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Programa de Educação Continuada a Distância Curso de Desenvolvimento de Cosméticos Capilares Aluno: EAD - Educação a Distância Parceria entre Portal Educação e Sites Associados 2 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Curso de Desenvolvimento de Cosméticos Capilares MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 3 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. SUMÁRIO MÓDULO I 1 ANATOMOFISIOLOGIA DA PELE E CABELOS 1.1 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DOS CABELOS 1.2 A PELE 1.2.1 Epiderme 1.2.2 Derme 1.2.3 Anexos Cutâneos 1.3 O CABELO 1.3.1 O Folículo Piloso 1.3.2 A Fibra Capilar 1.3.3 Ciclo de Crescimento 1.3.4 Influência Hormonal 1.3.5 Influência Nutricional 1.3.6 Química do Cabelo 1.3.7 Classificação Tradicional dos Cabelos 1.3.8 A Cor dos Cabelos 1.3.9 Cabelos Brancos 2 PRINCIPAIS AFECÇÕES DOS CABELOS 2.1 DEFEITOS NA FIBRA 2.2 QUEDA MÓDULO II 3 TENSOATIVOS 3.1 PROPRIEDADES DOS TENSOATIVOS 3.2 GENERALIDADES SOBRE OS TENSOATIVOS 3.3 CLASSIFICAÇÃO 3.4 IRRITAÇÃO 3.4.1 Uso Exclusivo de Tensoativos Suaves 3.4.2 Combinação Adequada de Tensoativos 4 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 3.4.3 Adição de Polímeros e Peptídeos ou Proteínas 3.4.4 Agentes Sobre-engordurantes 3.4.5 Adição de Agentes Antioxidantes 3.4.6 Adição de Agentes Anti-inflamatórios MÓDULO III 4 ADITIVOS 5 EMOLIENTES 6 UMECTANTES 7 AGENTES CONDICIONANTES QUATERNÁRIOS 8 OPACIFICANTES E PEROLIZANTES 9 ANTIOXIDANTES 10 AGENTES SEQUESTRANTES 11 CONSERVANTES 12 FRAGRÂNCIAS MÓDULO IV 13 OS PRODUTOS PARA OS CUIDADOS COM OS CABELOS 14 ESTRUTURA E PROPRIEDADES DOS CABELOS 15 XAMPUS 16 CONDICIONADORES 17 FIXADORES 18 ALISANTES E PERMANENTES 19 TINTURAS 20 ADITIVOS ESPECIAIS MÓDULO IV 21 FORMULAÇÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 5 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. MÓDULO I 1 ANATOMOFISIOLOGIA DA PELE E CABELOS 1.1 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS Cabelo é felicidade! Todos os mamíferos preocupam-se, de certa forma, com a sua cobertura natural. Os cabelos quando não são apropriadamente bem-cuidados se tornam uma verdadeira bagunça. No entanto, há evidências científicas de que mutações no gene que promove o crescimento dos pelos podem levar a uma catástrofe estética, sendo assim não seria apenas o cuidado com os cabelos o responsável pela má aparência. Ainda que não sejam vitais para a sobrevivência humana, os cabelos estão intrinsecamente relacionados ao equilíbrio psicológico. O cabelo está intimamente ligado à atração física e diferenciação entre os sexos. Os problemas de calvície, por exemplo, podem acometer tanto homens quanto mulheres, mas as mulheres são mais afetadas psicologicamente que os homens, sendo que para eles o resultado é a superestimação da idade. Ainda assim, os cabelos são uma forma de comunicação não verbal com o meio ambiente, além de proporcionar o bem-estar. Quando bem-tratados, os cabelos são um símbolo de boa aparência e beleza natural. Porém, em algumas áreas do corpo pode ser inconveniente ter ou deixar crescer pelos, como a barba e o buço feminino, por exemplo. Na cultura ocidental, o barbear diário é necessário para a maioria dos homens. Por outro lado, alguns rituais religiosos impõem o crescimento da barba até mesmo intocada como sinal de respeito ao criador. Nas mulheres, cabelos abundantes são muito bem-vindos, o que não ocorre para os pelos nas pernas, face 6 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. e axilas. A distribuição dos pelos ao longo do corpo é até mesmo uma característica de atração sexual entre os sexos, pois a partir da puberdade, sob influência hormonal, os pelos se tornam visíveis e espessos, caracterizando ambos os sexos. Em algumas culturas, a raspagem forçada dos cabelos tem sido utilizada como sinal de punição a prisioneiros, adúlteros e traidores, e de obediência em certas práticas religiosas. Principalmente para os jovens, os cabelos são um meio de se rebelar contra a ordem social existente, seja modificando o estilo