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Prévia do material em texto

Prof. Ueliton Tarcisio de Carvalho, M. Sc. 
1 Estudo de caso sobre gestão do controle orçamentário 
Introdução 
A estrutura do referido estudo de caso que 
apresentaremos a seguir, foi extraída do 
conteúdo do livro Planejamento e Controle 
Orçamentário, de autoria de Jocildo 
Figueiredo Correia Neto (Editora Campus: 
Rio de Janeiro, 2011). 
No desenvolvimento desse estudo de caso, 
de maneira a ajudar o participante do curso 
de Gestão do Controle Orçamentário a 
melhor fixar os conceitos apresentados, 
serão mostrados exemplos de orçamentos 
parciais para uma empresa prestadora de 
serviços, que é uma clínica de pequeno 
porte. Essa atividade, além de prover 
atendimentos clínicos, também tem uma 
estrutura que permite a realização de 
pequenos procedimentos cirúrgicos. 
Do ponto de vista didático, a escolha por 
esse tipo de empresa como estudo de caso 
é interessante porque, a fim de permitir a 
prestação do serviço, a clínica necessita 
consumir insumos variados a exemplo das 
atividades industriais. Portanto, os 
desembolsos associados à aquisição de tais 
insumos foram incorporados ao orçamento. 
A clínica é tributada com base no lucro 
presumido, para fins de recolhimento de 
impostos federais. Como uma empresa de 
serviços, ela também deverá recolher 
impostos sobre serviços, do âmbito 
municipal. 
A empresa utiliza recursos de terceiros em 
sua estrutura de capital, o que implica no 
pagamento periódico de principal e juros, 
de forma a amortizar a dívida. Tais 
empréstimos servirão para financiar a 
aquisição de ativos imobilizados necessários 
à prestação de serviços. 
Orçamento de receitas 
operacionais 
A primeira etapa para orçar as receitas 
operacionais da clínica é determinar os 
serviços prestados. São eles: atendimento 
clínico, cirurgia I, cirurgia II e cirurgia III. O 
atendimento clínico se dá através de 
consultas aos pacientes, sem envolver 
intervenções cirúrgicas. Tais atendimentos, 
mesmo que de diferentes especialidades 
médicas, têm o mesmo custo e o mesmo 
preço, motivos pelos quais esse serviço é 
apresentado como único. 
As cirurgias, por sua vez, foram 
segmentadas de acordo com seus portes e 
consequente uso de insumos, e 
participação direta de pessoal. Em função 
disso, ao contrário das consultas, as 
cirurgias têm custos e preços diferentes, o 
que justifica tal separação. 
A demanda média e os preços dos serviços 
são apresentados a seguir. Os preços foram 
estimados tomando por base os praticados 
pelo mercado em serviços similares. 
 
Com relação à demanda, partiu-se 
inicialmente de uma estimativa baseada na 
média histórica de atendimento e cirurgias, 
a qual decorre da estrutura de atendimento 
da clínica, que não sofrerá alteração e, 
dessa forma, não apresenta expectativa de 
incremento. No entanto, a demanda por 
esses serviços tipicamente evidencia um 
comportamento sazonal, em função da 
época do ano. Ela diminui acentuadamente 
nos meses de férias (julho e dezembro) e 
um pouco menos nos meses de março, abril 
e agosto. 
A fim de considerar as sazonalidades 
indicadas, recorreu-se ao uso de índices de 
ajuste por tipo de serviço. A seguir são 
apresentadas as estimativas desses índices. 
Tabela 1: Demanda média e preço dos serviços
Demanda Preço
Atendimento clínico 1.000 $80,00
Cirurgia I 50 $1.800,00
Cirurgia II 25 $2.800,00
Cirurgia III 20 $3.400,00
Serviço
 
 
 
Prof. Ueliton Tarcisio de Carvalho, M. Sc. 
2 Estudo de caso sobre gestão do controle orçamentário 
 
Tais índices são multiplicados pela 
quantidade esperada média (Tabela 1) de 
cada serviço, resultando em suas demandas 
esperadas em cada mês. 
 
Multiplicando os preços pela demanda 
estimada mensal de cada serviço, é gerada 
a estimativa de faturamento mensal ao 
longo do período orçamentário. 
 
Nesse exemplo, admite-se que todo o 
faturamento é recebido no mesmo mês, 
tornando a estimativa de faturamento igual 
à estimativa de recebimento (regimes de 
competência e de caixa iguais). 
Com esses dados, é possível gerar um 
gráfico contendo a participação monetária 
e percentual de cada tipo de serviço na 
receita operacional da empresa durante o 
período orçamentário. 
 
