Prévia do material em texto
TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 fonte: cap.3, 30 (Williams) TEMA: CÂNCER DE COLO DO ÚTERO 1- FAZER O DIAGNÓSTICO DE CORRIMENTOS VAGINAIS E SEUS TRATAMENTOS; A flora vaginal de uma mulher normal, em idade reprodutiva, assintomática, inclui várias espécies aeróbias ou facultativas, bem como espécies anaeróbias obrigatórias. Dentro desse ecossistema vaginal, alguns microrganismos produzem substâncias, como o ácido láctico e o peróxido de hidrogênio, que inibem os organismos não nativos. Vários outros componentes antibacterianos, denominados bacteriocinas, desempenham um papel similar e incluem peptídeos, como acidocina e lactacina. Além disso, algumas espécies microbianas têm a capacidade de produzir aderências proteicas e de se prender às células epiteliais vaginais. Para proteção contra muitas dessas substâncias tóxicas, a vagina secreta o inibidor da protease dos leucócitos. Essa proteína protege os tecidos locais contra produtos inflamatórios tóxicos e infecções. Normalmente o pH vaginal varia entre 4 e 4,5. Embora não seja totalmente compreendido, acredita-se que tal pH resulte da produção de ácido láctico, ácidos graxos e outros ácidos orgânicos por espécies de Lactobacillus. Outras bactérias também podem contribuir com ácidos orgânicos produzidos com o catabolismo de proteínas, e bactérias anaeróbias contribuem com a fermentação de aminoácidos. O glicogênio presente na mucosa vaginal saudável fornece nutrientes para muitas TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 espécies no ecossistema vaginal e é metabolizado produzindo ácido láctico. Portanto, à medida que o conteúdo de glicogênio dentro das células epiteliais vaginais diminui após a menopausa, essa redução do substrato para a produção de ácido leva à elevação do pH vaginal. Com o ciclo menstrual, observam-se alterações transitórias na flora. Tais alterações são observadas predominantemente nos primeiros dias do ciclo menstrual, e presume-se que estejam associadas a alterações hormonais. O fluxo menstrual também pode servir como fonte de nutrientes para várias espécies de bactérias, resultando em aumento do seu crescimento. O tratamento com antibióticos de amplo espectro pode produzir sintomas atribuídos à infecção por Cândida albicans ou outras espécies de Candida ao eliminar outras espécies competitivas da flora. ● Vaginose bacteriana: Essa síndrome clínica comum, complexa e mal compreendida reflete anormalidade na flora vaginal. A vaginose bacteriana (VB) também está associada à ausência ou redução significativa de espécies normais de Lactobacillus produtores de peróxido de hidrogênio. Não foi esclarecido se o ecossistema alterado leva ao desaparecimento de lactobacilos ou se o seu desaparecimento resulta nas alterações observadas na VB. Essa síndrome não é considerada uma IST, já que tem sido observada em mulheres sem experiência sexual prévia. Muitos fatores de risco, entretanto, estão associados à atividade sexual, e um aumento do risco de adquirir DSTs tem sido relatado em mulheres afetadas. Entre os sintomas, a descarga vaginal sem irritação e com mau cheiro é característica, mas nem sempre está presente. Em regra, a vagina não se encontra eritematosa, e o exame do colo uterino não revela anormalidades. Dentre os critérios diagnósticos clínicos estão: → (1) avaliação microscópica de uma preparação salina da secreção vaginal. A preparação salina da secreção vaginal, para o exame conhecido como “a fresco”, contém uma amostra coletada da secreção misturada a gotas de soro fisiológico em uma lâmina de microscópio. As clue cells são as indicadoras mais confiáveis de VB. Essas células epiteliais vaginais contêm muitas bactérias aderidas, que criam uma borda celular pontilhada mal definida. O valor preditivo positivo desse teste para VB é de 95%. A adição de hidróxido de potássio (KOH) a 10% a uma amostra fresca de secreção vaginal libera aminas voláteis com odor