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Carolina B. Letzov - T2 aula 2 UC11 introdução • O acúmulo anormal de líquidos - na forma de líquido, vapor ou gás - pode ter efeito deletério, em decorrência do espaço que ocupam, da pressão que exercem, das aberturas que promovem nos tecidos, da suscetibilidade à infecção ou propagação de infecção já existente ou absorção de substâncias tóxicas. • Muitas vezes, o uso de drenos pode ser evitado adiando-se as se houver edema que possa requerer o uso futuro de dreno, tomando-se cuidado extra com a hemostasia, fechamento de vasos e ductos, e elevando-se as extremidades para evitar o acúmulo de líquido. Em alguns casos, a possível fonte de uma coleção pode ser trazida à superfície. • Em algumas circunstâncias, os drenos são inseridos como sentinelas para alertar a respeito de vazamentos de sangue ou fluidos; entretanto, eles não são confiáveis • Os drenos podem ser usados para unir e manter juntas as superfícies que seriam separadas por fluidos interpostos, como ar na cavidade pleural ou exsudatos de sangue em superfícies escoriadas apostas. • Em alguns casos, a fonte pode ser trazida para a superfície, onde pode secretar; se fluido pode ser drenado para dentro de um tubo, pode ser formado um estoma. • Utilize os materiais mais delicados e menos irritativos; garanta que o dreno não pressione as estruturas danificadas, delicadas ou vitais, nem linhas de sutura. • Se houver um corte principal, prefira trazer o dreno à superfície por outra incisão, a fim de evitar prejudicar a cicatrização do corte principal. • Sempre que possível, estabeleça a via de saída para o exterior e para baixo, a fim de beneficiara drenagem por gravidade. Quando isso não for possível, você deve posicionar o dreno para baixo, até um reservatório, e aplicar sucção; verifique se a pontado dreno atinge o ponto mais baixo, no qual o líquido é suscetível de ser coletado. • Sempre que possível, utilize um sistema fechado para evitar a possibilidade de contaminação interna. tipos Compressas e pavios • As compressas de gaze são lâminas de gaze de algodão estéril, colocadas sobre uma superfície escoriada; são utilizadas sempre que se espera que haja secreção em uma área ampla, como em uma cavidade de abscesso, uma via fistulosa superficial deixada aberta para inspeção ou no tratamento inicial de urna ferida infectada. • As compressas absorvem o líquido de forma mais eficaz se estiverem secas; entretanto, alguns cirurgiões preferem umedecê-las com solução salina isotônica ou solução antisséptica. Infelizmente, as compressas precisam ser trocadas com frequência. • Quando em contato com tecidos escoriados, a gaze adere, à medida que é invadida por fibras de fibrina. Você pode evitar que isso ocorra ao imergir a gaze em parafina líquida estéril , isoladamente ou emulsionada em um antisséptico, como a flavina_ Isso destrói sua capacidade de absorver líquido, que segue agora entre a compressa e a superfície escoriada. Como alternativa, coloque previamente uma fina rede não aderente de tulle gras ou um substituto de plástico. • A compressa absorvente pode ser revestida com algodão, para que possa ser comprimida por uma atadura de crepe, um espartilho ou por meio de cintas elásticas adesivas. A compressão pode reduzir o inchaço e o edema. Como se espera que o algodão permaneça seco e elástico para distribuir a pressão, verifique se ele não está encharcado ou irá formar uma massa rígida; além disso, uma compressa completamente encharcada forma um canal de umidade para que os microrganismos do exterior alcancem a superfície escoriada. • Quando a fonte de secreção não pode ser trazida para a superfície, um pavio de gaze dobra da ou uma faixa de gaze pode ser introduzida. A gaze pode bloquear, em vez de manter aberto o canal. Isso é plenamente eficaz apenas até que a gaze se torne em bebida; após, fica úmida e inerte no canal. Para evitar que o pavio se torne aderente aos tecidos, ele pode ser passa do através de um tubo de látex de parede fina, aberto nas TÉCNICA CIRÚRGICADrenos Carolina B. Letzov - T2 aula 2 UC11 duas extremidades, constituindo o famoso “dreno em forma de cigarro”. Para aberturas muito pequenas, algumas vezes são inseridos fios torcidos. Drenos laminares • Uma via pode ser mantida aberta pela i n s e r ç ã o d e u m a lâmina de borracha l á t e x o u m a t e r i a l p l á s t i c o , q u e geralmente é ondulada para criar espaços. • Alternativamente, um dreno Yeates inclui tubos paralelos de plástico. No entanto, estes são inertes e o fluido alcança a superfície por gravidade ou a vis a tergo (empurrar para trás); na