Prévia do material em texto
Fisiologia Cecília Corrêa Dias Sistema muscular Considerações iniciais: Após quatro semanas de gestação, os diferentes tipos de articulações apresentam um tecido conjuntivo comum que é chamada de tecido conjuntivo primitivo, o qual vai de diferenciando em formas variadas para adquirir os diferentes tipos de articulações. Além disso, o desenvolvimento ósseo, quanto das vértebras como do crânio, demora para finalizar, visto que a ossificação das vértebras começam no período embrionário e termina apenas aos 25 aos e o crânio continua a aumentar em tamanho até os 16 anos e em espessura até os 20 anos, aproximadamente. Após oito semanas, já é existe uma diferenciação dos músculos, sendo possível ver, por exemplo, o músculo reto do abdome, o músculo oblíquo externo, alguns músculos faciais e oculares. Ao decorrer da gestação, os músculos vão se desenvolvendo e adquirindo rigidez, visto que à medida que a criança vai crescendo, o controle neural sobre o músculo vai melhorando. Os músculos no geral são capazes de contrair, gerar tensão/força e produzir movimento. Existem três tipos de musculatura no organismo humano: o músculo estriado esquelético; músculo estriado cardíaco e músculo liso. I. MÚSCULO ESTRIADO ESQUELÉTICO: são descritos como músculos de contração voluntária, mesmo diante do tônus muscular (há certo nível constante de contração dos músculos esqueléticos – é o que mantem o indivíduo em pé, por exemplo -, sendo uma contração involuntária). Em sua maioria, é unido aos ossos e permite o movimento corporal, o qual se contrai em resposta ao sinal de neurônio motor somático, visto que é incapaz de iniciar a contração de maneira independente (hormônios não influenciam na contração). Além disso, esse músculo é capaz de gerar calor por meio de tremores em situação que a temperatura corporal reduz. II. MÚSCULO ESTRIADO CARDÍACO: responsável pela contração do coração, sendo essencial para o movimento do sangue do sistema circulatório. São descritos como músculos de contração involuntária, possuindo múltiplos níveis de controle, sendo o principal via inervação autonômica e pode ser modulado pelo sistema endócrino (como a NA nos vasos). III. MÚSCULO LISO: é descrito como músculo involuntário e está presente nos órgãos e estruturas tubulares internas (como estômago, vasos sanguíneos e bexiga) realizando o peristaltismo, por exemplo. Assim como o músculo cardíaco, o principal controle extrínseco é a via inervação autonômica e podem ser modulados por hormônios. Dentre as diferenças estruturais dos músculos estriados esquelético e cardíaco é que os esqueléticos são multinucleados, ou seja, apresentam mais de dois núcleos, enquanto os cardíacos são mononucleados. Outra diferença entre os dois está no papel no cálcio, em que na esquelética o cálcio já está armazenado no músculo para ser utilizado na contração, já no cardíaco também existe esse cálcio armazenado, mas ocorre também a entrada de mais cálcio. As características comuns a todos os tipos musculares são o uso do íon de cálcio intracelular para dar sinal de início à contração e o movimento é produzido quando a miosina utiliza energia do ATP para mudar a sua conformação e gerar a contração (por isso os músculos tem uma grande densidade capilar, pois a glicose precisa chegar para o processo de respiração celular). Os músculos que apresentam maior densidade capilar são aqueles que conseguem resistir mais em uma contração. Algumas termologias: a hipertrofia é o aumento do diâmetro miofibrilar por adição de mais sarcômeros em paralelo. A hiperplasia é a capacidade dos músculos esqueléticos tem de criarem fibras (limitada). O alongamento é a formação de sarcômeros adicionais nas extremidades das células musculares. Músculo estriado esquelético: Constitui a maior parte da musculatura corporal, o qual é responsável pelo posicionamento e movimento do esqueleto. Geralmente estão ligados aos ossos por tendões, sendo o tendão na extremidade mais proximal (medial) ao tronco chamado de origem do músculo e o tendão na extremidade distal (lateral) ao tronco é chamado de inserção do músculo. Existem músculos que não estão ligados diretamente a ossos, como o músculo orbicular dos olhos. Fisiologia Cecília Corrêa Dias Como os ossos conectados por um músculo possuem uma articulação móvel, a contração do músculo promove movimentos do esqueleto. Então, a musculatura esquelética pode ser flexor, que ao contrair aproxima a porção central dos ossos conectados por ele, pode ser extensor, que ao contrair distancia