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Fígado e Pâncreas • São órgãos acessórios do sistema digestório. Fígado • Localiza-se principalmente no hipocôndrio direito, logo abaixo do diafragma, na altura da 7ª a 10ª costelas, ocupando em partes, também, o epigástrio e sua ponta atinge o hipocôndrio esquerdo; • Trata-se de um órgão parenquimatoso, muito vascularizado e que é a maior glândula do corpo humano; • Funções: - Metabolização ou modificação das substâncias absorvidas pelo sangue no intestino, entrando pelo sistema porta (veias), onde é filtrado, metabolizado e desintoxicado; - Armazenamento de substâncias; - Através dos macrófagos estrelados (células de Kupffer), removem bactérias e materiais estranhos do sangue; - Secreção da bile, substância produzida pelos hepatócitos, que é depositada na luz intestinal e auxilia na digestão de gorduras, atuando como um emulsificador; • Possui uma grande reserva regenerativa e, com cerca de 1/3, mantém suas atividades normais em funcionamento. → Estrutura externa: Marianne Barone (15A) Disciplina – Prof. Marianne Barone (15A) Anatomia Descritiva II – Prof. Aluísio Andrade Júnior • Está preso ao diafragma por uma série de ligamentos; • Face diafragmática: lisa e convexa, onde é observado sua separação em duas unidades (lobo direito, que é maior, e lobo esquerdo, menor) pelo ligamento falciforme; - Ligamento falciforme: sai do fígado e segue em direção à parede abdominal, possuindo um formato de foice e sendo um folheto do peritônio que é refletido em direção ao fígado, para o manter em posição anterior. Divide a face diafragmática em duas partes; - Ligamento redondo do fígado: localizado na parte inferior da fibra do ligamento falciforme, sendo um remanescente da veia umbilical, que vira um cordão fibroso e segue em direção ao umbigo; - Ligamento coronário: fixa o fígado ao diafragma. Está localizado na parte superior do fígado, o envolvendo como uma coroa. Ele é composto por dois folhetos, um anterior e outro posterior, e o encontro dos folhetos posterior e anterior na ocorre na lateral do fígado, formando um ápice triangular, chamado de ligamento triangular (direito e esquerdo); • O fígado é revestido quase que totalmente pelo peritônio, exceto em duas regiões: - Área nua do fígado: é a porção próxima da veia cava inferior, localizada atrás do ligamento coronário, e está em contato com o diafragma. Está na parte mais alta do fígado; - Pedículo do fígado: é o local em que entram as artérias, veias e ductos biliares, o fígado também não é coberto por peritônio. É localizado na face visceral do fígado; • Face visceral: inferior e está em contato com as vísceras abdominais. Pode-se visualizar a vesícula biliar, veia cava inferior, a inserção do ligamento redondo do fígado (forma uma “canaleta”, chamada de fissura), porta do fígado e pedículo hepático; • A veia cava está inserida no sulco da veia cava inferior; • As estruturas que entram na porta do fígado são chamadas de tríade portal, tratando-se da artéria hepática própria, ductos biliares e veia porta; • Impressões dos órgãos abdominais: depressões onde são apoiados os órgãos abdominais. São: - Impressão gástrica: localizada no lobo esquerdo, sendo o local em que é apoiado o fundo gástrico; - Impressão cólica: localizada no lobo direito, mais anteriormente, onde é apoiada o colo transverso do intestino grosso; - Impressão renal e suprareal; - Impressão duodenal: mais posterior, onde é apoiado o duodeno do intestino delgado; • Fissura sagital direita: une a veia cava (posterior) até a fossa da vesícula biliar (anterior); • Fissura sagital esquerda: une a fissura do ligamento venoso e do ligamento redondo • H: formado pelas fissuras sagitais direita e esquerda (“barras verticais”) e pela porta do fígado (“barra horizontal”); • Com essa separação em “H”, surgem mais lobos que podem ser vistos a partir dessa visão inferior, sendo eles o lobo hepático quadrado (separado pela vesícula biliar) e lobo hepático caudado (limitado pela vesícula biliar, veia cava e fissura, seguindo em direção do lobo direito); • Na face visceral, em direção ao estômago e duodeno, sai um prolongamento do peritônio, chamado de omento menor à borda inferior do fígado; - Ligamento hepatoduodenal: parte do omento menor que sai do fígado, reveste a tríade e segue em direção ao duodeno. Ele é mais grosso e espessado; - Ligamento hepatogástrico: parte do omento menor que segue em direção a curvatura menor do estômago. Ele é mais fino, laminado e quase transparente; • Na face diafragmática podem-se ser notados os lobos hepáticos direito e esquerdo, enquanto na face visceral existem os lobos hepáticos direito, esquerdo, quadrado e caudado = divisão anatômica; • As estruturas da tríade portal entram na porta do fígado e se dividem em lados direito e esquerdo (independentes). Em cada um dos 8 segmentos, chegam nele as três estruturas da tríade, assim, cada parte é independente uma da outra (se remover uma parte, a outra se torna responsável por “suprir” a parte que foi perdida) = divisão funcional; • Os segmentos são marcados a partir do lobo caudado (segmento I) e divididos em sentido horário. → Estrutura microscópica: • O fígado é formado por lóbulos hepáticos, as unidades funcionais do fígado; • São encontrados uma fileira de hepatócitos em todos os lóbulos, que seguem em direção à veia central do lóbulo; • Possui um formato hexagonal e, em cada hexágono, são encontradas estruturas da tríade portal = tríade interlobular; • O sangue que entra pelas artérias e