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(1) Por que, para Marshall, a curva de demanda tem inclinação negativa (ou seja, apresenta
relação inversa entre preço e quantidade) enquanto que a curva de oferta pode apresentar
qualquer inclinação?
Marshall vai chegar à curva de demanda negativamente inclinada. Para ele, existe uma relação
inversa entre preços e quantidades, pois, ele fixa a utilidade marginal da moeda, ou seja, a unidade
monetária tem a mesma utilidade ao longo de todo o período, enquanto que, a utilidade marginal
do bem está caindo na medida em que se aumenta a quantidade. A pessoa está disposta a trocar
cada vez menos, daquele bem que tem utilidade constante (moeda), por aquele bem que tem
utilidade decrescente. Está se igualando a utilidade da moeda, com a utilidade da última compra
feita. É dessa forma que Marshall chega a uma curva de demanda decrescente, ou seja, quanto
maior a quantidade do bem, menor é sua utilidade marginal, e portanto, menor a disposição de dar
moeda em troca desse bem adicional (que tem uma utilidade menor do que antes); assim, menor é
a disposição a pagar por esse bem e então se chega numa relação inversa entre preços e
quantidades. Porém, para construir a curva de demanda é necessário impor o ceteris paribus á
todas as coisas que podem afetar ou preço ou quantidade, como: gosto, renda, preços de bens
correlatos, etc, e, isolar a relação de quantidade e disposição a pagar.
Para falar de curva de oferta, deve-se discutir preço de oferta primeiro. O preço de oferta é o preço
necessário para mobilizar o sacrifício que se necessita para produzir qualquer quantidade dada de
uma mercadoria. É o preço que o bem tem que custar para que uma unidade seja levada ao
mercado; para cada quantidade, é definida um preço de oferta e isso está relacionado ao sacrifício
que tem que ser coberto para produção dessa unidade. Como o sacrifício é maior para produzir
duas unidades do que uma unidade, o preço de oferta pra induzir que duas unidades de um bem x
sejam levadas ao mercado, vai ter que ser maior do que antes.
Definindo esse bem x como um trabalho por exemplo, Marshall explica que a curva de oferta de
trabalho, iguala a desutilidade marginal do trabalho a utilidade do salário e, como a desutilidade
marginal do trabalho é crescente de acordo as horas trabalhadas, os trabalhadores exigirão mais
para se submeterem a essas horas adicionais, e essas horas adicionais são vistas como um
sacrifício. Ou seja, quanto mais se trabalha, mais remuneração se exige, tornando a curva da oferta
positivamente inclinada. Mas, a curva de oferta nem sempre vai ser positivamente inclinada, pois, o
trabalho não é, usualmente, o único fator de produção envolvido. Há também a terra, o capital e a
organização e estes também afetam o preço de oferta do bem, então considerando os outros
agentes de produção, a curva de oferta pode ter qualquer inclinação.
Por exemplo, pode ser que quando se aumenta a produção de um bem, o preço de oferta, ou seja,
o preço necessário para levar aquele bem ao mercado não se altere, independentemente da
quantidade produzida e, portanto, a curva de oferta irá ser horizontal. Na curva horizontal, os custos
se compensam; para qualquer quantidade o preço de oferta será igual.
Também, pode acontecer que para levar quantidades maiores para o mercado, o produtor acabe
tendo um custo menor de produção a cada unidade produzida e por isso, ele acaba cobrando
menos por quantidades adicionais. Casos assim geralmente estão ligados ao fator organização;
exemplo: ganhos de escala, como produção de carros e a curva de oferta nesse caso será
negativamente inclinada.
(2) Por que os “Clássicos” negavam a possibilidade de uma deficiência generalizada de demanda na
economia? O Keynes concordava com essa visão? (Justifique a resposta).
(3) Explique detalhadamente:
(a) Como um aumento do nível de investimento, segundo Keynes, afetaria a economia.
Para Keynes, o carro chefe da economia é a decisão de investimento e, essa decisão está ligada
inexoravelmente ao futuro. É a decisão de investimento que vai estimular a economia de forma
positiva ou negativa. O investimento tem em sua raiz dois determinantes: a expectativa em relação
a lucratividade (eficiência marginal do capital) e a taxa de juros. Ambos esses componentes são
afetados pela incerteza, pois dependem de previsões e cálculos sobre o futuro, já que eu quero
investir agora para no futuro ter uma produção maior e aumentar minha capacidade instalada e
produtiva.
Se depois de consideradas algumas questões, se chega à conclusão de que vale a pena investir,
isso será feito, e a decisão de investimento que está baseada em um otimismo em relação ao
futuro, faz com que hoje haja um crescimento econômico, pois, ao se investir, a demanda por bens
de capital (máquinas, equipamentos, computadores, etc) cresce, e com isso empregos vão ser
gerados. Gerando empregos, as pessoas vão ter mais renda, vão consumir mais e a demanda por
bens de consumo irá aumentar, fazendo com que o nível de emprego no setor de bens de consumo
aumente também. Toda vez que o investimento varia, a produção varia num múltiplo dessa
variação inicial do investimento, ou seja, uma variação positiva de investimento, vai acarretar em
uma variação positiva multiplicada sobre o nível de produção, renda e emprego dessa economia.
Assim, uma decisão de investimento, ou seja, de aumentar o nível deste, que está amarrada com
expectativa para o futuro, está afetando hoje a economia.
(b) Quais seriam os impactos, segundo o autor, de um aumento autônomo da poupança.
Conforme as pessoas poupam mais, o consumo de bens é menor. Isso faz com que se entre em um
ciclo: ao poupar mais, as pessoas consomem menos e a demanda por bens de investimento é
afetada, fazendo com que os produtores adequem sua produção á nova demanda. Mas ao adequar
a produção a nova demanda, é necessário demitir pessoas para sustentar a nova cadeia de
produção, que é mais baixa. Essa massa da população que ficou desempregada, perde parte de
sua renda e com isso a poupança diminui e, essas pessoas passam a consumir menos, fazendo
com que a demanda agora, no setor de bens de consumo caia também e, novas pessoas sejam
demitidas pois, os produtores vão ter que adequar sua produção novamente de forma que
consigam vender o que produzem. Esse ciclo vai continuar até que a renda caia o suficiente para
igualar a poupança ao nível de investimento existente. Por fim, o esforço de poupança não resultou
de fato no objetivo de se aumentar a poupança, e essa atitude resultou negativamente nos setores
de bens de investimento e depois no de consumo; a poupança gerou queda no consumo, queda de
renda, queda de emprego e por fim voltou ao mesmo nível do investimento, só que agora em uma
situação abaixo do pleno emprego.

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