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Fios e suturas A história dos fios de sutura começa na antiguidade, antes de Cristo: ● 1100 a.C - no Egito fios de couro para costurar múmias. ● 400 a.C - fios de tendões de animais. ● Séc IX - Rhazes - sutura do abdome. ● Séc X - Linho rompe com a infecção. ● Séc XVI - Ambroise Paré aproxima feridas com fita. ● Séc XIX - Joseph Lister, esterilização com fios. ● Séc XX - George Merson, industrialização dos fios. Utilidade dos fios Hemostasia de vasos, sutura de diversos órgãos, aproximação de planos anatômicos. Características dos fios Força tênsil, diâmetro, segurança do nó (não abrir), elasticidade, manipulação (fácil), reatividade tecidual (não causa infecção, granulação), capilaridade, absorção de fluidos, configuração física, cor, origem e força. Fio ideal Resistente a tração e torção, boa segurança no nó, sem ação carcinogênica, não provoca infecção, manter bordas das feridas, absorção lenta, baixo custo, fácil esterilização, adequada força tênsil, fácil manuseio. Não existe fio ideal! Classificação dos fios Em relação ao tempo de permanência nos tecidos: absorvível, inabsorvível, absorvível de longa duração. 1. Absorvíveis: são aqueles que perdem gradualmente sua resistência à tração até serem fagocitados ou hidrolisados. Podem ser de origem animal (catgut simples e cromado), sintéticos multi ou monofilamentados (poliglecaprone e polidioxanona). 2. Inabsorvíveis: são aqueles que se mantêm no tecido onde foram implantados. Podem ser de origem animal (seda), mineral (aço), vegetal (algodão ou linho) ou sintéticos (poliamida, poliéster, polipropileno). Em relação a estrutura do fio: 1. Monofilamentado. 2. Multifilamentado: podem ser torcidos ou trançados. Os fios trançados podem ser revestidos por uma película externa. Que fio usar? ● Tipo de tecido (músculo, tensão, órgão). ● Tamanho da lesão (funda, tensão). ● Localização do tecido. ● Se há tensão. ● Fio forte tanto quanto a força do tecido suturado. ● Perda da resistência do fio deve ser compensada pelo ganho da resistência da cicatriz. ● Para que seja realizada uma sutura com o mínimo de rejeição e o máximo de sucesso, o fio cirúrgico deve possuir algumas características: 1. Força tênsil: depende do calibre do fio e do material com o qual ele é fabricado. Os fios absorvíveis possuem força tênsil por tempo determinado. Quanto maior a força tênsil, menor o diâmetro do fio, tendo melhor quantidade de corpo estranho na cicatriz. 2. Coeficiente de fricção: segurança do nó. Quanto mais baixo o coeficiente mais a necessidade de seminós - aumento do corpo estranho. 3. Reação tissular: depende do material do fio. Fios absorvíveis possuem maior processo inflamatório e reação tecidual. Os fios inabsorvíveis possuem menor processo inflamatório. 4. Índice de absorção: após a cicatrização do tecido, o fio fica sem função. 5. Potencialização da multiplicação bacteriana: multifilamentados tem maior potencial de contaminação. 6. Flexibilidade (facilidade de manuseio): pouca flexibilidade, difícil manuseio, maior é a necessidade de seminós. 7. Capilaridade: a propriedade do fio de absorver líquidos tissulares é maior nos multifilamentados o que facilita migração de bactérias. Os monofilamentados apresentam capilaridade quase nula. 8. Esterilização: todos os fios são esterilizados de fábrica. Calibre dos fios 0-0: fio mais grosso 12-0: mais fino (utilizados em microcirurgias) Categut Fio absorvível de origem animal (intestino de carneiro). Utilizado em locais sem muita tensão. Realiza uma reação inflamatória maior e leva a degradação e absorção do fio em 1-2 semanas. Um terço da força tênsil se perde na primeira semana. Utilizado para peritônio, mucosas, subcutâneo, ligadura de vasos. O catgut cromado dura de 2 a 3 semanas. Ácido poliglicólico e poliglactina Fios absorvíveis sintéticos, sutura de peritônio, músculos aponeurose, subcutâneo, laqueadura vascular. Possui força tênsil por 15 dias. Absorção completa por hidrólise entre 90-120 dias. Ex.: vicryl. Poliamida Fio monofilamentar sintético e inabsorvível. Utilizado para sutura na pele. Ex.: mononylon. Polidoxane Fechamento abdominal, torácico, de cólon, de reto. Usado na presença de infeção. Denominado de PDS. Seda Origem animal, inabsorvível, perde capacidade tênsil pela degeneração com o tempo. Utilizado em sutura e anastomose de vísceras. Polipropileno Assim como poliamida é um dos fios mais inertes mais rígidos, dificulta o nó. Precisa de vários seminós. Utilizado em sutura cardiovascular. Ex.: prolene. Aço inoxidável Difícil manuseio, enorme resistência, sem reação tissular. Utilizado para síntese óssea, neurocirurgia, cirurgia torácica, flexor. Agulhas Servem para conduzir o fio pelos tecidos. São de aço polido e aguçadas em uma extremidade. Forma das agulhas Retas, semi-retas, curvas, mistas ou semicurvas. Tamanho da agulha Corpo da agulha Cilíndricas: tecidos frouxos, parede intestinal, vascular, globo ocular. Prismáticos ou triangulares: cortantes, tecidos mais duros da pele. Traumática: agulha que machuca mais o tecido. Necessário montar o fio na agulha. Não traumática: agulha montada com o fio. Cilíndricas ou redondas: tecidos frouxos, parede intestinal, vascular, globo ocular. Fundo da agulha ● Com olho: fio montado ● Sem olho: fio acoplado. Sutura União ou aproximação de tecidos diferentes ou iguais com o fio. Características de uma boa sutura ● Mais estética. ● Mais funcional. ● Simetria. ● Evitar os nós sobre a ferida. ● Fio e agulha adequados. ● Tração adequada. ● Sem tensão. Quando suturar? ● Tamanho da lesão. ● Gravidade da lesão. ● Risco de infecção. Tipos de suturas 1. Pontos separados: permite saída de secreção entre eles, nós independentes, podem abrir algum ponto em uma infecção, não isquemiante, mais demorado e retirada ponto a ponto. Ex.: simples, donatti. 2. Pontos contínuos: mais rápido, mais hemostático, mais isquemiante, esteticamente não tão bom. Ex.: chuleio contínuo, chuleio ancorado. 3. Coaptantes: simples. 4. Invaginantes ou inversantes 5. Evaginantes ou eversantes 6. Sobreposição Como fazer sutura ● Distância regular e segura de entrada e saída da agulha em relação às bordas da FO. ● Distribuir pontos com espaçamento uniforme. ● Evitar nós sobre a linha de cicatrização. ● Cortar fio a uma distância segura do nó. ● Escolher corretamente o fio (calibre, tipo de sutura). ● Tracionar o ponto apenas o suficiente para adequada aproximação dos bordos.