de peixe. Conhecido como whiff test. → (2) liberação de aminas voláteis produzidas pelo metabolismo anaeróbio. Em regra, o odor é evidente, mesmo sem o KOH. De forma similar, a alcalinidade do fluido seminal e a do sangue são responsáveis pela queixa de odor ofensivo após relação sexual e durante a menstruação. O achado de clue cells e um whiff test positivo são patognomônicos, mesmo em pacientes assintomáticas. → (3) determinação do pH vaginal. Nas pacientes com VB, o pH vaginal característicamente está > 4,5 e resulta da redução na produção de ácido pelas bactérias. De forma similar, a infecção por Trichomonas vaginalis também está associada a supercrescimento anaeróbio e produção de aminas. Por isso, as mulheres diagnosticadas com VB não devem apresentar evidência microscópica de tricomoníase. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 ● Vaginites: O termo vaginite é o diagnóstico dado às mulheres que se apresentam com queixas de leucorréia vaginal anormal acompanhada de queimação, irritação ou prurido vulvar. As principais causas da leucorreia vaginal sintomática são: vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 Para aquelas sem infecção identificável, não se deve firmar diagnóstico de processo inflamatório ou prescrever tratamento para infecção. Nessas circunstâncias, uma paciente que esteja preocupada com uma recente exposição sexual pode se tranquilizar realizando testes para IST. É importante que, durante a avaliação, o médico obtenha um histórico completo em relação às infecções vaginais anteriores e aos tratamentos; duração dos sintomas; além de um histórico completo menstrual e sexual. A história sexual deve abordar sexarca, data da atividade sexual mais recente, número de parceiros recentes, sexo desses parceiros, utilização de preservativos de barreira, método de contracepção, antecedentes de IST e tipo de atividade sexual – anal, oral ou vaginal. Além disso, deve ser realizado exame físico completo de vulva, vagina e colo uterino. → CANDIDÍASE: Candida albicans, que pode ser encontrada na vagina de pacientes assintomáticas e é um comensal de boca, reto e vagina. Ocasionalmente, outras espécies de Candida estão envolvidas, como C. tropicalis e C. glabrata, entre outras. É comum a candidíase ser observada em climas quentes e em pacientes obesas. Além disso, imunossupressão, diabetes melito, gravidez e uso recente de antibiótico de amplo espectro predispõem as mulheres à infecção clínica. Ela pode ser sexualmente transmissível, e vários estudos relatam associação entre candidíase e sexo oral. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 Os sintomas mais comuns da candidíase são prurido, dor, eritema vulvar e edema com escoriações. O corrimento vaginal característico é descrito como branco grumoso semelhante ao queijo cottage. O pH vaginal é normal (> 4,5), e o exame microscópico da leucorreia vaginal, após aplicação de solução salina ou KOH a 10%, permite a identificação da levedura. As mulheres com quatro ou mais infecções por cândida durante um ano são classificadas como portadoras da doença complicada, e culturas devem ser obtidas para confirmar o diagnóstico. O tratamento primário para a prevenção de infecção recorrente é feito com fluconazol oral, 100 a 200mg/semana, por seis meses. Para a infecção recorrente por não albicans, uma cápsula contendo 600 mg de gelatina de ácido bórico por via intravaginal diariamente durante 2 semanas tem sido eficaz. → TRICOMONÍASE: A tricomoníase é mais comumente diagnosticada em mulheres, uma vez que a maioria dos homens é assintomática. Em geral, esse parasita é um marcador do comportamento sexual de alto risco, e a coinfecção com patógenos sexualmente transmissíveis é comum, em especial N. gonorrhoeae. O Trichomonas vaginalis tem predileção pelo epitélio escamoso, e as lesões podem facilitar o acesso para outras espécies sexualmente transmissíveis. A transmissão vertical durante o parto é possível, podendo