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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E BALANCED SCORECARD Programa de Pós-Graduação EAD UNIASSELVI-PÓS Autoria: Vinicius Zanchet de Lima CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jóice Gadotti Consatti Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2019 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. L732p Lima, Vinicius Zanchet de Planejamento estratégico e balanced scorecard. / Vinicius Zan- chet de Lima. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 127 p.; il. ISBN 978-85-7141-333-7 1. Planejamento estratégico. - Brasil. 2. Balanced scorecard. – Bra- sil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 658 Impresso por: Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 Planejamento Estratégico .......................................................... 7 CAPÍTULO 2 Método e Implementação do Planejamento Estratégico ...... 47 CAPÍTULO 3 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico ............... 87 APRESENTAÇÃO Caro acadêmico, muitas vezes você deve ter se perguntado: por que algu- mas empresas conseguem sobreviver em um mercado competitivo e outras não? A resposta é simples: planejamento e gestão do negócio. Neste livro, estudaremos a importância do planejamento estratégico para as organizações. Não existe uma receita a ser utilizada, mas, sim, opções que po- dem ser utilizadas pelas organizações, dependendo do contexto em que estão inseridas. No Capítulo 1, estudaremos os principais conceitos referentes ao planeja- mento, à estratégia e ao planejamento estratégico, bem como a evolução desses conceitos. Outro tema a ser abordado são os fatores usuais que podem interferir no processo do planejamento estratégico. De fato, é relevante ressaltar que em qualquer organização existirão fatores que podem interferir nos seus processos, os quais precisam ser identificados e tratados com cuidado. Com relação a esses fatores, podemos destacar a cultura organizacional. As culturas são diferentes em cada organização, tornando, assim, a mudança um desafio. Por fim, serão discutidas, no Capítulo 1, as principais medidas necessárias para a implementação do planejamento estratégico. É importante que as organiza- ções verifiquem algumas medidas antes de realizarem o planejamento estratégico. Essas medidas buscam entender qual é o modelo de gestão adotado pela empresa, bem como quais as etapas que contemplarão o planejamento estratégico. Já no Capítulo 2 serão abordadas as etapas do planejamento estratégico, compostas pela definição de missão e visão, no qual disponibiliza a base para as próximas etapas, como a análise do ambiente organizacional onde a organização está inserida. Também será abordada a importância da elaboração da filosofia e política na organização, pois elas se referem às normas e regras que devem ser seguidas pelos indivíduos que trabalham nela. Outro ponto abordado será a elaboração dos objetivos da organização, sa- bendo-se que ela deve ter como base a missão e que a organização deve fazer a avaliação e o controle do planejamento estratégico, a fim de verificar se aquilo que foi planejado realmente está acontecendo, assim fica mais viável atingir os objetivos estabelecidos pela organização. Para finalizar, no Capítulo 3, você verá que para ter um planejamento estra- tégico eficaz, é preciso saber controlar, avaliar e medir se as estratégias imple- mentadas estão surtindo os efeitos desejados. Para isso, uma das ferramentas utilizadas é o Balanced Scorecard (BSC). CAPÍTULO 1 Planejamento Estratégico A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � Conceituar planejamento, estratégia e planejamento estratégico. � Identificar fatores que podem interferir no planejamento estratégico. � Identificar um conjunto de medidas necessárias à efetiva implementação do planejamento estratégico. 8 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 9 Planejamento Estratégico Capítulo 1 1 Contextualização Você já deve ter ouvido falar que a maioria das pequenas e médias empresas fecham suas portas antes de um ano de vida. Portanto, perguntamos: por que isso acontece? Quais são os principais motivos para que isso aconteça? A resposta é simples: falta de planejamento. Imaginaremos a seguinte situação: em um belo feriado, você resolve viajar com a sua família. Vocês carregam as malas no carro e seguem viagem em direção ao destino. Ao chegar em seu destino, você se direciona a um hotel que, infelizmente, está com todos os quartos ocupados. Isso se repete em todos os hotéis devido a um evento internacional que está acontecendo na cidade. Caro acadêmico, para que não aconteça essa situação, você deveria ter planejado a viagem com antecedência, assim não teria surpresas ao chegar em seu destino. Não é diferente no contexto organizacional. Alguns erros podem ser fatais para a organização, ocasionando até mesmo a falência. Portanto, todas as empresas, independentemente do tamanho, precisam de planejamento. O planejamento é considerado a visão do futuro da organização. Através dele é possível entender o presente pensando no futuro. Desse modo, é muito mais fácil para as empresas tomarem as melhores decisões. Outro ponto importante que o gestor deve levar em consideração são alguns fatores que podem estar interferindo no processo do planejamento estratégico. Tais fatores devem ser resolvidos através do poder dos responsáveis envolvidos no processo. Entendendo os principais conceitos e dificuldades que podemos enfrentar na implementação do planejamento estratégico são extraídas indicações para o desenvolvimento do melhor modelo para cada organização, ou seja, precisa-se institucionalizar um conjunto de medidas necessárias para a implementação do planejamento estratégico. Caro acadêmico, a seguir, você conhecerá melhor o que é planejamento, estratégia, planejamento estratégico e seus principais conceitos, além de sua importância dentro das empresas. Em continuidade, você estudará os fatores que interferem na implementação do processo de planejamento estratégico. Por fim, veremos a institucionalização do processo de planejamento dentro das organizações. 10 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 2 CONCEITUANDO ESTRATÉGIA, PLANEJAMENTO E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Antes de aprofundarmos o assunto é importante conhecermos o histórico da estratégia. A estratégia pode ser considerada uma abordagem pré-histórica. Desde os tempos dos homens das cavernas, traçavam-se estratégias para caçar, pescar e até mesmo lutar com seus rivais, a fim de sobreviver em um ambiente remoto (HENDERSON, 1984). Afinal, para que o homem consiga sair vitorioso, ele neces- sita pensar antecipadamente e traçar o melhor caminho para obter o seu objetivo. 2.1 CONCEITUANDO ESTRATÉGIAS Embora não haja um consenso sobre a origem da estratégia (CAMARGOS; DIAS, 2010), muitos autores mencionam que a estratégia foi colocada em prática há 2.500 anos pelo estrategista militar chinês Sun Tzu (AZEITÃO; ROBERTO, 2009). O clássico livro A Arte da Guerra, escrito por Sun Tzu, busca demonstrar as melhores estratégias de guerra para vencer o inimigo, com todo o conhecimento e experiência de guerra vivenciados por Tzu. A obra A Arte da Guerra, de Tzu (2002, p. 149), menciona que “as manobras estratégicas significam escolher os caminhosmais vantajosos”. Na Figura 1, podemos conferir a imagem da fisionomia do escritor Sun Tzu. FIGURA 1 – ESCRITOR SUN TZU FONTE: <https://www.pensador.com/autor/sun_tzu/>. Acesso em: 3 dez. 2018. 11 Planejamento Estratégico Capítulo 1 Prezado acadêmico, neste link você terá acesso à resenha do livro A Arte da Guerra. Vale a pena fazer essa leitura! Acesse: <http:// www.administradores.com.br/artigos/carreira/resenha-comentada- os-ensinamentos-de-sun-tzu-em-a-arte-da-guerra/83869/>. No livro A Arte da Guerra, o autor Sun Tzu, um general chinês, traz inúmeras estratégias utilizadas no contexto militar, as quais são utilizadas nas empresas. Estratégia é um termo derivado do grego strategos, que tem como significado a arte ou ciência de conduzir forças militares para derrotar o inimigo ou abrandar os resultados da derrota (TAVARES, 1991). Note que o seu significado de origem se refere à área militar. Agora que entendemos a origem da estratégia, pensaremos nela dentro do contexto empresarial. Ressalta-se que a estratégia foi incorporada no mundo dos negócios a partir da década de 1960. Para Tavares (1991), a sua aplicação no contexto acadêmico e empresarial deve-se à influência de obras clássicas sobre estratégia militar, como visto anteriormente, entre elas, a obra A Arte da Guerra, escrito por Sun Tzu. O livro A Arte da Guerra, escrito por um general chinês, ainda é utilizado nos tempos atuais por professores e executivos da área da gestão, ainda que tenha sido escrito há 3.000 anos. Na década de 1960 foi estabelecida a relação entre a estratégia, a inovação e a vantagem competitiva, fazendo com que as empresas começassem a ter força perante seus concorrentes. Desse modo, as áreas acadêmicas e de negócios passaram a focar em estudos e análises sobre a competitividade e a concorrência (NEUMANN, 2014; LIMA et al., 2015). O Quadro 1, elaborado pela pesquisadora Neumann (2014), demonstra a cro- nologia e as características da evolução da estratégia baseando-se na literatura. O livro A Arte da Guerra, escrito por um general chinês, ainda é utilizado nos tempos atuais por professores e executivos da área da gestão, ainda que tenha sido escrito há 3.000 anos. 12 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard QUADRO 1 – CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DA ESTRATÉGIA Período Estrategistas Principais Características Primórdios da humanidade O homem (os primeiros seres primitivos do planeta) A primeira e verdadeira estratégia motivada por um ato de sobrevivência e praticada por um grupo de caçadores na conquista de caça de outro grupo (HENDERSON,1984). Antiguidade (século IV a.C.) General chinês Sun Tzu Tratado Arte da Guerra, escrito por Sun Tzu, so- bre a aplicação militar e direção de operações militares de larga escala, utilizando manobras que coloquem as forças militares em posições vantajosas em rela- ção ao inimigo. “É de suprema importância na guerra atacar a estratégia de seu inimigo” (TZU, 2002). Século V a.C. Péricles (450 a.C.), o fundador da democracia. Conduzir a estratégia nas áreas administrati- va, de liderança, oratória e poder (CAMARGOS; DIAS, 2003; CHIAVENATO; SAPIRO, 2004). 330 a.C. Alexandre, O Grande. Empregar as táticas da estratégia, vencendo o oponente e criando um sistema unificado de go- vernança (CAMARGOS; DIAS, 2003). 202 a.C. Públio Cornélio Cipião, o Africano. Cipião ousa numa estratégia e derrota Aníbal Bar- ca, de Cartago, atacando base e fonte de suprimen- tos do inimigo (CARVALHO; LAURINDO, 2007). 102-44 a.C. Júlio César, o Imperador de Roma. Júlio César usava como sua principal estratégia as téc- nicas de manipulação para estar no poder (CARVALHO; LAURINDO, 2007). Considerado um general bem-suce- dido e político ambicioso, usou a campanha multimídia para influenciar a opinião pública (YENE, 2002). Século XVI a XVIII Século XVI, Nicolau Maquiavel. Século XVIII, Frederico, O Grande, da Prússia. Maquiavel influencia o comportamento dos negócios e políticos com a obra O Príncipe, que ressalta o pa- pel do principal executivo (MAQUIAVEL, 1976). Percepção dos princípios matemáticos, ao examinar sucessos dos pequenos exércitos bem treinados de Fre- derico que, ao final do século XVIII, foram abatidos pelo exército de Napoleão (CARVALHO; LAURINDO, 2007). Século XVIII Napoleão Bonaparte e Von Clausewitz Napoleão empregava a estratégia militar nessa épo- ca, a qual consistia no enfraquecimento do ânimo e da disposição do inimigo (LOPES, 1978). Clausewitz (1780-1831) estudou os sucessos napo- leônicos, com a sua obra Da guerra, que foi usada em academias militares e na literatura voltada aos negócios desde 1970 (CLAUSEWITZ, 1996). Década de 1950 Selznick Autor publica Leadership in Organization e conce- be a formação estratégica como a adaptação essencial entre as forças e as fraquezas internas e as oportu- nidades e ameaças externas (SELZNICK,1957). 13 Planejamento Estratégico Capítulo 1 Década de 1960 Levitt Autor contribui com Marketing Myopia na medi- da em que considera o negócio como ponto de parti- da do processo do planejamento (LEVITT, 1960). Década de 1960 Chandler A aplicação efetiva de uma estratégia na organização requer um alinhamento da estrutura, sendo a estratégia a determinação de objetivos e metas de longo prazo, e a adoção de cursos de ação associados aos recursos para realizar seus objetivos (CHANDLER, 1962). Década de 1960 Steiner Autor publica Top Management Planning, que passa a ser um referencial para as empresas sobre a formu- lação de estratégias empresariais (STEINER, 1969). Década de 1960 Ansoff Autor publicou Corporate Strategy, no qual descreveu o planejamento como uma práti- ca de ferramenta gerencial (ANSOFF, 1977). Década de 1970 Steiner A estratégia é a futuridade das decisões cor- rentes da organização (STEINER, 1979). Década de 1990 Henderson A capacidade da firma em formular e implementar estratégias concorrenciais que lhe permitam am- pliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado (HENDERSON, 1998). Década de 1990 Porter Definida como um plano geral para uma empre- sa diversificada e competitiva (PORTER, 1999). Século XX Kaplan e Norton Importância do alinhamento estratégico para não com- prometer o desempenho, a perda de oportunidades e o desperdício de recursos na implementação bem-su- cedida da estratégia (KAPLAN; NORTON, 2004). FONTE: Neumann (2014, p. 39) Segundo os autores Camargos e Dias (2010, p. 29), o conceito de estratégia vem: Sendo utilizado de maneira indiscriminada na área da Administração, podendo significar desde um curso de ação formulado de maneira precisa, todo o posicionamento em seu ambiente, até toda a alma, a personalidade e a razão existencial de uma organização. Trata-se de um conceito de grande emprego acadêmico e empresarial, dotado de uma grande amplitude e diversificação, que em alguns aspectos é complementar e em outros divergente. Estratégia é uma força mediadora entre a organização e o seu meio envolvente: um padrão no processo de tomadas de decisões organizacionais para fazer face ao meio envolvente. A estratégia surge como “um conjunto integrado e coordenado de compromissos e ações definidos para explorar competências essenciais e obter vantagem competitiva” (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008, p. 4). 14 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Oliveira (2015, p. 191) define estratégia como “um caminho, maneira ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente de maneira diferenciada e inovadora, as metas, os desafios e os objetivos estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante o seu ambiente”. Porter (1980) menciona que a estratégia tem como finalidade a vantagem competitiva, ou seja, a essência da estratégia é a competição. O autor considera que as empresas devem trabalhar com estratégias ofensivas e defensivaspara enfrentar com sucesso a competitividade do mercado. Por fim, um dos conceitos de estratégia mais utilizados na literatura é o de Wright, Kroll e Parnell (2000), que a definem como planos da alta administração para alcançar resultados consistentes com a missão e os objetivos gerais da organização. Visto que temos uma ampla definição de estratégia na literatura, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) mencionam que existem algumas áreas gerais de concordância a respeito da estratégia, as quais são apresentadas a seguir: • Diz respeito à organização e ao ambiente. • É complexa, pois sua essência permanece inalterada, mesmo que as mudanças tragam novas circunstâncias para a organização. • Afeta toda a organização. • Implica questões de conteúdo e processo. • Existe nos diferentes níveis da organização. • Envolve diversos aspectos conceituais e analíticos. Neste link, você encontrará um artigo científico referente à estratégia. Acesse: <http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/ article/view/3616/2141>. Caro acadêmico, até agora foi possível entender que a estratégia é, de fato, essencial para a sobrevivência de uma organização, já que ela compete em um ambiente acirrado, em que cada empresa busca uma fatia do mercado. No entanto, nem sempre as estratégias adotadas podem dar certo. Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), grande parte das estratégias fracassam devido à adoção de uma única abordagem estratégica, ou seja, para que a empresa tenha maior chance de ter êxito, deve combinar estratégias de diferentes escolas de pensamento estratégico. http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/article/view/3616/2141 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/article/view/3616/2141 15 Planejamento Estratégico Capítulo 1 Na visão dos autores Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), existem dez escolas de planejamento estratégico. Essas escolas reforçam a importância da estratégia dentro do contexto organizacional, apesar de possuírem focos diferentes. Podemos verificar, no Quadro 2, cada uma das 10 escolas de estratégias e seus respectivos focos. QUADRO 2 – ESCOLAS DO PENSAMENTO ESTRATÉGICO Escola Formulação da Estratégia Design Formação de estratégia como um processo de concepção Planejamento Formação de estratégia como um processo formal Posicionamento Formação de estratégia como um processo analítico Empreendedora Formação de estratégia como um processo visionário Cognitiva Formação de estratégia como um processo mental Aprendizado Formação de estratégia como um processo emergente Poder Formação de estratégia como um processo de negociação Cultural Formação de estratégia como um processo coletivo Ambiental Formação de estratégia como um processo reativo De configuração Formação de estratégia como um processo de transformação FONTE: Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) Outro ponto a ser destacado é que para a empresa ter sucesso ela necessita ter um pensamento estratégico. Caro acadêmico, imagine que você mora em uma casa com janelas dispostas para a frente de uma avenida. Em um belo dia, você escuta alguns sons e falas diferentes do normal, mas a janela está fechada e, por algum motivo, você não quer abrir para visualizar do que se tratam aqueles sons e falas. Nessa situação, podemos apenas imaginar o que está ocorrendo lá fora, não é? Em uma empresa, isso não é diferente. O pensamento estratégico é como abrirmos a janela para olhar fora da empresa e visualizar o que está acontecendo. Só assim podemos tomar decisões sobre o que deve ser feito. Segundo Pina (1994), ao observar o ambiente externo da organização (olhar pela janela), podem surgir alguns questionamentos, como: • Para onde a demanda está seguindo? • A concorrência está criando novos produtos? Quais são eles? Se não soubermos o que ocorre em nosso ambiente externo teremos dificul- dade em prever o futuro e compreender o presente. Portanto, as organizações ne- cessitam observar o seu ambiente com o propósito de utilizar a melhor estratégia para ser competitiva no mercado (FENG; GOVINDAN; LI, 2017). 16 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Pina (1994) menciona que uma empresa, para ter um pensamento estratégico, precisa trabalhar as relações entre ambiente, estratégia e capacitação, seguindo esta ordem: • Conhecer o ambiente: a empresa precisa saber onde ela está inserida. O ambiente pode ser considerado tudo que é externo à empresa. Nesse ambiente, existem muitos fatores que podem impactar diretamente na empresa, como economia, tecnologia, tendências de mercado, concorrência etc. • Encontrar a estratégia adequada para o ambiente: lembrando que a estratégia deve levar a empresa ao sucesso, em busca da rentabilidade. • Por fim, desenvolver a capacitação para desenvolver a estratégia: ou seja, depois de escolhida a estratégia, a empresa passa por algumas mu- danças internas, modificando, muitas vezes, até a própria cultura organi- zacional. Essas mudanças permitem que a estratégia seja viabilizada. É importante ressaltar que nem sempre as empresas seguem a ordem da estrutura básica do pensamento estratégico, pois isso dependerá de cada estrate- gista. Para Pina (1994), são possíveis três ordens para a prática do pensamento estratégico, sendo elas: • Ambiente → Estratégia → Capacitação. • Estratégia → Capacitação → Ambiente. • Capacitação → Estratégia → Ambiente. Caro acadêmico, vamos exercitar o conhecimento adquirido até aqui? Atividade de Estudo: 1 Imagine que você é dono de uma carrocinha de cachorro- quente e está em um evento com um grande fluxo de pessoas. Entretanto, nesse evento, existe um concorrente vendendo o mesmo produto. Pense estrategicamente e responda: qual ou quais estratégias você adotaria para atrair mais clientes para consumir o seu produto ao invés do produto do concorrente? R.:_________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ __________________________________. 17 Planejamento Estratégico Capítulo 1 2.2 CONCEITUANDO PLANEJAMENTO Caro acadêmico, lembra do exemplo do início da Seção 1, em que comentamos sobre uma viagem? Pois bem, para que tudo ocorra de forma correta, precisamos ter um planejamento da viagem, ou você vai esperar algo mágico acontecer? A partir do momento que definimos um objetivo (destino final da viagem), precisamos seguir um caminho (rota ou trajeto) para atingi-lo. Só assim atingiremos os nossos objetivos com excelência. O planejamento está intrinsicamente ligado à natureza humana. O ser humano consegue se preparar para enfrentar ameaças que possam surgir durante o trajeto rumo a um objetivo traçado através do planejamento (OTA, 2014). A literatura considera o planejamento como uma das mais importantes ferramentas para o administrador. Correr duas vezes mais depressa é uma técnica utilizada pelos fracassados. “As empresas e as pessoas bem-sucedidas correm o mais depressa possível, mas correm em uma direção predeterminada, rumo a um destino que já foi identificado e analisado” (PARSON; CULLIGAN, 1988, p. 17). O planejamento evoluiu com o crescimento da indústria, devido à produção em massa e ao volume de recursos alocados aos programas de produção. Com essa necessidade, as indústrias adaptaram técnicas de planejamento militar para o contexto organizacional e obtiveram sucesso, utilizando-as até hoje. Para Oliveira (2015), a conceituação do planejamento nas empresas deve ter base em cinco dimensões, sendo os aspectos básicos de cada uma delas apresentados a seguir: • A primeira dimensão refere-se às funções desempenhadas pelas empresas, como o desenvolvimento de novos produtos, finanças, marketing, recursos humanos etc. • A segunda dimensão refere-se aos elementos do planejamento, sendo os objetivos, as estratégias, as políticas, o orçamento etc. • Outradimensão é o tempo do planejamento, podendo ser de longo, médio ou curto prazo. • A quarta dimensão refere-se às unidades em que o planejamento é elaborado, podendo ser planejamento de unidades estratégicas de negócios, de grupos funcionais, de departamentos etc. • Por fim, a quinta dimensão corresponde às próprias características do planejamento, podendo ser complexo ou simples, qualidade ou quantidade, confidencial ou público, econômico ou caro. Através dessas dimensões, podemos ter um panorama geral da importância do planejamento nas empresas. Para Oliveira (2015), o planejamento pode ser conceituado como um processo, com base nas cinco dimensões apresentadas, 18 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard para alcançar um objetivo futuro com mais efetividade e eficiência, sempre utilizando os esforços de uma melhor forma, bem como os recursos oferecidos pela empresa. Por sua vez, Terence (2002) define planejamento como o desenvolvimento de uma ação para atingir os objetivos e as metas da empresa, envolvendo nessa ação a escolha de um caminho, a decisão antecipada do que vai ser realizado, e quando vai ser realizado e, por fim, como deve ser realizado. Para Kotler e Armstrong (1993), o planejamento pode trazer alguns benefícios para a empresa, sendo eles: • Melhora a forma de interação entre seus executivos e faz com que eles pensem de uma forma sistemática. • Faz com que as empresas pensem melhor ao definir os seus objetivos e políticas. • Faz com que os membros efetuem atividades relevantes e consistentes em relação aos objetivos definidos pela empresa. • Promove padrões de desempenho fáceis para controlar. 2.2.1 Tipos de planejamento O desenvolvimento do planejamento envolve uma série de atividades em toda a organização. Dessa forma, todos têm participação, desde a alta administração até os níveis hierarquicamente inferiores, embora de forma diferenciada (FENG; GOVINDAN; LI, 2017). Segundo Ackoff (1976), o planejamento pode ser composto por três níveis: estratégico, tático e operacional. A Figura 2 demonstra cada um dos tipos de planejamento. FIGURA 2 – NÍVEIS DE DECISÃO E TIPOS DE PLANEJAMENTO FONTE: Oliveira (2015, p. 45) 19 Planejamento Estratégico Capítulo 1 O planejamento estratégico engloba a empresa como um todo e, consequentemente, suas decisões afetam toda a empresa (MADISON; AMOS, 2017). Quanto aos níveis táticos e operacionais, eles englobam apenas uma parte da empresa, conforme demonstrado na Figura 3. FIGURA 3 – TIPOS E NÍVEIS DE PLANEJAMENTO NAS EMPRESAS FONTE: Oliveira (2015, p. 46). Para facilitar o seu entendimento, conheceremos melhor cada um dos tipos de planejamento: Planejamento estratégico: de responsabilidade dos níveis mais altos da empresa, ele define o rumo da empresa e para onde ela quer seguir, além de definir os objetivos a serem seguidos. Assim, o planejamento estratégico é aquele que estabelece as estratégias da empresa para longo prazo. Dessa maneira, leva em consideração três itens importantes, os quais nos aprofundaremos no próximo capítulo, sendo eles: • Missão: qual o propósito da empresa? • Visão: o que se deseja atingir no futuro? • Valores: qual o comportamento esperado e desejado pelos envolvidos na execução das atividades? Outro aspecto importante é o monitoramento constante, a fim de verificar se a empresa está no caminho certo para atingir seus objetivos ou precisa realizar mudanças e ajustes no planejamento no decorrer do caminho. 