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5 
 
Se ainda nos identificamos em ponto cego com relação a captar 
o que nos acontece, vale lembrar que o primeiro passo para o 
desvendamento é justamente essa identificação. Nesse 
constatar, questionamos a possibilidade de caminhos 
alternativos ao pretensamente único, interrogamos 
possibilidades, e isso já reflete lucidez, pensamento crítico e 
perspectivas de um novo aprender. 
 (FREITAS, 2016, p.576) 
1- INTRODUÇÃO 
Na época atual, defronte a uma sociedade progressivamente mais atenta e 
dependente das novas tecnologias e, diante das diversas dificuldades de 
aprendizagem que atuam de substancialmente no desenvolvimento cognitivo do 
educando, se faz imprescindível que cada vez mais, a escola busque 
possibilidades e recursos, que se mostrem capazes de oferecer auxílio a esses 
alunos, de modo que, estes se apresentem profícuos em seus procedimentos de 
aprendizado. Nesse sentido, atua o profissional da Psicopedagogia. (WEISS, 
2004) 
Composta por uma sobreposição de duas ciências sociais-- a pedagogia e a 
psicologia--, a Psicopedagogia revela-se muito além que uma mera reunião 
desses dois termos. Em outras palavras, esta compreensão denota que essa 
atividade se exibe muito mais multiforme e profunda do que o prosaico 
ajuntamento de duas expressões, visto que, a mesma tem em vista discernir, 
acerca das heterogeneidades pertinentes ao que possa ou não afetar na 
formação e/ou assimilação do saber. (MONEREO:SOLÉ, 2000). 
Posto que: 
[...] a psicopedagogia foi inicialmente uma ação subsidiada da medicina 
e da psicologia, perfilando -se posteriormente com um conhecimento 
independente e complementar possuída de um objeto, denominado de 
processo de aprendizagem, e de recursos diagnósticos, corretores e 
preventivos próprios. Como já citado o tratamento psicopedagógico 
visa eliminar sintomas. Deste modo, a relação do psicopedagogo com 
seu paciente tem como objetivo solucionar os efeitos nocivos do 
sintoma para, após, dedicar-se a garantir os recursos cognitivos. 
Pressões internas e externas podem conduzir o profissional a desviar-
se de seu propósito esquecendo-se de trabalhar o sujeito de modo que 
ele atinja situação de autonomia frente ao processo de aprendizagem. 
(BOSSA, 2000, p. 21) 
 
6 
 
Nesse cenário, a Psicopedagogia revela-se uma ciência que observa e analisa 
o sequenciamento da aprendizagem humana, consistindo-se em propósito de 
sua diligência, o educando em seu processo de obtenção do saber. (WEISS, 
2004) 
Ergue-se no país por conta de elevado índice de crianças com insucesso 
educacional, visto que, foi observado que de formas isoladas, a psicologia e a 
pedagogia, não conseguiram atenuar e/ou suprimir tais adversidades. (BOSSA, 
2007) 
Ainda de acordo com Bossa (1994, p.23) 
[...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no 
processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade 
educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações 
metodológicas de acordo com as características e particularidades dos 
indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no 
caráter assistencial, o psicopedagogo participa de equipes 
responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto 
teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os 
professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da 
escola frente a sua docência e às necessidades individuais de 
aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem. 
Tendo em conta, a instituição escolar na qualidade de encarregada por uma 
relevante parcela na formação do ser, o exercício do psicopedagogo na escola 
possui um caráter profilático e curativo no que diz respeito a buscar a geração 
de meios, capacidades e valências para resolução das adversidades 
decorrentes nos processos de ensino e aprendizagem. "Evidências sugerem que 
um grande número de alunos possui características que requerem atenção 
educacional diferenciada"(FIRMINO; BORUCHOVITH; DIEHL, 2001, p. 57). 
Por sua vez, compete ao psicopedagogo, a função de distinguir e estimar quais 
as reais premências da escola, seja dando suporte às suas necessidades, como 
também analisando recorrendo a seu Projeto Político-Pedagógico, de que forma 
a instituição de ensino encaminha seus processos de ensino-aprendizagem, 
assegurando o êxito de seus educandos e, sobretudo a respeito de como a 
família cumpre a sua incumbência de corresponsável ao longo desse processo 
(BOSSA, 1994). 
Com este propósito e, em consequência do elevado índice de desafios que 
abrangem a escola, a família e a sociedade, principalmente no que diz respeito, 
7 
 
