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GÊNERO E OS SINTOMAS CRÍTICAS AO SISTEMA CLASSIFICATÓRIO - CID/DSM A descrição dos transtornos mentais partem de uma adoção acrítica de uma cis-heterossexualidade tomada como "normal", naturalizando questões que precisam ser indagadas. No campo da saúde mental é necessário considerar o looping effect, caracterizado por Ian Hacking (1986): os transtornos são fenômenos do tipo interativo humano que ao serem nomeados/criados modificam a vivência do próprio grupo de referência por eles "identificados". Em sociedades sexistas tornar-se pessoa significa tornar-se "homem" ou "mulher". Dessa forma, as diferenças físicas se transformam em desigualdades sociais. "BINARISMO ESTRATÉGICO" PROCESSO DE "SEMIOSIS" Deve-se pensar no processo de semiosis do sintoma, considerando a participação da linguagem e dos valores históricos e culturais. PERFORMANCES COMPORTAMENTAIS Existe um processo cultural de configuração afetivo-emocional e comportamental. Exemplos clássicos de performances são, o choro atrelado à feminilidade e a expressão de agressividade atrelada à masculinidade. O gênero surge como configurador de pontos identitários de maior vulnerabilidade a certos estressores, portanto participa da formação dos sintomas. SAÚDE MENTAL, GÊNERO E INTERSECCIONALIDADES - WALESKA ZANELLO ZANELLO, Valeska. Saúde Mental, Gênero e Interseccionalidades. In: PEREIRA, M. O.; PASSOS, R. G. Luta Antimanicomial e Feminismos: Discussões de gênero, raça e classe. [S. l.: s. n.], 2017. cap. 2, p. 52-69. O binarismo não é biológico ou essencial, assim utiliza-se da ideia de binarismo estratégico para estudar o processo de "tornar-se" e seus modos de sofrimento e expressão. O transtorno não é uma entidade metafísica. O diagnóstico é fruto de um trabalho de semiosis, de interpretação e julgamento. Mapa mental elaborado por Nicolli Plaster Fachetti "O estudo das relações de gênero como viés para compreender o campo da saúde mental é, ainda, incipiente. No entanto, pode trazer aportes importantes para compreensão da imbricação entre processos de subjetivação gendrados (sobretudo em sociedades sexistas, como o Brasil) e o campo da psicopatologia, enquanto estudo do adoecimento psíquico e de suas manifestações." (ZANELLO, 2017, p. 52)