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5 Se ainda nos identificamos em ponto cego com relação a captar o que nos acontece, vale lembrar que o primeiro passo para o desvendamento é justamente essa identificação. Nesse constatar, questionamos a possibilidade de caminhos alternativos ao pretensamente único, interrogamos possibilidades, e isso já reflete lucidez, pensamento crítico e perspectivas de um novo aprender. (FREITAS, 2016, p.576) 1- INTRODUÇÃO Na época atual, defronte a uma sociedade progressivamente mais atenta e dependente das novas tecnologias e, diante das diversas dificuldades de aprendizagem que atuam de substancialmente no desenvolvimento cognitivo do educando, se faz imprescindível que cada vez mais, a escola busque possibilidades e recursos, que se mostrem capazes de oferecer auxílio a esses alunos, de modo que, estes se apresentem profícuos em seus procedimentos de aprendizado. Nesse sentido, atua o profissional da Psicopedagogia. (WEISS, 2004) Composta por uma sobreposição de duas ciências sociais-- a pedagogia e a psicologia--, a Psicopedagogia revela-se muito além que uma mera reunião desses dois termos. Em outras palavras, esta compreensão denota que essa atividade se exibe muito mais multiforme e profunda do que o prosaico ajuntamento de duas expressões, visto que, a mesma tem em vista discernir, acerca das heterogeneidades pertinentes ao que possa ou não afetar na formação e/ou assimilação do saber. (MONEREO:SOLÉ, 2000). Posto que: [...] a psicopedagogia foi inicialmente uma ação subsidiada da medicina e da psicologia, perfilando -se posteriormente com um conhecimento independente e complementar possuída de um objeto, denominado de processo de aprendizagem, e de recursos diagnósticos, corretores e preventivos próprios. Como já citado o tratamento psicopedagógico visa eliminar sintomas. Deste modo, a relação do psicopedagogo com seu paciente tem como objetivo solucionar os efeitos nocivos do sintoma para, após, dedicar-se a garantir os recursos cognitivos. Pressões internas e externas podem conduzir o profissional a desviar- se de seu propósito esquecendo-se de trabalhar o sujeito de modo que ele atinja situação de autonomia frente ao processo de aprendizagem. (BOSSA, 2000, p. 21) 6 Nesse cenário, a Psicopedagogia revela-se uma ciência que observa e analisa o sequenciamento da aprendizagem humana, consistindo-se em propósito de sua diligência, o educando em seu processo de obtenção do saber. (WEISS, 2004) Ergue-se no país por conta de elevado índice de crianças com insucesso educacional, visto que, foi observado que de formas isoladas, a psicologia e a pedagogia, não conseguiram atenuar e/ou suprimir tais adversidades. (BOSSA, 2007) Ainda de acordo com Bossa (1994, p.23) [...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no caráter assistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem. Tendo em conta, a instituição escolar na qualidade de encarregada por uma relevante parcela na formação do ser, o exercício do psicopedagogo na escola possui um caráter profilático e curativo no que diz respeito a buscar a geração de meios, capacidades e valências para resolução das adversidades decorrentes nos processos de ensino e aprendizagem. "Evidências sugerem que um grande número de alunos possui características que requerem atenção educacional diferenciada"(FIRMINO; BORUCHOVITH; DIEHL, 2001, p. 57). Por sua vez, compete ao psicopedagogo, a função de distinguir e estimar quais as reais premências da escola, seja dando suporte às suas necessidades, como também analisando recorrendo a seu Projeto Político-Pedagógico, de que forma a instituição de ensino encaminha seus processos de ensino-aprendizagem, assegurando o êxito de seus educandos e, sobretudo a respeito de como a família cumpre a sua incumbência de corresponsável ao longo desse processo (BOSSA, 1994). Com este propósito e, em consequência do elevado índice de desafios que abrangem a escola, a família e a sociedade, principalmente no que diz respeito, 