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José Wladimir Freitas da Fonseca Elaboração e Análise de Projetos A Viabilidade Econômico-Financeira 04 otlas2011 by Editora Atlas S.A. AUTORIZADA Capa: Zenário A. de Oliveira Composição: Formato Serviços de Editoração Ltda. o DIREITO APLICADAS Registro No.594.729 Data: 3 Autor:FONSECA JOSE WLADIMIR FREITAS DA Titulo:ELABORACAO E ANLISE DE PROJETOS: A VIABILIDADE PR-001445756 Preço:20,00 Doador:DIVERSOS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Fonseca, José Wladimir Freitas da Elaboração e análise de projetos: a viabilidade econômico-financeira / José Wladimir Freitas da Fonseca. São Paulo: Atlas, 2012. Bibliografia. ISBN 978-85-224-6751-8 1. Administração de projetos 2. Estudos de viabilidade econômico-financeira 3. Investimentos - Análise 4. Projetos industriais - Administração 5. Tomada de decisão I. Título. 11-09918 CDD-658.152 Índice para catálogo sistemático: 1. Projetos industriais : Elaboração e análise : Projeto de viabilidade econômico-financeira 658.152 TODOS os DIREITOS RESERVADOS - É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor (Lei n° 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto n° 1.825, de 20 de dezembro de 1907. Impresso no Brasil/Printed in Brazil Editora Atlas S.A. Rua Conselheiro Nébias, 1384 (Campos Elísios) 01203-904 São Paulo (SP) Tel.: (011) 3357-9144 www.EditoraAtlas.com.brSumário Introdução, 1 1 o Produto e o Mercado, 3 1.1 o produto (definição, descrição, utilização), 4 1.1.1 Histórico da formação da oferta, 5 1.1.2 Histórico do desenvolvimento da tecnologia, 6 1.1.3 Identificação do mercado em que o produto está inserido: mercado competitivo, concorrência monopolística, monopólio, 7 1.2 o produto no país, 9 1.2.1 Principais regiões de produção, 9 1.2.2 Principais regiões de consumo, 10 1.2.3 Perfil do consumidor típico, 11 1.3 A oferta do produto, 12 1.3.1 Determinação do universo de ofertantes, 12 1.3.2 Determinação das quantidades ofertadas, 12 1.3.3 Investigação dos planos de investimentos dos ofertantes, 14 1.3.4 Projeção das quantidades a serem ofertadas nos próximos anos, 14 1.3.5 Determinação dos produtos possíveis concorrentes por similaridade, 25 1.3.6 Conclusão do estudo da oferta, 26 1.4 A demanda do produto, 26 1.4.1 Determinação do universo de demandantes, 26viii Elaboração e Análise de Projetos Fonseca 1.4.2 Determinação das quantidades demandadas, 27 1.4.3 Projeção da demanda para os próximos anos, 31 1.4.4 Conclusão do estudo da demanda, 32 1.4.5 Comparação da demanda e oferta atual e projetada e determinação da demanda insatisfeita, 34 1.4.6 Especulação sobre o tamanho ótimo do projeto sob o enfoque do estu- do de mercado, 34 1.5 Exercícios de fixação, 41 1.6 Respostas dos exercícios de fixação, 45 11 2 Estudo do Mercado de Insumos e da Mão de Obra, 51 2.1 Determinação dos principais fornecedores de insumo, 51 2.1.1 Nome, razão social e endereço dos fornecedores por insumo, 51 2.1.2 Quantidades e preços por insumo, 53 2.1.3 Condição de pagamento e prazo de atendimento, 54 2.2 Conclusão sobre o estudo do mercado de insumos, 55 2.3 Determinação das necessidades de mão de obra no projeto, 55 2.4 Estudo das disponibilidades de mão de obra local, 56 2.5 Principais dificuldades na obtenção da mão de obra requerida pelo projeto, 57 2.6 Conclusão do estudo do mercado de mão de obra, 57 2.7 Exercícios de fixação, 57 2.8 Respostas dos exercícios de fixação, 58 3 Estudo da Localização de um Projeto, 60 3.1 Definição de localização em um projeto, 62 3.2 Localização ótima (conceito): estudo dos principais fatores locacionais, 62 3.3 Análise da distribuição espacial de consumidores e ofertantes de matéria- prima, de acordo com a área de mercado a ser atendida, 63 3.4 Quadro de custos de transferências: distância de mercados e matérias-primas, 64 3.5 A influência de outros fatores locacionais na determinação da melhor localização, 67 3.6 Mapeamento da região com análise das principais vias de acesso, 68 3.7 Conclusões do estudo de localização do projeto, 68 3.8 Exercícios de fixação, 68 3.9 Respostas dos exercícios de fixação, 70 4 Aspectos Técnicos, 73 4.1 o processo de produção, 73 4.1.1 Descrição do processo produtivo por produto, 73Sumário ix 4.2 Programa de produção, 76 4.2.1 Fixação do programa de produção por etapa, 77 4.2.2 Insumos principais a serem utilizados em cada etapa de produção (identificar, qualificar e quantificar), 78 4.2.3 Estoque médio previsto para cada etapa de produção: matérias-primas, produtos em processo e produtos acabados, 79 4.2.4 Regime de trabalho a ser adotado (turnos de trabalho), 80 4.2.5 Planejamento da produção: conforme o caso Produção por encomen- da, produção por quantidades prefixadas, produção por acumulação de pedidos, 80 4.2.6 Controle de produção: metodologia e descrição, 80 4.2.7 Controle de qualidade: metodologia do controle e descrição, 81 4.3 Inversões do projeto, 82 4.3.1 Resumo do investimento fixo, 82 4.3.2 Cronograma físico, 84 4.3.3 Cronograma financeiro, 85 4.3.4 Capital de giro, 86 4.3.5 Quadro de usos e fontes do projeto, 95 4.3.6 Sistema de tratamento de efluentes industriais, 96 4.4 Orçamento de custos e receitas, 97 4.4.1 Orçar os custos e receitas segundo os níveis (programa) de produção definidos nos aspectos técnicos, 97 4.5 Exercícios de fixação, 123 4.6 Respostas dos exercícios de fixação, 131 5 Aspectos Financeiros, 142 5.1 financiamento do projeto, 142 5.1.1 Definição da combinação ótima de recursos a serem levantados: recur- próprios, recursos de terceiros e planilhas, 142 5.2 Fluxo operacional de caixa (capacidade de pagamento), 146 5.3 Ponto de equilíbrio do projeto, 148 5.3.1 Pontos de equilíbrio: contábil, econômico, financeiro e variação do financeiro (para mais de um produto: elaborar o ponto de equilíbrio múltiplo), 149 5.4 Análise da rentabilidade do empreendimento: projeção dos balanços e análise dos índices, 163 5.4.1 Cálculo e análise dos índices de liquidez, 165 5.4.2 Cálculo e análise dos índices de atividade, 169 5.4.3 Cálculo e análise dos índices de endividamento, 172X Elaboração e Análise de Projetos Fonseca 5.4.4 Cálculo e análise dos índices de rentabilidade (índices econômicos), 174 5.5 Exercícios de fixação, 176 5.6 Respostas dos exercícios de fixação, 179 Desafio geral de integração para um projeto, 182 (A resposta deste desafio encontra-se no site da Editora Atlas: www.EditoraAtlas.com.br) Bibliografia, 187 Anexo: Orçamento de caixa e operacional do projeto, 189 Índice remissivo, 207Introdução Numa economia cada vez mais globalizada, onde o mercado mundial torna- -se mais competitivo a partir de novos países emergentes, a economia brasileira se defronta com pelo menos dois grandes desafios, a saber: como se manter nessa nova dinâmica onde, por exemplo, a China e a conseguem produzir mais rápido, melhor e mais barato vários produtos em cujos segmentos o Brasil já este- ve na frente, e até que ponto os novos empresários estão dispostos a investir em projetos de novas indústrias quando dificilmente se tem alguma certeza quanto ao movimento dessas novas economias emergentes em solo brasileiro. Essas e outras questões nos remetem à ideia segundo a qual, mais do que nunca, há a necessidade de bem avaliar uma decisão de investimento antes de se lançar num mercado que está em constante mudança. Uma das características mais marcantes do início do século XXI no univer- econômico é a transformação das experiências da firma em conhecimento e, por sua vez, em rotinas que possibilitam processos inovativos no seio dessa e da indústria. Isso pode ser traduzido em capacidade gerencial mais técnica, seja do lado da própria empresa, seja conhecendo cada vez mais as variáveis do mercado no qual está inserido. Nessa visão, que, em tese, se apoia de um lado sobre a teoria Schumpeteria- na e de outro sobre a teoria Evolucionista, é verdade que as diferentes teorias da firma repousam sobre uma hipótese implícita na qual a mesma é concebida como um dispositivo cujo objetivo é resolver problemas de informação. Isso se aplica evidentemente através das relações que se constroem entre o empresário, a firma e o mercado e o debate sobre o papel da produção de conhecimento e da tecnolo- gia, consideradas como variáveis essenciais na dinâmica das organizações produ- tivas e, bem entendidos, para o desenvolvimento econômico: inovação, transfe-2 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca rência, valorização e industrialização, que estão assim associados aos problemas de informação e de produção de conhecimentos e de técnicas e exprimem o vigor dessa relação. Nesse quadro redefinido é possível constatar que, se de um lado o empresário está mais atento aos problemas e às especificidades do mercado, e com isso difi- cilmente expandirá sua empresa ou lançará novo produto se não tiver algumas certezas, de outro a especialização técnica dos profissionais em projetos indus- triais surge como variável central que possibilita identificar e avaliar problemas de informação reunidos num projeto e, dessa forma, auxiliar o empresário numa tomada de decisão. Nesse sentido, o objetivo deste livro é apresentar aos estudantes de gradua- ção e pós-graduação em ciências econômicas, administração, ciências contábeis, engenharia e áreas afins um roteiro completo de como elaborar um projeto indus- trial. Para isso, este livro está dividido em cinco capítulos e um anexo que devem ser estudados em sua ordem. No primeiro capítulo apresentamos o produto e o mercado. A preocupação maior nesse capítulo é revelar que um projeto de viabilidade econômico-finan- ceira se inicia pelas especificidades do mercado. Na verdade, o estudo da oferta e da demanda do produto a ser elaborado é a base de sustentação de um projeto de viabilidade. No que concerne ao segundo capítulo, buscou-se identificar o mercado de insumos e de matérias-primas, bem como o mercado de mão de obra para a ela- boração de um projeto. Veremos nesse capítulo que a investigação desses merca- dos é fundamental em termos de logística para o projeto. Quanto ao terceiro capítulo, estudamos a localização do projeto. Nesse capí- tulo investigamos as etapas de se bem elaborar a localização de uma indústria em face das suas variáveis determinantes. Ao adentrarmos no quarto capítulo, estudamos os aspectos técnicos do projeto, desde o processo de produção até a etapa do orçamento operacional e caixa com as devidas projeções de demonstrações de resultado e de balanços patrimoniais. o quinto e último capítulo preocupa-se com os aspectos financeiros de um projeto, identificando no final quais são as ferramentas fundamentais para se bem avaliar seu resultado. Ao final de cada capítulo propomos exercícios de fixação e suas respostas. Além dos exercícios de fixação, elaboramos um desafio completo de integração onde o objetivo é elaborar um quadro de usos e fontes, um orçamento operacional e cai- xa projetando balanços e demonstrativos além de um fluxo de caixa operacional. Considerando a extensão desse desafio sua resposta poderá ser consultada no site da Editora Atlas. Há ainda um espaço reservado para o Anexo, onde