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Esther Andrade | Turma 85 | Semiologia médica e propedêutica clínica I Página 1 SEMIOTÉCNICA • Cuidados ao realizar a ausculta: realizar em ambiente silencioso, desnudar o paciente (os sons são muitos baixos, sendo necessário maior contato possível do estetoscópio com a pele da pessoa). • Auscultar todos os focos e precórdio. • Examinar o paciente em decúbito dorsal, decúbito lateral esquerdo e sentado. Importante sempre localizar-se à direita do paciente. • Identificar as fases do ciclo cardíaco, sístole e diástole, durante o exame. • Observar as bulhas, ritmo e frequência, cliques, estalidos, ruídos de pericardite (atrito pericárdio) e sopros. FOCOS DE AUSCULTA • Os focos de ausculta não correspondem com o local exato das valvas cardíacas. • Focos apicais - foco tricúspide: base do apêndice xifóide, um pouco a esquerda. - foco mitral: localizado na linha hemiclavicular, no 40, 50 ou 60 espaço intercostal -> depende do biotipo do paciente. Sobre o ictus cordis. *Pacientes com cardiomegalia tendem a deslocar esse foco para a linha axilar anterior. • Focos da base - foco aórtico: 2⁰ espaco intercostal à direita. Junto ao esterno. - foco aórtico acessório: 30 espaço intercostal à esquerda. Junto ao esterno. Esse foco nos ajuda a encontrar um insuficiência cardíaca. - foco pulmonar: 2⁰ espaco intercostal à esquerda. Junto ao esterno. *Condições ideais para a análise dos desdobramentos (fisiológico ou patológico) da segunda bulha. • Ordem da ausculta: Em geral, começa no mitral -> aórtico -> pulmonar -> tricúspide Obs.: observar outras localizações como dorso, axila e pescoço por conta das irradiações. Esther Andrade | Turma 85 | Semiologia médica e propedêutica clínica I Página 2 BULHAS CARDÍACAS • São vibrações geradas pela aceleração e desaceleração da coluna de sangue e pelas estruturas cardiovasculares (ventrículos, aparelhos valvares). • Ouvidas em todos os focos. • B1 - Coincide com o pulso radial (e carotídeo) e ictus cordis. - Ruído de alta frequência, sendo audível com o diafragma do estetoscópio. - Fechamento da valva mitral e tricúspide. Ocorre a contração ventricular isovolumétrica. - Marco sonoro do início da sístole. - Melhor audível no foco mitral e tricúspide (focos de ponta). - Em condições normais, a B1 tem maior intensidade no foco mitral, no qual costuma ser mais forte que a B2. "TUM" • B2 - Ruídos de alta frequência. Melhor audível com o diafragma do estetoscópio. - Fechamento da valva aórtica A2 e pulmonar P2. Ocorre o relaxamento ventricular isovolumétrico. - Melhor audível no foco aórtico e pulmonar (focos de base). - Ocorre após o pulso radial. - Marco sonoro do início da diástole. - Durante a expiração, ambas as valvas se fechamento sincronicamente, dando origem a um ruido único. Na inspiração, por conta do aumento do fluxo sanguíneo no ventriculo direito, o componente pulmonar sofre um retardo que é suficiente para perceber os dois componentes. A esse fenômeno se chama desdobramento fisiológico da segunda bulha cardíaca. - Em condições normais, ela é mais intensa nos focos de base. "TA" • B3 - Baixa frequência -> utilizar a campânula. - Se origina das vibrações da parede ventricular subitamente distendida pela corrente sanguínea que penetra na cavidade durante o enchimento ventricular rápido (há uma sobrecarga de volume). - Quando presente, é melhor audível nos focos mitral e tricúspide (focos de ponta), no paciente em decúbito lateral esquerdo. - Ocorre na protodiástole, durante enchimento ventricular rápido. - Logo após a B2. - Pode ser fisiológico em crianças e em atletas. - Sinal de IC (esquerda -> mitral ou direita -> tricúspide) TUM