20 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Na Seção 2.2 serão apresentados os conceitos de planejamento estratégico mais detalhadamente. É importante destacar que no planejamento estratégico, por ser de longo prazo, os gestores devem estar dispostos a mudanças e inovações. Planejamento tático: de forma geral, viabiliza que as ações do planejamento estratégico sejam executadas dentro de cada setor da empresa. Portanto, é projetado a médio prazo. Anteriormente, vimos que o planejamento estratégico aborda a empresa como um todo. Já o planejamento tático aborda os setores individualizados, em que cada um tem seu próprio objetivo. Oliveira (2015) destaca que o planejamento tático tem como principal finalidade utilizar de forma eficiente os recursos oferecidos pela empresa para atingir os objetivos previamente fixados. Oliveira (2015) apresenta uma sistemática de desenvolvimento dos planejamentos táticos, conforme a Figura 4. FIGURA 4 – DESENVOLVIMENTO DE PLANEJAMENTOS TÁTICOS FONTE: Oliveira (2015, p. 48) Planejamento operacional: são planejamentos de curto prazo, em média de três a seis meses. Nesse planejamento, são discutidos o que fazer e como fazer as É importante destacar que no planejamento estratégico, por ser de longo prazo, os gestores devem estar dispostos a mudanças e inovações. 21 Planejamento Estratégico Capítulo 1 atividades operacionais da empresa. Fazem parte desse planejamento as equipes de técnicos e operadores, além dos gestores responsáveis pelos projetos. O plano operacional cuida das atividades rotineiras da empresa, garantindo que os colaboradores cumpram com suas responsabilidades de acordo com as políticas e conformidades. Para que se tenha sucesso, é importante ter o conhecimento de toda a estrutura física da empresa. Atividade de Estudo: 1 Descreva a diferença entre os três tipos de planejamento. R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. Para facilitar o entendimento, o Quadro 3 apresenta a diferença básica entre os três tipos de planejamento. QUADRO 3 – DIFERENÇA BÁSICA ENTRE OS TRÊS TIPOS DE PLANEJAMENTO Discriminação Planejamento Estratégico Planejamento Tático Planejamento Operacional Prazo Longo Médio Curto Amplitude Ampla Restrita Mais restrita Riscos Maiores Médio Menores Atividades Fins e meios Meios Meios Flexibilidade Menor Maior Maior FONTE: Oliveira (2015) 22 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 2.2 CONCEITUANDO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO O planejamento estratégico surgiu na década de 1920 nos Estados Unidos, mais especificamente na Universidade de Harvard. Portanto, a partir desse momento, as empresas americanas começaram a adotar o planejamento estratégico (SILVA, 1998). O planejamento estratégico assumiu um formato formal nas organizações somente com a General Eletric, com a criação das strategic business unit ou Unidades Estratégicas de Negócios (UEN). As UEN foram responsáveis pela gestão de produtos que estão relacionados entre si para um mercado previamente definido (TAVARES, 2010). Portanto, as UEN tinham autonomia para definir estratégias e operações em mercados externos, além do próprio controle dos custos e do lucro (SILVA,1998). Em um estudo realizado por Júlio e Salibi (2002), os autores relataram a evolução histórica e as principais características do planejamento estratégico, conforme demonstra a Figura 5. FIGURA 5 – EVOLUÇÃO HISTÓRICA E AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO FONTE: Júlio e Salibi (2002, p. 192 apud NEUMANN, 2014, p. 58) 23 Planejamento Estratégico Capítulo 1 Para Silva (1998, p. 29), quatro fatores foram os causadores do crescimento do planejamento estratégico: Aumento da complexidade do ambiente externo às empresas. Intensificação da competição global. Aumento da complexidade do ambiente interno para as empresas. Crescimento da competição por recursos cada vez mais escassos. O planejamento estratégico é uma análise do passado, presente e futuro da organização. Logo, é uma ferramenta que busca trazer para a organização umavisão do futuro, aumentando as chances de acerto e aproveitando as oportunidades e o máximo dos recursos disponíveis (FENG; GOVINDAN; LI, 2017). Com essa visão do futuro, a empresa consegue analisar o setor de atuação, o mercado, os concorrentes, os produtos e serviços, as vantagens a longo prazo, entre outros fatores. Planejamento estratégico é um método gerencial para estabelecer a direção e o rumo da organização com o objetivo de obter maior interação com o ambiente (KOTLER, 1998). O planejamento estratégico é um processo focado na ação, constituído de um conjunto sistêmico de decisões e prioridades pensadas para o futuro, tendo a necessidade de uma visão abrangente dos gestores da empresa. Nesse contexto, Certo e Peter (1993) ressaltam que a responsabilidade do planejamento estratégico é dos membros da diretoria, da administração corporativa e da gerência divisional para, em conjunto à direção da empresa, tomarem as decisões estratégicas. Existem diversas definições para o conceito de planejamento estratégico. Drucker (1984) menciona que o planejamento estratégico é um processo contínuo de, sistematicamente e com o maior conhecimento possível do futuro da empresa, tomar as melhores decisões. É importante a empresa organizar sistematicamente as atividades necessárias à execução dessas decisões, através de uma retroalimentação organizada. Para Gracioso (1990), o planejamento estratégico é a alocação de recursos rumo aos objetivos traçados. Por sua vez, Oliveira (1991) define planejamento estratégico como um processo que permite o estabelecimento dos rumos e caminhos a serem seguidos pela empresa, definidos normalmente pelos cargos mais elevados, com foco nos resultados organizacionais. Enquanto Mintzberg (1994) enxerga o planejamento estratégico como um processo no qual a organização realiza a programação de quais recursos devem possuir e como serão empregados. Planejamento estratégico é um método gerencial para estabelecer a direção e o rumo da organização com o objetivo de obter maior interação com o ambiente (KOTLER, 1998). 24 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 2.3 RAZÕES DO SUCESSO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Podemos destacar algumas considerações sobre as razões do sucesso do planejamento estratégico nas organizações, conforme Wilson (1990): • O pensamento estratégico, com suas ideias e conceitos dinâmicos, é mais importante do que as metodologias e números do processo. • O planejamento estratégico deve ser assumido pelos executivos e direção da organização. • Os sistemas de planejamento e operação devem ser integrados em um só sistema. • O desenvolvimento de estratégias deve defender os interesses da organização junto à competitividade do ambiente externo, em uma perspectiva autônoma, de dentro para fora, e adequar os interesses da organização aos conflitos do ambiente interno, numa perspectiva heterônoma, de fora para dentro. • O planejamento estratégico só funciona se estiver em sintonia com a cultura da organização. Vantagens do planejamento estratégico O planejamento estratégico, quando adequadamente utilizado, proporciona uma série de vantagens para a empresa como um todo, entre as quais podem ser citadas: • Auxilia a administração a adaptar-se às mudanças no contexto externo a ela. • Estabelece um fluxo mais rígido de informações importantes para os tomadores de decisão. • Proporciona facilidade na alocação dos recursos da empresa. • Auxilia a estabelecer mais precisamente as responsabilidades de todos os colaboradores. • Corrobora e desenvolve um processo descentralizado de decisão na empresa. • Torna os objetivos mais claros e conhecidos. • Facilita o alcance de melhores resultados operacionais. • Possibilita decisões mais precisas. Desvantagens do planejamento estratégico Por outro lado, podemos destacar que existem algumas desvantagens por parte do planejamento estratégico, como: • Pode causar lentidão nas ações internas e externas da empresa. 25 Planejamento Estratégico Capítulo 1 • Pode criar barreiras que limitam inovações por parte do colaborador. • Muitos colaboradores não se dedicam o necessário, pois se perguntam, por exemplo: planejamento para quê? O planejamento funciona? Por que planejar se há instabilidade externa por parte do governo? O planejamento estratégico visa aumentar a chance de acertos nas tomadas de decisões, nas estratégias a serem adotadas, nos planos e nos objetivos contemplados pela empresa. Quando a empresa utiliza de uma forma correta o planejamento estratégico, ela segue em direção ao crescimento e à rentabilidade. Caro acadêmico, veja a importância do planejamento estratégi- co no case GOL Linhas Aéreas. A Gol Linhas Aéreas iniciou suas atividades em janeiro de 2001, com um patrimônio de vinte milhões. Já em 2006, a empresa foi ava- liada em 12 bilhões, crescendo 17 vezes em faturamento. Um ano depois, adquiriu a Varig, ex-empresa líder, abrindo caminho para uma tentativa de hegemonia do mercado de aviação brasileira. Re- sumindo: em seis anos, sem experiência no ramo da aviação, iniciou com uma participação de 5% e conquistou 37% do mercado. Para chegar nesses resultados, a empresa analisou suas forças e fraquezas, criou uma cultura organizacional forte e compreendeu que tinha muitas qualidades para concorrer no mercado, mas que também tinha diversas falhas ou limitações. Para isso, foi essencial fazer uma análise de mercado. Através dela, conseguiu ver que o caminho não era utilizar os mesmos méto- dos que os concorrentes utilizavam, apesar de estarem em destaque no mercado. Ao contrário, ela entrou em um espaço que os concorrentes ha- viam deixado vazio, criou estratégias para um público de nicho e con- seguiu tornar-se referência em um mercado desprezado pelas outras companhias. A companhia mudou a forma de comercialização das passagens, realizando as operações pela internet e eliminando intermediários, o que reduziu os seus custos operacionais. Além disso, implantou um sistema de viagens sem o luxo que as demais concorrentes tinham, diminuindo a qualidade do atendimento de bordo. Também focou em promoções noturnas, com baixo custo das passagens, o que fez com que os aviões que, antes, ficavam no pátio, passassem a fazer viagens noturnas sem- pre lotadas, o que significou um aumento de faturamento. 26 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Foi a prática dessas estratégias que fez a GOL conquistar pes- soas que sequer sonhavam em andar de avião, bem como empre- sas que buscavam economia nas suas viagens de negócios. Assim, a empresa obteve um custo operacional 60% menor que o dos seus concorrentes, além de viabilizar viagens mais baratas que as de ôni- bus para alguns destinos. FONTE: <http://gestaodeequipes.com.br/planejamentos-de-sucesso- conheca-4-casos-inspiradores/>. Acesso em: 1º nov. 2018. Atividade de Estudo: 1 Com base no case anterior, responda: qual a estratégia que a empresa GOL adotou para ter um crescimento representativo no mercado? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. 3 FATORES QUE INTERFEREM NO PROCESSO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Caro acadêmico, na seção anterior vimos os principais conceitos e aspectos sobre o planejamento estratégico. Além disso, foi possível entender que o planejamento estratégico é uma importante ferramenta para as organizações sobreviverem no contexto em que estão inseridas. Entretanto, o planejamento estratégico, como em qualquer atividade http://gestaodeequipes.com.br/planejamentos-de-sucesso-conheca-4-casos-inspiradores/http://gestaodeequipes.com.br/planejamentos-de-sucesso-conheca-4-casos-inspiradores/ 27 Planejamento Estratégico Capítulo 1 realizada em uma empresa, tem fatores que podem interferir no seu processo de implementação e execução. Tomando como referência Tavares (1991) e Melo et al. (2015), alguns fatores são comumente identificados como críticos para o sucesso do planejamento estratégico. Os fatores que frequentemente podem interferir no processo de planejamento estratégico são: • Resistência às mudanças. • Cultura organizacional. • Falta de informações apropriadas no processo decisório. • Ausência da prática de aprendizado organizacional. Resistência às mudanças A resistência às mudanças é considerada uma das principais barreiras para a mudança bem-sucedida em uma organização, sendo que muitos esforços são dedicados à procura de meios para superar essa resistência (MOURA; SOUZA, 2008). Para Argyris (1970), as pessoas podem ser encorajadas à mudança por três motivos: • Indicando as verdadeiras ameaças à saúde da organização. • Alertando para intervenções que ameacem a integridade do sistema. • Alertando para o fato de que o interveniente não atenda à essência dos valores primários da organização. O processo de mudança, portanto, não é algo fácil. Ele implica uma espécie de desordem na vida das pessoas e da própria organização. As pessoas tendem a se apegar em algo que já está consolidado, portanto, situações diferentes do normal geram resistência nas pessoas que estão envolvidas no processo. De nada adiantará elaborar um ótimo planejamento estratégico ou até inovações, se os colaboradores não estiverem envolvidos nisso. É fundamental que cada um saiba o papel que deverá exercer em todo o processo, assim como é importante que ele saiba que sua participação é crucial para que a mudança ocorra com sucesso. Isso vai ao encontro do que Cardoso e Cunha (2005, p. 12) acreditam, que “a abrangência, a extensão ou a natureza da mudança, é sempre um processo complexo e passa, essencialmente, pelas pessoas”. Kotler (1986 apud TAVARES, 2010) descreveu algumas possíveis causas da resistência às mudanças, que serão apresentadas a seguir: • Desejo de não perder algo que valorizam: algumas pessoas têm medo de perder algo que valorizam. Essas perdas podem ser financeiras, de privilégios recebidos, de poder etc. O que reforça essa resistência é a negação de falhas e supressão de críticas. 28 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard • Incompreensão das implicações da mudança: a mudança pode ser vista como uma preocupação, pois não se sabe o que pode surgir e existe muita desconfiança se o novo trará resultados desejados. A incompreensão sobre as implicações leva à crença de que a mudança não levará a lugar nenhum. • Descrença na necessidade da mudança: toda a experiência e valores passados podem levar à descrença de que a implementação de algo novo não melhorará o desempenho da empresa. Afinal, por que mudar algo que eu faço há 20 anos? Sempre foi assim e deu certo! Essas expressões são ditas por pessoas que não estão prontas para as mudanças. Dessa forma, essa descrença pode estar centrada na acomodação com o desempenho das atividades. • Pouca tolerância com relação às mudanças: a rotina e os hábitos internalizados fazem com que as pessoas não busquem algo novo, ficando na acomodação. Esse comportamento acaba bloqueando a busca por novas habilidades. Assim, o medo da mudança gera uma sensação de violação aos valores e às crenças que a pessoa desenvolveu no decorrer do tempo. • Experiências anteriores de mudanças malsucedidas: quem nunca ouviu as seguintes expressões “mais uma” e “isso não vai dar certo de novo”? Experiências anteriores malsucedidas transmitem uma sensação de que se tentarmos fazer mais uma vez, vai dar errado novamente. Essa sensação acontece porque as expectativas iniciais da experiência não atingiram o efeito esperado. Agora que você estudou alguns aspectos sobre as mudanças, exercitaremos os seus conhecimentos. Atividade de Estudo: 1 Pense hipoteticamente no seguinte exemplo: você trabalha em uma empresa de grande porte que está passando por uma mudança a fim de se manter no mercado. Essas mudanças são na estrutura organizacional e nos níveis de hierarquia da empresa. Em sua opinião, quais são os desafios encontrados pela empresa? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ _________________________________. 29 Planejamento Estratégico Capítulo 1 Cultura organizacional A cultura organizacional é considerada um conjunto de normas sociais que definem regras ou o contexto para interações sociais por meio das quais as pessoas agem e trocam informação (SCHEIN, 2009). Em continuidade, Schein (1984, p. 3 apud MACHADO et al., 2012) define cultura organizacional como um: [...] conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna e que funcionaram bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados aos novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas. Quanto mais as pessoas são compatíveis com a cultura da organização, mais elas contribuem com a empresa, ou seja, uma pessoa que não se identifica culturalmente com sua organização, pode fazer, conscientemente ou não, menos esforços ou esforços contrários aos objetivos organizacionais. A cultura pode bloquear mudanças quando for extremamente rígida. Um dos fatores que pode causar isso é a própria cultura enraizada na empresa pelos seus fundadores. Muitas vezes, essa cultura se constitui em uma barreira para as mudanças, pois a empresa realmente não quer mudar. Muitas dessas empresas sentem a obrigação de mudar para sobreviver no mercado, mas possuem uma cultura, enraizada pelos seus fundadores, que inibe mudanças, prejudicando a sua própria empresa. Neste link, você encontrará mais informações sobre a cultura organizacional como uma barreira para a inovação, acesse: <http:// www.rh.com.br/Portal/Geral/Blog_Alberto_Ruggiero/5474/cultura- barreira-a-inovacao.html>. Falta de informações apropriadas no processo decisório Um dos grandes problemas enfrentados pelas organizações é a falta de informações para a tomada de decisão. http://www.rh.com.br/Portal/Geral/Blog_Alberto_Ruggiero/5474/cultura-barreira-a-inovacao.html http://www.rh.com.br/Portal/Geral/Blog_Alberto_Ruggiero/5474/cultura-barreira-a-inovacao.html http://www.rh.com.br/Portal/Geral/Blog_Alberto_Ruggiero/5474/cultura-barreira-a-inovacao.html 30 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard A informação e o seu valor para a administração estão no fato de que conferem vantagens competitivas em relação ao mercado concorrencial, sendo que a informação é indispensável para a sobrevivência das organizações. Para Tavares (1991), a deficiência das informações pode ser gerada por informações inadequadas ou por informações ultrapassadas e sem relevância, as quais podemos definir como: Informações inadequadas A insuficiência de dados é muito mais comum do que você imagina, tornando a tomada de decisão insegura, sem embasamento e com baixo índice de acerto. Por outro lado, podemos ter excesso de dados que, muitas vezes, podem levar a resultado nenhum, pois não se aplicam em uma tomada de decisão específica. Nesse caso, muitos gestores seguem a sua intuição para tomar uma decisão, e não a objetividade. Uma das saídas para resolver os problemas da falta de informações inadequadas é adotar um sistema de informação. Um dos sistemas mais utilizados pelas empresas é o Sistema de Informações Gerenciais (SIG). Segundo Moritz e Pereira (2006, p. 17), o SIG é: [...] a integração de todas asfunções, procedimentos, dados e equipamentos da corporação em um sistema abrangente que produz as informações necessárias para todos os níveis dentro da organização. Esse sistema tem foco tanto interno quanto externo, já que fornece informações de dentro da organização (por exemplo, totais semanais de produção, vendas e relatórios financeiros, entre outros) ou de fora (mudanças no Índice de Preços ao Consumidor - IPC -, taxa de juros, câmbio, concorrentes etc.). Todas essas informações são indispensáveis para o sucesso de uma boa gestão. O Sistema de Informações Gerenciais (SIG) é composto por um sistema integrado de informações de todo o pessoal corporativo, procedimentos, dados e equipamentos em um sistema abrangente, que produz as informações requeridas para todos os níveis da organização. Informações ultrapassadas Dentro de um contexto mercadológico, as empresas devem buscar informações de forma cada vez mais rápida sobre o mercado, concorrentes, fornecedores, economia etc. Isso, de fato, é relevante para que a empresa se destaque e sobreviva em um mercado competitivo. É importante comentarmos que a empresa deve estar A informação e o seu valor para a administração estão no fato de que conferem vantagens competitivas em relação ao mercado concorrencial, sendo que a informação é indispensável para a sobrevivência das organizações. O Sistema de Informações Gerenciais (SIG) é composto por um sistema integrado de informações de todo o pessoal corporativo, procedimentos, dados e equipamentos em um sistema abrangente, que produz as informações requeridas para todos os níveis da organização. 31 Planejamento Estratégico Capítulo 1 atenta às informações que são relevantes para ela, pois se a informação chega no momento certo, a tomada de decisão torna-se mais viável e, inclusive, facilita a se destacar no mercado perante os seus concorrentes. Tavares (1991) acredita que mesmo a empresa adquirindo essas informações em tempo hábil, o importante é ter pessoas qualificadas para geri-las. Atividade de Estudo: 1 Caro acadêmico, na sua empresa, você passou por alguma situação em que recebeu informações ultrapassadas ou inadequadas e precisou delas para tomar alguma decisão, ainda que a decisão não trouxesse prejuízo para a empresa? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. Neste link, você encontrará um artigo científico sobre a tomada de decisão no contexto de big data. Acesse: <http://www.revistasg. uff.br/index.php/sg/article/viewFile/761/661>. Ausência da prática de aprendizado organizacional Empresas que buscam mudanças mais ousadas, necessariamente precisam de práticas de aprendizagem. Entretanto, muitas empresas são insuficientes na elaboração de programas de capacitação e desenvolvimento de pessoas, nem incentivam ou propiciam um ambiente de aprendizagem ou criatividade. Guns (1998) define a aprendizagem organizacional como a aquisição de conhecimentos, habilidades, valores, convicções e atitudes que acentuam a manutenção, o crescimento e o desenvolvimento da organização. O termo “aprendizagem organizacional” refere-se à forma que a organização aprende http://www.revistasg.uff.br/index.php/sg/article/viewFile/761/661 http://www.revistasg.uff.br/index.php/sg/article/viewFile/761/661 32 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard e como ela se relaciona com o ambiente onde está inserida. No entanto, a organização em si não aprende, mas, sim, as pessoas que fazem parte dela. A aprendizagem organizacional surge com os momentos individuais, nos quais os funcionários experimentam diariamente, como interagir com as pessoas, realizar as atividades com calma e atenção e até mesmo desempenhar suas tarefas. Neste contexto, profissionais com rotinas definidas preferem passar bem longe de qualquer mudança que possa influenciar a sua comodidade ou impor novos desafios. Tavares (1991, p. 403) afirma que “empresas que não têm tradição na prática do aprendizado organizacional, contribuem em grande parte para a existência, a manutenção e o agravamento de todos os aspectos citados que interferem no processo de gestão estratégica”. Caro acadêmico, leia o case da empresa Pfizer Inc. para entender como funciona a aprendizagem organizacional na prática. A indústria farmacêutica é uma indústria que sobrevive praticamente de descobertas na área médica, resultantes de esforços intensos dos seus departamentos de pesquisa e desenvolvimento. Hoje, essas empresas atravessam um período confuso, pois estão sendo questionadas com relação aos preços cobrados pelos remédios à população e, ao mesmo tempo, estão vendo os vultosos investimentos em pesquisa serem praticamente perdidos com a introdução dos remédios genéricos no mercado, com o aval dos governos dos países em que atuam. O valor investido para se obter a aprovação de uma modificação em um remédio junto à FDA (a Agência de Alimentos e Medicamentos Norte-americana) pode chegar a mais de 500 milhões de dólares, valor que foi aumentando muito ao longo dos anos. Essas empresas devem estar constantemente atentas ao mercado global para definir e redefinir a sua estratégia de atuação e, mais importante, devem ser capazes de gerenciar o processo de criação de conhecimento e de inovação dentro da sua organização. A Pfizer, uma das maiores empresas farmacêuticas no mundo, com sede em Nova York, Estados Unidos, trabalha forte com a aprendizagem organizacional. O conhecimento tácito é transmitido de uma maneira muito interessante dentro desta organização. A Pfizer tem conseguido selecionar pesquisadores dentre os melhores jovens doutores formados pelas universidades americanas e dos países em que ela atua. As equipes de projeto da empresa recebem cada jovem calouro com a obrigação de formá-lo e transmitir para este https://pt.wikipedia.org/wiki/Empresa_farmac%C3%AAutica https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Iorque https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos 33 Planejamento Estratégico Capítulo 1 indivíduo a cultura organizacional através da prática do cotidiano. Os gerentes das equipes da Pfizer são escolhidos entre os gerentes bem-sucedidos em esforços de equipe, que são, em grande parte, comunicadores muito eficazes, transmitindo as melhores práticas de gerenciamento de uma geração de cientistas para a seguinte. A empresa também preocupa-se com a retenção de talentos, uma das principais formas de se reter o conhecimento tácito em uma organização. Ela busca uma rotatividade mínima nos cargos de gerência, com o cuidado de não importar gerentes externos, isto é, tornando possível aos colaboradores da empresa a conquista de níveis mais elevados dentro da estrutura hierárquica organizacional. Foi exatamente isto o que aconteceu com a maioria de seus diretores de pesquisa nos últimos 30 anos, e o resultado é que esses diretores percebem o senso de continuidade de seus esforços de pesquisa. A empresa ainda valoriza muito a memória institucional, que é o apoio para a forma como a empresa soluciona seus problemas e como as pessoas organizam seu trabalho. A Pfizer gerencia o conhecimento de que dispõe de uma forma muito eficaz, tornando-se uma empresa bastante competitiva. O uso de repositórios de conhecimento, onde são arquivadas as experiências de sucesso e fracasso em pesquisa aplicada da empresa, e de sistemas versáteis e flexíveis de gerenciamento que permitem a delegação de poder em todos os níveis da organização, tornam a empresa um grande exemplo de aprendizagem organizacional. FONTE: <http://www.crie.ufrj.br/application/assets/uploads/files/A_ aprendizagem_o_caso_Pfizer.