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Ginecologia 09/02 Professor Claudio Marcellini
Aula 01 - Embriologia e Malformações 
Genitais: 
Por que estudar a embriogênese genital? 
- Malformação Mulleriana (Síndrome Rokitansky): 
agenesia útero/ vaginal. 
• Cariótipo 46 XX. 
• Amenorreia primária (nunca menstruou). 
• Ausência das vias geniais (ela tem os ovários mas 
não tem as vias). 
- Embriologia dos ovários independe da 
embriologia das vias genitais. 
• Dispareunia (dor na relação). 
• Ovários normais: tem desenvolvimento puberal 
normal. 
- Fenótipo feminino. 
• Ausência de útero e vagina. 
• Então isso é uma malformação das vias genitais. 
- Os ductos de Miller ou paramesonéfricos vai 
dar origem às vias geniais. 
- Pseudohemafroditismo masculino (Síndrome de 
Morris): 
• Cariótipo 56 XY. 
• Amenorreia primária. 
• Dispaurenia. 
• Ausência de pelos. 
• Testículos criptoquidicos (a gonada dela não é o 
ovário). 
- Tem uma chance maior de desenvolver 
tumores. Deve-se tirar os testículos. 
• Ausência de útero e vagina. 
• Defeito no receptor da testosterona. 
- Ela tem níveis normais (de homens) de 
testosterona, que deveria levar à um fenótipo 
masculino, mas como ela tem um defeito no 
receptor da testosterona, ela desenvolve um 
fenótipo feminino. 
• Gonadoblastoma. 
• Ela tem um fator de inibição Milleriano, que 
impede que ela desenvolva o útero e a vagina 
(uso de velas de dilatação para relação sexual). 
- Disgenesia gonadal (Síndrome de Swyer): 
• Cariótipo 46 XY (masculino). 
• Amenorreia primária. 
• Ausência de pelos. 
• Útero e vagina presentes. 
• Ausência da gônada. 
• Situação em que o testículo começou o seu 
desenvolvimento e depois passou a sofrer um 
processo de atrofia. 
- Paciente não produz testosterona (pois o 
testículo não se desenvolveu) e também não 
produz o fator de inibição Milleriano (por isso 
desenvolveu útero e vagina). 
Sistema Genital Feminino: 
- Gônadas: a embriogênese da gônada é 
determinada pelo gene SRY (braço curto do 
cromossomo AY). 
• Ovários. 
- Vias ou trato genitais: o desenvolvimento das vias 
genitais depende da gônada (testículo ou ovário). 
• Tubas uterinas. 
• Útero. 
• Vagina. 
• Vulva ou pudendo feminino. 
Trato Genital Feminino: 
- Superior: 
• Tubas uterinas (ovidutos). 
• Corpo uterino. 
- Inferior: 
Catarina Alipio XXII-B Página 1
Ginecologia 09/02 Professor Claudio Marcellini
• Colo do útero (cérvix/ cérvice). 
• Vagina: possui uma folha vaginal (bactérias). 
• Vulva. 
- Do ponto de vista anatômico, o óstio interno, 
separa o trato superior do inferior. 
- O colo do útero não tem flora vaginal, ele tem 
mecanismos que impedem a ascensão de 
microorganismos da vagina para o trato genital 
superior. São eles: 
• Criptas e pregas glandulares, que impedem 
mecanicamente a ascensão. 
• Muco que apresenta enzimas e anticorpos que 
também impedem a ascensão dos MO. 
• Durante o ciclo menstrual, tem um período que esses 
mecanismos se perdem. Durante a fase menstrual 
(escamativa), microorganismos que ficaram presos no 
canal cervical, podem ascender para a cavidade 
uterina. 
- Os inícios dos sintomas aparecem durante a fase 
proliferava. 
Importância das malformações: 
- 6% dos lactentes tem algum tipo de malformações. 
- 20% dos óbitos perinatais. 
- 10% são genitais e urinárias. 
• 70% de causa desconhecida. 