TÁ... TA. Esther Andrade | Turma 85 | Semiologia médica e propedêutica clínica I Página 3 B4 - Ruído de baixa frequência. Melhor audível com a campânula. - Quando presente, melhor audível nos focos de ponta. - Ocorre na telediástole (pré-sístole), logo após a contração atrial. - Precede a primeira bulha. - Traduz deficit de relaxamento ventricular (há uma sobrecarga de pressão). - Ocorre pela brusca desaceleração do fluxo sanguíneo mobilizado pela contração atrial de encontro à massa sanguínea existente no interior do ventrículo, no final da diástole. - Aparece na HAS, HVE, doença coronariana e coração senil. “Tum TUM TÁ” RITMO CARDíACO - Regular: RCR 2T (ritmo cardíaco regular em 2 tempos) 3T: presença de B3 ou B4 4T: presença de B3 e de B4 - Irregular: Arritmia: extra-sistoles, fibrilação atrial... 1. Taquicardia atrial: aumento do número de batimentos cardíacos. Deve-se à exacerbação no tônus simpático e/ ou redução do tônus vagal. Pode ocorrer fisiologicamente ou patologicamente, como mecanismo de compensação do aumento do débito cardíaco. Há um aumento da intensidade da B1 2. Bradicardia sinusal: redução do número de batimentos cardíacos. Deve-se à redução no tônus simpático e/ ou exarcebação do tônus vagal. Pode ocorrer fisiologicamente ou patologicamente. 3. Arritmia sinusal: variação na frequência cardíaca, geralmente relacionada com a respiração: na inspiração há um aumento dos batimentos e na expiração, redução. 4. Extrasístole: são sístoles extras. Ocorrem em um momento anterior ao da sistole normal, seguida de pausas compensadoras. Quando muito frequentes, podem prejudicar o enchimento diastólico, ocasionando o aparecimento de uma baixo débito cardíaco. TUM TA TUM TA TUM TA TUM TA -> há uma sístole antes do tempo certo. Esse batimento precoce ocorre sem encher o aparelho cardíaco. Esther Andrade | Turma 85 | Semiologia médica e propedêutica clínica I Página 4 5. Fibrilação atrial: A atividade do nó sinusal é substituída por estímulos nascidos na musculatura atrial, em uma frequencia de 400 a 600 bpm. Não existe contração atrial, mas sim movimentos irregulares das fibras musculares, o que prejudica o enchimento ventricular. Em resumo, são as células atriais que não aceitam mais o comando do nodo sinusal. As causas mais comuns são a estenose mitral, doença de chagas, cardiopatia isquêmica e hipertireoidismo. - Ritmo de galope: Taquicardia + 3a ou 4a bulha ou taquicardia + 3a e 4a bulha. Mais audível no foco tricúspide, com a campânula. Atrial – ocorre com ou sem descompensação cardíaca, sempre indicativo de sofrimento do miocárdio. É uma indicação de insuficiência iminente. É encontrado principalmente na hipertensão arterial grave e na insuficiencia coronariana crônica. Situações em que há uma sindrome de disfunção diastólica. Ventricular - insuficiência cardíaca descompensada. Se não tratar pode ocasionar um edema agudo, choque e até a morte. De Soma INTENSIDADE DAS BULHAS CARDÍACAS - As bulhas podem ser: • Hipofonéticas - podendo ser em todas as bulhas e auscultadas em todos os focos. Comum em exercícios, emoção, febre e hipertireoidismo. • Normofonéticas • Hiperfonéticas - podendo ser em todas as bulhas e auscultadas em todos os focos. Comum em paciente obeso, enfisematoso e em casos de derrame pericárdico. - B1 • Sua hiperfonese ocorre em hipertrofia do ventrículo esquerdo (em casos de HAS e insuficiência aórtica)e também em alterações valvares (em casos de estenose mitral, acompanhado de modificações de timbre). • Sua hipofonese ocorre por insuficiência mitral e insuficiência cardíaca. - B2 • Sua hiperfonese ocorre em HAS, HAP e estenose aórtica e pulmonar. • Sua hipofonese ocorre em situações com redução do débito cardíaco (ruído menos intenso) e também na insuficiência aórtica e pulmonar. Esther Andrade | Turma 85 | Semiologia médica e propedêutica clínica I Página 5 DESDOBRAMENTO DAS BULHAS CARDÍACAS - B1 • Observado no foco mitral e tricúspide.