persistir por um ano. O período de incubação do T. vaginalis varia de trêsdias a quatro semanas, e vagina, uretra, ectocérvice e bexiga podem ser afetadas. Até 50% das mulheres com tricomoníase se mantêm assintomáticas e, em alguns casos, tal colonização pode persistir por meses ou anos. Entretanto, naquelas pacientes com queixas, a leucorréia vaginal costuma ser descrita como fétido, fina, amarelo-esverdeado, bolhoso. Além disso, disúria, dispareunia, prurido vulvar, ardência e dor podem ser observados. O pH vaginal, normalmente, é igual ou maior que 5. Com a tricomoníase, a vulva pode estar eritematosa, edemaciada e escoriada. A vagina elimina a leucorreia mencionada anteriormente e hemorragias subepiteliais ou “manchas vermelhas” podem ser observadas na vagina e no colo uterino. *Na colposcopia, ou raramente a olho nu, é visualizada a colpite focal ou difusa em “colo de framboesa”, característica da tricomoníase e ocorre por dilatação capilar e hemorragias puntiformes. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 *Colo com aspecto onçoide (pele de onça) no teste de Schiller. RESUMINDO!!!! TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 2- CONHECER A EPIDEMIOLOGIA, FATORES DE RISCO, FISIOPATOLOGIA, QUADRO CLÍNICO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO; ● Epidemiologia: O câncer de colo uterino é o câncer ginecológico mais comum nas mulheres. A maioria desses cânceres origina-se de infecção pelo HPV, embora outros fatores do hospedeiro afetem a progressão neoplásica após a infecção inicial. A infecção pelo HPV é a mais comum das ISTs mundialmente. O risco de uma mulher de 50 anos já ter tido contato com o vírus é maior que 80%. Um estudo feito no Brasil relatou uma média nacional de prevalência da infecção por HPV de 54,6% - sendo que os tipos de alto risco foram encontrados em 38,4%. Entre as capitais, a de mais baixa prevalência foi Recife – 41,2%; enquanto a mais alta foi Salvador – 71,9%. ● Fatores de risco: A maioria dos cânceres de colo uterino originam-se de células infectadas pelo HPV. Assim como ocorre na neoplasia intraepitelial do colo uterino, a sexarca precoce, multiplicidade de parceiros sexuais e paridade elevada estão associadas à incidência consideravelmente maior de câncer de colo uterino. As fumantes também apresentam risco maior, embora o mecanismo subjacente não seja conhecido. O maior fator de risco para câncer de colo uterino é a ausência de rastreamento periódico por exame de Papanicolaou. O HPV é o principal agente etiológico infeccioso associado ao câncer do colo uterino. As mulheres com teste positivo para os subtipos de HPV considerados de alto risco (16 e 18) apresentam risco relativo para desenvolvimento de carcinoma de células escamosas e risco relativo para adenocarcinoma de colo em comparação com mulheres com teste negativo para HPV. Estudos demonstram que a maior parte dos casos de câncer de colo uterino são advindos da infecção pelo HPV 16, estando mais associado ao carcinoma epidermóide. Enquanto o HPV 18 é fator de risco para adenocarcinoma do colo uterino. Baixa escolaridade, idade avançada, obesidade, tabagismo e residência em bairros pobres estão relacionados independentemente com taxas menores de rastreamento para câncer de colo uterino. Especificamente, as mulheres que residem em bairros pobres possuem acesso limitado ao Papanicolau. O tabagismo tanto ativo como passivo aumenta o risco de câncer de colo uterino. Entre as mulheres infectadas por HPV, a incidência de lesão intraepitelial escamosa de alto risco (LIEAG) ou de câncer invasivo é duas a três vezes maior em fumantes e ex-fumantes. Dados obtidos em estudos caso-controle indicam que paridade elevada aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de colo uterino. Especificamente, mulheres com sete gestações a termo anteriores têm risco quase quadruplicado, e aquelas com uma ou duas gestações prévias têm risco duplicado, em comparação com nulíparas. Além