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Segurança da criança 
 
01- Compreender os elementos que compõem a segurança               
da criança nos ambientes domésticos, trânsito, lazer e               
meio rural 
 
SEGURANÇA NO AMBIENTE DOMÉSTICO 
 
O maior número de eventos traumáticos com             
crianças pequenas, até o fim da idade             
escolar, acontece no seu próprio domicílio 
 
No Brasil, segundo o Datasus, em 2014 
 
Cerca de 6% de todas as hospitalizações de               
crianças até 9 anos de idade foram por               
causas externas (307/100.000 habitantes) 
 
As quedas foram responsáveis por 39% desses             
casos 
 
Um número 4 vezes maior que o das               
internações por traumatismos de trânsito e           
por choque elétrico  
 
E 10 vezes maior do que por queimaduras e                 
intoxicações 
 
As quedas também predominam entre os           
atendimentos de emergência,     
correspondendo a cerca de 2/3 dos           
atendimentos 
 
Determinados tipos de eventos traumáticos         
são característicos de certas idades 
 
1º ANO  
Asfixias e quedas predominam 
Seguidas por queimaduras e aspiração de           
corpo estranho 
 
2º ANO 
As quedas passam a liderar o ranking 
Asfixias, queimaduras e afogamentos em         
menores de 5 anos 
 
PRÉ-ESCOLARES 
Atropelamento, queimaduras e intoxicações 
 
Ocorrem principalmente na cozinha 
 
A prevenção de lesões que ocorrem no lar 
 
 
Segundo os especialistas, apoia-se na         
orientação e na conscientização dos pais  
 
Para que promovam mudanças no seu           
comportamento, no sentido de uma         
supervisão mais efetiva e da eliminação dos             
riscos dentro de casa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Além das orientações para tornar a casa mais               
segura, ainda é recomendável educar as           
famílias sobre medidas específicas de         
prevenção dos diferentes tipos de injúrias,           
mesmo que se trate de proteção ativa, menos               
efetiva 
 
1- PARA PREVENIR ASFIXIA 
 
Alimentar a criança sentada à mesa ou em               
cadeira alta 
 
Não permitir brincar ou correr durante as             
refeições 
 
Cortar os alimentos em pedaços pequenos 
 
Ter cuidado com objetos muito pequenos,           
como grãos de cereais, caroços de frutas,             
gomas de mascar, balas duras, botões,           
moedas, baterias em disco e outros 
 
Brinquedos devem ser apropriados para cada           
idade e não devem destacar partes pequenas 
 
Não usar talco perto de crianças 
 
Não usar cordão ou presilha de chupeta ao               
redor do pescoço 
 
Não deixar sacos plásticos ao alcance das             
crianças 
 
Usar lençóis, mantas e cobertores bem presos             
ao colchão 
 
2- PARA PREVENIR AFOGAMENTOS 
 
Jamais deixar a criança sozinha durante o             
banho, principalmente quando estiver       
utilizando banheira 
 
Nunca deixar baldes, bacias ou tanques com             
água ao alcance das crianças 
 
Frequentar piscinas somente com vigilância         
contínua 
 
3- PARA PREVENIR QUEDAS 
 
Banir o uso de andadores 
 
Instalar grades ou redes de proteção nas             
janelas de andares altos 
 
Instalar portões com tranca em escadas 
4- PARA PREVENIR QUEIMADURAS 
 
Testar a temperatura da água do banho com               
o cotovelo 
 
Sempre verificar a temperatura de         
mamadeiras e outros alimentos quentes 
 
Não manusear líquidos ou alimentos quentes           
com a criança no colo 
 
Esconder fósforos, velas e isqueiros 
 
Evitar o uso de roupas de tecidos sintéticos               
que sejam facilmente inflamáveis 
 