de pentear, mudando a cor, ficando careca ou deixando-os crescer. O cabelo também ajuda a evidenciar as diferenças étnicas e culturais, variando de liso a cacheado na forma e de preto a loiro na cor. Além da função estética, o cabelo tem também funções naturais, como a proteção da pele do couro cabeludo contra algumas condições ambientais – como a radiação ultravioleta (UV) do sol e o frio. Por isso, a ausência de cabelos é fator predisponente para o desenvolvimento de câncer de pele no couro cabeludo, incluindo o melanoma. Por fim, destaca-se a sensibilidade da fibra capilar às variações ambientais. Os pelos nasais protegem contra poeiras e atuam como um filtro de ar. Os pelos axilares diminuem a fricção durante os movimentos e também têm função na disseminação do odor causado pela secreção das glândulas apócrinas. Os pelos púbicos, acredita-se, tem função excitatória durante a relação sexual. Resumindo: os cabelos, incluindo os pelos, são um universo real que merece ser estudado. 7 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 1.2 A PELE O objetivo dessa breve explanação sobre a pele é necessária porque os pelos, e, portanto, os cabelos, são anatomicamente classificados como anexos cutâneos. A pele ou cútis é o maior órgão do corpo humano, ocupando uma área média de 2m2. É responsável pela proteção do organismo ante a penetração de microrganismos e substâncias químicas e por evitar a perda excessiva de água - que levaria o ser humano à desidratação. Histologicamente, a pele se divide em duas camadas básicas: a epiderme – onde atuam os produtos cosméticos – e a derme, e uma camada subcutânea formada por tecido adiposo chamada hipoderme (FIGURA 1). FIGURA 1 – ESTRUTURA DA PELE1 1 FONTE: Hunter et al., 2003, p. 8. 8 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 1.2.1 Epiderme A epiderme é uma estrutura complexa formada por diferentes camadas de células, os queratinócitos, que se renovam continuamente desde sua junção com a derme até a superfície cutânea, onde ocorre a descamação permanente. Este ciclo dura, em média, 28 dias para indivíduos jovens. Tende a ser mais lento com o avançar da idade e pode ser acelerado quando estimulado, por exemplo, por retinoides ou em doenças como a psoríase. Como se pode ver na 9 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. FIGURA 2, é a partir da camada basal que se origina a epiderme, pois os queratinócitos destacamada estão em constante divisão para formar novas células que substituirão as que descamaram. Em peles normais, aproximadamente 30% das células basais preparam-se para a divisão celular, é a chamada fração de crescimento. Em seguida, elas migram para a camada espinhosa, formada por células poliédricas e achatadas, coesas entre si. Nesta camada, elas começam a passar por modificações graduais em sua forma e composição química, até se tornarem anucleadas na camada córnea e descamarem. A camada granulosa é a responsável pela produção de uma espécie de cimento celular capaz de fixar as células queratinizadas umas às outras, impedindo o seu desprendimento. 10 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. FIGURA 2 – CAMADAS DA EPIDERME2 (1) Camada Basal; (2) Camada Espinhosa; (3) Camada Granulosa; (4) Camada Córnea. A última camada da epiderme, a camada córnea ou estrato córneo, é constituída por queratinócitos já completamente queratinizados e anucleados. A espessura da epiderme varia de acordo com a área do corpo. No processo de queratinização ocorre progressivamente a desidratação celular com decomposição gradual do citoplasma e do núcleo. No estrato córneo estão as células mais queratinizadas e com maior teor lipídico. Por isso, após atravessar o estrato córneo, não há outra barreira ante a difusão de moléculas nas outras camadas da pele. A FIGURA 3 ilustra o processo de diferenciação celular dos queratinócitos que ao mudar sua forma perdem suas organelas e núcleo, produzem lipídeos e queratina até chegarem à superfície. 2 FONTE: Disponível em: <http://www.scf-online.com> Acesso em:18/06/08. 