disso, o uso prolongado de COCs talvez seja um cofator. Há correlação positiva significativa entre baixa razão estradiol:progesterona e menor sobrevida global ao câncer de colo uterino em mulheres na pré-menopausa. Estudos in vitro sugerem que os hormônios talvez produzam efeito favorável ao crescimento do câncer de colo uterino ao promoverem proliferação celular e, consequentemente, deixando as células mais vulneráveis a mutações. Além disso, o estrogênio atua como agente antiapoptótico, TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 permitindo a proliferação de células infectadas por HPV oncogênico. Nas mulheres positivas para DNA de HPV no colo uterino e que façam uso de COCs, os riscos de carcinoma de colo uterino aumentam até quatro vezes, em comparação com mulheres HPV positivas que nunca tenham usado COCs. Um número elevado de parceiros sexuais e a primeira relação sexual em idade precoce aumentam o risco de câncer de colo uterino. Abstinência da atividade sexual e uso de proteção de barreira durante o ato sexual reduzem a incidência de câncer de colo uterino. ● Fisiopatologia: O carcinoma epidermoide do colo uterino surge caracteristicamente na junção escamocolunar (JEC) a partir de lesão displásica preexistente, que, na maioria das vezes, segue-se à infecção por HPV. Embora a maioria das mulheres elimine prontamente o HPV, aquelas com infecção persistente podem desenvolver doença cervical displásica pré-invasiva. Em geral, a progressão de displasia para câncer invasivo requer vários anos, mas há grande variação. Suspeita-se que a carcinogênese resulte dos efeitos da interação entre fatores ambientais, imunidade do hospedeiro e variações genômicas nas células somáticas. Há evidências crescentes a sugerir também que as oncoproteínas do HPV sejam um componente essencial à proliferação contínua das células cancerosas. Diferentemente dos sorotipos de baixo risco, os subtipos oncogênicos do HPV podem integrar-se ao genoma humano. Essas proteínas são expressas em altos níveis no início da infecção pelo HPV. Elas podem causar alterações citológicas detectadas como lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau (LSIL) ao exame de Papanicolaou. As oncoproteínas E6 e E7 dos produtos do gene viral estão envolvidas nessa transformação. A proteína E7 liga-se à proteína supressora tumoral do retinoblastoma (Rb) ignorando o checkpoint G1/S e permitindo a progressão do ciclo celular e da replicação. Enquanto que a E6 se liga à proteína supressora tumoral p53. Em ambos os casos, a ligação leva à degradação dessas proteínas supressoras. Depois da tumorigênese, o padrão de crescimento local pode ser exofítico, se um câncer originar-se da ectocérvice, ou endofítico, caso se origine do canal endocervical. O crescimento pode ser infiltrante, e, nesses casos, lesões ulceradas são comuns se o crescimento for acompanhado de TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 necrose. O padrão de disseminação tumoral em geral segue a drenagem linfática do colo uterino. À medida que as lesões primárias aumentam de tamanho e o acometimento linfático progride, a invasão local aumenta e, finalmente, se tornará extensiva. Com a extensão passando pelos paramétrios até a parede lateral da pelve, com frequência ocorre bloqueio ureteral que resulta em hidronefrose. Além disso, a bexiga pode ser invadida por extensão direta do tumor pelos ligamentos uterovesicais (pilares da bexiga). O reto é invadido com menor frequência porque está anatomicamente separado do colo uterino pelo fundo de saco posterior. As metástases a distância resultam de disseminação hematogênica, e pulmões, ovários, fígado e ossos são os órgãos mais comumente afetados. ● Quadro clínico: Algumas mulheres diagnosticadas com câncer de colo uterino são assintomáticas. Entretanto, naquelas com sintomas, o câncer de colo uterino em estádio inicial pode produzir corrimento vaginal líquido tinto de sangue. Também é possível