Não fumar dentro da casa 
 
5- PARA PREVENIR CHOQUES ELÉTRICOS 
 
Não ligar vários aparelhos em uma mesma             
tomada 
 
Não deixar soquete sem lâmpada 
 
6- PARA EVITAR INTOXICAÇÕES 
 
Não utilizar medicamentos sem orientação         
médica 
 
Nunca utilizar produtos clandestinos 
 
Seguir as orientações do fabricante para o             
uso adequado dos produtos 
 
Preferir produtos químicos que tenham         
embalagens com tampa de segurança para           
crianças 
 
Manter os produtos em sua embalagem           
original e nunca reutilizar frascos 
 
Evitar o uso indiscriminado de inseticidas 
 
Conhecer bem as plantas ornamentais da           
casa e dos jardins 
 
E não manter dentro de casa plantas que são                 
consideradas tóxicas, como     
comigo-ninguém-pode, costela-de-adão, saia     
branca, espada-de- -são-jorge, chapéu de         
Napoleão e outras 
 
 
 
 
SEGURANÇA NO TRÂNSITO 
 
No mundo inteiro, o trânsito ocasiona, a cada               
ano, mais de 1 milhão de mortes  
 
E cerca de 10 milhões de lesões incapacitantes               
e permanentes 
 
A grande maioria desses casos está nos             
países pobres, sendo os pedestres e as             
crianças os grupos mais vulneráveis 
 
Traumatismos de pedestres e ocupantes de           
veículos automotores predominam como       
causa de morte a partir da idade pré-escolar 
 
FATORES DIRETAMENTE RELACIONADOS AO       
AUMENTO DO NÚMERO DE MORTES 
 
Aumento progressivo do número de         
automóveis circulantes 
 
Crescimento urbano e industrial da         
população 
 
Falta de cultura popular voltada para a             
segurança 
 
Impunidade 
 
Falta de legislação efetiva  
 
Más condições das vias de circulação 
 
EM RELAÇÃO À CRIANÇA 
 
Falta de noção de perigo 
 
Sua curiosidade 
 
Autonomia 
 
Controle motor ainda em desenvolvimento 
 
Inexperiência 
 
Falta de preocupação com seu corpo  
 
Vontade de imitar os mais velhos 
 
→ A energia envolvida é a mecânica, com               
transmissão de energia cinética maior do que             
a capacidade da criança de absorvê-la 
 
  
 
O pediatra conheça os recursos de           
segurança desenvolvidos para minimizar os         
efeitos da transmissão de energia cinética           
nos diferentes tipos de trauma 
 
 
 
A) PRIORIDADE PARA A SEGURANÇA DE           
CRIANÇAS E JOVENS PEDESTRES 
 
A criança e o adolescente têm alto risco de                 
atropelamento 
 
FATORES DE RISCO PARA ATROPELAMENTO 
 
Meninos 
 
Faixa etária de 3 a 12 anos 
 
Número de ruas que a criança atravessa 
 
Atravessar a rua fora da faixa de pedestre 
 
Horários escolares  
Moradias sem quintal ou área de recreação 
 
Crianças na situação de pedestres que           
correm riscos maiores de sofrerem traumas           
graves e até morte geralmente vivem em             
áreas  
 
- Urbanas densamente povoadas  
 
- Economicamente desfavorecidas 
 
MENORES DE 5 ANOS → São atropeladas em               
geral por veículos a motor dando marcha à ré                 
em vias de circulação 
 
Menores de 10 anos jamais devem enfrentar             
qualquer tipo de trânsito sem a supervisão             
direta de um adulto 
 
Uma vez que os perigos do trânsito excedem               
suas habilidades físicas, cognitivas, sensoriais         
e de comportamento 
 
B) PRIORIDADE PARA A SEGURANÇA DE           
CRIANÇAS E JOVENS PASSAGEIROS DE         
AUTOMÓVEIS 
 
De acordo com especialistas, o transporte           
seguro de crianças em automóveis tem as             
quatro seguintes prioridades 
 
