Prévia do material em texto
AULA 1 CIM – COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Prof. Alexandre Correia dos Santos 2 INTRODUÇÃO Nosso grande desafio é integrar formas e ferramentas de comunicação para aumentar os pontos de contato entre a nossa marca e o público-alvo, promovendo uma conversação entre estas partes, objetivando o consumo. Conhecer os hábitos do consumidor e estabelecer estratégias e mensagens que promovam produtos ou serviços por meio da integração e do uso das melhores alternativas de mídia torna o profissional de comunicação protagonista deste desafio. Neste primeiro momento, faremos um rápido resgate do conceito de comunicação integrada de marketing; compreenderemos as novas experiências que vivemos como indivíduos comunicacionais inseridos em uma sociedade extremamente conectada. Em seguida, começaremos a discutir a prática e o uso das ferramentas, definições de mídia e as escolhas das melhores estratégias e táticas de comunicação. Vamos entender como a propaganda, as relações públicas, a promoção de vendas e o merchandising se imbricam para fazer da comunicação integrada de marketing uma excelente opção de comunicação promocional. TEMA 1 – O RESGATE DA COMUNICAÇÃO INTEGRADA Pensar sobre comunicação integrada de marketing é basicamente voltar mais de quarenta anos no tempo. Sim! Não é uma nova área de estudos ou negócios. Pensada na década de 1980, a comunicação integrada já tinha na sua origem a multidisciplinaridade como fator articulador das diferentes áreas estratégicas e competências comunicacionais, por meio dos esforços de propaganda, promoção de vendas, das múltiplas relações públicas com o suporte do merchandising. São estes esforços que, quando juntos e bem articulados, devem dar como respostas resultados importantes para o planejamento de marketing. Aqui, um lembrete relevante: a comunicação e todas suas formas e ferramentas são caudatárias do marketing e da economia. Ou seja, devemos pensar a comunicação social (e suas grandes áreas, como a publicidade e propaganda) como suporte de divulgação e/ou de promoção das estratégias de mercado. Isso torna a comunicação integrada de marketing imperiosa para o sucesso na divulgação de informações de marcas (produtos e serviços) para todo o mercado consumidor. 3 Agora que entendemos que a comunicação está a serviço do marketing, devemos concordar que vivemos novos tempos. Assim, esta estratégia retorna à cena empresarial com novos conceitos, novas aplicações, sob múltiplos formatos e plataformas. Isto dá-se porque o mundo evoluiu, trazendo a reboque a evolução dos meios de comunicação, da mídia e – principalmente – do consumidor, que também mudou completamente seus hábitos e cultura de compras. Todavia, os processos comunicacionais não perderam sua importância para a sociedade, para as marcas e instituições na relação produção/consumo, porque a propaganda ou a promoção de vendas não mudaram suas propostas persuasivas ou de convencimento, as relações públicas continuam com o seu consagrado modelo de “mão dupla” dos interesses das organizações junto aos meios de comunicação, e o merchandising é uma prática cada vez mais conhecida e importante na divulgação, seja ela institucional ou promocional. Como pontua Limeira (2009), muitas teorias envelhecem e perdem sua capacidade de explicar os fatos e comportamentos que observamos hoje. Outras, no entanto, continuam válidas para explicar acontecimentos atuais. Assim, falando diretamente de estratégia, defendemos que uma pizzaria -– por menor que seja, por exemplo – deve, sim, ter presença online (ainda que seja um site básico, estático), mas deve também continuar distribuindo o velho e bom ímã de geladeira, uma vez que, não raro, muitos recorrem a esse formato de promoção e divulgação para ter sua marca lembrada. Em outras palavras, as marcas e organizações devem recorrer aos mais variados e modernos recursos e ferramentas comunicacionais, sem esquecer das mais tradicionais (ou básicas) formas de chamar a atenção dos consumidores, independentemente do negócio, do mercado ou do budget1 disponível para campanha ou comunicação. Devemos chamar a atenção, aumentar a percepção dos clientes em relação à nossa marca. Vale lembrar que quando analisamos o cenário da década de 1980 – especialmente no Brasil –, vivíamos uma fase de pós-ditadura, de arrefecimento de uma inflação avassaladora e de diretas-já. No mundo, víamos uma tendência de mudanças da política de produção – para o consumo – para assim iniciar a etapa de produção dos bens para a compra, fenômeno que fez com que a promoção e a divulgação ganhassem proporções importantes nesse processo, tornando a propaganda protagonista na conversação das marcas com os clientes. 