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Mediadores Eicosanoides Eicosanoide origina-se da raiz grega que significa vinte, e refere-se a moléculas de 20 carbonos derivadas da oxigenação do ácido araquidônico. O ácido araquidônico é o precursor comum da maioria dos eicosanoides. Sua biossíntese ocorre a partir do ácido linoleico (um ácido graxo essencial). Ácido α-linolênico, AEP e ADE são também denominados ácidos graxos ômega-3 No interior da célula, o ácido araquidônico não existe como ácido graxo livre; em vez disso, é Esterificado e existe na forma de fosfatidilcolina e Fosfatidiletanolamina. Ele é liberado dos fosfolipídios celulares pela enzima fosfolipase A2. Essa importante reação, que representa a primeira etapa na cascata do ácido araquidônico, constitui a fase que determina a velocidade global no processo de produção dos eicosanoides. Os glicocorticoides não possuem a capacidade de inibir diretamente a fosfolipase A2, eles atuam ao induzir a síntese de lipocortinas, família de proteínas reguladoras da fosfolipase A2. Uma delas, a anexina I, medeia algumas ações anti-inflamatórias dos glicocorticoides. O ácido araquidônico intracelular não esterificado é convertido pelas enzimas ciclo-oxigenase, lipooxigenase ou epoxigenase do citocromo; a enzima envolvida é que determina a classe específica de eicosanoides locais produzidos. Via da ciclo-oxigenase Nos seres humanos, são encontradas duas isoformas da ciclo-oxigenase, designadas como COX-1 e COX-2. Cada ciclooxigenase catalisa duas reações sequenciais. A primeira, a etapa da ciclo-oxigenase, transforma ácido araquidônico em prostaglandinas G2 (PGG2) e a segunda etapa, a etapa da peroxidase, é a redução da PGG2 em prostaglandina H2. COX-1 e COX-2 produzem conjuntos distintos de produtos eicosanoides, envolvidos em diferentes vias e funções. COX-1 atua em atividades fisiológicas ou de manutenção, tais como: hemostasia vascular, função plaquetária e antitromgênica, manutenção do fluxo sanguíneo renal e grastrointestinal, função renal e na proliferação da mucosa intestinal. A COX-2 ela exerce funções especializadas, devendo ser ativadas quando necessário, essas funções incluem: inflamação, febre, dor, trnsdução de estímulos dolorosos na medula espinal, mitogênese, adaptação renal ao estresse, deposição dos ossos trabeculares, ovulação, placentação e contrações uterinas no trabalho de parto. Prostaglandinas As prostaglandinas são divididas em três subséries principais: PG1, PG2 e PG3. As plaquetas, por apresentar grande numero de enzimas tromboxano sintase, têm como principal produto eicosanoide o TxA2, potente vasoconstritor e também promotor de adesividade e agregação plaquetárias, que tem uma meia-vida muito curta de cerca de 10 a 20s, se transformando em TxB2, sua conformação inativa. O epitélio vasculas, por expressar grande quantidade de enzimas prostaciclina sintase, tem como principal eicosanoide a PGI2 que atua como vasodilatador, venodilatador e inibidor da agregação plaquetária. O equilíbrio local entre níveis de TxA2 e de PGI2 é crítico na regulação da pressão arterial sistêmica e na trombogênese. Via da lipo-oxigenase Acarreta a formação de leucotrienos e lipoxinas. Três lipo-oxigenases, 5-lipo-oxigenase, 12-lipo-oxigenase e 15-lipo-oxigenase, constituem as principais isoformas da LOX. Leucotrienos Os cisteinil leucotrienos (LTC4 e LTD4), causam vasoconstrição, broncospasmo e aumento da permeabilidade vascular. São responsáveis pela hiper-reatividade a estímulos e à contração das vias respiratórias e do músculo liso vascular que ocorrem nos processos asmáticos, alérgicos e de hipersensibilidade. São mediadoreschave na doença vascular e, provavelmente, essenciais na aterosclerose, na obesidade e na asma. Lipoxinas As lipoxinas LXA4 e LXB4 modulam as ações de leucotrienos e citocinas e são importantes na resolução da inflamação. as lipoxinas podem atuar como sinais contrarreguladores ou reguladores negativos da ação dos leucotrienos. As lipoxinas interrompem a quimiotaxia, a adesão e a transmigração dos neutrófilos através do endotélio (ao diminuir a expressão da P-selectina), limitam o recrutamento dos eosinófilos, estimulam a vasodilatação (ao induzir a síntese de PGI2 e PGE2), inibem a vasoconstrição provocada por LTC4 e LTD4, impedem os efeitos inflamatórios do LTB4 e, por fim, frustram a função das células NK. Como a produção de lipoxinas parece importante para o desaparecimento da inflamação, o equilíbrio na homeostasia de lipoxinas e leucotrienos pode constituir fator-chave na patogenia da doença inflamatória. Via das epoxigenases A via da epoxigenase é importante nos tecidos que não expressam COX ou LOX, como certas células do rim. Isoprostanos Durante o estresse oxidativo, os isoprostanos aparecem no sangue em níveis muito mais elevados do que os produtos da ciclo-oxigenase, sendo potentes vasoconstritores. Como sua velocidade de formação depende de condições de oxidação celular, os níveis de isoprostanos podem indicar estresse oxidativo em uma gama de condições patológicas. Os níveis urinários de isoprostanos são utilizados como biomarcadores de estresse oxidativo em síndromes isquêmicas, lesão de reperfusão, aterosclerose e doenças hepáticas. Esquema integrado da inflamação Leucotrienos e lipoxinas, bem como tromboxanos, prostaglandinas e prostaciclinas, são críticos na produção, manutenção e mediação das respostas inflamatórias. A cascata inflamatória é desencadeada quando células em determinada região são expostas a substância estranha ou lesionadas. Essa agressão estimula uma cascata local de citocinas (incluindo interleucinas ou TNF), que aumenta os níveis de mRNA da COX-2 e de enzimas. A seguir, a COX-2 facilita a produção dos eicosanoides pró- inflamatórios e vasoativos. As concentrações localmente elevadas de PGE2, LTB4 e cisteinil leucotrienos promovem acúmulo e infiltração de células inflamatórias por meio de aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade vascular. Com a agregação de inúmeras células inflamatórias, são desencadeadas vias de biossíntese transcelulares para produzir eicosanoides. Na biossíntese transcelular, os intermediários eicosanoides são doados de um tipo de célula para outro, suscitando maior diversidade de mediadores químicos locais. Isso demonstra a importância da adesão celular e da interação entre células nas respostas inflamatórias e imunes. Existem mecanismos de retroalimentação para garantir que a resposta inflamatória não prossiga sem controle. As lipoxinas ajudam a resolver a inflamação e a promover o retorno de tecidos, órgãos e organismo a seu estado de homeostasia. Os eicosanoides derivados de COX-2 também podem atuar na cicatrização e resolução de feridas. Por conseguinte, a sequência cronológica dos eventos é de suma importância para uma resposta inflamatória organizada. A PGE2 inibe as funções dos linfócitos B e T e das células NK, enquanto o LTB4 e os cisteinil leucotrienos regulam a proliferação das células T. PGE2 e PGI2 são potentes sensibilizadores para dor, enquanto lipoxinas reduzem a nocicepção. Esses fatores medeiam e regulam de modo coordenado a transição da inflamação da forma aguda para a crônica.