• Fisiológico: mais comum em adultos por conta da maior diferença de pressão entre a artéria aorta e artéria pulmonar. É transitório. • Patológico: pode representar um atraso no fechamento da valva tricúspide e sobrecargas ventriculares. • Presente tanto na inspiração quanto na expiração. • TRUM – TA - B2 • Observado no foco aórtico e pulmonar. • Fisiológico: comum em crianças e jovens. Evidente na inspiração (a redução da pressão intratorácica provoca um aumento do retorno venoso e, então, um aumento no tempo de ejeção do ventrículo direito por conta do maior volume de sangue contido no VD. Com isso, há um atraso de P2). • Patológico: presente tanto na inspiração quanto na expiração. Bloqueio de ramo direito -> acentua-se na inspiração. O distúrbio na condução faz com que o estímulo chegue atrasado ao lado direito em comparação ao esquerdo, provocando um assincronismo eletromecânico na contração dos ventrículos. Comunicação interatrial (desdobramento fixo de B2) -> não se modifica com a inspiração. Quando ocorre aumento do fluxo de sangue para o VD, essa camara demora mais tempo para “esvaziar” e então as valvas pulmonares acabam se fechando após as valvas aórticas. Bloqueio de ramo esquerdo (desdobramento invertido ou paradoxal) -> evidente na expiração. Bloqueio do ramo esquerdo do feixe de His. Acontece da seguinte forma: em condições normais o componente aórtico precede o pulmonar porque o estímulo despolariza o ventrículo esquerdo antes de despolarizar o direito. No bloqueio do ramo esquerdo o estímulo alcança o miocárdio ventricular esquerdo depois de já ter havido a ativação ventricular. Como resultado, a contração do VD acaba ocorrendo antes do VE. • TUM – TRÁ CLIQUES - Ruído breve e seco que ocorre na telessístole (terço final da sístole) - Quando presente é melhor audível em focos de ponta. - São sinais de prolapso de válvula mitral ou tricúspide (problema cardíaco no qual a válvula que separa as câmaras superior e inferior do lado esquerdo ou direito do coração não fecha corretamente, podendo pequena quantidade de sangue retornar, dificultando a capacidade do coração para bombear o sangue, isso é chamado de regurgitação (insuficiência)). ESTALIDOS - Estalido de abertura valvar: ruído agudo, seco e breve que aparece durante a abertura valvar. - Pode ser proto-sistólico (pulmonar e aórtico) ou proto- diastólico. - Sinal de estenose valvular. Esther Andrade | Turma 85 | Semiologia médica e propedêutica clínica I Página 6 ATRITO PERICÁRDICO - Ruído superficial que lembra o dobrar de couro crú. - Pode ser sistólico, diastólico ou sisto- diastólico. - Quando presente é precordial. - Melhor audível com paciente sentado em ântero- flexão/Expiração. MANOBRAS - Decúbito lateral esquerdo (melhora os sons na mitral) - Sentado com flexão do tronco para frente (focos da base - Pericárdio) - Valsalva – técnica em que se prende a respiração, segurando o nariz com os dedos e, em seguida, é necessário forçar a saída de ar, fazendo pressão. (Mitral e Aórtico). Essa manobra serve para: avaliar IC, sopros, reverter arritmias... - Muller – inspiração forçada com a glote fechada (Tricúspide e Pulmonar) - Rivero-Carvalho – inspiração forçada seguida de apnéia (Tricúspide e Pulmonar). Paciente em decúbito dorsal, estetoscópio em foco tricúspide. Se o som mantiver o mesmo volume, a manobra é positiva. SEMIOTÉCNICA FOCOS DE AUSCULTA BULHAS CARDÍACAS RITMO CARDíACO