1 Budget em propaganda e publicidade assume um caráter de verba, de orçamento disponível para campanha. 4 Autor de uma das teorias mais importantes (e vigentes) do marketing – os 4Ps (produto, preço, praça e promoção), McCarthy (1976) pondera que o marketing é uma resposta do empresariado às demandas do consumidor, por meios dos ajustamentos diretos nos meios de produção. Assim, tal conceito assume um papel garantidor de que a produção seja escoada e de alguma forma apresentada ao cliente, o qual será estimulado ao consumo. Contudo, essa complexa estrutura não é de forma alguma garantidora de que os clientes irão naturalmente consumir determinada marca, produto ou serviço. Portanto, fica claro também que os consumidores são seres falíveis, que têm o livre arbítrio como norteador de sua escolha (ou não) em suas compras e consumo. Para Kotler (1980), o marketing é a atividade humana dirigida para a satisfação das necessidades e desejos, por meio dos processos de trocas. Logo, se fizermos uma rápida análise desse conceito, a verdadeira razão de qualquer empresa é, por meio de seus produtos2, satisfazer os cliente. Se isto ocorrer, se o cliente estiver completamente satisfeito (em seus desejos e/ou necessidades) e se todas as etapas da construção dessa entrega foram acertadas, o resultado direto será representado pelo lucro. Assim, todas as partes ou agentes dessa reação estarão satisfeitos, com seus objetivos plenamente atingidos. TEMA 2 – A RECONFIGURAÇÃO DA EXPERIÊNCIA No seu início, poderíamos conceituar as mídias como estruturas fechadas em si, mas o que vivenciamos hoje é que estes meios têm claras aplicações técnicas para, segundo seus usos, se transformar em infinitas possibilidades de interação social, modificando inclusive relações largamente estudadas e compreendidas, como espaço e temporalidade. Dentro deste escopo, devemos pensar a internet como exemplo de mídia de convergência estritamente técnica (que alia texto, som e imagem) e que conta com diferentes possibilidades de interação (cuidado com o determinismo do conceito), transformando-se também em uma ambiência que transforma seus conteúdos e informações em verdadeiras experiências sociológicas. Quando falamos em cuidar com determinismo, é para não incorrer na falha da conceituação rasa: interação tem múltiplos sentidos e formas para diferentes áreas do conhecimento. Para a psicologia, interação assume uma forma; para a 2 Quando falamos em produtos, subentende-se os produtos e suas derivações: serviços, bens, material, imaterial etc. 5 análise de sistemas, outra completamente diferente, e para a comunicação, como formas e processos comunicacionais. Braga (2011) justifica que a comunicação conta com dispositivos interacionais: matrizes elaboradas na prática social justificam (e viabilizam) episódios interacionais e são tensionados por estes. Além disto, a rede (internet) serve ainda como norte ou parâmetro para diferentes meios, uma vez que suas aplicações vêmservindo como indicadores para os antigos meios de comunicação de massa se reestruturarem, buscarem novos caminhos, ajustarem suas condutas, formas e meios de comunicar. Os próprios conceitos comunicacionais, como já vimos, estão sofrendo modificações e atualizações constantes pelas novas possibilidades e perspectivas de relações identitárias entre os sujeitos. Sodré (2002) infere sobre as novas tecnologias como modos que transformam a pauta normal em direção a uma qualificação virtualizante da vida. O autor ainda conceitua como ‘revolução da informação contemporânea’ a capacidade que temos em acumular dados, transmiti-los e fazê-los circularem (ibidem). É exatamente esse processo de produção, acúmulo, transmissão e compartilhamento que propicia a chamada ‘cultura da midiatização’. Assim, podemos desenvolver novas formas de saber e pensar. O que percebemos é uma afetação da ordem social, segundo aspectos mercadológicos e tecnológicos. Podemos verificar, assim, que há hoje uma forte tendência de mistura entre as velhas e boas mídias tradicionais ou analógicas com os suportes digitais. Dispositivos já usados em larga escala como o GPS, as smart TVs e os celulares, que misturam diferentes tecnologias para servir aos intentos do usuário, deixam claro que a mídia e a comunicação estão disponíveis e explicitadas em todas as áreas. Com a disponibilidade da comunicação, os meios mais tradicionais são alcançados, fazendo com que antigas práticas, como assistir TV (que ainda é dependente de uma fixação e energia