• 20% genético hereditárias. 
• 10% fatores ambientais. 
- Ex: poluição ambiental tem a ver com 
endometriose. 
Fatores determinantes do sexo: 
- Fator genético ou cromossômico. 
• Determinar o sexo genético cromossômico (46XY, 
46XX…). 
• Esse cariótipo faz com que se desenvolva a 
gônada. 
• Gene SRY (braço curto do cromossomo AY) 
produz uma proteína chamada fator 
determinante testicular, então as células que 
tem o gene SRY vão formar os testículos 
(indivíduo 46XY) —> fator genético. 
- O testículo produz testosterona (células de 
Leydig) e o fator de inibição Milleriano 
(células de Sertoli) —> fator gonadal. 
• A testosterona vai fazer com que se 
desenvolvam as vias seminíferas 
(epidídimo, ducto deferente, glândula 
seminal e ducto ejaculatório). 
• Ao mesmo tempo, o testículo deve impedir 
o desenvolvimento das vias femininas, 
impedindo o desenvolvimento do ducto de 
Miller, pela produção do fator de inibição 
Milleriano. 
- Numa fase indiferenciada do embrião, 
ele tinha dois ductos, o mesonéfrico e o 
paramesonéfrico (ou de Miller). 
- Fator gonadal e ductal. 
- Fator somático ou fenotípico. 
• Testículo e testosterona vai produzir um 
fenótipo masculino. 
- Defeitos no receptor de testosterona ou na 
conversão ativa da testosterona pode 
proporcionar um fenótipo feminino. 
- Fator civil. 
• Como registra a pessoa ao nascimento (FEM ou 
MASC). 
- Fator psicossocial. 
• Como o indivíduo se identifica/ não tem a ver 
com a anatomia dele. 
- Exemplos: 
• Homens 46XX: 
- Incidência: 1/ 20 mil. 
- Clinicamente é igual ao 47XXY (S. de Klinefelter). 
- Origem: 90% dos positivos para Y, o DNA tem parte 
do braço curto do Y translado para o braço curto 
do X. Alguns não tem o gene SRY. 
- Manejo: igual ao 47XXY. 
• Homem 45X e 47XXX (2 casos no mundo): o gene 
SRY e o DNA adjacente foram translúcidos para um 
cromossomo autossomo. 
Catarina Alipio XXII-B Página 2
Ginecologia 09/02 Professor Claudio Marcellini
Ovário: ovogênese. 
- Quando o ovário está se formando, células 
germinativas (oogônias) invadem essa estrutura em 
formação. 
• 6 a 7 milhões na embriogênese até a 20ª 
semana. 
• 1 a 2 milhões ao nascimento. 
• 300 a 400 mil na puberdade. 
• E durante a vida reprodutiva, a mulher ovula 1 
ovócito por mês (x12 mesesx30 anos de vida 
reprodutiva = 360 óvulos). 
- No início, essas células são diplópodes (44 + XX). 
- Essas oogônias são envolvidas por uma camada de 
células da granulosa, formando o folículo 
primário, com o ovócito primário (2n). 
- Folículo secundário maturo, com o ovócito 
secundário (n): ocorre uma divisão do oócito, se 
tornando 22 + X, formando o 1º corpúsculo polar e 
um óvulo. 
- Ocorre a ovulação (ovócito secundário é expulso e 
se forma o corpo lúteo). 
- Quando o espermatozóide penetrar na zona 
pelúcia, ocorre a 2ª divisão meiótica, formando um 
óvulo e o 2º corpúsculo polar. 
- A fusão do óvulo com o espermatozóide forma o 
zigoto, que começa a sofrer sucuuvas mitoses, 
formando então a chamada mórula. 
- A mórula caminha da tuba uterina até o 
endométrio gravídico e se instala na forma de 
blastocisto. 
- Blastocisto se implanta no endométrio gravídico, 
chamado agora de decídua. 
- Se inicia então, o desenvolvimento embrionário: 
• Hipoblasto e epiblasto formam 3 folhetos 
embrionário: ectoderma, mesoderma e 
endoderma. 
