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O corpo sintetiza moléculas independentemente da ingesta de nutrientes. Classes de vias metabólicas • Catabólicas: São aquelas que ocorrem com a produção de energia. Ocorre com a oxidação das substâncias. Alimentos (glicídios, lipídios) — catabolismo —> CO2 + H20 + energia. Produção de ATP. Podem ocorrer com carboidratos, lipídios (ácidos graxos). Acontece na matriz mitocondrial da célula. • Anabólicas: São aquelas que ocorrem com consumo de energia. Ocorre com a síntese das substâncias. Para sintetizar glicose, aminoácidos, proteínas, ácidos graxos e triglicerídeos, precisa de energia. O corpo faz isso o tempo todo; não está mais produzindo energia, está consumindo, anabolizando. Energia + moléculas pequenas — anabolismo—> moléculas complexas. Consumo de ATP. Metabolismo do organismo As células não podem existir de forma individualizada; o metabolismo de uma não está desconectado ao que acontece nas outras células. Existe um metabolismo celular integrado a todos os órgãos do corpo, ou seja, o metabolismo do organismo, que depende dos órgãos, tecidos e sistemas que formam o organismo vivo. Cada órgão tem uma função especializada que depende da anatomia, do metabolismo energético do órgão, que só tem uma função específica justamente por causa de sua anatomia e metabolismo, em que um órgão influencia o outro. Sempre que se consome uma dieta alimentar, por exemplo, o alimento é triturado na boca (para facilitar a digestão, processo químico que necessita de ações catalisadas por enzimas. O objetivo da digestão é transformar macromoléculas em micromoléculas, para que possam ser absorvidas a partir da segunda porção do intestino delgado, quando são passados os nutrientes para o corpo). O produto da digestão dos nutrientes: monossacarídios (carboidratos), aminoácidos (proteínas), glicerol e ácidos graxos (triglicerídeos). Para que os nutrientes saiam do intestino delgado, se for hidrossolúvel vai pelo sistema porta hepático (produtos da digestão de carboidratos e proteínas), depois indo para os demais tecidos. Produtos da digestão de triglicerídeos são absorvidos por meio dos vasos linfáticos, após o que cairão na corrente sanguínea, sendo direcionadas aos órgãos e tecidos. A glicose é prioritariamente destinada ao fígado, o “laboratório químico” do corpo, com funções biológicas especializadas. O fígado inclusive controla a quantidade de nutrientes que retorna ao sangue para alimentar o corpo. Isso acontece com aminoácidos, monossacarídios e ácidos graxos. No caso dos ácidos graxos, a prioridade não é o fígado, eles são prioritariamente exportados para o tecido adiposo, para que lá sejam utilizados na síntese de triacilglicerol. Tecido adiposo é encontrado sob a pele, circundando os vasos sanguíneos mais profundos e na cavidade abdominal. Armazena gordura nos adipócitos. O que controla esse armazenamento não é independente do que acontece no fígado e no TGI! Vai depender deles, pois o metabolismo é do organismo, não individualizado. O que acontece nos adipócitos depende do metabolismo dos hepatócitos, que depende de hormônios que são sintetizados no pâncreas. A comunicação entre os órgãos não se restringe aos da figura do slide, mas envolve todos os outros tecidos. O tecido muscular envolvido: metabolismo que leva à síntese de proteínas musculares depende do que acontece em todo o corpo. Cérebro, fígado, tecido adiposo, tecido muscular e tecido cardíaco. ➢ Recordando os hormônios catabólicos e anabólicos • Insulina Favorecer a passagem da glicose da corrente sanguínea para dentro da célula. É o principal hormônio anabólico (sintetizar moléculas): sempre que se estiver com picos de insulina, prioritariamente vai estar ocorrendo anabolismo no corpo. Isso quer dizer que outros