elétrica, na maioria dos casos), também pode ser veiculada em totens, celulares, tablets, veículos automotores etc. A experiência, nesse caso, acaba de ser reconfigurada. Na televisão aberta, por exemplo, podemos assistir a programas produzidos por canais ou grupos de comunicação e, na internet, podemos receber demandas de vídeos produzidos por indivíduos. Fato é que a atual audiência assiste à TV simultaneamente conectada com dispositivos móveis, talvez para complementar aquilo que assiste, interagindo com o mesmo programa em redes sociais, mudando completamente os antigos modelos de experiência. Sodré (2002) afirma 6 que na mídia tradicional ou linear prevalece uma realidade construída, sob efeito irradiativo do sujeito que construiu e produziu a informação. No digital, o usuário adentra a mídia; o tradicional é suprimido pela vivência apresentativa do virtual. O que experimentamos é – sem dúvidas – uma espécie de nova figura que se liberta dos territórios, autorizando e reforçando identidades e laços por meio de redes globalizadas. Enquanto isso, os suportes, redes e computadores ampliam a acessibilidade no tempo e no espaço enquanto dão aos usuários maior flexibilidade e controle sobre as condições de seu uso. Quando falamos dessa importante relação de tempo e espaço, podemos usar como exemplo as novas gerações de usuários que já não têm mais tempo – nem paciência – de esperar uma simples resposta via e-mail. Pouquíssimo tempo atrás, era muito comum usarmos o correio para enviar um currículo, por exemplo. Era necessário, no final de semana, comprar o melhor jornal da cidade ou do estado e, ao acompanhar com atenção os cadernos de empregos, formular currículos adaptados àquela oferta de vaga. Depois, era necessário envelopar e enviar via correio a carta para que o próprio jornal distribuísse em “caixas postais” destinadas a cada um dos clientes que ofereciam a vaga. Era comum levar pessoalmente tais documentos à editora para a distribuição nas caixas, para garantir a sua entrega. Depois, aguardava-se que um mensageiro da empresa recolhesse as cartas para levar ao RH da organização, para só então, passados mais alguns dias, receber algum retorno da empresa que ofertava a vaga. Hoje, no entanto, os mais jovens, ao enviar um e-mail ou mensagem, ficam aguardando ansiosamente pela resposta, dando (F5) para que as páginas atualizem as informações em busca de uma resposta, como se isso fosse automático. Essas mudanças influenciam sobremaneira a forma como agimos em sociedade. Vários aspectos individuais e sociais são influenciados pela mudança dessa relação tempo/espaço: os modos de sociabilidade, convivência, pertencimento do indivíduo, gestão das organizações, relações de troca, além – obviamente – da forma como administramos e estocamos esse grande volume de dados. Estes influenciam as formas de transmissão e recepção instantânea, que se tornaram grandes preocupações dos usuários, especialmente os mais jovens. Neste novo formato, o qual alguns pesquisadores chamam de bios, a mídia ganha um poder quase simultâneo, instantâneo e global, manifestado por meio das diferentes e múltiplas tecnologias da informação, e alterando completamente as formas como administramos e acolhemos os fatos do mundo, cada vez mais 7 conectado. A rápida fluidez das informações e os processos de comunicação e interatividade (como a internet) desafiam não somente os agentes organizacionais ou empresas, como também o indivíduo, resgatando a urgência de interpretações e compreensão nos estudos da comunicação social, afinal, os processos de emissão e recepção estão ganhando novos status e constantes atualizações. Outro importante aspecto é a visão e a consideração de um tempo móvel, resultado dessa midiatização cada vez mais emergente, que submete todas as audiências a uma espécie de sensações sem projeção temporal, o que distancia cada vez mais o indivíduo de uma experiência mais concreta. Hoje, a impressão que temos é que acompanhar uma novela, um documentário ou um telejornal parece ter o mesmo valor, uma vez que a internet catalisa tais sensações promovendo a interação dos indivíduos e fazendo com que “programas” tão distintos na sua forma de produção e geração se pareçam muito, ressaltando suas poucas diferenças em termos de tempo e espaço. Basta notarmos que estes exemplos, a novela, telejornal e o documentário, possuem marcos temporais completamente distintos. Os mapas das mediações proposto por Martín-Barbero (2001, p. 20), no seu contínuo esforço de analisar as relações constitutivas entre comunicação, cultura e política, ajudam a refletir sobre “novos sentidos do social e novos usos sociais dos meios” – alterando também as formas de produção e distribuição de bens e serviços. Assim, o que experimentamos é uma nova forma de produzir “confusamente associada a um novo modelo de comunicar, transformando o conhecimento em força produtiva direta” (ibidem). É preciso entender e encarar que a globalização e as transformações midiáticas estão conectadas, imbricadas. Essa capacidade de realização virtual – característica mais forte da midiatização – reconfigura identidades e práticas do fazer comunicacional. Assim, passamos a viver não mais um tempo linear, mas sim circular, em que nosso conhecimento é construído com base na negociação do reconhecimento com outros. Esse novo compreender do subjetivo ou das culturas é cada vez mais presente e mais forte nos meios de comunicação. Ao passo que a sociedade valida novas práticas, também se desfaz de outras, uma vez que os processos midiáticos reconfiguram decisivamente os modos e práticas atuais. Novos sentidos sociais para o espaço e o tempo reorganizam as culturas, seja para o trabalho, para a diversão ou para a convivência em grupo, sujeitando o indivíduo a novas experiências, tramas e formas de perceber e reagir aos processos do real. 8 TEMA 3 – A PRÁTICA DA COMUNICAÇÃO INTEGRADA Agora que entendemos a ressignificação da nossa experiência como consumidores e produtores de comunicação e percebemos a importância da compreensão dos fenômenos relacionados à comunicação integrada de marketing, vamos falar sobre a prática e o contexto organizacional. Uma das maiores dificuldades que as empresas têm é justamente desenvolver bons planejamentos queenvolvam a comunicação integrada de marketing. São diferentes motivos que indiretamente podem minar ou sabotar ações nesse sentido. Para se conseguir implantar um projeto completo de comunicação integrada, devemos respeitar alguns importantes pontos de desenvolvimento: a) Identificação do público-alvo. Ainda que básico para qualquer tipo de planejamento, o bom estabelecimento de quem é o público verdadeiro das nossas campanhas ajuda a acertar o foco das mensagens. Se atirarmos a esmo para todos os lados, perderemos força, tempo e dinheiro. b) Alinhamento dos objetivos do projeto. Todo planejamento necessita de uma meta, objetivo. Se não definirmos onde queremos chegar, qualquer lugar serve. Tais objetivos, além de nos mostrarem caminhos possíveis para o atingimento das metas, originam um “norte” para nossas ações. c) Criação do mote e mensagem. Com base nas informações levantadas acerca de tudo o que envolve o trabalho, criamos e desenvolvemos o motivo, o tema (mote) da campanha, bem como a sua mensagem. Quanto melhores forem as informações prévias, maior a chance de sucesso na construção das mensagens. d) Escolha das mídias, dos melhores canais de comunicação. Tão importante quanto criar e estabelecer as melhores mensagens, o sucesso está diretamente ligado a um bom plano de mídia, que respeite justamente os hábitos e cultura de consumo midiático dos públicos envolvidos. e) Decisão sobre o mix ferramentas de comunicação de marketing. Utilizaremos todas as ferramentas e suas táticas e estratégias? Quais as melhores práticas para estabelecer uma boa conversação com nossos clientes? São múltiplas as possibilidades de combinação de práticas que podem servir para o nosso projeto; a escolha ideal facilitará a divulgação e a compreensão das mensagens. 9 f) Gerenciamento e coordenação de CIM. Não basta colocar uma campanha completa na rua. Gerir a implantação e criar uma política de acompanhamento auxilia na hora de mensurar os resultados e avaliar quais mensagens e/ou quais meios (mídias) responderam melhor àquilo que tínhamos como meta e objetivo no início do planejamento. Mudar o rumo de uma campanha não é demérito; é o reconhecimento de que algo não deu certo ou não entregou o que esperávamos de resultado e, assim, é preciso assumir correções para que não desvirtuem os caminhos propostos para a campanha de comunicação integrada. Na sequência, desenvolvermos o planejamento passo a passo para praticar as ações comunicacionais. TEMA 4 – CONCEITOS BÁSICOS DE MÍDIA A função da mídia – ou de um planejamento de mídia – é otimizar todos os esforços e investimentos em comunicação, promovendo a interação entre os pontos de contato (meios e veículos) com o seu público-alvo. Tais soluções devem prever os custos da campanha, durantes suas diferentes fases: planejamento, negociação e compras. Nesta sequência de ações a seguir, objetivamos facilitar a compreensão das atividades relacionadas a essa área. Esta sequência – obviamente – pode variar de agência para agência, ou, ainda, de departamento de comunicação para um bureau de mídia. Por exemplo: o atendimento fez a prospecção3, ganhou o cliente e levantou o primeiro job4 de um cliente Y, que está pronto para ser trabalhado pela agência. É realizada uma reunião de pauta com as diversas áreas da agência, para que todos os responsáveis pelos departamentos (das áreas integradas) conheçam o novo cliente e o job a ser realizado. Nessa reunião, encontram-se o planner, o diretor de criação, o atendimento, a mídia, pesquisa, enfim, todas as áreas que farão parte do projeto. Essa integração de todos os pares é imprescindível para o sucesso do job. O atendimento, responsável direto pela conta do cliente, discute com os demais o orçamento (budget) ou a verba de campanha. São discutidas práticas, conceitos e estratégias que devem ser desenvolvidas para esse caso específico. 3 Prospecção é a atividade de buscar novos clientes para compor a carteira da agência. 4 Job, “trabalho” em inglês, em uma agência de publicidade é o projeto a ser desenvolvido. A mesma definição é utilizada por outras áreas. 10 Aqui, a comunicação integrada entra como alternativa aos antigos meios e formas de se fazer comunicação. A verba não estará mais direcionada apenas para as “prime times”, mas deverá ser alocada em diferentes e múltiplos meios que estabeleçam a tão esperada conversação da marca com o cliente. Essa diversidade de meios será o ponto de contato da marca com nosso consumidor. A sequência deixa clara a necessidade de se pensar job por job, cliente por cliente. Hoje, a máxima de que “todos os clientes são praticamente iguais” não cabe mais nas agências, ou pelo menos nas boas agências, aquelas que são preocupadas, antes de mais nada, em entregar resultados. Verba, mote e campanha escolhidas, a mídia (ou o mídia) começa a pensar na estratégia do seu departamento para aquele job, para aquele cliente. Assim começa o plano de mídia. Diferentes departamentos podem subsidiar o trabalho de escolha de mídia. A pesquisa, por exemplo, deverá entregar relatórios relacionados ao cliente e ao projeto em andamento, que deixe claro o perfil do público, do cliente ou do público-alvo que a campanha deva atingir. Assim, o departamento de mídia se reúne para definir qual o melhor plano para o cliente: quais meios, veículos e ações devem ser escolhidas com base na verba e nos públicos-alvo, e alinhadas com os planos do cliente. Na sequência, o profissional de mídia começa a elaborar orçamentos e cotação de preços para aquela campanha. Descontos são negociados, prazos de pagamento estipulados e cronograma de ações ajustados. Não raro, boa parcela dos fornecedores trabalha com o regime de pagamento de 30 dias fora o mês. O departamento de mídia finaliza sua parte, e o plano é apresentado ao cliente. O cliente analisa as possibilidades, checa as ações e confere valores de mídia. Alterações invariavelmente são solicitadas e fazem parte do dia a dia desses profissionais. O cliente recebe o plano adequado às suas solicitações e pedidos, aprova o plano de mídia e assina os documentos que validam as ações. A mídia renegocia mais uma vez com os veículos, na esperança de ainda conseguir mais alguma vantagem para o cliente. Essa negociação deve ser o mais transparente possível, e o cliente deve acompanhar todos os passos. A agência envia uma autorização por meio de carta-acordo aos veículos, resumindo e explicitando todas as condições combinadas entre as partes, como descontos, bonificações por veiculação e o valor total acordado com aquele veículo. É importante saber que com cada veículo é realizada uma negociação. 11 Por fim, o veículo devolve a carta-acordo assinada por seu departamento comercial ou de vendas. Agora o mídia está apto para preparar os pedidos de inserção (PIs), que autorizam os fornecedores a veicular os comerciais do cliente da agência. Cada veículo possui seu modelo próprio de PI. Em tese, os mapas são muito semelhantes; o que troca é o nome e marca do veículo ou algumas formas de preenchimento do pedido. Alguns possuem sistema próprio de autorização e pedido de inserção, que devem ser preenchidos e demandados online. O próximo passo é a formalização das veiculações junto ao cliente. A agência envia as autorizações de pagamento (APs) para que os clientes assinem, ainda antes das veiculações. Agora, a campanha está pronta para ir ao ar. Uma vez veiculado, o checking realiza a conferência para verificar se todos os espaços contratados foram disponibilizados, veiculando o material do cliente. O departamento operacional ou