entre outros, às dificuldades de aprendizagem, na atualidade a intervenção 
Psicopedagógica, tem se mostrado bastante conveniente e profícua nas 
instituições escolares. 
A Psicopedagogia trabalha e estuda a aprendizagem nos setores 
psicopedagógicos transformando a realidade escolar, vivenciando 
momentos históricos atuais em busca de adequar a escola às 
demandas da sociedade, incentivando a implantação de projetos que 
estimulem a autonomia de professores, alunos; bem como o trabalho 
do psicopedagogo na instituição escolar enquanto prevenção e 
socialização dos conhecimentos. (CRUVINEL, 2009, p.02-03). 
Nesse contexto, ao compreendermos essa necessidade de nos defrontar com 
essas questões concernentes ao enfrentamento das dificuldades de 
aprendizagem, e entendendo que a práxis docente deve cada vez mais, estar 
associada a realidade destes estudantes, este trabalho apresenta como escopo 
oferecer uma reflexão em relação a fatores tangenciados às dificuldades de 
aprendizagem, do mesmo modo, como da relevância da Psicopedagogia no 
estabelecimento de preceitos e condutas para uma resolução e/ou atenuação 
desses problemas. 
À vista disso, na escola, a atuação do psicopedagogo: 
[...] tem como meta esclarecer a respeito das dificuldades especificas 
indicando a relação entre os aspectos da aprendizagem seja ela: 
ortográfica, linguagem escrita, biológica, emocional, cognitiva. 
Conceituando aprendizagem para construção do diagnóstico o qual é 
de caráter investigatório, interventivo e contínuo, é fundamental na 
psicometria clássica testes-aprendizagem, teste, onde se aprendeu: a 
calcular o potencial de aprendizagem do sujeito em razão das novas 
aquisições que faz durante o processo (CRUVINEL, 2009, p.11) 
Nesse sentido, o mesmo se justifica por buscar oferecer subsídios acerca da 
realidade escolar, na qual, manifestam-se diversificados os problemas relativos 
aos processos de ensino e aprendizagem. 
Para tanto, e buscando responder aos pleitos norteadores do estudo: “qual o real 
papel da Psicopedagogia na instituição escolar, e qual a relevância da atuação 
do psicopedagogo nas questões referentes às dificuldade de aprendizagem”, 
optamos por uma revisão integrativa da literatura, empregando a recomendação 
PRISMA, proposta por Galvão e outros (2015). Desse modo, o arrolamento dos 
artigos foi produzido por intermédio de investigações na Revista Psicopedagogia 
da ABPp, assim como nas bases de dados: LILACS e SCIELO. A opção pela 
8 
 
revisão integrativa apresentou como principal finalidade, a análise e 
consolidação do conhecimento científico transmitido e publicizado, acerca da 
atuação efetiva do psicopedagogo nas instituições escolares e, as novas e 
desafiadoras questões enfrentadas por este profissional, frente a estas e, demais 
demandas no contexto educacional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
2- REFERENCIAL TEÓRICO 
2.1- A PSICOPEDAGOGIA COMO ESTRUTURANTE NOS PROCESSOS DE 
ENSINO-APRENDIZAGEM 
Segundo Firmino e outros (2001), em face de um fraco desempenho escolar, 
cada vez mais, as instituições tem demonstrado um maior cuidado com os 
estudantes que manifestam dificuldades de aprendizagem, porquanto, estas 
sozinhas não estão sabendo decifrar como atuar com os alunos que nãoalcançam aprender conforme o processo considerado como referência, e dessa 
maneira, não possuem à sua disposição uma estrutura de intervenção 
apropriada e suscetível a cooperar para a suplantação dessas adversidades. 
Nesse sentido, ainda de acordo com os autores supracitados, na qualidade de 
um profissional especialista, o psicopedagogo institucional, mostra-se apto para 
operar no âmbito da educação, oferecendo assistência aos docentes e demais 
agentes da instituição, de modo a promover melhoramentos nos processos de 
ensino-aprendizagem, como também acerca da atenção às dificuldades de 
aprendizagem. (FIRMINO; et al, 2001) 
Através de métodos e procedimentos adequados, o psicopedagogo torna 
possível uma intervenção em ambientes institucionais que propenda para a 
resolução dos problemas de aprendizagem. Nesse quadro, o psicopedagogo em 
conjunto com o grupo de trabalho escolar, se moverá na estruturação de um 
ambiente apropriado e favorável às circunstâncias e especificidades de 
aprendizagem, de forma a refrear possíveis adversidades. (BOSSA, 1994) 
Em relação aos enfoques profilático e terapêutico acerca das dificuldades de 
aprendizagem, é plausível assegurar que o psicopedagogo além disso, atua 
igualmente no caráter curativo. O enfoque profilático é aquele, no qual se busca 
por meio da execução de um diagnóstico, frustrar uma futura ocorrência de 
dificuldade de aprendizagem, e quanto ao terapêutico e/ou curativo, diz respeito 
à busca por procedimentos que concorram para a readequação pedagógica do 
educando, na direção em que, o psicopedagogo o assessorará na obtenção do 
conhecimento, viabilizando elementos e canais para que este ao ampliar seus 
conhecimentos também estenda sua personalidade, uma vez que: “os 
10 
 