11 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. FIGURA 3 – DIFERENCIAÇÃO DOS QUERATINÓCITOS DA CAMADA BASAL AO ESTRATO CÓRNEO3 Além dos queratinócitos, outras células estão presentes na epiderme (FIGURA 4). As células de Langerhans são células do sistema imune presentes nas camadas intermediárias da epiderme cuja função principal é apresentar os antígenos presentes na epiderme aos linfócitos dérmicos. Acredita-se que as células de Merkel, presentes na camada basal, possuem função sensorial, pois possuem terminação nervosa sensitiva que se comunica ao sistema nervoso central. Os melanócitos, também presentes na camada basal, são células dendríticas, responsáveis pela produção de melanina, projetam-se em diferentes direções para transferir a melanina produzida aos queratinócitos. Cerca de 5 a 10% da quantidade total celular da epiderme é composta de queratinócitos, variando segundo a etnia, localização geográfica e região do próprio corpo. 3 FONTE: Hunter et al., 2003; p. 9. 12 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Os melanócitos não sofrem divisão celular, porém quando isto acontece surge uma célula cancerosa, originando o melanoma. FIGURA 4 – AS OUTRAS CÉLULAS DA PELE4 1.2.2 Derme Trata-se de um tecido resistente e elástico responsável pela resistência mecânica do corpo; fornece nutrientes para a epiderme. Ela é uma complexa estrutura de fibras proteicas de colágeno e elastina associadas à matriz extracelular que abriga os bulbos dos pelos, as glândulas secretoras, as terminações nervosas e os vasos sanguíneos e linfáticos. 4 FONTE: Hunter et al., 2003; p. 13. 13 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 1.2.3 Anexos Cutâneos Folículo piloso: consiste em uma invaginação da epiderme que forma o bulbo capilar de onde se originam os pelos e cabelos, cuja formação é semelhante ao que ocorre na pele, mas produzindo o que se chama de queratina dura. Glândulas sebáceas: associadas ao folículo piloso; secretam um fluido com função repelente da água que age como hidratante, o fator natural de hidratação. Glândulas sudoríparas: existem dois tipos dessas glândulas, as apócrinas e as écrinas. As glândulas sudoríparas apócrinas estão presentes nas axilas, região anogenital, aréolas, canal auditivo externo e pálpebras e secretam conteúdo leitoso, viscoso e com odor característico. Já as glândulas sudoríparas écrinas estão principalmente nas palmas das mãos, solas dos pés, axilas e zona T da face, e secretam o suor rico em água e sais minerais, pouca matéria orgânica e inicialmente sem odor. Unhas: compostas por queratina dura formada por divisão e diferenciação celular a partir da matriz. Acredita-se que, além de proteger as extremidades dos dedos, elas sejam responsáveis pela precisão e pressão que conseguimos exercer com os dedos. 1.3 O CABELO A grande importância psicossocial dos cabelos no homem é contrastante com a sua completa carência de função vital. A evolução se encarregou de proteger o homem do frio com a pele, os pelos e cabelos. Os seres humanos mais primitivos, ao se mudarem para os bosques e savanas, locais com clima mais agradável, iniciaram uma marcha evolutiva para a nudez e, então, o pelo começou a clarear-se e a ficar mais curto. 14 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. As propriedades dos pelos se adaptaram às variações sazonais com mudanças periódicas, nas quais os pelos velhos são substituídos por novos. FIGURA 5 – A EVOLUÇÃO DO HOMEM5 No entanto, nem tudo foi perdido. Restaram as sobrancelhas, os cílios e os cabelos, talvez como proteção contra o sol do meio-dia em um mamífero que começava a assumir a posição vertical e a caminhar sobre dois pés. A barba permaneceu como símbolo de virilidade. E os pelos das regiões urogenitais e axilares ficaram por estarem associadas às glândulas produtoras de odores6. 5 FONTE: Disponível em: <http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/7132794.stm>. Acesso em: 23 mar. 2009. 6 Entende-se aqui o odor como mecanismo de comunicação entre os sexos e as diferentes espécies. No passado, o odor corporal não era visto como atualmente. 