 
 
- Solução Salina 
Outro tratamento, que é o de primeira linha para todas as situações é a hidratação da mucosa, a solução salina, essa 
é a mais efetiva, só que é pouco trabalhada porque comercialmente não vai dar muito dinheiro, porém é a mais efetiva, 
e eu garanto isso para vocês. Qualquer pessoa aqui da sala, por mais severa que seja sua rinite alérgica, se quando 
deflagrar, que começou a história de coçar o nariz, você procurar uma torneira e começar a lavar o rosto e não secar, 
deixar a água secar sozinha, e você lavar umas 10 vezes, você não vai ter crise, não vai ter mais nada, vai parar ali. Só 
com água! Quer algo mais efetivo? Você vai investir o dinheiro uma vez só, porque é carinho, você vai comprar o soro 
concentrado, o soro, esse é o sorine que é do laboratório ache, mas tem outros laboratórios. Esse é o sorine H, que é 
3% de cloreto de sódio, porque os soros comuns que a gente tem, pode ser soro comum a 0.9, aquele que tem um 
litro que é 2 ou 3 reais, que é bem barato? Pode, no entanto, tem baixo teor de sódio, tenho que aplicar várias vezes. 
Quando a gente usa esse concentrado que é 3%, ele retém a umidade, então a nossa mucosa fica úmida, ela pesa e 
fluidifica, a gente engole e o alérgeno vai embora rapidinho. Com esse sorine H, se usar de manhã e à noite, que é soro 
concentrado, dificilmente a gente vai ter alergia. Vai ter a crise se você usar anti-histamínico, se você não usar 
normalmente não tem. Mas não tem, estou aqui na faculdade, esqueci em casa, fui em algum local e começou meu 
prurido nasal, pega água, pega uma garrafa de água, molha a mão e vai molhando o rosto, não deflagra a crise, só que 
isso é coisa que pouca gente fala, pouco divulgado, porque isso derruba as vendas de vários dispositivos e dos anti-
histamínicos de uma forma geral, mas tem efetividade de 100%. 
Para a própria sinusite, vocês devem ter visto que se vende na internet um dispositivo que eles chama de Lota, que é 
como se fosse uma chaleirinha, que você faz a lavagem da cavidade nasal, pode ser feito com isso aqui também, a 
questão é saber coordenar, você vai na frente da pia, vai virar a cabeça de lado, e vai instilar soro nasal nessa fossa 
nasal, ele vai fazer a volta e vai sair pela outra. 2 ou 3 vezes disso, 2 ou 3 dias seguidos, normalmente para quem está 
com crise de sinusite não precisa nem de antibiótico. Tem que lavar a cavidade nasal efetivamente, porque é ali que 
as bactérias estão depositadas, tira a secreção, que é substrato para elas e se resolve o processo infeccioso, algumas 
raras situações que vai precisar de antibiótico, mas na maioria das vezes a gente evita as crises de uma forma simples 
que é o soro fisiológico. Então ele tem que ser melhor aproveitado. Posso fazer em casa o soro? Pode, o problema é 
acertar as medidas, na questão do sal. Então pode comprar o sorine H que é concentrado ou comprar o soro fisiológico 
normal que é baratinho, tem na unidade de saúde gratuitamente a 0,9%. 
Como é que funciona, qual o mecanismo de ação: Ela altera a composição do muco, o muco fica muito líquido, ele 
fluidifica, pesa, e quando pesa a gente deglute, o alérgeno que vai me dar a crise ele está na mucosa nasal, então se 
eu deglutir ele vai para o trato digestivo e a minha crise passa, por isso a hidratação da mucosa é a forma mais eficiente 
para prevenir gripes, resfriados, rinites alérgicas. 
 
