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Guerreiro Guardião

Romance histórico: Guerreiro Guardião, de Michelle Willingham. Mostra Genevieve de Renalt fugindo de um noivado na ilha de Erin (1171 d.C.) e o guerreiro irlandês Bevan MacEgan que a protege enquanto luta contra o amor. Inclui trecho narrativo e glossário de termos irlandeses.

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Guerreiros indomados, corações apaixonados!
Genevieve de Renalt precisa escapar do homem ao qual foi prometida em 
casamento, mesmo que isso signifique ser forçada a confiar em seus inimigos. O 
guerreiro irlandês Bevan MacEgan não pode abandonar uma donzela em apuros, 
mas até onde irá para mantê-la a salvo? Um casamento beneficiaria a ambos, 
mas ele jurou jamais amar novamente... Orgulhoso e forte, ele se mantém 
distante de Genevieve. Contudo, à medida que ela começa a derreter seu 
coração, Bevan se vê forçado a fazer uma escolha... que pode significar perdê-la 
para sempre!
 
 
Guerreiro Guardião
Michelle Willingham
Digitalização: SilviaRevisão: Ana 
Cristina CostaFormatação: Cyntya D.
Projeto Revisoras
Harlequin Históricos 64 - Guerreiro Guardião - Michelle Willingham
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Harlequin Históricos 64 - Guerreiro Guardião - Michelle Willingham
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GUERREIRO GUARDIÃO
Michelle Willingham
Tradução Elaine Moreira
HARLEQUIN BOOKS 2009
PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l.
Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a 
transmissão, no todo ou em parte.
Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas 
vivas ou mortas é mera coincidência.
Título original: Her I Irish Warrior
Copyright © 2007 by Michelle Willingham
Originalmente publicado em 2007 por Harlequin Historicals
Projeto gráfico: Isabelle Paiva
Arte-final de capa: Isabelle Paiva
Editoração Eletrônica:
ABREU'S SYSTEM
Tel.: (55 XX 21) 2220-3654/2524-8037
Impressão:
RR DONNELLEY
Tel.: (55 XX 11)2148-3500
www.rrdonnelley.com.br
Distribuição exclusiva para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:
Fernando Chinaglia Distribuidora S/A
Rua Teodoro da Silva, 907
Grajaú, Rio de Janeiro, RJ — 20563-900
Para solicitar edições antigas, entre em contato com o
DISK BANCAS: (55 XX 11) 2195-3186 / 2195-3185/2195-3182
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Aos cuidados de Virginia Rivera
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HARLEQUIN HISTÓRICOS
Emoções garantidas em todas as épocas.
Sua mente mandava que parasse. A voz da razão exigia que a soltasse. Genevieve 
não lhe pertencia, nunca seria sua. Aquilo era errado.
As mãos dela tocaram timidamente seu peito, as palmas pousando de leve sobre o 
tórax antes de lhe cingirem o pescoço. Inexperiente e insegura, Genevieve parecia 
assustada, porém, determinada.
Lug! Não se lembrava da última vez em que uma mulher o abraçara. Era tão bom, 
um atear de fogo. Seu corpo ficou impaciente, e por fim Bevan cedeu à vontade. 
Capturou os lábios de Genevieve, saboreando o doce calor de sua boca.
Ela estremeceu em seus braços, mas não o repeliu. A respiração dele fluía 
entrecortada.
— Não devemos fazer isso — murmurou ela. — Não posso...
As mãos de Bevan desceram pelo corpo dela até alcançarem os quadris, puxando-
a para perto.
— Eu sei. — Mas, enquanto dizia estas palavras, Bevan sabia que não seria capaz 
de parar de desejá-la.
E a beijou novamente…
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Glossário de termos irlandeses antigos
A chroí — meu coração
A dalta — termo carinhoso para um filho de criação, literalmente meu
Aluno a ghrá — meu amor a iníon — minha filha
A stór — meu tesouro, meu (minha) querido(a) aenach — feira / mercado local aite — 
pai de criação
Bean-sidhe (banshee) — fada do gênero feminino
Brat — xale rústico de lã usado nos ombros por homens e mulheres
Brehons — juízes de casos levados à corte
Cailín — menina
Corp-dire — "preço de corpo", normalmente multa paga ao ofendido por Crime de 
lesão corporal craibechan — prato de sabor forte, tira-gosto ou sobremesa de carne 
com legumes
Dia dhúit — olá, literalmente que Deus esteja com você ech — cavalo de batalha
Eraic — multa de indenização, literalmente dinheiro de sangue flaiths — nobres
Léine — túnica longa para mulheres ou camisa longa para homens
Méirge — estandarte colorido
Níl — não
Rath — fortaleza
Sibh — fadas
Sibh dubh — fadas das trevas tá — sim
tuatha — cidade ou vila pertencente a um clã, literalmente o povo
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Capítulo Um
A ilha de Erin, 1171 d.C.
O ar ardia nos pulmões de Genevieve de Renalt enquanto ela corria. Cada músculo 
do corpo gritava de exaustão, mas ela se recusava a parar. A liberdade se aproximava 
um pouco mais a cada passo. Podia ouvir o som de cascos a distância. Ele vinha atrás 
dela.
Sou tão estúpida, pensou. Precisaria de um cavalo, suprimentos e algumas moedas 
caso tivesse qualquer esperança de sucesso. Mas não houve tempo. Genevieve tinha 
visto a oportunidade para escapar e a aproveitara. Mesmo que a fuga estivesse 
condenada ao fracasso, ela havia tentado.
Esta era a única chance de fugir do noivo. Pensar em Sir Hugh Marstowe era 
como pôr o dedo numa ferida. Antes, Genevieve o amava. Agora, faria qualquer coisa 
para escapar dele.
Hugh mantinha o cavalo num trote tranquilo. Brincava com ela, feito um falcão 
rodeando a presa. Sabia que poderia apanhá-la sem qualquer esforço. Portanto, 
preferia que ela fosse alertada de sua aproximação, que sentisse medo.
Ele vinha mantendo controlo sobre ela desde o último mês, ditando como deveria 
se comportar como sua futura esposa. Genevieve se sentia um cachorro, encolhendo-
se diante de suas ordens. Nada do que dizia ou fazia era bom o suficiente. Sentia-se 
nervosa só de lembrar dos socos dele.
O ódio aumentava dentro de si. Por todos os santos! Mesmo que todas as forças 
lhe faltassem, precisava fugir! Ela tropeçava pela floresta, as costelas estavam 
doendo, sua energia se esgotando. Logo teria que parar de correr. Pedia a Deus por um 
milagre, por uma maneira de escapar daquele pesadelo. Se ficasse lá por mais tempo, 
Genevieve se tornaria uma casca vazia, sem coragem, sem qualquer vestígio de vida.
Um ramo espinhento de amoreira lhe cortou as mãos, os arbustos agarrando sua 
capa. A luz da tarde começava a desvanecer, o crepúsculo se aproximava de modo 
impertubável. Genevieve lutava contra as lágrimas de exaustão, empurrando os 
arbustos até as mãos sangrarem.
— Genevieve! — chamou Hugh. A voz dele disparou o pavor dentro dela. Ele havia 
detido o cavalo à margem da floresta. Vê-lo fez com que o estômago dela se 
apertasse.
Não voltarei. Obstinada, Genevieve abriu caminho entre as nogueiras retorcidas 
até alcançar a clareira. A geada cobria a relva, fazendo com que ela caísse de joelhos 
ao tentar subir o terreno escorregadio.
Um estranho silêncio permeava a campina. De sua vantajosa posição no topo da 
colina, Genevieve vislumbrou um movimento. A moribunda relva de inverno revelava a 
presença de um homem.
Não! Homens, ela percebeu. Irlandeses, trajados com cores que os confundiam 
com a paisagem. Atrás deles, ao pé da colina, Genevieve viu um único homem a cavalo. 
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O guerreiro estava escarranchado sobre o animal, a capa presa por um broche de 
ferro do tamanho da palma de sua mão. Ele não buscou pela espada ao lado, mas a 
postura se tornou alerta. Um capuz escondia o rosto do homem, que irradiava uma 
silenciosa confiança.
Alto e de ombros largos, ele a observava. Genevieve não sabia distinguir se era 
um nobre ou um soldado, mas o homem se portava como um rei. A um gesto dele, os 
homens se espalharam e desapareceram atrás de outra colina.
O coração de Genevieve estava disparado, pois o homem poderia abatê-la com a 
espada. Contudo, ela ergueu os ombros e o encarou. Caminhou lentamente na direção 
dele, mesmo com o cérebro alertando que guerreiros assim não tinham misericórdia 
por mulheres.
Mas ele possuía um cavalo. O cavalo de que ela precisava para ter alguma chance 
de escapar de Hugh.
O olhar do homem encontrouo dela. Se Genevieve gritasse, alertaria Hugh da 
presença deles. Restava-lhe uns poucos segundos, pois Hugh logo a surpreenderia.
— Por favor — implorou ao homem. — Preciso de sua ajuda. — A voz atormentada 
soava quase como um sussurro e, por um momento, Genevieve pensou não ter sido 
ouvida pelo guerreiro. Então notou o desenho celta na capa dele. Desta vez, repetiu o 
pedido em irlandês. A postura do homem mudou e, após um instante que se estendeu 
até a eternidade, ele se afastou com o cavalo. Desapareceu rapidamente por trás da 
colina, levando consigo a esperança de Genevieve.
Bevan MacEgan amaldiçoou a si mesmo pela fraqueza. No instante em que a 
mulher falou, percebeu que era normanda. O costumeiro ódio cresceu dentro dele, 
logo sendo suplantado pelo desejo de ajudá-la.
Ela havia despertado o fantasma de suas lembranças. Ao primeiro olhar, o rosto e 
os cabelos escuros evocaram um pesadelo que Bevan tentava esquecer havia dois 
longos anos. Ele fechou os olhos, tentando bloquear a imagem da mulher.
Percebeu que ela fugia muito antes de ordenar que seus soldados se escondessem 
entre as colinas. O atacante não pretendia matá-la. Se quisesse, já o teria feito. Não, 
a intenção do normando era capturar a mulher.
E, ao lhe dar as costas, Bevan permitiu que isso acontecesse.
Sentiu-se obrigado a escolher entre a segurança de seus homens e a de uma 
mulher desconhecida. Mas, apesar de saber que tomara a decisão correta, seu senso 
de honra o atormentava. Era de se esperar que protegesse as mulheres, não que as 
prejudicasse.
Mas se Bevan interferisse agora, seus planos de batalha poderiam dar errado. 
Não ousaria arriscar as vidas de seus homens denunciando sua posição. O ataque 
dependia do elemento surpresa. Precisaria observar e esperar o momento certo.
Descobriu-se dando ordens.
— Quero que cinco homens venham comigo para dentro da fortaleza. Pegue os 
outros e cerque a paliçada externa. Ao pôr do sol, acenda o fogo.
— Vai atrás dela, não é? — comentou o capitão de seus homens.
— Vou.
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— Não pode salvar a todos. É só uma mulher.
— Faça o que ordeno. — Tá, era um risco desnecessário. Mas havia visto o terror 
nos olhos da mulher — o mesmo terror que viu nos olhos de sua esposa segundos antes 
de ser feita prisioneira.
Bevan sentia a mesma impotência agora.
Escolheu os homens que o acompanhariam e os conduziu à fortaleza de Rionallís. 
Era sua terra, roubada por invasores. Com a ajuda de seus homens, pretendia retomá-
la.
Rionallís não era um rath, como as outras fortalezas; era ligeiramente mais 
ampla. Bevan erguera um castelo de terra e madeira, semelhante ao estilo normando. 
Ele conhecia cada centímetro do castelo, por isso sabia exatamente como penetrar 
suas defesas.
Ao seu comando, os homens se colocaram em posição. Bevan esperou que 
estivessem prontos para afastar os arbustos que escondiam a entrada do souterrain. 
Um túnel secreto levava para debaixo da fortaleza, para dentro dos cômodos usados 
como depósito.
Ele ergueu os olhos para o donjon, cuja silhueta se erguia no pôr-do-sol vermelho-
sangue. No íntimo, Bevan rezava pela vitória.
Ao entrar, foi envolvido pelo frio da passagem pelo souterrain. Não pisava ali há 
um ano e meio, então notou o vazio da área de depósito. Deveria estar repleta de 
sacos de grãos e potes de comida lacrados com barro. Seu povo sofreria neste inverno 
se não fizesse algo para ajudá-lo.
Embora não soubesse da conquista de suas terras até recentemente, Bevan 
culpou a si mesmo. Tinha permitido que o sofrimento o consumisse enquanto servia de 
mercenário para outras tribos. E, na última primavera, os normandos haviam descido 
sobre Rionallís feito gafanhotos, comendo do trabalho de seu povo e profanando sua 
casa. Seu pequeno exército era inferior em número, mas Bevan conhecia bem o 
território. Nada o impediria de expulsar o inimigo.
Quando alcançou a escada que levava para uma das cabanas de pedra em forma 
de colmeia, ele parou. Queria não ter visto a mulher normanda, os olhos cheios de 
medo ao implorar por ajuda. Seria mais fácil simplesmente odiar e matar todos, 
derramando sangue por vingança. Mas a mulher complicava as coisas.
Era uma bela cailín, com rosto doce e olhos profundamente azuis. Uma inocente, 
que merecia sua proteção. Bevan fora incapaz de salvar a esposa dos atacantes. Mas 
poderia salvar esta mulher.
Isso deveria fazer com que se sentisse melhor. Mas, pelo contrário, acrescentava 
mais um elemento de risco a um ataque já perigoso. Mesmo assim sua mente se 
agarrava às possibilidades. Ela seria uma boa refém, proporcionando-lhe meios de 
recuperar a fortaleza. Depois poderia conceder a ela a liberdade que tanto desejava.
Bevan subiu a escada, surpreendendo os habitantes da cabana. Pôs um dedo sobre 
os lábios, sabendo que sua gente nunca o trairia. O ferreiro se aproximou de seu 
martelo, numa promessa silenciosa de que ajudaria se necessário.
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A entrada da cabana, Bevan contou o número de soldados inimigos no pátio. A 
fortaleza seria invadida esta noite, decidiu. E Rionallís seria sua novamente.
— Genevieve, fico feliz que esteja salva. — Sir Hugh abraçou Genevieve, que 
lutava para respirar. Suas forças tinham acabado, finalmente fora apanhada. Ela 
conteve as lágrimas de frustração, a pele ficando muito fria.
Foi assaltada por lembranças sombrias. Sabia o que Hugh faria. Fechou a mente 
para o próprio corpo, pois esta era a única maneira de suportar a dor.
Não havia quem a ajudasse. Seu pai enviara amigos próximos, Sir Peter de 
Harborough e a esposa, para servirem de guardiões até a chegada dele. Era o mesmo 
que não ter enviado ninguém. Ambos eram cegos para as ações de Hugh. Eles o 
enxergavam como um forte líder, um homem respeitado por seus soldados.
Quando Genevieve reclamou dos castigos de Hugh, Sir Peter meramente deu de 
ombros.
— Um homem tem o direito de disciplinar a esposa — dissera. Mas ela não era 
esposa de Hugh. Ainda. E nada do que ela dizia os convencia de qualquer mau 
procedimento.
Os homens de seu pai se negavam a interferir. O último homem que tentou 
protegê-la de uma surra foi descoberto morto dias depois. Os soldados obedeciam 
Hugh sem questionar, com um vazio nos olhos. Tinham medo dele, e Hugh sabia disso.
— Temi por você, sozinha aqui fora. — Hugh lhe beijou a têmpora. O gesto era 
como um ferrete, queimando sua pele. As palavras dele, aparentemente gentis, 
zombavam de sua tentativa de fuga. Mas Genevieve reconhecia a modulação insensível 
na voz, a promessa de punição.
O sentimento de posse dominava os olhos azuis de Hugh. Genevieve antes o 
achava bonito, com seu curto cabelo dourado-escuro. Mas o coração dele era tão frio 
quanto a cota de malha que cobria o corpo forte.
Genevieve aprumou o corpo.
— Deixe-me voltar para a casa de minha família, Hugh. Não sou a esposa de que 
precisa.
Hugh segurou o queixo dela, os dedos lhe apertando a carne.
— Aprenderá a ser a esposa de que preciso.
— Há outras mulheres, mais ricas do que eu. — Genevieve não pôde sustentar o 
olhar, pois a mão de Hugh descia até sua cintura.
— Nenhuma de tão alta posição. — A palma contornava as costas de Genevieve, o 
polegar friccionando uma lesão ainda não curada. — Nenhuma com terras como 
Rionallís. — A voz se tingiu de ambição. — Aqui posso me tornar rei. Estes irlandeses 
são primitivos, sem qualquer conhecimento do que significa lutar. — A boca se curvou 
num sorriso. — E você reinará ao meu lado. O próprio rei ordenou.
Genevieve não disse nada. A bravura de Hugh em campo de batalha lhe 
conquistara as graças do rei Henrique. Quando ele a pediu em casamento, tendo 
recebido a bênção do rei, Genevieve se tornou vítima de suas lisonjas. Acreditando no 
falso galanteio, ela implorou ao relutante pai por um noivado. Agora desejava ter 
ficado calada.
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Hugh a colocou sobre o cavalo, montando atrás dela. Ao contato dos corpos, 
Genevieve estremeceu de repulsa. Ele colocou o cavalo para andar, o rude abraço 
aprisionando-a. Quando a fortaleza se tornou visível, seus últimos vestígios de 
coragem morreram.
A rejeição e o pânico guerreavam dentro dela. Havia algo mais que pudesse fazer 
para impedir este casamento? Precisava mais do que tudo da ajuda do pai. A cada dia 
rezava para ver as cores do conde tremulando, anunciando a chegada de seu séquito. 
Mas ele ainda não viera.
Cavalgaram além do portão, e Genevieve não deixou de notar o olhar compadecido 
no rosto dos irlandeses. Hugh desmontou e a obrigou a acompanhá-lo.
— Deve estar cansada — ele disse. — Eu a escoltarei até seus aposentos.
Genevieve sabia o que aconteceria assim que chegassem ao quarto. Fechando os 
olhos, procurou por uma desculpa — qualquer coisa que retardasse o inevitável castigo.
— Tenho fome — ela disse. — Eu poderia comer algo antes?
— Mandarei que subam com comida. Depois que conversarmos sobre seu... 
passeio. — Hugh apertou o braço de Genevieve com uma força que anunciava que a 
desforra estava por vir. Pois ela não lhe daria a satisfação de choramingar.
Concentrou-se na dor que Hugh provocava de tanto apertar seu braço enquanto a 
guiava escada acima, em direção ao seu quarto. Ele trancou a porta com uma pesada 
trava de madeira. Sozinhos, Hugh ficou a observá-la.
— Por que fugiu de mim?
Genevieve não respondeu. O que poderia dizer?
— Não sabe que sempre buscarei por você? Devo proteger o que é meu. — Ele lhe 
acariciou o cabelo, enroscando os cachos entre os dedos. Genevieve permaneceu 
imóvel, tentando não encará-lo. — O rei nos chamou a Tara — disse Hugh, soltando-a 
de repente. — Nós nos casaremos lá dentro de poucos dias. — Ele transbordava de 
orgulho. — Talvez ele me conceda mais terras, como presente de casamento. — 
Inclinando-se, beijou de leve os lábios de Genevieve. — Não fique tão carrancuda. 
Agora não falta muito.
A afirmação dele não era tranquilizadora. Sentia-se grata ao rei Henrique por 
ter ignorado as outras solicitações de Hugh. As alianças políticas com os reis 
irlandeses tinham precedência. Mas agora o tempo de Genevieve estava esgotado.
— Não me casarei sem meu pai.
— Thomas de Renalt virá. — A expressão de Hugh endureceu. — Já deveria ter 
chegado a esta altura.
— Ele estava doente — argumentou Genevieve. O pai ordenara que ela 
permanecesse em Rionallís sem a companhia dele. Com a escolta dos soldados e dos 
guardiões, o pai acreditava que estaria segura. Genevieve conseguira subornar um 
padre para enviar cartas, implorando ao pai que terminasse com o noivado. Mas 
Thomas de Renalt não dera resposta, e ela temia que Hugh tivesse interceptado as 
mensagens.
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— Não continuarei esperando por ele. — Hugh meneou a cabeça. — Não sei quais 
são as intenções do conde, mas o acordo de casamento está assinado. Com ou sem ele, 
eu me casarei com você.
— Nunca me casarei com você — ela jurou. — Não me importa o que diga o rei.
O punho dele a atingiu por trás da cabeça. A dor explodiu, ecoando nos ouvidos, 
mas Genevieve se recusava a gritar.
— Não perdeu o espírito, não é? — comentou Hugh.
Genevieve engoliu em seco, desejando não ter provocado Hugh. Sabia que não 
poderia lutar com ele, que era muito mais forte. Quando ela fingia obediência, ele 
costumava ser mais brando com o castigo. Tentaria conter suas palavras de rebeldia.
Então Hugh sorriu, o sorriso cruel que ela aprendera a desprezar.
— Tire as roupas.
Genevieve sentiu fel na garganta ao pensar no que ele faria. Nas últimas semanas, 
Hugh se vangloriava em humilhá-la. Quando se negava a obedecer, era surrada até não 
poder mais ficar de pé. Embora Hugh ainda não tivesse violado sua virgindade, 
Genevieve sabia que era apenas questão de tempo. O medo pulsou por seu corpo ao 
pensar nisso.
Por não obedecer, Hugh lhe golpeou o estômago, fazendo-a vergar-se. Genevieve 
agarrou as costelas, incapaz de impedir o gemido de agonia. Era nisso que se 
transformaria sua vida? Teria que renunciar a tudo, deixando que ele a dominasse?
Fechou os olhos, temendo que o futuro fosse assim. Embora outra mulher 
pudesse pensar em acabar com a própria vida, Genevieve não queria se arriscar à 
perdição eterna. Não deixaria que Hugh se apropriasse de sua alma também.
Hugh puxou a adaga, fazendo seu coração quase parar ao ver a lâmina. Num gesto 
rápido, ele cortou os cordões do vestido até que este caísse aos seus pés. Vestida 
apenas com uma fina túnica, Genevieve tentou se cobrir.
— Você me pertence, Genevieve. — Hugh largou a adaga sobre a mesa, 
aproximando-se. O olhar de Genevieve dardejou para a arma. Evitando outro soco, ela 
se deixou cair contra a mesa. A adaga retiniu no chão.
— Por favor — ela murmurou. — Eu lamento. — Não era verdade, mas o pedido de 
desculpas poderia amenizar o ataque de Hugh. Sua cabeça doía; escorria sangue por 
sua face.
Hugh começou a despir as próprias roupas, revelando o corpo musculoso.
— Não. Não lamenta. Mas lamentará.
Hugh diminuiu a distância entre ambos.
— Chegou a hora de aprender a ser uma esposa obediente. — Os dedos 
agarraram-lhe a nuca num gesto de controle. — Em breve, Genevieve — ele prometeu. 
Beijou-a com ferocidade, esfregando os lábios no dela até fazer sangue. — Não tem 
ideia do prazer que posso lhe oferecer.
— Não — ela murmurou.
— Não quero forçá-la — disse Hugh, os dedos subitamente gentis. — Poderia ter 
tomado você quando quisesse, se esta fosse minha intenção. Mas sou um homem 
paciente e clemente. Caso se entregue a mim de boa vontade, eu lhe ensinarei as 
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recompensas da obediência. — A mão dele segurou-lhe o queixo. — Eu a conheço 
melhor do que você mesma. Você quer que eu a tome, embora lute contra mim.
Nunca. Ao pensar nas mãos dele em seu corpo, uma náusea lhe dominou o 
estômago. Genevieve ergueu o queixo e enfrentou aqueles implacáveis olhos azuis. O 
rosto bonito lhe causava repulsa, então cuspiu nele.
— Odeio você.
As mãos dele se fecharam de raiva. A fúria relampejou no rosto de Hugh, que a 
atingiu no rosto. Genevieve se virou no último segundo, caindo de joelhos. Ela ignorou a 
dor, a mão se fechando sobre a adaga. Antes que Hugh pudesse ver o que tinha feito, 
ela escondeu a arma sob as dobras da túnica.
Genevieve apertou a adaga com força. Sentia o cabo frio em sua mão, sem saber 
manejar o peso. Não sabia se teria coragem de usá-la. Mil dúvidas enchiam sua mente. 
Mas ela se agarrou ao instinto de sobrevivência.
Batidas violentas soaram na porta. O olhar de Genevieve disparou naquela 
direção.
Hugh praguejou, vestindo a túnica antes de abrir a porta.
— O que é?
— Um ataque, milorde — informou o servo. — Invasores irlandeses atearam fogo 
na paliçada externa.
— Fique aqui — rosnou Hugh para Genevieve, que foi deixada sozinha. O destino 
lhe oferecia uma trégua. Genevieve encostou o rosto na parede. Era como se pudesse 
se mesclar à madeira e ao emboço, de tão fria que estava. Os dedos agarraram o linho 
da túnica, como se o fino tecido pudesse de alguma forma protegê-la do retorno de 
Hugh. Não sentia alívio, pois ele voltaria. E, então, a punição recomeçaria.
Genevieve podia sentir antigos temores voltando para atormentá-la. Largou a 
adaga, a oportunidade de defesa perdida. O cabelo caía sobre o rosto. O sangue se 
emaranhava nos fios na parte de trás da cabeça, então ela removeu o véu. Os cabelos 
escuros esconderiam o ferimento.
Podia-se ouvir os homens gritando ordens lá em baixo. Genevieve apoiou a testa 
nos joelhos, tentando reunir forças. Se estivessem sitiados, teria outra chance de 
fugir. Mas não podia continuar parada.
Esgotada, levantou-se. O corpo estava dolorido, e Genevieve imaginava se Hugh 
havia quebradosuas costelas desta vez. Doía para respirar.
O vestido estava jogado no chão, onde caíra. Genevieve se encolheu de dor ao 
inclinar-se para apanhá-lo. O latejar aliviou quando se aprumou e colocou o vestido 
sobre a túnica. Os cordões estavam destruídos, mas isso a manteria aquecida por 
enquanto.
Você precisa sair, disse consigo mesma. Agora era sua oportunidade, não podia 
desperdiçá-la.
Um estranho ruído lhe chamou a atenção. Ela se voltou para a grande tapeçaria 
pendurada na parede, que se agitou ligeiramente. Genevieve recuou, sem entender o 
que significava aquele movimento. O instinto lhe dizia para ficar de guarda. Tomou a 
adaga na mão mais uma vez.
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Um homem surgiu de trás da tapeçaria, completamente armado, com uma espada 
à cintura. Usava calça de tartã e, presa por um cinto, uma túnica cor-de-musgo que 
fluía em dobras até o joelho. Genevieve reconheceu o grande broche de ferro 
segurando a capa. Era o soldado da colina. Uma calma autoridade emanava de sua 
postura, mas Genevieve ainda estava com raiva. Ele não a ajudou quando mais 
precisava.
— Quem é você? — ela perguntou, segurando a adaga com firmeza. O cabelo dele, 
negro como a alma do demônio, ondeava até os ombros. Uma fina marca, há muito 
cicatrizada, desfigurava uma bochecha.
— Sou Bevan MacEgan.
A túnica permitia que Genevieve visse o contorno dos músculos fortes. Ocorreu-
lhe que ele pudesse ser uma ameaça mais perigosa que Hugh.
— E qual é o seu nome, a chara? — Ele cruzou os braços, esperando pela resposta. 
Os olhos verde-escuros examinavam Genevieve como se avaliassem seu valor.
Genevieve sentiu a boca seca.
— Sou Genevieve de Renalt.
MacEgan a fitou por um instante, o olhar notando os ferimentos.
— O que lhe aconteceu?
Genevieve de súbito lembrou do vestido rasgado, então cobriu o corpo da melhor 
maneira que pôde.
— Fui castigada por fugir.
— Por quem?
Genevieve hesitou, mas respondeu com sinceridade.
— Sir Hugh Marstowe.
— E por que ele estava caçando você?
— Porque eu não quis me entregar a ele.
Os olhos de MacEgan se tornaram frios, tal qual as pedras de granito recobertas 
de gelo que margeavam as colinas.
— Posso matá-lo, se este for seu desejo.
— Você perdeu a oportunidade. — O rubor ardeu nas bochechas de Genevieve, 
cuja raiva ameaçava explodir. — Eu poderia estar a salvo dele agora. Mas você ficou 
parado e não fez nada.
— Ainda não terminou — ele disse, calmamente. — E estou aqui agora.
MacEgan não passava de um intruso, um homem que a abandonara. Mas Genevieve 
viu algo em sua expressão, algo inesperado: sinceridade. Podia ser um bárbaro rude, 
decidido a conquistar Rionallís, mas o timbre da voz e a brutal honestidade no rosto a 
fizeram reconsiderar.
Era melhor do que esperar pelo retorno de Hugh, ela concluiu. Tendo de escolher 
entre ficar ali e fugir com um estranho, preferia apostar suas chances em Bevan 
MacEgan.
— Se me levar em segurança, será o suficiente — ela disse com irritação, 
baixando a adaga. — Como conseguiu entrar?
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Ele puxou a tapeçaria, revelando um espaço estreito. Apenas uma simples corda 
pendia da estreita passagem dentro da parede.
— Espera que eu desça desta maneira? — ela disse, a garganta apertada ao 
visualizar uma queda vertiginosa.
— Não. Eu a levarei por outro caminho. — A expressão dele assumiu uma máscara 
de determinação. — Venha.
— Para onde?
— Lá para baixo. Tenho uma condição antes de conceder o que me pede.
— Que condição?
— Será minha refém.
Genevieve hesitou por um instante. Não sabia nada daquele homem, que poderia 
lhe fazer algum mal.
Mas MacEgan viera até ali, atendendo ao apelo feito mais cedo. Parecia haver 
pouca escolha.
— Não me entregará nas mãos dele, não é?
— Não. Mas você pode nos ganhar mais tempo.
— Por que está atacando a fortaleza? — ela perguntou.
— Sou dono de Rionallís por direito.
Genevieve percebeu que não era o momento de informar que Rionallís fazia parte 
de seu dote. Especialmente por depender de MacEgan para conseguir a liberdade. Ele 
descobriria a verdade em breve.
As mãos dela empurraram a tranca de madeira, mas MacEgan a pôs de lado pela 
cintura. Ao toque, Genevieve ofegou de dor. Mordeu o lábio até recuperar o controlo 
de si mesma.
— Eu vou primeiro — ele disse. — Você vem depois.
Ele abriu a porta. Genevieve agarrou o vestido rasgado, relutante em enfrentar 
Hugh. Uma parte sombria de si desejava fervorosamente que Hugh caísse sob a 
espada de MacEgan. Sem ele, a vida voltaria a ser como era antes.
Depois de notar que era seguro, MacEgan a puxou para o corredor. Genevieve viu 
outros homens, armados e prontos. Ele deu um brusco comando em irlandês, uma 
ordem para que os seguissem e protegessem. Com a mão sobre o pescoço de 
Genevieve, guiou-a pela escada curva até chegarem ao salão lá em baixo. Então levou 
uma faca à garganta dela.
— Não se mexa. Não quero que a lâmina corte sua pele.
Era estranho sentir-se segura com ele. Uma sensação de calma dominou 
Genevieve, pois MacEgan lhe oferecia uma segunda chance de escapar.
Quando os guardas normandos os viram, movimentaram-se para defendê-la.
— Não se aproximem — disse MacEgan, mas eles continuaram a postos. Genevieve 
vasculhou o salão à procura de Hugh, mas não havia sinal dele. Isso a deixou aflita.
— Diga a Sir Hugh que quero falar com ele — ordenou MacEgan. Um dos soldados 
se foi, e MacEgan manteve Genevieve diante de si. Durante angustiantes minutos, ela 
esperou que Hugh aparecesse. A lâmina tinha esquentado sobre sua pele, mas ela não 
ousava se mexer. Quando MacEgan tocou-lhe a nuca, sua pele ficou arrepiada.
Harlequin Históricos 64 - Guerreiro Guardião - Michelle Willingham
15
Os soldados estavam com as armas em prontidão, mas Genevieve sabia que, pela 
expressão deles, não agiriam sem receber ordens de Hugh.
Mas Hugh não apareceu. Em seu lugar, surgiu Sir Peter Harborough. Os cabelos 
grisalhos estavam bagunçados, a armadura manchada de suor e sangue.
— Solte-a — ordenou. Fez menção de puxar a espada da bainha.
— Sir Peter, espere! — gritou Genevieve.
MacEgan pressionou a faca na sua garganta.
— Se não quer que ela morra, sugiro que mande seus homens baixarem as armas. 
E quero ver Sir Hugh.
Genevieve observava os soldados, imaginando quando seu noivo emergiria das 
sombras. Não havia dúvida de que ele estava por perto.
A expressão de Sir Peter era uma combinação de fúria e hesitação. Após um 
instante, ele desembainhou a espada.
— Malditos irlandeses. Não conseguem nem compreender que foram vencidos. — 
Sir Peter olhou para um soldado e ordenou: — Traga o prisioneiro.
MacEgan ficou alerta. Genevieve não sabia do prisioneiro. Quando ele foi trazido, 
viu um garoto que mal teria 14 anos. Era magricela, com cabelo louro-avermelhado e um 
princípio de barba lhe cobrindo o rosto. Vinha de cabeça baixa, como se envergonhado 
de si mesmo.
MacEgan explodiu de raiva. Falava em irlandês, provavelmente para evitar que os 
outros o compreendessem.
— No que estava pensando, Ewan? Mandei que ficasse em Laochre.
O garoto se encolheu.
— Sinto muito, irmão. Pensei...
— Pensou que poderia se juntar à luta? E quanto tempo demorou para que fosse 
capturado?
O rosto do garoto corou.
Genevieve não conseguiu ficar calada por mais tempo.
— Soltem-no. É só um menino.
— Que talvez não viva até se tornar homem se continuar a agir desta maneira. — 
MacEgan a apertou com mais força, sua tensão se tornando palpável.
Sir Peter revelou um sorriso de vitória.
— Então chegamos a um acordo, MacEgan. Você chama seus homens de volta, 
devolve Lady Genevieve ilesa e, em troca, soltamos o menino.
— E se eu recusar?
— A escolha é sua, claro. Mas somos superiores em número. — Sir Peter apontou 
com a cabeça para a parede oposta, onde arqueiros aguardavam com os arcos em 
prontidão. — Poderíamos matá-lo antes que seus homens largassemas armas.
Embora Sir Peter estivesse tentando protegê-la, Genevieve queria praguejar 
contra o homem. Nos dois últimos meses, ele passava praticamente todos os dias 
comendo e bebendo cerveja. Não tinha erguido um dedo para resguardá-la de Hugh. 
Mas no momento em que um irlandês tentava resgatá-la, ele decidia assumir o papel de 
salvador.
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— Esta fortaleza era minha muito antes que os normandos a tomassem — disse 
MacEgan. — Esta gente é leal a mim. Não levaria muito tempo para que uma adaga se 
fincasse entre suas costelas qualquer noite dessas.
Sir Peter deu de ombros.
— Isso é problema de Marstowe, não meu. Meu propósito é guardar Lady 
Genevieve até o casamento.
— Parece estar fazendo um péssimo trabalho.
A fúria eclodiu no rosto do homem e Bevan a apertou com mais força. Genevieve 
conteve o fôlego, amedrontada com a faca na garganta. Embora não acreditasse que 
ele fosse feri-la, a menor pressão faria a lâmina deslizar.
Onde estava Hugh? Genevieve duvidava que ele estivesse longe. Teria fugido? Ou 
estava tramando contra eles?
Então percebeu um leve movimento entre as sombras. O brilho da ponta de uma 
flecha refletindo a luz do fogo. Por instinto, empurrou MacEgan com toda a força, 
exatamente quando a flecha disparou. A seta arranhou o ombro de MacEgan, e teria 
acertado a garganta de Genevieve caso ela não tivesse se afastado a tempo.
A faca deixou sua garganta por um instante, e braços fortes a arrastaram para 
longe.
— Peguem-no! — ordenou uma voz.
Cinco guardas seguraram MacEgan. Ele lutou, golpeando com a adaga, mas havia 
muitos deles. Genevieve tentava se livrar de Sir Peter, mas ele a segurava com 
firmeza. Depois de uma luta medonha, MacEgan foi desarmado. Segundos depois, Hugh 
emergia das sombras. Ao vê-lo, o sangue de Genevieve congelou. A expressão no rosto 
dele parecia carinhosa, amorosa. Genevieve conhecia bem aquela artimanha.
Hugh a tomou nos braços, acariciando o ponto onde a lâmina estivera pressionada 
contra sua garganta.
— Eu o matarei por tocá-la. — Tirando a adaga da bainha, ele olhou MacEgan. — 
Poderia cortar a garganta dele agora.
Genevieve fechou os olhos, sabendo que nenhum prisioneiro seria libertado.
Hugh traçou com o dedo o contorno do seu queixo. O gesto fez a pele de 
Genevieve se eriçar.
— Mas prefiro que ele sofra pelo que fez. Será executado pela manhã, para que 
todos aprendam a não atacar Rionallís. Ele poderá assistir ao mais novo ser enforcado 
primeiro.
Genevieve voltou-se para ele, incapaz de esconder o ódio.
— Pensei que libertaria o menino.
— Não deixo escapar ninguém que ataque o que é meu. Volte para seu quarto e 
tranque a porta. — Hugh deu um tapinha no ombro de Sir Peter. — Agradeço por 
defendê-la.
— Não foi problema. — A mão de Sir Peter procurou a espada outra vez. — 
Devemos liquidar o resto deles?
Hugh inclinou a cabeça. Aos soldados, ordenou:
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— Protejam o pátio externo. Não poupem ninguém. — Com estas palavras, Hugh 
colocou o elmo e saiu.
Genevieve se obrigou a subir a escada, cada passo mais pesado que o último. Não 
podia permitir que MacEgan morresse, não depois de tentar salvá-la. Cruzou os braços 
em volta das costelas doloridas, lembrando do olhar faminto de Hugh. Ele se divertia 
com seu sofrimento. Suas mãos desceram até os quadris, trêmulas de medo, sabendo 
exatamente como ele pretendia machucá-la desta vez.
Existia uma última chance. Encontraria uma maneira de salvar MacEgan e o irmão, 
mesmo que isso significasse sua morte.
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Capítulo Dois
Genevieve escondeu-se num cômodo usado para estocar alimentos e ervas até que 
os ruídos da batalha desaparecessem ao longe. A densidade da fumaça sujava o ar, 
mas ela tentou não pensar no número de homens mortos no momento. Havia dois que 
poderiam ser salvos, e Genevieve os salvaria.
Analisou raízes e talos secos até descobrir o que precisava. Misturadas à 
cerveja, o gosto amargo não seria notado pelos guardas, assim as ervas os fariam 
dormir.
Hugh mandara os prisioneiros para um porão. Como Genevieve esperava, MacEgan 
estava fortemente vigiado. Ela equilibrou o jarro de cerveja e os canecos enquanto 
descia a escada. O ar frio lhe provocou arrepios no braço, mas ela ergueu os ombros e 
colocou um sorriso falso no rosto.
Assim que o guarda a viu, franziu a testa.
— Lady Genevieve, não deveria estar aqui.
— Achei que você e seus homens mereciam uma recompensa pela bravura desta 
noite — ela disse, erguendo o jarro.
O guarda ficou radiante com a oferta, permitindo que ela lhe enchesse o caneco. 
Ele ergueu o caneco num brinde, então bebeu com vontade. Genevieve serviu cerveja 
aos outros soldados, que logo relaxavam com um jogo de dados. Ela esperou por um 
instante, para ver se alguém reagiria à mistura de ervas, mas nada aconteceu.
Teria colocado o suficiente? Ou, pior, será que as ervas surtiriam qualquer 
efeito? Esta noite era a sua única chance de ajudar os MacEgan, pois Hugh estava 
ocupado com os invasores irlandeses. Olhou na direção dos prisioneiros, encolhendo-se 
quando viu o olhar suspeito de Bevan MacEgan.
Ele estava agachado, os punhos acorrentados. Embora por fora parecesse calmo, 
Genevieve pressentia que ele estava apenas esperando por uma oportunidade. MacEgan 
transpirava força, era um lobo enjaulado preparado para rasgar a garganta do inimigo 
quando tivesse a chance.
Seria a decisão certa libertá-lo? Se fosse apenas o menino, Ewan, ela Dão 
hesitaria. Mas não sabia nada sobre Bevan MacEgan, nem mesmo se era um homem 
honrado.
Genevieve tomou a direção da escada, como se pretendesse partir. Ooutro 
soldado ergueu a mão em despedida, e ela fingiu subir os degraus. Quando a atenção 
deles se concentrou no jogo, Genevieve esgueirou-se para as sombras. Recostou-se nas 
pedras frias, a pulsação disparada de ansiedade.
Na escuridão, viu MacEgan observá-la. O olhar penetrante a deixava trêmula, 
embora ele não dissesse nada que denunciasse sua presença.
As ervas estavam demorando demais para ter efeito. Genevieve não sabia o que 
fazer caso os soldados não sucumbissem ao sono.
O menino se debatia com as correntes, lutando para se soltar. MacEgan se 
encostou novamente à parede, nenhum traço de emoção no rosto mareado. Esperava 
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com a paciência de um homem que já conhecera o cativeiro. Genevieve rezava para não 
estar cometendo um erro ao confiar nele.
Depois de longo tempo, ela ouviu passos se aproximando. A voz de Hugh ecoou 
enquanto ele descia a escada.
— Quero ficar sozinho com os prisioneiros.
Ao som de sua voz, Genevieve tentou se encolher ainda mais. Encontrou um 
pequeno nicho atrás de um dos barris, curvando bem o corpo. Os guardas subiram a 
escada, mas nenhum deles pareceu notá-la. Genevieve apertou as mãos, cada músculo 
tenso.
Hugh puxou uma adaga, o dedo alisando o gume da lâmina. O aço brilhava 
prateado à luz das tochas. Ele parou diante de MacEgan, uma expressão sombria lhe 
afinando a boca.
— Não devia tocá-la. Ela me pertence. Qualquer homem que a ameace morrerá.
O menino empalideceu, mas MacEgan enfrentou o olhar do adversário sem 
titubear.
— Então deve estar pronto para enfrentar a própria morte. Foi você quem bateu 
nela, não foi?
Uma fúria assassina escureceu o rosto de Hugh. Ele ergueu a adaga e cortou o 
rosto de MacEgan, talhando uma ferida que se assemelhava à cicatriz na face oposta.
Embora um lampejo de dor tivesse ofuscado os olhos do guerreiro irlandês, ele 
não se mexeu. Encarava Hugh em mudo desafio. Genevieve conteve a respiração, a mão 
procurando as costelas doloridas.
Então Hugh cravou a adaga no ombro de MacEgan, onde a flecha o cortara mais 
cedo. Genevieve esperava que MacEgan gritasse, mas ele não emitiu nenhum ruído.Apenas sustentava o olhar de Hugh, o rosto contorcido de dor.
Já tinha visto o bastante. Se não agisse agora, Hugh cortaria a garganta de 
MacEgan em seguida. Ela saiu do esconderijo, segurando o jarro de cerveja. A frágil 
cerâmica se estilhaçou na cabeça de Hugh, mas ele continuou de pé. Genevieve tentou 
se afastar, mas ele a agarrou.
Hugh lhe bateu no rosto, e uma dor violenta explodiu ao longo de sua bochecha. 
Não pôde evitar o grito que lhe escapou dos lábios em grande agonia. O punho dele foi 
de encontro às suas costelas machucadas, expulsando o ar de seus pulmões. Pela 
primeira vez, Genevieve vislumbrou o rosto da morte. Havia ultrapassado os limites do 
medo e da raiva, agarrando-se à necessidade de sobreviver. Os joelhos se dobraram, 
pois não conseguia respirar. A escuridão tomava sua visão.
Bevan aproveitou a oportunidade para prender a garganta do homem com sua 
corrente. Sentia gosto de sangue, mas ignorava a forte dor no ombro. Um claro senso 
de propósito atiçava a raiva que crescia em seu interior.
Quando o cavaleiro normando bateu em Genevieve, era como se ele estivesse 
vendo a esposa. Passado e presente se confundiram, as imagens do campo de batalha 
preencheram sua mente. Viu a esposa, Fiona, gritando por socorro enquanto os 
normandos a perseguiam a cavalo. MacEgan enfrentava hordas de soldados inimigos, 
tentando com todas as forças alcançá-la.
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Seu fracasso o assombrava desde então.
Embora fosse Genevieve quem sucumbiu sob os punhos de Sir Hugh, era a esposa 
que Bevan via ao pressionar a corrente de metal ao redor da garganta do homem, 
estrangulando-o. A medida que a corrente apertava, o rosto do cavaleiro ficava 
frouxo, o corpo desabando na inconsciência.
Os olhos de Bevan perceberam movimento. Soldados começaram a descer a 
escada, espadas em punho. Foi forçado a largar Hugh, embora desejasse ter tempo 
para arrancar-lhe a vida. Qualquer homem que batia em uma mulher não valia a sujeira 
debaixo dos próprios pés. Arriscou uma olhada em Genevieve e viu que ela segurava as 
costelas. Estava viva, mas era enervante que uma mulher tentasse resgatá-lo.
Uma espada veio na sua direção, mas Bevan deteve o ataque com a corrente. Anos 
de treinamento tornavam fácil defender-se, então esperou por uma oportunidade de 
desarmar o oponente.
Estranhamente, os soldados pareciam não ter firmeza nos pés, comportando-se 
como se tivessem tomado cerveja demais. Um dos homens mirou em Ewan, e Bevan 
girou para receber o impacto da lâmina em sua corrente. Respirou aliviado quando os 
homens deixaram seu irmão em paz.
Ewan jogou-se no chão, usando os pés para derrubar um dos guardas. Bevan se 
esquivou de mais golpes enquanto lutava para manter-se de pé. Sentiu-se revigorado 
quando um dos homens perdeu o equilíbrio, pois pôde tomar a espada. Segundos depois, 
o homem jazia morto no chão.
O segundo guarda veio cambaleando, a expressão vazia. Uma adaga estava 
cravada em suas costas. Por trás dele surgiu Genevieve, o rosto fantasmagoricamente 
pálido. Bevan já tinha visto aquela expressão antes. Era primeira vez que Genevieve 
matava um homem, ele podia apostar. Ela agia como se esperasse que Deus a 
castigasse pelo pecado cometido.
Bevan não se importava mais com a alma. Vivia na perdição eterna há dois anos. 
Capturou o terceiro guarda, enrolando a corrente na garganta do homem e apontando a 
espada na barriga dele.
— Abra meus grilhões.
O guarda olhou na direção da escada. A paciência de Bevan desapareceu.
— Estará morto antes que cheguem aqui se não abrir isso.
O homem tateou pelo pesado aro de ferro pendurado à cintura com as chaves e 
abriu os grilhões.
— Agora meu irmão.
Quando a última corrente caiu, o guarda tentou disparar para a escada. Bevan 
girou a espada na direção da cabeça do homem, atingindo-o com o punho. O guarda 
desabou no chão, inconsciente.
— Você não o matou — murmurou Genevieve.
— Mantive minha palavra. — Ao irmão, disse: — Pegue nossas armas e liberte os 
homens. Diga que alertem os outros e voltem para Laochre.
Ewan disparou pela área de armazenamento para cumprir a ordem. Bevan ajudou 
Genevieve a ficar de pé, embora ela ainda segurasse as costelas.
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— Está ferida.
— Não tanto quanto você — ela balbuciou. — Deixe-me cuidar de suas feridas. 
Seu ombro está sangrando muito.
— Não há tempo. — O ferimento não era mortal, embora a dor o deixasse tonto.
— Precisa partir. Matarão você.
Bevan sabia disso, com a mesma certeza com que sabia que precisava levá-la 
consigo. Era a única maneira de mantê-la a salvo.
— Você vem conosco?
Os olhos de Genevieve encheram-se de lágrimas, e ela olhou para o corpo caído 
de Hugh.
— Ele ainda está vivo?
Bevan deu de ombros.
— Por enquanto.
— Não posso ficar aqui. Não mais.
Ewan retornou, carregando arco e flechas, além de duas espadas. Era visível que 
a lâmina tinha mais da metade da altura do menino, mas Ewan a segurava com fervor.
— Os homens saíram. Pela passagem do souterrain, como você ordenou.
— Bom. — Bevan pôs a espada na bainha e estendeu a mão para Genevieve. — Vem 
ou fica? A escolha é sua, a chara.
Com um olhar amedrontado para o homem que lhe batera, Genevieve segurou a 
mão de Bevan.
— Eu vou.
Escaparam pela estreita passagem, o cheiro de terra e barro molhado a envolvê-
los. Bevan os guiou por um túnel secundário que dava para a floresta. A noite se 
tornara fria, o ar gelado açoitando-lhes o rosto quando ventava.
Genevieve segurava as costelas, o rosto contorcido de sofrimento, mas não 
reclamava.
Bevan considerava que alguma loucura havia se apossado dele, para trazer uma 
mulher consigo. Era fraqueza sua não suportar ver uma mulher apanhar. Suspeitava 
que Sir Hugh era alguém próximo de Genevieve, um parente, ou o noivo.
Ele sabia que precisava encontrar abrigo para os três. A jornada de regresso à 
fortaleza de seu irmão levaria dias, e não houve tempo para recuperar os cavalos. A 
voz da dúvida fincava os dentes em sua confiança. Não sabia se eles teriam sucesso.
E também não havia qualquer sinal de seus homens. Isso o incomodava, pois Bevan 
não sabia se tinham sido detectados. No negrume da floresta, parou para ver Rionallís. 
Tochas ardiam na escuridão em meio ao cintilar de armaduras de malha. Precisavam se 
distanciar mais, então Bevan acelerou o passo.
A viscosidade sob a túnica o alertava da necessidade de estancar o sangramento. 
A dor se tornara uma grave realidade, mas Bevan não tinha escolha senão seguir 
adiante. Se parassem agora, estariam mortos.
O irmão conseguia acompanhá-lo, mas Genevieve começou a ficar para trás. Ela se 
encostou a uma árvore, o braço envolvendo as costelas.
— Dê-me um instante — ela implorou, recuperando o fôlego.
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— Não podemos. Estão nos seguindo. — Bevan a observou, avaliando os 
ferimentos. Baixando a voz, perguntou: — Prefere ficar aqui? Voltar com eles?
— Não. — A rebeldia luziu nos olhos de Genevieve, que ergueu os ombros. — 
Nunca voltarei para ele. — Aprumou o corpo, então recomeçou a andar.
— Quem é ele? Seu marido?
— Meu noivo. — Ela acelerou o passo até se afastarem da floresta. — Mas não 
por muito tempo. Não se eu ficar livre dele.
Atravessaram campo aberto, o instinto guiando Bevan pelo caminho certo. 
Envolto pelo escuro, usava a fraca luz que vinha da igreja. A cada passo, ele sentia 
suas forças decaindo.
Genevieve pareceu pressentir isso, pois o deteve.
— Precisa fechar as feridas.
— É muito perigoso.
— Ela está certa, Bevan. — Ewan segurou a mão dele. — Você não vai aguentar 
muito mais.
Bevan não gostava de admitir fraqueza, particularmente quando os outros dois 
dependiam dele para sobreviver. Mesmo assim, não seria bom para nenhum deles que 
tropeçasse e desabasse. Seu olhar buscou as luzes distantes. Por fim, disse:— Sei de um lugar onde podemos ficar. Mas se houver qualquer sinal dos homens 
de Sir Hugh, teremos que partir.
Quando alcançaram os limites das terras dos arrendatários, Genevieve se 
encaminhou para uma cabana em forma de colmeia. Bevan meneou a cabeça.
— Não colocarei minha gente em perigo.
Só existia uma possibilidade de abrigo. Ele apontou para uma distante torre 
redonda erguida ao lado da igreja.
— Fiquem atrás de mim.
Quando se aproximaram, viram que a igreja era pequena, mas que a torre 
ofereceria grande proteção durante a noite. Bevan viu uma vela acesa na janela e 
ergueu o punho contra a porta. Um padre alto e magro atendeu à batida. Ele 
reconheceu o padre Ó Brian, um homem quieto, que era conhecido por ter manejado a 
espada durante a juventude. Bevan respeitava o padre e a força da fé daquele homem.
— Procuramos um lugar para ficar — disse Bevan.
O padre olhou para os três, a atenção na túnica ensanguentada.
— Bevan MacEgan. — Ele esfregou a barba castanha e abriu mais a porta para 
que entrassem. — Já faz muito tempo. Quase um ano e meio desde que saiu de 
Rionallís. — O padre gesticulou para que entrassem. — Fico feliz por vê-lo. Temos 
rezado por seu retorno desde que os invasores vieram.
Bevan compreendeu a censura velada. Mas, depois da morte de Fiona, o vazio de 
Rionallís tornara sua permanência insuportável. No primeiro ano, viajou de uma tribo 
para outra, vendendo os serviços de sua espada. Então, na última primavera, seu povo 
foi atacado e conquistado.
Ele segurou o braço do padre.
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— Retornaremos outra vez. Eu juro. — O rosto de seu irmão caçula Ewan, corou 
de vergonha. O menino se culpava pelo fracasso da invasão.