hormônios estarão em baixa: adrenalina, glucagon, GH e cortisol., pois a prioridade do corpo agora é sintetizar moléculas, e não queimá-las. Síntese de triacilglicerol (vai ser armazenado no tecido adiposo: picos de insulina induzem a aumento do tecido adiposo). Síntese de glicogênio (armazenado no fígado e nos músculos). Produzida no pâncreas, cai na corrente sanguínea e afeta o metabolismo do tecido adiposo, do fígado, do músculo. “Principal hormônio anabólico”. Produzida quando se alimenta: no estado alimentado, está oferecendo ao organismo nutrientes, então esses nutrientes vão dar energia ao corpo, permitindo que sejam sintetizadas as biomolécula de que ele está precisando. OBS.: não existe proteína armazenada, só utilitária, aquela que precisa ser utilizada. O processo de produção de insulina será inibido pela escassez de nutrientes (jejum). O pâncreas não vai sintetizar insulina nessas condições: se não tem nutriente, então não tem utilidade fazer com que se sintetize biomoléculas. Outra situação que inibe a produção de insulina é o estresse (febre, infecção, trauma, exercício intenso). Pico de insulina no tecido adiposo e nos músculos aumenta a captação de glicose devido ao aumento da disponibilidade de GLUT-4. Favorece também a síntese de glicogênio no fígado e no músculo, inibindo a glicogenólise nos dois órgãos. O que o corpo quer nesse momento é sintetizar, então as rotas catabólicas serão inibidas. Tecido adiposo: não quer gastar, então por isso que guarda. Estimula entrada de AAs e síntese de proteínas pelas células, principalmente no fígado. • Glucagon É um hormônio catabólico, que induz a oxidação, queima, clivagem de moléculas para a produção de energia. Outros: adrenalina, GH e cortisol. Quando estão em alta, quer dizer que a insulina está em baixa; o corpo não vai produzir, ao mesmo tempo e na mesma quantidade hormônios catabólicos e anabólicos. Pode acontecer ao mesmo tempo, só que em velocidades diferentes, com uma rota sendo preponderante sobre a outra. Quem indica quem tem que mandar são os hormônios. A prioridade do corpo é a oxidação, queima, degradação de glicose, ácidos graxos e aminoácidos. Corpo vai mobilizar esses nutrientes para degradar. O responsável pela produção de glucagon é o pâncreas, que é estimulado para isso quando: (1) há baixa de glicose (estado de jejum – corpo não pode continuar mantendo suas funções sem os nutrientes; as células precisam deles para manter o funcionamento dos órgãos, então, se não vem da dieta alimentar, precisa arrumar esses nutrientes de outra forma. Durante o estado de jejum, a glicose vai sair cada vez mais da corrente sanguínea e entrar nas células, baixando a glicemia). Baixa de glicose causa liberação de glucagon porque este pode causar a quebra do glicogênio armazenado no fígado. Glucagon induz a glicogenólise hepática. (2) há aumento de AAs. (3) adrenalina está alta. O que inibe a produção de glucagon é o aumento na glicose, diretamente relacionado ao aumento da insulina. Outra forma de obter a glicose é por meio da síntese de glicose (gliconeogênese). O glucagon estimula a gliconeogênese no tecido hepático, em que há também há aumento da degradação do glicogênio e consequentemente o aumento da glicemia. No tecido adiposo, o glucagon vai aumentar a lipólise e consequentemente liberar ácidos graxos. Com a escassez de nutrientes, a tendência é diminuir o tecido adiposo, porquanto o glucagon ativa a lipólise (ou seja, oxida triacilglicerol). Quando se faz atividade física, diminui a produção de insulina e aumenta a de adrenalina, o que implica aumento da produção de glucagon, e por isso queima a gordura. Por isso que escassez de nutrientes e atividade física levam à diminuição de tecido adiposo. No fígado, se tem mais lipólise, vai ter mais ácidos