são apresentados ao aluno os demais orçamentos do modelo de projeto proposto, facilitando assim a consulta teórica com a aplicação.1 O Produto e Mercado Um projeto de viabilidade econômico-financeira pode ser definido como um conjunto de informações que, quando reunidas, possibilitam a tomada de decisão de se alocar ou não recursos em determinado negócio. Decidir se é mais vantajoso aplicar determinada soma em dinheiro na pou- pança ou construir uma montadora de aviões é uma das questões a ser discutida quando de uma análise de investimento. Bem entendido que quando nos depara- mos com uma questão dessa natureza o simples desejo de se produzir aviões não está apenas limitado à soma do dinheiro, mas a algumas variáveis importantes quanto à decisão. No final de agosto de 2008, por exemplo, uma das maiores empresas de cer- veja do Brasil antecipou o lançamento do chopp sem álcool, que estava previsto para o final do mesmo ano. A estratégia de produzir tal chopp e de lançá-lo antes do previsto está relacionada à lei de tolerância zero imposta no Brasil em meados de julho do mesmo ano. Para conseguir isso a empresa em questão precisou pensar cuidadosamente a respeito de como o público reagiria ao novo produto. Será que os consumidores de chopp com álcool migrariam para o sem álcool diante da nova lei? Qual seria a força da demanda, como ela cresceria e como estaria relacionada com o preço cobrado pelo chopp com álcool? Afinal, a demanda por chopp é inelástica ou há uma elasticidade-preço? As respostas a essas perguntas estão certamente relacionadas a uma estratégia de investimento realizado pela empresa. A empresa em questão certamente preci-4 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca sou preocupar-se com o custo do novo produto. quanto aumentaria os custos da empresa e de que forma esses influenciariam a produção do chopp com álcool. Em termos de maximização de lucro, quanto tempo a empresa precisaria esperar para ter retorno sobre esse novo investimento? A empresa precisou pensar qual seria a estratégia de preços para o novo produto considerando a reação dos concorrentes. Nesse sentido, é preciso conhecer as variáveis que norteiam uma decisão de investimento, sejam elas concernentes a uma empresa que deseja lançar um produto novo no mercado ou um empresário que deseja investir seu dinheiro na construção de uma nova indústria. A tomada de decisão quanto a um projeto de investimento passa necessaria- mente por duas grandes análises: uma análise econômica e uma análise financeira.¹ 1.1 o PRODUTO (DEFINIÇÃO, DESCRIÇÃO, UTILIZAÇÃO) o ponto de partida para elaborar um projeto é conhecer de perto o produto objeto de estudo. Isso significa que, por exemplo, se se pretende elaborar um pro- jeto de implantação de uma indústria de chuveiros elétricos, é preciso conhecer, enquanto economista, administrador, engenheiro de produção, contador etc., cada parte desse produto. A razão é bastante simples, qual seja: será necessário orçar os materiais diretos e indiretos do produto, orçar cada insumo de produção para bem elaborar um projeto de viabilidade de chuveiros elétricos. Para ajudar nessa tarefa procura-se sua definição, sua descrição e sua utili- zação. Definir um produto no contexto de um projeto significa classificá-lo segundo suas características econômicas. Trata-se de um bem econômico durável, intermediá- rio, não durável, semidurável ou um bem de capital? Ao definir o produto objeto como sendo um bem durável já se têm condições de perceber que seu consumo ocorrerá em menor proporção do que os bens não duráveis. Isso ocorre em função da taxa de reposição. Produtos duráveis, como por exemplo um eletrodoméstico (máquina de lavar roupa), têm uma taxa de reposição baixa, pois o consumidor compra uma ou duas geladeiras durante uma vida. o mesmo não pode ser dito sobre o sabão em pó que vai à máquina de lavar roupa. Esse último se esgota com o uso mais rapidamente do que a máquina de lavar. Aqui, no entanto, o profissio- nal de projetos deve estar atento, pois com o avanço tecnológico um bem durável pode ter também uma taxa de reposição baixa. Veja por exemplo as televisões do século XXI. Primeiro surgiram as TVs de Plasma, que substituíram pouco a pouco as TVs convencionais (tubo). Depois surgiram as TVs LCDs, LEDS e, agora, as TVs 1 A análise financeira de um projeto nos reenvia ao estudo da engenharia econômica, o qual será objeto do quinto capítulo desse livro.o Produto e o Mercado 5 em 3D, com a necessidade de uso de óculos especiais. Em novembro de 2010 os japoneses já anunciaram que vão lançar uma TV em 3D onde não há a necessi- dade de uso de óculos. Note que o avanço tecnológico pode fazer com que a taxa de reposição de um bem se reduza e se altere (mesmo que esse bem seja durável). Nesse item é necessário ainda identificar se existe algum grau de elasticidade-preço da demanda (variação da demanda dada uma variação no nível de preços), elas- ticidade renda (variação da demanda provocada por uma variação da renda do consumidor) e elasticidade cruzada (variação da demanda quando da variação do preço do bem substituto ou complementar). Essa investigação torna-se importante pois auxilia na estratégia de formação de preços do produto objeto. Quando se trata de descrever o produto objeto, o profissional precisa disse- car o produto em partes, procurando identificar como ele é produzido. Bem en- tendido que quando se estuda o processo de produção isso virá à tona, mas faz-se necessário nessa etapa ter um razoável conhecimento do produto. A justificativa para tal necessidade é preparar-se para a composição orçamentária de materiais que ocorrerá mais à frente no projeto. A título de exemplo, podemos dissecar o chuveiro elétrico em quatro partes, se quisermos: caixa em plástico com orifícios para saída de água, tubo fixador, resistência e fiação. Por fim, identificamos a empregabilidade do produto. Aqui o objetivo é saber para que serve o produto. Dito diferentemente, identificar sua utilização significa identificar o público-alvo, como é composta a demanda desse produto. Trata-se do consumidor final? Ou serão empresas de construção civil que vão adquirir os chuveiros para moradias populares? Note que essa etapa de identificação nos aju- da a construir a função demanda do nosso produto. 1.1.1 Histórico da formação da oferta levantamento do histórico da formação da oferta de um produto é uma ta- refa complexa, pois exige, além da pesquisa bibliográfica, a pesquisa de campo. Nesse histórico procura-se determinar quando e de que forma as empresas que produzem o produto objeto (as empresas concorrentes) foram se fixando na região em que se pretende implantar o projeto. Conhecer quando e de que forma isso ocorreu é crucial para o projeto. Podemos reunir três razões: (a) forças de atração macroeconômicas; (b) forças de atração microeconômicas; e (c) nasci- mento e óbito das empresas no período investigado. As forças de atração macroeconômicas são aquelas relacionadas às políticas de desenvolvimento regional, que podem ser através de políticas fiscais (incentivos fiscais) para atrair um grupo de indústrias ou a formação de arranjos produtivos locais em função de proximidades, como por exemplo, as empresas beneficiadoras de farinha de trigo próximas dos grandes centros produtores de trigo.6 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca Semelhante às forças de atração macro, as forças microeconômicas são aque- las que se desenvolvem pela experiência e aprendizagem das firmas (no sentido evolucionista do termo), onde as empresas vão procurar se estabelecer em locais próximos aos centros consumidores e/ou próximos aos centros de fornecimento de matéria-prima. Nessas forças é importante observar que a formação da oferta numa determinada região ocorre em função exclusiva das firmas. Por fim e não menos importante encontramos a taxa de nascimento e óbito das empresas quando se investiga esse histórico. Conhecer a taxa de crescimento e óbito das empresas é extremamente importante para um projeto de viabilidade na medida em que vai indicar, com um grau adequado de precisão, as razões pelas quais aquela região propiciou o crescimento ou estagnação e óbito das empresas. Essa força ajudará o profissional de projetos a refletir bastante quando estiver elaborando o estudo de localização do projeto. 1.1.2 Histórico do desenvolvimento da tecnologia Investigar o histórico do desenvolvimento da tecnologia significa conhecer os avanços tecnológicos ocorridos no produto objeto ao longo de sua história. Um exemplo parece-nos importante sinalizar. Imagine um projeto de viabilidade que tenha como produto objeto telefones portáteis (celulares). Conhecer o desenvol- vimento da tecnologia é de extrema importância na medida em que se ele está pensando em elaborar um produto que tenha apenas como função a de transmi- tir e receber a ligação, estará com sérios problemas. Isso ocorre na medida em que esse produto (transmite e recebe ligação) está na categoria dos celulares de primeira geração. Os avanços tecnológicos nesse setor foram, no final do século XX e início do século XXI, de grande monta. Hoje, quem quer comprar um celular estará interessado, além de falar e ouvir, em ouvir uma música, tirar uma foto, filmar, acessar uma rede de Internet e até mesmo assistir televisão. Outro exem- plo merece destaque. As constantes preocupações com o meio ambiente fazem com que os pesquisadores reflitam e estudem novas soluções. Em julho de 2010, a Universidade Estadual de Londrina desenvolveu um substituto do plástico fei- to de farinha de mandioca. Em que pese o estudo estar na etapa de testes, logo teremos no mercado a substituição das sacolas plásticas por sacolas que agridem menos o meio ambiente. Isso é de fato avanço tecnológico. Nesses termos, torna-se bastante clara a importância de se bem conhecerem os avanços tecnológicos dos produtos objeto.o Produto e Mercado 7 1.1.3 Identificação do mercado em que o produto está inserido: mercado competitivo, concorrência monopolística, oligopólio, monopólio mercado é definido por um conjunto de compradores e vendedores que in- teragem entre si, resultando em trocas. Ao mesmo tempo em que uma empresa é vendedora de um determinado produto, ela também se qualifica como comprado- ra na medida em que precisa de matéria-prima para a sua produção. Se isso é um fato, é preciso reconhecer que o mercado é formado basicamente por três atores que o animam: as pessoas, as empresas e o governo. Na mesma medida em que as pessoas e famílias compram mercadorias e demandam serviços, o estado também o faz quando contrata serviços para a construção de uma nova estrada ou de uma ponte. Por sua vez, quando a estrada está pronta, o estado oferta o serviço, uso pela estrada, e cobra esse serviço sob a forma de impostos e tarifas. É nessa relação de comprar e vender serviços e produtos que se constitui o mercado. Todavia, para o estudo da elaboração de projetos é preciso reconhecer que, embora o mercado se configure através dessas relações de troca, o mesmo se reveste de quatro estruturas básicas, quais sejam: o mercado