haver sangramento vaginal intermitente após relação sexual com penetração ou após ducha vaginal. À medida que o tumor maligno cresce, o sangramento intensifica-se e eventualmente a paciente pode dar entrada em serviçode emergência com hemorragia sem controle a partir do leito tumoral. Com a invasão parametrial e extensão para a parede lateral da pelve, o tumor pode comprimir órgãos adjacentes e produzir sintomas. Por exemplo, edema de membros inferiores e dor lombar baixa, em geral irradiando-se pela região posterior da perna, podem indicar compressão de raiz do nervo isquiático, vasos linfáticos, veias ou ureter por tumor em crescimento. Com obstrução ureteral é possível haver hidronefrose e uremia, que ocasionalmente podem ser os sintomas de apresentação. Além disso, com a invasão do tumor para bexiga e reto, as mulheres podem se apresentar com hematúria e/ou sintomas de fístula vesicovaginal ou retovaginal. A maioria das mulheres com câncer de colo uterino apresenta resultados normais no exame físico geral. Entretanto, com a progressão da doença, linfadenopatia supraclavicular ou inguinal, edema de membros inferiores, ascite ou redução do murmúrio vesicular à ausculta pulmonar podem indicar metástases. Em pacientes sob suspeita de câncer de colo uterino, deve-se realizar inspeção da genitália externa e exame vaginal completo à procura de lesões concomitantes. No exame com espéculo, o colo uterino pode parecer macroscopicamente normal se o câncer for microinvasivo. Quando visível, a doença tem aparência variada. As lesões podem se apresentar como tumores de crescimento exofítico ou endofítico; como massa polipoide, tecido papilar ou colo uterino em forma de barril; como ulceração cervical ou massa granular; ou como tecido necrótico. Também é possível haver corrimento líquido, purulento ou sanguinolento. Por essa razão, o câncer de colo uterino pode espelhar a aparência de diversas doenças. Durante o toque bimanual, o ginecologista pode palpar o útero dilatado em decorrência da invasão e do crescimento do tumor. Os casos de câncer de colo uterino em estádio avançado podem se apresentar com acometimento vaginal, e a extensão da doença pode ser determinada no exame retovaginal. Em tais casos, a palpação do septo retovaginal entre os dedos indicador e médio da mão do examinador revelará septo espessado, duro e irregular. A parede vaginal posterior proximal normalmente está invadida. Além disso, durante o toque retal, será possível palpar o envolvimento da parede lateral da pelve, paramétrio e região uterossacra. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 3- CLASSIFICAR HISTOLOGICAMENTE O CÂNCER DE COLO DO ÚTERO; ● Carcinoma de células escamosas: Os tumores de células escamosas (epidermóide) são responsáveis, pelo menos, por 75% dos tumores de colo do útero e têm origem na ectocérvice. Nos últimos 30 anos, houve redução na incidência de cânceres de células escamosas e aumento na incidência de adenocarcinomas do colo uterino. Essas mudanças podem ser atribuídas a melhora no método de rastreamento de lesões escamosas iniciais do colo uterino e a aumento na prevalência de HPV. Os carcinomas de células escamosas podem ser subdivididos em carcinomas queratinizados e não queratinizados. Os carcinomas queratinizados apresentam pérolas de queratina e ninhos de epitélio escamoso neoplásico. Os carcinomas não queratinizados apresentam ninhos arredondados de células escamosas neoplásicas com queratinização de células individuais, mas sem pérolas de queratina. ● Adenocarcinomas: Os adenocarcinomas representam 20 a 25% dos cânceres de colo uterino e surgem das células colunares produtoras de muco da endocérvice. Em razão desta origem na endocérvice, os adenocarcinomas com frequência são ocultos e podem estar em estádio avançado quando se tornam clinicamente evidentes. Muitas vezes conferem ao colo uterino a forma de barril que é palpável durante o exame da pelve. Os adenocarcinomas se