O faturamento com atendimento clínico e o 
procedimento cirúrgico do tipo I, 
correspondem, somados, a 56% da receita 
operacional orçada para o período (28% 
cada). Os procedimentos cirúrgicos dos 
tipos II e III, respondem, juntos, com 44% do 
total da receita operacional orçada (22% 
cada). 
Orçamento dos custos de 
produção 
Apesar de não ser uma empresa que tenha 
um processo produtivo típico, a clínica 
incorre em custos para habilitar a prestação 
de seus serviços. Tais custos são de 
matérias-primas, mão de obra direta e 
custos indiretos, todos descritos a seguir. 
A. Orçamento de custos com materiais 
diretos 
Para cada procedimento cirúrgico 
apresentado, cirurgia I, II e III, foi estimada 
a quantidade de insumos utilizados 
diretamente. As tabelas a seguir mostram 
essas estimativas, juntamente com os 
respectivos preços de aquisição de cada 
item, o que permite apropriar o custo dos 
insumos (materiais diretos) usados em cada 
um desses procedimentos. A composição 
de materiais de cada procedimento 
cirúrgico foi coletada junto aos cirurgiões e 
enfermeiros. Os preços de aquisição foram 
coletados junto aos respectivos 
fornecedores. 
Tabela 2: Estimativa dos índices sazonais
Serviço/Mês 
Atendimento 
clínico
Cirurgia I Cirurgia II Cirurgia III
Jan 1,00 1,00 1,00 1,00
Fev 1,00 1,00 1,00 1,00
Mar 0,90 0,80 0,80 0,80
Abr 0,90 0,80 0,80 0,80
Mai 1,00 1,00 1,00 1,00
Jun 1,00 1,00 1,00 1,00
Jul 0,80 0,50 0,50 0,50
Ago 0,90 0,80 0,80 0,80
Set 1,00 1,00 1,00 1,00
Out 1,00 1,00 1,00 1,00
Nov 1,00 1,00 1,00 1,00
Dez 0,80 0,50 0,50 0,50
Tabela 3: Demanda mensal esperada de serviços 
Serviço/Mês 
Atendimento 
clínico
Cirurgia I Cirurgia II Cirurgia III
Jan 1.000 50 25 20
Fev 1.000 50 25 20
Mar 900 40 20 16
Abr 900 40 20 16
Mai 1.000 50 25 20
Jun 1.000 50 25 20
Jul 800 25 13 10
Ago 900 40 20 16
Set 1.000 50 25 20
Out 1.000 50 25 20
Nov 1.000 50 25 20
Dez 800 25 13 10
Tabela 4: Faturamento mensal esperado de serviços 
Mês 
Atendimento 
clínico
Cirurgia I Cirurgia II Cirurgia III Total/mês
Jan $80.000 $90.000 $70.000 $68.000 $308.000
Fev $80.000 $90.000 $70.000 $68.000 $308.000
Mar $72.000 $72.000 $56.000 $54.400 $254.400
Abr $72.000 $72.000 $56.000 $54.400 $254.400
Mai $80.000 $90.000 $70.000 $68.000 $308.000
Jun $80.000 $90.000 $70.000 $68.000 $308.000
Jul $64.000 $45.000 $35.000 $34.000 $178.000
Ago $72.000 $72.000 $56.000 $54.400 $254.400
Set $80.000 $90.000 $70.000 $68.000 $308.000
Out $80.000 $90.000 $70.000 $68.000 $308.000
Nov $80.000 $90.000 $70.000 $68.000 $308.000
Dez $64.000 $45.000 $35.000 $34.000 $178.000
Total/ano $904.000 $936.000 $728.000 $707.200 $3.275.200
$904.000
28%
$936.000
28%
$728.000
22%
$707.200
22%
Figura I
Participação na receita operacional
Atendimento clínico
Cirurgia I
Cirurgia II
Cirurgia III
 
 
 
Prof. Ueliton Tarcisio de Carvalho, M. Sc. 
3 Estudo de caso sobre gestão do controle orçamentário 
 
 
 
Para cada procedimento, verificou-se seu 
custo com materiais. Tais custos, quando 
multiplicados pela quantidade estimada de 
procedimentos em cada mês, permite 
estimar os desembolsos mensais com os 
materiais diretos, que apresentamos na 
tabela a seguir. 
 
A participação de cada tipo de 
procedimento cirúrgico no custo total com 
materiais diretos é apresentada na figura a 
seguir. 
 
A cirurgia I responde com 44% do custo total 
com materiais diretos e as cirurgias I e II 
respondem com 29% e 27% desse custo, 
respectivamente. 
B. Orçamento do custo com mão de obra 
direta 
O passo seguinte foi listar as funções 
envolvidas diretamente em cada serviço 
prestado e suas remunerações. Com essas 
informações, foi possível estimar os 
desembolsos de mãode obra com os 
serviços prestados pela clínica. 
A Tabela 9 registra as informações 
pertinentes, coletadas junto à empresa de 
contabilidade, responsável pela folha de 
pagamento da clínica. Sua formação 
considera que há 160 horas de trabalho por 
mês e que os encargos sociais 
correspondem a 40% do salário bruto. 
 