7 entre outros, às dificuldades de aprendizagem, na atualidade a intervenção Psicopedagógica, tem se mostrado bastante conveniente e profícua nas instituições escolares. A Psicopedagogia trabalha e estuda a aprendizagem nos setores psicopedagógicos transformando a realidade escolar, vivenciando momentos históricos atuais em busca de adequar a escola às demandas da sociedade, incentivando a implantação de projetos que estimulem a autonomia de professores, alunos; bem como o trabalho do psicopedagogo na instituição escolar enquanto prevenção e socialização dos conhecimentos. (CRUVINEL, 2009, p.02-03). Nesse contexto, ao compreendermos essa necessidade de nos defrontar com essas questões concernentes ao enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, e entendendo que a práxis docente deve cada vez mais, estar associada a realidade destes estudantes, este trabalho apresenta como escopo oferecer uma reflexão em relação a fatores tangenciados às dificuldades de aprendizagem, do mesmo modo, como da relevância da Psicopedagogia no estabelecimento de preceitos e condutas para uma resolução e/ou atenuação desses problemas. À vista disso, na escola, a atuação do psicopedagogo: [...] tem como meta esclarecer a respeito das dificuldades especificas indicando a relação entre os aspectos da aprendizagem seja ela: ortográfica, linguagem escrita, biológica, emocional, cognitiva. Conceituando aprendizagem para construção do diagnóstico o qual é de caráter investigatório, interventivo e contínuo, é fundamental na psicometria clássica testes-aprendizagem, teste, onde se aprendeu: a calcular o potencial de aprendizagem do sujeito em razão das novas aquisições que faz durante o processo (CRUVINEL, 2009, p.11) Nesse sentido, o mesmo se justifica por buscar oferecer subsídios acerca da realidade escolar, na qual, manifestam-se diversificados os problemas relativos aos processos de ensino e aprendizagem. Para tanto, e buscando responder aos pleitos norteadores do estudo: “qual o real papel da Psicopedagogia na instituição escolar, e qual a relevância da atuação do psicopedagogo nas questões referentes às dificuldade de aprendizagem”, optamos por uma revisão integrativa da literatura, empregando a recomendação PRISMA, proposta por Galvão e outros (2015). Desse modo, o arrolamento dos artigos foi produzido por intermédio de investigações na Revista Psicopedagogia da ABPp, assim como nas bases de dados: LILACS e SCIELO. A opção pela 8 revisão integrativa apresentou como principal finalidade, a análise e consolidação do conhecimento científico transmitido e publicizado, acerca da atuação efetiva do psicopedagogo nas instituições escolares e, as novas e desafiadoras questões enfrentadas por este profissional, frente a estas e, demais demandas no contexto educacional. 9 2- REFERENCIAL TEÓRICO 2.1- A PSICOPEDAGOGIA COMO ESTRUTURANTE NOS PROCESSOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM Segundo Firmino e outros (2001), em face de um fraco desempenho escolar, cada vez mais, as instituições tem demonstrado um maior cuidado com os estudantes que manifestam dificuldades de aprendizagem, porquanto, estas sozinhas não estão sabendo decifrar como atuar com os alunos que nãoalcançam aprender conforme o processo considerado como referência, e dessa maneira, não possuem à sua disposição uma estrutura de intervenção apropriada e suscetível a cooperar para a suplantação dessas adversidades. Nesse sentido, ainda de acordo com os autores supracitados, na qualidade de um profissional especialista, o psicopedagogo institucional, mostra-se apto para operar no âmbito da educação, oferecendo assistência aos docentes e demais agentes da instituição, de modo a promover melhoramentos nos processos de ensino-aprendizagem, como também acerca da atenção às dificuldades de aprendizagem. (FIRMINO; et al, 2001) Através de métodos e procedimentos adequados, o psicopedagogo torna possível uma intervenção em ambientes institucionais que propenda para a resolução dos problemas de