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Segurança da criança 01- Compreender os elementos que compõem a segurança da criança nos ambientes domésticos, trânsito, lazer e meio rural SEGURANÇA NO AMBIENTE DOMÉSTICO O maior número de eventos traumáticos com crianças pequenas, até o fim da idade escolar, acontece no seu próprio domicílio No Brasil, segundo o Datasus, em 2014 Cerca de 6% de todas as hospitalizações de crianças até 9 anos de idade foram por causas externas (307/100.000 habitantes) As quedas foram responsáveis por 39% desses casos Um número 4 vezes maior que o das internações por traumatismos de trânsito e por choque elétrico E 10 vezes maior do que por queimaduras e intoxicações As quedas também predominam entre os atendimentos de emergência, correspondendo a cerca de 2/3 dos atendimentos Determinados tipos de eventos traumáticos são característicos de certas idades 1º ANO Asfixias e quedas predominam Seguidas por queimaduras e aspiração de corpo estranho 2º ANO As quedas passam a liderar o ranking Asfixias, queimaduras e afogamentos em menores de 5 anos PRÉ-ESCOLARES Atropelamento, queimaduras e intoxicações Ocorrem principalmente na cozinha A prevenção de lesões que ocorrem no lar Segundo os especialistas, apoia-se na orientação e na conscientização dos pais Para que promovam mudanças no seu comportamento, no sentido de uma supervisão mais efetiva e da eliminação dos riscos dentro de casa Além das orientações para tornar a casa mais segura, ainda é recomendável educar as famílias sobre medidas específicas de prevenção dos diferentes tipos de injúrias, mesmo que se trate de proteção ativa, menos efetiva 1- PARA PREVENIR ASFIXIA Alimentar a criança sentada à mesa ou em cadeira alta Não permitir brincar ou correr durante as refeições Cortar os alimentos em pedaços pequenos Ter cuidado com objetos muito pequenos, como grãos de cereais, caroços de frutas, gomas de mascar, balas duras, botões, moedas, baterias em disco e outros Brinquedos devem ser apropriados para cada idade e não devem destacar partes pequenas Não usar talco perto de crianças Não usar cordão ou presilha de chupeta ao redor do pescoço Não deixar sacos plásticos ao alcance das crianças Usar lençóis, mantas e cobertores bem presos ao colchão 2- PARA PREVENIR AFOGAMENTOS Jamais deixar a criança sozinha durante o banho, principalmente quando estiver utilizando banheira Nunca deixar baldes, bacias ou tanques com água ao alcance das crianças Frequentar piscinas somente com vigilância contínua 3- PARA PREVENIR QUEDAS Banir o uso de andadores Instalar grades ou redes de proteção nas janelas de andares altos Instalar portões com tranca em escadas 4- PARA PREVENIR QUEIMADURAS Testar a temperatura da água do banho com o cotovelo Sempre verificar a temperatura de mamadeiras e outros alimentos quentes Não manusear líquidos ou alimentos quentes com a criança no colo Esconder fósforos, velas e isqueiros Evitar o uso de roupas de tecidos sintéticos que sejam facilmente inflamáveis Não fumar dentro da casa 5- PARA PREVENIR CHOQUES ELÉTRICOS Não ligar vários aparelhos em uma mesma tomada Não deixar soquete sem lâmpada 6- PARA EVITAR INTOXICAÇÕES Não utilizar medicamentos sem orientação médica Nunca utilizar produtos clandestinos Seguir as orientações do fabricante para o uso adequado dos produtos Preferir produtos químicos que tenham embalagens com tampa de segurança para crianças Manter os produtos em sua embalagem original e nunca reutilizar frascos Evitar o uso indiscriminado de inseticidas Conhecer bem as plantas ornamentais da casa e dos jardins E não manter dentro de casa plantas que são consideradas tóxicas, como comigo-ninguém-pode, costela-de-adão, saia branca, espada-de- -são-jorge, chapéu de Napoleão e outras SEGURANÇA NO TRÂNSITO No mundo inteiro, o trânsito ocasiona, a cada ano, mais de 1 milhão de mortes E cerca de 10 milhões de lesões incapacitantes e permanentes A grande maioria desses casos está nos países pobres, sendo os pedestres e as crianças os grupos mais vulneráveis Traumatismos de pedestres e ocupantes de veículos automotores predominam como causa de morte a partir da idade pré-escolar FATORES DIRETAMENTE RELACIONADOS AO AUMENTO DO NÚMERO DE MORTES Aumento progressivo do número de automóveis circulantes Crescimento