competitivo, o monopólio, a concorrência monopolística e o oligopólio. Conhecer de perto essas estruturas é compreender que cada uma delas exige estratégias diferenciadas quando se elabora um projeto de viabilidade, seja eco- nômico, financeiro ou ambos. a) o mercado competitivo Existem quatro características do Mercado Competitivo: 1. Existe um gran- de número de vendedores e compradores da mercadoria, cada um tão pequeno que não possa afetar o preço do outro; 2. Os produtos são homogêneos; 3. Existe perfeita mobilidade de recursos; e 4. Os consumidores e ofertantes têm perfeito conhecimento dos preços e custos, presentes e futuros. Nesse mercado, o preço de uma mercadoria é determinado exclusivamente pela da curva de demanda do mercado com a curva de oferta do mer- cado para essa mercadoria - a empresa é então dita "tomadora de preços" e pode vender qualquer quantidade da mercadoria ao preço estabelecido. A importância de se reconhecer essa estrutura de mercado no contexto de um projeto está relacionada ao retorno esperado pelo investidor. Note que uma vez inserido nesse mercado, os preços são alinhados com as outras empresas. Alinhados não significa que são idênticos, mas são muito próximos. Nesse senti- do, a expectativa de altos ganhos de retorno somente será alcançada com o vo- lume de produção (economia de escala). Produtos como o leite, cereais, grãos,8 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca filtros de papel etc. (todos antes de possuir uma determinada marca) são bons exemplos desse tipo de mercado. b) Monopólio o monopólio é um mercado no qual existe apenas um vendedor produzindo a mercadoria para a qual não há substituto próximo, mas muitos compradores. Na qualidade de único produtor de um determinado produto, o monopolista se encontra em uma posição única. Se o monopolista decidir elevar o preço do produto, ele não necessita se preocupar com concorrentes que, cobrando preço menor, poderiam capturar uma fatia maior do mercado à custa do monopolista. monopolista é o mercado, tendo assim completo controle sobre a quantidade de produto que será colocado à venda. Isso não significa, no entanto, que o monopolista possa cobrar um preço tão alto quanto desejar não deverá fazê-lo caso seu objetivo seja a maximização de lucros. Uma empresa de software, por exemplo, que tenha a patente sobre esse produto é o caso de um monopólio. Se ela vende o software por 100, por que não vendê-lo por 10.000 se é um monopólio? A resposta é simples: poucas pessoas poderão comprá-lo a esse preço, e dessa forma a empresa teria um lucro muito mais baixo e provavelmente não teria demanda. Para poder maximizar lucros, o monopolista deve em primeiro lugar deter- minar as características da demanda de mercado, bem como seus custos. Tal co- nhecimento é crucial para a tomada de decisão econômica por parte da empresa. Dispondo de tal conhecimento, o monopolista terá então de decidir qual a quan- tidade que produzirá e venderá. Numa decisão de investimento é importante conhecer esse mercado, eis que normalmente os monopólios apresentam como característica central barreiras à en- trada. Essas barreiras são dificuldades que impedem a maior parte dos investidores de entrarem nesse grupo seleto. As principais são: os investimentos são extrema- mente elevados, a tecnologia nem sempre está disponível (muitas vezes exige altos investimentos em P&D), os custos com mão de obra são caros, na medida em que muitas vezes é altamente especializada etc. c) Concorrência monopolista Um mercado monopolisticamente competitivo é semelhante ao perfeitamente competitivo, no qual existem muitas empresas, e a entrada de novas companhias não é limitada. Contudo, ela difere da competição perfeita pelo fato de os produ- tos serem diferenciados cada empresa vende uma marca ou versão de um pro- duto que difere em termos de qualidade, aparência ou reputação, e cada empresa é a única produtora de sua própria marca. A quantidade de poder de monopólio que a empresa terá dependerá do seu sucesso na diferenciação do seu produto,o Produto e o Mercado 9 em relação aos das demais empresas. Por exemplo: creme dental, detergente de roupas, refrigerantes, cervejas, remédios, sabonetes, xampus, desodorantes, pro- dutos esportivos etc. Em muitos segmentos de mercado os produtos que as empresas fabricam são diferenciados entre si. Por uma razão outra, os consumidores veem a marca de cada empresa como algo diferente, distinguindo-se das demais. A espuma para barbear da marca X, por exemplo, é diferente da marca Y, além de uma dúzia de outros. A diferença está parcialmente no aroma, na consistência e na reputação isto é, a imagem que o consumidor tem (correta ou não) sobre a relativa eficácia da espuma -, consequentemente, alguns, não todos, estão dispostos a pagar mais caro pela marca X, pois o craque de futebol Kaka ou Cristiano Ronaldo a usam... Pelo fato de a empresa Z ser a única produtora da marca X, ela tem poder de monopólio mas seu poder de monopólio é limitado -, pois os consumidores po- derão facilmente substituir X por Y, caso seu preço seja majorado. Um mercado monopolisticamente competitivo tem duas características im- portantes: em primeiro lugar, trata-se de um ambiente comercial no qual as empresas competem vendendo produtos diferenciados, altamente substituíveis uns pelos outros, não sendo entretanto substitutos perfeitos - as elasticidades cruzadas de suas demandas são grandes, mas não infinitas. Em segundo lu- gar, trata-se de um mercado de livre entrada e livre saída - é relativamente fácil a entrada de novas empresas com suas próprias marcas de produto e também é relativamente fácil para as empresas que nele já atuam sair, caso seus produtos deixem de ser lucrativos. d) Oligopólio Em um mercado oligopolístico, o produto pode ou não ser diferenciado. que importa é que apenas algumas poucas empresas sejam responsáveis pela maior parte ou pela totalidade da produção. Os principais exemplos são: automóveis, aço, alumínio, petroquímica, equipamentos elétricos e computadores. As principais barreiras à entrada desse mercado são: elevado nível de inves- timento; dificuldades na obtenção de tecnologias (geralmente são tecnologias de ponta, o que exige elevados investimentos em P&D). 1.2 o PRODUTO NO PAÍS 1.2.1 Principais regiões de produção Neste item, procura-se reconhecer quais são as principais regiões de produ- ção do produto objeto.10 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca Trata-se de uma tarefa relativamente simples, mas que não esconde suas par- ticularidades. Quando pensamos em regiões de produção estamos pensando naquelas re- giões que ofertam o produto objeto onde temos uma ideia relativa de instalação da empresa. Dito diferentemente, nessa etapa não temos ainda, com precisão, a localização da fábrica do produto objeto. o que temos na verdade são algumas ideias e a vontade do empresário. No entanto, é preciso conhecer as principais regiões de produção mesmo que essas não estejam necessariamente no país. Um exemplo se faz necessário. Há algum tempo um empresário procurou um profissional de projetos para avaliar os motivos das quedas de suas vendas. Esse empresário produzia maletas para computadores portáteis. Após algumas análi- ses, o profissional identificou que a demanda pelos seus produtos havia caído em função das maletas chinesas, que eram mais baratas e estavam sendo ofertadas naquela região. Nesse exemplo fica claro que nessa etapa do projeto, olhar o processo de mundialização de capitais, que implica em superação de barreiras geográficas, é condição sine qua non para o sucesso de um projeto. Investigar as principais regiões de produção implica em pesquisar qual a ori- gem das empresas que produzem o produto objeto e participam do mercado pre- tendido pelo mesmo. Nesses termos, não basta investigar os concorrentes de uma determinada região e ignorar o fato de que existem empresas internacionais loca- lizadas em outro continente e que estão ofertando na região pretendida. 1.2.2 Principais regiões de consumo Na mesma medida em que investigar as regiões de produção é extremamente importante para um projeto, as principais regiões de consumo também o são. Isso ocorre face ao custo de transferência que o projeto vai enfrentar quando determi- nar sua localização. Imagine um projeto que tenha como produto objeto pranchas de surf e se instale no centro do Acre. Agora reflita sobre um mesmo projeto que contempla a instalação próxima às praias do Rio de Janeiro. o primeiro vai ter um custo de transferência maior do que o segundo. A razão é simples: o primeiro está longe das regiões de consumo, o segundo muito mais próximo. A análise das regiões de consumo não está relacionada somente ao custo de transferência, mas também às consequências dessa distância, tais como: maior volume de estoque, seja de matéria-prima, produto acabado ou semielaborado; elevado valor em logística; aumento do ciclo financeiro do projeto etc. A variável que serve como bússola para a investigação das regiões de consumo é o comportamento do consumidor. Em última instância, quem determina efetiva- mente essas regiões de consumo é o comportamento dos consumidores, que po-o Produto e Mercado 11 dem ser atraídos por uma moda, hábito e costumes, crenças, modo de vida, faixa etária da população (mais jovens do que adultos ou vice-versa). 1.2.3 Perfil do consumidor típico Identificar o perfil do consumidor típico significa compreender como se com- porta o consumidor face ao produto objeto. Como veremos mais à frente, existe uma etapa no ciclo de vida de um produto objeto onde surgem dois tipos de consumidores: aqueles que vão testar o produ- to e, portanto, vão comprá-lo, e aqueles mais conservadores, que vão aguardar a opinião dos demais. Tanto no primeiro como no segundo caso o projeto deve levar em conta, na sua projeção, uma margem de segurança (redução nas expectativas de cresci- mento da demanda do setor) para não subestimar o poder dos consumidores ou, se preferir, não assumir uma postura extremamente otimista no que se refere às projeções da demanda. Nesses termos, identificar as características do consumidor típico é fundamen- tal. Algumas variáveis devem ser contempladas nesse estudo do perfil: idade (se possível em grupos: 0-10 anos; 11-15 anos, 16-20 anos, e assim sucessivamente), quantificar os grupos heterossexuais (masculino e feminino), grupos homossexuais (masculino e feminino). Identificar os hábitos dos consumidores etc. À primeira vista pode parecer estranho esse tipo de análise. Por que devo identificar os grupos de homossexuais ou heterossexuais no meu projeto? Essa pergunta me foi feita por uma equipe de alunos da Universidade onde leciono quando desenvolveram um excelente projeto de viabilidade para implantação de preservativos masculinos. Na amostra, eu lhes explicava que devem contar com todos os grupos consumi- dores ativos sexualmente, e dessa forma não podem ignorar o grande público de homossexuais (regional e nacional). Assim é possível refletir no caso de um produto objeto como a fralda descar- tável que pode ultrapassar a barreira de consumo que tem como referência os bebês como únicos consumidores. Na amostra da demanda por fraldas podemos encontrar dois outros grupos: pessoas idosas com incontinência urinária ou por- tadoras de qualquer síndrome que implica na utilização das fraldas e jovens e adultos portadores das mesmas moléstias. Note então que identificar o perfil do consumidor típico pode nos levar a vários grupos de consumidores que não te- nham necessariamente uma relação de idade ou sexo.12 Elaboração e Análise de Projetos 1.3 A OFERTA DO PRODUTO 1.3.1 Determinação do universo de ofertantes Determinar o universo de ofertantes significa conhecer de perto quem são e onde estão os ofertantes do produto objeto. Isso ajudará na construção de uma série histórica do produto objeto para então poder projetar os níveis de produção. É importante notar aqui que esse item não raro é negligenciado ou não levado muito seriamente. Quando se fala em determinação do universo de ofertantes sig- nifica identificar todos aqueles que produzem o produto objeto em análise. Num primeiro passo procura-se identificar todos os ofertantes independentemente se estão ou não ofertando na região contemplada no projeto. Num segundo passo selecionamos aqueles que efetivamente estão ofertando na região contemplada. Assim se estabelece uma amostra de dois grupos: aquelas empresas que já atuam no mercado e aquelas que possuem potencial para atuar. Os resultados destes grupos possibilitam-nos identificar nas empresas que já atuam o volume de produção, por período, que é colocado no mercado, enquanto o segundo grupo nos possibilita estimar esse volume de produção. 