graxos circulando na corrente, pelo que há maior captação de AGs no fígado, e maior oxidaçãodeles até acetil-CoA, com posterior liberação de energia ou de corpos cetônicos. Além disso, há maior captação de aminoácidos e maior disponibilidade do esqueleto carbônico dos aminoácidos para fazer gliconeogênese. ➢ Perfil metabólico do fígado • Papel central: por isso é conhecido como o laboratório químico do corpo. Processa todos os nutrientes e biomoléculas do corpo. As processa e as distribui para os demais órgãos do corpo, fornece a estes os nutrientes de que precisam. Possui um perfil metabólico muito evoluído, consegue fazer a maioria das rotas metabólicas dos nutrientes. Os três principais nutrientes para ele são a glicose, os ácidos graxos e os aminoácidos. • Glicose Só o fígado é capaz de jogar a glicose na corrente sanguínea (o músculo só armazena o glicogênio, não solta para o sangue). Não faz sentido que a glicose seja sua principal fonte de energia, por isso que sua principal fonte de energia não é a glicose, mas os ácidos graxos, justificando a versatilidade e disponibilidade bioquímica de pegar a glicose e colocar no sangue. Pode usar a glicose como fonte de energia, mas não é sua principal rota energética. Ao entrar no fígado, a glicose sofre a fosforilação (glicose-6-fosfato). Primeira reação da via glicolítica, para que ela fique aprisionada na célula, pois só entra no hepatócito devido aos transportadores (GLUT), que permitem tanto a entrada como a saída da glicose, então as células (em geral, não só os hepatócitos) fosforilam, o que equivale a ionizá-la, não sendo mais reconhecida pelos transportadores. Fosforização catalisada pela hexoquinase. A prioridade do fígado é armazenar a glicose na forma de glicogênio (fazer a glicogênese). Quando o corpo necessitar (estado jejum), o glicogênio será quebrado na glicogenólise, liberando glicose-6-fosfato, que, para ser liberada para a corrente sanguínea deve ser desfosforilada, em reação catalisada pela enzima glicose-fosfatase. O músculo não libera porque não tem essa enzima. Essas são as duas prioridades para a glicose no fígado: armazenada na forma de glicogênio ou liberada para a corrente sanguínea. Glicogênese, glicogenólise e desfosforilação envolvidas. A glicose-6-P cai na glicose e é oxidada em piruvato e, como está em meio aeróbico, o piruvato vai para acetil-CoA, que se associa à produção de energia (Ciclo de Krebs: produz ATP, FADH2, NADH e CO2), e depois cadeia fosforilativa de elétrons, pegando o FADH2 e o NADH, transformando em mais ATP e H2O. É uma possibilidade! Não é a prioridade do fígado, mas pode ser feito por ele. O acetil que veio da glicose também pode ser utilizado pelo hepatócito para a síntese de lipídios: colesterol, ácidos graxos (que, por sua vez, são usados para a síntese de triacilglicerol e fosfolipídios). O corpo não consegue transformar gordura em carboidrato. O carboidrato também pode cair na via das pentoses fosfato, produzindo ribose-5-fosfato, que é importante na síntese de nucleotídeos, importantes para a síntese dos ácidos nucleicos DNA e RNA. • Aminoácidos Quando entram nos hepatócitos, sua principal função é justamente ser utilizado para a síntese de proteínas das quais o fígado precisa (pois nele não tem proteína armazenada!). As proteínas do fígado são muito utilizadas, se degradam muito rapidamente, então precisa continuamente sintetizar essas proteínas. A regeneração que o fígado tem depende da capacidade dele de sintetizar as próprias proteínas. Além disso, pode ser usado para a síntese de proteínas plasmáticas (que são componentes do sangue). Um exemplo importante é a albumina, cuja função é de transporte (de íons e moléculas) e é principalmente sintetizada no fígado. Em situações de alta ingesta de AAs, o AA pode sair