urbano e industrial da população Falta de cultura popular voltada para a segurança Impunidade Falta de legislação efetiva Más condições das vias de circulação EM RELAÇÃO À CRIANÇA Falta de noção de perigo Sua curiosidade Autonomia Controle motor ainda em desenvolvimento Inexperiência Falta de preocupação com seu corpo Vontade de imitar os mais velhos → A energia envolvida é a mecânica, com transmissão de energia cinética maior do que a capacidade da criança de absorvê-la O pediatra conheça os recursos de segurança desenvolvidos para minimizar os efeitos da transmissão de energia cinética nos diferentes tipos de trauma A) PRIORIDADE PARA A SEGURANÇA DE CRIANÇAS E JOVENS PEDESTRES A criança e o adolescente têm alto risco de atropelamento FATORES DE RISCO PARA ATROPELAMENTO Meninos Faixa etária de 3 a 12 anos Número de ruas que a criança atravessa Atravessar a rua fora da faixa de pedestre Horários escolares Moradias sem quintal ou área de recreação Crianças na situação de pedestres que correm riscos maiores de sofrerem traumas graves e até morte geralmente vivem em áreas - Urbanas densamente povoadas - Economicamente desfavorecidas MENORES DE 5 ANOS → São atropeladas em geral por veículos a motor dando marcha à ré em vias de circulação Menores de 10 anos jamais devem enfrentar qualquer tipo de trânsito sem a supervisão direta de um adulto Uma vez que os perigos do trânsito excedem suas habilidades físicas, cognitivas, sensoriais e de comportamento B) PRIORIDADE PARA A SEGURANÇA DE CRIANÇAS E JOVENS PASSAGEIROS DE AUTOMÓVEIS De acordo com especialistas, o transporte seguro de crianças em automóveis tem as quatro seguintes prioridades - Manter toda criança com menos de 13 anos de idade no banco traseiro do automóvel - Usar um dispositivo de contenção em toda viagem - Usar o dispositivo de contenção apropriado à idade e ao tamanho da criança - Instalar o dispositivo de contenção da maneira correta OLHAR IMAGEM NA PRÓXIMA FOLHA 3- PRIORIDADES PARA A SEGURANÇA DE CRIANÇAS EM VIAGENS DE AVIÃO As crianças, principalmente os bebês menores de 2 anos de idade, são os passageiros cuja segurança é mais negligenciada nas viagens de avião Especialistas em segurança recomendam que todas as companhias aéreas sejam obrigadas a transportar cada passageiro no seu próprio assentoExijam o uso de dispositivo restritivo nas decolagens, pousos e situações de turbulência A recomendação de consenso é que crianças de qualquer idade viajem de avião em um assento individual, acomodadas da mesma maneira como nas viagens de automóvel Crianças com mais de 18 kg, em torno de 5 anos, devem usar o cinto de segurança regular da aeronave SEGURANÇA DE BRINQUEDOS E ATIVIDADE DE LAZER A) BRINQUEDOS O crescimento e o desenvolvimento das crianças podem ser apoiados e reforçados por meio de jogos e brincadeiras Os brinquedos facilitam o relacionamento entre pais e filhos, contudo, não podem ser utilizados como substitutos de carinho e atenção As brincadeiras são importantes para todas as áreas de desenvolvimento, incluindo cognitiva, linguagem, social, física e emocional Estão listadas as principais orientações de segurança para os brinquedos Algumas propagandas de brinquedos incluem alegações de que determinados brinquedos irão auxiliar no aperfeiçoamento de marcos específicos do desenvolvimento No entanto, não há nenhuma evidência científica que sugira que qualquer brinquedo é necessário ou suficiente para promover um aprendizado ideal Na realidade, esses anúncios podem promover desinformação, expectativas inadequadas e gastos desnecessários Ainda pior é a culpa vivenciada por pais que não podem pagar por tais brinquedos TIPOS DE ACIDENTES MAIS ASSOCIADOS COM BRINQUEDOS E LAZER Perfurações Cortes Contusões Sufocação/asfixia Afogamentos Intoxicações Acidente de captação (dedos, roupas e cabelos) Queimaduras ! PRESENÇA DE METAIS PESADOS EM ALGUNS BRINQUEDOS E MATERIAIS ESCOLARES Problemas de aprendizado, hormonais, reprodutivos, toxicidade hepática, câncer, entre outros Bebês e crianças pequenas são as populações mais vulneráveis, pelo fato de colocarem os brinquedos frequentemente em suas bocas B) ATIVIDADE DE LAZER Conforme as crianças crescem, frequentam novos ambientes, como - Playgrounds - Parques - Clubes - Condomínios - Casa de amigos e de parentes