1.3.2 Determinação das quantidades ofertadas Uma das tarefas mais sensíveis de um projeto é determinar as quantidades ofertadas e demandadas do produto (essa última no próximo item). Isso ocorre na medida em que se pode deparar com duas situações. Num pri- meiro caso, os dados estão disponíveis (IPEA, IBGE etc.) e, portanto, é bastante simples, pois dependerá apenas do conhecimento de alguns cálculos de estatística econômica (econometria) para elaborar uma série e projetá-la. Num segundo caso os dados não estão disponíveis e será necessário reunir as variáveis do produto objeto para então construir uma série histórica. No segundo caso é importante notar que enquanto a análise quantitativa (aná- lise que procedemos depois de termos obtido os dados para a série histórica) nos reenvia ao estudo da econometria e da estatística econômica como ferramentas para projetar as quantidades que serão demandadas e ofertadas, a análise quali- tativa nos reenvia ao estudo de variáveis subjetivas que somente são conseguidas através do conhecimento do mercado do produto objeto. Todavia, é importante notar que somente o domínio dessas ferramentas, como, por exemplo, os modelos de regressão linear, exponencial, logarítmico e poten- cial (veremos mais adiante), bem como as correlações e a identificação dos erros padrões, não são suficientes. Na verdade esses modelos são ferramentas impor-o Produto e Mercado 13 tantes para o profissional de projetos, mas devem ser considerados como pontos de chegada de um levantamento de dados e não de partida. Vejamos de perto. Entre o levantamento de uma série histórica e sua projeção (o uso das ferra- mentas supracitadas) existe um ponto conhecido como ponto de partida, que é o levantamento das variáveis que serão analisadas para se construir uma série. profissional precisa estar atento, pois na maior parte dos produtos não existe uma série histórica pronta para o emprego das ferramentas econométricas. Imagine um empresário que pretenda produzir prótese de titânio para membros amputa- dos ou desengordurante para uso doméstico, ou ainda colar cervical para resgate ou, mais ainda, cadeira de rodas para deficientes com paraplegia dos membros inferiores. Existe uma série histórica pronta com esses dados? A resposta é bem simples: Não. Se esse é o caso para a maior parte dos produtos, como projetar e, ainda, como chegar a uma Proxy com um mínimo de certeza? Essa, na verdade, talvez seja a tarefa mais difícil num projeto tendo em vista que nos remete às va- riáveis da demanda em questão. É certo que não existe uma receita pronta para se reconhecer e construir uma série, por outro lado existem algumas técnicas que podem ajudar nessa construção. Por uma questão de espaço acordado a esse item do livro tentaremos apresentar uma técnica que nos parece razoável, mas exige intensa pesquisa. Retomemos o exemplo da cadeira de rodas que surgiu em minhas aulas de elaboração e análise de projetos quando um grupo de alunos pretendia elaborar um projeto dessa natureza. o primeiro passo nesse caso é reconhecer que não existe tal série pronta e em seguida pensar quais as variáveis que levam à oferta ou demanda de tal produto. Minha orientação foi no sentido de verificar junto ao departamento de trauma- tologia do Hospital das Clínicas de Curitiba quais são as causas que levam a tal enfermidade. Uma vez conhecido isso, o passo seguinte seria investigar nas redes de hospitais do Brasil o número de internações em que tais lesões provocavam a paralisação dos membros inferiores. Nesse momento, uma variável importante aparece, qual seja: nem todos os tipos de acidente que causam trauma importante nas cervicais comprometem definitivamente os membros inferiores. Diante disso foi necessário buscar e eliminar (filtro redutor da série) o número de pessoas que sofrem esses acidentes e se recuperam com o tempo. Além disso, foi necessário ain- da pesquisar qual é o período do ano em que esses acidentes são mais frequentes. Essa pesquisa os levou a uma proxy com mais de 15 variáveis que no final apre- sentaram um resultado surpreendente sobre a projeção da demanda por cadeira de rodas. Não querendo me estender sobre esse exemplo, é importante notar que a investigação sobre a série histórica para a demanda e oferta de um determinado produto é condição central para poder então se lançar numa projeção. Se isso é um fato, o profissional de projetos deve estar atento em procurar esgotar as va- riáveis que proporcionam uma série razoável. Nesse sentido, deve ele14 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca a pesquisa e os dados apresentados, procurando de forma analítica questionar o emprego dessas variáveis. 1.3.3 Investigação dos planos de investimentos dos ofertantes Muitos perguntam se ao investigar os planos de investimentos dos ofertantes não estariam fazendo espionagem industrial. Bem entendido que não. objetivo de se investigarem os planos de investimentos é procurar saber de que forma as empresas concorrentes estão se desenvolvendo naquele segmento de atividade que é o segmento do produto objeto. Na verdade, quando identificamos o desen- volvimento das empresas do setor de atividade estamos nos assegurando que se trata de um setor/segmento promissor. Existem pelo menos três formas de se investigarem os planos de investimentos: a primeira, e mais simples, é através das bases de dados oficiais, tais como IPEA, IBGE, entre outras. A segunda, que exige um pouco mais de trabalho, trata-se de reunir as informações divulgadas nos relatórios financeiros das empresas que são de domínio público (as empresas S.A.). Trata-se de avaliar a evolução do Patrimô- nio Líquido das empresas nos últimos anos (dependendo do grau de precisão, há necessidade de se obter uma amostra não inferior a dez anos) e a evolução dos ativos permanentes no que concerne ao imobilizado em máquinas e equipamen- tos. A partir dessas informações podemos saber se as empresas que compõem o setor estão investindo e qual é a projeção para os próximos anos. Quando não se têm as informações sobre a evolução do Patrimônio das empre- sas, da evolução do ativo e nem informações a partir dos dados oficiais recorre-se à série histórica da oferta. Naquela série pode-se observar um aumento de produ- ção do produto objeto. A partir dessa informação pode-se atribuir o crescimento da produção em pelo menos três segmentos: uma taxa pode ser representada pelo aumento do nível de preço (nesse caso trata-se do faturamento); outra pode ser atribuída à entrada de novas firmas no setor; e outra pode ser atribuída pelo au- mento de investimento no chão de fábrica. Há, no entanto, uma ressalva nesse item: nem sempre é possível atribuir uma única taxa para setores diferentes. Nesse caso, o bom-senso deve prevalecer. 1.3.4 Projeção das quantidades a serem ofertadas nos próximos anos Existem vários modelos para a projeção de uma série histórica. Por uma ques- tão de espaço acordado a esse trabalho fixamos apenas uma linha de investigação.Produto e Mercado 15 Trata-se de quatro modelos econométricos e como eles são empregados na projeção da demanda e Modelos de regressão: linear, exponencial, logarítmico e potencial objetivo desses modelos é procurar encontrar a melhor relação que existe entre o período de tempo (no caso exemplo são anos) e a demanda pelo produ- to. Note que o mesmo serve para estimar a oferta e a demanda do produto. Uma vez conhecidos os modelos de regressão, há necessidade de se conhecer a me- lhor correlação entre as variáveis X (período de tempo: 1 = 2000, 2 = 2001, 3 = 2002, 4 = 2003 e assim sucessivamente) e Y (milhares de toneladas, kg, fardos, faturamento do tudo isso no período de tempo) e em seguida encontrar o menor erro padrão da Equações dos Modelos Modelo linear: Modelo Exponencial: Modelo Logarítmico Modelo Potencial Y=a.X^b A = identificação das funções de regressão B = cálculo da correlação C = cálculo do erro padrão D = escolha do melhor modelo e projeção Exemplo numérico: Amostra de Pranchas de Surf (em unidades). Período: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Modelo de Regressão Linear X Y (X Xmédio) (Y Y médio) (X - Xmédio) (Y Ymédio) 1 41.500 (3) (4.428,57) 13.285,71 2 42.100 (2) (3.828,57) 7.657,14 3 43.400 (1) (2.528,57) 2.528,57 4 45.300 0 (628,57) 0 5 47.500 1 1.571,43 1.571,43 2 Note que existem vários modelos e cabe ao profissional a decisão de se aprofundar ou não nesse tema. 3 Os modelos a seguir são apresentados apenas para estudante se familiarizar com o seu emprego.16 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca 6 50.000 2 4.071,43 8.142,86 7 51.700 3 5.771,43 17.314,29 321.500 50.500 28 Passo: encontrar X médio X médio = série X médio = Passo: encontrar Y médio Y médio = Y/t série Y médio = 321.500 Y medio : 3° Passo: encontrar alfa A = Y médio A = 321.500 Passo: encontrar beta B = - Xmédio) X (Y - B = 50.500/28 B = 1.803,57 5° Passo: escrever a equação linear Y = A + Y = Y = 38.714,29 + 1.803,57 X Uma vez encontrada a equação do modelo linear, analisamos os demais mo- delos. Se esse modelo for aquele indicado para projetar a demanda, então basta substituirmos o ano de 2007, representado pelo número 8, no "X" da equação acima. Dessa forma teríamos o seguinte resultado: Y = 38.714,29 + 1.803,57 = 53.142,85. Modelo Exponencial Equação Y=a.e^bxo Produto e o Mercado 17 Passo: escrever a equação na forma logarítmica LognY = Logn a + bx loge Passo: encontrar b B = ts X (EXY) - X X - X Y LognY XY X^2 1 41.500 10,6334 10,6334 