apresentam com diversos padrões histológicos compostos por vários tipos celulares. Destes, os adenocarcinomas mucinosos são os mais comuns e podem ser subdivididos nos tipos endocervical, intestinal, desvio mínimo ou viloglandular. O adenocarcinoma endometrióides é o segundo mais frequente e se apresenta com glândulas semelhantes às do endométrio. O carcinoma seroso é raro e idêntico ao carcinoma seroso de ovário ou de útero. O adenocarcinoma de células claras representa menos de 5% dos adenocarcinomas do colo uterino e sua denominação é explicada por seu citoplasma claro. ● Carcinomas mistos de colo uterino: Essas neoplasias do colo uterino são raras. Os carcinomas adenoescamosos não diferem macroscopicamente dos adenocarcinomas do colo uterino. O componente escamoso é pouco diferenciado e apresenta pouca queratinização. ● Tumores neuroendócrinos do colo uterino: Esses cânceres são raros e incluem tumores de células grandes e de células pequenas do colo uterino. Os tumores neuroendócrinos são altamente agressivos, e mesmo aqueles em estádio inicial apresentam taxa de sobrevida livre de doença relativamente baixa apesar do tratamento com histerectomia radical e quimioterapia adjuvante. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 4- ELUCIDAR OS MÉTODOS DIAGNÓSTICOS, EXAMES PREVENTIVOS E ESTADIAMENTO; ● Prevenção secundária: São importantes para diagnóstico precoce e tratamento na fase inicial das lesões, inclusive em fase assintomática. O papanicolau (citopalogia oncótica, exame citopatológico do colo do útero) é o principal para prevenção secundária. 🎯 Quem deve fazer papanicolau? Mulheres que já iniciaram a vida sexual! 🎯 Idade de início da coleta? A partir dos 25 anos!* *O Ministério da Saúde não indica coleta antes dos 25 devido à baixa incidência de câncer nessa faixa etária, além de que, quando há lesões, os índices de regressão são muito altos. 🎯 Idade de parada da coleta? 64 anos, desde que a paciente tenha feito 2 exames sem alterações nos últimos 5 anos. 🎯 Com que frequência deve haver a coleta? Trienal, desde que tenha 2 exames normais anuais consecutivos. 🎯 Como é a coleta? Amostra ectocérvice (espátula de Ayres), endocérvice (escova de endocérvice) e da JEC (zona de metaplasia = zona de transformação do epitélio, mais suscetível à ação oncogênica do HPV). 🎯 Gestantes e pacientes pós-menopausa devem seguir o protocolo comum. 🎯 Paciente com histerectomia total (retirada do colo e corpo do útero) e sem história de lesão de alto grau não devem mais fazer a coleta. 🎯 Paciente imunossuprimidas (HIV, transplante, câncer) a coleta deve ser feita semestralmente no 1º ano e anual nos anos seguintes. 🎯 Paciente HIV + com CD4 < 200 células a coleta deve ser semestral até normalização celular. ● Diagnóstico: Embora seja bastante usado no rastreamento, o exame de Papanicolaou nem sempre detecta o câncer de colo uterino. Especificamente, o exame de Papanicolaou tem sensibilidade de apenas 55 a 80% para detecção de lesões de alto grau em um dado exame isolado. Assim, o poder de prevenção do exame está no rastreamento periódico seriado. Portanto, não se recomenda o uso isolado do exame de Papanicolaou para avaliação de lesões suspeitas. É importante salientar que as lesões suspeitas devem ser submetidas a biópsias diretas. Quando possível, as biópsias devem ser coletadas da periferia do tumor, incluindo o estroma subjacente, a fim de que, se houver invasão, seja possível diagnosticá-la. Se forem obtidos resultados anormais no exame de Papanicolaou, a colposcopia é realizada. Durante esse exame, toda a zona de transformação deve ser identificada, para obtenção de biópsias cervicais e endocervicais adequadas. Pode-se TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 utilizar espéculo endocervical para visualizar a zona de transformação caso ela tenha recuado para o canal endocervical. Nas pacientes com colposcopia insatisfatória e doença de alto grau, deve-se proceder à conização a