do fígado, cair na corrente sanguínea e ser direcionado para outros tecidos e serem utilizados para a produção de proteínas teciduais (de que aqueles tecidos estão precisando). Os AAs também são importantes para a formação de compostos nitrogenados sintetizados para a síntese de nucleotídeos, hormônios, porfirinas etc. Para que esses sejam sintetizados, precisa de ribose-5-fosfato, bases nitrogenadas e grupos fosfato. Assim, são importantes para a produção de nucleotídeos, hormônios e porfirinas. Também podem ser utilizados para produzir energia. Não é a sua principal ou prioritária função. Para ser usado como produção de energia, o que importa é seu esqueleto carbônico, então sempre que os AAs forem usados para isso para produzir energia o grupo amino será uma “sobra”, eliminada por meio do ciclo da uréia. É eliminado na forma de amônia, que é tóxica principalmente para o SNC (altas concentrações devido a uma patologia hepática podem causar danos ao SNC). A uréia vai para a corrente sanguínea e depois para os rins, sendo eliminado junto à urina. OBS.: lembrar que um AA = C alfa ligado a H, radical, COOH e H2N. Quando usa pra fazer energia, só sobra o H2N, que será eliminado pelo ciclo da uréia. O esqueleto carbônico será transformado em piruvato ou acetil-CoA para cair no Ciclo de Krebs e na cadeia fosforilativa, sendo convertido em energia. Isso acontece com uma ingesta insuficiente de carboidratos ou em jejum prolongado, mas não é prioridade dos hepatócitos. Oxidação dos AAs não é prioridade dos hepatócitos (que são produzir as plasmáticas, usar para produzir nucleotídeos/hormônios/porfirinas e liberar no sangue). Se houver excesso de proteínas e AAs na dieta, o excesso de acetil leva à produção de ácidos graxos e de triacilglicerol. Produz tanta proteína que o fígado usa para a síntese de proteínas plasmáticas, libera para o sangue e ainda sobra. ➔ Ciclo da glicose-alanina: jejum prolongado, quando o corpo consome as proteínas para produzir energia. Degrada as proteínas musculares, libera AAs (na forma de alanina, que é pequeno e consegue ir pro sangue, pro fígado), alanina é convertida no fígado em piruvato, que é usado para produzir a glicose no fígado (ciclo da glicose- alanina), que é enviada para a corrente sanguínea, abastecendo os tecidos do corpo, inclusive o muscular. • Ácidos graxos Podem ser usados para a síntese do lipídio do próprio fígado (triacilglicerol, que pode ser também retido pelos hepatócitos). No estado saúde, o AG é usado pelo fígado para a síntese de lipídios que podem ser acumulados no próprio fígado. Como prioridade, são as principais fontes de energia para o fígado por meio da beta-oxidação. AG entra com 18 átomos de carbono, é quebrado em 9 moléculas de acetil-CoA, que caem no ciclo de Krebs, cadeia fosforilativa de elétrons e produzem a energia que o fígado está precisando. Assim, o AG é a principal fonte de energia do fígado; a cada quebra, já se gera energia (FADH2 e NADH, que podem ser convertidos em ATP na cadeia fosforilativa de elétrons). Os AGs do fígado, além de fonte para síntese de lipídios e de fonte direta de energia (oxidação total), podem ser mobilizados para tecidos extra-hepáticos. O lipídio, contudo, não é solúvel na corrente sanguínea, então precisam ser exportados na forma de lipoproteínas plasmáticas. Precisa sintetizar essas lipoproteínas, que têm cargas lipídica e proteica e são a forma pela qual o fígado exporta os lipídios. Forma fosfolipídios, triacilgliceróis, colesterol e éster de colesterol. AG também pode ser mobilizado diretamente na corrente sanguínea, sem que precise ser mobilizado na forma de lipoproteína. Para isso, precisa se ligar à albumina, que também é sintetizada no fígado. Uma albumina mobiliza 10 AGs. Os AGs transportados pela albumina podem ser