1 2 42.1.00 10,6478 21,2956 4 3 43.400 10,6782 32,0346 9 4 45.300 10,7211 42,8844 16 5 47.500 10,7685 53,8425 25 6 50.000 10,8198 64,9188 36 7 51.700 10,8532 75,9724 49 28 321.500 75,1220 301,5817 140 X (EXY) - X ) B=7x (301,5817) - - (28 X 75,1220)/7 B = 7,6559/196 B = 0,0391 Passo: encontrar A A = 75,1220 - - (0,0391 X 28)/7 A = 10,5753 Passo: levar A e B na equação em logaritmo LognY = Logn a + bx LognY = Logn10,5753 + 0,0391x 5° Passo: aplicar o antilogaritmo na expressão Y = 39.155,6497 X 0,0391X18 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca Projetar para 2007 fazendo X = 8 se esse modelo for o escolhido: X = 8 Y = 39.155,6497 X e 0,0391x8 (antilog no produto) Y = 39.155,6497 X 1,3672 Y = 53.535,4859 Modelo Logarítmico Y = A + B Lognx X Y LognX XY X^2 1 41.500 0 0 0 2 42.100 0,6931 29.179,51 0,4804 3 43.400 1,0986 47.679,24 1,2069 4 45.300 1,3863 62.799,39 1,9218 5 47.500 1,6094 76.446,50 2,5902 6 50.000 1,7918 89.590,00 3,2105 7 51.700 1,9459 100.603,03 3,7865 28 321.500 8,5251 406.297,67 13,1964 Passo: encontrar B B = X (EXY) - X 2 B = 7 X (406.297,67) - (8,5251 X 321.500)/7 (13,1964) - (72,6773) B = 103.264,04/19,6975 B = 5.242,4947 Passo: encontrar A A = - (B X EX)/ts A = 321.500 - (5.242,4947 X 8,5251)/7 A = 39.543,8869 Passo: levar A e B na equação em logaritmo Y = A + B Lognx Y = 39.543,8869 + 5.242,49471og nXo Produto e Mercado 19 Passo: projetar substituindo o valor em X Projetar para 2007 caso seja esse o modelo escolhido: X = 8 Y = 39.543,8869 + Y = 39.543,8869 + 5.242,494710g n8 Y = 39.543,8869 + nX Y = 39.543,8869 + 5.242,4947 X 2,0794 Y = 50.445,1304 Modelo Potencial Y = A X ^ B Passo: escrever a equação original em logaritmo LognY = LognA + BLognX X Y LognX LognY XY X^2 1 41.500 0 10,6334 0 0 2 42.100 0,6931 10,6478 7,3800 0,4804 3 43.400 1,0986 10,6782 11,7311 1,2069 4 45.300 1,3863 10,7211 14,8627 1,9218 5 47.500 1,6094 10,7685 17,3308 2,5902 6 50.000 1,7918 10,8198 19,3869 3,2105 7 51.700 1,9459 10,8532 21,1192 3,7865 28 321.500 8,5251 75,1220 91,8107 13,1964 Passo: encontrar B B = X - (EX X X - (EX) B = ts X - (EX X X - (EX) 2 B = 7 X (91,8107) - (8,5251 X 75,1220)/7 (13,1964) - (72,6773) B = 2,2523/19,6975 B = 0,1143 Passo: encontrar A A = -20 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca A = 75,1220 - (0,1143 8,5251)/7 A = 10,5925 Passo: escrever a equação em log com A e B LognY = LognA + BLognX LognY = Logn10,5925 + 0, ,1143 LognX 5° Passo: aplicar o antilog Y Passo: projetar substituir valor em caso o modelo escolhido seja esse Para Y = 39.835,4135 X 0,1143 Y Y = 50.523,3937 Cálculo da Correlação Quando chegamos ao cálculo da correlação, a maior parte das variáveis en- volvidas foram calculadas anteriormente. Sendo assim, é necessário reconhecer que a equação da correlação compreen- de: encontrar o produto de por (Y-Y médio) e elevar ao quadrado essas diferenças separadamente. Assim, temos a seguinte expressão, que servirá para os quatro modelos: - - Linear R = (X - Xmédio) X (Y - Ymédio) - Xmédio) - Ymédio) ^ 2 (X Xmédio) ^ 2 (Y - Ymédio) 2 (X 9 19.612.232,2449 13.285,71 4 14.657.948.2449 7.657,14 1 6.393.666,2449 2.528,57 0 395.100,2449 0 1 2.469.392,2449 1.571,43Produto e Mercado 21 4 9 33.390.404,2449 17.314,29 28 93.414.285,7143 50.500 R = (X - Xmédio) X (Y - Ymédio) - Xmédio) 2 X VE(Y - Ymédio) ^ 2 R = X R = 50.500/ 5,2915 X 9.665,1066 R = 0,9874 Exponencial: para o modelo exponencial, observe que o Y está em log. R = (X - Xmédio) X (Y - - Xmédio) 2 X VE(Y - Ymédio) 2 (X ^ 2 (Y - Ymédio) 2 (X - Xmédio) Ymédio) 9 0,0097 0,2949 4 0,0070 0,1678 1 0,0029 0,0535 0 0,0001 0 1 0,0014 0,0368 4 0,0078 0,1762 9 0,0148 0,3645 28 0,0436 1,0937 R = - Xmédio) X (Y - - Xmédio) ^2 X VE(Y - Ymédio) ^ 2 R = R = 0,2087 R = 0,9904 Logarítmico: para o modelo logaritmo a variável X está em log. R = (X - Xmédio) X (Y - Xmédio) ^2 X VE(Y - Ymédio) ^ 2 (X - Xmédio) 2 (Y - (X - Xmédio) X (Y Ymédio) 1,4830 19.612.232,2449 5.393,11 0,2753 14.657.948,2449 2.008,85 0,0142 6.393.666,2449 301,4022 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca 0,0283 395.100,2449 -105,91 2.469.392,2449 615,37 0,1533 0,3293 2.337,00 33.390.404,2449 4.202,17 0,5301 2,8137 93.414.285,7143 14.752,00 R = 14.752,00 / 1,6775 x 9.665,10 R = 0,9099 Potencial: no modelo potencial, ambas as variáveis X e Y estão em log. R = - Xmédio) X (Y - Ymédio)/ - Xmédio) ^2 X VE(Y - Ymédio) ^2 (X Xmédio) ^2 (Y Ymédio) 2 (X Xmédio) 0,0097 0,1197 1,4830 0,0070 0,0440 0,2753 0,0142 0,0029 0,0063 0,0283 0,0001 -0,0017 0,1533 0,0014 0,0144 0,3293 0,0078 0,0505 0,5301 0,0148 0,0884 2,8137 0,0436 0,3217 R = (X - Xmédio) X (Y Ymédio)/ ^ R = 0,3217 R = 0,3217/1,6774 X 0,2087 R = 0,9190 Cálculo do Erro Padrão Para o cálculo do erro, basta conhecer as equações finais dos quatro modelos com suas respectivas variáveis X e Y. Dessa forma, com base na expressão abaixo encontramos o Y ajustado subs- tituindo o valor 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 em X. Vejamos um exemplo: Para o primeiro Y ajustado da linear:Produto e Mercado 23 Y = 38.714,29 + 1.803,57 X (substituindo X por 1) Y = 38.714,29 + 1.803,57 X 1 Y = 40.517,86 Para o primeiro Y ajustado da exponencial: Y = 39.155,6497 (substituindo X por 1) Y = 39.155,6497 X e 0,0391 x 1 Y = 40.716,96 Para o primeiro Y ajustado da logarítmica: : Y = 39.543,8869 + 5.242,494710g nX (substituindo X por 1) Y = 39.543,8869 + 5.242,494710g n Y = 39.543,89 Para o primeiro Y ajustado da potencial: Y = 39.835,4135 X X ^ 0,1143 (substituindo X por 1) Y = 39.835,4135 0,1143 Y = 39.835,41 mesmo deve ser feito para X = 2, 3, 4, 5, 6 e 7 S = - 2 Onde Y = valor observado = valor ajustado Linear Y Y' (Y - Y^)2 41.500 40.517,8571 964.604,6760 42.100 42.321,4286 49.030,6249 43.400 44.125 525.625,0000 45.300 45.928,5714 395.102,0049 47.500 47.732,1429 53.890,3260 50.000 49.535,7143 215.561,2112 51.700 51.339,2857 130.114,8062 2.333.928,649324 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca S = - 2 S = V2.333.928,6493/5 S = 683,2172 Exponencial Y Y^ (Y - 41.500 40.723,18 603.449,31 42.100 42.345,05 60.049,50 43.400 44.031,51 398.804,88 45.300 45.785,14 235.360,81 47.500 47.608,61 11.796,13 50.000 49.504,71 245.312,18 51.700 51.476,32 50.032,74 1.604.805,57 S = - 2 S = S = 253,36 Logarítmico Y Y ^ (Y - 41.500 39.543,76 8.739.354,93 42.100 43.177,62 1.161.264,86 43.400 45.303,30 3.622.550,89 45.300 46.811,49 2.284.602,02 47.500 47.981,33 231.678,56 50.000 48.937,16 1.129.628,86 51.700 49.745,30 3.820.852,09 20.989.932,23 S = VE(Y - S = S = 916,29o Produto e o Mercado 25 Potencial Y Y^ 41.500 39.834,34 2.774.243,23 42.100 43.119,32 1.039.013,26 43.400 45.165,10 3.115.578,01 45.300 46.675,20 1.891.124,24 47.500 47.881,21 145.321,06 50.000 48.889,69 151.484,42 51.700 49.758,90 58.129,21 9.175.124,24 S = - S = = 605,80 Tomada de decisão Considerando que a melhor correlação ficou entre a linear e a exponencial e que o menor erro foi da exponencial, tudo leva a crer que o melhor modelo para se projetar a oferta será o modelo exponencial. 1.3.5 Determinação dos produtos possíveis concorrentes por similaridade A investigação de possíveis produtos concorrentes por similaridade torna-se importante, pois não raro o produto objeto em estudo pode ser influenciado pela oferta de outro produto similar. Note que esse produto similar pode ser tanto um concorrente do mesmo nível (tecnológico, por exemplo) como um bem inferior. Nos dois casos há necessidade de se conhecer e avaliar seu impacto sobre o produto objeto. Tomemos o caso da produção de celulares e a produção de rádios transmissores e receptores. Quando da estimativa da oferta de um há necessidade da estimativa da oferta de outro. Isso ocorre na medida em que uma maior quan- tidade ofertada de ambos os produtos pode provocar uma redução de preços dos produtos, inviabilizando o lançamento de um ou outro. Daí a necessidade de se contarem no estudo da oferta os produtos concorrentes.26 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca 1.3.6 Conclusão do estudo da oferta Na conclusão do estudo da oferta se faz necessária, além de ter obtido os re- sultados da melhor correlação e menor erro, uma análise qualitativa do resultado. Nessa análise qualitativa a pergunta central é a seguinte: essas projeções so- bre a oferta ocorrerão tal como esperamos? Bem entendido que não. Nessa etapa de um curso de projetos os alunos normalmente se decepcionam, pois acredi- tam que é suficiente a análise quantitativa. Note que tal análise é extremamente importante, mas há necessidade de se bem avaliarem esses resultados com uma análise qualitativa. Esta análise procura identificar o setor em que o produto objeto está inserido. Duas situações podem ocorrer: em setores pouco intensivos de capital, onde não existe barreira à entrada e onde não há economia de escala, normalmente a proje- ção se confirma com os cálculos estatísticos. Encontramos nesse caso os produtos tradicionais, como por exemplo, alimentos, confecções, embalagens, o mercado competitivo em geral. Por outro lado, no projeto de viabilidade, há necessidade de pelo menos utilizar uma técnica que ajuda a confirmar as projeções. Trata-se aqui da análise conjuntural. A análise conjuntural corresponde à verificação dos setores mais investidos no país na atualidade. Procura-se determinar em que medida o produto objeto pode estar inserido num setor de pouco ou muito investimento. Por outro lado, o estudo de conjuntura procura determinar as principais variáveis da economia que podem afetar a decisão de investir no projeto escolhido. Exemplo: necessidade e uso do produto, índice de inflação, disponibilidade de crédito para o desenvolvimento das empresas, crescimento do PIB, renda e salário mínimo etc. Existem setores em que há economia de escala, intensivos em capital e em tecnologia, além de barreiras à entrada. Os exemplos mais conhecidos são: cimen- to, celulose, automóveis, computadores, microeletrônica, setor de autopeças etc. Nesse tipo de projeção há necessidade de se fazer uma análise qualitativa antes de confirmar a projeção procurando determinar quais as barreiras à entrada e proje- tar uma saída. Exemplo: suplantar a tecnologia do concorrente; utilizar o learning by doing ou learning by using como forma de ultrapassar a barreira e suplantar o estágio do primeiro ciclo de vida do produto. 1.4 A DEMANDA DO PRODUTO 1.4.1 Determinação do universo de demandantes Conhecer o universo de demandantes pode se tornar uma tarefa fácil quando se empregam as ferramentas corretas.Produto e o Mercado 27 Dependendo da classificação do produto objeto podemos identificar o tama- nho destes demandantes. Podemos separar então as variáveis que possibilitam identificar esse univer- as variáveis relevantes dos bens duráveis, as dos bens não duráveis, dos bens intermediários e dos bens de capital. No que concerne às variáveis dos bens de consumo não duráveis, devem ser observadas as características da população, tais como taxa de crescimento, faixa etária predominante e a população feminina e masculina. Note que cada caracte- rística representa um grupo. Se temos uma população mais jovem do que velha, uma indústria de brinquedos e os serviços de fast food e artigos para bebês etc. devem ser cogitados. A tendência de consumo per capita do produto objeto deve ser observada. Fenômenos como a moda, produtos de alta tecnologia, devem ser cogitados. A renda e suas características (como ela é distribuída mensalmente) não pode ser negligenciada. As variáveis relevantes dos bens duráveis devem ser investigadas, como por exemplo, o número de famílias, a relação casamentos e divórcios, preferência pelo celibato, condições de crédito etc. Quanto aos bens de capital e bens intermediários, deve ser observada a renta- bilidade do setor e as taxas de juros de longo prazo para o financiamento de bens de capital, como máquinas e equipamentos. 