aprendizagem. Nesse quadro, o psicopedagogo em conjunto com o grupo de trabalho escolar, se moverá na estruturação de um ambiente apropriado e favorável às circunstâncias e especificidades de aprendizagem, de forma a refrear possíveis adversidades. (BOSSA, 1994) Em relação aos enfoques profilático e terapêutico acerca das dificuldades de aprendizagem, é plausível assegurar que o psicopedagogo além disso, atua igualmente no caráter curativo. O enfoque profilático é aquele, no qual se busca por meio da execução de um diagnóstico, frustrar uma futura ocorrência de dificuldade de aprendizagem, e quanto ao terapêutico e/ou curativo, diz respeito à busca por procedimentos que concorram para a readequação pedagógica do educando, na direção em que, o psicopedagogo o assessorará na obtenção do conhecimento, viabilizando elementos e canais para que este ao ampliar seus conhecimentos também estenda sua personalidade, uma vez que: “os 10 psicopedagogos, na função de educador, ou seja, todos aqueles que são responsáveis na formação de outro ser humano” (CRUVINEL, 2009,p.07). Nesse cenário, a Psicopedagogia opera também em diferentes campos, além da escola atua ainda em empresas corporativas e hospitais nos quais se esquadrinha uma correlação do indivíduo com suas memórias de vida, de modo a conduzi-lo a reassumir sua aprendizagem. Assim, opta por um procedimento e/ou método de intervenção cujo propósito busca a promoção e/ou desobstrução de tal processo. (CRUVINEL, 2009) Os fundamentos e conhecimentos obtidos pelo psicopedagogo no decorrer de sua formação consideram tanto as possibilidades de assimilação do indivíduo, como sua iniciativa e determinação no aprender, no ser e no fazer. Contudo, caberá a este profissional discernir que tal cognição é uma capacidade humana própria do saber, capaz de ser impulsionada e revigorada, consubstanciando seu conhecimento e auxiliando na aprendizagem em um mais vasto grau, que provavelmente consistirá num enriquecimento da qualidade de ensino. (CASTRO, 1999). Corroborando nesse sentido, em sua obra: “Psicopedagogo: um generalista especialista em problemas, Aprendizagem”, Campos (2002), define a Psicopedagogia como um exercício franco e amplo com a aprendizagem humana tornando-se ainda uma área genuinamente técnica, de modo a possibilitar que através de um tratamento distinto na atenção às dificuldades na aprendizagem, essa aprendizagem ocorra por meio de uma práxis pedagógica, ou pela via do assessoramento particularizado. Segundo definição de Wolffenbuttel (2005), a Psicopedagogia: [...] contempla uma abordagem ampla e integrada do sujeito a fim de compreender o seu aprender em todos os sentidos, a saber, em relação ao significado de aprender, à construção da estruturação lógica, a um aprisionamento do corpo, a uma ressignificação de um organismo com problemas e outros. (WOLFFENBUTTEL, 2005, p.18). Nesse contexto, a Psicopedagogia atua na qualidade de uma ciência analítica da educação que simultaneamente ao transmitir saberes modificando seu meio, procura compreender e apontar como o indivíduo também age para a transformação do ambiente no qual está inserido. (POLITY, 2004). 11 2.2- A PSICOPEDAGOGIA, AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E O FRACASSO ESCOLAR. Segundo Sá e outros (2013), ainda que reiteradamente se possua o mesmo entendimento em relação às duas concepções, torna-se necessário uma maior ponderação acerca do que sejam as distinções existentes entre o fracasso escolar e, as dificuldades de aprendizagem. Logo a diferenciação entre essas duas concepções, requer um diagnóstico que constitui-se: [...] composto de vários momentos que temporal e espacialmente tomam dimensões diferentes conforme a necessidade de cada caso. Assim, há momentos de anamnese só com os pais, de compreensão das relações familiares em sessão com toda a família presente, de avaliação da produção pedagógica e de vínculos com objetos de aprendizagem escolar, busca da construção e funcionamento das estruturas cognitivas (diagnóstico operatório), desempenho em testes de inteligência e visomotores, análise de aspectos emocionais por meio de testes expressivos, sessões de brincar e criar. Tudo isso pode ser estruturado numa sequência diagnóstica estabelecida a partir dos primeiros contatos com o caso. (WEISS, 2004, p.35). Nesse contexto, as dificuldades de aprendizagem viriam a tratar-se de um processo singular e abstrato, e que em sua maioria, os episódios dão-se em conjunto com alguma necessidade educacional característica ou uma determinada deficiência, podendo vir a convergir para o fracasso escolar. Ao passo que o fracasso escolar derivam de uma convergência de fatores que em algum instante interatuam-se e inibem o desenvolvimento cognitivo do indivíduo e, por consequência também dos núcleos familiar, social e acadêmico, nos quais se insere (SÁ et al,2013). A família tem um papel central no desenvolvimento do ser humano, não apenas pela garantia da sobrevivência física, mas também porque dentro dela onde se realizam as aprendizagens primordiais que serão necessárias para o desenvolvimento autônomo dentro da sociedade que está inserido (PASCHOAL, 2011, p.15) Desse modo, considera-se que a personalidade do ser, carece e deriva da junção de dois fundamentos, sendo estes os congênitos e/ou instintivos que exibem as particularidades inerentes, transmitidas biologicamente dos pais para seus filhos, e os educacionais que consistem-se nos instrutivos e/ou didático-pedagógicos obtidos pela difusão dos conhecimentos em sociedade. (BARBOSA, 2001) 12 Na instituição escolar o trabalho psicopedagógico deve ser pensado no campo da socialização de conhecimentos disponíveis, na promoção do desenvolvimento cognitivo e na construção de regras de conduta, num projeto social mais amplo. A escola, vista como agregadora dos sujeitos é também participante do processo de aprendizagem, sendo estes as preocupações dos psicopedagogos na ação preventiva e até mesmo na ação curativa. O psicopedagogo tem que distinguir as teorias que lhe permitam conhecer de que modo se dá a aprendizagem, o que é ensinar e aprender (CRUVINEL, 2009, p.03) Nessa perspectiva, conforme Freinet (2002), a análise psicopedagógica alcança seus propósitos quando, expandindo a compreensão acerca das características e dificuldades de aprendizagem de algum aluno, amplia o campo para que a instituição propicie meios e procedimentos para dar atendimento a essas questões de aprendizagem. Para tanto, há que se realizar uma minuciosa análise acerca de seu Projeto Político-Pedagógico, principalmente, no que refere-se às suas proposições de ensino, bem como do que é estimado como aprendizagem. Desse modo, a lida psicopedagógica se converte podendo vir a se transfigurar num eficaz instrumento na assistência à aprendizagem. (FREINET, 2002) Nesse seguimento, segundo percepções de Correia e Martins (2005), na escola vários dos problemas de aprendizagem, entre os quais a dislexia, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e a indisciplina, procedemde diversos contextos sócio afetivos não solucionados ao longo dos anos. Ainda, conforme os autores, trata-se de uma sucessão de sensações e vivências que suportam no meio e repercutem em sua aprendizagem, por vezes, de forma positiva e, por vezes, de forma negativa. Logo, a dificuldade na aprendizagem, é uma problemática que precisa ser observada, considerando-se todos as âmbitos nos quais o sujeito se insere, entre eles, a família, a sociedade e a escola, entre outros. (CORREIA; MARTINS, 2005) Corroborando nesse aspecto, segundo Soares (2003), considera-se que em nenhum momento exista um único agente para o fracasso escolar e, que da mesma forma, um aluno que apresente dificuldade em sua aprendizagem, essencialmente, não se faz referência a alguém que apresente deficiência intelectual ou distúrbios análogos, na prática e de fato, compreende-se que hão 13 facetas basilares que devem ser trabalhadas para se alcançar um melhor avanço e aproveitamento nos diversos níveis de