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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE LAVRAS DISCIPLINA: PRÁTICA JURÍDICA – COMPRA E VENDA COM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DIREITO Período 6º PROFESSOR(A): ALINE HADAD LADEIRA ALUNO(A): DATA: NOTA Professor(a) Visto Alunos: Gabriel Inocêncio da Silva, Jamille Antunes, Júlia Ribeiro Brasileiro de Castro, Sarah Lelis Gonring. 1) Estabeleça um paralelo entre a alienação fiduciária e a hipoteca, apresentado o conceito e características de cada uma das modalidades de garantia. Resposta: Conceito – Alienação Fiduciária: Trata-se basicamente de uma transferência, onde o devedor para assegurar o pagamento de alguma coisa, transfere para o credor enquanto paga pelo bem. Em resumo, numa relação de negociação, de compra de bens pode-se dizer que tal modalidade é a espécie de um financiamento. Conceito – Hipoteca: O mesmo consiste em uma espécie de garantia feita pelo banco para asseverar o recebimento de um suposto crédito. Uma das características da hipoteca é ser um direito real, acessório e indisponível, ou seja, o mesmo recai sobre o imóvel, estando o supracitado em posse de terceiro ou até mesmo de um suposto devedor. Já a alienação fiduciária tal modalidade é bilateral, formal e acessória. Bilateral, porque cria ocupações tanto para o fiduciário quanto para o fiduciante. Formal, porque impõe para constituir-se instrumento escrito, público ou até mesmo particular. E por fim, acessória porque para sua subsistência, precisa de uma obrigação principal à qual se pretende manter. 2) O que acontece caso a dívida garantida por meio da hipoteca não seja quitada? E na alienação fiduciária? Resposta: Na Hipoteca, caso a dívida não seja paga o credor poderá exercer judicialmente a dívida, logo, o imóvel assegura tal dívida será alvo de leilão após todos os procedimentos judiciais. Falando agora da alienação fiduciária, se a dívida não for quitada, a coisa tornará ao credor, que é sua por direito, e usará seu preço para aprazer o pagamento que vier a receber em detrimento da coisa (em outras palavras, seu crédito). Se por um acaso sobrar algum valor, o dinheiro deve voltar para as mãos do devedor. 3) De acordo com a lei que disciplina a alienação fiduciária de bens imóveis (Lei 9.514/97), explique e fundamente como se opera a posse e propriedade do imóvel alienado fiduciariamente. Resposta: Segundo Tartuce (2020, p. 1693) Alienação Fiduciária “constitui um direito real de garantia sobre coisa própria”, sendo o caso em que o “devedor fiduciante compra o bem de um terceiro, mas como não pode pagar o preço, aliena-o, transferindo a propriedade ao credor fiduciário” (TARTUCE, 2020, P. 1070). Em termos mais simples, se trata de uma espécie de contrato com garantia que subordina a transferência de propriedade para momento posterior ao pagamento integral. Cabendo ainda citar o caráter de garantia, que a alienação fiduciária possui, ao determinar que o bem que se pretende adquirir seja dado em garantia ao credor, até o momento em que a integralidade do pagamento for efetuada. Como exemplo dessa modalidade, têm-se os empréstimos e os financiamentos. Visto isso, têm-se dois sujeitos, quais sejam o devedor ou fiduciante (que é aquele que recorre ao financiamento ou empréstimo) e o credor ou fiduciário (que se caracteriza como a instituição que concede o crédito), conforme disposto na Lei 9.514/97: “Art. 22. A alienação fiduciária regulada por esta Lei é o negócio jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. ” A partir dessas informações, é possível explicar como se opera a posse e a propriedade do imóvel alienado fiduciariamente. A partir do momento em que é constituída a propriedade fiduciária e registrada em Registro de Imóveis, há um desdobramento da posse, de forma que o fiduciante (devedor) torna-se possuidor direto e o fiduciário (credor) possuidor indireto da coisa imóvel, conforme o artigo 23, caput e parágrafo único da Lei 9.514/97. Isto é, há a coexistência de posses, de forma que a posse do possuidor indireto é “exercida por meio de outra pessoa, havendo exercício de direito, geralmente decorrente da propriedade”1, sendo ele o legítimo para propor ações possessórias, detendo de atributos para reivindicar e dispor da coisa. Enquanto que a posse do possuidor direto é aquela “exercida por quem em a coisa materialmente, havendo um poder físico imediato”2, nesse caso, o beneficiário que possui o direito de usar ou fruir da coisa, em consonância com o Art. 1º do Decreto-Lei 911/1969, o qual admite que: “Art. 1º. A alienação fiduciária em garantia transfere ao credor o domínio resolúvel e a posse indireta da coisa móvel alienada, independentemente da tradição efetiva do bem, tornando-se o alienante ou devedor em possuidor direto e depositário com todas as responsabilidades e encargos que lhe incumbem de acordo com a lei civil e penal” Sendo ainda necessário citar que no contrato que serve de título