1.4.2 Determinação das quantidades demandadas Identificar uma série histórica da demanda do produto objeto é uma tarefa semelhante ao descrito no item da oferta. As dificuldades são as mesmas, ou seja: podemos ter essa demanda já identificada nas pesquisas oficiais (IPEA, IBGE etc.) ou não temos essa série e precisamos levantá-la. Nesse segundo caso é preciso observar alguns critérios que envolvem o ciclo de vida do produto. Durante o processo de elaboração de um projeto chega-se a um momento em que todos os sinais apontam para o aumento do chão de fábrica. Estes sinais mui- tas vezes são bem claros: as encomendas (pedidos) aumentam, novas fontes de financiamento surgem com juros baixos, nova política de crédito ao consumidor etc. A questão, a saber, é até onde esses sinais mais conhecidos pelo empresário são suficientes para se determinar com segurança um aumento no chão de fábri- ca que se traduz em expansão. Na verdade, esses sinais mostram que a economia está aquecida, mas não necessariamente que o produto em questão seguirá nesse ciclo virtuoso. Este ciclo pode estar atrelado a uma bolha de consumo resultante das festas natalinas ou páscoa cristã, por exemplo.28 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca Nesse sentido surge como variável a ser investigada pelo profissional a taxa de reposição, pois ela representa o período de tempo que o produto fica nas mãos do consumidor até o momento do próximo pedido. Se a taxa de reposição é baixa, significa que o produto será adquirido poucas vezes num determinando período de tempo (ele se esgota menos), dessa forma, o volume de produção é necessaria- mente menor do que um produto com uma taxa de reposição mais elevada (nesse caso, ele se esgota mais rapidamente). Todavia, há a necessidade de se separar os bens de consumo duráveis dos não duráveis. No que concerne aos não duráveis, os produtos de limpeza e higiene domésticos são bons exemplos para se conhe- cer a taxa de reposição. Pode-se, por exemplo, fazer uma estimativa a partir do número de famílias e seus membros, e conhecer o período de tempo no qual uma barra de sabonete ou fralda para uso de bebês ou de uso geriátrico é consumida. Quanto aos duráveis, há necessidade de se fazer uma divisão em dois grupos: os que apresentam uma forte relação com o avanço tecnológico e os que apresen- tam uma fraca relação. Os produtos do primeiro grupo, como por exemplo os ele- trodomésticos e os eletrônicos domésticos, acessórios para automóveis etc., são influenciados consideravelmente pelo surgimento de novas técnicas, provocando um efeito conhecido como substituição tecnológica. Nesse caso, há necessidade de se atualizar quanto ao surgimento das novas tecnologias, pois essas é que vão dar o ritmo da taxa de reposição, sinalizando assim a possibilidade de uma expan- são. E importante notar, ainda nesta classificação, que nem todos os produtos são evidentes quanto à taxa de reposição quando se trata de duráveis. Um exemplo marcante visto anteriormente é o telefone portátil. Num prazo não superior a três anos, a indústria de celulares conseguiu colocar no mercado mundial três gera- ções de celulares, uma após a outra, quase que descartando, eliminando mesmo, a geração anterior. Os duráveis do segundo grupo normalmente apresentam uma taxa de reposição baixa na medida em que são influenciados pelo comportamen- to do consumidor quanto à preferência em uma determinada marca, um hábito adquirido ou a confiança no produto. Assim, conhecer a taxa de reposição do produto e suas implicações é condição mais do que necessária para se estabelecer uma estratégia de expansão da empre- sa ou o lançamento de um produto novo no mercado. ciclo de vida de um produto, por sua vez, inserido no contexto da empresa, é uma variável a ser refletida quando numa análise de projeto. o processo de desenvolvimento de uma empresa, seja ela de qualquer ramo de atividade da economia, passa necessariamente por, pelo menos, um fator que julgo ser incontornável: a estratégia face às adversidades de uma economia em permanente mudança. Durante muito tempo em nosso país, a visão da classe empresarial pôde ser resumida, salvo raras como sendo de curtíssimo prazo. o que poderia justificar essa visão seria a memória inflacionária, a instabilidade do câmbio, a política de taxas de juros elevadas e por aí afora.o Produto e Mercado 29 No final do século XX, essa visão começou a mudar de forma radical com a especialização da classe empresarial, como vimos nos primeiros parágrafos. Um dos fatores que contribuiu para está mudança é a alteração do cenário nacional, globalização, face ao interesse crescente dos investidores externos na economia brasileira. Essa mudança deve ser pensada sob o ponto de vista do preço a ser pago pelas empresas que se encontram disputando seus mercados por países que conseguem colocar o mesmo produto fabricado aqui mais barato e, não raro, me- lhor. Nesse sentido, é preciso refletir qual é o objetivo da empresa. A resposta seria simples: lucro. Mas como conseguir? A resposta também seria simples: investi- mento. Um analista em projetos, quando pensa em investimento, precisa refletir num processo que vai mais longe do que a simples compra de uma máquina ou equipamento capaz de aumentar a produtividade da empresa. Muitas empresas tiveram sérios problemas em suas contas, pois acreditavam que a compra de uma máquina aumentaria a produtividade e isso as levaria ao aumento do lucro. problema é que mesmo fazendo um simples cálculo de en- genharia econômica poderia se verificar que a tal máquina levaria ao aumento do lucro, mas sem qualquer estratégia de longo prazo. Na verdade, a aquisição de um bem de capital com a expectativa de aumento de produtividade está diretamente relacionada a uma estratégia a priori e não a posteriori. que quero dizer com isso é que antes de qualquer análise mais minuciosa para a compra de um novo bem de capital para o chão de fábrica há a necessidade de se elaborar uma estratégia de longo prazo, que implica num processo de bem analisar sua estrutura produtiva. Nesse sentido, a tomada de decisão é estabelecida pela própria empresa, ultrapassando o conceito de longo prazo contábil. Através de sua experiência a empresa procura compreender a dimensão do seu Mercado, investe em pesquisa, encontra alternativas para que seu produto ou serviço esteja sempre num "ciclo de maturidade". Na verdade, a permanência num "ciclo de maturidade" de um produto ou serviço pode ser um pequeno passo para se começar uma estratégia a priori. Esse ciclo revela antes de tudo a aceitação do seu produto ou serviço pelo consumidor. Conhecer esse ciclo ou mesmo mantê-lo implica estar constantemente analisando o mercado com o objetivo de identificar se seu produto não foi substituído por outro produto mais eficaz. No cotidiano encontramos uma série de exemplos de empresas (novas ou já no mercado) com produtos homogêneos que encontraram soluções estratégicas para manter-se nesse ciclo. Todavia, conhecer o ciclo de maturidade implica num processo de aprendi- zagem por parte da empresa que se adquire durante o tempo. Nesse contexto, a aprendizagem não é um fenômeno uniforme que se manifesta de maneira instan- tânea, mas ao contrário, ela aparece sob formas múltiplas. De um lado um diretor ou gerente do chão de fábrica tem sua experiência acumulada, que por sua vez deve ser passada aos outros membros da empresa. Do outro lado, um operador de máquina tem sua experiência acumulada que deve ser transmitida aos demais30 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca membros. Nesse processo de aprendizagem que se adquire através da transmissão do conhecimento é que se formam as bases para uma estratégia de longo prazo. Abaixo encontramos um gráfico representando o ciclo de vida de um projeto e do produto. gráfico mostra um padrão de desenvolvimento. ciclo de vida pode ser uma força externa à firma, no sentido de provocar mudanças estratégicas dentro da própria empresa. o ciclo pode existir dentro de vários ambientes competiti- vos. A aprendizagem é um dos fatores determinantes para o ciclo, assim como a inserção de novas tecnologias. Faturamento Lucro ($) Introdução Crescimento Maturidade Saturação Tempo As Etapas do Ciclo 1. Introdução: Após a fase de pré-produto o bem é introduzido no mercado. É considerada a fase mais arriscada e cara porque muitos produtos não são aceitos pelo mercado. As principais decisões nessa fase estão relacionadas às estratégias de marketing e fixação de preços. Para superar essa fase deve-se ter em conta uma pesquisa de mercado confiante. 2. Crescimento: Se o produto foi aceito pelo público, então ele entrou na etapa de crescimento. Nessa fase aparecem dois tipos de consumidores: os inovadores (aqueles que experimentam e testam o novo produto) e os limitadores (cautelo- sos). 3. Maturidade e saturação: Crescimento desacelerado. Os lucros começam a cair e muitos produtores marginais, menos eficientes, são obrigados a sair do mer- cado. Para evitar essa fase, novos modelos podem ser introduzidos, numa tentativa de estender a duração do ciclo. Ex.: descobrir novas aplicações para o produto;Produto e o Mercado 31 buscar novos mercados; evitar a obsolescência através do processo de inovação, tornando o produto melhor; reduzir partes dos custos através de parcerias, como uma joint e em casos em que a empresa já conseguiu o reconhecimento do mercado, tentar uma alternativa estratégica: é a fusão (cuidado, pois a fusão não resolve em todos os casos). 4. Declínio: Causas: desaparecimento da necessidade pelo produto; surgimen- to de produtos mais eficazes; os competidores conseguiram promover um produto substituto melhor. Extensão na duração do ciclo Tempo Para se colecionar a maturidade de um produto, deve-se, na etapa da elabo- ração do projeto, pensar no processo de inovação. A inserção da P&D no chão de fábrica com estudos de Mercado que acompanham a evolução dos mesmos é uma saída muito empregada pelas empresas. Basta lembrar o caso da SADIA versus a Perdigão com o indicador de cozimento. A revolução de um sistema simples fez com que a SADIA conseguisse colecionar cada vez mais esse ciclo de maturidade. 1.4.3 Projeção da demanda para os próximos anos A projeção da demanda se faz da mesma forma que apresentamos no item da oferta. Utilizam-se as mesmas ferramentas econométricas vistas anteriormente. 