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2018. Percebemos, com a leitura do texto, que a empresaPfizer está desenvolvendo a aprendizagem organizacional a longo prazo. Agora que entendemos como as empresas desenvolvem a aprendizagem organizacional na prática, exercitaremos nossos conhecimentos. Atividade de Estudo: 1 Quais são os pontos-chave que a empresa Pfizer trabalha para o desenvolvimento da aprendizagem organizacional? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ http://www.crie.ufrj.br/application/assets/uploads/files/A_aprendizagem_o_caso_Pfizer.pdf http://www.crie.ufrj.br/application/assets/uploads/files/A_aprendizagem_o_caso_Pfizer.pdf 34 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ _________________________________________________. 4 INSTITUCIONALIZAÇÃO DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO Caro acadêmico, nas seções anteriores, você adquiriu o conhecimento sobre os principais conceitos de planejamento, estratégia e planejamento estratégico, bem como os fatores que impactam negativamente no planejamento estratégico. Na próxima seção, você conhecerá as melhores medidas para a implementação do planejamento estratégico. Antes de implantarmos o planejamento estratégico nas organizações, precisamos verificar um conjunto de medidas necessárias para a sua implementação. Conforme Tavares (2010), destacam-se as seguintes medidas: • A explicitação do processo. • A definição da abordagem a ser seguida. • A definição das etapas a serem seguidas. Em seguida, conheceremos melhor cada uma delas. 4.1 A EXPLICITAÇÃO DO PROCESSO Esta etapa é o momento em que todos os participantes do processo discu- tem o conteúdo da gestão estratégica, os procedimentos a serem adotados, a estratégia de comunicação, as atribuições de cada participante, as responsabi- lidades definidas para cada área da empresa, o cronograma das atividades e os instrumentos a serem utilizados (TAVARES, 2010). É preciso salientar que o papel de todos é importante para que o processo tenha êxito, visto que a construção de todas as etapas só se dá com o apoio e a dedicação de todos os participantes. 35 Planejamento Estratégico Capítulo 1 A explicitação do processo deve ser clara e objetiva. Nesta etapa, todos os participantes devem opinar sobre o processo que, assim, terá um maior número de informações para definir o melhor caminho a ser seguido (WOLF; FLOYD, 2017). A comunicação deve ser detalhada ao máximo possível, inclusive utilizando uma linguagem compreensível a todos. Cada pessoa possui habilidades e atitudes diferentes e, em se tratando do planejamento estratégico, a comunicação é necessária para que o processo receba contribuições diferentes. Por isso, é importante utilizar recursos, ferramentas e pessoas diferenciadas (TAVARES, 2010). Significado de explicitação, segundo o dicionário Aurélio: tornar explícito, claro. FONTE: <https://dicionariodoaurelio.com/explicitacao/>. Acesso em: 1º nov. 2018. 4.2 A DEFINIÇÃO DA ABORDAGEM A SER SEGUIDA Para Tavares (2010), existem três alternativas para a abordagem da gestão estratégica, sendo elas: • De cima para baixo, ou seja, descendente. • De baixo para cima, ou seja, ascendente. • Mista. Caro acadêmico, agora exploraremos melhor cada uma delas. 4.2.1 De cima para baixo (descendente) A abordagem descendente, também conhecida no termo em inglês como top down, é um processo sequencial desde o topo da hierarquia até a sua base. Este método tem uma forte semelhança com as gestões tradicionais, em que as decisões são tomadas pela cúpula da empresa e, depois, são disseminadas para as demais áreas da empresa (KICH et al., 2012). Esse tipo de decisão acontece diariamente nas empresas e é ideal para atitudes rápidas ou que exijam um nível de estratégia avançado. No modelo descendente, o ambiente oferece oportunidades e ameaças para as organizações, que estabelecem os critérios de escolha (MARTINS; LAVARDA, 36 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 2013). Em complemento, Tavares (2010, p. 42) menciona que existem alguns requisitos importantes aos quais a empresa deve se preocupar em adotar na abordagem descendente, sendo eles: A disponibilidade de tempo do nível hierárquico mais alto para a análise e implementação do processo de gestão estratégica. O domínio de informações necessárias ao processo. A obediência das decisões e das ordens, pelos demais níveis, em detrimento da criatividade. O elevado nível de poder exercido pelo nível hierárquico mais alto, para obter a coesão necessária dos demais níveis visando à implementação da estratégia. Os sistemas organizacionais apropriados para viabilizar a sua implementação e controle. Outro ponto comentado por Tavares (2010) diz respeito à centralização do poder, ou seja, o poder fica restrito a um pequeno grupo e os demais grupos apenas acatam as ordens rotineiras, preenchendo formulários. Um dos pontos que o autor chama atenção é que esse grupo acaba não tendo um comprometimento necessário com o processo de planejamento, e isso prejudica a empresa. Nesse contexto, Tavares (2010, p. 42) aponta os principais desafios para esse tipo de abordagem, sendo eles: O ambiente nem sempre se mantém em relativa estabilidade, permitindo que o modelo atenda a essa realidade. O nível central nem sempre dispõe de informações ou de tempo para implementar o processo de maneira adequada. Os níveis abaixo do alto escalão estão a cada dia pleiteando maior participação, baseados na crença de sua capacidade para contribuir para o futuro da organização. A negligência na utilização do potencial das pessoas pode desmotivá-las. O grupo de apoio ao processo de gestão estratégica fica, dessa forma, sem a devida “credencial” e status para sua coordenação. Caro acadêmico, veja algumas vantagens e desvantagens que esse tipo de abordagem pode contemplar, segundo Pereira (2002, p. 40): Como vantagem, essa forma tem a sua rapidez, pois a cúpula pode contratar uma consultoria externa e ela rapidamente montar o documento, sem ouvir os níveis inferiores, ou ela mesmo monta o processo e o documento é definido apenas pelos diretores. A desvantagem é que como não houve participação dos níveis inferiores, poderá ocorrer problema e conflito quando da sua implementação. 37 Planejamento Estratégico Capítulo 1 4.2.2 De baixo para cima (ascendente) A abordagem ascendente, também conhecida pelo termo em inglês bottom up, ao contrário do modelo descendente, o nível operacional participa das decisões, possuindo uma visão democrática, de baixo para cima, com ênfase nas pessoas. Este modelo de gestão é viável em empresas que buscam aprendizagem organizacional, sendo baseadas no conhecimento. Para Tavares (2010), a empresa que pretende adotar esse modelo de gestão deve ficar atenta a alguns requisitos, como: • Elevado nível de turbulência ambiental. • Conhecimento concentrado nos níveis intermediários da organização. • Existência de um espírito de cooperação e confiança entre esses diversos níveis. Caro acadêmico, neste modelo também temos algumas dificuldades, conforme Tavares (2010, p. 44) elas são: Pouca disposição do nível diretivo em abrir mão de parcelas do poder e do controle que dispõem sobre a definição e imple- mentação de estratégias. Morosidade decorrente do processo de negociação, que sem- pre esbarra com o sistema de crenças e valores predominan- tes entre os grupos envolvidos, exigindo tempo para a sua aceitação, assimilação e implementação. Dificuldade de controle das ações das pessoas envolvidas pela abertura proporcionada a uma base maior de participação. Inadequaçãoou inexistência de mecanismos para realizar as mudanças necessárias, quando elas contrariam os interesses dos grupos envolvidos. Perda de motivação, ocasionada pela negligência na utilização do potencial das pessoas. Não envolvimento do corpo diretivo com o processo e sua im- plementação. Dificuldade de identificar se as informações utilizadas são ade- quadas, oportunas e precisas durante o desenvolvimento do processo de gestão estratégica. Ênfase em apenas uma ou poucas dimensões, negligenciando as afetadas por outras áreas não envolvidas. Cultura organizacional hostil e pouco colaborativa. Neste modelo, são bem comuns a discussão e a negociação, pois todos participam da equipe do planejamento estratégico. Ainda que seja uma empresa com 500 colaboradores, todos formarão a equipe, tornando mais fácil a implementação, pois todos terão participação no processo, contribuindo com a melhora expressiva do clima organizacional. 38 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 4.2.3 Mista Esta abordagem contempla o que há de melhor, ou seja, as vantagens das duas abordagens anteriores, top down e bottom up, com o objetivo de minimizar as desvantagens e utilizá-las a favor da empresa. Segundo Pereira (2002, p. 40), a abordagem mista pode ser entendida como: Uma saída para o impasse do Top-Down e do Bottom-Up. Montaria-se uma equipe de planejamento estratégico com pessoas das mais diversas áreas da organização. O ideal é que se crie algum critério para a pessoa ser convidada. Convidada, porque não adianta o gerente ou o diretor indicar uma pessoa que sabidamente não dará nenhuma contribuição para a equipe, mesmo porque ela não está comprometida com a empresa, logo ela não estará presente de corpo e alma nas reuniões e discussões. Neste momento o critério qualitativo é muito mais importante do que o quantitativo. Caro acadêmico, a diferença entre os modelos é enorme, com diferentes níveis de responsabilidade. Para facilitar o seu entendimento, o Quadro 4 demonstra a comparação entre os modelos. QUADRO 4 – COMPARAÇÃO ENTRE OS MODELOS DE GESTÃO Modelos de gestão/ Características Descendente Ascendente Mista Agente de criação do conhecimento. Alta direção. Empreendedor individual. Gestores médios como coorde- nadores. Alocação de recursos. Hierarquicamente. Princípio da auto-organização. De diferentes pontos de vista. Organização. Estrutura hierárqui- ca grande e forte: uso de manuais. Estrutura hierár- quica pequena, suborganização e auto-organização. Ramos, seções ou unidades com equipamentos des- tinados aos empre- sários nacionais. Processos de gestão. Gestores autocrá- ticos. Ênfase no processamento de informação. Gestores como patrocinadores de projetos ou ideias próprias, abertos a informa- ções pessoais. Gestores catalisa- dores da criação do conhecimento organizacional. 39 Planejamento Estratégico Capítulo 1 Conhecimentos acumulados. Explícito: compu- tadorizado, docu- mentado (formal). Tácito incorporado nos indivíduos (experiência). Explícito e tácito: comparativos nas diversas formas (experiência). Fraquezas. Alta dependência da alta direção. Consumo de tempo: dificuldade para coordenar os indivíduos. Falta o controle geral da organização. FONTE: Adaptado de Nonaka (1988, p. 9-16 apud MARTINS; LAVARDA, 2013, p. 135) Prezado acadêmico, refletiremos um pouco sobre os modelos de gestão. Atividade de Estudo: 1 Você sabe qual é o modelo de gestão utilizado pela empresa em que você trabalha? Quais os aspectos semelhantes aos estudados neste livro que podem ser comparados ao modelo de gestão da sua empresa? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. 4.3 A DEFINIÇÃO DAS ETAPAS A SEREM SEGUIDAS Nesta etapa, deve ser definido o processo de gestão estratégica adotado pela empresa. Ressalta-se que cada empresa deve seguir suas características próprias. Lembrando, acadêmico, que a empresa está inserida em um ambiente empresarial, portanto, cada empresa deve saber o melhor processo a ser adotado. Você deve estar se perguntando: quais são as etapas do planejamento estratégico? Seguindo o entendimento de Oliveira (2015) e de Tavares (2010), as fases do planejamento estratégico são: 40 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard • Delimitação do negócio. • Análise do ambiente externo e interno. • Elaboração de filosofias e políticas. • Formulação de estratégias. • Definição de objetivos e metas. • Elaboração do orçamento. • Controle e avaliação do planejamento estratégico. • Implantação. Caro acadêmico, agora que sabemos quais são as fases do planejamento estratégico, conheceremos um pouco mais sobre cada uma das fases. Fase I - Delimitação do Negócio Nesta fase, a empresa deve refletir sobre as seguintes questões: • Onde estou? • Aonde quero chegar? A empresa, nesta fase, deve pensar no futuro, refletindo o presente. É a partir dessa reflexão, junto ao diagnóstico dos ambientes externo e interno, os quais conhe- ceremos melhor posteriormente, que emergirá a missão e a visão da empresa. Você conhece a visão e a missão da Uniasselvi? Visão da Uniasselvi: ser líder nas regiões onde atua, referência de ensino para a melhoria de vida dos nossos alunos, com rentabilidade e reconhecimento de todos os públicos. Missão da Uniasselvi: ser a melhor solução de educação para a construção da sua própria história. FONTE: <https://portal.uniasselvi.com.br/institucional/missao-visao-valores>. Conheça a visão e a missão de algumas grandes empresas. Acesse: <http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/a- missao-das-grandes-das-mais-conceituadas-empresas/55256/>. https://portal.uniasselvi.com.br/institucional/missao-visao-valores http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/a-missao-das-grandes-das-mais-conceituadas-empresas/55256/ http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/a-missao-das-grandes-das-mais-conceituadas-empresas/55256/ 41 Planejamento Estratégico Capítulo 1 Fase II - Análise do Ambiente Externo e Interno Todas as empresas estão inseridas em um ambiente, um organismo vivo, ou seja, existem inúmeros fatores que podem impactar na empresa, os quais podem ser fatores externos e internos. Vamos conhecer melhor esses fatores? • Ambiente externo: consiste em uma análise realizada pela empresa sobre os fatores externos a ela. Aqui, tratamos de fatores incontroláveis pela empresa, como: economia, cultura, legislações etc. • Ambiente interno: ao contrário do ambiente externo, aqui a empresa tem controle sobre as variáveis, pois são internas à empresa. Essas variáveis podem interferir de forma positiva ou negativa no desempenho da organização. Aqui, a empresa estabelece seus pontos fortes e fracos. Fase III - Elaboração de Filosofias e Políticas Esta fase consiste em tornar explícitas as crenças que a organização terá como guia na busca dos seus objetivos, além explicitar todas as regras e diretrizes a serem seguidas no processo de decisão. Fase IV - Formulação de Estratégias Consiste em formular as estratégias, tendo como base a visão da empresa, levando em consideração o tempo, o custo e os recursos disponibilizados pela empresa. Fase V - Definição de Objetivos e Metas Consiste em elaborar e detalhar os objetivos e as metas a serem atingidos pela empresa. Nesta etapa, deve-se levar em consideração as estratégias formu- ladas para definir os objetivos e, posteriormente, as metas. Fase VI - Elaboração do Orçamento Nesta fase, devem ser atribuídos os valores financeiros necessários para atingir cada meta proposta. De fato, a elaboração do orçamento visa proporcionar à viabilidade dos objetivos da empresa. Fase VII - Controle e Avaliação do Planejamento Estratégico Como as principais funções do gestorsão a avaliação e o controle, devemos colocá-las em prática no planejamento estratégico. Esta fase consiste em identificar quais são as melhores ferramentas para controlar e avaliar as estratégias contempladas pela organização. 42 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Fase VIII - Implantação Por fim, nesta fase, colocaremos em prática todas as ações definidas anteriormente para atingir os objetivos da empresa. Caro acadêmico, acabamos de estudar todas as etapas que contemplam a elaboração do planejamento estratégico. Fique tranquilo, no próximo capítulo estudaremos todas as etapas mais detalhadamente. Vamos refletir sobre o assunto estudado? Atividade de Estudo: 1 Pense em uma empresa que você trabalha ou trabalhou e responda às seguintes questões: a) Essa empresa tem missão e visão definidas? Em sua opinião, ela está de acordo com o que a empresa busca, ou seja, com o seu objetivo? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. b) Qual é o objetivo da empresa? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. c) Fazendo uma análise do ambiente externo da empresa, quais são os principais fatores que podem impactar na empresa positiva e negativamente? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. 43 Planejamento Estratégico Capítulo 1 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Tendo em vista que o objetivo deste capítulo foi conceituar planejamento, estratégia e planejamento estratégico, além de abordar alguns fatores que podem interferir no planejamento estratégico e as medidas necessárias para a sua implementação, foi possível compreender que, diante do cenário competitivo em que as empresas estão inseridas, é vital o planejamento. Além disso, foi possível evidenciar que a administração tem como base a estratégia militar, até hoje utilizada como base nas organizações. Apesar de termos um grande número de estudos que abordam o tema estratégia, não chegamos em um consenso de sua definição. Analisamos alguns fatores que podem interferir no planejamento estratégico, os quais podem ser vistos em qualquer organização. Portanto, cabe aos gestores identificá-los e buscar soluções, visando melhorias. Também vimos que a prática de aprendizagem organizacional ajuda no desenvolvimento da organização, mas para o desenvolvimento dessa prática, precisamos de pessoas comprometidas e motivadas com a organização. Por fim, um ponto importante que tem impacto no planejamento estratégico é a institucionalização do processo de planejamento. Nesse caso, as organizações precisam verificar um conjunto de medidas necessárias para a implementação do planejamento estratégico e as suas etapas. Dessa forma, daremos sequência ao nosso estudo no próximo capítulo, analisando com mais profundidade as etapas para a implementação do planejamento estratégico nas organizações. REFERÊNCIAS ACKOFF, L. R. Planejamento empresarial. Rio de Janeiro: LTC, 1976. ARGYRIS, C. 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CAPÍTULO 2 Método e Implementação do Planejamento Estratégico A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � Definir missão e visão. � Definir e analisar o ambiente interno e externo organizacional. � Contextualizar o uso da ferramenta SWOT de análise do ambiente organizacional. � Elaborar um planejamento estratégico. � Analisar o controle e a avaliação do planejamento estratégico. 48 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 49 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Os avanços tecnológicos ocorridos no mundo influenciaram as organizações a reavaliarem processos e paradigmas sobre a importância da análise da concorrência para o planejamento estratégico da empresa, objetivando o avanço competitivo. O sucesso e o fracasso empresarial dependem do estudo da concorrência/am- biente externo, que é importante para a construção de um plano de negócio. É atra- vés deste estudo que se definem as melhores estratégias para alcançar os segmen- tos de mercado existentes e restringir erros para projetos já implantados no papel. Não basta apenas olhar externamente à organização, é preciso também en- tender o ambiente interno, buscar compreender quais são os seus recursos e a capacidade intelectual que a organização tem disponível para atuar no mercado externo. Uma das ferramentas para analisar o ambiente externo e interno da organização é a matriz SWOT, considerada uma ferramenta importante para a análise do ambiente onde a empresa está inserida, tal como seu ambiente interno. Outro ponto importante e essencial para qualquer organização, independen- temente do porte, é a formulação da missão e visão, são eles que vão nortear a empresa. Inclusive, são bases para a elaboração do planejamento estratégico. Para a elaboração do planejamento estratégico, é preciso seguir etapas, assim é possível chegar a resultados positivos. Essas etapas são compostas pela formulação da visão e da missão, análise do ambiente organizacional, elaboração de filosofias e políticas, definição de objetivos, formulação das estratégias e o controle e a avaliação. Prezado acadêmico, em seguida você conhecerá melhor cada uma das etapas da elaboração do planejamento estratégico. 2 DELIMITAÇÃO DE NEGÓCIO: FORMULAÇÃO DA VISÃO E DA MISSÃO A delimitação do negócio corresponde à primeira fase do planejamento estratégico e procura responder às seguintes perguntas: 50 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard ● Para quem eu quero vender meus produtos/serviços? ● Para onde quero seguir? ● Onde quero chegar no futuro? ● Qual é a real existência da empresa? Caro acadêmico, veja que são perguntas pensando no futuro da empresa, mas, para isso, precisa-se pensar no presente. Todas as empresas buscam de fato a alta performance, mas para atingi-la é necessário primeiramente saber qual é a razão de a empresa existir e para onde ela quer seguir, ou seja, precisamos definir a missão e a visão do negócio. Em seguida, conheceremos melhor cada uma delas. 2.1 MISSÃO O primeiro passo para o planejamento é a definição da visão do negócio, porém, ressalta-se que definir a missão de uma empresa pode ser uma tarefa difícil, ou seja, deve-se, em poucas palavras, mostrar o segmento em que o negócio está inserido e como a empresa espera ser reconhecida por seus clientes, fornecedores e parceiros. Para Tavares (1991, p. 88), “a missão consiste na delimitação de suas atividades dentro do espaço que deseja ocupar com relação às oportunidades de negócio”. Segundo o autor, a sua elaboração deve ter como base as seguintes questões: • Quem é e onde está o nosso cliente? • Quem poderá vir a ser o nosso cliente? • O que podemos fazer para manter os primeiros clientes e conquistar os demais? • O que compra nosso cliente? • Quais são nossas competências distintivas? Por sua vez, Oliveira (1991) menciona que para definir a missão de uma empresa, ela precisa partir de algumas questões, como: • Qual a razão de ser da empresa? • Quais são os tipos de atividades em que a empresa deve concentrar seus esforços no futuro? 51 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 No entanto, a principal pergunta a ser respondida pela missão é: • Qual o negócio da empresa? Caro acadêmico, veja que a missão é a justificativa da existência da organização. Missão é a razão de existir de uma organização, ou seja, o porquê de ela ter sido criada. O Quadro 1 apresenta a missão de algumas empresas para você refletir. QUADRO 1 – MISSÃO DE EMPRESAS Empresas Missão Hospital Tacchini Oferecer soluções em serviços de saúde, proporcionando bem-estar e qualidade de vida, buscando sempre as melhores técnicas e serviços mé- dico-hospitalares, de forma integrada com as comunidades onde atua. Hospital São Francisco de Assis Promover, resgatar, restaurar e defender a dignidade da pessoa humana, através de um serviço de saúde. Hospital São Paulo Salvar vidas. Drogaria Araújo Comercializar produtos e serviços de qualidade voltados para a saúde, o bem-estar e a conveniência do consumidor, participando do desenvolvi- mento da comunidade em parceria com clientes, funcionários e fornecedo- res, e mantendo elevados padrões de confiança, tradição e modernidade. Federação Brasi- leira de Hospitais Atuar em conjunto com as suas federadas no desenvolvimento de políticas de saúde, defendendo e representando os prestadores de serviços, pro- movendo a valorização da iniciativa privada, visando à universalização da assistência com qualidade. Associação Mineira de Reabilitação Prestar serviços deassistência à saúde, principalmente na área de reabilita- ção, adaptando social e profissionalmente o deficiente físico, prioritariamen- te a criança carente, através de um trabalho qualificado e inovador. Hospital Taquaral Atender às necessidades e às expectativas de nossos clientes e demais partes interessadas, prestando assistência médica com dignidade, eficiên- cia e calor humano. Unicardio Agir com excelência na prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação cardiovascular, utilizando-se de uma visão holística e de recursos huma- nos tecnológicos de vanguarda, proporcionando uma melhor qualidade de vida ao ser humano. Google Atuar de forma segura e rentável, com responsabilidade social e ambien- tal, nos mercados nacional e internacional, fornecendo produtos e serviços adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvi- mento do Brasil e dos países onde atua. FONTE: Pereira (2010, p. 57) Missão é a razão de existir de uma organização, ou seja, o porquê de ela ter sido criada. 