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ABCESSO, FOLICULITE E FURUNCULOSE John dos Santos e Santos1 ABCESSO O abcesso (ver imagem 2) consiste em uma coleção localizada de tecido inflamatório purulento, o qual é caracterizado pela presença de neutrófilos, necrose liquefativa e fluido de edema. Eles são produzidos mediante a significativa proliferação de bactérias piogênicas dentro de um determinado tecido (KUMAR et al., 2010). Ademais, é preciso ressaltar que: Os abscessos têm uma região central que se parece com uma massa de leucócitos necróticos e células teciduais. Usualmente existe uma zona de neutrófilos preservados em torno deste foco necrótico e por fora desta região ocorrem dilatação vascular e proliferação parenquimatosa e fibroblástica, indicando inflamação crônica e reparo (KUMAR et al., 2010, p. 68). Imagem 2. Fonte: KUMAR et al., 2010. FOLICULITE Consiste em uma inflamação dos folículos pilosos, cuja etiopatogenia está intrinsecamente relacionada com infecção por bactérias do gênero Staphylococcus. Ademais, é ocasionada pela obstrução dos folículos pilosos individuais e das unidades pilossebáceas associadas. Primariamente, a lesão é caracterizada por uma pústula com um pelo central, sendo que os locais de maior ocorrência são o couro cabeludo, as coxas, o tronco, a axila e a área inguinal. (GOLDMAN; 1 Turma 1 (2016.1). Estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde. CCS - UFRB. E-mail: johnsantossantos99@gmail.com mailto:johnsantossantos99@gmail.com SCHAFER, 2014; BRASIL, 2002). No que concerne à foliculite, é possível elencar outras causas: 1. Foliculite por Pseudomonas: geralmente é adquirida em banheiras quentes contaminadas pelo Pseudomonas aeruginosa. Os achados clínicos incluem pápulas e pústulas. 2. Foliculite por Pityrosporum: caracterizada por erupção pruriginosa, semelhante a acne, cujo agente etiológico é o Pityrosporum ovale. Os principais locais afetados são: dorso superior e no peito, no braço e na face. 3. Foliculite Pustulosa Eosinofílica: trata-se de uma foliculite estéril que apresenta intenso prurido. Geralmente, é encontrada na face, no peito e no dorso de pacientes HIV positivos. No que diz respeito aos aspectos epidemiológicos, trata-se de uma doença universal que acomete indivíduos de todas as idades. Além disso, o calor e alta umidade, má-higiene, vestuário de material inadequado e colado ao corpo, imunossupressão, uso de corticosteróides tópicos e antibioticoterapia sistêmica são considerados fatores de risco (BRASIL, 2002). O diagnóstico é essencialmente clínico e o tratamento é realizado de forma tópica (doença moderada) ou sistêmica (infecções extensas ou refratárias). Nesse sentido, deve-se considerar que: O tratamento tópico é realizado com pomadas de antibiótico (neomicina, mupirocina, ou gentamicina). Tratamento sistêmico, com antibióticos: eritromicina na dose de 40mg/kg/dia, dividida de seis em seis horas; tetraciclina - adultos 2g por dia; e cefalexina - 30-50mg/kg/dia fracionada de seis em seis horas (BRASIL, 2002, p. 43). FURUNCULOSE Caracteriza-se como uma infecção estafilocócica do aparelho pilo-sebáceo (folículo piloso e glândula sebácea anexa), a qual compromete o tecido celular subcutâneo adjacente. Apresenta-se como nódulo eritematoso, pustuloso, quente e doloroso, provocado pela infecção por Staphylococcus aureus. Posteriormente, começa a flutuar e elimina o material necrótico (carnicão). O aparecimento concomitante de vários furúnculos em múltiplas localizações denomina-se furunculose. Ademais, vale salientar que há possibilidade de transmissão através do contato com lesão purulenta - fonte mais comum de propagação epidêmica (BRASIL, 2002). O diagnóstico baseia-se na história clínica e no exame dermatológico (BRASIL, 2002). O tratamento pode ser realizado de três formas: 1. Tópico: preconiza-se a utilização de antibiótico como a neomicina, bacitracina, mupirocina ou ácido fusídico e a drenagem. 2. Sistêmico: eritromicina na dose de 30 a 40mg/kg/dia, dividida de 6 em 6 horas, tetraciclinas na dose de 20 a 40mg/kg/dia, dividida de 6 em 6 horas ou 2g/dia para adultos, sulfametoxazol+trimetropina - 800 mg e 160 mg respectivamente a cada 12 horas em adultos. Em crianças a dose é 20 a 30/mg/kg/dia calculada em relação ao sulfametaxazol. 3. Outros: sabonetes antibacterianos e antibióticos tópicos no nariz e unhas podem ser empregados no tratamento da furunculose recidivante. Referências BRASIL, Ministério da Saúde. Dermatologia na Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. 142 p. Série Cadernos de Atenção Básica; n. 09. GOLDMAN, Lee; SCHAFER, Andrew I.. Cecil Medicina Interna. 24. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. KUMAR, Vinay et al. Robbins e Cotran bases patológicas das doenças. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.