— Que bom. — Padre Ó Brian apontou para a pequena capela. — O que posso 
fazer para ajudá-lo?
— Precisamos de abrigo esta noite, e comida. Cavalos pela manhã, se possível.
O padre assentiu.
— Acho que a torre será o melhor. — Ele os levou para fora, por trás da igreja. A 
torre de pedra se erguia acima das sombras do lugar, estreita em diâmetro. O padre 
trouxe uma escada para que eles subissem para a entrada, seguindo na frente. Uma 
vez lá dentro, fechou a porta e baixou uma escada de corda que conduzia ao andar de 
cima.
— Que lugar é este? — perguntou Genevieve.
— Usamos como depósito — respondeu padre Ó Brian. — Mas também podemos 
detectar nossos inimigos a distância. Está aqui há centenas de anos. Dizem que os 
padres costumavam esconder tesouros religiosos nestas torres.
Usando uma tocha para iluminar, ele os guiou vários andares acima, mas não os 
levou ao topo. Bem acima deles estava o sino usado para anunciar as horas. Seis 
janelas rodeavam o andar mais alto. Bevan pretendia usá-las para vigiar os inimigos.
— Não há fogo, mas devem ficar bem aquecidos neste andar. Há um catre, caso 
desejem dormir. — Padre Ó Brian apontou para a ferida de Bevan. — Trarei uma bacia 
d'água para cuidar dos ferimentos...
— Eu cuido — interrompeu Genevieve. — Você tem agulha e linha? Alguns cortes 
são profundos.
O padre inclinou a cabeça e deixou a tocha numa arandela de ferro antes de 
partir. Depois que ele saiu, Genevieve olhou o interior da torre, examinando cada 
andar até o topo.
O vento soprava contra as pedras, um guincho agudo que fazia Bevan pensar em 
espíritos demoníacos. Embora não fosse um homem supersticioso, fez o sinal da cruz. 
Não enganaria a si mesmo achando que estavam seguros aquela noite.
Demorou um pouco para que ele voltasse, mas padre Ó Brian trouxe pão e 
hidromel, além de água e tiras limpas de linho. Entregou a Genevieve um pacotinho de 
pano contendo agulha e linha. Então os deixou sozinhos. Ewan ergueu a primeira 
escada, selando a entrada principal, então se ocupou com a comida.
Com ajuda de Genevieve, Bevan removeu a túnica, evitando cuidadosamente a 
ferida no ombro. Ela limpou o corte sem erguer os olhos para ele. Embora ela fizesse a 
tarefa com calma eficiência, Bevan pressentia um grande desconforto. Genevieve 
estava com medo dele, mesmo depois de tudo o que havia acontecido.
A bochecha dela estava inchada, uma mossa começava a se formar. Uma crosta 
de sangue lhe cobria a têmpora, emaranhando o cabelo escuro. Ele estava contente por 
ter tirado Genevieve de Rionallís. Contudo, não sabia o que fazer com ela.
— Você tem outra família por aqui?
Ela meneou a cabeça, colocando linha na agulha.
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— Meu pai deveria ter vindo. Ficou doente e não pôde viajar comigo para Rionallís. 
Em seu lugar, mandou Sir Peter e a esposa como meus guardiões. — Ela juntou as 
beiradas da ferida no ombro e Bevan ficou tenso. — Deveria me casar com Sir Hugh 
assim que chegássemos.
— E por que não casou? — Ele trincou os dentes com a dor da sutura. Sentia-se 
tolo por uma agulhinha lhe causar tonteira, uma vez que tinha suportado a punhalada 
sem fraquejar.
— O rei queria testemunhar o casamento. — A boca de Genevieve se contorceu. 
— Suspeito que Hugh queira o testemunho do rei. Ele superestima sua importância 
junto ao rei Henrique. Fiquei contente com a protelação. — Ela terminou a sutura, e 
Bevan suspirou de alívio.
— Seus guardiões... não deviam cuidar de você? — Ele olhou explicitamente para o 
machucado dela, então para as costelas. O vestido rasgado o lembrou de Sir Hugh, da 
brutal surra que testemunhara.
Genevieve ficou vermelha.
— Sim. Mas Sir Peter acreditava que eu era desobediente, e que Hugh estava 
certo ao me punir.
As mãos de Genevieve se voltaram para o corte no rosto de Bevan, que se 
preparou para a agulha novamente.
— E a esposa de Sir Peter?
— Ela mal falava comigo — admitiu Genevieve. — Reclamava da Irlanda, queria 
voltar para a Inglaterra. Ficava a maior parte do tempo no solar, choramingando. — 
Genevieve fez uma careta de desgosto.
A agulha se movia rápido, fechando o corte. Genevieve, felizmente, terminou 
logo. Era mais fácil respirar agora que tinha acabado.
Ela enfaixou o ferimento com as tiras de linho. Com um pano, limpou o corte no 
rosto dele. Terminou de cuidar dos ferimentos e lhe serviu um copo de hidromel.
Bevan tomou a bebida fermentada e apontou para o machucado no rosto dela.
— Para onde quer que eu a leve quando amanhecer?
— Para longe de Hugh. Não importa onde. — Genevieve se levantou e cruzou o 
cômodo, para se sentar no catre.
Bevan lembrou a si mesmo que não deveria se preocupar com os problemas de 
Genevieve. Era filha de um inimigo, nada mais. Tinha pagado seu débito para com ela, 
então era melhor que seus caminhos se separassem o quanto antes. Ainda assim, a 
presença dela o desconcertava.
Seus cabelos eram escuros, como os de Fiona. Os olhos eram azuis, da cor do 
mar. Era alta, a cabeça alcançando o queixo dele. Embora tivesse se afastado, Bevan 
notou como ela segurava as costelas. Não era a primeira vez que Sir Hugh a 
maltratava. Só não compreendia por que alguém permitiria que algo assim acontecesse.
Bevan pegou a bacia e foi sentar ao seu lado. Um leve perfume de lavanda 
emanava da pele de Genevieve. Sem pensar, limpou-lhe o sangue na têmpora.
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O que estava fazendo? Pensamentos de culpa lhe invadiram a mente com o ato 
íntimo, pois era a primeira vez que tocava uma mulher em muito tempo. Estendeu o 
pano para Genevieve, que o aceitou em silêncio.
— Ele a machucou. — Não era uma pergunta.
Genevieve encharcou o pano outra vez, torcendo-o. As mãos esfregaram as 
costelas.
— Acho que ele não quebrou nenhum osso, mas, sim, dói.
Bevan lamentava não ter matado Sir Hugh quando teve a chance. Comeram a 
magra refeição fornecida pelo padre Ó Brian. Lá fora, o vento uivava. Bevan subiu para 
o andar cercado por janelas pela escada de corda. O vento rugia através das 
aberturas, mas ele perscrutou a escuridão para ver se o inimigo se aproximava. Uma 
rajada branca rodopioupelo cômodo.
— Vê algo? — chamou Ewan.
— Neve. — Evan desceu vários andares, apoiando-se no ombro bom. A mudança de 
tempo diminuía sua preocupação, embora percebesse a confusão nos olhos de Ewan. — 
Esconderá nosso rastro, caso tentem nos perseguir. Por esta noite, desde que a neve 
continue, estamos salvos.
Um sorriso surgiu em resposta nos lábios de Genevieve. A leveza da expressão 
chamou a atenção de Bevan, que deu um passo adiante. Ela lhe susteve o olhar por um 
instante antes de desviar o rosto.
O que havia naquela mulher para encantá-lo tanto? Seus parentes tinham 
assassinado sua gente e roubado seu lar. O sangue correndo em suas veias era o 
mesmo sangue de seus inimigos. Ainda assim, Genevieve era uma inocente presa numa 
batalha que não deveria envolvê-la.
— Agora durma — ele disse, afastando-se. — Ficarei de vigia durante a noite.
Genevieve se enroscou sobre o catre de palha, abraçando-se para ficar aquecida. 
Ewan dormiu encostado a um saco de grãos no lado oposto da torre.
A noite se estendeu em longas horas, deixando Genevieve aflita por ter 
abandonado Rionallís. Hugh viria atrás dela, caçando-a até retomar posse dela. Não 
desistiria enquanto ela não voltasse para ele. Genevieve queria de alguma forma se 
tornar invisível, uma serva que não atrairia a atenção dos homens.
Lembrou como Bevan a olhava, a maneira como cuidou de seu ferimento. 
Antigamente teria encorajado suas atenções. Aceitaria de bom grado os sentimentos 
que Bevan podia despertar nela quando as mãos dele aqueciam as dela.
Mas agora tinha aprendido a lição. Aqueles dias ficaram para trás, não confiaria 
novamente no próprio julgamento. Não deixaria que nenhum homem cortejasse sua 
afeição outra vez, embora o pai provavelmente fosse lhe arranjar novo casamento. 
Genevieve sentiu o coração pesado ao fechar os olhos, desejando saber o que o 
amanhã lhes traria.
No escuro, Bevan observava Genevieve dormindo. Ela estava deitada de bruços, 
as palmas das mãos apoiadas sobre o catre, a respiração calma e cadenciada. Os 
cabelos escuros caíam sobre os ombros. Ele estendeu a mão e tocou uma mecha de 
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cabelo. Esta se enrolou em seu dedo, macia como uma fita de seda, antes que a 
soltasse.
Por que Genevieve os ajudara? O desespero para escapar de Sir Hugh era 
verdadeiro, e ele sabia que aquele ato de bravura tinha salvado suas vidas. Em 
retribuição, Bevan jurou protegê-la. Mas esta promessa significava trazer um inimigo 
para o seio de sua família.
Ewan aceitara a fuga como uma guinada de sorte do destino, mas era apenas um 
menino. Não parou para considerar a repercussão das ações de Genevieve. Embora ela 
tivesse vindo por vontade própria, Bevan sabia que Sir Hugh os perseguiria, buscando 
a morte deles. Ficava satisfeito com a perspectiva de matar sir Hugh, mas não podia 
permitir que Genevieve ficasse com eles. A presença dela colocaria em perigo seus 
entes queridos.
Um leve ruído chamou sua atenção. Genevieve estava acordada. Ela se sentou e 
encostou os joelhos no peito, mantendo o olhar em Bevan. O vento açoitava a torre de 
pedra, gemendo na escuridão do inverno.
— Não consigo dormir.
Bevan não fez qualquer movimento, qualquer ruído, apenas a observava. O longo 
cabelo de Genevieve derramava-se sobre os ombros como uma cachoeira, um halo se 
formando sob a fraca luz da tocha.
— Não lhe agradeci por me salvar — ela disse. — Não há palavras que expressem 
o quanto sou grata.
— Assim que chegarmos à fortaleza de meu irmão, farei com que vá para um lugar 
seguro — ele murmurou com brusquidão.
— Quero voltar para minha casa na Inglaterra — Genevieve relanceou Ewan -, 
mas depois, quando você deixar seu irmão em segurança. As vidas de vocês estão em 
jogo, afinal.
— Não me importo com minha vida. Só com a dele. — Não pretendia dizer isso em 
voz alta, mas era verdade. A morte não o assustava mais. Fora repreendido muitas 
vezes por Patrick e Connor por causa de sua imprudência nas incursões contra outras 
tribos.
Genevieve se aproximou, seu perfume o perturbou. Ela deu mais um passo, e 
Bevan mal conseguiu respirar. Levando a mão ao rosto dele, Genevieve traçou com os 
dedos a nova cicatriz em sua mandíbula.
— Sua bochecha está sangrando outra vez.
No escuro, com os cabelos soltos sobre os ombros, Bevan quase conseguia 
imaginá-la como uma amante, procurando por ele. Ele se afastou dela.
— Deixe assim.
Bevan tentou ignorar as imagens em sua mente. Antes que perdesse seu último 
vestígio de honra, subiu para um andar superior da torre, procurando pelo gélido 
abrigo da noite.
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Capítulo Três
— É hora de irmos — disse Bevan na quieta escuridão da manhã.
Genevieve abriu os olhos, dominada por uma estranha mistura de entusiasmo e 
esperança. Fugira de Hugh. Se conseguisse voltar para a Inglaterra, acreditava que 
seu pai a ajudaria a romper o noivado.
— Para onde estamos indo? — Ela esfregou os braços, tentando aquecê-los. 
Dentro da torre, as pedras retinham o frio. Sua respiração formava nuvens no ar da 
manhã.
— Para o acampamento normando de Tara. Poderá encontrar escolta lá.
Genevieve não tinha muita certeza. Se fosse para Tara, Hugh a encontraria em 
questão de dias.
— Será seguro — assegurou-lhe Bevan.
— Não. Os homens de lá são leais a Hugh. — Ela pressentia a irritação de Bevan. 
Ele não gostou de ter sua autoridade questionada. Embora lhe fosse grata pela ajuda, 
Genevieve não correria o risco de ser deixada em Tara. A reputação de Hugh em 
batalha lhe conquistara o respeito de seus semelhantes. Eles apenas a considerariam 
uma mulher histérica. Precisava encontrar o pai, a única pessoa que poderia ajudar.
O ferimento no ombro de Bevan começara a sangrar, apesar dos pontos. Uma 
mancha escura se espalhava pelo linho da túnica.
— Precisamos encontrar uma curandeira para cuidar de seu ferimento — ela 
disse. Não gostava da tensão no rosto dele, a dor silenciosa que suportava.
— A curandeira de meu irmão cuidará disso. — Ele afivelou o cinto da espada. 
Genevieve percebeu que ele tinha dormido contra a parede, no chão, isso se tivesse 
mesmo dormido. Bevan se aproximou, e ela se encolheu contra a parede de pedra da 
torre.
— E você? — ele perguntou com gentileza. — Suas costelas estão quebradas?
— Só estão machucadas. — A dor era mais suportável agora, embora o local ainda 
fosse sensível ao toque.
Bevan sacudiu o irmão caçula para que acordasse. Ewan bocejou, alongando o 
corpo magro. O cabelo claro estava revolto do sono, a túnica aberta. Ele fazia com que 
Genevieve recordasse dos próprios irmãos quando mais jovens. Ela os idolatrava, 
acreditando que matariam dragões por ela. Uma ponta de remorso a assaltou. Não via 
os irmãos há quase um ano. O irmão mais velho, James, havia casado. O segundo em 
nascimento, Michael, fora para a Escócia. Sentia saudades, mesmo que vivessem a 
importuná-la sem cessar.
Quase pensara em pedir ajuda a um deles, mas desistira da ideia. Se Michael ou 
James viessem à Irlanda, matariam Hugh sem pensar duas vezes. O pai era a melhor 
escolha, pois poderia terminar com o noivado sem qualquer derramamento de sangue.
— Venha — disse Bevan, arrumando cuidadosamente a capa. — Padre Ó Brian nos 
arranjou dois cavalos.
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Genevieve se sentou devagar, contendo um grito por causa das costelas doloridas. 
Tudo doía, até a parte de trás da cabeça.
Não pararam para o desjejum, apenas se despediram do padre Ó Brian.
E partiram. Lá fora, grossos flocos de neve continuavam a cair, cobrindo chão 
com uma camada de imaculado branco. O sol ainda não havia surgido, mas uma leve luz 
no oeste tornava o céu lavanda em contraste com a sombra cinza do amanhecer.
Bevan a escarranchou sobre uma égua castanha, montando atrás dela na sela, 
enquanto Ewan cavalgava um rocim preto.Genevieve mascarava a dor nas costelas, 
recusando-se a mostrar qualquer sinal de fraqueza. Nada poderia ser feito, e ela não 
queria retardar a fuga.
Com um rincho para a égua, Bevan colocou o animal para trotar pelos campos. 
Quando mal se via a igreja, Bevan aumentou o passo para um galope. Genevieve trincou 
os dentes, lutando contra a forte dor nas costelas.
Seus olhos miravam o horizonte, procurando por algum sinal dos homens de Sir 
Hugh. Desejava uma floresta, ou alguma maneira de se esconderem. Cavalgar pelos 
campos abertos os tornava alvo fácil para um arqueiro.
A neve continuava a cair, cobrindo seus rastros. Às costas, ela sentia o calor do 
corpo de Bevan. A maneira rude e a força sólida a intimidavam. Embora 
compreendesse a necessidade de compartilharem um cavalo, Genevieve se chegava 
para a frente, tentando não deixar que os corpos se tocassem. A posição fazia suas 
costelas arderem com o esforço, mas os ferimentos de Bevan eram muito mais graves. 
Não queria lhe causar mais desconforto.
Após breve intervalo, Bevan mudou de direção. Ewan o acompanhou, 
emparelhando o cavalo com o deles.
— Este não é o caminho mais rápido — ele protestou.
— Fique quieto. — Bevan olhou para trás e incitou a égua a ir mais rápido. 
Genevieve percebeu que seguiam em direção à costa, ligeiramente ao sul de Rionallís.
Seus dedos agarraram a crina da égua e ela se perguntava o que Bevan estava 
fazendo. Ele mudou o rumo mais uma vez, descendo o terreno. Genevieve agora via 
Rionallís, bem além do mar. Abaixo deles, pequenos barcos de pesca balançavam na 
água. Bevan os conduziu na direção dos barcos.
Naquele princípio de manhã, o mar refletia o céu nublado. Um aroma pungente e 
salgado preencheu as narinas de Genevieve quando se aproximaram. O grito das 
gaivotas ecoava no silêncio da manhã enquanto os pássaros se lançavam à procura de 
peixes.
A costa rochosa guardava um toque de geada, mas não havia neve cobrindo as 
areias. Pescadores carregavam suas redes em pequenas embarcações, conversando 
com voz abafada. Bevan desmontou e se aproximou de um dos pescadores, apontando 
para o barco.
Depois de uma longa conversa, Bevan entregou prata a ele. O pescador recolheu 
suas coisas e deixou o pequeno barco, resmungando baixinho.
Genevieve não compreendia por que ele queria o barco. Era muito mais rápido 
viajar a cavalo. Onde ele planejava ir?
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Bevan chamou com um gesto e ela se aproximou, segurando a mão dele para 
entrar na pequena embarcação de madeira. O pescador levou os dois cavalos embora.
— Fique abaixada. — Bevan empurrou os ombros dela para trás para que ficasse 
encostada no fundo do barco. Genevieve obedeceu, mas o movimento ondulante fazia 
seu estômago revirar.
— Por onde estamos indo? — ela perguntou. Genevieve não recebeu resposta, 
então conteve a língua. Olhou para trás, imaginando se Bevan tinha visto alguém a 
segui-los. Embora a neve que caía continuasse a cobrir seus rastros, Genevieve não 
acreditou nem por um segundo que Hugh a deixaria escapar. Em algum lugar, homens 
estavam a sua procura.
Apoiou a cabeça na madeira úmida, observando os homens. Os músculos dos 
braços de Bevan se contraíam ao remar, e ela não deixou de notar um súbito esgar. Ele 
empurrava os remos na água sem qualquer esforço, embora isso lhe causasse dor. 
Depois de um breve instante, desfraldaram a vela e ajustaram o curso.
Genevieve o observava remar, flocos de neve agarrando-se aos cílios e ao rosto 
dele. Os olhos verdes relancearam para os dela por um momento, e dentro deles 
Genevieve viu um grande vazio. Bevan voltou o olhar para a paisagem, como se 
procurasse por algo.
— O que é? — ela murmurou.
— Meus homens. Acho que não conseguiram evitar os normandos.
— Você não pode saber com certeza — ela comentou, mas Bevan meneou a 
cabeça.
— Já teríamos nos encontrado com eles a esta altura.
Genevieve arriscou olhar para terra firme. Nuvens de neve obscureciam a costa, 
e o mar cercava o diminuto barco. A água era verde-escura, quase preta. Queria 
assegurar a Bevan que ele poderia voltar, que poderia resgatar seus homens. Mas se 
ele assim fizesse, mais dos soldados de seu pai morreriam.
Por isso, preferiu mudar de assunto.
— Não me disse para onde estamos indo.
Ewan ajustava uma das velas, amarrando a corda enquanto o vento a inflava.
— Ennisleigh — ele respondeu. Seu rosto demonstrava orgulho.
— Onde é isso?
— É uma fortaleza insular que pertence ao nosso irmão mais velho, Patrick. Não 
poderão nos rastrear pela água — foi tudo o que Bevan disse.
Um leve sorriso curvou os lábios de Genevieve. A esta hora da manhã, ninguém os 
procuraria pela costa. A neve tornava o barco quase invisível, encoberto pelo forte 
nevoeiro.
Ela se reacomodou no oscilante barco, observando a neve flutuar ao sabor do 
vento. Depois de quase uma hora, viu gaivotas planando no ar.
A vela foi recolhida, e logo o barco raspava o chão. Ewan pulou do barco nas 
rochas, evitando a água. Bevan pisou diretamente no mar, erguendo Genevieve nos 
braços para que seus pés não tocassem a água. Colocou-a na praia, parecendo alheio ao 
frio. Os pés dele deviam estar congelando. Bevan e Ewan puxaram o barco para a areia.
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Genevieve aproveitou o momento para olhar ao redor. Tinham chegado a uma 
ilhota além da costa, com uma imponente fortaleza circular.
— É aqui que você mora?
Bevan meneou a cabeça.
— Mas paramos aqui para descansar. Eu a deixarei aqui até lhe arranjar uma 
escolta.
Genevieve refreou a língua, nada contente com a ideia de ser deixada sozinha.
— E você?
— Reunirei mais soldados para retomar o ataque a Rionallís. Preciso resgatar 
meus homens.
— Por que abandonou Rionallís, afinal? — ela perguntou. — Quando os homens de 
meu pai chegaram na última primavera, ninguém reclamou a fortaleza. — O lugar 
estava completamente negligenciado quando Genevieve chegou lá. O salão não era 
limpo há meses, e camadas de comida estragada e sujeira cobriam os juncos. Nenhuma 
das pessoas que viviam dentro da paliçada havia colocado um pé dentro da habitação.
A expressão de Bevan era dura, insondável.
— Dei ordens para que ninguém entrasse em minha casa. Minha gente obedeceu. 
Sabiam que eu voltaria para proteger o que me pertence. Especialmente dos Gaillabh.
— Sou um dos estrangeiros — ela salientou. — E Rionallís agora pertence ao meu 
pai. É parte de meu dote.
— Um dote roubado.
Genevieve não sabia o que dizer. Mesmo que tivesse o poder de lhe devolver as 
terras, uma parte sua não queria se desfazer delas. Gastara dias e dias limpando a 
fortaleza, ajudando os soldados a reparar a paliçada. E neste meio tempo começara a 
considerar o lugar como seu. Às vezes, à noite, subia à casa da guarda para ver a lua 
iluminar os campos.
— É um belo lugar — ela disse por fim. — Meu pai jurou ao rei Henrique manter a 
propriedade a salvo.
Os olhos de Bevan escureceram enquanto ele subia a trilha que levava à 
fortaleza. Em seu semblante, Geneviève via um homem preparado para declarar guerra 
à sua família. E, pior, ela compreendia o motivo.
— Não podemos chegar a um acordo? — ela sugeriu.
— Não haverá acordo. A terra me pertence.
— Eu libertei vocês dois — ela argumentou. — Será que suas vidas não valem um 
trato de paz entre nós?
— Arranjarei uma escolta que a leve de volta à Inglaterra — ele disse. — Então 
minha dívida estará paga. Depois disso, não lhe deverei mais nada.
O tom frio na voz de Bevan a calou. Genevieve olhou para a água cinzenta lá atrás. 
Seus temores aumentaram ao imaginar Bevan lutando contra seu pai. Era o que 
aconteceria, a não ser que ela encontrasse uma saída.
Os sapatos pouco a protegiam das pedras duras da base da ilha, mas Genevieve 
continuou subindo, ignorando a dor nas costelas. Bevan não fazia queixas, embora 
tivesse tropeçado uma vez e levado a mão ao ombro.Harlequin Históricos 64 - Guerreiro Guardião - Michelle Willingham
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Que tipo de homem ele era? Não se vestia como nobre, mas a perícia com a 
espada e a inquestionável liderança tornavam isto uma possibilidade. Contudo, as 
roupas simples e comportamento estoico permitiriam que ele se passasse facilmente 
por um plebeu. Um guerreiro, ela concluiu. Um homem feroz, com forte senso de 
justiça.
A neve rodopiava mais forte, mas logo alcançaram a entrada. Os homens ali 
cumprimentaram Bevan pelo nome, saudando-o com um respeitoso gesto de cabeça. 
Genevieve tentou contar o número de componentes da tribo, mas havia muitos. Isso a 
deixou aflita, sabendo que havia tantos a disposição para atacar Rionallís e sua família.
Seguiu Bevan para dentro, para um cômodo com um fogo brilhante ardendo na 
lareira. Genevieve se aproximou de lá, aquecendo as mãos. Um servo lhes trouxe 
comida e bebida, e ela comeu avidamente. Ewan fez o mesmo, mas Genevieve notou que 
Bevan não compartilhava do hidromel e do pão.
Ele tirou a capa e sentou-se, fechando os olhos por um momento. A postura 
permanecia ereta, mas Genevieve podia notar os sinais de exaustão. Ela pegou um 
pedaço de pão e o levou para ele.
— Deve comer alguma coisa.
— Não preciso de nada.
A voz soava áspera, o rosto parecia fatigado. Uma mecha do cabelo escuro lhe 
caía sobre os olhos, que faiscavam de dor.
— Precisa deitar e descansar. Sua ferida deve estar doendo. E você precisa 
aquecer seus pés por causa da água do mar.
— Estou bem.
Por impulso, Genevieve tocou a testa de Bevan. A pele parecia quente e febril.
— Deixe-me em paz, Genevieve — ele disse.
Homem teimoso. A ferida provavelmente estava infeccionada. Os sinais eram 
visíveis. Contudo, ele era do tipo de soldado que se recusava a admitir um pingo de 
vulnerabilidade.
— Você salvou minha vida — ela disse, a voz quase um sussurro. — E eu salvei a 
sua. Mas você não teria este ferimento se não fosse por mim. Deixe-me cuidar disso. 
Não direi nada ao seu irmão ou aos seus homens. Diga a eles que me levará para um 
quarto onde eu possa descansar.
Bevan segurou o pulso dela, detendo-a.
— Não preciso de ama-seca, tampouco pedi sua ajuda.
Genevieve o ignorou. Em voz alta, ela disse:
— Então? Não há lugar nesta fortaleza onde eu possa descansar?
Ewan parecia pouco à vontade, mas um homem barbudo de meia-idade se 
adiantou. Algum tipo de mordomo, adivinhou Genevieve, a julgar pelo largo aro de 
chaves preso à cintura. Ele curvou a cabeça para Genevieve:
— Com sua permissão, Bevan, eu a levarei a um dos quartos.
— Eu levo a dama ao quarto — disse Bevan, levantando-se. Olhou zangado para 
Genevieve, mas ela o ignorou.
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— Gostaria de um pouco de água quente e panos limpos para tirar a sujeira — ela 
disse ao mordomo. — Mande-os lá para cima, por favor.
O mordomo inclinou a cabeça. Genevieve achou a escada em curva que levava ao 
andar de cima, e Bevan a seguiu. A fortaleza não era grande, e demonstrava sinais de 
reparos recentes no telhado. Ao longo das paredes havia armas de todos os tipos. 
Algumas pareciam decorativas, enquanto outras revelavam cortes e evidências de 
batalha.
— Por que me desafia? — ele perguntou, baixinho.
— Você está sendo idiota. A ferida pode estar infeccionada com o sangue ruim.
Bevan se pôs diante dela, cruzando os braços.
— Não pretendo desistir do ataque a Rionallís, se é o que está pensando.
— Não. Isso seria demonstrar uma sabedoria que você não tem — ela rebateu.
— O que você está fazendo é ainda mais idiota — ele alertou. — Eu disse que não 
quero sua ajuda.
Genevieve entrou num pequeno cômodo contendo uma cama. A lareira abrigava 
apenas cinzas frias. Havia uma cadeira e uma mesa junto a uma das paredes.
— Sente-se — ela ordenou, quando se inclinava para acender o fogo. Cum o 
movimento, as costelas doeram. Genevieve ignorou a dor, concentrando-se na tarefa. 
Em minutos havia uma pequena chama ardendo.
Olhando para trás, viu que Bevan a observava. Ele tentava manter a expressão 
neutra, mas ela podia ver a dor não-manifesta. Isso a recordava dos irmãos mais 
velhos, quando não queriam admitir um ferimento do campo de treinamento.
Uma batida soou à porta e, ao atender, Genevieve viu o mordomo segurando uma 
bacia d'água e linho limpo. Genevieve agradeceu e fechou a porta.
Bevan continuou de pé, mesmo com ela segurando a água e o linho para trocar as 
bandagens. O olhar raivoso em seu rosto a intimidava. A nova cicatriz na face se 
contorceu.
Ele se aproximou dela tão rápido que Genevieve encolheu-se, cobrindo o rosto por 
instinto. Um instante depois, ela baixava os braços, o rosto inundado de vergonha.
— Não bato em mulheres — ele disse, o tom mais gentil. Genevieve ficou rígida, 
odiando-se por aquele momento de fraqueza.
— Eu sei. — Ela se ocupou com o linho, tentando recuperar a compostura. — Eu... 
você... você me assustou.
Bevan se aproximou com deliberada lentidão, os dedos tocando de leve o lado 
lesionado da bochecha.
— Só um covarde ergueria os punhos contra uma mulher. Só alguém com 
necessidade de se testar.
Genevieve engoliu em seco e assentiu.
— Sim. — O leve toque fez o rosto dela corar. De repente, ela quis desvanecer-
se, fugir daquele olhar penetrante.
— Sente e deixe-me trocar sua bandagem — ela disse. Para sua surpresa, Bevan 
obedeceu.
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As mãos de Bevan agarraram os braços da cadeira quando Genevieve colocou a 
bacia sobre a mesa. A tensão permeava cada músculo do corpo dele, e ela temeu lhe 
causar mais dor, apesar do desejo de ser gentil.
Viu que precisaria desafivelar o cinto. Bevan cerrou os punhos antes mesmo que 
ela lhe puxasse a túnica pela cabeça, mas não emitiu qualquer som.
Embora tivesse visto o peito dele na noite anterior, a intimidade de tocar a pele 
nua a deixava trêmula. Músculos fortes, formados por anos de treinamento, 
contraíram-se sob suas palmas. A pele quente guardava a cor bronzeada pelo sol de 
verão, e Genevieve o imaginou no campo de treinamento sem a túnica. Sulcos 
profundos lhe moldavam os músculos do tórax.
A ferida no ombro estava inchada, uma mancha roxo-escura se formando redor 
da carne aberta. Ela tocou delicadamente a beira da ferida e Bevan se encolheu. Por 
todos os santos! Não sabia como ele tinha conseguido ir tão longe sem desmaiar! Mas 
os pontos estavam firmes, apesar da jornada.
Genevieve limpou o sangue seco com o linho, tentando não lhe causar desconforto. 
Dando uma rápida olhada ao redor do quarto, viu grandes teias de aranha, seus fios 
cintilando à fraca luz do fogo. Genevieve foi até um canto, esticou-se e apanhou um 
bocado do material grudento.
Manteve um pano sobre a ferida, para tirar o excesso de sangue, antes de 
enrolar o ombro dele com as teias. Já havia testemunhado seus poderes curativos e 
sabia que ajudariam na regeneração da carne. Por fim, enfaixou o ombro dele num 
linho limpo.
— Isso precisa de um cataplasma — ela disse. — Pedirei ao mordomo as ervas de 
que preciso.
Bevan não disse nada, o rosto tenso de dor. Genevieve se ajoelhou c lhe tirou as 
botas, desnudando seus pés. Então os apoiou no colo e massageou a pele fria.
Nunca tocara o pé de um homem antes. O gesto parecia estranhamente íntimo. 
Os pés dele eram ásperos, e Genevieve deslizava os dedos pela pele, tentando lhe 
recuperar a sensibilidade. Esfregou as panturrilhas firmes e fortes, prosseguindo com 
o movimento até readquirirem cor.
— Lamento que tenha sofrido por minha causa — ela murmurou.
guerreiro guardião
— A dor faz parte da batalha. Estou acostumado com isso.
O rosto dele se contraiu e Genevieve adivinhou que parte de suas práticas 
começava a funcionar.
— Venha. — Genevieve o ajudou a ir para a cama. — Deite-se e descanse. — 
Afastou a coberta da cama e acomodou a cabeça dele num travesseiro. A pele de 
Bevan ainda estava muito quente ao toque, deixando-apreocupada com a febre.
— Muito obrigado — ele disse, que então fechou os olhos. Genevieve levou a 
palma da mão à testa dele.
— Agora durma.
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Observou o torso nu, verificando se havia outros cortes. Não viu nenhum. 
Percebeu-se comparando Bevan com o noivo. Diferente de Bevan, a pele de Hugh era 
pálida, da cor de uma massa crua. Genevieve estremeceu só de pensar.
Sentou-se diante do fogo, fitando seu calor tremeluzente. Seus olhos notaram a 
velha bandagem sobre a mesa, manchada de sangue.
Não havia como voltar atrás agora. Nunca deixaria que Hugh Marstowe se 
aproximasse dela novamente.
Genevieve ficou junto de Bevan a noite inteira, embora tivesse revelado ao 
mordomo sobre os ferimentos dele. O homem foi solícito e arranjou as ervas que 
pedira. Ela fez um emplastro com confrei e outras raízes que ajudariam a curar a 
ferida.
O céu se tornara escuro, por isso Genevieve fechou as venezianas. O fogo na 
lareira trazia um pouco de calor para dentro do pequeno quarto, mas mesmo assim ela 
tremia. Sentou-se na cama ao lado de Bevan, tentando fazer com que ele tomasse o 
chá feito de casca de salgueiro. Ele se debatia dormindo, a pele ardendo ao toque. 
Genevieve lhe esfregava a testa com panos úmidos, mas geralmente precisava segurá-
lo para conter sua agitação.
Por fim, ele agarrou a cintura de Genevieve e a puxou. Ela relutou, mas a força 
dele sobrepujava a dela, mesmo com o ferimento. Só quando Genevieve se deitou ao 
lado dele foi que Bevan se acalmou. As mãos se enroscaram nos cabelos dela, então ele 
dormiu.
Genevieve não conseguiria se livrar sem lutar, por isso acabou desistindo depois 
de um tempo. Se sua presença lhe trazia conforto, que assim fosse. Era um pequeno 
preço a pagar por ter escapado de Hugh.
As horas da noite se estendiam, o congelante ar de inverno envolvendo-os. O 
parco fogo pouco a aquecia, então Genevieve se aconchegou ao corpo de Bevan. Por 
fim, sucumbiu ao sono.
Bevan sonhava com Fiona, com sua pele branca como leite, macia como as 
primeiras flores de primavera. Os cabelos pretos se enlaçavam em seus dedos 
enquanto ele traçava os contornos de seu rosto. A outra mão deslizava sobre ela, até 
alcançar os seios. Pareciam mais cheios do que em suas lembranças, mas era bom ter 
sua esposa nos braços novamente.
Seu corpo enrijeceu ao puxar o traseiro dela contra si. Pelo deus Lug! Como 
sentia falta de Fiona! Queria rolar sobre ela e afundar-se em seu corpo, amando-a até 
que seus corpos tremessem em êxtase.
Uma dor intensa ardia no ombro, mas Bevan se recusava a pensar nisso, dando 
toda sua atenção à esposa. Ele a trouxe ainda mais perto e lhe capturou os lábios com 
os seus.
Misteriosos e doces, como ele lembrava. Ouviu Fiona emitir um gemido mudo, 
então lhe acariciou a maciez da nuca, saboreando-lhe a boca como se fosse a primeira 
vez.
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— A chroí — ele murmurou, pois ela era seu coração, sua alma. Nos recantos da 
mente, Bevan sabia que havia algo errado, mas se esqueceu disso quando seus lábios 
encontraram os dela outra vez. — Não se vá — murmurou.
Bevan a puxou para seus braços e ouviu o som do choro dela. Com o polegar, 
tentou lhe secar as lágrimas.
— Bevan... pare — ela murmurou. As mãos o empurravam, o afastavam. Por quê? 
Saboreou os lábios dela mais uma vez.
— Deixe-me amar você, Fiona. Deixe-me dar-lhe outro filho.
— Não! — Ela se empenhava mais desta vez, lutando para se afastar dele. — 
Solte-me!
As mãos dele pararam e, na obscura neblina de seu sonho, Bevan viu a esposa 
abandonando-o. Ela não o amava. Ela não queria seu toque. Rolando para o lado, soltou 
Fiona, sentindo um aperto na garganta.
— Você estava sonhando. Agora descanse. — Um pano úmido tocou sua testa e ele 
fechou os olhos. — Durma.
Genevieve puxou a cadeira para perto do fogo, seu corpo tremendo de medo. 
Sabia que Bevan estava sonhando. Sabia que estava pensando em uma mulher.
Mas quando a mão de Bevan lhe acariciou o seio, sensações tinham ganhado vida 
dentro dela. Eram sensações aterradoras, diferentes da dor que Hugh causava. O 
toque de Bevan fez com que Genevieve revivesse aqueles momentos, mesmo assim 
sentira prazer. Estava prestes a empurrá-lo quando ele a beijou.
Bom Deus! Não sabia o que fazer! Bevan tinha murmurado palavras Carinhosas, 
palavras de amor, fazendo com que sentisse um desejo desconhecido. Hugh nunca a 
beijava com amor ou compaixão. Só havia degradação em seu abraço.
Mas isto...
Bevan usara a língua, idolatrando sua boca. Genevieve levou a mão ao seio, onde o 
bico ainda estava rígido e aparente. A enormidade de seu desejo tornara afastar-se 
dele a coisa mais difícil do mundo.
Mas ele não sonhava com ela. Não a tocava ou chamava seu nome. Era Outra. A 
febre fizera com que ele perdesse a noção de onde estava.
Contudo Genevieve desejava ter conhecido amor assim. Houve um tempo em que 
Hugh lhe oferecia fitas e flores. Seu coração pulava sempre que ele sorria para ela. 
Acreditou que isso fosse amor.
Mas o que sabia do amor, afinal? O próprio casamento de seus pais era uma 
raridade. Não deveria usar a união deles como comparação.
Começou a arrumar o quarto, qualquer coisa que lhe ocupasse as mãos, e espiou 
algo pequeno e branco no chão, perto da túnica jogada de Bevan. O pequeno pedaço de 
linho era menor que sua palma. Perguntava-se de Onde aquilo tinha vindo. Na ponta, 
uma diminuta fileira de flores bordadas cobria a bainha.
Era pequeno demais para ser o lenço de uma dama. Genevieve franziu a testa. 
Devia pertencer a Bevan. Para ela, não aparentava qualquer valor.
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Então, por capricho, deixou aquilo em cima da mesa, dobrado. Sentia que o 
retalho significava algo para Bevan e que devia ser guardado com cuidado. Que tipo de 
homem guardaria uma recordação dessas?
Ele dormia, a respiração dissonante de dor. Mas Genevieve acreditava em sua 
recuperação. Quando Bevan estivesse curado, tentaria convencê-lo a esquecer a 
questão de Rionallís.
Quando o sol se levantou das águas, transformando o mar negro num reflexo 
prateado do céu, Genevieve rezou para que mais sangue não fosse derramado por sua 
causa.
Hugh Marstowe esfregava o pescoço. Linhas vermelhas marcavam a pele onde o 
prisioneiro ousara estrangulá-lo.
Genevieve havia ajudado o homem; ajudado ambos os prisioneiros a escapar. E 
agora o desgraçado tinha sua noiva. A pele de Hugh ardia ao pensar em qualquer 
homem a tocá-la. Agora mesmo Genevieve devia estar dividindo a cama com ele, aquela 
meretriz. Não tinha demonstrado comedimento? Não refreava a luxúria quando ela o 
repelia? Era um homem paciente.
Mas agora Genevieve fugira dele, acompanhando um irlandês. Sua mão apertou os 
elos de metal da corrente.
Tinha descoberto mais sobre o prisioneiro, Bevan MacEgan, graças a uma moça da 
aldeia. Não fora nada difícil convencer a garota a contar onde ficavam as terras da 
família MacEgan.
Lembrava do olhar de medo nos olhos da moça quando ele a estrangulou, deixando 
o corpo inerte na floresta. Usara a mesma corrente que fora usada nele. Guardava a 
pesada corrente de ferro, pois pretendia apertá-la ao redor da garganta do irlandês 
até que a vida desaparecesse dos olhos de seu inimigo.
Mas não ainda. Precisava saber mais sobre MacEgan. Se o pai de Genevieve 
descobrisse o ocorrido, Hugh correria o risco de perder a noiva e o dote. Não 
permitiria que nada ameaçasse a oportunidade de ganhar Rionallís e se tornar senhor 
de seu próprio feudo. A terra seria seu suporte; o primeiro degrau para se tornar um 
poderoso lorde. Não tinha dúvida de que o rei Henrique lhe concederia um título um 
dia. Rionallís seria apenas uma propriedade entre muitas.
Mas primeiro precisava recuperar a noiva. Não havia dúvida de que Genevieve 
estava na companhia de MacEgan. Hugh colocara seus homenspara persegui-los, e eles 
conseguiram rastrear os prisioneiros até a costa. Agora não era hora de entrar em 
batalha, mas de planejar com cuidado.
As propriedades dos MacEgan estavam entre as fortalezas mais fortes de Erin. 
Hugh não tinha homens suficientes para se lançar num ataque, não sem alertar o pai de 
Genevieve. Selecionou uma espada do arsenal, testando o gume com o polegar até um 
pequeno fio de sangue aparecer.
Rejeitava admitir qualquer tipo de fraqueza. Traria Genevieve de volta sem que o 
conde jamais descobrisse a verdade.
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Escolheu uma maça como segunda arma e a girou, deixando que a pesada bola de 
ferro dentada quebrasse o tampo de uma mesa de madeira. Imaginou que era a cabeça 
de MacEgan.
Em breve, minha doce Genevieve, ele pensou. Eu a buscarei em breve.
— Parto para Laochre esta noite — disse Bevan. Dias haviam se passado desde 
que Genevieve começara a cuidar de seu ferimento. Embora a pele ainda estivesse em 
carne viva, não mais vazava o sangue contaminado. Genevieve acreditava que Bevan 
poderia usar o ombro livremente em poucas semanas.
Negava-se olhar para Bevan, focando a atenção na ferida dele enquanto cortava a 
bandagem velha. Bevan havia tirado a túnica para que ela pudesse cuidar melhor do 
ferimento. A visão da pele nua a deixava desconfortável.
— Você ficará aqui — ele acrescentou. — Estará em segurança até eu lhe 
arranjar uma escolta.
— Se é o que diz. — Nem por um momento ela acreditava que Hugh havia 
desistido. Quando mais tempo ficasse, maiores eram as chances de ser encontrada.
— Há mais de 60 homens aqui — salientou Bevan. — E ninguém ainda a rastreou 
até aqui.
Genevieve enfaixava o linho novo no ombro dele.
— Por enquanto, isso é verdade. Mas Hugh virá atrás de mim.
Uma expressão sombria se acomodou em seu rosto.
— Está mais segura em Ennisleigh do que lá fora sozinha.
Genevieve amarrou a bandagem e cruzou as mãos sobre o colo.
— Isso é provável. Mas não quero ficar presa no meio de sua guerra contra minha 
gente.
— Esta batalha começou muito antes de você vir para Eireann — ele disse. — 
Rionallís me pertence, e não deixarei que caia nas mãos dos normandos.
— Sou uma normanda — ela disse, um timbre duro erguendo-se na voz. Bevan 
começava a se distanciar, colocando-a junto com os inimigos que desprezava. 
Genevieve não gostava disso.
— Eu sei. — O olhar se prendeu ao dela, sem intenção de recuar. Genevieve 
compreendeu de repente que a paz que havia entre eles desapareceria assim que 
voltasse para casa. Bevan a consideraria uma inimiga.
Seu coração sabia que a propriedade pertencia por direito a Bevan. Mas seu pai 
havia conquistado a terra e agora a defenderia. Não poderia permitir que Bevan 
colocasse sua família em perigo.
Genevieve escolheu as palavras seguintes com cuidado.
— A propriedade é parte de meu dote, pertencerá ao meu marido quando eu 
casar. — A voz se tornou um murmúrio. — Você derramaria meu sangue para retomá-
la?
Bevan ficou de pé, sua sombra assomando sobre Genevieve. Os músculos firmes, 
marcados de batalha, flexionaram-se quando ele se inclinou em sua direção. Genevieve 
tentou recuar, mas ele a segurou pela nuca e rapidamente a deteve.
— Meus homens a levarão para a Inglaterra. E sugiro que fique por lá.
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A pulsação dela acelerou, mesmo que tentasse não sentir medo dele.
— Sua escolta não me protegerá — ela disse. — Hugh matará seus homens e me 
fará cativa outra vez. A única pessoa em quem confio para me levar para casa é meu 
pai. Mande uma mensagem para ele e não precisará se incomodar comigo.
— E trazer os inimigos até nós? Não. — O tom dele era ríspido, ameaçador. Bevan 
se sentou, vestindo a túnica e o manto com capuz.
— Ele virá por mim — ela disse baixinho. Genevieve acreditava nisso de todo 
coração, mesmo que Thomas de Renalt não tivesse respondido uma única carta. 
Acreditava, acima de tudo, que Hugh havia interceptado suas mensagens. — Sei que 
virá.
— Não pedirei nada a um normando. — Bevan levantou-se e virou-se para sair. 
Tinha visto a mágoa nos olhos dela, o espírito ferido. Não pretendia falar de maneira 
tão desagradável, mas não se permitiria fazer amizade com um inimigo.
Genevieve de repente se aproximou dele, tomando-lhe a mão. Antes que Bevan 
pudesse reagir, ela deixou algo em sua palma.
— Não vai querer deixar isto para trás — ela disse.
Ele reconheceu a lembrança e fechou os dedos em volta do retalho.
— Onde conseguiu isto?
— Estava com você. — Genevieve não havia afastado a mão da dele, e a suave 
inocência de sua palma provocava uma chama de desejo nele.
Nenhuma mulher o tocava assim desde Fiona. Nenhuma tinha ousado. Lá fora, o 
vento rigoroso agitou suas roupas, mas Bevan ainda podia sentir o calor do gesto 
impulsivo de Genevieve.
Isso não significava nada. Não ficaria se importunando com o assunto. Afastou as 
incertezas da mente, guardou o retalho de tecido e puxou a capa ao seu redor.
Bevan murmurou um adeus, sem esperar pela resposta de Genevieve. Desceu para 
a praia e entrou em um dos barcos. Enquanto singrava as águas, Bevan dirigiu o olhar 
para o horizonte. Dois anos atrás, as tochas dos inimigos tinham lançado seu brilho 
vermelho sobre o mar. Espadas normandas haviam derramado o sangue de seus 
parentes sobre a terra.
Ele apertou o familiar retalho de tecido que Genevieve lhe entregara. O 
pedacinho de linho era um lembrete de seu propósito — vingança contra os invasores 
normandos que haviam tomado Rionallís.
Sob o crepúsculo, uma gaivota circulava sobre o mar, girando mais baixo na 
direção da presa. O sol ensopava o horizonte num brilho cor-de-bronze, uma bênção de 
luz. Bevan observou da praia os matizes rosadas do céu se trasnformarem num roxo 
profundo.
Isso o lembrou de uma das noites que ele e Fiona haviam passado juntos, 
esperando que as estrelas surgissem. Havia compartilhado com ela suas esperanças 
para o futuro, seus sonhos ainda a serem realizados. Havia pousado a mão sobre sua 
barriga volumosa, sua maior esperança de todas.
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Deixou o desespero de lado e forçou a mente a se concentrar no presente. 
Encontraria outra batalha onde lutar como mercenário, usando sua indolente sede de 
sangue como ferramenta para esquecer.
E deixaria Genevieve para trás, tentando não pensar nas sensações que ela 
agitava dentro dele.
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Capítulo Quatro
Quando pôs os olhos na cunhada, Isabel, Bevan sentiu como se a mão de alguém 
lhe arrancasse o ar dos pulmões. Ela segurava o filho recém-nascido nos braços, o 
rosto tão sereno quanto o da Madona. Num olhar mais próximo, viu o rosto enrugado 
do bebê, os olhos azul-acinzentados, e a boquinha se movendo à procura do seio 
acolhedor.
— O nome dele é Liam — disse Isabel carinhosamente. — Pelo tio que jamais 
conheceu.
Bevan notou o ar orgulhoso no rosto do irmão e conseguiu murmurar suas 
congratulações. Isabel levou o bebê ao ombro, lembrando-o de uma época anos atrás, 
quando a própria filha se aninhava em seu pescoço. Obrigou-se a desviar o olhar.
— Sentimos sua falta, Bevan — disse Isabel, dando-lhe um leve abraço.
— Você parece bem — ele respondeu.
— Ficará mais tempo conosco desta vez? — ela perguntou, embalando a criança 
nos braços.
— Nil. Lionel Ó Riordan pediu minha espada contra o exército de Strongbow. 
Seus homens estão lutando em Kilkenny. Eu me juntarei a eles quando resolver a 
questão de Rionallís.
O rosto de Isabel demonstrou desapontamento, mas seu irmão Patrick lhe 
ofereceu apoio.
— Se é o que deseja. Conte-me o que aconteceu. Posso presumir que Ewan se 
meteu em confusão novamente?
Bevan ficou tenso. Iinclinou a cabeça e preparou-se para contar a história. Neste 
instante, seu irmão caçula entrou no salão.
— O queestá fazendo aqui? — perguntou Ewan. — Pensei que estivesse com 
Geneviève.
À menção do nome, Bevan viu a cunhada exultar de curiosidade.
— Quem é Geneviève?
Bevan lançou um olhar de advertência a Ewan, mas o irmão o ignorou.
— Ela é...
— Fique fora do assunto, garoto... — ameaçou Bevan.
— ...a mulher que nós salvamos — concluiu Ewan com um sorriso convencido. — Na 
verdade, ela nos salvou primeiro.
Ewan se esquivou antes que Bevan o agarrasse, escondendo-se atrás de Patrick.
— Verdade? — refletiu Patrick. — Ora, isso é interessante.
— Muito — concordou Isabel. — Quem é ela? E por que não está aqui?
— É um arranjo temporário — disse Bevan. — Eu a deixei em Ennisleigh.
Podia ver que Isabel ardia por fazer mais perguntas, mas o marido a silenciou 
com um olhar de advertência.
— Ela é normanda — declarou Ewan.
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— Uma refém? — perguntou Patrick. Sua expressão agora estava séria. — Não é 
uma atitude inteligente, Bevan.
— Ela não é refém. Ela salvou nossas vidas. Tudo que ela queria era escapar do 
noivo. — Bevan deu de ombros, agindo como se isso não tivesse muita importância. 
Cortaria a língua intrometida de Ewan se o garoto não parasse de tagarelar. Olhou 
para Ewan e disse: — Encontre-me no campo de treinamento amanhã de manhã, e 
veremos se sua espada é tão boa quanto sua língua.
O sorriso de Ewan se alargou, e Bevan desejou não ter caído na armadilha do 
irmão. Sabia que Ewan queria mais lições com a espada. Bevan odiava o treinamento 
porque, por mais que tentasse, o garoto nunca melhorava. Sua habilidade com a espada 
ainda o mataria um dia, e todos sabiam disso. Ewan estaria melhor servindo à igreja.
Depois que se afastaram, Isabel se voltou para o marido.
— Bevan odeia normandos. Existe algo que ele não quis nos contar.
— Ele deve ter sido forçado a isso — disse Patrick em tom impassível. — Do 
contrário, não a teria trazido.
— Que tipo de mulher será ela? — refletia Isabel, levando o filho ao seio para 
amamentar. O bebê se agarrou a ela, fazendo ruídos suaves enquanto o leite fluía. — 
Por que abandonaria seu lar?
Patrick olhou para a esposa com suspeita.
— Não está planejando nada?
— Ainda não — ela declarou. — Mas gostaria de saber mais sobre ela. Acho que 
devo fazer uma visita a Ennisleigh.
— Não se intrometa, Isabel.
Ela levou o bebê ao ombro para que arrotasse.
— Será que é bonita? Bevan está sozinho há muito tempo.
Patrick pôs o braço sobre os ombros da esposa.
— Deixe-o em paz, a chroí. Ele ainda sofre por ela.
Isabel ergueu o olhar para o marido.
— Então já é hora de recomeçar a vida. Descobrirei o que for possível sobre esta 
mulher.
Na manhã seguinte, a espada de Bevan cortava o ar, provocando um talho no 
braço do irmão.
— Está tentando ser morto por mim? — ele perguntou. — Erga este escudo!
Ewan se esquivou de outro golpe e tropeçou, resvalando na ponta da espada de 
Bevan, que girou no último segundo para impedir que o irmão transpassasse a si mesmo.
Com fastio, Bevan guardou a arma na bainha.
— Isto basta. Encare a verdade, irmão. Você não nasceu para soldado.
Ewan tossiu, a cabeça inclinada para a terra congelada. Bevan podia ver a 
frustração na postura dele.
— Eu poderia ser um — insistiu Ewan. — Preciso de mais treino.
— Está treinando a vida inteira — disse Bevan com tom comedido. — E não posso 
protegê-lo para sempre.