52 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Para Oliveira (2015, p. 119), o estabelecimento da missão deve levar em conta alguns cuidados em sua formulação, sendo eles: Não, simplesmente, explicar o que estão fazendo, pois, tais definições não cumprem sua finalidade básica. Não correlacionar, diretamente, com os produtos e serviços oferecidos, pois pode reduzir o foco da missão. Não estabelecer uma frase definitiva, pois ela pode ter mudança com o tempo, tanto interna como externa. É importante ressaltar que na criação da missão devemos evitar palavras complexas, também verificar se a frase realmente envolve sentimento e, por fim, a missão deve dizer o que é realmente a empresa. A missão, segundo Scott, Jafee e Tobe (1998, p. 61), “pode impulsionar a estratégia da empresa”. Os autores mencionam o exemplo da empresa Federal Express, quando decidiram que eles estavam no negócio de transporte e não no de entrega de pacotes. Nesse caso, para alinhar o negócio a esta nova missão estabelecida pela empresa, tiveram que realizar duas mudanças: • Pensar em uma nova concepção de entrega com agilidade. • A necessidade de criar um novo sistema de informação, onde a empresa tivesse todas as suas informações em tempo real. É importante ressaltar que na criação da missão devemos evitar palavras complexas, também verificar se a frase realmente envolve sentimento e, por fim, a missão deve dizer o que é realmente a empresa. Atividade de Estudo: Caro acadêmico, exercitaremos o conhecimento adquirido até aqui. 1 Pense em sua própria missão pessoal e responda às seguintes questões: a) Qual é o seu propósito básico no trabalho? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ __________________________. b) Qual é o seu propósito básico na vida? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ 53 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 ____________________________________________________ ____________________________________________________ __________________________. c) Quais são as considerações críticas que você faz quando desenvolve sua própria missão? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ __________________________. 2.2 VISÃO Caro acadêmico, imagine que você está em uma mata desconhecida e que não tem indicadores de direção. O que você faria? Nesse caso, o que poderia nos levar em direção à saída seria a utilização de uma bússola, portanto, imagine a visão de uma empresa com uma bússola, ela pode guiar você quando todos os indicadores de direção não funcionarem. A visão contribui para que os colaboradores se sintonizem no que está acontecendo (SCOTT; JAFEE; TOBE, 1998). O processo de criar a visão é simplesmente deixar claro os valores da empresa, não é um processo de apenas um encontro, é preciso seguir algumas etapas para a sua criação. Segundo Scott, Jafee e Tobe (1998, p. 5), existem cinco passos para a criação da visão, sendo eles: Classificar os valores: definir os valores-chave e o que eles significam em ação. Análise da situação atual: examinar o ambiente atual interna e externamente. Definir a missão: clarificar o propósito básico. Criar a visão: gerar uma imagem clara do futuro desejado. Implementar a visão: criar planos estratégicos, planos de ação e ciclos de feedback para implementar os valores, a visão e a missão. Os mesmos autores mencionam alguns aspectos importantes em estabelecer a visão da empresa, sendo eles: 54 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Reúne as pessoas em torno de um sonho comum. Coordena o trabalho de diferentes pessoas. Ajuda todos na empresa a tomarem decisões. Constrói a base para o planejamento da empresa. Questiona o estado atual confortável ou inadequado. Torna o comportamento incongruente mais perceptível (SCOTT; JAFEE; TOBE,1998, p. 5). Segundo Oliveira (1991, p. 88), “a visão é conceituada como os limites que os proprietários e principais executivos da empresa conseguem enxergar dentro de um período de tempo mais longo e uma abordagem mais ampla”. Veremos isso na prática, conforme Quadro 2. QUADRO 2 – VISÃO DE EMPRESAS Empresas Visão Instituto Brasileiro de Coaching - IBC “Ser a maior Escola de Coaching do Mundo”. Disney “Criar um mundo onde todos possam se sentir crianças”. Coca-Cola “Matar a sede do mundo”. Petrobrás “Ser uma das cinco maiores empresas integradas de energia do mundo e a preferida dos seus públicos de interesse”. Kopenhagen “Ser um grupo competitivo que atue de forma abrangente no segmento alimentício, através de um portfólio de produtos com qualidade, represen- tado por marcas fortes, com características e propostas únicas”. Duratex “Ser empresa de referência, reconhecida como a melhor opção por clien- tes, colaboradores, comunidade, fornecedores e investidores, pela quali- dade de nossos produtos, serviços e relacionamento”. Cacau Show “Ser a maior e melhor rede de chocolates finos do mundo, oferecendo aos seus clientes e parceiros uma relação duradoura, com foco no crescimen- to, rentabilidade e responsabilidade socioambiental”. O Boticário “Ser uma marca com espírito de liderança, que promete um forte e arroja- do crescimento para atender com originalidade e de forma democrática to- dos os brasileiros, oferecendo produtos de qualidade a preços acessíveis”. BNDES “Ser o Banco do Desenvolvimento do Brasil, instituição de excelência, ino- vadora e proativa ante os desafios da nossa sociedade”. FONTE: <https://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao-pessoas/definicao- e-exemplos-de-visao-de-uma-empresa/>. Acesso em: 16 dez. 2018. https://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao-pessoas/definicao-e-exemplos-de-visao-de-uma-empresa/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao-pessoas/definicao-e-exemplos-de-visao-de-uma-empresa/ 55 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 Resumindo, a visão mostra aonde a empresa quer chegar e traz seus objetivos de longo prazo, também busca orientar suas ações e aspirações para o futuro e, consequentemente, motiva os colaboradores a ajudarem a empresa a conquistar seus objetivos. Neste link você encontrará exemplos de visão de algumas empresas. Acesse: <http://bit.ly/2JvkXlO>. Atividade de Estudo: 1 Você sabe qual é a visão da empresa onde você trabalha ou trabalhou? Qual é? Em sua opinião, ela está de acordo? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. Para se aprofundar no assunto sobre missão e visão, leia o livro “Visão, valores e missão organizacional” de Scott, Jaffe e Tobe (1998). FONTE: SCOTT, C. D.; JAFFE, D. T.; TOBE, G. R. Visão, valores e missão organizacional: construindo a organização do futuro. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998. 56 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 3 ANÁLISE DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL Caro acadêmico, você já pensou que uma empresa está inserida em um sis- tema? Para que você entenda melhor, primeiro conheceremos o que é sistema. Se- gundo Tavares (1991, p. 97) “sistema pode ser visto como um conjunto de partes interdependentes que, juntas, formam um todo”. Aplicado ao contexto organizacional, é possível entender que uma empresa está inserida em um sistema dinâmico e deve se adaptar a esse ambiente, onde interage com diversos atores e também pode sofrer influência de algumas variá- veis ou forças, que podem representar ameaças e oportunidades, forças e fraque- zas para a organização. Segundo Fernandes e Berton (2005), para efeitos de administração e pla- nejamento estratégico, o ambiente é dividido em dois níveis: o ambiente geral, também conhecido como macroambiente, refere-se às forças externas que in- fluenciam a organização; e ambiente operacional ou setorial (microambiental), constituído por seus clientes, fornecedores, concorrentes imediatos, entre outros, conforme mostra a Figura 1. FIGURA 1 – ANÁLISE DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL FONTE: Adaptada de Fernandes e Berton (2005) 57 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 3.1 AMBIENTE EXTERNO Para compreender a análise do ambiente externo (macroambiente) da organização, é necessário buscar orientação na definição do negócio, conforme foi definido pelo estabelecimento da visão e missão (ANSOFF et al., 2019). Com essas mudanças externas à organização, a capacidade ou a incapacidade de a empresa prever, monitorar e lidar adequadamente com sinais que antecedem às modificações pode explicar, em partes, o porquê de a empresa se manter viva no mercado (BRYSON, 2018). O ambiente externo exerce muita influência no desempenho da empresa. Desta forma, a empresa precisa realizar uma análise das ameaças e oportunidades, que só é possível a partir de um conhecimento prévio do ambiente em que ela atua ou deseja atuar (BETHLEM, 2004). O ambiente externo consiste de tendências amplas, no contexto em que uma empresa opera, que podem ter impacto nas escolhas estratégicas dessa empresa. O ambiente externo consiste em alguns elementos inter-relacionados: mudanças naturais, sociocultural, concorrentes, clima econômico e político. O conhecimento desses elementos e de outros do ambiente externo possibilita à empresa encarar melhor suas ameaças e aproveitar melhor suas oportunidades, auxiliando os dirigentes da empresa na elaboração de previsões que ajudem a tornar esses elementos mais favoráveis à estratégia da empresa ou a reduzir seus impactos (BARNEY; HESTERLY, 2009). Análise dos concorrentes é o processo de avaliar e interpretar as informações coletadas durante o exame do ambiente (PRIDE; FERRELL, 2001). Segundo Day (1990), as duas características mais importantes de um mercado competitivo são os clientes e os concorrentes, pois constituem as duas dimensões ao longo das quais se pode obter vantagens competitivas. O ambiente externo é composto por fatores que existem fora dos limites da organização, mas que de alguma forma exercem influência sobre ela. Este é um ambiente sobre o qual não há controle, mas que deve ser monitorado continuamente, pois constitui base fundamental para a criação do planejamento estratégico (BARNEY; HESTERLY, 2009). A competitividade das empresas nos últimos anos vem sendo considerada um fator primordial para a vitalidade das organizações, e a análise das ameaças e oportunidades se tornou uma ferramenta fundamental para que este processo aconteça. Análise de mercado é uma das partes mais importantes do plano de 58 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard negócios. As principais questões que devem ser pesquisadas continuamente são: (i) identificação dos pontos principais para se diferenciar da concorrência e se tornar mais competitivo; (ii) identificação das necessidades dos clientes que não vêm sendo atendidas pelos concorrentes (FERNANDES et al., 2013). Para a análise do ambiente externo deve-se avaliar, por exemplo, a mudança de hábitos do consumidor, surgimentos de novos mercados, diversificação, entrada de novos concorrentes, produtos substitutos (CHIAVENATO; SAPIRO, 2003). Para Daychouw (2010), o ambiente externo pode representar oportunidades ou ameaças ao desenvolvimento do plano estratégico de qualquer organização. A empresa deve estar atenta ao ambiente externo, pois ele influi diretamente nos fatores internos da organização. É importante porque através desta análise o gerente pode identificar oportunidades e ameaças e poderá desenvolver estratégias para tirar proveito das oportunidades e minimizar ou superar as ameaças da empresa e, assim, obter sucesso. Com base em Tavares (1991, 2010) e Oliveira (2015), conheceremos algumas forças ambientais representadas por algumas variáveis que podem impactar diretamente nas organizações. A Figura 2 demonstra ilustrativamente as principais forças macroambientais da organização. FIGURA 2 – PRINCIPAIS FORÇAS MACROAMBIENTAIS DA ORGANIZAÇÃO FONTE: O autor 59 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 Economia Em um sentido amplo, economia é um conjunto de atividades desenvolvidas pelo homem envolvendo serviços e produtos. Para Fernandes et al. (2017, p. 45), “economia é uma ciência social, que estuda a maneira como a sociedade decide empregar recursos escassos, procurando produzir diferentes bens que permitam satisfazer as necessidades humanas”. A Ciência Econômica tem como objetivo buscar compreender como a economia resolve os três problemas econômicos básicos: 1) O que e quanto produzir?, 2) Como produzir? e 3) Para quem produzir? É importante as organizações estarem atentas ao indicador da economia, pois assim consegue-se prever muitas informações, como a própria porcentagem de receita que se gasta com determinado produto ou serviço. Tavares (2010) menciona que o esforço realizado por empresas durante um período permite que elas tenham previsões seguras de suas atividades. Como exemplo, podemos mencionar as empresas de tabagismo, que cada dia consomem menos renda disponível, da mesma forma, é possível identificar o crescimento de setores, como educação a distância, lazer, entre outros. Nesse contexto, podemos perceber que a variável economia impacta diretamente na atividade da empresa e que ela deve ser monitorada constantemente. A Ciência Econômica tem como objetivo buscar compreender como a economia resolve os três problemas econômicos básicos: 1) O que e quanto produzir?, 2) Como produzir? e 3) Para quem produzir? Leia a reportagem sobre a crise econômica no setor moveleiro: Crise econômica impacta polo moveleiro de Bento Gonçalves Faturamento nominal do primeiro trimestre é 20% negativo em relação ao ano passado. O setor moveleiro continua enfrentando grandes dificuldades, reflexo da grave crise econômica do país. Com relação a Bento Gonçalves, dados do primeiro trimestre de 2016 indicam uma queda de 20,8% no faturamento em termos nominais, o que intensifica a queda de 13,4% ocorrida no ano de 2015. No RS, a queda nominal é de 13,5% no trimestre. As exportações de Bento Gonçalves, por sua vez, caíram 24,6% em dólares no primeiro trimestre, agravando ainda mais a situação das empresas, que já haviam tido desempenho negativo de 27% no ano passado. 60 Planejamento Estratégicoe Balanced Scorecard FIGURA 3 – IMAGEM DO SISTEMA PRODUTIVO MOVELEIRO FONTE: <http://www.emobile.com.br/site/industria/crise-economica- bento-goncalves/>. Acesso em: 19 dez. 2018. O desempenho negativo generalizado afeta de forma aguda os empregos no setor. Após o fechamento de mais de 1.100 postos de trabalho em 2015, o primeiro trimestre de 2016 registrou uma queda de 96 empregos diretos na indústria de móveis de Bento Gonçalves, o que evidencia o grave momento enfrentado pelo setor. No Brasil, foram quase 2 mil vagas de empregos na indústria moveleira fechadas no período. FIGURA 4 – IMAGEM DO SISTEMA PRODUTIVO MOVELEIRO FONTE: <http://www.emobile.com.br/site/industria/crise-economica- bento-goncalves/>. Acesso em: 19 dez. 2018. http://www.emobile.com.br/site/industria/crise-economica-bento-goncalves/ http://www.emobile.com.br/site/industria/crise-economica-bento-goncalves/ http://www.emobile.com.br/site/industria/crise-economica-bento-goncalves/ http://www.emobile.com.br/site/industria/crise-economica-bento-goncalves/ 61 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 O boletim Focus do Banco Central já indica uma expectativa de queda de 3,88% no PIB em 2016, ainda maior do que a queda de 2015, que foi de 3,8%. Com relação ao setor moveleiro, dados do primeiro bimestre mostraram uma queda de 14,5% na produção de móveis brasileira, sendo que em 2015 esse indicador já havia caído 14,6% no ano. FONTE: <http://www.emobile.com.br/site/industria/crise-economica- bento-goncalves/>. Acesso em: 23 jan. 2019. Atividade de Estudo: 1 Percebemos, com a leitura do texto, que as empresas moveleiras vêm tendo mudanças constantes no mercado que atuam. Imagine que você seja presidente de uma empresa de móveis, agora relacione as informações lidas no texto anterior com as influências que podem impactar a empresa. Sociais Os aspectos sociais são referentes às relações e à inserção do indivíduo na sociedade. Para Tavares (2010), os aspectos sociais são mais abrangentes, que vão da população economicamente ativa, educação, ocupação, saúde, criminalidade e até a marginalização. As organizações devem ficar atentas a esses indicadores quando estiverem atuando no mercado, pois com mudanças no contexto social, a empresa pode estar tendo uma oportunidade ou uma ameaça de mercado. Visto que hoje o comportamento, as crenças e os valores de uma sociedade podem influenciar diretamente nas estratégias das organizações, identificando com antecedência algumas dessas variáveis, a empresa pode tomar decisões que podem ser cruciais para a sua sobrevivência (BUEHRING; LIEDTKA, 2018). Demográfica A demografia é a característica de uma população de pessoas, como idade, gênero, índice de mortalidade e natalidade, etnia, aumento da esperança de vida, redução e crescimento da população etc. 62 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Quando se fala em migração da população do interior para os grandes centros, isso implica uma ameaça ou uma oportunidade sobre as organizações? A resposta depende do ramo de atividade da empresa. Se ela vende produtos para o campo pode ser que afete negativamente, agora, para uma empresa de transporte de passageiros urbano, isso significa um aumento na demanda. Veja que o aspecto de migração, sendo ele uma variável demográfica, pode afetar diretamente as organizações sem que elas tenham o controle sobre a variável. Neste link você encontrará um artigo falando sobre a demografia como um fator determinante para o futuro das organizações. Acesse: <http://bit.ly/30xsrtI>. Política interna Política pode ser considerada a ciência e a arte de governar. Segundo Tavares (2010, p. 144), “a segurança sobre seu retorno e mesmo sobrevivência a longo prazo das organizações depende, em parte, da maneira como elas realizam uma leitura e agem diante do quadro político”. Caro acadêmico, imaginaremos que você seja um empreendedor e está disposto a investir em um novo negócio de planos de saúde. Entretanto, nesse contexto, surge uma normalização imposta pelo governo sobre os planos de saúde. Perguntamos a você: a variável política interferirá em seu negócio? Caso interfira, você teria controle sobre ela? A resposta para essa pergunta é que a interferência do governo com certeza interferiria em seu negócio, podendo ser direta ou indiretamente e você não teria controle nenhum sobre a situação. O Ministério da Saúde encaminhou à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) uma polêmica proposta de criação de um novo formato de plano de saúde popular, com cobertura mais restrita e preços mais baixos. As sugestões permitem regras mais flexíveis para aumento de mensalidades, restringem o acesso a 63 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 procedimentos mais caros e ampliam o prazo para que operadores providenciem o atendimento a seus consumidores. A proposta fala de “princípios norteadores” e, em tese, limitam-se à nova categoria a ser criada, batizada de “planos populares”. FONTE: <https://veja.abril.com.br/saude/governo-envia-proposta-polemica- de-plano-de-saude-popular-a-ans/>. Acesso em: 23 jan. 2019. Política econômica No contexto da política econômica, é importante entender que o governo cria um conjunto de medidas a fim de produzir efeitos na produção, distribuição e consumo de bens e serviços. Podemos citar exemplos de incentivos fiscais, como: • Incentivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Equipamentos para a TV Digital - PATVD. • Isenção e redução de impostos no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores - PADIS. • Incentivos às indústrias de equipamentos para TV Digital e de componentes eletrônicos semicondutores, e sobre a proteção à propriedade intelectual das topografias de circuitos integrados (mais informações). • Incentivos fiscais da lei de informática (informações). • Incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo (informações). • Incentivos fiscais para a capacitação tecnológica da indústria e da agropecuária (informações). • Benefícios fiscais para empresas de Tecnologia da Informação (informações). Incentivos fiscais são benefícios referentes à carga tributária que são concedidos pelo governo para algumas empresas. O seu objetivo é estimular setores ou atividades econômicas, sendo que os benefícios são: desconto, isenção e outros modelos que diminuem a carga tributária. Outro exemplo, segundo Tavares (2010), são as proteções ao consumidor sobre as práticas das grandes empresas, criando mecanismos para tornar o mercado mais atrativo à atividade de empresas de pequeno porte. Incentivos fiscais são benefícios referentes à carga tributária que são concedidos pelo governo para algumas empresas. O seu objetivo é estimular setores ou atividades econômicas, sendo que os benefícios são: desconto, isenção e outros modelos que diminuem a carga tributária. 64 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Nesse caso, podemos verificar que a política econômica pode ser uma variável importante para a sobrevivência das empresas, que precisam ser monitoradas constantemente. Política externa Atualmente, como vivemos em um mundo globalizado, o governo trabalha fortemente as questões de relações externas. O governo pode eliminar barreiras de entradas de novos produtos, empresas e capitais no país. O governo busca como prioridade a estabilidade política no país, justamente para passar segurança aos investidores ou futuros investidores de que o país está estável e o investimento terá um possível retorno atraente. Empresas que trabalham ou não com importação ou exportação diretamente, podem sofrer influências da política externa, pois se a empresa importa ou exporta pode sofrer um impacto direto, agora, se a empresa não trabalha direto com a exportação ou importação,os seus fornecedores podem trabalhar e dessa forma também terá um impacto sobre ela. Neste link você encontrará uma reportagem falando sobre toda a história e os princípios da política externa brasileira. Acesse: <https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades- vestibular/a-historia-e-os-principios-da-politica-externa-brasileira/>. Legal São leis, decretos e outros instrumentos legais que o governo utiliza para estabelecer relações legais entre indivíduos e organizações. Dentre esse conjunto, podemos citar leis que estipulam o que deve conter nos rótulos de produtos, ingredientes, entram aqui também as leis de proteção aos direitos do consumidor, tanto como compras pela internet. Vale destacar que atualmente se tem uma atenção mais voltada às leis que contemplam o meio ambiente, incluindo incentivo para a produção de produtos que tenham procedência de produção e que sejam ambientalmente corretos, que não agridem o meio ambiente e que possam ser reutilizados, fazendo-se a logística reversa. 65 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 Ressalta-se que as empresas devem ficar atentas em seu ramo de atividade, pois constantemente o governo faz mudanças na legislação, o que muitas vezes pode ser uma barreira na produção de um produto que você já vem produzindo. Temos o exemplo do berço de criança, em que o governo criou novas normas de segurança, sendo que a principal delas é que os berços não podem mais ter as laterais móveis. Caro acadêmico, imagine a mudança que as empresas fabricantes de berços tiveram que fazer em seu processo fabril, podendo até ter prejuízos. Neste link você encontrará uma reportagem falando sobre as novas regras de segurança para a produção de berços de crianças. Acesse: <https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/02/03/ inmetro-aumenta-regras-de-seguranca-para-bercos-e-proibe-grades- -moveis.htm>. Cultura Cultura é um conjunto de traduções, ideias, conhecimentos e técnicas que caracterizam uma sociedade (TAVARES, 2010). Com a cultura, as pessoas acabam adquirindo um conjunto de valores, percepções, preferências e comportamentos através da vida em sociedade. Com o advento da tecnologia, existe uma rápida quebra de paradigma de culturas, percebe-se que não muito tempo atrás, as pessoas eram principalmente influenciadas pelas mídias tradicionais (televisão, rádio, jornal impresso), hoje as pessoas vivem conectadas no mundo virtual e são constantemente influenciadas por seus amigos e mídias digitais. Nesse contexto, surge uma nova cultura, a cibercultura, que engloba todas as tecnologias de informação e comunicação. Com a internet existe uma maior homogeneidade de culturas, costumes massificados e globalizados, onde as pessoas buscam as tendências do momento. Nesse caso, as organizações devem estar atentas, pois seus produtos hoje podem ser vendidos, mas amanhã não. Neste link você encontrará um artigo falando sobre internet e cultura. Acesse: <http://wiki.icmc.usp.br/images/a/a0/SCC0207-Graca_Gru- po15Slides.pdf>. 66 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Tecnologia A tecnologia veio para ficar em nossas vidas, não tem mais volta, empresas que não se adequarem a ela estarão fora do mercado. As organizações buscam a tecnologia para inovar, mas ela também tem um efeito direto sob o consumidor. Por exemplo, os produtos industrializados, em que o uso da tecnologia permite que eles tenham uma maior durabilidade de tempo. Outra tendência tecnológica mencionada por Tavares (2010) é a simplificação do sistema produtivo das empresas, reduzindo os custos de produção e melhorando o produto final. A tecnologia pode ser considerada a força mais significativa que atualmente molda nosso futuro. A tecnologia pode ser considerada a força mais significativa que atualmente molda nosso futuro. Caro acadêmico, veja no case Bell Labs a importância da aplicação da tecnologia. O Bell Labs foi fundado no início da década de 1920, como parte integrante da American Telegraph and Telephone (ATT). Até o final dos anos 1960, produziu praticamente todas as novas tecnologias e conhecimentos necessários ao desenvolvimento da indústria de telefonia. A maior conquista científica do Bell Labs foi o transistor. As principais aplicações do transistor estavam fora do sistema de telefonia e a direção do Bell Labs estava pouco interessada ou desconhecia o que se passava fora de sua área. Como consequência, essa grande invenção foi vendida a todos os interessados, pela ínfima quantia de 25.000 dólares. Tal fato contribuiu de maneira ímpar para que a Sony, a Intel e a Compac se tornassem as grandes empresas que hoje são. Essas e muitas outras empresas bem- sucedidas fizeram sucesso com o transistor. O Bell Labs simplesmente não percebeu que o mundo estava mudando e que as barreiras que antes separavam indústrias e setores estavam sendo demolidas. A premissa válida para explicar esse e outros fatos é que as tecnologias que, provavelmente, exercerão o maior impacto sobre uma empresa e sua indústria, virão de fora de seu campo de atuação. 