superfície, o fluido deve ser absorvido por compressas de gaze. • Fixe-os para impedir que escorreguem para dentro do corte, suturando-os à pele e também colocando um pino de segurança através da grande parte saliente. • Embora não sejam muito eficazes, são populares para a drenagem das cavidades de abcesso e para fornecer uma via, caso haja qualquer secreção subsequente. Drenos tubulares • Têm a grande vantagem de que podem deslocar todo o conteúdo para um recipiente, como uma bolsa ou outro reservatório, formando assim um sistema fechado, reduzindo a possibilidade de uma infecção retrógrada aos tecidos. • Costumam ter um lado, bem como orifícios terminais. • Quando um fluido entra no dreno tubular, pode estagnar, a menos que o dreno seja inserido em uma posição descendente, de modo que o líquido possa escoar por gravidade. O líquido fluirá somente se não for viscoso e se o tubo for suficientemente amplo para que o ar possa deslocar o fluido. Se o tubo for muito estreito, a força da capilaridade tende a retardar o fluxo. No entanto, o fluido se esvazia por vis a tergo se for empurrado para fora por um aumento da pressão intra abdominal, por exemplo. • Um membro pode ser comprimido por um curativo compressivo para enviar todo o líquido para o dreno; entretanto, a compressão de uma zona infectada empurra os microorganismos causadores para a corrente sanguínea. • Normalmente, o método mais eficaz é a aplicação de sucção. Insira o dreno de modo que a sua ponta fique na parte mais baixa da lesão, onde é mais provável que o líquido possa ser recolhido. O dreno pode ser ligado a uma seringa com um bulbo de borracha, que é comprimida antes de ser conectada; assim, ao se expandir, ela exerce uma sucção. Um sistema patenteado utiliza um frasco que pode ser evacuado por uma bomba de vácuo e então ligado ao dreno; a tampa do frasco incorpora um indicador para sinalizar quando o vácuo é perdido. • O método mais versátil é a aplicação de sucção diretamente de uma bomba de vácuo acionada eletricamente, incorporada a um reservatório para descarregar qualquer secreção do dreno. A sucção tende a arrastar o tecido para os orifícios da fuga, bloqueando-os e tornando o sistema ineficiente. Isso pode ser parcialmente superado ao se utilizar uma bomba que rompe o vácuo automaticamente e de modo intermitente, permitindo que a pressão retorne aos níveis atmosféricos de origem; entretanto, os tecidos podem ficar aprisionados nos orifícios. • O dreno de Shirley permite que todo o ar escape, atraído pela sucção através de um dreno lateral protegido por um filtro bacteriano. No entanto, o método mais eficaz é utilizar um dreno de fossa. Coloque um grande tubo com orifícios laterais na parte inferior da cavidade, de modo que qualquer líquido seja coletado por ele. Dentro desse tubo, repousando livremente, está o dreno de sucção, que pode coletar o líquido, mas não pode ser bloqueado por tecidos succionados. • A necessidade de criação cirúrgica de uma abertura até o local de drenagem diminui acentuadamente à medida que os métodos de imagem melhoram, de modo que podem ser realizadas aspiração e drenagem percutânea, muitas vezes utilizando a técnica de Carolina B. Letzov - T2 aula 2 UC11 Seldinger. Em alguns casos, pode serpassado um catéter de rabo de porco para uma cavidade, e a ondulação na extremidade interna atua como um retentor; alternativamente, pode ser passado um catéter de Foley. • Os fluidos normais podem ser drenados a fim de serem monitorados. Um exemplo clássico é o “tubo- T” inserido em um ducto biliar, esse dreno não necessariamente drena a bile, a menos que o fluxo distal esteja bloqueado. Quando o livre fluxo é confirmado, o tubo pode ser cuidadosamente retirado. O orifício se fecha espontaneamente, a menos que se desenvolva um bloqueio distal posterior. locais Subcutâneo • Os tecidos subcutâneos variam em profundidade e vascularização nos diferentes indivíduos e em diferentes partes do corpo. 