conhecimento e aprendizagem. Contudo para a autora, no momento em que nos referimos a conhecimento e aprendizagem, não nos baseamos unicamente nos conteúdos de disciplinas curriculares, mas do mesmo modo, a desenvolvimentos e conhecimentos de/da vida, que se mostram tão significantes quanto. Ainda para a escritora, a aprendizagem, de forma direta é pertinente ao proceder. Para a mesma, é nos instruindo que reestruturamos nossa forma de conduta em sociedade e quanto a ela em linhas gerais (SOARES, 2003). Ao psicopedagogo não interessam as questões de estrutura da personalidade, enquanto estas não afetam de forma que manifesta o vínculo do indivíduo com a aprendizagem. Da mesma forma, o psicopedagogo não trabalha especificadamente com conteúdos escolares e formas. Mas antes com situações cognitivas, com o próprio processo de pensamento, de construção do conhecimento e solução de problemas. Procura-se o resgate do prazer em aprender, não para a escola, ou para a família, mas para a vida da criança. (CAMPO, 2002, p.21) Nessa lógica, no que concerne ao processo de ensino-aprendizagem, compete ao docente na qualidade de moderador, assim como de fomentador no estudo e resolução das dificuldades de aprendizagem, adquirir diretrizes específicas, de modo, que consiga desempenhar um trabalho consciente e responsável, que busque a evolução e o incremento de todos os abrangidos no processo. (CORREIA; MARTINS, 2005) Ainda para os articulistas, alegar que a instituição não apresenta os requisitos suficientes para o desdobramento de uma ação que dê atendimento às premências e complexidades de algum aluno, certamente, mostraria uma confortável passividade ou inércia, uma vez que, para que ocorra uma suplantação dessas dificuldades, torna-se imprescindível a existência de uma considerável substância que consiste-se na condição humana, ao passo que os recursos materiais, mostram-se apenas como instrumentos suplementares. Para a psicopedagogia, a aprendizagem é concebida como um processo no qual o aprendiz possui uma participação intensa sobre seu próprio aprendizado, articulando cognição e afeto e garantindo que o conhecimento seja desejado e, por isso, aprendido. (BARBOSA, 2010, p.13) 14 Desse modo, a instituição escolar certamente, se mostra um excepcional espaço para um desenvolvimento proficiente da aprendizagem, visto que, por meio dela o aluno consegue experienciar, através das diferentes relações com outros sujeitos, uma coexistência objetiva com novas possibilidades de vivências e conhecimentos. No que nos diz respeito, enquanto psicopedagogos, ainda que possamos atentar para um série de fatores, entre os quais, a autoestima, o comprometimento e a determinação do aluno, assim como no engajamento de suas famílias, será no nível, na qualidade e na relevância do ensino proporcionado, tal como na resignação e no suporte prestados pelo docente que consistem a diferença, e possivelmente serão os propulsores do êxito escolar desse aluno. (CORREIA; MARTINS, 2005) 2.3- A REAL SIGNIFICÂNCIA DE UM PSICOPEDAGOGO NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO Ao nos atentarmos aos relatos precedentes, conseguimos compreender que face às dificuldades de aprendizagem, cabe ao psicopedagogo atuar com capacidades que intervenham diretamente nas instâncias biológicas, intelectuais e afetivas nos desdobramentos do conhecimento do indivíduo que, no caso em questão, seria a instituição escolar com suas ideologias, doutrinas, conceitos e valores. Contudo, compreende-se também, ser igualmente de incumbência deste profissional, imbuir-se simultaneamente de uma conduta investigativa e intervencionista (FONSECA, 2008). Nesse sentido, na área da Psicopedagogia, acerca da significância de uma formação docente, é necessário objetivar a sua abrangência como recurso e/ou auxílio ao arcabouço educacional, uma vez que: A formação do psicopedagogo é indício para a formação da identidade deste profissional. Deste modo, regulamentar a profissão de psicopedagogo efetivaria sua