67 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 Coincidentemente, os sistemas de computadores digitais ou cabos de fibra óptica que estão revolucionando o sistema telefônico não saíram do Bell Labs. Saíram de fontes que não tinham nada a ver com telefonia. Diferentemente das tecnologias do século XIX, que tinham aplicações específicas, desenvolvendo-se em paralelo a outras tecnologias, as de hoje cruzam-se a toda hora. Por isso é que os setores perderam seus limites rígidos. Hoje, as empresas não competem apenas dentro do mesmo setor, competem entre setores. O aço utilizado em embalagens compete com o alumínio, com o plástico, com o papelão e o vidro, e assim por diante. FONTE: TAVARES, M. C. Gestão estratégica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. p. 210. Natureza Segundo Tavares (2010, p. 149), “natureza são as leis que governam a existência dos seres vivos e das coisas”, ou seja, são todos os fatos que ocorrem em nossas vidas e ao redor dela. Um dos fatores naturais que são impactantes nas organizações são as mudanças climáticas. Caro acadêmico, na época de frio tendemos a nos alimentar mais, compramos agasalhos, enquanto que no verão buscamos utilizar mais serviços de academia, bebemos mais líquidos etc. Neste contexto, é preciso que as empresas monitorem as mudanças climáticas, mesmo que elas não tenham controle sobre a variável. Veremos na prática como é feita a análise macroambiental. Para ilustrar as etapas na análise macroambiental, o autor Tavares (2010) demonstra um exemplo de uma empresa de tecidos, conforme a Figura 5. FIGURA 5 – ANÁLISE MACROAMBIENTAL DA EMPRESA DE TECIDOS Variáveis/indicadores Projeções Oportunidades Ameaças Ações Economia PIB Crescimento de 3 a 4 % Aumento do mercado Aumento da oferta de produtos correntes Conhecer as caracte- rísticas da demanda Reavaliar o atual esforço de marketing da empresa Inflação Manutenção da meta de 6% ao ano Maior previsibilidade Rever o atual sistema de planejamento e controle orçamentário 68 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard FONTE: Tavares (2010, p. 212) Concec- ntratação de renda Manutenção dos atuais níveis de concentração Segmento de renda acima do mercado popular Migração dos atuais clientes para a classe inferior Melhorar continua- mente a qualidade dos produtos Buscar contínua redução de custos Desenvolver novos canais de distribuição Política Econômica Política de Câmbio Câmbio flutuante com pequenas variações Mercado externo Redução da entrada dos produtos importados Aumento do custo de importação de equipamentos Estudar as oportu- nidades de ingresso no mercado exterior e as estratégias mais viáveis Política de Juros Têndencias de redução da taxa de juros Maior acesso do consumidor a bens de consumo Parceriascom insti- tuições financeiras para a venda a prazo Demográficas Crescimento vegetativo Tendências de redução do crescimento Contratação do mercado Reavaliar o atual esforço de marke- ting da empresa Expectativa de vida Aumento da es- perança de vida Surgimento de um novo segmento de mercado Criar nova oferta, adequar canais e preços ao segmento identificado Sociais Taxa de desemprego Oscilação acompanhado a econimia Aumento da atividade no setor informal Acirramento da concorrência Buscar canais alternativos, tais como sacoleiras Aumento da violência Ascendência do crime organizado Maior perma- nência no lar Atender a esse tipo de consumidor em sua residência Legais Legislação ambiental Maior rigor no seu cum- primento Proação das empresas Fechamento por causa de seu não cumprimento Criar asses- soria de meio ambiente Legislação trabalhista Tendência de flexibilização Ampliação da oferta de alterna- tiva de trabalho Falta de com- prometimento e motivação Estudar alternati- vas de contrata- ção como contra- tos temporários e terceirização Saúde e segu- rança no trabalho Maior rigor no cumprimento da legislação Possibilidade de aumento do pas- sivo trabalhista Criar assessoria de segurança no trabaho Reestruturar processos de acordo com a le- gislação vigente Tecnoló- gicas Auto- mação Tendência de forte automação Aumento da competitividade Obsolência Inovar em processos, au- tomatizando-os 3.2 AMBIENTE INTERNO Caro acadêmico, enquanto a etapa anterior contemplou a análise do ambiente externo à organização, esta etapa analisa o ambiente interno. Conforme Oliveira (2015), a análise do ambiente interno da organização tem como foco evidenciar as qualidades e as deficiências da empresa, ou seja, os pontos fortes e fracos. 69 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 Essa análise faz a comparação de empresas de mesmo setor, sejam elas concorrentes ou não. Conforme Oliveira (2015, p. 85), “esse procedimento consolida a abordagem estratégica e relativa da análise, ou seja, a comparação é entre a nossa empresa controlável e os nossos concorrentes, que são externos e não controláveis”. O autor Tavares (2010) acredita que por ser uma atividade de multiplicidade, a análise do ambiente interno apresenta variadas funções, amplitudes e formas de abordagens. Em seguida abordaremos cada uma delas: Funções As funções da análise interna têm como objetivo ajudar na tomada de decisão. São esperados, através da análise, conteúdos que facilitem o entendimento do cenário onde a empresa está inserida, pois entendendo o cenário externo (oportunidades e ameaças) podem ser confrontados com o seu patrimônio intelectual, fazendo a manutenção, a ampliação e a conquista de competências diferentes da organização (TAVARES, 2010). Amplitude A análise do ambiente interno pode ser feita em toda a organização ou em apenas algumas áreas. Para Tavares (2010), a análise aborda três níveis, sendo eles: • Subsistema diretivo; foco na filosofia, política e nas estratégias da empresa. • Subsistema técnico: faz o diagnóstico dos setores, como marketing, financeiro, produção etc. • Subsistema social: diagnóstico comportamental, refere-se ao comportamento dos colaboradores. Abordagens Podemos identificar dois tipos de abordagens na análise do ambiente interno: • Diagnóstico de conteúdo: aborda o conteúdo das ações organizacionais, normalmente analisado por alguém que não pertence ao ambiente, ou seja, uma pessoa externa à empresa. • Diagnóstico de procedimento: nessa abordagem, ele é realizado pelo pessoal interno, os próprios colaboradores fazem a análise interna da empresa, muitas vezes tendo como mediador um consultor externo. Seguindo a indicação de Oliveira (2015), conheceremos alguns pontos que devem ser analisados no estabelecimento dos pontos fortes e fracos da empresa. 70 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard a) Quanto às funções administrativas a serem analisadas: Função marketing • Quanto ao sistema de distribuição. • Quanto aos produtos e serviços atuais da empresa. • Quanto à pesquisa de mercado. • Quanto à equipe de venda. • Quanto aos novos produtos e serviços. • Quanto à promoção e à propaganda. • Quanto às políticas mercadológicas. • Quanto à organização da área de marketing. Funções finanças • Análises dos índices financeiros. • Índices para medidas de lucratividade. • Índices para medidas de liquidez. • Índice de análise de dívidas. • Índices de medidas de alavancagem. • Índices de medidas de giro financeiro. • Análise do sistema de planejamento e controle financeiro. Funções produção • Quanto à instalação industrial. • Quanto aos equipamentos e instalações. • Quanto ao processo produtivo. • Quanto à programação e controle da produção. • Quanto à qualidade. • Quanto ao sistema de custos industriais. • Quanto à pesquisa e ao desenvolvimento. • Quanto aos suprimentos. • Quanto à organização da fábrica. Funções recursos humanos • Quanto aos aspectos organizacionais da empresa a serem analisados. • Quanto à abrangência dos processos. • Quanto aos níveis de controle e avaliação do sistema pelo executivo da empresa. • Quanto aos critérios que o executivo utiliza para avaliar se um assunto analisado é forte, fraco ou neutro. • Quanto à maneira de o executivo obter as informações necessárias para a análise interna. 71 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 Caro acadêmico, para facilitar o seu entendimento, a Figura 6 demonstra o ambiente externo e interno da organização, veja que em cada ambiente temos variáveis que podem impactar na empresa, podendo ser positiva e negativa. Vale salientar que para a empresa se manter em constante competitividade, ela deve estar monitorando o seu ambiente externo e interno e fazendo os ajustes necessários para o seu desenvolvimento. FIGURA 6 – AMBIENTE ORGANIZACIONAL/ INTERNO E EXTERNO FONTE: O autor Atividade de Estudo: Caro acadêmico, colocaremos em prática o que aprendemos até aqui. 1 Crie uma empresa fictícia e elabore sua missão e visão. Posteriormente, com base na missão e visão, faça uma análise do ambiente interno e externo da empresa, levando em consideração as variáveis estudadas anteriormente. 72 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 3.3 ANÁLISE SWOT Caro acadêmico, em seguida conheceremos uma ferramenta muito utilizada para a análise do ambiente organizacional, uma ferramenta de simples entendimento e uso, mas que agrega grandes resultados para a organização. Conforme Dias (2003), diante do cenário competitivo, percebe-se que ao fazer a análise do ambiente e definir suas estratégias empresariais a organização possivelmente estará à frente de seus concorrentes, pois terá o conhecimento sobre seus pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças utilizando a ferramenta de Análise SWOT. O termo SWOT é uma sigla oriunda do idioma inglês, e é um acrônimo de Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). A análise SWOT é uma ferramenta desenvolvida para análise do ambiente/ concorrência. É dividida em duas partes: ambiente interno, constituído de forças e fraquezas e ambiente externo, constituído de oportunidades e ameaças (OLIVEIRA; PEREZ; SILVA, 2005). Segundo Ferrell e Hartline (2009), um dos maiores benefícios da análise SWOT é que ela gera informações e perspectivas que podem ser compartilhadas entre as diversas áreas funcionais da empresa. A análise SWOT é importante para qualquer organização com relação a conhecer o potencial e as ameaças que estão dentro e fora do ambiente da organização. Esta análise é importante no planejamento da empresa, auxiliando e colaborando com as decisões a serem tomadas pelas organizações (KOTLER; KELLER, 2007). O objetivo dessa análise é estabelecer um estudo do ambiente e descobrirquais pontos poderão ser transformados pela organização em vantagem competitiva e quais pontos precisam ser melhorados para diminuir suas fraquezas (BARNEY; HESTERLY, 2009). Para Serra, Torres e Torres (2004), a função primordial da SWOT é possibilitar a escolha de uma estratégia adequada - para que se alcancem determinados objetivos - a partir de uma avaliação crítica dos ambientes internos e externos. É uma ferramenta usada para a realização de análise de ambiente e serve de base para planejamentos estratégicos e de gestão de uma organização. A SWOT serve para posicionar ou verificar a situação e a posição estratégica da empresa no ambiente em que atua (MCCREADIE, 2008). A análise SWOT é utilizada para fazer análises de cenário (ou análises de ambiente), sendo usada como base para a gestão e o planejamento estratégico de uma organização (DAYCHOUW, 2010). Para facilitar o entendimento, a Figura 7 apresenta o modelo da matriz SWOT. 73 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 FIGURA 7 – MATRIZ SWOT FONTE: O autor 4 ELABORAÇÃO DE FILOSOFIAS E POLÍTICAS As organizações possuem um conjunto de normas e regras que devem ser seguidas, são elas que norteiam todos os indivíduos que trabalham nelas. Segundo Tavares (1991), as normas e os enunciados tendem a ser relativamente permanentes e podem ser suficientemente amplos e abstratos para controlar e influenciar o comportamento geral dos membros da organização. Podem também ser específicos e concretos para orientar cada membro em sua atuação nas atividades características de suas áreas funcionais. A primeira situação ocorre no âmbito que usualmente é denominado de filosofia, a segunda, no contexto das chamadas políticas funcionais. Para facilitar o entendimento, veremos em seguida o significado de política e filosofia organizacional. 74 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 4.1 POLÍTICAS EMPRESARIAIS As políticas empresariais buscam demonstrar como as pessoas devem ou não fazer para atingir os objetivos propostos pela empresa, inclusive, as bases de como os objetivos e as metas serão alcançadas. Kubr (1997, p. 236 apud TAVARES 1991, p. 139) detalha os critérios que uma política deve satisfazer: Deve ser clara e bem escrita. É preciso que exista disposições que assegurem o entendimento da política em toda a empresa. A política deve ter uma base consolidada e ser compatível com a política nacional econômica e social. A política deve estar alinhada com os objetivos e as filosofias da empresa. A política deve ser formulada com base em consultas em todos os níveis da empresa, inclusive com classes sindicais, as quais representam os colaboradores. Além dos critérios anteriormente mencionados, o autor afirma que a empresa deve atender a algumas considerações para que a política seja adequada, sendo elas: • Enfatizar o negócio. • Orientar as pessoas no quadro da organização para o sentido fundamental de seus esforços. • Estabelecer parâmetros para a tomada de decisão. Segundo Oliveira (2015, p. 240, grifos nossos), as políticas podem ser classificadas em: Políticas estabelecidas: são as provenientes dos objetivos, desafios e metas da empresa e são estabelecidas pelo alto escalão da empresa, tendo como foco orientar os subordinados em seu processo de tomada de decisões. Como exemplo, pode-se ter a estratégia adotada por uma empresa quanto ao nível de diversificação. Políticas solicitadas: são considerados os resultados das solicitações dos subordinados aos executivos do alto escalão da empresa, tendo como foco a necessidade de obter informações sobre como proceder em determinadas situações. Normalmente correspondem a questões operacionais e são consolidadas em processos, normas e procedimentos administrativos. Um exemplo pode ser uma política de concessão de créditos aos clientes. Políticas impostas: são as provenientes de fatores que estão no ambiente da empresa, tais como governo, sistema 75 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 financeiro, sindicatos etc. Normalmente correspondem a questões estratégicas. Como exemplo pode-se ter uma política imposta pelos sindicatos para as empresas terem determinadas comissões de fábrica do tipo CCQ - Círculo de Controle de Qualidade. Atividade de Estudo: Caro acadêmico, praticaremos o que aprendemos sobre políticas empresariais. 1 Estabeleça quatro políticas para a Uniasselvi e justifique. 4.2 FILOSOFIAS EMPRESARIAIS Segundo Deleuze e Guattari (1992, p. 32), “filosofia é a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos”, por sua vez, Tavares (1991, p. 138) define como “um conjunto de crenças, sentimentos e motivações básicas que o indivíduo agrega ao longo da vida e que determinam sua forma de agir e de pensar”. Para Tavares (2010, p. 117), a definição da filosofia no contexto de uma organização visa: Fundamentar os princípios, as crenças e doutrinas e os valores dos indivíduos que nela trabalham. Sua base são esses mesmos aspectos presentes nesses indivíduos, inclusive em sua dinâmica. À medida que mudam as crenças que fundamentam a concepção dos valores, geralmente os indivíduos também mudam, assim como também mudam os critérios que orientam as decisões. O sentido dessa mudança é ditado pelos vínculos que a organização mantém com seu ambiente e como os indivíduos interpretam esses vínculos. De fato, a filosofia organizacional deve estabelecer um espírito de união entre os colaboradores, fortalecendo os objetivos comuns a serem atingidos em prol da empresa (MILAN et al., 2017). Entretanto, para isso, deve ser levado em conta como a empresa conduz o relacionamento com os seus colaboradores, pois são os colaboradores os responsáveis pela construção da imagem da empresa. As filosofias organizacionais devem ser claras e que todos os colaboradores tenham o mesmo entendimento, sem controvérsias e que possam praticá-las. 76 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Segundo Tavares (1991, p. 138) os enunciados filosóficos precisam resistir aos seguintes questionamentos: Têm substância? Isto é, contêm crenças, valores e princípios que justifiquem o seu registro? São factíveis? A organização pratica ou pode praticá-los conforme enunciados? São acessíveis? Todos os níveis e membros da organização podem entender os enunciados e se comprometer com eles? Neste link você encontrará um artigo científico falando sobre ética nas organizações. Acesse: <https://seer.imed.edu.br/index.php/raimed/article/view/1708>. 5 DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS Uma missão eficaz dependerá da formulação dos objetivos da organização. Segundo Tavares (1991), as funções dos objetivos podem ser delineadas da seguinte forma: • Orientar a ação: são orientados para o sentido decisório. • Definição do ritmo dos negócios: os objetivos darão o ritmo do negócio. • Motivação pessoal: os indivíduos, sabendo para onde a organização quer seguir, fica mais fácil direcionar todo o seu esforço em prol da empresa. Assim, o colaborador tem a oportunidade de demonstrar seus esforços individuais e ser reconhecido. • Avaliação de desempenho: para medir o desempenho, tanto individual como coletivo, precisa-se ter objetivos traçados. Oliveira (2015, p. 152) define objetivo como “alvo ou ponto quantificado, com prazo de realização e responsável estabelecidos, que se pretende alcançar através de esforço extra”. As principais características dos objetivos e desafios, segundo Oliveira (2015, p. 155), devem ser resumidas na necessidade de serem: Hierárquicos: sempre que possível, os objetivos e os desafios principais devem ser dispostos em escalas hierárquicas, demonstrando quais são prioritários, quais são secundários etc., e como foram estabelecidas as prioridades. Oliveira (2015, p. 152) define objetivo como “alvo ou ponto quantificado, com prazo de realização e responsável estabelecidos, que se pretendealcançar através de esforço extra”. 77 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 Quantitativos: sempre que possível, devem ser expressos como quantitativos ou operacionais. Realistas: os objetivos e os desafios devem surgir de uma análise das oportunidades e ameaças ambientais e dos pontos fortes e fracos, bem como dos recursos da empresa e não de pensamentos, desejos e simples expectativas de seus diferentes executivos e funcionários. Consistentes: uma empresa pode estar buscando vários objetivos e desafios importantes de uma só vez, mas esses devem ser consistentes entre si. Claros, entendidos e escritos: os objetivos e os desafios permitem maior amplitude de controle, visto que a tarefa da chefia é simplificada e o planejamento estratégico é mais fácil de ser feito quando os objetivos e os desafios são claros e entendidos por todos os profissionais envolvidos no processo. Comunicados: a finalidade e o conteúdo dos objetivos e desafios devem ser comunicados a todos os envolvidos, direta ou indiretamente, em sua realização. Desmembrados em objetivos funcionais. Motivadores: os objetivos e os desafios devem propiciar uma situação de motivação para facilitar as estratégias a serem desenvolvidas pelos executivos e funcionários, visando obter seu alcance. Utilitários: os objetivos e os desafios devem explicitar quem vai beneficiar-se - toda a empresa ou parte dela - quando forem alcançados. Decisórios: os objetivos e os desafios devem facilitar e esclarecer as decisões básicas envolvidas em seu processo. Operacionais: os objetivos e os desafios devem visualizar os aspectos básicos que necessitam ser realizados para o seu alcance. É importante salientar que as principais fontes para a definição dos objetivos é o próprio cenário macroambiental, visão, missão, ou seja, todas as etapas realizadas anteriormente complementam a criação dos objetivos da organização. Atividade de Estudo: 1 Quais são os objetivos da empresa onde você trabalha? Eles estão alinhados com a missão e a visão da empresa? Justifique. 78 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 6 FORMULAÇÃO DE ESTRATÉGIAS Caro acadêmico, a próxima etapa para a elaboração do planejamento estratégico é a definição das estratégias a serem adotadas. Lembrando que para a formulação das estratégias de uma organização precisamos ter realizado as etapas anteriores, como definir a missão, a visão e os objetivos a serem alcançados. Agora relembraremos o conceito de estratégia visto no capítulo anterior. Estratégia é uma força mediadora entre a organização e o seu meio envolvente: um padrão no processo de tomadas de decisões organizacionais para fazer face ao meio envolvente (MINTZBERG, 1988). Por sua vez, Oliveira (2015, p. 191) define estratégia como “um caminho, maneira ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente de maneira diferenciada e inovadora, as metas, os desafios e os objetivos estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente”. Para formular uma estratégia é preciso ter uma avaliação minuciosa do ambiente externo e interno da organização, ou seja, resulta em buscar o máximo de oportunidades que a empresa tem no mercado e neutralizar todas as ameaças externas, assim como explorar todas as suas competências internas, a fim de aproveitar as oportunidades e minimizar as fraquezas. Oliveira (2015) classifica as estratégias das mais diferentes formas, como: a) Quanto à amplitude: • Macroestratégia, que corresponde à ação que a empresa vai tomar perante o ambiente, tendo em vista sua missão e seus propósitos, bem como o resultado do diagnóstico estratégico. • Estratégia funcional, que corresponde à forma de atuação de uma área funcional da empresa, normalmente correlacionada ao nível tático da empresa. • Microestratégia ou subestratégia, que corresponde à forma de atuação operacional, normalmente correlacionada a uma meta da empresa. b) Quanto à concentração: • Estratégia pura, na qual se tem o desenvolvimento específico de uma ação em uma área de atividade. Exemplo: oferecer mais serviços aos consumidores, com o objetivo de neutralizar a alteração de preço de microcomputador por parte de um concorrente importante. 79 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 • Estratégia conjunta, que corresponde a uma combinação de estratégias. Exemplo: uma empresa fabricante de microcomputadores pode, de forma conjunta, adotar as seguintes estratégias: o Aumentar as despesas com propaganda, se o aumento dos serviços aos consumidores não atingir os resultados esperados. o Aprimorar a qualidade do microcomputador, com maiores despesas em pesquisa e desenvolvimento. o Manter o preço do microcomputador, mas concedendo descontos por quantidade comprada. c) Quanto à qualidade dos resultados: • Estratégias fortes, que provocam grandes mudanças ou alterações de impacto para a empresa. • Estratégias fracas, cujos resultados são mais amenos para a empresa. d) Quanto à fronteira: • Estratégias internas à empresa, tal como a reorganização para alterar a forma como a alta administração deverá interagir com os funcionários da empresa. Esse tipo de estratégia pode sofrer restrição dos executivos, pois uma estratégia deve fazer a interligação entre aspectos internos e externos da empresa. • Estratégias externas à empresa, que correspondem, por exemplo, à descoberta de nova oportunidade como resultado da ação de um concorrente. • Estratégias internas e externas à empresa, que correspondem à situação adequada de estratégias, ou seja, proporciona a interligação entre aspectos internos - controláveis - e externos - não controláveis - da empresa. e) Quanto aos recursos aplicados: • Estratégias de recursos humanos, em que o grande volume de recursos considerados se refere ao fator humano. • Estratégias de recursos não humanos, em que existe predominância de aplicação de, por exemplo, recursos materiais e/ou financeiros. • Estratégias de recursos humanos e não humanos, em que ocorre determinado equilíbrio entre os dois tipos de recursos aplicados. Com a alta competitividade e clientes mais exigentes, as empresas passam a analisar melhor os ambientes competitivos na escolha de suas estratégias, a fim de se manter no mercado e, consequentemente, obter melhores resultados frente à concorrência. Uma das estratégias utilizadas pelas empresas é a estratégia genérica de Porter (GUETTA et al., 2013). 