levados para coração e músculo esquelético, onde serão fonte de energia. Se tiver excesso de AGs, parte dele será usado para síntese de energia do fígadoe de colesterol (sais biliares e hormônios esteroidais, caso este em que o colesterol tem de ser transportado até o local de síntese desses hormônios). ➔ Fígado tem afinidade por AGs e lipídios, mas pode haver um desequilíbrio, quando acumulará mais do que oxidará (anabolismo priorizado ante o catabolismo de AGs no fígado), passando a ter uma doença chamada esteatose hepática, com acúmulo excessivo de lipídios no fígado. ➔ Numa dieta balanceada, a prioridade é acumular um pouco e transformar em energia a maioria. Se ocorre um excesso de AG, acumula-se mais, oxida só o que o fígado precisa, sobra o excesso e ocorre síntese excessiva de colesterol, fazendo o indivíduo sair do estado saúde para o de doença. Num jejum prolongado, o corpo continua a precisar de energia, então vai haver déficit de glicose, e a glicose que há no corpo será direcionada para as células (hemácias, por exemplo) que só têm a glicose como fonte de energia, o que não é o caso do fígado. Sem glicose, não tem piruvato, e sem piruvato não tem oxaloacetato (um vai se transformando no outro). Sem oxaloacetato, não tem Ciclo de Krebs, pois para que o acetil entre no ciclo precisa reagir com o oxaloacetato (primeira reação do ciclo de Krebs). Sem o ciclo de Krebs, o acetil-CoA do fígado será direcionado para a síntese de corpos cetônicos (única situação em que existe essa síntese é a baixa excessiva de carboidratos). Só que os corpos cetônicos não são biocombustível para o fígado. Pega o acetil-CoA que veio do AG e o converte em corpo cetônico, que pode ser direcionado aos tecidos extra- hepáticos, com os corpos cetônicos entrando diretamente no ciclo de Krebs, participando da cadeia fosforilativa de elétrons e produzindo energia. Um dos corpos que são gerados é o hidroxibutirato, que participa do ciclo. O fígado não consegue fornecer glicose porque a glicose está em baixa, então fornece energia para o resto do corpo por meio de corpos cetônicos. A geração de corpos cetônicos é o que acontece na diabetes não controlada: cetoacidose diabética. No caso dela, o diabético cheira a acetona, porque o corpo cetônico está em alta quantidade no sangue, porque não tem glicose dentro dos hepatócitos, o que causa a falta do piruvato, faltando oxaloacetato, não tendo entrada direta no Ciclo de Krebs, então pega o acetil-CoA para produzir corpos cetônicos. Os corpos cetônicos podem dar 1/3 da energia do coração em caso de jejum, enquanto para o cérebro pode suprir de 60 a 70%. • Fígado Controla a concentração dos nutrientes, os exporta e atenua a concentração dos nutrientes no sangue, que flutua graças ao metabolismo e à dieta. Também importante agente desintoxicante do corpo (neutraliza as substâncias tóxicas, modificando-as quimicamente ao, por exemplo, adicionar hidroxila – quanto mais hidroxilação, mais solúvel em água, então mais facilmente eliminadas na urina). ➢ Perfil metabólico dos adipócitos Distribuído em todo o corpo sob a pele, em vasos profundos e cavidade abdominal. Num indivíduo adulto jovem homem, corresponde a aproximadamente 15% da massa, dos quais 65% são puramente triacilglicerol, armazenado nos adipócitos celulares, que são metabolicamente muito ativos (neles há glicólise, ciclo de Krebs e cadeia oxidativa mitocondrial). A principal função dos adipócitos celulares é sintetizar e armazenar o triacilglicerol. O estímulo do processo para isso é na alta ingesta de carboidratos. Consumir carboidrato é dar o combustível para que adipócitos sintetizem a melhor reserva energética possível para o corpo, que é o triacilglicerol. Consumo → glicólise → piruvato → acetil-CoA → ácidos graxos (síntese nos