- Manter toda criança com menos de 13 anos                 
de idade no banco traseiro do automóvel 
 
- Usar um dispositivo de contenção em toda               
viagem 
 
- Usar o dispositivo de contenção apropriado             
à idade e ao tamanho da criança 
 
- Instalar o dispositivo de contenção da             
maneira correta 
 
OLHAR IMAGEM NA PRÓXIMA FOLHA 
 
3- PRIORIDADES PARA A SEGURANÇA DE           
CRIANÇAS EM VIAGENS DE AVIÃO 
 
As crianças, principalmente os bebês menores           
de 2 anos de idade, são os passageiros cuja                 
segurança é mais negligenciada nas viagens           
de avião 
 
 
 
 
Especialistas em segurança recomendam que         
todas as companhias aéreas sejam obrigadas           
a transportar cada passageiro no seu próprio             
assentoExijam o uso de dispositivo restritivo nas             
decolagens, pousos e situações de         
turbulência 
 
A recomendação de consenso é que crianças             
de qualquer idade viajem de avião em um               
assento individual, acomodadas da mesma         
maneira como nas viagens de automóvel 
 
Crianças com mais de 18 kg, em torno de 5                   
anos, devem usar o cinto de segurança             
regular da aeronave 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEGURANÇA DE BRINQUEDOS E ATIVIDADE         
DE LAZER 
 
A) BRINQUEDOS 
 
O crescimento e o desenvolvimento das           
crianças podem ser apoiados e reforçados           
por meio de jogos e brincadeiras 
 
Os brinquedos facilitam o relacionamento         
entre pais e filhos, contudo, não podem ser               
utilizados como substitutos de carinho e           
atenção 
 
As brincadeiras são importantes para todas           
as áreas de desenvolvimento, incluindo         
cognitiva, linguagem, social, física e emocional 
 
Estão listadas as principais orientações de           
segurança para os brinquedos 
Algumas propagandas de brinquedos incluem         
alegações de que determinados brinquedos         
irão auxiliar no aperfeiçoamento de marcos           
específicos do desenvolvimento 
 
No entanto, não há nenhuma evidência           
científica que sugira que qualquer brinquedo           
é necessário ou suficiente para promover um             
aprendizado ideal 
 
Na realidade, esses anúncios podem         
promover desinformação, expectativas     
inadequadas e gastos desnecessários 
 
Ainda pior é a culpa vivenciada por pais que                 
não podem pagar por tais brinquedos 
 
TIPOS DE ACIDENTES MAIS ASSOCIADOS         
COM BRINQUEDOS E LAZER 
 
Perfurações 
 
Cortes 
 
Contusões 
 
Sufocação/asfixia 
 
Afogamentos 
 
Intoxicações 
 
Acidente de captação (dedos, roupas e           
cabelos)  
 
Queimaduras 
 
! PRESENÇA DE METAIS PESADOS EM ALGUNS             
BRINQUEDOS E MATERIAIS ESCOLARES 
 
Problemas de aprendizado, hormonais,       
reprodutivos, toxicidade hepática, câncer,       
entre outros 
 
Bebês e crianças pequenas são as           
populações mais vulneráveis, pelo fato de           
colocarem os brinquedos frequentemente em         
suas bocas 
 
B) ATIVIDADE DE LAZER 
 
Conforme as crianças crescem, frequentam         
novos ambientes, como  
 
- Playgrounds 
- Parques 
- Clubes 
- Condomínios 
- Casa de amigos e de parentes 
 
Essa expansão dos horizontes estimula o           
desenvolvimento, mas pode representar       
diversos perigos, que poderão ser evitados se             
os espaços forem adequados 
 
Com relação aos playgrounds, os EUA lançou             
o “Plano Nacional para Segurança em           
Parques infantis/playground”, que recomenda       
que os pais façam checagem neste local,             
utilizando o acrônimo S.A.F.E., que significa: 
 
