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Exames de imagem e cardiologia Só para não ficar gigantesco de uma vez, deixo a estrutura de alguns que você vai usar muito. 3.1. Radiografia de tórax (RX) ● Categoria: imagem estrutural básica. ● Pergunta: há pneumonia, edema pulmonar, derrame, pneumotórax, aumento de área cardíaca? 3.2. Ultrassom de abdome ● Categoria: imagem estrutural. ● Pergunta: há cálculos (vesícula, vias biliares), dilatação de vias, ascite, massas abdominais? 3.3. Eletrocardiograma (ECG) ● Categoria: exame eletrofisiológico. ● Pergunta: há isquemia, infarto, arritmia, distúrbios de condução, alterações eletrolíticas? 3.4. Troponina ● Categoria: marcador de necrose miocárdica. ● Pergunta: há dano agudo ao miocárdio (IAM, miocardite)? 3.5. BNP / NT-proBNP ● Categoria: marcador de insuficiência cardíaca. ● Pergunta: dispneia é mais provavelmente de origem cardíaca (IC)? PARTE 2 – EXAMES DE IMAGEM E CARDIORESPIRATÓRIOS 2.1. Radiografia de tórax (RX de tórax) ● Categoria: Imagem estrutural básica ● O que avalia: ○ Parênquima pulmonar (infiltrados, consolidações, massas, nódulos). ○ Campos pulmonares (hiperinsuflação, atelectasias). ○ Pleura (derrame pleural, pneumotórax). ○ Silhueta cardíaca (tamanho global, não detalha valvas). ○ Mediastino (alargamento, massas grossas). ● Pergunta clínica que responde: ○ Há pneumonia? ○ Há edema agudo de pulmão? ○ Há derrame pleural? ○ Há pneumotórax? ○ Há aumento grosseiro do coração? ● Principais indicações: ○ Dispneia, tosse, febre, dor torácica. ○ Suspeita de pneumonia, IC, DPOC, TEP (ajuda, mas não exclui). ○ Trauma torácico. ○ Avaliação pré-operatória em alguns contextos. ● Limitações / armadilhas: ○ Pode ser normal em fases iniciais de pneumonia ou TEP. ○ Não substitui TC quando a suspeita é grave e o RX está “limpo”. ● Exemplo de prova: ○ Paciente com dispneia + estertores + RX com infiltrado alveolar bilateral em “asas de borboleta” → edema agudo de pulmão por IC. 2.2. Eletrocardiograma (ECG) ● Categoria: Exame eletrofisiológico ● O que avalia: ○ Ritmo cardíaco (sinusal, fibrilação atrial, taquicardias). ○ Condução (BAV, bloqueios de ramo). ○ Sinais de isquemia / infarto (supradesnível de ST, infra, ondas Q patológicas, T invertida). ○ Sobrecargas de cavidades. ○ Alterações por eletrólitos (hiper/h hipocalemia) e fármacos. ● Pergunta clínica: ○ Há arritmia? ○ Há sinais de SCA (síndrome coronariana aguda)? ○ Há bloqueio de condução importante? ● Principais indicações: ○ Dor torácica, palpitação, síncope, dispneia. ○ Monitorização em UTI, uso de drogas que prolongam QT, eletrólitos alterados. ● Limitações / armadilhas: ○ ECG normal não exclui SCA, principalmente em dor recente. ○ Alterações crônicas podem confundir (ex.: bloqueio de ramo prévio). ● Exemplo de prova: ○ Homem de 60 anos, dor torácica típica + ECG com supradesnível de ST em derivações contíguas → pedir troponina e conduzir como IAM com supra. 2.3. Troponina ● Categoria: Marcador de necrose miocárdica ● O que mede: ○ Proteína específica do músculo cardíaco, liberada quando há dano celular (necrose). ● Pergunta clínica: ○ Há necrose miocárdica aguda (infarto, miocardite)? ● Principais indicações: ○ Dor torácica com suspeita de SCA. ○ Dispneia + risco de IC ou SCA. ● Como costuma vir alterada: ○ Elevação acima do limite, com curva de subida e/ou queda → infarto agudo, se contexto for compatível. ● Limitações / armadilhas: ○ Também pode elevar em: TEP, sepse, insuficiência renal, taquiarritmias sustentadas, miocardite. ○ Uma troponina isolada, sem clínica, não define infarto. ● Exemplo de prova: ○ Paciente com dor torácica típica + ECG sem supra + troponina elevada → SCA sem supra (IAM sem supra ou angina instável, conforme curva e sintomas). 2.4. BNP / NT-proBNP ● Categoria: Marcador de insuficiência cardíaca ● O que mede: ○ Peptídeos natriuréticos liberados pelos ventrículos quando há aumento de pressão/volume. ● Pergunta clínica: ○ A dispneia desse paciente é mais provável de origem cardíaca (IC descompensada)? ● Principais indicações: ○ Dispneia aguda quando há dúvida entre causa cardíaca x pulmonar. ● Como costuma vir alterado: ○ Valores altos apoiam diagnóstico de IC descompensada. ○ Valores muito baixos praticamente afastam IC como causa da dispneia. ● Limitações / armadilhas: ○ Pode elevar em DRC, sepse, idosos, FA. ○ Não é exame “para rastrear” IC em qualquer pessoa sem sintomas. 2.5. Ecocardiograma transtorácico (ECO) ● Categoria: Imagem funcional cardíaca (ultrassom) ● O que avalia: ○ Função sistólica e diastólica (fração de ejeção). ○ Valvas (estenoses, insuficiências). ○ Tamanho das câmaras. ○ Derrame pericárdico. ○ Pressão estimada em artéria pulmonar. ● Pergunta clínica: ○ Como está a função do coração? ○ Há valvulopatia significativa? ○ Há derrame pericárdico importante? ● Principais indicações: ○ IC, sopros cardíacos, suspeita de valvulopatia, avaliação de pós-IAM, pericardite. ● Limitações / armadilhas: ○ Janela acústica ruim em obesos, DPOC grave. ○ Depende da experiência do examinador. ● Exemplo de prova: ○ Paciente com dispneia crônica, edema de MMII, crepitações + ECO com FEVE reduzida → IC sistólica. 2.6. Provas de função pulmonar (espirometria) ● Categoria: Teste funcional respiratório ● O que avalia: ○ Volumes e fluxos pulmonares (VEF1, CVF, relação VEF1/CVF). ○ Resposta ao broncodilatador. ● Pergunta clínica: ○ O padrão é obstrutivo (asma, DPOC) ou restritivo (fibrose, deformidades)? ● Principais indicações: ○ Diagnóstico e acompanhamento de asma e DPOC. ○ Avaliação pré-operatória em cirurgias de grande porte em pacientes com doença pulmonar. ● Limitações / armadilhas: ○ Depende da colaboração do paciente. ○ Não serve em situações agudas graves (dispneia intensa no PS). ● Exemplo de prova: ○ VEF1/CVF reduzida + aumento de VEF1 após broncodilatador → asma.