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— Nunca lhe pedi isso — disse Ewan, a voz áspera. Levantou-se e apanhou a 
espada caída. — Sei cuidar de mim mesmo.
Bevan quase disse Não, você não sabe, mas ficou de boca fechada.
— Volte para dentro.
O irmão ergueu o queixo, e em seus olhos Bevan não viu aceitação, apenas fúria.
— Eu lhe provarei que posso ser um guerreiro. Juro. Não pretendia deixar que os 
normandos me capturassem.
— Ninguém nunca pretende ser capturado — observou Bevan -, mas você foi. 
Poderia ter sido morto.
— Sinto muito. — Ewan guardou a própria espada. — Por tudo.
Bevan sabia que ele se referia à derrota quanto a retomada de Rionallís, mas 
ignorou o pedido de desculpas do irmão. Em vez disso, acalmou o tom de voz.
— Deveria encontrar outra habilidade. Nem todo homem precisa ser soldado.
— Sou um MacEgan. É isso que somos. — Ewan olhou duro para Bevan, e naquele 
instante Bevan temeu que o irmão nunca aceitasse a realidade. A feroz determinação 
no rosto de Ewan deixava evidente que ele preferia morrer a escolher outro caminho.
Ao lembrar do outro irmão morrendo sob uma espada, um nó se formou na 
garganta. Seu irmão mais velho, Liam, morrera na luta contra os normandos, a mesma 
batalha que reclamara a vida de Fiona.
Bevan virou-se e bagunçou os cabelos de Ewan.
— Um dia, talvez — ele disse. A afirmativa lhe valeu um sorriso.
— Veremos Genevieve outra vez hoje? — perguntou Ewan, subitamente animado. 
— Gosto dela.
Bevan deu um resmungo nada tolerante.
— Nós não vamos a lugar nenhum. Eu talvez consiga com que ela volte para 
Inglaterra pela manhã. Ou no dia seguinte. Mas você fica aqui.
— Sir Hugh não a deixará em paz — Ewan o lembrou. — Pode até estar montando 
um exército neste momento.
— Ele não tem homens suficientes para nos combater. E Genevieve está segura 
em Ennisleigh.
Ewan deu de ombros.
— É possível.
— O que quer dizer?
— Ele poderia aparecer à noite, sozinho. Não seria difícil.
— Ninguém pode passar por nossos guardas.
— Eu posso — disse Ewan. — Fui muitas vezes à Ennisleigh. Gosto de dormir sob 
as estrelas.
— Os guardas o conhecem.
— Eles não sabiam que eu estava lá — insistiu Ewan. — Mas se você mandar 
Genevieve com um escolta para a Inglaterra, ele a encontrará. E matará qualquer 
homem que estiver com ela.
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A afirmativa do menino o enfureceu, porque era exatamente o que Genevieve 
dissera. Queria gemer de frustração. A única maneira de assegurar a segurança de 
Genevieve e impedir que Sir Hugh a capturasse seria ele mesmo escoltá-la.
Bevan praguejou quando colocou o pé na ilha. Não pretendia voltar a Ennisleigh, 
mas, além de retornar, trazia Ewan consigo. Ewan implorara para vir junto, já que tinha 
de suportar provocações depois de seu fracasso em Rionallís.
Bevan havia refletido várias vezes sobre os argumentos de Ewan, mas não tinha 
qualquer vontade de servir de escolta para Geneviève. Mesmo assim não esquecia da 
surra que ela sofrera de Marstowe, nem o medo em seus olhos ao sucumbir aos punhos 
dele.
Mais uma vez desejou ter tido a chance de matar o homem.
Ewan estava certo, Sir Hugh apareceria cedo ou tarde para reclamar sua noiva, 
ou os interceptaria na jornada para Dun Laoghaire.
Bevan levou a mão ao ombro ferido, que começava a sarar. Ainda levaria semanas, 
mas felizmente fora ferido no lado esquerdo, o que não afetava seu manejo da espada.
Avançou pelo pátio interno, em direção a uma área destinada ao treinamento. Os 
homens de sua tribo estavam envolvidos com os exercícios diários, supervisionados 
pelo capitão. Desde as invasões, esperava-se que todos os homens defendessem o 
forte. Era a única maneira de sobreviver.
Ewan se juntou a eles, praticando seu manejo com a espada. O ressoar de metais 
ecoava além das pedras, a respiração dos homens formava nuvens no ar gelado.
Geneviève estava parada ali perto, assistindo. Vestia uma capa negra com capuz 
e, quando viu que Bevan se aproximava, seu rosto se iluminou.
— É bom revê-lo, Lorde MacEgan.
— Bevan — ele corrigiu. — Não usamos títulos aqui... ao contrário de sua gente.
— Bevan, então. — Ela virou-se para observar os homens. — Eles fazem isso 
todos os dias?
— Nossos soldados estão entre os mais bem treinados em Éireann.
Genevieve estremeceu com o ar frio, e uma leve neve começou a cair.
— Acha que eles poderiam me treinar?
— Do que está falando?
Ela observava os soldados.
— Não a lutar com espada. Combate corpo-a-corpo.
— Por quê?
— Para que umhomem como Hugh nunca me toque novamente. — As palavras 
soavam frágeis, feito os pingos de gelo que ficam suspensos nas torres.
— Vamos para dentro. Está frio. — Bevan a conduziu para longe dos homens, mas 
Genevieve o deteve.
— Quero aprender a lutar — ela insistiu.
— Está segura aqui. Não há necessidade. — A lesão no rosto dela tinha adquirido 
uma tonalidade roxa, ele notou. Um instinto protetor de defendê-la de Marstowe 
surgiu dentro de si.
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— Nunca mais quero me sentir daquela maneira. Impotente. Não fui forte o 
suficiente para me defender sozinha.
Bevan colocou a mão em seu braço, mas Genevieve se afastou. Lágrimas brilhavam 
em seus olhos, mas eram lágrimas de raiva, não de lamento.
— Aprenderei a cuidar de mim mesma. Com ou sem sua ajuda.
Se sua esposa soubesse como se proteger, teria sido levada pelos invasores?
— Eu lhe ensinarei — ele disse por fim. Um dia a mais não seria problema. Era 
tarde para começarem a jornada para Dun Laoghaire, ele refletiu. Pela manhã seria 
melhor.
Foi recompensado com um pálido sorriso. Talvez esta fosse uma segunda chance 
para expiar seus pecados. Não fora capaz de proteger a esposa.
Mas poderia ensinar Genevieve a se proteger.
A PRIMEIRA lição começou no salão. Bevan encarou Genevieve e lhe ergueu mais 
o queixo para que encontrasse os olhos dele. — Nunca tire os olhos de seu inimigo.
Genevieve obedeceu, observando-o. As cicatrizes no rosto apenas acentuavam os 
traços fortes, a boca firme, e os selvagens olhos verdes.
— Não lute limpo. Mire as regiões sensíveis. Os olhos. A garganta. A virilha.
O olhar de Geneviève vacilou ligeiramente quando ela se lembrou da sensação de 
sua pele contra a dele. O toque cálido, as mãos segurando as suas. Seu corpo ficou 
tenso em reação à lembrança. Não gostava de como Bevan a fazia se sentir. Os 
estranhos desejos conjuravam temores que ela não queria enfrentar.
Bevan parou atrás dela, segurando-a ao redor dos ombros. Embora o gesto não 
significasse nada, um tremor inconveniente de desejo incendiou suas veias. Geneviève 
tentou ignorar a sensação, além do desconforto de ser abraçada tão forte.
— Se um homem a atacar desta maneira, use a nuca para esmagar o nariz dele. 
Com sorte conseguirá quebrá-lo, e quebrará a concentração dele também.
A concentração de Geneviève já tinha desaparecido, mas ela conseguiu concordar 
com a cabeça.
— Você tinha uma faca — ela disse. — O que eu deveria fazer então?
— Ainda poderá lutar com seu oponente. — Ele trocou as posições, ficando na 
frente dela. — Finja que está com uma faca na minha garganta.
Geneviève se aproximou, mas seus braços mal lhe envolviam os ombros largos. 
Ficou na ponta dos pés para alcançá-lo, uma faca imaginária nas mãos.
A posição lembrava um abraço, e Geneviève perdeu a coragem por um instante.
Não seja tola. Precisa aprender isto. Respirou fundo e tomou a posição.
— Primeiro, eu abaixo o queixo e agarro com força o braço com que o homem 
segura a faca. — Bevan cobriu as mãos dela com as dele.
A proximidade a deixou desconfortável novamente. Ele cheirava à fumaça, ao ar 
da floresta no inverno.
— Agora você dá um passo para trás. — Ele pressionou a perna para trás, contra 
as dela, girando o corpo para a direita. Geneviève perdeu o equilíbrio e precisou se 
agarrar a ele. Em segundos ela estava no chão, por baixo de Bevan.
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Genevieve não pôde evitar o tremor, o medo cego que a assaltou. Hugh havia 
tentado prendê-la assim uma vez. Embora parte dela estivesse indistintamente ciente 
de que Bevan não tencionava de lhe fazer mal, Genevieve fechou bem os olhos.
— Se cair por cima do homem, vai arrancar o ar dos pulmões dele — instruiu 
Bevan. — E então você estará com a faca na garganta dele.
Genevieve abriu os olhos, mas não pôde mascarar o horror.
— O que foi? — Bevan sentou ao lado dela, ajudando-a a sentar também. — Eu a 
machuquei?
Ela meneou a cabeça, tentando afastar a aguda sensação de medo que continuava 
a nublar sua mente. Ele não era Hugh.
Mas Hugh viria atrás dela. Não deixaria de caçá-la. Não até vê-la sucubindo aos 
seus pés novamente.
— Ele ainda me assusta — ela murmurou.
— Todo homem sente medo em batalha. O único homem que não sente medo é 
aquele que já está morto.
— Você não sentiu medo naquela noite. Vi Hugh esfaquear você. Ele o mataria.
— Não. A intenção dele era me ferir, não me matar.
— Como? Como você poderia saber de uma coisa dessas? — Ela mantinha os 
braços estendidos de maneira tensa, furiosa consigo mesma por ser incapaz de 
controlar o terror. — Ele tentou amedrontá-lo. Mas você o enfrentou. Quanto a mim... 
— A voz dela falhou. — Não consigo afastar o medo.
— Não tente. Pratique o que lhe ensinei e não precisará imaginar os movimentos. 
Não se tem tempo para pensar quando um inimigo ataca. Por que acha que nossos 
homens treinam todos os dias? Para que não precisem pensar. O treinamento faz com 
que ajam.
Bevan parecia muito seguro de si. Genevieve queria acreditar nele.
— Mas você está enganada — ele acrescentou. — Senti muito medo naquela noite.
— Por seu irmão? — ela perguntou, pensando na falta de experiência de Ewan.
Bevan ficou calado, o olhar preso ao dela. Genevieve esperava que ele 
concordasse, mas Bevan manteve o silêncio um pouco mais. Com o nó dos dedos, tocou a 
beirada do hematoma, a expressão insondável.
Ele não revelou suas emoções, mas Genevieve se tornou mais ciente dele. As 
cicatrizes de batalha, o poder silencioso e indômito daquele guerreiro irlandês, tanto a 
assustavam quanto a atraíam. Os olhos verdes como o mar a observavam de uma 
maneira que a deixavam trêmula.
— Tá — ele disse. — Senti medo naquela noite.
Bevan se levantou e estendeu a mão para ajudá-la. Genevieve se ergueu, mas ele 
não lhe soltou a mão.
— Enquanto estiver comigo, juro que não deixarei que ele a machuque. Hugh não 
tocará em você.
Apertou a mão dela, como se para selar a promessa. Genevieve queria muito 
acreditar em Bevan, mas sombras de dúvida desgastavam sua confiança.
— Que assim seja — conseguiu responder.
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Enquanto a tarde se transformava em noite, Bevan lhe mostrou outras táticas, 
maneiras de lutar com um inimigo. Genevieve as praticou, determinada a aprender. 
Sozinha em seu quarto, guardava cada movimento na memória, lutando contra um 
inimigo invisível.
Da janela espiava Bevan, enfrentando os soldados lá embaixo no pátio. Ele se 
movia com a facilidade que a experiência lhe proporcionava, bloqueando um golpe 
enquanto cortava o ar com a espada. Se não tivesse visto por si mesma, nunca diria que 
Bevan estava machucado, de tão rápido que se movia. Observando-o, não podia deixar 
de admirar suas habilidades.
À refeição da noite, ela perguntou:
— Onde aprendeu a lutar?
— Meu pai ensinou aos meus irmãos e a mim.
— Você é talentoso. — Genevieve tomou um gole de hidromel. — Seu ombro está 
doendo?
— Tá — ele admitiu. — Mas ficará bom com o tempo. — Bevan se levantou. — 
Arrume seus pertences. A primeira luz da aurora, eu a levarei para Dun Laoghaire.
— Por que não tomar um barco? — ela perguntou. — Se não viajarmos por terra, 
os homens de Hugh não poderão nos tocar.
— Os exércitos normandos de Strongbow estão patrulhando ao longo da costa. 
Não temos escolha senão fazer a travessia ao norte daqui.
As razões dele eram justificadas. Genevieve ouvira histórias de Richard 
FitzGilbert de Clare, apelidado Strongbow. Ele viera para a Irlanda há dois anos, para 
ajudar o deposto rei irlandês Diarmuid MacMurrough a recuperar seu reino. Seus 
soldados haviam assassinado centenas de homens, mas obtiveram sucesso na missão.
Por sua vez, Strongbow se casou com a filha de MacMurrough, planejando 
reclamar o reino para si. O rei Henrique começava a suspeitar dos ganhos territoriais 
de Strongbow. Tinhaordenado que o pai de Genevieve fosse à Irlanda, junto com 
outros Lordes normandos, para ficar de olho nele.
Genevieve concordava sinceramente com o desejo de Bevan de evitar a costa sul.
— Quantos homens nos acompanharão?
— Temos homens que bastem.
A resposta não a agradou.
— Quantos? — ela repetiu.
O rosto de Bevan demonstrava o descontentamento com a pergunta.
— Nossos soldados estão entre os mais fortes lutadores em Éireann. Não precisa 
temer Hugh.
— Força não importa — ela argumentou. — Você não teve homens que bastassem 
para retomar Rionallís. Os soldados chegaram a retornar?
Bevan continuou em silêncio.
— Foi o que imaginei. — Genevieve meneou a cabeça. — Se não pode destacar 
homens suficientes para uma escolta, prefiro ficar aqui e esperar que os homens de 
meu pai venham me buscar.
— Posso defendê-la de Sir Hugh — disse Bevan.
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— Não duvido que seja um lutador habilidoso. Mas foi ferido.
Bevan se ergueu da mesa, a mão posta sobre o punho da espada.
— Acha que não posso protegê-la?
Genevieve hesitou.
— Você me ajudou a escapar, e sou grata por isso. — Não mencionou que o único 
homem em quem confiava para levá-la em segurança para casa era o pai. Sir Hugh não 
tinha poder sobre Thomas de Renalt.
A expressão de Bevan se tornou tão fria quanto a neve que cobria o chão lá fora. 
Genevieve ergueu os ombros, recusando-se a recuar. Havia algo mais em sua 
expressão, algo por trás do orgulho ferido. Um olhar sombrio, que se dissipou em 
segundos.
— Não se preocupe em me proteger — ela disse. — Ao menos aqui podemos ver 
nosso inimigo. Estarei segura até a chegada de meu pai.
— Já disse que não trarei mais normandos para cá.
— Meu pai não faria mal aos seus homens. Ele o recompensaria pela ajuda.
— Como? Devolvendo-me Rionallís? — ele zombou, baixinho.
Genevieve meneou a cabeça.
— Isso não é possível.
— Você prefere atrair minha vingança sobre sua família? — ele perguntou, a voz 
feito aço. — Prefere que eu erga a espada contra aqueles que ama por causa de um 
pedaço de terra?
Ela cruzou os braços.
— Não acredito que você faria tal coisa.
Bevan se aproximou até que apenas um sopro de ar estivesse entre eles. Embora 
não a tocasse, Genevieve sentia a ameaça velada. Os pulmões pararam, o medo corria 
gelado por suas veias.
— Acredite. Não deixo ninguém pôr em perigo o que me pertence.
Genevieve sabia que ele queria amedrontá-la, forçá-la a entregar a terra.
Mas, embora o temesse, uma secreta vibração aquecia sua pele. A doce ânsia que 
Bevan havia despertado fluiu por ela. Escuridão e desejo guerreavam dentro de si, o 
corpo rememorava o toque proibido.
— Rionallís pertence a minha família — acrescentou Bevan. — O filho de Patrick, 
Liam, herdará a terra quando tiver idade. Ou Ewan.
— E você? Não pretende se casar e ter seus próprios filhos? — Parecia estranho 
que ele lutasse por algo que não queria para si mesmo.
— Jurei nunca me casar novamente — ele disse.
Genevieve ouviu a raiva e a dor na sua voz, então perguntou:
— É algo relacionado a Fiona?
Ele enrijeceu.
— Onde ouviu este nome?
— Você chamou por ela quando estava com febre. — Genevieve notou um lampejo 
de dor, embora Bevan a mascarasse com a raiva. — Era sua esposa?
— Era.
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— O que aconteceu com ela?
— Foi assassinada pelos normandos.
A voz continuava amena, mas Genevieve percebeu a ponta de fúria em seu tom. 
Embora Bevan considerasse sua gente um inimigo, ela conseguia enxergar através 
daquela raiva. Ao invés do guerreiro inclinado à vingança, reconhecia um marido 
pesaroso. Mesmo assim não podia ver qualquer traço de emoção em seu rosto. Era 
como se Bevan tivesse um escudo invisível guardando seus sentimentos.
Genevieve desejava perguntar mais, porém ficou em silêncio. Por trás do rosto 
marcado do guerreiro havia um homem que ainda não derrotara os fantasmas do 
passado. Seu coração se apiedava pela perda dele.
Não quis perguntar mais do que Bevan já revelara.
— Mande uma mensagem ao meu pai — ela insistiu. — Por que colocar seus homens 
em perigo por minha causa? Sabe tão bem quanto eu dos riscos.
Bevan não respondeu, então ela insistiu mais:
— Meu pai pretendia vir para meu casamento com Sir Hugh. Talvez já esteja em 
Erin.
Bevan olhou na direção da terra firme e por fim cedeu.
— Se o que diz for verdade, então pela manhã seguiremos para a casa de meu 
irmão, em Laochre. Caso seu pai tente um ataque, os homens dele sofrerão nas mãos 
de mais de 300 soldados.
— Já lhe disse. Ele não faria tal coisa.
— Não confiarei em um normando — disse Bevan. — Quanto mais cedo você nos 
deixar, mais seguros estaremos.
Genevieve não deixou o rosto mostrar a mágoa que ele provocara. O ostensivo 
preconceito aos normandos a incluía, embora ela não tivesse feito nada de errado.
Seu consolo residia no fato de Hugh não ter feito qualquer tentativa de reclamá-
la nos últimos dias. Se nada mais além disso, Bevan ao menos a mantivera segura, como 
prometido.
No cômodo iluminado de Rionallís, Hugh Marstowe andava de um lado ao outro. 
Genevieve continuava com MacEgan. Hugh visualizava sua pele macia marcada pelo 
toque do irlandês. Bevan MacEgan morreria por isso.
Hugh parou e ergueu um espelho polido para estudar sua aparência. O criado 
havia aparado seu cabelo curto, à moda normanda, e barbeado seu rosto. Hugh passou 
a mão pelo queixo, certificando-se que não havia restado qualquer pelo.
Na cama, uma jovem aguardava por ele. Os cabelos eram escuros, como os de 
Genevieve, mas ela não era nem de perto tão esbelta ou bonita.
— Venha, milorde — ela chamou, estendendo os braços nus para ele. Os seios 
eram convidativos e abundantes e Hugh se aproveitaria da oferta. Mas ardia por 
dentro por saber que Genevieve o abandonara.
Hugh a amava. Genevieve seria sua esposa, e o ciúme serpenteava por seu coração 
ao lembrar que ela havia fugido dele. Por que faria isso? Ele a punira com uma surra, 
sim, mas era para o bem dela. Quanto antes aprendesse a ser uma esposa adequada, 
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melhor. Não gostava de disciplinar Genevieve, mas, nas semanas em que ficaram 
sozinhos, descobriu seu lado teimoso.
Era como uma égua selvagem que precisava ser domada. Ele seria o homem a lhe 
domar o espírito, e Genevieve ficaria grata por isso. Quando se sentasse ao lado dele 
como esposa, a ascensão de Hugh estaria completa.
Seu olhar recaiu no colar dourado que encomendara. Feito do mais fino ouro 
batido, engastado com safiras, combinaria com os olhos de Genevieve. Esperava que o 
presente a ajudasse a perdoá-lo. Se não tivesse fugido, não teria sido punida.
Ensinaria o que era preciso a Genevieve, que se tornaria a esposa perfeita, 
completamente obediente a todos os seus desejos. E, em retribuição, ele a 
recompensaria com preciosos presentes. Acariciou o colar delicado, imaginando-o 
contra a pele dela.
Restava pouco tempo. Sua missiva pedindo que o pai de Genevieve protelasse a 
jornada recebera uma recusa. Thomas de Renalt, o conde de Longford, chegaria em 
uma semana. Se não trouxesse Genevieve de volta até lá, Hugh não gostaria de pensar 
na ira do conde.
A aflição crescia feito um verme na boca do estômago. Dispensando a garota de 
sua cama, chamou Sir Peter.
Vestiu-se cuidadosamente, garantindo que não houvesse manchas ou sujeira 
visíveis na túnica ou na calça estreita. Acrescentou uma corrente de ouro para 
enfatizar sua aparência como senhor da fortaleza.
Uma batida soou na porta.
— Entre — disse Hugh.
Sir Peter cruzou os braços sobre a cota de malha de sua armadura.
— Minha esposa e eu estaremos voltando para a Inglaterra ao amanhecer. — 
Você deveria trazer Geneviève de volta.
— Nós os perdemos na neve. E há irlandeses demais contra nossas forças. 
Precisamos dos homens do conde.
O temperamento de Hugh explodiu.
— Nãotolerarei desculpas. Você era o guardião, o responsável por cuidar dela.
A expressão do cavalheiro se tornou insolente.
— Você não é meu suserano. Tenho que admitir meu erro ao conde. Ele sabe que a 
filha foi levada pelo irlandês. — Dando de ombros, acrescentou: — E você era o noivo, 
jurou protegê-la. Terá de responder ao descontentamento do conde. Estamos de 
partida.
Com um cumprimento desdenhoso, o cavaleiro fechou a porta. Hugh lutou para 
controlar a fúria. Berrou para um criado que passava que chamasse o comandante de 
suas tropas.
Após poucos minutos, Roberto Tantos, o líder de seus homens, entrou. Ele se 
inclinou num cumprimento.
— Milorde.
O trato formal lhe abrandou um pouco da raiva. Tantos ao menos conhecia o seu 
lugar.
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— Por que seus homens não a trouxeram de volta? — perguntou Hugh. — Por que 
falharam em seu dever?
A expressão de Staunton tornou-se tensa.
— Temos trinta homens ao nosso dispor — ele disse. — E os MacEgan são mais de 
300. Ficaríamos satisfeitos em perder a vida por sua honra, milorde. Mas prefiro 
fazer o sacrifício sabendo que teríamos sucesso na tarefa.
Hugh detectou um ar sardônico no comandante.
— Não deixarei minha futura esposa perecer nas mãos do irlandês — lembrou a 
Staunton.
— Tenho um prisioneiro que pode interessá-lo — respondeu Staunton. — Se me 
acompanhar até lá em baixo, poderia lhe mostrar uma proposta.
Hugh escondeu o nojo ao pensar na imundície, mas acompanhou Staunton até lá. 
Quando viu os soldados de MacEgan, ainda acorrentados, seu bom humor retornou. Ao 
menos conseguira capturá-los, mesmo que não tendo conseguido alcançar Genevieve.
Staunton o conduziu até o último prisioneiro — uma mulher.
— De onde tirou esta aí? — perguntou Hugh. A mulher era magra, o rosto 
marcado de sujeira. Ele notou que um dos soldados ficou imóvel, trocando olhares com 
a mulher.
— Nós a encontramos entre os criados daqui. Estava tentando ajudar os homens 
a escapar. Eu a teria executado, mas achei que poderia nos ser útil.
Hugh não via como, mas deixou que Staunton continuasse. Staunton puxou uma 
adaga e a mulher empalideceu. Quando o comandante levou a lâmina à garganta dela, 
acrescentou:
— Mas posso matá-la agora, claro.
— Não — soou uma voz. Quando Hugh se virou para a origem do som, viu um dos 
soldados de MacEgan. De estatura baixa, com o cabelo da cor do fogo, ombros 
quadrados, o homem dificilmente parecia se enquadrar como um guerreiro.
— Seu nome? — perguntou Hugh.
O soldado debateu-se com as correntes e cuspiu aos pés de Hugh.
— Deixe-a em paz. — A raiva delineava o rosto do soldado, junto com um ar de 
desespero.
A mulher significava alguma coisa para o homem. Agradava a Hugh ter tal poder 
sobre alguém. Aproximou-se da mulher, tomando a adaga de Staunton. Pegou um cacho 
dos cabelos loiros. Num gesto rápido, cortou-o.
— Responda!
O soldado o encarava e Hugh notou a hesitação. A mulher era a fraqueza dele, 
então Hugh se aproveitou da vantagem.
— A próxima coisa que cortarei será um dos dedos.
Hugh agarrou a mão da mulher, separando-lhe os dedos enquanto ela lutava. Mais 
uma vez, alegrou-se com a sensação de dominá-la. Ela não poderia fazer nada contra 
sua força.
— Conhece Bevan MacEgan? — perguntou Hugh ao soldado.
O homem assentiu.
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— Tá. Eu o conheço. — Brigando com as correntes, implorou: — Deixe-a ir.
Staumton deu um passo à frente, baixando a voz num sussurro.
— Nós o usaremos para chegar a MacEgan. Deixe que ele nos traga informações, 
então poderemos planejar melhor nosso ataque.
— Um traidor — murmurou Hugh.
— Sim.
A ideia tomou forma e se metamorfoseou. Se este homem queria a mulher viva, 
obedeceria a cada ordem que lhe dessem.
Hugh sorriu, um débil sorriso de exultação. E sonhou com a vingança.
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Capítulo Cinco
Levou menos de uma hora para que alcançassem a fortaleza de Laochre. Embora 
Genevieve se sentisse tola, olhando para trás a cada instante da curta jornada, não 
respirou tranquila enquanto as torres quadradas da casa da guarda não se tornaram 
visíveis. Ewan cavalgava à frente, instruído a ficar de olhos abertos para potenciais 
atacantes.
Genevieve suspeitava que Bevan quisesse o irmão caçula fora do caminho, pois 
Ewan tagarelava sem cessar desde quando haviam deixado a ilha.
O coração dela foi parar na garganta diante da majestosa construção. Cintilando 
em cor branca, uma larga muralha protegia uma fortaleza quase três vezes maior que 
Rionallís. Situava-se no topo de um aclive, e soldados patrulhavam as ameias 
superiores.
— Não imaginei que fosse feito de pedra — observou Genevieve. — Muitos dos 
castelos normandos na Inglaterra estavam sendo convertidos para pedra atualmente, 
mas poucos foram completados.
— Não é — disse Bevan. Enquanto se aproximavam, Genevieve compreendeu o que 
ele queria dizer. Os aplainados muros brancos eram de gesso, cobrindo uma estrutura 
de madeira. — Mas nossos inimigos acreditam que é, e é isso que importa. Patrick está 
trocando o gesso por pedra.
Genevieve se maravilhou com a engenhosidade da arquitetura. Os guardas 
deixaram que adentrassem os portões, e Genevieve ficou pasma com o grande alvoroço 
de atividades.
O retinir pesado do martelo do ferreiro se misturava ao ruído das pessoas 
trabalhando. Criados carregavam sacos de turfa para queimar, enquanto um mercador 
trazia uma carroça carregada de produtos para ser inspecionados para compra. 
Cavalos eram levados para os estábulos e crianças corriam livremente, rindo em 
alguma brincadeira.
As pessoas cumprimentavam Bevan com sorrisos e tapinhas amigáveis nas costas. 
Um homem alto e louro cumprimentou Bevan com um forte abraço — outro irmão 
MacEgan chamado Connor. Um sorriso suavizou o rosto de Bevan da impetuosidade 
severa à qual Genevieve se acostumara.
Quando não estava carrancudo, até que era um tanto bonito, ela admitiu. Os olhos 
verde-escuros, da cor da malaquita pouco lapidada, e os cabelos negros formavam uma 
impressionante combinação. As cicatrizes ao longo das faces acrescentavam um 
elemento de perigo.
— Preciso falar com meu irmão Patrick — disse Bevan por fim. Olhou para Ewan e 
disse: — Veja para ela um lugar onde dormir.
Genevieve começou a seguir Ewan, mas antes olhou para trás para ver Bevan. Não 
esqueceria o ar de determinação em seu rosto quando ela se negou a renunciar a 
Rionallís. Como poderia confiar num homem que queria conquistar a terra que era sua? 
Mas o medo que sentia de Hugh era mais forte, então ela tinha pouca escolha.
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Não se sentia segura ali, ainda não. Apesar de todos os soldados e do orgulhoso 
guerreiro irlandês que jurara protegê-la, Genevieve não podia baixar a guarda. Com o 
coração pesado, acompanhou Ewan para dentro da fortaleza.
Bevan caminhava a passos largos na direção da fortaleza, cumprimentando amigos 
ao passar. Localizou Patrick, comandando um grupo de soldados.
— Soube que você trouxe a mulher. — Patrick dispensou os homens, 
cumprimentando o irmão com um aceno de cabeça.
— Mandei Ewan encontrar um lugar para ela. Genevieve deseja enviar uma 
mensagem à família, para voltar à Inglaterra.
— Por que você mesmo não a escolta para Dun Laoghaire?
A indagação de Patrick reavivou a raiva que Bevan sentia de Genevieve. Depois da 
admissão de que não o acreditava capaz de protegê-la, seu primeiro desejo fora 
expulsá-la, deixar que se defendesse sozinha de Marstowe. Ou então poderia se 
provar capaz escoltando-a até Dun Laoghaire, apesar da vontade dela em esperar a 
família.
As dúvidas de Genevieve solidificaram sua decisão de lavar as mãos quanto a ela. 
Que ficasse ali. Que a família viesse buscá-la. Genevieve não era mais sua 
responsabilidade, seu débito com ela estava pago.— Pretendo renovar o ataque contra Rionallís — ele disse. — Manter a mulher 
aqui pode se provar uma vantagem.
— Você pode ser acusado de sequestrá-la — observou Patrick. — O rei Henrique 
exigirá compensação.
— Ele não arriscará guerrear contra nós. É melhor nos ter como aliados.
— Os exércitos normandos já invadiram Meath e Breifne. O rei em seguida 
colocará os olhos em Laochre, caso você atraia a ira dele sobre nós. — Patrick lhe 
encontrou o olhar e, então, revelou o que Bevan já suspeitava. — Seus homens não 
retornaram de Rionallís. Se já não estiverem mortos, Sir Hugh os mantém cativos. 
Pode tentar usá-los contra nós.
— Se me conceder mais guerreiros, posso libertá-los. — Bevan não descansaria 
até expiar sua derrota. Odiava pensar em seus homens sob custódia de Marstowe.
— Você é necessário aqui — disse Patrick. — Enviarei Connor para libertá-los. O 
rei normando está visitando Tara, mantendo corte com o rei supremo. Talvez se 
consiga chegar a um acordo para evitar guerra entre nossa gente.
— Que tipo de acordo?
Patrick mudou de rumo, sem responder à pergunta de Bevan.
— Ou talvez se possa trocar as vidas de nossos homens por Genevieve. Você pode 
devolvê-la a Rionallís e não se preocupar mais com ela.
— Ela foi surrada, Patrick. Se eu a deixasse lá, Marstowe acabaria por matá-la.
Patrick refletia, aceitando um cálice de vinho de um criado. Ofereceu outro a 
Bevan.
— Então foi por isso que a levou consigo?
— Tá. O maldito a machucou, muito mais do que possa imaginar. Se qualquer 
homem colocasse a mão em Isabel, você faria o mesmo.
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As palavras saíram antes que pensasse. Jamais quis comparar seus sentimentos 
por Genevieve com os sentimentos de Patrick pela esposa.
Queria protegê-la; isso era tudo. Não gostava de ver qualquer mulher sofrendo.
— Tenha cuidado, irmão — disse Patrick. — Não quero que perca a vida por causa 
de uma mulher.
— Não precisa se preocupar pensando que eu deixaria que uma mulher 
interferisse em minha vida. — Especialmente uma que se agarrava com teimosia à 
crença de que Rionallís pertencia à família dela.
Era irritante pensar que Genevieve continuaria a brigar por uma terra que lhe 
pertencia havia anos.
Bevan acrescentou:
— Libertarei os homens, não importa o quanto demore. Rionallís será nossa 
novamente.
— Que assim seja — aquiesceu Patrick. — Ou talvez o rei normando concorde com 
minha oferta de evitar derramamento de sangue. Acho que a ideia o agradará. Uma 
ligação com nossa família e a de Genevieve.
Bevan compreendeu de súbito a ideia do irmão: um casamento arranjado.
— Não.
— Você é um tolo se acredita que Rionallís ainda lhe pertence para ser 
recuperada. O rei normando simplesmente enviará mais homens para recuperar a terra 
— disse Patrick. — E nossos homens provavelmente já estão mortos. Se tiver 
esperança de recuperar a fortaleza, seu único recurso é casar com Genevieve. — A 
expressão dele se tornou solene. — Uma união entre vocês pode abrandar a raiva do 
rei deles, pois permitirá que ele tenha uma forte aliança conosco.
— Não tem o direito de me pedir tal coisa. — Bevan não suportava a ideia de 
tomar outra mulher por esposa. Havia jurado nunca casar novamente e pretendia 
manter o voto.
— Como seu rei e suserano, posso ordenar isso — disse Patrick. A ameaça não era 
nada velada.
Bevan se negava a acreditar que o irmão agiria assim.
— Ela voltará para a casa dos pais na Inglaterra. Enquanto isso, nossos homens 
irão para Rionallís.
— Se não quiser casar com ela, talvez Connor queira.
Ao pensar em outro homem colocando as mãos nela, Bevan teve vontade de 
rosnar. Genevieve já sofrera o bastante. O melhor lugar para ela seria um convento, 
onde nenhum homem poderia tocá-la.
— Você se importa com ela, não é? — perguntou Patrick tranquilamente.
— Ela arriscou a vida por mim e Ewan. Isto é tudo que há entre nós.
— Tenho minhas dúvidas quanto a isso, irmão. Do contrário não estaria tão 
zangado.
Bevan tomou um prolongado gole de vinho, encarando Patrick.
— Eu a mantive a salvo, nada mais.
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Ficou mal-humorado ao pensar nos abusos de Marstowe. Ocorreu-lhe que a 
família dela tivesse arranjando o noivado. Mesmo que Bevan a mandasse para casa, 
talvez Genevieve fosse forçada a casar com Marstowe.
Embora ele mesmo não quisesse casar com Genevieve, não queria vê-la sofrendo 
novamente. Via o belo rosto de Fiona, ouvindo-a gritar enquanto os normandos a 
levavam dele. A sombra vermelha da batalha, o grito arranhando por sua garganta ao 
ser abatido por eles. Não fora capaz de salvá-la.
Se libertasse Genevieve, o casamento dela com Sir Hugh aconteceria. Bevan 
estava certo disso. Ela continuaria sofrendo por sua culpa.
Culpa e fúria o dominaram, pois Patrick estava certo.
Enquanto uns poucos flocos de neve flutuavam ao vento, Bevan voltou o rosto 
para o frio. As sementes da dúvida de Genevieve haviam enraizado nele.
Como poderia se intitular um guerreiro se não era capaz de defender as pessoas 
que amava? Costumava lutar com a confiança da experiência, sabendo que sua espada 
era mais forte que a do inimigo.
Mas o ataque à Rionallís fracassara. Não poderia culpar Ewan por isso. Tinham 
subestimado os normandos. E Bevan ainda provocara a prisão de seus homens, talvez 
suas mortes.
Um leve movimento lhe chamou a atenção, e Bevan viu a silhueta de Genevieve 
entre as ameias. O rosto dela estava marcado pela preocupação ao mirar o horizonte.
Imediatamente lembrou de Genevieve lhe aquecendo os pés, os dedos lhe 
devolvendo o calor. Ela cuidara de suas feridas, ficara acordada durante a noite para 
vigiá-lo.
Bevan subiu as escadas até as ameias, se aproximando até poder ver o rosto dela. 
Sombras lhe tomavam as feições, uma mancha escura lhe cobria uma das bochechas. 
Genevieve recebera o golpe enquanto tentava resgatar Ewan e ele próprio.
Não se falaram. Bevan não precisava perguntar o que ela estava pensando. A 
expressão medrosa revelava tudo.
Incapaz de se conter, ele estendeu a mão para tocar o hematoma. A mão dela 
cobriu a dele, a sensação da palma quente em sua pele lhe provocando um choque.
Genevieve fechou os olhos. Uma mecha dos cabelos escuros escapou do véu, 
caindo sobre sua mão. Embora o sopro gelado do inverno avermelhasse as bochechas 
dela, a pele parecia macia. Com o polegar, Bevan acariciava o hematoma, como se 
quisesse apagá-lo.
Ela encostou-se à mão dele, os lábios lhe roçando a pele da palma. Não era um 
beijo, apenas a mais leve das carícias. Bevan sentiu os quadris enrijecerem, e de 
repente se viu querendo sentir os lábios de Genevieve nos seus. Desejava a suavidade 
de uma mulher, aplacar a sede de dois anos de solidão.
Ergueu o rosto de Genevieve e fitou fundo aquele olhar cerúleo — olhar que 
guardava um temor que Bevan não podia silenciar.
Então compreendeu por que nunca haveria um casamento entre eles. Casar-se 
com Genevieve seria enfrentar demônios do passado. Se a aceitasse como esposa, não 
poderia ignorá-la para continuar seguindo com a vida que vivia.
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Abruptamente, virou-se. Não podia aceitar a sugestão de Patrick. Tampouco 
poderia deixar que Genevieve voltasse para Marstowe.
Jurou viajar até Tara, pedir a ajuda do rei supremo. Se fosse necessário, 
também apelaria ao rei normando. Pelo bem de seu orgulho, conseguiria fazer com que 
Genevieve e seus homens ficassem a salvo.
Genevieve levantou-se ao amanhecer, tendo compartilhado um quarto com duas 
outras mulheres. Colocou seu vestido antes que as outras acordassem, envergonhada 
com os rasgos na roupa. Tentou pentear os cabelos com os dedos, desejando ter um 
véu para escondê-los.
Deixou o quarto e desceu as escadas. Uns poucos criados lançaram olhares 
curiosos em sua direção, mas Genevieve os ignorou. Encontrou o caminho para o salão,onde as pessoas tinham se reunido para o desjejum.
Uma mulher alta a observou com expressão interessada. Pela maneira com que os 
outros lhe mostravam deferência, Genevieve imaginou ser a senhora do castelo.
A mulher trajava uma veste azul-escura e um léine branco, um vestido irlandês 
que se estendia até os tornozelos num suave drapejado. Os cabelos dourados estavam 
trançados ao redor da testa, enquanto o resto fluía até a cintura.
— Você é Geneviève? — A mulher falava a língua normanda tão fluentemente que 
surpreendeu Geneviève.
— Sou. — Ela estendeu as mãos em cumprimento e a mulher as segurou.
— Meu nome é Isabel MacEgan. Meu marido é Patrick MacEgan, rei de Laochre.
— Um rei? — perguntou Geneviève.
— Não o rei supremo. — Isabel riu em resposta. — Existem muitos reis 
subordinados na Irlanda, assim como já foi na Inglaterra. Mas não precisa ficar 
intimidada com meu marido ou comigo. Eu só queria conhecer a mulher que salvou as 
vidas de Ewan e Bevan. Não é sempre que uma dama consegue resgatar um dos 
melhores guerreiros da Irlanda.
Geneviève corou.
— Bevan me ajudou a fugir do homem com quem estou comprometida. Salvar a 
vida deles foi uma maneira de me salvar.
— Você tem a nossa gratidão — respondeu Isabel. — E posso ver por que Bevan 
ficou tão encantado com você.
Geneviève não respondeu ao cumprimento, pois não sabia o que dizer.
— Creio que está exagerando, rainha Isabel.
— Pode me chamar de Isabel. E não, não exagero a verdade. Bevan não reagia a 
uma mulher desde a morte da esposa.
— Nossos caminhos se cruzaram, nada mais — argumentou Geneviève. Pressentia 
que Isabel queria bancar a casamenteira, mas não queria tomar parte nisso. Tinha 
confiado seu coração a um homem tão bonito quanto Bevan. E Hugh quase a destruiu.
— Teremos uma celebração esta noite, para dar as boas-vindas a Bevan — disse 
Isabel, mudando de assunto. — Ele me disse que você viajará para a Inglaterra em 
breve, mas pensei que poderia participar de nossas festividades antes de ir.
— Eu adoraria. — Geneviève se levantou. — Posso ajudar nos preparativos?
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— Está tão ansiosa assim? — Isabel parecia achar isso divertido.
— Gostaria de ser mais útil — admitiu Geneviève. — É difícil esperar, não quero 
ficar ociosa.
Isabel apontou para o salão.
— Há todo o tipo de atividades por aqui. O que mais lhe agrada?
Geneviève pensou por um momento. Amava música mais do que tudo.
Costumava tocar saltério na casa de seu pai, entretendo os convidados com sua 
voz. Hugh destruíra o instrumento numa de suas explosões de fúria. Ele disse que 
música não passava de uma atividade inútil, e desde então Geneviève não cantava por 
medo de contrariá-lo.
Temia que os outros também considerassem música uma bobagem, então 
respondeu:
— Sou boa com costura. — Olhando para o vestido rasgado, admitiu: — Venho 
tentando consertar isto, mas não tinha as ferramentas adequadas.
— Cuidarei para que receba tudo que for necessário. E... — Isabel ponderou por 
um momento. — Se isso não ofendê-la, poderá experimentar o estilo irlandês de se 
vestir mais tarde. É bem confortável.
Geneviève concordou, querendo se livrar do vestido esfarrapado o quanto antes.
— Você fala muito bem a língua de meu marido — comentou Isabel. — Como 
aprendeu? Ninguém fala a língua irlandesa na Normandia.
— Sou da Inglaterra, não da Normandia — corrigiu Geneviève. — Mas as terras 
de meu pai ficam próximas à fronteira de Gales. Fui educada lá, junto com uma 
irlandesa. Fomos ensinando nossas línguas uma à outra enquanto crescíamos.
Isabel animou-se.
— Minha família também é da Inglaterra. — Ela descreveu a localização das 
terras de seu pai, mas eram distantes das da família de Geneviève.
— Há quanto tempo sua família vive lá? — perguntou Isabel.
— Há três gerações. Meu bisavô veio da Normandia. Ele se casou, e a esposa lhe 
trouxe inúmeras propriedades. Ela se recusava a casar caso não pudesse ficar na 
Inglaterra.
— E você deseja voltar? — perguntou Isabel. Geneviève hesitou, mas assentiu.
— Até a questão de meu noivado ser resolvida, é o melhor. Espero um dia voltar 
para cá.
Isabel sorriu e a guiou para o lado de fora. Passaram por várias dependências em 
direção ao pátio interno. O som familiar das atividades não diferia daqueles que ela 
ouvia em casa. Ali perto, vapor se elevava de um caldeirão no qual uma mulher usava 
uma vara para mexer a roupa. Havia uma sensação de segurança ali, de pessoas que 
trabalhavam tranquilamente apesar das ameaças externas.
Em seguida entraram numa cabana que continha teares. Isabel falou com uma das 
mulheres. Pediu que cortes de lã e linho fossem levados para seus aposentos mais 
tarde.
Quando voltaram para dentro da fortaleza, o respeito de Geneviève por Isabel 
aumentou. Era óbvio que ela estava acostumada ao trabalho pesado. Uma criada que 
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espalhava junco fresco foi instruída a trazer mais, então Isabel se juntou à atividade 
de forrar o chão.
Geneviève ficou para trás, sem saber o que fazer. Nunca vira a senhora do 
castelo envolvida nas mesmas tarefas que os criados. Não sabia o que pensar disso, 
mas logo se juntou ao trabalho. As mulheres riam e tagarelavam enquanto faziam suas 
tarefas.
Quando Isabel subiu num banco, para arrumar uma das tapeçarias da parede, um 
homem surgiu atrás dela. Ele lembrava Bevan, com cabelos pretos e olhos cinzentos, 
mas se movia furtivamente. O homem abraçou Isabel, agarrando-a pela cintura e 
deixando que deslizasse por seu corpo até os pés tocarem o chão. Ele a beijou, e 
Geneviève adivinhou que o homem era o marido de Isabel, Patrick.
O casal estava completamente absorto um com o outro. Geneviève, sentindo-se 
indiscreta, desviou o olhar. Passos ecoaram atrás, e ela deparou com Bevan.
O rosto dele tinha melhorado, mas podia ver a bandagem por baixo da túnica, 
cobrindo o ombro ferido.
— Bevan — Geneviève o cumprimentou calmamente. Estendeu as mãos para ele, 
pretendendo apenas um cumprimento educado.
Ele não as segurou, então ela baixou as mãos, o rosto vermelho de 
constrangimento. Bevan parecia querer dizer-lhe algo, mas o desconfortável silêncio 
se estendia.
Escondendo seu desapontamento, Geneviève ergueu os olhos para o teto e 
começou a girar lentamente.
— Laochre é a maior fortaleza que já vi. E mesmo assim Patrick não é o rei 
supremo?
— Pediram que ele competisse pela honra — disse Bevan -, mas ele recusou o 
convite.
— Por que faria isso?
— Patrick preferiu cuidar de sua própria tribo — respondeu Bevan.
Geneviève se surpreendeu com a ideia de um homem recusando tamanha chance 
de poder, mas considerou que a posição exigiria muitos sacrifícios.
Bevan ficou ao lado dela, observando Isabel e as criadas arrumarem folhagens ao 
redor do salão para o banquete. Geneviève tentou por várias vezes fazer perguntas a 
Bevan, mas ele simplesmente resmungava ou só respondia com monossílabos.
— Já mandou alguém trazer meu pai? — ela perguntou.
— Não. — Bevan não a fitava, a atenção fixa numa guirlanda de folhas.
Geneviève tentou novamente.
— Quais são seus planos?
— Patrick aceitou cuidar da questão.
Mais do que nunca, Geneviève quis que aquele embaraço entre eles chegasse ao 
fim. Decidiu ser direta.
— Está me evitando, acho. — Cruzando os braços, Geneviève assentiu como se 
falasse consigo mesma. — Não quer falar comigo porque sou a temível normanda que 
devora recém-nascidos e cospe fogo.
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59
A boca dele se contorceu, mas Bevan não respondeu.
— Ou talvez esteja amuado feito uma criancinha porque não aceitei que me 
escoltasse até Dun Laoghaire. É isso?
— Isso foi escolha sua. Tenho outras tarefas a cumprir. Tarefas que não 
envolvem você.
Bevan se pôs diante dela e Geneviève viu que ele tentava intimidá-la com sua 
altura. Olhando para os braços fortes, para o peitolargo, soube que deveria temê-lo. 
Contudo, parte dela acreditava que Bevan nunca lhe feria mal, apesar das palavras 
grosseiras.
— E não sou criancinha, Geneviève.
Ela manteve o queixo erguido.
— Então pare de se comportar como uma. Minha família virá me buscar, então não 
precisa se preocupar comigo outra vez. — Deixando-o sozinho, foi ajudar Isabel com 
os preparativos.
Bevan não conseguia acreditar na acusação. No momento sentia-se ansioso por 
uma luta de espadas, qualquer coisa que aliviasse a tensão que crescia em seu interior. 
Voltando-se para Patrick, gritou:
— Estou indo para o campo de treinamento. Mande Ewan para outra lição, se ele 
quiser praticar.
— Geneviève, suba comigo — ouviu Isabel dizer. — Tenho um léine que talvez 
sirva em você.
Bevan mal ouviu a resposta de Geneviève enquanto rumava para fora. O ar havia 
se tornado mais frio, as nuvens se avolumando com a neve que estava por vir. Ele 
precisava sentir o choque de aço contra aço, enterrar a raiva dentro dele.
Depois de tudo que fizera por ela, Geneviève achava que ele estava se 
comportando feito uma criancinha?
Furioso com a crítica, sinalizou para que um dos homens viesse lutar com ele. Não 
se deixaria prender num casamento com ela, apesar do que Patrick dissera. Se isso 
significava guerra, que assim fosse.
Bevan bloqueou o golpe do oponente com o escudo, permitindo que sua raiva 
explodisse com força completa. Investiu com a espada vezes seguidas, conduzindo o 
soldado na direção do muro enquanto visualizava o rosto de Hugh.
Geneviève podia ter salvado a vida dele e a de Ewan, mas a dívida já estava mais 
do que paga. A espada escorreu, impedindo que Bevan conseguisse bloquear um ataque 
do oponente.
A espada do soldado resvalou no ombro ferido.
— Sinto muito, Bevan. Eu não pretendia...
A dor intensa o fez ofegar, então Bevan sinalizou o fim da luta.
— Tá, você lutou bem. Não peça desculpas. Baixei a guardar e mereci o corte.
Apertando a mão sobre o ferimento, Bevan sentiu o sangue escorrendo. Isso fez 
com que recuperasse a razão e lembrasse de como Geneviève havia cuidado de seus 
ferimentos. Pensou no hematoma na bochecha, no sangue seco grudado à cabeça por 
causa do homem que era seu noivo. Recordou-se do medo que Geneviève sentia.
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Marstowe sempre a tratara como um pertence, nunca como uma igual. Bevan 
admitia que sua própria esposa nunca lhe fora uma igual, ela sempre esteve muito além 
de seu alcance. Bela, praticamente perfeita em todos os sentidos. Não se sentia digno 
de ser seu marido. Teria dado a Fiona qualquer coisa que ela desejasse, se fosse 
capaz.
A sombra do sofrimento ressurgiu sobre ele, mas Bevan a rechaçou. Quando 
chegou ao quarto, tirou a túnica e estancou o sangue com um pano.
Patrick talvez acreditasse que uma aliança com Geneviève seria a melhor maneira 
de reclamar Rionallís, mas Bevan não se casaria com ela. Ou com qualquer outra 
mulher. Largou o pano ensanguentado, deixando que um familiar lamento o envolvesse.
Pare de se comportar feito uma criancinha.
Geneviève tinha razão. O orgulho estava impedindo que Bevan a perdoasse. Mas, 
acima de tudo, ele estava negando a atração existente entre eles. Geneviève lhe 
parecia tão frágil, tão vulnerável, que queria confortá-la. Queria sentir o toque de uma 
mulher outra vez.
As urgências primitivas se avolumando dentro dele eram resultado de anos 
afastando-se de todas as mulheres. Não era um monge e, no momento, seu corpo 
parecia reger seus pensamentos.
Se fosse com outra mulher talvez se sentisse capaz de casar, criar uma aliança 
que lhe devolvesse Rionallís. A sugestão de Patrick não o teria aborrecido tanto, pois 
seria mais fácil ficar indiferente a uma estranha.
Mas temia que, caso deixasse Geneviève chegar muito perto, ela tentasse 
usurpar o lugar de Fiona. E Bevan não poderia deixar que isso acontecesse. Jamais.
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Capítulo Seis
Geneviève seguiu Isabel para um pequeno cômodo onde um banho quente fora 
preparado. De uma cadeira próxima, Isabel ergueu um léine de seda creme com 
mangas justas.
— Ficará perfeito com seu cabelo escuro. — Ela exibiu uma veste da cor-de-vinho 
e um cinto dourado.
Geneviève se maravilhou com a riqueza da tonalidade e sorriu.
— Isto é lindo.
Isabel a ajudou a despir o vestido rasgado, mas não comentou sobre os 
hematomas de Geneviève.
— Bevan não conseguirá tirar os olhos de você esta noite.
Geneviève duvidava que ele quisesse vê-la novamente, mas limitou-se a responder:
— Você tem sido muito gentil comigo.
Entrou na tina com água, grata pelo calor confortante. Sabia que Isabel queria 
perguntar sobre os hematomas, mas não estava pronta para responder a estas 
perguntas.
Sentia-se perdida no momento. Queria criar a paz entre ela e Bevan, mas havia 
impedimentos demais. Quando estava parada entre as ameias, Bevan a tocara. Céus! 
Fora impossível se afastar dele! Sentira-se atraída por Bevan, desejando que ele 
fosse o homem capaz de apagar suas tristes lembranças. Mas Bevan não queria saber 
dela. Desprezava sua gente e os culpava pela perda da família e do lar. Precisava 
impedir de alguma maneira a inevitável guerra entre Bevan e seu pai. Mas como?
Isabel despejou óleos perfumados na água. Geneviève se deleitou com a sensação 
do banho. Afundou a cabeça e lavou o cabelo com um sabonete com perfume de rosas 
dado por Isabel. Geneviève tocou as lesões ao longo das costelas, ensaboando-as 
delicadamente. Tinham adquirido um tom escuro de roxo. Imaginou que o mesmo teria 
acontecido ao rosto. De repente, quis ver por si mesma.