15 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. FIGURA 6 – ESTRUTURA ESQUEMÁTICA DO CABELO, DA RAIZ ATÉ A PONTA7 Durante a formação do feto no útero da mãe, os folículos se formam em toda a extensão corporal e não haverá a formação de nenhum novo folículo depois do nascimento. O número total de folículos em um homem adulto é aproximadamente cinco milhões, dos quais cerca de um milhão está na cabeça e acredita-se que de cem a cento e quarenta mil no couro cabeludo. Os primeiros pelos crescem finos, sem medula e geralmente sem pigmentação, são chamados de lanugo ou lanugem, e caem antes do nascimento. O pelo pós-natal é classificado de duas formas: o pelo vellus fino, sem medula e curto 7 FONTE: Disponível em: <http://www.scf-online.com> Acesso em: 18/07/2009. 16 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. do corpo, e o pelo terminal mais longo e escuro do couro cabeludo. Com o avanço da idade, ocorre diminuição na densidade de fios na cabeçae em alguns casos até calvície. Ao contrário do que se pensa, os bulbos não morrem, apenas perdem o estímulo celular para continuar promovendo o crescimento de novos fios de cabelo por meio da divisão celular. Há atualmente pesquisas em terapias que estimulem esse crescimento, para o tratamento e prevenção da calvície. 1.3.1 O Folículo Piloso Pode-se compreender melhor a estrutura do folículo piloso como a forma como o pelo é elaborado e sua atividade cíclica por meio de uma análise simplificada de sua embriogênese. Cada folículo piloso se origina da interação entre a derme e a epiderme. Uma lâmina de células epidérmicas invagina-se para formar uma bolsa que engloba uma pequena papila dérmica, o bulbo capilar. As células epidérmicas proliferam-se expulsando uma coluna de células queratinizadas, que é a haste do cabelo rodeada pela bainha interna da raiz. Neste processo forma-se o canal piloso. 1.3.2 A Fibra Capilar A haste do cabelo é formada por três partes principais: medula, córtex e cutícula. Trata-se de um longo cilindro altamente organizado composto de células queratinizadas capazes de resistir a forças degenerativas como fricção, flexão, extensão e radiação ultravioleta. 17 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. FIGURA 7 – A ESTRUTURA DA FIBRA CAPILAR8 A medula situa-se na parte central da fibra e sua função é incerta por não estar presente em todos os fios e tampouco em toda a extensão destes. Aparentemente, as células que a compõem degeneram-se rapidamente deixando espaço para bolhas de ar. O córtex é o corpo real da fibra, formado por células epiteliais ricas em queratina e melanina. Origina-se do bulbo e é formado por longas células queratinizadas cimentadas umas às outras, corresponde a 90% do peso total dos cabelos. A cutícula é formada por células anuceladas queratinizadas, pequenas e incolores, que se encaixam umas nas outras como telhas em um telhado. Suas extremidades livres voltam-se para o exterior orientadas para as pontas. Sua função é envolver e proteger o córtex. A cutícula é a parte do cabelo sujeita aos ataques 8 FONTE: Disponível em: <http://www.scf-online.com/english/issue23/frontpage_23_e.htm> Acesso em: 25/02/2009 mês ano. 18 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. diários e os resultados de tratamentos cosméticos dependem muito mais de seu estado que dos próprios produtos. 1.3.3 Ciclo de Crescimento Quase todos os folículos pilosos apresentam atividade cíclica, que compreende três fases distintas. A fase anágena, uma fase ativa na qual o cabelo se forma. A fase catágena, período de transição entre as fases anágena e telógena, quando a haste do cabelo recém-formada desloca-se até a superfície da pele. E a fase telógena, quando a fibra capilar completamente formada encontra-se ancorada no folículo com sua base expandida e a papila dérmica fica livre, reduzindo-se a uma forma embrionária secundária pequena e inativa. FIGURA 8 – AS FASES DO CICLO DE CRESCIMENTO CAPILAR9 9 FONTE: The World’s Best Anatomical Charts. Anatomical Chart Company. 