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ROMANELLI, GERALDO. Autoridade e poder na família. In:_. A família contemporânea em debate. CARVALHO, Maria do Carmo Brant de. (Org.) São Paulo: EDUC/Cortez. 2003. 
	
O autor Geraldo Romanelli em seu artigo “Autoridade e poder na família”, publicado no livro “A família contemporânea em debate” organizado pela autora Maria do Carmo Brant de Carvalho, inicia abordando sobre as formas de organização da família e como isso modifica o processo de socialização dos membros da família, o que pode ocorrer em outros ambientes além da família, já que neste momento de transformações as orientações dos adultos já não são as que prevalecem entre os mais jovens. A partir disso, divide seu texto em três momentos: As mudanças na organização da família; Autoridade e poder; Autoridade e poder na família.
	Em seu primeiro tópico, Romanelli aponta que há diversificação nas organizações familiares assim como nas suas formas de socialização, aquelas referem-se, principalmente a uniões matrimoniais e laços de parentesco, enquanto estas referem-se aos diferentes papéis exercidos de acordo com idade e gênero dentro da família. As organizações familiares ainda registra o predomínio da família nuclear, há registros crescentes também das famílias matrifocais, entretanto o predomínio simbólico da família nuclear torna-se o ‘ideal’ na sociedade, como se fosse hegemônico. Assim cabe elencar algumas características deste modelo de família: “estrutura hierarquizada; divisão sexual do trabalho; tipo de vínculo efetivo; controle da sexualidade feminina e dupla moral.” (p.75).
	Essas características variam de acordo com a camada social em que a família esta inserida e seu repertório cultural. De qualquer forma, é na convivência domestica que a família se constitui como grupo, como tal organizam um projeto coletivo para assegurar suas condições de vida e promover melhorias, principalmente para os mais jovens. Isso tudo ocorre dentro do espaço temporal, o que significa dizer que a família passa por mudanças na medida em que os pais vão saindo do mercado de trabalho e os filhos se inserindo dentro deste. Assim, pode -se pontuar que a convivência familiar é um processo de dinamicidade intenso que além das próprias mudanças internas, possuem transformações externas ao longo do tempo, como exemplo, a inserção da mulher como força de trabalho o que irá alterar sua posição dentro da estrutura doméstica, os movimentos feministas que lutaram pela igualdade de gênero. 
	O que se percebe dentre essas transformações é que perpassam, principalmente, as camadas médias com maior grau de escolarização e mais abertos a mudanças. Como indica uma pesquisa feita pelo autor, os jovens das famílias da camada média possuem maior vínculo afetivo e social com seus pais, enquanto estes relatam certo distanciamento com seus pais e proximidade com suas mães. Já nas camadas populares, tem-se a mãe com diversas atribuições. Estas representações vêm-se alterando devido os conhecimentos difundidos da psicologia e dos movimentos feministas.
	No tópico “Autoridade e poder”, o autor aponta que é necessário distinguir estes dois conceitos, sendo autoridade aquilo que “supõe comando e obediência em uma ordem hierárquica, excluindo meios externos de coerção; seu exercício não depende da persuasão, mas funda-se em experiências comuns, consideradas incontestáveis e que são aceitas por todos” (p.79), o autor referencias como Arendt e Bierstedt, para pontuar a legitimidade da autoridade, mesmo que esta não possua competência para tal. Já poder remete ao “processo de imposição da vontade de alguém, mesmo contra a resistência do outro” (WEBER, 1965). 
	Dentro da família, a estrutura hierárquica já esta estabelecida, assim como sua autoridade máxima que é o pai. No que se refere ao poder, o autor aponta que essas relações [de poder] se manifestam contrárias a estrutura estabelecida, assim, transforma e subverte as posições tradicionais, fazendo com que o indivíduo imponha sua vontade sobre os demais, exercendo seu poder, mesmo que não seja ‘autoridade’.
	No tópico “Autoridade e poder na família”, o autor retoma o assunto sobre a predominância da família nuclear e como o pai exerce uma autoridade extrema, devido ser considerado o ‘provedor’ da família. Assim, cabe ao pai a ideia da ação, da atividade, enquanto à mãe, a ideia de passividade, considerada até como qualidade da mulher. Essa autoridade masculina é considerada natural, de modo que “a autoridade masculina assentava sua legitimidade na condição de provedor financeiro da família; no saber adquirido que permitia articular passado e presente, projetando-se o futuro; as posições hierárquicas de marido e de pai, e no caráter institucional de representante da unidade doméstica” (p. 82).
	Entretanto, isso não deixou de lado a autoridade da mãe, que é complementar e subordinada em relação a autoridade do pai, ainda que esta trabalhe de forma remunerada, ainda não possui autoridade sobre o pai. Assim, a esposa procura formas de persuadir e convencer o marido, de forma que este faça o que ela quiser, esta autoridade de esposa difere da autoridade de mãe, no sentido de que a mãe possui o papel de mediadora e enquanto esposa, constrói junto com o marido as regras e orientações da sociabilização dos filhos. A mãe não é mera reprodutora da autoridade do pai, assim a função de sociabilizar da mãe se entrelaça com a autoridade e afetividade que esta tem com os filhos, além das relações de poder que a mãe possui com o marido. 
	Atualmente, o autor afirma que a autoridade masculina não é mais absoluta e total, devido as diversas transformações internas e externas que perpassam a família, assim sua autoridade pode chegar a ser rejeitada pelos mais jovens. Nas famílias das camadas médias, esse processo de perda de autoridade do pai parece acontecer de forma mais rápida, com a inserção da esposa e dos filhos no mercado de trabalho, além de outros fatores, assim estabelece-se uma relação de igualdade de marido e esposa. 
	Essa perda de autoridade também afeta a posição da mãe, ampliando ainda que de maneira limitada sua autoridade dentro da casa, o que diferencia neste momento é o tipo de autoridade que a mãe exerce, já que esta ligada a afetividade. Além disso, a mãe possui uma familiaridade com as relações aos mais jovens, o que a permite ser aceita como alguém que se possa compartilhar seus problemas. 
	O autor conclui seu texto pontuando as mudanças que fizeram levar a passagem da autoridade patriarcal para a afeição maternal, o que leva além da democratização dentro das famílias, o crescente individualismo dos filhos que se torna mais presente dentro da sociedade.

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