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Estrutura e funções do cerebelo Citoarquitetura do córtex cerebelar Da superfície para o interior do órgão, distinguem-se as seguintes camadas: a) camada molecular: fibras de direção paralela, com dois tipos de neurônios (células estreladas e células em cesto); b) camadas de células de Purkinje: células piriformes e grandes, dotadas de dendritos ramificados na camada molecular e um axônio (únicas fibras eferentes do seu córtex) que sai em direção oposta -> núcleo centrais do cerebelo (ação inibitória); c) camada granular (única célula excitatória do córtex cerebelar): células granulares (menores células do corpo) que se bifurcam em T, com ramos que constituem as fibras paralelas, que estabelecem sinapses com os dendritos das células de Purkinje. Onde pode-se encontrar células de Golgi. Conexões intrínsecas do cerebelo O circuito formado pela união das células granulares com as células de Purkinje é modulado pela ação de três células inibidoras: células de Golgi, células em cesto e células estreladas. Essas células, junto das células de Purkinje, agem através da liberação de GABA. Já a célula granular, age através do glutamato (fibras musgosas e trepadeiras). Núcleos centrais e corpo medular do cerebelo Núcleos centrais do cerebelo (substância cinzenta): a) núcleo denteado: maior núcleo central, fica lateralmente ao núcleo olivar inferior. Através do trato corticoespinhal, participa da atividade motora, agindo sobre a musculatura distal dos membros responsáveis por movimentos delicados; b) núcleo emboliforme: fica entre o fastigial e o denteado; c) núcleo globoso: fica entre o fastigial e o denteado; d) núcleo fastigial: ponto mais alto do teto do IV ventrículo. Corpo medular do cerebelo: consumido de substância branca e formado por fibras mielínicas: a) fibras aferentes ao cerebelo — penetram pelos pedúnculos cerebelares->córtex, onde perdem a bainha de mielina; b) fibras formadas pelos axônios das células de Purkinje->núcleos centrais->saem do córtex. Organização transversal e longitudinal do cerebelo Zona intermédia paravermiana e zona lateral: correspondem à maior parte dos hemisférios. Conexões extrínsecas Duplo cruzamento. Conexões aferentes Terminam no córtex como fibras trepadeiras (origem no complexo olivar inferior) ou musgosas (origem nos núcleos vestibulares, medula espinhal e núcleos pontinos). Fibras aferentes de origem vestibular Distribuição no arquicerebelo e na zona medial. Trazem informações sobre a posição da cabeça. Chegam pelo fascículo vestibulocerebelar. Se distribuem ao lobo floculonodular. Trazem informações originadas na parte vestibular do ouvido interno sobre a posição da cabeça, importantes para manutenção de equilíbrio e da postura básica. Fibras aferentes de origem medular Tracto espino-cerebelar posterior: sinais sensoriais (receptores proprioceptivos e somáticos), que permitem avaliar o grau de contração dos músculos, a tensão nas cápsulas articulares e tendões, e as posições e velocidades do movimento das partes do corpo. Tracto espino-cerebelar anterior: sinais motores (tracto corticoespinhal), permitindo avaliar o grau de atividade nesse tracto. Fibras aferentes de origem pontina (pontocerebelar) Origem nos núcleos pontinos->pedúnculo cerebelar médio->córtex do neocerebelo. Fazem parte da via cortico-ponto- cerebelar. Conexões eferentes Conexões eferentes da zona medial (vérmis) As células de Purkinje do Vestibulocerebelo projetam-se para os núcleos vestibulares medial (controla o movimento da cabeça e dos olhos) e lateral (modula os tratos vestibuloespinhais). Os axônios de suas células de Purkinje fazem sinapse nos núcleos fastigiais, de onde sai o tracto fastigiobulbar, com dois tipos de fibras: fastígio-vestibulares e fastígio-reticulares. Em ambos os casos, a influência do cerebelo se exerce sobre os neurônios motores do grupo medial da coluna anterior, os quais controlam a musculatura axial e proximal dos membros. Conexões eferentes da zona intermédia Os axônios de suas células de Purkinje fazem sinapse no núcleo interpósito, de onde saem fibras para o núcleo rubro e para o tálamo do lado oposto. A ação desse núcleo se faz sobre os neurônios motores do grupo lateral da coluna anterior, que