— Tem um espelho?
Isabel assentiu.
— Vou buscar.
Quando Geneviève mirou seu reflexo no metal polido, mal pôde acreditar no que 
viu. Uma mancha escura marcava sua bochecha esquerda, espalhando-se desde o 
queixo até a têmpora.
As mãos dela tremiam ao devolver o espelho a Isabel. Embora lutando contra, 
uma lágrima solitária correu por seu rosto.
— Não fazia ideia de que estava tão feio.
— Não está, acredite. É o que parece, mas vai sarar logo. — Isabel lhe entregou 
uma toalha. Geneviève se levantou, enrolando-se no linho macio. — Tenho um pouco de 
bálsamo colorido — ofereceu Isabel. — O machucado não ficará tão evidente se 
tentarmos cobri-lo.
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Geneviève viu o ar compreensivo no rosto de Isabel e concluiu que a mulher 
queria realmente ajudar.
— Estou feliz por ter deixado Rionallís — murmurou Geneviève, secando as 
lágrimas. — Não poderia me casar com Hugh, apesar do compromisso assumido.
— Foi Hugh quem lhe fez isso?
Geneviève assentiu, passando os dedos pelo cabelo. Por impulso, decidiu confiar 
em Isabel.
— Sem a ajuda de Bevan, eu não teria fugido dele. — Tocou o hematoma na 
bochecha. — Hugh disse que se eu fosse mais obediente, ele não teria que me castigar.
Pousando o queixo sobre os joelhos, Geneviève fitava o fogo. As chamas lambiam 
a turfa, lançando pequenas nuvens de fumaça no quarto. As constantes críticas de 
Hugh fizeram com que questionasse sua adequação como esposa para alguém. A 
fortaleza nunca estava bastante limpa, a comida nunca estava ao seu gosto.
— Comecei a acreditar nele — disse Geneviève. — Então compreendi que 
precisava partir.
Isabel trouxe o léine e ajudou Geneviève a se vestir. A barra do vestido creme 
era longa o suficiente para lhe tocar os tornozelos. Isabel ajustou a veste vermelho-
escura por cima, arrumando as dobras acima do cinto preso à cintura de Geneviève. 
Então pegou um pente e começou a deslizá-lo pelos fios embaraçados na cabeça de 
Geneviève. O movimento a acalmou.
— Agiu certo ao deixá-lo — disse Isabel.
— Queria nunca ter ficado noiva. — Geneviève deu um meio sorriso. — Mas fico 
feliz por ter conseguido salvar Bevan e Ewan. Não podia deixar que morressem... não 
depois de Bevan tentar me ajudar.— Ele se importa com você — disse Isabel. Ela abriu um baú e começou a 
examinar conjuntos de brincos e colares. — Nunca o vi antes com uma mulher, desde 
que a esposa morreu.
— Ele me disse que o nome dela era Fiona.
Isabel assentiu.
— Bevan nunca fala nela, mas todos sabem o quanto ele sofre. Às vezes eu o vejo 
andando na beira do mar, onde ela...
Abruptamente, Isabel se calou e levantou. Havia escolhido alguns brincos de 
ouro.
— Estes devem combinar com seu léine.
— Onde ela o quê?
Isabel parecia dividida entre dizer qualquer coisa ou não. Depois de um instante, 
cedeu:
— Onde ela foi capturada. Bevan tentou salvá-la, mas os soldados a levaram antes 
que ele pudesse alcançá-la.
— O que aconteceu?
— Fiona escapou de seu captor e tentou se esconder em uma das choupanas. A 
choupana pegou fogo durante a batalha e Bevan encontrou seu corpo depois. Ele se 
culpa pela morte de Fiona.
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Geneviève se lembrou da maneira como Bevan a tocou quando estava com febre.
— Ele a amava?
Isabel assentiu.
— Amava sim. Teria dado a vida por ela.
Uma ponta de inveja atingiu o coração de Geneviève. Inveja de uma mulher que 
era tão amada.
Isabel apanhou um potinho. Observou o rosto de Geneviève e usou o dedo para 
espalhar um pouquinho do bálsamo colorido sobre o hematoma.
— À luz do fogo ninguém notará.
— Obrigada. — Geneviève permitiu que Isabel escondesse a lesão. Por fim, Isabel 
lhe prendeu um colar dourado na garganta. Embora Geneviève não se sentisse 
entusiasmada, sabia que a celebração era importante para sua anfitriã. Quando as 
duas mulheres terminaram de se preparar, desceram para o salão.
Geneviève estava surpresa por ver tamanho grupo de pessoas. Parecia que todos, 
desde o servo mais humilde ao nobre mais rico, estavam festejando alegremente. 
Lembrou-se do que Bevan comentara dias atrás, ao dizer que não usavam títulos ali. 
Parecia não haver distinção entre os homens, o que criava a atmosfera de uma grande 
e barulhenta família. Plebeus e Lordes dançavam, riam e desfrutavam da celebração.
Isabel colocou a mão sobre o braço de Geneviève.
— Seja bem-vinda ao nosso lar. Espero que desfrute de nossa hospitalidade por 
quanto tempo precisar.
Geneviève procurou por Bevan, mas não viu sinal dele. Ao seu redor, tochas se 
alinhavam nas paredes. Um jovem sorridente tocava uma alegre melodia nas flautas, 
enquanto outro criava ritmo num tambor redondo.
Homens e mulheres se davam as mãos, dançando passos intrincados e esbarrando 
nos quadris uns dos outros. Outros bebiam hidromel, banqueteando-se de carne-
assada, doces e queijos. Isabel encontrou o marido, Patrick, que lhe entregou um bebê 
que choramingava. Geneviève observou Isabel levar o filho para um canto e começar a 
amamentá-lo. Na Inglaterra, tal coisa era incomum. A senhora do castelo teria 
arranjado uma ama de leite para cuidar do bebê. Nunca ficaria com a criança nos 
próprios braços.
O amor e a alegria no rosto da jovem mãe fizeram Geneviève invejar um filho 
para si. Ela se misturou à multidão, as costas voltadas para a parede. A música animada 
cessou quando uma mulher começou a tocar uma harpa. O salão ficou silencioso; todos 
ouviam um homem cantar a balada sobre o trágico amor entre um pastor e uma 
donzela.
Geneviève se embebeu da lírica, fechando os olhos. Fazia tanto tempo que não 
ouvia qualquer tipo de música. A melodia da harpista esvaeceu até o silêncio, deixando 
que outra música dançante começasse. A mão de alguém tocou o ombro de Geneviève, 
que pulou assustada.
Esperando que fosse Bevan, virou-se com um sorriso. Um homem barbudo sorriu 
em resposta. Possuía longo cabelo vermelho, trançado à altura das têmporas.
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— Nunca a vi antes. Gostaria de dançar? — Ele falava em irlandês, os olhos 
demonstrando aberta admiração. — Você é adorável.
O sorriso de Geneviève sumiu.
— Não. Quero dizer, eu não danço.
— Razão maior ainda para aprender. Meu nome é Seán. — Ele tomou Geneviève 
pelas mãos e começou a puxá-la em direção à multidão, onde casais estavam de mãos 
dadas.
— Não, é verdade. Prefiro não dançar. — Ela tentou livrar as mãos, mas o homem 
se recusou a soltá-la.
Outro homem, mais alto e também barbudo, surgiu e segurou Geneviève pela 
cintura, rindo enquanto a empurrava adiante.
— Nós dois dançaremos com ela, Seán. Então ela poderá escolher um de nós. Ou 
ambos. — Ele sorriu maliciosamente.
Uma sensação de pânico a invadiu, então ela tentou se afastar deles.
— Soltem-me... por favor.
Eles não lhe deram atenção, e logo ela se viu em meio aos dançarinos. Seán a 
segurou em volta das costelas e Geneviève ofegou com a dor abrasadora que se 
propagou pelo lado machucado. Tentou empurrar Seán para longe, mas ele a ignorou.
Subitamente as mãos desapareceram, dando-lhe espaço para respirar novamente. 
Ergueu os olhos e viu Bevan. Ele encarava os homens.
— Ninguém toca nela.
Ao tom furioso, os homens cederam e foram em busca de outras parceiras. 
Geneviève deixou que Bevan a escoltasse dali, sendo levada para um canto escuro.
— Eles a machucaram?
Ela meneou a cabeça.
— Mas não me escutaram quando eu disse que não queria dançar.
Bevan encarou a multidão.
— Deveriam saber que não se força uma mulher. Farei com que se lembrem disso 
da próxima vez.
— Não, está tudo bem. — Geneviève se apoiou na parede. — Não pretendiam 
fazer nada de errado.
Bevan ficou ao lado dela, sem tocá-la, calado. Geneviève sentia-se confortada só 
por estar perto dele. Quando a harpista começou outra melodia, os lábios dela se 
curvaram num sorriso ao repetitivo refrão.
— Gosta de música?
— Adoro. — Geneviève fechou os olhos, apreciando o sentimento de cada nota. 
Um momento depois, a mão de Bevan acariciava a dela. Genevieve sobressaltou-se com 
a sensação, mas deixou a mão onde estava. Sua mente repreendia o corpo pela 
fraqueza. Mas Bevan lhe trazia conforto.
Deveria se afastar dele, fugir do afluxo de calor que a inundava. Um instante 
depois, Bevan trazia o rosto dela até si. As mãos lhe moldaram as faces, fazendo com 
que Geneviève o fitasse.
— O machucado está melhor.
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— Isabel me ajudou a cobri-lo. — Genevieve mal notava suas próprias palavras, 
pois os polegares de Bevan lhe tocavam os cabelos. Deixara-os soltos sem nenhum véu, 
como Isabel havia sugerido. Era estranho deixar o cabelo descoberto à moda 
irlandesa. Os dedos de Bevan se entrelaçavam em seus cachos, o toque pouco mais do 
que um sopro de ar.
— Você me parece... bem esta noite.
O olhar intenso fez a respiração de Geneviève ficar presa na garganta. Afaste-
se, Geneviève, o coração a lembrou. Ele só irá lhe trazer dor. Mas o corpo traidor 
permaneceu no lugar.
Bevan começou a recuar, mas Geneviève cobriu as mãos dele com as suas, 
mantendo-as em seus cabelos. O toque das mãos dele tornava impossível manter 
qualquer pensamento claro na mente. Ansiava por saber a sensação de ser beijada por 
um homem com carinho, sem o desejo de punição.
— Bevan? — ela perguntou, a voz pouco mais que um suspiro.
Nos olhos dele, Geneviève viu a luta para manter distância. Bevan não queria ficar 
perto dela. Percebendo a rejeição, ela começou a se afastar.
— Fiquei louco — ele murmurou.
Sem aviso, a boca de Bevan tomou a dela, cálida e carinhosa. Ele a tratava como 
um estimado pertence, como se Geneviève pudesse se quebrar em seus braços. O beijo 
foi um bálsamo curativo, aliviando os antigos momentos de dor e medo.
A boca de Geneviève se entreabriu, o beijo se tornou febril. As línguas se 
encontraram, e novas sensações pulsaram dentro dela. Geneviève se agarrou a Bevan 
para se equilibrar, ciente da excitação dele pressionando seu corpo. Os lábios de 
Bevan trilharam um caminho garganta abaixo, iniciando uma tempestade selvagem de 
desejo.
Quando os braços fortes lhe segurarama cintura, Geneviève se sentiu 
aprisionada. Deixou escapar um gemido, mas, antes que pudesse lutar contra o abraço, 
Bevan recuou. A respiração dele estava ofegante, como a dela.
— Lamento. — Ele recuou vários passos, sem olhar para ela. — Não deveria ter 
tocado você.
Geneviève fechou os olhos, tentando recobrar os pensamentos. E, mais 
importante, via a aversão no rosto dele. Isso a enfureceu.
— Porque sou uma normanda e, portanto, sua inimiga?
— Tá. É melhor não complicar as coisas entre nós.
Geneviève escondeu suas emoções, não querendo que ele visse o quanto a rejeição 
a magoava. O beijo fora assim tão terrível? Sua falta de experiência o repelia? Ou 
será que não podia enxergar além de sua origem normanda?
— Preciso levá-la de volta. — Bevan lhe deu as costas, lutando contra o desejo 
dentro de si. Nunca quis tanto uma mulher assim. Ficava aterrorizado com a maneira 
como ela o fazia se esquecer de si mesmo. Mais uns momentos e teria levado 
Geneviève para o quarto.
Dois anos de celibato tornavam a atroz necessidade ainda pior. Sabia que era 
errado beijá-la. Mas quando viu aqueles dois homens pressionando-a a dançar, quando 
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viu o medo em seu rosto, ficou exacerbado. A vontade de mantê-la em segurança havia 
destruído qualquer pensamento racional.
Mas a maneira com que ela o fitou fora destruidora. Pela primeira vez não pensou 
em Fiona. Quando sentiu os lábios dela nos seus, um inegável desejo se inflamou 
dentro de Bevan.
O que mais o aborrecia era a própria esposa jamais ter inspirado tais 
sentimentos de luxúria. Bevan havia honrado Fiona, amando-a com tudo de si. Seus 
momentos de amor eram doces, carinhosos.
Mas isto era diferente. Embora não tivesse feito nada além de beijar Geneviève, 
acontecera uma ligação entre os dois. Bevan não queria desejar outra mulher. Tinha 
prometido à esposa que a amaria até o dia em que morresse. Não conseguia se imaginar 
com outra mulher.
Contudo não podia negar que queria Geneviève. Repreendeu a si mesmo por sua 
falta de disciplina. Os normandos eram seus inimigos, aqueles a quem jurara matar.
No entanto, jamais ergueria a espada contra Geneviève. Seu ar inocente 
emaranhava seu plano de vingança. Se conquistasse Rionallís e colocasse a família dela 
na mira de sua espada, não estaria fazendo coisa melhor que Sir Hugh Marstowe.
Por Lug! Precisava colocar o máximo de distância possível entre os dois. Do 
contrário, Geneviève o desviaria do caminho e enfraqueceria seu propósito.
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Capítulo Sete
No dia seguinte, uma tempestade de neve uivava fora das paredes do castelo, 
cobrindo de branco a paisagem. Genevieve viu Bevan poucas vezes, logo se tornando 
claro que ele a evitava. Ela havia dormido pouco durante a noite. Seus pensamentos 
estavam distantes quando, ao erguer os olhos, viu Patrick, irmão de Bevan.
— Bom dia — ele disse. — Esperava por uma oportunidade para conversar com 
você. — Pelo tom formal, ela pressentiu que o assunto era bem importante.
— Espero não ter causado problemas entre sua tribo — comentou Geneviève.
— Alguns se sentem desconfortáveis — ele admitiu. — Mas como você está aqui a 
meu convite, terão que aceitar.
Patrick a levou para uma área mais reservada, longe daqueles que pudessem ouvir 
a conversa.
— Conversei com Bevan a respeito de um acordo.
Os penetrantes olhos cinzentos a fitavam, como se avaliando seu valor. Geneviève 
esperava que ele explicasse a proposta, mas pressentiu certa hesitação, como se 
Patrick não soubesse como abordar o assunto.
— Diz respeito a Rionallís? — ela adivinhou.
— Tá. Sei de uma maneira de garantir a paz entre nossa gente, e acredito que 
você queria o mesmo.
A sinceridade e a atitude calma a tranquilizaram.
— O que quer que eu faça?
— Quero que se case com Bevan. Uma aliança com sua família faria com que 
Rionallís pertencesse a ambos, e acredito que seu rei ficaria satisfeito com a união.
Embora Geneviève já tivesse considerado esta solução uma vez, sabia que Bevan 
nunca concordaria.
— Seu irmão preferiria morrer a casar com uma normanda.
A predição não deteve Patrick.
— Ele o fará se eu ordenar.
Agitação e desapontamento convergiram para o coração dela. Geneviève sabia que 
a proposta de Patrick era a melhor solução, uma maneira de proteger a família da 
guerra. Mas teria que passar o resto da vida com um homem que não a desejava.
— Você concordaria caso eu levasse a questão ao rei Henrique e ao nosso rei 
supremo?
— Minha opinião não tem qualquer peso. É preciso a aprovação de meu pai antes 
que o compromisso seja feito.
— Enviei mensagem para que ele nos encontrasse em Tara. O mensageiro dele me 
trouxe a resposta hoje. Ele concordou em nos ver lá.
Uma combinação de torpor e alívio se apossou dela. Seu pai finalmente viria. Não 
sabia se ele havia recebido qualquer uma de suas missivas, mas tinha certeza de que 
ele a ajudaria a terminar o noivado com Hugh.
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Mas será que aceitaria que se casasse com Bevan? Geneviève tinha suas dúvidas. 
Era mais provável que seu pai e Bevan guerreassem entre si, lutando pelos direitos a 
Rionallís. A não ser que ela se colocasse entre eles.
Queria que o pai viesse para Laochre e a levasse novamente para casa, evitando 
todo aquele problema.
— Qual é a sua opinião, Lady Geneviève? — perguntou Patrick calmamente. — 
Casaria com meu irmão para reparar a discórdia entre nossas famílias?
Ela não tinha escolha. Não mais do que Bevan. Era a única maneira de evitar uma 
matança.
— Se meu pai concordar, eu aceito.
A tempestado de neve abrandou, grossos flocos revestindo o chão de branco. 
Geneviève decidiu andar lá fora, para pensar na conversa com Patrick.
Vestida num brat de lã que lhe envolvia os ombros, e numa capa para proteger o 
vestido, saiu para o frio intenso. Flocos de neve lhe atingiram o rosto, mal permitindo 
que visse alguns passos adiante de si.
Além da muralha do pátio externo, um manto de neve cobria as colinas de Erin. 
Enquanto observava o horizonte, Geneviève imaginava quais seriam as intenções de 
Hugh. Nem por um instante acreditou que ele desistira da perseguição.
Estava em Laochre há poucos dias, contudo não deixava de ter medo. Sentia que 
estava sendo observada, embora a ideia fosse tola. A noite, acordava ao menor ruído, 
imaginando um atacante despercebido. Ficava aborrecida ao saber que continuava se 
comportando como uma covarde mesmo agora. Desprezava a maneira como Hugh a 
controlava, mesmo em sua ausência.
Embora tivesse escapado de sua presença física, o domínio dele sobre seu estado 
emocional a enfurecia. Rangendo os dentes, deu mais alguns passos adiante. Depois 
mais alguns, até parar na entrada para a muralha exterior.
— Não é prudente se aventurar mais além com este tempo — disse o guarda, 
bloqueando seu caminho.
— Só irei até o pé da colina — prometeu Geneviève. Apenas se distanciaria o 
bastante para enfrentar seus medos. Ela se mantinha dentro da fortaleza, 
escondendo-se da ameaça dos homens de Hugh. Embora ele não estivesse ali, 
Geneviève ainda sentia sua presença controladora. — Não irei além de onde possa me 
ver — ela prometeu.
Com isso, o guarda cedeu.
Geneviève andou com dificuldade pela neve espessa, a barra do vestido ficando 
úmida. Havia uma sensação de paz ali, a amortecida quietude da beleza do inverno. Viu 
uma única árvore, seus galhos fustigados por uma cobertura de neve. Ao seu redor, 
todo o verde das colinas havia sido substituído por um reluzente lençol branco.
Não havia ninguém ali para ameaçá-la. Geneviève respirou fundo, absorvendo o 
perfume da liberdade. A neve dançava ao redor de seu rosto, e ela recordou o 
banquete da noite anterior, quando Bevan a beijou.
Embora ele não parecesse odiá-la, seria possível ganhar sua amizade? Ela 
detestava a ideia de escaparde um casamento apenas para se colocar em nova prisão.
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A união dos dois evitaria uma guerra por causa de Rionallís, mas apenas se seu pai 
e Bevan concordassem. Embora Patrick alegasse poder obrigar o irmão a casar-se com 
ela, isso só aumentaria a animosidade de Bevan. Ele acabaria se ressentindo de sua 
presença, a não ser que Geneviève o convencesse de que não lhe representaria ameaça.
A ideia criou raízes e começou a florir. Se convencesse Bevan de que ela não 
esperava nada dele, talvez a situação não se tornasse tão ruim. Poderiam se casar e 
manter distância um do outro.
Quanto mais considerava o plano, melhor parecia. Geneviève temia a reação dele. 
Mas se ela apresentasse a ideia de uma maneira que lhe oferecesse completa 
liberdade, talvez Bevan compreendesse suas razões.
O arranjo protegeria sua família, o que era da maior importância. Seus antigos 
sonhos de desposar um marido que a amasse haviam embotado com a realidade. 
Aprendera da pior maneira a não confiar seu coração a ninguém.
A distância, Geneviève ouviu um fraco ruído semelhante ao chamado de um 
pássaro. Era o único som a quebrar o silêncio. Ela quase o ignorou, mas então o ouviu 
novamente. Franzindo a testa, Geneviève se moveu na direção do ruído. Observou a 
paisagem, procurando pela origem.
Quando ouviu o chamado pela terceira vez, compreendeu o que estava ouvindo. 
Ergueu as saias e correu na direção dele. Ignorando os cristais de neve caindo na pele, 
Geneviève lutou para abrir caminho na direção do som.
Havia um pequeno lago coberto de gelo e neve bem na base da colina. Delgadas 
tábuas dançavam ao vento, revelando uma profunda fenda com pedaços flutuantes de 
gelo no centro do lago. Geneviève enxergou uma cabecinha se sacudindo abaixo da 
superfície. Com o coração disparado, rezou para que não fosse tarde demais.
Quando alcançou o lago, Geneviève não soube dizer se a superfície de gelo 
suportaria seu peso. Deitou-se sobre a barriga, arrastando-se na direção da criança 
que se debatia para se livrar das garras da morte.
— Aguente, amorzinho — ela disse em irlandês. — Estarei aí num instante.
O gelo estalava com o peso, mas Geneviève continuava num rastejar constante. O 
soluçar do menino aumentava sua determinação em alcançá-lo. Quando seus dedos 
tocaram a mão dele, Geneviève o puxou com toda a força.
O gelo rachou e ela caiu na água gelada. Geneviève arfou, quase ofegando quando 
subiu para buscar ar, os braços segurando a criança. Não o deixaria afundar.
O lago não era profundo, mas Geneviève se debatia para se livrar do gelo. O peso 
das saias de lã a arrastava para baixo.
O menino estava inerte em seus braços. Ele respirava, mas seu corpo estava frio 
— terrivelmente frio.
— Socorro! — ela gritou para os guardas, esperando ser ouvida.
Em segundos, um deles desceu a colina. Ele ordenou que outro guarda viesse 
ajudá-lo, e logo Geneviève era amparada pelos dois homens e se arrastava para subir a 
colina. Nunca sentira a pele tão fria. A dormência nas pernas tornava difícil andar, 
mas os soldados a impediam de desabar.
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Os dentes batiam enquanto ela continuava caminho acima, segurando o corpo do 
menininho. Não deveria ter mais do que três anos de idade. O rosto dele estava 
azulado, o que a assustava. Se fosse para ele continuar vivo, precisava levá-lo para 
dentro logo.
Alcançou o pátio externo, e não demorou para que um grupo de pessoas a 
rodeasse, todos falando ao mesmo tempo. Geneviève aninhou mais o menino, porém não 
respondeu ao turbilhão de perguntas.
Finalmente conseguiu chegar ao salão. Isabel ordenou água quente e roupas 
secas. Geneviève já tinha começado a subir a escada com Isabel quando Bevan 
apareceu.
— O que estava fazendo? — ele perguntou, segurando o braço dela.
Geneviève mal podia falar, mas conseguiu responder:
— A criança caiu no gelo. Não podia deixar que se afogasse.
— Não deveria ter deixado a fortaleza num tempo destes. Por nada.
— Ele morreria — insistiu Geneviève. — Veja. Ele ainda está vivo.
— E você poderia ter morrido também. Já vi homens se afogarem em águas mais 
rasas.
Geneviève pensou em discutir, mas percebeu que havia preocupação por trás das 
palavras dele.
— Estou bem, Bevan. Mas não sei dizer o que acontecerá com este menino. É 
praticamente um bebê.
Bevan tomou a criança dela, o rosto grave.
— Vá com Isabel e se seque. Eu cuidarei do menino.
— Não. Não o deixarei sozinho.
— Sei como cuidar de uma criança. — A expressão de Bevan era furiosa. — E você 
precisa se aquecer. Faça isso agora. A não ser que queira ser arrastada até lá em cima.
Genevieve recuou, mas só porque viu a maneira como Bevan segurava o menino, 
como se fosse filho dele.
— Está bem. Mas virei para ajudá-lo com ele.
Isabel levou Genevieve para seu quarto, onde o fogo ardia na lareira. Ajudou 
Genevieve a se despir das roupas, enrolando-a num grosso cobertor e secando-a 
vigorosamente.
— Pode tomar banho depois — prometeu Isabel. — Você precisa readquirir a 
sensibilidade da pele antes disso.
Genevieve sucumbiu aos cuidados de Isabel, aceitando uma bebida fermentada 
que queimava ao descer pela garganta.
A pele ardia de dor, e as pernas pareciam pesadas ao vestir o léine seco e enrolar 
um pesado brat ao redor dos ombros. Não se preocupava com o próprio desconforto, 
pensando apenas na criança.
— Conhece os pais do menino? — perguntou Genevieve. — Eles devem ser 
trazidos aqui.
Isabel baixou a cabeça.
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— O pai era um dos soldados que foi para Rionallís com Bevan. Ele não retornou. 
Mandarei mensagem aos arrendatários para que a mãe dele seja trazida para Laochre.
Genevieve rumava para a porta, mas Isabel a deteve.
— Antes que vá, saiba disto. Bevan perdeu a filha para a febre quando estava 
longe, em batalha. Ela tinha quase a idade deste menino quando morreu.
Genevieve ficou paralisada. Não sabia que ele havia sido pai. Não era de 
surpreender que tivesse insistido para cuidar da criança ele mesmo.
— Leve-me até ele.
A CURANDEIRA tinha ajudado Bevan a massagear o calor de volta ao corpo do 
menino, enrolando-o num cobertor. Bevan segurou o menino adormecido nos braços, 
fechando os olhos. Pousou o rosto na testa do menino, a a respiração de ambos os 
únicos sons ouvidos.
Não morra, ele rezou em silêncio. O frágil limite de seu controle fraquejava. 
Fugia da angústia de perder esposa e filha há tanto tempo que não sabia o quanto 
ainda poderia suportar. Não visitara seus túmulos em Rionallís nenhuma vez. Enquanto 
se mantivesse afastado, poderia lidar com a tênue dor que o assombrava nos últimos 
dois anos.
Agora, segurando a criança nos braços, era como se segurasse sua filha outra 
vez. Bevan observava o fogo bruxuleante na lareira, forçando o lamento a sumir.
A porta abriu e Geneviève entrou. Ela pensou em falar algo, mas calou-se. Apenas 
fechou a porta e aproximou-se da cama. Sem dizer nada, sentou-se ao lado de Bevan, 
passando a mão pelos cabelos úmidos do menino. Juntos, acalentaram a criança.
Bevan sentiu algo sendo pressionado na palma de sua mão. Abrindo-a, viu o frágil 
retalho de linho que Geneviève lhe devolvera em Ennisleigh.
— Onde pegou isto? — perguntou.
— Entre suas coisas — disse Geneviève, cobrindo a mão dele com a sua. — 
Pertencia a sua esposa, não é?
Bevan apertou o pedacinho de tecido e assentiu.
— Pertenceu às duas. Fiona o carregava no dia de nosso casamento. Depois, ela o 
costurou num gorro para o batismo de nossa filha.
Geneviève viu a dor se infiltrar nas feições dele. Queria consolá-lo de alguma 
maneira, mas palavras não bastariam. Acabou por levar a mão ao rosto de Bevan. A 
cicatriz se tornara uma áspera linha vermelha, mas ela pressentia que ele carregava 
muitas outras cicatrizes dentro de si.
A dor de Bevan era quase tangível, e os olhosde Geneviève se turvaram de 
lágrimas. Longos momentos se passaram entre eles. Geneviève não fez perguntas, mas 
levou a mão dele aos lábios.
— Que Deus alivie sua dor.
Os dedos dele apertaram os dela e, juntos, os dois mantiveram vigília sobre o 
menino. Horas mais tarde, Bevan deitou-se ao lado da criança, a respiração 
suavizando-se com o sono. Geneviève afastou uma mecha de cabelo do rosto de Bevan, 
estudando-o sob a luz do fogo.
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72
Ficaria cuidando de Bevan e do menino esta noite. Não se importava com o que o 
resto da casa poderia pensar. Ficaria ao lado deste homem e da criança que haviam 
salvado.
Era perigoso pensar da maneira que estava pensando. Os muros de seu coração 
ruíram ao saber o que Bevan sofrera. E Geneviève temia o que ele diria quando se 
oferecesse para ser sua esposa.
Bevan sentou em uma das mesas de cavalete no salão. Lá fora, o céu continuava 
escuro, por isso grande parte da casa ainda continuava na cama.
Embora o menino tivesse sobrevivido à noite, sua respiração continuava fraca. Ele 
tossia com frequência, o corpinho tremendo com o esforço.
Será que sua filha tinha sofrido assim? Será que Fiona cuidara da menina assim 
antes que Brianna desse seu último suspiro? Não podia se perdoar por estar em 
batalha. A guerra lhe roubara a última chance de abraçar a filha. Ela já tinha sido 
enterrada quando ele voltou.
Naquela manhã, Bevan acordou e deparou com Geneviève ao seu lado, seus braços 
envolvendo o menino. Tentou negar para si mesmo o quanto era bom despertar ao lado 
de uma mulher outra vez.
Depois de um instante, viu Patrick se aproximar.
— Venha caminhar um pouco comigo, Bevan — disse o irmão.
Bevan acompanhou Patrick até lá fora. O tempo estava frio ao amanhecer. A lua 
se escondia por trás de um nevoeiro de nuvens, mas um teve brilho as atravessava. A 
neve se triturava sob as botas enquanto eles caminhavam ao longo do pátio interno.
— Mandei mensagem ao rei supremo, Rory Ó Connor — disse Patrick. — Ele nos 
chamou a Tara.
Bevan ficou tenso.
— Com que propósito?
— O rei normando está lá. Ó Connor informou que ele e o rei Henrique julgarão a 
questão de Rionallís.
Bevan olhou furioso para o irmão. Deveria ser uma simples questão de posse 
anterior, mas Patrick estava deixando que a política ditasse o futuro. Ele sabia o que 
os juizes do Brehon diriam.
— Você ainda quer que eu case com ela — disse sucintamente.
— Tá. É a solução mais simples, e os dois reis ficariam satisfeitos.
— Não posso. — As palavras saíram rápido demais. Mas exprimiam a verdade.
A princípio, era seu juramento de nunca trair a memória de Fiona. Agora era por 
causa de Geneviève. Se fosse com outra mulher, poderia manter distância. Mas não 
com ela. Ela o tentava, o atraía com sua inocência.
Imaginava um bebê de olhos azuis, com os cabelos escuros e o sorriso de 
Genevieve. A esmagadora lembrança da morte de sua própria filha solidificou sua 
decisão. Não se casaria novamente para enfrentar a perspectiva de perder outra 
esposa, possivelmente outra criança.
— Talvez você não tenha escolha — disse Patrick. — Recebi um convite para 
visitar o rei Henrique, junto com os outros reis.
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73
— Você irá?
— Ainda não decidi. Isabel acha que devo. Como é normanda, ela acredita que 
seria um grande gesto em favor da paz. — Patrick voltou-se para a fortaleza, 
acenando com a cabeça para um parente enquanto caminhavam. — O rei normando pode 
exigir seu casamento com Geneviève. — Ele acrescentou: — E eu posso exigir o mesmo 
de você.
Surpresa e ressentimento tomaram Bevan ao ouvir aquelas palavras.
— Você não tem o direito.
— Eu sou seu rei. — A voz do irmão assumiu um ar de autoridade.
— E você está arriscando a vida de meu povo. Já fui tolerante deixando que ela 
ficasse, sabendo dos abusos que ela sofreu. Mas se a guerra acontecer...
Bevan reconheceu a promessa não-dita. Mas não deixaria que ninguém o forçasse 
ao casamento. Nem mesmo seu irmão.
— Viajarei para me encontrar com o rei supremo — disse Bevan. — E quando a 
questão for resolvida, Geneviève voltará para casa com a família. — Ele deu as costas 
para Patrick, concentrando a mente nos preparativos para a viagem.
Geneviève passava água fria na testa do menino. Apesar dos esforços de todo um 
dia, ninguém encontrara a mãe dele. Tentou fazer com que ele tomasse um pouco de 
sopa, mas não adiantou. A testa continuava quente ao toque e ele ainda respirava com 
dificuldade.
A curandeira havia tentado vários cataplasmas, mas nada parecia aliviar a 
respiração do menino. Geneviève apenas podia ampará-lo nos braços, rezando para que 
sobrevivesse. Como não tinham encontrado a mãe dele, sentia-se ainda mais protetora.
Bevan voltou ao quarto, o rosto tomado de preocupação.
— Ele não melhorou?
Geneviève meneou a cabeça.
— Acho que teremos de chamar o padre. Temo que ele não tenha força suficiente 
para sobreviver mais esta noite.
Bevan estendeu os braços e pegou o menino. Com um aceno de cabeça, dispensou 
a curandeira. O menino choramingou, mas Bevan o manteve ereto.
— Traga-me uma bacia.
Geneviève obedeceu. Bevan a instruiu a enchê-la com água quente. Segurando o 
corpo mole com um dos braços, colocou um pano sobre a cabeça da criança, deixando 
que aspirasse o vapor.
— Acha que isso ajudará?
— Não fará mal. Uma vez ajudou minha filha no inverno, quando ela teve 
dificuldades para respirar. — O rosto dele se tornou afável ao recordar. — Fiona e eu 
não saímos do lado de Brianna nem por um instante. Acho que nenhum de nós dormiu 
por três dias.
Quando o vapor esfriou, Geneviève encheu a bacia com mais água quente.
— E Brianna melhorou depois disso?
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— Ela acordou de manhã dizendo que queria tortinhas de mel para desjejum. 
Acho que teríamos lhe dado qualquer coisa que quisesse de tão agradecidos. Ela exigiu 
que eu a levasse para cavalgar no mesmo dia.
— E você levou?
— Não. Embora tivesse considerado a ideia. — Ele remexeu os cabelos do menino, 
abaixando os fios levantados. — Isabel me disse que não encontraram a mãe dele. 
Mandei alguns homens vasculharem o lago.
Geneviève estremeceu ao imaginar um corpo sendo encontrado. Não conseguia 
imaginar como um menino tão pequeno poderia ter sido deixado sozinho. Ele estava 
bem agasalhado, como se preparado para uma viagem. Pelo jeito da roupa, não era 
nobre nem escravo.
— O pai dele era um dos meus homens — disse Bevan. — Só posso presumir que 
tenha sido capturado com os outros, em Rionallís.
Geneviève estremeceu. Não havia dúvida de que o pai do menino já estava morto. 
Hugh não permitiria que um único inimigo vivesse, ou que qualquer homem o ameaçasse.
— Você vai atrás deles?
— Meu irmão Connor já partiu com um grupo de soldados. Pedi para ir, mas parece 
que sou requisitado em Tara.
Bevan não olhava para ela, e Geneviève notou seu ressentimento. Se não fosse 
por ela, ele teria voltado a Rionallís.
— E se Hugh atacar seu irmão?
— Ele sabe se cuidar. As habilidades de luta de Connor são fortes. Ele não será 
feito prisioneiro.
Geneviève estendeu a mão e tocou o ombro do menino. Seus olhos buscaram os de 
Bevan.
— Sei que queria estar com eles.
— Conheço meu dever.
Mas por trás da voz, Geneviève percebia o significado oculto. Ele acreditava que 
seu dever era para com seus homens, não para ser forçado a casar com uma mulher 
que não queria.
Geneviève recuou e pegou a bacia, concentrando-se nas necessidades da criança. 
Esvaziou a bacia e a encheu com mais água quente. Eles mantiveram o padrão, sem 
saber se os seus esforços seriam em vão. Depois de poucas horas, Geneviève quis 
pegar o menino.
— Eu continuo tentando o vapor. Pode se retirar, se quiser.
Bevan meneou a cabeça.
— Não. Preciso ficar aqui.
Embora as palavras fossem puramente pelo bem da criança, Genevièvetornava-se 
mais ciente de Bevan, do contraste entre o forte guerreiro e o pai zeloso. Seu espírito 
de luta a fascinava, mas também a assustava. Ele poderia facilmente se tornar tão 
dominador quanto Hugh, tomando tudo o que quisesse. Contudo, Bevan jamais pediu 
mais do que ela lhe oferecera.
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O beijo fora gentil, embora tivesse despertado desejos dentro dela. Suspeitava 
de que ele escondia seus sentimentos, trancando-os bem fundo. Se acaso Bevan os 
libertasse, Geneviève imaginava o tipo de homem que estaria por trás daquela 
superfície.
Geneviève se levantou e trouxe a bacia de volta à mesa onde Bevan estava 
sentado.
— Quando parte para Tara? — ela perguntou.
— Em três dias. O rei supremo pretende resolver a disputa pela propriedade de 
Rionallís lá.
Agora era o momento de contar a ele sobre a conversa com Patrick. Precisava 
convencer Bevan a aceitar o compromisso. Mas a rigidez no rosto dele a fazia hesitar. 
Temia o que ele poderia dizer da proposta do irmão.
— Patrick acha que devemos nos casar.
— Não me casarei com você para readquirir o que me pertence por direito — 
disse Bevan.
O tom determinado das palavras a magoou. Pressentia a fúria por trás delas, a 
frustração de ser forçado a um arranjo que não queria. Mas, de algum modo, 
Geneviève pôs de lado seus sentimentos feridos e reuniu uma força que ignorava ter.
— Está tentando me afastar porque sou o inimigo — ela murmurou. — Embora eu 
seja a única mulher com que poderá casar. Eu não esperaria de você um casamento de 
verdade.
Aproximando-se, pôs a mão sobre o ombro de Bevan. Os músculos eram fortes, a 
pele cálida sob seus dedos.
— Não esperaria que você... partilhasse de minha cama.
A palma da mão dela sentiu a pulsação dele acelerar.
— Poderia ir e vir como bem quisesse, exatamente como faz agora. — A 
respiração dele ficou tensa, e Geneviève notava o efeito que estava provocando nele. 
— Rionallís seria sua sem que precisasse erguer um dedo. Sem que perdesse um único 
homem em batalha.
Bevan agarrou o pulso dela.
— Você não sabe o que está fazendo, Geneviève.
A proximidade e o cheiro másculo fizeram o sangue dela disparar. A boca não 
estava distante para um beijo. Ela estremeceu, temerosa de que aquele guerreiro 
nunca a perdoasse por ser normanda.
— Vai considerar a ideia?
Bevan não disse nada, mas o polegar dele se moveu sobre seu pulso numa inegável 
carícia. Os lábios firmes se suavizaram, os olhos verdes bebendo da visão dela. Bevan 
a desejava, embora negasse isso.
Geneviève se soltou, um fio de esperança ainda existindo entre os dois.
— Pense nisso, Bevan. Você teria liberdade. E Rionallís também.
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Capítulo Oito
O soldado entrou na fortaleza escura, as tochas lançando sombras nas paredes. 
Caminhou na direção dos homens ao lado dos quais lutara em batalha. Amigos, rivais — 
eles não mereciam o que ele estava sendo obrigado a fazer.
O Gaillabh queria que ele traísse os MacEgan. Se não o fizesse, machucariam sua 
esposa, Kiara. O soldado engoliu sua raiva inútil, sabendo que não tinha escolha senão 
seguir as ordens.
— O que aconteceu? — Um guarda lhe bloqueou o caminho, reconhecendo-o. — 
Pensamos que estavam mortos. Os normandos...
— Eu escapei — ele disse. — Os outros ainda são mantidos prisioneiros.
— Estão vivos? — perguntou o amigo.
Ele assentiu.
— Por enquanto.
— Que bom. Bevan mandou um grupo de resgate. Connor partiu com eles dias 
atrás.
— E por que Bevan não foi com eles?
— Nosso rei proibiu. — O amigo caminhava ao lado dele em direção ao pátio 
interno. — Mas devem voltar logo. Se ainda estiverem vivos.
O soldado não mencionou a esposa, embora temesse pela segurança de Kiara. 
Será que Sir Hugh a deixara aprisionada com os outros? Ou será que a removera para 
outro lugar? Tinha visto o ar de interesse no rosto do normando e rezava a Deus para 
que ela continuasse intocada.
— E você? Não o machucaram?
O soldado meneou a cabeça. Não fora machucado porque era de serventia para 
eles. Seu estômago se revirou ao pensar na esposa sendo vitimada pelos normandos.
Medo e raiva rapidamente brotaram dentro dele. Tudo isso por causa de uma 
mulher, Geneviève de Renalt. Se não fosse por ela, nada disso teria acontecido.
Sir Hugh queria a mulher, só falava em Geneviève. Se a levasse de volta para 
Rionallís, Sir Hugh ficaria satisfeito. O soldado se certificou de que o normando 
libertaria sua esposa em troca.
— Bevan retornou? — perguntou o soldado. — Preciso falar com ele.
— Está nos aposentos dele.
— E Lady Geneviève? — A expectativa fazia uma fina camada de suor irromper 
por sua pele. Precisava encontrá-la. Descobrir uma maneira de levá-la a Rionallís. Só 
assim receberia Kiara em troca.
— Ainda está aqui. — O amigo acrescentou: — Alguns de nós acompanharão Bevan 
até Tara dentro de poucos dias. Virá conosco?
— Ainda não sei quais são minhas ordens. — Ele deu um tapinha nas Costas do 
amigo, e estava para pedir licença quando o homem o deteve.
— Encontramos seu filho dias atrás.
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— Meu filho? — Kiara jurou ter deixado o pequeno Declan com uma amiga de 
confiança. Não pensou que qualquer perigo poderia se abater sobre ele. — O que 
aconteceu?
— Não tema. Nós o trouxemos para cá. Sua esposa...
A expressão do soldado se fechou.
— Ela é mantida prisioneira pelos homens de Sir Hugh. Ela tentou nos libertar.
— Os MacEgan não descansarão até todos estarem livres. — O amigo tentou 
consolá-lo.
Mas o soldado não conseguiu concordar com o amigo. Bevan os abandonara há 
dias, sem qualquer tentativa de retomar Rionallís. Os homens sofriam em cativeiro 
enquanto seu líder não fazia nada.
Se os MacEgan tivessem atacado imediatamente, Kiara estaria a salvo. O soldado 
colocava toda a culpa em Bevan.
— Onde está meu filho? — ele perguntou.
— Lá em cima.
Ele pediu licença, mas outros amigos vieram cumprimentá-lo antes que pudesse ir 
mais além. A cada saudação, a cada palavra de boas-vindas, sua culpa aumentava. Não 
desejava traí-los.
Amaldiçoando sua fraqueza, ele se esgueirou pelas sombras. Enquanto os minutos 
se estendiam, sua respiração se normalizava. Depois que garantisse a segurança do 
filho, encontraria Lady Geneviève e a devolveria a sir Hugh.
As batidas de seu coração se arrastavam devido ao medo do fracasso. Abriu a 
porta furtivamente, sem saber o que encontraria dentro do quarto. O único som vinha 
do crepitar do fogo na lareira. Viu Bevan dormindo numa cadeira, e a visão de seu 
comandante deteve o soldado.
Se Bevan acordasse, faria perguntas.
O olhar do soldado buscou a cama. Ali ele viu Lady Geneviève, junto com algo que 
fez seu coração parar. Seu filho, aninhado nos braços dela.
O soldado fechou a porta, seu plano já não era mais possível. Era como se Deus 
pedisse que ele escolhesse entre a esposa e o filho. E o soldado não tinha resposta 
para isso.
Um choramingo despertou Geneviève do sono. A jovem criança se remexia em 
seus braços, murmurando pela mãe.
— Nós a encontraremos, amorzinho — sussurrou Geneviève, beijando a testa do 
menino.
Mal conseguira dormir naquela noite, dividida entre segurar a cabeça dele sobre 
o vapor e tentar mais cataplasmas recomendados pela curandeira. Pouco antes do 
amanhecer, o menino caíra num sono mais tranquilo, a respiração parecendo mais leve. 
Geneviève agora acreditava que ele fosse viver, embora ainda levasse tempo para que 
recuperasse as forças.
Durante o sono, o menino se aninhara a ela, fazendo com que Geneviève sentisse 
uma onda de ternura por ele. Seus finos cabelos de bebê eram macios, feito uma 
penugem. Ele levou o polegar à boca, buscando por conforto.
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Geneviève colocou o menino sentado. Viu Bevan largado na cadeira, a cabeça 
apoiada na mesa. Apesardas estranhas circunstâncias entre eles, Bevan ficara ali a 
noite toda, negando-se a sair de perto da criança.
Ele não dissera mais nada a respeito da sua proposta, e as faces de Geneviève 
coraram ao recordar a recusa. Pensou que ele fosse considerar o arranjo, mas fora 
rejeitada.
Geneviève tomou a criança nos braços, andando na ponta dos pés até a porta. 
Bevan não acordou, então ela desceu com o menino. Ele mal tinha comido nos últimos 
dois dias e provavelmente estava faminto.
Ela tinha dormido além da hora da missa, e a maior parte da família estava 
envolvida em seus afazeres matinais. Geneviève falou com um dos servos, pedindo um 
bocado de sopa.
O menino se remexeu em seus braços. Ele abriu os olhos, que tinham um tom 
castanho esverdeado, e a fitou seriamente.
— Qual o seu nome? — perguntou Geneviève.
Ele não disse nada, mas enroscou os dedos nos cabelos dela, levando-os à boca. 
Quando a sopa chegou, Geneviève o ajudou a comer. Encheu-se de alívio ao ver como 
ele comia com bom apetite.
Tinha acabado de alimentá-lo quando um homem adentrou o salão. O cabelo louro 
alcançava os ombros, e ele caminhava com alegre confiança. Quando a viu, ele sorriu.
Foi um daqueles sorrisos que faria os ossos de uma mulher derreter. Ela assentiu 
e fingiu estar encantada com o menino. O homem se aproximou e sentou-se ao lado 
dela no banco.
— Você deve ser Geneviève.
As faces dela coraram. O que estava acontecendo com ela? Erguendo o olhar, viu 
o sorriso dele se alargar.
— Sou Connor MacEgan. — Ele estendeu a mão para afagar os cabelos do menino. 
— É um bom rapazinho, não é? Patrick disse que você o salvou do lago.
— Sim. Ainda estão procurando pelos pais dele.
— É verdade. — Uma sombra dominou o rosto de Connor, e Geneviève imaginou se 
ele sabia de algo. Mudando de assunto, ele acrescentou: — Você é formosa de rosto, 
devo dizer. Que prazer encontrá-la esta manhã.
— Sempre cumprimenta as mulheres desta maneira? — retrucou Geneviève, 
depois cobrindo a boca. O homem não fizera nada além de cumprimentá-la, mas sua 
aparência bonita a deixava inquieta. Faces bonitas frequentemente escondiam um 
coração enganoso. Tinha aprendido isto com Hugh.
— Tá. — A voz de Bevan irrompeu pelo salão. — Connor sempre está de olho em 
muitas mulheres. — Veio andando na direção deles, o rosto brilhando com gotas 
d'água. Os pelos escuros da barba por fazer cobriam suas bochechas, embora não 
escondessem o par de cicatrizes. Sua aparência feroz fez a pele de Geneviève arder 
ao lembrar da conversa da noite anterior.
Embora tivesse ficado com ela para olhar o menino, Bevan a evitava, 
comportando-se como se não suportasse ficar perto dela. Geneviève não entendia o 
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que fizera de errado. Mesmo assim, durante alguns pequenos instantes, apanhou-se 
sendo observada por Bevan, cuja expressão era inescrutável.
Geneviève apertou mais a criança, fingindo dar toda atenção ao menino. Connor se 
inclinou mais perto.
— E meu irmão está de olho em você? Se for o caso, eu poderia batalhar com ele 
por você.
— Deixe-a em paz. — Bevan se encostou à mesa de cavalete, olhando zangado 
para Connor. — Encontrou os homens?
A expressão de Connor ficou séria.
— Trouxemos três deles de volta. Dois morreram em cativeiro. Um está 
desaparecido.
— Não foram detectados pelos homens de Hugh?
— Sua gente nos ajudou. E Sir Hugh não estava no rath. — Connor olhou para 
Geneviève. — Está procurando por ela.
Invisíveis linhas de apreensão se enroscaram na garganta de Geneviève, tornando 
difícil respirar. Sabia que Hugh não desistiria.
— Ele sabe onde ela está — disse Bevan.
— Tá. Mas também sabe de nossa força. Ele não tem homens para atacar 
Laochre. Vi quando voltaram para o acampamento na noite passada.
Os ombros de Geneviève se curvaram de alívio. Mas não se esqueceria de que 
Hugh poderia enganar a defesa dos MacEgan. Suas habilidades de batalha eram 
mortais, aprimoradas pelos anos de experiência.
Olhando para a criança, Connor acrescentou:
— É o pai do menino que está desaparecido. Mas descobri que escapou sozinho.
— Ele está aqui? — Sem esperar resposta, Bevan ordenou: — Tragam-no aqui. Ele 
vai querer ver o filho.
O olhar de Connor se tornou inquieto.
— Ele esteve aqui. Mas desapareceu novamente. Algo está errado. Os homens 
disseram que Sir Hugh mantém a esposa dele prisioneira. Queria que o soldado nos 
traísse.
Geneviève abraçou o menino, acariciando-lhe os cabelos. Deu-lhe um beijo na 
bochecha, rezando pela segurança da mãe. Se Hugh estava com a mulher, não teria 
qualquer misericórdia por ela.
— Não havia qualquer mulher por lá quando libertamos os homens — acrescentou 
Connor. — Não sei o que aconteceu com ela.
A visão de Geneviève se turvou com as lágrimas contidas ao abraçar o menino. 
Embora quisesse acreditar que tudo estava bem, seu coração sabia a verdade. Se a 
irlandesa não tivesse serventia para Hugh, ele a mataria.
— Então precisamos encontrá-lo — enfatizou Bevan. — E a esposa.
— Cuidarei disso. — Connor lançou um olhar travesso ao irmão. — Enquanto você 
estiver de visita ao rei supremo, claro.
Ele enfiou a mão dentro da túnica e puxou um ramo de azevinho, as frutinhas 
vermelhas brilhantes devido à neve derretida.
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— Para você. — Connor ofereceu o ramo a Geneviève, levando a mão dela aos 
lábios.
Com o beijo, Geneviève tentou puxar a mão. As atenções excessivas de Connor a 
lembravam muito do modo como Hugh costumava cortejá-la.
— Partirei para Tara pela manhã — disse Bevan, agindo como se nada estivesse 
acontecendo. — Patrick concordou em emprestar alguns soldados de Ennisleigh para 
que me acompanhem. — Apontando para o irmão com a cabeça, acrescentou: — Cuidará 
dela, não é?
Connor pôs o ramo de azevinho na mão dela, o sorriso se tornando mais caloroso.
— Ah, acho que cuidarei muito bem dela.
As palavras de Bevan fizeram Geneviève se sentir como se tivesse acabado de 
ser entregue a outro homem. E ela descobriu não gostar da ideia.
— Posso cuidar de mim mesma, agradeço aos dois. — Levantando-se, Genevieve 
equilibrou o menino no quadril. Ao deixar o salão e atravessar o primeiro conjunto de 
portas, o menino se debateu em seus braços.
— Papai! — ele gritou, arqueando as costas.
Geneviève parou e olhou para trás. Pensou ter visto um movimento, mas apenas 
Connor e Bevan continuavam absortos conversando lá atrás no salão. O menino 
choramingou, tentando se soltar. Geneviève tentou acalmá-lo, puxando-o contra seu 
ombro. Ela não via ninguém. Mas sentia um arrepio na espinha, o que a deixou 
desconfiada.
Com o tempo, a agitação do menino se trasformou num fraco choro. Ele terminou 
por encaixar a cabeça debaixo do queixo de Geneviève e puxar-lhe os cabelos em 
busca de conforto. O coração dela bateu forte e, por um instante, ela desejou que o 
menino fosse seu filho.
Ela subiu os degraus, o corpinho do menino relaxando enquanto caía no sono. 
Geneviève sentiu-se cheia de ternura enquanto o abraçava. Seus pensamentos sobre 
ter um filho subitamente se voltaram para o leito nupcial.
Sabia da necessidade de se submeter ao futuro marido para poder gerar um 
filho. Mesmo assim sentia um terrível medo ao pensar em se entregar a um homem. 
Talvez não fosse tão ruim com Bevan. Ele, ao menos, sabia das surras que sofrera e 
não ergueria os punhos contra ela.
Contudo, Geneviève se oferecera com a promessa de lhe conceder liberdade. 
Tinha jurado não exigir nada dele. Bevan não desejaria compartilhar a cama mesmo 
que ela vencesse o medo. Ele deixara claro que ainda a considerava o inimigo normando. 
