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TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN PROFESSORES Me. Clauciane Pereira Esp. Vanessa Barbosa dos Santos TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 2 DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, Head de Produção de Conteúdos Celso L. Filho, Gerência de Produção de Conteúdo Diogo R. Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard, Coordenador(a) de Conteúdo Sandra Franchini (Design de Moda), Larissa Camargo (Design de Interiores) Projeto Gráfico e Editoração José Jhonny Coelho e Melina Belusse Ramos, Designer Educacional Yasminn Zagonel, Revisão Textual Viviane Notari Ilustração Bruno Pardinho, Fotos Shutterstock. C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; PEREIRA, Clauciane; SANTOS, Vanessa Barbosa dos. Teoria e fundamentos do Design. Clauciane Pereira; Vanessa Barbosa dos Santos. Reimpressão Maringá - PR.:UniCesumar, 2018. 156p. “Graduação em Design - EaD”. 1. Teoria. 2. Fundamentos. 3. Design EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-0285-0 CDD - 22ª Ed. 745.4 CIP - NBR 12899 - AACR/2 NEAD Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Impresso por: Wilson Matos da Silva Reitor da Unicesumar Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! boas-vindas Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, democratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram a informação e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. Willian V. K. de Matos Silva Pró-Reitor da Unicesumar EaD boas-vindas Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. Janes Fidélis Tomelin Pró-Reitor de Ensino de EAD Kátia Solange Coelho Diretoria de Graduação e Pós-graduação apresentação do material Teoria e fundamentos do Design Me. Clauciane Pereira Professora / Esp. Vanessa Barbosa dos Santos Olá, aluno(a) do ensino a distância da Unicesumar! Seja bem-vindo(a), é um grande prazer recebê-lo(a)! Parabéns por se demonstrar disposto a aprender co- nosco, seja perseverante na sua escolha pelo conhecimento. Durante a consulta desse material, bem como das outras ferramentas do curso, você verá que tudo foi idealizado com o intuito de facilitar sua jornada como acadêmico do ensino a distância da Unicesumar. Nosso livro didático tem cinco unidades que versam a respeito da Teoria e funda- mentos do design com a finalidade de lhe proporcionaro acesso a um panorama acerca do design, a começar pela definição da atividade. O design é por vezes incompreendido pela sociedade, embora seja parte do cotidiano de qualquer indivíduo, do momento em que se levanta até o momento em que volta a dormir. Muitos apenas imaginam do que se trata, mas não entendem o design de fato e compreendem menos ainda suas inter-relações. Como o design é uma atividade ampla que se fragmenta em diversas expertises capazes de gerar uma infinidade de produtos de design, é absolutamente possível afirmar que o ser humano não sobrevive sem que o design influencie seu dia-a- -dia em diferentes níveis ou aspectos. O design exerce influência desde a forma e função da sua escova de dentes, passando pelas características e estilo das suas vestimentas, pela organização e conforto do seu ambiente de trabalho|estudo ou da sua própria casa e chegando ao projeto gráfico da sua revista ou jornal preferidos a concepção de cada um desses produtos de design, dentre outros – é claro –, é responsabilidade do designer de produto, de moda, de interiores ou gráfico, como veremos na primeira unidade do nosso livro didático. Ainda na unidade de número um, faremos um apanhado geral e bastante breve acerca das circunstâncias do surgimento do design, o que somado à conceituação da atividade te ajudará a entender o que de fato é o design e quais as atribuições do designer em suas diferentes expertises. Depois de te apresentar sua futura profissão, vamos conhecer seus fundamentos, assim, na segunda unidade, veremos um a um os elementos do design, já que eles serão invariavelmente aplicados nos seus projetos, em sua totalidade ou em conjuntos específicos (que se adequem aos objetivos do projeto). Partiremos do ponto, falaremos também sobre a linha e o plano; a forma e o espaço; a direção; o movimento; o volume e a dimensão; a escala e a proporção; a textura e a padro- nagem, a luz e a cor, até chegar a silhueta. Na unidade três, vamos conhecer sobre os elementos externos que influenciam o design e que são de extrema importância para que você, como profissional exerça a profissão de forma excelente, não só obtendo conhecimentos teóricos e práticos do Design em si, mas que compreenda que o Design não é uma profissão mecânica, mas que age e reage de acordo com o que a sociedade e o mundo vive ao nosso redor. Você vai aprender sobre as influências dos materiais na hora de projetar, das tecnologias e dos efeitos da globalização, dos estilos refletidos a partir dos momentos históricos, da cultura e sociedade e por último da sustentabilidade. Na unidade quatro, veremos de que maneira os elementos do design podem ser organizados no espaço a partir de um esforço consciente para que o resultado seja um conjunto coerente com os objetivos de projeto, já que como designer você deverá enfrentar diferentes desafios, além de atender às expectativas dos seus clientes|consumidores. Finalizando nosso livro, serão apresentados a você um conjunto de quatro estudos de caso, um em cada uma das quatro especifidades do design de que tratamos no decorrer das unidades desse livro: o design de interiores, de moda, de produto e gráfico. Dessa forma, você será capaz de perceber por meio da análise de exemplos bastante ricos e diversificados como a aplicação dos elementos e princípios do design se materializam para a concepção de um produto de design. Assim, desejamos que você alcance o sucesso na sua jornada em busca do conheci- mento, que compreenda a real importância do design para a sociedade, que entenda e saiba aplicar com maestria em seus projetos os elementos e princípios que são a matéria-prima e o alicerce do design, que possa controlar com inteligência aqueles elementos que influenciam seu trabalho como designer e, principalmente, que se encontre de fato na profissão que escolheu pra si e dessa maneira possa ser mais um agente de transformação a serviço da humanidade. Boa leitura! Profª Me Clauciane Pereira sumário UNIDADE I O QUE É, COMO SURGIU E COMO O DESIGN SE MANIFESTA 12 - Introdução 14 - Antes de mais nada, o que é design? 18 - Como o design se manifesta e qual o papel do designer? 25 - Como, onde e quando: as dimensões históricas do design 27 - Considerações fi nais UNIDADE III ELEMENTOS QUE INFLUENCIAM O DESIGN 76 - Introdução 78 - Materiais UNIDADE II ELEMENTOS DO DESIGN 40 - Introdução 42 - Ponto, linha e plano 44 - Forma e espaço 43 - Direção 46 - Movimento 47 - Volume e dimensão 48 - Escala e proporção 51 - Textura e padronagem 53 - Luz e cor 60 - Silhueta 62 - Considerações fi nais UNIDADE IV PRINCÍPIOS DO DESIGN 106 - Introdução 108 - Equilíbrio 111 - Contraste e harmonia 114 - Repetição e ritmo 117 - Gradação 118 - Radiação 119 - Ênfase ou focos visuais 119 - Unidade 123 - Considerações fi nais UNIDADE V EXEMPLOS E APLICAÇÕES 134 - Introdução 136 - No design de ambientes 139 - Na moda 142 - No design de produto 144 - No design gráfi co 147 - Considerações fi nais 82 - Tecnologia e globalização 85 - Estilo 90 - Componentes culturais 92 - Sustentabilidade e ecologia 94 - Considerações fi nais Professora Me. Clauciane Pereira Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Antes de mais nada, o que é design? • Como o design se manifesta e qual o papel do designer? • Como, onde e quando: as dimensões históricas do design Objetivos de Aprendizagem • Entender o que é o design. • Conhecer as áreas e aplicações do design, assim como o papel e as habilidades do designer. • Introduzir os contexto histórico da atividade. O QUE É, COMO SURGIU E COMO O DESIGN SE MANIFESTA I unidade INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à primeira unidade do livro da disciplina de Teoria e fundamentos do design. Começo a introdução des- ta unidade te fazendo uma pergunta: Você sabe o que é design? Faço essa pergunta porque a definição ou conceituação do design é, por vezes, motivo de confusão. O fato de não haver uma tradução do termo para o português impulsiona muitos estudos e discussões a respei- to da origem da palavra, principalmente, do ponto de vista etimológico. Vamos abordar as duas principais origens do termo, para que possamos extrair delas seu verdadeiro sentido, assim como iremos explorar as opi- niões de diferentes autores e organizações que, além de definir, represen- tam os interesses da atividade mundialmente. Em seguida, vamos abordar as expertises do design. Embora o campo seja abrangente e com cada vez mais especialidades, existem aquelas que se sobressaem. Gomes Filho (2006), por exemplo, menciona sete especialida- des reconhecidas no contexto nacional e, dentre elas, inclui o design de in- teriores, o design de moda, o design gráfico e o design de produto. Vamos então considerar as especificidades desses campos de atuação do designer. Finalizo a unidade fazendo uma breve introdução a respeito do con- texto de surgimento da atividade, que, na verdade, existe desde a pré-his- tória, quando os primeiros seres humanos já produziam artefatos essen- ciais à sua sobrevivência e úteis à sua ornamentação. Apenas a partir do momento em que os artefatos deixaram de ser produzidos artesanalmen- te é que a atividade ganha evidência. Assim, o que te proponho agora é que você compreenda como o de- sign se manifesta em suas expertises (principalmente, no design de in- teriores e no design de moda) e que consiga entender qual o papel de- sempenhado pelo designer de acordo com sua área de atuação. Vamos também saber quais as circunstâncias do surgimento da atividade, mas não sem que antes você compreenda, de fato, o que é o design. Pronto para começar? Boa leitura! TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 14 Antes de mais nada, o que é Design? Para Löbach (2001), nos últimos anos, tem-se falado e escrito muito sobre o design. A partir dessa expo- sição, o leigo se vê frente a frente com o conceito de design e apenas imagina do que se trata,mas não entende suas complexas inter-relações. Como não existe um interesse especial a respeito, sua percep- ção acerca do design fica muito aquém da realidade da atividade. Exemplo disso é a dificuldade recor- rente de muitos, a respeito da diferenciação entre a denominação da profissão e do profissional. O termo DESIGN é utilizado para nomear a profis- são, já a palavra DESIGNER refere-se ao profissio- nal da área ou à pessoa habilitada para a prática da profissão. Assim, quando você opta por um modelo de liquidificador dentre tantas alternativas, você o faz (dentre outras coisas) por causa das caracte- rísticas do produto e não por causa do designer do produto, provavelmente você sequer imagina quem foi o designer que idealizou aquele produto (a não ser que seu filho seja um designer e você DESIGN 15 esteja comprando aquele liquidificador porque é mãe, pai, irmã(ão) ou tia(o) coruja!). Da mesma maneira, quando você admira um profissional da Philippe Starck é um famoso designer francês que, aos 19 anos, projetou uma casa inflável e com ela chamou a atenção de Paris. Nos anos 90, projetou um espremedor de frutas (o Juicy Salif) um tanto estranho que lembra uma aranha. Saiba mais visitando o website do designer: http://www.starck.com Fonte: Pereira (2015, online). SAIBA MAIS São muitos os estudos e as discussões acerca de uma definição para o design, que, por vezes, é motivo de confusão, porque nem sempre fica claro o que se quer dizer com o termo. Do ponto de vista etimoló- gico, ele possui duas origens fundamentais, a inglesa e a latina. Segundo Cardoso (2004, p.14), “a origem imediata da palavra está na língua inglesa, na qual o substantivo design se refere tanto à ideia de plano, desígnio, intenção, quanto à configuração, arranjo, estrutura”. Em contrapartida, a origem mais remota da palavra deriva do termo latino designare, verbo que também abrange ambos os sentidos, o de desig- nar e o de desenhar. DESIGN é o termo que nomeia a profissão DESIGNER é o nome dado ao profissional da àrea área, como o Philippe Starck, por exemplo, sua ad- miração é pelo designer Philippe Starck e não pelo design Philippe Starck. O autor defende que o maior número das definições concorda que o design agrupa tanto a origem ingle- sa quanto a latina, atribuindo, dessa maneira, forma material a conceitos intelectuais, ou seja, conforme Löbach (2001), o conceito de design compreende a concretização ou materialização de uma ideia, por meio da construção e configuração de projetos ou modelos. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 16 Mozota (2011, p.15) acredita que, dependendo do contexto, a palavra design pode significar plano, pro- jeto, intenção, processo ou esboço, modelo, motivo, decoração, composição visual, estilo, sendo que, “no sentido de intenção, design implica a realização de um plano por meio de um esboço, padrão ou com- posição visual”. Assim, para ela, a justaposição das duas origens se dá visto que ambos os significados são, de fato, um só; no sentido figurado, intenção equivale a desenho. A autora ainda cria, a partir da análise etimoló- gica da palavra, uma equação que evidencia a noção de que o design sempre pressupõe uma intenção, principalmente nas fases analítica e criativa, e um desenho para dar forma a ideia, na fase de execução, assim: Design = intenção + desenho Segundo a Industrial Designers Society of Ame- rica (IDSA, 2015), o design é uma atividade que envolve a criação e o desenvolvimento de concei- tos e especificações que aprimoram a função, o valor e a aparência dos produtos e sistemas para o benefício do usuário e do fabricante. Já Kopp (2004, p.41) considera que o design é uma ativi- dade que privilegia o planejamento e a organiza- ção de elementos estético-funcionais viabilizados pelas possibilidades técnicas disponíveis numa determinada época e lugar, visando à efetivação dos objetivos traçados para os produtos, que po- dem ser edificações, fachadas, embalagens, livros, jornais, automóveis, cadeiras e eletrodomésticos, dentre outros. Do ponto de vista dos processos de concep- ção e projetual, conceito é a representação de um objeto pelo pensamento, por meio de suas características gerais; ou qualida- de, abstração, ideia, pensamento, opinião e significação e, ainda, a ação de formular uma ideia por meio de palavras, definição, caracterização. Fonte: Gomes Filho (2006, p. 12). SAIBA MAIS O Internacional Council of Societies of Industrial Design – ICSID – (apud MOZOTA, 2011, p. 16) considera o design como uma: atividade criativa cujo objetivo é estabelecer as qualidades multifacetadas dos objetos, pro- cessos, serviços e seus sistemas em todo seu ciclo de vida. Consequentemente, o design é o principal fator da humanização inovadora das tecnologias e o fator crucial da troca cul- tural e econômica. O design busca descobrir e avaliar as relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas, com a tarefa de: • promover a sustentabilidade global e a prote- ção ambiental; • oferecer benefícios e liberdade à comunidade humana; • apoiar a diversidade cultural apesar da glo- balização mundial; • fornecer produtos, serviços e sistemas em formas que sejam expressivas (semiótica) e coerentes (estética) com sua complexidade própria. Atualmente, no website da mesma organização DESIGN 17 (ICSID, 2015) lê-se uma definição mais atualizada que considera o design como um processo estratégico de resolução de proble- mas que constrói o sucesso de uma empresa, impulsiona a inovação e o aumento da qua- lidade de vida por meio de produtos inova- dores, sistemas, serviços e experiências. Ele preenche a lacuna entre a realidade e o que é possível. É uma profissão transdisciplinar que atrela a criatividade à resolução de pro- blemas para a criação de soluções com a in- tenção de fazer um produto, sistema, serviço, experiência ou negócio, melhores. O design fornece uma maneira mais otimista de olhar para o futuro reformulando os problemas como oportunidades. Ele vincula inovação, tecnologia, pesquisa, negócios e clientes para oferecer novos valores e vantagens competi- tivas através das esferas econômica, social e ambiental. Para Mozota (2011), o design pode ser visto tanto como ciência quanto como arte, já que suas técnicas agrupam a lógica da abordagem científica e a sensi- bilidade do processo criativo. Dessa forma, o design estabelece um diálogo entre arte e ciência como uma atividade de resolução de problemas, um exercício criativo, sistemático e coordenado, que implica pen- sar e buscar a coerência de um sistema ou a inteli- gência de um objeto. “Design é o pensamento que se faz visível”. Fonte: Sall Bass (apud DABNER, 2014, p. 186). REFLITA TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 18 Como o Design se manifesta e qual o papel do Designer? De acordo com Gordon e Gordon (2014), na atuali- dade, convivemos com projetos de design presentes em praticamente todas as formas de comunicação, construção e produção de que fazemos uso – desde roupas, edifícios e seus ambientes externos e inter- nos, bens de consumo, até materiais impressos, o que justifica a abrangência da área e, consequentemente, a demanda cada vez maior de especialidades do de- sign que são, inclusive, determinadas pelo mercado. Essa diversidade gera uma certa confusão na medi- da em que algumas expertises se dividem e se sobre- põem, quando, na verdade, querem dizer a mesma coisa, ou possuem significados muito semelhantes. Mas existem aquelas que se sobressaem, principal- mente, no contexto nacional. Gomes Filho (2006), por exemplo, salienta sete especialidades e, dentre elas, inclui o design de interiores, o design de moda, o design gráfico e o design de produto. DESIGN 19 Concordando com Gomes Filho (2006), Mozota (2011) admite que o design como profissão é, na realidade, uma família de profissões desenvolvidas ao redor da concepção de diferentes formas, mas de-fende a existência de quatro tipos de design que cor- respondem aos principais domínios de integração da profissão na sociedade, dentre eles, a autora cita o design de interiores, o design gráfico e o design de produto. Independentemente do seu campo de atuação, de acordo com o International Council of Societies of Industrial Design (ICSID, 2015, online), os designers adquirem uma profunda compreensão das ne- cessidades dos usuários através da empatia e aplicação de um processo pragmático de so- lução de problemas centrados no usuário para projetar produtos, sistemas, serviços e experi- ências. Eles são parte estratégica do processo de inovação e estão numa posição única para conectar variadas disciplinas profissionais e in- teresses comerciais. Eles valorizam o impacto econômico, social e ambiental do seu trabalho e sua contribuição para a co-criação do aumento da qualidade de vida. COMO O DESIGN DE INTERIORES SE MANIFESTA? Broke et al (2014) e Gibbs (2015) concordam que, para se adaptar às reivindicações da atualidade, a prática do design de interiores mudou de modo radical nos últimos cinquenta anos. Antes campo de entusiastas e amadores talentosos e criativos, hoje, uma profissão reconhecida, vista como uma disciplina que pode influenciar positivamente a maneira como os espaços são ocupados e que re- quer conhecimento técnico atrelado à criatividade e à habilidade de administrar todos os aspectos do projeto de interiores. O termo design de interiores, segundo Broke et al (2014), é amplamente aplicado para descrever todo e qualquer tipo de projeto de interiores, desde a decoração até a reforma. Mas, a partir do momento em que a reutilização de estruturas se transformou numa prática conceituada, houve a necessidade da definição mais precisa de algumas especificidades. Em um extremo, temos a arquitetura de interio- res que se preocupa com a renovação, reestrutura- ção ou modificação das construções e espaços exis- tentes. Há, aqui, uma conexão da arquitetura com as práticas do design de interiores. Em outro extremo, temos a decoração de interiores considerada a arte de decorar espaços internos e que envolve pequenas mudanças em relação aos padrões das superfícies, ornamentos, mobiliário, acessórios, iluminação e materiais. De acordo com o Council for Interior Design Qualification (CIDQ, 2015), é comum que os ter- mos decoração de interiores e design de interiores sejam utilizados alternadamente, quando, na ver- dade, essas profissões diferem em aspectos críti- cos. Enquanto a decoração de interiores é a orna- mentação de um espaço com coisas bonitas ou da moda, o design de interiores é a arte e a ciência de compreender o comportamento das pessoas para criar espaços funcionais dentro de um edifício. Em suma, os designers de interiores podem decorar, mas os decoradores não podem projetar. Assim, entre a arquitetura de interiores e a deco- ração de interiores está o design de interiores que, de acordo com Brooke et al (2014, p. 12), é uma TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 20 atividade multidisciplinar que envolve a cria- ção de ambientes internos que articulam o clima e a identidade por meio da manipula- ção dos volumes espaciais, da colocação de elementos específicos e mobiliário, além do tratamento das superfícies. Em geral, descre- ve projetos que requerem poucas mudanças estruturais – ou nenhuma – na construção existente, embora haja muitas exceções. O espaço é mantido em seu estado estrutural original, e o novo interior é nele inserido. Muitas vezes, tem um caráter efêmero e inclui projetos de interiores para varejo, exposições e residências. tes, além de veículos aéreos, marítimos e terres- tres: aviões, navios, trens, ônibus e automóveis, por exemplo. De modo mais amplo, o Council for Interior Design Qualification (CIDQ, 2015, online) define o design de interiores como uma profissão multifacetada em que as soluções técnicas e criativas são aplicadas no interior de uma estrutura construída. Estas soluções são funcionais e esteticamente atraentes e tem a fi- nalidade de aumentar a qualidade de vida das pessoas. Os projetos de interiores são criados em conformidade com a estrutura e localização da edificação e com o contexto social do proje- to. Eles devem aderir aos códigos e requisitos de regulamentação, além de incentivar a aplicação dos princípios da sustentabilidade. O processo de concepção de projetos de interiores segue uma metodologia sistemática e coordenada, in- cluindo a investigação, análise e integração de conhecimentos referentes ao processo criativo, por meio do qual as necessidades do cliente são satisfeitas para a materialização de um espaço que cumpre os objetivos do projeto. Brooke et al (2014) consideram três aspectos citados por Vitrúvio fundamentais à atividade: a comodi- dade, a firmeza e o deleite. O primeiro substantivo citado por Vitrúvio relaciona-se à funcionalidade do objeto, o segundo descreve sua integridade estru- tural, o terceiro e último está relacionado ao valor estético. O autor acredita que, além da função, es- trutura e qualidades estéticas, o design de interiores precisa considerar também o lugar que aquele inte- rior habita. Assim, o design de interiores é um pro- cesso complexo que combina as qualidades do es- paço existente ou proposto com as necessidades dos usuários, além de garantir a coerência da proposta de projeto. Na interpretação de Gomes Filho (2006), o design de interiores envolve a concepção e o planejamento de espaços internos privados e públicos, o que in- clui espaços residenciais, comerciais, empresariais, industriais, culturais, de lazer e outros semelhan- DESIGN 21 QUAL O PAPEL DO DESIGNER DE INTERIORES? Os designers de interiores são responsáveis pela ela- boração, planejamento e organização dos espaços, escolhendo e combinando os diversos elementos de um ambiente. Esse profissional estabelece relações funcionais e estéticas em relação ao que se pretende produzir, harmoniza em um certo espaço móveis, objetos e acessórios, procurando conciliar conforto, praticidade e beleza. Seleciona cores, materiais, aca- bamentos e iluminação, utilizando tudo de acordo com o ambiente e adequando o projeto às necessi- dades, às preferências e à disponibilidade financei- ra do cliente. Além disso, administra o projeto de interiores, estabelece cronogramas, fixa prazos, de- fine orçamentos, acompanha a execução do projeto e coordena o trabalho de pedreiros, marceneiros, gesseiros, pintores, eletricistas e outros profissionais. Brooke et al (2014) acrescentam que “é essen- cial ao designer de interiores ter um grande conhe- cimento das leis regulatórias e de planejamento da construção civil, [...], familiaridade com técnicas construtivas” e um amplo conhecimento acerca dos materiais e revestimentos, bem como dos custos en- volvidos na execução do projeto. A isso soma-se a habilidade criativa para projetar interiores de exce- lência e a necessidade de atualização constante rela- tiva às tendências. Por meio de sua formação acadêmica, experi- ência e especialização, o designer de interiores se qualifica para aprimorar a função e a qualidade dos espaços interiores. Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, aumentar a produtividade e pro- teger a saúde, a segurança e o bem-estar público, o designer de interiores, segundo Gibbs (2015, apud COUNCIL FOR INTERIOR DESIGN QUALIFI- CATION, 2015): • analisa as necessidades do cliente, seus obje- tivos e as exigências de segurança e de seu estilo de vida; • associa suas conclusões ao seu conhecimento como designer de interiores; • formula conceitos preliminares de design adequados, funcionais e estéticos; • desenvolve e expõe recomendações finais de design através de mídias apropriadas para a apresentação; • elabora o projeto executivo e as especifica- ções de elementos construtivos não estrutu- rais, materiais, acabamentos, layout, mobili- ário, instalações e equipamentos;• colabora com os serviços de outros profissio- nais qualificados das áreas técnicas de mecâ- nica, elétrica, e cálculo estrutural de acordo com as normas para aprovação do projeto nos órgãos competentes; • organiza e administra orçamentos e contra- tos como representante do cliente; • revisa e avalia as soluções de design durante sua implementação até sua finalização. COMO O DESIGN DE MODA SE MANIFESTA? A palavra moda é originada do latim modus, que significa modo ou maneira, mas é também um ter- mo que vai bastante além dessas acepções, conforme o dicionário da língua portuguesa: 1. Uso, hábito ou estilo geralmente aceito, va- riável no tempo, e resultante de determinado gosto, ideia, capricho, e das interinfluências do meio. 2. Uso passageiro que regula a forma de vestir, calçar, pentear, etc. 3. Arte e técnica do vestuário. 4. Maneira, feição, modo. [...] 8. Fenômeno social ou cultural, de caráter mais ou menos coercitivo, que consiste na mudança periódica de estilo, e cuja vitalidade provém da necessidade de conquistar ou manter determi- nada posição social. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 22 Esse último define todo o contexto de surgimento da moda. Palomino (2013) menciona que, no final do século XV e início da Renascença, a aproximação das pessoas na área urbana (consequência do desen- volvimento das cidades e do comércio, bem como a organização da vida nas cortes) fez surgir o desejo de imitar. Os burgueses passaram a copiar as roupas dos nobres que, por sua vez, inventavam novas vestimen- tas com o intuito de se diferenciar dos burgueses. Os burgueses copiavam, os nobres criavam algo novo. Assim, conforme Palomino (2013, p. 14), a moda “é um sistema que acompanha o vestuário e o tempo, que integra o simples uso das roupas no dia a dia a um contexto maior, político, social e socioló- gico”; ao seguir, reproduzir e/ou simbolizar as trans- formações ocorridas entre um determinado espaço de tempo e o outro, a moda reflete as sociedades. Em acordo com Palomino, Jones (2011, p. 42) afirma que, se analisarmos a história da moda, usos e costumes de diversos países, teremos uma única conclusão: “todas as sociedades, das mais primitivas às mais sofisticadas, usam roupas e ornamentos para transmitir informações sociais e pessoais”. Lendo suas roupas e os sinais por elas emitidos, podemos supor quais as características de personalidade de um indivíduo. Para Moura (2012), assim como a moda, o de- sign é uma área de produção de produtos, sistemas e estilos de vida que constitui a tradução de símbolos criando linguagem. Na atualidade, passam a compor campos do conhecimento, ao manipular uma série de informações e transformá-las em produtos e re- flexos do cotidiano e, portanto, da cultura. Por meio da concepção dos objetos, sistemas, serviços, métodos e processos desenvolvidos e pro- duzidos em diversos tipos de suportes, materiais e bens, que associam as questões utilitárias às ques- tões simbólicas, a moda e o design se manifestam como ações contemporâneas que traduzem e, ao mesmo tempo, influenciam a vida humana. Moura (2012) acredita que, apesar de independen- tes em seus campos de ação e de nem todo design ser moda e nem toda moda ser design, existe uma união entre ambos os campos que passou a ser denomina- do design de moda. Especialidade do design, que, de acordo com Gomes Filho (2006), envolve a criação, o desenvolvimento e a confecção de produtos de moda e atinge diversos segmentos de utilização, relacionados com o uso de objetos diretamente sobre o corpo. QUAL O PAPEL DO DESIGNER DE MODA? Matharu (2011) acredita que, como designer (seja de interiores, de moda, gráfico ou de produto), de maneira independente ou como integrante de uma equipe, você deve ter as habilidades, competências ou conhecimento necessários para propor novas ideias, universos e temas, além de orientar os rumos cria- tivos e comerciais daquilo que criou, no design de moda, especificamente, da coleção que desenvolveu. Mas, ao contrário do que sugere o senso comum, o papel do designer de moda não é baseado apenas na inovação e na criatividade, além dessas caracte- rísticas, conforme Matharu (2011, p. 88), ele deve ter entendimento técnico sobre 3D, técnicas de fabricação, habilidades comunicativas, de gerenciamento, compreensão dos métodos de produção e conhecimento geral do mercado – identificando os desejos do cliente, analisando os sucessos e fracassos, e implementando mudança para o próximo ciclo. Em uma visão um pouco mais abrangente e de acor- do com o Ministério da Educação (2006), o designer de moda: DESIGN 23 • elabora e administra projetos para a indústria de confecção de peças e acessórios do vestu- ário, a partir dos aspectos estéticos, simbóli- cos, ergonômicos e produtivos; • analisa as tendências relativas ao comporta- mento, cores, estilos, formas, texturas e aca- bamentos; • desenvolve produtos de moda aplicando vi- são histórica, sociológica e prospectiva; • elabora portfólios e dossiês; • representa graficamente suas criações; • elabora protótipos e modelos, além de anali- sar a viabilidade técnica do projeto. COMO O DESIGN GRÁFICO SE MANIFESTA E QUAL O PAPEL DO DESIGNER GRÁFICO?1 É bastante provável que no mundo desenvolvido muitas pessoas tiveram sua vida alterada pela tec- nologia da informação e do design, por esse motivo, digital, gráfico e design são palavras que tem grande influência em nosso vocabulário. Segundo Gordon e Gordon (2014, p. 8), “o for- mato digital criou um método comum de registro e transmissão de dados, propiciando alto nível de interatividade entre as mídias”, tornando possível a atuação conjunta, em um único contexto, do som, da imagem e do texto, dentre outros. O que, por sua vez, mudou significativamente a maneira como os designers trabalham. Vivemos uma época em que a qualidade do conteúdo visual exerce uma função gradativamen- te mais relevante na forma como nos comunicamos com um público cada vez mais diversificado. Essa é justamente a essência do design gráfico, projetar algo para ser comunicado a alguém, assim, a respon- sabilidade que recai sobre os ombros do designer gráfico é a de garantir que a mensagem seja comuni- cada precisa e adequadamente. O design gráfico (termo cunhado pelo tipógrafo americano William Addison Dwiggins) se manifes- ta, de acordo com a Associação dos Designers Grá- ficos do Brasil (ADGBrasil, 2000), como a atividade de planejamento de projetos relativos à linguagem visual, que articula texto e imagem aplicados aos mais variados suportes e situações e, ainda, com- preende as noções de projetos gráficos, identidade visual corporativa, projetos de sinalização e design editorial. Ideia corroborada por Gomes Filho (2006, p. 28), que considera que o design gráfico seja a espe- cialidade ou o campo de atuação que “envolve a con- cepção, a elaboração, o desenvolvimento do projeto e a execução de sistemas visuais de configuração for- mal [...] assentada predominantemente em substra- to bidimensional [...] Cuida da geração, tratamento e organização da informação”. Twemlow (2007, p. 6) acredita que o design gráfico faz parte de todos os aspectos da vida social, desde a etiqueta com os dados nutricionais de um alimento até os sinais que mandam parar os condutores das viaturas nos cru- zamentos. Para Helfand (2009), o design gráfico é a complexa combinação de palavras e imagens, números e gráficos, fotografias e ilustrações que, para ter sucesso, demanda sua elaboração por parte de um particularmente cuidadoso in- divíduo que pode orquestrar estes elementos de forma a eles se juntarem para formar algo dis- tinto, ou útil, ou divertido, ou surpreendente, ou subversivo, ou memorável. 1 Parte deste subtópico foi extraída da dissertação “A sinalização viária da ilha de Santa Catarina - uma análise sob a ótica do turista” (p. 25-26), de- fendida pela autora Clauciane Pereira no Programa de Pós-Graduação em Design e ExpressãoGráfica da Universidade Federal de Santa Catarina. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 24 Na visão de Newark (2009, p. 6), o design gráfico está em toda parte, explicando, decorando, identi- ficando – impondo significado ao mundo. Ele reali- za diversas funções: classifica e diferencia, informa, “atua em nossas emoções e ajuda a dar forma aos nossos sentimentos em relação ao mundo que nos cerca”. Sob a ótica do Icograda (2008, tradução nossa), o design gráfico é “uma atividade interdisciplinar e de solução de problemas que combina sensibilida- de visual com habilidade e conhecimento nas áreas da comunicação, tecnologia e negócios”. O mesmo Conselho considera ainda que a atividade seja uma forma de tradução de variáveis, dentre elas: a com- preensão do produto ou serviço e metas do cliente, seus competidores e público-alvo, em soluções visu- almente criativas, por meio da manipulação, combi- nação e utilização de formas, cores, imagens, tipo- grafia e espaço. Dessa forma, o designer gráfico seria um profis- sional especializado na estruturação e organização da informação visual para o auxílio da comunica- ção e orientação. Sua função então é apresentar uma mensagem de forma clara, transmitindo as ideias principais sem que as menos importantes deixem de ser percebidas (o que requer bom senso e análise). COMO O DESIGN DE PRODUTO SE MANI- FESTA E QUAL O PAPEL DO DESIGNER DE PRODUTO? Para Morris (2010) e Carpes Jr. (2014), o desenvol- vimento de produtos tem sido uma prática comum entre os seres humanos há milhares de anos, quando produziam, principalmente, aparatos, ferramentas e instrumentos essenciais a sua sobrevivência. Apenas a partir do século XVIII e da Revolução industrial é que os produtos começaram a ser fabricados em quantidades expressivas e substituindo a antiga roti- na da produção artesanal. Dentre diversas especialidades, conforme Mo- zota (2011), o design de produtos é considerado o mais conhecido e envolve a concepção, elaboração e desenvolvimento do projeto, bem como a fabrica- ção do produto (de configuração física predominan- temente tridimensional), que, ao contrário do que muitos pensam, não se restringe a móveis, luminá- rias e carros. De acordo com Gomes Filho (2006), os designers de produto intervêm em praticamente todos os setores: • Produtos de uso, como veículos, mobiliários, utensílios domésticos, eletrodomésticos, ele- troeletrônicos, calçados, joias e embalagens. • Máquinas e equipamentos em geral, instru- mentos, dispositivos e acessórios. • Componentes de ambientes em geral, que en- globam produtos que configuram postos de trabalho ou de atividades. Os designers de produtos lidam com a busca cons- tante do equilíbrio entre forma e função. Suas ati- vidades envolvem o projeto e a inovação de novos produtos ou a readaptação (redesign) de produtos já existentes, de forma criativa, consciente dos aspec- tos estéticos e funcionais, ecológicos, econômicos, ergonômicos, produtivos, mercadológicos e sociais que envolvem o produto. Mantém-se em constante diálogo com especialistas de outros campos profis- sionais e projetuais voltados ao desenvolvimento de produtos. DESIGN 25 Como, onde e quando: as dimensões históricas do Design2 2 Parte deste tópico foi extraída da dissertação “A sinalização viária da ilha de Santa Catarina - uma análise sob a ótica do turista” (p. 23 - 25), defendida pela autora Clauciane Pereira no Programa de Pós-Graduação em Design e Expressão Gráfica da Universidade Federal de Santa Catarina. Embora o design como método de fabricação de artefatos tenha sido evidenciado já na Pré-História, o reconhecimento da prática da atividade ocorreu apenas no início do século XX, num contexto de renovação cultural, quando se observa a passagem da fabricação manual de artefatos para o projeto e fabricação industrial. Segundo Nicchelle (2011), em razão do avanço dos meios de produção e a partir do momento em que a divisão do trabalho separou o projeto da pro- dução, o que antes era responsabilidade dos artesãos, passou a ser responsabilidade dos designers e fabri- cantes. A produção de novos artefatos, anteriormen- te produzidos por artesãos em oficinas artesanais, sofreu mudanças tecnológicas de grande projeção e impacto no processo produtivo, assim, os produtos passaram a ter maior qualidade e diversidade. Dessa forma, as bases do design começam a se formar a partir dos reflexos da Revolução Industrial e por meio do surgimento de movimentos como Arts and Crafts, na Inglaterra, na segunda metade do século XIX, e a Deutscher Werkbund, na Alema- nha, em 1907. Willian Morris, líder do movimento Arts and Crafts, temia que a indústria abolisse o objeto fei- to pelo artesão e sua garantia de beleza e, portanto, refletia a vontade de produzir artefatos que combi- navam forma, função e o ornamento. Segundo Car- doso (2004, p. 83), o movimento buscava promover uma maior integração entre projeto e execução, uma relação mais igualitária e de- mocrática entre os trabalhadores envolvidos na produção, e na manutenção de padrões eleva- dos em termos da qualidade de materiais e de acabamento [...] Embora não se opusesse ao uso de máquinas, era uma visão que tendia a restringir a escala e o ritmo de fabricação aos limites máximos do que a máquina podia exe- cutar com perfeição e não aos limites máximos em termos de quantidade ou velocidade. O Deutscher Werkbund, ainda de acordo com Car- doso (2004), foi o primeiro movimento voltado à promoção do design como elemento da afirmação da identidade nacional. Os líderes do movimento alemão eram influenciados pelo movimento inglês, mas com diferenças significativas: enquanto o Arts and Crafts defendia o design e um retorno aos ofí- cios manuais em oposição à produção em massa, a Werkbund, conforme Meggs (2009), reconhecia o valor das máquinas e defendia o design como meio para atribuir forma e significado as coisas feitas pela máquina. Meggs (2009, p. 302) ainda coloca que TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 26 o grupo acreditava que a forma devia ser exclusi- vamente determinada pela função e desejava eli- minar todo o ornamento. [...] tanto a simplicida- de como a exatidão eram demandas funcionais da fabricação mecânica e aspectos simbólicos da eficiência e poder industriais do século XX. Soma-se ao surgimento desses movimentos a cria- ção, em 1919, na Alemanha, da Bauhaus, conforme Cardoso (2008, p. 135), a escola de design que con- cretizou a ideia (propagada pela Werkbund) de que: “a forma ideal de qualquer objeto deve ser determi- nada pela sua função, atendo-se sempre a um voca- bulário formal rigorosamente delimitado por uma série de convenções estéticas bastante rígidas”. A Bauhaus conseguiu se transformar, em menos de quinze anos de funcionamento, no principal para- digma do ensino do design do século 20. Tanto que, após o seu fechamento, em 1932, houve o que Velho (2007, p. 19) considerou como “uma epidemia de escolas que requeriam para si o título de sucessoras da Bauhaus”, principalmente como consequência do desenvolvimento da economia americana, que pro- moveu o amadurecimento do design e o surgimento de um novo fenômeno que influenciaria a atividade, o styling, uma forma de agregar valor estético aos produtos como estímulo ao consumo. Em 1951, surge em Ulm uma nova escola que se opunha ao styling americano e que, portanto, dava continuidade ao trabalho interrompido da Bauhaus e, assim, pregava a padronização dos objetos e apos- tava na racionalização e no racionalismo como fato- res determinantes para as soluções de design. Como sua antecessora, a escola da forma de Ulm teve vida curta, sendo extinta em 1968. Assim como a Bauhaus na Alemanha, a partir da década de 70, a Escola Superior de Desenho In- dustrial (ESDI) no Brasil tornou-se a matriz para a maioria das escolas de design brasileiras. Por muito tempo, a rigidez funcionalista defen- dida pela Bauhaus não foi uma influência restrita às suassucessoras, mas um norte para o próprio design e uma característica que, atualmente, continua sen- do relacionada à atividade, embora de forma mais flexível. Abordando de forma bastante breve o contexto de surgimento do design, terminamos esta unidade. Como propus na introdução, apresentei a atividade, suas especificidades e, também, o papel do designer (seja ele designer de interiores, de moda, gráfico ou de produto). Agora, você já sabe qual papel irá de- sempenhar no futuro quando se tornar um designer! 27 considerações finais Caro(a) aluno(a), chegamos ao final da primeira unidade do livro da disciplina de Teoria e fundamentos do design. Capítulo importantíssimo na sua futura tra- jetória como designer, já que, por meio dele, você conheceu a profissão que esco- lheu pra si, bem como o papel que deve desempenhar quando tiver concluído sua jornada no ensino a distância. Vimos nesta unidade que o design de interiores envolve a concepção e a com- posição de ambientes ou de layouts, por meio de planejamento, organização, de- coração e especificação de produtos e que o design de moda engloba a criação, o desenvolvimento e a confecção de produtos de moda, diretamente relacionados com o uso de objetos sobre o corpo. Já o design gráfico é a expertise do design, responsável pela concepção, ela- boração, desenvolvimento e execução de projetos relativos à linguagem visual e, portanto, predominantemente bidimensionais. Por último, mas não menos im- portante, vimos que o design de produto também concebe, elabora, desenvolve projetos e acompanha a fabricação de produtos, mas, nesse caso, em sua grande maioria, tridimensionais, o que inclui veículos, mobiliário, utensílios domésticos, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, dentre tantos outros. Dessa forma, independentemente da sua especialidade, o design faz parte do nosso dia a dia, dando forma material a conceitos intelectuais, concretizando ou materializando ideias e concebendo diferentes produtos, sejam eles um ambiente, roupas, revistas ou cadeiras e, justamente, por ser uma atividade que materializa ideias, está atrelada à criatividade e à inovação. Despeço-me parafraseando Nicchelle (2011), para quem o design dedica-se a um campo de conhecimento bastante amplo, mas constituído por um pensamen- to projetual orientado ao cenário futuro, a partir de uma intenção destinada a ser real. Logo, ser designer significa trabalhar com o futuro, concebendo e planejan- do aquilo que passará a existir, bem como anunciando caminhos e possibilidades. 28 LEITURA COMPLEMENTAR DESIGN GRÁFICO AMBIENTAL: uma especialidade do design que conecta o design gráfi co com o design de interiores Designers gráfi cos ambientais trabalham junto com arquitetos e designers de interiores para criar designs que defi - nem visualmente o ambiente construído. Esses projetos podem incluir design de exposições para museus, galerias e instalações de arte públicas; orientação espacial e sinalização arquitetônica; design de pictogramas; mapeamento e sistemas completos de identidade; além de ambientes temáticos. Há uma grande demanda para seu trabalho, por parte de setores de varejo, entretenimento, construtoras e planejadores urbanos, uma vez que é essencial a sinaliza- ção ser clara e a circulação efi ciente. Designers gráfi cos ambientais estão entre os mais colaborativos dentre as disciplinas do design, e trabalham em parcerias com especialistas de muitas áreas para pesquisar e disponibilizar um design funcional de modo informativo e divertido. Eles combinam suas habilidades às dos especialistas em mídia digitais para comunicações interativas, trabalham com designers de produto em invenções, colaboram com arquitetos e clientes em hospitais, escolas e em- presas. Grandes empresas de arquitetura podem ter departamentos internos de design gráfi co ambiental para criar sinalização, orientação espacial, identidade e materiais impressos de apoio. Outras consultam empresas de design gráfi co que oferecem serviços de design ambiental para grandes projetos que exigem a visualização de informações complexas. Como funciona Assim como em qualquer projeto de design gráfi co, na primeira etapa de desenvolvimento o designer gráfi co ambien- tal determina os objetivos e pesquisa as possíveis necessidades da edifi cação/espaço, bem como de seus usuários ou de seu público. Isso permitirá que cliente e designer determinem a quantidade e a localização das sinalizações e de outros elementos, para fi ns de orçamento. Em seguida, o designer começa o processo de design conceitual, com uma combinação de esboços e modelos 3D ou ilustrações digitais renderizadas em 2D ou 3D. Quando o design está sufi cientemente refi nado para o orçamento, o designer gráfi co ambiental supervisiona o processo de licitação para a fabricação dos elementos arquitetônicos, trabalha junto à equipe de design para selecionar os fabricantes e está, frequentemente, no local para a instalação dos elementos, de fato. Habilidades exigidas • Excelentes habilidades de design em composição, forma, cor, escala, textura; • Boas habilidades de desenho; • Capacidade de visualizar espaços tridimensionais; • Familiaridade com os códigos e regulamentos de sinalização; 29 LEITURA COMPLEMENTAR • Compreensão dos fatores humanos, incluindo demandas visuais e de luz, percepção da cor e psicologia com- portamental; • Compreensão do simbolismo e de necessidades multilíngues; • Fortes habilidades interpessoais e de comunicação. A parte legal... • Seu trabalho de design torna-se uma instalação permanente; • Você terá uma experiência de pesquisa bastante prática; • Você consegue ver o efeito de seu trabalho em público; • Você trabalha com arquitetos, engenheiros estruturais, designers e fabricantes; • Você pode trabalhar com 3D. ... E a parte não tão legal • O processo é longo e complicado; • Os erros podem sair caro e consumir bastante tempo; • Seus prazos são afetados pela equipe inteira e podem difi cultar o gerenciamento de cronogramas. Fonte: Dabner; Stewart; Zempol (2014, p. 192). 30 LEITURA COMPLEMENTAR Qualidades e habilidades pessoais desejáveis no ramo da Moda Ambição Firme vontade de alcançar seus objetivos práticos, conceituais e fi nanceiros. Charme Relacionar-se bem; ter boa comunicação; capacidade de cooperar. Competitividade Usar suas aptidões para obter vantagens sem artifícios maliciosos. Compromisso Trabalhar duro; estar aberto para aprender e ultrapassar limites. Confi ança Ter fé em suas ideias e aptidões e acreditar nos outros; equilíbrio entre egotismo e humildade. Consciência Profundidade, diligência, ética; saber enfrentar difi culdades com serenidade. Correr riscos Audácia, ousadia, atrevimento; ver adiante, ser empreendedor. Criatividade Originalidade natural, talento para gerar novas ideias e prazer em criar. Curiosidade Interesse na sociedade, nas pessoas, na criação, nas funções e formas etc.; estar sempre bem informado. Decisão Rapidez para tomar decisões; saber assumir reponsabilidades ou comandar outras pessoas. Efi ciência Planejamento do tempo e organização de informações e materiais; ser parcimonioso. Energia Resistência e saúde física, dedicação ao trabalho, disposição para trabalhar por longas horas. Espírito de equipe Saber dividir, gostar de trabalhar em grupo, reconhecer sua função no quadro geral. Firmeza Colocar seu ponto de vista claramente; defender suas convicções. Flexibilidade Capacidade de adaptar-se e encarar críticas alheias como algo útil; aceitar mudanças. Habilidades artísticas 2D e 3D Capacidade de visualizar, desenhar, pintar e criar peças com o uso de diferentes materiais. Habilidade escrita Capacidade de escrever relatórios, resenhas e análises. Habilidades de comunicação Delegar, explicar, escutar e negociar; falar em público. Habilidades organizacionais Planejamento, gerenciamento do tempo, coordenação; cumprir prazos e terminar tarefas. 31 LEITURA COMPLEMENTAR Ambição Firmevontade de alcançar seus objetivos práticos, conceituais e fi nanceiros. Habilidades práticas Podem ser aprendidas, mas devem ser adequadas para a tarefa; ter amplo raio de ação. Humor Ver sempre o lado engraçado das coisas (sem maldade); criar um bom clima de trabalho. Humildade Capacidade de pedir ajuda; admitir fraquezas e conhecer suas próprias limitações. Imaginação Pensamento abstrato e inspiração bem sintonizados com o que cada tarefa requer. Independência De pensamento, não de comportamento; capacidade de trabalhar sem supervisão ou como freelancer. Iniciativa Ir à luta; começar coisas e resolver problemas na prática – não só na teoria. Instinto Fazer com que o difícil pareça fácil; arrumar-se bem, ter estilo. Liderança Ter autoridade ou posição para dar conselhos ou representar os outros. Linguagem Ser articulado, tanto na linguagem escrita quanto na falada; ter boas maneiras ao telefone. Línguas Ter fl uência em outras línguas e vontade de viajar. Paixão pela moda Envolvimento; inspirar as pessoas com ideias e roupas. Paciência Ver as coisas no todo, tolerar tarefas repetitivas, suportar gente enfadonha. Percepção Estar sempre atento, ter habilidades intelectuais e gráfi cas, solucionar problemas. Perspicácia para negócios Saber calcular, identifi car oportunidades, perceber o custo-benefício; pensamento lógico. Pontualidade Ser pontual é algo valorizado. Riqueza de recursos Engenhosidade; pensar de maneiras diferentes, resolver problemas, fazer o melhor possível. Senso de cor Importante para desenvolver mostruários e linhas, estamparia, moda infantil e malharia. Talento Habilidade acima do comum, especialmente para desenhar, criar estilos ou negociar. Temperamento Amistoso, calmo, equilibrado. Versatilidade Capacidade de realizar diferentes tarefas; não se perturbar com os desafi os. Fonte: Jones (2011, p. 9). 32 atividades de estudo 1. (Enade Design 2006) Comprometida com a ino- vação, o Design é uma profissão que pode ser compreendida como introdução, no mercado, de novidades em produtos, processos ou sis- temas. A inovação refere-se à aplicação comer- cial pioneira de invenções, conhecimentos, téc- nicas e processos de produção. Os atributos e as atitudes considerados imprescindíveis a um designer em busca da inovação incluem: I. A inventividade, para procurar apresentar sempre soluções inéditas de novos mecanis- mos e sistemas em seus projetos. II. O conhecimento e a análise das soluções já existentes em produtos semelhantes. III. A procura por oportunidades de mercado, a fim de introduzir características inovadoras em seus projetos. Assinale a opção correta: a. Apenas um item está certo. b. Apenas os itens I e II estão certos. c. Apenas os itens I e III estão certos. d. Apenas os itens II e III estão certos. e. Todos os itens estão certos. 2. (Enade Design 2006) O ensino formal de nível su- perior em Design iniciou-se no Brasil na década de 60 do século passado, sob forte influência da Escola Superior de Forma (Hochschule für Ges- taltung) de Ulm (1953-1968). A atuação dessa es- cola alemã caracterizou-se, principalmente, por: I. Iniciar o movimento funcionalista em design, tendo criado o lema “a forma segue a função”. II. Realizar estudos na área de estética, tendo in- fluenciado o aparecimento do estilo aerodinâmi- co (streamline) nos Estados Unidos da América. III. Desenvolver um pensamento sistemático acerca de design, tendo fundamentado uma metodologia de projeto. Assinale a opção correta: a. Apenas um item está certo. b. Apenas os itens I e II estão certos. c. Apenas os itens I e III estão certos. d. Apenas os itens II e III estão certos. e. Todos os itens estão certos. 3. (Adaptado de Enade Design 2012) Com a Revo- lução Digital do final do século XX, o campo do Design sofreu grandes transformações, expan- dindo-se do ponto de vista tanto de suas áreas de atuação quanto de seus métodos e procedi- mentos projetuais. O fato de um novo produto, processo ou serviço acomodar os propósitos comerciais do mundo globalizado, com tecno- logias emergentes, bem como as implicações sociais e ambientais dele decorrentes torna- ram os problemas de design mais complexos e desafiadores. Considerando o contexto apresentado, avalie as afirmações a seguir: I. Aos formatos tradicionais e mais lineares pro- postos nos primórdios da metodologia proje- tual vêm sendo acrescidas novas abordagens. II. A metodologia projetual em design contem- pla, além de procedimentos genéricos, o em- prego de procedimentos de origem profissio- nal diferenciada e/ou correlata, o que reforça a natureza multidisciplinar do Design. III. Os novos estudos em metodologia projetual buscam estabelecer um método de design a ser seguido que simplifique e torne o proces- so mais dinâmico, de modo a proporcionar melhores resultados. É correto o que se afirma em a. I, apenas. b. III, apenas. 33 atividades de estudo c. I e II, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. 4. (Enade Design 2012) A aproximação entre desig- ners e artesãos é, sem dúvida, um fenômeno de extrema importância pelo impacto social e eco- nômico que gera e por seu significado cultural. Ela está mudando a feição do objeto artesanal brasileiro e ampliando o seu alcance. Nessa tro- ca, ambos os lados têm a ganhar. O designer pas- sa, no mínimo, a conhecer uma sabedoria empí- rica, popular, à qual não teria acesso por outras vias, além de ampliar seu mercado de trabalho. O artesão, por sua vez, tem, ao menos, a possi- bilidade de interlocução sobre a sua prática e de refletir sobre ela (BORGES, 2011, p. 137). A partir do aprendizado oriundo da aproxima- ção entre designers e artesãos, conforme citado no texto, espera-se que os designers atuem na: I. Alteração da forma e da cor dos objetos que os artesãos desenvolvem. II. Industrialização dos processos de fabricação. III. Combinação de processos e materiais já utili- zados. IV. Intermediação entre as comunidades e o mer- cado consumidor. V. Adequação de matéria-prima e racionalização de mão de obra. É correto apenas o que se afirma em: a. II. b. I e II. c. I e IV. d. III e V. e. III, IV e V. 5. (Enade Tecnologia em Design gráfico 2015) É possível identificar várias funções e responsabi- lidades atribuídas ao design. Uma de suas fun- ções básicas é tornar os produtos comunicáveis em relação às funções simbólicas e ao seu uso. Para alguns autores, o design é a arte mais vi- vaz e mais popular do presente, um fenômeno de cultura de massas e, por isso, participa de modo decisivo na constituição de juízos de gos- to generalizados, por ser capaz de despertar nos consumidores, através de signos e símbo- los de sua cultura, emoções e sentimentos. A partir das informações do texto, avalie as afir- mações a seguir: I. O design gráfico é uma atividade humana que sofre indiretamente influências da sociedade. II. O design gráfico é, também, uma atividade integrativa que, em sentido amplo, possui, si- multaneamente, uma dimensão semântica e uma dimensão técnica e operativa. III. O design gráfico desempenha um papel fun- damental no marketing, porque a diferencia- ção visual é percebida pelo consumidor final, influenciando seu comportamento cognitivo e emocional. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. I e III, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. O que é Design Gráfico? Quentin Newark Editora: Bookman Sinopse: Dividido em três partes - Questões, Anatomia e Portfólios - este livro discute to- dos os aspectos relevantes do design gráfico. A evolução do design ao longo dos séculos, o dilema do artista versus o designer gráfico, os elementos que compõem a disciplina - como tipografia, imagem e texto - são aspectos abordados nesta obra, ideal para iniciantes na área. O Que é Design Gráfico? é totalmente colorido e ilustrado com exemplos de projetos contem- porâneos de agências e profissionais conceituados. O que é Design de Interiores? Graeme Brooker; SallyStone Editora: Senac São Paulo Sinopse: O design de interiores pode ser definido como a arte de planejar e arranjar ambien- tes segundo padrões de funcionalidade e estética. Porém a pergunta que dá nome à obra, O que é design de interiores?, é respondida ao longo deste manual completo sobre a profissão. No primeiro momento, a história do design de interiores como campo profissional é aborda- da com teorias intrínsecas à prática e às questões contemporâneas relativas ao ofício, como restauração, conservação e sustentabilidade. O designer de interiores pode projetar resi- dências, salas comerciais, lojas ou espaços em locais públicos, usando estratégias e táticas próprias da profissão, e trabalha com itens relativos ao mobiliário, à iluminação, aos objetos, às superfícies e aos revestimentos, assuntos amplamente explorados neste livro. E, para ilus- trar toda a teoria, o livro traz ‘Portfólios’ contendo projetos dos designers mais aclamados mundialmente e uma gama de trabalhos desenvolvida por empresas de design de interiores de todos os tamanhos e áreas de atuação, acompanhada de belas fotografias. O que é Design de Moda? Gurmit Matharu Editora: Bookman Sinopse: Dividido em três partes, O que é Design de Moda? examina os aspectos fundamen- tais da indústria da moda. Começando com um apanhado histórico, “Questões” discute a transformação da moda em um dos maiores negócios do mundo e analisa sua relação com a mídia e a cultura das celebridades. Também, aborda questões éticas, como o uso de peles e o impacto ambiental e humano do movimento fast fashion. “Anatomia” examina os diferen- tes setores da indústria e os eventos mais importantes do calendário da moda. Em seguida, decompõe todo o processo de design, do esboço inicial ao lançamento da coleção, e dá dicas práticas para quem busca uma carreira na moda. “Portfólios” apresenta o perfil de alguns dos maiores designers de moda do mundo, demonstrando a diversidade dentro da indústria por meio da análise de trabalhos e de belas fotografias de coleções. 35 referências ASSOCIAÇÃO de Designers Gráficos. ABC da ADG: glossário de termos e verbetes utili- zados em Design Gráfico. São Paulo: ADG, 2000. BORGES, A. Design + artesanato: o caminho brasileiro. São Paulo: Terceiro Nome, 2011. BROOKE, G.; STONE, S. O que é design de interiores? São Paulo: Senac, 2014. CARDOSO, R. Uma introdução à história do design. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. CARPES JR., W. P. Introdução ao projeto de produtos. Porto Alegre: Bookman, 2014. COELHO, L. A. L. (org.). Conceitos-chave em design. Rio de Janeiro: Editora Novas Idéias, 2008. COUNCIL For Interior Design Qualification. Definition of Interior Design. 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Clauciane Pereira Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Ponto, linha e plano • Forma e espaço • Direção • Movimento • Volume e dimensão • Escala e proporção • Textura e padronagem • Luz e cor • Silhueta Objetivos de Aprendizagem • Conhecer os elementos do design. • Aprender a utilizar os elementos do design. • Entender a importância desses elementos para o design. ELEMENTOS DO DESIGN II unidade INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à segunda unidade do nosso material didático, na qual você conhecerá os elementos do design. Eles constituem a matéria-prima de todo projeto, composição ou produto de design. Sempre que esboçamos ou desenhamos e, principalmente, quan- do projetamos alguma coisa, criamos a partir de uma relação básica de elementos, reunimos um conjunto deles para formar o todo ou a essência daquilo que vemos. É como quando cozinhamos, selecionamos, dosamos e misturamos alguns ingredientes. A partir do momento que pudermos estabelecer qual produto deve surgir dessa mistura, temos em mente um objeti- vo; para alcançá-lo, optamos por alguns ingredientes ao mesmo tempo em que descartamos outros, ponderamos a respeito de quais sabores se complementam ou sobre qual deles deve predominar, adicionamos esses componentes seguindo uma lógica, de modo que possamos assegurar que o resultado idealizado seja de fato alcançado. Enquanto os ingredientes de um bolo, por exemplo, podem ser a fari- nha, o leite, os ovos, o óleo, a baunilha, o chocolate em pó e o fermento, os elementos de qualquer produto de design são o ponto, a linha e o plano; a forma e o espaço; a direção; o movimento; o volume e a dimensão; a escala e a proporção; a texturae a padronagem, a luz e a cor e, por fim, a silhueta. Do mesmo modo como podemos transformar um conjunto de ingre- dientes em um bolo, podemos também transformar um conjunto de ele- mentos visuais e gráficos em um produto de design. Parafraseando Dondis (1997), e para finalizar esta introdução, é imprescindível frisar que a esco- lha dos elementos que serão enfatizados e o modo como serão manipula- dos, tendo em vista o efeito pretendido, está nas mãos do designer. Suas escolhas e decisões são a sua arte e ofício – e as opções incontáveis. Para analisar e compreender a estrutura de uma composição, é essen- cial que conheçamos os elementos de design e suas qualidades específi- cas individualmente, é o que lhe proponho agora. Boa leitura! TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 42 Ponto, Linha & Plano O ponto é uma superfície material visível ao olho humano, a menor unidade gráfica, um elemento vi- sual que não tem comprimento ou largura, não ocu- pa nenhuma área ou espaço. Ele corresponde a um par de coordenadas x e y, portanto, indica uma posi- ção no espaço. Assim, graficamente, um ponto toma forma como um sinal, uma marca visível. Para Dondis (1998, p. 53), “qualquer ponto tem grande poder de atração visual sobre o olho, exista ele naturalmente ou tenha sido colocado pelo ho- mem em resposta a um objetivo qualquer”. Ele é um elemento visual simples e muito peque- no que não pode ser decomposto em outras unida- des, em contrapartida uma massa de pontos torna- -se textura, forma ou plano. Em grande número e justapostos, criam a ilusão de tom ou de cor, o que caracteriza um dos fundamentos dos processos de impressão, como offset e rotogravura. Dois pontos são um instrumento de medição do espaço no meio ambiente, são o início e o fim de uma linha. O ponto está onde duas linhas se encon- tram ou se cruzam, assim como uma série de pontos forma uma linha. Dondis (1998, p. 55) acredita que “a capacidade única que uma série de pontos tem em conduzir o olhar é intensificada pela maior proximidade dos pontos”, sendo que quando os pontos estão suficien- temente próximos uns dos outros e sua identifica- ção individualizada se torna impossível, o conjunto de pontos converte-se em outro elemento visual: a linha. DESIGN 43 A linha também pode ser definida como um ponto em movimento ou a trajetória de um ponto em mo- vimento. Geometricamente, assim como o ponto, não tem largura, mas ao contrário do ponto, tem compri- mento, assim como posição e direção. Ela “raramente existe na natureza, mas aparece no meio ambiente: na rachadura de uma calçada, nos fios telefônicos contra o céu, nos ramos secos de uma árvore no inverno, nos cabos de uma ponte” (DONDIS, 1998, p. 57). Para Lupton e Phillips (2008), graficamente, as linhas existem em muitos pesos; espessura, textura e trajeto determinam sua presença visual. Ela pode ser reta ou curva, contínua ou tracejada; de qualquer for- ma, é um elemento essencial ao desenho. Onde quer que a linha seja utilizada, é um meio indispensável para apresentar o que ainda não pode ser visto, por existir apenas no campo das ideias ou na imaginação. As linhas curvas são associadas as formas do corpo de uma mulher, por esse motivo, são suaves e femininas, ao passo que a utilização predominante de linhas retas proporciona um caráter masculino à com- posição. Linhas retas e verticais geram a sensação de amplitude vertical e formalidade, em contrapartida, as linhas retas e horizontais geram ampliação da largu- ra ou comprimento e menos formalidade. Já as linhas diagonais sugerem movimento e as linhas quebradas (composta por diferentes tipos de retas) podem gerar inquietação por conta da sua construção descontinua- da. Para Jones (2011, p. 169), temos diferentes reações emocionais e psicoló- gicas frente à variedade de linhas usadas numa composição de design. Uma linha pode ser dura ou suave, implicando rigidez ou flexibi- lidade. Ela pode se mover em várias direções, levando o observador a olhar para frente, para cima, para baixo ou ao redor da peça; pode en- fatizar ou disfarçar outros traços; pode criar a ilusão de amplidão ou estreiteza. Enquanto a trajetória de um ponto em movimento se transforma em uma linha, a trajetória de uma li- nha em movimento se torna um plano. A linha tem comprimento e espessura, mas não tem largura, já o plano é uma superfície lisa, que, por definição, tem comprimento e largura, embora, no espaço, o plano não possa ser representado sem espessura. Para Lupton e Phillips (2008, p. 18), “um plano pode ser paralelo à superfície da imagem ou inclinar- -se e recuar no espaço. Tetos, paredes, pisos e janelas são planos físicos”. Leborg (2015, p. 12) defende que uma “superfície é definida por duas linhas que não coincidem ou por um mínimo de três pontos que não estão localizados em uma linha. Se as duas linhas têm um ponto em comum, a superfície será um plano”. “O ponto geométrico é algo invisível. Sendo assim, precisa ser definido como algo incor- pório. Em termo de substância, é igual a zero”. Fonte: Kandinsky (apud LEBORG, 2015, p. 10). SAIBA MAIS TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 44 Forma & Espaço Forma (do lat. forma) 1. no uso comum, a parte externa de alguma coisa; 2. concreto, um círcu- lo, uma forma quadrada etc.; plástico, que possui volume; 4. falando de forma fi gurativa, a aparên- cia geral de uma obra de arte enquanto objeto visível, desconsiderando seu conteúdo (BRODY- -JOHANSEN, 2000 apud LEBORG, 2015, p. 27). Uma superfície pode ter diversas formas que são defi nidas por seus contornos retos ou curvos. Para Dondis (1998, p. 57), “na linguagem das artes visu- ais, a linha articula a complexidade da forma”. O círculo, o quadrado e o triângulo equilátero são considerados as três formas básicas. Cada uma delas tem propriedades e signifi cados específi cos, a mesma autora defi ne o círculo como uma forma sem interrupção e curva, cujo contorno é equidis- tante de seu ponto central e associado à infi nitude, calor e proteção; o quadrado é uma fi gura de qua- tro lados de mesmo comprimento e quatro ângulos retos iguais, relacionado à honestidade, retidão e esmero; o triângulo equilátero tem três lados e ân- gulos idênticos, referido à ação, confl ito e tensão. Combinadas em diferentes variações, essas três formas dão origem a todas as formas da natureza e da imaginação humana. Assim como as três formas bá- sicas, todas as formas são fi guras planas e simples, fa- cilmente descritas e construídas, visual e verbalmente. De acordo com Wong (1998), formas de qual- quer tamanho, desde as pequenas até as grandes, ocupam espaço. Ele pode, então, ser ocupado ou deixado vazio, como pode ser positivo ou negativo, plano ou ilusório (sugerindo profundidade). A forma pode ser vista ocupando um espaço, for- ma positiva; mas também como um vazio circundado por espaço ocupado, forma negativa. Como podemos observar na ilustração do fundo, o círculo na metade superior (Yin) é um exemplo de forma positiva, a for- ma circular preta ocupa o espaço branco; já o círculo na metade inferior (Yang) é uma forma negativa, a forma circular branca é circundada pelo espaço preto. Para o design, o espaço pode se confi gurar de di- ferentes maneiras, mas invariavelmente é ele quem vai receber os elementos compositivos, é, portanto, o ponto de partida da criação. A tela em branco do pintor, para o designer, é o espaço que existe entre as paredes, o teto e o piso; o papel; o tecido; a tela de um computador, tablet ou smartphone, dentre outros. “A forma de um objeto não é mais importante que a forma do espaço em torno dele. Todas as coisas resultam da interação com outras coisas. Em música, os intervalos entre as notas são menos importantes que as próprias notas?”. Fonte: Grear (apud LUPTON; PHILLIPS, 2008, p. 85). REFLITA DESIGN 45 Direção Para Dondis (1998), as formas básicas representam três direções visuais fundamentais e significativas: o quadrado,a horizontal e a vertical; o triângulo, a diagonal; o círculo, a curva. Cada uma das direções visuais tem um forte significado associativo e é um valioso instrumento para a composição. As forças direcionais horizontal e vertical são a referência primária do homem, sua significação tem a ver essencialmente com a estabilidade em todas as questões visuais. O equilíbrio não é uma necessidade que diz respeito unicamente ao ser humano, ele tam- bém é requerido em tudo aquilo que é construído e desenhado. A força direcional diagonal se opõe à estabilidade das direções horizontal e vertical. Ela é a força di- recional mais instável, provocadora e perturbadora das formulações visuais. Por último, as forças dire- cionais curvas são associadas à abrangência, repeti- ção e calor. Dondis (1998, p. 60) afirma que “todas as forças direcionais são de grande importância para a intenção compositiva voltada para um efeito e um significado definidos”. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 46 Movimento Os artistas sempre buscaram representar o movi- mento dos corpos e a passagem do tempo no es- paço estático e bidimensional. Numa composição visual, ele não é nada além de uma representação. O movimento de fato existe apenas no mundo real. Para Lupton e Phillips (2008, p. 215), “o movimento é um tipo de mudança” e como tal pode ser suben- tendido ou literal. Qualquer imagem estática possui um movimen- to implícito. O movimento numa composição só existe por causa dos elementos compositivos empre- gados e pelo modo como foram aplicados. Cortar uma forma pode propor movimento, assim como uma linha sinuosa ou uma forma pontuda e trian- gular e composições diagonais sugerem movimento, em contrapartida, as configurações retilíneas pare- cem estáticas. “Todo desenho pode ser entendido como um estudo do movimento, já que é o caminho do movimento registrado por meios gráficos” Fonte: Moholy-Nagy (apud LUPTON; PHILLIPS, 2008, p. 85). REFLITA DESIGN 47 Volume & Dimensão Se o ponto em movimento forma uma linha e a li- nha em movimento gera o plano, o caminho de um plano em movimento cria o volume. O volume pode ser físico, ou seja, algo real e sólido como um edi- fício, mas também pode ser criado sobre uma su- perfície plana, como numa pintura ou desenho, por meio da perspectiva linear ou pelo emprego da luz e sombra. De acordo com Leborg (2015, p. 13), “o volu- me é um espaço vazio definido por pontos, linhas e planos”, “que se expressa por projeções nas três di- mensões do espaço”, conforme complementa Gomes Filho (2004, p. 45). Tudo o que nos rodeia, assim como nós, tem altura, largura e profundidade, ou três dimensões. Para Dondis (1998, p. 78), a dimensão real é o elemento dominante no de- sign, na escultura e na arquitetura, e em qual- quer material visual em que se lida com o volu- me total e real. Esse é um problema de enorme complexidade, e requer capacidade de pré-vi- sualizar e planejar em tamanho natural. Esse planejamento exige um conjunto de etapas se- quenciado, ao longo do qual se possa refletir e en- contrar as soluções possíveis. O esboço, geralmente em perspectiva, flexível e descompromissado, é a etapa inicial seguida da elaboração de uma maque- te, protótipo ou peça piloto. Na atualidade, as ma- quetes virtuais são utilizadas como uma ferramenta de baixo custo (se comparados os valores entre as maquetes virtuais e físicas) que permitem materia- lizar o resultado final de uma determinada forma. Por último, os desenhos de produção são técnicos, ricos em detalhes, precisão e fundamentais para a execução de uma solução. Em seu livro “Planolândia”, Edwin Abbott Abbott conta a história de um quadrado que vive em um mundo bidimensional junto com sua família de figuras geométricas. Até que um dia aparece uma esfera tridimensional. Quando o quadrado conta ao padre que en- controu alguém de outra dimensão, é preso por blasfêmia. Fonte: Leborg (2015, p. 15). SAIBA MAIS TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 48 Escala & Proporção Lupton e Phillips (2008, p. 41) nos perguntam: O que os designers chamam de escala? A esca- la pode ser considerada tanto objetiva quanto subjetivamente. Em termos objetivos, ela se re- fere às dimensões exatas de um objeto ou à cor- relação exata entre uma representação e a coisa real que ela representa. Todos os elementos visuais podem ser modificados ou redefinidos, o processo de alteração constitui o que chamamos de escala. O grande não existe sem o pequeno, mas mesmo quando o grande se estabelece por meio do pequeno, toda a escala pode ser alterada pela existência de outra modificação. Em outras palavras, a escala depende do contexto. Dondis (1998, p. 75) acredita que “o controle da es- cala pode fazer uma sala grande parecer pequena e aconchegante, e uma sala pequena, aberta e arejada. Esse efeito se estende a toda manipulação do espaço, por mais ilusório que possa ser.” A mesma autora também defende que a medida é parte integrante da escala, porém mais importante do que a medida é a justaposição: o que é coloca- do ao lado do objeto e em que cenário ele se inse- re? Para que a escala seja estabelecida, a medida do próprio homem é um fator relevante e fundamental. Nas questões de design, tudo o que se cria e se fabri- ca está associado às proporções humanas. Um ótimo exemplo para o entendimento do conceito de escala são as esculturas do artista con- temporâneo australiano Ron Mueck. Sua exposição, denominada “Still Life” (Natureza morta), fez su- cesso por todos os lugares por onde passou: Japão, Austrália, Nova Zelândia, México, França e Argen- tina. No Brasil, tivemos a oportunidade de recebê-la entre março de 2014 e fevereiro de 2015, primeiro no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e, em seguida, em São Paulo, na Pinacoteca. A arte de Mueck é conhecida pela meticulosi- dade de detalhes das formas humanas. O que dife- rencia os personagens de pessoas reais é o tamanho. Mueck explora surpreendentes mudanças de escala, algumas obras são miniaturas enquanto outras fo- ram criadas em grandes proporções. A maior das esculturas apresentada no Brasil é intitulada “Couple Under a Umbrella” (Casal sob um guarda-sol) que encena um casal de idosos com rou- pa de banho um apoio ao outro sob um guarda-sol. A escultura possui 3 metros e foi produzida espe- cialmente para as mostras na América Latina. DESIGN 49 Figura 1: “Couple Under a Umbrella” (Casal sob um guarda-sol) de Ron Mueck Fonte: Nagy (2013, online). A utilização da escala e proporção nas esculturas de Mueck fica evidente quando uma de suas obras é vista ao lado de uma pessoa, justamente porque a escala representa o tamanho real de um objeto em relação a um padrão reconhecido, enquanto a proporção é a forma como relacionamos visualmente todas as par- tes individuais de um todo. Podemos criar ilusões so- bre a forma mudando as proporções entre as partes de uma composição. Existem fórmulas de proporção nas quais a escala pode basear-se, a mais conhecida é a seção áurea, ela foi utilizada pelos gregos para a concepção da maioria das construções da civilização grega. Para obter uma seção áurea, é preciso: desenhar um quadrado, divi- di-lo ao meio (na vertical), traçar a diagonal de uma de suas metades e utilizá-la como raio para desenhar uma circunferência a partir do ponto médio do qua- drado; para finalizar, o topo e a base do quadrado de- vem ser prolongados, de tal modo que ele se converta num retângulo áureo. Figura 2: Retângulo áureo Fonte: adaptado de Dondis (1997, p. 74). TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 50 A sequência de Fibonacci, método desenvolvido pelo filósofo italiano, professor e teórico da ma- temática Leonardo Pisaro (mais conhecido como Fibonacci), alcançava resultados semelhantes aos da seção áurea. Além deles, existem muitos outros sistemas de escala, a versão contemporânea mais empregada é o Modulor, desenvolvido pelo arqui- teto moderno Le Corbusier. O sistema baseia-se naseção áurea e na sequência de Fibonacci, mas foi adaptado ao corpo humano. Figura 3: O modulor de Le Corbusier Fonte: Le modulor (1945, online). De acordo com Dondis (1998, p. 75), a unidade modu- lar do sistema de Corbusier é o tamanho do homem, e a partir dessa proporção ele estabelece uma altu- ra média de teto, uma porta média, uma abertura média de janela, etc. Tudo se transforma em uni- dade e é passível de repetição. Por mais estranho que pareça, o sistema unificado da produção em série incorpora esses efeitos, e as soluções criati- vas do design com frequência se veem limitadas pelos elementos de que se dispõem para trabalhar. Embora sejam ferramentas bastante úteis, a apli- cação dessas fórmulas não é uma regra, antes de qualquer coisa é fundamental que o designer seja capaz de perceber que, mantida a razão entre escala e proporção, as dimensões horizontal e vertical de um objeto serão escalonadas de modo que a forma resultante não seja uma distorção do original. DESIGN 51 Textura & Padronagem A natureza nos apresenta uma infinidade de textu- ras: areia, couro, palha, madeira, cipó, juta, pedra, folha, concha, dentre tantas outras. Cada um desses materiais tem texturas diferentes, ou seja, tem su- perfícies com propriedades específicas que podem ser suaves ou ásperas, lisas ou decoradas, foscas ou polidas, macias ou duras. Além disso, o acabamento dado a alguns deles, como a madeira ou a pedra, por exemplo, podem ainda resultar em efeitos diferen- ciados de texturas. Lupton e Phillips (2008) afirmam que as texturas po- dem ser concretas ou virtuais; Dondis (1997) e Wong (1998) alegam que podem ser visuais ou táteis, ou seja, as texturas incluem tanto as características físicas de uma superfície quanto a aparência ótica dessa super- fície. Para Lupton e Phillips (2008, p. 53), “texturas palpáveis afetam a maneira como uma peça é sentida pelas mãos, mas também afetam sua aparência. Uma superfície lisa ou brilhante, por exemplo, reflete a luz de modo diferente de uma outra, porosa e fosca”. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 52 Podemos reconhecer uma textura através da vi- são, do tato ou ainda por meio da combinação de ambos. Onde há uma textura real, de acordo com Dondis (1997), as qualidades óticas e táteis coexis- tem. Wong (1998) acredita que as texturas visuais são estritamente bidimensionais, são texturas perce- bidas pela visão, mas que fazem lembrar sensações táteis. Em contrapartida, as texturas táteis, não ape- nas são visíveis como podem ser sentidas. De modo geral, texturas táteis existem em todos os tipos de superfícies, porque podem ser sentidas. Isso significa que mesmo os tecidos, por mais pla- nos que sejam, assim como folhas de papel, por mais lisas que sejam, têm propriedades específicas de su- perfície que podem ser percebidas pelo tato. Sinta a diferença entre as texturas das folhas do seu livro. Compare o toque do papel utilizado na capa e do papel utilizado no miolo, perceba como a capa tem uma textura mais delicada e acetinada se comparada as demais folhas. Para Lupton e Phillips (2008, p. 53), a beleza da textura no design encontra-se, com frequência, na pregnância de sua justaposição ou contraste: espinhosa|lisa, pegajosa|seca, ru- gosa|macia e etc. Colocando uma textura em relação a outra, oposta ou complementar, o de- signer pode amplificar as propriedades formais únicas de cada uma delas. [...] texturas têm uma capacidade genuína, visceral e absolutamente sedutora de nos atrair e nos capturar. Além de emprestar as diferentes texturas encon- tradas na natureza, os designers podem criar suas próprias texturas que, nesse caso, são também cha- madas padronagens, justamente porque são criadas a partir de um padrão de repetição. Embora tenha sido desdenhada pelos designers do século XX, que eram absolutamente a favor da simplicidade e contra a ornamentação, atualmente, a padronagem desper- ta discussões frequentes. Lupton e Phillips (2008) acreditam que o retor- no do ornamento e, consequentemente, dos padrões de repetição, tem relação com a volta do artesanato na arquitetura, nos interiores e produtos. Assim, no século XIX, o modo como as padronagens são cria- das passam a ser analisadas, o que gera uma con- clusão a respeito da maneira como quase todas elas nascem, a partir de elementos isolados ou pontos; de elementos lineares ou faixas; ou da interação de ambos ou grids. Independentemente de quais elementos foram utilizados para a composição de uma padronagem e se houve a interação entre eles ou não, ela é sempre resultado de uma repetição capaz de nos acalmar, agradar ou surpreender e, portanto, podem ajudar o designer a expressar uma infinidade de ideias. Para Gomes Filho (2004, p. 36), “um objeto com alta pregnância é um objeto que apresen- ta um máximo de equilíbrio, clareza e unifica- ção visual, e um mínimo de complicação visual na organização de seus elementos ou uni- dades compositivas”. Assim, quanto melhor for a organização visual da forma do objeto, em termos de facilidade de compreensão e rapidez de leitura ou interpretação, mais alto será seu nível de pregnância. Fonte: a autora. “O segredo do sucesso de todo ornamento é a produção de um efeito amplo e generalizado, pela repetição de poucos elementos simples”. Fonte: Owen (apud LUPTON; PHILLIPS, 2008, p. 186). SAIBA MAIS DESIGN 53 Luz & Cor Dur ante a noite, feche a janela, a cortina e a por- ta do seu quarto e apague todas as luzes (mesmo os leds do celular, do computador, da televisão ou do ar condicionado) e me responda: o que você é capaz de enxergar? A escuridão, a ausência da luz ou, em outras palavras, você não é capaz de enxergar ab- solutamente nada nessas condições, mas basta que o dia amanheça ou que um único interruptor seja acionado e fez-se a luz! Então, podemos voltar a ver. Segundo Dondis (1997, p. 61), “as variações de luz ou de tom são os meios pelos quais distinguimos oticamente a complexidade da informação visual do ambiente”. Ver é, então, uma prerrogativa assegurada pela presença da luz; caso não haja luz; não seremos capazes de distinguir a forma, o espaço, a direção, o movimento, o volume, a escala, a textura ou a cor. Hoje, sabemos que existe a luz que vemos e as que não vemos. A luz que vemos chama-se, apropriada- mente, luz visível. Há, além dessa, luzes invisíveis, como a luz gama, ultravioleta, infravermelha e a luz de micro-ondas, dentre outras. Em 1864, de acordo com Fraser e Banks (2007), o físico escocês James Clerk Maxwell sugeriu que a luz visível é de natureza eletromagnética e que se propaga em ondas, da fonte ao receptor. Já na retina do receptor, a ação da luz visível desencadeia o me- TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 54 canismo da visão e provoca a sensação visual da cor, que, por sua vez, está relacionada ao comprimento de onda da radiação eletromagnética. Ondas lumi- nosas com comprimentos de onda diferentes provo- cam sensações visuais de cores diferentes. No início do século XIX, o físico inglês Thomas Young alegou que os olhos contêm três diferentes tipos de receptores constituídos de partículas (que, hoje, sabemos que são os cones) que oscilam quan- do estimulados por comprimentos de ondas espe- cíficos. Sua teoria, denominada teoria tricromática (posteriormente desenvolvida pelo cientista alemão Hermann von Helmholtz), identificou três compri- mentos de onda, ou três cores: o vermelho, o verde e o azul-violeta. Todas as cores que o olho humano é capaz de identificar seriam, então, criadas pelas combinações dessas três cores básicas. Ainda segundo Fraser e Banks (2007), a com- binação das três cores primárias da luz (capaz de recriar todo o espectro), é chamada, hoje, de mis- tura aditiva (ou modelo RGB). Misturadas as mes- mas quantidades de cada uma das cores primárias , obtém-se a luz branca e, quando misturadas duas a duas, formam-se as cores secundárias da síntese adi- tiva, assim: vermelho + verde= amarelo; vermelho + azul-violeta = magenta; verde + azul-violeta = ciano. Você pode ver o resultado da mistura das cores adi- tivas nas telas da sua televisão, computador, tablet, smartphone ou no cinema, por exemplo. Mas se, ao invés de apreciar um bom filme na tela do cinema, sua intenção for a de ler um bom livro, repleto de ilustrações e imagens coloridas, teremos de repensar o modo como as cores serão percebidas. Nesse caso, não estaríamos olhando a luz emitida por uma fonte luminosa, mas para a luz refletida por uma superfície e, quando a luz incide numa superfície pigmentada, alguns comprimentos de onda são absorvidos e outros refletidos, estes (os refletidos) determinam a cor que vemos. Imagine-se tentando colorir seu retrato, é im- possível esticar o braço e alcançar na luz um pou- co de verde para colorir seus olhos, ou um tanto de azul-violeta para preencher a roupa que está vestin- do. Nesse caso, você teria de usar tintas, lápis de cor, canetinhas, em outras palavras, você teria de utilizar pigmentos. Com certeza, em algum momento da sua vida, você já misturou algumas tintas ansioso para descobrir qual resultado alcançaria daquela mistura, e hoje sabe que se misturar azul com amarelo, por exemplo, o que você alcançará será o verde. Assim como a mistura aditiva nos permite perce- ber a cor por meio da ação da luz e seus diferentes com- primentos de onda, há uma segunda mistura, a subtra- tiva (ou modelo CMY), que associa a ação da luz a dos pigmentos, o modo como esses pigmentos reagem à luz é que nos permite perceber um conjunto de diferentes cores. Da mesma maneira, como a mistura aditiva é composta por três cores primárias (vermelho, verde e azul-violeta) e essas três cores quando misturadas com- põem novas cores, a mistura subtrativa também tem seu trio de primárias (ciano, magenta e amarelo) que, igualmente, quando somadas, criam novas cores. A partir de agora, preste atenção a todos os mate- riais impressos a que você tem acesso: livros, jornais, revistas, folders, as páginas que você imprime na sua impressora etc., neles; você pode ver o resultado da mis- tura das cores subtrativas. Somadas as mesmas quan- tidades das três cores pigmento primárias, obtêm-se o preto e, quando somadas duas a duas, formam-se as cores pigmento secundárias: ciano + magenta = azul- -violeta; ciano + amarelo = verde; e magenta + amarelo = vermelho. Se você estiver atento, já notou que existe aqui uma espécie de coincidência fundamental para que possamos entender o processo de percepção das cores. DESIGN 55 Enquanto um monitor emite luz, permitindo a mistura aditiva de frequências de vermelho, verde e azul-violeta, imprimir uma arte nos leva de volta ao reino dos pigmentos e das misturas subtrativas da luz refletida. Portanto, as cores primárias são ciano, magenta e amarelo. [...] A impressão colorida baseada em tintas destas matizes é chamada de “processo” ou “CMYK”. A quarta tinta é o preto (em inglês, black). [...] O progresso na fabricação de pigmentos resultou em tintas otimizadas para os melhores resul- tados possíveis. Mesmo assim, pelo menos um problema é inerente à mistura subtrativa, como gerar o preto: sobrepor 100% de todas as cores primárias nunca resulta em um preto absolutamente puro e sólido, por esse motivo o preto foi acrescentado como quarta cor nos processos de impressão. Fonte: Fraser e Banks (2007, p. 174). SAIBA MAIS Caso não tenha notado, as primárias aditivas – verme- lho, verde e azul-violeta – quando somadas, resultam nas secundárias aditivas – ciano, magenta e amarelo. Já as primárias subtrativas – ciano, magenta e amare- lo – quando somadas, resultam nas secundárias sub- trativas – vermelho, verde e azul-violeta. Ou seja, as primárias aditivas correspondem às secundárias sub- trativas (vermelho, verde e azul-violeta), enquanto as primárias subtrativas correspondem às secundárias aditivas (ciano, magenta e amarelo). Mas como é que isso interfere na maneira como percebemos as cores? De acordo com Baer (2004), se a superfície de um objeto reflete todas as radiações luminosas que a atin- ge, enxergamos o branco. Na hipótese dessa superfície absorver todos os comprimentos de onda da luz bran- ca e, portanto, não refletir nenhuma, pode-se afirmar que o objeto em questão é preto (por isso, todos os corpos são pretos a noite). No caso de a superfície ter a propriedade de absorver parte dos comprimentos de onda, essa superfície refletirá um único comprimento, ou a somatória dos que não foram retidos. Enquanto lê, imagino que esteja fazendo anota- ções no seu caderno com uma caneta esferográfica azul. Olhe para a tampa da sua caneta e me responda por que você a enxerga dessa cor? Como já vimos, por causa da ação da luz e da reação dos pigmen- tos aplicados a tampa. Acompanhe meu raciocínio: quando a luz branca (que é composta pelos compri- mentos de onda vermelho, verde e azul-violeta) in- cide sobre a tampa da sua caneta azul, ela absorve os comprimentos de onda vermelha e verde e reflete apenas o comprimento de onda azul-violeta que esti- mula nossos receptores sensíveis a esse comprimento de onda e, assim, temos a sensação visual da cor azul. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 56 Talvez você esteja estudando sentado(a) numa ca- deira amarela, se não for o caso, procure por algum objeto amarelo e reflita comigo: quando a luz branca incide sobre o objeto amarelo, ele absorve o compri- mento de onda azul-violeta e reflete os comprimen- tos de onda vermelho e verde, que, somados, resul- tam no comprimento de onda secundário amarelo, o estímulo conjunto aos nossos receptores sensíveis aos comprimentos de onda vermelha e verde e, en- tão, produzem a sensação visual do amarelo. Por esse motivo, aqueles indivíduos portadores do dal- tonismo não conseguem perceber as cores da mes- ma maneira que os indivíduos que não têm nenhu- ma deficiência em seus receptores. DESIGN 57 De acord o com Lupton e Phillips (2008, p. 71), a cor ex iste, literalmente, no olho do observador, pois só podemos percebê-la quando a luz é refl etida por um objeto ou emitida por uma fonte. Nossa percepção da cor depende não apenas da pigmentação das superfícies em si como também da intensidade e do tipo da luz do ambien- te. Mais que isso: percebemos uma determinada cor em função das outras em torno dela. Por exemplo, um tom claro parece mais claro contra um fundo escuro do que contra um pálido. Em 166 5, Isaac Newton organizou as cores em tor- no de um disco para descrever a relação entre elas, tornando-o uma ferramenta padrão para o ensino de arte e design e o ponto de partida para compor com as cores. O círculo cromático nos apresenta as cores primárias (vermelho, amarelo e azul) como os matizes puros, que não resultam da mistura de ou- tros matizes e a partir dos quais todas as outras cores são criadas. Já as cores secundárias, (laranja, viole- ta e verde) são aquelas que provêm da mistura de suas cores primárias; enquanto as terciárias (como o vermelho-alaranjado ou o verde-amarelado, dentre tantas outras) resultam da mistura de uma cor pri- mária com uma secundária. De acordo com Gibbs (2015), em um dos lados do círculo estão as cores quentes, que vão do vermelho ao amarelo, incluindo o laranja, conhecidas como co- res progressivas, pois parecem aproximar-se do ob- servador. Enquanto do outro lado estão as cores frias, que incluem os tons de verde, azul e violeta e que, ao contrário das cores quentes, são consideradas recessi- vas, pois parecem afastar-se do observador. Por meio do círculo cromático também pode- mos estabelecer relações denominadas esquemas cromáticos – a começar pelo esquema complemen- tar. As cores complementares são aquelas localiza- das em lados opostos do círculo cromático, como vermelho e verde, azul e laranja e amarelo e violeta. Essas duplas de cores constroem composições de temperaturas opostas e contrastantes, já que uma cor não tem nenhum elementoda outra. Ao contrár io das complementares que estão distantes no círculo cromático, as análogas são cores vizinhas, que se encontram lado a lado no círculo. Assim, um esquema análogo constrói composições de temperatura de cor equivalente, diferenças cromáticas mínimas e, portanto, har- monia natural. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 58 O esquema t riádico é baseado em três cores equidis- tantes no círculo cromático, assim, podemos com- por um trio de primárias (de cores muito vivas e até “berrantes”), de secundárias ou, ainda, de terciárias. Já a separação complementar, que também é um es- quema de três cores, é mais sofi sticada, compreende a seleção de uma cor e, a partir dela, mais duas cores que cercam seu complemento. Um esquema c omplementar duplo usa dois pares diferentes de complementares. Embora seja um es- quema fl exível, que permite a utilização de duplas posicionadas em qualquer ângulo no círculo cromá- tico, o mais comum é que estejam próximas, já que ,quanto mais distantes, maior o desafi o para compor combinações agradáveis. Finalmente, o esquema monocromático é fun- damentado na escolha de uma única cor com va- riações criadas pelo ajuste do brilho (clareamento ou escurecimento da cor pela adição de branco ou preto) ou saturação (as cores saturadas como as primárias são puras e, portanto, mais fortes ou mais vívidas, enquanto as não saturadas são mais acinzentadas, também como resultado da adição de branco ou preto). De a cordo com Dabner, Stewart e Zempol (2014), a percepção das cores pode ser infl uenciada pela inteligência, memória, experiência, história e cultura. A cor possui uma linguagem única e com- plexa, assim como inúmeros signifi cados e associa- ções simbólicas que podem variar com o tempo e em diferentes culturas. Por exemplo, no Ocidente, o preto é a cor do luto e da morte, enquanto na China e na Índia a cor do luto é o branco. O mesmo autor também menciona que, embora as associações de cores sejam subjetivas e apesar das DESIGN 59 diferenças locais, as cores podem ter algumas carac- terísticas universais. Vermelhos, laranjas e amarelos estimulam os sentidos e tendem a ser percebidos como cores quentes, capazes de provocar sensações de alegria, saúde ou agressividade. No lado oposto do círculo cromático, azuis e verdes são vistos como cores frias, com conotação de calma, paz, segurança e/ou depressão. Cores são diferenciadas de três maneiras prin- cipais: matiz, tom e saturação. O matiz refere- -se ao nome genérico da cor – por exemplo, vermelho, amarelo ou azul. Um único matiz pode ter muitas variações, desde as mais cla- ras até as mais escuras. Isso é chamado de tom ou valor. Um mesmo matiz varia também de acordo com sua saturação ou croma (tam- bém chamada de intensidade). A saturação varia de máxima a mínima, ou da cor pura a cinza (branco, dependendo do modelo de cor). A cor também pode ser descrita por sua temperatura e movimento. Fonte: Dabner, Stewart e Zempol (2014, p.88). SAIBA MAIS TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 60 Silhueta A silhueta é um elemento de design bastante aplicado no design de moda. Ela é percebida antes mesmo que os detalhes da peça possam ser distinguidos. Para que haja coerência e unidade, a silhueta deve se manter sem muitas variações no conjunto de peças que fazem parte de uma coleção. A silhueta costuma dividir o corpo em duas par- tes, uma superior e uma inferior, que precisam estar visual e proporcionalmente equilibradas para que o resultado da composição seja harmônico. No design de moda, volume e silhueta são variá- veis que se relacionam na mesma proporção, assim, ambas sofrem influência direta da forma feminina Unidade, equilíbrio e harmonia são todos princípios do design que discutiremos na unidade IV. Fonte: a autora. SAIBA MAIS idealizada naquele momento. As silhuetas já foram: saliente, larga, armada, com a cintura bem-marcada e saia ampla, dentre outras. DESIGN 61 Figura 4: Tipos de silhueta Fonte: adaptado de Jones (2014, p. 168). Expondo as características desse elemento do design, tão comuns no design de moda, finalizamos a unida- de II. Esta unidade lhe apresentou, além da silhueta, outros quinze elementos do design. Conversamos sobre: ponto, linha e plano; forma e espaço; direção; movimento; volume e dimensão; escala e proporção; textura e padronagem e, por fim, luz e cor. Falamos sobre a simplicidade do ponto e como sua trajetória é capaz de gerar a linha que, por sua vez, em movimento pode formar um plano, cuja mudança de posição cria o volume que se expressa por proje- ções nas três dimensões do espaço. Vimos também que a linha articula a complexidade das formas e, em- bora sejam básicas, poucas têm propriedades e signi- ficados específicos e distintos. Assim, independente de seu tamanho, elas ocupam espaço e representam direções visuais fundamentais e significativas. Percebemos que o movimento é um tipo de mu- dança e entendemos a relação entre escala e pro- porção. Também vimos que os designers podem emprestar as texturas encontradas na natureza, ou ainda criar suas próprias padronagens; tratamos da relação entre luz e cor, essa última considerada um dos principais elementos de um projeto de design, e finalizamos a unidade falando sobre a silhueta. Espero que com o conteúdo proposto nesta uni- dade você esteja preparado para aplicar os elemen- tos do design com maestria. 62 considerações finais Caro(a) aluno(a), chegamos ao final da segunda unidade do nosso livro didático. Como já havia lhe dito na introdução desta unidade, conhecemos os elementos básicos do design, a matéria-prima de todo produto de design. Eles assim são de- nominados justamente porque sempre que materializamos uma ideia, partimos desse conjunto essencial de elementos. Falamos sobre características e qualidades inerentes a cada um deles, de modo que, agora, além de saber quais são os elementos que fundamentam sua futura profissão, você sabe que as especificidades desses elementos englobam também seus significados simbólicos que, por sua vez, quando combinados e manipula- dos vão “representar” ou “dizer” alguma coisa e, assim, desencadear no observa- dor um conjunto de sensações e reações. Embora sejam poucos, os elementos do design dão ao profissional da área uma ampla gama de possibilidades em relação à concepção de um produto de design. Conhecendo-os a fundo, invariavelmente, qualquer informação a res- peito de um novo projeto (mesmo quando ainda não tivermos uma definição precisa do objetivo que buscamos alcançar) vai fazer com que sua mente comece a trabalhar, e você vai se ver imaginando, pensando, idealizando e explorando combinações. Você vai mentalmente percorrer um a um, buscando selecionar aqueles que vão ao encontro daquilo que deseja representar; vai pensar minuciosamente qual deles será a cereja do bolo e vai arranjá-los de maneira que o resultado idealizado seja, de fato, alcançado e, consequentemente, atenda a todas as necessidades e expectativas. Na próxima unidade, você vai conhecer alguns elementos que influenciam o design e, na unidade IV, falaremos sobre os princípios do design que vão ajuda- -lo(a) a alcançar resultados cada vez mais interessantes, afinal, o design não se resume às preferências pessoais, às tendências ou ao arranjo de elementos sem qualquer embasamento, existe um conhecimento exato, racional e verificável que se expressa por meio do ofício do designer. 63 LEITURA COMPLEMENTAR Você já se sentiu azul de fome, verde de inveja, roxo de raiva ou viu o mundo rosa por estar apaixonado? Já dissipou uma nuvem negra quando fi nalmente teve uma oportunidade de ouro? As cores têm um papel tão importante nas nossas vidas que nós as usamos para descrever nossos sentimentos e ações. Em todo o mundo, a maneira com que as diferentes culturas veem e descrevem as cores varia de forma dramática. Por exemplo, o povo Basa da Libéria possui apenas duas palavras paraclassifi car as cores (ziza para vermelho/laranja/ amarelo e hui para verde/azul/roxo), enquanto os Inuítes são mencionados por terem 17 palavras diferentes só para descrever a cor branca (que se modifi ca de acordo com o clima e as condições diferentes de neve). Veja aqui um olhar um pouco mais aprofundado sobre o que as diferentes cores signifi cam ao redor do mundo. O azul é a cor da inteligência ou da sabedoria. Em geral, é considerado como a escolha mais segura de cor em todo o mundo, já que ela pos- sui muitas associações positivas. Na América do Norte e Europa, o azul representa confi ança, segurança e autoridade, e é considerada uma cor que acalma e traz paz. Porém, ela também pode representar depressão, introspecção, solidão e tristeza. Em alguns países, o azul simboliza cura e o afastamento do mal. Amuletos em formato de olhos azuis, que alguns acreditam afastar o olhar do mal, são visões comuns na Turquia, Grécia, Irã, Afeganistão e Albânia. Nas cul- turas orientais, o azul simboliza imortalidade, enquanto que na Ucrânia, o mesmo denota boa saúde. No hinduísmo, o azul é associado fortemente com Krishna, que encarna o amor e a alegria divinos. Nas culturas ocidentais, o verde representa sorte, a natureza, frescor, pri- mavera, consciência ecológica, riqueza, inexperiência e ciúme (o monstro de olhos verdes). E claro, verde é a cor emblemática da Irlanda, que recebeu seu apelido de “Ilha Esmeralda” por conta de suas lindas paisagens verdes. Na Indonésia, o verde foi tradicionalmente proibido, enquanto no México é a cor nacional que signifi ca a independência. No Oriente Médio, o verde representa fertilidade, sorte e riqueza e é considerada a cor tradicional do Islã. Em culturas orientais, o verde simboliza juventude, fertilidade, renova- ção, prosperidade e esperança, mas também pode signifi car infi delidade. Na verdade, na China, chapéus verdes para homens são tabu, porque eles signifi cam que suas esposas cometeram adultério. 64 LEITURA COMPLEMENTAR O vermelho evoca qualquer tipo de sentimento forte, simboliza animação, energia, paixão, ação, amor e perigo nas culturas ocidentais. É excitante e pode provocar reações físicas reais, como o aumento da adrenalina, pres- são sanguínea, a aceleração dos batimentos cardíacos, além de estimular o metabolismo. Ele é também associado com comunismo e revolução em países como a Rússia. Nas culturas asiáticas, o vermelho é uma cor muito importante – ela traz boa sorte, alegria, prosperidade, celebração, felicidade e vida longa. Lá, como é uma cor tão cheia de superstições, as noivas muitas vezes se ves- tem de vermelho no dia de seus casamentos e envelopes vermelhos com dinheiro são oferecidos durante datas comemorativas e ocasiões especiais. Na Índia, o vermelho é associado com pureza, sensualidade e espirituali- dade. Por outro lado, em alguns países da África associa-se vermelho com a morte e, na Nigéria, a cor representa agressão e vitalidade. O vermelho é ainda considerado como um amuleto de sorte no Egito e simboliza boa sorte e coragem no Irã. Na cultura ocidental, o amarelo é associado com felicidade, jovialida- de, otimismo, calor (sendo a cor da luz do sol), alegria, espontaneidade, criatividade e originalidade, assim como com cuidado e covardia. Na Ale- manha, o amarelo representa inveja, mas no Egito signifi ca felicidade e boa sorte. O laranja é uma cor ativa e comunicativa, representa o outono, colheita, calor e visibilidade nas culturas ocidentais. No hinduísmo, açafrão (um tom de laranja claro) é considerado próspero e sagrado. Na Holanda, laranja é a cor da família real, enquanto a mesma cor representa sexualidade e fertilidade na Colômbia. Em culturas orientais, laranja simboliza amor, fe- licidade, humildade e boa saúde. É comum que as roupas dos monges budistas sejam de cor laranja. 65 LEITURA COMPLEMENTAR Roxo é muitas vezes associado à realeza, riqueza, espiritualidade e no- breza em todo o mundo. Historicamente, no Japão, apenas os monges budistas da mais alta hierarquia vestiam roupas roxas. O roxo é também associado com piedade e fé, e no catolicismo, com penitência. Porém, no Brasil e na Tailândia, o roxo é uma cor de luto. É também a cor da honra – o Coração Roxo é a condecoração militar mais antiga ainda oferecida para membros do exército americano. O branco refl ete a energia da cor e, embora possa conferir uma sensação de aridez, aumenta a luminosidade e a amplitude espacial. Na cultura ocidental, o branco simboliza pureza, elegância, paz e limpeza; noivas tradicionalmente vestem branco em seus casamentos. Mas na Chi- na, Coréia, e alguns outros países da Ásia, o branco representa a morte, o luto e a má sorte, e é tradicionalmente usado em funerais. No Peru, o branco é associado com anjos, boa saúde e tempo. O preto, ao contrário, absorve a energia da cor e, portanto, não refl ete nenhuma cor, por esse motivo, atua como uma barreira energética. Em muitas culturas, preto simboliza sofi sticação e formalidade, mas também representa morte, o mal, luto, mágica, ferocidade, doença, má sorte e mistério. No Oriente Médio, preto representa tanto renascimento quanto luto. Na África, ele simboliza idade, maturidade e masculinidade. É vantajoso entender os signifi cados das cores em diferentes culturas. Ao conhecer o simbolismo das cores ao redor do mundo, você estará capacitado para falar com seu público de uma maneira tanto apropriada culturalmente quanto efi caz. Fonte: adaptado de Wang (online). 66 atividades de estudo 1. No livro “Novos fundamentos do Design”, Ellen Lupton e Jennifer Cole Phillips (2008) abordam diferentes aspectos do uso da cor. Sobre esses aspectos e a partir da aná- lise das imagens a seguir, analise as afirmativas e assinale a opção que apresente as informações verdadeiras: imagem 01 imagem 02 Fonte: LUPTON, E.; PHILLIPS, J. C. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac Naify, 2008 (adaptado). I. A cor existe no olho do observador, pois ele só será capaz de percebê-la quando a luz for refletida por um objeto ou emitida por uma fonte. Assim, a percepção da cor depende não apenas da pigmentação das superfícies em si como também da inten- sidade e do tipo da luz do ambiente. II. Uma determinada cor é percebida em função das outras em torno dela. Na imagem 1, a adição de objetos pretos à composição vermelha cria um efeito geral mais escu- ro, enquanto a adição de objetos brancos cria uma composição mais clara. III. Na imagem 2, a sobreposição do retângulo verde sobre o quadrado azul acinzentado faz o verde parecer mais luminoso, ao contrário, quando sobreposto ao quadrado amarelo, o retângulo verde parece mais escuro. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. a. As assertivas I e II estão corretas. b. As assertivas II e III estão corretas. c. As assertivas I e III estão corretas. d. Apenas a assertiva I está correta. e. Todas as assertivas estão corretas. 2. Em relação às cores, avalie as assertivas a seguir. I. Embora a luz branca seja constituída por sete cores (vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul-violeta, anil e violeta), não é necessário combinar todas elas para se obter novamente a luz branca. Basta misturar as chamadas cores primárias da luz (verme- lho, verde e azul-violeta). II. As cores primárias da síntese aditiva são também as cores secundárias da síntese subtrativa. III. Se um corpo não refletir nenhuma onda de luz, conclui-se que a cor do corpo em questão é branca. 67 atividades de estudo A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a. As assertivas I e II estão corretas. b. As assertivas II e III estão corretas. c. As assertivas I e III estão corretas. d. Apenas a assertiva III está correta. e. Todas as assertivas estão corretas. 3. (Enade Tecnologia em Design de moda 2015) A cor é um elemento compositivo utili- zado em projetos de design de moda. O círculo cromático, representado na figura a seguir, permite estudá-la conforme sua composição edisposição. Fonte: SEIVEWRIGHT, S. Pesquisa e design. Porto Alegre: Bookman, 2009 (adaptado). Com base na composição e disposição das cores e nos elementos do design, avalie as afirmações a seguir: I. As cores primárias, que são o ciano, o magenta e o amarelo, quando misturadas, dão origem às demais cores do círculo cromático. II. Ao misturar cores, aumenta-se a nuance de uma cor pela adição de preto. III. As cores análogas são obtidas a partir da combinação de uma cor com seus matizes adjacentes. IV. Os matizes opostos no círculo cromático são considerados complementares dentre e, entre eles, verifica-se alto contraste. É correto apenas o que se afirma em: a. IV. b. I e II. c. II e III. d. I, III e IV. e. I, II, III e IV. 68 atividades de estudo 4. (Enade Tecnologia em Design de interiores 2015) A figura a seguir apresenta oito padrões em preto e branco, a partir dos quais padronagens e estudos cromáticos foram realizados. Fonte: LUPTON, E.; PHILLIPS, J. C. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac Naify, 2008. A cor é um dos componentes principais em projetos de design. A justaposição de cores pode criar atmosferas e qualidades específicas, descrever uma realidade ou codificar uma informação. Considerando a percepção de forma e cor das padrona- gens dessa figura, avalie as afirmações a seguir: I. A cor pode promover ordenação, clareza, distinção e agrupamento, gerando simila- ridade e diversidade entre os elementos do espaço. II. A cor altera a percepção de formas, ou seja, as relações figura-fundo estabelecidas, o que afeta as partes e o todo. III. A alteração de cores dos elementos do fundo e da frente nos estudos da coluna 2 foi responsável por modificar as formas percebidas. IV. Os contrastes cromáticos possibilitam a divisão funcional das cores, estabelecendo relações entre as áreas cromáticas, e favorecem a distinção e a hierarquia entre elementos. V. Os contrastes entre cores complementares e entre cores análogas produzem efeitos diferentes, o que se verifica nos dois estudos da coluna 7, em que as cores comple- mentares vibram umas contra as outras, ao passo que as análogas assumem papel mais passivo. É correto o que se afirma em: a. I e V, apenas. b. II e IV, apenas. 69 atividades de estudo c. III e V, apenas. d. I, II, III e IV apenas. e. I, II, III, IV e V. 5. (Enade Tecnologia em Design de interiores 2015) O sistema Modulor foi concebido como um instrumento regulador de medidas da escala humana universalmente apli- cável, desenvolvido por Le Corbusier na década de 1940. Fonte: Le modulor (1945, online). Relacionando a prática de design de interiores à imagem apresentada, avalie as as- serções a seguir e a relação proposta entre elas. I. Ao projetar interiores baseando-se em instrumento ideal de referência de medidas antropométricas derivado da seção áurea, como o Modulor, no qual são relaciona- das as medidas de um homem padrão com altura de 1,83 m, o designer de interiores facilita a implementação das propostas. PORQUE II. O modulor otimiza os requisitos de estética e racionalidade, pois as equipes de tra- balho atuarão dentro de uma mesma visão sistêmica de padronização, o que inde- pende das características individuais dos usuários. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a. As asserções I e II são proposições verdadeiras e II é uma justificativa correta da I. b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e. As asserções I e II são proposições falsas. Design de Estamparia Têxtil Amanda Briggs-Goode Editora: Bookman Sinopse: O Design de Estamparia Têxtil é uma área criativa, prática e dinâmica que abrange moda, design de interiores e design gráfico, arte têxtil e artesanato. Este livro apresenta os fundamentos do design de estamparia têxtil, desde o briefing até a coleção final, e introduz os princípios básicos de cor, desenho, composição e padronagem por repetição. Repleto de exemplos, estudos de caso e exercícios passo a passo, também ajuda a desmistificar o pro- cesso de design, sendo um valioso guia de estudos e de prática do design têxtil. • Inclui estudos de caso que mostram o trabalho de designers têxteis que atuam tanto no setor de moda quanto no de design de interiores. • Aborda técnicas manuais e tradicionais, além das últimas tecnologias digitais, apresen- tando belas imagens que ilustram os processos. • Analisa todos os aspectos do design têxtil, desde as questões de sustentabilidade até a fabricação e a comercialização do produto final. O guia completo da cor Tom Fraser e Adam Banks Editora: Senac São Paulo Sinopse: Um livro de referência atual e abrangente para uma nova geração de usuários da cor digital, “O guia completo da cor” reúne teoria da cor, prática e aplicações, tudo em um só volume, compreendendo desde a abstrata teoria da cor até as implicações mais práticas do uso de CMYK e RGB. Ideal para designers, fotógrafos, artistas – de fato, para qualquer pessoa que trabalhe com a cor e quer aprender mais sobre esse assunto. Truques da mente | Temporada 3 | Episódio 2 – Cores Ano: 2011 Sinopse: Você acha que entende as cores que vê todos os dias? Você acha que uma maçã é realmente vermelha e que uma folha é mesmo verde? Pense de novo. Este episódio coloca o cérebro à prova com uma série de jogos interativos e experimentos fascinantes que reve- larão uma verdade surpreendente: as cores são apenas uma ilusão criada por seu cérebro. Color in Motion O website Color in Motion, de Claudia Cortes, é uma experiência animada e interativa a res- peito da comunicação e simbolismo da cor. Navegue pelas portas: “As estrelas”, “As películas” e “O laboratório” e conheça um pouco mais sobre as cores de maneira divertida. <http://www.mariaclaudiacortes.com/#>. Adobe Color CC O website Adobe Color CC te permite criar diferentes esquemas cromáticos a partir do círculo cromático ou a partir de imagens e, ainda, explorar infinitas paletas pré-definidas. É uma óti- ma ferramenta para quem ainda não tem muita habilidade para a composição com as cores. <https://color.adobe.com/pt/>. 72 referências ABBOTT, E. A. Planolândia. São Paulo: Conrad, 2002. BAER, L. Produção gráfica. São Paulo: Senac São Paulo, 2004. BRODY-JOHANSEN, R. Forma. In: LEBORG, C. Gramática visual. São Paulo: Gustavo Gilli, 2015. DABNER, D.; STEWART, S.; ZEMPOL, E. Curso de design gráfico: princípios e práticas. São Paulo: Gustavo Gilli, 2014. DONDIS, A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1997. FERNANDES, A. Fundamentos de produção gráfica para quem não é produtor gráfico. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2003. FRASER, T.; BANKS, A. O guia completo da cor. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007. GIBBS, J. Design de interiores: guia útil para estudantes e profissionais. São Paulo: Gustavo Gilli, 2015. GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. São Paulo: Escri- turas Editora, 2004. JONES, S. J. Fashion design: manual do estilista. São Paulo: Cosac Naify, 2011. KANDINSKY, W. Ponto, linha plano. São Paulo: Martins Fontes, 1997. LE MODULOR. Fondation Le Corbusier, 1945. Disponível em: <http://www.fonda- tionlecorbusier.fr/corbuweb/morpheus.aspx?sysId=13&IrisObjectId=6803&sysLangua- ge=en-en&itemPos=161&itemCount=300&sysParentId=15&sysParentName=>. Acesso em: 27 nov. 2015. LEBORG, C. Gramática visual. São Paulo: Gustavo Gilli, 2015. LUPTON, E.; PHILLIPS, J. C. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac Naify, 2008. NAGY, A. 18 sculptures so lifelike you’ll swear they’re real. Gizmodo, 6 mai. 2013. Disponível em: <http://gizmodo.com/18-sculptures-so-lifelike-youll-swear-theyre-real-510326582>. Acesso em: 16 nov. 2015. WANG, C. O espectro do simbolismo: o significado das cores ao redor do mundo. Shut- terstock. Disponível em:<http://www.shutterstock.com/pt/blog/o-espectro-do-simbolis- mo-o-significado-das-cores-ao-redor-do-mundo>. Acesso em: 26 nov. 2015. WONG, W. Princípios de forma e desenho. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 73 gabarito UNIDADE II 1. E 2. A 3. D 4. D 5. E Prof. Esp. Vanessa Barbosa dos Santos Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Materiais • Tecnologia e globalização • Estilo • Componentes culturais • Sustentabilidade e ecologia Objetivos de Aprendizagem • Compreender como os diferentes tipos de materiais podem infl uenciar nos projetos de Design, em diversas áreas. • Assimilar como os processos de transformação originados pela globalização e pelo desenvolvimento tecnológico nos infl uenciam e a sua inter-relação com o Desing, assim como os seus benefícios e malefícios. • Entender como os estilos estudados por meio dos movimentos artísticos e históricos infl uenciam nos processos do Design. • Compreender que o Design sofre infl uências baseadas na sociedade na qual ele está inserido, os princípios culturais, valores e forma de vivência. • Entender que um bom profi ssional de Design não só conhece a importância de sustentabilidade e ecologia, mas também desenvolve seus projetos e sua profi ssão de forma que esses elementos infl uenciem positivamente seu ambiente de vivência. ELEMENTOS QUE INFLUENCIAM O DESIGN III unidade INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a). Seja bem-vindo(a) à terceira unidade des- te livro sobre teorias e fundamentos do design. Já estudamos uma introdução sobre o design, as aplicações e habilidades de um designer. Também vimos sobre os elementos básicos do de- sign, como linha, ponto, forma, cor etc. E agora vamos conhecer quais são os elementos externos que influenciam o design. Vamos compreender como os materiais são importantes na concepção dos projetos de design, o que os diferentes tipos de materiais podem transmitir de mensagem e como pensar e es- colher entre a infinidade de materiais dispostos hoje em dia. Também, vamos refletir sobre as transformações da tecno- logia em nosso mundo, que a cada dia traz inovações e novas propostas para criar e projetar, como podemos utilizar dos be- nefícios da tecnologia e como cuidar para que haja os menores malefícios possíveis. A globalização será pauta de discussão sobre essas influências, por sabermos que é impossível separar qual- quer processo do nosso dia a dia dela, e o design não fica fora dessa relação, assim como suas relações com a sociedade e a cul- tura. Mesmo com princípios universais, o design sempre se com- portará diferente de acordo com a sociedade que está inserido. Saberemos que os estilos estudados ao longo dos movimen- tos históricos também vão influenciar nos processos do design, como ele tem que ser pensado, a relação de materiais, cores, ti- pos de produtos, forma da imagem e comunicação. Por último, veremos o quanto nosso mundo, hoje, pensa e desenvolve design relacionado à sustentabilidade e à ecologia, e como nós, como profissionais, necesitamos cada dia mais de de- senvolver o hábito e a reflexão, de não só tirar do mundo o que precisamos, mas devolvermos de forma consciente, para que o lugar em que habitamos não deixe de existir. Boa leitura! TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 78 Cadeira de acrílico Materiais Os materiais, desde os primórdios da humanidade, fazem com que o homem consiga materializar os ar- tefatos para sua sobrevivência. Eles são responsáveis por concretizar a ideia do designer. Com a Revolução Industrial, ocorreram pro- fundas transformações em âmbito cultural, social e econômico, o que tornou acelerada a multiplicidade de materiais disponíveis para a produção de produtos. Nesta época, houve o impulso do design devido à necessidade de criação de produtos e o planejamento da pro- dução com base no desenvolvimento em série (CALEGARI; OLIVEIRA, 2014, p. 3). Para Beylerian e Dent (apud CALEGARI; OLIVEI- RA, 2014), os materiais podem transformar o de- sign, tendo força para transformar nossas vidas. É por meio dos materiais que conseguimos de- senvolver novas ideias, buscar inovação e aprimorar o nosso desempenho. Calegari e Oliveira (2014) afirmam que os materiais com os quais os produtos são pro- duzidos portam significados perceptíveis para os usuá- rios, assim, podem influenciar as suas escolhas e preferên- cias. O projeto de design cria persona- lidade por meio dos materiais utilizados. Como exemplo, no caso da madeira, os autores argumentam que é um material natural cujas fibras proporcionam uma textura de superfí- cie própria deste material, ela é tátil, percebida como mais quente em comparação com outros materiais, e aparentemente mais macia, possui cheiros característicos e desperta associações com o artesanato. Assim, a madeira é um ma- terial bem conhecido, possui características que podem estar associadas a significados atri- buídos pelos usuários. Neste sentido, os auto- res observam que estas características não são apenas estéticas, mas sim, traços que definem uma personalidade, que pode ser revelada pelo designer (CALEGARI; OLIVEIRA, 2014, p.4). Esses significados carregados pelos materiais vão transmitir fundamentos da cultura, dos valores, da so- ciedade, do estilo e dos princípios relacionados ao De- sign desse projeto. Além disso, esses materiais exercem influência sobre a forma como o produto é desenvolvi- do. Calegari e Oliveira (2014, p. 4) enfatizam que: o bom design é aquele que leva em consideração o uso mais eficiente dos materiais, ou seja, de suas propriedades e da maneira como podem ser conformados. Neste ponto, o designer pode explorar as propriedades favoráveis de determi- nado material e corrigir as suas deficiências. Para a seleção desses materiais no projeto de design, temos uma infinidade de opções, devido aos avan- ços da ciência e da tecnologia. As possibilidades de combinações e escolha são inúmeras e cabe ao de- signer uma pesquisa para a melhor escolha relacio- nada ao seu produto. DESIGN 79 De acordo com Dias (2009 apud CALEGARI; OLI- VEIRA, 2013, p. 59), a seleção de materiais ocorre em distintas situações em uma empresa: • Na criação de um produto, em que não há li- mitações sobre o material. • Na criação de um novo produto para uma empresa que já tenha um processo produtivo que pré-determina certos materiais. • Modificações ou redesign de um produto vi- sando um melhor desempenho técnico. • Alteração de materiais para a redução de custos. • Trabalhar sempre com materiais disponíveis e com custos reduzidos, além de outras situa- ções. Mercedes-Benz Fashion Week Madrid As características desses materiais são relacionadas aos processos físicos, mecânicos e térmicos. E tam- bém às características estéticas e simbólicas percebi- das por cada indivíduo ou sociedade, de acordo com o contexto histórico e social. E relacionados a esses aspectos, Dias (2009 apud CALEGARI; OLIVEIRA, 2013) comenta que, se- gundo o perfil objetivo dos materiais, é necessário analisar os aspectos gerais, como preço e densidade; técnicos e dos materiais; ambientais; sociais e eco- nômicos. E os perfis subjetivos, como estéticos que são sentidos no projeto; práticos, relacionados ao uso; simbólicos, que são ligados a aspectos sociais, culturais e individuais; e outros, como os aspectos pessoais do indivíduo, gênero, idade, experiência, estilo de vida. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 80 Alguns tipos de materiais mais conhecidos e utiliza- dos são classificados, segundo Farrelly (2014), como: • Polímeros: materiais de ocorrência natural, como a borracha, a goma-laca e a celulose, além de materiais sintéticos ou semissintéti- cos – como polipropileno, náillon e silicone. • Metais: os metais representam 75% dos ele- mentos da tabela periódica; por exemplo: estanho, chumbo, alumínio, zinco, titânio, mercúrio, ferro, cobre e cobalto. Os elementos metálicos podem ser combina- dos com materiaismetálicos ou não metálicos, como o carbono, a fim de criar ligas, tal como: o ferro quando é combinado com o carbono para criar o aço, que é mais duro e tem resistência à tração superior a do ferro puro. • Madeira e outras fibras orgânicas: a madeira e outros produtos naturais, como bambu, cor- tiça, algodão, lã, seda, são materiais orgânicos, fibrosos e compostos. Apresentam diversas qualidades, inclusive resistência e rigidez, e podem ser reciclados e renovados se suas fontes forem corretamente geridas; além disso, têm características que podem ser atraentes aos nossos sentidos, como texturas e cores naturais. • Cerâmica e vidro: a cerâmica é um material não metálico que pode ser extrudado, trança- do, moldado ou formado e queimado a altas temperarutas. É resistentes à umidade e al- tas temperaturas. O vidro tem sido utilizado há milênios em objetos, joias, decorações e vidraças. Mas recentemente os métodos de sopramento e processamento do vidro têm produzido uma variedade maior de produtos e usos: vidro estrutural, vidro com isolante térmico, concreto reforçado com fibra de vidro e plástico reforçado com fibra de vidro. Assim, conhecemos sobre as características princi- pais dos materiais e sobre scomo devem ser estuda- dos e aplicados nos projetos de design. Pendente de metal. Fonte: Luminária… (online). DESIGN 81 Cadeira de polipropileno. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 82 Tecnologia & Globalização Desde a Revolução Industrial, a tecnologia começou a ser desenvolvida e descoberta para trazer melho- rias no dia a dia do homem. Desde máquinas para acelerar a produção nas fábricas, os meios de trans- porte, meios de comunicacão, eletrodomésticos, ele- troeletrônicos, vestuário, alimentação, produtos de uso pessoal, decoração etc. Um processo digamos que acelerado, que explodiu o design na vida do ho- mem dali em diante. Por isso, hoje, vivemos em um mundo conhecido como detentor de uma rede de alcance mundial, em que por meio da internet podemos descobrir, co- nhecer e nos relacionar com todas as outras redes. E mesmo a conectividade proporcionada pela internet existindo há pouco tempo, nosso mundo não conse- gue mais se imaginar sem ela. Segundo Cardoso (2011), boa parte da história do design passa pela configuração de redes. DESIGN 83 Entre meados do século XIX e meados do sé- culo XX, a maior parte das grandes cidades do mundo passou por uma transformação colossal que constituiu na implantação ou reforma de uma série de redes de utilidades – água, esgo- to, gás, eletricidade, telefonia – além de uma ampliação das redes de transportes urbanos e interurbanos – rodovias, ferrovias, portos, ae- roportos (CARDOSO, 2011, p. 184). Foi um período de globalização e interação de muitas regiões do mundo, afetando a economia, a indústria e o comércio devido ao crescimento de população e território. Esse processo de industrialização interliga todas es- sas redes e, segundo Cardoso (2011), as redes de co- municação é que propiciaram essa ligação das redes e a aceleração desses processos. Podemos citar três grandes redes da comunicação: a primeira, a rede visual, que se tratava da sinalização de espaços; a se- gunda, a rede invisível, das telecomunicações, que surgiram a partir de 1820 com o telégrafo; por últi- mo, a mais antiga, que é a rede visual impressa, que abrange livros, revistas, jornais e cartazes. É muito fácil percebermos como nosso mundo vive em um tempo no qual as transformações prati- camente correm à sua frente todos os dias. Podemos citar vários exemplos, como aquele smartphone que você comprou e mal acabou de pagar e já tem um modelo mais avançado; ou o fato de você acessar no Google e digitar qualquer palavra e, em menos de 1 segundo, encontrar milhares de informações rela- cionadas a ela. As informações, as imagens, os produtos e os ser- viços chegam a nós, todos os dias, com velocidade e em superabundância, principalmente pela inter- net, tornando muitas vezes as coisas insignificantes e passageiras. Ao mesmo tempo em que a popularização das tecnologias digitais injetou, sem sombra de dú- vida, uma grande dose de liberdade no exercício do design, pode-se argumentar que elas também trouxeram no seu bojo novos limites para a ima- ginação humana (CARDOSO, 2008, p. 242). É claro que não é a tecnologia que tira a criatividade e a capacidade de desenvolvimento do designer, po- rém é necessário refletir sobre o limite da tecnologia em gerar soluções para os problemas e projetos, pois esse despejar de informações sobre nós não pode li- mitar o que podemos fazer e nem nos deixar total- mente dependentes do que ela pode proporcionar. O velho senso de mistério e de magia diante da folha em branco, experiência fundadora nos rela- tos de tantos mestres do passado, definitivamente não parece se traduzir com a mesma intensidade para o espaço da tela apinhada de ícones e barras de ferramentas (CARDOSO, 2008, p. 242). “Talvez reste ao velho mundo material deixar de lado a sua incompatibilidade atávica e acom- panhar essas transformações no mundo da imaginação, o que não deve demorar, pois, dada a opção, um número impressionante de pessoas parece preferir os prazeres virtuais da interatividade à imprevisibilidade das inte- rações humanas”. Fonte: Cardoso (2008, p.238) REFLITA TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 84 E quando falamos do design participar da evolução da tecnologia, devemos considerar que ele também é parte da globalização. E essa globalização, para Bonsiepe (2011), possui diversas facetas, como a tecnológica – que já vimos aqui –, a econômica – relacionada ao comércio e fl uxos internacionais –, a cultural – difundindo pelo mundo os valores e os modelos de consumo – e a política – que recoloniza “a periferia”, ou também conhecido como Terceiro Mundo. E essa globalização não é algo que aconteceu há apenas 20 ou 30 anos. Cardoso (2011) diz que é uma transformação que vem se processando de modo gradativo há séculos, mas que só fi cou aparente em tempos recentes, quando os dados começaram a ser cruzados. Costumamos subsumir na única palavra “globa- lização” um imenso e emaranhado processo de unifi cação e consolidação de sistemas – comercial, fi nanceiro, jurídico; de normas técnicas, trans- portes, comunicações; de costumes, aparências e ideias –, o que é o fenômeno mais impactante do mundo moderno (CARDOSO, 2011, p. 24). Portanto, é um desafi o a nossa profi ssão utilizar a tecnologia como ferramenta sem que ela torne su- perfi cial o processo criativo do designer, sua capa- cidade de solucionar problemas e se aprofundar nos pensamentos e ideias. É importante encontrar solu- ções que superem essa multiplicação de informações a todo tempo e os efeitos da globalização, trazendo como experiência enriquecedora e não anuladora do conhecimento pessoal e do que o design é capaz de realizar com ou sem as ferramentas da tecnologia. DESIGN 85 Estilo Como um elemento de grande influência para um projeto de design, temos o estilo. Com a grande va- riedade que conhecemos hoje, devido aos fatores históricos, tecnológicos e culturais, todo projeto de design terá como embasamento um estilo predomi- nante e, às vezes a mescla de mais de um deles. As características desses estilos vão determinar os fatores dos quais já vimos na unidade anterior so- bre os elementos do design e também sobre o assun- to que veremos na próxima unidade: os princípios do design. As cores, formas, linhas, texturas e mate- riais serão determinados a partir do estilo escolhido para se projetar. Vamos conhecer os principais estilos atribuídos ao design, que podem ser vistos nas áreas de interio- res, moda, gráfico e produto. CLÁSSICO Um estilo marcado por linhas elegantes e ricas, sem- pre bem rebuscadas, baseadas na época da História grega e romana. Tratando-se de materiais, utiliza-se muita ma- deira escura e mármore. Os tecidos podem ser escu- ros ou bem claros, dependendo dacombinação com o restante. O mobiliário sempre cheio de detalhes, linhas curvas, com materiais escuros. As cores mais utilizadas são bordeaux, azul-ma- rinho e verde-esmeralda, dourados, prateados, cor de ferrugem, branco e cor-de-rosa-bebê. As peças de design são os cristais, porcelanas, prata, latão, candelabros, espelhos e molduras or- namentadas, lustres grandes e dotados de muitos detalhes com pedras especiais, arranjos florais, can- TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 86 deeiros de parede e com abajures em seda. Objetos, traços e texturas muitas vezes são repetitivos para causar um efeito de harmonia e unidade. CONTEMPORÂNEO O design contemporâneo pode ser considerado um reflexo da quantidade de informações com que, através do auxílio da era digital, somos bombardeados cada vez em maior número e diversidade. Acesso a informações de diferentes culturas, do presente e do passado, processam- -se tanto nas mentes dos designers responsáveis por produtos advindos do design contemporâ- neo, quanto da massa consumista adepta a estes mesmos produtos. (CÂNDIDO, 2008, p. 3) O estilo contemporâneo também vai trazer a impor- tância da funcionalidade do design, qualidade além da quantidade. Porém, com uma variedade de ideias para desenvolver o projeto, com liberdade de ex- pressão, pluralismo e simultaneidade nos materiais, texturas e características do projeto. Podemos usar materiais e texturas artesanais, ou antigas, como podemos utilizar o que há de mais novo em tecnologia – desde que exista um objetivo e uma razão de usar aquele determinado material. É feito de traços simples, angulares, superfícies lisas, formas geométricas. Possui revestimentos como vidro, pedra, cimento, metal, aço, mármore, madeira clara e escura e têxteis, como o cabedal, al- cântara, vinil, corda, bouclé, flanela, lã, algodão, li- nho, seda, caxemira e juta. MODERNO Funcionalismo é o sobrenome do estilo Moderno. Todo projeto é pensado em sua utilidade, segurança e durabilidade. As formas e linhas são sempre as mais simples possíveis, sejam retas ou curvas. Utilização de materiais e meios disponíveis, cores sem muita mistu- ra, na maioria das vezes primárias, preto ou branco. Busca-se desenvolver projetos que utilizem de tec- nologias de produção, funcionamento e acabamento, desde que haja também um objetivo para o tal uso. MINIMALISTA Podemos dizer que a frase que define o minimalis- mo é “less is more” (menos é mais). A simplicidade é tudo para transmitir a mensagem em um projeto. Sua principal influência é oriental, com perfil práti- co e atual. É um estilo de design baseado na tranqui- lidade, uma fuga do caos de informações dos estilos como clássico, rústico e retrô. Com luz natural, linhas simples, branco, preto, cinzento e alguns tons neutros, castanho, azul e ver- de. Formas geométricas e assimetrias. E materiais como madeira, vidro, inox, cromado, espelho, pele, mármore e granito. RETRÔ E VINTAGE Enquanto inúmeros produtos evoluem acom- panhando estes fatores citados, alguns outros acabam se perdendo no tempo, principalmente por muitas vezes terem uso exclusivo por deter- minados tipos de usuários, cultura ou região. É nesta ocasião que se volta a intervenção do de- signer, em resgatar a usabilidade destes objetos, incorporando inovação, criatividade e qualida- de ao produto, relacionando assim o fator clássi- co ao moderno (ROHENKOHL, 2011, p. 147). O estilo retrô utiliza de características antigas, po- rém, produzidas hoje em dia com materiais e tecno- logias dispostas a nós para confeccionar réplicas de peças e projetos antigos. Já o estilo vintage é a apro- priação de algo realmente antigo para agregar ob- jetos, texturas e materiais ao seu projeto moderno. 1 2 3 4 DESIGN 87 1 2 3 4 TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 88 Como exemplo, posso citar os famosos frigobars re- trô que temos hoje, com o design antigo, mas com tecnologia nova. Já o vintage seria você agregar aquele terninho antigo da sua mãe à sua nova com- posição de look. Enquanto o estilo vintage possui tons mais pas- téis, linhas e formas mais curvas e rebuscadas, pa- péis de parede, lustres e arabescos o retrô possui co- res mais vivas, texturas diferentes, colagens, adesivos e materiais mais escuros. PROVENÇAL O estilo conhecido pelos filmes românticos anti- gos, vindos da França, em que as famílias tradicio- nais moravam em vilarejos próximos a campos e montanhas. A característica principal é a busca pela nobreza, por isso a grande quantidade de rebuscamento, linhas curvas, cores claras, madeira, papéis de parede, muito tecido e objetos que remetem ao luxo tido como sen- do sustentado por um alto padrão de vida social. RÚSTICO O estilo rústico tem como principais características a referência ao campo, à natureza, ao rural. Geral- mente dando aquele ar de acabamento imperfeito, mas não mal-feito. Um estilo que transmite histórias de geração pra geração, memórias feitas em objetos, decoração, roupas, um apelo emocional. Materiais como madeira, pedra, tecidos lisos e claros, objetos antigos, luz amarela, branco sujo e to- nalidades pastéis. Texturas florais, listradas, patchwork, apresentando o algodão e a chita. Objetos em cobre, po- tpourri, colheres de pau, velas, utilidades antigas, cerâ- mica, livros, latas decorativas e ainda peças feitas à mão. Esses são os principais estilos que podemos utilizar em nossos projetos de design, sejam eles de interiores, moda, produto ou gráfico. O importante é realizar uma pesquisa e um estudo específico baseado no projeto que será desenvolvido, no público ou cliente final e qual o objetivo principal desse projeto, relacionando-o a todos os outros elementos que influenciam o design. 5 DESIGN 89 6 TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 90 Componentes Culturais Pensar local para agir global foi o que o pioneiro, ja- ponês, da internet Izumi Alzu disse. Isso quer dizer que o design para funcionar de forma globalizada tem que, antes, funcionar no pequeno ambiente com suas influências culturais. Todos nós somos indivíduos com identidade única e nossa identidade interage de forma social, cultural, política, geográfica, econômica e outras formas que nos permitem ser quem somos. A partir dessa interação, nos relacionamos com outros indi- víduos e o fato de estarmos em um mesmo espaço faz com que algumas características desenvolvidas passem a ser comuns entre eles. Esse desenvolvi- mento conjunto estabelece uma sociedade (um mes- mo espaço) que age em conjunto. Surge, aí, a cultura. Culturas são sistemas (de padrões de compor- tamento socialmente transmitidos) que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. Esse modo de vida das comunidades inclui tecnologias e modos de organização econômica, padrões de estabele- cimento, de agrupamento social e organização política, crenças e práticas religiosas, e assim por diante (LARAIA, 2009, p. 59). A partir do conceito cultura, vemos, hoje, que a glo- balização nos permite uma expansão e um fluxo de DESIGN 91 conhecimento, ideias, valores e costumes de forma mais abrangente e rápida entre as sociedades. Porém, não significa que essa globalização quer generalizar esses conceitos pessoais de cada sociedade. O interes- sante é utilizar o fator da globalização e transmitir a forma como cada sociedade se desenvolve, mostran- do sua identidade para o outro, enriquecendo hábitos e conhecimentos e valorizando cada uma delas. E é nesse ambiente de contextualização cultural do design, segundo Gutierrez (2011), que a remissão de valores, métodos de produção, materiais, estágio tecnológico e patrimônio podem contribuir para a diferenciação dos projetos. Um designer, quando desenvolve um projeto, seja de interiores, de moda, gráfico ou de produto, tem que analisar o contexto que esse projeto será inserido; assim como quais são os hábitos, os costumes e os valores desta sociedade, a rotina das pessoas que aliestão inseridas, como funcionaM as construções, qual o clima, a econo- mia, a política, pois tudo isso trabalha em conjunto na cultura de uma sociedade e é de extrema importância que um projeto de design pense na relação de todos eles. Como inserir todo esse contexto em um projeto? Pense nos 3 tópicos importantes quando for projetar: função, estética e símbolo. Por mais que seja mais fá- cil pensar em cultura e já direcionar para estética e símbolo, tenha como exemplo a criação de casacos de frio daqueles mais sofisticados, qual seria sua função nas áreas tropicais do nosso país? Mesmo sendo um fator climático, você consegue entender essa analo- gia? A função de um projeto de design é fazer com que ele seja útil na sociedade em que ele está inserido. Para além das etapas comuns a qualquer mo- delo metodológico convencional, a ação do designer deve considerar a reunião e análise da informação existente sobre a capacidade pro- dutiva na região. Deve também realizar uma interpretação da sociedade e dos seus hábitos culturais com o intuito de encontrar um per- fil de consumidores. Com esta informação, o designer deve questionar-se sobre quais são as possibilidades de inovação, decompondo o problema nos seguintes aspectos: inovação através da tecnologia (técnicas e materiais à dis- posição), inovação através do programa (usos e costumes) ou inovação através da forma (lin- guagem simbólica) (GUTIERREZ, 2011, p. 31). Assim, quando um designer trabalhar a relacão entre tradição e inovação, Gutierrez (2011) diz que seu pro- jeto pode ser inovador e realista, baseado nas memó- rias, cultura, tradição e patrimônio locais. Deixando de ser apenas a produção de algo e transformando-se em um processo de diálogo entre pessoas e culturas. Destacar a importância do método do projeto em design na criação de produtos capazes de expressar a cultura dos lugares a que estão associados. O forte relacionamento que, às vezes, existe entre o ato do projeto em design e a cultura do lugar pode ser entendido como uma oportunidade fundamental no desenvolvimento de produtos, beneficiando quer o produto quer o contexto cultural de referência. Leia o artigo “O Design como veiculador da cultura de um lugar”, de Ermanno Aparo e Liliana Soares, no site: <http://www.educacaografica.inf.br/artigos/o-design-como-veiculador-da-cultura-de-um-lugar> e saiba mais sobre a influência da cultura no Design. Fonte: Aparo; Soares (2013, online). SAIBA MAIS TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 92 Sustentabilidade & Ecologia Para falarmos sobre sustentabilidade é importante sabermos do que se trata o termo: O conceito de sustentabilidade ambiental refe- re-se às condições sistêmicas segundo as quais, em nível regional e planetário, as atividades humanas não devem interferir nos ciclos natu- rais em que se baseia tudo o que a resiliência do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem empobrecer seu capital natural, que será transmitido às gerações futuras (MANZINI et al., 2005, p. 27 apud PRUDÊNCIO at al., 2011, p. 6). Esse é um tema discutido em tantas áreas hoje em dia e, mais do que nunca, deve ser refletido em nós como profissionais do design, afinal, nossa matéria-prima de criação vem do nosso meio ambiente,e sabemos que a forma como nosso mundo tem se comportado em relação ao seu habitat natural não contribui para um futuro com boa qualidade de vida. O ambiente artificial em que vivemos é fru- to de uma construção cultural, que determina um “modo” de projetar, produzir, distribuir e consumir. Juntando-se a isso a globalização, que fomenta esta economia em escala mundial, temos um quadro ambiental insustentável. É preciso integrar o conceito de responsabilidade ambiental e cidadania em nossas relações com os artefatos e com o ambiente artificial (PRU- DÊNCIO et al., 2011, p. 2). A evolução industrial e do homem, em se tratando de sociedade, cresceu rapidamente. Modificou a vida das pessoas, transformou o consumo em algo mais do que necessário, só que se esqueceu que a fonte material inicial para esses processos não evoluiu em conjunto, talvez porque o progresso moral e ético do homem não acompanhou essas drásticas mudanças, então, não se preocupou com as grandes perdas que o meio ambiente começou a sofrer. DESIGN 93 A relação da sociedade com natureza vem se alterando aos poucos, infelizmente não porque foi criada uma consciência ambien- tal, mas sim porque constatou-se que se não houver uma mudança de consumo os recur- sos naturais se esgotariam, e isso seria inviá- vel para a existência humana, causando assim implicações econômicas mundiais catastrófi- cas (BOBBIO, 2000, apud PRUDÊNCIO et al., 2011, p. 5). A questão ambiental hoje carrega problemas como mudanças climáticas, diminuição de recursos da biodiversidade, escassez de água, crescimento po- pulacional e urbano, aquecimento global e descarte errado do lixo. E será que precisaremos ficar sem o essencial para darmos valor? É claro que nós designers não conseguimos gerar mudanças sozinhos, pois existe toda uma sociedade relacionada a lideranças, políticas e economias que devem refletir e agir sobre o mesmo assunto. Mas nossa profissão também tem um papel de extrema importância ao realizar processos e solu- ções de projeto que transmitam valores e resoluções sutentáveis, para, de certa forma, influenciar o con- sumo e a maneira como as pessoas se comportarão na sociedade. Cabe ao designer pensar cada vez mais em ter- mos do ciclo de vida do objeto projetado, ge- rando soluções que otimizem três fatores: 1) uso de materiais não poluentes e de baixo con- sumo de energia; 2) eficiência de operação e fa- cilidade de manutenção do produto; 3) poten- cial de reutilização e reciclagem após o descarte (CARDOSO, 2008, p.248). Isto é, o designer, no primeiro fator, projeta com materiais baseados na sustentabilidade. E a partir desse projeto, já desenvolve maneiras para que esse produto funcione de forma sustentável. Por últi- mo, pensa em que forma esse produto, ao não ter mais sua função inicial, ainda tenha potencial para de alguma maneira ser reutilizado e reaproveita- do, trazendo o mínimo de malefícios possíveis ao meio ambiente. Desse modo, o design atua de maneira participa- tiva em sua concepção de projeto e de trasmissão de valores sustentáveis para a sociedade. Desde a utili- zação dos materiais, do processo de desenvolvimen- to e execução, do funcionamento, da manutenção e do descarte ou reaproveitamento. 