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Abordagem dinamicista do controle motor Teorias do Controle Motor O resultado da aplicação destes conceitos, seus métodos, protocolos experimentais e modelos formais, é um design radicalmente novo das atividades do sistema motor. Trata-se de um consenso que dispomos, hoje, de uma nova bateria de protocolos, de novos modelos teórico-matemáticos e de sistemas de simulação computacional para investigar os mecanismos subjacentes à emergência de padrões em sistemas complexos. Esta perspectiva baseia-se no estudo geral da formação de padrões dinâmicos em sistemas complexos, nas noções e nos princípios de emergência, acoplamento, processos de interação não-lineares, auto-organização e caos. Segundo este novo design, o movimento é um padrão auto-organizado espaço-temporalmente que emerge da interação de diversos parâmetros acoplados - parâmetros físicos, biológicos e culturais. Os aspectos teóricos do modelo dinamicista são pouco difundidos no ambiente da fisioterapia. Entretanto, diversas estratégias utilizadas na prática fisioterapêutica parecem subsidiadas nestes aspectos. É conhecido o benefício da utilização de pistas sensoriais no processo de reabilitação de pacientes com doença de Parkinson. Implicações clínicas A teoria reflexa explica os mecanismos e as circuitarias envolvidas no nível mais elementar do comportamento motor, por meio das quais são implementadas as sub-rotinas dos programas motores. Um aumento de complexidade de movimentos é descrito como o resultado do encadeamento das unidades reflexas, controladas pelos programas motores. Isto explica como são possíveis respostas reflexas diferenciadas para um mesmo estímulo. A abordagem ecológica, que tem em Bernstein seu mais notável representante, baseia-se em princípios de coerções que cooperam sistematicamente na construção do movimento. A tese dinamicista representa uma radicalização da perspectiva ecológica, e sugere que a ação motora é um fenômeno emergente que resulta de parâmetros densamente acoplados. A representacionalista tende a desconsiderar a influência de variáveis externas sobre o comportamento motor, e elege o sistema nervoso como o principal determinante deste comportamento. A abordagem ecológica enfatiza a aquisição de novas habilidades como resultado de influência direta de parâmetros ambientais. As diversas estratégias terapêuticas que examinamos baseiam seus programas nestes dois grandes grupos teóricos, considerados divergentes, e por muitos especialistas, excludentes. Conclusão