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1 Ketlin T. Sauer ATM 2024.2 MEDICAMENTOS INALATÓRIOS NEBULIZAÇÃO Gera aerossóis a partir de uma solução líquida. No copinho vai soro fisiológico com medicações diluídas. Há um fluxo de gás que atravessa o líquido e aerossoliza a solução gerando o “bafinho” da nebulização. No hospital pode se utilizar o oxigênio e o ar comprimido para fazer a nebulização. Não existe diferença no sentido de desfecho um ou outro. A maior diferença é o valor mais alto do oxigênio e consegue tratar hipoxemia concomitantemente. É muito importante cuidar o fluxo do gás, pois quanto maior o fluxo menor serão as partículas do aerossol e obviamente o contrário. Se for muito grande o aerossol irá batendo na via aérea e não será completamente inalado. Quando for muito pequeno o aerossol entra e sai sem ser absorvido. Por isso, é preciso um tamanho adequado do aerossol para que ele fique no lugar necessário, sendo o fluxo ideal sugerido de 6-8 L/min. Medicações que podem ser utilizadas via nebulização: SABA, SAMA, ICS e fora do BR ainda tem LABA e LAMA. CLASSES DE MEDICAÇÕES INALATÓRIAS QUE EXISTEM SABA: beta 2 de curta duração. Salbutamol, fenoterol e terbutalina. SAMA: anticolinérgico de curta duração. Ipratrópio. LABA: beta de longa duração. Formeterol, Salmeterol, Vilanterol, Olodaterol, Indacaterol. LAMA: anticolinérgico de longa duração. Tiotrópico, Umeclidíneo, Glicopironio, Aclidíneo. CI (ICS): corticoide inalatório. Beclometasona, Budesonida, Ciclesonida, Fluticasona, Mometasona. AEROSSOL DOSIMETRADO / MDI (INALADOR DE AEROSSOL DOSIMETRADO) / “BOMBINHA” Sacudir por 5 segundos, com a boquinha pra baixo, posicionar o “dedão” embaixo e indicador e médio em cima (se não tem confiança com uma mão só pegar com as duas), ficar uns 5cm fora da cavidade bucal do paciente para não grudar muita medicação na garganta (muito difícil que o paciente coordene o acionamento da bombinha com a inalação mantendo fora da boca). Então para minimizar os erros orientar firmar com os dentes a bombinha, “abocanhar” e coordenar a inspiração com o acionamento. Após inspiração fazer uma apnéia de 6-10s. Quando aciona o dispositivo a medicação já é liberada. Aerocâmara (Espaçador): a técnica inalatória é a mesma. Pode ser feita mais de uma inspiração e apnéia em um jato, pois o medicamento fica retido no espaçador. *Para cada inalação da medicação é UM acionamento da medicação. PÓ SECO/DPI Medicações e dispositivos foram patenteados pelos laboratórios. É preciso que o paciente aspire a medicação para ela ser liberada. Turboraler Aerocaps 2 Ketlin T. Sauer ATM 2024.2 Diskus Elipta: 120 doses. Medicação é dispensada só no momento de inalação promovido pelo paciente. Em pó seco não temos broncodilatação de curta (beta e anti de curta) só tem ICS, LABA, LAMA. **Paciente com DPOC grave não tem força de chupar um dispositivo de pó seco então usa o MDI SMI (SOFT MIST INHALER/NÉVOA SUAVE) É a maneira mais moderna de utilizar a medicação inalatória. Só há um dispositivo que faz a dispensa do medicamento que é o Respimat. Na primeira vez que irá preparar o dispositivo para utilizar nos próximos 30 dias, acopla-se o Patroon dentro do dispositivo inserindo-o tudo pela tampinha de plástico transparente e após acopla-se a tampinha. O acionamento é feito girando 180º a base do dispositivo até um “track” e após abre a tampa e aperta o gatilho (D). LABA e LAMA. ASMA Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas (sinônimo de inflamação), na qual muitas células e elementos tem participação. A inflamação crônica está associada à hiperresponsividade das vias aéreas (diante do estímulo de alguma coisa haverá uma resposta exagerada que levará aos sintomas da doença), que leva a episódios recorrentes de sibilos, dispneia, opressão torácica e tosse, particularmente à noite ou no início da manhã. Esses episódios são uma consequência da obstrução ao fluxo aéreo intrapulmonar generalizada e variável (é uma doença que cursa com distúrbio ventilatório obstrutivo/limitação do fluxo de ar e essa limitação é variável ao longo do tempo, portanto pacientes asmáticos podem ter espirometria normal em período tranquilo da doença e em outros não), reversível espontaneamente ou com tratamento (podemos retirar a causa alérgica). EPIDEMIOLOGIA Prevalência mundial crescente/atualmente estima-se 7-10%. Há a teoria de que cada vez menos estamos nos expondo menos aos agentes, “síndrome da criança limpinha”. Prevalência no BR 10%. • 20 milhões de asmáticos • 150-200 mil hospitalizações/ano • 5-8 óbitos/dia FATORES DE RISCO Como toda doença crônica sempre há uma interação entre fatores genéticos e endógenos. 