94 considerações finais Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade. Nesta, conversamos e conhecemos mais sobre elementos que influenciam os processos do design. Vimos que, além dos elementos básicos e dos princípios teóricos, existem ele- mentos externos que fazem parte dos processos que a nossa profissão desenvolve e que, como profissionais, devemos estar atentos e nos preocupando com esses elementos. Os materiais são aqueles que darão forma e concretizarão nossas ideias, então ,devemos conhecer como eles reagem e são produzidos, de onde eles vêm e como devem ser pensados em nossos projetos. Os efeitos da tecnologia e da globalização não podem ser deixados de lado, pois suas influências são de grande importância para o design. Precisamos estar atentos às mudanças desses elementos, conhecer o que surge de novo, refletindo sobre o que de bom pode ser absorvido e sobre o que precisamos tomar cuidado para que esses efeitos não prejudiquem os projetos em nosso universo profissio- nal. Os estilos e os componentes culturais sempre farão parte do nosso modo de pensar design, afinal, temos que lembrar que nossos projetos não são só criações materiais, são ideias que estabelecem conexão e relação humana – então, a histó- ria não pode ser deixada de lado quando vamos criar. Por último, a sustentabilidade, que é pensar, em uma perspectiva macro, no ambiente em que vivemos e na importância de darmos valor a tudo que temos para não perdermos qualidadede vida e matéria-prima, não só para criar design, mas para sobrevivermos. Espero que tenha gostado e que você, como profissional, se dedique e valorize esses elementos em sua profissão. 95 LEITURA COMPLEMENTAR Os debates teóricos que abordam as relações entre de- sign e artesanato suscitam grandes controvérsias, envol- vendo também questionamentos referentes às articula- ções com a arte e com a indústria. Esta discussão é de grande relevância para o provimento de uma base sólida na aplicação de políticas públicas visando ao desenvolvi- mento sustentável, uma vez que diz respeito ao acesso à qualidade de vida e à equidade. A polêmica que existe em torno das relações entre design e artesanato parte da própria indefi nição do que seja design, e do contexto interdisciplinar em que as intervenções se inserem. Fla- mand (2006, p. 112) fala da tentativa de: “(...) identifi car os contornos de um domínio que é indisciplinado por natureza” e esta indefi nição – ou abrangência – está li- gada ao fato de que design não é unicamente forma, e a forma não é unicamente um atributo físico: ela inclui um conceito em que estão implícitos valores, tradições, ideias, condições materiais. Ela é depositária de histo- ricidade, de pensamento ou de imaginação humana e, enquanto está contida no espaço em que se reproduz, seu sentido evolui ao longo do tempo. Assim, os víncu- los que o design estabelece com o artesanato, a arte, a indústria e o mercado podem ser explicitados através de enfoques que se situam entre dois extremos opostos. Alguns autores – tais como JollantKneebone (2003) – se atêm ao campo industrial e não entendem o artesanato como resultado de processos de design; outros – Branzi (2003), por exemplo – consideram o design como uma forma de concepção, independente dos meios de produ- ção pelos quais ele se materializa. Vários posicionamen- tos intermediários – Maldonado (1993), Dorfl es (1991) ou Dormer (1993), entre outros – propõem nuances em uma compreensão que procura absorver os refl exos de perspectivas surgidas em diferentes contextos. O design é central para a inovação, que tem sido colocada como a base de um novo ciclo de desenvolvimento, estruturado a partir da criatividade e do conhecimento. Desta forma, dentro de setores cuja essência muitas vezes é tradicio- nal, as relações entre a produção artesanal e design ad- quirem relevância, fazendo com que sua compreensão seja fundamental para a articulação de metodologias co- erentes com os processos sociais e tecnológicos. Neste artigo, analisamos alguns pontos dos debates teóricos existentes, buscando um direcionamento que possa ser construtivo para a estruturação de um design brasileiro compatível com tendências sociais emergentes. Desen- volvimento sustentável e políticas de design, o discurso da sustentabilidade nasceu das preocupações de gru- pos ambientalistas com o impacto da economia sobre o meio ambiente. [...] As relações do design com a indústria e com a arte fa- zem parte do debate ampliado que está sendo instituí- do e as diferentes visões defi nem as possibilidades de intervenção institucional no sentido de contribuir para mudanças materiais que permitam a reconstrução do tema da sustentabilidade. O design está no âmago dos sistemas de inovação que promovem a competitividade Entre arte e indústria: o artesanato em suas articulações com o design Design, artesanato e sustentabilidade 96 LEITURA COMPLEMENTAR e, no Brasil, tem sido colocado em pauta pelo governo como parte da agenda de desenvolvimento regional: gradativamente ele tem passado a integrar o planeja- mento das empresas e a tornar-se objeto de esforços coordenados na nova geração de políticas públicas. En- tre as ações institucionais neste sentido está a criação do Programa Brasileiro de Design, lançado em 1995, que se propõe a articular o conjunto de ações do gover- no em apoio às iniciativas do setor privado, com vistas ao fortalecimento do design brasileiro (AMARAL, 2002). Outros direcionamentos, como os dados pelos planos plurianuais do governo federal, integraram o planeja- mento regional e o federal, e propuseram uma nova cultura gerencial, ampliando a atuação de instituições tais como o SEBRAE e o SENAI. O design passou então a ser estimulado dentro de um contexto de apoio à base regional de desenvolvimento em conformidade com os valores sócio-regionais, ligado a mecanismos tais como o fortalecimento de aglomerações produtivas. É dentro deste contexto que as relações entre design e artesana- to adquirem relevância. [...] Os embates teóricos sobre as relações entre de- sign e artesanato têm 95 implicações importantes para a elaboração e aplicação de políticas públicas e metodologias. Assim, dentro de um contexto que admite a relevância do artesanato tanto do ponto de vista do mercado, quanto da cultura, o design abre novas perspectivas para países e regiões ainda não industria- lizados. As políticas de design podem – e devem – estar associadas a outros tipos de políticas para que haja uma articulação efetiva e funcional de esforços; a percepção do potencial do design em situações nas quais prevalece uma produção artesanal é fundamental para a aplicação de metodologias coerentes com o tecido social de cada região, proporcionando evoluções gradativas e evitando rupturas bruscas tais como as resultantes de processos de industrialização que promovem o crescimento em detrimento do desenvolvimento. A possibilidade de pro- jetar pequenas séries diferenciadas para produção em ambientes tradicionais viabiliza, portanto, uma forma de design que interpreta a cultura contemporânea e local, partindo do contexto produtivo artesanal para dotá-lo de estratégia e método; o artesanato poderá, assim, tor- nar-se competitivo no âmbito do mercado e contribuir para a busca do desenvolvimento sustentável. Fonte: Castro (2009, p. 89) 97 atividades de estudo 1. Com a Revolução Industrial, ocorreram profundas transformações em âmbito cultural, social e econômico, o que tornou acelerada a multiplicidade de materiais disponíveis para a produção de produtos. Nessa época, houve o impulso do design devido à necessidade de criação de produtos e o planejamento da produção com base no desenvolvimento em série (CALEGARI, 2014, p. 3). Ao se tratar de design cria personalidade através dos materiais utilizados. Descreva o perfil objetivo dos materiais para escolhê-los em um projeto. 2. Se tratando dos perfis subjetivos dos materiais, podemos afirmar que estão corretas as assertivas: I. Sociais: aspectos sociais decorrentes da extração de recursos e manufatura. II. Técnicos: comportamento físico, mecânico, térmico, elétrico e processo de fabrica- ção. Estéticos: esses atributos estão relacionados com a impressão estética que é sentida sobre um objeto por meio dos sentidos, assim, forma, figura, sensações de tato, textura dos materiais, peso, transparência, brilho e cheiro são atributos que são traduzidos pela dimensão estética. III. Econômicos: custos de ciclo de vida dos materiais aplicados ao produto. Práticos: são os atributos que relacionam-se diretamente com uso, manuseio e experiência dos usuários com os objetos, desse modo, os atributos como usabilidade, ergonomia, conforto, segurança, limpeza e higiene, saúde, qualidade, desempenho, confiabilida- de e resistência fazem parte da dimensão prática e de uso dos materiais. IV. Simbólicos: esses atributos estão relacionados com aspectos psíquicos e sociais, que são sujeitos à variações culturais e sociais, à experiência do indivíduo, às diferenças individuais e dos valores de cada um e da coletividade, com isso, a dimensão simbóli- ca dos materiais pode ser revelada em atributos como: identidade, memória, cultura, natural e artificial, autêntico e imitações, artesanal e industrial, valores, estilos de design e associações. a. I e II. b.II, III e IV. c. II e III. d. Somente IV. e. Nenhuma das alternativas. 3. As informações, as imagens, os produtos e os serviços chegam a nós todos os dias com velocidade e em superabundância, principalmente pela internet, tornando mui- tas vezes as coisas insignificantes e passageiras. Descreva, com suas palavras, como a internet pode influenciar na profissão do designer. 98 atividades de estudo 4. Dentre os estilos estudados, quais são aqueles considerados estilos mais atuais em nosso mercado de atuação do design: a. Contemporâneo e Retrô. b. Minimalista e Provençal. c. Moderno e Clássico. d. Provençal e Rústico. e. Moderno e Rústico. 5. Diferencie a principal característica que especifica a diferença entre os estilos Retrô e Vintage. 6. A influência da cultura é muito forte em qualquer projeto de design, porque se inter- -relaciona com a sociedade em que o design se insere. Descreva, com suas palavras, o que é cultura. 7. Segundo Cardoso (2008), qual a afirmativa que melhor explica sobre fatores que pensam no ciclo de vida do objeto projetado, para que a sustentabilidade seja valo- rizada nesses projetos? a. Potencial de reutilização e reciclagem antes do descarte. b. Uso de materiais não poluentes e de baixo consumo de energia. c. Eficiência de operação. d. Manutenção regular do produto. DESIGN 99 Coleção Folha Design de Interiores Editora Folha Editora: Folha Sinopse: Em 20 volumes, a Coleção Folha Design de Interiores traz o melhor da decoração internacional, organizada por diferentes estilos – do clássico ao moderno, do ecológico ao high tech, do minimalista ao rústico, do pop ao vintage... A coleção apresenta uma exclusiva seleção com curadoria dos maiores experts do setor, in- cluindo arquitetos e designers brasileiros. Uma irresistível fonte de inspiração para o leitor soltar a criatividade, por meio de belíssimas fotografias que detalham projetos e as tendências de decoração em diferentes ambientes. Quais são os livros? Coleção Folha Moda Editora Folha Editora: Folha Sinopse: Organizada em 25 livros, a Coleção Folha Moda de A a Z apresenta uma seleção dos principais estilistas e grifes, partindo dos patriarcas da moda, como Charles Worth e Paul Poi- ret, aos ídolos de diversas décadas. De Coco Chanel (musa dos anos 1920 e 1930, cujo legado permanece vivo ainda hoje) e Yves Saint Laurent (teve seu auge nos anos 1970, mas produziu uma obra de estilo grandioso e atemporal), a Alexander McQueen (gênio da geração 1990 que morreu prematuramente) e Miuccia Prada (um dos nomes mais criativos e importantes da criação de moda atualmente). A coleção também traz informações sobre estilistas brasileiros. Apesar de muito mais recente do que o mercado europeu, o mundo do design de moda local vem criando seus expoentes desde a década de 1960, de Dener a Alexandre Herchcovitch, de Lenny Niemeyer a Francisco Costa, atual diretor de criação da Calvin Klein, dentre outros. • Moderno • Clássico • Contemporâneo • Toscano • Pop • Vintage • Mediterrâneo • Ecológico • Minimalista • Urbano • Provençal • Oriental • Campestre • High-Tech • Surrealista • Colonial • Étnico • Rústico • Asiático • Nórdico TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 100 Os livros também contemplam, tanto no âmbito brasileiro quanto no internacional, marcas que foram fenômeno importante em determinado momento e outras que mantiveram seu status de grandes clássicos da moda mesmo passando pelas mãos de diversos designers. A coleção inclui ainda definições dos principais movimentos de estilo da história, da moda dos punks e moda aos hipsters e um glossário de tecidos, com especificações técnicas e des- crições. Toda a edição é ilustrada com uma seleção de imagens das principais criações dos designers apresentados. A edição conta com curadoria e textos da jornalista e analista de moda Vivian Whiteman em parceria com um time de redatores e editores italianos. Disponível em: <http://colecaomoda.folha.com.br/>. Design para um mundo complexo. Rafael Cardoso Editora: Cosac Naify Sinopse: Neste livro, Rafael Cardoso busca atualizar a discussão em torno do papel do de- sign na sociedade, revendo noções básicas como forma, função e significado, demonstrando como a relação com as coisas pode ser definida pela mutabilidade. Ao enfrentar os dilemas colocados pela contemporaneidade, este livro tem por objetivo ser uma ferramenta teórica, elaborada de maneira clara tanto ao leigo quanto ao estudioso. Design, Cultura e Sociedade Gui Bonsiepe Editora: Blucher Sinopse: Este livro de Gui Bonsiepe apresenta uma inquietante análise sobre a evolução do design ao longo do século XX, registrando seus principais sucessos e descaminhos. De um lado, relata o desenvolvimento do design, delineado pelas várias políticas econômicas e so- ciais. De outro, mostra a vacilante trajetória diante do despreparo, acomodação e oportunis- mo dos seus principais protagonistas. Mas não se limita a analisar e criticar, pois apresenta sugestões sobre os caminhos possíveis no futuro. O autor tornou-se referência mundial na análise das diferenças políticas e econômicas entre o Centro e a Periferia, com seus inevitáveis reflexos na área de design. 101 referências APARO, E.; SOARES, L. O design como veiculador da cultura de um lugar. Educação grá- fica, Bauru, SP, v. 17, n. 2, p. 26-33, 2013. Disponível em: <http://www.educacaografica.inf. br/artigos/o-design-como-veiculador-da-cultura-de-um-lugar>. Acesso em: 5 fev. 2016. BONSIEPE, G. Design, Cultura e Sociedade. São Paulo: Blusher, 2011. CADEIRA polipropileno coral. RS designe: móveis para escritório, Santo André, São Pau- lo. Disponível em: <http://www.rsdesign.com.br/cadeiras-para-escritorio/cadeira-polipro- pileno/cadeira-polipropileno-coral/>. Acesso em: 24 jan. 2016. CÂNDIDO, M. O Design contemporâneo presente nas estampas de camisetas da Galeria do Rock. Design, arte e tecnologia. São Paulo: Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, PUC-Rio, Unesp-Bauru, p. 1- 16, 2008. Disponível em: <http://portal.anhembi.br/sbds/ pdf/11.pdf>. Acesso em: 3 fev. 2016. CALEGARI, E. P.; OLIVEIRA, B. F. de. Aspectos que influenciam a seleção de materiais no processo de design. Arcos Design, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 1-19, jun. 2014. Disponível em: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/arcosdesign/article/view/10435/10681>. Acesso em: 3 fev. 2016. ______. Um estudo focado na relação entre design e materiais. 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Resposta: • Gerais: preço e densidade. • Técnicos: comportamento físico, mecânico, térmico, elétrico e processo de fabri- cação. • Ambientais: legalidade, disponibilidade, uso de recursos naturais, impactos da ex- tração de recursos, conteúdo energético, conteúdo de material reaproveitado, uso de materiais locais, uso de materiais renováveis, resíduos e emissões, potencial de reaproveitamento e qualidade do ambiente de uso dos materiais. • Sociais: aspectos sociais decorrentes da extração de recursos e manufatura. • Econômicos: custos de ciclo de vida dos materiais aplicados ao produto. 2. D. 3. Importante comentar sobre pesquisas, tecnologias, compartilhar e adquirir informa- ções. 4. A. 5. O estilo retrô utiliza características antigas, porém produzidas hoje em dia, com ma- teriais e tecnologias dispostas a nós para produzir réplicas de peças e projetos anti- gos. Já o estilo vintage é se apropriar de algo realmente antigo para agregar ao seu projeto atual. 6. Culturas são sistemas que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. Esse modo de vida das comunidades inclui tecnologias e modos de organização econômica, padrões de estabelecimento, de agrupamento social e organização política, crenças e práticas religiosas e assim por diante. 7. B. Prof.ª Vanessa Barbosa dos Santos Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Equilíbrio • Contraste e harmonia • Repetição e ritmo • Gradação • Radiação • Ênfase ou focos visuais • Unidade Objetivos de Aprendizagem • Conhecer os princípios do design. • Compreender a aplicação dos princípios do design. • Entender a importância da aplicação desses princípios (individualmente ou em conjunto) para a construção de composições visuais e espaciais. MOVIMENTOS IMPORTANTES DO DESIGN Professora Me. Clauciane Pereira PRINCÍPIOS DO DESIGN IV unidade IV unidade INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à quarta unidade do nosso ma- terial didático. Nesta, você conhecerá os princípios do design, que cons- tituem o alicerce para a composição de seus projetos. A composição diz respeito à estrutura visual e à organização dos elementos no espaço para formar um todo coerente e harmonioso. Uma boa composição é um fator essencial em todas as formas de arte. Ao longo da história das artes visuais, foram propostas diversas teorias a respeito. A maioria das teorias contemporâneas aceitam os seguintes princípios como sendo importantes para a composição: equilíbrio, repe- tição e ritmo, contraste e harmonia, unidade e ênfase. São esses, acresci- dos da gradação e da radiação, os princípios que veremos um a um em seguida. Nesta unidade, vou lhe apresentar o princípio do equilíbrio, funda- mental para a distribuição dos elementos de uma composição. Também, abordaremos o contraste e a harmonia, o primeiro menos óbvio e de- safiador, o segundo mais estável e simples. Vamos perceber a conexão existente entre os princípios da repetição e do ritmo. Veremos, também, o quanto os princípios da gradação e da radiação estão intrinsecamente relacionados à repetição. Já nos encaminhando para o desfecho da unida- de, descobriremos como a ênfase é necessária a todas as composições e, por último, que a unidade é criada quando nos preocupamos em pensar as partes com o objetivo de construir um todo coerente. Por vezes, enquanto criamos uma composição, encontraremos pro- blemas em relação à distribuição dos elementos. O designer é responsável pela definição de soluções e esses resultados determinam o objetivo e o significado do que é percebido pelo observador. Para obter um resultado compositivo satisfatório, é preciso conhecer cada um desses princípios, para adequá-los à situação de projeto e às expectativas das pessoas. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 108 Equilíbrio Lembro-me de que, quando criança, uma das brincadeiras que fazia com minhas amigas era me equilibrar sobre os muros das quadras do colégio onde estudava. Normalmente, abria os braços com a intenção de distribuir o peso do meu corpo e, assim, conseguia alternar continuamente meu peso enquanto caminhava sobre aquela superfície tão estreita. O mesmo se aplica ao design, nele, o equilíbrio tem o objetivo de dispor, de forma equivalente ou proporcional, as partes que compõem o todo no espaço, assim, o equilíbrio acontece quando o peso visual de um objeto neutraliza o de outro objeto. O equilíbrio pode ser criado tanto entre objetos seme- lhantes ou iguais, mas em posições diferentes, quan- to entre objetos diferentes. DESIGN 109 Figura 1: Equilíbrio Fonte: Oliveira (online). Quando os elementos de uma composição são dis- postos de forma idêntica em ambos os lados de um eixo ou ponto central, temos uma composição simé- trica e, consequentemente, uma composição equili- brada ou, ainda, um equilíbrio simétrico. Em con- trapartida, elementos diferentes dispostos de forma desigual geram uma composição assimétrica, mas não necessariamente desequilibrada. O equilíbrio assimétrico pode ser alcançado por meio da utilização de elementos contrastantes. Por exemplo, um objeto pequeno em oposição a outro grande (contraste de tamanho), uma textura neutra e simples contrapondo uma mais elaborada e rica em elementos (contraste de texturas), uma cor vi- brante associada a um tom neutro ou uma dupla de cores complementares como amarelo e azul viole- ta (contraste de cores), linhas sinuosas e femininas combinadas a linhas retas e masculinas (contraste de forma), dentre outros. Para Lupton et al (2008, p.29), “é como arranjar os móveis numa sala: movemos os componentes até que o equilíbrio da forma e do espaço pareça corre- to. Os objetos grandes são um contraponto aos pe- quenos; objetos escuros aos claros”. Simetria no projeto de interiores Vestidos Assimétricos TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 110 Existe, ainda, a possibilidade de aplicação do que chamamos equilíbrio radial, sua principal caracte- rística é o movimento circular ao redor do ponto central da composição (em direção ao centro ou a partir dele), como numa mandala formada por vá- rios e diferentes anéis ou numa roda gigante em que os assentos são fixados de forma equidistante e na extremidade da circunferência. De maneira geral, a simetria resulta numa com- posição mais calma e tranquila, enquanto algo mais dinâmico pode ser alcançado se os elementos forem organizados assimetricamente. A sime- tria tende ao equilíbrio e à falta de movimento, enquanto a assimetria dá movimento e tensão espacial ao design (DABNER et al., 2014, p. 38). Quando não se estabelece o equilíbrio, seja ele simé- trico ou assimétrico, o resultado é o desequilíbrio. O que é composição? “Composição refere-se à estrutura visual e organização dos elementos dentro de um design. Isso diz respeito ao processo de com- binar diferentes partes ou elementos para formar um todo. A composição envolve ver o todocomo mais do que a soma de suas partes e é tão importante para o resultado final quanto os elementos individuais que compõem um design”. Fonte: Dabner et al (2014, p. 32). SAIBA MAIS Para Gomes Filho (2004), uma composição desequi- librada parece acidental, transitória e instável. Essa instabilidade pode ser aplicada como uma técnica compositiva para provocar, inquietar, surpreender ou chamar a atenção do observador. Mandala formada por vários e diferentes anéisRoda gigante em que os assentos são fixados de forma equidistante DESIGN 111 Contraste e Harmonia Você já ouviu a música “Certas Coisas”? Ela foi com- posta por Nelson Motta e Lulu Santos que também interpreta a canção, que diz o seguinte: “Não existi- ria som se não houvesse o silêncio. Não haveria luz se não fosse a escuridão. A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim”. As diferenças são parte do nosso dia a dia: o calor e o frio, o doce e o amargo, o pobre e o rico, o alto e o baixo. A oposição ou diferença perceptível ao nosso redor desequilibra, choca, estimula e atrai nossa atenção, esse é o objetivo da aplicação do contraste entre os elementos de uma composição, ele permite ressaltar o peso visual de um ou mais elementos, elimina as incertezas e quebra a monotonia. Para Jones (2011), é um dos princípios mais úteis e faz com que o olhar reavalie a importância de uma área focal em relação a outra. O contraste é um tipo de comparação na qual as diferenças se tornam claras, conforme des- creve Wong (1998, p. 105): Duas formas podem ser consideradas simila- res em determinados aspectos e diferentes em outros. Suas diferenças se tornam enfatizadas quando ocorre contraste. Uma forma pode não parecer grande quando é vista isolada, mas pode parecer imensa comparada com formas minúsculas próximas a ela. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 112 A ausência ou não da luz citadas na música de Lulu Santos é a chave da força visual e da importância do significado do contraste, já que somos todos cegos em circunstâncias onde a escuridão predomina. Ainda que haja luz, o funcionamento da visão é mais eficiente quando os padrões que observamos se tor- nam visualmente mais claros por meio do contraste. O contraste pode ser aplicado a todos os elemen- tos básicos de uma composição, como linha, forma, direção, tamanho, textura, cor, proporção e escala. O contraste ocorre todo o tempo. Há contraste quando uma forma é circundada por espaço vazio. Há contraste quando uma linha reta encontra uma curva. Há contraste quando uma forma é muito maior que outra. Há contraste quando as direções verticais e ho- rizontais coexistem (WONG, 1998, p. 105). O designer deve administrar suas intenções de modo que não vacile na escolha entre a harmonia e o contraste para conduzir o processo de concepção de uma com- posição, de maneira que o efeito produzido não seja ambíguo e, portan- to, insatisfatório e decep- cionante para o público. Por sua natureza desleixada e inferior, a ambiguidade é con- siderada um efeito compositivo indesejável. Dondis (1997, p. 117) frisa que “a monoto- nia representa para o de- sign uma ameaça tão grande quanto em qualquer outra esfe- ra da arte e da comunicação”. O contraste busca uma organização que tem como meta a criação de um efeito intenso, não ape- nas por meio da justaposição de elementos diferen- tes, mas também pela exclusão daquilo que é desne- cessário e, por esse motivo, acentua e realça o que é essencial. Para Dondis (1997, p. 108), no processo de estruturação de uma composição, “o contraste é uma força vital para a criação de um todo coerente. Em todas as artes, o contraste é um poderoso instru- mento de expressão”. Enquanto o contraste tem intenções menos ób- vias e mais intensas, a harmonia é ordenada, simé- trica e simples. O organismo humano parece buscar a harmonia, a organização de toda a espécie de es- tímulos em totalidades racionais, reduzir a tensão, explicar, resolver conflitos. Figura 2: Contraste Fonte: Oliveira (online). DESIGN 113 De acordo com Dondis (1997, p. 117), a harmonia é um método útil e quase infalível para a solução de problemas compositivos [...]