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Maria Eduarda Amaral 3º período Síndrom� Nefrític� Introdução ● ou GNDA = glomerulonefrite difusa aguda ● processo inflamatório de origem imunológica, que acomete todos os glomérulos de ambos os rins = pós-estreptocócica obs: é considerada, juntamente com a febre reumática, uma sequela tardia e não supurativa ● glomerulonefrite aguda pós-infecciosa inclui um grupo de glomerulopatias que resultam de grande variedade de agentes infecciosos virais (ECHO vírus, vírus da varicela e vírus Epstein-Barr, que causa mais frequentemente nefrite intersticial, e H1N1), parasitários e bacterianos (Streptococcus, Staphylococcus, Pneumococcus, Treponema pallidum) ● glomerulonefrite aguda pode se manifestar como síndrome nefrítica aguda, síndrome nefrótica ou glomerulonefrite rapidamente progressiva Epidemiologia ● 97% dos casos ocorrem em países subdesenvolvidos/ em desenvolvimento devido a questões sanitárias e de coabitação de pessoas de baixa renda = maior frequência de infecções bacterianas, principalmente por EBHGA (estreptococos beta-hemolíticos do grupo A) ● é uma doença rara em menores de 2 anos ● + comum em pré-escolares e escolares, com pico de incidência por volta dos 7 anos de idade ● maior incidência no sexo masculino em relação ao feminino 2:1 -> infecção de vias aéreas superiores (faringoamidgalite)// casos de piodermite (impetigo), observa-se equivalência entre os sexos Etiologia ● o agente + frequente da GNPE é o EBHGA, porém podem ocorrer também com ● streptococcus do grupo C e G ● GNDA manifesta-se após a infecção por EBHGA, mas somente algumas cepas do grupo A são nefritogênicas (apresentam uma proteína na paredes das células, a proteína M) Quadro Clínico ★ tríade principal: ○ hematúria ○ hipertensão arterial sistêmica (HAS) ○ edema ★ indisposição ★ inapetência ★ cefaleia ★ edema periorbital ★ cólicas abdominais* ★ hipertermia* ★ vômitos* Fisiopatogenia ● fisiopatogenia da GNDA não está totalmente definida, mas acredita-se na existência de um antígeno estreptocócico capaz de desencadear um processo imunológico que levaria a produção de anticorpos e, consequentemente, à formação de imunocomplexos (complexo antígeno-anticorpo) in situ (nos glomérulos) ● baseando-se nisso, existem 2 teorias que são as mais aceitas em relação a fisiopatologia da GNDA: ○ Teoria Heteróloga/Teoria Catiônica de VOGT (antígeno -> estreptococos) Maria Eduarda Amaral 3º período ○ Teoria Autóloga/Teoria das Neuraminidases (antígeno -> próprio corpo) Fisiopatologia Diagnóstico Clínico ● criança deve apresentar antecedente de infecção estreptocócica ● o período de latência entre a infecção estreptocócica e a nefrite é pior nas piodermites (3 a 5 semanas) do que nas infecções de vias aéreas (7 a 15 dias) ● durante o período de latência, crianças assintomáticas podem apresentar hematúria microscópica ● GNPE -> síndrome nefrítica com edemas discretos (85%), hematúria macroscópica (25 a 33%) e a HAS moderada, podendo agravar-se mediante a alimentos/ líquidos com excesso de sódio (60 a 90%) ● observar queixas indiretas com ganho de peso e/ou observação de roupas e sapatos apertados ● evolução natural dos casos não complicados, observa-se, em média de 7 a 15 dias após o início da doença = ↓edema, ↑diurese// 2 a 3 dias após = normalização dos níveis tensionais Laboratorial ● sumário de urina = hematúria glomerular, cilindrúria, leucocitúria e proteinúria de leve a moderada ● ureia e creatinina = podem estar elevadas ● sódio e potássio = podem estar elevados, dependendo do déficit da função renal ● complemento C3 = confirmação diagnóstica ● bacteriologia = cultura de secreção de orofaringe e pele tem pouca importância, pois a infecção antecede o quadro clínico Maria Eduarda Amaral 3º período ● antiestreptolisina O (ASO) = está positiva nos casos de infecção prévia por faringites (em torno de 95% dos casos), o que não acontece nas piodermites ● anti-DNAse B = reflete melhor a infecção prévia por estreptococos nas piodermites, mas também é positiva nas faringites ● gamaglobulina e IgG e IgM = estão elevados em 90% dos pacientes ● crioglobulinemia = aumentada em 75% dos casos Diferencial ● glomerulonefrite membranoproliferativa: complemento sérico baixo durante meses ● glomerulonefrite rapidamente progressiva: aumento progressivo dos níveis de creatinina ● doença de berger: envolve hematúria recorrente sem os demais sinais clínicos da GNDA; complemento sérico normal e o diagnóstico vai ser confirmado pela biópsia Biópsia Renal ● somente é indicada se houver suspeita