80 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Segundo Porter (2004), as estratégias genéricas são métodos que possibilitam que as organizações superem seus concorrentes em uma indústria, com a possibilidade de obter altos retornos aceitáveis em sentido absoluto. Em geral, pode-se contar com três estratégias genéricas para estar à frente dos possíveis concorrentes: estratégia de liderança no custo total, diferenciação e enfoque. A estratégia de liderança no custo total persegue uma rigorosa redução de custos, buscando, em relação aos concorrentes, baixo custo, não se esquecendo da qualidade e assistência, que estão vinculados aos produtos (PORTER, 2004). A estratégia de diferenciação busca diferenciar os produtos, tornando-os únicos no mercado e, para existir a diferença, podem-se utilizar diversos métodos, como: imagem da marca, tecnologia, rede de fornecedores, entre outros. Essa estratégia não permite ignorar os custos, mesmo não sendo o alvo principal. A diferenciação alavanca uma margem superior em relação aos produtos, o que ocasiona a exclusão de uma posição de baixo custo (PORTER, 2004). A terceira estratégia descrita por Porter é a do enfoque, que consiste em identificar um grupo de compradores, um mercado ou um segmento de linha de produto e dedicar-se a esse melhor do que as empresas concorrentes. Nesse caso, a empresa opta em competir pelo menor custo ou diferenciação apenas no segmento escolhido(TOFOLI, 2009). Os resultados de uma organização dependem muito da estratégia utilizada por ela. Ao contrário da natureza, as organizações podem utilizar a imaginação e a capacidade de raciocínio lógico de seus estrategistas para se diferenciarem das demais. A estratégia é a responsável pela geração de vantagens competitivas e deve ser estruturada a partir de uma análise completa dos seus ambientes externo e interno (BARNEY; HESTERLY, 2009; ANSOFF et al., 2019). Neste link você encontrará um artigo científico sobre um estudo de caso em estratégias. Acesse: <https://www.researchgate.net/publication/267790300_ Estrategia_Empresarial_de_Sucesso_Estudo_de_Caso_de_uma_ Industria_do_Setor_de_Coccao>. https://www.researchgate.net/publication/267790300_Estrategia_Empresarial_de_Sucesso_Estudo_de_Caso_de_uma_Industria_do_Setor_de_Coccao https://www.researchgate.net/publication/267790300_Estrategia_Empresarial_de_Sucesso_Estudo_de_Caso_de_uma_Industria_do_Setor_de_Coccao https://www.researchgate.net/publication/267790300_Estrategia_Empresarial_de_Sucesso_Estudo_de_Caso_de_uma_Industria_do_Setor_de_Coccao 81 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 Atividade de Estudo: 1 Uma das etapas para a elaboração do planejamento estratégico é a definição das estratégias a serem adotadas. Com relação às classificações das estratégias, associe os itens utilizando o código a seguir: I- Quanto à amplitude. II- Quanto à concentração. III- Quanto à qualidade dos resultados. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) Estratégia pura, na qual se tem o desenvolvimento específico de uma ação numa área de atividade. ( ) Macroestratégia, que corresponde à ação que a empresa vai tomar perante o ambiente. ( ) Estratégias fortes, que provocam grandes mudanças ou altera- ções de impacto para a empresa. a) ( ) I - III - II. b) ( ) II - I - III. c) ( ) I - II - III. d) ( ) III - I - II. 7 CONTROLE E AVALIAÇÃO Caro acadêmico, nessa fase do planejamento estratégico é feita a análise de tudo o que foi formulado anteriormente, ou seja, verificar como a empresa está indo. Através desse procedimento podem ser identificados eventuais desvios no que foi planejado, assim é possível tomar medidas para ajustar. A avaliação e o controle fecham o ciclo do processo de gestão estratégica (TAVARES, 2010). Prezado acadêmico, vamos entender um pouco melhor o que são controle e avaliação. 82 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard • Avaliação: é considerado o mecanismo que mede a efetividade das ações, ou seja, realizará a medição das ações através de indicadores, por exemplo, avaliar o desempenho do gestor em suas tomadas de decisões, caso suas metas ficaram próximas ou passaram do planejado, demonstra seu conhecimento expressivo. • Controle: é considerado um instrumento para verificar se o que está acontecendo é realmente o que foi previsto, ou seja, são métricas que demonstram se existe diferença entre as duas situações. Segundo Oliveira (2015), para que a avaliação e o controle do planejamento estratégico ocorram de uma forma correta, é preciso seguir algumas fases, sendo elas: Estabelecimento de padrões de medida e de avaliação Esses padrões são decorrentes dos objetivos, desafios, metas, estratégias, políticas e projetos, bem como das normas e procedimentos. Portanto, os padrões são a base para a comparação dos resultados desejados. Podem ser tangíveis ou intangíveis, vagos ou específicos, explícitos ou implícitos, bem como quando se referem à quantidade, à qualidade e ao tempo. Medida dos desempenhos apresentados O processo de medir e avaliar o desempenho significa estabelecer o que medir e selecionar, bem como medir utilizando critérios de quantidade, qualidade e tempo. Esses critérios podem variar entre os executivos, mas uma empresa deve procurar ter homogeneidade e integração entre seus critérios de medição de desempenho, caso contrário, o controle do planejamento estratégico - que considera toda a empresa - fica prejudicado. Comparação do realizado com o resultado esperado O resultado dessa comparação pode servir a vários usuários, tais como a alta administração, os chefes das áreas, os funcionários etc. Portanto, devem-se identificar, dentro de um critério de coerência, os vários usuários das comparações estabelecidas. As comparações podem apresentar algumas situações: • Se o desvio apresentado estiver dentro das “fronteiras do que for esperado”, o executivo não deve se preocupar. 83 Método e Implementação do Planejamento Estratégico Capítulo 2 • Se o desvio exceder um pouco as “fronteiras do que era esperado”, o executivo deverá continuar sua ação, mas com alguns ajustes que possibilitem retornar à situação adequada, ou seja, estar dentro da fronteira que delineava o que era esperado ou possível de ser esperado acontecer. • Se o desvio exceder em muito as “fronteiras do que era esperado”, o executivo deverá interromper as ações até que as causas sejam identificadas, analisadas e eliminadas. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O objetivo desse capítulo era demonstrar as etapas do planejamento estratégico, sendo elas, definir a missão e a visão, bem como analisar o ambiente organizacional interno e externo, e o controle e a avaliação. Foi possível compreender que as organizações estão inseridas em um sistema, onde são influenciadas for variáveis externas, no qual a empresa não tem controle sobre elas. É importante ressaltar que as organizações devem, de alguma forma, aproveitar as oportunidades oferecidas pelo ambiente externo e minimizar as ameaças que podem impactar negativamente na organização. Também vimos a importância de se definir a missão e a visão da empresa, sendo que ambas são importantes para as etapas seguintes do planejamento estratégico, são elas que norteiam toda a organização para atingir seus objetivos. Foi possível verificar que os objetivos a serem traçados pela organização devem ter como base a missão e a própria visão estabelecida nas fases anteriores do planejamento estratégico e que um dos seus principais focos é a orientação para o sentido decisório. Por fim, foi possível entender que a avaliação e o controle são as principais etapas do planejamento estratégico, pois visam verificar se tudo aquilo que foi planejado está ocorrendo de forma correta, caso não estiver, busca-se fazer ajustes ou melhorias. REFERÊNCIAS ANSOFF, H. I. et al. Implanting Strategic Management. Palgrave Macmillan, v. 3, p. 41-52, 2019. BARNEY, J. B.; HESTERLY, W. S. Administração estratégica e vantagem competitiva. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. 84 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard BETHLEM, A. Estratégia empresarial: conceitos, processos e administração estratégica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. BRYSON, J. M. Strategic planning for public and nonprofit organizations: a guide to strengthening and sustaining organizational achievement. New Jersey: John Wiley & Sons, 2018. BUEHRING, J. H.; LIEDTKA, J. Embracing systematic futures thinking at the intersection of strategic planning, foresight and design. 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TAVARES, M. C. Gestão estratégica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 86 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard ______. Planejamento estratégico: a opção entre sucesso e fracasso empresarial. São Paulo: Harbra, 1991. TOFOLI, E. T. Proposta de um modelo de alinhamento da metodologia Seis Sigma com o Gerenciamento Matricial de Receitas. 2011. 293 f. Tese de doutorado (Doutorado em Engenharia de Produção) - Unimep Santa Barbara D’Oeste, 2011. CAPÍTULO 3 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � Conceituar Balanced Scorecard. � Contextualizar o uso do Balanced Scorecard. � Abordar o estado da arte acerca do planejamento estratégico. � Correlacionar a importância do BSC para o planejamento estratégico. � Elaborar um Balanced Scorecard. 88 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 89 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A rápida mudança no mercado e o ambiente cada vez mais competitivo faz com que as organizações busquem novas formas de medição e acompanhamento da performance empresarial. Nesse caso, torna-se importante a necessidade de comunicar a estratégia do negócio dentro da empresa e de relacionar com os fatores críticos de sucesso, pois a estratégia é responsável pelo desempenho da organização, a médio e longo prazo. Uma das ferramentas utilizadas para a medição de desempenho organizacional e que também é capaz de definir estratégias para atingir os objetivos e as metas a longo prazo é o Balanced Scorecard, uma sigla que, traduzida, significa Indicadores Balanceados de Desempenho. Em síntese, o Balanced Scorecard traduz a visão e a estratégia em objetivos e medidas de desempenho por meio de um conjunto equilibrado de perspectivas, inclui, ainda, medidas dos resultados desejados e dos processos capazes de assegurarem a obtenção desses objetivos no futuro. O Balanced Scorecard foi projetado por Kaplan e Norton (1992) usando uma sequência de quatro perspectivas, sendo elas: perspectiva de aprendizagem e crescimento, perspectiva interna, perspectiva do cliente e, finalmente, a perspectiva financeira. Desde então, o modelo vem sendo amplamente adotado pelas indústrias, prestadoras de serviço, organizações sem fins lucrativos, entidades governamentais e outras indústrias ao redor do mundo. As empresas estão cada vez mais implementando novos sistemas de medição de desempenho organizacional não financeiros. Prezado acadêmico, em seguida você conhecerá melhor essa ferramenta, bem como um breve histórico, definições, objetivos, a sua importância para as organizações e quais as etapas para a sua implementação. 2 BALANCED SCORECARD: HISTÓRIA, DEFINIÇÃO E OBJETIVOS O Balanced Scorecard foi criado na década de 1990, mais precisamente em 1992, por Robert Kaplan e David Norton, ambos professores da Harvard Business School. O início dos estudos se deu quando o Instituto Norton, uma unidade de pesquisa localizada nos Estados Unidos, patrocinou um estudo que 90 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard abrangesse diversas empresas de setores econômicos diferentes, com o intuito de desenvolver um novo modelo de avaliação de desempenho organizacional, que no geral era apoiado por indicadores financeiros e contábeis. 2.1 PERSPECTIVA HISTÓRICA Kallás (2003) menciona que, entre as várias empresas estudadas, teve o caso da Anolog Devices, que utilizava um modelo de Scorecard, e utilizava, também, além das medidas financeiras tradicionais, outras medidas de desempenho não financeiras. Foi nesse contexto, após algumas discussões, que se ampliou o Scorecard para o conhecido Balanced Scorecard, contemplando quatro variáveis, sendo elas: financeira, do cliente, interna e de inovação e aprendizado. As primeiras publicações desse novo modelo foram em um artigo na Harvard Business Review (HBR) intitulado “The Balanced Scorecard - Measures That Drive Performance” em 1992. Posteriormente, foi descrita em um segundo artigo para a HBR, intitulado “Putting the Balanced Scorecard to Work”, a importância da escolha de medidas de gestão, citadas como exemplos as experiências da Rockwater, Apple Computers e da Advanced Micro Devices (ARANTES, 2006). No livro A estratégia em ação: Balanced Scorecard de Kaplan e Norton (1992), você pode se aprofundar mais sobre a história do BSC. FONTE: KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. The balanced scorecard - measures that drive performance. Harvard Business Review, v. 70, p. 71-79, 1992. 2.2 DEFINIÇÃO E OBJETIVOS Inicialmente, Kaplan e Norton (1992) definiram o BSC como um sistema de medição. Posteriormente, definiram o BSC como um sistema de gestão estratégica. Embora sejam criticados por essa ausência de critério em sua definição, o BSC é considerado uma das mais importantes ferramentas de gestão. Costa (2001) critica essas definições feitas por Kaplan e Norton (1992). A autora menciona que a literatura sobre sistemas de medições identifica três pontos básicos, sendo eles: 91 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 • Formalização das medidas e das medições que deve responder ao que será medido e como será medido. • Integração desse sistema com outros sistemas da empresa, em especial os de planejamento e controle. • Usar o sistema para avaliação, participação dos funcionários, controle das atividades e benchmarking. Uma definição abrangente do BSC, percebido pelos estudiosos, acadêmicos e gestores de organizações, é que ele é uma ferramenta de gestão e planejamento estratégico, frequentemente empregada na indústria, organizações sem fins lucrativos e até na gestão pública, a fim de vincular as atividades empresariaisà visão, à missão, às metas e como metodologia de operações, na melhora das comunicações externas e internas e estritamente monitorar o desempenho das empresas com relação às metas periódicas. A abordagem do BSC serve principalmente para transformar uma estratégia em ação operacional pelo uso de um conjunto racional de métricas de desempenho, produzindo um arranjo “equilibrado” de indicadores de desempenho, sendo indicadores monetários e não monetários, cobrindo a soma dos dados de uma organização, em vez de simplesmente projetar os marcadores orçamentais (ABDULLAH; HAMZAH, 2006). Com base em Arantes (2006), a seguir, no Quadro 1, será apresentada uma síntese das principais ideias sobre o conceito do BSC: QUADRO 1 – CONCEITOS BSC A abordagem do BSC serve principalmente para transformar uma estratégia em ação operacional pelo uso de um conjunto racional de métricas de desempenho, produzindo um arranjo “equilibrado” de indicadores de desempenho, sendo indicadores monetários e não monetários, cobrindo a soma dos dados de uma organização, em vez de simplesmente projetar os marcadores orçamentais (ABDULLAH; HAMZAH, 2006). Autor e Ano Definição Kaplan e Norton (1992, 1993) Sistema de medição Kaplan e Norton (2001) Sistema de gestão estratégica Costa (2001) Sistema de suporte à decisão Kallás (2003) Ferramenta de gestão Olve, Roy e Wetter (2001) Criar organização de aprendizagem Frigo (2002) Ferramenta para execução e re- fino da estratégia FONTE: Arantes (2006, p. 6) Kallás (2003, p. 26) acredita que o BSC não seja uma ferramenta apenas para a tomada de decisão, nesse caso, o autor define BSC como “uma ferramenta que 92 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard materializa a visão e a estratégia da empresa por meio de um mapa coerente com objetivos e medidas de desempenho, organizados segundo quatro perspectivas: financeira, cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento”. Na Figura 1 você poderá entender melhor o modelo do BSC. FIGURA 1 – MODELO BALANCED SCORECARD FONTE: Kaplan e Norton (1997, p. 157) Caro acadêmico, em seguida, conheceremos melhor cada uma das perspectivas do BSC. a) A perspectiva de aprendizado e crescimento Essa perspectiva captura a capacidade dos funcionários, informações dos sistemas e alinhamento organizacional para gerenciar negócios e se adaptar a mudanças. O sucesso do processo depende dos funcionários qualificados e motivados, bem como da informação oportuna. Arantes (2006 p. 46) apresenta três categorias principais para a perspectiva do aprendizado e crescimento: • Capacidade dos funcionários: uma das transformações mais radicais no pensamento gerencial dos últimos anos foi a mudança do papel dos funcionários. Em grande parte, todas as tarefas de rotina foram automatizadas. Inclusive, realizar a mesma tarefa com o mesmo nível de eficiência não é mais suficiente 93 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 FONTE: <https://slideplayer.com.br/slide/8744795/>. Acesso em: 30 nov. 2018. para o sucesso organizacional. Essa mudança exige reciclagem dos funcionários para que suas mentes e capacidades criativas sejam mobilizadas no sentido dos objetivos organizacionais. • Capacidade dos sistemas de informação: para que os funcionários se desempenhem com eficácia no ambiente competitivo, eles precisam de excelentes informações sobre os clientes, processos internos e as consequências financeiras de suas decisões. Algumas empresas adotam indicadores de cobertura de informações estratégicas para avaliar a disponibilidade atual de informações em relação às atividades previstas. • Motivação, empowerment e alinhamento: mesmo funcionários habilitados, que disponham de excelentes informações, não contribuem para o sucesso da organização se não forem motivados a agir no melhor interesse da empresa, ou se não tiverem liberdade para decidir ou agir. Este terceiro vetor focaliza o clima organizacional para motivação e iniciativa dos funcionários. Empowerment, ou delegação de autoridade, é uma abordagem a projetos de trabalho que se baseia na delegação de poderes de decisão, autonomia e participação dos funcionários na administração das empresas. De acordo com Kallás (2003), existem algumas medidas que podem ser utilizadas para as três categorias mencionadas anteriormente, conforme Figura 2. FIGURA 2 – MEDIDAS DAS PERSPECTIVAS DO BSC Empowerment, ou delegação de autoridade, é uma abordagem a projetos de trabalho que se baseia na delegação de poderes de decisão, autonomia e participação dos funcionários na administração das empresas. https://slideplayer.com.br/slide/8744795/ 94 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard b) A perspectiva dos processos internos Um modelo causal do BSC pressupõe que os funcionários impulsionam a melhoria do processo interno. Kaplan e Norton (1997) recomendam que uma cadeia de valor completa dos processos internos seja definida. Segundo os autores, as atividades da cadeia de valor genérico são divididas em três áreas de processos de alto nível, conforme apresenta a autora Arantes (2006, p. 43, grifos nossos): Inovação: identificação das necessidades atuais e futuras dos clientes e desenvolvimento de novas soluções para essas necessidades. Operações: entrega de produtos e prestação de serviços aos clientes existentes. Enfatiza a eficiência, a regularidade e a pontualidade da entrega do produto aos clientes. Serviço pós-venda: serviços que complementam o valor proporcionado aos clientes pelos produtos ou serviços da empresa. Correção de defeitos e processamento de pagamentos. A Figura 3 ilustra as três áreas mencionadas anteriormente. FIGURA 3 – MEDIDAS DAS PERSPECTIVAS DO BSC FONTE: <https://slideplayer.com.br/slide/8744795/>. Acesso em: 30 nov. 2018. c) A perspectiva do cliente A perspectiva do cliente identifica os resultados associados à entrega de proposições de valor diferenciadas. Esses resultados incluem participação de mercado em específicos segmentos, satisfação dos clientes-alvo, aquisição e retenção de clientes em segmentos-alvo e rentabilidade do cliente. Essas medidas essenciais podem se agrupar em cadeia formal de relações de causa e efeito, conforme Figura 4. https://slideplayer.com.br/slide/8744795/ 95 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 FIGURA 4 – A PERSPECTIVA DO CLIENTE FONTE: Canhadas (2010, p. 5) Caro acadêmico, para facilitar a sua compreensão, o Quadro 2 apresenta uma síntese de cada medida essencial. QUADRO 2 – SÍNTESE DAS MEDIDAS ESSENCIAIS Participação de mercado Reflete a proporção de negócios num determinado merca- do (em termos de clientes, valores, gastos ou volumes). Captação de clientes Mede, em termos absolutos ou relativos, a intensidade com que uma unidade de negócios atrai ou conquista novos cliente ou negócios. Retenção de clientes Controla, em termos absolutos ou relativos, a intensida- de com que uma unidade de negócios retém ou man- tém relacionamentos contínuos com seus clientes. Satisfação de clientes Mede o nível de satisfação dos clientes de acordo com crité- rios específicos de desempenho dentro da proposta de valor. Lucratividade de clientes Mede o lucro líquido de cliente ou segmentos, depois de deduzidas as despesas específicas necessárias para sustenta esses clientes. FONTE: Canhadas (2010, p. 10) Arantes (2006, p. 38) sugere que, a fim de que a estratégia seja bem traduzida nessa perspectiva, algumas questões sejam levantadas: 96 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard • Quem você define como cliente? As respostas dessa pergunta deverão sinalizar o grupo de clientes-chave para o negócio. • O que nossos clientes esperam e demandam de nós? A resposta a essa pergunta ajudará a determinar o que é necessário fazer bem feito para satisfazer os clientes. • Como você se apresenta para o cliente?Em outras palavras, qual é a sua proposta de valor? • Você depende de algo que venha do cliente? Para satisfazer a demanda do cliente existe algo que você precisa obter dele? d) As Perspectivas Financeiras As medidas de desempenho financeiro indicam se a estratégia, a implementação e a execução da empresa contribuem para a melhoria da linha de base. As Perspectivas Financeiras incluem três medidas importantes para os acionistas: • O retorno sobre o capital e o fluxo de caixa refletem a preferência de curto prazo. • A confiabilidade da previsão indica o desejo corporativo de reduzir a incerteza histórica associada à variação de desempenho inesperada. • Finalmente, a lucratividade se concentra na unidade básica do planeja- mento e controle, enquanto as vendas ajudam a reduzir a incerteza de desempenho. Kaplan e Norton (1997 apud ARANTES, 2006, p. 34) definem as estratégias financeiras em três fases, tendo objetivos distintos entre elas, abordaremos cada uma: Crescimento: são empresas que se encontram nos estágios iniciais de seus ciclos de vida, logo há necessidade de investimentos que possam fazer necessário que a empresa opere com fluxos de caixa negativos. Os objetivos financeiros globais para empresas em ciclo de crescimento serão aumento de vendas e percentuais de crescimento das receitas. Sustentação: são organizações que ainda conseguem atrair investimentos, porém devem obter excelentes retornos sobre o capital investido. Espera-se que mantenham e aumentem a participação no mercado, logo em geral, a maioria das organizações ou unidade de negócios na fase de sustentação estabelece objetivos financeiros relacionados à lucratividade. Colheita: em organizações na fase de colheita não se justificam investimentos significativos, apenas o suficiente para se manter produtivamente, sem necessidade de ampliar ou gerar novas capacidades. A meta principal é maximizar o fluxo de caixa e reduzir a necessidade de capital de giro. A perspectiva financeira permitirá acompanhar indicadores financeiros de curto prazo, agregando as medidas de médio e longo prazo para projetar os resultados futuros da organização. 97 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 Atividade de Estudo: Caro acadêmico, praticaremos o que aprendemos até aqui sobre o BSC. 1 Analisando a estrutura do BSC, você pode verificar que ele possui quatro perspectivas. Com relação às perspectivas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Financeiro, processos externos, aprendizado e crescimento e cliente. b) ( ) Cliente, processo, inovação e financeiro. c) ( ) Processos internos, financeiro, processos externos e cliente. d) ( ) Aprendizado e crescimento, processos internos, cliente e financeiro. Para Kaplan e Norton (1997), o objetivo principal do BSC está no alinhamento do planejamento estratégico com as ações operacionais da empresa e não apenas como um sistema de medidas táticas ou operacionais, sendo que para os autores, o BSC é um sistema de gestão estratégica, com foco no longo prazo, viabilizando alguns processos gerenciais críticos. Em seguida serão apresentados os processos gerenciais críticos: Esclarecer e traduzir a visão e a estratégia: o BSC é iniciado com a união e a dedicação da equipe da alta administração que busca de certa forma traduzir a estratégia de sua unidade de negócios em objetivos estratégicos específicos, no qual esses objetivos específicos estarão ligados por relações de causa e efeito sob as diferentes perspectivas de negócio: financeira, cliente, processos internos e aprendizado e crescimento. Como o BSC é desenvolvido por um grupo, reunir executivos de áreas funcionais distintas pode fazer emergir pontos cegos, ou áreas de relativa ignorância. Embora evidencie essa falta de sintonia de trabalho em equipe, o desenvolvimento do BSC também contribui para a solução do problema, uma vez que o resultado deve ser um modelo consensual da empresa inteira para o qual todos prestaram sua contribuição (ARANTES, 2006, p. 29, grifos nossos). Veja na Figura 5 um exemplo na prática da relação entre as perspectivas, um estudo de caso em uma empresa do ramo de produtos farmacêuticos. 98 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard FIGURA 5 – RELAÇÕES ENTRE AS PERSPECTIVAS FONTE: Favoni (2002, p. 37) 99 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 Comunicar e associar objetivos e medidas estratégicas: os objetivos e medidas do BSC são transmitidos à empresa inteira por meio de quadros de avisos, vídeos por via eletrônica usando softwares de trabalho em grupo e computadores ligados à rede. A comunicação serve para mostrar a todos os funcionários os objetivos críticos que devem ser alcançados para que a estratégia da empresa seja bem-sucedida. A comunicação também serve de base para obter o compromisso de executivos e diretores com a estratégia de uma unidade de negócios. Planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas: o BSC produz mais impacto ao ser utilizado para induzir a mudança organizacional. Os executivos deverão estabelecer metas que, se alcançadas, transformarão a empresa. As metas deverão representar uma descontinuidade no desempenho da unidade de negócios. Melhorar o feedback e o aprendizado estratégico: este processo gerencial, incorpora ao BSC um contexto de aprendizado estratégico. Talvez o aspecto mais inovador e importante de todos no BSC. Este processo viabiliza o aprendizado organizacional em nível executivo. O BSC permite que os executivos monitorem e ajustem a implementação da estratégia e, se necessário, efetuem mudanças fundamentais na própria estratégia (ARANTES, 2006, p. 29-30, grifos nossos). Para facilitar o entendimento, no Quadro 3, serão apresentados objetivos, funções e exemplos de indicadores relativos a cada uma das perspectivas vistas anteriormente. QUADRO 3 – APRESENTAÇÃO DOS OBJETIVOS, DAS FUNÇÕES E DE EXEMPLOS DE INDICADORES RELATIVOS A CADA UMA DAS PERSPECTIVAS Perspectivas Objetivo Funções Exemplo de indicadores Financeiras Contempla os impactos que as decisões estratégicas de uma empresa geram nos indicadores e metas estabelecidas neste campo. Permite que as empresas alinhem suas medidas essenciais de resulta- dos relacionando-as com outras medidas. Otimização da alocação de capital. Aumento de lucratividade. Clientes Articula as estratégias, de maneira a proporcio- nar maiores resultados financeiros futuros. Identifica segmentos de clientes e mercado nos quais a empresa possa competir e definir suas medidas de desempenho em seus segmentos-alvo. Captação de clientes. Retenção dos clientes. Satisfa- ção dos clientes. Processos internos Enfoca a identificação do que necessita ser melhora- do ou criado para atender aos atributos mapeados na perspectiva de clientes. Direciona o enfoque para os processos mais críticos do negócio e identifica em quais deles a empresa precisa obter níveis de excelência. Inovação. Retra- balho. Tempo de resposta aos clientes. 