. As regras a serem observadas são extremamen- te simples e claras, e, se forem seguidas com rigor, sem dúvida os resultados obtidos serão atraentes. Simplesmente não há como equivo- car-se. A harmonia diz respeito à disposição formal bastan- te organizada do todo ou entre as partes de um todo, nela, predominam os fatores de equilíbrio simétrico, de ordem, alinhamento e de regularidade visual. As construções gregas, como o Partenon, são um exem- plo da busca absoluta e lógica de resultados harmo- Regularidade x irregularidade “A regularidade no design constitui o favore- cimento da uniformidade dos elementos, e o desenvolvimento de uma ordem baseada em algum princípio ou método constante e invariável. Seu oposto é a irregularidade, que, enquanto estratégia de design, enfatiza o ines- perado e o insólito, sem ajustar-se a nenhum plano decifrável”. Fonte: Dondis (1997, p. 143). SAIBA MAIS niosos. O estilo grego é associado à harmonia e ao equilíbrio completos e à estabilidade total. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 114 Repetição e Ritmo Como um bom estudante de design, é provável que você conheça as obras de Mondrian e, portanto, sai- ba que muitas de suas pinturas são compostas por linhas ortogonais que definem espaços retangulares ou quadrados de diferentes tamanhos que podem ou não ser preenchidos com as cores primárias: azul, vermelho e amarelo. Empregando a repetição das formas e das cores, Mondrian promove um estilo bastante particular que faz com que suas obras sejam facilmente re- conhecidas pela criação de estruturas geométricas. Para Hurlburt (2002, p. 60), “a influência de Mon- drian no design contemporâneo assumiu muitas formas”, dentre elas, o princípio da repetição, como artifício capaz de garantir coerência, unidade e rit- mo a uma composição. Para Leborg (2015, p. 40), a repetição acontece “quando diversos objetos com uma mesma caracterís- tica são dispostos em uma composição”, mesmo que outras características desse objeto sejam diferentes. Dessa maneira, a forma pode ser a mesma, mas as co- res e os tamanhos não precisam ser iguais. Em outros casos, a direção pode se repetir, enquanto a textura dos elementos que fazem parte da composição muda. Padrão de tecidos, como exemplo de repetição DESIGN 115 Figura 3: Broadway Boogie Woogie de Mondrian Fonte: Broadway... (online). Colunas e janelas na Arquitetura Pés em uma peça de mobiliário Ladrilhos no piso TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 116 Assim, forma, tamanho, cor, direção e textura, indi- vidualmente ou em conjunto, podem ser repetidos em um projeto de design, provocando, também, um movimento organizado e contínuo, que pode produzir ritmo na composição. O ritmo se refere a qualquer movimento gerado por uma repetição e é bastante empregado para a organização das formas e dos espaços. Para Ching et al. (2013), embora seja reconhe- cido mais facilmente quando a repetição forma um padrão linear, o ritmo também pode ser criado pela repetição de séries não lineares de elementos. Design de superfície Design de superfície é uma atividade criativa e técnica que se ocupa com a criação e desenvolvimento de qualidades estéticas, funcionais e estruturais, projetadas especificamente para constituição e/ou tratamentos de superfícies, adequadas ao contexto sócio-cultural e às diferentes necessidades e processos produtivos. Fonte: Rüthschilling (2008, p. 23). SAIBA MAIS Figura 4: Ritmo Fonte: Oliveira (online). DESIGN 117 Gradação Como diria, ou melhor, como cantaria, Fernando Anitelli – líder do grupo O teatro mágico, na música “O sonho de uma flauta” –, “a gente parece formi- ga lá de cima do avião”. Ou seja, as coisas que estão próximas nos parecem maiores e aquelas que estão distantes nos parecem menores. Imagine-se observando(de baixo para cima) um prédio em que as janelas tenham padrões regulares, note como as janelas mais próximas de você pare- cem grandes, perceba como o afastamento das ja- nelas no topo do prédio faz com que pareçam cada vez menores, a mudança gradativa no tamanho das janelas sugere o efeito causado pela gradação. Para Leborg (2015), a gradação é considerada uma mudança progressiva e em ritmo uniforme, usada em referência ao aumento ou a diminuição da saturação de um tom, de uma textura ou do tamanho de um objeto. Wong (1998) acredita que a gradação pode ser aplicada, individualmente ou em conjunto, à maioria dos elementos. Isso significa que as unida- des da forma podem ter gradação de formato, tama- nho, cor, textura, direção, posição, dentre outros. A maneira pela qual a mudança ocorre é deter- minada pela trajetória da gradação. Para transfor- mar um quadrado em círculo, o quadrado pode ter seus cantos cada vez mais arredondados (raios se- quencialmente maiores), a fim de se tornar cada vez mais um círculo. Wong (1998) ainda ressalta que, se um elemento se transforma em poucos passos, a sensação de gradação pode não ocorrer, em contra- partida, a gradação muito lenta pode ser confundida com o efeito da repetição. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 118 O efeito da radiação pode ser observado na nature- za, na disposição das pétalas de uma flor ou nas on- dulações geradas pelas gotas de chuva na superfície de um rio. Para Wong (1998, p. 87), “um padrão de radiação imediatamente prende a atenção. É muito útil quando se necessita de um elemento de grande força e visibilidade”. Ainda de acordo com Wong (1998), a radiação pode ser descrita como um caso especial de repe- tição, já que elementos regularmente repetidos em torno de um centro comum produzem um padrão de radiação. Por outro lado, para que os elementos sejam repetidos em torno de um centro, a repetição tem de passar por uma gradação de direções. Por- tanto, a radiação pode também ser considerada um caso particular de gradação. A aplicação conjunta dos efeitos de gradação e radiação pode ser vista, por exemplo, em vestidos Radiação cuja estrutura acontece em camadas. O efeito de gra- dação é criado pela sobreposição de camadas de di- ferentes comprimentos, a primeira camada é longa, enquanto as demais ficam curtas à medida em que se aproximam da cintura do vestido, aproximação que gera o efeito de radiação. O padrão de radiação tem características, descri- tas por Wong (1998), que facilitam a distinção entre um padrão de repetição ou de gradação: a. É, normalmente, multissimétrico, ou seja, a simetria se configura tanto no eixo vertical como no horizontal e no diagonal. b. Tem um ponto focal normalmente localizado no centro da composição, além de ser bastan- te forte. c. Pode gerar energia ótica e movimento a par- tir do centro ou em sua direção. Exemplos de radiação em pétalas de flor e ondulações na água. Exemplos de radiação em padrão de repetição e de gradação. DESIGN 119 Ênfase ou Focos Visuais Para Gibbs (2015), de forma involuntária, as pesso- as se interessam por um ponto definido no espaço compositivo. De alguma maneira, todas as compo- sições precisam ter algum tipo de ênfase. Qualquer elemento pode ser utilizado para atrair a atenção do observadA e, portanto, como foco visual, desde que seja óbvio, chamativo ou que quebre a estabilidade de uma composição simétrica pela sua disposição no espaço. A ênfase é regularmente alcançada quando há aplicação do contraste em uma composição, como vimos anteriormente, o contraste é um tipo de com- paração na qual as diferenças se tornam claras. Figura 5: Ênfase Fonte: Oliveira (online). Unidade Se você procurar pela palavra unidade no dicioná- rio, vai ver que existem vários significados, os que nos interessam dizem o seguinte, de acordo com o Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa Fo- lha/Aurélio: a. qualidade do que é um ou único ou uniforme; b. homogeneidade, igualdade, identidade, uni- formidade; c. coordenação ou harmonia das partes de uma obra literária, artística, científica etc.; d. aquilo que, num conjunto, forma um todo completo. Esses significados bastam para que possamos entender o que é unidade, não há muito o que ser dito, unida- de significa a harmonia de uma composição como um todo e é comum que seja criada por meio da repetição. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 120 No mundo do design, poucas coisas são criadas para funcionar como peças isoladas. [...]. Pen- se no conteúdo de qualquer revista ou jornal, as informações mudam, mas o visual da publi- cação é consistente a cada novo número. Basta um olhar rápido para que você seja capaz de identificar suas publicações favoritas na prate- leira (DABNER et al., 2014, p. 52). Você provavelmente já experimentou e gosta daque- le famoso líquido preto engarrafado e borbulhante conhecido e apreciado em todos os cantos do mun- do. Tenho certeza de que, mesmo sem ter mencio- nado o nome desse produto, você já sabe que estou me referindo a Coca-Cola, a marca é um ótimo e completo exemplo da aplicação da unidade. Entre nos sites: www.coca-cola.com.br (nos me- ses que antecedem o Natal, em especial, o espírito da marca é ainda mais explorado), www.cocacolabrasil. com.br e, se ainda estiver disponível, www.fabrica- dafelicidade.com.br, navegue por todos eles, com- pare-os e veja como o logotipo, os próprios sites, as embalagens, as propagandas na televisão, a frota, a sede da empresa, enfim, tudo converge para a iden- tidade da marca. A partir dessa análise, você será capaz de identi- ficar os elementos de design que estabelecem a con- tinuidade e a unidade na linguagem adotada pela marca e como ela se comunica com seu público-al- vo. Como designer você, provavelmente, aplicará o princípio da unidade em alguns ou em todos esses elementos para comunicar a marca de seus clientes e a sua própria marca também. Figura 6: Unidade Fonte: Oliveira (online). Com o princípio da unidade, finalizamos a unida- de IV, que teve como objetivo apresentar a você os princípios do design. Começamos pelo equilíbrio, essencial para a distribuição dos elementos de uma composição, pudemos diferenciá-lo do equilíbrio si- métrico, assimétrico e radial. Em seguida, falamos sobre o contraste e a har- monia e vimos o quanto as diferenças são importan- tes no design. Também, aprendemos que, enquanto o contraste tem intenções menos óbvias, a harmo- nia, ao contrário, é bastante clara em busca da orga- nização entre as partes de um todo ou do todo. DESIGN 121 TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 122 Falamos sobre a repetição e o ritmo e, assim, perce- bemos a conexão que existe entre os dois princípios, já que, habitualmente, se há repetição na composi- ção, há também o ritmo. Assim como o ritmo, os princípios da gradação e da radiação estão intrinsecamente relacionados à repetição, já que a gradação é resultado de uma mu- dança progressiva e a radiação é criada quando um determinado elemento é regularmente repetido em torno de um centro comum. Já nos encaminhando para o desfecho da unida- de, descobrimos que, de algum modo, todas as com- posições precisam ter algum tipo de ênfase e que a unidade é criada quando nos preocupamos em pen- sar as partes com o objetivo de construir um todo coerente. Espero que, com o conteúdo proposto nesta uni- dade, você seja capaz de criar ótimas composições. “O design é o esforço consciente de impor uma ordem significativa”. Fonte: Victor Papanek (apud LUPTON et al., 2008, p. 115). REFLITA 123 considerações finais Caro(a) aluno(a), chegamos ao final de mais uma unidade, pudemos perceber que, de acordo com as peculiaridades de cada projeto, o designer deve escolher um caminho a seguir. Clientes diferentes terão diferentes preferências e, independentemente dessas especificidades, o designer deve estar preparado para atender a todas as expectativas colocadas naquele projeto. Se souber quais são todosos princípios do design, os efei- tos que criam e dominar a sua forma de aplicação, o designer com certeza será capaz de compor muitas e criativas soluções de projeto e, consequentemente, agradar ao mercado ou a um cliente em especial. Quero que seja capaz de perceber como esses princípios que acabei de lhe apresentar têm relação entre si. Veja como uma composição equilibrada pode ser alcançada tanto por meio da aplicação do contraste quanto da harmonia. Veja como o contraste pode ser utilizado tanto em uma composição simétrica, quanto em uma assimétrica, como o contraste leva à ênfase, como a repetição, gradação e radiação vão ao encontro do ritmo, perceba que a repetição induz à unidade. Como vimos na introdução desta unidade, uma composição refere-se à estrutura e à organização dos elementos de um projeto de design. Organizar significa combinar, associar, contrastar, arranjar, mas não de qualquer forma, por meio da exploração, dentre outras ferramentas, dos princípios do design. Para finalizar, se me perguntasse se concordo com a afirmação de Papanek (de que “o design é o esforço consciente de impor uma ordem significativa”), eu diria que sim. Na minha opinião, o design é um esforço consciente, porque nada é feito sem que antes todas as informações e todas as possibilidades a respeito daquele projeto sejam analisadas e ponderadas com cautela, e é significativo justamente porque é sensível ao contexto do projeto, logo, estabelece um sentido. 124 LEITURA COMPLEMENTAR Leia o excerto do artigo abaixo, que aborda a utilização do princípio da unidade por meio da aplicação da identi- dade visual nos projetos comerciais. Imersos na ótica da globalização atual, nota-se a valori- zação de campos do conhecimento que são capazes de serem interlocutores das mais diversas demandas con- temporâneas - conciliando produtos e serviços a fi m de estreitar a relação das empresas com o seu consumidor. Dentre estas áreas, inclui-se o design que, apesar de sua recente inserção em meio à sociedade, vem adquirindo proporções relevantes, “as corporações e as instituições no mundo todo reconheceram o valor estratégico do design, e o cultivam e aperfeiçoam em grande medida. Pode-se dizer que o Design está presente em todas as bocas” (BURDEK, 2010, p. 07). Não obstante a relevância de todas as profi ssões, temos o designer como articulador, mediador e ferramenta em diversos setores, engenheiros podem desenvolver produtos e tecnologias; analistas de sistemas podem desenvolver programas; profi ssionais de marketing po- dem vendê-los; mas só os designers podem combinar todas essas coisas e conceber algo que seja viável, útil, desejável e que adicione valor à vida das pessoas (FAS- CIONI, 2003, p. 11). Para Burdek, “design é uma atividade, que é agregada a conceitos de criatividade, fantasia cerebral, senso de invenção e de inovação técnica e que por isso gera uma expectativa de o processo de design ser uma espécie de ato cerebral” (BURDEK, 2010, p. 225). A execução dessa atividade compreende organizar, classifi car, planejar, conceber, projetar e confi gurar sistemas de informa- ções, objetos bidimensionais, tridimensionais, virtuais e ambientes, de modo industrial ou artesanal (COELHO, 2008). Partindo dessas defi nições, entende-se o design como algo abrangente, que desdobra-se em produtos e ser- viços voltados para moda, ambientes, questões gráfi cas e de produção. O presente artigo enfoca o design de ambientes, que contempla as diversas necessidades de cada tipo de serviço, possibilitando o desenvolvimento de ambientes, valorizando a estética e a funcionalidade, de maneira que atendam aos objetivos particulares de cada cliente. Ambientes estes que, por meio de concei- tos, diretrizes para a concepção de projetos de design, confi gura a comunicação e cria identidades. É, pois, uma atividade consciente a fi m de gerar uma ordem sensata, compondo o cotidiano (SCHNEIDER, 2009). Tais defi nições ultrapassam a função básica do design, utilizado como ferramenta para o fortalecimento e a valorização das empresas, pois diante de um mercado altamente competitivo, é fundamental que haja dife- renciação do espaço de venda dos produtos e serviços, como meio de distinção dos mesmos. Souza justifi ca esta atuação, do pressuposto de que “[...] o design não lidará somente com fatores objetivos e mensuráveis, pois essas são apenas características necessárias a um projeto ou a um processo” (SOUZA, 2008, p. 24). Para que o design de ambientes seja rentável às empre- sas, é necessário abordar a sua identidade corporativa ou “o conjunto de atributos que torna uma empresa única, diferente das outras” (FASCIONI, 2006, p.1), como manifestação tangível da personalidade de uma empre- sa, a identidade projeta a real personalidade de uma 125 LEITURA COMPLEMENTAR empresa (FASCIONI, 2006). Sabendo que cada empresa possui particularidades, e que estas são fundamentais tratando-se de administra- ção, o design de ambientes deve ser utilizado para evi- denciar e articular tais aspectos; (...) o principal objetivo de uma empresa administrar a identidade corporativa é assegurar uma vantagem com- petitiva por suas características individuais. A linha de raciocínio é simples: a administração efi ciente da iden- tidade resulta na aquisição de uma imagem favorável e, após certo tempo, uma reputação desejável. Esse fator incentiva o relacionamento da empresa com seus acio- nistas, colaboradores, parceiros, fornecedores, clientes e funcionários de uma maneira consistente e confi ável, plena de credibilidade (LIGIA FASCIOLI, TESE). Para otimizar o entendimento da identidade corporativa dentro de um espaço, também é importante a comuni- cação visual dela. Coelho (2008, p.52) aponta alguns ele- mentos necessários para tal comunicação: A boa IDENTIDADE visual pressupõe alta pregnância, fácil divulgação e unidade. É na busca de uma marca de SIGNIFICADO claro (ou o mais preciso possível) que estariam compreendidos os princípios do estudo que constitui a programação ou COMUNICAÇÃO VISUAL (ou gráfi ca), normalmente denominações adotadas como habilitações específi cas dos cursos de design (...). Logo, a identidade corporativa se traduz e se manifesta de várias formas: na marca gráfi ca da empresa, nas suas comunicações, sejam elas internas e/ou externas, em seus ambientes de produção e atendimento, nas carac- terísticas de seus profi ssionais, em seu material impres- so (folder, cartões de visita e publicações em revista), nas edifi cações, no seu nome (naming) e em seu portfó- lio de produtos e serviços. Ou seja, cabe aos designers a função de transparecer a identidade corporativa, e, pois, agregar valor percebido aos produtos e/ou serviços. Tra- tando-se dos cenários corporativos, a responsabilidade recai aos designers de ambientes. Assim, segundo Churchill (2005), o projeto de ambientes deve levar em consideração a arquitetura, expressar a identidade da empresa através de layout, iluminação, cores, formas, temperatura, acesso, acústica, eventos especiais e uma série de outros elementos que pos- suem aspectos objetivos e subjetivos para proporcionar a qualquer indivíduo o que é oferecido pela empresa. Pois esses e outros elementos, quando empregados de forma adequada à demanda, determinarão uma atmos- fera exclusiva ao estabelecimento, ilustrando a sua iden- tidade corporativa. Fonte: Bahia et al. (2012, p. 672- 674). 126 atividades de estudo 1. (Enade Design 2006) Um sistema de identidade de um produto ou de uma empresa deve man- ter unidade formal entre os seus elementos. Tal unidade é obtida quando esses elemen- tos apresentam um padrão característico, que unifique os diferentes elementos do conjunto. Considerando-se essa definição e os pictogra- mas ilustrados a seguir, assinale a opção cor- reta: a. As figuras I e IV pertencem ao mesmo conjun-to de pictogramas. b. As figuras II e III pertencem ao mesmo conjun- to de pictogramas. c. Três das figuras pertencem ao mesmo con- junto de pictogramas. d. Todas as figuras pertencem ao mesmo con- junto de pictogramas. e. Cada uma das figuras pertence a um conjunto de pictogramas diferente. 2. (Enade Design, 2006) Considerando as compo- sições gráficas apresentadas nas figuras a se- guir e suas estruturas de composição, assinale a opção correta: a. A composição apresentada na figura I possui um ritmo visual maior que o da figura II, de- vido à repetição dos elementos triangulares. b. A repetição dos círculos ao longo de uma es- trutura inclinada confere dinamismo à com- posição mostrada na figura II. c. Ambas as composições apresentam uma es- trutura rígida, cuja principal consequência é a ausência de ritmo visual. d. A relação de proporção entre os elementos em cada uma das composições é semelhante. e. A composição apresentada na figura I obede- ce a uma estrutura assimétrica. 3. (Enade Tecnologia em Design de moda, 2015) Os elementos de design — linha, cor, textura, padronagem, silhueta e forma — são usados em combinação, de acordo com as escolhas do designer e os princípios do design. Os modelos apresentados na imagem a seguir representam a utilização desses elementos. 127 atividades de estudo Considerando os elementos e os princípios do design, bem como os biotipos físicos e a ergo- nomia, assinale a opção correta em relação a esses modelos: a. O vestido 1, por ser estruturado, é recomen- dado para mulheres de biótipo triângulo, dado o efeito de redução do quadril. b. O vestido 2, com linhas bem definidas, utiliza o princípio do contraste, sendo indicado para qualquer biótipo, pois é um vestido harmôni- co, leve e capaz de equilibar qualquer propor- ção corpórea. c. O vestido 3 favorece o efeito de redução do quadril em função da utilização do elemento linha, sendo indicado para mulheres de bióti- po oval, triângulo invertido e retângulo. d. O vestido 4, que apresenta o elemento linha, utiliza o princípio da radiação, visto que todas as linhas partem de um ponto, sendo adequa- do para mulheres de biótipo retângulo. e. O vestido 5 alonga a silhueta, em razão do de- cote em V e das linhas de corte, sendo mais apropriado para biótipos longilíneos. 4. (Enade Tecnologia em Design de moda, 2015) Para criar um modelo de roupa, o designer de moda utiliza elementos de criação e se baseia nos princípios do design: a silhueta, que consis- te na forma que determinada peça vai ter; a li- nha, que confere à peça a sensação de fluidez e leveza; e a textura, que depende dos materiais utilizados para realizar uma peça de vestuário (PINA, 2009). Considerando as linhas da silhueta e os efeitos visuais que elas podem causar, assinale a op- ção correta: a. As linhas verticais conduzem os olhos tanto para cima quanto para baixo, assegurando um caimento acinturado e aumentando o compri- mento da peça, o que resulta em elegância. b. As linhas diagonais criam efeito de movimento e, conforme sua inclinação, resultam em dinâ- mica semelhante à do efeito de tecido esvoa- çante. c. As linhas retas remetem à visual menos for- mal e não compõem estampas com padrona- gens clássicas e conservadoras. d. As linhas horizontais conduzem os olhos de um lado para outro, o que resulta na ilusão de comprimento e de altura. e. As linhas curvas, circulares ou onduladas re- sultam em visual estático e formal. 5. Analise as imagens dos Ambientes 1 e 2 quanto à utilização dos elementos e princípios do de- sign e, em seguida, julgue as assertivas abaixo: 128 atividades de estudo Ambiente 1 Ambiente 2 Fonte: Princípios… (online). I. O ambiente 1 explora a repetição de linhas horizontais, criando um ritmo que diminui a força visual das colunas verticais das janelas, apesar da mobília baixa que permite total vi- sualização do exterior. II. As cores que predominam no ambiente 1 são harmoniosas e criam uma atmosfera de tran- quilidade favorecida pelas linhas horizontais. III. No ambiente 1, o equilíbrio é assimétrico e seu centro de interesse é o sofá baixo com al- mofadas em verde. IV. As texturas e estampas do ambiente 2 são elementos que garantem variedade, ritmo, harmonia, unidade e contraste à composição. V. Apesar da predominância de cores “sérias”, a variedade de estampas e materiais cria um tom informal ao ambiente 2, cujo centro de interesse é o pendente, única peça que possui tons vivos e alegres. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a. As assertivas I, II e III estão corretas. b. As assertivas II, IV e V estão corretas. c. As assertivas I, II, III, IV e V estão corretas. d. As assertivas III, IV e V estão corretas. e. As assertivas III e V estão corretas. 129 gabarito 1. A opção correta é a “e”. 2. A opção correta é a “b”. 3. A opção correta é a “d”. 4. A opção correta é a “b”. 5. A opção correta é a “c”. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 130 Design de superfície Evelise Anicet Rüthschilling Editora: UFRGS Editora Sinopse: A obra circunscreve o campo com refl exões sobre conceitos, fundamentos da linguagem e seus an- tecedentes históricos, pensando o perfi l e as competên- cias do designer de superfície e lançando olhares sobre o futuro dessa especialidade do design. Constitui-se em uma importante fonte de estudo para designers, artis- tas visuais, pesquisadores, professores e estudantes das áreas de conhecimento que exploram as superfícies. Princípios de forma e desenho Wucuis Wong Editora: Martins Fontes Sinopse: Neste livro, Wong funde três de seus clássicos, compondo um manual sobre os princípios e fundamentos práticos do desenho. Dividido em três partes principais, este livro: 1- Proporciona um conhecimento básico sobre os funda- mentos do desenho, com ênfase nas formas planas e abs- tratas. 2- Demonstra a criação de formas, focalizando aspectos representacionais que ampliam o vocabulário visual do desenhista. 3- Avalia o uso de materiais planares e lineares para construir objetos autônomos. 131 referências BAHIA, I. P.; RIZOLA, J. B.; MOL, A. C. Relações entre o Design de Ambientes e a manifestação da Identidade Corporativa: O caso Google. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN, 10., 2012. Anais... São Luiz - MA, 2012, p. 8671 - 8678. BROADWAY Boogie Woogie. Trivium Art Hitory. Disponível em: <http://arthis- toryproject.com/artists/piet-mondrian/broadway-boogie-woogie/>. Acesso em: 25 jan. 2016. CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. Porto Alegre: Bookman, 2013. DABNER, D.; STEWART, S.; ZEMPOL, E. Curso de design gráfico: princípios e práti- cas. São Paulo: Gustavo Gilli, 2014. DONDIS, D. A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1997. GIBBS, J. Design de interiores: Guia útil para estudantes e profissionais. São Paulo: Gustavo Gilli, 2015. GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. São Paulo: Escrituras Editora, 2004. HURLBURT, A. Layout: o design da página impressa. São Paulo: Nobel, 2002. LEBORG, C. Gramática visual. São Paulo: Gustavo Gilli, 2015. LUPTON, E.; PHILLIPS, J. C. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac Naify, 2008. OLIVEIRA, F. C. de. Os 10 princípios do Design em uma série de posteres em 'paper art'. Ideia Quente. Disponível em: <http://www.ideiaquente.com/2014/09/10-principles- -of-design-principios-poster-paper-art.html>. Acesso em: 25 jan. 2016. PINA, L. M. G. A cor e a moda: a função da cor como suporte para o design de moda e personalidade dentro de um público jovem. Portugal: Universidade da Beira Interior, 2009. PRINCÍPIOS do design. Simples decoração. Disponível em: <http://www.simplesde- coracao.com.br/classicos-do-design/principios-do-design-de-interiores/>. Acesso em: 25 jan. 2016. RÜTHSCHILLING, E. A. Design de superfície. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2008. WONG, W. Princípios de forma e desenho. São Paulo: MartinsFontes, 1998. UNIDADE. Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa Folha/Aurélio. Rio de Ja- neiro: Editora Nova Fronteira, 1995. Prof.