4 Joint Venture: a joint venture, que em inglês significa "união de risco", é uma associação entre empresas (sem a perda da identidade de ambas a empresa "A" continua sendo "A" e a empresa "B" continua sendo B) para o desenvolvimento e execução de um projeto específico ou parte de um projeto específico. Nesse sentido, cada empresa, durante a vigência da joint venture, é responsável pela totalidade ou parte do projeto.32 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca No entanto, um alerta deve ser dado nesse item. Trata-se do emprego das ferra- mentas econométricas. Se quando da projeção da oferta forem empregados os quatro modelos vistos anteriormente para se determinar a melhor correlação e o menor erro padrão, então para a projeção da demanda há a necessidade de se empregarem os mesmos modelos. É importante notar ainda que tanto no caso da oferta como no caso da deman- da estamos supondo os modelos com base em apenas duas variáveis. Nem sem- pre isso vai ocorrer. Podemos ter uma função de demanda ou oferta com mais de duas variáveis, o que nos obrigará a recorrer a modelos com variáveis múltiplas. 1.4.4 Conclusão do estudo da demanda Essa etapa trata de identificar qual o melhor modelo que efetivamente será empregado para estimar a demanda para os próximos anos. Isso significa identi- ficar a melhor correlação e o menor erro. Deve-se, no entanto, tomar certo cui- dado, pois nem sempre, em projetos, a melhor correlação e o menor erro será o modelo escolhido. que quero dizer é que podemos encontrar uma boa correlação que indique um elevado nível de demanda, mas isso não significa que vai ocorrer. Tomemos um caso que foi objeto da mídia no primeiro semestre do ano de 2010. De acordo com o DETRAN, fundamentado em pesquisa, as crianças menores de oito anos que não são transportadas nos veículos automotores no banco de trás e em cadeiras próprias correm enorme risco de vida quando dos acidentes de trânsito. Em função disso, uma nova lei passou a determinar o uso obrigatório das cadeirinhas. Imagine, então, um projeto de viabilidade que tivesse como objeto de estudo a demanda por essas cadeirinhas. Imagine ainda que esse projeto estivesse sendo elaborado em 2005. Qual seria a projeção da demanda para essas cadeirinhas? Em termos numéricos, não podemos saber, mas de uma coisa temos certeza: a projeção da demanda por cadeirinhas feita em 2005 é menor do que a demanda projetada a partir de 2010. Note que um fenômeno como esse pode alterar a demanda e, portanto, a pro- jeção. A pergunta a fazer é a seguinte: de que forma podemos nos prevenir? Na verdade, não sabemos quando uma lei vai aparecer, uma nevasca vai se abater so- bre a plantação, as pessoas vão parar de consumir alimentos com açúcar e passar a consumir adoçante. Isso prova que o emprego das ferramentas econométricas ajuda-nos a ter uma ideia do que há por vir e não a certeza de que a demanda vai efetivamente ocorrer.Produto e o Mercado 33 Assim, sempre que estivermos na etapa de projeção e seleção da série histórica, há necessidade de tratar os dados obtidos com prudência e fazer uma boa análi- se do mercado e sua conjuntura, o que pode auxiliar muito a tomada de decisão. Não obstante, quatro técnicas podem nos auxiliar de forma qualitativa à to- mada de decisão: a Técnica Delphos, os Cenários, a Analogia Histórica e a Análise Conjuntural. No que concerne à Técnica Delphos, é o emprego de questionário para um grupo previamente escolhido e com experiência e/ou conhecimento sobre o as- sunto a ser pesquisado. As respostas são processadas pelo coordenador. mais importante aqui é obter os dados de um especialista quanto às informações téc- nicas: alguns exemplos ocorridos na disciplina de projetos: um projeto que pre- tende explorar o mercado de ração para aves interrogando um especialista sobre a questão pasto versus ração; um projeto cujo produto é o colchão interrogando um ortopedista sobre a importância da densidade do colchão e sua relação com o índice de pessoas com problemas na coluna; ou ainda um projeto de produção leiteira interrogando um nutricionista sobre a importância do ômega 3 e suas vi- taminas no desenvolvimento e manutenção do ser humano. Quanto aos Cenários, seu objetivo é estabelecer uma sequência lógica de eventos, mostrando como um processo se desenvolve, qual a inter-relação entre os diversos fatores envolvidos e onde o processo pode conduzir. Para isso é preciso estabelecer uma sequência temporal, que facilita o processo interativo de escre- ver um cenário. Algumas aplicações: um projeto que pretende explorar a janela termoacústica pode estabelecer a seguinte sequência de eventos: crescimento das cidades e processo de urbanização sem planejamento, que leva à demanda de mais fábricas, carros etc., barulho. Os resultados desses eventos são obviamente nocivos, como problemas psicológicos como estresse e outros. Solução parcial: aumento da demanda por janelas termoacústicas. Outro projeto é a produção de roupas para procurando relacionar o aumento da opção pelo celibato, menor número de crianças por família e aumento de animais domésticos nos últimos 20 anos. Em se tratando da Analogia Histórica, essa corresponde à análise comparati- va de um novo produto a ser lançado com um produto similar (ou de caracterís- ticas próximas) que já esteja no mercado. que se procura fazer na elaboração da analogia histórica é quantificar o grau de semelhança existente e determinar em que medida padrão básico seria alterado pela falta de semelhança entre os produtos. Por exemplo: um projeto que estuda a viabilidade do anel de vedação para motores de automóveis ou de protetor de Carter e a produção de automó- veis; um projeto de Cal Hidráulica e a construção civil; um projeto de película de insulfilme semiblindado e o índice de violência. Considerada como incontornável, a Análise Conjuntural da Economia corres- ponde em última análise à verificação dos setores mais investidos no país na atua- lidade. Procura-se determinar em que medida o produto selecionado pode estar34 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca inserido num setor de pouco ou muito investimento. Por outro lado, o estudo de conjuntura procura determinar as principais variáveis da economia que podem afetar a decisão de investir no projeto escolhido. Ex.: necessidade e uso do pro- duto, índice de inflação, disponibilidade de crédito para o desenvolvimento das empresas, crescimento PIB, renda e salário-mínimo etc. 1.4.5 Comparação da demanda e oferta atual e projetada e determinação da demanda insatisfeita Uma vez selecionado o melhor modelo para projetar a demanda e a oferta, o profissional deve tomar o cuidado de comparar a demanda e a oferta atual e projetada. Isso é realizado com o objetivo de identificar a demanda insatisfeita. Nesse item, duas situações podem ser encontradas: (1) a demanda se apresenta superior à oferta e (2) a oferta se apresenta superior à demanda. No primeiro caso, temos o caso de demanda insatisfeita, o que denota que o projeto em termos de mercado é viável. É importante notar que viável sob o pon- to de vista do mercado não significa que o projeto é viável sob o ponto de vista financeiro. No segundo caso, quando a demanda é inferior à oferta, isso significa que o projeto é inviável sob o ponto de vista do mercado. Trata-se de uma situação onde não há espaço para a entrada de nova firma, pois o mercado está com excedente de oferta. Para esse caso recomenda-se a paralisação do projeto dada sua inviabilidade. 1.4.6 Especulação sobre o tamanho ótimo do projeto sob o enfoque do estudo de mercado A especulação sobre o tamanho ótimo do projeto somente é possível com o resultado do item anterior. Isso quer dizer que somente é possível se ter uma ideia de tamanho se efetivamente a demanda do produto objeto for maior que sua oferta. Assim, podemos definir o tamanho de um projeto como sendo a soma de suas plantas individuais por período. Dito diferentemente, após determinar o tempo do projeto, por exemplo, cinco anos, estima-se o volume de produção possível que será realizado ao longo do tempo. Trata-se, em última instância, de considerar o volume de produção para cada ano do projeto identificando quantos dias repre- senta o ano do projeto (por exemplo: 300 dias) e os dias de quantas horas (esti- mar o turno, por exemplo: dia de 16 h, sendo dois turnos de 8 h). Por outro lado, não se pode negligenciar as unidades de medida, que também podem ser empregadas na estimativa de tamanho. São elas: quantidade de capital empregado; número de empregados; montante de investimento.o Produto e Mercado 35 Em que pese existir essas outras unidades de medida, a mais frequente para estimativa de tamanho em projetos é a capacidade de produção, volume. A capacidade de produção envolve dois conceitos oriundos de áreas correla- tas. São elas: o conceito da engenharia e o conceito da economia. No que concerne ao conceito da engenharia, trata-se da capacidade máxima de produção determinada pelo equipamento. Portanto, se o projeto contempla a produção de 1.000 fardos de sacos plásticos ao cabo do ano, e sabendo que cada máquina somente pode produzir 500 fardos, então a empresa precisará de duas máquinas para esse tamanho de produção. Quanto ao conceito econômico, esse nos revela a produção que reduz ao mí- nimo os custos unitários e/ou eleva ao máximo os lucros. o conceito econômico não está divorciado do conceito da engenharia. Na ver- dade, ambos os conceitos se complementam. Enquanto o primeiro revela um fator de restrição, a capacidade de produção de uma máquina na unidade de tempo, o segundo conceito vai procurar tirar o máximo proveito dessa máquina, procu- rando sua otimização. Trata-se aqui de tentar obter a minimização dos custos e a maximização do lucro. Vejamos a aplicação destes dois conceitos correlatos. Um projeto de telefones sem fio apresenta cinco plantas industriais, confor- me abaixo: ano 75% da capacidade 2° ano 80% da capacidade ano 90% da capacidade ano 95% da capacidade 5° ano 100% da capacidade o projeto em questão estimou esse tamanho com base no volume de produ- ção e na capacidade de suas máquinas. o investimento necessário está relacionado abaixo: aquisição de terreno: $ 85.000 obras civis (adaptação de planta industrial): $ 65.000 máquinas e equipamentos: $ 300.000 veículo: $ 50.000 Estima-se que a capacidade máxima de produção é de 8.000.000 de telefones por ano (a partir do 5° ano, quando será de 100%).36 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca Sabendo que o custo variável unitário é $ 1,8, o preço de venda, $ 2,0, os cus- tos fixos representam $ 1.250.000 e os empresários desse projeto já informaram que não aceitam uma taxa interna de retorno inferior a 14% a. a., pergunta-se: a) projeto se paga ao cabo de cinco anos? Se sim, demonstre. Se não, demonstre quando ele se paga. b) Qual a taxa interna de retorno desse projeto? As expectativas desse pro- jeto estão sendo satisfeitas (os empresários estão sendo atendidos)? Se sim, explique. Se não, o que pode ser feito para que esse projeto satis- faça as expectativas dos empresários? Considere, em caso negativo, o