psicopedagogos, na função de educador, ou seja, todos aqueles que são 
responsáveis na formação de outro ser humano” (CRUVINEL, 2009,p.07). 
Nesse cenário, a Psicopedagogia opera também em diferentes campos, além da 
escola atua ainda em empresas corporativas e hospitais nos quais se 
esquadrinha uma correlação do indivíduo com suas memórias de vida, de modo 
a conduzi-lo a reassumir sua aprendizagem. Assim, opta por um procedimento 
e/ou método de intervenção cujo propósito busca a promoção e/ou desobstrução 
de tal processo. (CRUVINEL, 2009) 
Os fundamentos e conhecimentos obtidos pelo psicopedagogo no decorrer de 
sua formação consideram tanto as possibilidades de assimilação do indivíduo, 
como sua iniciativa e determinação no aprender, no ser e no fazer. Contudo, 
caberá a este profissional discernir que tal cognição é uma capacidade humana 
própria do saber, capaz de ser impulsionada e revigorada, consubstanciando seu 
conhecimento e auxiliando na aprendizagem em um mais vasto grau, que 
provavelmente consistirá num enriquecimento da qualidade de ensino. 
(CASTRO, 1999). 
Corroborando nesse sentido, em sua obra: “Psicopedagogo: um generalista 
especialista em problemas, Aprendizagem”, Campos (2002), define a 
Psicopedagogia como um exercício franco e amplo com a aprendizagem 
humana tornando-se ainda uma área genuinamente técnica, de modo a 
possibilitar que através de um tratamento distinto na atenção às dificuldades na 
aprendizagem, essa aprendizagem ocorra por meio de uma práxis pedagógica, 
ou pela via do assessoramento particularizado. 
Segundo definição de Wolffenbuttel (2005), a Psicopedagogia: 
[...] contempla uma abordagem ampla e integrada do sujeito a fim de 
compreender o seu aprender em todos os sentidos, a saber, em 
relação ao significado de aprender, à construção da estruturação 
lógica, a um aprisionamento do corpo, a uma ressignificação de um 
organismo com problemas e outros. (WOLFFENBUTTEL, 2005, p.18). 
Nesse contexto, a Psicopedagogia atua na qualidade de uma ciência analítica 
da educação que simultaneamente ao transmitir saberes modificando seu meio, 
procura compreender e apontar como o indivíduo também age para a 
transformação do ambiente no qual está inserido. (POLITY, 2004). 
11 
 