ao negócio fiduciário deve contar, dentre outras coisas, tanto uma cláusula de constituição da propriedade fiduciária, quanto uma cláusula que assegure ao fiduciante adimplente a livre utilização do bem (art. 24, IV e V, Lei 9.514/97). Ademais, cabe ainda dizer sobre a propriedade do imóvel alienado fiduciariamente. A esse respeito, pode-se afirmar que após a constituição da propriedade fiduciária, com o registro do contrato em Registro de Imóveis (Art. 1.361, parágrafo 1º do CC), passa a existir uma “propriedade resolúvel a favor do credor fiduciário, de um bem que o devedor fiduciante, em intuito de garantia, transmitiu ao credor (art. 1.361 do CC) ” (TARTUCE, 2020, p. 1694). Dessa forma, o credor se torna proprietário da coisa, denominado também de proprietário fiduciário, sob título de garantia, até que haja o adimplemento, ou seja, “a propriedade do credor fiduciário é resolúvel, pois, pago o preço, o devedor fiduciante consolida a propriedade em seu nome (art. 25 da Lei 9.514/97)” (TARTUCE, 2020, p. 1719). Vale ainda dizer que após o adimplemento integral da obrigação, o devedor passa a ter a posse e propriedade plena do bem alienado, nos termos do artigo 25 da lei 9.514/97. 4) Apresente de forma fundamentada (Lei 9.514/97) as consequências da consolidação da propriedade fiduciária, abordando a necessidade de leilão, termo de quitação da dívida, e a como se opera a diferença entre o valor da 1 (Tartuce, 2020, p. 1317) 2 (Tartuce, 2020, p. 1317) dívida e o valor de venda do imóvel. Resposta: A partir do momento em que a dívida estiver vencida e houver um inadimplemento do devedor, seja no todo ou em parte, a propriedade do imóvel poderá ser registrada em nome do fiduciário, como é previsto nos Artigo 26, caput, da Lei 9.514/95, ao admitir que “Art. 26. Vencida e não paga, no todo ou em parte, a dívida e constituído em mora o fiduciante, consolidar-se-á, nos termos deste artigo, a propriedade do imóvel em nome do fiduciário. ” De acordo com o Artigo 27 da lei 9.514/95, com o bem em seu nome, o credor, dentro do prazo de 30 dias deverá promover leilão público para a alienação do imóvel, o qual deverá seguir rigidamente os termos desse mesmo artigo já mencionado, tendo em vista a restrição de disponibilidade constante. Com a venda do bem, o fiduciário deverá, em no máximo 30 dias, fornecer ao devedor o termo de quitação, sob pena de multa. Sendo esse extremamente necessário pois servirá para baixa da averbação, no Registro de Imóveis (art. 16, parágrafo 1, Lei 9.514/95) e também para o cancelamento do registro da propriedade fiduciária (art. 25, parágrafo 2º, do mesmo diploma legal). Além disso, após cinco dias davenda do imóvel, o credor deverá entregar o valor excedente do lucro ao fiduciante, antigo devedor inadimplente. Vez que, havendo arrematação com valor superior à dívida, esse último tem direito de receber pela diferença do valor já pago anteriormente. 5) Manifeste de forma crítica sobre as vantagens e desvantagens da alienação fiduciária e da hipoteca. Resposta: Entre as vantagens e desvantagens da Alienação Fiduciária e da Hipoteca, está o produto usado como garantia. Enquanto na alienação fiduciária você pode utilizar bens diversos como carro, joias e até o salário, a hipoteca está restrita para operações que utilizam o imóvel como garantia. O artigo 1.476 do Código Civil elenca uma vantagem importantíssima em relação à hipoteca, onde expressa que o proprietário do imóvel hipotecado poderá, por meio de um novo título, constituir outras hipotecas em benefício do credor já existente, ou de outros credores, o que não é possível na alienação fiduciária. É importante mencionar, que na alienação fiduciária, de acordo com a Lei 11.101/05, artigo 118, os bens revestidos de propriedade fiduciária não estão submissos às implicações da recuperação judicial do devedor e nem agregará a massa em caso de falência, sendo o domínio integral devolvido ao credor. Entre as desvantagens a se destacar no modelo hipotecário está a necessidade de uma escritura pública, o que acaba implicando em mais custos no processamento do contrato. Já a alienação fiduciária não exige a escritura pública, o que reduz significativamente os custos da operação. Além disso, o bem objeto de alienação fiduciária não pode ser gravado mais de uma vez pelo devedor fiduciante, diferentemente do que ocorre na hipoteca, visto que não poderia transferir a propriedade a outro credor, uma vez que não possuí o domínio do bem imóvel. Analisando cada instituto, podemos observar que ambos apresentam seus bônus e ônus que variam de acordo com a atual situação financeira do consumidor. No entanto, a alienação fiduciária é mais vantajosa e amplamente utilizada nos dias atuais, principalmente, por conta da indiscutível segurança que transmite, onde o credor se vê tranquilo e capaz de apostar nessa modalidade contratual. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil: Volume único. 10. ed. São Paulo: Método, 2020.