existência e seu reconhecimento, com base em leis. Questões como tipo de curso, formação e conhecimento prévio, criação de órgãos de classe, espaço ocupado pela psicopedagogia, entre outros, proporcionaria base para este reconhecimento e delimitaria a atuação da psicopedagogia clínica, institucional e a participação em pesquisa científica. (CRUVINEL, 2009, p.06) Logo, depreendemos que o aporte da Psicopedagogia aplica como embasamento suas percepções históricas, sociais, culturais e na compreensão 15 do ser e de seus atos e posturas. Em vista disso, nos compete ratificar que a mesma, não representa qualquer enfoque da ciência psicológica capaz de suprir as aspirações e necessidades do indivíduo. No entanto, o entendimento do profissional de Psicopedagogia pode oferecer muitos subsídios na percepção e/ou constatação das dificuldades que inibem a cognição do aluno. (BOSSA, 1994) Nesse contexto, concordando com a autora, podemos inferir que: Historicamente, a Psicopedagogia nasceu para atender a patologia da aprendizagem, mas ela se tem voltado cada vez mais para uma ação preventiva, acreditando que muitas dificuldades de aprendizagem se devem à inadequada Pedagogia institucional e familiar. A proposta da Psicopedagogia, numa ação preventiva, é adotar uma postura crítica frente ao fracasso escolar, numa concepção mais totalizante, visando propor alternativas de ação voltadas para a melhoria da prática pedagógica nas escolas. (BOSSA, 1994, p. 24). Dessa forma, visto que todo indivíduo apresenta um ritmo característico de aprendizagem, e o conhecimento provém das vivências e do enfrentamento a dificuldades que exibem uma ampla acumulação de idiossincrasias que se mostram vigentes na práxis social de cada pessoa, a Psicopedagogia compreende que o processo pedagógico não se trata unicamente de um trivial reverberador de concepções fixas a serem imediatamente adotadas e absorvidas por alunos, agentes escolares e instituição (BARBOSA, 2001). Nessa perspectiva, de acordo com Paín (1985), a Psicopedagogia se une a outras ciências distintas tais quais a sociologia, a filosofia, a linguística, a psicanálise e a neurologia na direção de sua intensa adequação reflexiva na busca por procedimentos de intervenção atuando na esfera psicopedagógica influenciando deste modo no campo educacional, onde, ainda segundo autor, os principais óbices na aprendizagem são originados por fatores intrínsecos ou extrínsecos ao ordenamento familiar e pessoal, no qual as dificuldades provenientes dos fatores extrínsecos são os problemas de aprendizagem reagentes ou reativos, ao passo que, sintomas são aqueles originados intrinsecamente na individualidade ou núcleo familiar do indivíduo. (PAÍN, 1985) Sob esse prisma, quando se opera nas agentes externos, se dá uma ação preventiva e,quando apresenta uma interposição nas questões relativas à composição pessoal e/ou familiar, se desempenha uma intervenção terapêutica. 16 Nesse seguimento, de forma sistematizada, o psicopedagogo tem consciência acerca da relevância da inserção familiar na sua observação, de modo a consubstanciar sua atuação no delineamento curricular, tornando-se a família imprescindível na superação das dificuldades externadas. “A intervenção psicopedagógica colabora a partir do momento que domina as duas principais instituições sociais: A família e a escola”. (PASCHOAL, 2011, p.20) O trabalho com valores nas famílias é o alicerce da educação e formação de caráter do indivíduo que se almeja formar e [...] busca no fortalecimento de determinados valores, meios para contribuir com o caráter e desenvolvimento ético, moral e espiritual de seu filho (PASCHOAL, 2011, p.19). Ainda assim, o psicopedagogo deve apresentar uma olhar epistemológico abrangente, em outras palavras, ter em vista o entendimento do sujeito capaz da absorção de saberes, isto é, reconhecer que a pessoa encontra-se em pleno processo de aprendizagem e, mostra-se capazmente suscetível a obter conhecimento. 