Pergunta: Tem uma lenda que sorine vicia. 
Resposta: Não, tem que cuidar, esse aqui é só soro fisiológico com cloreto de benzalcônio que é o conservante, é que 
tem vários, tem que ver que alguns tem vasoconstritor, é isso que tem que ver, mas a maioria dos sorines é só com 
soro, aí não tem problema, soro e cloreto de benzalcônio que é o conservante, porque muito tempo aberto ele funga, 
só por isso. Ele em si não tem problema, o grande risco é aquele que tem vasoconstritores, aí esses viciam. Mas existe, 
do laboratório ache, com o nome sorine, só que ele tem um complemento, bem pequenininho, que aí tem 
vasoconstritor, aí é um problema. 
As soluções salinas isotônicas, a 0,9% são empregadas para esses tratamentos e tem uma boa resposta, eles aliviam a 
irritação, umedecem a mucosa, ajudam a remover a secreção e inclusive melhoram a obstrução nasal. É o único 
recomendado para bebês recém-nascidos, por mais que o recém-nascido esteja gripado, com aquela secreção bem 
purulenta, é só soro fisiológico que a gente vai fazer. 
Ainda na rinite alérgica e na rinosinusite crônica, temos um prejuízo acentuado da depuração muco-ciliar, porque 
normalmente eles usam anti-histamínico e a mucosa dele está grossa, viscosa, então se eu começo a utilizar o soro, 
normalmente eu recupero isso, então por isso é tão importante. 
Temos que cuidar um pouquinho que existem evidencias de que certos conservantes podem irritar a mucosa, aí é algo 
que tem que cuidar. 
O soro fisiológico comum, aquele que tem litro, 500 ml, não tem conservante, só que ele aberto por mais de 30 dias 
tende a fungar, mas pelo menos se alguém tem alergia ao conservante que é o caso do sorine, serve. 
 
Segundo os protocolos, diretrizes, narinite intermitente leve eles destacam o uso de anti-histamínico por via oral, 
sistêmico, os clássicos e não clássicos. Na rinite intermitente moderada a grave, a utilização do corticoide, nessa 
intermitente grave e persistente, usar o corticoide para ele evitar as crises, e se ele tem a persistente leve só ocasional, 
só anti-histamínico e a persistente usa o tópico nasal que é o que a gente mais vê prescrição, então eles recomendam 
por pelo menos 60 dias, e não é depois que está com a crise, sempre antes das crises, esse é o objetivo de usar o 
corticoide nasal. 
 
Tosse 
A tosse pode ser um sintoma da gripe, do resfriado, é o sintoma clássico da rinosinusite, que é muito chamada de 
tosse alérgica, ou seja, o paciente não tem nada, nenhum sintoma, parece que está super bem mas tem tosse, que é 
como se tivesse um pigarro na garganta, isso é clássico dos processos de sinusite, ele fica fazendo gotejamento 
enquanto está dormindo, irrita a faringe e aí durante o dia tem a tosse. Lembrando que a tosse é um reflexo protetor, 
mas é protetor até um pouquinho, a hora que ela se torna persistente mesmo que seja ao longo de 1 dia só isso acaba 
com a pessoa, ela tem dores abdominais, além de todo o incomodo em uma casa, você pode isolar o indivíduo que 
está com tosse, se ele está na cozinha e todo mundo no outro canto da casa ainda assim não dorme nem ele nem as 
demais pessoas, a tosse é algo bastante irritante. 
Consequências da tosse? Além das dores, dos riscos, por exemplo se for um paciente de um pós-operatório nós temos 
a questão do constrangimento, do prejuízo do sono, nos idosos um sério problema é a questão da incontinência 
urinária, principalmente em mulheres, normalmente com a bexiga já ‘’descida’’, faltas no trabalho ou escola e muito 
uso de medicamentos normalmente está envolvido. 
Como classificamos a tosse: Pode ser aguda, subaguda ou crônica. Porém isso para fins da literatura médica, mas para 
um paciente quando eles denominam que a tosse é aguda por um período de até 3 semanas, está tossindo há 3 
semanas, a pessoa está desesperada, ela já consumiu pelo menos 2 frascos de xarope, porque quase todo mundo que 
tem tosse vai buscar a farmácia no mesmo dia. A subaguda é quando é superior a isso, e a crônica quando é superior 
a 8 semanas, normalmente na crônica tem doenças secundárias ou problema emocional que pode estar envolvido. 
Normalmente isso não serve muito para a hora de escolher o xarope, o que de fato a gente vai olhar para escolher o 
tratamento é se a tosse é seca ou produtiva, claro, sempre descartando que a tosse não seja, por exemplo, um sintoma 
de tuberculose, então isso deve estar descartado nesse processo. 
A seca ou produtiva vai determinar o tipo de xarope. 
As tosses secas são aquelas em que eu não tenho quase produção de muco e eu tenho alguma coisa irritando a faringe 
que estimula o centro da tosse, então estimula o centro da tosse no tronco cerebral mas normalmente é uma 
comunicação que está sendo mediada pela faringe, mas pode ser que não tenha nada irritando a faringe e ainda assim 
eu tenha tosse, como por exemplo a tosse de fundo emocional. 
 