 
 
S- SUPERVISÃO 
 
As crianças devem ser sempre         
supervisionadas, principalmente quando     
estão subindo, balançando e escorregando         
nos brinquedos 
 
A- ADULTO 
 
É importante que um adulto esteja presente             
para avaliar a idade apropriada do           
brinquedo 
 
Facilitar o uso de equipamentos e interceder             
nas brincadeiras quando necessário 
 
F- FALLS 
 
Instalar superfícies embaixo e ao redor dos             
brinquedos, capazes de absorver o impacto           
das quedas, como borracha, produtos de           
cortiça, areia e cascalho fino 
 
E- EQUIPAMENTOS 
 
Um adulto deve verificar todos os           
equipamentos de playground para garantir         
que está em boas condições de           
funcionamento antes de permitir que crianças           
brinquem neles 
 
SEGURANÇA NO MEIO RURAL 
 
Os acidentes que ocorrem no cenário           
agrícola são, em geral, mais graves e             
acompanhados de alta morbimortalidade 
 
CRIANÇA E O AMBIENTE RURAL 
 
O cenário rural apresenta inúmeras situações           
de risco de acidentes para as crianças 
 
Nesse ambiente, há necessidade de         
supervisão cuidadosa  
 
E da existência de áreas seguras para as               
brincadeiras, separadas das inúmeras       
ameaças presentes no campo 
 
ACIDENTES DE TRANSPORTES 
 
As estradas rurais, em geral, de terra 
 
Não planejadas de acordo com a tecnologia             
viária 
 
Estreitas 
 
Sem sinalização 
 
Sem conservação adequada 
 
Podem ter curvas que limitam o alcance da               
visão 
 
As medidas preventivas recomendadas para o           
ambiente urbano também se aplicam ao rural 
 
SEGURANÇA NA ÁGUA 
 
Em 2012, segundo dados do Datasus,           
morreram 1.876 crianças e adolescentes de           
até 19 anos vítimas de afogamento e             
submersão acidentais 
 
Crianças pequenas constituem um grupo de           
risco para afogamento, principalmente       
quando a residência está localizada nas           
imediações de águas naturais ou piscinas 
 
Visando à segurança, recomenda-se que, se           
houver piscina na propriedade, deve-se         
cercá-la em todos os lados 
 
Crianças precisam de vigilância contínua,         
atenta, próxima e exclusiva, por um adulto             
responsável, enquanto praticam atividades       
na água ou estão nas proximidades 
 
INTOXICAÇÕES POR PRODUTOS QUÍMICOS E         
PLANTAS 
 
Fungicidas, herbicidas, inseticidas e       
rodenticidas são frequentemente utilizados       
no ambiente rural 
 
O contato com essas substâncias pode           
resultar em agravos agudos à saúde e             
também consequências no longo prazo 
 
Em relação as plantas venenosas, deve-se           
ensinar às crianças a reconhecer essas           
plantas, 
 
Orientando-as sobre o perigo que         
representam 
 
Não devendo brincar com elas e não             
colocá-las na boca 
 
 
 
 
ANIMAIS 
 
CAVALO E GADO 
 
CÃES 
 
As mortes causadas por ataques de cães             
acontecem especialmente entre crianças da         
faixa etária até 4 anos 
 
Crianças pequenas não devem permanecer         
próximas dos cães 
 
ANIMAIS PEÇONHENTOS 
 
02- Conhecer as apresentações de violência na infância               
nos diversos contextos sociais 
 
Define-se como violência contra a criança ou             
o adolescente 
 
Toda ação ou omissão, conscientemente         
aplicada ou não, que venha a lhe provocar               
dor, seja ela física ou emocional 
 
DADOS DO DISQUE 100 (Disque Denúncia           
Nacional da Secretaria Nacional de Direitos           
Humanos) 
 
Apontam para 4 categorias principais de           
violência contra crianças e adolescentes:  
 