hepatócitos; produção em excesso na dieta desequilibrada por excesso de carboidratos é no fígado, aí joga para a corrente sanguínea, e daí vai para os adipócitos) → triacilglicerol (síntese ocorre prioritariamente nos adipócitos). A glicose pode ir diretamente para os adipócitos, onde serão convertidas em glicerol-3- fosfato. Por sua vez, o AG que foi produzido no fígado sai de lá com auxílio de lipoproteína (VLDL), VLDL é degradada ao chegar nos adipócitos em ácidos graxos. Esse AG + o glicerol que veio da glicose → triacilglicerol. O triacilglicerol vai ser armazenado ou degradado, o que é definido pelos hormônios. Lipólise ocorre quando houver glucagon e adrenalina (por isso que queima gordura quando está em estado jejum (produção de glucagon), quando se pratica exercícios físicos (produção de adrenalina), hormônios que ativam a enzima lipase, fazendo que se quebre em glicerol e AGs). Metabolismo glicolítico ativo, ciclo do ácido cítrico e fosforilação oxidativa mitocondrial. O glicerol, após ser quebrado, vai para o fígado (ele é álcool e tri-hidroxilado, então é solúvel, não precisa de transportador) para ser utilizado para síntese de glicose (gliconeogênese, que acontece com AA (ciclo da glicose-alanina), lactato e com o glicerol). O AG também vai para o fígado, onde prioritariamente será convertido em energia no processo de oxidação total. No homem, a maior parte dos AGs são sintetizados nos hepatócitos, não nos adipócitos. ➢ Perfil metabólico do músculo O músculo esquelético é energeticamente muito ativo, especialmente nos processos de contração e relaxamento, que demandam muito do oxigênio circulante no corpo. Se estiver em repouso, precisa de 50% do oxigênio que está circulando no corpo e, caso esteja se exercitando (muito ativo), precisa de 90% do oxigênio do corpo. Os biocombustíveis do músculo são glicose, corpos cetônicos e AGs, que serão as prioritárias para dar energia. A depender da atividade muscular, vai usar uma fonte ou outra, ativar uma ou outra rota metabólica. • Se em repouso: AGs e corpos cetônicos (que vêm justamente dos AGs, em casos de baixa [] de glicose) servem de energia (ciclo de Krebs e cadeia fosforilativa). Essa possibilidade é que faz “dormir é queimar gordura” ser verdade, mas essa quantidade é pequena, pois gordura produz muito mais energia do que carboidratos; a quantidade de energia a partir de uma molécula depende da quantidade de carbonos, muito maior em AGs (possuem até 24 carbonos). O músculo vai consumi-los, então só um pouco desses combustíveis. • Se atividade leve: AG, corpo cetônico e glicose da corrente sanguínea. Já vai precisar também da glicose. Carga de glicose vai ser utilizada por meio da oxidação total (rota metabólica é essa: glicose —> piruvato —> acetil-CoA (vai ter oxigênio suficiente pq é atividade leve) —> ciclo de Krebs, cadeia fosforilativa de e- —> energia, CO2 e água. Assim, em atividade leve usa AGs, corpos cetônicos e glicose sanguínea, que sofre oxidação total. • Se atividade intensa: prioritariamente glicogênio. Demanda energética sobe rapidamente, situação em que não tem glicose nem oxigênio suficientes para a carga energética necessitada pelo músculo em explosão de atividade. Como não são suficientes, o músculo vai usar o glicogênio muscular para poder obter a fonte de glicose, que é convertida em piruvato e imediatamente se produz energia (cada glicose oxidado a piruvato produz 2 ATPs e 2 NADH). Contudo, nessa situação não tem oxigênio suficiente no músculo, a corrente sanguínea não dá conta dessa necessidade, então o piruvato não vai ser convertido em acetil- CoA, pelo que será convertido em lactato, regenerando o NADH importante para esse processo. O músculo vai ter energia, mas vai ter produzido lactato, e esse lactato vai para a corrente sanguínea (se tiver excesso de lactato no sangue, sente câimbra, tontura, enjôo, desmaio ou vômito, o que acontece quando faz exercício para o qual o corpo não está preparado)e vai para o fígado, onde será transformado em piruvato, que é transformado em glicose, que será exportada para a corrente sanguínea, que vai abastecer energeticamente o restante do corpo. Assim que fecha o ciclo de Cori, que explica o caminho entre músculo e fígado. Ciclo da glicose-alanina e ciclo de Cori têm objetivo de síntese de glicose. • Explosão de atividade física intensa: Para o músculo desempenhar a atividade física, precisa de ATP (energia). Durante a atividade, esse ATP é gasto, então deve ser imediatamente reposto (sem ele, a célula morre!), então surgem os mecanismos para repor o ATP: utilizar os biocombustíveis (para o músculo, essas moléculas serão definidas conforme o nível da atividade dele). Há outro biocombustível que pode ser utilizado nos primeiros segundos da atividade física intensa, que não será usado para a reposição: é a creatina fosforilada (fosfocreatina). No músculo tem a enzima CK (creatina-quinase), que catalisa a desfosforilação da fosfocreatina, transferindo o P da creatina fosforilada para o ADP que estava no músculo (resultante da quebra do ATP para a contração). Mas a reserva de creatina fosforilada é mínima, então só supre as necessidades energéticas nos primeiros segundos de explosão excessiva, pois também leva à produção de ATP. Assim, antes do glicogênio ser utilizado, quem abastece é a creatina fosforilada, mas não consegue por muito tempo porque não tem muito dela. Depois desses instantes iniciais é que vai para a via do glicogênio acima explicada. ➢ Perfil metabólico do músculo cardíaco Possui algumas especificidades: ao contrário do esquelético, está continuamente ativo, em ritmo regular de contração e relaxamento. Para desempenhar a função, tem que estar em contínuo movimento, por isso que o metabolismo dele é diferente do músculo esquelético. Além disso, o esquelético tem um metabolismo que também sobrevive em baixas de oxigênio (passa para o metabolismo anaeróbico), enquanto o cardíaco não pode sobreviver a uma baixa de oxigênio; por isso que, em caso de isquemia dos vasos que irrigam, faltando oxigênio para as células da região elas morrem, a depender do tempo em que fiquem sem oxigênio, ocasionando o infarto do miocárdio. O cardíaco só consegue retirar energia em situações aeróbicas, só transforma os nutrientes na energia em que precisa quando na presença de oxigênio. Faltou => sem energia => morte celular. Formado por células ricas em mitocôndrias (mais abundantes no músculo cardíaco): transformação aeróbica precisa delas, pois aí é possível transformar AG em energia, AA em energia, transformar piruvato em energia. Combustíveis: glicose, AGs e corpos cetônicos. Fosfocreatina também está presente (CK é importante para o bom funcionamento do coração). O músculo cardíaco, assim como o esquelético, não é adequado para reserva de glicogênio nem de lipídios, então o que vem pra ele deve ser utilizado, e utilizado o tempo todo, por isso que precisa de um suprimento garantido e constante (porque não armazena!). Ainda assim, tem um pouco de glicogênio. Glicose → acetil-CoA. AGs sendo oxidados: beta-oxidação, produzindo acetil-CoA, que vai para o ciclo de Krebs, cadeia fosforilativa, energia, água e CO2. A principal diferença é que não gera lactato, então não existe a possibilidade de não ter oxigênio. Se não tiver, é estado doença. No esquelético, é normal não ter oxigênio, simplesmente vai produzir lactato. Aterosclerose (depósito de lipídios) ou trombose coronariana (coágulos sangüíneos) podem causar bloqueio dos vasos e morte do músculo cardíaco. ➢ Perfil metabólico do cérebro Só a glicose e os corpos cetônicos, pois