Na primeira coluna da Tabela 9 temos a 
descrição da função e nas duas colunas 
seguintes, temos os respectivos salários 
mensais e encargos sociais. Os encargos 
sociais foram calculados multiplicando-se o 
percentual de 40% pelo salário mensal. Na 
coluna seguinte temos a soma das colunas 
de salário mensal e de encargos sociais, 
gerando a remuneração mensal total. A 
última coluna coleta a remuneração total 
(coluna anterior) e a divide pelo número 
total de horas de trabalho em um mês (8 
Qtde. Unidade Custo Unitário Custo Total
Avental descartável cirurgião 1 UND $50,00 $50,00
Avental descartável instrumentador 1 UND $50,00 $50,00
Fios cirúrgicos 5 UND $60,00 $300,00
Gazes 5 ENV $0,90 $4,50
Luvas 2 PAR $1,00 $2,00
Gorro/propé 2 UND $30,00 $60,00
Campo cirúrgico 2 UND $9,70 $19,40
Soro fisiológico 1 LIT $260,00 $260,00
Fita microporosa 1 ROL $16,00 $16,00
Total $761,90
Item
Tabela 5: Cirurgia I
Tabela 6: Cirurgia II
Qtde. Unidade Custo Unitário Custo Total
Avental descartável cirurgião 2 UND $50,00 $100,00
Avental descartável instrumentador 1 UND $50,00 $50,00
Avental descartável enfermeira 1 UND $50,00 $50,00
Avental descartável anestesista 1 UND $50,00 $50,00
Fios cirúrgicos 5 UND $60,00 $300,00
Gazes 5 ENV $0,90 $4,50
Luvas 5 PAR $1,00 $5,00
Gorro/propé 5 UND $30,00 $150,00
Campo cirúrgico 2 UND $9,70 $19,40
Soro fisiológico 1 LIT $260,00 $260,00
Fita microporosa 1 ROL $16,00 $16,00
Placa descartável para eletrocirurgia 1 UND $24,00 $24,00
Total $1.028,90
Item
Tabela 7: Cirurgia III
Qtde. Unidade Custo Unitário Custo Total
Avental descartável cirurgião 3 UND $50,00 $150,00
Avental descartável instrumentador 1 UND $50,00 $50,00
Avental descartável enfermeira 1 UND $50,00 $50,00
Avental descartável anestesista 1 UND $50,00 $50,00
Fios cirúrgicos 5 UND $60,00 $300,00
Gazes 10 ENV $0,90 $9,00
Luvas 6 PAR $1,00 $6,00
Gorro/propé 6 UND $30,00 $180,00
Campo cirúrgico 3 UND $9,70 $29,10
Soro fisiológico 1 LIT $260,00 $260,00
Fita microporosa 1 ROL $16,00 $16,00
Placa descartável para eletrocirurgia 1 UND $24,00 $24,00
Órtese 1 UND $43,90 $43,90
Total $1.168,00
Item
Tabela 8: Desembolsos mensais com materiais diretos
Mês Cirurgia I Cirurgia II Cirurgia III Total/mês
Jan $38.095 $25.723 $23.360 $87.178
Fev $38.095 $25.723 $23.360 $87.178
Mar $30.476 $20.578 $18.688 $69.742
Abr $30.476 $20.578 $18.688 $69.742
Mai $38.095 $25.723 $23.360 $87.178
Jun $38.095 $25.723 $23.360 $87.178
Jul $19.048 $12.861 $11.680 $43.589
Ago $30.476 $20.578 $18.688 $69.742
Set $38.095 $25.723 $23.360 $87.178
Out $38.095 $25.723 $23.360 $87.178
Nov $38.095 $25.723 $23.360 $87.178
Dez $19.048 $12.861 $11.680 $43.589
Total/ano $396.188 $267.514 $242.944 $906.646
$396.188
44%
$267.514
29%
$242.944
27%
Figura II
Participação no custo com materiais diretos
Cirurgia I
Cirurgia II
Cirurgia III
Pessoal/Recursos Salário mensal
Encargos 
sociais
Remun. total Remun. hora
Cirurgião $14.134 $5.654 $19.788 $123,67
Clínico geral $7.338 $2.935 $10.273 $64,21
Anestesista $11.416 $4.566 $15.982 $99,89
Enfermeiro $3.092 $1.237 $4.329 $27,06
Instrumentador $1.808 $723 $2.531 $15,82
Tabela 9: Folha de salários e encargos
 
 
 
Prof. Ueliton Tarcisio de Carvalho, M. Sc. 
4 Estudo de caso sobre gestão do controle orçamentário 
horas diárias x 5 dias na semana x 4 
semanas = 160 horas), indicando o 
custo/hora da mão de obra direta. 
Uma vez calculado a remuneração/hora da 
mão de obra direta, levantamos a 
informação de quanto tempo cada serviço 
requer de cada profissional envolvido. 
Multiplicando os respectivos tempos pela 
remuneração horária de cada colaborador, 
estimamos o custo da mão de obra direta 
em cada serviço. Esses valores orçados 
estão na Tabela 10. 
 
Cada atendimento clínico requer meia hora 
de um clínico geral. Uma cirurgia I requer 
um cirurgião e um instrumentador, durante 
uma hora. A cirurgia II necessita de dois 
cirurgiões, um anestesista, um enfermeiro e 
um instrumentador, durante uma hora. Já a 
cirurgia III, em relação à cirurgia II, requer 
um cirurgião adicional, também ao longo de 
uma hora. 
Por fim, o orçamento da mão de obra direta 
foi estimado através da multiplicação do 
custo de cada serviço pela respectiva 
demanda mensal estimada do serviço 
prestado (Tabela 3), gerando a projeção a 
seguir (Tabela 11). 
 