Essa expansão dos horizontes estimula o desenvolvimento, mas pode representar diversos perigos, que poderão ser evitados se os espaços forem adequados Com relação aos playgrounds, os EUA lançou o “Plano Nacional para Segurança em Parques infantis/playground”, que recomenda que os pais façam checagem neste local, utilizando o acrônimo S.A.F.E., que significa: S- SUPERVISÃO As crianças devem ser sempre supervisionadas, principalmente quando estão subindo, balançando e escorregando nos brinquedos A- ADULTO É importante que um adulto esteja presente para avaliar a idade apropriada do brinquedo Facilitar o uso de equipamentos e interceder nas brincadeiras quando necessário F- FALLS Instalar superfícies embaixo e ao redor dos brinquedos, capazes de absorver o impacto das quedas, como borracha, produtos de cortiça, areia e cascalho fino E- EQUIPAMENTOS Um adulto deve verificar todos os equipamentos de playground para garantir que está em boas condições de funcionamento antes de permitir que crianças brinquem neles SEGURANÇA NO MEIO RURAL Os acidentes que ocorrem no cenário agrícola são, em geral, mais graves e acompanhados de alta morbimortalidade CRIANÇA E O AMBIENTE RURAL O cenário rural apresenta inúmeras situações de risco de acidentes para as crianças Nesse ambiente, há necessidade de supervisão cuidadosa E da existência de áreas seguras para as brincadeiras, separadas das inúmeras ameaças presentes no campo ACIDENTES DE TRANSPORTES As estradas rurais, em geral, de terra Não planejadas de acordo com a tecnologia viária Estreitas Sem sinalização Sem conservação adequada Podem ter curvas que limitam o alcance da visão As medidas preventivas recomendadas para o ambiente urbano também se aplicam ao rural SEGURANÇA NA ÁGUA Em 2012, segundo dados do Datasus, morreram 1.876 crianças e adolescentes de até 19 anos vítimas de afogamento e submersão acidentais Crianças pequenas constituem um grupo de risco para afogamento, principalmente quando a residência está localizada nas imediações de águas naturais ou piscinas Visando à segurança, recomenda-se que, se houver piscina na propriedade, deve-se cercá-la em todos os lados Crianças precisam de vigilância contínua, atenta, próxima e exclusiva, por um adulto responsável, enquanto praticam atividades na água ou estão nas proximidades INTOXICAÇÕES POR PRODUTOS QUÍMICOS E PLANTAS Fungicidas, herbicidas, inseticidas e rodenticidas são frequentemente utilizados no ambiente rural O contato com essas substâncias pode resultar em agravos agudos à saúde e também consequências no longo prazo Em relação as plantas venenosas, deve-se ensinar às crianças a reconhecer essas plantas, Orientando-as sobre o perigo que representam Não devendo brincar com elas e não colocá-las na boca ANIMAIS CAVALO E GADO CÃES As mortes causadas por ataques de cães acontecem especialmente entre crianças da faixa etária até 4 anos Crianças pequenas não devem permanecer próximas dos cães ANIMAIS PEÇONHENTOS 02- Conhecer as apresentações de violência na infância nos diversos contextos sociais Define-se como violência contra a criança ou o adolescente Toda ação ou omissão, conscientemente aplicada ou não, que venha a lhe provocar dor, seja ela física ou emocional DADOS DO DISQUE 100 (Disque Denúncia Nacional da Secretaria Nacional de Direitos Humanos) Apontam para 4 categorias principais de violência contra crianças e adolescentes: - Física - Negligência - Psicológica - Sexual VIOLÊNCIA FÍSICA É definida como a prática de qualquer ação, única ou repetida, com o uso da força contra o outro de forma intencional Cometida por um agente agressor adulto ou mais velho do que a criança ou adolescente, com o objetivo de ferir, lesar ou destruir a vítima Provocando dano físico, deixando ou não marcas evidentes Pode ser aplicada pelo agressor por meio do próprio corpo, como - Sacudidas - Socos - Pontapés Ou com auxílio de instrumentos dos mais diversos, com o objetivo manter ou demonstrar poder do mais forte sobre o mais fraco, a qualquer custo NEGLIGÊNCIA OU OMISSÃO Caracteriza-se por atos ou atitudes de omissão para com a criança ou o adolescente De forma crônica, praticados por aqueles que têm o dever de cuidar e proteger, como pais, responsáveis ou tutores Comprometendo - Higiene - Nutrição - Saúde - Educação - Proteção