- Física 
- Negligência 
- Psicológica 
- Sexual 
 
VIOLÊNCIA FÍSICA 
 
É definida como a prática de qualquer ação,               
única ou repetida, com o uso da força contra                 
o outro de forma intencional 
 
Cometida por um agente agressor adulto ou             
mais velho do que a criança ou adolescente,               
com o objetivo de ferir, lesar ou destruir a                 
vítima 
 
Provocando dano físico, deixando ou não           
marcas evidentes 
 
Pode ser aplicada pelo agressor por meio do               
próprio corpo, como  
 
- Sacudidas 
- Socos 
- Pontapés 
 
Ou com auxílio de instrumentos dos mais             
diversos, com o objetivo manter ou           
demonstrar poder do mais forte sobre o mais               
fraco, a qualquer custo 
 
NEGLIGÊNCIA OU OMISSÃO 
 
Caracteriza-se por atos ou atitudes de           
omissão para com a criança ou o adolescente 
 
De forma crônica, praticados por aqueles que             
têm o dever de cuidar e proteger, como pais,                 
responsáveis ou tutores 
 
Comprometendo  
 
- Higiene 
- Nutrição 
- Saúde 
- Educação 
- Proteção e afeto, em váriosaspectos e             
níveis de gravidade, sendo o abandono           
o grau máximo 
 
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA 
 
consiste na submissão da criança ou           
adolescente a ações verbais ou atitudes que             
visem a humilhação e desqualificação 
 
Culpabilização, indiferença, rejeição, ameaça       
e outros 
 
Que possam levar a danos, muitas vezes             
irreversíveis, a seu desenvolvimento, tanto na           
área psíquica quanto moral e social 
 
Pode ser imposta também pela interferência           
negativa do adulto sobre as competências           
intelectuais e sociais da criança, por meio de  
 
- Isolamento 
- Terror 
- Abandono 
- Cobrança indevida 
- Discriminação 
- Desrespeito  
- Corrupção 
 
 
 
 
 
 
VIOLÊNCIA SEXUAL 
 
É definida pelo uso da criança ou do               
adolescente para gratificação sexual de         
adulto ou adolescente mais velho 
 
Ou seja, em estágio de desenvolvimento           
psicossexual mais adiantado que a vítima  
 
Incluindo atos ou jogos sexuais hétero ou             
homossexuais. 
 
As práticas eróticas e sexuais são impostas às               
vítimas por violência física, ameaças, indução           
ou sedução 
 
AVALIAÇÃO CLÍNICA E DIAGNÓSTICA 
 
Inicialmente, é preciso abolir da prática           
médica o preceito antigo de que os pais e a                   
família sempre seriam os melhores a cuidar             
de sua prole 
 
E que, na consulta pediátrica, eles sempre             
estariam falando a verdade e procurando o             
melhor para seus filhos 
 
O primeiro passo para o diagnóstico sempre             
deve ser  
 
ACOLHIMENTO 
ESCUTA DA VÍTIMA 
 
Em todos os casos de violência contra             
crianças e adolescentes, e em especial os de               
violência doméstica, é possível identificar uma           
série de sinais e sintomas, nas vítimas e               
agressores 
 
Que permitem o levantamento da suspeita, a             
notificação, o diagnóstico, o tratamento e o             
desencadeamento de ações de proteção para           
as vítimas 
 
1- VIOLÊNCIA FÍSICA 
 
Extremidades como fronte, queixo, cotovelos,         
palma das mãos, parte anterior de coxas e               
pernas são as mais frequentemente atingidas           
em quedas ou outras injúrias não intencionais 
 
 
 
 
 
Frente a uma história duvidosa sobre o             
mecanismo do trauma ou lesão que não             
corresponda ao “acidente” relatado, ou ainda           
que não se justifique pela atividade natural             
da criança, a hipótese de intencionalidade           
deve ser levantada 
 