Exemplo: Uma pessoa que tinha passado por vários médicos, com vários xaropes, nada resolvia, um pneumo 
encaminhou ela para um psiquiatra e realmente a filha dela ia casar, ela estava muito nervosa com o casamento e os 
preparativos e ela tinha tosse, quanto mais próximo do casamento mais intensa era a tosse, ela ficou nisso por uns 6 
meses, até que descobriram que a causa era emocional e ela usou medicamento para inibir o estímulo no tronco 
cerebral, passou o casamento, parou com o xarope e ela não tinha mais tosse, era uma deflagração emocional. Mas 
se é emocional é totalmente seca, faz raio X do pulmão, da face, não é sinusite nem nada disso, é realmente um 
estímulo, então esse estímulo da tosse seca pode ser na faringe, mas pode ser direto do tronco cerebral. 
 
Se é tosse seca podemos usar os antitussígenos, temos os centrais e os periféricos. 
Os antitussígenos centrais vão atuar no tronco cerebral, vão deprimir o estímulo no tronco cerebral, por isso uma 
dose maior tem um risco muito grande, pois deprime o tronco cerebral, se deprimir muito vai fazer parada 
cardiorrespiratória. Nós temos 2 medicamentos disponíveis no Brasil, o Dextrometorfano e a Cloperastina. 
Antigamente tínhamos o xarope de codeína, que foi proibido no Brasil para tosse, a codeína a gente usa hoje só como 
analgésico. O princípio de ação do Dextrometorfano e da Cloperastina é o mesmo: são agonistas opioides, vão ativar 
os receptores opioides presentes no tronco cerebral, deprimindo a deflagração da tosse, doses muito altas obviamente 
vão desencadear problemas. Eles inibem a depuração muco-ciliar, então por isso que não pode ter secreção nenhuma, 
vai parar ainda mais, não vai ter movimento ciliar, não vai ter trocas da mucosa e esse movimento de liberar, suprime 
o reflexo da tosse por ação direta no centro, deprimindo o sistema nervoso. É extremamente efetivo, só que quando 
eu deprimo o SNC não só na área que eu quero, a sedação pode acontecer, os derivados opioides deflagram o centro 
do vômito, a pessoa pode ter bastante náuseas e doses muito elevadas podem fazer parada cardiorrespiratória, 
principalmente respiratória. Como é depressor do SNC não se pode utilizar álcool nem nenhuma outra substancia 
também depressora. 
Qual a problemática? Quando vocês vão prescrever um xarope e esse paciente é uma mulher, vocês vão ter toda a 
segurança que ela vai fazer exatamente como vocês pediram, vocês vão dar os 10 ml, o copinho, ela vai medir e tomar; 
mas o homem vai tomar no gargalo o xarope, ele vai dar 2 goles, olhar no frasco, ele acha que deu 10 ml ou se não 
toma o terceiro gole, assim normalmente é que eles tomam xarope, e aí quando a gente fala de xarope de ação central 
é mais sério, então devemos orientar: olha, esse medicamento tem que ser na dose certa, ele tem um risco, por isso 
a gente quase não vende esses xaropes na farmácia, vocês não vão ver nenhum farmacêutico indicando, se vocês 
tiverem tosse ele vai indicar outros que eu vou mostrar, mas esse não, isso vai vir da prescrição médica, sempre a 
gente espera o médico prescrever para poder vender esses medicamentos. Então temos o Dextrometorfano e a 
Cloperastina, usados para tosse seca. 
 