2.3.1- O profissional de Psicopedagogia quanto à sua formação Quanto à formação do profissional de Psicopedagogia, percebe-se que, acerca dos níveis de graduação e especialização, esta presta-se apenas a apresentar subsídios e um embasamento para o exercício prático, cabendo aos profissionais que pretendem adotar esta área enquanto carreira profissional, a busca por mais elementos por meio de cumprimento de estágios e cursos de aprofundamento e/ou aperfeiçoamento. Este contexto mostra-se relevante e perturbador, uma vez que, na hipótese da especialização não favorecer ou ocasionar um conhecimento proficiente o exercício, sobretudo em contexto escolar, poderá apresentar discrepâncias, vindo a incidir até mesmo na observação e/ou análise dos alunos que carecem de um assessoramento adequado e profícuo. Contudo, ainda uma grande parcela de profissionais não denotam a consciência do refinamento continuado. (MASINI,2006) Observa-se que os psicopedagogos que lidam na instituição escolar, se defrontam com obstáculos como a escassez de recursos para o aperfeiçoamento, a resistência das famílias em aceitar que seus filhos carecem desta espécie de atendimento e, sobretudo a relutância de alguns educadores e 17 demais agentes educacionais. Existe também refutação em se adotar determinadas orientações sugeridas e na realização de adequações curriculares, que se mostram imprescindíveis para que o aluno apreenda o conteúdo aplicado e seja capaz de estabelecer novas aprendizagens e dar novos significados aos saberes já concebidos por intermédio das experiências, vivências, e interações. (ALMEIDA,1992) Nesse contexto, todos tomam parte do/no processo educacional da instituição e, para reconhecer as procedências das dificuldades de aprendizagem é preciso reconsiderar alguns posicionamentos escolares, entre os quais os procedimentos de avaliação, alguns métodos pedagógicos, composição da sala de aula e curricular, conduta do professor, convívio, coordenação, e os aspectos pedagógicos, sociais, e emocionais que sejam capazes de influir na aprendizagem. (SASS,2003) E conforme prerrogativa de Wonfebuttel (2001, p. 34): [...] não basta que o psicopedagogo tenha somente uma ação preventiva, trabalhando com educadores, quando surgirem processos patológicos individuais; nessas situações cresce a importância da identificação da patologia e da indicação terapêutica. Da mesma forma, não é suficiente que o psicopedagogo intervenha terapeuticamente, atendendo ao sujeito individualmente, sem que sua ação se estenda à instituição escolar. Dentro dessa perspectiva, as dimensões clínicas e institucionais não se contrapõem. Nessa perspectiva, infere-se que, observando as potencialidades, capacidades e dificuldades de modo individual, o profissional psicopedagogo pode operar de forma a prever e intervir em benefício da aprendizagem do aluno. No entanto, o psicopedagogo não atuará exclusivamente em face do suporte ao aluno que apresentar dificuldades na aprendizagem, porém também prestará uma assistência pedagógica aos profissionais que cotidianamente atuam em interação com estes e, que são instigados e/ou condicionados pelo processo de ensino aprendizagem (PONTES, 2010). Considerando que quando bem-sucedida, a aprendizagem provém de uma convergência da emoção, da ponderação e dos processos, pode-se constatar que o cerne da aprendizagem passaria a ser os nossos sentimentos. Em uma abordagem adequada, o núcleo da mediação na escola, passaria a ser, acima 18 de tudo, contrapor-se às tensões cotidianas e, em especial, àquelas que se revelam na educação. (ABED, 2016) 19 3- CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo de nossos estudos, conseguimos depreender que o campo da Psicopedagogia é competente para cooperar de forma significativa para o processo de ensino-aprendizagem, sobretudo nesse momento, em que a especialidade vem se avolumando e, progressivamente vem recebendo mais oportunidades nas instituições educacionais, empresariais e hospitalares, entre outras. Nessa perspectiva, tal campo vem se desenvolvendo e se