A participação de cada serviço no custo 
total da MOD é apresentada na figura a 
seguir. 
 
O atendimento clínico responde por 56% do 
custo orçado da MOD para o período. Em 
seguida, o serviço com a segunda maior 
participação no custo da MOD está o 
procedimento cirúrgico do tipo III (17%). Os 
procedimentos cirúrgicos dos tipos II e I, 
respondem por 16% e 11% da MOD, 
respectivamente. 
C. Orçamento dos custos indiretos de 
produção 
Através de dados históricos coletados no 
sistema informatizado da clínica, foram 
estimados os desembolsos com custos 
indiretos relacionados aos serviços 
prestados. A tabela seguinte apresenta os 
custos históricos médios observados no 
período orçamentário anterior. 
 
A participação de cada item no CIP é 
apresentada na figura a seguir. 
 
Tabela 10: Estimação do custo da mão de obra por tipo de serviço
Profissional
Atendimento 
clinico
Cirurgia I Cirurgia II Cirurgia III
Cirurgião 1,00 2,00 3,00
Clínico geral 0,50
Anestesista 1,00 1,00
Enfermeiro 1,00 1,00
Instrumentador 1,00 1,00 1,00
MOD $32,10 $139,49 $390,11 $513,78
Tabela 11: Orçamento mensal do custo da mão de obra direta
Mês
Atendimento 
clinico
Cirurgia I Cirurgia II Cirurgia III Total/mês
Jan $32.104 $6.975 $9.753 $10.276 $59.107
Fev $32.104 $6.975 $9.753 $10.276 $59.107
Mar $28.893 $5.580 $7.802 $8.221 $50.496
Abr $28.893 $5.580 $7.802 $8.221 $50.496
Mai $32.104 $6.975 $9.753 $10.276 $59.107
Jun $32.104 $6.975 $9.753 $10.276 $59.107
Jul $25.683 $3.487 $4.876 $5.138 $39.185
Ago $28.893 $5.580 $7.802 $8.221 $50.496
Set $32.104 $6.975 $9.753 $10.276 $59.107
Out $32.104 $6.975 $9.753 $10.276 $59.107
Nov $32.104 $6.975 $9.753 $10.276 $59.107
Dez $25.683 $3.487 $4.876 $5.138 $39.185
Total/ano $362.772 $72.536 $101.429 $106.867 $643.604
$362.772
56%
$72.536
11%
$101.429
16%
$106.867
17%
Figura III
Participação no custo da MOD
Atendimento clinico
Cirurgia I
Cirurgia II
Cirurgia III
Tabela 12: Orçamento do CIP
Mês
Energia do 
centro cirurgico
Limpeza 
terceirizada
Manutenção 
de 
equipamentos
Total/mês
Jan $650 $750 $350 $1.750
Fev $650 $750 $350 $1.750
Mar $650 $750 $350 $1.750
Abr $650 $750 $350 $1.750
Mai $650 $750 $350 $1.750
Jun $650 $750 $350 $1.750
Jul $650 $750 $350 $1.750
Ago $650 $750 $350 $1.750
Set $650 $750 $350 $1.750
Out $650 $750 $350 $1.750
Nov $650 $750 $350 $1.750
Dez $650 $750 $350 $1.750
Total/ano $7.800 $9.000 $4.200 $21.000
$7.800
37%
$9.000
43%
$4.200
20%
Figura IV
Participação no CIP
Energia do centro cirurgico
Limpeza terceirizada
Manutenção de
equipamentos
 
 
 
Prof. Ueliton Tarcisio de Carvalho, M. Sc. 
5 Estudo de caso sobre gestão do controle orçamentário 
A despesa de energia do centro cirúrgico 
representa 37% do CIP, enquanto as 
despesas com limpeza terceirizada e 
manutenção de equipamentos equivalem a 
43% e 20%, respectivamente. 
Orçamento das despesas 
operacionais 
As despesas operacionais da clínica foram 
divididas em fixas e variáveis, de acordo 
com sua relação com a receita gerada. 
A Tabela 13 mostra os elementos de 
desembolsos operacionais de natureza fixa 
e seus valores estimados. Por suas 
características, esses valores foram 
utilizados uniformemente ao longo de 
todos os meses do ano. 
 
Passamos em seguidapara as despesas 
operacionais de natureza variável. A Tabela 
14 resume seus elementos. 
 
