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1 MEDICINA DE EMERGÊNCIA Laura Borges PERICARDITE AGUDA E TAMPONAMENTO CARDÍACO PERICÁRDIO: É um saco fibroelástico formado por camadas viscerais e parietais separadas por um espaço (potencial), a cavidade pericárdica o Comporta de 15 a 50ml de um ultrafiltrado de plasma Doenças: o Pericardite aguda e recorrente o Derrame pericárdico sem grande comprometimento hemodinâmico o Tamponamento cardíaco o Pericardite constritiva PERICARDITE: Definições: o Inflamação do saco pericárdico o Pode acometer o miocárdio Miopericardite ou Perimiocardite – vai ter elevação das enzimas cardíacas (Troponina e CKMB) e pode ser comportar como uma Insuficiência cardíaca Etiologia: o Em países desenvolvidos a maioria dos casos é considerada de origem viral possível ou confirmada, embora a etiologia exata da maioria dos casos permaneça indeterminada após uma abordagem diagnóstica tradicional o Em países em desenvolvimento pensar em HIV e Tuberculose (se suspeitar pedir PPD ou Interferon- gama) Clínica: o Variedade de sinais e sintomas inespecíficos o Dor torácica aguda e pleurítica que melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente (Posição de Blechman) o Pacientes com etiologia infecciosa febre e leucocitose o Precedida por sintomas respiratórios ou gastrintestinais semelhantes aos da gripe o Sinais ou sintomas específicos de sua doença subjacente como Neoplasia ou Doença Autoimune o Ausculta cardíaca: é específica, presença de atrito pericárdico intermitente Paciente com o tronco inclinado para frente na borda esternal esquerda ECG: 2 MEDICINA DE EMERGÊNCIA Laura Borges o Nem sempre resulta nessas alterações típicas o Alterações atípicas no ECG são vistas em 40% dos pacientes o Significado: inflamação do epicárdio o Pericardite urêmica (deposição proeminente de fibrina, mas pouca ou nenhuma inflamação) geralmente não mostra nenhuma das alterações associadas a pericardite o Arritmias sustentadas são incomuns na pericardite aguda, exceto no cenário pós-toracotomia o A presença de arritmias atriais ou ventriculares é sugestiva de miocardite concomitante ou de uma doença cardíaca não relacionada Avaliação inicial em casos suspeitos: o ECG o Radiografia de Tórax: É geralmente normal em pacientes com pericardite aguda Embora os pacientes com derrame pericárdio substancial possam exibir uma silhueta cardíaca aumentada com campos pulmonares claros, esse achado é incomum na pericardite aguda, pois pelo menos 200ml de líquido pericárdio devem se acumular antes que a silhueta cardíaca aumente No entanto, a pericardite aguda deve ser considerada na avaliação de um paciente com cardiomegalia nova e inexplicada o Hemograma completo, nível de Troponina, VHS e PCR Pode ter aumento dos biomarcadors séricos de lesão miocárdica como troponina I ou T indicando uma Miopericardite o Ecocardiograma: mesmo um pequeno derrame pode ser útil para confirmar o diagnóstico de pericardite, embora a ausência de um derrame não exclua o diagnóstico Costuma ser normal em pacientes com síndrome clínica de pericardite aguda, a menos que haja um derrame pericárdio associado Embora o achado de derrame pericárdico em paciente com pericardite conhecida ou suspeita apoie o diagnóstico, a ausência de derrame pericárdio ou outras anormalidades ecocardiográfica não o exclui Derrames pericárdicos grandes e/ou hemodinamicamente significativos são raros como apresentação inicial de pericardite aguda o POCUS – importante para identificar um derrame pericárdico associado, principalmente em pacientes instáveis Testes adicionais: o Hemoculturas se houver febre > 38°C, sinais de sepse ou infecção bacteriana concomitante e documentada (ex: pneumonia) o Estudos virais não são obtidos rotineiramente, uma vez que o rendimento é baixo e o manejo não é alterado para a grande maioria dos pacientes o FAN em casos selecionados (por exemplo em mulheres jovens, especialmente aquelas em que a história sugere um distúrbio reumatológico) o Teste cutâneo de tuberculina ou ensaio de liberação de interferon-gama, se não realizado recentemente (pensando em Tuberculose) Outros exames de imagem: o Tomografia de Tórax: Pode ser útil para confirmar o diagnóstico e avaliar doenças pleuropulmonares concomitantes e linfadenopatias, sugerindo assim uma possível etiologia de pericardite (isto é, tuberculose, câncer de pulmão) O espessamento pericárdico não calcificado com derrame pericárdico é sugestivo de pericardite aguda. Além disso, com a administração de meio de contraste iodado, o realce 3 MEDICINA DE EMERGÊNCIA Laura Borges das superfícies visceral e parietal espessadas do saco pericárdio confirma a presença de inflamação ativa o Ressonância magnética cardíaca: Fornece uma avaliação útil da inflamação pericárdica, uma vez que o pericárdio inflamado é brilhante e espessado na imagem ponderada em T2 (edema) e realçado após a injeção de contraste (realce tardio com gadolínio) Miocardite o A evidência de inflamação pericárdica com TC ou RMC é um achado de suporte para o diagnóstico de pericardite em casos duvidosos (por exemplo: apresentação atípica, dor torácica sem elevação de PCR ou outra evidência objetiva da doença) Indicações para avaliação invasiva em Pericardite aguda: Diagnóstico: o 2 dos seguintes critérios: Dor torácica típica (aguda e