Mesmo que ficasse com ela em Rionallís como seu marido, Geneviève duvidava que ele 
fosse mudar de ideia.
Seu pai decidiria seu futuro nos próximos dias, enquanto ela esperava ali em 
Laochre. Geneviève odiava esta falta de controle sobre a própria vida. Deveria haver 
algummodo de guiar a mão do destino. Então ficou a refletir sobre as possibilidades.
Lá em cima, encontrou Isabel, instruindo suas damas nas tarefas para aquela 
noite. Cestas de folhagens estavam espalhadas pelo cômodo, e a própria Isabel 
segurava uma braçada de galhos de pinheiro.
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— Oh, Geneviève — Isabel se voltou e sorriu agradecida. — Você poderia me 
ajudar, se estiver disposta. — Ela tomou o menino dos braços de Geneviève e o 
entregou à curandeira, uma velha que Geneviève já conhecia. — Siorcha cuidará dele 
por enquanto.
Ela não gostou da ideia de abandonar o menino, mas Isabel pareceu compreender 
sua inquietação.
— Siorcha tem netos da idade dele, não precisa se preocupar. E os pais dele 
serão encontrados logo.
Geneviève ficou quieta, pois duvidava que a mãe do menino estivesse viva. E não 
havia como saber onde o pai estava. Embora fizesse outra oração silenciosa pelos dois, 
ficava sentida pela perda da criança.
Isabel colocou uma cesta de folhagens nos braços dela.
— Hoje celebraremos Alban Arthuan. É parecido com nossa celebração de Natal, 
mas os irlandeses têm costumes próprios. Você vai gostar — ela prometeu.
Geneviève seguiu a mulher escada abaixo, mas acreditava não ter muito que 
celebrar. Com Bevan de partida em breve, sentia-se sozinha e angustiada. E as 
atenções de Connor, embora amigáveis, ameaçavam sua sensação de segurança. Sua 
maneira despachada a aborrecia, por isso preferia não encontrá-lo naquela noite, 
principalmente se Bevan não estivesse por perto para resguardá-la de afeições 
indesejadas.
Enquanto ajudava as mulheres a pendurar as guirlandas de folhas, Geneviève se 
repreendia pela covardia. Precisava confiar em suas próprias loiças e enfrentar seus 
medos.
Estava cansada de esperar que outros tomassem as decisões que afetariam sua 
vida. Queria tomar o controle do problema e evitar a guerra entre sua família e a 
família MacEgan, com a qual também se importava.
A aversão de Bevan pelo casamento lançava uma sombra em seus planos, mas 
Geneviève acreditava que ele queria evitar uma matança tanto quanto ela.
Talvez devesse viajar para Tara com eles, pedir a ajuda do rei Henrique.
A celebração de Alban Arthuan marcando o início do solstício de inverno estava 
sendo tão prazerosa quanto reconfortante. O agradável bruxuleio das velas, o crepitar 
do fogo na lareira e as guirlandas de folhas faziam Genevieve recordar seu lar.
Connor a encantava com suas histórias engraçadas, arrancando-lhe uma risada 
mesmo quando lhe oferecia deliciosas porções de comida.
— É bom vê-la sorrir — ele disse.
— Não tinha razões para sorrir há muito tempo — ela admitiu. — Gosto de sua 
família.
— Sim, são boas pessoas. — Connor tomou um gole de hidromel e acrescentou: — 
Nós protegemos os que estão necessitados.
A observação fez Geneviève lembrar do garotinho, perdido e sem família.
— Continuará procurando os pais da criança?
— Quando amanhecer — ele disse. — Mas esta noite pretendo celebrar o 
solstício.
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Geneviève percebeu os olhares invejosos de várias mulheres por Connor continuar 
do seu lado. Mas sua mente vagava, fazendo com que observasse as coisas com 
desinteresse. Imaginava se Bevan já teria reunido seus soldados em Ennisleigh. 
Estaria voltando para Laochre para a celebração? Ou a evitaria nesta última noite, 
fingindo que ela não existia?
Pare de pensar nele. Geneviève se repreendeu pelos pensamentos errantes.
— Sua atenção está longe daqui, posso ver — disse Connor, segurando 
gentilmente a mão dela. — Quer que eu a deixe sozinha?
Geneviève repeliu os devaneios.
— Não. Sinto muito. É que não estou conseguindo me concentrar esta noite.
— Dance comigo. — Connor segurou-lhe as mãos. O calor de suas palmas e a 
intensidade de seu olhar cativavam ao mesmo tempo em que assustavam Geneviève.
— É melhor não. — Mas a música se tornara suave novamente, fazendo com que 
ela saboreasse as notas que ecoavam pelo salão. As delicadas cordas da harpa tocavam 
suas emoções, permitindo que sorvesse cada nuance da melodia.
— Então apenas escute. — A mão de Connor lhe envolveu a nuca numa suave 
carícia. Geneviève começou a se afastar, mas lembrou a si mesma de que Connor não 
tinha feito nada impróprio.
Depois de escutarem várias canções, Connor a convenceu a dançar. Geneviève não 
conseguia acompanhar os passos rápidos, então desistiu e simplesmente deixou que 
Connor rodopiasse com ela em seus braços.
Enquanto dançava com Connor, pensava em Bevan. Ele não parecia o tipo de 
homem que gostava de dançar e festejar. Perguntava-se como ele era antes de perder 
a esposa e a filha. Só o viu sorrir uma vez, mas ele jamais ria.
O vinho que Geneviève bebera, combinado à tontura, fez com que perdesse o 
equilíbrio. Connor a firmou, segurando-a em seus braços fortes.
O sorriso desapareceu quando percebeu que Connor pretendia beijá-la.
— Por favor, não.
O polegar dele traçou um caminho desde seus lábios até sua garganta.
— Você gosta dele, não é?
O coração dela disparou no peito enquanto tentava encontrar as palavras certas 
para responder.
— Bevan é meu amigo.
— Seus sentimentos são mais profundos. Se não fosse por ele, eu roubaria muito 
mais do que beijos esta noite. — Genevieve de repente achou aquela arrogante 
presunção engraçada.
— Acredita nisso, não é? Só porque você é bonito, não significa que estou 
querendo beijá-lo.
Connor caiu na gargalhada.
— Então me considera agradável? Preciso contar isso a ele. — Ele segurou o rosto 
dela entre as mãos. — Acho que devemos deixá-lo com ciúmes.
— Bevan não está aqui — disse Genevieve. — Foi buscar soldados em Ennisleigh.
Connor acariciou-lhe o queixo.
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— Ele voltou e está nos observando há um bom tempo. Vamos. Apenas um beijo.
— As mulheres nunca o rejeitam?
— Nunca. — Connor franziu os lábios. — Não está curiosa para saber o que ele 
fará?
— Não acredito em você. Acho que só quer me convencer a beijá-lo. Bevan não 
está aqui.
Connor riu, animado.
— Isto seria um ótimo gracejo, milady. Mas é verdade que ele está observando.
Genevieve olhou na direção apontada por Connor no mesmo instante em que os 
lábios dele lhe roçaram a bochecha. Ele não estava mentindo. Bevan estava encostado 
à parede, um copo de hidromel na mão. Genevieve não conseguia ler sua expressão, mas 
Bevan permanecia imóvel, observando-a, como Connor havia afirmado.
— Espere — avisou Connor. — Ele virá atrás de você. Meu irmão nunca resiste a 
um desafio.
Mas a previsão não se tornou verdadeira. Genevieve viu Bevan se virar e ir 
embora. Sentiu-se gelar por dentro quando ele a ignorou. Bevan não gostava dela. 
Preferia deixá-la nos braços de Connor, sabendo que o irmão não lhe faria qualquer 
mal. Ela era apenas uma obrigação, nada mais.
A mão cálida lhe tocou o rosto.
— Se ele é tão estúpido para não notar a beleza que tem diante de si, eu não sou. 
— Os lábios de Connor tomaram os dela, e Geneviève reuniu forças para não se 
alvoroçar.
O beijo gentil deveria fazer com que se achasse desejada, mas só conseguia 
fazer com que se sentisse aprisionada. Como Connor, Hugh também fora jovial e se 
demorara fazendo-lhe galanteios. Mas a audaciosa força que ela antes admirava se 
transformara nos braços de uma prisão.
Geneviève tremeu e deixou escapar um gemido assustado. Connor a segurou pelos 
ombros.
— Sente-se bem?
— Não. — Geneviève se afastou dele, querendo fugir. Connor a deixou ir, mas 
Geneviève sabia que ele a observava. Correu para uma escada a um canto, sentando-se 
nos degraus. Encostou a cabeça na parede lateral, incapaz de acalmar a respiração 
acelerada.
Seus temores eram tolos. Connor não pretendia fazer mal a ela, apenas roubar 
um beijo. Mas a familiar ansiedade a vencera mais uma vez. As lágrimas ardiam em 
seus olhos, mas Genevièveas continha.
Os fantasmas dos abusos de Hugh a atormentavam. Enquanto ele tivesse tamanho 
poder sobre ela, nunca escaparia dele. Embora os olhos continuassem secos, Geneviève 
chorava por dentro por causa de um futuro que não poderia ter.
Foi necessário cada pedacinho de autocontrole para ir atrás dela. O beijo 
roubado por Connor e a subsequente fuga de Geneviève enfureceram Bevan. O irmão o 
fitou com ar indagador, e Bevan respondeu com um olhar furioso que ordenava que 
deixasse Geneviève em paz.
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84
Ficou escondido num canto onde podia manter vigilância sobre ela. Das sombras 
podia vê-la sentada na escada, a cabeça encostada à parede. Um cacho de cabelos de 
soltara, uma sedosa mecha escura que escorregou pelo rosto dela. Os braços 
envolviam a cintura, mas Geneviève não chorava.
Bevan não esperava que Connor fosse beijá-la, e repreendeu a si mesmo por 
deixá-la sozinha. Geneviève ficara apavorada com seu irmão. Qualquer homem 
produziria o mesmo efeito após os abusos que ela sofrera.
Contudo, ela não fugia dele. Lembrava-se da sensação delicada de tê-la nos 
braços, semelhante a uma rosa de verão. Quando a beijou, Geneviève apagou todas as 
recordações de Fiona de sua mente.
Ela estava disposta a se sacrificar num casamento que impediria uma guerra por 
Rionallís. Tinha jurado não lhe fazer exigências, deixar que ele levasse a vida que 
escolhesse.
Bevan acreditava na sinceridade dela. Mas a honra exigia que ele recusasse a 
oferta. Observara Geneviève acalentando o menino no colo, cantando uma suave balada 
quando achou que ele não estava ouvindo. Não era justo negar a Geneviève a chance de 
ser mãe.
Bevan deu um passo na direção dela, sabendo que não deveria. Se encurtasse a 
distância entre os dois, não haveria volta. Mas queria confortá-la, afastar o passado 
que a assombrava.
Por que ela o perturbava desta maneira? Por que fazia com que tivesse 
sentimentos novamente? A garganta se apertou de ansiedade enquanto Bevan se 
aproximava. Subitamente sentiu-se como Ewan, um adolescente que não sabia falar 
com uma mulher. O que diria a ela?
Geneviève ergueu o rosto. O vazio em seus olhos fez Bevan desejar nunca ter 
empurrado Geneviève para Connor. Embora o irmão preferisse cortar o braço a 
maltratar uma mulher, não compreendia o que Geneviève tinha sofrido.
— Partirei para Tara pela manhã — ele disse. — O rei decidirá a questão de 
Rionallís.
Como se ela já não soubesse disso. Queria morder a língua e não ter dito aquelas 
palavras ridículas.
Geneviève exibiu um sorriso cauteloso.
— Acho que eu deveria me despedir, mas creio que não será necessário.
Bevan não sabia como responder, mas ela continuou:
— Estive pensando na questão de Rionallís, e acho que seria melhor acompanhar 
você até Tara. Posso falar com meu pai e interceder se for necessário.
— Não. Você fica aqui, onde nossos soldados podem protegê-la. — Sabia que teria 
de enfrentar o pai de Geneviève, mas não deixaria que ela lutasse suas batalhas por 
ele.
— Não serei mantida presa aqui — ela argumentou. Bevan tomou-lhe as mãos com 
firmeza.
— Escute-me, Geneviève. Já disse que você não irá a lugar nenhum.
— Não pode me manter aqui.
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— Não posso? — Ele a segurou pelos pulsos. — Os homens de Hugh estão 
esperando pela chance de apanhá-la. Não permitirei que se exponha ao perigo — ele 
disse. — Não discuta.
— Não tem direitos sobre mim, Bevan. Posso fazer o que quiser. — Os olhos dela 
faiscavam em rebeldia, deixando Bevan com vontade de sacudi-la para que recuperasse 
a razão.
— Não me desafie, Geneviève. — Ele avançou até pressioná-la contra a parede do 
corredor.
Geneviève se encolheu, então ele afrouxou o aperto, respirando fundo.
— Lamento. Não pretendia machucá-la. — Com os polegares, Bevan lhe 
massageava os pulsos.
O dedo desenhava lentos padrões sobre a pele dela, apreciando-lhe a maciez.
— Por que se importa com o que eu faço? — ela murmurou.
Bevan ergueu os olhos. Não podia responder porque ele mesmo não conseguia 
conceber a razão.
Geneviève recuou, livrando as mãos.
— Bevan, preciso fazer isso. Cometi o erro de pedir ao meu pai por um 
compromisso com Hugh. Sou eu quem deve pedir ao rei pelo rompimento.
— Isso é tarefa para seu pai — ele argumentou. — E ele nunca deveria ter 
permitido que Hugh a machucasse.
— As coisas são diferentes na Inglaterra — ela respondeu. — Uma mulher deve 
ser subserviente aos desejos do marido.
— Não deveria ser assim. Uma mulher tem o mesmo valor que um homem em 
Éireann. — Ele não compreendia por que os ingleses tratavam suas mulheres tão mal. — 
Você não merece sofrer nas mãos de Marstowe.
— Não. Mas terei que casar cedo ou tarde. E não terei escolha neste novo 
arranjo. Só posso esperar que meu pai escolha alguém melhor que Hugh.
A ideia de Geneviève casando com outro homem frustrava Bevan. Não queria que 
homem nenhum tocasse nela.
— Você poderá ir para um convento.
— Não tenho vocação para ser esposa de Deus — ela admitiu. Embora Geneviève 
não dissesse, ele via o anseio nos olhos dela. Uma mulher como Geneviève devia ter 
filhos.
As palavras dela confirmaram sua intenção de não desposá-la. Não podia ser pai 
outra vez. A ideia de segurar outro filho seu nos braços era como uma espada cravada 
nas entranhas.
Se Geneviève lhe pertencesse, temia ser incapaz de resistir à tentação de tocá-
la. Ela parecia tão vulnerável que Bevan temia o que aconteceria se cedesse às 
vontades de seu corpo.
Clareando a garganta, ele mudou de assunto.
— Como está o menino?
— Melhor. Siorcha o encheu de mimos hoje, dando-lhe vários doces. Mas continua 
a chamar pela mãe.
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O rosto de Bevan se tornou melancólico.
— Todas as crianças querem as mães. Brianna às vezes não me deixava pegá-la no 
colo, só queria Fiona.
— É triste — ela admitiu. — Tenho medo do que Hugh tenha feito com a mãe do 
menino.
— Não deve ficar apegada a ele. O lugar dele é com o pai.
— Eu sei. — Uma lágrima escapou, embora Geneviève tivesse conseguido exibir 
um meio sorriso. — Às vezes é impossível evitar certos sentimentos.
Bevan enxugou a lágrima, acariciando o rosto de Geneviève. Ela havia coberto o 
hematoma novamente, mas a cor começava a desbotar. Mesmo assim, Geneviève lhe 
parecia linda.
Bevan tentou suprimir a intensa vontade que crescia dentro de si. Desejava 
esquecer Fiona e a amarga sensação de perda.
— Você tem razão. — A voz parecia agarrar na garganta enquanto ele se 
aproximava. — Às vezes não se pode evitar o que se sente por alguém. — A mão se 
apoiou na parede, o outro braço enrodilhando a cintura de Geneviève. Bevan aguardou, 
esperando que ela se afastasse, se quisesse.
Ela não se moveu. Lentamente, Bevan afastou a mecha de cabelo escuro, 
prendendo-a por trás da orelha dela. O mundo pareceu parar no instante em que os 
olhos cor-de-safira buscaram os dele. Bevan sentiu a pele esquentar enquanto 
deslizava os dedos pelas costas de Geneviève.
Ela se encostou à parede, deixando-se sustentar por ela enquanto Bevan lhe 
beijava gentilmente o pescoço. Podia sentir que Geneviève se rendia a ele, a respiração 
morna resvalando em seu rosto.
Sua mente mandava que parasse. A voz da razão exigia que a soltasse. Geneviève 
não lhe pertencia, nunca seria sua. Isto era errado.
As mãos dela tocaram timidamente seu peito, as palmas pousando de leve sobre 
seus peitorais antes de lhe cingirem o pescoço. Inexperiente e insegura, Geneviève 
parecia assustada, porém, determinada.
Lug! Não se lembrava da última vez em que uma mulher o abraçara. Era tão bom, 
um atear de fogo. Seu corpo ficou impaciente, e por fim Bevan cedeu à vontade. 
Capturou os lábios de Geneviève, saboreando o doce calor de sua boca.
Ela estremeceu em seus braços, mas não o repeliu. A respiração dele fluía 
entrecortada.
— Nãodevemos fazer isso — ela murmurou. — Não posso...
As mãos de Bevan desceram pelo corpo até alcançarem os quadris, puxando-a 
para perto.
— Eu sei. — Mas enquanto dizia estas palavras, Bevan sabia que não seria capaz 
de parar de desejá-la.
Bevan a beijou novamente, movendo os quadris contra os dela numa dança sensual. 
A música da celebração estava terminando, então Bevan a puxou pela mão, guiando-a 
pelo corredor. Parou diante de seu quarto, esperando. Os lábios dela estavam 
intensamente vermelhos, úmidos do beijo. Mais do que qualquer coisa, Bevan queria 
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levar Geneviève para dentro e se deitar com ela. Mas a honra exigia que parasse com 
esta loucura antes que ambos fossem consumidos por ela.
Com grande relutância, Bevan a soltou.
— Deixe-me, Geneviève. Você não quer isso.
Ela recuou um passo, depois outro. Por um instante, Geneviève pareceu prestes a 
fugir. Mas ela parou, a incerteza moldando seu rosto.
— Você se importa comigo, Bevan? — ela perguntou. — Ainda não passo de uma 
normanda para você?
Ele viu os olhos dela se encherem de lágrimas, então foi traído pela fraqueza do 
próprio corpo. Segurou-lhe o rosto entre as mãos, deixando que ela visse a força do 
desejo em seu olhar.
— Só um beijo — ele prometeu. Não podia tomar mais do que isto.
Bevan traçou o contorno do rosto de Geneviève, deslizando os dedos pelo 
hematoma. Com os lábios, beijou o machucado. Os olhos dela continuavam fixos em 
Bevan, que prosseguia com a delicada carícia.
Geneviève abriu os lábios e fechou os olhos. Bevan se inclinou para saboreá-la, 
nada mais do que um leve roçar dos lábios. Ela estremeceu, jogando a cabeça para 
trás. Bevan a puxou pelos quadris até se encaixarem aos dele, aninhando sua excitação. 
Desta vez ela o abraçou mais forte, até Bevan poder sentir a maciez dos seios contra 
seu peito.
As mãos deslizavam sob o tecido do vestido, dentro das volumosas mangas, até 
ele sentir a maciez da roupa íntima. Os polegares estavam sobre a curva dos seios, 
esperando para ver se ela permitiria que ele avançasse mais. Geneviève congelou, 
apavorada, mas Bevan via o desejo surgindo nos olhos dela.
A intensa necessidade de tocá-la venceu qualquer hesitação que ele ainda tinha. 
Lenta e delicadamente, Bevan moveu os polegares sobre os mamilos sensíveis. A 
respiração de Geneviève ficou entrecortada, e Bevan a pressionou contra a parede, 
acariciando-lhe os seios até que ela gemesse de prazer.
As bocas se encontraram num acalorado frenesi. Geneviève era a chuva que o 
despertava para a vida, saciando sua sede. Todos os anos de anseio, de sofrimento, 
pareciam desaparecer quando ela correspondia ao beijo, buscando a língua dele. Bevan 
silenciou a culpa de antigas lembranças, dizendo a si mesmo que ele era apenas 
humano.
Os peitos de ambos pareceram se fundir enquanto Bevan controlava sua urgência. 
Então ele sentiu o gosto salgado das lágrimas de Geneviève, Desprezou a si mesmo 
naquele momento. Havia magoado Geneviève sem querer.
— Vá — ordenou. — Agora.
Como ela continuasse parada, ele abriu a porta. Outra lágrima correu pelo rosto 
de Geneviève, mas ela obedeceu. Quando ela se foi, Bevan entrou no quarto e socou a 
pesada porta de carvalho. Não conseguia ter qualquer força de vontade quando o 
assunto era Geneviève.
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No corredor, Geneviève apoiou a testa na parede. Só podia culpar a si mesma pela 
humilhação. Seu corpo pulsava numa atroz tempestade de sentimentos. Nunca 
imaginara que isso podia ser assim, e parte dela queria que Bevan continuasse.
Com ele, Geneviève se sentia apreciada. Por isso não conseguiu evitar as lágrimas. 
Foi quando ele a repeliu. Por que pensou que Bevan pudesse querê-la? Suas bochechas 
Ficaram vermelhas.
Agora que sabia como era ser desejada por um guerreiro como Bevan, seu corpo 
ansiava por mais. Com a mente tumultuada por pensar nele, Geneviève cambaleou para 
o próprio quarto. Bevan partiria para Tara de manhã para lutar pelo direito de sua 
terra.
Mas acima de tudo, Geneviève temia o cerco que já fora formado ao redor de seu 
coração.
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Capítulo Nove
O soldado saiu de Laochre pouco antes do amanhecer. O comandante de Sir Hugh 
tinha ordenado que reportasse suas descobertas dentro de um dia, para evitar 
suspeitas. O acampamento normando ficava poucos quilômetros além da fortaleza. 
Enquanto se aproximava do inimigo, seu coração ficava pesado. Tinha visto o filho de 
relance, mas não podia se revelar para Bevan ou para Lady Geneviève. Em vez disso, 
mandou uma mensagem para a cunhada, pedindo que viesse buscar seu filho.
Contudo, pressentia que sua causa estava destinada ao fracasso. Fora visto pelos 
amigos, que se perguntariam por que não levara Declan para casa. Indagariam sobre 
como conseguira escapar, uma resposta que não podia dar. Havia evitado a todos, 
fingindo que os deveres exigiam sua presença em outro canto. Mas a suspeita deles 
aumentava.
Quando chegou ao acampamento, os normandos o conduziram ao capitão.
— Que informações você tem para mim? — perguntou Robert Staunton.
— Há uma parte da muralha externa onde a madeira está enfraquecida. Posso 
fazer com que o lugar fique desprotegido — explicou. — Agora mesmo há poucos 
homens posicionados por lá. Muitos estão acompanhando Bevan MacEgan até Tara. — 
Ele tentava manter o olhar firme, cauteloso para que Staunton não suspeitasse de 
suas mentiras.
Estava contando meias verdades sobre os MacEgan ao capitão — informação 
formulada para que os normandos caíssem numa armadilha.
— E Lady Geneviève?
— Eu mesmo a levarei para Rionallís — ele disse. — Quero minha esposa de volta.
— Bom. — Staunton montou o cavalo e preparou-se para partir. Depois sorriu. — 
Espero que esteja dizendo a verdade. Pelo bem de sua mulher. — Então jogou um 
saquinho para o soldado. — Um presente por sua ajuda.
O saco era leve demais para conter peças de prata. O soldado esperou que 
Staunton voltasse para a própria tenda antes de abri-lo.
Dentro encontrou longos cachos de cabelo de sua esposa, Kiara. Seus adoráveis 
cabelos, tosquiados pelo inimigo. E com isso emergiu uma súbita raiva de Bevan 
MacEgan. Bevan abandonara seus próprios homens por uma mulher normanda. Kiara 
tentou salvá-los depois que os MacEgan os abandonaram no momento de necessidade.
Se não fosse pelo ataque desastroso de Bevan, sua esposa estaria segura em 
casa, tecendo. O tempo estava ficando curto caso ainda quisesse salvar a vida de 
Kiara.
Teria a oportunidade assim que Bevan partisse para Tara. A única maneira de 
salvar a esposa seria entregar Lady Geneviève nas mãos do inimigo.
Geneviève fazia cócegas na barriga do menino, gargalhando com as risadinhas que 
arrancava dele. Com o humor mais animado, ele passou a manhã vagueando de um canto 
a outro.
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Na noite anterior, Geneviève tentou preparar seus pertences para ir com os 
homens para Tara, mas Bevan não permitiu que ela fosse com eles. Se não fosse a 
ameaça dos homens de Hugh, teria viajado sem a permissão de Bevan. Ficara 
ressentida por permanecer em Laochre, pois preferia falar com o pai em pessoa.
Uma suave batida à porta a interrompeu. Quando Geneviève mandou a pessoa 
entrar, viu uma mulher miúda de cabelo castanho claro e corpo rechonchudo. Quando 
viu o menino, o rosto da mulher se iluminou de alegria, e ela abriu os braços.
— Sheela! — ele berrou, que correu para os braços dela, abraçando-a com força, 
enquanto a mulher murmurava coisas em irlandês, acariciando-lhe os cabelos.
Um sentimento de perda espiralou pelo estômago de Geneviève.
— Você é a mãe dele?
A mulher meneou a cabeça.
— A tia. Meu nome é Sheela. E você é Lady Geneviève, não é?
Geneviève assentiu. Sheela usara seu título por cortesia, emborafosse 
desnecessário ali em Erin.
— Minha irmã foi atrás do marido e deixou Declan com um dos arrendatários — 
disse Sheela. — Ele fugiu naquela manhã e, embora o tivessem procurado, ninguém 
conseguiu encontrá-lo. — Ela apertou Declan nos braços, afagando-lhe o cabelo. — 
Quando recebi a mensagem de que ele estava aqui, vim correndo. — O menino se 
contorcia, tentando se soltar.
Largando o sobrinho, ela disse:
— Preciso agradecer por salvá-lo. Isabel me contou que você o resgatou do lago.
— Fico feliz por ter encontrado Declan a tempo — respondeu Geneviève.
Declan pegou uma espada de madeira de brinquedo e começou a atacar o chão, 
cantarolando consigo mesmo uma música sem sentido. Geneviève conseguiu sorrir, mas 
sentia uma ponta de tristeza ao olhar para o menino. Sheela levaria Declan embora, e 
Geneviève nunca mais o veria.
Durante os últimos dias, enquanto zelava pela saúde dele, acostumara-se a 
acordar ao lado do menino, seu corpinho quente aninhado ao dela. Geneviève se 
permitiu sonhar por certo tempo que o menino lhe pertencia.
— Você se parece muito com Fiona MacEgan — comentou Sheela. — Eu a vi de 
longe no verão passado, quando meu marido e eu estávamos visitando a família em 
Leinster.
Geneviève pegou sua agulha, fingindo-se desinteressada, embora sua curiosidade 
estivesse atiçada.
— Já me disseram que pareço com ela — respondeu. — Mas você deve ter visto 
outra pessoa. Fiona MacEgan morreu há dois anos.
Sheela franziu a testa.
— Eu estava certa de que era ela. — Depois de um instante, deu de ombros. — 
Mas você deve ter razão. Eu só a vi de longe.
Quando estavam para partir, Geneviève pediu para segurar Declan no colo mais 
uma vez. Erguendo-o nos braços, ela alisou-lhe o cabelo, beijando-o na têmpora.
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— Fico contente que esteja bem, pequenino. — Declan se contorceu para voltar 
para a tia, e Geneviève o soltou, sentindo uma ponta de pesar.
Um dia, prometeu a si mesma. Um dia teria seu próprio filho.
— Acha que ele está mentindo? — perguntou Sir Hugh ao comandante. Robert 
Staunton assentiu.
— Acho. Sua lealdade aos MacEgan é maior do que imaginamos. Ele não os trairá.
— Então mate a mulher. — Os olhos de Marstowe faiscavam com impaciência. — 
Mande o corpo para o traidor. E prepare nossos homens para atacar.
Staunton escondeu o desgosto.
— Milorde, não prefere esperar o conde? Com os homens dele para se juntar aos 
nossos, estaríamos mais bem preparados.
— Não. Não deixarei que pensem que nossos homens são incapazes de proteger 
minha prometida.
Aquela missão era suicida, e Staunton sabia disso.
— Parece que MacEgan pretende viajar até Tara.
— Você disse que o homem estava mentindo.
— Mas pode ser verdade. O rei Henrique está mantendo corte em Tara. Você 
pode levar a questão à atenção dele. Estou certo de que o irlandês não suportaria um 
ataque do exército do rei.
A expressão de Marstowe se alterou enquanto refletia.
— Você está certo. O rei nunca permitiria que um bárbaro irlandês ameaçasse um 
de seus súditos. E o conde, é claro, gostaria que a questão fosse levada ao nosso 
soberano. — Ele olhava para o nada, perdido em pensamentos. — O plano era mesmo 
levar Geneviève para Tara para que o rei testemunhasse a união.
Hugh sorriu.
— Isto pode funcionar a nosso favor. Arrume suas coisas. Seguiremos para Tara 
a fim de garantir que o rei Henrique saiba exatamente como minha noiva foi ameaçada.
Em sua mente, era certo que o rei tomaria seu partido. Quanto a Geneviève, Hugh 
limparia todas as imagens do irlandês da mente dela até que o único homem que 
desejasse fosse ele próprio.
As suaves notas de uma música vinham de dentro de um cômodo. Bevan franziu a 
testa, seguindo a melodia até o solário. Nunca ouvira aquela canção antes, e as 
delicadas cordas da harpa pareciam encher o lugar de lamento. Quando Bevan parou no 
vão da porta, viu Geneviève sentada junto à harpa.
As mãos se moviam lentamente sobre as cordas, como se ela não quisesse que 
ninguém a ouvisse. Os olhos permaneciam fechados enquanto ela se perdia na música. 
Bevan não sabia que ela tocava.
Ele clareou a garganta e ela se sobressaltou, as mãos largando as cordas como se 
elas estivessem em chamas.
— Lamento. Eu não... eu não deveria...
— Não precisa se desculpar. Você toca muito bem. Sua mãe lhe ensinou?
— Não. Aprendi quando vivia em Gales. Uma das minhas irmãs de criação era 
irlandesa. Ela levou a própria harpa de casa e me ensinou.
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O rosto dela estava vermelho, e Bevan notou que tinha chorado. Geneviève 
ergueu o rosto e o encarou.
— O que quer? — Os olhos estavam vermelhos e inchados, e Bevan ficou 
imaginando o que a teria feito chorar.
— Estou de partida. — Ele procurava as palavras certas, indagando-se se 
Ginevieve estava zangada com ele pela maneira como a tocara na noite anterior. 
Deveria se desculpar, pois suas ações tinham ido mais longe do que pretendia. — 
Queria ver se você estava bem antes de ir.
— Estou bem. — Ela pigarreou e o fitou com ar de indiferença. — Embora eu não 
entenda por que me proíbe de ver meu pai.
— Ele virá buscá-la depois que acertarmos a questão das minhas terras.
— Entendo que as terras tenham sido suas — ela disse. — Mas meu pai não é seu 
inimigo. Você não estava lá para defender Rionallís. Meu pai protegeu sua gente quando 
Strongbow atacou na última primavera, do contrário seus inimigos teriam destruído a 
fortaleza. — Geneviève empertigou-se. — Ele salvou as vidas deles.
À menção de Strongbow, Bevan sentiu seu temperamento se inflamar. As forças 
de Strongbow tinham aportado em Hook Head, destruindo raths e matando centenas 
de irlandeses apenas dois anos atrás. Foi durante aquela batalha que ele perdeu Fiona 
e o irmão mais velho, Liam. Patrick mal conseguira defender Laochre. E então, na 
última primavera, os invasores atacaram Rionallís.
— Sua gente não pertence a este lugar — ele disse -, e não entregarei ao seu pai 
o que me pertence. Nem serei forçado a um casamento que não é de meu desejo.
Os olhos de Geneviève faiscaram de raiva.
— E acha que desejo casar com um homem que não me quer? Sei o quanto 
despreza meu povo, mas não deixarei que sangue seja derramado por causa de meu 
orgulho.
Rangendo os dentes, ele disse:
— Estou indo. Quando eu voltar, não precisaremos nos ver.
Ela empalideceu e Bevan notou suas mãos trêmulas. Sentiu-se abatido, mas o 
pedido de desculpas não saía. Geneviève tinha razão. Ele não estava lá para proteger 
sua gente. Deixara-se consumir pela dor e abandonara os parentes à mercê dos 
normandos.
Geneviève manteve a compostura e inclinou a cabeça.
— Como queira.
Sem dizer mais nada, ela lhe deu as costas e saiu.
A raiva crescia a cada passo, até Geneviève perceber que tinha saído da 
fortaleza sem a capa. O vento frio lhe lançava os cabelos nos olhos, e ela estremeceu.
— Aqui — chamou uma voz.
Geneviève pegou o brat no instante em que Ewan o jogou.
— Está enganada quanto ao meu irmão — ele disse.
— Estava escutando?
Ele sorriu encabulado e assentiu.
— Claro.
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Ela suspirou e se enrolou no brat de lã azul, protegendo a cabeça. Achou tolice 
repreender o garoto.
— Sobre o que estou enganada?
— Bevan quer você. Se não fosse normanda, sei que a aceitaria como esposa.
As crenças de um garoto com pouco mais de 14 anos não serviram para 
tranquilizá-la. Geneviève continuou a caminhar na direção da muralha interna, Ewan 
seguindo-a de perto.
— Bem, para infelicidade dele eu sou uma normanda. E ele é tão cabeça dura que 
não consegue superar isso.
— Ele foi se despedir de você — observou Ewan. — Venha comigo ao portão. 
Poderemos ver os soldados partindo.
— Não quero vê-lo de novo.
— Se subirmos na casa da guarda, poderemos atirar neve nele quando passar — 
sugeriu Ewan.
Apesar da raiva, Geneviève riu.— Não.
Pararam no pátio, mas enquanto viam os homens passando, o bom humor dela 
desapareceu.
Bevan a viu e fez o cavalo parar. Flocos de neve caíam sobre seus cabelos negros. 
Ele ficou parado, os olhos fixos nela. O coração de Geneviève disparou quando ele se 
inclinou na sua direção.
— Tá brón orm.
A mão enluvada tocou a dela, apertando-a de leve. A intensidade do olhar quase a 
desconcertou.
Geneviève conteve as lágrimas e assentiu em resposta.
— Eu também sinto muito.
Ela engoliu em seco, e por um breve instante desejou os lábios dele nos seus. Seu 
corpo lembrava bem do toque de Bevan, da maneira como as mãos dele acariciavam sua 
pele nua.
O pedido de desculpas era sincero e abrandou o ressentimento que ela guardava 
dentro de si. Bevan se juntou aos homens, e Geneviève ignorou os olhares curiosos das 
pessoas ao redor. Embora alguns nunca fossem classificar aquele rosto marcado de 
bonito, era uma imagem que lhe era querida.
Geneviève temia que a decisão do rei fosse alterar a vida deles de maneira 
irrevogável. Pois quando Bevan voltasse, seria para ser seu inimigo. Ou seu marido.
A fortaleza do rei supremo Rory Ó Connor em Tara assomava nas vastas terras 
de Éireann. A estrutura de madeira dominava a paisagem, com vários morreres 
cercados por paliçadas. Cada uma das cinco estradas antigas convergia para aquele 
lugar.
À medida que os cavalos se aproximavam, Bevan ouvia os gritos de clemência 
vindo do morrete usado para abrigar reféns. Embora fosse justo, o Rory Ó Connor não 
gostava de normandos. Bevan se perguntava como Rory reagiria à questão de suas 
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terras. O rei normando estava de visita, aceitando aliança com os reis e líderes 
irlandeses.
A um ponto distante, Bevan divisou a grande rocha Lia Fáil. Vendo o grande bloco 
cinzento, imaginou se as histórias seriam reais. Diziam que a rocha bradaria quando o 
verdadeiro rei supremo se apresentasse. Bevan passou por Lia Fáil, escondendo seu 
desapontamento quando a lendária pedra continuou em silêncio. Portanto, concentrou-
se em sua tarefa. Se tudo corresse bem, resolveria a questão de Rionallís de uma vez 
por todas.
Ainda se ressentia do fato de Patrick ter envolvido o rei normando. A disputa 
poderia ser facilmente resolvida pelo Brehon. Um rei estrangeiro não tinha o direito 
de interferir numa terra que não lhe pertencia.
Os homens se ocuparam com a comida e a bebida, apreciando a atenção das 
mulheres que os serviam. Bevan esperou pela oportunidade de falar com o rei, a 
comida parecendo seca na boca.
Rory Ó Connor conversava com Ailfred, o poeta-mor. Sendo seu conselheiro, 
Ailfred desfrutava de posição de honra, mas o homem pouco se importava com 
cerimônia. Usava vestes esfarrapadas, e a barba cinzenta passava da altura do peito.
Sentado ao lado do rei supremo estava o rei Henrique, rindo e gracejando com 
seus homens. Parecia confiante e relaxado, mas não havia erro quanto à sagacidade 
política do rei normando. Bevan sabia que Henrique queria nada mais do que anexar 
Éireann ao seu reino. Rory Ó Connor também sabia disso, a julgar por sua expressão 
contida.
No momento certo, Bevan foi chamado à presença deles. Ó Connor estava 
sentado no tablado, a mão segurando uma taça de hidromel. Entregou outra taça a 
Bevan, convidando-o a sentar ao seu lado.
— Sei por que está aqui — disse o rei supremo sem preâmbulos. — E concordei em 
ceder a Henrique a autoridade de julgar a questão, já que diz respeito aos seus 
súditos.
Bevan bebeu o hidromel, mantendo o rosto impassível. Não sabia por que o rei 
supremo tinha atendido ao estrangeiro, mas não duvidava que fosse um acordo político. 
Não estava gostando de nada disso.
O sorriso no rosto de Henrique era reservado, como se o homem o julgasse.
— Soubemos que você já residiu nas terras chamadas Rionallís — disse Henrique. 
— Só não entendemos por que deixou o lugar sem defesa e livre para ser tomado.
Bevan sustentou o olhar do rei.
— Estas são razões particulares. Mas Strongbow não tinha o direito de tomar 
nossa terra e oferecê-la ao Gaillabh.
— Então pensou que poderia tomá-la de volta? — observou Henrique. — Seus 
homens atacaram as terras pertencentes a Thomas de Renalt, o conde de Longford, 
mas não tiveram sucesso em retomá-las. E então você tentou assassinar o noivo da 
filha dele, Sir Hugh Marstowe.
Bevan apertou o cálice com força.
— Tá, precisei me defender da espada dele.
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— Você o feriu e levou sua noiva. Mas, felizmente, ele se recuperou dos 
ferimentos e está aqui agora, para reclamar os direitos sobre Rionallís e a noiva.
Bevan se virou e viu o rosto de seu inimigo quando Marstowe entrou no aposento. 
Vestido em fina seda e ouro, Marstowe lhe lançou um sorriso triunfante.
A mão de Bevan buscou automaticamente a espada, mas ela não estava ali, pois o 
rei não permitia armas em sua presença. Ele cerrou os punhos, a fúria aumentando. 
Sabendo que Hugh tinha surrado e machucado Geneviève, sentia ímpetos de cravar sua 
espada no coração daquele cavaleiro.
— Rapto é um crime passível de punição — disse Henrique.
— Não estou sujeito às suas leis — respondeu Bevan. O rosto do rei normando 
ficou rubro de raiva.
Rory Ó Connor interveio:
— Mas está sujeito às leis de seu rei e às leis de sua terra. — Apontando para 
Henrique com a cabeça, Ó Connor continuou: — Encontraremos uma solução que 
satisfaça aos dois lados.
Foi então que o poeta Ailfred falou:
— A penalidade por rapto deve ser cumprida. Você deve pagar os cumals a Sir 
Hugh Marstowe, o noivo dela.
— Ela veio comigo por vontade própria — argumentou Bevan. — Ela sofria surras 
de Sir Hugh. Ele deve pagar uma compensação pelos crimes que cometeu contra ela.
— Se ela foi por vontade própria, então você deve pagar à família da dama o 
preço pelo corpo e pela honra dela — disse Ailfred.
Bevan percebeu o rumo que a conversa estava tomando.
— Quero que minha propriedade seja devolvida — disse Bevan, contendo o 
temperamento. — Lady Geneviève pede para voltar para os pais. Ela espera por eles na 
fortaleza de meu irmão.
Ó Connor dirigiu o olhar a Henrique, e a expressão do rei parecia contrariada.
— Parece que nosso guerreiro irlandês não quer se comprometer — comentou o 
rei. — Já que não está disposto a pagar as penalidades, devemos simplesmente tomar 
Lady Geneviève de sua custódia. E não aconselhamos que Rionallís lhe seja devolvida, 
uma vez que já se mostrou incapaz de defendê-la.
Bevan tomou um gole de vinho, a mão apertando o cálice com tanta força que o 
metal entortou. Hugh endereçou a Bevan um sorriso lento e espertalhão. Bevan 
respondeu com um olhar furioso.
A bebida fermentada em nada apaziguava sua raiva. Um nó se formou em seu 
estômago ao pensar em Marstowe tomando posse de seu lar. Pior era a perspectiva de 
Geneviève sucumbindo aos seus maltratos. Se não fizesse nada para impedir, seria 
responsável por qualquer mal que recaísse sobre ela.
A invisível laçada do dever apertava sua garganta. Não havia alternativa senão se 
oferecer para casar com ela.
— E se Lady Geneviève casar comigo? — perguntou Bevan calmamente.
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— Se ela se tornasse sua esposa, então Rionallís lhe seria devolvida — admitiu 
Ailfred. — Esta seria uma solução adequada. Embora você ainda deva pagar uma 
reparação à família dela e a Marstowe.
— O pai dela nunca aceitaria tal aliança — argumentou o rei normando.
Para reaver Rionallís e manter Geneviève longe das garras de Marstowe, Bevan 
faria qualquer coisa, apesar de seus receios.
— Tragam Lady Geneviève para Tara — sugeriu Bevan. — E deixem que ela 
escolha entre mim e Marstowe. Quem ela escolher ficará com Rionallís.
O rei supremo se voltou para Henrique.
— Isto seria um acordo adequado?
Henrique meneou a cabeça.
— O conde de Longford tem o direito deescolher um marido para a filha. Mas 
não faço qualquer objeção quanto aos pretendentes, desde que o conde dê seu 
consentimento. — Apontando para Bevan com a cabeça, acrescentou: — Se o pai dela 
concordar, ela poderá escolher o marido. Mas MacEgan tem que pagar uma 
compensação por seus atos. Mas a reparação será pesada, por atacar a fortaleza e 
raptar a filha do conde.
Sir Hugh parecia descontente, mas, para surpresa de Bevan, não fez objeção.
— Ela pode escolher.
Bevan suspeitou imediatamente. Será que Marstowe não sabia que Genevieve 
nunca o escolheria? A rápida aceitação deixou Bevan cauteloso.
Tudo naquele homem o deixava tenso. As roupas ricamente bordadas, os cabelos 
dourados e a maneira como sorria de maneira zombeteira para as mulheres da corte 
de Henrique, tudo deixava Bevan ainda mais determinado a afastar Geneviève dele.
— MacEgan — disse Sir Hugh, à guisa de cumprimento. — Ficarei contente em 
esvaziar seus cofres.
Os olhos de Bevan ardiam de fúria ao encontrar o olhar de Marstowe.
— E eu ficarei contente no dia em que minha espada acabar com sua vida.
Hugh cruzou os braços. Então murmurou baixinho:
— Acredita mesmo que deixarei que a tome de mim?
Bevan deu um passo à frente, aproveitando-se de sua altura para encarar Hugh.
A raiva cruzou os olhos do cavaleiro, mas Hugh concentrou sua atenção no rei, 
curvando-se.
— Proponho outra solução, majestade. Eu poderia desafiar o irlandês a enfrentar 
minha espada.
— E eu aceitaria o desafio — respondeu Bevan, observando o homem como se 
este fosse uma serpente mortífera.
— Erga-se, Sir Hugh — disse o rei Henrique. — A questão está sendo decidida. — 
O rei acenou para um grupo de soldados, e dois deles se aproximaram para evitar uma 
briga. Bevan não enfrentou os guardas, mas mantinha o olhar fixo em Marstowe.
— Já fizemos nosso julgamento, Sir Hugh — disse o rei. — E você deve respeitá-
lo, como leal súdito da coroa.
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O aviso era claro. Desafiar o rei significava traição. Com grande relutância, 
Marstowe recuou. Bevan não despregava os olhos do inimigo. Ó Connor virou-se para 
Henrique.
— Peça ao conde que se junte a nós.
— Ele está aqui? — perguntou Bevan.
— Tá — respondeu o rei supremo. — Ele veio a pedido de seu irmão Patrick.
O rei Henrique sinalizou para um criado, que deixou o aposento. Momentos 
depois, o homem voltava com Lorde Thomas de Renalt, o conde de Longford.
O conde era um homem robusto, com cabelos grisalhos e barba. Embora fosse um 
pouco mais baixo que Bevan, não havia como não notar a força do homem, nem os 
braços musculosos.
Bevan ficou um tanto satisfeito quando a cor desapareceu do rosto de Marstowe. 
Hugh curvou-se para o pai de Geneviève enquanto Bevan se mantinha de pé.
— Majestade — Longford cumprimentou o rei. Curvou-se antes de dirigir o olhar 
a Sir Hugh. Bevan notou a fúria endereçada ao cavaleiro.
— Um acordo foi acertado — informou o rei ao conde. — Oferecemos a sua filha 
o direito de escolher entre Sir Hugh Marstowe e Bevan MacEgan para marido. O 
disputado direito de propriedade sobre Rionallís será dado ao homem que ela escolher. 
— O rei sorriu, a expressão zombeteira. — Com sua permissão, claro.
Longford escolheu as palavras com cuidado.
— Sinto-me honrado com o interesse de majestade.
Ele se pôs diante de Bevan e Sir Hugh, a expressão impenetrável.
— Então foi você quem levou minha filha de Rionallís?
Bevan notou que a pergunta parecia ser um teste.
— Tá. Eu a ajudei a escapar. — Respondeu à acusação do conde com uma 
silenciosa mensagem de desprezo. — Depois de encontrá-la machucada e surrada. Ela o 
aguarda na fortaleza de meu irmão, Laochre.
Bevan encarou Marstowe e viu um lampejar de raiva nos olhos do homem.
— E acha que minha filha aceitaria se casar com um homem como você? — O tom 
do conde deixava claro que não apoiaria uma união entre eles.
— Dada a alternativa que ela tem, não tenho dúvida. — Bevan não fez qualquer 
esforço de esconder o insulto a Marstowe. Lembrava-se muito bem de Geneviève 
sofrendo com os golpes dele.
— Eu discordo — disse Sir Hugh. — Soube que perdeu a primeira esposa porque 
não conseguiu protegê-la. O mesmo poderia acontecer a Geneviève — observou. — Ela 
parece querer fugir sempre que a ideia lhe vem à cabeça.
Sem se importar com a presença do rei supremo, Bevan quis matar o homem com 
as próprias mãos. Antes que pudesse alcançar Marstowe, os soldados o detiveram.
— Basta desta discussão — disse Longford, a voz autoritária. — Nenhuma 
decisão será tomada sem que eu veja minha filha primeiro.
Os soldados seguraram Bevan até o conde passar. Por fim, ao sinal de Rory Ó 
Connor, eles o soltaram.
O rei supremo trocou olhares com o rei normando.
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— Bevan, deve compreender que ao aceitar que a dama fizesse a escolha, você 
transferiu seus direitos para ela. Se ela se casar com Sir Hugh, você não terá mais 
direito de reclamar Rionallís.
Bevan não se preocupou muito com o aviso. Seu único pensamento era alcançar 
Geneviève antes que Marstowe o fizesse.
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Capítulo Dez
Thomas de Renalt, o conde de Longford, observava o guerreiro irlandês. Bevan 
MacEgan estava concentrado em regressar para Geneviève e cavalgava feito um 
homem possuído. Havia urgência em cada um de seus movimentos, todas as suas 
energias pareciam concentradas em alcançar Geneviève.
Não era o comportamento de um homem interessado apenas nas terras.
MacEgan era um enigma, pensava Longford. Esta nova aliança oferecia uma 
possibilidade intrigante. Nunca aprovara o noivado entre Geneviève e Sir Hugh, mas 
como o rei iniciara o arranjo, seria difícil rompê-lo. Agora ele possuía meios, e se 
valeria deles antes do cair da noite.
Longford sabia ser tolerante quando o assunto envolvia Geneviève. Sendo sua 
única filha, ela tinha um lugar único em seu coração. Geneviève lhe pedia pouco, e ele 
ficava satisfeito em atender aos seus desejos. Quando ela implorou para se casar com 
Sir Hugh, seus instintos o alertaram contra a união. Ele teria recusado, apesar dos 
apelos dela, se não fosse desejo do rei recompensar o jovem cavaleiro com um 
ambicioso casamento.
Embora o irlandês tivesse acusado Sir Hugh de bater em Geneviève, Longford já 
sabia a verdade. As próprias palavras de Geneviève proclamavam o cavaleiro culpado, e 
o conde não permitiria que Marstowe se aproximasse de sua filha novamente.
Mas ainda não sabia se podia confiar em MacEgan.
Já era o segundo dia de jornada rumo ao sul, e o sol começava seu caminho de 
descida. Os dois homens cavalgavam firme, o suor brilhando nos flancos dos corcéis. O 
vento açoitava seus rostos, mas nem MacEgan ou Sir Hugh mostravam qualquer 
interesse em montar acampamento. O conde mantinha-se atrás dos dois cavaleiros e, 
em dado momento, ouviu parte da conversa entre eles.
— Geneviève me pertence. Sua ideia estúpida de deixar que ela faça a escolha 
não significa nada. O pai dela nunca deixará que ela prefira um bárbaro irlandês a um 
normando — dizia Sir Hugh.
— Você tem medo de que ele descubra a verdade — adivinhou MacEgan. — Qual 
de nós é o verdadeiro bárbaro?
Ao ouvir isso, Longford incitou o cavalo e se colocou entre os dois.
— Quando chegaremos a Laochre?
— Ao cair da noite — calculou Bevan.
— E como pode garantir que ela está a salvo?
Como o irlandês não respondeu, Longford pressionou mais:
— Se o que dizem é verdade, você não conseguiu manter sua esposa em 
segurança.
— Se o que Geneviève diz é verdade, você não atendeu aos apelos dela quando 
precisou — retrucou MacEgan. — Ou todos os normandos acham necessário bater nas 
mulheres para que sejam submissas? — A postura dele ficou rígida. — Nós valorizamos 
as mulheres aqui.
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A réplica de MacEgan confirmou oque Longford já suspeitava. Embora 
reconhecesse a intensa indisposição dele pelos normandos, percebia que MacEgan 
nunca levantaria a mão contra sua filha quando estivesse furioso.
O que era mais do que poderia dizer de Sir Hugh.
— Sir Hugh, quero falar com você em particular — disse Longford, guiando o 
cavalo para o lado. O cavaleiro o seguiu, a expressão cautelosa. Longford esperou que 
os outros tomassem bastante dianteira. — O que me diz das acusações de MacEgan?
— Sabia que um homem de sua posição não daria crédito às mentiras de um 
irlandês — disse Sir Hugh calmamente. — Nós dois sabemos que ele não se deterá por 
nada até tomar controle das terras que eram dele. É nosso dever proteger Geneviève 
deste homem.
O conde não fez qualquer comentário, mas pôde ver o suor surgindo no rosto de 
Sir Hugh.
— Falei com alguns dos soldados que mandei escoltando Geneviève. Pode imaginar 
o que me contaram sobre seu tratamento com ela?
Marstowe empalideceu.
— Eu protegeria Geneviève com minha vida, milorde. Ela é uma nobre dama de 
espírito forte.
— Tão forte que você achou necessário domá-la? Você ainda não é marido dela, 
Hugh.
— Um noivado é quase o mesmo que um casamento.
— Mas ainda sou pai dela. E minha autoridade supera a sua antes que ela esteja 
casada. — Ele se calou, observando Sir Hugh pensar em outra desculpa. Antes que o 
cavaleiro pudesse argumentar qualquer coisa, Longford fez o cavalo parar. — Pedi para 
falar em particular para não lhe causar vergonha diante dos outros. Você não se 
casará com Geneviève. Enquanto estivermos em Laochre, você retornará para a 
Inglaterra. Mandarei que despachem seus pertences, junto com todos os presentes e 
moedas que ofereceu a Geneviève. Não apareça diante de mim novamente.
Longford vasculhou uma algibeira e puxou um pergaminho amarrotado. Exibindo-o 
para Sir Hugh, ele leu a caligrafia do padre que revelava um dos pedidos de ajuda de 
Geneviève.
— Não é só por isso que quero você longe de Geneviève. Ouvi histórias sobre sua 
crueldade com meus próprios homens. Falaram de um soldado que tentou protegê-la, a 
quem você matou por isso. Não casarei minha filha com um assassino.