A primeira coluna apresenta o elemento de 
despesa variável. A segunda coluna mostra 
o percentual que será multiplicado pela 
base de cálculo (faturamento mensal), a fim 
de estimar o desembolso. A última coluna 
indica em que momento o desembolso 
ocorrerá. O termo M+1 indica que o 
desembolso ocorrerá no mês seguinte ao 
fato gerador, no caso a geração da receita 
operacional. 
As alíquotas dos impostos apresentados 
foram coletadas junto à empresa de 
contabilidade. O ISS é um imposto 
municipal cuja alíquota é 5%. Os demais 
impostos apresentados são federais e as 
respectivas alíquotas são indicadas para o 
ramo de atividade da empresa (serviços 
hospitalares). 
A empresa é tributada com base no lucro 
presumido, motivo pelo qual as alíquotas de 
IRPJ e CSLL são compostas por uma 
presunção da margem de lucro e não sobre 
o lucro realmente calculado e apurado pela 
empresa. Além disso, nesse caso, esses 
tributos são recolhidos trimestralmente, 
tomando por base a receita gerada no 
trimestre anterior. Portanto, seus 
recolhimentos ocorrem em abril, julho, 
outubro e janeiro, respectivamente, 
utilizando as receitas acumuladas de janeiro 
a março, abril a junho, julho a setembro e 
outubro a dezembro. 
Utilizando a projeção do faturamento 
elaborada anteriormente (orçamento das 
receitas operacionais), estimamos os 
desembolsos operacionais variáveis (Tabela 
15). 
 
Observe que em janeiro do período orçado 
não há desembolso com esses elementos. 
Na realidade, como alguns itens de 
despesas variáveis são realizados no mês 
seguinte ao fato gerador e outros são 
Tabela 13: Orçamento mensal das despesas operacionais fixas
Conta/Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun
Água e esgoto $500 $500 $500 $500 $500 $500
Contabilidade - terceirizada $750 $750 $750 $750 $750 $750
Encargos sociais $5.600 $5.600 $5.600 $5.600 $5.600 $5.600
Energia elétrica $750 $750 $750 $750 $750 $750
Folha de pagamento $14.000 $14.000 $14.000 $14.000 $14.000 $14.000
Internet $100 $100 $100 $100 $100 $100
Limpeza - terceirizada $1.500 $1.500 $1.500 $1.500 $1.500 $1.500
Manutenções diversas $150 $150 $150 $150 $150 $150
Telecomunicações $700 $700 $700 $700 $700 $700
Total $24.050 $24.050 $24.050 $24.050 $24.050 $24.050
Conta/Mês Jul Ago Set Out Nov Dez
Água e esgoto $500 $500 $500 $500 $500 $500
Contabilidade - terceirizada $750 $750 $750 $750 $750 $750
Encargos sociais $5.600 $5.600 $5.600 $5.600 $5.600 $5.600
Energia elétrica $750 $750 $750 $750 $750 $750
Folha de pagamento $14.000 $14.000 $14.000 $14.000 $14.000 $14.000
Internet $100 $100 $100 $100 $100 $100
Limpeza - terceirizada $1.500 $1.500 $1.500 $1.500 $1.500 $1.500
Manutenções diversas $150 $150 $150 $150 $150 $150
Telecomunicações $700 $700 $700 $700 $700 $700
Total $24.050 $24.050 $24.050 $24.050 $24.050 $24.050
Item Percentual Base de cálculo Ocorrência 
ISS 5,00% Receita M+1
PIS 0,65% Receita M+1
COFINS 3,00% Receita M+1
IRPJ 1,20% Receita Trimestre
CSLL 0,72% Receita Trimestre
Tabela 14: Despesas operacionais variáveis
Item Jan Fev Mar Abr Mai Jun
ISS $7.738 $7.738 $6.590 $6.590 $7.738
PIS $1.006 $1.006 $857 $857 $1.006
COFINS $4.643 $4.643 $3.954 $3.954 $4.643
IRPJ $5.296
CSLL $3.177
Total $0 $13.386 $13.386 $19.874 $11.401 $13.386
Item Jul Ago Set Out Nov Dez
ISS $7.738 $5.069 $6.590 $7.738 $7.738 $7.738
PIS $1.006 $659 $857 $1.006 $1.006 $1.006
COFINS $4.643 $3.041 $3.954 $4.643 $4.643 $4.643
IRPJ $5.296 $4.655
CSLL $3.177 $2.793
Total $21.859 $8.769 $11.401 $20.834 $13.386 $13.386
Tabela 15: Orçamento mensal dos impostos
 
 
 
Prof. Ueliton Tarcisio de Carvalho, M. Sc. 
6 Estudo de caso sobre gestão do controle orçamentário 
trimestrais, em janeiro os valores estimados 
seriam aqueles advindos da receita gerada 
em períodos do ano anterior. 
A composição final das despesas 
operacionais (fixas e variáveis) pode ser 
vista no gráfico a seguir. 
 
Orçamento de investimentos 
A equipe técnica da clínica estimou a 
necessidade de adquirir novos 
equipamentos para melhorar os 
procedimentos cirúrgicos. Esses 
equipamentos são: autoclave, seladora de 
papel grau cirúrgico e incubador biológico. 
Portanto, a fim de subsidiar a elaboração do 
orçamento, foram coletados os seguintes 
dados (Tabela 16). 
 
A primeira coluna apresenta o item a ser 
adquirido. A segunda e terceiras colunas 
mostram os respectivos preços de aquisição 
e as condições de pagamento, ambos 
coletados junto a possíveis fornecedores. A 
última coluna indica em que mês é 
necessária a aquisição de cada ativo. 
Com esses dados, é possível fazer a 
projeção dos desembolsos relacionados aos 
investimentos. A autoclave será adquirida 
em julho. Como sua forma de pagamento é 
dividida igualmente à vista e em 30 dias, os 
fluxos de caixa decorrentes dessa compra 
foram projetados para julho e agosto. A 
seladora será integralmente paga à vista no 
mês de sua aquisição (julho). Por fim, o 
incubador biológico será adquirido em 
agosto, porém as condições comerciais 
permitem que esse ativo seja pago em duas 
parcelas, nos meses de setembro e outubro. 
A Tabela 17 reflete a projeção financeira das 
decisões de investimento nesses ativos 
fixos. 
 