2.2- A PSICOPEDAGOGIA, AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E O 
FRACASSO ESCOLAR. 
Segundo Sá e outros (2013), ainda que reiteradamente se possua o mesmo 
entendimento em relação às duas concepções, torna-se necessário uma maior 
ponderação acerca do que sejam as distinções existentes entre o fracasso 
escolar e, as dificuldades de aprendizagem. 
Logo a diferenciação entre essas duas concepções, requer um diagnóstico que 
constitui-se: 
[...] composto de vários momentos que temporal e espacialmente 
tomam dimensões diferentes conforme a necessidade de cada caso. 
Assim, há momentos de anamnese só com os pais, de compreensão 
das relações familiares em sessão com toda a família presente, de 
avaliação da produção pedagógica e de vínculos com objetos de 
aprendizagem escolar, busca da construção e funcionamento das 
estruturas cognitivas (diagnóstico operatório), desempenho em testes 
de inteligência e visomotores, análise de aspectos emocionais por meio 
de testes expressivos, sessões de brincar e criar. Tudo isso pode ser 
estruturado numa sequência diagnóstica estabelecida a partir dos 
primeiros contatos com o caso. (WEISS, 2004, p.35). 
Nesse contexto, as dificuldades de aprendizagem viriam a tratar-se de um 
processo singular e abstrato, e que em sua maioria, os episódios dão-se em 
conjunto com alguma necessidade educacional característica ou uma 
determinada deficiência, podendo vir a convergir para o fracasso escolar. Ao 
passo que o fracasso escolar derivam de uma convergência de fatores que em 
algum instante interatuam-se e inibem o desenvolvimento cognitivo do indivíduo 
e, por consequência também dos núcleos familiar, social e acadêmico, nos quais 
se insere (SÁ et al,2013). 
A família tem um papel central no desenvolvimento do ser humano, não 
apenas pela garantia da sobrevivência física, mas também porque 
dentro dela onde se realizam as aprendizagens primordiais que serão 
necessárias para o desenvolvimento autônomo dentro da sociedade 
que está inserido (PASCHOAL, 2011, p.15) 
Desse modo, considera-se que a personalidade do ser, carece e deriva da junção 
de dois fundamentos, sendo estes os congênitos e/ou instintivos que exibem as 
particularidades inerentes, transmitidas biologicamente dos pais para seus filhos, 
e os educacionais que consistem-se nos instrutivos e/ou didático-pedagógicos 
obtidos pela difusão dos conhecimentos em sociedade. (BARBOSA, 2001) 
12 
 
Na instituição escolar o trabalho psicopedagógico deve ser pensado no 
campo da socialização de conhecimentos disponíveis, na promoção do 
desenvolvimento cognitivo e na construção de regras de conduta, num 
projeto social mais amplo. A escola, vista como agregadora dos 
sujeitos é também participante do processo de aprendizagem, sendo 
estes as preocupações dos psicopedagogos na ação preventiva e até 
mesmo na ação curativa. O psicopedagogo tem que distinguir as 
teorias que lhe permitam conhecer de que modo se dá a 
aprendizagem, o que é ensinar e aprender (CRUVINEL, 2009, p.03) 
Nessa perspectiva, conforme Freinet (2002), a análise psicopedagógica alcança 
seus propósitos quando, expandindo a compreensão acerca das características 
e dificuldades de aprendizagem de algum aluno, amplia o campo para que a 
instituição propicie meios e procedimentos para dar atendimento a essas 
questões de aprendizagem. 
Para tanto, há que se realizar uma minuciosa análise acerca de seu Projeto 
Político-Pedagógico, principalmente, no que refere-se às suas proposições de 
ensino, bem como do que é estimado como aprendizagem. Desse modo, a lida 
psicopedagógica se converte podendo vir a se transfigurar num eficaz 
instrumento na assistência à aprendizagem. (FREINET, 2002) 
Nesse seguimento, segundo percepções de Correia e Martins (2005), na escola 
vários dos problemas de aprendizagem, entre os quais a dislexia, o transtorno 
de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e a indisciplina, procedemde 
diversos contextos sócio afetivos não solucionados ao longo dos anos. Ainda, 
conforme os autores, trata-se de uma sucessão de sensações e vivências que 
suportam no meio e repercutem em sua aprendizagem, por vezes, de forma 
positiva e, por vezes, de forma negativa. 
Logo, a dificuldade na aprendizagem, é uma problemática que precisa ser 
observada, considerando-se todos as âmbitos nos quais o sujeito se insere, entre 
eles, a família, a sociedade e a escola, entre outros. (CORREIA; MARTINS, 
2005) 
Corroborando nesse aspecto, segundo Soares (2003), considera-se que em 
nenhum momento exista um único agente para o fracasso escolar e, que da 
mesma forma, um aluno que apresente dificuldade em sua aprendizagem, 
essencialmente, não se faz referência a alguém que apresente deficiência 
intelectual ou distúrbios análogos, na prática e de fato, compreende-se que hão 
13 
 