e afeto, em váriosaspectos e níveis de gravidade, sendo o abandono o grau máximo VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA consiste na submissão da criança ou adolescente a ações verbais ou atitudes que visem a humilhação e desqualificação Culpabilização, indiferença, rejeição, ameaça e outros Que possam levar a danos, muitas vezes irreversíveis, a seu desenvolvimento, tanto na área psíquica quanto moral e social Pode ser imposta também pela interferência negativa do adulto sobre as competências intelectuais e sociais da criança, por meio de - Isolamento - Terror - Abandono - Cobrança indevida - Discriminação - Desrespeito - Corrupção VIOLÊNCIA SEXUAL É definida pelo uso da criança ou do adolescente para gratificação sexual de adulto ou adolescente mais velho Ou seja, em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a vítima Incluindo atos ou jogos sexuais hétero ou homossexuais. As práticas eróticas e sexuais são impostas às vítimas por violência física, ameaças, indução ou sedução AVALIAÇÃO CLÍNICA E DIAGNÓSTICA Inicialmente, é preciso abolir da prática médica o preceito antigo de que os pais e a família sempre seriam os melhores a cuidar de sua prole E que, na consulta pediátrica, eles sempre estariam falando a verdade e procurando o melhor para seus filhos O primeiro passo para o diagnóstico sempre deve ser ACOLHIMENTO ESCUTA DA VÍTIMA Em todos os casos de violência contra crianças e adolescentes, e em especial os de violência doméstica, é possível identificar uma série de sinais e sintomas, nas vítimas e agressores Que permitem o levantamento da suspeita, a notificação, o diagnóstico, o tratamento e o desencadeamento de ações de proteção para as vítimas 1- VIOLÊNCIA FÍSICA Extremidades como fronte, queixo, cotovelos, palma das mãos, parte anterior de coxas e pernas são as mais frequentemente atingidas em quedas ou outras injúrias não intencionais Frente a uma história duvidosa sobre o mecanismo do trauma ou lesão que não corresponda ao “acidente” relatado, ou ainda que não se justifique pela atividade natural da criança, a hipótese de intencionalidade deve ser levantada De maneira geral, deve-se levantar suspeita de violência física sempre que forem encontrados alguns indicadores SINAIS ESPECÍFICOS A) PELE É o local do corpo mais atingido Com arranhões, lacerações, equimoses, hematomas e queimaduras em variados níveis de gravidade B) TECIDO CONJUNTIVO E ÓSSEO As lesões de ossos e tecidos moles são as manifestações radiológicas mais comuns de abuso na infância e na adolescência As fraturas estão presentes em 36% dos pacientes vítimas de abuso físico O tempo para procura de atendimento é outro dado importante Pois as fraturas doem mais intensamente na sequência do trauma e melhoram com o passar dos dias Atraso em dias para a busca de atendimento deve ser atentamente investigado e considerado, no mínimo, como negligência grave É importante precisar a época da fratura pela radiografia para verificar se existe incompatibilidade entre a história e o trauma As fraturas específicas de traumas intencionais encontram-se na Tabela 2 C) SÍNDROME DO BEBÊ SACUDIDO É uma das formas mais graves de lesão cerebral por violência contra crianças Provocada por sacudidas (uma ou mais) violentas do corpo da criança, que ocorre mais frequentemente até 2 anos de vida As forças de aceleração e desaceleração, aliadas às de rotação, fazem a massa encefálica do bebê se movimentar bruscamente Como consequências imediatas, podem ser encontradas micro e macro-hemorragias, contusões, rompimento de fibras nervosas, edema de sistema nervoso central e hemorragia retiniana Sem que haja, necessariamente, fratura da calota craniana Os sintomas podem ser - Alterações do nível de consciência - Irritabilidade ou sonolência - Convulsões - Déficits motores - Problemas respiratórios - Hipoventilação - Coma - E, em muitos casos, morte 2- NEGLIGÊNCIA OU OMISSÃO DO CUIDAR É possível identificar duas apresentações da negligência ou omissão do cuidar PRIMEIRA - SOCIOCULTURAL Acontece em situações de miséria Por ausência de condições sociais mínimas de sobrevivência e/ou ignorância dos cuidados necessários para o bem-estar e bem evoluir da criança e do adolescente SEGUNDA - INTENCIONAL Acontece em todos os níveis socioculturais e