Nesse caso, não são esperados valores 
residuais de ativos antigos que possam ser 
vendidos. Portanto, não há previsão de 
fluxos de caixa positivos nos fluxos de caixa 
das atividades de investimento. 
Orçamento de financiamentos 
Conforme vimos na unidade anterior, a 
clínica projeta investimentos totais de 
$32.000. Mesmo considerando que os 
fornecedores concedem prazo para o 
pagamento desses equipamentos, a clínica 
decidiu verificar alternativas de linhas de 
financiamento no mercado, pois caso as 
condições de crédito e as taxas cobradas 
sejam atrativas, ela pode decidir captar 
esses recursos no mercado. 
Após contato com os bancos com os quais a 
clínica mantém relacionamento, foi 
decidido que serão captados recursos de 
duas linhas de financiamento, cujas regras 
são as seguintes (Tabela 18): 
 
Com esses dados coletados, a clínica decidiu 
captar metade do total previsto para 
investimento ($16.000). A outra metade dos 
investimentos projetados será financiada 
com recursos originados da própria 
operação da clínica. Dessa forma, em julho, 
serão captados $9.000 da linha de 
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
2
4
.0
5
0
$
0
$
2
6
.6
4
2
$
2
6
.6
4
2
$
3
8
.7
1
7
$
2
2
.0
0
6
$
2
6
.6
4
2
$
4
3
.3
5
4
$
1
5
.3
9
7
$
2
2
.0
0
6
$
4
0
.8
5
8
$
2
6
.6
4
2
$
2
6
.6
4
2
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
Figura V
Composição das despesas operacionais
Despesas operacionais fixas Despesas operacionais variaveis
à vista 30 dias 60 dias
Autoclave $15.000 50,00% 50,00% JUL
Seladora de papel grau cirúrgico $5.000 100,00% JUL
Incubador biológico $12.000 50,00% 50,00% AGO
Tabela 16: Planejamento de investimentos
Item Valor
Forma de pagamento Mês de 
aquisição
Item Jan Fev Mar Abr Mai Jun
Autoclave
Seladora de papel grau cirúrgico 
Incubador biológico 
Total $0 $0 $0 $0 $0 $0
Item Jul Ago Set Out Nov Dez
Autoclave $7.500 $7.500
Seladora de papel grau cirúrgico $5.000
Incubador biológico $6.000 $6.000
Total $12.500 $7.500 $6.000 $6.000 $0 $0
Tabela 17: Orçamento mensal de investimentos
Linhas de 
financiamento
Tipo de 
amortização 
Taxa de 
juros/Mês 
Período de 
amortização 
(mês)
Mês Valor
Linha 1 Price 1,30% 5 AGO $9.000
Linha 2 SAC 1,20% 4 SET $7.000
Tabela 18: Planejamento de financiamentos
 
 
 
Prof. Ueliton Tarcisio de Carvalho, M. Sc. 
7 Estudo de caso sobre gestão do controle orçamentário 
financiamento 1 e, em agosto, $7.000 da 
linha de financiamento 2. 
Por essa razão,foi necessário orçar os fluxos 
de caixa de entrada e de saída de cada uma 
dessas linhas de financiamento 
separadamente e, em um momento 
posterior, agregá-los. 
Iniciando pela linha de financiamento 1, em 
julho, a clínica irá receber um fluxo de caixa 
de $9.000. A partir das regras de 
amortização dessa linha de financiamento, 
orçamos os seguintes fluxos de desembolso 
de caixa (Tabela 19). 
 
As prestações pelo método PRICE são 
uniformes. Para tanto, as amortizações são 
crescentes e os juros decrescentes. 
 
Partindo agora para a outra linha de 
financiamento (linha 2), cujas regras de 
amortização e datas de captação são 
diferentes, a projeção dos seus fluxos de 
caixa requer uma projeção separada. Essa 
linha de financiamento, amortizada pelo 
método SAC, indica que em agosto serão 
recebidos $7.000. A partir de setembro, as 
prestações de pagamento são projetadas, 
conforme apresentado na Tabela 20. 
 
As prestações pelo método SAC são 
decrescentes, pois a amortização é 
uniforme e os juros decrescentes. 
 
Por fim, os dois fluxos de caixa devem ser 
agregados, de maneira a permitir a projeção 
dos fluxos de caixa de financiamento da 
empresa. A Tabela 21 resume esses fluxos 
de caixa. 
 
Consolidação dos orçamentos 
parciais 
Finalizando todos os orçamentos parciais, é 
possível consolidá-los em um único fluxo de 
caixa, refletindo o planejamento 
orçamentário para os próximos 12 meses 
(Tabela 22). 
 