a porção central dos ossos conectados por ele e esses ambos tipos são antagonistas um do outro. A contração muscular é capaz de puxar um osso, mas não é capaz de empurrá-lo. O músculo esquelético é um conjunto de células musculares, chamadas de fibras musculares (assim como um nervo é um conjunto de axônios). Os grupos de fibras musculares formam os fascículos e entre eles existem fibras colágenas e elásticas, nervos e vasos sanguíneos. Os eixos mais longos das fibras estão dispostos em paralelo e cada fibra está envolvida por tecido conectivo/conjuntivo. Para explicar a contração do músculo estriado esquelético, foi desenvolvido a teoria dos filamentos deslizantes. Os feixes musculares contêm o sarcoplasma, onde têm as miofibrilas, essas compostas principalmente de actina (filamento fino) e miosina (filamento grosso). A teoria fala que os filamentos de actina e miosina que estão sobrepostos deslizam uns sobre os outros em um processo que exige energia. Durante esse processo, os discos Z se aproximam, a banda I e a Zona H praticamente desaparecem e a banda A permanece constante. A tensão gerada em uma fibra muscular é diretamente proporcional ao número de ligações cruzadas entre os filamentos finos e grossos. O que ocorre é que o ATP liga-se à miosina, fazendo ela se soltar da actina. A energia proveniente do ATP altera a conformação da cabeça da miosina para a posição engatilhada (a miosina interage de modo fraco com a actina). O movimento de força inicia quando a tropomiosina se afasta do sítio de ligação. Após o movimento de força, o ADP feito no uso do ATP é liberado, fazendo a miosina voltar a sua conformação normal. Fisiologia Cecília Corrêa Dias Tipos de fibras musculares: As fibras musculares esqueléticas são classificadas com base na velocidade de contração e na resistência à fadiga decorrente da estimulação repetida. A velocidade de contração é determinada pelo isoformas da miosina-ATPase presente nos filamentos grossos. Sabendo disso, as fibras podem ser classificadas: fibras oxidativas de contração lenta (tipo 1), fibras oxidativas-glicolíticas de contração rápida (tipo 2A) e fibras glicolíticas de contração rápida (tipo 2X). As fibras de contração rápida e as fibras de contração lenta se diferenciam em alguns aspectos: velocidade de hidrolise do ATP na miosina, velocidade da captação de cálcio de volta para o retículo sarcoplasmático quando a contração muscular acaba, presença maior ou menor de mioglobina, diâmetro da fibra e vascularização. As fibras de contração rápida quebram o ATP mais rapidamente e completam múltiplos ciclos contráteis com maior velocidade do que as fibras de contração lenta, resultando em desenvolvimento mais rápido de tensão pelas fibras de contração rápida. Como já dito, a duração de contração também é influenciada pelo tipo de fibra e é afetada pela velocidade que o íon de cálcio é removido do citosol e retorna para o retículo sarcoplasmático, em que as fibras de contração rápida bombeiam o Ca mais rapidamente para o retículo quando comparadas as fibras lentas e, por isso, produzem contrações mais rápidas. Em relação à resistência à fadiga, as fibras lentas são mais resistentes a fadiga e geram menos força e as fibras rápidas são menos resistentes a fadiga, mas geram mais força (com período curto). A fibra de contração rápida 2A estáno meio termo, a qual existem fibras que apresentam mais resistência tanto menos resistência à fadiga. Quando o oxigênio do sangue chega nos músculos, difunde-se para o interior das fibras musculares e vão para as mitocôndrias. Esse processo é facilitado pela mioglobina, um pigmento vermelho com grande afinidade pelo oxigênio. As fibras oxidativas apresentam mais mioglobina que as fibras glicolíticas, sendo respectivamente vermelho e branco, fazendo com que as primeiras tinham uma difusão de O2 mais rápido. Além disso, as fibras oxidativas tem um menor diâmetro, ou seja, há uma menor distância pela qual o oxigênio deve se difundir até as mitocôndrias. As fibras glicolíticas possuem menor mioglobina, maior diâmetro e menos vasos sanguíneos, aumentando a possibilidade delas ficarem sem oxigênio após contrações repetidas. Essas fibras dependem da glicólise anaeróbica para a síntese de ATP e entram em fadiga mais rapidamente. A mioglobina presente nos músculos serve de armazenamento. CONTRAÇÃO OXIDATIVA LENTA CONTRAÇÃO OXIDATIVA- GLICOLÍTICA RÁPIDA CONTRAÇÃO GLICOLÍTICA RÁPIDA Fadiga Resistente Resistente ou Fadigável Fadigável Cor Vermelho Vermelho ou Branco Branco Metabolismo Oxidativo