• No mesoderma intermediário, forma-se uma 
crista que dá origem ao sistema excretor do 
embrião e à gônada: crista urogenital. No 
interior dela, se depositam células germinativas. 
Embriologia do sistema genital: 
- Os embrião tem o desenvolvimento de 3 
sistemas excretores: 
• Pronefro (não funcionante). 
• Mesonefro. 
• Metanefro (dá origem ao rim definitivo). 
- O desenvolvimento do sistema urinário, da 
glândulas supra-renais, do sistema genital e dos 
canais inguinais ocorrem quase simultaneamente. 
- Desenvolvimento do sistema genital: 
• Gônadas. 
Catarina Alipio XXII-B Página 3
Ginecologia 09/02 Professor Claudio Marcellini
• Ductos genitais. 
• Divisão da cloaca. 
• Formação e diferenciação do seio urogenital. 
• Desenvolvimento da genitália externa. 
Desenvolvimento gonadal: 
- De início, as gônadas são indiferenciadas e 
formadas na crista urogenital (origem do 
mesoderma). Começa a migrar células 
germinativas primordiais para a crista. Isso ocorre 
por volta de 5ª semana. 
• As células germinativas que são XY desenvolvem 
os testículos. 
- A crista urogenital, se divide em uma parte medial 
(origem à gônada) e uma parte lateral (origem ao 
mesonefro). 
• O mesonefro é funcional,forma um ducto 
mesonéfrico (ou ducto de Wolff) até a 
extremidade caudal do embrião para que ele 
possa eliminar as excretas (via excretor do 
mesonefro). 
- No homem, ele desenvolve as vias urinárias e 
na mulher, degenera. 
• Cloaca (dilatação na extremidade caudal do 
embrião): recebe as excretas do sistema 
digestório e do mesonefro. 
• Após o desenvolvimento embrionário, o ducto 
mesonéfrico desaparece e o mesonefro dará 
origem ao metanefro. 
- Ao lado do ducto de mesonéfrico, ocorre uma 
invaginação da crista urogenital, formando o ducto 
paramesonéfrico (ducto de Miller). 
• No homem: 
- O testículo (formado por cordões medulares) 
produz os fator de inibição Milleriano, 
impedindo assim o desenvolvimento desse 
ducto de Miller. Diferente das mulheres, em 
que há o desenvolvimento desse ducto (por 
não haver o fator de inibição e além da 
presença do estrogênios placentários que 
facilitam seu desenvolvimento). 
- Portanto, o homem, com o fator de inibição 
Milleriana e a testosterona, faz com que não 
desenvolva o ducto de Miller e desenvolva o 
ducto de Wolff, respectivamente. 
• Na mulher: 
- Os cordões medulares desapareceram e surgiu 
uma segunda ordem de cordões, chamados de 
cordões corticais. Nessa cortical do ovário, 
possuem células germinativas. As células 
germinativas são envolvidas por células 
corticais, dando origem aos folículos 
primários. 
• O ducto de Wolff regride na mulher, por não 
ter testosterona. 
- Antes de degenerar, ele origina um 
divertículo (origem das vias urinárias). 
- Restos embrionários: epooforo, 
paraooforo (no ligamento largo e no 
meso da tuba), cisto de de Gartner (na 
vagina). 
• E o ducto de Miller se desenvolve, por não 
ter o fator de inibição Milleriano. 
- Dá o origem às tubas, bexigas e parte da 
vagina. 
• A cloaca começa a sofrer uma diferenciação por 
um septo uroretal, que divide a coloca em: 
- Anterior: seio urogenital, que dá origem a 
bexiga, a uretra e a vagina. 
- Posterior: dá origem ao canal anorretal. 
- O períneo se formou do septo uroretal. 
Algumas anomalias: 
- Os ductos de Miller se fundem na linha mediana 
para formar a cavidade uterina. 
- Útero duplo: pode não ocorrer a fusão desses 
ductos, formando o útero duplo. LETRA A. 