Pergunta: a receita desses xaropes tem retenção? 
Resposta: não tem retenção, a retenção tem a ver com dependência ou índice de toxicidade, aqui, na dose correta 
eles são seguros, a questão é como tomar. Então é usado para tose seca, de origem alérgica ou emocional. 
Já que esses medicamentos não são tão seguros porque se a pessoa exagerar na dose eu vou ter problemas, nós temos 
os denominados antitussígenos locais, são aqueles que bloqueiam os receptores presentes na faringe, então não 
servem para uma tosse de origem emocional, mas serão muito efetivos para uma tosse alérgica, é o que mais a gente 
indica na farmácia, até porque são não tarjados, de venda livre, para paciente com sinusite. Então aquele paciente 
que tem rinosinusite e aí o tempo como está agora, dia de calor, muito vento, depois esfria a noite, ou muito no ar 
condicionado é frequente as pessoas começarem a ter tosse, elas dizem que tem uma certa congestão nasal e que 
elas percebem que parecem que tem esse gotejamento. As vezes ela não percebe porque isso é dormindo, mas ela 
tem classicamente um histórico de sinusite, começa a ter uma tosse seca, mas aí ela diz para você que as vezes parece 
que tem um pigarro. Para tosses secas de origem alérgica, vamos trabalhar com a Dropopizina e a Levodropopizina. A 
Levodropopizina é com tarja, não é obrigatório a retenção da receita, mas é tarjada, enquanto a Dropopizina é livre, 
uma é o enantiomero puro, mais concentrado e o outro é a mistura racêmica. 
Esses dois o que eles fazem? Eles bloqueiam os receptores da faringe, então a gente não percebe aquele gotejamento, 
aquela irritação constante na faringe e aí a tosse diminui, quase tira com a mão,está com a tosse, toma Dropopizina, 
em torno de 20 a 30 minutos vai cessar, não afeta o SNC, não causa sonolência, pode ser usado em média até 3 vezes 
ao dia, pode ser usado até mais, mas o comum é 3 vezes ao dia, em torno de 8 em 8h. Numa dose muito elevada, pode 
aparecer também depressão respiratória, taquicardia, mas tem que ser muito elevada, tem que tomar o frasco, pra 
uma criança ainda, um adulto nem vai aparecer isso. Então normalmente não tem efeito adverso, é algo bem raro. O 
que eles fazem é bloquear essa estimulação irritativa lá na faringe. 
Quando não é uma tosse alérgica, eu estou gripada, resfriada e depois que começou isso eu passei a ter tosse. Então 
o manejo é um pouquinho diferente, a primeira coisa que a gente vai trabalhar é: tem secreção ou não, se já é 
produtiva ou não. Mas antes disso a gente também tem algumas outras formulações que precisamos conversar. Temos 
sim xarope de Salbutamol, mas ele nunca é usado para tosse, por isso temos que cuidar, ele é a formulação com açúcar 
que tem Salbutamol, na verdade é uma solução e aí ele não serve para tosse, pode até diminuir um pouco a tosse nos 
asmáticos, mas o papel do Salbutamol é broncodilatação, então não vai contribuir muito lá para a tosse, pode até 
reduzir um pouco, porque ele estava com tanta falta de ar, com a faringe seca, que produz irritação e tem tosse, mas 
não resolve praticamente. 
Aqui também normalmente não diminui tosse, diminui a dor no ato de tossir, então vocês vão ver que tem vários 
sprays nas farmácias, normalmente com própolis, mel, malva com anestésico local. Então eu tenho um paciente que 
tosse, reclamou para a mãe que não consegue nem comer, que dói muito a garganta, aí vai na farmácia, compra esses 
sprays que normalmente borrifam, em 10 minutos anestesia e consegue tomar o medicamento, se alimentar, mas isso 
não diminui a tosse. 
Na verdade a gente tem que cuidar, porque quando não tem dor as vezes a gente não cuida tanto, e um grande risco 
que nós temos quando faço o estímulo da tosse que produzo uma irritação, uma inflamação até nas cordas vocais, eu 
tenho que cuidar para não consumir nada muito gelado nem muito quente, as pessoas tem uma preocupação muito 
grande com o gelado, cortam o sorvete, picolé das crianças e dão a sopa fervendo, e isso é muito pior do que o sorvete. 
Então a temperatura quando eu tenho um processo inflamatório tem que ser mediana, nem o extremo do gelado e 
em hipótese alguma do quente. Então ele não vai ajudar no ato de tossir. 
E nós temos os xaropes denominados hidratantes, que são aqueles que tem mel na formulação, porque chamamos 
de hidratantes? O mel, o glicerol, são os mais comuns, eles são denominados assim porque o mel retém água, então 
a hora que ele passa na faringe ele fica grudado, ele é bastante viscoso, fica aderido, e ele vai chamar água para essa 
região, a água vai limpar essa região e diminuir a tosse. O problema é que tem que cuidar com um detalhe, sempre 
que usar qualquer formulação que tem mel, entre 1 a 2 horas depois de tomar o xarope, a minha tosse vai piorar 
gigantemente. Sempre que usar qualquer coisa com mel eu vou tossir muito mais na primeira hora, porque o mel vai 
ficar na faringe e ele vai produzir uma irritação, aí eu vou secretar um monte de água para eliminar tudo, para eliminar 
secreção, o mel aderido. Isso é muito feito em casa, vocês vão ver que tem várias famílias que fazem o xarope de alho, 
mel, gemada para tratar tosse, gripe, então sempre piora primeiro depois melhora. Porque é importante saber disso? 
O adulto tem um certo controle sobre a tosse, a criança as vezes tosse até vomitar, então tem que cuidar o xarope de 
mel para a criança, no processo de tossir, vomitar, ela aspira e aí a coisa se complica porque aí vai secreção para o 
pulmão. 
 