administrativo da agência emite os documentos para que o cliente pague pelas veiculações. O mídia realiza o trabalho de pós- veiculação, orientando planilhas que comprovemtodas as ações, e, por fim, são apresentados os resultados coletados ao longo de todo o processo. Prontos para iniciar um novo job! Vale lembrar que esse “modelo de etapas” pode e deve variar de agência para agência. Não raro, o atendimento faz a função de planejamento, o(a) mídia assume todas as funções inerentes à sua área, e assim por diante. O mesmo vale para a sequência de autorizações, que varia de empresa para empresa. São inúmeras as combinações de fluxos de trabalho que variarão conforme as empresas envolvidas na negociação e no job. Funções de mídia (no âmbito da agência): a) Diretor de mídia: responsável por todos os planos de mídia que forem criados dentro do departamento. É quem estabelece um nível de relacionamento com fornecedores, neste caso, meios e veículos. Participa ativamente das principais decisões e norteia as ações do departamento. b) Coordenador de mídia; administrador da verba, da escolha dos meios e veículos e do contato com os fornecedores. É quem formula os planos de mídia. c) Assistente de mídia: auxilia o coordenador na montagem dos planos, na reunião e organização de orçamentos, no checking de veiculação e nos serviços de pós-veiculação. 12 TEMA 5 – OS COMPOSTOS DO MIX DE CIM Como vimos, o marketing vem para resolver uma demanda de produção reprimida, num mercado cada vez mais concorrente, que compete fortemente pela presença dos produtos em seus pontos de venda ou nos marketplaces, os quais, por motivos óbvios e justos, não param de crescer. Temos muitas marcas opcionais e muita divisão do consumo, gerando um equilíbrio mais constante de participação no consumo dos produtos (marcas e serviços) disponíveis no mercado ou nos segmentos de atuação. Assim, a multidisciplinaridade que promove a comunicação integrada é conseguida por meio da interação das seguintes grandes áreas: • propaganda; • relações públicas; • promoção de vendas; • merchandising. É notório o aumento do uso de ferramentas de comunicação com o intuito de promover uma marca, produto ou serviço. Como já dissemos, uma empresa precisa ter uma força – ainda que mínima – de divulgação, de presença na internet (mídias e redes sociais), caso contrário ela estará fadada a desaparecer – e o que é pior: anonimamente. As antigas mídias (TV aberta, jornal, revistas, rádio) atualmente disputam espaço com milhares de outras formas de comunicação. Assim, outros pontos de contato surgiram, com muito mais força, resultado e entrega que as antigas (ou tradicionais) mídias. Aqui é importante abrir um parênteses: guarde o conceito de pontos de contato. Esse é o nosso maior objetivo como profissionais de comunicação: ampliar os pontos de contato da nossa marca com o consumidor. Ponto de contato é aquele anúncio que veiculamos na televisão, aquela ação que disparamos no Instagram, é a estratégia de anunciar no busdoor, é a tática que o departamento comercial da empresa usa para prospectar novos clientes. Dentro do nosso círculo de amizades, por exemplo, cada um de nós será impactado de uma forma diferente pelas centenas de meios que acessamos. Isto está diretamente relacionado a hábitos, repertório, cultura, educação e costumes. Saber usar as diferentes ferramentas e compreender os hábitos e costumes distintos e inerentes à falibilidade do indivíduo torna a atividade do planner de 13 comunicação integrada de marketing um desafio que envolve muita experiência, domínio de estruturas de mídia e mercado, conhecimento do público, boa gestão de orçamentos e verbas e, sobretudo, uma capacidade incomparável de precisão, para que as mensagens e campanhas não sejam apenas tentativas vazias de conversação com os verdadeiros consumidores das nossas marcas. Figura 1 – Múltiplas ferramentas de comunicação para diferentes pessoas Créditos: Monkey Business/Shutterstock. 14 REFERÊNCIAS BRAGA, J. L. Circuitos versus campos sociais. In: MATTOS, M. A.; JANOTTI JÚNIOR, J.; JACKS, N. (Orgs.). Mediação e midiatização. Salvador: EDUFBA, 2012. p. 31-52. KOTLER, P. Marketing. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1980. KUNSCH, M. M. K. Planejamento de relações públicas em função da comunicação integrada nas organizações. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1985. LIMEIRA, T. M. V. Comportamento do consumidor. São Paulo: Saraiva, 2009. MCCARTHY, E. J. Marketing básico – uma visão gerencial. Rio de Janeiro, Zahar, 1976. SODRÉ, M. Sociedade, mídia e violência. Rio de Janeiro: Botafogo, 2002.