clínica de que o padrão patológico não seja de proliferação endotelial e mesangial ● as indicações são: ○ hematúria macroscópica por mais de 4 semanas ○ função renal persistentemente alterada por mais de 4 semanas ○ HAS por mais de 4 semanas ○ complemento sérico persistentemente baixo por mais de 8 semanas ○ associação com síndrome nefrótica por mais de 4 semanas Complicações ● congestão circulatória = complicação mais frequente da GNDA e caracteriza-se por sinais de hipervolemia como: taquicardia (é o sinal mais precoce de descompensação hemodinâmica), dispneia, tosse, estertores subcrepitantes em bases pulmonares, hepatomegalias A // congestão circulatória pode levar a um quadro de edema agudo de pulmão e ICC ● encefalopatia hipertensiva = consequência do quadro de hipertensão e apresenta um quadro clínico variável, mas geralmente: cefaleia, vômitos, alterações visuais (diplopia ou amaurose transitória), irritabilidade, agitação ou sonolência, crise convulsiva ou coma ● insuficiência renal aguda (IRA) = menos comum, mas se dá devido a oligoanúria intensa, retenção de escórias proteicas no plasma e distúrbios hidroeletrolíticos graves como a hiperpotassemia Tratamento *preferência ao tratamento ambulatorial e restringir o tratamento hospitalar aos quadros de oligúria intensa, insuficiência cardíaca ou encefalopatia hipertensiva Medidas gerais ● repouso deve ser limitado pelo próprio paciente e recomendado enquanto o edema e a HAS persistirem ● cota hídrica deve ser restrita a 20 mL/kg/dia ou 300 a 400 mL/m2 /dia, com regressão do edema, devem-se acrescentar as perdas do dia anterior (diurese e vômito) ● dieta inicial de arroz e frutas, a qual contém 300 mg de NaCl ● ingestão de sódio deve ser menor que 2g de NaCl/m2 /dia ● em casos de IRA, restrição proteica ● em casos de oligúria importante (diurese < 240 mL/m2 SC/dia) restrição de potássio Maria Eduarda Amaral 3º período Medicamentoso Infecção Estreptocócica - Antibióticos ● penicilina V na dose de 25.000 a 50.000 UI/kg/dia por via oral, a cada 6h, durante 8 a 10 dias ● penicilina benzatina 1x 600.000 U -> crianças < 25 kg ● penicilina benzatina 1x 1.200.000 U -> crianças > 25 kg ● eritromicina na dose de 30mg/kg durante 10 dias para os alérgicos à penicilina Diuréticos ● furosemida, na dose de 1 a 5 mg/kg/dia em casos de congestão circulatória importante, oligoanúria e HAS Anti-hipertensivos ● somente em casos em que a HAS persiste mesmo com o desaparecimento do edema e da oliganúria ● hidralazina: 0,2 a 0,5 mg/kg/dose, endovenosa, a cada 4h ou 6h; 1 a 4 mg/kg/dia, via oral, a cada 8h ● nifedipina: 0,10 a 0,25 mg/kg/dose, a cada 3h a 4h; 1 a 3 mg/kg/dia, via oral, a cada 6h ou 12h ● amlodipina: 0,1 a 0,2 mg/kg/dia, 1x ao dia. É uma alternativa para crianças maiores de 6 anos, sendo indicada para crianças com quadros mais estáveis ● enalapril/captopril (inibidores de enzima de conversão) e losartana (bloqueadores de receptores de angiotensina II) podem ser utilizados, com uma atenção especial devido ao risco de provocar aumento do níveis de potássio e creatinina Complicações Congestão circulatória ● furosemida 1 a 5 mg/kg/dia ● restrição hídrica ● assistência ventilatória com oxigenoterapia e/ou ventilação mecânica ● sedação ● casos refratários -> diálise peritoneal Encefalopatia hipertensiva ● nifedipina (droga hipotensora) na dose de 0,2 mg/kg, sublingual em 4 a 6 horas, com monitoração contínua do paciente e dos seus níveis tensionais ●em emergência hipertensiva, utiliza-se nitroprussiato de sódio, na dose de 0,5 a 8 mcg/kg/minuto, EV, por não mais que 72h ● em caso de convulsões associadas, Diazepam 0,1 a 0,5 mg/kg/dose, EV, lentamente ● redução dos níveis pressóricos deve ser progressiva, evitando-se hipofluxo cerebral Insuficiência renal aguda ● restrição hidrossalina e potássio ● administrar resinas de troca na dosagem de 1 g/kg, VO ou via retal, em suspensão a 10% ou 20%, a cada 4h ou 6h ● corrigir acidose metabólica ● nebulização com beta-2-adrenérgicos ● em casos de oligúria + hiperpotassemia + congestão circulatória refratária = diálise peritoneal Prognóstico ● primeiro sinal de melhora é o aumento da diurese com consequente diminuição do edema e normalização dos níveis pressóricos Maria Eduarda Amaral 3º período ● hematúria macroscópica desaparece entre a 1ª e a 2ª semana, mas a microscópica pode persistir por até 18 meses, mas não necessariamente indica um mau prognóstico 5% dos pacientes com GNDA podem evoluir para um quadro mais crônico ● óbito na fase aguda se relaciona com manejo indevido ou tardio das complicações