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CRESCIMENTO E REPRODUÇÃO BACTERIANA PROFª. ESP. ISABELA DE MORAES RODRIGUES ENFERMEIRA - COREN/SP 512964 ▪ Crescimento e reprodução bacteriana: Assim como todos os seres vivos, as bactérias requerem uma fonte de energia para a síntese de elementos estruturais. Os nutrientes essenciais responsáveis pelas reações que produzem essas estruturas são: carbono (normalmente na forma de carboidratos), nitrogênio (normalmente na forma de proteínas e nucleotídeos), ATP, água e diversos íons, em especial o ferro. A fim de que ocorra o crescimento bacteriano, é necessária a presença de quantidades suficientes de nutrientes no meio, em especial aqueles que possam ser utilizados para a síntese de DNA, já que a replicação do cromossomo bacteriano é um evento essencial para a sobrevivência da célula. Na sua maioria, as bactérias são organismos heterotróficos, uma vez que utilizam compostos orgânicos diferentes do CO² como fonte de carbono. Além disso, são consideradas quimiotróficas – precisam retirar do meio as substâncias orgânicas necessárias ao seu desenvolvimento. Todas as bactérias patogênicas são, portanto, quimio-heterotróficas, ou seja, além de usarem compostos orgânicos diferentes do CO² como fonte de carbono, retiram do meio substâncias químicas para serem utilizadas como fonte de energia. Em um meio de cultura, é possível identificar todas essas fases do crescimento bacteriano e determinar o tempo que uma bactéria leva para crescer, bem como avaliar os efeitos de diferentes agentes antimicrobianos. Nesta situação, podemos identificar quatro fases bem marcantes na dinâmica populacional da espécie: • Fase de retardo (ou lag): refere-se ao tempo que a bactéria leva para se adaptar ao meio. • Fase exponencial (ou log): ocorre o aumento numérico das bactérias como consequência da divisão celular e a redução dos nutrientes da cultura. • Fase estacionária: as bactérias param de crescer por causa da falta de nutrientes (essa carência de nutrientes é acompanhada pelo acúmulo gradual de substâncias tóxicas, que tornam o meio impróprio para o crescimento bacteriano). • Fase de declínio: acontece uma redução numérica da população bacteriana em decorrência de sua morte. ▪ Metabolismo bacteriano: O metabolismo bacteriano se faz necessário a fim de que ocorra a produção de energia para a síntese de proteínas, estruturas citoplasmáticas, membrana plasmática e outras estruturas essenciais à sobrevivência da bactéria. Chamamos de catabolismo as reações que quebram um determinado substrato resultando na formação de ATP (adenosina trifosfato), que será utilizado na síntese de diferentes compostos, como a parede celular. O conjunto de reações que sintetiza novas estruturas, ou seja, constrói elementos celulares, recebe o nome de anabolismo. A presença de oxigênio no meio é um fator essencial ao hospedeiro, mas não à bactéria, ao se tornar um elemento letal às bactérias anaeróbicas obrigatórias. Uma característica comum para a maioria dessas bactérias é a capacidade de esporular, uma vez que elas são incapazes de crescer na presença desse gás. Um exemplo de bactérias anaeróbicas obrigatórias são as pertencentes ao gênero Clostridium. No entanto, bactérias do gênero Mycobacterium têm o oxigênio como um elemento indispensável ao seu crescimento, por isso são chamadas de aeróbicas obrigatórias. Porém, a maioria das bactérias — inclui-se grande parte das bactérias patogênicas — pode crescer tanto na presença como na ausência de oxigênio, mudando a sua forma de metabolizar os nutrientes conforme a disponibilidade desse gás. Essas bactérias, chamadas anaeróbicas facultativas, são as mais eficientes na produção de energia, uma vez que conseguem se adaptar às concentrações de oxigênio do meio. A maioria das bactérias de interesse médico é classificada como anaeróbica facultativa. O metabolismo bacteriano inicia-se ainda no meio extracelular, onde são encontradas as macromoléculas que serão utilizadas na produção de energia. Essas macromoléculas precisam ser hidrolisadas por enzimas específicas e penetram na célula por intermédio de transportadores específicos localizados na membrana plasmática. Nessa situação, as