facetas basilares que devem ser trabalhadas para se alcançar um melhor avanço 
e aproveitamento nos diversos níveis de conhecimento e aprendizagem. 
Contudo para a autora, no momento em que nos referimos a conhecimento e 
aprendizagem, não nos baseamos unicamente nos conteúdos de disciplinas 
curriculares, mas do mesmo modo, a desenvolvimentos e conhecimentos de/da 
vida, que se mostram tão significantes quanto. Ainda para a escritora, a 
aprendizagem, de forma direta é pertinente ao proceder. Para a mesma, é nos 
instruindo que reestruturamos nossa forma de conduta em sociedade e quanto 
a ela em linhas gerais (SOARES, 2003). 
Ao psicopedagogo não interessam as questões de estrutura da 
personalidade, enquanto estas não afetam de forma que manifesta o 
vínculo do indivíduo com a aprendizagem. Da mesma forma, o 
psicopedagogo não trabalha especificadamente com conteúdos 
escolares e formas. Mas antes com situações cognitivas, com o próprio 
processo de pensamento, de construção do conhecimento e solução 
de problemas. Procura-se o resgate do prazer em aprender, não para 
a escola, ou para a família, mas para a vida da criança. (CAMPO, 2002, 
p.21) 
Nessa lógica, no que concerne ao processo de ensino-aprendizagem, compete 
ao docente na qualidade de moderador, assim como de fomentador no estudo e 
resolução das dificuldades de aprendizagem, adquirir diretrizes específicas, de 
modo, que consiga desempenhar um trabalho consciente e responsável, que 
busque a evolução e o incremento de todos os abrangidos no processo. 
(CORREIA; MARTINS, 2005) 
Ainda para os articulistas, alegar que a instituição não apresenta os requisitos 
suficientes para o desdobramento de uma ação que dê atendimento às 
premências e complexidades de algum aluno, certamente, mostraria uma 
confortável passividade ou inércia, uma vez que, para que ocorra uma 
suplantação dessas dificuldades, torna-se imprescindível a existência de uma 
considerável substância que consiste-se na condição humana, ao passo que os 
recursos materiais, mostram-se apenas como instrumentos suplementares. 
Para a psicopedagogia, a aprendizagem é concebida como um 
processo no qual o aprendiz possui uma participação intensa sobre seu 
próprio aprendizado, articulando cognição e afeto e garantindo que o 
conhecimento seja desejado e, por isso, aprendido. (BARBOSA, 2010, 
p.13) 
14 
 
Desse modo, a instituição escolar certamente, se mostra um excepcional espaço 
para um desenvolvimento proficiente da aprendizagem, visto que, por meio dela 
o aluno consegue experienciar, através das diferentes relações com outros 
sujeitos, uma coexistência objetiva com novas possibilidades de vivências e 
conhecimentos. No que nos diz respeito, enquanto psicopedagogos, ainda que 
possamos atentar para um série de fatores, entre os quais, a autoestima, o 
comprometimento e a determinação do aluno, assim como no engajamento de 
suas famílias, será no nível, na qualidade e na relevância do ensino 
proporcionado, tal como na resignação e no suporte prestados pelo docente que 
consistem a diferença, e possivelmente serão os propulsores do êxito escolar 
desse aluno. (CORREIA; MARTINS, 2005) 
2.3- A REAL SIGNIFICÂNCIA DE UM PSICOPEDAGOGO NAS INSTITUIÇÕES 
DE ENSINO 
Ao nos atentarmos aos relatos precedentes, conseguimos compreender que 
face às dificuldades de aprendizagem, cabe ao psicopedagogo atuar com 
capacidades que intervenham diretamente nas instâncias biológicas, intelectuais 
e afetivas nos desdobramentos do conhecimento do indivíduo que, no caso em 
questão, seria a instituição escolar com suas ideologias, doutrinas, conceitos e 
valores. Contudo, compreende-se também, ser igualmente de incumbência 
deste profissional, imbuir-se simultaneamente de uma conduta investigativa e 
intervencionista (FONSECA, 2008). 
Nesse sentido, na área da Psicopedagogia, acerca da significância de uma 
formação docente, é necessário objetivar a sua abrangência como recurso e/ou 
auxílio ao arcabouço educacional, uma vez que: 
A formação do psicopedagogo é indício para a formação da identidade 
deste profissional. Deste modo, regulamentar a profissão de 
psicopedagogo efetivaria sua existência e seu reconhecimento, com 
base em leis. Questões como tipo de curso, formação e conhecimento 
prévio, criação de órgãos de classe, espaço ocupado pela 
psicopedagogia, entre outros, proporcionaria base para este 
reconhecimento e delimitaria a atuação da psicopedagogia clínica, 
institucional e a participação em pesquisa científica. (CRUVINEL, 
2009, p.06) 
Logo, depreendemos que o aporte da Psicopedagogia aplica como 
embasamento suas percepções históricas, sociais, culturais e na compreensão 
15 
 