ª Vanessa Barbosa dos Santos ÁREAS DO DESIGN Professora Esp. Vanessa Barbosa dos Santos Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • No design de ambientes • Na moda • No design de produto • No design gráfi co Objetivos de Aprendizagem • Compreender, por meio de exemplos práticos, os elementos e princípios do design e as infl uências externas em projeto de interiores. • Compreender, por meio de exemplos práticos, os elementos e princípios do design e as infl uências externas em design de moda. • Compreender, por meio de exemplos práticos, os elementos e princípios do design e as infl uências externas no design gráfi co. • Compreender, por meio de exemplos práticos, os elementos e princípios do design e as infl uências externas no design de produto. EXEMPLOS E APLICAÇÕES V unidade INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Estamos chegando ao fim desta apostila e, após discutirmos e aprendermos sobre o que é o Design e como ele surgiu, co- nhecemos sobre seus elementos básicos e os elementos que influenciam o desenvolvimento e os processos do Design, além de seus princípios. Todos esses elementos e princípios são vistos de forma prática em qualquer projeto executado no Design. Por isso, para dar mais clareza e direção, para quando você for desenvolver o seu projeto baseá-lo neste conteúdo da apostila, vamos trazer a você exemplos de projetos práticos e apontar sobre esses elementos e princípios para ajudá-lo a identificar de maneira mais objetiva. Estudaremos projetos de Design em quatro áreas: Gráfico, Produto, Moda e Interiores. Sendo que, no Design Gráfico, vamos analisar a cria- ção da marca Daásu, criada pelo escritório de Design Brand Studio, seu processo de criação, os conceitos utilizados e a aplicação da marca como resultado final. No Design de Produto, as embalagens da Coca-Cola, sua história, o motivo dela ter sido criada, qual o conceito e significado e qual mensagem ela transmite baseada nos conceitos e princípios do Design. Em Design de Moda e criação de Yves Saint Lauren, baseada na obra de arte de Mondrian, qual sua história e seu conceito envolvido por trás da escolha de uma representação artística em sua coleção, como os princí- pios foram aplicados no vestido considerado um dos ícones da moda até os dias de hoje . E, por último, no Design de Interiores, o projeto da Sala Íntima “dos 50 tons de branco”. Esteja atento(a) às dicas e descrições que vão te auxiliar quando ana- lisar ou criar um projeto de Design, independente de qual área for, para que o desenvolvimento de sua profissão seja feito cada vez com mais ex- celência. Boa leitura! TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 136 No Design de Ambientes No projeto de interiores, foi escolhido aquele da designer e decoradora de interiores Laura Gransotto de Chapecó, com novo escritório em Florianópolis. Esse projeto foi feito na Mostra de Decoração Casa Cor 2015 de Florianópolis, em Santa Catarina, contando com uma área de 50m², tendo como maior fonte de inspiração o BRANCO. A proposta ao visitante foi que ele tivesse uma percepção mais sensitiva ao entrar na Sala Íntima em sua visita a mostra da Casa Cor, onde os demais ambientes eram cheios de cor, seguindo as tendên- cias temporais. O BRANCO do meu ambiente foi uma escolha para um Décor leve, elegante, clássi- co e atemporal. Ele é um ícone máximo do luxo, da pureza, da sofisticação e do requinte. Resiste ao tempo e aos modismos. O BRANCO sempre foi um dos maiores coringas na decoração. Unânime nas escolhas para os projetos de interiores dos profissionais. É de uma versatilidade incrível! Na Sala Íntima ele foi o protagonista da cena toda ( LAURA GRANSOTTO, 2015). DESIGN 137 O tema: Sala Íntima “dos 50 tons de branco” foi ins- pirado no filme “50 tons de cinza”, best-seller inter- nacional, e, nesse projeto, o clima de prazer e intimi- dade do casal estava inserido sutilmente. O briefing para o projeto era para um casal moder- no e maduro, em que ele tinha o hobby de escrever poe- mas e contos e ela, uma estilista que também gostava de desenhar suas roupas com detalhes em renda, um tra- balho artesanal tradicional da ilha de Florianópolis, res- gatando, assim, as habilidades da sua família. Aqui, en- tram os componentes culturais aplicados nos detalhes do projeto, valorizando, resgatando e resignificando a renda de bilro, com muita sensibilidade e delicadeza. Figura1: Projeto em 3D da Sala Íntima Fonte:Diblioteca (online). Figura 2: Planta em layout da Sala Íntima Fonte: Diblioteca (online). TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 138 E, é claro que para evitar a possível monoto- nia do predomínio do BRANCO, tirei partido dele, com ousadia e explorei a cor totalmen- te, desde o teto ao piso e paredes, nos móveis e nos elementos da decoração, em 50 diferentes tonalidades, texturas, nuances, brilhos e luz, provocados pelos efeitos diferenciados nas suas superfícies e volumes (Diblioteca, online). O branco dá, ao espaço, a sensação de uma maior amplitude e cria um efeito ótico acentuado, e, por meio da iluminação projetada com automação, a sala íntima ficou mais valorizada e com atmosfera aconchegante. No design do mobiliário desenhado sob medida, há o predomínio de linhas retas, pontuado por ou- tros, de linhas suaves e clássicas de móveis que com- plementam a decoração. A designer se preocupou com a sustentabilida- de, utilizando lâmpadas Led, que geram economia e são ecologicamente corretas. E, com relação à tecnologia, um projeto de light design desenvolvi- do especialmente para o ambiente com iluminação específica, persianas e equipamentos eletrônicos au- tomatizados. Figura 3: Execução final da Sala Íntima Fonte: Diblioteca (online). Figura 4: Sala íntima e seu espaço de descanso. Fonte: Diblioteca (online). Figura 5: Aparador e textura da parede Fonte: Diblioteca (online). Quanto mais o seu projeto for estudado e pesquisado mais completo ele será. Procure pensar em Design não só como projeto de criação, mas como relação entre sociedade, cultura, materiais, estilos, sustentabilidade e tecnologias. Fonte: a autora. REFLITA DESIGN 139 Na Moda Yves Saint Laurent nasceu em 1 de agosto de 1936 e, desde muito jovem, se apaixonou pela área da moda. Aos 19 anos, já começou a trabalhar na Maison Dior, após já ter ganho alguns prêmios no ramo. Chegou a assumir a Dior com a morte de Christian Dior e, de- pois de fechar a Maison por conflitos políticos, abriu a sua própria Maison. A roupa mais bela que pode vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Mas para aquelas que não tiveram a chance de encontrar essa felicidade, eu estou lá ( LAU- RENT, online). TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 140 Figura 6: Yves Saint Laurent Fonte: Pleasure Photo (online). Figura 7: Vestido de cocktail Fonte: Xico Gonçalves (online). A sua colecção Out/Inv de 1965, dedicada a Mon- drian e Poliakof, constitui a primeira homenagem, assumida, às artes plásticas e aos seus criadores (SOUZA, 2010, p. 41). Yves transformou a bidimensionalidade da es- truturas geométricas de Mondrian em movimento no corpo feminino. Saint Laurent considera Mondrian o último dos grandes pintores e aquele que conduziu a pin- tura aos seus elementos essenciais. Pierre Bergé e Saint Laurent tinham, na sua colecção parti- cular, a tela Composition in Blue, Red, Yellow and Black, de 1922 (SOUZA, 2010, p. 42). Nessa coleção, o nº 81 vai se sobresair. Um vestido de cocktail, em malha de lã de base branca com as grelhas de Mondrian com as cores primárias. O corte destes modelos introduz uma simpli- cidade que tende a planificar as formas e que rompe com os volumes tradicionais, da mesma maneira que o neoplasticismo tende a ignorar a terceira dimensão. (...) Anulando o volume do peito, símbolo principal da feminilidade,cria uma forma plana que parece antecipar a an- droginia que vem a definir a moda dos anos 80 (SOUZA, 2010, p. 43). Podemos notar o neoplasticismo explícito nas obras de Mondrian e na coleção de Yves, com as linhas retas e cores primárias, que queriam se des- fazer de qualquer ornamento, exagero ou informa- ções desnecessárias. Tratava-se de um movimento cultural que queria tornar o Design prático e obje- tivo. Como já foi citado anteriormente, o material utilizado foi a malha de lã, utilizando cortes retos e planos. Trata-se de uma criação simétrica, mesmo quan- do observamos o vermelho com mais ênfase, porém isso não faz com que a obra tenha desequilíbrio. As linhas e cores primárias compõem ritmo e repetição e essas cores transmitem contraste por estarem equi- distantes no disco cromático. DESIGN 141 Figura 8: Quadro de Mondrian Figura 9: Casa inspirada no Neoplasticismo É interessante saber que não foi só Yves que uti- lizou dessas características de Mondrian e do Neo- plasticismo para desenvolver projetos de Design, até hoje, muitos produtos são criados baseados na teo- ria de linhas retas e cores primárias que Mondrian utilizou com maestria. O Neoplasticimo é um termo que foi criado por Piet Mondrian, artista holandês, para uma arte abstrata e geométrica. Ele restringiu os elementos de composição pictórica a linhas retas, ao retângulo e às cores, primárias: azul, amarelo e vermelho, tambem aos tons de cinza, preto e branco. A fim de gerar na arte uma desnaturalização e uma liberdade quan- to a toda referência figurativa ou de detalhes específicos de objetos naturais. De 1917 a 1928 foi publicada a revista De Stijil (criada por Mondrian e Theo Van Doesburg), onde foram publicados inúmeros textos sobre o neoplasticismo, dentre eles o famoso ‘Re- alidade Natural e Realidade Abstrata’, o qual se tratava de um ensaio fundamental para a representação do abstracionismo da 2ªfase. FONTE: MAC, USP (2015) SAIBA MAIS TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 142 No Design de Produto No projeto de produto, vamos analisar as embala- gens da garrafa da Coca-Cola. Hoje, a Coca-Cola Company está presente em mais de 200 países e res- ponde por mais de 400 marcas de bebidas não alco- ólicas. Como muitas pessoas que mudaram a história, John Pemberton, um farmacêutico de Atlanta, foi inspirado pela simples curiosidade. Em uma tarde, ele agitou um líquido cheiroso com cor de caramelo e, quando parou, levou a mistura até a vizinha Jacob’s Pharmacy. Lá, a mistura foi combinada com água com gás e provada pelos clientes, que foram unânimes: essa nova bebida era, de alguma forma, especial (COCA COLA BRASIL, 2015, online). O empresário de Atlanta Asa Griggs Candler com- prou os direitos da Coca-Cola por apenas US$ 2.300,00, em 1888, e transformou a invenção em empresa e marca. E, em 1894, um empresário de Mississipi chamado Joseph Biedenharn foi o primei- ro a engarrafar a Coca-Cola. A marca, então, decidiu criar um formato de garrafa diferente para garantir às pessoas que elas estavam tomando a verdadeira Coca-Cola. A Root Glass Company de Terre Haute, Indiana, ganhou um concurso para criar uma garrafa que pudesse ser reconhecida no escuro. Em 1916, ela começou a fabricar a famosa garrafa com contorno. Essa garra- fa, que permanece com o formato de assinatura da Coca-Cola até hoje, foi escolhida por sua aparência atraente, design original e o fato de, mesmo no es- curo, propiciar a identificação do produto original. É muito interessante percebermos que, mesmo há praticamente 100 anos, o projeto da garrafa da Coca-Cola teve como principal essência do produto a experiência sensorial que o consumidor teria ao tocar essa embalagem, e essa experiência faria com que ele associasse a forma da garrafa à marca. As linhas curvas, os relevos, o contato com o vidro e, talvez, uma garrafa gelada estabelecia re- lação entre os sentidos do tato e paladar, ou visão e paladar, uma vez que, ao ver ou sentir, automaticamente, aguçaria o paladar pelo gosto da Coca-Cola. Analisando as co- res, temos uma garrafa transparente, de vidro, apenas com a marca em vermelho e bran- co. Aqui, a cor faz as- sociação à marca tam- bém, porém o objetivo principal dessa embalagem era fazer com que a forma da garrafa criasse autenticidade e reconhecimento do produto. DESIGN 143 A essência transmite ritmo e harmonia por meio de suas curvas feitas sob o vidro. Foi uma inovação tecnológica na época desenvol- ver essas garrafas de vidro, e, por incrível que pareça, apesar do vidro ser considerado um material de difícil reciclagem, a Coca-Cola conseguiu estabelecer um ci- clo para diminuir o descarte dessas garrafas de vidro, trazendo conexão e relacionamento com o seu cliente, oferecendo uma troca para o consumidor que sempre levar a garrafa de vidro para comprar outra. Assim, a marca se impõe como uma empresa que se preocupa com o meio ambiente, além de vender seus produtos. Em 1941, os Estados Unidos entraram oficial- mente na Segunda Guerra Mundial, envian- do milhares de homens e mulheres para as frentes de combate. A marca acompanhou esses combatentes, pois Woodruff determi- nou que o produto fosse vendido a US$ 0.05 para todo soldado não importando onde quer que estivesse, em qualquer parte do mundo, independente de quanto isso custaria à em- presa. Durante o período, 64 instalações de engarrafamento foram criadas para abaste- cer as tropas que estavam fora do território americano. E foi também durante a guerra que milhares de europeus experimentaram a bebida pela primeira vez. Quando a paz voltou a reinar, a COCA-COLA já tinha muitos negó- cios pelo mundo e milhões de apreciadores. Fonte: Coca-Cola Brasil (online). SAIBA MAIS E é devido a esses fatores, em que a marca da Coca-Cola cresceu não só vendendo um xarope que as pessoas gostavam de tomar, mas uma expe- riência, um relacionamento, uma comunhão entre pessoas que compartilham da bebida e se divertem ao mesmo tempo que cuidam da sociedade e do meioambiente, que essa empresa chegou onde está hoje, como uma das marcas mais conhecidas e va- liosas do mundo. Além de que, hoje, existem muitos colecionadores das garrafas e latinhas da Coca-Cola já quelas estão espalhadas pelo mundo de diversos formatos e tamanhos. TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 144 No Design Gráfico O Brand Studio Design se situa em Maringá-PR e trabalha com projetos de Design gráfico na área de Branding, isto é, especializado em identidade de marcas. Segundo um dos donos, eles foram procurados para criar a identidade visual de um novo restauran- te de alta gastronomia oriental, mas que fosse dife- rente de tudo o que há no segmento, acompanhando a proposta dos pratos, destoando do que há de co- mum e fugindo dos conceitos pré-estabelecidos dos restaurantes japoneses. O nome DAÁSU Sushi Bar, fazendo alusão tam- bém à experiência da diversidade de sabores, afirma “partindo do naming, criamos um nome formado pela união dos sabores: Doce, Amargo, Ácido, Sal- gado e Umami”. A identidade da marca foi inspirada na deusa ja- ponesa do arroz, Inari, representada pela raposa, composta com grafismos e uma linguagem visu- al harmônica e sensorial, que transmite grafica- mente as sensações de quem degusta os pratos no restaurante (BRAND STUDIO, 2015, online). DESIGN 145 Figura 11: Componente cultural da marca Fonte: Daásu Sushi Bar (online). Figura 10: Palavras que descrevem a marca Daásu Fonte: Daásu Sushi Bar (online). Figura 12: Projeto de criação do símbolo da marca Fonte: Daásu Sushi Bar (online). Figura 13: Inspiração do símbolo da marca. Fonte: Daásu Sushi Bar (online) Figura 14: Marca final Fonte: Daásu Sushi Bar (online). Figura 15: Aplicação da marca Fonte: Daásu Sushi Bar (online). TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 146 Podemos perceber que se trata de uma identidade visual cheia de significados e embasamento históri- co. E, aqui, começamos vendo que, em relação àsinfluências no design, como os componentes cultu- rais, a presença da cultura oriental é extremamente importante, visto que embasou a criação do símbolo da marca, a deusa do arroz, Inari, resultado final da criação da marca. Já o que se refere ao estilo da identidade, ape- sar de voltada para uma cultura oriental e clássica, o resultado final da identidade e marca contou com um ar mais moderno, criado para atingir o público que valoriza uma cultura milenar e aprecia sua gas- tronomia, mas não dispensa a cultura moderna do século XXI. Quando analisamos os princípios do design, observamos que a marca Daásu foi feita a partir de linhas mais curvas, lembrando do rebuscamento da cultura oriental e das formas orgânicas de sua gas- tronomia. Suas texturas e materiais lembram o in- grediente principal da gastronomia oriental: o peixe, nesse caso, mais precisamente, o salmão. Lembran- do também a madeira e o bambu. As cores escolhidas na identidade são quentes e escuras, fazendo alusão à cor do salmão e às cores escuras que remetem a modernidade e ao chique, haja vista que cores quentes aumentam o apetite e trazem uma experiência sensorial no local com o público. A marca em si é simétrica, uma vez que tanto o símbolo quanto as fontes estão com mesmo equilí- brio. Nos materiais, a repetição está muito presente, criando um ritmo para a visualização da marca. O contraste fica relacionado às cores preto e la- ranja que são quase complementares. Os elementos Figura 16: Aplicação da marca Fonte: Daásu Sushi Bar (online). apresentam unidade, porém com ênfase na raposa em laranja, já que difere das cores neutras do restan- te do projeto. A ideia desse projeto foi transmitir experências sensoriais com a gastronomia oriental, resgata par- tes dessa cultura, sem se tornar clichê como a maio- ria dos restaurantes orientais. Figura 17: Marca no projeto do bar Fonte: Daásu Sushi Bar (online). 147 considerações finais Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade e, também, desta apostila. Aqui, aprendemos no olhar prático como os designers desenvolvem os projetos de Design por meio dos princípios estudados ao longo desta apostila. Como as influências históricas, a sociedade e o crescimento pessoal estão intrínsecos nesses projetos, às vezes, de forma clara, outras, em pequenos detalhes, por exemplo, no projeto da Designer de Interiores Laura Gansotto, que fez questão de valorizar o artesanato da renda em seu projeto, que faz parte do seu histórico de família. Nossa profissão vive em constante relação com as teorias, princípios mas tam- bém com a forma que vivemos, as histórias que participamos e construímos, as transformações da sociedade, a evolução das tecnologias, o meio ambiente. Não há como se desvencilhar disso, uma vez que ser designer não é sentar e, apenas, desenhar ou projetar um objeto, ambiente, modelo de roupa ou cartaz, é transmitir mensagens que carreguem informações das mais diversas áreas de contato do ser humano. E essa é a graça e peculiaridade da nossa profissão. Não deixe, aluno(a), de estar atento a essas transformações, busque conhecer a história das marcas, dos produtos, de outros designers, não necessariamente famo- sos, visto que todos sempre teremos experiências e conhecimentos para transmitir de alguma forma. Compartilhar conhecimento, adquirir experiências e dicas de outros projetos é sempre importante para o crescimento profissional e para tornar a nossa profissão ainda mais importante em nossa sociedade. Espero que tenha gostado e aprendido de forma proveitosa nesta unidade, como pensar e desenvolver um estudo e análise de um projeto de Design que você, como profissional, irá desenvolver. 148 LEITURA COMPLEMENTAR Trecho do artigo: Design Thinking: uma forma de pensar Conceito de Design Thinking O pensamento integrativo do design, baseado na in- tuiç ã o e inspiraç ã o, bem como no universo analí tico, propõ e um novo caminho, o Design Thinking, que seria “uma abstraç ã o do modelo mental utilizado há anos pe- los designers para dar vida a ideias” (PINHEIRO12 apud BROWN, 2010, apresentaç ã o à ediç ã o brasileira). Esse modelo e seus conceitos podem ser aprendidos por qualquer pessoa e aplicados em qualquer cená rio, seja empresarial ou social. Vianna (2012, p.14) afi rma que os “seres humanos sã o Design Thinkers por natureza”, uma vez que: Observar o mundo e gerar novas soluç õ es abdutivamen- te é uma habilidade coletiva humana que apenas recen- temente passou a ser vista como algo que necessita de algum talento excepcional” e os designers aprendem a usar o pensamento abdutivo para construir e descons- truir pressupostos, transformando-os em oportunida- des de inovaç ã o, mantendo-se “fora da caixa” (VIANNA, 2012, p.14). O Design Thinker, está constantemente desafi ando seus padrõ es de pensamento, comportamento e de senti- mento, “produzindo soluç õ es que geram novos signifi - cados e que estimulam os diversos aspectos (cognitivo, emocional e sensorial) envolvidos na experiê ncia huma- na” (VIANNA et al., 2012, p.14) Por vá rias dé cadas, os designers tê m aprendido a “es- tabelecer correspondê ncias entre as necessidades hu- manas com recursos té cnicos disponí veis, considerando as restriç õ es prá ticas dos negó cios” e esse é o ponto de partida do Design Thinking que tornou possí vel “integrar o desejá vel do ponto de vista humano ao tecnoló gica e economicamente viá vel” (BROWN, 2010, p.3). O termo Design Thinking foi concebido por Tim Brown, CEO da IDEO. A partir de observaç õ es e conversas diá rias com seu amigo David Kelly13, Brown percebeu que ele sempre incluí a a palavra “thinking”, quando era questio- nado sobre design. Entã o, Brown passou a utilizar como uma “forma de descrever um conjunto de princí pios que podem ser aplicados por diversas pessoas a uma ampla variedade de problemas” (BROWN, 2010, p. 6). Segundo Brown (2010), esse modelo já existia bem an- tes de ser conceituado, mas foi no Fó rum Econô mico Mundial em Davos/Suí ç a (2006) que o Design Thinking começ a a ser mensurado. Nesse momento, as empresas sentiram necessidade de adotar um modelo de gestã o centrado no design. “O fó rum se concentrou na necessi- dade de buscar soluç õ es criativas para os grandes desa- fi os que a economia mundial enfrentará em 2006” (Folha de SP, 2006 – Efe). Para identifi car os verdadeiros problemas e solucioná - -los de maneira mais efi caz, Vianna (2012, p.13) afi rma que “é preciso abordá -los a partir de diversas perspec- tivas e â ngulos. Assim, prioriza o trabalho colaborativo entre equipes multidisciplinares” que, segundo Brown (2010, p. 6), “está em posiç ã o de solucionar problemas mais complexos”, uma vez que se apresentam olhares 149 LEITURA COMPLEMENTAR diferenciados e interpretaç õ es variadas sobre o proble- ma, chegando a uma soluç ã o inovadora. De acordo com Brown (2010, p.8), “a essê ncia do Design Thinking é explorar diferentes possibilidades” e o mapa mental – que é um tipo de diagrama, voltado para a ges- tã o de informaç õ es, conhecimento e capital intelectual, utilizado, muitas vezes, facilitar a compreensã o e solu- ç ã o de problemas – seria a melhor ferramenta para se entender as conexõ es estabelecidas entre os conteú dos referentes a este tema. Entretanto, para tornar essa ex- plicaç ã o um pouco mais aprofundada, discorrer-se-á so- bre os está gios do modelo de Design Thinking de uma forma mais linear. O Design Thinking nã o depende apenas do pensamento criativo para chegar ao sucesso, é preciso que as ideias sejam implementadas e que elas “mantenham sua es- sê ncia durante todo o processo” (VIANNA, 2012, p.158), que vai até sua implementaç ã o no mercado. Fonte: adaptado de Gameiro et al. (2013). 150 atividades de estudo 1. Ao se desenvolver um projeto de Design, exis- tem influências externas que vão além dos princípios e elementosdo Design, os quais es- tudamos na unidade 3, e que foram aplicados nos estudos desta unidade. Quais são essas in- fluências? a. Materiais e história do design. b. Estilo e componentes culturais. c. Sustentabilidade e cores. d. Tecnologia, equilíbrio e unidade. e. Nenhuma das alternativas. 2. Ao se desenvolver um projeto de interiores de design, é importante, antes de iniciá-lo, fazer uma pesquisa e um estudo baseado no seu cliente final. Qual o nome desse processo ini- cial? a. Brainstorm. b. Briefing. c. Pesquisa de Design. d. Entrevista inicial. e. Processo criativo. 3. Um projeto de Design sempre sofre influências históricas, que podem ser de movimentos atu- ais ou não. A criação de Yves Saint Laurent foi baseada em um importante movimento para a história do Design. Esse movimento foi: a. Bauhaus. b. Modernismo. c. Pós-modernismo. d. Neoplasticismo. e. De Stijl. 4. A aplicação dos elementos do Design, vistos na unidade II é essencial ao desenvolver um proje- to. Relembrando esses elementos, qual a alter- nativa correta sobre eles? a. Ponto, linha e plano, forma e espaço e equi- líbrio. b. Direção; movimento; volume e dimensão; cor. c. Escala e proporção; repetição e ritmo d. Textura; silhueta e unidade e. Ênfase; forma e espaço; luz e cor. 5. Analisando o vestido de Yves Saint Laurent, quais são os princípios do Design mais utiliza- dos no projeto? a. Contraste, harmonia, repetição e ritmo. b. Repetição e ritmo, gradação. c. Equilíbrio, radiação e unidade. d. Ênfase, contraste e harmonia. e. Contraste, ênfase e equilíbrio. 151 gabarito 1. Resposta: B 2. Resposta: B 3. Resposta: D 4. Resposta: B 5. Resposta: A TEORIA E FUNDAMENTOS DO DESIGN 152 Fundamentos de Design de Moda Richard Sorger; Jenny Udale Editora: Bookman Sinopse: Do conceito à criação tridimensional: os princi- pais elementos do design de uma coleção são revelados em Fundamentos de Design de Moda. Saiba tudo sobre como uma coleção é formada, para quem é desenhada e como é lançada. Conheça os diferentes tipos de tecido, maquinários e métodos de fabricação. Entenda o mercado da moda e os diferentes cargos que fazem parte dessa in- dústria. Com este guia, você estará pronto para se inserir no mundo fashion! Design de Interiores. Guia útil para estudantes e profi ssionais Jenny Gibbs Editora: Gustavo Gili Sinopse: O design de interiores se converteu em uma profi ssão reconhecida, embora a indústria que gere seja complexa e ainda pouco conhecida. Esta nova edição de Design de interiores proporciona uma base sólida sobre os princípios do design, descreve as aptidões necessárias ao designer de interiores, analisa as diferentes opções de desenvolvimento da carreira profi ssional e apresenta uma análise equilibrada do setor. Esse livro reúne história, teoria e prática do design de interiores e aborda temas como a elaboração do programa de necessidades junto ao cliente, as apresentações dos desenhos e amostras, a escolha dos materiais e o planejamento e gerenciamento de projetos. Embora esteja dirigido a estudantes, esse livro também pode servir como referência para a prática profi ssional e para todas as pessoas interessadas em design de interiores. 153 referências BRAND Design. Daásu, identidade visual. <www.brandstudio.com.br>. Acessado em 15/12/2015. COCA-COLA Brasil. Disponível em: <https://www.cocacolabrasil.com.br/coca-cola- -brasil/historia-da-marca/>. Acesso em: 26 jan. 2016. DAÁSU Sushi Bar. Disponível em: <http://brandstudio.com.br/portfolio/daasu-sushi- -bar/>. Acesso em 26 jan. 2016. DIBLIOTECA. Sala íntima 50 tons de branco. Disponível em: <http://diblioteca.com/ portfolio/sala-intima-laura-gransotto/>. Acesso em: 15 dez. 2015. GAMEIRO, L. et al. Design Thinking: uma forma de pensar. Disponível em: <http:// www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2013/resumos/R37-0817-1.pdf>. Acesso em: 2 fev. 2016. HISTÓRIA da Coca-Cola. Disponível em: <https://www.cocacolabrasil.com.br/coca- -cola-brasil/historia-da-marca/>. Acesso em: 15 dez. 2015. LAURENT, Y. S. Estilistas Famosos. Disponível em: <http://estilistasf.blogspot.com. br/2011_07_01_archive.html>. Acesso em: 2 fev. 2016. NEOPLASTICISMO. Disponível em: <http://www.mac.usp.br/mac/templates/proje- tos/seculoxx/modulo1/construtivismo/neoplasticismo/index.html>. Acesso em: 15 dez. 2015. PLEASURE Photo. Disponível em: <https://pleasurephoto.files.wordpress. com/2012/04/js0586.jpg>. Acesso em: 26 jan. 2016. SOUZA, S. M. P. P. O viajante imóvel. Estudo sobre a vida e a obra de Yves Saint Lau- rent. Porto, 2010. XICO Gonçalves. Disponível em: <http://xicogoncalves.com.br/wp-content/uplo- ads/2015/08/ysl-mondrian.jpg>. Acesso em: 26 jan. 2016 Caro(a) aluno(a) do ensino a distância da Unicesumar, queremos dar os parabéns por ter conclu- ído o estudo desta apostila para os cursos de Design de Moda e Design de Interiores. Esperamos que tenha sido um tempo produtivo, e que tenha feito você ter a certeza que fez a melhor escolha para seu conhecimento e desenvolvimento profissional. Esperamos, ainda, que você lembre dos primeiros passos do Design como profissão e conceito em nosso mundo, gravando das definições do seu ramo profissional, seja ele de moda ou de inte- riores, ou até de outros ramos que você se identifique e queira desenvolver melhor após este curso. Dentre os conhecimentos adquiridos, projete sem esquecer que o Design sempre será frag- mentado em elementos específicos que unificados formam o conceito e produção final do que você criou. Desde a linha, forma, luz, cor até chegar ao seu resultado final. Depois, carregue consigo o quão importante são os elementos externos que permeiam a nossa profissão, e como excelentes profissionais trabalham em constante relação com esses elementos no dia a dia em seu trabalho, principalmente, se tratando de assuntos que trarão mudanças em nossa vida como ser humano, como é o exemplo da globalização e da sustentabilidade. Lembre-se de que nosso trabalho como designer é projetar produtos, espaços e serviços de forma consciente e com objetivo daquilo que foi proposto inicialmente, seja quem for o seu cliente ou consumidor. Este é o principal desafio do Design: mais que transmitir uma mensagem, inde- pendente de como ela será transmitida, que seja de acordo com aquilo que foi planejado e para quem foi panejado. Desejamos que todo esse conteúdo, as teorias, os conceitos e os exemplos apresentados não fiquem só em sua memória, mas que te ajudem a colocá-los em prática em qualquer projeto que você for desenvolver, seja pessoal ou profissional. Almejamos, ainda, que você busque exercer o Design de forma excelente, que as teorias, os processos, os elementos internos e externos dessa profissão sejam manifestos em seus projetos, que atinjam não só a perfeição como produção e execução, mas que de alguma forma, deem pequenos passos de transformação em nossa sociedade, que estabeleçam boas relações entre as pessoas e que te traga realização pessoal. Parabéns! Conclusão geral