Prévia do material em texto
Cirrose Hepática: Estágio final comum de várias doenças hepáticas, ou seja, ocorre a necrose hepatocelular de diversas etiologias, com a regeneração de componentes estromiais e posteriormente regeneração hepatocitária (fibrose insula o parênquima, levando a formação de nódulos hepatócitários regenerativos). LESÕES FUNDAMENTAIS ENCONTRADAS NA CIRROSE: Neoformação conjuntiva em todo o órgão, formação de nódulos hepatocitários em regeneração circundados por fibrose e subversão da arquitetura lobular, sendo que essas lesões promovem alterações de funcionamento hepático. MORFOLOGIA: Classificada em micronodular (nódulos menores) e macronodular (nódulos maiores e com septos de diversas espessuras -> FASE FINAL DE TODOS OS TIPOS MORFOLÓGICAS DE CIRROSE): Microscopicamente podemos observar: Nódulos de parênquima hepático, de tamanhos variados e circundados por septos fibrosos, septos estes que encontramos infiltrado inflamatório mononuclear e proliferação de ductos biliares. Além disso, podemos encontrar no parênquima hepático, alguns hepatócitos em regeneração e às vezes, necrose. CLÍNICA: Paciente pode ser assintomático por anos, ou apresentar manifestações inespecíficas (anorexia, perda de peso, fraqueza, dores abdominais...), mas os quadros clínicos tardios (complicações), podem levar ao carcinoma hepatocelular e às síndromes hepáticas, que são: Falência hepática crônica, que é a incapacidade do fígado de cumprir sua função em consequência da cirrose hepática -> Icterícia (aumento da bilirrubina direta e indireta), baixa síntese proteica (albumina -> edema e ascite), baixa de fatores de coagulação (hemorragia), baixa metabolização de hormônios (eritema palmar, ginecomastia e hipotrofia testicular); Faculdade Ciências Médicas MG // Patologia Médica I Luísa Trindade Vieira (@luisatrindadev) – 72D Hipertensão portal, que é o aumento da pressão venosa do sistema porta, por aumento da resistência do fluxo sanguíneo -> as manifestações clínicas são esplenomegalia congestiva, desenvolvimento circulação colateral porto-sistêmica (varizes esofágicas, cabeça de medusa, hemorroidas, ascite): Na hipertensão portal, a ascite ocorre devido o aumento da pressão hidrostática dos sinusóides hepáticos, fazendo com que o líquido extravase para o interstício, onde ele deveria ser drenado pelos vasos linfáticos, porém como tem excesso de linfa, ela não é drenada levando a ocorrência do quadro. Além disso, diante do extravasamento do plasma para o interstício, ocorre uma baixa chegada de sangue nos rins, levando a hipoperfusão renal, o que faz com que o sistema renina angiotensina aldosterona seja ativado e aumente a retensão de sódio e líquido, levando a um aumento do quadro de ascite: Essa patologia é classificada como pré-hepática, intra- hepática e pós-hepática: Por que surge hipertensão portal na cirrose? o Compressão dos sinusoides hepáticos pela fibrose e nódulos (comprime, dificultando o retorno venoso); o Anastomoses arteriovenosas (sangue arterial com pressão elevada é lançado diretamente no sistema venoso, sem que passe pelos sinusoides hepáticos, levando ao aumento da pressão, e além disso, o sangue não é depurado, auxiliando no desenvolvimento da encefalopatia hepática); o Endotélio sinusoidal (ocorre a redução na síntese de NO2, com aumento da endotelina e angiotensina, ocorrendo assim o aumento da vasoconstrição e consequentemente, da pressão).