19 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. O folículo entra em atividade novamente no final do período telógeno, com o crescimento interno da forma embrionária que volta a cobrir a papila dérmica, de modo a reconstruir a matriz, empenhando-se em formar um novo fio de cabelo. Finalmente, as hastes se desprendem ou renovam-se. Dessa forma, todos os pelos do corpo alcançam o comprimento terminal, determinado principalmente pela duração do período anágeno e, em partes, pela velocidade de crescimento. Essas características variam de acordo com as zonas onde eles estão localizados. No couro cabeludo, a fase anágena pode durar três anos ou até mais. Os cabelos de uma jovem, por exemplo, necessitariam de seis a sete anos de crescimento contínuo para chegarem até suas nádegas. TABELA 1 – TEMPO MÉDIO DE DURAÇÃO DE CADA FASE DO CICLO DE CRESCIMENTO CAPILAR Fase de Crescimento Tempo Médio de Duração Anágena 3 anos Catágena 10 dias Telógena 100 dias No couro cabeludo humano, cada folículo piloso parece ser independente de seus vizinhos. A cada momento, uma média de 13% dos folículos estão na fase telógena e aproximadamente 1% na fase catágena. Deste modo, em um couro cabeludo contendo cem mil folículos, com ciclo médio de 1000 dias, cerca de 100 hastes de cabelo caem a cada dia. E este é o número aproximado do que se repõe na prática. A velocidade de crescimento dos cabelos é mais rápida nas mulheres que nos homens. No entanto, o crescimento médio de um folículo piloso ativo no couro cabeludo é de 0,45 mm a cada vinte de quatro horas, ou seja, 1,35 cm ao mês. 20 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 21 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 1.3.4 Influência Hormonal O controle hormonal do ciclo folicular parece ocorrer em diferentes níveis. Cada folículo apresenta um ritmo intrínseco influenciado por fatores sistêmicos. Evidências científicas mostram que os hormônios influem no crescimento de pelos e cabelos. Sendo que os mecanismos são complexos e que a influência dos hormônios sexuais é predominante sobre os indivíduos adultos e está relacionado com suas relações sociais. Por outro lado, os hormônios podem atuar em diferentes sítios de ação, afetando a estrutura do pelo, a velocidade de crescimento ou a duração da fase anágena (período de crescimento), retardando ou prolongando-a. O estrógeno diminui a velocidade de crescimento e a duração da fase anágena. Já a tiroxina aumenta o crescimento, mas reduz o período anágeno. Em alguns casos, a troca de pelos e cabelos é influenciada por mudanças sazonais, como períodos de exposição à luz sob influência do hipotálamo, hipófise e sistema endócrino. A TABELA 2 resume a relação entre as glândulas e os hormônios sobre o ciclo de vida dos pelos e cabelos. TABELA 2 – RELAÇÃO DE HORMÔNIOS E GLÂNDULAS NO CICLO DE VIDA DOS PELOS/CABELOS Efeito Causas hormonais Aumento da troca de pelos/cabelos. Remoção dos ovários; Remoção das adrenais; Hormônios Tireoidianos (T3 e T4). Diminuição. Estrógenos; Adrenocorticosteroides; Inibição da tireoide. FONTE: adaptado de Wilkinson et al. (1990). 22 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 1.3.5 Influência Nutricional Nós somos o que comemos. A grande fonte nutricional do organismo, sem dúvida, é a alimentação. Por isso, cabelos sedosos, hidratados e com brilho natural dependem diretamente da alimentação balanceada, pois como tecido morto, é o último local em ordem de prioridade nutritiva em caso de escassez de qualquer nutriente no corpo. O bulbo dos pelos e cabelos, por exemplo, é rapidamente afetado por malnutrição proteica. A deficiência de proteínas, causa da síndrome de Kwashiorkor, tem sérias consequências no crescimento dos fios. Eles se tornam escassos, finos, frágeis e perdem seus pigmentos. Tais mudanças nos pelos e cabelos podem ser reflexo de alterações significativas nospróprios folículos, causados pela mesma síndrome. As vitaminas do complexo B são importantes para o crescimento normal dos cabelos e para a queratinização da epiderme, tecido do qual os cabelos se originam. A deficiência de vitamina A pode causar a chamada dermatite papular hiperqueratótica. Por outro lado, o excesso desta vitamina (hipervitaminose), muito utilizada no tratamento da psoríase, é manifestado como a queda de pelos e cabelos. 