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1 E se você possuísse o anel de Giges? Como iria usá-lo? Permaneceria fiel ao bem como uma pessoa virtuosa? Como você definiria uma conduta justa? Todos nós sentimos grande desconforto quando ouvimos histórias de corrupção que sempre estão fundamentadas em manobras escusas, interesses mesquinhos, egoísmo – uma percepção de si que não reconhece o outro como sujeito digno e livre. Imagine que você está ao lado de Sócrates e Glauco discutindo as possibilidades de uma conduta virtuosa a partir da narrativa do anel de Giges. Agora, pense sobre esta pergunta: o que significa fazer a coisa certa? Qual seria a intenção de Platão ao discutir esse mito que fala tão profundamente em nosso ser? Na verdade, podemos especular que talvez estivesse pensando em ressaltar que a Filosofia tem a missão de nos oportunizar os meios para uma reflexão sobre a nossa existência, no horizonte de uma crítica pessoal, uma autocrítica. “O pensar-se compõe a atitude primeira da filosofia na medida em que possibilita e que conduz os sujeitos à reflexão de suas existências, possibilidades, potencialidades” (CASSOL, 2008, p. 160, grifo do autor). Vê-se, desse modo, que é através da reflexão que podemos nos perceber como pessoas, reconhecer os outros como importantes na formação de nossa identidade, porque fazem parte das nossas vivências cotidianas (ninguém está sozinho no mundo), e que, no seu conjunto, representam toda a sociedade. Que cada um possa repensar suas próprias atitudes, bem como suas convicções.