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Filme: O Lenhador, Gênero: drama, País de origem: USA, Direção: Nicole Kassell
Syandra S. Barros Rodrigues
Análise
O filme narra a história de Walter (Kevin Bacon) que após muitos anos na prisão devido a abuso a menores, consegue a condicional. Assim que volta a viver em sociedade, Walter enfrenta uma complicada situação, ele se muda para uma pequena cidade e sua nova casa é em frente a uma escola infantil. Ele consegue um emprego novo e começa a um namoro com uma mulher. Durante todo o filme, o personagem enfrenta e tenta superar seus desejos, procurando se enquadrar numa nova realidade e se tornar uma pessoa “normal”.
Neste processo de reinserção social, ele precisa lidar com a sua “doença” e ao mesmo tempo lidar com as pressões sociais, já que o esperado é que o pedófilo volte, a qualquer momento, a cometer os mesmos erros do passado. Com o namoro surge a possibilidade de um recomeço. Há uma cena do filme em que o personagem chega perto de uma recaída com uma garotinha desconhecida. No entanto, ele percebe que a mesma é abusada pelo pai e consegue sentir empatia por ela, o que dá a entender que, no caso de Walter, o pedófilo possui capacidade de autoconstrução. 
Para Ferrari (2004), o desvio se caracteriza como um conjunto de comportamentos não convencionais, manifestando-se paralelamente ao desenvolvimento da sexualidade e podendo acompanhá-lo durante a vida toda.
Se de acordo com o autor, o pedófilo possui desejos e perturbações sexuais e interpessoais, o profissional de Psicologia deve conceber a pedofilia como uma prática criminosa, sem haver contestação e/ou atenuantes para os agressores. Com isto, sua postura ética deve seguir não ao código profissional em si (com referência ao sigilo), mas aos princípios estabelecidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, que são refletidos no ECA.
Ricotta (1999) afirma que a violência física pode gerar consequências psicológicas futuras na vítima. Já na violência emocional/psicológica, os danos estão implícitos na subjetividade do sujeito, gerando sequelas na conduta de comportamentos sociais e na relação consigo mesmo, além de manifestações somáticas.
Os maus tratos afetivos na infância, provavelmente, são os mais graves e difíceis de avaliar, pois o sentimento de culpa, de angústia, de depressão, de dificuldades de relacionamento e sexuais na idade adulta, possivelmente se manifestará em decorrência dos quadros traumáticos (Gabel,1997). 
Segundo Azevedo (apud Ferrari, 2004), a violência sexual contra a criança/adolescente supõe ocorrências intra e extrafamiliares com atos que podem ser classificados em três grupos:
1) Sem contato físico, mas com abuso verbal, telefonemas obscenos, vídeos obscenos, voyeurismo;
2) Com contato físico com atos que incluem bulinações, coito, contato oral-genital/anal, pornografia, prostituição infantil e incesto.
3) Contato físico com violência como: estupro, brutalização, assassinato, uso da força, da ameaça ou da intimidação.
A pedofilia, além de ser caracterizada pelo sentimento e desejo de manter relações sexuais com crianças, traz uma possível razão psicológica no que tange ao desenvolvimento emocional deficiente. O agressor, desde a infância, não tem claro o seu “eu” e se utiliza da vítima como um “eu-objeto idealizado” (Ferrari e Vecina, 2002).
A violência sexual é o uso da criança como objeto de gratificação por parte do agressor. Uma destas formas de agressão seria a pedofilia, que pode ser compreendida em dois subtipos principais: o incesto e a exploração sexual.
A pedofilia é uma patologia e merece atenção por parte do sistema penitenciário, da sociedade e dos profissionais que lidam com esta situação. Na realidade, a maioria dos pacientes só procura ajuda médica porque seus desejos os colocaram em conflito com a lei. Não há cura para a pedofilia, mas é possível controlar os impulsos com o uso de medicamentos e ajudar o indivíduo a entender o que ele sente com psicoterapia, construindo uma maturidade emocional onde ele possa estabelecer novas relações, mais saudáveis e aceitas socialmente.
É essa a proposta do filme, mostrar a possibilidade de controle da doença, no entanto, o personagem recebe pouquíssimo apoio externo, agindo praticamente sozinho na luta contra seus impulsos. Isto, numa situação real, dificultaria o processo de controle. Seria necessário, principalmente, um acompanhamento psicológico mais adequado.
Referências 
FERRARI, D.C.A e VECINA, T.C.C., O Fim do Silêncio na Violência Familiar: teoria e prática. SP: Ágora, 2002.
FERRARI, D.C.A., Pedofilia: uma das faces da violência sexual contra a criança. EDITAL (org.). Revista Brasileira de Psicodrama. v.12, n.º 2. São Paulo, 2004. p.59-84.
GABEL, M., Crianças Vítimas de Abuso Sexual. SP: Summus, 1997.
RICOTTA, L., Quem Grita Perde a Razão: a educação começa em casa e a violência também. SP: Annablume, 1999.

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