Agora xarope mesmo, aquele que vai lá na farmácia e compra nós dividimos da seguinte forma: Se ele é expectorante 
ou mucolítico. 
Expectorante é quando eu tenho aquele paciente que diz que está gripado, resfriado, que tem um pouco de secreção, 
mas que não solta aquela secreção, ele sente como se fosse um pigarro que precisava soltar essa secreção, então para 
essa condição eu uso o xarope expectorante. Quem são os xaropes expectorantes? Iodeto de potássio que está em 
desuso no Brasil por causa do risco para a glândula tireoide, Sulfoguaiacol que está em várias formulações, Alcaçuz 
que é raro, porque é muito amargo e tem baixa aceitação, o Guaco, tem vários xaropes a base de Guaco, e o Bálsamo 
de Tolu, que também tem várias formulações, ele é docinho. E muitas dessas misturam: Sulfoguaiacol com guaco com 
bálsamo de tolu, todos aqui são expectorantes, são aqueles que estimulam a secreção de muco pelas vias respiratórias 
e as secreções gástricas inclusive, então um alerta: se meu paciente tem pneumonia, é gripe e está com quadro de 
pneumonia, se meu paciente é asmático, se ele tem enfisema, DPOC não pode usar expectorante, porque olha o que 
o expectorante faz: ele estimula para secreção de muco das vias respiratórias e as secreções gástricas, porque? Ele vai 
estimular a secreção para aquele pigarro que estava preso, na hora que secretar mais muco, ele vai pesar e vai 
fluidificar e ser eliminado. Só que se eu tenho asma ou pneumonia eu já estou com encharcamento pulmonar, já estou 
até usando Brometo de ipratrópio que é para não secretar muco. Então como é que eu vou aumentar a secreção de 
muco? Vou piorar o quadro do paciente. Xaropes expectorantes são contraindicados quando tem processo 
inflamatório no pulmão, porque eu desejo o inverso quando eu tenho processo inflamatório no pulmão, eu tenho que 
fluidificar e não que aumentar a secreção de muco. 
 
Pergunta: Esses xaropes expectorantes aumentam a produção de muco? 
Resposta: Sim, eu vou secretar mais muco, porque aí quanto mais muco eu tenho eu vou pesar, todo aquele muco vai 
pesar que é para daí ser eliminado, é para soltar aquilo que está preso, então eu aumento a produção e a secreção de 
muco, por isso é contraindicado. Além desses nós temos a Guaifenesina, por ex. um nome comercial do xarope Vick, 
tem várias outras marcas, eu coloquei um exemplo só. Então todos esses são expectorantes, todos estimulam para 
essa secreção, por isso contraindicado nessas situações. 
 