Oxidativo ou Glicolítico Glicolítico Diâmetro Menor Menor ou Maior Maior Mitocôndria Baixo Baixo ou Alto Alto Tipos de contração muscular: Existem dois tipos de contração muscular: a isotônica e a isométrica. O que define uma e outra é se o músculo está encurtamento ou não. Em uma contração isométrica o músculo contrai sem encurtar, indicando que a força produzida não é capaz de mover a carga. Nessa contração, os sarcômeros encurtam e geram força, porém os elementos elásticos são estirados, permitindo que o comprimento muscular permaneça constante. Exemplo: ao tentar empurrar uma parede, os sarcomeros atuam tentando encurtar o músculo como um todo (gera muita tensão), os componentes elásticos cedem e não deixam o músculo mudar de comprimento. Em uma contração isotônica o músculo contrai, encurta e fera força o suficiente para mover a carga. Nessa contração, é possível vencer a carga, fazendo com que os sarcômeros encurtam ainda mais e, consequentemente, os elementos elásticos são estirados ao máximo, permitindo o encurtamento do músculo. O tipo de fibra muscular não é fixo por toda a vida e pode mudar dependendo da atividade pelo processo de plasticidade. Fisiologia Cecília Corrêa Dias Músculo liso: Apesar da musculatura estriada esquelética ser muito abundando no corpo, a musculatura lisa tem um papel fundamental na manutenção da homeostasia. Trata-se de um músculo localizado no organismo todo que é classificado quanto a sua localização, padrão de contração e modo de comunicação com as células vizinhas. Classificação quanto a localização: A musculatura lisa pode ser vascular, estando presente na parede de vasos sanguíneos; pode ser gastrointestinal, presente na parede do tubo digestório e órgãos associados; pode ser urinário, presenta na parede da bexiga e dos ureteres; pode ser respiratório, estando presente nas vias aéreas; pode ser reprodutivo, presente no útero e nos órgãos sexuais femininos e masculinos e pode ser ocular, presente nos olhos. Classificação quanto ao padrão de contração: Os músculos lisos podem ter um padrão de contração fásico ou tônico. O padrão de contração fásico é aquele “tudo ou nada”, isto é, o músculo está relaxado ou contraído. A característica dessa contração é que normalmente ele se encontra relaxado e, dado momento, contrai, como o que ocorre no esôfago. Trata-se de um padrão que pode produzir ciclos de contração e relaxamento, como no intestino. O padrão de contração tônico é a contração constante. A característica dessa contração é que normalmente ele se encontra contraído e dado momento precisa relaxar, como um esfíncter que relaxa para permitir a passagem do material. Trata-se de um padrão que varia conforme a necessidade, como os vasos sanguíneos. O músculo liso pode ser controlado por hormônios (chegam até o músculo por meio da corrente sanguínea) ou pelo sistema nervoso. Em relação ao sistema nervoso, esse tipo muscular é controlado pelo SNA, onde é encontrado varicosidades em suas terminações nervosas. Por meio dessas varicosidades, é possível liberar neurotransmissores Fisiologia Cecília Corrêa Dias que se ligam a receptores nas fibras musculares lisas. Esse processo consiste em abrir os canais dependentes de cálcio quando o potencial de ação chega até as varicosidades, fazendo com que ocorra a exocitose das vesículas sinápticas e essas liberam os neurotransmissores em cima das fibras musculares, ligando-se aos receptores e desencadeando a resposta no músculo liso. Como exemplo de neurotransmissores, tem a NA e a ACh. Classificação quanto ao modo de comunicação com as células vizinhas: O modo como as células/fibras musculares se comunicam pode ser multiunitário ou unitário. No músculo liso multiunitário as células não estão ligadas eletricamente entre si e cada célula deve ser estimulada independentemente para contrair, ou seja, esse mecanismo permite um controle fino (preciso) da contração pela ativação seletiva das células musculares, como na íris e no músculo ciliar dos olhos. Portanto, esse tipo é mais preciso, mas gera menos força. No músculo liso unitário, também chamado de músculo liso visceral, as células estão conectadas eletricamente por meio das junções comunicantes e, ao receber um estimulo, elas contraem como uma unidade coordenada. Nota-se, então, que não há unidades de reserva disponíveis para aumentar a força de contração, fator esse que é controlado pela quantidade de cálcio que entra na célula. Portanto, esse tipo gera mais força, mas é menos preciso. Portanto, a força de contração é determinada pelo