Neste momento, deve-se observar se há 
necessidade de projetar outros fluxos de 
caixa derivados da consolidação dos 
orçamentos. Em algumas situações, 
somente após essa consolidação, podem 
Mês Saldo inicial Prestação Juros Amortização Saldo final
Ago $9.000,00 $1.870,80 $117,00 $1.753,80 $7.246,20
Set $7.246,20 $1.870,80 $94,20 $1.776,60 $5.469,59
Out $5.469,59 $1.870,80 $71,10 $1.799,70 $3.669,89
Nov $3.669,89 $1.870,80 $47,71 $1.823,10 $1.846,80
Dez $1.846,80 $1.870,80 $24,01 $1.846,80 $0,00
Tabela 19: Orçamento mensal dos desembolsos de financiamento (price)
$1.680,00
$1.700,00
$1.720,00
$1.740,00
$1.760,00
$1.780,00
$1.800,00
$1.820,00
$1.840,00
$1.860,00
$1.880,00
Ago Set Out Nov Dez
Figura VI
Amortização PRICE
Juros
Amortização
Tabela 20: Orçamento mensal dos desembolsos de financiamento (sac)
Mês Saldo inicial Prestação Juros Amortização Saldo final
Set $7.000,00 $1.834,00 $84,00 $1.750,00 $5.250,00
Out $5.250,00 $1.813,00 $63,00 $1.750,00 $3.500,00
Nov $3.500,00 $1.792,00 $42,00 $1.750,00 $1.750,00
Dez $1.750,00 $1.771,00 $21,00 $1.750,00 $0,00
$1.700,00
$1.720,00
$1.740,00
$1.760,00
$1.780,00
$1.800,00
$1.820,00
$1.840,00
$1.860,00
Set Out Nov Dez
Figura VII
Amortização SAC
Juros
Amortização
Tabela 21: Fluxos de caixa dos financiamenrtos
Mês JUL AGO SET OUT NOV DEZ TOTAL
Entradas $9.000,00 $7.000,00 $0,00 $0,00 $0,00 $16.000,00
Linha 1 $9.000,00 $9.000,00
Linha 2 $7.000,00 $7.000,00
Saidas $0,00 $1.870,80 $3.704,80 $3.683,80 $3.662,80 $3.641,80 $16.564,02
Amortização $1.753,80 $3.526,60 $3.549,70 $3.573,10 $3.596,80 $16.000,00
Juros $117,00 $178,20 $134,10 $89,71 $45,01 $564,02
Tabela 22: Orçamento mensal consolidado
Contas Jan Fev Mar Abr Mai Jun
Receitas operacionais $154.750 $154.750 $131.800 $131.800 $154.750 $154.750
 Atendimento clínico $80.000 $80.000 $72.000 $72.000 $80.000 $80.000
 Cirurgia I $32.500 $32.500 $26.000 $26.000 $32.500 $32.500
 Cirurgia II $21.250 $21.250 $17.000 $17.000 $21.250 $21.250
 Cirurgia III $21.000 $21.000 $16.800 $16.800 $21.000 $21.000
Custos $40.404 $40.404 $34.642 $34.642 $40.404 $40.404
 Matérias primas $8.970 $8.970 $7.176 $7.176 $8.970 $8.970
 MOD $29.684 $29.684 $25.716 $25.716 $29.684 $29.684
 CIP $1.750 $1.750 $1.750 $1.750 $1.750 $1.750
Despesas operacionais $24.050 $37.436 $37.436 $43.924 $35.451 $37.436
 Despesas fixas $24.050 $24.050 $24.050 $24.050 $24.050 $24.050
 Despesas variáveis $0 $13.386 $13.386 $19.874 $11.401 $13.386
Investimentos
Financiamentos - entrada
Financiamentos - saida
Contas Jul Ago Set Out Nov Dez
Receitas operacionais $101.375 $131.800 $154.750 $154.750 $154.750 $101.375
 Atendimento clínico $64.000 $72.000 $80.000 $80.000 $80.000 $64.000
 Cirurgia I $16.250 $26.000 $32.500 $32.500 $32.500 $16.250
 Cirurgia II $10.625 $17.000 $21.250 $21.250 $21.250 $10.625
 Cirurgia III $10.500 $16.800 $21.000 $21.000 $21.000 $10.500
Custos $26.983 $34.642 $40.404 $40.404 $40.404 $26.983
 Matérias primas $4.485 $7.176 $8.970 $8.970 $8.970 $4.485
 MOD $20.748 $25.716 $29.684 $29.684 $29.684 $20.748
 CIP $1.750 $1.750 $1.750 $1.750 $1.750 $1.750
Despesas operacionais $45.909 $32.819 $35.451 $44.884 $37.436 $37.436
 Despesas fixas $24.050 $24.050 $24.050 $24.050 $24.050 $24.050
 Despesas variáveis $21.859 $8.769 $11.401 $20.834 $13.386 $13.386
Investimentos $12.500 $7.500 $6.000 $6.000
Financiamentos - entrada $9.000 $7.000
Financiamentos - saida $1.871 $3.705 $3.684 $3.663 $3.642
 
 
 