está ligada à desvinculação entre pais e filhos 3- VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA Como sinais desse sofrimento psíquico, podem aparecer Distúrbios de sono e de comportamento Representados pelo - Choro frequente e imotivado - Apatia - Irritabilidade frequente - Tristeza constante - Desinteresse pelas atividades próprias da idade ou por sua aparência e bem-estar - Busca do isolamento - Dificuldades de socialização Os sinais regressivos, como - Enurese e encoprese Distúrbios alimentares, como - Anorexia, bulimia e obesidade Podem representar formas de auto agressão, adotadas pelas vítimas de violência 04- VIOLÊNCIA SEXUAL É possível identificar 4 apresentações mais frequentes E essa diferenciação é fundamental para a escolha dos tratamentos, encaminhamentos necessários Bem como das denúncias e desencadeamento das medidas legais cabíveis Incluindo as de proteção, de acordo com a queixa principal como segue: A) Submissão a ato de violência sexual aguda Em situação de estresse pós-traumático grave Com necessidade emergencial de avaliação diagnóstica dos danos físicos e psíquicos Bem como das medidas legais de denúncia e apuração do crime B) Queixa de violência sexual crônica ou de diagnóstico tardio Habitualmente por pessoa da família ou de sua convivência Com a solicitação de avaliação e orientações As necessidades de avaliações das repercussões físicas e mentais do abuso são as mesmas Devendo-se levar em conta o dano psíquico potencializado pela relação de confiança e, muitas vezes, de afeto da vítima com o agressor Também o risco da continuidade do abuso deve ser apurado, como nos casos de agressor familiar ou convivente, para o desencadeamento de medidas imediatas de denúncia da queixa e de proteção da vítima C) Queixas variadas e não específicas De patologias ligadas ao estado emocional da criança ou adolescente Ou por sintomas psicossomáticos, comportamentais ou que se enquadram nos sinais de alerta de violência psíquica Sendo o diagnóstico de abuso sexual, seja extrafamiliar, intrafamiliar ou por exploração sexual, levantado pelo profissional assistente Deve-se notificar a suspeita para as autoridades legais e seguir as medidas de avaliação diagnóstica, preferencialmente por equipe interdisciplinar Caso seja confirmado o abuso sexual na sequência de seu atendimento, todas asmedidas de tratamento físico e psíquico devem ser tomadas, bem como as de denúncia e de proteção legal D) Falsa denúncia de violência sexual Trazida por um dos responsáveis ou cuidadores contra outro identificado Muito frequente em processos de separação conjugal, como forma grave de alienação parental Nesse caso, a manutenção da queixa de violência sexual não existente acaba por se transformar em uma violência sexual secundária, cometida pelo denunciante Consequente às falsas memórias implantadas na criança ou por ela mantidas, em um processo de erotização e de invasão à sua sexualidade Como também por todas as medidas investigatórias que se seguirão à denúncia 05- VIOLÊNCIA QUÍMICA Trata-se de violência contemporânea, potencializada pela indicação e uso abusivo de substâncias psicoativas prescritas pelos profissionais da saúde para crianças e adolescentes Pode-se apresentar sob 2 formas: PRIMÁRIA O uso de psicofármacos é buscado pelo responsável ou cuidador Por meio de queixas por exacerbação das atitudes normais da infância Ou fabulação de sinais e sintomas Utiliza as ações do psicofármaco em sistema nervoso central como forma de controle, submissão ou contenção Muitas vezes, é desencadeada por intolerância do adulto às atitudes e reações próprias da infância e adolescência SECUNDÁRIA Caracteriza-se pela administração de medicação psicoativa a crianças e adolescentes pelos pais ou responsáveis Por meio da obtenção da sua indicação pelo profissional de saúde Por queixas de sintomas inexistentes, distorcidos ou consequentes a outras formas de violência que lhes são impostas Dá-se pelo uso das substâncias psicoativas como instrumento perverso de maltrato Como amarras químicas a atuarem como forma de contenção, submissão, anulação e inibição do desenvolvimento da vítima Como também de mascarar ou encobrir os sintomas das outras violências praticadas NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA E COMPULSÓRIA