3 Ketlin T. Sauer ATM 2024.2 FISIOPATOLOGIA A exposição aos alérgenos estimula a resposta linfocítica Th1 que confere imunidade sem disparar mecanismo de alergia. Não se expondo a essas situações e tendo predisposição genética, tardiamente a exposição provocará aumento de resposta de linfócitos Th2 que liberam citocinas que promovem liberação de mastócitos e consequentemente ativando liberadores de histamina. Pacientes com asma já possuem via aérea inflamada cronicamente. Entrando em contato com alérgenos específicos exacerba a inflamação e ocasiona a contração da musculatura lisa bronquica (broncoconstrição/broncoespasmo). O tratamento serve para reduzir a inflamação crônica e amenizar a agudização da inflamação, ou seja, o broncoespasmo. DIAGNÓSTICO É eminentemente clínico, conforme a história clínica sugestiva de asma (episódios recorrentes de falta de ar, tosse, sibilância e aperto no peito) que acontecem durante a noite ou início da manhã ou desencadeado por gatilhos (infecções virais, alérgenos, fumaça, odores, mudanças climáticas, estresse...). Para confirmar a doença é preciso documentar a característica funcional da asma (limitação variável ao fluxo de ar, ou seja, a obstrução reversível do fluxo de ar). Documenta-se com: • Epirometria: limitação reversível ao fluxo de ar. Paciente com distúrbio ventilatório obstrutivo que faz broncodilatador e após a espirometria normaliza. Espiro com marca registrada de normalização da espiro após o broncodilatador. • Peak Flow: variação diurna do pico de fluxo expiratório (fluxo máximo inspiratório). Mede 2-3x/dia por 7-10 dias registrando o fluxo e os horários. Se houver variação de 20% entre o maior e o menor pico de fluxo isso é uma alteração significativa que há uma limitação variável do fluxo de ar. • Broncoprovocação: hiper-responsividade brônquica. Muita atenção, pois o paciente só pode fazer esse se tem espirometria normal. Provoca-se um broncoespasmo no paciente. Objetivo é medir o VF1 do paciente. Após nebulização com soro e espirometria segue-se então nebulizações sequenciais com metacolina intercaladamente com espirometria até que o VF1 reduza 20% ou se chega ao limite do teste (8mg/mL). 4 Ketlin T. Sauer ATM 2024.2 • Outros exames: Afastar diagnósticos alternativos → RX tórax: asmático tem ele NORMAL. Auxiliar no diagnóstico de alergia → Testes cutâneos por puntura (prick test)- não é muito utilizado; IgE sérica total e específica; Eosinofilia no plasma e no escarro induzido. Medir atividade inflamatória na via aérea → óxido nítrico exalado (FENO) auxilia muito no controle da doença, pois quando está muito elevada é sinal de que a doença não está muito controlada. TRATAMENTO O grande objetivo é controlar a doença. Controle atual da doença: reduzir sintomas, necessidade de medicação de resgate, permitir que o paciente faça atividades diárias, função pulmonar normal. Controle futuro da doença: reduzir o número de exacerbações, instabilidade da doença, nãopermitir que o paciente perca a função pulmonar (asma não tratada gera cicatriz- remodelamento brônquico- o que provoca a perda de capacidade de dilatar e contrair do brônquio gerando uma limitação fixa de fluxo de ar), minimizar possíveis efeitos adversos das medicações. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO • Corticoesteróides inalatórios: É a medicação mais importante no tto do paciente asmático. Todo paciente asmático DEVE usar um. São potentes antiinflamatórios e são administrados via MDI e DPI com início de ação após alguns dias com platô de 2 meses mais ou menos; Efeitos colaterais rouquidão e monilíase oral (“sapinho”). • Beta-2 agonistas: Relaxam musculatura lisa; SABA: salbutamol, fenoterol; LABA: formoterol, salmeterol, indacaterol, vilanterol, oloterol; Adminitração via MDI, DPI e SMI. Início de ação 3- 30min; Efeitos colaterais: palpitações, tremores. • Anticolinérgicos: Relaxam musculatura lisa e reduzem secreção mucosa; aumenta a pressão intraocular. Cuidar com pacientes