O rosto de Sir Hugh ficou vermelho de raiva e constrangimento mal controlados. 
Longford manteve a voz moderada.
— Prefiro casar Geneviève com um bárbaro irlandês que daria a vida para 
protegê-la do que com um homem que está mais interessado em seu dote.
Ele virou o cavalo, sem esperar para ver a reação de Sir Hugh. Já bastava saber 
que Geneviève estaria em segurança outra vez.
— Lady Geneviève, mandaram-me avisar da chegada de seus pais.
Geneviève estava remendando uma cesta de roupas quando o soldado apareceu. 
Ela se levantou e deixou a agulha de lado.
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— Eles estão lá embaixo?
— Não, milady. Esperam por você além dos portões de Laochre.
Geneviève franziu a testa.
— Por que eles não entram?
O soldado parecia constrangido.
— O rei Patrick não aceitou recebê-los. Ele diz que os normandos ainda são seus 
inimigos.
Algo nas palavras do soldado soava estranho. Embora Bevan tivesse ameaçado 
negar a entrada de sua família, não esperava isto de Patrick. O rei havia adiado 
julgamento até obter todas as verdades de que precisava. Tinha concedido santuário a 
Genevieve. Proibir seus pais do direito de entrar parecia improvável.
Ela estudou o soldado. O rosto dele parecia de alguma forma familiar, embora 
não soubesse onde o tinha visto. Uma estranha premonição a alertava para ser 
cautelosa.
— Devo levar meus pertences? — perguntou.
O soldado meneou a cabeça.
— Patrick concordou em mandá-los depois para Rionallís.
Genevieve tirou um brat de lã de dentro de um baú, escondendo uma pequena 
adaga nas dobras da peça de roupa enquanto a colocava ao redor dos ombros. Não 
confiava nas palavras do soldado, mas havia uma pequena chance de que estivesse 
dizendo a verdade. Era melhor estar preparada para qualquer coisa.
Depois que Genevieve vestiu o manto, o soldado a conduziu ao pátio interno. Foi lá 
que Genevieve estacou. Não havia nenhuma escolta de soldados para levá-la além dos 
portões. Agora estava certa da mentira dele.
— Não seguirei adiante com você — ela disse. — Não até ter falado com o rei de 
Laochre.
O soldado segurou-lhe o pulso com força e Genevieve tentou se soltar. Lutou 
contra ele usando os punhos e os cotovelos. Fazia o que podia. Mas antes que ela 
percebesse o que tinha acontecido, o soldado encontrou a adaga que escondia e a 
manejou de modo a encostá-la contra a pele de Genevieve.
— Por que está fazendo isso? — ela perguntou, a voz rouca. — Pensei que fosse 
leal aos MacEgan.
A expressão do soldado parecia cansada.
— Sir Hugh mantém minha esposa prisioneira. Se eu não entregar você, ele a 
matará.
Genevieve hesitou.
— Como sabe que Sir Hugh já não a matou? Então sua traição não valeria nada.
Ela viu quando ele olhou para um saquinho preso ao cinto. Com o rosto sombrio, 
ele respondeu:
— Não sei. Mas pretendo descobrir.
Num lampejo, Geneviève lembrou onde tinha visto aquele rosto: nas suaves 
feições de um menino.
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102
— Você é o pai de Declan — ela murmurou. Como ele não negou, ela lembrou do dia 
em que Declan chamou pelo pai. — Ele o viu naquele dia.
À menção do filho, o soldado afrouxou o aperto.
— Ele está seguro agora.
— Salvei a vida dele — insistiu Geneviève. — Isso não significa nada para você?
A dor cruzou os olhos dele, mas o soldado apenas disse:
— Se não fosse por você, minha esposa e meu filho estariam a salvo em casa. — 
Ele cuspiu, amaldiçoando baixinho em irlandês os normandos. — A culpa é sua.
Um homem desesperado tomava medidas desesperadas, e Geneviève percebeu 
que ele não ouviria a voz da razão. Quando ele a forçou em direção ao portão principal, 
Geneviève gritou.
O soldado ergueu a adaga contra sua garganta. Geneviève tentou dar um passo 
para trás e usar a técnica que Bevan lhe ensinara para escapar. Contudo, o soldado a 
desequilibrou e a empurrou à frente.
— Deixe-nos passar — ele disse aos guardas. — Ou eu corto a garganta dela. — 
Os guardas bloquearam a passagem e, para provar o que dizia, ele pressionou a lâmina 
até começar a aparecer sangue na pele de Geneviève. A sensação de ardência a encheu 
de pânico. Ela acreditava que ele cumpriria a ameaça, caso necessário.
Os guardas baixaram as armas e o deixaram passar. O soldado dera apenas 
alguns passos além do portão quando Geneviève ouviu um baque surdo. Os braços do 
soldado afrouxaram o aperto e ela se afastou. Uma flecha estava cravada na garganta 
dele.
A distância, Geneviève ouviu o som de cacos se aproximando. Em poucos segundos 
viu Bevan e um grande exército de homens. O alívio a dominou ante a visão dele. Bevan 
ainda segurava o arco, que largou de lado assim que desmontou.
Geneviève segurou o fôlego quando ele a esmagou num abraço, puxando-a tão 
perto que ela podia sentir seu perfume de pinho. A barba era áspera contra suas 
bochechas, as mãos lhe segurando o rosto.
— Você está bem? — ele murmurou com voz rouca. Os dedos limparam a mancha 
de sangue no seu pescoço.
Ela conseguiu assentir, embora mal pudesse ficar de pé. Bevan a enrolou em seu 
manto, massageando-a nos ombros para lhe devolver o calor. Era tão bom estar nos 
braços dele, então ela apoiou o rosto no peito de Bevan enquanto ele esfregava suas 
costas.
— Tentei fugir dele — ela murmurou.
— Eu sei. — Bevan recuou e apontou para os parapeitos. — Mas ele não teria ido 
longe. — Geneviève ergueu os olhos e viu os arqueiros de prontidão. Embora ela 
compreendesse o que ele queria dizer, estava grata por ter sido salva por Bevan. Tinha 
sentido mais falta dele do que imaginava possível.
— Seu pai está aqui. Ele mandou Sir Hugh de volta para a Inglaterra. Ele não a 
perturbará mais.
Geneviève mal acreditava que Hugh fora embora. Era como se as correntesdo 
medo tivessem se estilhaçado e caído.
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103
O olhar intenso de Bevan a inflamava. Ele a soltou, e o comportamento de 
guerreiro distante retornou. De repente, Geneviève não queria saber a decisão do rei.
— Estou com frio — ela murmurou.
Bevan tirou o manto e o colocou sobre os ombros dela. Geneviève sentiu o calor 
do corpo dele, mas isso não ajudou a aquecer o medo que a congelava por dentro.
— Seu pai se aproxima — disse Bevan bruscamente.
Ao ver o pai, Geneviève correu até ele. Thomas de Renalt a recebeu nos braços, 
abraçando-a com força.
— Está machucada? Diga-me, filha. — Olhando para o hematoma na bochecha, ele 
dirigiu sua raiva a Bevan.
— Quem fez isso?
Geneviève conteve o pai.
— Não é tão grave quanto parece. Foi a punição que Sir Hugh me deu por ajudar 
Bevan a escapar.
Thomas de Renalt tomou a mão dela, apertando-a. Dirigindo um olhar sagaz à 
filha, ele perguntou:
— Quer se casar com Bevan MacEgan?
A pergunta do pai pegou Geneviève de surpresa. Ela observou o rosto de Bevan 
em busca de algum sinal de encorajamento. Como ele não oferecesse nenhum, a 
centelha de animação se apagou e Geneviève se sentiu dividida com a pergunta.
— Por que me pergunta isso? — Ela sabia muito bem que seus desejos pessoais 
não importariam no tocante a alianças políticas.
— Um novo acordo de casamento foi feito. Ainda não dei meu consentimento.
Geneviève percebeu a pergunta silenciosa do pai. Ele queria saber se tinha 
reservas quanto ao casamento com Bevan. Diferente da maioria dos pais, ele sempre 
ouvia a opinião dela antes de tomar uma decisão quanto ao seu futuro. Mesmo com 
Hugh. Como tinha sido boba, pensou ela com melancolia.
— Você concorda com este arranjo? — ela perguntou a Bevan, receando ouvir a 
resposta.
— O rei me concederá Rionallís — ele respondeu. Quando Geneviève olhou nos 
olhos de Bevan, compreendeu que ele queria suas terras de volta, e este direito só 
seria consentido casando-se com ela.
— Posso lhe arranjar um casamento quando voltarmos para a Inglaterra — o pai 
sugeriu. — Há muitos homens que lhe ofereceram casamento, e vários fariam uma 
sólida aliança.
Geneviève considerou a sugestão do pai, mas uma olhada na inabalável 
determinação no rosto de Bevan fez com que percebesse que vidas eram mais 
importantes que seus desejos. Se não casasse com Bevan, isso significaria guerra. Não 
poderia conviver consigo mesma quando voltasse para a Inglaterra e causasse a morte 
dos homens de seu pai.
Geneviève se desvencilhou do turbilhão de emoções e ergueu o queixo.
— Eu me casarei com ele.
— Está certa disto? — perguntou o pai.
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— Sim, papai. — Ela esperava um dia contornar a antipatia de Bevan. — Fiz minha 
escolha.
Geneviève não olhou para Bevan, temendo ver seu ressentimento. Embora ele a 
tivesse salvado do soldado, a tivesse abraçado como um amante faria, não poderia 
culpá-la pelo casamento.
Thomas suspirou.
— Então suponho que vai querer que sua mãe ajude com a celebração. Eu a trarei 
aqui para você.
Ela abraçou o pai e Thomas apertou-lhe a cabeça contra o peito. Naquele 
instante, o gesto a fez recordar de quando era uma garotinha, sentada no colo dele. 
Uma única lágrima correu por seu rosto.
— Ora, não vamos ficar aqui fora no frio — disse o pai. — Vamos finalizar os 
preparativos.
Enquanto entravam na fortaleza, Geneviève arriscou um olhar na direção de 
Bevan. Não havia sinal de contentamento ou alegria, apenas uma expressão impassível 
que ela não conseguia interpretar. Tentou reforçar a coragem. Encontraria alguma 
maneira de agradar Bevan e conquistar seu respeito, caso não conquistasse seu 
coração.
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105
Capítulo Onze
Dias depois, Bevan MacEgan e o conde voltaram a Tara para finalizar o novo 
acordo de casamento. O rei normando consentiu que nenhum cumal fosse entregue em 
reparação a Sir Hugh, a pedido do conde de Longford.
Enquanto estavam fora, Geneviève voltou para Rionallís, desfazendo-se de 
qualquer coisa que a lembrasse de Hugh. Foi então que encontraram o corpo da 
prisioneira — a esposa do soldado que tentou raptar Geneviève. Os cabelos estavam 
tosquiados, e Geneviève pressionou o punho na boca, imaginando o medo da mulher. 
Lágrimas correram por seu rosto, pois aquela poderia ter sido ela um dia. Ordenou que 
a mulher fosse enterrada e uma onda de pesar a engolfou. Declan perdera os pais. 
Embora a tia o amasse, não seria o mesmo.
Lamentava ambas as mortes. Quando Bevan viu o soldado ameaçando-a, não 
hesitou em matar o homem. Ela levou a mão ao pescoço com a lembrança. Ele matara 
um dos seus próprios homens pelo bem dela. Aquele pensamento a sossegava.
Não sabia por que ele tinha feito tal coisa. Na verdade, Bevan continuava um 
mistério para ela. Por que teria mudado de ideia quanto ao casamento? E que tipo de 
marido ele seria, uma vez que seu pai tivesse voltado para a Inglaterra?
Era fácil recomeçar a vida em Rionallís sem a presença de Hugh. Contudo ela 
ainda precisou de dois dias para reunir coragem de entrar em seus antigos aposentos.
Geneviève entrou no quarto com uma braçada de juncos frescos, esperando 
ocupar-se com a atividade. As criadas trabalhavam com ela, que amontoou turfa na 
lareira para garantir um fogo duradouro. O forte cheiro de marga logo encheu o 
cômodo, oferecendo conforto.
Ela observou a cama. Sentiu náuseas no estômago com as lembranças evocadas. 
Hugh prendendo-a, surrando-a até que ela ficasse imóvel sob ele. Sua visão se turvou, 
e Geneviève cerrou os punhos, lutando contra a onda de raiva. Hugh queria controlá-la, 
fazer com que sentisse desejo por ele. Ele se gabava de seus talentos, ridicularizando 
os temores dela e insistindo em dizer que faria com que ela o desejasse. Era a única 
razão para não ter sido violada, embora isso tivesse chegado perto de acontecer.
— Sente-se bem? — perguntou uma jovem criada.
— Leve a cama daqui. Não quero ver isso novamente — disse Geneviève. — 
Queime-a, se quiser.
A garota assentiu.
— Cuidarei disso.
— Deixem-me sozinha — ordenou Geneviève. As criadas atenderam e ela 
desforrou a cama das cobertas. Atirou uma por uma no fogo, observando-as arder em 
chamas antes de se desmancharem em cinzas.
Dentro de poucos dias teria de enfrentar seu próprio leito nupcial. Embora 
soubesse que Bevan não a queria, ele precisava consumar o casamento para torná-lo 
válido. Os nervos dela estavam tão tensos que precisou fechar os olhos para espantar 
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106
o medo. Só uma vez, lembrou a si mesma. Só precisava ser uma vez. E não achava que 
Bevan fosse machucá-la.
Precisava de uma distração. Erguendo-se, deixou o quarto. Isabel enviara Ewan 
para lhe fazer companhia, juntamente com uma dúzia de escoltas. Geneviève 
finalmente o encontrou na sala de armas. Ele mantinha o braço erguido, como se 
segurando uma espada imaginária. Seu olhar continuava preso ao chão, os pés se 
movendo em padrões intrincados enquanto murmurava consigo mesmo.
— Perdoe-me — interrompeu Geneviève -, mas o que está fazendo?
O olhar de Ewan disparou na direção dela.
— Feche a porta que eu mostro.
Ele pegou uma espada da parede e avançou para atacar um adversário invisível. 
Os pés se moviam na mesma sequência, enquanto o braço armado desferia e defendia 
golpes imaginários.
Geneviève se encostou à parede, observando:
— Isso funciona?
Ewan encolheu os ombros.
— Pratico todas as noites. Um dia usarei minhas habilidades no campo de batalha.
— Isso parece muito complicado.
— E é. Leva anos de prática. — Ewan repetia o padrão dos passos, a concentração 
focada nos pés.
— Não deveria olhar para seu oponente?
— O quê? — Ele baixou a espada. — Ah! Bem, farei isso assim que dominar esta 
nova sequência.
Geneviève deixou que ele continuassee comentou:
— Eu costumava observar meus irmãos praticando com a espada quando era mais 
nova. Eles nunca me deixavam tentar.
Ewan lhe dirigiu um olhar incerto.
— As espadas são pesadas.
— Sim, são pesadas. Mas nunca vi meus irmãos observando os pés. Eles juram que, 
não importa o que aconteça, sempre se deve manter os olhos no inimigo.
— Bevan diz isso. Nunca vi alguém se mover mais rápido do que ele. É invencível 
em batalha. — Ewan deu uma risadinha autodepreciativa. — Eu jamais ganhei uma 
batalha.
— Nem eu. — Geneviève sorriu para ele. — Mas acredito que isso acontecerá no 
momento certo.
Os olhos dele se iluminaram.
— Quero ser o maior guerreiro de toda Éireann. Quero ser uma lenda.
— Acho que você será um dia — encorajou Geneviève. — Mas se eu fosse você, 
olharia para o oponente e não para os pés.
Ewan ponderou sobre as palavras dela.
— Sempre que luto, meus pés se atrapalham. Pensei que, praticando meu trabalho 
de pés, isso não aconteceria.
Ele arrumou a postura e praticou mais um pouco.
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107
— Você é bem diferente de Fiona, sabia?
— O que quer dizer?
Ewan atacou o ar e cambaleou antes de recuperar firmeza nos pés.
— Ela nunca ria. Bevan estava sempre tentando fazê-la sorrir. Ela não sorria 
muito.
— Acha que era infeliz aqui?
Ele meneou a cabeça.
— Fiona costumava dar longos passeios sozinha quando Bevan não estava por aqui. 
Às vezes ficava afastada por horas. — Ele baixou a espada e parou por um instante. — 
Uma vez, quando Bevan estava ausente, ela só voltou na manhã seguinte. Foi poucas 
semanas antes que morresse.
— Tem certeza de que ninguém procurou por ela? — sugeriu Geneviève. — Seu 
irmão nunca permitiria que algo de mal lhe acontecesse.
— Ninguém soube que ela saiu. Só sei porque a segui.
Geneviève estava aflita para perguntar aonde Fiona tinha ido, mas pela expressão 
reservada de Ewan, duvidava que ele fosse contar.
— Fico feliz por você se casar com Bevan — disse Ewan. Geneviève ficou 
admirada com o comentário.
— Por que diz isso?
— A maneira como olha para ele. Você gosta dele mais do que Fiona jamais 
gostou. — Ele ficou carrancudo e Geneviève se perguntou novamente o que teria feito 
com que ele desgostasse tanto da cunhada.
— Ele não quer casar comigo — ela disse. — Não consegue perdoar meu sangue 
normando.
— Ah, não é por isso. — Ewan atacou o ar e cambaleou quando perdeu o equilíbrio 
do jogo de pés. — Bevan leva suas promessas a sério. Quando Fiona morreu, ele jurou 
nunca mais casar. Acha que está sendo leal a ela.
Geneviève sabia que Bevan amara a primeira esposa, mas agora se perguntava 
sobre a intensidade dos sentimentos dele. Será que a comparava com Fiona?
Ela tirou uma das pesadas espadas da parede. A falta de familiaridade com o 
peso esticou seus músculos, mas ela suportou.
— Então o que atrairia seu irmão para mim?
A boca de Ewan se contorceu e ele deu de ombros.
— Você pode tentar doces ou tortas. Especialmente aquelas com cerejas ou 
maçãs secas. Pensei ter visto algumas na cozinha.
Geneviève suspeitava que ele falava mais de seus desejos do que das 
preferências do irmão. Sorriu para ele de maneira calorosa.
— Talvez você esteja certo.
Ela ergueu a espada e tocou a dele.
— Você deveria visitar a Inglaterra um dia. Poderia treinar com alguns dos 
cavaleiros de meu pai, se quisesse.
Ele meneou a cabeça.
— Meu lugar é aqui. E agora é o seu também.
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108
Geneviève não respondeu. Cada dia era uma batalha para apagar as terríveis 
lembranças. Estava grata pela presença de Ewan. O entusiasmo dele mantinha sua 
mente longe de Hugh.
Ela estendeu a espada na direção de Ewan.
— Vai me ensinar o que sabe?
Ele deu outro sorriso autodepreciativo.
— Tá. Mas não demorará muito.
Bevan cavalgava com seus homens, os músculos doendo ao redor do velho 
ferimento do ombro. A ferida havia aberto uma noite, mas felizmente o sangramento 
parara minutos depois de ser recosturado. Ele sabia de muitos homens que morreram 
de ferimentos sérios assim. Estava grato por Geneviève ter cuidado tão bem dele.
Ao pensar nela, Bevan se retesou. Recebera ordens de casar com ela 
imediatamente após seu retorno a Rionallís. E a pressa parecia necessária, pois Sir 
Hugh poderia ameaçar o casamento de alguma forma. Protegê-la era o que vinha 
primeiro em sua mente.
Os pais de Geneviève viajavam no fim da comitiva, mantendo-se distantes de seus 
parentes. Bevan falara pouco com eles, pois a esposa do conde, Lady Helen, o 
considerava o mal encarnado. Longford era mais afável, e Bevan percebeu uma nota de 
respeito por parte do homem desde que salvara Geneviève.
Connor veio cavalgando para cumprimentá-los uns poucos quilômetros além dos 
portões de Rionallís.
— Você parece estar indo se encontrar com seu executor — ele comentou. — Mas 
deve ser porque está prestes a casar.
A provocação o importunava, mas Bevan não mordeu a isca.
— Eu ficaria contente em receber uma mulher como Geneviève. — Connor deu um 
sorriso malicioso e puxou o cavalo para junto de Bevan. — Os lábios dela têm a doçura 
do mel.
O punho dele mirou o queixo do irmão, mas Connor bloqueou o golpe, rindo.
— Não tema, irmão. Você se casará com ela quando chegarmos.
Bevan encarou Connor com fúria, o ciúme consumindo seus pensamentos racionais. 
Tá, ele tinha empurrado Geneviève para os braços de Connor, mas não queria qualquer 
homem perto dela.
Isso o lembrava de como Fiona era amigável com estranhos. Mostrava-se gentil 
sempre que havia visitantes em Rionallís. Mas quando eram apenas os dois, ela parecia 
se retirar para um lugar distante. Embora fosse capaz de levar o corpo dele a um 
estado de êxtase, a mente de Fiona sempre esteve fora de alcance.
Parecia que se lembrava cada vez mais dos defeitos da esposa. Por que isso 
importava? Ela estava morta, e eles tinham vivido muitos anos felizes juntos.
Recordou seu último abraço com Geneviève. Logo teria o direito de se deitar com 
ela como marido. Ela lhe pertenceria.
Isto, concluiu ele, era o que o aborrecia. Tinha sido forçado a esta união, mas não 
queria desonrar a memória de sua primeira esposa com outra mulher. Caso se deixasse 
atrair por Geneviève, estaria traindo o voto feito com a morte de Fiona.
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Poderia tocar Geneviève, satisfazer seus desejos, e mesmo assim se manter 
distante? Não sabia. Desejava Geneviève, mas ela havia passado por muito sofrimento. 
Não queria que os pensamentos dela se ocupassem com Hugh.
Além disso, sentia-se culpado pela luxúria que sentia. Sempre que via Geneviève, 
queria acariciar-lhe a pele macia, conduzir o corpo dela a um excitado estado de 
satisfação.
Não ousava arriscar deixar que outra mulher se aproximasse dele novamente. 
Especialmente Geneviève, que ocupava sua mente o tempo todo, apesar das tentativas 
de rechaçar sua imagem. Que tipo de homem poderia se declarar caso abandonasse 
seu juramento?
Aprumando a postura, aumentou o passo do cavalo até Rionallís emergir no 
horizonte. Os campos recobertos de neve seriam tomados por uma dourada plantação 
no verão. Acrescentaria uma nova seção na fortaleza — uma feita de pedra. E com o 
passar dos anos acabaria substituindo toda a madeira por pedra, até nada poder 
destruí-la. Visualizava a prosperidade de sua gente, as amizades com os arrendatários 
de suas terras.
Não tinha percebido o quanto sentia falta daquele lugar. Fora mais fácil ficar 
com seu irmão e negligenciar esta parte de sua vida, seu antigo lar. Lembranças 
amargas o inundaram enquanto cavalgava em direção nos portões. Lembrava de Fiona 
esperando por ele, parada no topo da escada.
Doía saber que ela nunca mais estaria ali, esperando. Mas Geneviève esperaria 
por ele. E sempre que voltasse de uma batalha, ela estaria ali, como parte de sua vida.
Ele reduziu o passo quando chegaram pertodas familiares muralhas. Era como se 
pudesse de alguma forma preservar as velhas lembranças deixando de entrar na 
fortaleza. Uns esparsos flocos de neve flutuavam ao vento, caindo sobre suas luvas 
antes de se transformarem em nada.
Com uma despedida silenciosa a tudo que havia vivido, Bevan atravessou os 
portões rumo a um novo futuro.
Geneviève ergueu a espada para bloquear o ataque de Ewan. Sua capacidade de 
empunhá-la estava mais forte, mas ela se encolheu com o impacto do golpe. Nos 
últimos dias, Geneviève passava as tardes treinando com Ewan, deixando que ele lhe 
ensinasse a arte de esgrimir. Ela não sabia quase nada do assunto, mas apreciava o 
exercício. E isso também dava a Ewan uma sensação de orgulho por poder exibir suas 
habilidades, principalmente por ser muito melhor do que ela.
Ele também revelara mais coisas sobre Bevan. Pela maneira como falava do irmão 
mais velho, percebia-se que tanto idolatrava quando invejava Bevan. Parecia que queria 
ser exatamente como o irmão em todos os sentidos.
— Só que nunca me casarei — ele dizia agora, embainhando a espada quando a 
disputa entre eles terminou.
— Por quê?
— Não preciso me casar. Tenho pouco para chamar de meu, a não ser umas 
cabeças de gado.
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110
Sendo o filho mais novo, a herança de Ewan seria a menor, concluiu Geneviève. 
Parecia que por ali eram vacas e ovelhas, ao contrário de moedas, que mediam a 
riqueza de um homem.
— Patrick não lhe concederia uma porção de terra? — ela perguntou. — Ou você 
mesmo não poderia comprar?
— Querem que eu me torne padre — ele disse. — Mas não quero este estilo de 
vida. — A expressão dele se tornou pensativa. — Lutarei como mercenário, como 
Bevan, e guardarei meus ganhos. Talvez assim seja possível comprar alguma terra.
— E não vai querer filhos que herdem a terra? — perguntou Geneviève.
— Certamente precisaria de uma esposa para isso, não?
O rosto ficou vermelho e ele puxou a espada mais uma vez, praticando estocadas.
— Elas riem de mim, as garotas. Sabem que não sei lutar.
O constrangimento no rosto dele fez Geneviève querer dar uma bofetada no 
ouvido de garotas tão bobas.
— Então precisa encontrar uma mulher que saiba reconhecer seu verdadeiro 
valor.
Ewan não disse nada, apenas retomou o treinamento. Geneviève sabia que ele 
queria ficar sozinho, então se retirou da sala de armas.
Lá embaixo, no salão, tentou se ocupar com a costura. Seus dedos se moviam ao 
longo do linho, uma fileira de pontos regulares escondendo o nervosismo que sentia. 
Queria estar com seu saltério, perder-se na música.
Ewan tinha razão. Bevan logo retornaria, e o casamento deles aconteceria.
A agulha se movia entre o linho enquanto Geneviève visualizava o rosto dele na 
mente. Vieram-lhe pensamentos indesejados sobre o beijo, a maneira como ele a 
tocara.
Será que tinha algum sentimento por ela? Caso tivesse, Bevan devia estar lutando 
contra isso. De acordo com Ewan, a lealdade de Bevan pela primeira esposa 
transcendia qualquer coisa que pudesse sentir por Geneviève.
E ali estava outro problema: Ewan não gostava de Fiona. Os detalhes estranhos 
que descobrira incomodavam Geneviève. Todos os seus instintos avisavam que Fiona 
escondia segredos, sobre os quais Bevan nada sabia. O que mais a incomodava era Ewan 
ter alegado que Fiona havia deixado a fortaleza mais de uma vez, só retornando pela 
manhã.
Não havia razão plausível para isto, exceto uma: infidelidade. Geneviève sabia que 
Bevan tinha amado muito a esposa. Mas continuaria sofrendo por ela se descobrisse a 
verdade?
Em seu coração, sabia que nunca deveria revelar esses segredos. Que bem isso 
traria? Só faria Bevan se voltar contra ela. O silêncio era o melhor plano de ação. 
Queria ganhar o coração dele, mas não ao custo de destruir suas lembranças.
Vozes altas lhe interromperam os pensamentos. Geneviève se virou e viu a mãe 
entrando no salão. Um sorriso de alegria surgiu no rosto de Geneviève.
— Mãe! — Erguendo-se, ela correu para abraçar Helen.
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111
Alta e esguia, Lady Helen de Renalt usava um véu para esconder os cabelos. 
Geneviève sabia que a mãe usava tinturas vegetais para esconder os fios brancos ao 
longo das têmporas. Finas linhas de expressão marcavam os cantos dos olhos e da boca 
— linhas que se curvaram de alegria ao ver a filha.
A mãe a abraçou apertado.
— Diga-me o que aconteceu.
Geneviève explicou, mas não pôde evitar a amargura na voz quando falou das 
surras.
— Só uma carta chegou... pouco tempo atrás — admitiu Helen. — Se não fosse 
pela doença, tenho certeza de que seu pai teria vindo mais cedo. — O rosto dela 
estava cheio de pesar. — E foi nossa culpa mandar Sir Peter de Harborough e a 
esposa. São amigos nossos, mas acho que Hugh os enganou.
— Sir Peter acreditou nas mentiras de Hugh de que eu precisava de punição. Não 
fez nada para impedi-lo.
— Sinto muito, filha. — Helen tocou-lhe o rosto com carinho. — É bom que Hugh e 
Peter já tenham ido embora, porque eu provavelmente arrancaria a pele dos dois vivos. 
Seu pai terá uma boa conversa com Sir Peter, pode ter certeza.
Nunca tendo sido afeita a lidar com questões desagradáveis, Helen mudou de 
assunto.
— E quero saber sobre este Bevan MacEgan. Você realmente quer casar com ele? 
— A mãe falava do assunto como se Geneviève tivesse se oferecido para se jogar do 
alto de uma torre.
Defendendo-se, ela disse:
— Ele é um bom homem, um excelente guerreiro, mas seu coração sempre 
pertencerá à primeira esposa.
Helen suspirou.
— Não perguntei sobre o coração dele, Geneviève. Isto é um casamento, não uma 
balada de amor.
— Eu sei.
— Não tenho muita certeza disso. Sei que o rei queria que você se casasse com 
Sir Hugh, mas ele não era seu único pretendente. Poderíamos casá-la com qualquer 
homem. Se estivesse pensando com a cabeça, você não estaria deste jeito. — Helen 
acrescentou: — E não sei se o casamento com este irlandês é uma boa ideia.
— Bevan é um forte protetor, mãe — ela argumentou.
— Mas você conseguiria viver com ele aqui em Erin? — Helen olhou ao redor, 
como se preferisse estar morta a viver ali.
Geneviève escondeu um sorriso. Aprendera a amar Erin e suas colinas 
verdejantes. Havia descoberto que não era sacrifício viver numa terra selvagem cheia 
de grandes belezas.
— Sim.
Helen continuou expondo suas opiniões quanto ao casamento, mas Geneviève 
parou de escutar. Seu olhar tinha sido atraído para a entrada do salão.
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Um pequeno grupo de soldados entrou, seguido por Bevan. Ele parou, esperando 
por ela.
— Mãe, por favor, me dê licença por um instante.
Helen se virou e franziu a testa.
— Não estou muito certa sobre este homem, Geneviève. Ele é praticamente um 
bárbaro.
— Vá, mãe. Por favor — disse Geneviève. — Quero falar em particular com ele.
Helen meneava a cabeça quando Bevan se adiantou. Olhando feio para Helen, ele 
ordenou:
— Deixe-nos a sós.
A mãe se empertigou.
— Estarei perto do fogo. Se precisar de mim, eu...
— Mãe... — alertou Geneviève. — Vá para meu quarto lá em cima. Conversaremos 
depois.
Meneando a cabeça, Helen saiu. Geneviève ergueu o olhar para Bevan.
— Lamento quanto a isto. Nunca pretendi...
Ele deu um passo adiante, chegando tão perto que Geneviève podia sentir a 
respiração dele em seu rosto. A proximidade a desconcertava, mas ela conseguiu ficar 
firme. Os olhos verdes daquele guerreiro brilhavam com uma firme resolução. 
Erguendo a mão, ela tocou a cicatriz que ele ganhara recentemente.
— Sua ferida está cicatrizando bem.
Bevan cobriu os dedos dela com os seus. A voz soou em barítono profundo quando 
ele falou:
— O casamento será realizado hoje.
Ela sabia o quando ele não queria casar com ela. Isso magoava mais do que tinha 
imaginado.
— Por que mudou de ideia? — ela perguntou.
Bevan não respondeu, apenasdisse com firmeza:
— Você está presa a sua promessa. Depois do casamento, levaremos vidas 
separadas.
O coração dela doeu ao ouvir estas palavras, embora já as esperasse.
— Eu sei.
— Pode aceitar isso? — ele perguntou. — Tudo que posso lhe oferecer é 
liberdade para fazer o que quiser.
— Não tenho escolha, tenho, Bevan? — A voz de Geneviève soava cansada, mas 
conseguiu assentir. — Casarei com você para evitar uma batalha entre nossa gente. — 
A raiva aumentou a ponto de fazer seus dentes doerem com o esforço de apertá-los.
Bevan soltou-lhe as mãos.
— Vá se preparar. Nós nos veremos quando o padre chegar.
Os olhos de Geneviève ardiam quando ele se afastou. Ele não queria qualquer 
envolvimento com ela, algo que precisaria aceitar.
Seus nervos ficavam tensos só de pensar em partilhar a cama com ele, mesmo que 
uma única vez. Embora fosse necessário, para validar o casamento, odiava pensar que 
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ela não representava nada além de um dever. Não sabia se teria coragem de entregar-
se a ele de maneira tão íntima.
Isabel MacEgan a interrompeu. A esposa de Patrick, rainha de Laochre, viera 
para o casamento e sorriu alegremente para Geneviève.
— Geneviève, não quer vir comigo? Eu a ajudarei a se vestir para o casamento.
Embora os pés pesassem como chumbo, Geneviève seguiu Isabel até um outro 
cômodo. Sobre a cama, Isabel estendera um léine de seda alaranjada com uma veste 
esmeralda. Uma tina cheia de água quente esperava por ela.
Helen de Renalt selecionava as joias que Geneviève usaria, resmungando baixinho 
sua desaprovação ao casamento. Geneviève afundou na tina de água quente, deixando 
que Isabel lhe lavasse o cabelo com sabonete perfumado.
A mãe a ajudou a pentear os cabelos, que secavam diante do fogo. Depois, 
arrumou os cabelos de Geneviève em tranças elaboradas, presas em cima da cabeça.
— Você está linda — declarou Isabel, ajustando-lhe um véu creme enfeitado com 
pérolas.
— Ele não é digno dela — disse Helen. — Não gosto nada disso.
Geneviève olhou a mãe de maneira categórica.
— Não quero ouvir nada contra o homem que será meu marido. — Helen deu de 
ombros e prendeu um colar dourado incrustado de pedras preciosas ao redor do 
pescoço da filha. As grandes esmeraldas acentuavam a cor do vestido.
Isabel abraçou Geneviève.
— Vai ficar tudo bem. Você verá. — Tocando o rosto de Geneviève, ela 
acrescentou: — O hematoma sumiu.
Geneviève levou os dedos à bochecha. Embora seus ferimentos estivessem 
curados, seu espírito continuava fragilizado. Reuniu coragem para exibir um sorriso.
— Vamos.
A cerimônia começou ao anoitecer, depois que Geneviève e Bevan banharam os 
pés dos convidados para lhes dar as boas-vindas. As jovens damas brigaram pela 
moeda de prata deixada na bacia, pois se dizia que aquela que a pegasse seria a 
próxima a se casar.
Depois de feitos os votos, Bevan segurou a mão de Geneviève e o padre abençoou 
a união. O calor do toque de Bevan emanava da pele de Geneviève, mas os olhos dele 
continuavam focados no padre. Ela notou a tristeza no olhar de Bevan, o que a magoava 
profundamente.
Estaria lembrando de seu casamento com Fiona, a mulher que amava? Geneviève 
se torturava, imaginando o que ele estaria pensando.
Os lábios de Bevan tocaram os seus num beijo de paz, tão rápido que ela poderia 
nem ter notado. Depois disso, os convidados deram vivas.
Canecas de hidromel foram servidas e o banquete começou. Geneviève e Bevan 
foram levados para uma mesa onde suntuosas porções de carne e doces estavam 
dispostas.
Os pais dela os observavam, e Geneviève tentou parecer feliz para agradá-los. 
Era como se ver num lago, silencioso sob a superfície, afogando-se num mar de 
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convidados. O marido sorria quando os outros sorriam para ele, respondia a perguntas 
e fingia estar se divertindo.
Geneviève conhecia a verdade. Bevan usava uma máscara de jovialidade, e até a 
beijou quando os outros o provocaram. A atitude dele subitamente a deixou 
aborrecida.
Será que não merecia a afeição do marido? Não merecia um casamento feliz com 
um homem que realmente a quisesse?
Havia pensado que não seria tão ruim estar casada com um homem que nunca a 
maltrataria. Acreditava que, com o tempo, eles ficariam contentes com a companhia 
um do outro. Mas, enquanto o observava, doía saber que Bevan não via motivo para 
celebrar a união deles.
Geneviève largou o cálice, concentrando os pensamentos no que mais a 
preocupava. Embora não fosse a esposa escolhida, a mulher que ele queria, Geneviève 
precisaria encontrar uma maneira de vencer a inimizade no coração dele. Bevan a 
desejava; isto ela sabia por causa dos beijos roubados.
Um calafrio lhe percorreu a espinha, então ela tomou outro gole de vinho para se 
encorajar. Bevan devia esperar que ela lhe entregasse a virgindade, mas a ideia de 
ficar nua diante dela a intimidava.
Sua ansiedade crescia a cada minuto. Na sua terra, a cerimônia nupcial 
constrangia muitas noivas. Veio-lhe à mente a imagem de mulheres dando risadinhas ao 
ajudar a noiva a se despir, deixando-a nua na cama para esperar o abraço do marido. 
Ela olhou ao redor, mas foi cumprimentada apenas por sorrisos amigáveis.
Quando achou que não suportaria mais esperar, ergueu-se da mesa. Se não havia 
tal costume ali, preferia se preparar sozinha. Talvez conseguisse acalmar as batidas 
desesperadas de seu coração.
— Aonde está indo? — perguntou Bevan.
— Para nosso quarto. — Ela sorriu timidamente. — Estou cansada.
A mentira lhe fluiu pela boca. Geneviève não sabia se seria capaz de dormir 
aquela noite. Afinal, nem sabia se ele consumaria o casamento. Tinha oferecido a ele a 
escolha de não compartilhar de sua cama.
Geneviève se afastou, sem aguardar a resposta. Subia as escadas quando decidiu 
olhar para trás. Bevan a observava lá de baixo e, por um instante, Geneviève ficou 
fascinada. A túnica possuía um tom único de azul, cor que deixava seus traços fortes 
mais impressionantes. As mãos seguravam um cálice, mas Bevan não bebia.
A multidão pareceu desvanecer, e Bevan a fitava como se a enxergasse pela 
primeira vez. Havia um ar de confiança no rosto dele.
Geneviève respirou fundo e se obrigou a terminar de subir. Quando finalmente 
fechou a porta do quarto, sentou-se num banquinho de madeira para esperar por 
Bevan. Notou que as criadas tinham realmente removido a cama imponente. Em seu 
lugar estava uma cama menor, com novas cobertas. Geneviève havia redecorado o 
aposento por inteiro, afastando todos os vestígios da antiga arrumação. Até as 
tapeçarias tinham sido removidas. As paredes estavam nuas agora, mas ela faria peças 
novas.
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Seus dedos tamborilavam nervosamente sobre a seda do vestido. Minutos se 
passaram sem qualquer sinal de Bevan. Geneviève despiu o vestido, colocando de lado 
os enfeites e o colar. Entrou debaixo das cobertas, sentindo a suavidade do linho 
contra a pele nua.
De olhos fechados, tentou controlar seus temores. Ele não era Hugh. Nunca 
bateria nela ou a humilharia.
Após uma hora de espera, Geneviève concluiu que ele não pretendia reclamá-la 
como esposa.
Será que tinha cometido algum engano? Será que não devia ficar esperando no 
próprio quarto? Suas bochechas coraram ao vestir uma fina túnica. Os costumes eram 
diferentes ali. Será que deveria ter ido para o quarto dele?
Embora a ideia de invadir o quarto de Bevan lhe causasse um frio no estômago, 
ela se controlou. Seria uma única vez. Era o que se esperava dela, e Geneviève nunca 
fugia de seus deveres.
Fechando os olhos, concluiu que uma noiva não deveria ter que reclamar o próprio 
marido na noite do casamento.
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Capítulo Doze
Bevan não deixou de notar a indagação nos olhos de Geneviève. Aturou os 
gracejosobscenos de seus homens até perceber que não podia se demorar lá embaixo 
por muito tempo sem constranger sua nova esposa. Deixou seus convidados e Patrick 
impediu que vários homens bêbados fossem atrás dele.
Entrou no próprio quarto, fechando a porta ao passar. Felizmente não era o 
aposento que compartilhava com Fiona quando viviam ali. Tinha deixado o quarto para 
Geneviève. O quarto onde estava agora costumava ser usado por seus irmãos, por isso 
não lhe trazia recordações.
Mas a fortaleza guardava muitas lembranças. Tinha sido muito diferente 
regressar ao lar desta vez. Reconhecera antigos servos, arrendatários locais e velhos 
amigos no banquete. Pareciam espantados com o casamento, mas felizes por vê-lo 
outra vez. Bevan concluiu que já estavam em Rionallís quando Geneviève chegou 
acompanhada de Hugh. Será que havia surgido qualquer animosidade, já que ela era 
normanda? Aparentemente não, mas ele não tinha certeza.
Bevan viu a tina diante do fogo. Havia sido levada antes da cerimônia, mas ele não 
se deu ao trabalho de tomar banho na hora. Agora a água fria serviria para distrai-lo 
de Geneviève. Não duvidava que ela o convidaria para a cama caso fosse procurá-la. 
Contudo, Bevan percebia seu medo. Apesar do que ela dizia, achava que ainda não 
esquecera as surras de Hugh.
Nem sabia se ainda era virgem. Pela magnitude com que ficava intimidada, 
imaginava que outros pesadelos atormentavam Geneviève.
Bevan se despiu e sentou na tina, espalhando água no rosto e no peito. Como 
esperava, a água fria mitigou seus desejos. Saiu da tina e pegou uma toalha. Depois de 
se secar, enrolou a toalha na cintura e sentou ao lado do fogo.
Foi quando notou uma sombra perto da cama. Bevan pretendia pegar a adaga, mas 
viu Geneviève sair de trás de uma das cortinas da cama. Os cabelos escuros estavam 
caídos sobre a fina túnica. Ela caminhou em sua direção em silêncio.
— Geneviève...
Bevan viu o medo e a incerteza nos olhos dela. Continuou parado, não querendo 
assustá-la com a luxúria que crescia dentro de si.
— Eu não sabia se deveria vir — ela murmurou. — Seus costumes são diferentes, 
e pensei... — A voz falhou, os ombros se curvaram.
Bevan não disse nada e Geneviève logo endireitou o corpo. Através do fino 
contorno da túnica, as curvas femininas o atraíam. Vendo sua figura esguia, percebeu o 
quanto ela precisou de coragem para procurá-lo. Embora devesse mandar Geneviève 
embora, sabia que a magoaria se colocasse a ideia em palavras.
Bevan queria sentir Geneviève em seus braços, queria ser o marido que ela 
merecia. Segurou-lhe as mãos dela, puxando-as gentilmente até Genevieve ficar 
parada diante dele. Levou a mão ao rosto dela, o polegar fazendo com que 
entreabrisse os lábios. Quando ela deixou que a beijasse, Bevan se viu perdido.
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Geneviève tinha o sabor de um quente sol de verão, de um doce hidromel, de uma 
promessa de amor. Apesar da intenção de não tocá-la, seus braços lhe envolveram a 
cintura. A sensação da pele macia o deixou excitado, então sentou num banquinho, com 
Geneviève de pernas abertas no seu colo.
A intimidade da posição fez com que ela tentasse se soltar. As bochechas 
estavam coradas, mas Bevan continuou segurando-a, até ela se render. Embora não 
pretendesse reclamá-la como esposa, queria livrá-la dos temores. Deslizou lentamente 
as mãos pelas costas dela, afagando-a. Através da túnica, viu os seios enrijecerem.
A toalha escorregou e Bevan sentiu a úmida feminilidade contra seu membro. 
Ficou excitado, respirando fundo enquanto Geneviève tentava se levantar. Os 
movimentos fizeram com que ela se encaixasse no colo dele e Bevan voltasse a lhe 
afagar as costas.
Suas bocas se encontraram, o beijo intoxicando-o com fogo e luxúria. A voz da 
razão gritava para que parasse, mas Bevan não encontrava forças para rejeitar 
Geneviève.
Ela interrompeu o beijo, tentando respirar. Desta fez, Bevan a soltou. Geneviève 
parecia pronta para fugir do quarto.
— Perdoe-me — ela arfou. — Pensei que conseguiria deixar que você...
— Não esta noite, Geneviève — ele respondeu com um rouco suspiro. Ela ficou 
pálida, tomada de desalento.
— Desculpe se o desagradei. — Ela começou a se afastar, mas Bevan a deteve.
— Geneviève, não posso ser um verdadeiro marido. Não da maneira que você quer. 
— O corpo dele ardia, mas Bevan conseguia se manter sob controle. Abaixando-se, 
apanhou a toalha e a enrolou nos quadris.
— Se me der um pouco de tempo, farei o que é esperado de mim — ela insistiu.
Bevan a levou para a cama e afastou as cobertas.
— Agora durma.
Geneviève queria praguejar, de tão frustrada. Conseguira se infiltrar no muro de 
indiferença por um breve instante, apenas para ser atirada fora novamente. Foi 
necessário reunir toda a coragem para procurar por Bevan, enquanto sofria para 
bloquear as terríveis lembranças do passado.
A voz debochada de Hugh surgiu em sua mente. Você é um pobre arremedo de 
mulher. Deveria estar agradecida por receber minhas atenções.
E ali também ela havia fracassado. Na escuridão, aconchegava-se sozinha na 
cama. O que seria preciso para que Bevan a visse como esposa, não como um fardo?
Geneviève ergueu a cabeça para observá-lo. Sob a luz do fogo, a pele era bronze 
derretido. Marcados de batalha, os músculos fortes se flexionavam enquanto ele 
vestia a calça. O peito estava nu, o torso escultural coberto por uma fina camada de 
pelos escuros.
— Bevan? — ela murmurou.
— Tá?
— Não me deixe sozinha. Não esta noite — ela implorou. Bevan viu o quanto ela 
parecia embaraçada.
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— Não a humilharia desta maneira, a chroí. Todos lá embaixo pensarão que o 
casamento foi consumado, não se preocupe.
— E os lençóis? — ela perguntou, fitando o linho limpo. O rosto dela ficou 
vermelho. — O sangue... — Geneviève se calou, envergonhada demais para continuar. 
Na sua terra, os lençóis de uma noiva eram orgulhosamente exibidos para provar a 
perda da virgindade.
Um ar de divertimento tomou o rosto dele.
— Não temos este costume. Meus homens acreditarão em mim quando eu disser 
que você não é mais donzela.
Mas seus pais desejariam ver os lençóis, ela concluiu. Costume ou não, pediriam 
para ver.
— Pode me emprestar sua faca? — perguntou.
— Por quê?
— Para satisfazer meu pai. Ele espera ver meu sangue.
Bevan se levantou e desembainhou a faca. Sem despregar os olhos de Geneviève, 
fez um pequeno corte na mão, deixando que gotas de sangue se espalhassem sobre os 
lençóis.
— Não precisa ser o seu sangue.
Geneviève estremeceu, mas ele agia como se o gesto fosse de pequena 
importância. Depois disso, ele arrumou uma cama diante do fogo, deitando-se no duro 
chão de madeira.
Ela pensou em pedir que ele dormisse na cama, por causa do conforto. Mas não 
reunia coragem para dizer as palavras. Como seu corpo ardia de frustração e 
vergonha, ela escondeu o rosto no colchão. Os fantasmas do passado de Bevan 
habitavam aquele quarto. Tinha enganado a si mesma pensando que queria uma vida 
separada da dele.
Ao ser beijada, Geneviève sonhou com o dia em que renunciaria a todos os 
temores e acolheria Bevan em seus braços.
Sob a tremeluzente luz do fogo, viu Bevan se esticando para dormir. As costas 
possuíam cicatrizes de antigas batalhas. Aquele era um corpo que tinha testemunhado 
mortes e liquidado inimigos. Mas por baixo daquela superfície, existiam outras 
cicatrizes. Um pai que perdera a filha. Um marido que não conseguira proteger a 
esposa do inimigo. E um homem forçado a casar com uma mulher que não queria.
— Bevan? — ela murmurou, incapaz de conter a pergunta que a atormentava. — 
Por que se casou comigo?
Ele parecia tão inflexível antes de partir para Tara. Teria feito qualquer coisa 
para evitar o casamento.
Geneviève esperou pela resposta por certo tempo, imaginando se ele teria ouvido. 
Por fim, Bevan disse:
— Para mantê-lalonge de Hugh. Você seria obrigada a casar com ele. Mulher 
nenhuma mereceria tal vida.
Os olhos dela se encheram de lágrimas com a admissão dele.
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— Mas meu pai cancelou o noivado — ela murmurou. — Hugh não poderia me fazer 
mal.
Bevan se virou para fitá-la.
— Eu me ofereci no lugar de Hugh. Ele é um dos favoritos do rei, não esqueça. 
Mas uma aliança irlandesa é mais vantajosa para o rei Henrique.
— Creio que você tem razão.
— E não confio em Hugh. Duvido que ele vá desistir tão facilmente. Se algo 
acontecesse ao seu pai, ele viria para se apossar de você. E de Rionallís. — Ele suavizou 
a voz, como se para afastar-lhe os temores. — Está a salvo dele agora.
Quando Bevan lhe deu as costas, ela agarrou os lençóis. Seria fácil ignorar aquela 
mudança no coração de Bevan se não gostasse dele. Poderia ter fechado seu coração 
para o estoico guerreiro que a mantinha distante.
Mas não para o homem que se casara com ela para mantê-la a salvo. Não para o 
homem que a beijara, despertando seu corpo para o toque masculino.
Geneviève rezou para que um dia ele pudesse se livrar das lembranças que o 
assombravam. Até este dia, não haveria esperança de que o casamento deles deixasse 
de ser um mero arranjo.
Quando Bevan acordou, Geneviève não estava mais ali. Levantou-se do chão, 
encolhendo-se por causa do ombro dolorido após uma longa noite. Não conseguira 
dormir, pensando nela. Embora tivesse considerado dormir com ela na cama, não 
confiava em si mesmo para não tocá-la. Geneviève tinha a capacidade de desarmar sua 
força de vontade e transformá-la em poeira.
Vestiu a túnica, e quando entrou no salão foi atraído pelo delicioso aroma de 
doces e frutas assadas. Ewan estava sentado a uma longa mesa, enchendo a boca de 
comida.
Ao ver o irmão, Bevan perguntou:
— Onde está Geneviève?
— Não a vi esta manhã. Mas você deveria fazer o desjejum — sugeriu Ewan. — 
Prove as tortinhas de maçã. — Ele usou o braço para limpar os respingos de mel da 
boca.
A mesa estava cheia de vasilhas de fumegante mingau de aveia e tortinhas 
regadas com mel e maçãs secas. Bevan decidiu experimentar uma das tortinhas. A 
crosta doce praticamente derreteu em sua língua e Bevan pegou outra.
— Foi ela quem fez isso?
— Não, mas pediu que fizessem. Nunca comi algo tão bom na vida — comentou 
Ewan. — Talvez eu nunca vá embora.
— Em breve — disse Bevan com firmeza — você terá que voltar para Laochre. — 
A resposta do irmão foi se servir de outra colher de mingau.
Embora soubesse que não havia razão para se preocupar, ele se indagava sobre os 
motivos de Geneviève. Ele nunca se incomodava muito com comida pela manhã, mas a 
súbita mudança lhe causava preocupação quanto às outras mudanças que pretendia 
fazer.
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Depois de terminar, saiu à procura dela. O vento congelante atravessava sua 
capa, mas enquanto cruzava o terreno viu Geneviève no pátio interno. Ficou parado, 
observando-a ajudar a lavadeira com um caldeirão fumegante. Geneviève usava uma 
longa vara para mexer a roupa suja. O calor da água fervente lhe umedecia os fios de 
cabelos nas têmporas, as bochechas brilhavam com o esforço. Um véu de linho 
mantinha o cabelo longe do rosto.
A maneira como lidava com seu povo, tomando parte nas tarefas cotidianas, fez 
com que Bevan percebesse que ela parecia pertencer ao lugar. Geneviève sabia a língua 
deles e não tinha os modos frios de uma nobre dama normanda. Eles não a viam como 
uma estranha, um fato que o incomodava.
Geneviève o viu e levantou a mão num aceno. Bevan assentiu em resposta, mas 
voltou para a fortaleza sem falar com ela. Entrou no salão e foi para o andar de cima, 
para o antigo aposento que costumava compartilhar com a esposa.
Não lhe tinha passado pela cabeça que Geneviève pudesse produzir mudanças em 
Rionallís. A cama original tinha desaparecido e, em seu lugar, estava outra, menor. A 
armação de madeira era nova, assim como as cobertas. As tapeçarias haviam 
desaparecido também — as tapeçarias que Fiona tecera com as próprias mãos, 
trabalhando por longas horas, às vezes até de noite. Lembrou que costumava surgir 
por trás de Fiona para roubar um beijo, enquanto os dedos dela trabalhavam no tear.
Suas recordações haviam sido removidas, deixando para trás pobres substitutos. 
As paredes estavam nuas, o quarto destituído de qualquer decoração. Mágoa e 
ressentimento cresceram dentro dele. Teriam vendido as tapeçarias? O que teria 
acontecido à cama onde ele costumava dormir sentindo o calor de Fiona? Sua filha 
tinha sido concebida naquela cama, e agora ela havia sumido.
