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Estrongiloidíase Agente etiológico strongyloides stercolis nematódeo Forma parasitária adulta é uma fêmea partenogenética que vive na intimidade da mucosa duodenal e jejunal do ser humano Forma de vida livre no solo Verme dimorfobiótico forma livre e parasitária Ciclo evolutivo e transmissão · A forma parasitária do intestino humano, como vimos, é uma fêmea partenogenética – esta elimina seus ovos embrionados na intimidade da mucosa, dos quais logo se originam as larvas do primeiro estágio, ou larvas rabditoides (L1). Denominamos partenogênese o processo no qual o óvulo da fêmea é capaz de gerar o descendente sem ser fecundado · As larvas rabditoides então são lançadas no meio externo com as fezes. No ciclo direto, essas larvas logo se transformam nas larvas filarioides (L2), sobrevivendo no solo por alguns dias e capazes de penetrar a pele do ser humano. Atravessando a pele, atingem a corrente sanguínea e linfática, alcançando os pulmões, os capilares pulmonares, em seguida sendo então conduzidas via ascendente pela árvore respiratória até serem deglutidas. Ao passarem intactas pelo estômago, chegam ao duodenojejuno (seu local definitivo), para amadurecerem na fêmea adulta, completando o ciclo. · No ciclo indireto, as larvas rabditoides eliminadas nas fezes, em vez de se converterem em larvas filarioides, amadurecem a vermes adultos de vida livre, machos ou fêmeas. Esses adultos estercorais aparecem nas fezes após 15-24h, em condições de temperatura e umidade ótimas. O macho fecunda a fêmea que põe seus ovos embrionados no solo. Deles eclodem larvas rabditoides (L1) que depois se transformam em larvas filarioides infestantes (L2). Estas larvas são capazes de penetrar na pele do ser humano e seguir o ciclo que, a partir daí, é igual ao direto. Autoinfestação: talvez o mais importante de tudo seja um outro aspecto peculiar do ciclo deste nematodo: a capacidade de autoinfestação do ser humano. Na autoinfestação interna, as larvas rabditoides se transformam em filarioides ainda dentro do intestino, penetrando na mucosa (geralmente do cólon) e completando o ciclo pulmonar. Este fenômeno explica como o parasitismo pelo estrongiloides pode durar anos, mesmo na ausência de uma reinfestação. Na autoinfestação externa, as larvas filarioides, resultantes da evolução das larvas rabditoides presentes na região anal e perianal, penetram ativamente na pele e completam o ciclo Epidemiologia prevalência entre 15-82% com média em torno de 20% QUADRO CLÍNICO · Maioria assintomática · Sintomas digestivos altos devido a localização do parasita invasão da mucosa duodenal e jejunal pelos vermes adultos e larvas duodenojejunite Comment by Andreza Cunha: · Dor epigástrica, surda ou em queimação que piora com a ingestão de alimentos simulando uma úlcera péptica duodenal · Diarreia é comum, desconforto abdominal, mal-estar, pirose, sonolência, náuseas e eventualmente vômitos · Os sintomas tendem a ser intermitentes. A eosinofilia é um achado frequente. Uma síndrome disabsortiva, com esteatorreia, hipoalbuminemia e anasarca pode ocorrer pela intensa duodenojejunite e atrofia das vilosidades. Na endoscopia digestiva, o duodeno encontra-se edemaciado, com eventuais erosões e espessamento ou até apagamento das pregas. Nos casos mais graves, o duodeno apresenta uma rigidez difusa da parede, traduzindo uma alça estreitada, de contornos lisos e aperistáltica OBS.: A estrongiloidíase faz parte do grupo das verminoses que pode causar síndrome de Löeffler, marcada por um quadro brando de tosse seca, sibilância e infiltrados pulmonares migratórios. Manifestações dermatológicas podem surgir em 90% dos pacientes, devido à irritação e hipersensibilidade cutânea à passagem da larva filarioide. Caracterizam-se por lesões urticariformes ou maculopapulares periódicas, muitas vezes coincidindo com acessos de diarreia e reaparecimento das larvas nas fezes. Uma lesão característica, extremamente pruriginosa, é denominada larva currens. Esta lesão tem o aspecto linear e serpentiforme, devido à migração intermitente da larva filarioide na derme (numa velocidade de 5-15 cm/h – bem mais rápida que a larva migrans). Geralmente é uma lesão única que predomina nas nádegas, períneo, virilha, tronco e coxa proximal (ao contrário da larva migrans, que predomina nos pés) Diagnóstico · Laboratorial: achado das larvas rabditoides no exame parasitológico de fezes pelo método de Baermann-moraes · Estudo radiológico baritado do duodeno e jejuno proximal bem como EDA, ajudam no diagnóstico · Larvas podem ser encontradas no aspirado duodenal Tratamento D. Ivermectina A ivermectina é o fármaco de escolha para o tratamento contra a larva migrans cutânea, a estrongiloidíase e a oncocercose (cegueira dos rios), esta causada pelo Onchocerca volvulus (ela mata as microfilárias, mas não atua contra vermes adultos). (Nota: a ivermectina é útil também no tratamento de pediculose [piolhos] e sarna.) A ivermectina atua nos receptores de canais de cloro disparados por glutamato. O influxo de cloreto aumenta e ocorre hiperpolarização, resultando em paralisia e morte do helminto. Ela é administrada por via oral e não atravessa facilmente a barreira hematencefálica. A ivermectina não deve ser usada durante a gestação (Fig. 44.3). A morte das microfilárias na oncocercose pode causar a perigosa reação de Mazzotti (febre, cefaleia, tontura, sonolência e hipotensão). A gravidade dessa reação está relacionada à carga parasitária. Anti-histamínicos ou esteroides podem ser administrados para diminuir os sintomas. B. Albendazol O albendazol, outro benzimidazólico, inibe a síntese de microtúbulos e a captação de glicose em nematódeos, além de ser eficaz contra a maioria dos nematódeos conhecidos. Sua aplicação terapêutica primária, contudo, é o tratamento contra infestações por cestóideos, como cisticercose e hidatidose, esta causada por estágios larvais de Echinococcus granulosus. (Nota: o albendazol também é muito eficaz no tratamento da microsporidiose, uma infecção fúngica.) A absorção do albendazol após administração oral é errática, mas aumenta com alimentação rica em gorduras. Ele se distribui amplamente, incluindo o LCS. Ele sofre extensa biotransformação de primeira passagem, incluindo a formação de um sulfóxido ativo. O albendazol e seus metabólitos são excretados primariamente na urina. Quando este fármaco é usado em tratamentos curtos (1-3 dias) contra infestações por nematódeos, os efeitos adversos são leves e transitórios, e incluem cefaleia e náusea. O tratamento da hidatidose (por 3 meses) oferece risco de hepatotoxicidade e, raramente, agranulocitose ou pancitopenia. O tratamento médico da neurocisticercose está associado a respostas inflamatórias decorrentes dos parasitas que morrem no sistema nervoso central (SNC), incluindo cefaleia, êmese, hipertermia e convulsão