aprimorando com novas práticas analíticas por meio da intermediação sistêmica nos planos educacionais, sociais, familiar e econômicos do aluno, de modo, a buscar compreender os agentes que convergem para as dificuldades de aprendizagem, uma vez que, se percebe que um diagnóstico exitoso é aquele que procura distinguir as procedências cotidianas das dificuldades relativas aos processos desenvolvidos por meio das observações, experiências, habilidade e tirocínio prático. Do mesmo modo, também se depreende que no espaço escolar possam coexistir demandas familiares que sejam capazes de interferir no processo cognitivo do aluno, tornando indispensável na escola, uma atuação concreta de um profissional psicopedagogo e, inclusive de modo recente, do profissional psicopedagogo clínico. Apesar disso, ainda se percebe uma determinada resistência institucional, das famílias e até do próprio segmento que, em geral, apresenta apenas um olhar superficial acerca do trabalho, efeitos e benefícios que este profissional possa agregar ao processo de ensino-aprendizagem da instituição, e consequentemente, à vida dos alunos assistidos. Sendo assim, se faz imperativo que instituições, famílias, e demais agentes da educação, --incluindo-se os psicopedagogos--, possuam uma exata compreensibilidade acerca desta atividade, considerando a atenção em se ofertar em suas propostas pedagógicas as pertinências da Psicopedagogia. Conseguimos perceber também, que em sua maioria, vários dos problemas de aprendizagem observados decorrem de situações onde a criança é oriunda de uma determinada desestruturação familiar, e desse modo, a escola pode 20 assessorar esta família, a convidando a diretamente fazer parte das/nas intervenções. Nesse contexto, é relevantíssimo realçarmos toda contribuição da Psicopedagogia, fomentando um diagnóstico mais aprofundado de tudo referente à aprendizagem oferecendo uma reestruturação e, resignificação do verdadeiro aspecto que conduz às dificuldades de aprendizagem, considerando- se que essas dificuldades são componentes de um sistema biopsicossocial que abrange a escola, as famílias, o aluno, e o meio no qual estes se situam. Para tanto, a atribuição da Psicopedagogia e seus cuidados, na qualidade de área de conhecimento multidisciplinar propõe-se a captar como dão-se os processos de aprendizagem e abranger as possíveis dificuldades estabelecidas nesta direção (BEAUCLAIR, 2004). É ainda necessário ressaltar, que só seremos capazes de efetivamente intervir nas dificuldadesde aprendizagem, no momento em que atuarmos com nossos alunos de modo equipotente e intercambiável, atentando para projetarmos nessa aprendizagem um processo significante, onde o conhecimento a ser assimilado e apreendido agregue algumas valências e relevâncias para a vida do aluno, não apenas na sua vivência educacional, como também, em sua trajetória de vida. Finalmente, não temos que lidar com as dificuldades de aprendizagem, como se estas significassem demandas indissolúveis, contudo, como desafios que participam do próprio sistema de aprendizagem. Igualmente, parece haver consensualidade na necessidade imprescindível de, considerando caber ao psicopedagogo, operar com capacidades que intervenham diretamente nas instâncias biológicas, intelectuais e afetivas nos desdobramentos do conhecimento do indivíduo, se possível já na fase pré-escolar, com antecedência se discernir e se amparar de potenciais e/ou prováveis dificuldades de aprendizagem. 21 REFERÊNCIAS ABED ALZ. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica. Constr Psicopedag. 2016. ALMEIDA SFC. Psicopedagogia: a interdisciplinaridade possível e necessária. Rev. Psicol (Fortaleza). 1991-1992 BARBOSA, Laura Monte Serrat. A psicopedagogia no âmbito da instituição escolar.Curitiba: Expoente, 2001. BEAUCLAIR, João. O que é a Psicopedagogia?.Rio de Janeiro, 2004, disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=98. Acesso em 25 Fev. 2021. BOSSA, Nádia. 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