100 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Aprendizado e crescimento Verifica se a empresa possui colaboradores com conheci- mentos que atendam às suas necessidades, se estes são motivados e atuam alinhados com as metas organizacio- nais. Apoia a habilidade da empresa direcionada ao crescimento e o processo de adaptação frente ao ambiente de negócios. Atua com relação à iden- tificação da infraestrutura e das capacidades que a empresa deve construir para gerar crescimento e melhoria em longo prazo. Qualidade do am- biente de trabalho. Satisfação dos empregados. Horas de treinamento. FONTE: Queiroz e Lobosco (2015, p. 92) Caro acadêmico, ficou evidente no Quadro 3 que podem ser criadas medidas de desempenho e indicadores para inúmeros setores empresariais ou ramo de negócio. O importante é você entender que as medidas devem ser interligadaspara comunicar um pequeno número de temas estratégicos amplos, como o crescimento da empresa, a redução de riscos ou o aumento de produtividade. O BSC é uma ferramenta que apresenta a vantagem para a empresa fazer o acompanhamento dos resultados financeiros de curto prazo e, ao mesmo tempo, faz o monitoramento do avanço no desenvolvimento de capacidades e ativos intangíveis que ajudam o desempenho financeiro futuro da empresa. Em seguida conheceremos um pouco mais sobre a importância de as organizações adotarem o BSC. 3 A IMPORTÂNCIA DO BSC PARA AS ORGANIZAÇÕES Caro acadêmico, não importa o tamanho da empresa, seja ela pequena ou de grande porte, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é uma necessidade que precisa ser incorporada em sua gestão estratégica. O estudo realizado por Wughanga (2010) descobriu que a RSC é uma dimensão da gestão corporativa e que tem atraído muitos estudos, especialmente nos países em desenvolvimento. O autor ressalta que existe uma maior pressão sobre as empresas em adotarem a RSC nesses países, e que essa pressão vem principalmente dos próprios fornecedores, pois exigem a RSC como um pré-requisito para fazer uma negociação. Outra perspectiva importante é a dimensão da ética empresarial que as corpora- ções precisam cumprir. As demandas desta dimensão também são dificilmente aten- didas porque a maioria das empresas tem o foco principal nas receitas. 101 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 3.1 VANTAGENS QUALITATIVAS NO BALANCED SCORECARD Entendendo a importância da RSC e a ética empresarial, o BSC pode ser útil, pois ele combina as medidas financeiras e as medidas não financeiras de desempenho. Esta adequação foi apoiada por pesquisas que estabeleceram que o BSC, como um instrumento de gestão estratégica, pode também assimilar aspectos qualitativos, por exemplo, aspectos ambientais e sociais dentro do sistema de gestão das empresas. A dependência tradicional dos sistemas de gerenciamento e desempenho em aspectos da avaliação de desempenho era inadequada, uma vez que limitava o desempenho no aspecto de ética e responsabilidade social. Os autores Bieker e Waxenberger (2002), mencionaram que ao BSC faltava o componente da RSC, pois a maioria das empresas ignorava e deliberadamente descartava questões relacionadas à sustentabilidade. Portanto, os autores propuseram uma nova versão avançada do BSC, que eles denominaram como o Balanced Scorecard Sustentável (BSCS). O BSCS incluiu temas como meio ambiente e sustentabilidade, que estavam ausentes no modelo inicial do BSC. O uso do BSCS como ferramenta de planejamento é ainda mais vital para as pequenas e médias empresas, pois raramente tem uma função, ou setor de apoio ao meio ambiente e à sustentabilidade. Com certeza o impacto do BSCS promoverá melhores esforços globais de sustentabilidade e criará um ambiente de trabalho amigável. 3.2 AUMENTO DA APLICAÇÃO DO BSC Como vimos anteriormente, Kaplan e Norton (1996) propuseram a adoção do BSC para abordar as inadequações nos sistemas tradicionais de mensuração do desempenho financeiro. Eles alegaram que o BSC era um modelo superior devido ao fato de que combinou ambas medidas, financeiras e não financeiras. O BSC concentra-se essencialmente em links existentes entre decisões e resultados de negócios e tira conclusões que são úteis no processo de desenvolvimento, implementação e comunicação da estratégia. Segundo Atkinson (2007), o BSC está entre os desenvolvimentos mais significativos na contabilidade estratégica e gerencial. Estima-se que cerca de 60% das empresas dos Estados Unidos implementaram o BSC. Apesar do grande interesse nos aspectos técnicos do BSC, o conhecimento sobre o assunto ainda é pequeno. 102 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Na economia de hoje, muitos ativos intangíveis têm um impacto essencial no sucesso de uma empresa, no caso, utilizando medidas contábeis tradicionais ou às vezes até parcialmente para esses ativos (por exemplo, medidas de desempenho tratam os investimentos em capital humano como despesas (ZELMAN, 2013). O autor Atkinson (2007) fez um estudo e determinou, a partir da avaliação de inúmeras evidências empíricas, que as medidas de desempenho financeiro são mais adequadas para empresas que operam em baixa complexidade e ambientes de alta segurança; esse ambiente é bem diferente do ambiente operacional atual, que é errático e dinâmico. A inclusão de medidas não financeiras como fatores de desempenho percorrerá um longo caminho para atingir o progresso e o crescimento de ativos como o próprio conhecimento, que é considerado um ativo intangível. Indiscutivelmente, o BSC é estruturalmente adequado para se encaixar na errática e dinâmica da “Nova Economia” (ZELMAN, 2013). Segundo Zelman (2013), podem ser elencados dois pontos importantes que tornam o BSC superior ao modelo tradicional de sistemas de medição de desempenho, sendo eles: • Primeiro, identifica e incentiva as organizações a investirem em atividades de aprendizado e crescimento, melhorando a eficiência dos processos internos, aumentando o sucesso financeiro e fornecendo valores aos clientes, que é considerado um dos elementos principais, proporcionando vantagem competitiva. • O segundo fator que dá superioridade ao BSC é que ele esclarece os links que existem entre o atraso e as principais medidas de desempenho financeiro e não financeiro. Estes links, tanto entre áreas como entre medidas individuais, refletem as más relações de causa e efeito subjacentes ao modelo de negócios da empresa. As melhorias na aprendizagem e crescimento que melhoram a qualidade do recurso humano, como a satisfação dos funcionários, devem aumentar os processos de operações, assim, consequentemente, levam aos desenvolvimentos mensuráveis em medidas de clientes e se apresentam registrando um grau de progresso no desempenho financeiro (NEELY, 2007). Portanto, fica evidente que o modelo BSC pode ser adotado como uma ferramenta para a tomada de decisão organizacional. O BSC faz com que os resultados das decisões sejam prováveis e uma avaliação detalhada dos méritos e deméritos de tomar alguma decisão seja feita antes de sua execução. Ressalta- se que o modelo fornece visões importantes sobre as decisões planejadas e seus resultados (BREWER; SPEH, 2000). 103 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 3.3 IMPORTÂNCIA DA TÉCNICA DO BSC O BSC ganhou ampla aceitação ao progredir na ideologia de que o desempenho de uma organização não dependia apenas dos indicadores de desempenho financeiro. Há uma concordância geral de que há, de fato, a importância de incorporar mais indicadores e medidas, mesmo não financeiras, no processo de tomada de decisão. O argumento que promove a cultura do BSC é no conhecimento de que o atendimento ao cliente, aprendizado e crescimento e processos internos também são importantes fatores, bem como os principais indicadores de desempenho da organização. Desde a sua criação em 1992 por Kaplan e Norton, o conceito do BSC revolucionou as percepções convencionais sobre medidas de desempenho. Gestores têm passado das tradicionais medidas de desempenho financeiro e estão adotando o conceito de BSC para desenvolverem suas estratégias. Com indicadores equilibrados, a técnica serve ao propósito de alinhar os objetivos de longo prazo da empresa com as estratégias de médio prazo que são desenvolvidas. Quando os sistemas de medição de uma empresa focam nas dimensões erradas de desempenho, elas correm o risco de prejudicar a missão estratégica, mantendo práticas comerciais míopes (HOFFECKER; GOLDENBERG, 2012). Todas as organizações, apesar de seu tamanho, sempre têm objetivos predeterminados que buscam alcançar. No entanto, embora existam e estejam associadas ao nome da empresa, eles raramente são usados durante o processo de tomada de decisão. O BSC é uma ferramentatécnica de gestão que garantirá que os objetivos da empresa estejam na “mesa” enquanto as decisões estratégicas significativas estão sendo tomadas (HAIGH; SARSHAR; BALDRY, 2012). 3.4 BENEFÍCIOS E DESAFIOS DA APLICAÇÃO DO BSC NAS ORGANIZAÇÕES A maioria das empresas tende a adotar o BSC como uma réplica de outra empresa e isso normalmente não é bem-sucedido. É imperativo que o gerenciamento tente e defina como esta ferramenta será aplicada na organização, sempre baseando-se nos fatores internos, sendo possível permitir a sua aplicação bem-sucedida ao invés de um simplesmente “copiar e colar”. 104 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Caro acadêmico, na maioria, as ferramentas de gestão nunca terão o mesmo resultado em empresas diferentes, pois cada empresa tem suas peculiaridades que devem ser levadas em conta. Empresas semelhantes ainda podem ter pontos diferentes, porque cada organização tem as suas próprias prioridades-chave. O que pode parecer como um atributo importante ou uma métrica de desempenho para uma organização pode ser um ponto simples para outra, simplesmente porque existem fatores e variáveis que cada empresa deve contemplar na realização dos seus negócios. Por exemplo, alguns dos fatores importantes a considerar ao recrutar as prioridades no balanço perceptivo, podem ser: incluir a localização da empresa, bem como suas filiais e subsidiárias, o mercado-alvo, a logística etc. No entanto, o fator mais importante é garantir que todos os funcionários, bem como a alta gerência, sejam capazes de compreender a estrutura básica de como o negócio é operado e depois traduzir as métricas para o BSC (MARZALL et al., 2016). A ferramenta BSC também permite que as empresas criem estratégias focadas nos indicadores-chave de desempenho, permitindo que as organizações rastreiem e meçam o que é realmente importante. Pesquisas mostram que empresas que utilizam o BSC como ferramenta de implementação de objetivos estratégicos e gestão de desempenho tendem a relatar informações avançadas de gerenciamento e muitos benefícios são derivados cada vez mais quando essa informação é usada como base nas tomadas de decisões da administração. Portanto, o BSC não deve ser usado isoladamente como uma ferra- menta de gerenciamento de desempenho, mas como facilitador de estraté- gia (ASAASIRA, 2016). O equilíbrio do BSC ajuda a eliminar preconceitos e ambiguidades no estabelecimento de desempenhos-alvo, sendo bastante objetivo, orientado para resultados, permitindo que os funcionários se concentrem mais nos principais indicadores de desempenho da organização e não percam tempo e esforços. Além disso, o BSC é uma ferramenta fácil de gerenciar devido a sua consistência, que pode ser estruturado em torno dos objetivos de longo prazo. Empresas que aplicam a abordagem do BSC produzem um desempenho superior às organizações que não usam essa ferramenta na implementação dos objetivos estratégicos e rastreamento, bem como no gerenciamento do desempenho dos funcionários. Caro acadêmico, na maioria, as ferramentas de gestão nunca terão o mesmo resultado em empresas diferentes, pois cada empresa tem suas peculiaridades que devem ser levadas em conta. Empresas semelhantes ainda podem ter pontos diferentes, porque cada organização tem as suas próprias prioridades-chave. Portanto, o BSC não deve ser usado isoladamente como uma ferramenta de gerenciamento de desempenho, mas como facilitador de estratégia (ASAASIRA, 2016). 105 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 A crescente necessidade de transparência no mundo corporativo também pode ser atendida com a ferramenta BSC, devido a sua capacidade em permitir a criação de um painel de controle de desempenho e também o estabelecimento de um canal para comunicar o desempenho dentro da organização, bem como para outras partes interessadas. A ferramenta BSC, no entanto, progrediu desde o seu uso inicial como uma simples estrutura de medição de desempenho para um planejamento estratégico completo. A versão avançada do BSC transforma o planejamento estratégico das organizações de um documento simples, passivo, para algo inovador e relevante, sendo uma base diária para a organização (ASAASIRA, 2016). No entanto, a formulação e a execução das estratégias por meio de uma ferramenta facilitadora, como o BSC, requerem preparação, ou seja, desenvolver, treinar e capacitar as pessoas com habilidades que permitam que elas traduzam as estratégias da empresa para a ferramenta BSC, bem como a prestação dos recursos necessários. 3 BALANCED SCORECARD COMO ESTRUTURA PARA O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Prezado acadêmico, existem inúmeras ferramentas para controlar, avaliar e medir se as estratégias implementadas estão surtindo os efeitos desejados. Uma das formas para tais análises é o BSC. Desde a sua introdução no início dos anos 1990, o BSC evoluiu de uma ferramenta de medição de desempenho para uma ferramenta capaz de definir as estratégias necessárias para buscar alcançar as metas de longo prazo, sendo uma ferramenta importante para as organizações, permitindo que os colaboradores compreendam a situação da organização, inclusive, ela fornece um quadro teórico útil para o desenvolvimento contínuo e aperfeiçoamento da gestão organizacional (MARZALL et al., 2016). A metodologia BSC cria uma infraestrutura para atividades de gerenciamento estratégico, introduzindo quatro novos processos de gestão que, separadamente ou em combinação, contribuem para vincular objetivos a longo prazo e ações de curto prazo (KAPLAN; NORTON, 1996). Combinando processo financeiro, cliente, interno e perspectivas de aprendizado e crescimento, o BSC ajuda os gerentes a compreenderem inúmeras relações e efeitos causais. 106 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard O BSC fornece uma estrutura adequada para facilitar a implementação da estratégia. Esse entendimento pode ajudar os gestores a transcenderem as tradicionais noções sobre barreiras funcionais e, finalmente, melhorarem a tomada de decisões e a resolução de problemas (FOOLADVAND; YARMOHAMMADIAN; SHAHTALEBI, 2015). O planejamento estratégico é praticamente essencial nos negócios, por isso é importante saber que um plano estratégico difere de um plano operacional, sendo que, o plano estratégico deve ser conceitual, visionário e direcional. Devido à complexidade e à importância do planejamento estratégico, o BSC pode ser um instrumento importante para ajudar a traduzir a estratégia, a missão da empresa e as metas de desempenho que fornecem uma estrutura estável para uma forte estimativa vital e estrutura de gestão (BARNEY; HESTERLY, 2009). Caro acadêmico, dentre as razões pelas quais as empresas utilizam o BSC, podemos citar (MARZALL et al., 2016): • O desenvolvimento de capacidades de liderança em unidades de negócios estratégicos. • Obtenção de consenso e busca de esclarecimentos sobre as estratégias. • Concentração nas atividades de mudança das organizações. • Capacidades de liderança nas principais unidades especializadas. • Uma melhor coordenação e recursos em diferentes unidades de especialidades. Portanto, para alcançar esses objetivos, as organizações precisam ter todos os procedimentos operacionais e de gestão ajustados e concentrados em alcançar a estratégia de longo prazo, quando se tem o equilíbrio, as perspectivas do BSC, que incluem várias prioridades estratégicas, são integradas às atividades e aos calendários da gerência, conforme a disponibilidade de tempo. Há ainda três critérios que devem ser cumpridos por qualquer estrutura de gestão para facilitar o sucesso e a eficiência em suas operações táticas: • Necessidades de um sistema para conectar inequivocamente focos operacionais aos principais objetivos. • O sistema precisa assimilar dados de desempenho não financeiros e financeiros. • Foco orientado para atender às necessidadesdo cliente, bem como à consciência e esforço organizacional para melhorar as habilidades dos funcionários. O BSC é introduzido e desenvolvido para implementar a estratégia, alcançar resultados bem-sucedidos e melhorar as traduções estratégicas. Portanto, no 107 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 planejamento estratégico, é essencial e necessário identificar e escolher as medidas para fazer as estratégias e avaliar o funcionamento da organização. Nesse caso, a avaliação baseada no BSC é uma escolha precisa de um conjunto de medidas quantitativas que são resultado da estratégia da organização. Medidas obtidas a partir deste processo são ferramentas para os gestores utilizarem para estabelecer uma relação entre os funcionários, parceiros e também para avaliar o funcionamento da organização (FOOLADVAND; YARMOHAMMADIAN; SHAHTALEBI, 2015). Por fim, o BSC é introduzido e desenvolvido para realizar estratégias, alcançar resultados práticos e também para traduzir a estratégia em ação. Atualmente, ele é considerado uma ferramenta de estratégia eficiente, fornecendo uma estrutura apropriada para facilitar a implementação da estratégia (MARZALL et al., 2016). Ele segue um modelo de avaliação equilibrado, seguindo a lógica de cima para baixo, isto é, começa com a identificação e a definição de componentes e realizações desejáveis e, em seguida, ele se move para valores apropriados dos processos internos e criando subestrutura. Neste link você encontrará um artigo referente à relação do BSC com o planejamento estratégico. Acesse: <http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/ balanced-scorecard-como-ferramenta-para-o-planejamento- estrategico-de-comunicacao-organizacional/26176/>. Atividade de Estudo: 1 Quais as principais razões pelas quais as empresas utilizam o BSC? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. 108 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 4 CRIAÇÃO DE UM BALANCED SCORECARD O BSC tem como proposta principal ser uma ferramenta para a estruturação da organização, na qual avalia os resultados pelos indicadores financeiros e indicadores representativos não financeiros. Segundo Kaplan e Norton (1997), existem alguns motivos para as organizações implementaram o BSC na empresa, na Figura 6, eles serão apontados. FIGURA 6 – MOTIVOS PARA UMA ORGANIZAÇÃO ELABORAR UM BSC FONTE: Kaplan e Norton (1997, p. 286) Kaplan e Norton (1997) apresentam uma metodologia para a construção do BSC. Vale ressaltar que essa construção teve um refinamento, em que a primeira 109 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 metodologia utilizada pelos autores no artigo “Building a Balanced Scorecard” em 1993, tinha sete passos. Na sequência, em 1997, na obra “A Estratégia em Ação”, sugerem dez tarefas em que apresentam um plano típico e sistemático que utilizaram para criar o BSC. Em seguida, estudaremos cada um deles. Assim, Kaplan e Norton (1997) definem as tarefas de implementação do BSC dentro de quatro etapas: • Etapa 1: Definição e Arquitetura de Indicadores. • Etapa 2: Consenso em Função dos Objetivos Estratégicos. • Etapa 3: Escolha e Elaboração dos Indicadores. • Etapa 4: Elaborar Plano de Implementação. a) Etapa 1 - Definição e Arquitetura de Indicadores Dentro dessa etapa, Kaplan e Norton (1997) sugerem que as seguintes tarefas sejam realizadas: TAREFA 1 - Selecionar Unidade de Negócios Adequada Nesta tarefa deve ser decidido em qual unidade de negócio será implementado o BSC. A primeira construção do BSC tem uma melhor performance numa unidade estratégica de negócios. Essa unidade deverá ser de fácil trabalho para criar medidas agregadas financeiras, associada à alocação de custo e transferência de preço de produtos e serviços entre as unidades organizacionais. TAREFA 2 - Identificar relações entre a Unidade de Negócios e a Corporação Após ter selecionado a unidade na tarefa anterior, seguiremos para o próximo passo, que é analisar o relacionamento da unidade escolhida com as outras unidades. O arquiteto do BSC deve realizar entrevistas com os executivos de níveis divisional e corporativo, justamente para conhecer os seguintes pontos: • Os objetivos financeiros estabelecidos para a unidade (crescimento, lucratividade, fluxo de caixa, volumes de extração). • Os temas corporativos primordiais (meio ambiente, segurança, qualidade, relacionamento com a comunidade). • Relações com outras unidades (clientes comuns, relacionamento entre fornecedores de clientes internos). O objetivo principal deste levantamento é garantir que a unidade onde será implementado o BSC desenvolva objetivos e medidas que propiciem a sua otimização às custas de outra unidade ou de toda a corporação. 110 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard b) Etapa 2 - Consenso em Função dos Objetivos Estratégicos Segundo Arantes (2006, p. 54) “a função desta etapa é alocar os objetivos estratégicos nas quatro dimensões do BSC. Poderão surgir lacunas de inter- relacionamento que deverão ser eliminadas ou preenchidas a partir de novas discussões sobre o planejamento estratégico da organização”. Dessa forma, Kaplan e Norton (1997) apresentam três tarefas para essa etapa, sendo elas: TAREFA 3 - Realização da Primeira Série de Entrevistas Nessa tarefa, o arquiteto deve preparar todos os documentos básicos do BSC para serem apresentados aos executivos. O arquiteto deve também buscar o máximo de informações do ambiente externo da organização, como tendências, crescimento de mercado, concorrentes, preferência dos clientes, inovações etc. Após os executivos analisarem todo o material fornecido pelo arquiteto, deve ser realizado uma entrevista individual com cada executivo, o tempo da entrevista deve durar em torno de 90 minutos. Essa entrevista tem o intuito de captar informações sobre os objetivos estratégicos preliminares da empresa para as medidas do BSC, sempre abordando as quatro perspectivas do BSC. Vale destacar que não é necessário seguir uma estrutura predeterminada na entrevista, ela deve seguir naturalmente (KAPLAN; NORTON, 1997). Segundo Kaplan e Norton (1997), a entrevista tem dois objetivos, o explícito, em que o arquiteto responde às dúvidas que os executivos têm sobre o conceito do BSC e obtêm informações iniciais sobre a estratégia organizacional; e o objetivo implícito, em que se inicia o processo de indução da empresa a pensar em traduzir as estratégias e os objetivos em medidas operacionais tangíveis. TAREFA 4 - Sessão de Síntese Nessa etapa, ele realizará uma síntese da etapa anterior. O arquiteto se reunirá com os outros membros da equipe e analisará as respostas das entrevistas. Posteriormente, destacará questões relevantes e preparará uma prévia dos objetivos e medidas que servirão como base para a primeira reunião com a alta administração (KAPLAN; NORTON, 1997). O resultado principal desta tarefa é a geração de uma lista e uma classificação de objetivos nas quatro perspectivas do BSC (KAPLAN; NORTON, 1997). 