pleurítica, melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente) Atrito pericárdico Mudanças sugestivas no ECG (normalmente elevação generalizada do Segmento ST) Derrame pericárdico novo ou piorando Tratamento: o Objetivos: Alívio da dor Resolução da inflamação (e, se houve, do derrame pericárdico) Prevenção de recorrência o Quando internar? Pacientes de maior risco: Febre > 38°C Curso subagudo ao longo de dias a semanas (sem início agudo de dor torácica) Evidências que sugerem tamponamento cardíaco Derrame pericárdio moderado a grande (>20mm) Imunossuprimidos Terapia anticoagulante Trauma agudo Ausência de melhora clínica após sete dias de AINE e terapia com colchicina Troponina cardíaca elevada o Restrição de atividades: Os pacientes devem ser instruídos a restringir atividade física extenuante até que os sintomas sejam resolvidos e os biomarcadores normalizados Os atletas competitivos não devem participar de esportes pode pelo menos três meses após a resolução dos sintomas e normalização dos biomarcadores, e devem ser reavaliados por um médico antes de retomar o treinamento e a competição 4 MEDICINA DE EMERGÊNCIA Laura Borges Em casos de Miopericardite recomenda-se a suspensão de esportes competitivos por seis meses e o retorno às partidas somente após a normalização dos dados laboratoriais (ex: marcadores de inflamação, eletrocardiograma e ecocardiograma) o Tratamento inicial: Pericardite idiopática ou viral aguda Colchicina + AINEs Glicocorticoides, na menor dose eficaz, devem ser usados como tratamento inicial para pacientes com Contraindicações aos AINEs ou para indicações específicas: Doenças inflamatórias sistêmicas Gravidez Insuficiência renal Causa específica identificada diferente da infecção viral Terapia específica apropriada para o distúrbio subjacente o Redução do tratamento: Após a resolução dos sintomas, reduzir a dose do agente anti-inflamatório semanalmente por várias semanas na tentativa de reduzir a taxa de recorrência subsequente Pode basear a duração da terapia com AINES na resolução dos sintomas (geralmente em duas semanas ou menos) com redução gradual assim que o paciente estiver sem sintomas por pelo menos 24 horas, ou na resolução dos sintomas e na normalização da PCR. A avaliação da PCR é feita na apresentaçãoe depois semanalmente Colchicina por 3 meses 5 MEDICINA DE EMERGÊNCIA Laura Borges o Proteção gastrointestinal: Pacientes associados a um maior risco de toxicidade gastrintestinal incluem: História de úlcera péptica Idade > 65 anos Uso concomitante de Aspirina, corticosteroides ou anticoagulantes Usar o AINE pelo menor tempo possível e associar a um Inibidor da Bomba de Prótons o Terapias adjuvantes: Derrame pericárdico moderado a grande, particularmente se hemodinamicamente significativo e causando tamponamento cardíaco ou sintomático e refratário à terapia medicamentosa Suspeita de etiologia neoplásica ou bacteriana e derrame pericárdico moderado a grave Recorrências frequentes e sintomáticas de pericardite aguda com derrame pericárdico Evidência de pericardite constritiva (uma ocorrência tardia, fibrose) TAMPONAMENTO CARDÍACO AGUDO: Características: o Tríade de Beck: Hipotensão, Ingurgitamento jugular e Abafamento de bulhas cardíacas o Dor torácica, taquipneia e dispneia o Apresenta risco de vida se não for tratado prontamente o A pressão venosa jugular é acentuadamente elevada e pode estar associada a distensão venosa na testa e no couro cabeludo o Extremidades frias, cianose periférica e diminuição do débito urinário o Redução do Descenso Y do pulso venoso e pulso paradoxal indicam tamponamento cardíaco Na pericardite constritiva há descenso Y proeminente Radiografia de Tórax: Ecocardiograma/POCUS : Tratamento definitivo: o Remoção do líquido pericárdico, aliviando assim a pressão intrapericárdica elevada e melhorando o estado hemodinâmico o Escolha de drenagem percutânea ou cirúrgica: Ambas são altamente eficazes na remoção de fluído e no alívio dos sintomas associados ao comprometimento hemodinâmico A periocardiocentese por cateter é o tratamento de escolha na maioria dos pacientes 6 MEDICINA DE EMERGÊNCIA Laura Borges Um cateter de demora geralmente é deixado no espaço pericárdico até que o retorno do líquido seja < 25ml/dia, enquanto um período de drenagem mais prolongado é frequentemente preferido em derrames neoplásicos o A pericardiocentese tem objetivo diagnóstico e terapêutico e está indicada na presença de tamponamento pericárdico ou em alguns casos de derrame moderado ou >20mm pelo ECO como medida terapêutica salvadora A análise histológica e imuno-histoquímica do pericárdio e do líquido pericárdico, pode ser feita para avaliação de tuberculose (dosagem de adenosina deaminase), neoplasia, pesquisa viral e de outros fatores Contraindicação absoluta: dissecção aórtica Relativas: coagulopatias, anticoagulação, trombocitemia < 50.000/mm3, derrame pequeno, posterior ou loculado o Após a drenagem o paciente deve permanecer por 24-48 horas no CTI Terapias a evitar: o Tratamento com inotrópicos e ventilação com pressão positiva deve ser evitado devido a possibilidade de piora hemodinâmica o Entre os pacientes com PCR e derrame pericárdico o benefício da compressão cardíaca externa é acentuadamente reduzido, uma vez que o enchimento cardíaco adicional é difícil de alcançar