veias passa por cada hexágono, onde vai sendo filtrado até chegar à veia central, seguindo para a veia hepática e, assim, sai do fígado. → Vasos sanguíneos do fígado: • O fígado possui vascularização dupla: venosa (dominante) e arterial (menor: • Veia porta: - Leva 75 – 80% do sangue para o fígado; - Contém muito oxigênio. Mesmo com uma menor concentração de O2 no sangue venoso, ele leva a maior quantidade de O2 para o fígado por entrar muita quantidade de sangue no órgão; - Conduz praticamente todos os nutrientes absorvidos para os sinusoides hepáticos, com exceção dos lipídios; - União das veias mesentérica superior e esplênica; - Veia porta à ramos da veia porta direita e esquerda à centro lobular à veias hepáticas (sangue venoso) à veias hepáticas direita, média e esquerda (drenam na VCI); • Artéria hepática: é ramo do tronco celíaco (a. esplênica, a. hepática comum e artéria gástrica esquerda); - Leva 20 – 25% do sangue oxigenado para o fígado; - Distribui-se para as estruturas não parenquimatosas (ductos biliares e intra- hepáticos); - Tronco celíaco à artéria hepática comum à artéria hepática própria à artéria hepática direita e esquerda. *OBS: 1. Hipertensão portal: causada pela cirrose hepática (impede que ocorra a filtração do sangue pelas estruturas fibróticas que são formadas), fazendo com que haja um refluxo sanguíneo = alta pressão no sistema porta. São formados as circulações colaterais, ascite, varizes de esôfago (sangramento no esôfago pela dilatação das veias do esôfago), esplenomegalia (aumento do baço), que ocorre pela tentativa do sangue de retornar para o sistema cava. 2. Sentido da bile: ductos biliares à ductos hepáticos direito e esquerdo à ducto hepático comum à DHC + ducto cístico à ducto colédoco à papila duodenal maior. Vesícula biliar • Reservatório da bile que é produzida no fígado e é utilizada apenas durante a alimentação; • Para seu armazenamento, a bile é concentrada (sua água é retirada) e, quando necessária, o hormônio colecistocinina (na parede duodenal), que sensibiliza a vesícula biliar a começar a contrair, expulsando a bile para o duodeno; • Estrutura externa: - Fundo: mais dilatada; -Corpo: central; - Colo: afilada; - Ducto cístico: tem vários tamanhos, sendo unido com o ducto hepático comum e forma o ducto colédopo; • Irrigação: artéria cística (ramo da artéria hepática direita); - Triângulo de Calot/trígono cisticohepático: ducto cístico + ducto hepático comum + borda inferior do fígado. No interior desse compartimento pode ser encontrada a artéria cística; • Ocorre a união do ducto cístico com o ducto hepático comum (união dos ductos hepáticos direito e esquerdo), formando o ducto colédopo, que atravessa por trás do duodeno, penetra no pâncreas e se abre na papila duodenal maior, no duodeno, na sua segunda porção (descendente). Antes de chegar na papila duodenal maior, o ducto pancreático e o ducto colédopo são unidas, formando uma dilatação chamada de Ampola de Vater/hepatopancreática; • Envolvendo a Ampola de Vater, existe uma musculatura circular que atua como esfíncter, chamado de esfíncter hepatopancreático. Esse músculo é contraído em momentos que não é necessária a desembocadura de bile e suco pancreático no duodeno; *OBS: 1. Pedra na vesícula (colelitíase): causada pelo colesterol, majoritariamente em mulheres, e na maioria das vezes assintomática (+ 80%). Em pacientes com anemia podem desenvolver cálculo de bilirrubina (escuros). Seu diagnóstico é feito por ultrassom (sombra acústica em presença do cálculo) e seu tratamento é a colecistectomia; 2. Pancreatite: a inflamação do pâncreas ocorre, geralmente, pela obstrução dos canais biliares por cálculos biliares. Ocorre um refluxo de suco pancreático, que acaba por digerir o órgão, causando a inflamação Pâncreas • Órgão alongado, localizado na porção central do abdome, atrás do peritônio. Sua área mais alargada é “abraçada” com o duodeno, sua ponta tem contato com o baço e está abaixo do estômago; • Funções: - Produz suco pancreático (auxilia na digestão de gordura, carboidratos e proteínas). As principais enzimas são amilase, lipase, tripsina = função exócrina à ácidos. Elas chegam ao intestino delgado pelos ductos pancreáticos principal e acessório; - Produz insulina e glucagon = função endócrina (hormônios) à ilhotas de Langerhans. Suas secreções são liberadas diretamente para o sangue, sem entrar em contato com os ductos pancreáticos • A maior parte do pâncreas tem função exócrina, ou seja, secreta suco pancreático • Partes: - Cabeça (dilatada): tem uma projeção inferior chamado de processo uncinado. Ela é abraçada totalmente pela curvatura do duodeno; - Colo (afilada): região em que passam os vasos mesentéricos (estão atrás dele); - Corpo (longo); - Cauda (final); • O ducto pancreático principal é formado desde a cauda do pâncreas pela união de diversos canalículos que se unem e recolhem as secreções produzidas. Ele desemboca com o ducto colédoco na papila duodenal maior. Drenando a cabeça do pâncreas, o ducto pancreático acessório é desembocado na papila duodenal menor. → Vascularização: • Irrigação: artérias pancreaticoduodenais superiores (anterior e posterior. Ramos da artéria gastroduodenal), artérias pancreaticoduodenais inferiores (anterior e posterior. Ramos da artéria mesentérica superior) e artérias pancreática magna, pancreática dorsal, pancreática inferior e da cauda do pâncreas (ramos da artéria esplênica); • Drenagem: acompanham as artérias. São desembocadas nas veias esplênica, mesentérica superior e porta.