Momentos depois, a porta foi aberta e Geneviève surgiu. Ela sorriu à guisa de 
cumprimento.
— Bom dia.
— Onde está a cama? — ele perguntou. — E as tapeçarias?
O sorriso desapareceu. Como ela não respondeu, Bevan a agarrou pelos ombros.
— Onde estão?
— Não sei onde estão as tapeçarias — ela disse. Os dedos dele a apertavam, a 
fúria era tão grande que Bevan sabia que deixaria marcas na pele delicada. — Mandei 
destruírem a cama — ela disse. — Mandei que fosse queimada.
Queimada. Ele não compreendia por que faria tal coisa. Não deveria ter dado 
aquele quarto a ela. Seria melhor deixá-lo trancado, tornando-o um lugar onde guardar 
suas lembranças.
Agora tudo estava perdido, consumido em cinzas. Tudo por causa das ordens de 
Geneviève. Bevan fechou os olhos e soltou-a. Tinha medo do que seria capaz de fazer, 
então receou um passo.
— Por quê?
Ela meneou a cabeça, lágrimas surgindo nos olhos.
— Porque não conseguia olhar para a cama. Nunca poderia me deitar ali sem 
lembrar como Hugh costumava me bater.
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— Nunca pretendi me deitar com você — ele disse com frieza.
Seu rosto ficou branco e ela secou as lágrimas. Por um momento, era como se 
Bevan estivesse fora do próprio corpo, como se fosse outra pessoa. Sabia que suas 
palavras a magoavam profundamente, mas não conseguia detê-las.
— Deixe-me — ele disse, a voz cansada. — E não faça mais mudanças aqui. Esta é 
a minha casa e quero tudo como era antes.
Como ela continuasse imóvel, ele berrou:
— Vá!
Geneviève fugiu. Bevan enterrou o rosto nas mãos. Lamentava ter casado com ela, 
permitindo que fizesse mudanças. Rionallís não era, e jamais seria, o mesmo.
Geneviève sentou ao lado dos pais para a refeição do meio-dia, a comida 
parecendo areia na boca. Ficara magoada com a repreensão e não sabia adivinhar o que 
mais poderia provocar outra explosão de raiva.
Suportou mais uma hora de refeição, forçando-se a beber um cálice de vinho de 
sabugueiro. A mãe se retirou para o quarto e Thomas de Renalt tocou a mão da filha.
— Por que está tão calada? Qual o problema? Ele a machucou?
Um ar embaraçado surgiu no rosto do pai ao mencionar a noite de núpcias. As 
criadas tinham lhe mostrado os lençóis e Geneviève sabia que seu pai ficara satisfeito 
ao ver as manchas de sangue. Mesmo assim, sentia-se culpada com a mentira.
Geneviève meneou a cabeça.
— Ele não me machucou, papai.
— O irlandês será bom marido para você, tenho certeza — afirmou o pai. — Suas 
habilidades de batalha são lendárias entre esta gente.
— Ele foi forçado a casar comigo — ela disse. — Isso é maneira de se começar 
um casamento?
— Alguns dos melhores casamentos começam de maneira nada auspiciosa — ele 
comentou. — E depois fica muito bem, apesar de tudo. Dê tempo ao tempo, Geneviève. 
Você deve ficar aqui e o rei Henrique terá irlandeses leais perto dele quando precisar.
A amargura cresceu dentro dela.
— Sim, permanecerei aqui. Casada com um homem que me despreza.
— Ora, ora. Você é uma mulher crescida, Geneviève. Não é criança. Ficar amuada 
não é de seu feitio.
Ela sabia que o pai tinha razão ao conseguir arrancar-lhe um sorriso.
— Ficará por mais tempo?
Ele meneou a cabeça.
— Creio que não. Henrique ordenouque voltássemos para a Inglaterra dentro de 
uma semana. Mas lhe mandarei uma criada... alguém que vá chamar sua mãe e a mim 
caso MacEgan encoste um dedo em você.
— Bevan nunca faria isso — disse Geneviève. — Ele quase matou Hugh por me 
machucar.
O conde assentiu em aprovação, pondo a mão no ombro dela.
— Lamento pelo acontecido. Se descoberto antes, teria vindo buscá-la. Quero 
que saiba disso.
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Geneviève baixou a cabeça, escondendo as lágrimas que ameaçavam cair. Ele 
apertou-lhe a mão.
— Você é uma bela mulher, Geneviève, com um coração adorável. Vá até seu 
marido. Mostre a ele quem você realmente é.
— Vai dar tudo certo — ela disse, abatida.
O pai sorriu.
— Você conquistará o coração deste guerreiro, minha Geneviève. Disso não tenho 
dúvida.
Geneviève o abraçou e ele lhe deu uma batidinha no queixo.
— Partiremos para a Inglaterra pela manhã. Se precisar de nós, basta mandar 
uma mensagem.
Com os braços fortes do pai enlaçando-a, Geneviève se sentiu reconfortada.
— Obrigada, papai.
— Agora vá. — O pai a dispensou com a mão. — Pretendo saborear este excelente 
uísque antes que sua mãe descubra. — Ele tomou um gole da forte bebida, tossindo 
enquanto lhe fazia um brinde.
— Mandarei um barril com você para casa — prometeu Geneviève.
— Você é minha filha mais amada — ele suspirou, tomando outro gole.
Bevan não dormiu no quarto deles naquela noite, e Geneviève não conseguiu pegar 
no sono. Remexia-se no colchão de palha enquanto o imaginava no outro quarto, 
contente por estar longe dela.
Na manhã seguinte, ela se despediu dos pais e a mãe prometeu visitá-la na 
primavera. Lorde Thomas a provocou falando em netos e Geneviève lutou para manter 
o sorriso. Não haveria filhos em seu futuro. Não com Bevan.
Depois que partiram, ela se ocupou com as tarefas da fortaleza. Os braços se 
esticaram enquanto ela tentava erguer um pesado saco de grãos.
Já tinha enxugado as lágrimas e prometido não sentir pena de si mesma. Havia se 
casado com Bevan sabendo que ele não a queria como esposa. O trabalho pesado 
manteria sua mente longe das lamentações que apertavam seu coração.
— Coloque isso no chão, Lady Geneviève! — Uma mulher gorducha com mechas de 
cabelo escuro bateu em Geneviève com um trapo. — Temos homens que carreguem as 
coisas pesadas.
— Eu consigo — disse Geneviève. Ela arrastou o saco de grãos para um canto, os 
braços ardendo com o esforço.
— Não é função sua fazer este trabalho — argumentou a mulher. — Poderia 
prejudicar um bebê, caso já esteja gerando um.
— Não haverá bebê nenhum — ela disse, melancólica.
Lembrou do pequeno Declan, seu corpinho macio aninhado contra ela, e uma dor 
profunda ameaçou consumi-la. Como pôde pensar que um dia ganharia a afeição de 
Bevan? Ele tinha sido honesto desde o primeiro momento. Ela jamais conseguiria 
conquistar-lhe o coração, era inútil tentar.
— Ah, claro que haverá um bebê, tenho certeza. Estes MacEgan... — A mulher 
deu um suspiro encantado. — Não conheço uma mulher que consiga resistir a eles. 
Harlequin Históricos 64 - Guerreiro Guardião - Michelle Willingham
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Você tem sorte, está casada com Bevan. Ele é um bom mestre, um homem justo. Bem 
melhor do que aquele normando com quem estava comprometida. — A mulher cuspiu no 
chão ao lembrar.
Geneviève forçou um sorriso.
— Sim, você está certa. Qual o seu nome?
— Sou Mairi.
Geneviève apertou as mãos de Mairi em cumprimento.
— É um prazer conhecê-la.
Mairi puxou Geneviève pela mão.
— Eu e as outras mulheres nos perguntávamos sobre você. Vimos o que Marstowe 
fez. Tomara que a alma dele queime no inferno por causa disso. Mas nenhuma de nós 
podia fazer nada. — Ela fez o sinal da cruz. — Ele simplesmente mataria outra 
inocente.
— Outra?
— Tá. Ele matou a pobre Maureen depois que ela contou para onde Bevan levou 
você. O maldito! — Mairi levou Geneviève para fora, entregando-lhe um brat. 
Geneviève aceitou a longa peça de lã, envolvendo os ombros com ela. — Precisa se 
cobrir, está muito frio.
— Por onde estamos indo?
— Vamos visitar os arrendatários. Estão ansiosos para conhecê-la, tal como eu. 
Não tivemos a chance quando você estava comprometida com aquele demônio. — Com 
uma cotovelada, Mairi acrescentou: — Eles querem saber que tipo de mulher se 
casaria com nosso Bevan.
— Uma mulher tola — disse Geneviève. — Sou uma MacEgan agora, mas dele só 
tenho o nome.
— Sentindo pena de si mesma, não é? — disse Mairi, arrastando Geneviève pelo 
pátio interno. O ar gelado atingia seu rosto, então ela apertou mais o brat ao redor 
dos ombros. — Se quer um bom casamento, ouça meu conselho. Seja uma mulher forte 
e seja fiel a si mesma. Quando se conquista a própria felicidade, o casamento também 
se torna feliz. Não há maneira mais fácil de perder um homem do que persegui-lo. 
Faça-o vir atrás de você. Escute o que digo.
— Você é casada? — perguntou Geneviève.
Mairi riu.
— Cinco vezes, contando este último. Enterrei quatro deles, que suas almas 
descansem em paz. Mas, quando morreram, se foram felizes. Uma boa travessura na 
cama mantém o marido fiel.
Geneviève corou com aquele comentário desbocado. Quando chegaram aos 
estábulos, Mairi disse ao cavalariço que trouxesse um cavalo para Geneviève.
— E você? — perguntou Geneviève.
— Não preciso de cavalo. Vou andando. Mas você, sendo senhora de Rionallís, 
deve ir montada.
Geneviève sacudiu a cabeça, dispensando o cavalariço.
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124
— Vou andando com você. — Pensou ter visto um brilho de aprovação nos olhos de 
Mairi.
Enquanto seguiam na direção das fazendas dos arrendatários, Mairi apontava os 
nomes das pessoas, contando mechericos sempre que podia.
Geneviève viu uma extensão de terra, organizadamente dividida em espaços 
menores com cabanas de teto de palha. Vacas e porcos se amontoavam ao redor dos 
grãos despejados nos cochos em meio à neve. Um arrendatário quebrou uma camada de 
gelo que se formara sobre a água de outro cocho. Ele sorriu e acenou para Mairi 
quando elas passavam.
Geneviève queria conhecê-los e se familiarizar mais. Uma ideia lhe ocorreu, por 
isso parou de andar.
— Não decoramos Rionallís — ela disse. — Alban Arthuan já passou, mas não 
fizemos qualquer celebração pelo Natal. Com tudo o que aconteceu, nem pensei nisso.
Mairi se animou.
— Tem razão, milady. Chamarei algumas moças para ajudar. Uma festa é 
exatamente o que você precisa para esquecer dos problemas.
— Pode me chamar de Geneviève — ela disse. Parte dela estava alegre com a ideia 
de decorar o salão para a festividade de Natal. — Alguém por aqui poderia tocar 
música hoje à noite?
Geneviève se lembrou da harpa que tocara em Laochre, sentindo saudades do 
instrumento. Bevan não parecia se importar, mas ela ficava nervosa ao se imaginar 
tocando diante dos irlandeses. Talvez não gostassem de suas canções.
Não, era melhor deixar que outros tocassem. Ela se divertiria com as músicas 
deles e as aprenderia quando pudesse.
— Todos os homens daqui se acham músicos — disse Mairi, revirando os olhos. — 
Mas direi a Eoin que leve suas flautas. Mas não peça que ele cante.
Geneviève se enrolou mais no brat, cheia de animação. Não deixaria que a raiva 
de Bevan estragasse o festejo. Mas havia uma maneira de abrandar seu mau humor.
— Sabe onde as mulheres colocaram as tapeçarias que costumavam ficar no meu 
quarto? — perguntou Geneviève.
Mairi assentiu.
— Traga todas. Quero pendurá-las no salão.
Faria isso por Bevan, como um pedido de desculpas. Mas se negava a manter 
qualquer vestígio de Fiona e Hugh em seu quarto. Começaria a tecer suas próprias 
tapeçarias, adornando o aposento com coisas que só lhe trouxessem novas 
recordações.
Mairi estava certa. Já era hora de parar de sentir pena de si mesma.
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125
Capítulo Treze
Geneviève supervisionava a decoraçãodo salão, enquanto lá fora outra 
tempestade de neve rugia. Não via Bevan desde cedo e suspeitava que ele a estivesse 
evitando.
Ela fez com que as tapeçarias de Fiona fossem penduradas na parede do fim do 
salão. Espalhou guirlandas de azevinho e folhagens ao redor do salão, colocando velas 
nas janelas para iluminar o caminho da Sagrada Criança. A cozinheira aceitou assar um 
leitão novo e preparar salmão, cordeiro e enguias temperadas para o banquete. Seu pai 
havia reabastecido as despensas de comida esvaziadas por Hugh e seus homens como 
parte de seu presente de casamento. Bevan oferecera 20 cavalos, vários barris de 
uísque e joias de prata como preço da noiva. A prata certamente deixaria a mãe 
satisfeita, pensou Geneviève.
Uma criada trouxe vinho de sabugueiro, hidromel e uísque da adega, para matar a 
sede dos convidados. Para a sobremesa, Geneviève pediu que a cozinheira preparasse 
tortinhas cobertas com mel e avelã picadinha.
Mairi a apresentou às esposas de alguns arrendatários e Geneviève fez amizade 
enquanto trabalhavam juntas, acrescentando toques festivos ao salão. Não falaram de 
seu noivado com Hugh, o que a deixava agradecida.
Hugh nunca permitia que ela saísse de Rionallís, alegando que uma mulher da 
nobreza não tinha lugar entre as pessoas livres. Ela tentou protestar dizendo que este 
era seu dever como senhora do castelo. O argumento lhe valeu outra surra, então ela 
ficava de boca calada enquanto o mordomo cuidava de seus afazeres.
Agora ela reconhecia que aquilo era outra maneira de mantê-la prisioneira. Hugh 
não confiava nos irlandeses, e Geneviève sabia que ele tinha a reputação de ser um 
cruel Gaillabh — um invasor normando.
Às costas dela surgiu Ewan tagarelando com Bevan, vangloriando-se de suas novas 
habilidades com a espada. Geneviève se ocupou com a arrumação de uma guirlanda, 
imaginando o que o marido diria quando visse a decoração. O olhar dele vagou pelo 
salão, observando a arrumação.
Quando Bevan enxergou as tapeçarias, uma transformação aconteceu nele, um 
súbito relaxamento das feições. Os olhos dele buscaram por Geneviève, que percebeu 
o perdão no cumprimento de cabeça.
— Os arrendatários virão celebrar o Natal conosco esta noite — ela disse. — 
Você vem? — Esperava que Bevan não lhe negasse a chance de receber as pessoas.
Ele parecia favorável.
— Tá, virei.
— Que bom.
O desconforto se estendeu, então Geneviève pediu licença para terminar a 
decoração. Bevan não ficou para observar, deixando Geneviève aliviada por não ter os 
olhos dele acompanhando seus movimentos.
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126
Por fim, dispensou as mulheres para que pudessem se arrumar para o banquete. 
Ewan vagava por ali, dirigindo olhares para uma garota ruiva de olhos castanhos. A 
garota o ignorava e Geneviève ficou sentida pela expressão apaixonada de Ewan. Ele se 
consolou roubando uma tortinha de mel de uma das travessas.
— São para a celebração desta noite — lembrou Geneviève. Ewan estava para 
colocar o doce no lugar quando Geneviève meneou a cabeça. — Só esta.
Ele acenou com a cabeça em agradecimento e devorou a tortinha, lambendo os 
dedos. Um criado interrompeu Geneviève momentos depois, entregando-lhe um 
pequeno pergaminho dobrado e lacrado com cera. Ela agradeceu e rompeu o lacre. Não 
havia nada escrito dentro, mas uma fita azul esfiapada caiu no chão. Geneviève a 
reconheceu de imediato. Era uma fita que Hugh lhe dera quando ainda cortejava sua 
afeição.
Era um aviso. Um aviso amedrontador. Hugh não tinha voltado para a Inglaterra, 
como ordenado.
— Viu quem enviou isso? — ela perguntou ao criado.
O servo meneou a cabeça.
— Uma das crianças dos arrendatários me entregou. Ele recebeu de um 
mensageiro desconhecido.
Uma sombra surgiu sobre a cadeira onde ela estava, e Geneviève viu Ewan parado 
diante de si.
— O que é isso? — perguntou.
— É de Hugh — ela respondeu, exibindo a fita.
Ewan aprumou o corpo e pôs a mão sobre a espada, como se preparado para uma 
luta.
— Ele a ameaçou?
— Não. — Geneviève não sabia o que Hugh pretendia ao enviar a fita, mas não 
deixaria que ele a assustasse. Ela se levantou da cadeira e foi para perto da lareira. 
Atirando a fita nas chamas, ficou observando-a se encrespar e pegar fogo. — Vamos 
esquecer o assunto.
— Bevan precisa saber disso.
— Não. — Geneviève sabia que a fita fora enviada para lhe causar medo. Não 
queria que Bevan saísse atrás de Hugh e arranjasse mais ferimentos. O casamento 
havia colocado um fim em qualquer ameaça que Hugh pudesse representar.
— Tem certeza de que não quer que eu descubra quem mandou? — perguntou 
Ewan.
— Isso agora é parte do passado. — Enquanto a fita virava cinzas, Geneviève 
resolveu não pensar mais no assunto. Ela se concentraria no banquete de Natal do qual 
seria anfitriã. Com o tempo Hugh compreenderia que Geneviève não deixaria o passado 
controlar seu futuro.
Quando os ossos do leitão jaziam expostos, a carne macia devorada até sobrar 
apenas pedacinhos, todos se juntaram para ouvir as histórias de Trahern MacEgan. Ele 
havia passado os últimos meses viajando por Éireann e tinha acabado de regressar 
para casa. Bevan o convidou para participar do festejo de Natal.
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127
Maciço como um carvalho, Trahern tinha barba preta encaracolada e cabelo longo 
que passava do ombro. Seu peito era tão largo que nenhuma mulher conseguiria rodeá-
lo com os braços, e ele encorajou todas a tentar. Geneviève ficou envergonhada, mas 
participou da brincadeira por insistência de Ewan.
— Quantos irmãos você tem? — perguntou quando Bevan se aproximou. — Pensei 
que já conhecesse todos.
— Somos cinco vivos — ele disse. — Nosso irmão mais velho, Liam, morreu em 
batalha há dois anos. Patrick agora é o mais velho, depois eu, depois Trahern, Connor e 
Ewan. — Ele se sentou numa cadeira enquanto Trahern começava suas histórias.
— Seis filhos — ela refletiu, baixando a voz para não interromper o conto. — 
Muitos pais ficariam satisfeitos com isso. Nenhuma filha?
Bevan meneou a cabeça.
— Minha mãe continuou tendo esperanças, mas Deus deve ter achado que nós já 
bastávamos. — Ele entregou-lhe um copo de hidromel, tomando um gole do próprio 
cálice. — E você? Tem irmãos ou irmãs?
Ela assentiu.
— Dois irmãos. James é o mais velho, depois Michael. — Ela tomou um pouco de 
hidromel. — Foi bom Michael estar na Escócia e não saber o que Hugh fez comigo. Ele 
tem péssimo temperamento.
— Então é provável que eu e ele nos entendêssemos muito bem — disse Bevan. — 
Também fico de péssimo humor quando o assunto é Hugh.
Os olhos dele ficaram escuros, fitando Geneviève como se tentasse memorizar 
seus traços. Ela sentiu a pele arder e concentrou a atenção no próprio cálice.
— Você tinha outros pretendentes além de Hugh? — perguntou Bevan.
Ele aceitou um jarro de uma serva que passava. Então pôs a mão sobre os dedos 
de Geneviève enquanto lhe completava o copo. O contato causou uma pequena agitação 
dentro dela.
— Sim. — Geneviève escondeu o desapontamento quando Bevan afastou a mão. — 
Alguns eram bem bonitos.
Bevan estreitou os lábios.
— Eu sou bem bonito.
Geneviève deixou escapar uma risada espantada antes que percebesse.
— Claro que é.
Bevan desviou o olhar. Geneviève percebeu que o deixara embaraçado. Um leve 
rubor tinha surgido em seu rosto.
— Eu não estava falando sério.
— Eu estava. — Geneviève tocou a cicatriz recente. Incapaz de se conter, 
acariciou o rosto de Bevan.
Ele a olhava como se quisesse beijá-la. Geneviève conteve o fôlego, mas ele não se 
mexeu. Em vez disso, concentrou a atenção em Trahern.
— Já ouvi esta antes. Ele tem o dom de tornar qualquer história engraçada.
Geneviève não respondeu, sentindo que fora repelida mais uma vez. Ela bebeu o 
hidromel tão rápido que sentiu a cabeça girar.
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128
— O que aconteceucom seus pais? — perguntou Geneviève, embora suspeitasse 
que já estivessem mortos.
— Morreram há alguns anos. Antes de meu casamento com Fiona. Eles nunca 
teriam aprovado nossa união — ele acrescentou.
A confissão a surpreendeu. Imaginava que qualquer família teria alegremente 
aceitado a enaltecida Fiona como filha. Repreendeu-se mentalmente por ser tão 
maldosa. Mas uma parte secreta de si sentia satisfação por saber que nem todos 
idolatravam Fiona.
— Por que não teriam aprovado?
— Papai odiava os Ó Callahan... todos deles. — Quando o conto de Trahern 
acabou, o salão explodiu em gargalhadas e aplausos. Bevan ergueu o copo num brinde, e 
o irmão começou outra história. — Ele os chamava de ladrões de gado e coisas piores. 
Mas todos sabiam a verdade.
— O que quer dizer?
— Eles eram inimigos por causa de minha mãe. O rei Ó Callahan queria se casar 
com ela, e meu pai também.
— Mas sua mãe escolheu se casar com seu pai?
— Não, não foi escolha dela. — Bevan encheu o copo de Geneviève com mais 
hidromel, embora ela já tivesse bebido o suficiente para ficar tonta. — Ela preferia Ó 
Callahan, mas o pai dela a obrigou a casar com papai. — Bevan tomou um gole de sua 
bebida.
— Ela aprendeu a amá-lo?
— Mamãe tentou se divorciar, mas papai não aceitou. Dizem que teve que 
cortejá-la por um bom tempo. — Bevan parecia conter um sorriso — Toda semana ela 
ia ao tribunal exigir o divórcio, mas papai sempre a convencia a dar uma nova chance ao 
casamento deles.
Geneviève não conseguia imaginar uma mulher tentando se divorciar do marido. 
Tal coisa era rara na Inglaterra, a menos que houvesse um grau muito próximo de 
parentesco entre marido e esposa.
— Deixariam uma mulher se divorciar do marido?
Bevan assentiu.
— Existem sete razões que permitem uma mulher se divorciar e ainda ficar com 
seu coibche... seu dote. Mas minha mãe não conseguiu convencer o tribunal a não 
perder tudo, então desistiu. Mas, no fim, acabou amando meu pai — ele comentou.
— Como você sabe?
— Quando meu pai morreu vitimado por um ferimento de guerra infeccionado, ela 
ficou ao lado dele, segurando-lhe a mão. Foi assim que a encontramos, com a mão 
segurando a dele. Ela morreu meses depois.
— Amor é coisa rara num casamento — disse Geneviève. — Às vezes invejo os 
plebeus porque podem casar com quem quiserem.
— Todos podem escolher com quem casar aqui — disse Bevan. — Desde que os 
pais aprovem a união.
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129
Geneviève subitamente desejou que Bevan nunca tivesse conhecido Fiona. Então 
ele seria livre para amá-la. Eram pensamentos ciumentos, mas não conseguia evitá-los. 
Afinal, podia pensar o que bem quisesse.
— Como conheceu sua esposa? — perguntou Geneviève.
Seu estômago estava embrulhado por causa do hidromel. Comida aliviaria o enjoo, 
então comeu um pedaço de pão.
— Ela estava andando sozinha pela floresta quando cruzou com um javali. Ele a 
atacou, e eu o matei. Fiona tinha subido numa árvore para fugir e não conseguia 
descer. — Bevan tomou outro gole do hidromel. — Ela jamais gostou de alturas.
Trahern aceitou uma grande caneca de cerveja de uma criada e começou outra 
história com sua voz grave e estrondosa.
— Havia em Kilkenny uma moça que ficou com pena de um homem que foi deixado 
para morrer na beira da estrada...
Enquanto o conto prosseguia, Geneviève ficou absorvida com a mágica lenda da 
mulher que se apaixonou por um homem defeituoso. As vozes se misturaram num 
confuso zunido.
Ewan veio se sentar ao lado dela.
— Não durma — ele chamou. Geneviève piscou e viu que a história tinha 
terminado. Bevan tinha ido para junto dos parentes. Todos os homens de Rionallís 
estavam de pé, formando fila com suas espadas.
— O que está acontecendo?
— Os jogos vão começar. Os homens competirão para exibir suas habilidades de 
luta. Há prêmios para os vencedores.
— Que tipo de prêmios? — Ela bocejou e deixou que Ewan a levasse para mais 
perto, para um banco onde as mulheres se sentavam para assistir à competição. Um 
soldado troncudo tirou a túnica, revelando o peito musculoso. Os outros também 
tiraram as túnicas, arrancando aplausos das mulheres.
— Isso depende. Às vezes, é um animal, uma vaca ou porco. Às vezes, dinheiro. Às 
vezes, um beijo da moça que quiser.
É melhor ele não beijar moça alguma, pensou Geneviève ao ver Bevan entre os 
lutadores. O ciúme tinha retornado, embora tentasse manter em mente pensamentos 
mais condizentes com uma dama.
Trahern ergueu os braços e a multidão deu vivas. Com uma poderosa guinada, ele 
golpeou o estômago do primeiro soldado. O homem arfou, cambaleou, mas manteve-se 
de pé.
— O que ele está fazendo? — perguntou Geneviève, horrorizada.
— Um teste de força. Um homem tem que suportar a dor quando está em batalha 
— explicou Geneviève. — Trahern é o mais forte aqui.
Trahern continuou percorrendo a fila, lançando alguns homens ao chão com seus 
socos e quebrando as costelas de alguns, disso Geneviève tinha certeza. Quando ele 
alcançou Bevan, o silêncio dominou a multidão.
— Bevan está ferido — ela murmurou, lembrando-se do ombro dele. — Ele não 
machucaria o próprio irmão, não é?
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— Principalmente o irmão — comentou Ewan.
Mas quando Trahern desferiu o primeiro golpe na direção de Bevan, seu marido 
agarrou o pulso dele. Praticamente torcendo-o, Bevan moveu-se de uma maneira que 
fez Trahern perder o equilíbrio e cair no chão. Bevan pôs o pé na garganta do irmão.
— Vejo que depois de tantas viagens ainda não aprendeu a me superar.
Trahern deu uma sonora gargalhada. Segurando o pulso de Bevan, ele se pôs de 
pé. Com um gingado de quadris, ele debochou:
— Posso vencê-lo em outro assunto, irmão. Ao menos é o que as mulheres me 
dizem.
Geneviève gargalhou junto com os outros, mas sua atenção estava concentrada 
em Bevan. O hidromel lhe subira à cabeça, e ela pensava no belo guerreiro com quem 
tinha se casado. Sem a túnica, os músculos definidos brilhavam à luz do fogo. Meu, ela 
pensou.
O corpo dela esquentou ao imaginar como seria se ele esquecesse da promessa e 
a tomasse sua mulher de verdade.
Mairi veio se sentar ao lado de Geneviève no banco.
— A próxima disputa será com espadas. Bevan é o melhor de todos, mas não 
compete nessa.
— Por que não? — O olhar de Geneviève acompanhava o marido, que vestia a 
túnica.
— O prêmio para a competição de espadas é um beijo. O vencedor pode escolher 
a dama, que deve conceder o obséquio.
— Qualquer um pode entrar?. — perguntou Geneviève, observando Bevan se 
sentar perto dos competidores.
— Tá. Ali, veja — a primeira luta começou.
Dois soldados se enfrentavam com as espadas, bloqueando golpes e se 
esquivando. O pesado retinir de metal ecoava no salão de pedra enquanto os lutadores 
eram cercados por uma turba de animados espectadores. Umas poucas mulheres 
haviam chegado mais perto, enfeitando-se e esperando que o vencedor fizesse a 
escolha.
Por fim, um dos espadachins arrancou sangue do outro, que curvou-se derrotado. 
O vencedor tomou a mão de uma das moças e a puxou para um beijo sensual.
Ver o entusiasmado abraço dos dois amantes fez alguma coisa se agitar dentro 
de Geneviève. Embora pudesse ser errado, não conseguia expulsar os pensamentos da 
mente. Enquanto homem após homem se juntava à competição, a ideia se tornava mais 
forte em sua cabeça. Ela queria destruir a memória de Hugh para sempre e enfrentar 
os próprios medos.
A multidão silenciou outra vez quando o último lutador entrou no círculo, espada 
em punho.
— Ninguém vem lutar comigo? — ele perguntou.
O espadachim era Ewan. Rodeado pelos outros soldados, seu corpo franzino 
parecia fraco. Geneviève recordou das longas horas de treinamento, de como ele 
praticara seu jogo de pés.
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Todos imaginavam que ele perderia, ela concluiu. Sua reputação de péssimolutador fazia com que os outros se negassem a humilhá-lo.
Mas ela acreditava que Ewan prometia como lutador, apesar da pouca idade. 
Geneviève se aproximou da multidão e pegou uma espada de um dos curiosos. Ela 
sentiu o punho da espada esquentar em sua mão, mas manteve o pulso firme apesar do 
peso.
O homem quis protestar, mas Geneviève o silenciou com a mão. Ela ergueu a 
espada, sorrindo para Ewan.
— Eu lutarei com você.
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Capítulo Catorze
Gargalhadas e zombarias encheram o ar. Geneviève endireitou a postura e olhou 
zangada para os espectadores. Bevan meneava a cabeça, decidido a interromper a luta. 
Antes que pudesse alcançá-la, Geneviève apontou a espada para ele.
— Afaste-se, marido. Este desafio é meu, não seu.
— Não deixarei que você...
Geneviève brandiu a espada, encostando a ponta no peito dele.
— Pode lutar comigo depois que eu lutar com ele.
A multidão explodiu em gargalhadas. Trahern agarrou o irmão pelas costelas, 
puxando-o para trás.
— Quero ver a luta.
— Consegue vencer uma mulher, garoto? — zombou alguém.
As risadas enfureceram Ewan, que começou a baixar a espada, sentindo-se 
humilhado.
— Não dê atenção a eles — disse Geneviève. — Mostre o que tem praticado.
Ele parecia incerto, mas Geneviève repetiu:
— Mostre a eles.
Como ele continuava parado, Geneviève percebeu que teria de começar a luta 
atacando. Ewan esperou até o último momento para bloquear a lâmina.
— Isso é tudo que consegue fazer? — ela provocou. Foi recompensada com o 
olhar carrancudo de Ewan.
Ele a rodeou e atacou com um forte golpe. Geneviève mal conseguiu se defender 
desta primeira investida.
A espada dele se movia nas sequências que praticaram juntos nos últimos dias, e 
Geneviève percebeu que Ewan tentava ser brando com ela. Ewan não queria lutar com 
ela, mas não queria deixar parecer que era incapaz de lutar com uma mulher.
Precisava fazer com que ele parecesse bom. E a única maneira de conseguir isso 
era ela mesma lutar melhor. Investiu a espada contra ele com toda a força e, por 
instinto, Ewan aparou o golpe. Os efeitos do hidromel fizeram com que Geneviève 
cambaleasse, mas ela recuperou o equilíbrio a tempo de se esquivar do próximo ataque.
A multidão ficara silenciosa enquanto a luta prosseguia. Os pés de Ewan se 
moviam em padrões intrincados, indo de um lado para o outro. Geneviève viu uma 
brecha para atacar, pois os olhos dele estavam no jogo de pés novamente. Ela deixou a 
oportunidade passar, não querendo que ele parecesse um fracasso. Quando viu que 
Ewan erguia o olhar, atacou outra vez, sendo revidada por um golpe que fez seus 
dentes trincarem.
Ewan enfim estava relaxado, concentrando a atenção na luta simulada. A espada 
dele se movia mais rápido, e o braço de Geneviève doía com o esforço de se defender. 
Ela sabia que não aguentaria por muito tempo. Ewan parecia ter percebido também, 
pois a fitou nos olhos. Fizeram um acordo silencioso e em seguida ambos levantavam as 
espadas e encerraram a competição.
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— Eu não arrancaria sangue da esposa de meu irmão — declarou Ewan com um 
sorriso convencido.
Trahern deu uma sonora gargalhada e ergueu o braço de ambos, em sinal de 
vitória.
— Eu diria que ambos merecem o prêmio do vencedor. Ewan, vá escolher sua 
garota.
O rosto de Ewan ficou vermelho, mas ele segurou a mão da mocinha de tranças 
ruivas. Ela deu uma risadinha ao ser beijada, corando ao mesmo tempo.
— E você, Geneviève... Quem escolhe beijar? — Trahern ofereceu os lábios.
A multidão ria. Geneviève tocou o rosto de Trahern, mas meneou a cabeça, 
passando pela multidão. A atenção dela estava em Bevan.
— Escolho ele — ela disse, tomando a mão do marido. As pessoas gritaram em 
aprovação quando Geneviève se inclinou na direção do rosto marcado de Bevan.
A tensão dominou o rosto dele, mas Geneviève sabia que ele não a envergonharia 
recusando o beijo. Fingiria interesse, talvez até a beijasse. Mas não seria real.
A máscara de indiferença havia sido recolocada. Apenas o beijaria e acabaria 
logo com isso. Mas doía pensar que ele não a queria. O fingimento arruinava tudo.
Ela tocou os lábios dele num leve beijo e fugiu antes que Bevan pudesse reagir. 
Às suas costas, Geneviève ouviu Eoin tocando as flautas. As pessoas recomeçaram a 
dançar. Ninguém viria atrás dela. Escapou pela escada para o estreito corredor que 
levava ao quarto deles.
Bevan sentiu-se como na primeira caçada com o pai. Lembrava do medo nos olhos 
da corça antes de abatê-la com uma flecha. Geneviève olhara para ele da mesma 
maneira justamente agora, assustada, mas ansiosa por uma segunda chance. E ele não a 
dera. Tinha planejado dar o beijo que ela queria, fazendo parecer que tudo estava bem 
entre eles — um beijo entusiasmado entre marido e mulher. Mas ela o deixou parado 
sozinho, após lhe dar um beijo que uma criança teria dado no pai. Percebeu-se indo 
atrás dela, sem saber exatamente o motivo.
Bevan a viu parada à porta do quarto, o rosto pressionado contra a parede, os 
ombros trêmulos. Ele a fizera chorar.
O lamento surgiu dentro dele, que sabia só haver uma maneira de remendar seus 
sentimentos despedaçados.
— Geneviève — ele murmurou gentilmente. — Venha cá.
Ela se voltou. Bevan viu o desespero nos olhos dela. Ele venceu a distância entre 
os dois, segurando-lhe o rosto nas mãos. Não sabia dizer o motivo, mas sentiu 
necessidade de beijá-la de verdade.
Provou o sal das lágrimas de Geneviève, mas logo o calor de sua boca o distraiu. 
Ela respirou fundo e ele intensificou o beijo, persuadindo-a a abrir os lábios. Os 
braços dela lhe envolveram o pescoço, os polegares acariciando lentamente a nuca.
O beijo era gentil, uma humilde oferta de reparação. As línguas se encontraram, 
mas desta vez Bevan não lutou contra o desejo correndo por ele. As mãos desceram 
até os quadris dela enquanto se deixava perder completamente em Geneviève.
— Bevan, não precisa...
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— Shh. — Ele tomou-lhe os lábios novamente, ignorando as vozes de protesto em 
sua mente. Sabia que era errado, sabia que nunca deveria ter começado. Mas, em nome 
de Lug, ele a queria. Queria sentir a suavidade dela em seus braços.
Abriu a porta do quarto e a trancou depois de entrarem. Então tomou Geneviève 
de novo nos braços, pressionando-a contra a parede. Suas mãos tatearam os cordões 
do vestido, até sentir-lhe a pele cálida. Tomou os seios, acariciando os mamilos, 
enquanto lhe explorava a boca.
O desejo rugia com a força de uma tempestade. Os joelhos dela fraquejaram, 
mas ele a segurou, erguendo-a contra si. Sua mente estava vazia de qualquer coisa que 
não fosse Geneviève.
Equilibrou o peso dela contra a parede, o coração disparado enquanto procurava a 
pele nua. Linho se rasgava e cordões caíam enquanto sua boca lhe cobria o mamilo.
Foi então que notou que ela deixara de corresponder. Lágrimas escorriam pela 
face de Geneviève, que estava agarrada aos seus braços. Não tinha lutado contra ele, 
mas o medo terrível nos olhos dela fez Bevan perceber o que tinha feito. Rasgara-lhe 
a roupa no esforço de sentir a pele, sem pensar nos antigos sofrimentos pelos quais 
passara.
Geneviève não estava pronta para compartilhar a cama, não importava o que 
dissesse. A conclusão foi um balde de água fria em sua luxúria.
— Sinto muito. — Ele soltou Geneviève, que escorregou até o chão, os braços 
rodeando os joelhos. — Não pretendia assustá-la. Eu só...
Bevan passou as mãos pelos cabelos, sem saber o que dizer.
— Nunca a machucaria, Geneviève. Eu juro.
Ela não disse nada, tampouco olhou para ele.
— Eu a deixarei sozinha, se é o que quer — ele disse.
— Não. — Ela mantinha a cabeça abaixada, mas murmurou: — Não vá.
Bevan se sentou ao lado dela, ombro a ombro.
— Você me fez esquecer de tudo.
— Pensei que eu havia superado. Penseique seria diferente com você.
As palavras o atingiram como um soco. Bevan não gostava de ser comparado a 
Hugh, de maneira nenhuma. Queria argumentar que ele era diferente. Mas não tinha 
acabado de mostrar o contrário? Perdera o controle, forçando Geneviève a beijá-lo.
— Não a incomodarei novamente — ele prometeu. — Isso nunca deveria ter 
acontecido.
— Sei que precisamos consumar o casamento — ela sussurrou. — Depois não 
precisa me procurar. Não exigirei isso de você. — Não é sua culpa, Geneviève. Eu fui 
longe demais e você não estava pronta.
Lentamente, ela sentou-se ereta. Embora as lágrimas ainda estivessem ali, Bevan 
notou uma forte determinação.
— Posso ficar pronta — ela insistiu. — Ensine-me a não ter medo. Prometo que 
não o rejeitarei. Apenas... tenha paciência comigo. 
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— Não sabe o que está me pedindo. — Bevan não tinha este tipo de controle. E 
estava ficando difícil silenciar as vozes que o lembravam de que estava traindo Fiona. 
Não queria mais pensar na primeira esposa. Estava cansado de sentir o peso da culpa.
A mão de Geneviève lhe tocou a cicatriz.
— Confio em você — ela murmurou.
Bevan não queria este tipo de responsabilidade. Seu corpo a desejava, tá, mas ele 
não era o homem certo.
Queria recusar novamente, mas as palavras ficaram presas em sua boca. 
Geneviève havia apoiado o rosto no de Bevan, cujos braços a envolveram. Ele não 
conseguia falar, apenas abraçá-la. Imaginava se teria honra suficiente para afastá-la.
Geneviève tentava esconder as emoções. Não sabia que o medo retornaria 
daquela maneira. Não com Bevan. Mas nunca experimentara a violência de sentimentos 
que corriam dentro dela, a sensação de estar ardendo em chamas. Quando Bevan a 
pressionou contra a parede, os pesadelos retornaram. Hugh uma vez a prendera contra 
uma parede, surrando-a até que perdesse a consciência.
Não. Ela não pensaria mais nele. Manteria a promessa de conquistar sua 
liberdade. Se ao menos conseguisse ficar deitada quieta, se submeter a Bevan, tinha 
certeza de que ele afastaria seus fantasmas.
O polegar dele desenhou uma trilha pela gola da túnica, descendo até a cintura. 
Lentamente, Bevan a puxou de frente para ele.
As mãos dele buscaram o véu, e Bevan esperou que ela se afastasse. Como ela não 
o fez, soltou o véu, deixando que os cabelos de Geneviève caíssem sobre os ombros. A 
massa sedosa escorregou até a cintura em ondas escuras.
Ele mergulhou as mãos nos cabelos e notou a tensão voltar. Geneviève ainda 
estava com medo, embora lutasse contra isso.
Embora quisesse se deitar com ela, sentir o prazer que se negava há dois anos, 
foi o medo de Geneviève que o fez parar. Sabia que poderia ensiná-la a não temer o 
toque de um homem. Desde que não consumasse o casamento, poderia manter um tênue 
controle sobre a sua promessa de lealdade a Fiona.
As mãos de Geneviève se colocaram sobre seu peito. Timidamente, ela explorou a 
pele nua por baixo da túnica, traçando o contorno dos músculos. Bevan fechou os olhos, 
apreciando a sensação dos dedos dela.
Tanto tempo. Fazia tanto tempo que não deixava ninguém tocá-lo. Sentir 
Geneviève era como um bálsamo para seu espírito.
— Tem certeza disso? — ela perguntou. O medo era audível na voz trêmula. — Se 
não quiser que eu...
Bevan pôs um dedo sobre os lábios dela, deixando que a outra mão lhe buscasse a 
cintura. Ele a queria tanto que seu corpo estava pronto para se incendiar ao menor 
toque. Geneviève viera até ele, querendo que Bevan lhe afastasse os demônios. E faria 
isto esta noite. Ele a deixaria satisfeita, espantando seus temores sem quebrar a 
promessa a Fiona.
Trouxe os braços dela para seu pescoço e se inclinou. Os lábios se encontraram, 
os dela se abrindo quando Bevan os empurrou com a língua. Quando Geneviève 
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finalmente se rendeu, a língua dele adentrou o calor da boca, o fogo do desejo se 
tornando mais forte.
O voto de fidelidade estava prestes a se despedaçar de tão frágil. Esta era sua 
nova esposa. Aos olhos de Deus, deveria torná-la sua. E Geneviève estava ansiosa para 
aprender tudo que ele quisesse ensinar.
Deite-se com ela, a luxúria o incitava.
Bevan fechou os olhos, perguntando-se por que estava mantendo uma promessa 
feita a uma mulher morta. Assim como Hugh ainda comtrolava Geneviève com seu 
legado de medo, Fiona ainda dominava seu coração.
Geneviève se afastou, as mãos trêmulas. Bevan viu medo nos olhos dela, mas ali 
também existia confiança. Ela permitia que cada sentimento, cada parte dela fosse 
revelada.
— O que você...? — Geneviève se atrapalhou com as palavras, então respirou 
fundo. — O que você quer que eu faça?
— Nada. — Bevan sentiu a garganta apertada com a confissão. Não sabia 
identificar os sentimentos que tinha por ela, mas Geneviève conseguia afastar a 
escuridão de sua vida. — Ainda é muito cedo para você, a chroí.
Estava mentindo. Ainda era muito cedo para ele. Seu coração se equilibrava na 
beira de um precipício, sabendo que era hora de esquecer Fiona. Mas mesmo tocando 
Geneviève, mesmo apreciando a ideia de amá-la, não estava pronto para deixar de ser 
leal à antiga esposa.
Mas podia agradar Geneviève, oferecer-lhe satisfação e afastar-lhe os demônios.
— Devo ir embora? — ela perguntou.
Bevan meneou a cabeça. As mãos tomaram o rosto de Geneviève, os polegares 
acariciando as bochechas. Então ele colocou as mãos sobre os ombros dela, o olhar 
penetrante.
Ela se perguntava o que ele estava pensando, por que não respondia a sua 
pergunta. Então a boca de Bevan buscou a de Geneviève novamente, numa quente 
tempestade de aflição e desejo. Ela estremeceu, agarrando-se a ele enquanto sentia a 
pele arder. Sentia os músculos dele se flexionando, então começou a mover as mãos 
sobre a pele. O beijo invocava ardentes sensações de necessidade, fogo líquido se 
precipitava entre suas coxas.
O medo se concentrava na boca do estômago, embora Bevan não fizesse nada 
além de beijá-la. Geneviève lutava contra a onda de desejo, temendo se entregar a ela.
Bevan interrompeu o beijo, mas manteve as mãos delas nas suas. Geneviève sentia 
a mente tomada pela confusão. Ele levou a palma de sua mão aos lábios, deslizando a 
língua em seu centro. Geneviève estremeceu com a estranha sensação provocada.
— Você é linda, Geneviève. — Bevan segurou uma mecha dos cabelos e a levou aos 
lábios. — Não importa o que ele disse a você, acredite.
A mão dele agora lhe segurava o rosto, o polegar acariciando a pele macia sob o 
queixo. Bevan se inclinou para beijar aquele ponto, provocando-lhe um violento arrepio. 
A pele ardia de ansiedade.
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Ele falava em irlandês, murmurando palavras carinhosas, palavras que tocavam 
seu coração. Enquanto falava, os lábios dele desceram pela clavícula até o vale entre 
os seios.
— Esta noite lhe mostrarei como um marido satisfaria a esposa.
Bevan a levou para a cama, deitando-a sobre o colchão. Geneviève tremeu, 
tentando evitar as más recordações. A boca de Bevan lhe tomou o mamilo, umedecendo 
o tecido de sua roupa. Uma onda de calor a inundou quando a língua começou a circular 
o bico enrijecido. A respiração de Geneviève explodiu num arquejo quando ele sugou o 
seio, acariciando o outro com a mão. A outra não desceu até a junção das coxas, o 
polegar encontrando seu centro de prazer.
Geneviève mal conseguia respirar enquanto a boca de Bevan continuava o doce 
tormento em seu seio. Mas ela pressentia que havia mais.
— Preciso de você — ela murmurou, incapaz de impedir as palavras. Em resposta, 
Bevan procurou-lhe a boca, beijando-a profundamente. Geneviève temia que ele 
parasse, que lembrasse da primeira esposa e a rejeitasse. Mas não podia deixar que 
lhe despertasse tais sensações sem dizer como se sentia.
Geneviève o puxou para si, correndo as mãos porpele quente, até alcançar os 
quadris. Bevan se levantou e tirou a calça, ficando nu diante dela. Sua masculinidade 
estava rígida. Geneviève sentou na cama, fitando-o.
— Quer me tocar? — ele murmurou.
Geneviève ficou receosa, mas Bevan levou sua mão à extensão de seu membro. Ela 
nunca tinha tocado um homem desta maneira. Hugh adorava subjugá-la com sua força, 
mantendo-a presa até ela chorar de vergonha. Embora não tivesse tomado sua 
virgindade, nunca a tivesse violentado, Geneviève sabia que o dia chegaria.
Se não fosse a arrogância, a insistência em achar que faria com que ela o 
desejasse, teria acontecido. Mas não aconteceu.
Não havia vergonha com Bevan, só um novo despertar. E com o despertar veio a 
conclusão de que estava se apaixonando por ele. Isso doía demais, pois sabia que Bevan 
jamais a amaria.
Esperava que um dia ele pudesse enxergá-la como mais do que esposa e 
companheira. E consolou-se por saber que ele realmente a desejava. Tomou Bevan nas 
mãos. Ele fechou os olhos, inclinando-se para trás, deixando que ela o explorasse. 
Permaneceu imóvel enquanto ela acariciava seu membro. Genevieve percebeu que se 
tornava mais rígido quando se aplicava certo ritmo, que a respiração de Bevan ficava 
entrecortada.
Então ele pegou-lhe a mão e a levou aos lábios. Bevan se reclinou ao lado de 
Genevieve, deslizando o dedo sobre o tecido da sua túnica.
— Fiz uma promessa e pretendo mantê-la. Mas não conseguirei, se continuar me 
tocando assim.
Genevieve não sabia de qual promessa Bevan falava, mas obteve uma pequena 
sensação de vitória por ter o poder de fazê-lo esquecer de si mesmo.
Bevan a virou de costas, aninhando-a nos braços. Com uma das mãos afagava os 
seios, e com a outra foi abrindo caminho até o ponto úmido entre as coxas. Pôs um 
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dedo dentro dela, usando o polegar para acariciá-la, enquanto a outra mão continuava a 
provocar os seios.
Os violentos sentimentos de ansiedade voltaram, e Genevieve arqueou o corpo 
com as sensações do prazer. Contorcia-se enquanto o calor aumentava. Bevan 
esfregava seu mamilo com mais intensidade, e então enfiou um segundo dedo dentro 
dela.
Genevieve gemia enquanto ele continuava a deslizar os dedos para dentro e para 
fora. Bevan levou a boca ao ombro dela, mordiscando-a de leve enquanto o polegar 
aumentava a pressão em seu excitado centro de prazer.
De súbito, um fluxo incandescente de alívio irrompeu em Genevieve, sufocando-a 
com a mais incrível sensação de saciedade. Bevan a manteve abraçada enquanto os 
tremores pulsavam por seu corpo, erguendo-lhe o queixo para roubar um beijo.
Bevan tinha feito toda aquela maravilha por ela sem pedir nada em troca. Mas 
Genevieve queria retribuir, mostrar o quanto se importava com ele.
Sentia a rigidez da ereção às costas enquanto Bevan a aninhava novamente nos 
braços.
Genevieve se virou e sentou sobre os quadris dele. Com as mãos, envolveu a 
ereção. Bevan recuou, como se sentisse dor, resmungando, mas Geneviève percebeu 
que ele sentia desejo por seu toque. Encorajada, decidiu acariciá-lo, sentindo a rigidez 
da masculinidade em suas mãos. Bevan segurou-lhe os punhos.
— Não.
— Deixe — ela murmurou. — Deixe-me oferecer a você o que me ofereceu. — 
Geneviève afastou a roupa, deixando que Bevan visse seus seios. Inclinou-se para 
beijá-lo, roçando os bicos rígidos sobre o peito dele.
Sentir o calor da ereção entre as coxas úmidas só a deixou ansiosa para senti-lo 
dentro de si.
— Por favor, Bevan — ela murmurou.
A expressão sofrida no rosto dela fez com que Geneviève quisesse oferecer cada 
emoção, cada sensação que lhe fora proporcionada.
Muito gentilmente, Bevan puxou os quadris e afastou Geneviève para o lado. 
Ergueu os braços dela e a vestiu com a túnica outra vez. O ar determinado nos olhos 
dele mostrava que não mudaria de ideia.
Bevan a beijou outra vez e a puxou para si.
— Durma, Geneviève.
O corpo dela ardia de desejo insatisfeito, assim como o dele. Não entendia por 
que ele a rejeitou. Bevan não lhe era indiferente. Só podia rezar para que conseguisse 
de alguma forma quebrar o escudo que protegia o coração dele.
O pequeno jardim estava coberto de neve, os arbustos secos revestidos de gelo. 
No silêncio do amanhecer, Bevan caminhou em direção à retorcida nogueira que 
abrigava dois túmulos.
Ajoelhou-se diante deles. Uma roseira fora plantada entre os dois para que 
oferecesse flores na primavera. Os ramos espinhosos estavam nus, destituídos de 
vida. A mão de Bevan primeiro deslizou sobre a neve que cobria o túmulo da filha.
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Sentia-se grato por ao menos ter conhecido a doçura de seu abraço e a música de 
sua voz. Mesmo que a vida dela tivesse sido curta, Bevan tinha uma recordação na qual 
se agarrar.
Seus dedos afundaram na neve, os ombros curvando-se enquanto Bevan deixava o 
pesar vir à tona. Chorou a perda sozinho, permitindo que a dor o arrastasse feito uma 
maré. Então, enfim, ajoelhou-se ao lado do lugar de descanso de Fiona.
A dor que sentia por ela não era menor, mas havia abrandado. Reviveu lembranças 
da quieta diligência de Fiona, da maneira como tornou Rionallís um verdadeiro lar. Os 
dedos dela nunca estavam parados, sempre bordando, costurando ou fiando.
Bevan admitiu a verdade para si mesmo. Fiona não era feliz ali. Tentou Oferecer 
tudo a ela, seu amor, atender a cada desejo. Mas não parecia ser o bastante. Os 
sorrisos dela eram raros e, geralmente, reservados à filha, nunca a ele.
Mesmo agora doía reconhecer que ela não o amava da maneira como ele a amava.
Talvez continuasse se enganando, achando que sim se não fosse pela nova esposa. 
Geneviève lhe oferecera tudo, coração e mente. Quando olhou nos olhos dela, viu a 
intensidade dos sentimentos, a completa confiança. E a magoara porque não podia 
oferecer o mesmo.
Sua respiração formava nuvens no ar gelado enquanto ele tocava a terra que 
cobria o túmulo da esposa. Sabia da dor que Geneviève sentia e queria remediar os 
sentimentos dela. Mas nem tinha certeza de ser capaz de amar novamente.
Contudo, era hora de se livrar do passado. Não desejava mais cumprir a promessa 
feita, a de nunca deixar outra mulher entrar em seu coração. Casou com Geneviève 
achando que poderia se manter longe dela. Mas isso não era possível.