com glaucoma; Relaxam a musculatura lisa e reduzem a secreção mucosa; Curta duração (SAMA): ipratropio; Longa ação (LAMA): tiotrópio, glicopirrônio, umeclidinio, aclidinio; Administrados via MDI, DPI e SMI; Efeitos colaterais: boca seca, retenção urinária (prostáticos), glaucoma (idosos). • Anticorpos monoclonais: Pacientes com asma grave e não controlada. Anti-IgE (Omalizumabe); Anti-IL-5 (Benralizumabe, mepolizumabe, reslizumabe); Anti-receptor de IL- 4 (Dupilumabe). • Antileucotrienos: Montelucaste, zafirlucaste; boa tolerância, mas baixa eficácia; interessantes nos pacientes com rinite alérgica associada; aumenta risco de suicídio. • Xantinas: Aminofilina, Reofilina, Bamifilina; baixo poder broncodilatador/pouco usados. • Estabilizadores de membrana de mastócitos: Cromoglicato, Nedocromil; pouco efetivos/pouco usados. 5 Ketlin T. Sauer ATM 2024.2 TRATAMENTO INICIAL Uma vez que se fez o diagnóstico a escolha do medicamento depende da manifestação clínica do paciente. Se sintomas na maioria dos dias ou com função pulmonar muito ruim começa já com mais medicação. Como regra geral o paciente deve usar um corticóide inalatório (em dose média alta +beta- 2 longa OU dose baixa + beta-2 longa OU dose baixa ICS). Como avaliar se ele usará o mesmo remédio, mais ou menos remédio? Devemos avaliar o controle da doença. A asma é uma doença variável com o passar do tempo e baseado no controle da asma do paciente verificá-se a necessidade de usar mais ou menos medicação para atingir os objetivos do tratamento. Avalia-se por algumas ferramentas, se não está controlada vai incrementando medicação e o contrário caso esteja controlada. STEP 1: medicação conforme necessidade; STEP 1 e STEP 2 → asma leve; STEP 3 → asma moderada; STEP 4 e STEP 5 → asma grave. *NÃO existe mais paciente que SÓ usa salbutamol: atualmente é ICS + dose baixa de salbutalmol. Step Up pode fazer com maior frequência. Step Down a cada 2-3 meses com asma controlada. Se descompensou encontrou-se a dose mínima para controlar a doença. Se não descompenosu “baixa” o step. PLANO DE AÇÃO Aqui o que se quer é que o paciente permaneça na área verde. TRATAMENTO COMPLEMENTAR É preciso educar o paciente para auto-manejo: auto-monitoramente, plano de ação por escrito, revisões regulares. Evitar tabagismo ativo e passivo. Tratar comorbidades: rinite alérgica/rinossinusite, obesidade, DRGE, SAOS, ansiedade. Identificar exposições domiciliares e ocupacionais: alérgenos, mofo, umidade, produtos químicos. Evitar medicações que possam piorar sintomas e o controle: AAS, AINEs, beta-bloqueadores (menos comum, mas especialmente os não seletivos em alguns pacientes atrapalham o controle da doença). Incentivar prática de atividade física regular. Orientar vacinações anti-influenza e anti- pneumococo (13 e 23). Considerar SLIT (imunoterapia sublingual para dessensibilização para algum tipo de alérgeno). CRISE DE ASMA Preferencialmente entrega-se o plano de ação por escrito ao paciente, contudo, na maior parte das vezes orienta-se apenas verbalmente e é suficiente. O plano de ação deve ser instituído em piora sintomática ou o pico de fluxo reduzir 20% do melhor pico de fluxo do paciente por pelo menos dois dias seguidos. Plano ação: aumento das medicações respiratórias tanto de controle como de resgate + usar mais broncodilatador de resgate. Se não percebeu melhora da doença ou resolução de sintomatologia em 48h deve administrar corticoesteróide oral. Se o pico de fluxo continuar diminuindo em torno de 50%. Se mesmo assim não melhorar com as medidas que está orientado a fazer procurar a emergência. Nesse momento o profissional irá avaliar a gravidade da crise por meio da tabela do quadro 11. O tto é com broncodilatação de curta duração (SABA e SAMA) e corticoterapia sistêmica + oxigenoterapia + sulfato de magnésio (nos casos refratários|muito grave). Avaliar a resposta terapêutica ao manejo: boa resposta (SpO2>95% e PDE>70% do basal do paciente) → todo paciente com asma atendido e com melhora deve ser liberado com corticóide sistêmico + step up terapêutico para casa !!!. Se resposta parcial deve ser INTERNADO. A manutenção de critérios de crise muito grave ou deteriorzação progressiva após manejo inicial → internação em UTI. 6 Ketlin T. Sauer ATM 2024.2 7 Ketlin T. Sauer ATM 2024.2 8 Ketlin T. Sauer ATM 2024.2