proteínas são degradadas em aminoácidos, os polissacarídeos em monossacarídeos – normalmente a glicose – e os lipídios em glicerol e ácidos graxos. Os aminoácidos, a glicose e os ácidos graxos são, então, convertidos por diferentes vias em piruvato (ácido pirúvico). Por meio da oxidação da molécula de piruvato, ocorrerá a síntese de ATP ou, ainda, a utilização desse composto para a síntese de novas moléculas de aminoácidos, lipídios, carboidratos e ácidos nucleicos – essenciais para a sobrevivência da bactéria. ▪ Genética e reprodução bacteriana: Como todo organismo vivo, as bactérias também possuem genes — sequências de nucleotídeos que têm funções biológicas — responsáveis por expressarem características essenciais à sobrevivência da bactéria. O termo genoma se refere ao conjunto de genes de um determinado organismo. Esses genes são responsáveis por conferir as peculiaridades do organismo, bem como por garantir a realização das reações químicas necessárias para mantê-lo em um determinado ambiente. Em uma bactéria, os genes estão organizados num único cromossomo circular, que fica localizado na região nucleoide; é lá que encontramos o genoma bacteriano. Fissão binária transversal A divisão celular bacteriana é também conhecida por fissão binária transversal porque, para que haja a formação das células-filhas, é necessária a produção de um septo que atravesse a parede celular e separe as células-filhas formadas. Esse septo inicia sua formação no meio da célula e cresce de lados opostos em direção ao centro da célula. Quando os dois lados se encontrarem, existirá a separação total das duas células-filhas. Porém, existem situações em que a separação não é total, ou seja, as células-filhas permanecem ligadas, levando à formação de cadeias, como as observadas em colônias de Streptococcus pneumoniae, e dos cachos visíveis em colônias de Staphylococcus aureus. As células bacterianas geradas pelo processo de fissão são geneticamente idênticas, e o tempo que uma célula-mãe leva para originar as duas células-filhas é chamado de tempo de geração. ▪ Aquisição da variabilidade genética: Uma vez que o genoma bacteriano é muito menor do que o genoma de qualquer célula eucarionte, as mutações nos genes bacterianos produzem alterações manifestadas pelas bactérias. Chamamos de mutação qualquer mudança na sequência original de nucleotídeos de um gene. Nem toda mutação provoca alterações no produto gênico formado; em contrapartida, podem ocorre alterações em apenas uma base nitrogenada, o que já provoca modificações no produto gênico formado. Embora as bactérias possam apresentar altas taxas de mutação, é comum a troca de material genético entre elas. Esse intercâmbio gênico oferece para a bactéria uma série de vantagens adaptativas, em especial, a aquisição de genes que codificam novas toxinas e produtos de resistência a antibióticos. As principais formas de aquisição desses novos genes envolvem a transferência de genes plasmidiaise ainda vetores virais, também denominados bacteriófagos. Os plasmídios são normalmente transferidos por meio de um processo conhecido como conjugação, enquanto os bacteriófagos fazem a transferência de genes durante o processo de infecção das células bacterianas. As bactérias patogênicas apresentam mecanismos especiais para controlar a expressão dos seus fatores de virulência. Os genes que codificam para toxinas bacterianas, mecanismos de escape imunológico, resistência a antimicrobianos, penetração em célula não fagocítica, dentre outros fatores, ficam concentrados em ilhas de patogenicidade. Na presença de um estímulo ambiental, como mudança de temperatura ou pH e contato com superfícies teciduais do hospedeiro, ativam esse conjunto de genes e permitem que a bactériamanifeste sua patogenicidade e cause a doença. Existem vários mecanismos que permitem essa aquisição de material genético, mas os três principais são: a conjugação, a transformação e a transdução. Conjugação O processo de conjugação consiste na transferência unidirecional de DNA plasmidial – mas de fita simples – de uma bactéria doadora para uma bactéria receptora. A passagem desse DNA ocorre por meio da fímbria sexual, que está presente na