— Perdoe-me — ele murmurou para o túmulo da esposa. O silêncio rodopiava ao 
redor dele e o vento lhe atingia o rosto. Se Fiona estivesse viva, certamente o 
liberaria da promessa.
Bevan manteve a vigília junto aos túmulos, rezando pelas almas das duas. Rezou 
pedindo forças para deixá-las descansar e recomeçar a vida.
Às suas costas, veio o som de passos esmagando a neve. Virando-se, viu Ewan.
— Lionel Ó Riordan mandou uma mensagem. Os normandos estão atacando as 
terras dele novamente.
Era a luta que ele tinha previsto. Bevan havia jurado apoiar o amigo e Bado, 
prometendo ajudar quando ele precisasse.
— Mande os homens se armarem. Partiremos sem demora.
— Vou com você.
— Não. Você não está pronto para este tipo de batalha. Os homens de Ó Riordan 
já enfrentaram o inimigo antes, mas se ele pede nossa guarnição é porque estão 
perdendo a luta.
— Nunca estarei pronto para batalha nenhuma — retrucou Ewan. — Não aos seus 
olhos. Como poderei ganhar experiência se sempre devo ficar em casa?
Bevan agarrou o braço do irmão.
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— Lembra da noite em que Liam morreu? Lembra? Bem, eu lembro. Eu vi o maldito 
normando enterrar a espada na carne de nosso irmão. Não perderei outro irmão. Não 
se eu puder evitar.
Bevan viu a rebeldia adolescente surgindo nos olhos de Ewan e concluiu que o 
garoto poderia fazer algo perigoso se não abrandasse suas palavras.
— Além disso, preciso de você guardando a fortaleza e Geneviève.
— Elas estão bem protegidas — disse Ewan, os olhos ardendo de ressentimento.— Estou confiando tudo a você, Ewan. Sei que se algo acontecer aqui, posso 
contar com você para ir nos buscar. — Bevan apertou o ombro do irmão. — Posso 
confiar em você?
O rosto de Ewan estava rígido, mas ele assentiu em concordância. Bevan sabia 
que o irmão devia estar se sentindo uma ama-seca.
— Bom. Agora, dê ordens aos homens para que se preparem. E mande Geneviève 
vir ter comigo — ele disse. Ela não gostaria de saber que ele havia saído em batalha 
sem se despedir.
O irmão se foi para cuidar das ordens e Bevan permaneceu um pouco mais no 
jardim. Fez uma oração silenciosa pela esposa e pela filha, para que ambas 
encontrassem a paz nos braços de Deus.
Geneviève o encontrou no pátio interno. As bochechas estavam coradas por causa 
do vento, os olhos brilhantes. Bevan segurou-lhe as mãos, aquecendo-as nas suas.
— Senti sua falta de manhã — ela disse.
Bevan a puxou para um abraço, aspirando seu perfume.
— E eu de você. — Estava sendo sincero. Geneviève ocupava seus pensamentos 
cada vez mais, e Bevan se sentia feliz por tê-la ao seu lado.
Caminhavam lado a lado. Embora ela não falasse da iminente batalha, Bevan sabia 
que estava observando os homens armados e prontos para partir. Lamentava ter de ir, 
especialmente agora que finalmente fizera as pazes com Fiona. Mas este tempo longe 
lhe daria a chance de ponderar sobre seu próximo passo. Pretendia cortejar a esposa, 
fazer daquele um verdadeiro casamento.
— Lamento pela noite passada — disse Geneviève, falando apressada. — Eu não 
deveria ter pedido que viesse para minha cama. O hidromel...
Bevan a beijou, silenciando as palavras desnecessárias.
— Não dormi na noite passada — ele disse, acariciando o rosto dela. — E quando 
eu voltar, se você estiver disposta, farei com que não durma durante a noite também.
O rubor no rosto dela dizia que Geneviève sabia exatamente do que ele estava 
falando. Com um sorriso, Bevan a deixou parada no pátio, os pensamentos inflamados 
com a promessa de torná-la sua esposa.
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Capítulo Quinze
Geneviève se perguntava o que teria feito Bevan mudar de atitude, mas em vez 
de se encher de alegria, sentia-se preocupada. As dúvidas a atormentavam, uma 
vozinha lembrando-a de que nunca fora capaz de agradar Hugh. Por quanto tempo 
duraria o desejo de Bevan? Também se sentiria insatisfeito com ela?
Tentou silenciar a voz com trabalho. Nos dias seguintes, entregou-se a qualquer 
tarefa que mantivesse suas mãos ocupadas.
Ewan tinha ficado para cuidar de Rionallís, sob ordens de Bevan. Geneviève se 
perguntava quanto tempo o marido ficaria fora, e Ewan assegurou que provavelmente 
seria questão de dias. Neste meio tempo, Ewan decidiu descobrir mais sobre a fita 
enviada por Hugh, apesar dos protestos dela. Ewan insistia em dizer que o assunto não 
podia ser ignorado.
Geneviève suspeitava que ele estava mais interessado em ter um motivo para 
ficar espionando os outros em descobrir o mistério. Mas isso o mantinha ocupado, 
então ela não se importou muito.
Com a ajuda das criadas, Geneviève limpou a lareira e forrou o chão com junco 
fresco. Quando se viu esfregando as paredes, procurando por teias de aranha, 
percebeu que já fizera o bastante.
Bevan a proibiu de mexer no quarto que havia compartilhado com a primeira 
esposa, exceto para limpeza. A nova cama a lembrava da promessa de consumar o 
casamento, e Geneviève imaginava se ele cumpriria a palavra. Fariam amor naquela 
cama? Ou o fantasma da esposa ainda o assombraria? Ela não temia mais o toque de 
Bevan, mas estava preocupada em agradá-lo.
Seu olhar se deparou com o baú perto da parede. Geneviève sabia qual era o 
conteúdo dele muito antes de Bevan proibir que fosse aberto. Lá dentro havia 
vestidos, uma medida de linho rosa e um gorro de criança. Geneviève tinha 
experimentado um dos vestidos meses atrás, embora lhe fosse muito curto. Havia 
imaginado como seria a vida das pessoas que moravam ali antes dela.
Agora sabia e compreendia o pesar que a descoberta evocava. Havia amor naquele 
baú, embrulhado em ervas para que fosse preservado. As recordações de Bevan 
estavam ali.
Geneviève abriu o baú novamente, afastando os vestidos, segurando o gorro na 
palma da mão. Tão pequenino. Não conseguia imaginar a dor que Bevan devia sentir.
Será que Bevan realmente deixara as recordações para trás? Ou ela havia 
meramente incitado sua luxúria? Queria que Bevan a amasse como amara Fiona.
Por que abrir a caixa de Pandora? Por que se permitir sonhar se Bevan tinha o 
poder de destruir seu coração? Geneviève fechou os olhos. Embora isso pudesse fazer 
dela uma tola, uma tola ela seria.
De repente, Ewan irrompeu no quarto. Parecia sem fôlego, como se tivesse 
corrido.
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— Um pequeno grupo de normandos. Ao norte. Ordenei que os homens fiquem de 
guarda.
Geneviève se levantou.
— Qual o propósito deles?
Ewan meneou a cabeça.
— Não sei. Mas descobrirei.
Saiu do quarto a toda a velocidade, e Geneviève conteve o nervosismo. Endireitou 
a roupa, assegurando que o cabelo estivesse devidamente coberto. Descendo, ordenou 
que trouxessem bebida e lavapés para os convidados. Ela os consideraria assim até 
saber a razão da visita.
Pouco tempo depois, Ewan retornou. O rosto apresentava um ar zangado.
— Sir Hugh Marstowe está com eles. Devo dar ordem para atacar? — Os olhos 
dele brilhavam de animação.
O coração dela deu um pulo. Geneviève se controlou, tentando lembrar que estava 
bem protegida, mesmo sem a presença de Bevan.
— Quantos são?
— Só dez. Seria uma batalha curta — insistiu Ewan.
Geneviève sabia que devia negar a entrada de Hugh e mandar que os guardas os 
despachassem para longe. Era a coisa certa a ser feita.
Mas pensou novamente na fita que ele enviara. O que Hugh pretendia? O que ele 
queria? Ela já estava casada com Bevan, seus filhos herdariam Rionallís. Caso tivesse 
filhos, pensou com um suspiro.
Lembrou da promessa do marido e sentiu o corpo arder. Antes de entregar-se 
nos braços de Bevan, havia uma última lembrança a ser extirpada: a terrível noite em 
que Hugh tentou se forçar sobre ela, e quase conseguiu.
Ele a manteve presa, esmagando-a com seu peso.
— Não pode me rejeitar — dissera. — Serei seu marido.
Os punhos a machucaram, rasgando suas roupas até que ficasse exposta aos olhos 
dele. Geneviève lutara, mas a força de Hugh superava a dela.
— Se fizer isso, eu o odiarei para sempre — ela havia murmurado.
E, por alguma razão, Hugh parou. A ira dele não havia diminuído, nem a luxúria, 
mas as palavras dela o detiveram. Hugh tentou persuadi-la novamente, insistindo que 
poderia lhe dar prazer. Geneviève chorou até ele finalmente deixá-la em paz.
Sentia um medo devastador desde então. Geneviève nunca se livraria disso se não 
enfrentasse Hugh.
Ali estava a chance de recuperar seu orgulho, de olhar na face do inimigo e 
deixar que ele visse que ela não seria vencida. As mãos tremiam ao alisar o léine.
— Deixe que entrem. Falarei com ele.
Ewan parecia incrédulo, mas Geneviève lhe deu mais uma ordem.
— E quero 20 guardas aqui comigo. Além de você. — Ela lhe exibiu um pequeno 
sorriso. — Vai me proteger, não é, irmão?
O orgulho explodiu no rosto de Ewan, que assentiu.
— Claro.
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Os instantes se passavam e Geneviève andava de um lado para o outro. A cada 
passo, o coração batia mais rápido, fazendo com que o medo a dominasse novamente.
— Geneviève. — Ela se virou e Hugh exibiu um tímido sorriso. O rosto estava bem 
barbeado, o cabelo louro cortado curto. Trajava apenas uma leve armadura, o elmo 
cônico debaixo do braço. — Vejo que recebeu minha mensagem.
— O que você quer? — ela perguntou. Para sua surpresa, a voz soava calma.
— Queria me desculpar por meus atos — ele disse. — Sei que perdi a calma às 
vezes. Você sofreu violência, e me sintoculpado por isso. — Hugh parecia embaraçado, 
em especial com tantos guardas olhando para ele. — Não podemos conversar em 
particular? — ele perguntou. — Há mais coisas que gostaria de lhe dizer.
— O que tem a dizer pode ser dito aqui — ela respondeu. — Você perdeu minha 
confiança há muito tempo.
Ele baixou a cabeça em concordância.
— Sim. — Hugh deixou o remorso transparecer no rosto. Parecia ser sincero, algo 
que Geneviève não esperava. A expressão trazia um vislumbre do homem que ela amou 
um dia, o homem que a tratava com gentileza.
— Vim dar minhas felicitações pelo casamento. E pedir perdão por meus atos.
Geneviève não acreditou nele.
— Que outras razões o trazem a Rionallís? — Ela foi direta, não querendo 
prolongar a visita.
O sorriso dele diminuiu.
— Está feliz com o irlandês?
Geneviève não disse nada enquanto Hugh sentava num banco e desamarrava as 
botas. Como anfitriã, era de se esperar que ela lhe lavasse os pés. Mas Geneviève não 
ousaria se ajoelhar diante dele. Em vez disso, sinalizou para que um servo o atendesse.
Ela cruzou os braços.
— Estou. E eu não desafiaria as ordens de nosso rei.
Hugh tomou um gole do hidromel servido por uma criada e calçou as botas de 
novo.
— Lembra de quando lhe dei aquela fita? Na feira? — Ele sorriu, como se 
recordasse. — Você me deu um beijo por isso.
— Isto é passado, Hugh. Por que fala disso?
Ele se aproximou e tentou segurar as mãos dela. Geneviève recuou, repugnada 
com o toque.
— Você já me amou — ele disse. — Você já me desejou. Pertencemos um ao outro.
Não, você pensou que eu lhe pertencia, ela queria dizer. Ao invés, cerrou os 
dentes e o encarou.
— Diga o que quer, Hugh.
— E se eu conseguisse anular sua união? — ele perguntou em tom suave. — 
Poderíamos pertencer um ao outro mais uma vez. Dê-me uma chance, Geneviève. — Ele 
acenou para um servo, que apresentou um pequeno baú de madeira. — Trouxe este 
presente para você. Só peço que considere minhas palavras. — Erguendo a tampa, 
Hugh exibiu um cordão de ouro com safiras.
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Geneviève mal conseguia conter a raiva. Ele achava que podia apagar o passado 
com uma jóia?
— Não quero o anulamento, Hugh. — E, para garantir que não houvesse engano, 
acrescentou: — E não me casaria com você nem que fosse o último homem da terra.
O rosto dele ficou rubro de raiva.
— Não perdeu a altivez, não é? Seria melhor aprender a se submeter à 
autoridade de um homem. Aposto que seu irlandês não sabe como domá-la.
— Saia — ordenou Geneviève. — Não serei insultada em minha própria casa.
— Talvez não seja sua por muito tempo — insinuou Hugh. — Não com seu marido 
ausente em batalha. Ele poderia ser morto. E o que seria de você então?
Geneviève engoliu em seco, mas se manteve firme.
— Mandei que saísse. Meus homens o levarão para fora.
— Pense em minhas palavras, Lady Geneviève. Basta uma única flecha para acabar 
com a vida de um homem. Seu marido está combatendo o exército dos homens de 
Richard de Clare. Minha espada ainda pode encontrar a dele.
Com estas palavras, Hugh partiu. Geneviève esperou que ele tivesse indo embora 
para desabar num banco. Cobriu o rosto com as mãos, esfregando as têmporas. Hugh 
estava certo. Se algo acontecesse a Bevan, ela não estaria segura.
Geneviève não dormiu naquela noite, nem na seguinte. Sempre que fechava os 
olhos, o rosto de Hugh aparecia para zombar dela. Então seus punhos recaíam sobre 
ela, até que enfim acordasse suando de pavor.
Mairi notou sua falta de sono e se ofereceu para fazer um chá de ervas. Quando 
Geneviève recusou, ela ficou fazendo estardalhaço até convencê-la a beber. Tinha 
gosto de camomila e menta. Geneviève mentiu dizendo que se sentia melhor.
— Você precisa se livrar desta tristeza, Geneviève — repreendeu Mairi. — Séan, 
o cervejeiro, a convidou à casa dele esta noite. Você vem, não é?
Geneviève não se sentia disposta para visitas, mas considerou que seria rude 
recusar. Seu relacionamento com os arrendatários progredia lentamente. Eram 
pessoas orgulhosas, algumas mais bondosas que outras. Decidiu ir, na esperança de 
ganhar o coração daqueles que ainda se ressentiam de sua origem normanda.
Mairi a levou ao pequeno pedaço de terra, cujo campo estava coberto de neve. 
Apressou Geneviève a sair do ar frio e entrar na cabana em forma de colmeia, onde a 
turfa oferecia agradável calor.
— Ah, aqui estamos! Este é Séan. Se quiser ouvir mexericos, este é o homem. 
Nosso Séan sabe de tudo.
Um homem corpulento de bochechas vermelhas sorriu e ofereceu um caneco de 
cerveja a Geneviève.
— Seja bem-vinda, Geneviève.
Dentro da pequena cabana, vários homens e mulheres estavam reunidos para 
compartilhar da comida, da bebida e da diversão. Geneviève bebeu e achou a cerveja 
boa, apesar de forte.
— Imagino que queira saber de Fiona MacEgan, estou certo? — perguntou Séan, 
acendendo o cachimbo.
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O ciúme se infiltrou em Geneviève, mas ela ignorou a emoção.
— Prefiro saber mais sobre Bevan — ela disse, corrigindo o palpite dele.
Mas o ciúme devia estar evidente em seu rosto, pois Séan riu.
— Ora, precisa saber mais sobre Fiona para compreender Bevan. — Ele desatou a 
explicar a rixa com os Ó Callahan, muito sobre a qual ela sabia através de Bevan. Mas, 
ao longo da história, tornou-se claro que as pessoas adoravam Fiona.
— Ela era a mais bela Ó Callahan de todas — comentou Mairi.
— O que aconteceu com ela? — perguntou Geneviève. — Sei pouco sobre a noite 
em que ela morreu.
Séan serviu mais bebida a todos. Retomando seu lugar no banco, acendeu o 
cachimbo.
— Isso posso lhe contar. E talvez você entenda por que Bevan sofre tanto depois 
de ouvir a história.
Séan deu uma baforada de fumaça.
— Dois anos atrás, Bevan levou Fiona numa visita a Laochre. Só havia se passado 
um mês desde a perda da filha, Brianna, para a febre. Ambos sofriam. Laochre foi 
atacada. Bevan mandou Fiona ficar na fortaleza. Você sabe como ele se orgulha de 
suas habilidades de batalha. Bevan matou mais de trinta homens no dia em que 
Strongbow atacou.
A sala havia se tornado silenciosa, e Séan continuou:
— Nossa tribo lutou contra os invasores normandos... — ele fitou Geneviève, não 
querendo ofendê-la — ...e embora Fiona não fosse do tipo que desobedece, foi o que 
fez naquele dia. Pode ter sido a aflição causada pelo ataque ou o medo pela vida de 
Bevan. Ela saiu da fortaleza à procura dele. Bevan a viu correndo de um grupo de 
soldados normandos, gritando por ajuda enquanto era perseguida. Ele lutou com todas 
as forças para impedir que ela fosse levada, mas um soldado o atingiu na cabeça. 
Ninguém conseguiu socorrer Fiona a tempo.
— O que aconteceu depois? — perguntou Geneviève.
Séan clareou a garganta e deixou o cachimbo de lado. Seu semblante se tornou 
pesaroso.
— O corpo dela foi encontrado mais tarde. Queimado. Ela deve ter escapado para 
uma das cabanas que foram incendiadas pelos normandos. Se não tivesse deixado a 
fortaleza, talvez estivesse viva.
A atmosfera na cabana fora tomada pela tristeza. Geneviève percebeu que a 
noite chegava ao fim. Agradeceu a Séan pela hospitalidade e ele lhe prometeu um 
barril de sua melhor cerveja como presente de casamento.
Quando chegou ao portão de Rionallís, a movimentação chamou a atenção de 
Geneviève. Um grande grupo de homens, cansados da batalha, entregava os cavalos aos 
cavalariços. Geneviève vasculhou o grupo até localizar Bevan.
A armadura dele estava suja de lama, manchas de sangue cobriam o rosto e as 
roupas. Uma espessa barba lhe cobria as bochechas e o queixo, mas os olhos verdes a 
fitavam com intensidade. Genevieve correu até ele, que desmontou.
— Está ferido? — Ela tocou o sangue no rosto dele, procurando por ferimentos.
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Ele meneou a cabeça.
— Só alguns arranhões. Mas derrotamos os normandosque estavam atacando a 
gente de Lionel. Ele jurou nos ajudar se um dia precisarmos.
Genevieve lembrou das ameaças de Hugh e ficou agradecida por ter outro aliado.
— Vai me obrigar a ficar aqui fora? — perguntou Bevan, a voz com um loque de 
humor. — Ou prefere me ajudar a me aquecer? — A voz de tenor revelava um duplo 
significado que fez Genevieve corar.
— Venha para dentro. — Ela lhe segurou a mão para conduzi-lo à fortaleza, mas 
Bevan parou e levou a mão dela aos lábios.
— Pensou em mim? — ele perguntou baixinho.
Genevieve assentiu, o coração disparado. Parecia que Bevan não tinha esquecido a 
promessa. Esta noite ele se deitaria com ela, que se esforçaria para ser uma boa 
esposa.
Mas como tinha medo do leito nupcial! Embora Bevan tivesse lhe despertado 
muitas sensações, sabia que isso mudaria quando seus corpos se unissem. Genevieve 
adorava ser beijada e acariciada por ele, mas a união seria dolorosa. Talvez esta parte 
fosse rápida. Era o que ela esperava.
— Quer comida e bebida? — ela perguntou, o nervosismo fazendo com que 
falasse mais rápido que de costume. — Posso pedir que lhe tragam algo. Game, ou 
queijo, ou pão?
— Tá. Estou faminto. — Ele se inclinou para beijá-la, a boca não deixando dúvida 
de que estava faminto. Genevieve estremeceu quando ele a libertou do abraço. — 
Mande que me preparem um banho. E diga que levem comida e vinho lá para cima. 
Quero sua companhia enquanto como.
Quando ela saiu para dar as ordens, o corpo de Bevan esquentou de ansiedade. 
Durante todo o tempo em que estivera lutando, mantinha a imagem dela na cabeça. 
Imaginava Genevieve esperando por ele para lhe ensinar os prazeres do amor. Queria 
ver o amor nos olhos dela quando a levasse ao êxtase.
Havia subido metade da escada quando Ewan o interrompeu.
— Hugh Marstowe esteve aqui durante sua ausência. — Ewan pôs a mão sobre o 
punho da espada. — Mandei alguns homens segui-lo.
— Por que ele veio? — Bevan lembrava da maneira como sir Hugh o desafiou em 
Tara. O homem queria Rionallís. Não duvidava que Marstowe fosse ameaçar Genevieve.
— Ele alegou querer felicitar Genevieve pelo casamento. Mas vi a cobiça nos olhos 
dele. Ele quer tomar o seu lugar — disse Ewan. — E avisou Genevieve do que 
aconteceria caso você morresse. Maldito normando.
— Por que o deixou entrar?
— Eu não queria. Genevieve permitiu que ele entrasse. Mas mantive os homens 
bem armados. Ele não a molestou.
Bevan suspeitava dos motivos de Genevieve. Ela sabia do que o homem era capaz. 
Então por que se colocaria em perigo?
— Até onde seus homens o rastrearam? — ele perguntou.
— Tomaram a direção de Tara — respondeu Ewan.
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Para apelar ao rei, sem dúvida. Insistiria no caso antes que Henrique regressasse 
à Inglaterra. Bevan rangeu os dentes.
— Fez muito bem ao me informar disso.
Ele firmou o olhar no irmão e, então, percebeu um ar de maturidade, Ewan 
aceitara a responsabilidade de guardar Genevieve e obteve sucesso. Era um vislumbre 
do homem que um dia poderia ser.
Deu um tapinha no ombro de Ewan.
— Muito obrigado, irmão.
Ewan assentiu embaraçado antes de se juntar aos outros no salão. Ele tratou de 
ir comer, embora Bevan visse o orgulho em sua postura. Ainda havia esperança para o 
garoto.
Lá em cima, parou diante da porta do quarto de Genevieve. Não, agora era o 
quarto deles, embora antes o compartilhasse com Fiona, Ao invés da raiva que sentiu 
quando Genevieve ordenou a destruição da cama, agora sentia remorso. Mas era 
melhor que a velha tivesse sido substituída, permitindo que nada do passado se 
colocasse entre eles.
Abrindo a porta do quarto, encontrou Genevieve sentada num banco perto do 
fogo. O cabelo estava solto, caindo sobre o léine creme. Ela mau tinha as mãos sobre o 
colo e olhava para o baú perto da parede.
— Ewan me contou que Marstowe esteve aqui — ele disse.
Genevieve assentiu.
— Sim.
— Diga-me o que aconteceu. — Bevan mantinha o tom firme, precisava entender 
os motivos dela. — Por que abriu os portões para ele?
Genevieve o fitou diretamente nos olhos.
— Passei semanas fugindo dele. Era hora de parar.
— Ele podia ter molestado de você. — Bevan acariciou-lhe a bochecha, onde antes 
existia o hematoma.
Genevieve apertou a mão dele junto ao rosto.
— Eu sei. Mas queria enfrentá-lo. Queria que ele visse que não permitirei que 
meus medos continuem me controlando.
— Por quê? — Visões do que poderia ter acontecido surgiam na mente dele. — Por 
que se colocar em perigo deste jeito?
— Porque eu sabia que seus homens me protegeriam. Mesmo sem você aqui.
Aquela demonstração de confiança era a última coisa que ele esperava. Bevan não 
sabia o que dizer, então pôs as mãos sobre os ombros dela. Massageou a tensão no 
pescoço de Genevieve, jogando-lhe os cabelos por cima de um dos ombros. Genevieve 
encostou o rosto nele, fechando os olhos.
— Hum.
Bevan a pôs de frente para ele. Genevieve enlaçou seu pescoço com os braços, 
escondendo o rosto nele novamente.
— Senti sua falta.
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148
Ele a abraçou forte, sentindo uma onda de ternura. A fé que Genevieve 
depositava nele fez com que desejasse lhe oferecer algo em troca.
Segurando o rosto dela entre as mãos, Bevan a beijou. Ela correspondeu, 
beijando seus lábios com doçura. Fiona nunca o fitou como Genevieve. Sentia-se 
poderoso por saber que podia fazê-la sentir a mesma paixão que ele sentia. Uma 
paixão que nunca teve pela primeira esposa.
Genevieve deslizou o dedo pela cicatriz na face esquerda, depois na direita.
— As batalhas tiraram meus atrativos — ele provocou.
Ela meneou a cabeça.
— Não. As cicatrizes mostram sua força. — Genevieve beijou cada uma delas. A 
pele de Bevan esquentou ao toque dos lábios, o corpo se erguendo em busca dela.
— Tenho outras cicatrizes — ele comentou, olhando para a cintura. Genevieve riu, 
as bochechas ficando coradas.
Bevan tirou o cinto da espada, então removeu a túnica. Com o peito exposto, 
tomou Genevieve nos braços de novo, dando-lhe um beijo na nuca.
— Pediu o banho?
— Pedi.
Bevan tirou o resto das roupas, ficando nu diante dela.
As faces de Genevieve coraram, mas ela não desviou o olhar. Seu coração 
disparou de ansiedade, Sendo um bravo guerreiro, o corpo de Bevan carregava várias 
cicatrizes de incontáveis batalhas. A pele sobre a ferida no ombro enfim cicatrizara, 
uma marca que carregaria por causa dela.
Não havia um grama de gordura no corpo magro e musculoso. Quando ele afundou 
na tina de água, o cabelo escuro alcançou o pescoço. Os olhos verdes a chamaram num 
mudo convite.
Genevieve pegou um pano para esfregá-lo, mas Bevan a deteve.
— Use as mãos — ele disse num profundo sussurro.
Ela esperava ter que se submeter ao marido, ficar deitada para que lhe fizesse o 
que quisesse com seu corpo. Nunca imaginou que Bevan pediria para que assumisse 
comando.
— Não posso.
— Tá, você pode. — Bevan segurou a mão dela, pôs sabão e a colocou sobre o 
peito. Deslizou a palma sobre os músculos definidos, sobre as cicatrizes, e o gesto a 
assustou.
Genevieve não era boa com essas coisas. Nunca o agradaria da maneira como ele a 
agradava. Quando tentou puxar a mão, Bevan a segurou, perguntando:
— Por que está com medo?
— Não estou com medo.
Mentirosa, ela pensou. Embora tentasse esconder, Bevan não se deixava enganar.
— Ele a machucou. Sei que está pensando nele agora.
— Não estou. — Mas Genevieve sabia que ele via através de sua pretensa 
coragem. Ele estava certo em parte. Ela estava se lembrando de Hugh. Mas também se 
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lembrava de que Bevan a rejeitou na última vez. E se ele fizesse isso novamente? E se 
o desagradasse?
Bevan segurou-lhe os pulsos, mantendo-a ao lado da tina.
— Você disse que queria se livrar dele.
— E eu q-quero — ela gaguejou. — Se quiser, tiro o vestido e me deito na cama.
— Vocênão merece ser tomada desta maneira — disse Bevan, beijando o interior 
dos pulsos dela. Uma espiral de desejo a fez estremecer. Não quero que sinta medo. — 
Levou a mão de Genevieve ao peito, afundando-a na água. — Então deixarei que me 
tome.
Bevan lhe acariciava a mão, puxando-a até seus quadris. Os olhos de Genevieve se 
arregalaram.
— Mas eu já disse... não sei como.
— Faça o que quiser — ele disse. — Deixo tocar qualquer parte de mim. Esta 
noite serei seu servo.
Genevieve ficou estática, mal conseguindo respirar.
— E se você não gostar?
— Garanto que vou gostar. — O olhar se tornou mais provocante, a voz sedutora. 
— Por que não vem para a tina comigo?
— Não há espaço para nós dois.
— Haverá se sentar no meu colo. — Ele sorriu, malicioso. — Acho que não beijou 
todas as minhas cicatrizes. Tenho mais algumas.
Então Genevieve percebeu o que ele estava fazendo. Estava assegurando que ela 
não tivesse lembranças de Hugh para interferir. Ela estava no comando, ele não a 
forçaria a nada que não quisesse. A inebriante sensação de poder a ajudou a reunir os 
fragmentos de sua coragem.
— Terei que tirar o vestido — ela disse. A única resposta de Bevan foi um 
sorriso.
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Capítulo Dezessseis
A água escorreu pela borda da tina e Genevieve quase perdeu o equilíbrio. Bevan 
a segurou pela cintura, girando-a para que ficasse sentada em seu colo de costas para 
seu peito. Ela sentiu a ereção pressionando suas costas, e isso reavivou o medo.
Genevieve ficou tensa, tentando reunir coragem. Este era Bevan, não Hugh. Ele 
não a machucaria.
Depois de um instante, decidiu se encostar, o cabelo caindo dentro da água. Os 
braços dele a envolveram, um pouco acima dos seios, e Bevan a beijou na cabeça.
— Todos os banhos deveriam ser assim — ele disse.
— Não acha que está apertado?
— Nem um pouco. — Ele baixou as mãos, roçando nos seios antes de afundá-las na 
água. Genevieve tocou os joelhos dele, deslizando as mãos pelas coxas, depois até as 
panturrilhas e os pés. Explorava a pele de Bevan, tão diferente da sua. As pernas eram 
fortes, os músculos desenvolvidos depois de anos cavalgando. Quando ela alcançou os 
dedos, ouvia uma risada abafada às costas.
— Você sente cócegas — ela acusou. Como Bevan não respondeu, Genevieve lhe 
fez cócegas na sola dos pés, e ele se sacudiu tentando conter a risada. Mais água 
espirrou para o chão.
A risada dele a deixou relaxada. Buscou-lhe o pé novamente, mas desta vez Bevan 
lhe agarrou as mãos, colocando-as sobre seus seios. A sensação de tocar a si mesma a 
deixou consciente do próprio corpo.
— E você? — Os dedos dele conduziam as mãos de Genevieve numa leve carícia 
sobre os mamilos, despertando-lhe o desejo. — Isso faz cócegas?
Bevan a virou de frente para si, colocando as pernas dela ao redor de sua cintura. 
Tomou um dos mamilos na boca, fazendo Genevieve ofegar. A língua circulava o bico 
rígido, sugando até fazer o sangue dela disparar pelas veias.
— E isso?
Com a respiração acelerada, Genevieve sentia um afluxo de calor entre as coxas.
— Minha vez — ela murmurou.
Encorajada com as carícias dele, Genevieve baixou as mãos na água para lhe 
afagar o membro. Bevan estremeceu, o rosto se contorcendo no esforço de manter o 
controle. Genevieve deslizou as mãos sobre o peito dele, beijando cada cicatriz, os 
lábios descendo lentamente até alcançarem a água.
Bevan a deteve e ficou de pé. Gotas d'água escorriam por seu corpo enquanto 
Genevieve se ajoelhava. Percorreu com a boca uma cicatriz na coxa de Bevan. Ele 
estremeceu.
— Vê o que faz comigo? — ele perguntou num rouco murmúrio.
A masculinidade estava completamente ereta, e Genevieve voltou a ficar 
apreensiva. Bevan saiu da tina, sem se importar com os respingos d'água, e pegou uma 
toalha. Genevieve se levantou, deixando que ele a enrolasse.
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151
Num rápido movimento, Bevan a ergueu nos braços e a carregou para a cama. Ele 
a deitou de costas, beijando-a intensamente, as línguas se procurando. Nunca se 
sentira assim com uma mulher, nem mesmo com a esposa. Por que pensava em se negar 
o prazer de ter Genevieve?
Puxou Genevieve para ficar por cima, sentada sobre seus quadris. A pele clara 
estava arrepiada, os mamilos eretos e úmidos do banho. Bevan abarcava-lhe a cintura 
com as mãos, acariciando quadris e nádegas.
Ela ficou paralisada, observando-o. Bevan esperava que ela visse o quanto a 
desejava, o quanto queria que fosse bom para ela.
— Você tinha razão — disse Genevieve. — Estou com medo.
— Não tenha medo. — Bevan ergueu-lhe os quadris até ficarem suspensos sobre 
sua masculinidade. Um pequeno gemido brotou dos lábios de Genevieve ao aceitar uma 
fração dele dentro de si. Bevan se forçou a ficar parado, deixar que ela tomasse a 
decisão de continuar ou não.
Lug! Não sabia se poderia suportar aquela doce tortura. Seu corpo estava 
prestes a explodir, contudo Genevieve se moveu com excruciante lentidão. Mais fundo.
A quente umidade de seu corpo apertava-lhe o membro. Ainda mais fundo.
A respiração estava entrecortada, mas Bevan mantinha contato visual, deixando 
que ela continuasse no comando. Genevieve se moveu mais uma vez, até ele sentir a 
barreira de sua virgindade. Por fim estava mergulhado por completo dentro de 
Genevieve, que soluçou ao ser deflorada. Bevan quase se derramou dentro dela de tão 
intenso o prazer de sentir sua masculinidade comprimida dentro de seu sexo.
Genevieve começou a se mover, delicadas penetrações que o atiçavam, deixando-o 
ainda mais excitado. A respiração falhava, os cabelos úmidos deslizando pelo peito 
dele. Ao ver a expressão de profundo prazer no rosto dela, Bevan não conseguiu mais 
suportar.
Pensou que ensinaria a Genevieve as maneiras de amar. Mas era Genevieve que lhe 
ensinava o que era ter nos braços uma mulher que se entregava por completo. Nos 
olhos dela via desejo e amor, enquanto ela parava na iminência da saciedade.
Ela precisava dele, assim como ele dela. Nunca a deixaria partir.
As mãos dele agarraram os quadris de Genevieve, aumentando a velocidade e a 
pressão. Ela gemeu, as costas se arqueando para recebê-lo mais fundo. Bevan se movia 
no ritmo contrário às investidas dela, o prazer tomando o controle até não existir mais 
nada além de Genevieve.
Queria que ela o amasse. Chegou a imaginar que Fiona o amava, mas ela nunca o 
fitava da maneira como Genevieve o observava.
Ergueu-se para tomar-lhe o seio na boca, lambendo o mamilo enquanto ela 
pressionava os quadris contra ele. Bevan o sugava cada vez mais, e Genevieve gritou. 
Neste momento ele se derramou dentro dela, abraçando-a enquanto os espasmos 
tomavam conta de ambos num inebriante êxtase.
Bevan a aninhou no peito, os corpos ainda unidos. Era tão bom ter Genevieve nos 
braços.
E foi esse pensamento que o assustou.
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Quando o cinzento céu da manhã se tornou lavanda, o amanhecer abrindo caminho 
no horizonte, Genevieve estava aconchegada às costas de Bevan. Inclinou-se para lhe 
beijar o ombro.
— Bom dia — ela murmurou. Porque era uma bela manhã, a melhor que tinha 
depois de muito tempo.
Mas Bevan não disse nada, apenas rolou para sair da cama. A súbita frieza a 
espantou, especialmente depois de terem se amado mais duas vezes naquela noite. 
Bevan a levou à beira da loucura antes que gritasse em êxtase. Era como se quisesse 
vê-la se despedaçando.
— Está tudo bem? — ela perguntou, subitamente se sentindo insegura. Era 
preocupante que ele estivesse se tornando distante outra vez.
— Tá — ele disse enquanto se vestia. — Mas preciso ver meus homens. Já é 
tarde.
Genevieve deixou o lençol deslizar pelo corpo e se levantou da cama. Esperando 
reverter o mau humor de Bevan, ela o abraçou pela cintura.
— Está com fome?
Surgiu certo interesse nos olhos dele, mas Bevan meneou a cabeça.— Não, agora não. — Ele afastou as mãos dela e lhe beijou distraidamente a 
testa. — Eu a vejo depois.
Genevieve escondeu o desapontamento. Inquieta, se enfiou na roupa íntima e 
colocou o léine e a veste. O contentamento de antes tinha desaparecido. Um 
pensamento sombrio lhe ocorreu: Bevan devia estar arrependido da noite anterior.
Tentou fingir que não havia nada de errado —
— Prometi ajudar Mairi com o tingimento da lã.
— Que bom. — Mas ele não se despediu ao deixar o quarto. Quando a porta se 
fechou, seu olhar procurou a cama. Bevan tinha realmente banido suas lembranças de 
Hugh. Genevieve sempre seria grata por isso.
Ao terminar de arrumar o quarto, colocando os lençóis no lugar, ela respirou 
fundo.
Talvez nunca tomasse o lugar de Fiona. Mas se sentia inteira outra vez, capaz de 
perseguir o futuro que queria. E embora o caminho adiante se curvasse numa direção 
que ela não conseguia enxergar, Genevieve queria acreditar que ainda havia esperança 
para eles.
Como a água que lentamente desgasta as beiradas de uma rocha, Genevieve 
pretendia lutar pelo coração de seu guerreiro.
Genevieve encontrou Mairi em uma das dependências usadas para tingir lã. O 
cheiro fétido de lã molhada ardeu em suas narinas. Sacos de lã tosquiada esperando 
pela tintura estavam empilhados contra uma das paredes, perto do pesado caldeirão 
de lixívia, que era usada para encharcar a lã e assim remover seus óleos naturais. Ficou 
surpresa por encontrar Siorcha, separando as quantidades de lã a ser tingidas.
— É bom revê-la — comentou, reconhecendo a velha que havia cuidado do pequeno 
Decían em Laochre.
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O rosto enrugado de Siorcha exibiu um sorriso, embora a mulher parecesse 
cansada. Os cabelos grisalhos estavam presos num apertado coque, os olhos possuíam 
um tom turvo de azul.
— Rionallís sempre foi meu lar — disse Siorcha. — Embora eu tenha partido 
quando aquele normando apareceu. Eu me neguei a trabalhar para um monstro como 
ele. Sinto-me feliz por estar de volta.
Genevieve concordava com a opinião que Siorcha tinha de Hugh. Ajudou a velha a 
colocar outra pilha de lã para encharcar no caldeirão de lixívia. Lembrou de como 
Siorcha cuidara bem do pequeno Decían, tratando-o como se fosse um neto.
— Estamos felizes com seu retomo.
Siorcha mexeu o caldeirão, sem responder. Genevieve cumprimentou Mairi, que 
estava ocupada preparando raiz de garança para outro caldeirão de lã fervendo.
— Posso ajudar?
Mairi assentiu.
— Tá, pode. — Com uma rápida olhada no rosto de Genevieve, ela acrescentou: — 
Vejo que ele finalmente se deitou com você.
Genevieve corou.
— Do que está falando?
— Você está com um ar satisfeito. Só um MacEgan faz uma mulher ficar assim 
num dia frio como este. — Com um sorriso malicioso, Main despejou a raiz de garança 
na água fervente.
Genevieve quis protestar, mas percebeu que não valia o esforço.
— Você estava certa — ela disse. — Ele é um bom homem.
Mairi bufou, mas um instante depois Genevieve deu uma risada. Era bom relaxar 
da tensão. Enquanto ajudava Siorcha a acrescentar mordente ao corante, pensava na 
próxima noite, quando compartilharia a cama do Bevan novamente. Seu corpo se 
aqueceu com o pensamento, embora não soubesse se ele a receberia ou a rejeitaria.
A dupla trabalhou por longas horas, assistida por Siorcha, até terem tingido a lã 
de vermelho forte com as raízes de garança. Outro saco de lã tinha sido tingindo numa 
magnífica cor fulva, com folhas e raízes de dente-de-leão. enquanto uma terceira 
adquirira um vivo tom laranja com cascas de cebola.
A nobreza irlandesa usava todas as cores imagináveis, algumas em combinações 
que maravilhavam os olhos. Pareciam acreditar que quanto mais cores, melhor.
Depois, naquela tarde, Genevieve parou perto da área de treinamento. Apesar da 
baixa temperatura, os homens enfrentavam uns aos outros, praticando o manejo com a 
espada e aperfeiçoando a mira. Bevan andava entre eles, desafiando seus homens a 
aprimorar a técnica.
Encostado a uma parede distante, Ewan observava os homens. Podia vê-lo 
realizando mentalmente os mesmos exercícios, verificando a menor falha. A vontade 
de ser um deles era evidente nos olhos de Ewan, o que fez Genevieve se condoer. 
Sabia que ele iria para a sala de armas quando todos já estivessem na cama, para 
praticar sozinho. Genevieve rezou para que um dia ele aprendesse as perícias que não 
desenvolvera naturalmente.
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Bevan parecia, de alguma forma, diferente hoje. Havia mais energia, mais rapidez 
na sua maneira de se mover. Ele derrotou um soldado, então girou e rechaçou a espada 
de outro. Ele se movia com a graça de um lutador experiente.
Pareceu perceber o olhar dela, então baixou a arma, saindo da luta e sinalizando 
para que os homens continuassem. Genevieve pôde ler os pensamentos dele quando 
Bevan concentrou a atenção nela. O cabelo estava preso por uma corda e ele vestia 
uma armadura de couro que acentuava sua estrutura musculosa. Ela visualizou Bevan 
penetrando fundo dentro dela, as mãos segurando suas nádegas enquanto a boca lhe 
atacava a garganta.
Sem que percebesse, Bevan tinha cruzado o pátio e agora estava diante dela.
— O que foi?
Genevieve corou dos pensamentos licenciosos que turvavam sua mente.
— Não é nada. Melhor eu ir ver a comida.
— Vou com você. Já terminei por hoje. — Bevan caminhava ao lado dela, mas 
quando ela estendeu a mão, ele aumentou o passo para evitar o contato.
Surpresa com a rejeição, Genevieve se deixou ficar para trás.
Uma serva trouxe bacias, toalhas e óleo perfumado para a lavagem dos pés. 
Bevan se sentou num banco e tirou as botas. Mergulhou os pés na água, mas Genevieve 
o interrompeu.
— Permita-me — ela disse. Ajoelhando-se diante dele, pegou uma toalha e um 
frasco de óleo perfumado. Lavou os pés dele, massageando as solas.
Ao toque das mãos dela, Bevan ficou tenso. Desde que se deitara com Genevieve 
não pensava em outra coisa senão repetir a experiência.
Repreendeu a si mesmo, tentando afastar a mente das exigências de seu corpo. 
Já tinha sido tolo uma vez, apaixonando-se pela esposa. Não havia lugar para amor no 
casamento, e ele não deixaria que Genevieve o enfraquecesse desta maneira.
Ela despejou óleo na palma da mão para depois massagear os tornozelos, as solas 
e os dedos. Quando ela finalmente secou seus pés e lhe calçou as botas, Bevan ergueu-
lhe o queixo. A mão dele mergulhou nos cabelos sedosos antes de capturar a boca de 
Genevieve num beijo feroz, até perceber que precisava sentir a pele dela na sua.
Sem dizer nada, Bevan tomou-lhe a mão e a levou para o quarto. Já dentro, 
baixou a trava.
Lug, mas ele não conseguia dominar o desejo por ela. Ainda não tinha sido 
suficiente, não depois de tanto tempo. Adorava estar com Genevieve em seus braços, 
por baixo ou por cima dele. Não existia vazio nos olhos dela quando ele a abraçava na 
escuridão do quarto. Pelo contrário, Genevieve o fitava ansiosa de emoção, mesmo que 
ele fechasse o coração para ela.
Bevan tentou trazê-la para seus braços, mas viu que a atenção dela estava fixa na 
lareira atrás dele.
Lá, em cima das pedras, jazia um colar de ouro com safiras.
— O que é isso? — perguntou Bevan.
Genevieve meneou a cabeça, apertando os dedos sobre a boca.
— Foi um presente que Hugh me trouxe. Mas eu o recusei.
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Ouvir o nome do cavaleiro normando inflamou o temperamento de Bevan. A 
intrusão havia alertado seus instintos para qualquer perigo em potencial.
— Como ele entrou em nosso quarto?
— Não sei. Ele mandou a primeira mensagem há uma semana. — Genevieve olhava 
para a jóia como se ela fosse um lembrete vivo de Hugh. — Era uma fita que ele me 
deu de presente certa vez. Hugh tentou me cortejar novamente.
Os pelos de Bevan se eriçaram por Genevieve não ter confiadonele. Ainda o 
julgava incapaz de defendê-la do maldito normando?
— Deveria ter me contado. — Bevan a tirou do quarto, pois ambos sabiam da 
passagem secreta do souterrain que conduzia para o subsolo além da fortaleza. Sem 
saber se Hugh conhecia ou não a passagem, Bevan não duvidava de que ele estivesse 
nos arredores.
— Ewan deve saber quem esteve perto do quarto.
Bevan rejeitou a ideia imediatamente. Embora o garoto idolatrasse Genevieve e 
fizesse qualquer coisa para ajudar, não queria envolvê-lo em algo tão perigoso.
— Não. Mandarei que alguns de meus homens procurem respostas.
— Bevan, dê uma chance a Ewan. Ele quer tanto ajudar. Que mal fará isso? — 
Genevieve pôs a mão sobre o ombro dele, implorando com os olhos. — Pode designar 
seus homens e Ewan para a tarefa. Se tiverem sucesso, isso dará a ele um senso de 
propósito. Não vê o quanto ele é indócil? O quanto deseja ser um de seus soldados?
— Ewan não é, e nunca será, um bom soldado. Durante todos estes anos, nunca 
mostrou aptidão natural.
— Mas ele se esforça muito — argumentou Genevieve. — Ele tenta.
— Tentar não é o bastante numa batalha — retrucou Bevan. — Um homem deve 
derrotar o oponente, ou será morto. — Ele abrandou o tom. — Não quero que ele 
morra, Genevieve. Ele devia escolher outro caminho para seguir.
— Este é o caminho que ele quer. Duvido que consiga demovê-lo. Melhor continuar 
treinando Ewan até que ele se saia bem.
— Não treinarei meu irmão para que morra nas mãos do inimigo. Se ele não lutar, 
não será ferido.
Ele bem sabia o quanto o irmão caçula o idolatrava. Mas Bevan o protegeria a 
todo custo. Mesmo que isso significasse ganhar o ódio de Ewan.
— Até essa pessoa ser encontrada, quero que fique aqui. Não visite os 
arrendatários, nem deixe a fortaleza. Fique com um guarda o tempo todo. — Bevan 
começava a formar um plano. Que homens interrogaria primeiro? Depois disso, as 
mulheres. Não descansaria até descobrir como Hugh minha penetrado suas defesas.
Depois de ficar confinada na fortaleza por quase três meses, Genevieve estava 
prestes a gritar de frustração. Ewan tinha descoberto que um criado fora subornado 
para deixar o colar no quarto. Mesmo depois que o homem foi punido pelo alo, Bevan 
ordenou que Genevieve nunca fosse deixada sozinha. Ela não tinha privacidade, nenhum 
momento para si mesma.
Embora compreendesse por que Bevan estava sendo tão superprotetor, o 
ressentimento por ser tratada como uma prisioneira se tornava mais forte a cada dia. 
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Genevieve mordia a língua sempre que era barrada nos portões, mas não sabia como 
convencer Bevan de que este tratamento era desnecessário.
Muitas vezes teve ímpetos de bater nele, exigir liberdade. Mas então, à noite, 
ele parecia querer compensar os dois anos de celibato. Bevan lhe oferecia prazer, 
momentos cheios de intensidade e paixão, abraçando-a como se quisesse absorver sua 
pele na dele. Nestes momentos, Genevieve se sentia amada.
No entanto, quando amanhecia, Bevan se tornava distante, a atenção sempre 
concentrada em sua gente.
Suas esperanças de ser mãe, de aninhar uma criança nos braços, naufragavam no 
desespero. A lua tinha passado por suas fases mais duas vezes, mas os esforços de 
ambos não haviam rendido frutos.
Genevieve trabalhava no tear naquela manhã, deixando que o ritmo contínuo do 
trabalho tranquilizasse seus pensamentos agitados. As cores se combinavam, criando 
uma tapeçaria de flores viçosas. Genevieve ansiava pela primavera, quando a neve 
derreteria e cederia espaço para colinas e campos verdejantes.
Hoje estava sendo pior do que de costume, pois o tempo quente havia derretido 
um pouco do gelo. Queria caminhar lá fora, para se distrair um pouco. Dando uma 
olhada para trás, viu que o guarda estava tão irritado quanto ela, obrigado a 
acompanhá-la em suas tarefas. O homem era musculoso, de ombros largos, com 
reputação de ser um dos melhores lutadores de Bevan. Suas habilidades estavam 
sendo desperdiçadas por ficar trancado naquele cômodo com ela.
— Estou cansada deste lugar — ela disse. — O dia está muito bonito para se ficar 
aqui dentro.
— Bevan deu ordens de que ficasse dentro dos muros da fortaleza — o guarda a 
lembrou.
— Sei das ordens dele. E o seu dever é me proteger. Mas agora pretendo sair 
para encontrar Bevan.
Ela vestiu a capa e o brat, enrolando a longa peça de roupa nos ombros. Lá fora, 
Genevieve aspirou o ar fresco, tomado pela fumaça de turfa das pequenas fogueiras 
que aqueciam as dependências. Levou quase uma hora, mas encontrou Bevan 
supervisionando os reparos de um dos muros internos. Ele trabalhava junto aos 
homens, passando para eles as grandes pedras que estavam sendo usadas para 
fortificar a madeira. Genevieve lembrou que ele pretendia substituir toda a madeira 
por pedra.
— O que foi? — O tom dele era impaciente.
— Quero sair para cavalgar nos campos — ela informou. — O sol está brilhando e 
faz calor. Já estou cansada desta fortaleza.
— Não. Você tem que ficar aqui, onde podemos protegê-la.
Genevieve cerrou os punhos e dominou a indignação. Suavizando o tom, disse:
— Estou cansada de ver estes muros. Não seria seguro se você viesse comigo?
Bevan pretendia recusar, mas ela insistiu.
— Não gostaria de passar alguns momentos juntos comigo, sem tantos olhos nos 
observando?
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A voz era sedutora, cheia de promessa.
— Sim, mas...
— Então venha — ela disse. — E pode levar quantas armas conseguir carregar, se 
isso o fizer se sentir melhor.
Quando Bevan hesitou, Genevieve viu que tinha conseguido.
— Já faz meses, Bevan. Não acontecerá nada. — Ela segurou-lhe a mão enluvada. 
— Vamos aproveitar o dia juntos.
Ele se deixou arrastar para os estábulos. Quando os cavalos ficaram prontos, ele 
colocou Genevieve sobre a sela. Ela sorriu para Bevan, contente por finalmente estar 
livre do confinamento. Sua montaria era um palafrém castanho, enquanto Bevan 
cavalgava um corcel negro.
A espada de Bevan estava pendurada à cintura, enquanto sobre a túnica ele 
carregava uma aljava com flechas, o arco pendurado no ombro. Uma besta estava 
presa à sela. Genevieve só queria provocá-lo dizendo que poderia carregar quantas 
armas desejasse, mas ele parecia ter levado suas palavras a sério. Virando-se para 
trás, Bevan ordenou que um pequeno grupo de soldados os acompanhasse a pouca 
distância.
Desceram a colina num passo calmo. O sol projetava seus dedos dourados sobre a 
neve, manchas esparsas de verde cobriam o cenário.
Assim que cruzaram a muralha extema, Genevieve incitou o palafrém num galope. 
O vento queimava suas orelhas e bochechas, mas ela se deliciava com a liberdade.
Bevan a alcançou, agarrando as rédeas do cavalo.
— Fique comigo, Genevieve.
— Não há nada a temer, Bevan. Não acontecerá nada de ruim — ela protestou.
— Não, mas quero que fique perto.
Obrigou Genevieve a reduzir o passo do animal, rumando na direção de um 
bosque. Gigantescos carvalhos e sempre-vivas se amontoavam ao redor de uma 
clareira, protegendo-os de olhares curiosos. Com um sinal para que os homens 
continuassem mantendo distância, Bevan desmontou.
Tirando Genevieve da sela, ele a puxou pela mão na direção de um agrupamento 
de rochas. Os monolitos de granito exibiam manchas de musgo morto. Outras rochas 
fragmentadas jaziam no chão. Isso dava ao cenário um ar pagão, como se ali fosse solo 
sagrado.
— Nunca tinha visto este lugar — exclamou Genevieve. Tojos e urzes rodeavam 
as rochas e ela ficou imaginando o mar roxo e amarelo que floresceria na primavera.
Bevan a puxou para perto e os dois caminharam até se abrigarem debaixo de uma 
das rochas. Era mais alta que um homem, fazendo Genevieve se perguntar como os 
antigos tinham construido o círculo.
O marido acabou fazendo com que ela ficasse com as costas apoiadas na pedra. 
Os olhos dele brilhavam maliciosamente.
— Sabe o que

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