do ser e de seus atos e posturas. Em vista disso, nos compete ratificar que a 
mesma, não representa qualquer enfoque da ciência psicológica capaz de suprir 
as aspirações e necessidades do indivíduo. No entanto, o entendimento do 
profissional de Psicopedagogia pode oferecer muitos subsídios na percepção 
e/ou constatação das dificuldades que inibem a cognição do aluno. (BOSSA, 
1994) 
Nesse contexto, concordando com a autora, podemos inferir que: 
Historicamente, a Psicopedagogia nasceu para atender a patologia da 
aprendizagem, mas ela se tem voltado cada vez mais para uma ação 
preventiva, acreditando que muitas dificuldades de aprendizagem se 
devem à inadequada Pedagogia institucional e familiar. A proposta da 
Psicopedagogia, numa ação preventiva, é adotar uma postura crítica 
frente ao fracasso escolar, numa concepção mais totalizante, visando 
propor alternativas de ação voltadas para a melhoria da prática 
pedagógica nas escolas. (BOSSA, 1994, p. 24). 
Dessa forma, visto que todo indivíduo apresenta um ritmo característico de 
aprendizagem, e o conhecimento provém das vivências e do enfrentamento a 
dificuldades que exibem uma ampla acumulação de idiossincrasias que se 
mostram vigentes na práxis social de cada pessoa, a Psicopedagogia 
compreende que o processo pedagógico não se trata unicamente de um trivial 
reverberador de concepções fixas a serem imediatamente adotadas e absorvidas 
por alunos, agentes escolares e instituição (BARBOSA, 2001). 
Nessa perspectiva, de acordo com Paín (1985), a Psicopedagogia se une a 
outras ciências distintas tais quais a sociologia, a filosofia, a linguística, a 
psicanálise e a neurologia na direção de sua intensa adequação reflexiva na 
busca por procedimentos de intervenção atuando na esfera psicopedagógica 
influenciando deste modo no campo educacional, onde, ainda segundo autor, os 
principais óbices na aprendizagem são originados por fatores intrínsecos ou 
extrínsecos ao ordenamento familiar e pessoal, no qual as dificuldades 
provenientes dos fatores extrínsecos são os problemas de aprendizagem 
reagentes ou reativos, ao passo que, sintomas são aqueles originados 
intrinsecamente na individualidade ou núcleo familiar do indivíduo. (PAÍN, 1985) 
Sob esse prisma, quando se opera nas agentes externos, se dá uma ação 
preventiva e,quando apresenta uma interposição nas questões relativas à 
composição pessoal e/ou familiar, se desempenha uma intervenção terapêutica. 
16 
 