0 sangue e os líquidos retidos se acumulam especialmente quando a pele foi amplamente prejudicada. Pequenas coleções podem ser drenadas através de pavios de gaze, drenos laminares ondulados ou tubos macios com diversos orifícios laterais, conectados a uma bomba de sucção suave. Podem ser preferíveis à tentativa de aplicar a pressão externa por meio de algodão e ataduras de crepe, na esperança de impedir o acúmulo de fluidos. • Após uma ressecção extensa (da mama, por exemplo), o grande espaço em potencial deixado após o fechamento da pele pode acumular sangue exsudado. Alguns pacientes desenvolvem “seroma”, uma coleção de soro. A melhor maneira de evitar essas complicações é incentivar a adesão da pele à base e eliminar o espaço. A compressão é muitas vezes ineficaz e restringe a respiração. Alguns cirurgiões inserem vários drenos finos com orifícios laterais ligados a uma bomba de sucção ou a um dos muitos dispositivos de sucção portáteis disponíveis, tais como bulbo compressível que exerce sucção à medida que tenta se expandir até sua forma esférica. • Na presença de contaminação ou infecção grave, não tente fechar a pele, esperando em vão que o dreno irá proporcionar a remoção adequada de qualquer secreção. Subfascial e intramuscular • Não confie em drenos na presença de músculos danificados, aprisionados entre fortes revestimentos fasciais, já que o fluido coletado aqui eleva a pressão, causando isquemia, com risco de infecção por anaeróbios. Extraperitoneal • Após a remoção da fonte de infecção intraperitoneal, há um risco de infecção dos tecidos extraperitoneais. Muitos cirurgiões fecham o peritônio e deixam um dreno à sua superfície externa, geralmente por meio de uma incisão diferente. Uma alternativa é deixar a pele lesionada aberta e realizar o fechamento primário tardio. Intraperitoneal • O dreno intraperitoneal é um tema de amarga controvérsia. Foi apresentado na virada do século passado; o dreno é geralmente selado dentro de 6 horas. É provável que o dreno atue como um corpo estranho e que a secreção liberada consista em fluido de reação em resposta à sua presença. Isso pode ser de corrente do fato de que os drenos eram Carolina B. Letzov - T2 aula 2 UC11 anteriormente feitos de borracha; atualmente, eles são geralmente feitos de Silastic, que é muito menos irritante. • Algumas vezes, os drenos intraperitoneais continuam a secretar líquidos por períodos prolongados, caso a quantidade de líquido gerado impeça que as superfícies se unam e selem. Isso ocorre em ascites. • Embora os drenos normalmente drenem líquidos que já estão presentes, o mais feroz argumento centra-se em sua capacidade de canalizar coleções líquidas posteriores para a superfície e, assim, alertar a respeito da ocorrência de hemorragia ou ruptura de uma anastomose com posterior vazamento para a cavidade peritoneal. É provável que todas as críticas e reivindicações estejam corretas em algumas circunstâncias. • Após ter inserido um dreno, não confie nele para sinalizar um vazamento ou hemorragias e outras características apontarem para uma complicação. • Os drenos de látex macio promovem fibrose e a formação de uma abertura. O elastômero de silicone, o poliuretano e o policloreto de vinila são inertes. • Insira drenos por meio de uma pequena incisão separada do corte principal, sempre que possível. Tome cuidado para evitar grandes nervos e vasos sanguíneos da parede abdominal. Mantenha a abertura reta, segurando o peritônio retraído e a bainha posterior do músculo reto abdominal do corte principal na lateral do dreno, puxando-os para o lado oposto. Levante então toda parede abdominal, sem as vísceras. Realize uma incisão reta com um bisturi em toda a espessura da parede abdominal, tendo o cuidado de cortar o peritônio sob visualização direta. Insira uma pinça reta através da incisão e prenda a extremidade distal do dreno para puxá-lo através da incisão. • Em alguns casos, é permitido externar o dreno por uma das extremidades do corte principal. Se você o fizer, certifique-se de usar pontos separados para garantir a drenagem dos pontos que fecham o corte. Entretanto, não o faça se houver a probabilidade de secretar material infectado, por receio de contaminar o corte principal. • Cuidadosamente, coloque a extremidade interna do dreno na parte mais inferior, onde é provável que o líquido se acumule; entretanto, certifique-se de que não há pressão de extremidades afiadas sobre estruturas delicadas. • Agora insira um ponto através da pele e no dreno; amarre-o, deixando as pontas longas. Se for utilizado um dreno laminar, coloque um grande alfinete de segurança sobre o dreno, como uma precaução extra de segurança para evitar que ele caia no abdome. Se você estiver utilizando um dreno tubular, coloque o ponto da pele e amarre-o frouxamente; em seguida, dê uma série de voltas com o fio de sutura ao redor do tubo de drenagem, para frente e para trás, amarrando a ligadura ao dreno sem transpassá-lo. O tubo de drenagem pode ser conectado de modo fechado a uma bolsa coletora. • Planeje remover o dreno intraperitoneal após 48 horas, a menos que haja secreção copiosa. Quando é utilizado um dreno muito profundo, às vezes sua remoção é por "encurtamento", um pouco a cada dia. Cavidade pleural • Embora possa drenar líquidos, como derrames, pus ou