controlam os músculos distais dos membros responsáveis por "movimentos delicados”. Conexões eferentes da zona lateral Os axônios de suas células de Purkinje fazem sinapse no núcleo denteado->tálamo do lado oposto->áreas motoras do córtex cerebral (via dento-tálamo cortical), onde se origina o tracto corticoespinhal. Através desse tracto, esse núcleo participa da atividade motora, agindo sobre a musculatura distal. Aspectos funcionais Manutenção do equilíbrio e da postura Realizada pelo vestibulocerebelo. Arquicerebelo e zona medial promovem a contração dos músculos axiais e proximais dos membros, de modo a manter o equilíbrio e a postura normal, mesmo quando há deslocamento. A influência do cerebelo é transmitida aos neurônios motores pelos tractos vestibuloespinhal e reticuloespinhal. Controle do tônus muscular Um dos sintomas da decerebelização é a perda do tônus muscular, que também ocorre por lesão dos núcleos centrais (denteado e interpósito). Estes núcleos mantêm, mesmo na ausência de movimento, um nível de atividade espontânea. Essa atividade age sobre os neurônios motores via tractos corticoespinhal e rubroespinhal. Controle dos movimentos voluntários Planejamento do movimento: elaborado na zona lateral do órgão, a partir de informações trazidas pela via córtico-pontocerebelar. 'Plano' motor- >áreas motoras do córtex cerebral (pela via dento- tálamo-cortical). É colocado em execução através da ativação dos neurônios dessas áreas, que ativam os neurônios motores medulares através do tracto corticoespinhal. Correção do movimento já em execução: uma vez iniciado, o movimento passa a ser controlado pela zona intermédia do cerebelo. Esta é informada das características do movimento em execução e, através da via interpósito-tálamo-cortical, promove as correções devidas, agindo sobre as áreas motoras e o tracto corticoespinhal; Núcleo denteado: planejamento motor. Núcleo interpósito: correção do movimento. Aprendizagem motora O cerebelo participa desse processo através das fibras olivo-cerebelares, que chegam ao córtex cerebelar como fibras trepadeiras e fazem sinapses diretamente com as células de Purkinje. Funções cognitivas Conexões aferentes Conexões eferentes Executadas principalmente pelo cerebrocerebelo. Resolver quebra-cabeças, resolver mentalmente operações aritméticas, associar palavras a verbos, reconhecer figuras complexas. Correlações anatomoclínicas Síndrome do vestibulocerebelo: ● Perda da capacidade de usar informações vestibulares para o movimento do corpo durante a marcha ou na postura de pé; ● Perda do controle dos movimentos oculares durante a rotação da cabeça; ● Ocorre: marcha atáxica e tendência a quedas. Síndrome do espinocerebelo: ● Erros na execução motora; ● Redução da ativação do trato rubroespinhal e corticoespinhal e consequentemente redução do tônus muscular, bem como redução da precisão dos movimentos; ● Ocorre: ataxia, tremor terminal, nistagmo, fala arrastada. Síndrome do cerebrocerebelo: ● Ocorre: atraso do início do movimento, decomposição do movimento articular, disdiacocinesia, rechaço, tremor. Sintomas de quando o cerebelo é lesado: a) incoordenação dos movimentos (ataxia): marcha atáxica, na qual há também perda do equilíbrio. A incoordenação motora pode se manifestar na articulação das palavras; b) perda do equilíbrio: o doente tende a abrir as pernas para ampliar sua base de sustentação; c) diminuição do tônus da musculatura esquelética (hipotonia). Algumas considerações sobre as lesões cerebelaresLesões hemisféricas: manifestam-se nos membros do lado lesado e dão sintomatologia neocerebelar (coordenação dos movimentos). Lesão do vérmis: manifesta-se principalmente por perda do equilíbrio com alargamento da base de sustentação e alterações na marcha. Possibilidade de recuperação funcional em lesões de seu córtex, mas não ocorre isso em lesões nos núcleos centrais. Extras Etiologias vasculares, como AVC isquêmico ou hemorrágico, têm início súbitos. Processos expansivos, como neoplasias geralmente têm apresentação crônica. A intoxicação por fenitoína pode levar ao aparecimento de sintomas cerebelares. As doenças degenerativas, como as ataxias cerebelares hereditárias, têm apresentação crônica e piora progressiva e lenta. Patologias