os outros não passam pela BHE. Os outros não possuem estrutura química que permitam a passagem pela BHE. Isso porque a glicose pode ser mais rapidamente transformada em energia, e o cérebro precisa disso (pode ser rapidamente convertida porque basta entrar e ser fosforilada que é imediatamente convertida em energia: já no citosol é convertida. Os outros precisam passar por membranas e ir para a matriz mitocondrial). Quando a carga de glicose baixa (jejum prolongado), o corpo começa a reservar a glicose onde ela seja essencial (como no cérebro). Até faltar para o cérebro tem que ficar muito tempo em jejum. Apesar da carga de glicose ser direcionada, chega a um momento em que falta, caso em que entra num “modo emergência”, no qual usa os corpos cetônicos, pois não pode faltar energia suficiente para manter o potencial elétrico das células, que é o que permite a coordenação das ações do corpo pelo cérebro. O corpo cetônico cai no ciclo de Krebs, catabolizado e gera energia, CO2 e água. A energia é usada para manter o potencial elétrico. Assim, a prioridade é a glicose, quando ela é completamente oxidada a CO2, água e energia. O cérebro não funciona sem oxigênio, então a glicose não pode ser convertida em lactato no cérebro. Assim como acontece no coração, o cérebro é metabolicamente dependente de oxigênio, então a falta deste no cérebro impede que a glicose e os corpos cetônicos em energia, com a consequente morte cerebral. Consome cerca de 20% do O2 total em repouso. Na baixa de glicose, aciona corpos cetônicos. ➢ Integração do metabolismo Atenção para a integração do metabolismo! É o que importa. Num primeiro momento (fase I), utiliza glicose principalmente a que está disponível (usa ATP e fosfocreatina nos primeiros segundos), depois começa a oxidar os biocombustíveis, tudo para repor a célula de ATP. Quando vai evoluindo, ocorre alta de glicogênio, começa a usar a reserva de glicogênio, pois o corpo quer impedir a taxa de glicemia baixar, usando o glicogênio do fígado (glicogenólise hepática para manter a glicemia). Essa reserva não é infinita, então o uso do glicogênio com o passar do tempo vai diminuindo (reserva vai caindo), mas a necessidade de glicose do corpo não diminui! A partir daí, obtém a partir da síntese de glicose (gliconeogênese), que é feita a partir de AAs que vem das proteínas musculares. Aumenta o jejum, aumenta a gliconeogênese. Ela vai diminuindo depois porque o corpo perde o substrato para isso; para sintetizar a glicose, usa AAs das proteínas musculares, usa lactato (também veio do músculo), usa glicerol (vem dos triglicerídeos dos adipócitos). Num momento de necessidade, faz lipólise, libera AGs e glicerol, e esse glicerol vai para o fígado e é usado na síntese de glicose. À medida em que a proteína muscular é retirada dos tecidos, vai acabar comprometendo os órgãos de onde eles vêm. O mesmo se aplica a de onde vem o glicerol. Se tiver mais tecido adiposo, vai ter mais reserva, mas isso também é finito. Nesse momento é que vem o plano B do cérebro, que é o uso de corpos cetônicos. Os corpos cetônicos vêm do triacilglicerol que existe no fígado (corpos cetônicos não são formados no tecido adiposo! Não vem de lá, vêm do triacilglicerol do fígado —> AG —> acetil-CoA — > corpo cetônico). O limite são os substratos disponíveis, o completo comprometimento dos órgãos envolvidos (falência múltipla). Na tabela do slide, mostra em cada fase de onde vem a glicose, para que serve a glicose e qual o combustível principal do cérebro. ➔ Atenção: o “ex.” significa “exceto”. O fígado não usa glicose como prioridade para gastar glicose. Na fase V, o principal para o cérebro são os corpos cetônicos. Ele consegue sobreviver bem com os corpos, então o corpo vira para quem só funciona com ela, como as hemácias.