Prof. Ueliton Tarcisio de Carvalho, M. Sc. 
8 Estudo de caso sobre gestão do controle orçamentário 
ser estimados outros fluxos de caixa. No 
presente exemplo, não foram identificadas 
necessidades remanescentes de projeção 
após a visão geral do fluxo de caixa. 
Indicadores orçamentários 
Ao elaborar o orçamento e projetar os 
fluxos de caixa, os gestores precisam usar 
alguns indicadores com o objetivo de fazer 
análises gerenciais sobre os resultados. Tais 
indicadores permitem aos gestores fazer 
análises comparativas temporais e/ou entre 
diferentes unidades de negócios e filiais, 
auxiliando-os na tomada de decisões 
operacionais, de investimento e de 
financiamento. 
Na Tabela 25 apresentada a seguir, temos 
alguns desses indicadores. 
 
O primeiro indicador é obtido da relação 
entre os valores orçados dos desembolsos 
variáveis e das receitas operacionais. Uma 
variabilidade pouco acentuada desse 
indicador sinaliza que a empresa espera 
conseguir um bom controle sobre preços e 
custos. Na fase de controle orçamentário, 
notando-se uma dispersão significativa 
entre os valores orçados e os valores 
realizados desse indicador, caberá aos 
administradores da empresa diagnosticar as 
causas e decidir as ações corretivas 
necessárias. 
O segundo indicador é a medida percentual 
da margem de contribuição. Os resultados 
desse indicador estão diretamente 
relacionados à variabilidade do primeiro 
indicador (Desembolsos variáveis/Receitas 
operacionais), portanto, a análise de sua 
variabilidade segue o mesmo raciocínio. 
O terceiro indicador é a medida do 
quociente entre os valores orçados dos 
desembolsos fixos (CIP + despesas 
operacionais fixas) e das receitas 
operacionais. Na fase de controle 
orçamentário, notando-se uma dispersão 
significativa entre os valores orçados e os 
valores realizados desse indicador, caberá 
aos administradores da empresa 
diagnosticar as causas e decidir as ações 
corretivas necessárias. 
O quarto indicador é a medida do nível de 
segurança, que é obtido do quociente entre 
as receitas operacionais orçadas e a receita 
de equilíbrio. Uma vez que a receita de 
equilíbrio é o nível de receita operacional 
capaz de cobrir todos os desembolsos (fixos 
e variáveis), sem que a empresa incorra em 
prejuízo, o resultado do indicador de nível 
de segurança revela qual o tamanho da 
“vantagem” sobre uma possível variação 
negativa das receitas operacionais. 
Estatisticamente, um nível de segurança 
superior a 2 vezes à receita de equilíbrio 
indica uma “vantagem” expressiva. 
Conclusão 
Concluo esse estudo de caso com a 
expectativa de que ele contribua para 
ampliar o nível de conhecimentos de cunho 
teórico-prático sobre orçamento 
empresarial, aplicáveis nas empresas em 
que atuam os participantes do curso de 
Gestão do Controle Orçamentário. 
Tabela 25: Análise da receita de equilíbrio
Indicadores Jan Fev Mar Abr Mai Jun
Desembolsos 
variáveis(1)/Receitas 
operacionais47,49% 56,14% 57,74% 62,48% 54,64% 56,14%
Margem de contribuição(2) $161.716 $135.074 $107.520 $95.445 $139.710 $135.074
Margem de 
contribuição(2)/Receitas 
operacionais
52,51% 43,86% 42,26% 37,52% 45,36% 43,86%
Desembolsos fixos(3) $25.800 $25.800 $25.800 $25.800 $25.800 $25.800
Desembolsos 
fixos(3)/Receitas 
operacionais orçadas
8,38% 8,38% 10,14% 10,14% 8,38% 8,38%
Receita de equilíbrio(4) $49.138 $58.830 $61.045 $68.768 $56.878 $58.830
Nível de segurança5 6,27 5,24 4,17 3,70 5,42 5,24
Indicadores Jul Ago Set Out Nov Dez
Desembolsos 
variáveis1/Receitas 
operacionais
70,86% 53,32% 54,64% 60,76% 56,14% 61,47%
Margem de contribuição(2) $51.873 $118.765 $139.710 $120.858 $135.074 $68.585
Margem de 
contribuição(2)/Receita 
operacional
29,14% 46,68% 45,36% 39,24% 43,86% 38,53%
Desembolsos fixos(3) $25.800 $25.800 $25.800 $25.800 $25.800 $25.800
Desembolsos 
fixos(3)/Receitas 
operacionais orçadas
14,49% 10,14% 8,38% 8,38% 8,38% 14,49%
Receita de equilíbrio(4) $88.532 $55.265 $56.878 $65.750 $58.830 $66.960
Nível de segurança(5) 2,01 4,60 5,42 4,68 5,24 2,66
(1) Desembolsos variáveis = matérias primas + MOD + despesas operacionais variáveis
(2) Margem de segurança = receitas operacionais - desembolsos variáveis
(3) Desembolsos fixos = CIP + despesas operacionais fixas
(4) Receita de equilíbrio = desembolsos fixos/margem de contribuição
(5) Nível de segurança = receitas operacionais/receita de equilíbrio

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