De maneira geral, deve-se levantar suspeita           
de violência física sempre que forem           
encontrados alguns indicadores 
 
 
 
SINAIS ESPECÍFICOS 
 
A) PELE 
 
É o local do corpo mais atingido 
 
Com arranhões, lacerações, equimoses,       
hematomas e queimaduras em variados níveis           
de gravidade 
 
B) TECIDO CONJUNTIVO E ÓSSEO 
 
As lesões de ossos e tecidos moles são as                 
manifestações radiológicas mais comuns de         
abuso na infância e na adolescência 
 
As fraturas estão presentes em 36% dos             
pacientes vítimas de abuso físico 
 
O tempo para procura de atendimento é             
outro dado importante 
 
Pois as fraturas doem mais intensamente na             
sequência do trauma e melhoram com o             
passar dos dias 
 
 
 
Atraso em dias para a busca de atendimento               
deve ser atentamente investigado e         
considerado, no mínimo, como negligência         
grave 
 
É importante precisar a época da fratura pela               
radiografia para verificar se existe         
incompatibilidade entre a história e o trauma 
 
As fraturas específicas de traumas         
intencionais encontram-se na Tabela 2 
 
 
 
C) SÍNDROME DO BEBÊ SACUDIDO 
 
É uma das formas mais graves de lesão               
cerebral por violência contra crianças 
 
Provocada por sacudidas (uma ou mais)           
violentas do corpo da criança, que ocorre             
mais frequentemente até 2 anos de vida 
 
As forças de aceleração e desaceleração,           
aliadas às de rotação, fazem a massa             
encefálica do bebê se movimentar         
bruscamente 
 
Como consequências imediatas, podem ser         
encontradas micro e macro-hemorragias,       
contusões, rompimento de fibras nervosas,         
edema de sistema nervoso central e           
hemorragia retiniana 
 
Sem que haja, necessariamente, fratura da           
calota craniana 
 
Os sintomas podem ser  
 
- Alterações do nível de consciência 
- Irritabilidade ou sonolência 
- Convulsões 
- Déficits motores 
- Problemas respiratórios 
- Hipoventilação 
- Coma  
- E, em muitos casos, morte 
 
2- NEGLIGÊNCIA OU OMISSÃO DO CUIDAR 
 
É possível identificar duas apresentações da           
negligência ou omissão do cuidar 
 
PRIMEIRA - SOCIOCULTURAL 
 
Acontece em situações de miséria 
 
Por ausência de condições sociais mínimas de             
sobrevivência e/ou ignorância dos cuidados         
necessários para o bem-estar e bem evoluir             
da criança e do adolescente 
 
SEGUNDA - INTENCIONAL 
 
Acontece em todos os níveis socioculturais e             
está ligada à desvinculação entre pais e filhos 
 
3- VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA 
 
Como sinais desse sofrimento psíquico,         
podem aparecer  
 
Distúrbios de sono e de comportamento 
 
Representados pelo  
 
- Choro frequente e imotivado 
- Apatia  
- Irritabilidade frequente  
- Tristeza constante 
- Desinteresse pelas atividades próprias       
da idade ou por sua aparência e             
bem-estar  
- Busca do isolamento  
- Dificuldades de socialização 
 
Os sinais regressivos, como  
 
- Enurese e encoprese 
 
Distúrbios alimentares, como  
 
- Anorexia, bulimia e obesidade 
 
Podem representar formas de auto agressão,           
adotadas pelas vítimas de violência 
 
04- VIOLÊNCIA SEXUAL 
 
É possível identificar 4 apresentações mais           
frequentes 
 
E essa diferenciação é fundamental para a             
escolha dos tratamentos, encaminhamentos       
necessários 
 
Bem como das denúncias e desencadeamento           
das medidas legais cabíveis 
 
Incluindo as de proteção, de acordo com a               
queixa principal como segue: 
 