Nesse seguimento, de forma sistematizada, o psicopedagogo tem consciência 
acerca da relevância da inserção familiar na sua observação, de modo a 
consubstanciar sua atuação no delineamento curricular, tornando-se a família 
imprescindível na superação das dificuldades externadas. “A intervenção 
psicopedagógica colabora a partir do momento que domina as duas principais 
instituições sociais: A família e a escola”. (PASCHOAL, 2011, p.20) 
O trabalho com valores nas famílias é o alicerce da educação e 
formação de caráter do indivíduo que se almeja formar e [...] busca no 
fortalecimento de determinados valores, meios para contribuir com o 
caráter e desenvolvimento ético, moral e espiritual de seu filho 
(PASCHOAL, 2011, p.19). 
Ainda assim, o psicopedagogo deve apresentar uma olhar epistemológico 
abrangente, em outras palavras, ter em vista o entendimento do sujeito capaz da 
absorção de saberes, isto é, reconhecer que a pessoa encontra-se em pleno 
processo de aprendizagem e, mostra-se capazmente suscetível a obter 
conhecimento. 
2.3.1- O profissional de Psicopedagogia quanto à sua formação 
Quanto à formação do profissional de Psicopedagogia, percebe-se que, acerca 
dos níveis de graduação e especialização, esta presta-se apenas a apresentar 
subsídios e um embasamento para o exercício prático, cabendo aos profissionais 
que pretendem adotar esta área enquanto carreira profissional, a busca por mais 
elementos por meio de cumprimento de estágios e cursos de aprofundamento 
e/ou aperfeiçoamento. Este contexto mostra-se relevante e perturbador, uma vez 
que, na hipótese da especialização não favorecer ou ocasionar um 
conhecimento proficiente o exercício, sobretudo em contexto escolar, poderá 
apresentar discrepâncias, vindo a incidir até mesmo na observação e/ou análise 
dos alunos que carecem de um assessoramento adequado e profícuo. Contudo, 
ainda uma grande parcela de profissionais não denotam a consciência do 
refinamento continuado. (MASINI,2006) 
Observa-se que os psicopedagogos que lidam na instituição escolar, se 
defrontam com obstáculos como a escassez de recursos para o 
aperfeiçoamento, a resistência das famílias em aceitar que seus filhos carecem 
desta espécie de atendimento e, sobretudo a relutância de alguns educadores e 
17 
 
demais agentes educacionais. Existe também refutação em se adotar 
determinadas orientações sugeridas e na realização de adequações 
curriculares, que se mostram imprescindíveis para que o aluno apreenda o 
conteúdo aplicado e seja capaz de estabelecer novas aprendizagens e dar novos 
significados aos saberes já concebidos por intermédio das experiências, 
vivências, e interações. (ALMEIDA,1992) 
Nesse contexto, todos tomam parte do/no processo educacional da instituição e, 
para reconhecer as procedências das dificuldades de aprendizagem é preciso 
reconsiderar alguns posicionamentos escolares, entre os quais os 
procedimentos de avaliação, alguns métodos pedagógicos, composição da sala 
de aula e curricular, conduta do professor, convívio, coordenação, e os aspectos 
pedagógicos, sociais, e emocionais que sejam capazes de influir na 
aprendizagem. (SASS,2003) 
E conforme prerrogativa de Wonfebuttel (2001, p. 34): 
[...] não basta que o psicopedagogo tenha somente uma ação 
preventiva, trabalhando com educadores, quando surgirem processos 
patológicos individuais; nessas situações cresce a importância da 
identificação da patologia e da indicação terapêutica. Da mesma forma, 
não é suficiente que o psicopedagogo intervenha terapeuticamente, 
atendendo ao sujeito individualmente, sem que sua ação se estenda à 
instituição escolar. Dentro dessa perspectiva, as dimensões clínicas e 
institucionais não se contrapõem. 
Nessa perspectiva, infere-se que, observando as potencialidades, capacidades 
e dificuldades de modo individual, o profissional psicopedagogo pode operar de 
forma a prever e intervir em benefício da aprendizagem do aluno. No entanto, o 
psicopedagogo não atuará exclusivamente em face do suporte ao aluno que 
apresentar dificuldades na aprendizagem, porém também prestará uma 
assistência pedagógica aos profissionais que cotidianamente atuam em 
interação com estes e, que são instigados e/ou condicionados pelo processo de 
ensino aprendizagem (PONTES, 2010). 
Considerando que quando bem-sucedida, a aprendizagem provém de uma 
convergência da emoção, da ponderação e dos processos, pode-se constatar 
que o cerne da aprendizagem passaria a ser os nossos sentimentos. Em uma 
abordagem adequada, o núcleo da mediação na escola, passaria a ser, acima 
18 
 
de tudo, contrapor-se às tensões cotidianas e, em especial, àquelas que se 
revelam na educação. (ABED, 2016) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
 
3- CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Ao longo de nossos estudos, conseguimos depreender que o campo da 
Psicopedagogia é competente para cooperar de forma significativa para o 
processo de ensino-aprendizagem, sobretudo nesse momento, em que a 
especialidade vem se avolumando e, progressivamente vem recebendo mais 
oportunidades nas instituições educacionais, empresariais e hospitalares, entre 
outras. 
Nessa perspectiva, tal campo vem se desenvolvendo e se aprimorando com 
novas práticas analíticas por meio da intermediação sistêmica nos planos 
educacionais, sociais, familiar e econômicos do aluno, de modo, a buscar 
compreender os agentes que convergem para as dificuldades de aprendizagem, 
uma vez que, se percebe que um diagnóstico exitoso é aquele que procura 
distinguir as procedências cotidianas das dificuldades relativas aos processos 
desenvolvidos por meio das observações, experiências, habilidade e tirocínio 
prático. 
Do mesmo modo, também se depreende que no espaço escolar possam 
coexistir demandas familiares que sejam capazes de interferir no processo 
cognitivo do aluno, tornando indispensável na escola, uma atuação concreta de 
um profissional psicopedagogo e, inclusive de modo recente, do profissional 
psicopedagogo clínico. 
Apesar disso, ainda se percebe uma determinada resistência institucional, das 
famílias e até do próprio segmento que, em geral, apresenta apenas um olhar 
superficial acerca do trabalho, efeitos e benefícios que este profissional possa 
agregar ao processo de ensino-aprendizagem da instituição, e 
consequentemente, à vida dos alunos assistidos. 
Sendo assim, se faz imperativo que instituições, famílias, e demais agentes da 
educação, --incluindo-se os psicopedagogos--, possuam uma exata 
compreensibilidade acerca desta atividade, considerando a atenção em se 
ofertar em suas propostas pedagógicas as pertinências da Psicopedagogia. 
Conseguimos perceber também, que em sua maioria, vários dos problemas de 
aprendizagem observados decorrem de situações onde a criança é oriunda de 
uma determinada desestruturação familiar, e desse modo, a escola pode 
20 
 
assessorar esta família, a convidando a diretamente fazer parte das/nas 
intervenções. 
Nesse contexto, é relevantíssimo realçarmos toda contribuição da 
Psicopedagogia, fomentando um diagnóstico mais aprofundado de tudo 
referente à aprendizagem oferecendo uma reestruturação e, resignificação do 
verdadeiro aspecto que conduz às dificuldades de aprendizagem, considerando-
se que essas dificuldades são componentes de um sistema biopsicossocial que 
abrange a escola, as famílias, o aluno, e o meio no qual estes se situam. 
Para tanto, a atribuição da Psicopedagogia e seus cuidados, na qualidade de 
área de conhecimento multidisciplinar propõe-se a captar como dão-se os 
processos de aprendizagem e abranger as possíveis dificuldades estabelecidas 
nesta direção (BEAUCLAIR, 2004). 
É ainda necessário ressaltar, que só seremos capazes de efetivamente intervir 
nas dificuldadesde aprendizagem, no momento em que atuarmos com nossos 
alunos de modo equipotente e intercambiável, atentando para projetarmos nessa 
aprendizagem um processo significante, onde o conhecimento a ser assimilado 
e apreendido agregue algumas valências e relevâncias para a vida do aluno, não 
apenas na sua vivência educacional, como também, em sua trajetória de vida. 
Finalmente, não temos que lidar com as dificuldades de aprendizagem, como se 
estas significassem demandas indissolúveis, contudo, como desafios que 
participam do próprio sistema de aprendizagem. Igualmente, parece haver 
consensualidade na necessidade imprescindível de, considerando caber ao 
psicopedagogo, operar com capacidades que intervenham diretamente nas 
instâncias biológicas, intelectuais e afetivas nos desdobramentos do 
conhecimento do indivíduo, se possível já na fase pré-escolar, com antecedência 
se discernir e se amparar de potenciais e/ou prováveis dificuldades de 
aprendizagem. 
 
 
 
 
 
 
 
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