frio. As biópsias de punção ou amostras obtidas com conização são as mais precisas para avaliar se há invasão do câncer de colo uterino. Ambos os tipos de amostra contém estroma subjacente e permitem a diferenciação entre carcinomas invasivos e in situ. Células escamosas atípicas de significado indeterminado(ASCUS): trata-se da anormalidade citológica mais comum. Indica presença de células sugestivas, mas que não preenchem critério para LSIL. Sua investigação não deve ser agressiva, visto que a maioria irá regredir e um percentual baixo precede um diagnóstico histológico de NIC 2 ou 3. Quando há diagnóstico de células escamosas atípicas de significado indeterminado do tipo ACS-US, repete-se a citologia em 12 meses se a paciente tiver entre 25 e 29 anos, e em 6 meses se tiver mais de 30 anos. Células escamosas atípicas que não se pode excluir HSIL (ASC-H): são células atípicas em que não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau (HSIL). Nesse caso, encontram-se HSIL em 25% dos casos. É uma porcentagem superior à da ASC-US, portanto indicando uma investigação mais atenta com colposcopia. Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL): engloba características citológicas de infecção por HIV e NIC 1, mas com risco de o laudo histológico vir como NIC 2 ou 3 de 15% a 30%. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL): as lesões intraepiteliais escamosas de alto grau, bem como todos os casos com anormalidades em células glandulares epiteliais e todos os casos suspeitos de carcinoma devem ser imediatamente investigados com mais cautela. Essa classificação engloba características histológicas de NIC 2 e 3 e traz elevado risco de resultado de laudo histopatológico de NIC 2 ou 3 (mais de 70%) ou de câncer invasivo (1 a 2%). Anormalidades em células glandulares (GCA): essa categoria implica alto risco de neoplasia. Há também maior risco de neoplasia de endométrio ou de outras partes do sistema reprodutor. A investigação deve ser sempre mais agressiva após esse laudo. ● Estadiamento: O estadiamento dos cânceres de colo uterino deixou de ser clínico a partir de 2018 pela FIGO. Entre os componentes do estadiamento estão conização a frio, exame pélvico sob anestesia, cistoscopia, proctoscopia, pielografia intravenosa (podendo ser TC) e radiografia do tórax. Os exames de imagem e anatomopatológico são úteis para o estadiamento. A RM é efetiva para medição do tamanho do tumor, mesmo das lesões endocervicais, e para definição dos limites do tumor do colo uterino. Além disso, ajuda a identificar se há invasão de estruturas vizinhas como bexiga, reto ou paramétrios. A TC é a ferramenta de imagem mais amplamente usada para avaliar envolvimento linfonodal e metástase a distância. Produz imagens com alta resolução para definição da anatomia, especialmente quando realizada com contraste. A FDG-PET é superior à TC e à RM para detecção de metástase em linfonodos e é útil para avaliação primária de linfonodos na doença localmente avançada. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 As mulheres com câncer de colo uterino nos estádios IA2 a IIA, segundo a FIGO, podem ser selecionadas para histerectomia radical com dissecção de linfonodos pélvicos e com ou sem dissecção de linfonodos para-aórticos. TUTORIA 2 - UC 11 Karolina Cabral Machado - P4 2021.1 6- IDENTIFICAR O PAPEL DA VACINA DA INFECÇÃO PELO HPV; ● Prevenção primária: As vacinas são criadas a partir de partículas do vírus cultivadas em leveduras. O principal desfecho é diminuir a incidência de câncer de colo do útero, porém há também redução de outras patologias como câncer de pênis, de ânus, de orofaringe e verrugas genitais. A vacina do MS é tetravalente (HPV 6, 11, 16 e 18). A população alvo são as meninas (9-14 anos) e os meninos (11-14 anos), ambos com 2 doses (0/6 meses). Para pacientes HIV + (9-26 anos) com 3 doses (0/2/6 meses). Pacientes oncológicos com 3 doses (0/2/6 meses). É contraindicada para gestantes.