1.3.6 Química do Cabelo O cabelo é majoritariamente composto por uma substância proteica insolúvel denominada queratina, como produto final do processo de queratinização que ocorre no folículo piloso. Também estão na composição final da fibra capilar, complexados com a queratina, pequenas quantidades de substâncias solúveis em água, como pentoses, fenóis, ácido úrico, glicogênio, ácido glutâmico, valina e leucina. 23 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. FIGURA 9 – ESTRUTURA GENÉRICA DE UM AMINOÁCIDO NA FORMA NEUTRA (A) E NAS POSSÍVEIS FORMAS IÔNICAS (B) A queratina, como todas as outras proteínas, é composta por aminoácidos, cuja fórmula genérica e formas iônicas com carga positiva e negativa estão expressas, na FIGURA 9. A composição dos diferentes aminoácidos em cada molécula de proteína é que dá origem a maioria de suas propriedades mais características. Na queratina estão presentes 18 dos 20 alfa-aminoácidos comuns, como expresso na TABELA 3. Além destes 20 aminoácidos, existem outros menos comuns. Alguns são resíduos modificados após a síntese proteica, outros são aminoácidos presentes nos organismos vivos, mas não como constituintes de proteínas. FIGURA 10 – A FORMAÇÃO DA LIGAÇÃO PEPTÍDICA 24 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Para que uma proteína tenha sua estrutura organizada e modelada, as cadeias polipetídicas devem ser muito extensas e também é necessária a presença de outras ligações que mantenham as cadeias relativamente enrijecidas além das ligações peptídicas, que ligam o grupo ácido de um aminoácido ao grupo amino do aminoácido seguinte (FIGURA 10). TABELA 3 – COMPOSIÇÃO DE AMINOÁCIDOS DOS CABELOS Aminoácido Percentual presente Glicina 4,1 – 4,2 Alanina 2,8 Valina – Leucina 11,1 – 13,1 Isoleucina Fenilalanina 2,4 – 3,6 Prolina 4,3 – 9,6 Serina 7,4 – 10,6 Treonina 7,0 – 8,5 Tirosina 2,2 – 3,0 Ácido aspártico 3,9 – 7,7 Ácido glutâmico 13,6 – 14,2 Arginina 8,9 – 10,8 Lisina 1,9 – 3,1 Histidina 0,6 – 1,2 Triptofano 0,4 – 1,3 Cistina 16,6 – 18,0 Metionina 0,7 – 1,0 Cisteína 0,5 – 0,8 FONTE: Bell e Whewell, 1963; citado por Wilkinson et al., 1990. 25 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Estas ligações adicionais podem ser classificadas de três maneiras: Ligações de hidrogênio entre as cadeias peptídicas paralelas: estas ligações se formam entre o grupo –NH e um grupo –CO adjacente espacialmente localizado (FIGURA 11). São ligações fracas, mas como são numerosas desempenham grande papel na estabilização das moléculas de queratina. Além disso, têm a propriedade de se estenderem para admitir outras substâncias capazes de formar pontes de hidrogênio, como água, alcoóis, fenóis, aminas e amidas, por exemplo. Essa característica de associar água permite a dissolução de proteínas globulares e o intumescimento das proteínas fibrosas mais insolúveis, como a queratina. FIGURA 11 – LIGAÇÕES DE HIDROGÊNIO Ligações salinas entre as cadeias laterais ácidas e básicas: se os grupos ácidos e básicos das moléculas estiverem favoravelmente localizados, pode ocorrer a formação de sais entre elas (FIGURA 12). 26 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. FIGURA 12 – LIGAÇÃO SALINA ENTRE OS AMINOÁCIDOS Ligações dissulfídricas: o grande teor de cistina é o responsável pela rigidez e insolubilidade da queratina. A cistina possui dois grupos aminos e dois grupos carboxílicos (oriundo de duas moléculas de cisteína), podendo incorporar-se a duas cadeias peptídicas ligadas por ligações dissulfídricas (FIGURA 13). Esta ligação intramolecular é a responsável pelas ondas e cachos. FIGURA 13 – FORMAÇÃO DA CISTINA A PARTIR DE DUAS CISTEÍNAS, DESTACANDO A LIGAÇÃO DISSULFÍDRICA 27 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. A macroestrutura da queratina possui numerosas ligações cruzadas dispostas como uma série de fibrilas submicroscópicas com cadeias polipeptídicas de queratina paralelas e entrelaçadas, formando