aumento da produção, que deve obedecer ao seguinte critério: para o primeiro ano, a produção está limitada a um aumento de 1%; para o segundo ano, a produção está limitada a um aumento de 2%; para o terceiro ano, a produção está limitada a um aumento de 2,5%; para o quarto e quinto anos, deve-se guardar o tamanho original da planta, ou seja: 95% e 100%, respectivamente. a) Resposta: Demonstração do fluxo de caixa: Ano Q PV Cvu RT CVT CF L/P 1° ano 6.000.000 2,0 1,8 12.000.000 10.800.000 1.250.000 -50.000 2° ano 6.400.000 2,0 1,8 12.800.000 11.520.000 1.250.000 +30.000 3° ano 7.200.000 2,0 1,8 14.400.000 12.960.000 1.250.000 +190.000 ano 7.600.000 2,0 1,8 15.200.000 13.680.000 1.250.000 +270.000 ano 8.000.000 2,0 1,8 16.000.000 14.400.000 1.250.000 +350.000 30 mil 190 mil 270 mil 350 mil 500 mil 50 mil Trazendo todos os valores para o presente temos: 43.859,65o Produto e Mercado 37 = P (1 + 2 = + 23.084,02 190 = P X (1 + 0,14) ^ 3 = + 128.244,59 270 = (1 + 0,14) = + 159.861,67 + 181.779,03 Investimento = - 500.000,00 Total = - 50.890,16 Não se paga em cinco, pois o valor é negativo. Fazendo para oito anos: 30 mil 190 mil 270 mil 350 mil 350 mil 350 mil 350 mil 500 mil 50 mil = - 43.859,65 + 23.084,02 190 = + = + 128.244,59 270 = + + 159.861,67 350 = (1 + 0,14) = + 181.779,03 P =350x((1+0,14) P = 812.571,21, levando a valor presente temos: = 477.983,06 Investimento = - 500.000,00 Total = + 427.092,90 Positivo: se paga entre cinco e oito anos38 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca Interpolação VPL 427.092,90 5 8 n 50.890,16 8 - n/427.092,90 = n 5/50.890,16 n = 5,34 anos A taxa interna é de: 30 mil 190 mil 270 mil 350 mil 500 mil 50 mil Trazendo todos os valores para o presente a uma taxa de 14%: = = = + 0,14) = + 23.084,02 190 = (1 + 0,14) = + 128.244,59o Produto e Mercado 39 350 Investimento = - 500.000,00 Total = - 50.890,16 Trazendo todos os valores para o presente a uma taxa de 10%: = + = - 45.454,54 30=Px(1+0,10)^2 = + 24.793,39 = 270 = (1 + + 184.413,63 = = Investimento = - 500.000,00 Total = + 23.824,75 Interpolação VPL 23.824,75 TIR = ? 10 14 Taxa 50.890,16 14 - i/50.890,16 = 10/23.824,75 I = 11,27%40 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca Tentando resolver o problema: P P S = - 43.859,65 - 33.859,65 38 = + 0,14) 2 = + 23.084,02 43.084,02 56 + 128.244,59 149.861,76 222 = + 159.861,67 159.861,67 270 = + 181.779,03 181.779,03 350 Investimento = 500.000,00 - 500.000,00 Total = - 50.890,34 0 Esses resultados implicam: Ano Q PV Cvu RT CVT CF L/P ano 6.060.000 2,0 1,8 12.120.000 10.908.000 1.250.000 -38.000 2° ano 6.530.000 2,0 1,8 13.060.000 11.754.000 1.250.000 +56.000 3° ano 7.360.000 2,0 1,8 14.720.000 13.248.000 1.250.000 +222.000 ano 7.600.000 2,0 1,8 15.200.000 13.680.000 1.250.000 +270.000 5° ano 8.000.000 2,0 1,8 16.000.000 14.400.000 1.250.000 +350.000 Para o ano, a quantidade será: = 2Q 1,8Q - 1.250.000 1.212.000 = 0,2Q Q = 6.060.000 o que representa aumentar a produção em 1%. Para o ano, a quantidade será: - CF 56.000 = 2Q - 1,8Q - 1.250.000 1.306.000 = 0,2Q Q = 6.530.000 o que significa aumentar a produção em 2,03%. Para ano, a quantidade será: CFo Produto e Mercado 41 222.000 = 2Q 1,8Q 1.250.000 1.472.000 = 0,2Q 7.360.000 o que significa aumentar a produção em 2,22%. Com esses resultados chega-se a uma TIR de 14% a. a. Note que no problema acima os dois conceitos estão sendo empregados. conceito da engenharia mostrando a limitação do equipamento e o conceito da economia, que busca o melhor resultado, que é a taxa interna de retorno. Por fim, há de se considerar, quando da estimativa de tamanho, uma variável conhecida como correção de eficiência ou redutor. Trata-se das interrupções do processo produtivo (defeito técnico, paradas para reparo, manutenção, substituição de peças que devem ser previstas quando da estimativa de tamanho, além da baixa produtividade da mão de obra (por falta de treinamento). Além das interrupções provocadas por questões internas do projeto (firma), há de considerar que as economias estão mais dinâmicas, fazendo com que a de- manda sofra alterações ao longo do tempo devido à inflação, políticas internas e externas. Nesse caso, um bom projeto deve contemplar várias alternativas de tamanho. Normalmente, o que tenho ensinado para os meus alunos é construir pelo menos três alternativas de tamanho: uma alternativa mais otimista, uma al- ternativa conservadora e uma alternativa mais pessimista. Cada alternativa acima descreve um cenário possível: na primeira, os eventos passados contribuem positivamente para o desenvolvimento da planta industrial; na segunda, os eventos passados não interferem na planta industrial; e, por fim, no cenário pessimista, os eventos passados interferem negativamente na planta industrial. 1.5 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 1. Considere que esteja elaborando um projeto de viabilidade e se encontra na etapa de levantamento de dados da demanda. produto é a roupa de neo- prene para mergulho Prática desportiva aquática. Cite e explique quatro variáveis dessa demanda. 2. Um dos critérios qualitativos empregados para avaliar a demanda de um produto é a análise conjuntural. Defina essa análise e explique por que ela é considerada como incontornável.42 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca 3. Você está elaborando um projeto de viabilidade e se encontra na etapa de análise dos critérios qualitativos da demanda. o produto é a bolsa coletora para pessoas ostomizadas. Cite os critérios e explique quais são importantes. Não esqueça de definir esses critérios. 4. Explique e exemplifique por que uma região importante de consumo pode não ser uma região importante sob o ponto de vista da oferta. 5. Por que após empregar os modelos econométricos numa série histórica da demanda ou da oferta uma correlação forte e positiva aliada a um baixo erro não implica numa certeza de que os resultados vão ocorrer? Explique procu- rando exemplificar. 6. Qual a importância de se conhecer a estrutura de mercado à qual o produto do seu projeto está inserido? Procure exemplificar. 7. Um bom exemplo para exemplificar a manutenção na curva de maturidade de um produto num projeto é o avanço (e o emprego) tecnológico empre- gado nos últimos dez anos nos telefones portáteis. Discuta essa afirmativa procurando arrolar outro exemplo. 8. Um empresário deseja abrir um estabelecimento de fast food onde se vende hambúrguer e batata frita. Você foi convidado a elaborar o seu projeto. No que concerne aos hábitos do consumidor, com qual público você deve iniciar sua pesquisa? Explique. 9. Explique as principais causas para o declínio (ciclo de um produto num pro- jeto) de um produto. Exemplifique sua resposta. 10. Considerando a série histórica abaixo, encontre as correlações e as equações do modelo linear, logarítmico, potencial e exponencial de regressão. Após, identifique qual o melhor modelo para a projeção. Período de tempo Quantidade encontrada (em toneladas de minério de ferro) 2005 240 mil 2006 260 mil 2007 290 mil 2008 340 mil 2009 420 mil 2010 490 mil 2011 540 milProduto e Mercado 43 11. Um projeto pretende explorar a produção de válvulas para a passagem de ar comprimido. Estima-se um investimento inicial (capital próprio) de $ 1.650.000. projeto estima que nos primeiros dois anos o custo variável unitário será de $ 0,2 e para os três últimos anos será de 0,25. Por sua vez, o preço unitário de venda é estimado para os cinco anos como sendo 0,30. Considerando um custo fixo ao longo dos cinco anos igual a $ 980.000 ao ano e que para os cinco anos a produção de válvulas será de 20.000.000 de unidades ao ano, pergunta-se: o tamanho escolhido está bem dimensionado considerando uma TIR de 20% a. a.? Demonstre e explique. Em caso negativo, cite quais variáveis podem estar sendo superdimensionadas e quais podem estar sendo 12. Você está elaborando um projeto que pretende explorar o mercado de caixas de som. Segundo estimativas, o investimento necessário será de $ 1.400.000 (capital próprio). projeto estima que nos primeiros três anos o custo va- riável unitário será de $ 140 e, para os dois últimos anos, será de $ Por sua vez, o preço unitário de venda é estimado para os cinco anos como sendo $ 160. Considerando um custo fixo ao longo dos cinco anos igual a $ 500.000 ao ano e que para os dois primeiros anos a produção de airbag será de 50.000 unidades ao ano e para os três seguintes, de 60.000 unidades ao ano, pergunta-se: o tamanho escolhido está bem dimensionado considerando uma TIR de 18% a. a.? Demonstre e explique. Em caso negativo, cite quais variáveis podem estar sendo superdimensionadas e quais podem estar sendo 13. Um projeto pretende explorar o mercado de brinquedos eletrônicos. Os inves- timentos iniciais são: terreno: 100 milhões; construções: 300 milhões; equi- pamentos: 200 milhões; móveis e utensílios: 50 milhões; veículos de grande porte: 50 milhões. projeto estima um custo anual de 100 milhões e uma receita anual de 200 milhões. Considerando uma TMA de 4% a.a. e que o ta- manho do projeto é de cinco anos, pergunta-se: Ao cabo de cinco anos, esse projeto estará pago? 14. Um projeto que procurar produzir chuveiros elétricos com sistema de autoa- quecimento preparou as seguintes plantas industriais: Investimento inicial = 20 milhões Ano 1 = Receita líquida = 3 milhões Ano 2 = Receita líquida = 4 milhões Ano 3 em diante = Receita líquida = 5 milhões Se o projeto não fosse elaborado e o dinheiro aplicado, os proprietários te- riam um rendimento de 12% a. a. Pergunta:44 Elaboração e Análise de Projetos Fonseca 1. projeto é viável ao cabo do terceiro ano? 2. Se não for, quando o será? 15. Um projeto de compensados para a indústria de construção civil dimensionou seu tamanho a partir de cinco plantas da seguinte forma: Investimento inicial = R$ 10.000.000 Capacidade máxima de produção anual (a 100%) é de = 120.000 metros cúbicos Preço de venda do metro cúbico = R$ 350,00 Custo variável unitário = R$ 250,00 Custo fixo anual = R$ 8.000.000 Abaixo o dimensionamento da Planta Industrial para os próximos cinco anos: 1° ano 80% da capacidade ano 90% da capacidade ano 95% da capacidade ano 100% da capacidade 5° ano 100% da capacidade Durante os cinco anos alguns desembolsos adicionais são previstos em função das paradas técnicas para ajuste das máquinas e troca de peças. Segundo as especificações técnicas, essas paradas devem ocorrer a cada seis meses (a primeira em junho e a segunda em dezembro) para que a máquina tenha um bom desempenho. custo dessas paradas técnicas é o seguinte: Primeiro ano: R$ 10.000 e R$ 12.000; Segundo ano: e R$ 14.000; Terceiro ano: e R$ Quarto ano: R$ 16.000 e R$ 18.000; Quinto ano: R$ 18.000 e R$ 20.000. Considerando uma taxa mínima de atratividade de 18% ao ano e que preten- de que o projeto se pague ao cabo de cinco anos, pergunta-se: a) Qual a TIR desse projeto? b) Quando efetivamente ele se paga? c) Se as condições de TIR e de recuperação do dinheiro não forem satisfeitas, discuta onde o projeto pode ter sido subestimado ou superestimado.

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