sangue, uma importante função dos drenos torácicos é remover o ar que tenha se acumula do ou vazado após danos pulmonares, ou que tenha entrado por uma brecha na parede torácica. Se o espaço pleural for ocupado por ar, o pulmão é comprimido e entra em colapso. • Introduza um dreno através da parede torácica, logo acima da borda superior de uma costela, a fim de deixar intacto o feixe vasculonervoso que corre no sulco abaixo das costelas. • Se houver uma radiografia de tórax, examine-a para determinar o nível do diafragma em cada lado, se os pulmões estão colapsados e se há qualquer tipo de líquido na cavidade pleural. A partir da radiografia e por percussão e ausculta, decida onde inserir o dreno. Você pode decidir se o lugar mais seguro é o quinto ou sexto espaço intercostal na linha axilar anterior, o sétimo ou oitavo espaço na linha axilar posterior, ou o segundo espaço intercostal anteriormente, 3 a 5 cm a partir da margem lateral do esterno. Você pode inserir o dreno na conclusão de uma cirurgia torácica sob anestesia geral; nesse caso, você pode inseri-lo sob visualização direta. Pode ser necessário inseri-lo na enfermaria, com cuidados rigorosos de assepsia, após infiltrar pele e tecidos mais profundos com anestesia local. • Faça uma incisão de 1 a 2 cm justo acima e paralelamente à costela escolhida; aprofunde gradualmente até a pleura. Abra a pleura e insira um dedo para varre-la ao redor dos 360°, a fim de garantir que não há aderências pulmonares. • Insira delicadamente um dreno torácico após remover o trocater; há furos laterais, então certifique-se se eles estão todos bem inseridos no interior da cavidade pleural. • Insira pontos fortes e profundos em cada lado, mas sem transpassar o tubo, incluindo a pele. Amarre um ponto frouxo, deixando as pontas longas; passe-o Carolina B. Letzov -T2 aula 2 UC11 então para frente e para trás ao redor do tubo, amarrando-o depois de cada círculo, na forma de "laço inglês”, para prender sem penetrar o tubo, impedindo que ele seja retirado. Deixe os outros pontos soltos e longos, para serem usados para fechar o corte após a retirada do dreno. • Conecte a extremidade externa do dreno a um tubo estéril, que conduzirá a um frasco com selo d'água. O tubo é ligado a um cano de plástico vertical que atravessa a tampa do frasco e desce quase até o fundo do frasco, que contém água estéril cobrindo a extremidade inferior do tubo. Há outro tubo aberto que penetra a tampa e dobra-se em ângulo reto, para que os organismos não caiam no frasco. Se necessário, esse tubo pode ser ligado a uma bomba de vácuo. • Coloque o frasco no chão. • Na presença de pneumotórax, se a pressão intrapleural aumentar acima da pressão atmosférica, enquanto o paciente expira, o ar é forçado para baixo pelo tubo vertical e aparecerão bolhas através da água. À medida que o paciente inspira, uma pequena coluna de água é temporariamente puxada para o tubo vertical. Durante a respiração normal, o nível de água no tubo vertical oscila, sinalizando que os tubos estão patentes e funcionando corretamente. • Se estiver saindo líquido do tórax, ele pode estar aprisionado em uma curva inferior do tubo, amortecendo a oscilação do nível no tubo vertical. Pince duplamente o dreno que emerge do tórax, desconecte o tubo distal a ele, eleve-o para permitir que o líquido escorra para o frasco e então reconecte os tubos e retire as pinças duplas. Verifique se a oscilação agora está normal. • Você pode estimar a quantidade de líquido drenado do tórax registrando o nível inicial de água no frasco e posterior mente comparando com a marca final do nível da água. • Se o ar escapar rapidamente para a cavidade pleural, as borbulhas continuarão no frasco e o pulmão não poderá reexpandir-se. Verifique e, se necessário, corrija qualquer vazamento ao redor do dreno torácico. Se não houver vazamento, conecte o tubo aberto emergente do frasco a uma bomba de vácuo, regulada para manter a pressão no frasco em um nível ligeiramente mais baixo que a pressão atmosférica. lsso resulta em um aumento nas borbulhas, mas eventualmente o pulmão irá reexpandir-se, vedar-se à pleura parietal e as borbulhas irão cessar. Enquanto você estiver aplicando sucção, não espere visualizar qualquer oscilação. • .O dreno intrapleural normalmente veda e deixa de funcionar após 48 horas. Você pode então cortar o ponto que fixa o dreno torácico e retirá-lo; ao fazê-lo, aperte o ponto frouxo para vedar o orifício. Muitas vezes, é útil aplicar sucção enquanto você retira delicadamente o dreno, para que toda a última coleção líquida seja removida. Amarre então o ponto frouxo e aplique um curativo.