Catarina Alipio XXII-B Página 4
Ginecologia 09/02 Professor Claudio Marcellini
- Útero unicorno: anomalia de fusão (não 
desenvolveu o ducto paramesonéfrico de um lado, 
podendo ter também uma agenesia renal do lado 
não desenvolvido) - LETRA I. 
- Útero bicorno: com a vagina bifurcada. LETRA D. 
- Outras anomalias: 
• Letra A: não tem útero nem vagina. 
- Paciente não menstrua (amenorreia), mas tem 
onda de calor, porque ovula. 
• Letra B: primórdio uterovaginal. 
- Paciente não menstrua (amenorreia). 
• Letra C: só tem o terço superior da vagina. 
• Letra E: não tem o canal cervical, acumula 
sangue. 
• Letra F: perfuração do hímen com abaulamento 
e acúmulo de sangue. 
• Letra H: septo transverso. 
- Classificação das anomalias do útero: 
• Hipoplasia ou agenesia. 
• Unicorno. 
• Bicorno. 
• Didelfo. 
• Septado. 
• Arqueado. 
• Associado ao dietebestrol. 
Divisão da cloaca e formação do seio 
urogenital: 
- Parte anterior: forma o seio urogenital (origem 
endodérmica). 
• O ducto paramesonéfrico (origem mesodérmica) 
encosta no seio urogenital, forma um 
abaulamento no interior do seio urogenital, 
chamado de tubérculo de Miller. 
• O estímulo fez com que o endoderma do seio 
urogenital reagisse empurrando o ducto de 
Miller de volta para cima, tomando uma placa 
epiteliovaginal, que dá origem ao hímen. 
Catarina Alipio XXII-B Página 5
Ginecologia 09/02 Professor Claudio Marcellini
• O que se sabe: os 
dois terços 
inferiores da vagina 
e o hímen, são 
derivados do seio 
urogenital 
(endoderme) e um 
terço superior da 
vagina é derivado 
do ducto de Miller 
(mesoderma). 
Portando, a maior 
parte da vagina é de 
origem 
endodérmica. 
- Parte posterior: forma o canal anorretal. 
Hímen: 
- O hímen pode ou não se romper totalmente 
durante a relação sexual e não é obrigatório que 
ele sangre. 
- Hímen complacente: 
Desenvolvimento: 
- Rosa: ducto mesonéfrico. 
- Amarelo: divertículo do ducto mesonéfrico (dá 
origem as vias urinarias no rim adulto). 
- Vinho: rim propiamente dito (originado do 
blastema metanéfrico). 
- Verde (5): cloaca. 
- O 6 é o septo uroretal, dividido a cloaca em seio 
urogenital (3) e no canal anoretal (4). 
- Com a cloaca totalmente dividida, o ducto 
mesonéfrico, dá origem a um divertículo (azul) que 
formará as vias urinárias. 
- O ducto mesonéfrico regrediu e sobrou somente 
seus resquícios embrionários. 
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Ginecologia 09/02 Professor Claudio Marcellini
Desenvolvimento da genitália externa: 
- Em uma fase indiferenciada, a extremidade de 
caudal do embrião tem a cloaca e a membrana 
cloacal. 
• Tubérculo genital: saliência mediana. 
• Eminências ou saliências cloacais: pregas mais 
externas. 
• Pregas cloacais: pregas mais internas. 
- Quando a cloaca se divide, formando o seio 
urogenital, há novas estruturas formadas: 
• As eminências cloacais passaram a se chamar 
pregas labioescrotais. 
- Se for homem, forma escroto, e se for mulher, 
forma os lábios maiores. 
• As pregas cloacais passam a ser chamadas de 
pregas urogenitais. 
- Se for homem, forma a parte ventral do pênis, 
e se for mulher, forma os lábios menores. 
• O tubérculo genital continua com o mesmo 
nome. 
- Se for homem, forma o pênis, e se for mulher, 
forma o clitóris. 
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