bactéria doadora. Para que a conjugação ocorra, a bactéria doadora precisa possuir um plasmídio conjugativo (ou plasmídio F), que carrega todos os genes necessários a fim de que o processo conjugativo, ou seja, a transferência do DNA em si, ocorra. Dentre os elementos presentes no plasmídio F, podemos citar aqueles genes que vão expressar as proteínas necessárias à construção das fímbrias sexuais. Diferentes genes podem ser transmitidos por conjugação. Os mais comuns são os genes de resistência a antibióticos e as colicinas – proteínas capazes de matar outras bactérias. O que esses genes têm em comum? Todos vão conferir alguma vantagem seletiva à bactéria receptora, permitindo que ela se adapte mais facilmente a uma situação adversa do que aquela que não receber esses genes. Algumas bactérias possuem plasmídios que só contêm genes de resistência a antibióticos — os chamados fator R —, e as bactérias que os contêm recebem o nome de bactérias R conjugativas, porque podem passar esse plasmídio para outras. Quando uma bactéria receber o fator R por conjugação, ela se tornará resistente a múltiplos fármacos. São as chamadas superbactérias. Transformação Chamamos de transformação o processo pelo qual uma bactéria incorpora fragmentos de DNA do meio ambiente, tornando-se geneticamente modificada. Na natureza, os eventos de transformação são raros e, ao contrário da conjugação, podem ocorrer entre bactérias. São chamadas de bactérias competentes aquelas capazes de absorver esse fragmento de DNA desnudo, ou seja, não associado a uma célula, presente no meio. Ao ser absorvido, esse DNA “estranho” será recombinado com o DNA bacteriano, e a bactéria pode expressar os produtos desse gene, quando necessário, e ainda passá-lo aos seus descendentes pelo processo de fissão binária. Transdução A principal diferença da transdução para os dois processos descritos anteriormente é o fato de que nesse mecanismo de transferência genética existe a participação de um vetor de transferência, no caso, um bacteriófago, ou seja, um vírus bacteriano. Quando um bacteriófago infectar uma célula bacteriana, ele recombinará o seu material genético com o cromossomo bacteriano. À medida que o bacteriófago se replica, ocorre a fragmentação do DNA bacteriano, que permanece ligado ao seu material genético. Durante o processo de montagem do novo bacteriófago, esses fragmentos de DNA bacteriano serão incorporados ao novo fago. ▪ Resistência bacteriana: Os eventos descritos anteriormente permitem que a bactéria adquira novas características, dentre elas a resistência aos antibióticos. Também são fatores que podem levar ao desenvolvimento da resistência aos antimicrobianos, às mutações e transposições — que alteram a sequência original dos nucleotídeos — e ao uso indiscriminado de antibióticos que seleciona as bactérias mais fortes. • Alteração da permeabilidade da membrana: para que o antibiótico atue, é preciso chegar até o citoplasma bacteriano, onde se encontram as proteínas e as enzimas responsáveis pelo metabolismo e pela fisiologia da bactéria. Para tanto, ele tem de atravessar a membrana e a parede celular bacteriana. Alterações na composição química dessas estruturas impedem a absorção do antibiótico e, consequentemente, sua ação. • Inativação enzimática: as bactérias desenvolvem enzimas que alteram a estrutura do antibiótico e impedem sua ação. A penicilinase é uma das principais enzimas descritas, cuja atividade está relacionada à resistência aos antibióticos. As principais bactérias que apresentam resistência à penicilina e seus derivados são capazes de expressar a penicilinase. • Bomba de efluxo: neste caso, as bactérias possuem genes que expressam uma proteína de membrana capaz de expulsar da célula o antibiótico antes que ele se ligue ao sítio ativo. • Mudança do sítio de ação: todo antibiótico se liga a uma região específica da molécula- alvo. Essa ligação ocorre em sítios específicos em que há afinidade química entre o antibiótico e a molécula-alvo. Para impedir a ligação do antibiótico, a bactéria altera a região do sítio ativo da molécula-alvo, fazendo que o antibiótico não tenha como se ligar e, portanto, não possa alterar o seu funcionamento. Obrigada!