111 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 TAREFA 5 - Workshop Executivo: Primeira Etapa O arquiteto com sua equipe realiza uma reunião com a alta administração, justamente para dar início ao processo de geração de consenso em relação ao BSC. Durante o Workshop, segundo Kaplan e Norton (1997), o grupo passa a responder às seguintes questões: • Se eu for bem-sucedido na minha visão e estratégia, de que maneira o meu desempenho será diferente para os acionistas, para os clientes, para os processos internos da empresa e para a minha capacidade de crescer e melhorar?Após essa reflexão, o arquiteto deve apresentar os objetivos propostos e discutir individualmente cada um deles, sem comparações uns com os outros. Depois de discutidos os objetivos, o grupo seleciona (votação) três ou quatro objetivos mais importantes. Na sequência, os executivos devem ser divididos em grupos, sendo que cada grupo fica responsável por uma perspectiva, ressalta-se que deve ser escolhido um líder por grupo. Por fim, cada grupo deve identificar três a quatro objetivos estratégicos para cada perspectiva, uma descrição detalhada para cada objetivo e uma lista de indicadores potenciais para cada objetivo (KAPLAN; NORTON, 1997). c) Etapa 3 - Escolha e Elaboração dos Indicadores TAREFA 6 - Reuniões dos Subgrupos: Nessa fase criam-se subgrupos e cada um deles terá quatro objetivos principais (KAPLAN; NORTON, 1997, p. 319): Refinar a descrição dos objetivos estratégicos, de acordo com as intenções expressas no primeiro workshop executivo. Para cada objetivo, identificar o indicador ou indicadores que melhor captam e comunicam a intenção do objetivo. Para cada indicador proposto, identificar as fontes das informa- ções necessárias e as ações que podem ser necessárias para tornar essas informações acessíveis. Para cada perspectiva, identificar as relações críticas entre os indicadores dessa perspectiva, bem como entre ela e as outras perspectivas do BSC. Tentar identificar de que maneira cada medida influencia a outra. Nessa fase, o objetivo é selecionar indicadores que melhor comuniquem o significado da estratégia, sendo que o resultado final dos subgrupos dessa tarefa deve ser (KAPLAN; NORTON, 1997, p. 321): 112 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Uma lista de objetivos para as perspectivas, acompanhada de uma descrição detalhada de cada objetivo. Uma descrição dos indicadores para cada objetivo. Uma ilustração de como cada indicador pode ser quantitativo e apresentado. Um modelo gráfico de como os indicadores se inter-relacionam dentro de uma perspectiva e entre as quatro perspectivas. Kaplan e Norton (2000) mencionam que a utilização de métricas em número limitado a fim de viabilizar o processo de controle é relevante, inclusive, os autores sugerem que os indicadores sejam distribuídos da seguinte forma, conforme o Quadro 4. QUADRO 4 – NÚMERO DE MEDIDAS INDICADAS PARA CADA PERSPECTIVA Dimensão Números de indicadores Dimensão Financeira 5 indicadores (22%) Dimensão Cliente 5 indicadores (22%) Dimensão Interna 8 indicadores (32%) Aprendizado e Crescimento 5 indicadores (22%) FONTE: Kaplan e Norton (2000, p. 392) TAREFA 7 - Workshop Executivo: Segunda Fase Nessa etapa o arquiteto realiza um segundo workshop com a alta administração, seus subordinados e gerentes de nível médio, justamente para debater a visão, a estratégia e os objetivos e indicadores para o BSC. Lembrando que os resultados da etapa anterior devem ser apresentados. Ressalta-se que a apresentação deve ser feita pelos executivos integrantes dos subgrupos, pois a apresentação ajudará a criar uma percepção de posse dos objetivos, elevando o comprometimento com todo o processo de desenvolvimento do BSC (KAPLAN; NORTON, 1997). d) Etapa 4 - Elaboração do Plano de Implementação Definidos os indicadores referentes aos diferentes objetivos estratégicos, definem-se planos de ação e os responsáveis para direcionar a implementação da estratégia. Nesse caso, os autores Kaplan e Norton (1997) sugerem as seguintes: TAREFA 8 - Desenvolvimento do plano de Implementação Nessa fase entra em ação uma nova equipe, composta por líderes de cada subgrupo, com o propósito de formalizar as metas de superação e também desenvolver um plano para a implementação do BSC. É importante que nesse plano seja contemplada a maneira como os indicadores se ligarão com os bancos 113 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 de dados da empresa, comunicando o BSC com todos os setores da empresa (KAPLAN; NORTON, 1997). TAREFA 9 - Workshop Executivo: Terceira Etapa Pela terceira vez a equipe executiva se reúne para chegar à decisão final sobre a visão, os objetivos e os indicadores desenvolvidos nos workshops anteriores. Também serão identificados programas de ações para alcançar as metas. A equipe de executivos deve chegar a um acordo em relação a um programa de implementação que terá por objetivo comunicar o BSC aos funcionários e desenvolver um sistema de informação que sustente o BSC (KAPLAN; NORTON, 1997). TAREFA 10 - Finalizar o Plano de Implementação Arantes (2006) recomenda que o BSC seja implementado progressivamente, concentrando a ação gerencial nas prioridades eleitas nos workshops. Kaplan e Norton (1997) sugerem que o BSC seja utilizado no prazo de 60 dias. Com o tempo, os sistemas de informações gerenciais podem ser ajustados conforme a necessidade do processo. Quanto ao prazo para a implementação, Kaplan e Norton (1997) mencionam que dura em média 16 semanas. Ressalta-se que o cronograma é praticamente determinado pela disponibilidade dos executivos. Caso as pessoas envolvidas no projeto estejam com disponibilidade maior, o cronograma pode ser encurtado. FIGURA 7 – CRONOGRAMA TÍPICO PARA O BSC FONTE: Kaplan e Norton (1997, p. 323) 114 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Caro acadêmico, para facilitar o entendimento, veremos a seguir alguns exemplos do BSC na prática, ressalta-se que os exemplos de BSC apresentados são totalmente hipotéticos e bastante esquemáticos. Normalmente podem conter mais iniciativas para cada objetivo, assim como mais objetivos por perspectiva. O importante é entender o conceito e saber como empregá-lo de forma correta em seu negócio específico. Vejamos na prática: Exemplo de BSC de uma cervejaria artesanal: FIGURA 8 – EXEMPLO DE BSC DE UMA CERVEJARIA ARTESANAL OBJETIVOS METAS INDICADORES INICIATIVAS Perspectiva Financei- ra: Aumentar receitas Aumentar em 10% a receita líquida Demonstrativos financeiros Desenvolver novas políticas de crédito para os distribuidores Perspectiva do Cliente: Contar com um ticket médio alto Aumentar o valor de cada compra em 15%, em média Valor das notas fiscais de cada venda individual Melhorar o mix de produtos e criar combos de ofertas Perspectiva de proces- sos internos: Oferecer diversas opções de canais de vendas Transferir ao menos 30% das vendas para novos canais de vendas % de vendas por canal Implementar tele- marketing e imple- mentar loja virtual Perspectiva de Apren- dizado e crescimen- to: Contar com força de vendas capacitada Treinar 100% da equipe de vendas Número de certificados adquiridos pela equipe Desenvolver par- ceria com empresa de cursos on-line FONTE: <http://bit.ly/2X2Rm6j>. Acesso em: 20 nov. 2018. Exemplo de BSC de uma joalheria: FIGURA 9 – EXEMPLO DE BSC DE UMA JOALHERIA OBJETIVOS METAS INDICADORES INICIATIVAS Perspectiva Finan- ceira: Aumentar a lucratividade Aumentar em 15% a lucratividade da empresa Demonstrativos financeiros Negociar parcerias de parcelamento com empresas de cartões de crédito Perspectiva do Cliente: Ter uma loja mais atraente para os clientes Aumentar em 20% a média de visitas diárias à loja Contagem de clientes Melhorar a exposi- ção das joias nas vitrines e investir em mídias sociais 115 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 Perspectiva de proces- sos internos: Ser refe- rência em atendimento Aumentar o número de elogios em 15% e diminuir as reclama- ções no SAC em 80% Análise estatística dos relatórios do SAC Redesenhar processo de atendimento Perspectiva de Apren- dizado e crescimen- to: Ter uma força de vendas com profis- sionais experientes Substituir 30% dos vendedores Número de contrata- ções x demissões Iniciar processo de re- crutamento e seleção FONTE: <http://www.venki.com.br/blog/exemplos-de- balanced-scorecards/>. Acesso em:20 nov. 2018. Exemplo de BSC de um e-commerce: FIGURA 10 – EXEMPLO DE BSC DE UM E-COMMERCE OBJETIVOS METAS INDICADORES INICIATIVAS Perspectiva Financei- ra: Aumentar vendas e diminuir custos Aumentar em 15% as vendas líquidas e diminuir em 10% o custo operacional Demonstrativos financeiros Negociar com fornecedores Perspectiva do Clien- te: Ser referência por variedade de produtos Aumentar em 15% o lançamento de novos produtos a cada trimestre Número de novos produtos lançados por trimestre Criar comitê de inova- ção e desenvolvimento Perspectiva de processos internos: Ser capaz de desen- volver novos produtos constantemente Iniciar ao menos 5 projetos de desen- volvimento de novos produtos a cada mês Relatórios de pro- jetos de inovação Adquirir software espe- cífico para o gerencia- mento do desenvolvi- mento de produtos Perspectiva de Aprendizado e crescimento: Ter equipe extremamente capacitada no desen- volvimento de produtos Ter ao menos 2 profissionais com mestrado na área Número de profis- sionais de empresas com diploma de mestrado na área Selecionar um fun- cionário para receber bolsa de mestrado e contratar outro com mestrado na área FONTE: <http://www.venki.com.br/blog/exemplos-de- balanced-scorecards/>. Acesso em: 20 nov. 2018. http://www.venki.com.br/blog/exemplos-de-balanced-scorecards/ http://www.venki.com.br/blog/exemplos-de-balanced-scorecards/ http://www.venki.com.br/blog/exemplos-de-balanced-scorecards/ http://www.venki.com.br/blog/exemplos-de-balanced-scorecards/ 116 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Atividade de Estudo: Caro acadêmico, agora que você estudou as etapas para elaborar um BSC, vamos praticar. 1 Imagine que você é o responsável pela implementação do BSC de uma empresa de confecção. Agora, preencha a tabela a seguir com as informações do BSC que você vai elaborar para a empresa. Objetivos Metas Indicadores Iniciativas Perspectivas financeiras Perspectivas do cliente Perspectivas de processos internos Perspectivas de aprendizado e crescimento Neste link você encontrará um estudo de caso relatando o passo a passo da Implementação do BSC. Acesse: <https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/4883/4883.PDF>. 5 ESTUDOS AVANÇADOS EM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO/ ESTADO DA ARTE Caro acadêmico, até o momento, com a leitura do livro, foi possível compreender os principais conceitos de estratégia, planejamento estratégico e como elaborar um planejamento estratégico e um BSC. No próximo tópico, https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/4883/4883.PDF 117 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 conheceremos o estado da arte do tema planejamento estratégico, ou seja, estudaremos o que há de mais novo sendo pesquisado sobre o tema. O estado da arte é a atualidade de uma técnica ou de uma área científica em alto nível, alcançado em um tempo definido (ALMEIDA, 2002). 5.1 COMO O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DEVE SER CONCEITUADO E DEFINIDO O primeiro tema menciona como o planejamento estratégico é conceituado e definido. Muitas vezes, o planejamento estratégico é definido e operacionalizado em termos processuais, vem de uma linha que dizem que o planejamento estratégico formal é uma abordagem racional e abrangente para a formulação de estratégias, essa abordagem utiliza um processo sistemático com etapas específicas, como avaliações externas e internas, estabelecimento de metas, análise e avaliação e o planejamento de ações para garantir vitalidade e eficácia a longo prazo da organização. Grande parte da crítica negativa do planejamento estratégico formal centrou-se na abordagem processual do planejamento estratégico. Por exemplo, Mintzberg (1994) trabalhou com uma definição limitada, abordando o planejamento estratégico como um exercício formalizado, rígido, altamente analítico. O próprio autor menciona que o planejamento estratégico, assim definido, não funciona muito bem. Como observamos anteriormente, as abordagens do planejamento estratégico podem assumir a forma processual, mas existem muitas outras abordagens menos formais, rígidas e analíticas. Por exemplo, alguns estudos encontram um efeito positivo na abordagem do planejamento estratégico colaborativo, o que significa que o planejamento estratégico com mais de uma organização pode ser realizado com sucesso, da mesma forma, estudos têm concluído que o planejamento estratégico em combinação com outras práticas de gestão impactam positivamente nos resultados de desempenho da empresa (SANDFORT; MOULTON, 2014). Uma pesquisa recente também descobriu que as cidades que trabalham com um planejamento estratégico bem elaborado e engessado, são propensas a exibirem um comportamento positivo em resposta à crise financeira, mais diretamente com déficits orçamentários e necessidade de investimentos (BRYSON; BERRY; YANG, 2010). O estado da arte é a atualidade de uma técnica ou de uma área científica em alto nível, alcançado em um tempo definido (ALMEIDA, 2002). https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true 118 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Por outro lado, alternativamente, o planejamento estratégico também pode ser definido em termos funcionais. Por exemplo, Bryson (2011, p. 6-7) define o planejamento estratégico “como um esforço deliberativo e disciplinado para produzir decisões e ações fundamentais que definem o que uma organização (ou outra entidade) faz e por que ela faz isso”. Definido dessa maneira, o planejamento estratégico consiste em um conjunto ou uma família de conceitos, procedimentos, ferramentas e práticas destinados a ajudar os tomadores de decisão e outras partes interessadas a abordar o que realmente é importante para suas organizações. Esse conjunto inclui uma variedade de diferentes abordagens, que variam em: seus propósitos; formalidade; horizonte temporal; abrangência; foco organizacional, inter-organizacional; ênfase em dados e análises; extensão da participação; conexão com a implementação e assim por diante. O uso bem- sucedido do planejamento estratégico depende, portanto, de qual abordagem é usada, para quais propósitos e em que contexto vai ser utilizado (BRYSON; BERRY; YANG, 2010). 5.2 COMO O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO VEM SENDO PESQUISADO Uma importante distinção metodológica sobre o tema planejamento estratégico é entre estudos de variância e estudos de processo (POOLE; VAN DE VEN, 2004). Em estudos de variância, o planejamento estratégico é essencialmente tratado como uma rotina ou prática, sendo um objeto fixo, não um sistema gerativo composto de muitas partes interativas e mutáveis. Os estudos de variância tipicamente assumem que o planejamento estratégico é um intermediário, sendo meramente o transportador de uma causa, da entrada para a saída, ou seja, ele apenas estabelecerá o caminho e levará os objetivos definidos pela empresa a sua execução (VIDYARTHI; HOCH; BASMAJIAN, 2013), enquanto que os estudos de processo geralmente assumem que a chave para entender a eficácia (ou não) do planejamento estratégico pode estar em vê-lo como uma abordagem de processo longitudinal (estudo a longo prazo), justamente para conhecer e agir em todo o processo (FALCON, 2015). De acordo com Bryson, Edwards e Slyke (2018), nessa abordagem de processo, os stakeholders organizacionais se envolvem uns com os outros em uma série de associações e performances ao longo do tempo, para explorar e finalmente concordar e implementar respostas para uma série de questões, como: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true119 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 o que podemos ou deveríamos estar fazendo? Como podemos ou devemos fazer isso? Quais propósitos ou metas para fazer isso? Várias práticas (por exemplo, workshops) e artefatos (como declarações de missão e visão, estudos de apoio, exercícios de estratégia) geralmente desempenham papéis proeminentes. Poucos estudos do planejamento estratégico adotaram uma abordagem detalhada do processo (JARZABKOWSKI; FENTON, 2006). Algumas pesquisas traçaram o planejamento estratégico como uma complexa prática cognitiva, comportamental, social e política e que algumas associações são reforçadas, outras são criadas e outras ainda são descartadas no processo de formular e implementar estratégias e planos nas organizações. Pesquisas mostraram que os termos do planejamento estratégico, como etapas do processo, análise de stakeholders, planos estratégicos, missão, visão, metas, estratégias, ações e indicadores de desempenho, são todos relevantes para qualquer estudo do planejamento estratégico na prática, mas não como termos rigidamente definidos (JARZABKOWSKI; FENTON, 2006; SANDFORT; MOULTON, 2014). Em suma, esses autores procuraram entender como esses termos são decretados na prática, e o que isso significava para entender o planejamento estratégico como uma forma de saber, que é consequente para o desempenho organizacional. 5.3 QUAIS SÃO OS RESULTADOS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO A maioria dos estudos do planejamento estratégico tem se concentrado nos resultados de desempenho e, principalmente, na obtenção de metas, eficiência e eficácia. Conforme observado anteriormente, em termos desses resultados, o planejamento estratégico geralmente parece ter um efeito positivo. Algumas pesquisas descobriram que as percepções de melhor desempenho estão ligadas ao planejamento estratégico. Outras evitam o viés de percepções de desempenho ao conectar medidas de desempenho secundárias com dados das pesquisas (ELBANNA; ANDREWS; POLLANEN, 2016). Alguns estudos enfatizaram a importância de resultados intermediários, como a própria participação e o compromisso no planejamento estratégico (BRYSON, 2011; SANDFORT; MOULTON, 2014). Infelizmente, poucos estudos incluem a equidade, a justiça social, a transparência, a legitimidade, a prestação de contas ou uma gama mais ampla de valores no planejamento estratégico. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true 120 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard 5.4 O QUE CONTRIBUI PARA O SUCESSO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Pesquisas indicam que as organizações podem enfrentar barreiras significa- tivas antes e durante o planejamento estratégico, e que podem potencialmente superar quaisquer uma delas (SANDFORT; MOULTON, 2014). Para isso, as orga- nizações precisam construir a capacidade necessária para fazer o planejamento estratégico. As habilidades e os recursos para fazer o planejamento estratégico devem corresponder à complexidade dos processos e práticas envolvidas (POIS- TER; STREIB, 2005). Recursos necessários incluem, por exemplo, capacidade financeira, conhecimento sobre planejamento estratégico e a capacidade de cole- tar e analisar dados e julgar quais são relevantes. Além disso, a liderança de diferentes tipos é necessária para se engajar em um planejamento estratégico eficaz. Os patrocinadores do processo têm a autoridade, o poder e os recursos para iniciar e sustentar o processo. Os promotores de processos são necessários para ajudar a gerenciar o processo do dia a dia (BRYSON, 2011). Práticas transformadoras de patrocinadores, bem como os grupos que envolvem, parecem ajudar a energizar os participantes, aumentando a motivação, a valência da missão e incentivando o uso de informações de desempenho, todos importantes para o planejamento estratégico. A ampla participação geralmente pode melhorar o processo, bem como o plano resultante, dando às várias partes interessadas um senso de propriedade e comprometimento. Diferentes perspectivas podem enriquecer qualquer análise e eventual implementação do plano (BRYSON; EDWARDS; SLYKE, 2018). Finalmente, a integração com outras práticas de gestão estratégica pode melhorar a utilidade do planejamento estratégico. Integrar o planejamento estratégico e o gerenciamento de desempenho provavelmente melhorará o desempenho da organização. Estudos encontraram relação positiva entre o planejamento estratégico, a gestão e o desempenho organizacional percebido (SANDFORT; MOULTON, 2014). No entanto, o desempenho organizacional não é a única área para integração. O planejamento estratégico deve ser integrado ao orçamento, à gestão de recursos humanos e ao gerenciamento de tecnologia da informação. Uma pesquisa sobre as práticas de governo dos Estados Unidos descobriu que muitos https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true 121 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 governos fazem alguma integração entre o planejamento estratégico e outras práticas de gerenciamento de recursos (POISTER; STREIB, 2005). Dito isto, há evidências de que o planejamento estratégico pode ajudar a informar a alocação orçamentária e de capital humano. 5.5 AGENDA PARA PESQUISAS FUTURAS Caro acadêmico, conheceremos algumas lacunas de pesquisa que ainda merecem a atenção dos pesquisadores. O planejamento estratégico tem sido cada vez mais institucionalizado como uma prática bastante comum em todos os níveis de organizações. Há também uma concordância razoável sobre o que significa ser estratégico quando se trata de planejamento. Os pesquisadores encontraram evidências de que o planejamento estratégico geralmente ajuda a produzir resultados desejáveis (BRYSON; EDWARDS; SLYKE; 2018). É importante enfatizar que o planejamento estratégico não é algo isolado, mas, sim, um conjunto de conceitos, procedimentos, ferramentas e práticas que devem ser aplicados de forma sensível e contingente em situações específicas (SANDFORT; MOULTON, 2014). Em outras palavras, há uma variedade de abordagens genéricas para o planejamento estratégico, as fronteiras entre elas não são necessariamente claras, e o planejamento estratégico, na prática, normalmente é híbrido. Além disso, não está claro como melhor conceituar o planejamento estratégico e combinar os processos e os contextos para produzir resultados desejáveis (FERLIE; ONGARO, 2015). Essas observações levam a uma agenda de pesquisa bastante robusta para o campo. Com base em Bryson, Edwards e Slyke (2018), apresentamos indicações para novas pesquisas acerca do tema planejamento estratégico: • Qual a melhor forma de operacionalizar as dimensões da estratégia e explorar os seus efeitos? • O planejamento estratégico tem o objetivo de estimular o pensamento, o agir e o aprendizado estratégico, então, quais são seus antecedentes e seus efeitos? • Quais são as dimensões importantes do contexto interno e externo que fazem a diferença para o planejamento estratégico e quais abordagens tendem a funcionar melhor, como e por quê? https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14719037.2017.1285111?scroll=top&needAccess=true 122 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard • De que maneira a estabilidade interna ou externa ou a mudança nessas dimensões fazem diferença? • Como a abordagem do planejamento estratégico pode variar dependendo do campo no qual ele é aplicado e do tipo de problema a ser tratado? Por exemplo, dentro do contexto da gestão pública, que diferença faz se a área de política é educação, saúde,segurança pública, transporte. Que diferença faz se os problemas são simples, complicados, complexos ou maus? • Que tipos de recursos (por exemplo, liderança, facilitação, pessoal, apoio técnico, competências e habilidades) são necessários para que o planejamento estratégico seja eficaz? • Quais são as maneiras pelas quais a participação de partes interessadas internas e externas fazem diferença na eficácia de diferentes abordagens do planejamento estratégico em diferentes contextos? Em outras palavras, em que circunstâncias diferentes tipos de participação, por uma série de partes interessadas e por uma variedade de propósitos fazem diferença na eficácia do planejamento estratégico? • Que diferença fazem os vários aspectos (por exemplo, missão, visão e metas, planos estratégicos, medidas de desempenho, avaliações) relacionados ao planejamento estratégico em termos de resultados dos processos de planejamento estratégico? • Qual a diferença, se houver, várias ferramentas do planejamento estratégico (por exemplo, análises de partes interessadas, análises de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças; análises de forças competitivas; análises de portfólios; mapeamento de estratégias visuais etc.) para o sucesso ou não do planejamento estratégico? • Quais são ou devem ser as conexões, tanto teóricas como práticas, entre as várias abordagens do planejamento estratégico e os outros elementos dos sistemas de gestão estratégica, tais como orçamento, gestão de recursos humanos, tecnologia da informação, medição de desempenho e implementação? • Finalmente, os pesquisadores devem usar metodologias que conceituem e operacionalizem o planejamento estratégico de várias maneiras. Atividade de Estudo: Caro acadêmico, agora que vimos algumas abordagens recentes sobre o planejamento estratégico, responda: 1 Como observamos anteriormente, as abordagens do planejamen- to estratégico podem assumir a forma processual, sendo uma for- 123 Estudos Avançados em Planejamento Estratégico Capítulo 3 ma mais rígida e analítica. Por outro lado, temos a abordagem do planejamento estratégico colaborativo, ou seja, realizado em mais de uma organização. Com base nisso, aponte três pontos positivos e negativos para cada abordagem. R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. 2 O que contribui para o sucesso do planejamento estratégico? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O objetivo desse capítulo foi conceituar e contextualizar o Balanced Scorecard, bem como correlacionar a sua importância para o planejamento estratégico. Foi possível compreender que o Balanced Scorecard é uma ferramenta utilizada pela maioria das empresas. Vimos que com o surgimento do Balanced Scorecard em 1992 foi possível medir o desempenho das organizações abordando perspectivas financeiras e não financeiras, pois até aquele momento não existia uma ferramenta capaz de abordar ambas medidas. Esse capítulo demonstrou que o Balanced Scorecard fornece uma estrutura adequada para facilitar a implementação da estratégia e que os gestores devem ter uma visão sistêmica e avaliar todas as perspectivas que influenciam direta ou indiretamente o resultado da organização. Foi possível verificar que as ferramentas tradicionais de gerenciamento e desempenho não eram capazes de abordar alguns aspectos qualitativos e que são importantes na atualidade, como é o caso da responsabilidade social corporativa e a ética empresarial. Outros pontos compreendidos foram as etapas para a elaboração do Balanced Scorecard. De acordo com o modelo contemplado para esse estudo, foram abordadas quatro fases, sendo que dentro dessas fases tivemos dez tarefas. 124 Planejamento Estratégico e Balanced Scorecard Por fim, o capítulo abordou o que há de mais relevante sendo pesquisado acerca do tema planejamento estratégico, inclusive, indicando futuras pesquisas. REFERÊNCIAS ABDULLAH, P.; HAMZAH, S. M. 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