A situação é um paciente que está com gripe, cheio de secreção, quando ele tosse as vezes se afoga, em criança é 
muito comum, tá cheio, até se afoga de tanta secreção, algumas vezes inclusive purulenta, sem sombra de dúvida o 
que a gente quer aqui é o mucolítico é o xarope que diminui a adesividade do muco, então o mucolítico faz com que 
quebre esse muco, com que ele fique bem fluido, para que a gente possa deglutir e assim eliminar aquela secreção, 
esses xaropes são indicados para quase todas as situações, para pneumonia é a primeira linha de tratamento, então o 
paciente as vezes mesmo que não tenha tosse, ainda assim o médico prescreve esses medicamentos, porque como 
eles aumentam a fluidez do muco, isso ajuda o pulmão a limpar, porque ele fica mais fluido, mais líquido, mais fácil de 
fazer a eliminação, o grande problema é que a nossa mucosa, mucoproteinas são pontes de enxofre que tem, então 
eu tenho que dar um medicamento que também tenha enxofre para fazer a ligação para ficar pesado, quebrar e aí o 
muco ficar fluído. Só que todo medicamento que tem enxofre tem cheiro de esgoto, tem um cheiro horrível, cheiro 
de podre, então são xaropes que organolépticamente, por mais que tenha morango, chocolate, caramelo, não dá para 
querer inspirar as notas profundas porque não vai ser agradável, o gosto e o odor não são muito palatáveis, então tem 
que tomar meio que rápido. 
Quem são esses xaropes? O Ambroxol, a Bromexina, pouco usada, Brovanexina pouco usada, a Carbocisteína média, 
e o que é mais usado é a Acetilcisteína, esse é o mais prescrito, paciente com pneumonia, seja por H1N1, seja qualquer 
tipo de pneumonia, asma, principalmente, a marca mais conhecida que é o Fluimicil. 
Como atuam esses medicamentos? Elesvão fluidificar o muco, tornar ele bem líquido para ser deglutido e eliminado. 
É esse mesmo fármaco aqui que é usado no tratamento da intoxicação por Paracetamol, vocês vão encontrar pessoas 
que não tem tosse, que são atletas e usam Acetilcisteína todos os dias, corres de rua, ciclistas, que fazem essa 
Acetilcisteína, na forma de solução, gotas ou sache para dissolver em água, que é mais frequente, para o uso adulto a 
dose é 600 mg, esses atletas dissolvem o xaropinho de 600 mg e tomar todos os dias, e eles não tem tosse, é porque 
a Acetilcisteína é uma molécula precursora do GSH, de glutationa, e a glutationa se vocês lembrarem, nós temos de 
forma abundante no fígado, no SNC, nos protege contra a ação na dos radicais livres, nos ajudam na detoxificação dos 
metabólitos, lembram da GSH, da glutationa, lá no início do semestre, reação de conjugação de fase 2? Então a 
Acetilcisteína é precursora, na verdade a cisteina, é precursora para a síntese de glutationa, e é também antídoto na 
intoxicação por Paracetamol. 
Então a Acetilcisteína e a Carbocisteína são os mucolíticos mais potentes que a gente tem, são não vão ser efetivos se 
minha tosse é de origem alérgica ou emocional, que é seca, não tem o que fluidificar, nas gripes, resfriados, 
pneumonias vai ser. 
Ambroxol, que ele merece um parêntese, as vezes o paciente está diante de você, tossiu de se afogar, de tanta 
secreção, mas a consulta demorou daqui a pouco a tosse parece seca e irritante, aí você fica: será que tem que 
expectorar? Será que tem que ser mucolítico? Pra isso temos o Ambroxol, ele tem as duas ações, é leve expectorante 
com uma boa ação mucolítica, é sem sombra de dúvidas o xarope mais vendido nas farmácias, seja por ser venda livre, 
é não tarjado, mas também muito prescrito pelos médicos mesmo, porque ele pode ser prescrito desde a pediatria 
até o uso adulto e idoso, e ele é que dá essa possibilidade, em uma gripe ou resfriado e gente altera realmente os 
período de exacerbação, de ter muito muco, tem período em que a tosse está mais seca, e o Ambroxol tem essa ação 
expectorante leve e uma boa ação mucolítica. Então, mesmo em um paciente que tem asma, como tem ação 
mucolítica, não vai prejudicar. Claro que se eu sabidamente o paciente está em crise de asma, aí não vai ser minha 
escolha, mas vamos supor que ele tem histórico de asma que nesse momento está controlada, o problema dele é uma 
tosse da gripe, o Ambroxol não tem problema. Não bastasse isso, os estudos estão mostrando que o Ambroxol parece 
ter um efeito bastante significativo inibindo o crescimento do Mycobacterium Tuberculosis. Então é o xarope 
recomendado para aqueles 30, 40 dias iniciais no tratamento da tuberculose em que o paciente está tendo muita 
tosse, até para auxiliar ele na adesão. Porque vejam, quando ele começa o tratamento com o esquema quádruplo, a 
tosse não vai desaparecer, ele começa a fazer o tratamento, começa a passar mal, porque o esquema quádruplo são 
4 antibióticos, óbvio que ele passa muito mal, então ele está piorando porque sistemicamente está tendo efeitos 
colaterais do antibiótico, a queixa que normalmente fez ele ir ao médico foi sudorese, tosse, febre, calafrios, e ele não 
está melhorando, nem da tosse, que não o deixa dormir, então associar o Ambroxol acaba sendo uma boa resposta 
até porque ajuda a matar essa Mycobacterium. Então o Ambroxol acaba sendo muito utilizado em todas as situações. 
Queria de novo destacar algo que a gente já estudou semana passada, lembram da Acebrofilina? Nós vimos para asma, 
ela é a molécula de teofilina conjugada com Ambroxol. Então por isso seguro para o uso na asma, só que a Acebrofilina 
é a teofilina que faz a broncodilatação com o Ambroxol que tenta eliminar essas secreções que tem na asma, então 
esse é um xarope que tem o papel duplo e bastante utilizado.

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