recrutamento de fibras adicionais no multiunitário e a força de contração é determinada pela quantidade de cálcio que entra na fibra. Há fatores que estimulam o início da contração de músculo liso, como a atividade intrínseca de células marcapasso (de tempos em tempos as células se autodespolarizam, gerando flutuação do potencial de membrana e, no momento que atingir o limiar de excitabilidade, a musculatura lisa se contrai), os neurotransmissores liberados localmente (exemplo: NA e ACh) e os hormônios / moléculas sinalizadores (exemplo: ocitocina). No músculo liso, há menos miosina em relação a musculatura esquelética (no liso a razão é de 15 actinas para 1 miosina, enquanto no esquelético é 4 actinas para 1 miosina), mas os filamentos grossos são mais longos e com ampla distribuição de cabeças de miosina ao longo do filamento de actina. Assim, o músculo liso pode ser bastante estirado e ainda haverá sobreposição suficiente entre filamentos finos e grossos. Ainda, a disposição do retículo sarcoplasmático é menos organizada, além de não existir túbulos T na musculatura lisa e sim estruturas chamadas cavéolas, que participam do processo de sinalização celular por meio do cálcio. Em relação à contração do músculo liso, a elevação do cálcio no meio intracelular (citosol) é proveniente do retículo sarcoplasmático e do meio extracelular (esse último estimula o RS à liberar mais íons de cálcio). Com isso, o cálcio se liga à proteína calmodulina, formando o complexo Ca-calmodulina, complexo esse que ativa a cinase da cadeia leve da miosina (MLCK), a qual fosforila as cadeias leves nas cabeças da miosina e aumenta a atividade da miosina-ATPase, provocando a contração pelo deslizamento dos filamentos. Assim, a contração do músculo liso é controlado por processos reguladores associados à miosina e não pela tropomiosina como ocorre no músculo esquelético. Após essa contração, a concentração de cálcio livre no citosol reduz ao ser bombeado para o meio extracelular ou voltar para o RS. Com isso, ocorre o desligamento entre a calmodulinae o cálcio, diminuindo a atividade da MLCK e, consequentemente, o fosfato da cadeia leve da miosina é removido pela fosfatase da miosina (MLCP). Assim, a atividade da miosina-ATPase diminui e provoca redução na tensão muscular, ou seja, o músculo liso relaxa. Processo de Contração Transição Processo de Relaxamento - A fosforilação da miosina intensifica a atividade da miosina-ATPase. - MLCK é o fator crítico. - A desfosforilação não resulta automaticamente em relaxamento, pois existe o estado de tranca, que é uma contração isométrica com baixo consumo de ATP. - A desfosforilação da miosina diminui a atividade da miosina-ATPase. Fisiologia Cecília Corrêa Dias Vale salientar que a entrada de cálcio na célula muscular lisa pode ocorrer por meio dos canais dependentes de voltagem, dos canais dependentes de ligante e dos canais ativados por estiramento. Já a liberação do íon pelo retículo sarcoplasmático ocorre devido aos receptores de rianodina que se abrem em resposta ao cálcio do meio extracelular que entra na célula e devido ao canal receptor de inozitoltrifosfato – IP3 (receptores acoplados à proteína G ativam vias de transdução de sinal da fosfolipase C, produzindo o mensageiro IP3, que se liga ao canal receptor IP3, abrindo-o e deixando o cálcio fluir para o citosol. Músculo liso VS Músculo estriado esquelético: O músculo liso e o músculo estriado esquelético apresenta semelhanças como a força criada ocorre pelas ligações cruzadas entre actina e miosina e a contração é iniciada pelo aumento da concentração de cálcio no meio intracelular. Porém, existem mais diferenças do que semelhanças, sendo as diferenças: Faixa de comprimento: os músculos lisos operam em uma ampla faixa, diferente da musculatura esquelética. Orientações das camadas: em um mesmo órgãos as camadas musculares lisas podem estar dispostas em diferentes direções e quando se contraem podem modificar a forma do órgão, como no intestino com uma camada circular que circunda o lúmen e uma camada longitudinal ao longo do comprimento do intestino. Velocidade de contração: considerando um único abalo muscular (uma contração e um relaxamento), o músculo liso se contrai de forma muito mais lenta do que o músculo esquelético. Quantidade de energia para a contração: as isoformas de miosina-ATPase é muito mais lenta no liso do que no esquelético, sendo que na musculatura lisa há maior dependência da glicólise para gerar ATP. Resistência à fadiga: os músculos lisos tem capacidade de