A) ​ Submissão a ato de violência sexual aguda 
 
Em situação de estresse pós-traumático grave 
 
Com necessidade emergencial de avaliação         
diagnóstica dos danos físicos e psíquicos 
 
Bem como das medidas legais de denúncia e               
apuração do crime 
 
 
B) Queixa de violência sexual crônica ou de               
diagnóstico tardio 
 
Habitualmente por pessoa da família ou de             
sua convivência 
 
Com a solicitação de avaliação e orientações 
 
As necessidades de avaliações das         
repercussões físicas e mentais do abuso são             
as mesmas 
 
Devendo-se levar em conta o dano psíquico             
potencializado pela relação de confiança e,           
muitas vezes, de afeto da vítima com o               
agressor 
 
Também o risco da continuidade do abuso             
deve ser apurado, como nos casos de             
agressor familiar ou convivente, para o           
desencadeamento de medidas imediatas de         
denúncia da queixa e de proteção da vítima 
 
 
 
C) ​Queixas variadas e não específicas 
 
De patologias ligadas ao estado emocional da             
criança ou adolescente 
 
Ou por sintomas psicossomáticos,       
comportamentais ou que se enquadram nos           
sinais de alerta de violência psíquica 
 
Sendo o diagnóstico de abuso sexual, seja             
extrafamiliar, intrafamiliar ou por exploração         
sexual, levantado pelo profissional assistente 
 
Deve-se notificar a suspeita para as           
autoridades legais e seguir as medidas de             
avaliação diagnóstica, preferencialmente por       
equipe interdisciplinar 
 
Caso seja confirmado o abuso sexual na             
sequência de seu atendimento, todas asmedidas de tratamento físico e psíquico           
devem ser tomadas, bem como as de             
denúncia e de proteção legal 
 
D) ​Falsa denúncia de violência sexual 
 
Trazida por um dos responsáveis ou           
cuidadores contra outro identificado 
 
Muito frequente em processos de separação           
conjugal, como forma grave de alienação           
parental 
 
Nesse caso, a manutenção da queixa de             
violência sexual não existente acaba por se             
transformar em uma violência sexual         
secundária, cometida pelo denunciante 
 
Consequente às falsas memórias implantadas         
na criança ou por ela mantidas, em um               
processo de erotização e de invasão à sua               
sexualidade 
 
Como também por todas as medidas           
investigatórias que se seguirão à denúncia 
 
05- VIOLÊNCIA QUÍMICA 
 
Trata-se de violência contemporânea,       
potencializada pela indicação e uso abusivo           
de substâncias psicoativas prescritas pelos         
profissionais da saúde para crianças e           
adolescentes 
 
Pode-se apresentar sob 2 formas: 
 
PRIMÁRIA 
 
O uso de psicofármacos é buscado pelo             
responsável ou cuidador 
 
Por meio de queixas por exacerbação das             
atitudes normais da infância 
 
Ou fabulação de sinais e sintomas  
 
Utiliza as ações do psicofármaco em sistema             
nervoso central como forma de controle,           
submissão ou contenção 
 
Muitas vezes, é desencadeada por         
intolerância do adulto às atitudes e reações             
próprias da infância e adolescência 
 
SECUNDÁRIA 
 
Caracteriza-se pela administração de       
medicação psicoativa a crianças e         
adolescentes pelos pais ou responsáveis 
 
Por meio da obtenção da sua indicação pelo               
profissional de saúde 
 
Por queixas de sintomas inexistentes,         
distorcidos ou consequentes a outras formas           
de violência que lhes são impostas 
 
Dá-se pelo uso das substâncias psicoativas           
como instrumento perverso de maltrato 
 
Como amarras químicas a atuarem como           
forma de contenção, submissão, anulação e           
inibição do desenvolvimento da vítima 
 
Como também de mascarar ou encobrir os             
sintomas das outras violências praticadas 
 
NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA E COMPULSÓRIA

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