se manterem em tensão por mais tempo, como a bexiga urinária. Características celulares: as fibras são mononucleadas da musculatura lisa, enquanto no da esquelética são multinucleadas. Ausência de sarcômeros: no músculo liso os elementos contráteis (miosina, actina, etc) não são organizados em sarcômeros, diferente da musculatura esquelética. Início do processo de contração: sinais elétricos e/ou químicos podem iniciar a contração na musculatura lisa, sendo que na esquelética sempre é o potencial de ação. Controle neural: os lisos são controlados pelo SNA e os esqueléticos pela divisão motora somática do SN. Origem do cálcio: a quantidade de cálcio que entra no meio intracelular durante a contração do músculo liso estimula a liberação de mais cálcio pelo retículo sarcoplasmático (cálcio do meio intra e extracelular) diferente do esquelético que é só extracelular. Ação do cálcio: o cálcio inicia uma cascata que termina na fosforilação da miosina e ativação da miosina-ATPase (não há troponina no músculo liso). Fisiologia Cecília Corrêa Dias Fadiga muscular: A fadiga é uma condição reversível na qual o músculo é incapaz de produzir ou sustentar a potência esperada, gerando redução da força e da velocidade de contração do músculo, condição essa que o músculo não consegue gerar mais tensão no músculo. Esse estado pode ter origem no Sistema Nervoso Central e/ou no Sistema Nervoso Periférico, mas independente da origem o resultado é o mesmo, em que o músculo tem um declínio na geração de força muscular por comprometimento da formação de pontes cruzadas. Porém, há fatores que influenciam a fadiga, sendo o nível de condicionamento e estado nutricional do indivíduo, a composição do músculo (como o tipo de fibras musculares e o tipo de metabolismo) e a intensidade e duração da atividade contrátil. A fadiga central é originada no SNC e inclui sensações subjetivas de cansaço e um desejo de cessar a atividade, ou seja, pode vir de efeitos psicológicos ou de reflexos protetores. Isso pode ocorrer devido falhas de comunicação na junção neuromuscular ou falhas dos neurônios de comando do SNC (exemplo: problemas na síntese de ACh no terminal axonal). A fadiga periférica é originada em qualquer local entre a junção neuromuscular e os elementos contráteis do músculo, ou seja, pode vir da redução da liberação de neurotransmissores, redução da ativação do receptor, mudança do potencial de membrana do músculo, vazamento de cálcio do RS, redução da liberação de cálcio, redução de interação entre cálcio e a troponina, etc. Então, isso pode ocorrer devido a depleção das reversas de glicogênio muscular, aumento dos níveis de fosfato inorgânico, desequilíbrios iônicos e acúmulo de lactato. Espasmos musculares, cãibra e tétano (contração involuntária do músculo estriado esquelético): O espasmo muscular é uma contração involuntária, súbita e anormal dos músculos, podendo ocorrer enrijecimento prolongado ou seguidas contrações alternadas com relaxamento. Geralmente é causado por desequilíbrio hidroeletrolítico ou por sobrecarga muscular, após exercício muito pesado e/ou prolongado. Porém, os espasmos podem ocorrer devido lesões na medula espinal. A cãibra é uma contração sustentada e dolorosa da musculatura esquelética, podendo ser causada, por exemplo, por neuropatia diabética. As cãibras podem ocorrer quando o estímulo do neurônio excitatório oprime o neurônio inibitório, levando a uma contração incontrolada. Quando o neurônio dispara repetidamente, as fibras musculares de sua unidade motora entram em um estado de contração sustentada dolorosa, em que os órgãos tendinosos de Golgi tem uma atividade reduzida e o fuso muscular tem uma atividade aumentada. Aparentemente, a atividade de alongar envia informação sensorial para o SNC, que inibe o neurônio motor somático, aliviando a cãibra. O tétano é uma infecção causada por uma bactéria (a contaminação ocorre por meio de acidentes em superfícies contaminadas, como ferros enferrujados, solo, poeira), que promove espasmos musculares dolorosos e pode até levar à morte. O que acontece é que a bactéria produz uma toxina tetanospasmina (175 nanogramas pode ser fatal), a qual move-se por meio do sistema de transporte retrógrado até o corpo da célula neural e chega ao interior das células inibitórias, bloqueando a liberação dos neurotransmissores inibitórios, como o GABA e a glicina. Assim, os neurônios inibitórios perdem a sua função de inibir os motoneurônios, resultando em rigidez severa (contração involuntária no músculo estriado esquelético).