uma estrutura alfa-hélice estável e insolúvel conhecida como alfaqueratina. Duas alfaqueratinas se entrelaçam sobre si, originando uma nova forma helicoidal mais compacta. Muitas proteínas param por aí, mas a propriedade da queratina vai além: duas hélices se espiralam uma sobre a outra para formar uma estrutura espiralada. E mais: duas ou mais dessas estruturas espiraladas empacotam-se em uma conformação final muito semelhante a uma corda. A FIGURA 14 apresenta as conformações da queratina da alfa-hélice a sua organização final em forma de corda. FIGURA 14 – A COMPLEXA ESTRUTURA DA QUERATINA DA ALFA-HÉLICE (A) AO ENOVELAMENTO FINAL EM PROTOFIBRILAS (B)10 10 FONTE: Nelson & Cox (2005, p.127). 28 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Além da queratina, outras substâncias químicas fazem parte da composição dos cabelos: são os minerais e elementos traço. Não é possível falar em valores normais para estes elementos, mas em faixas de concentração consideradas normais, pois muitos são os fatores que contribuem para que ocorram diferentes concentrações nos cabelos de determinada população, tais como idade, hábitos alimentares, localização geográfica, sexo e ocupação, por exemplo. Conforme pode ser observado na TABELA 4, as faixas de concentração são amplas para alguns elementos e mais estreitas para outros. TABELA 4 – CONCENTRAÇÕES NORMAIS DE ELEMENTOS TRAÇOS E MACRONUTRIENTES NO CABELO HUMANO Elemento Concentração, µg/g Elemento Concentração, µg/g Ag 0,16 – 0,70 Mg 1,49 – 567 Al 0,10 – 36 Mn 0,04 – 24 As 0,03 – 25 Mo 0,03 – 2,16 B 0,88 – 0,98 Na 0,02 – 2,02 Ba 0,76 – 1,41 Ni 0,002 – 4,05 Br 2 – 35 Pb 0,004 – 95 Ca 0,17 – 4,69 a Pd < 0,02 Cd 0,04 – 5,3 Pt ≤ 0,05 Cl 0,12 – 14 Rb 0,06 – 5,34 Co 0,07 – 1,7 S 733 Cr 0,08 – 2,5 Sb 0,05 – 0,06 Cs 0,05 – 1 Se 0,002 – 6,6 Cu 6,0 – 293 Sn 0,036 – 8,30 Fe 10 – 900 Sr 1,7 – 860 Ga 1 – 250 Ti 0,13 – 12 Hg 0,3 – 12,2 V 0,04 – 160 I 0,03 – 4,2 Zn 53,7 – 327 K 4 – 700 P 88,9 – 773 Li 9 – 460 b a: mg/g; b: ng/g. FONTE: Pozebon et al., 1999. 29 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. A composição química do cabelo de um indivíduo pode indicar alguma carência nutritiva ou intoxicação advinda de diversas fontes. O excesso de elementos tóxicos que acompanha o envenenamento por metais pesados ou a deficiência de micronutrientes associada a dietas pobres podem levar a um desvio dos valores considerados normais para uma determinada população.Na TABELA 5 são mostradas as principais consequências ao corpo humano advindas da falta ou excesso de alguns elementos. TABELA 5 – EFEITOS DA FALTA OU EXCESSO DE ALGUNS ELEMENTOS TRAÇO NO ORGANISMO Elemento Efeitos Sb A infecção aguda leva a vertigens, dores abdominais, náuseas, vômito, rinite, bronquite e danos ao fígado e rins. As A intoxicação resulta em necrose do fígado, hepatite, encefalite, nefrite, degradação dos nervos e rins. Be A inalação crônica frequentemente ocasiona perda de peso, dor nos ossos e articulações, febre, distúrbio das funções do fígado e baço e lesões na pele. Cd Ocasiona perda de peso, hemorragia, rinofaringite, fibrose dos brônquios, enfisema pulmonar e danos ao fígado e rins. Pb Causa danos ao sistema nervoso central, cérebro, rins e sistema reprodutor. Hg Causa danos ao fígado, rins e sistema nervoso central (SNC). Se A intoxicação causa danos aos rins, SNC e cérebro. A insuficiência reduz a proteção contra toxicidade do Hg e Cd. Tl Causa hemorragia gastrointestinal, neurite, necrose do fígado, delírio e coma. Colapso do sistema respiratório e SNC. B A intoxicação ocasiona náuseas, dermatite e vômito. Ca A deficiência causa problemas dentários, irritabilidade, osteoporose, insônia e depressão. Mg A falta ocasiona excessiva sensibilidade ao ruído, insônia, tremores, aumento da pressão sanguínea, irritabilidade, espasmos musculares e transpiração excessiva. 30 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Cu A falta causa cárie dentária, infecção, enfraquecimento dos ligamentos, anemia e sangramento das gengivas. Cr A falta causa hipoglicemia. Mn A falta ocasiona a redução de açúcar no sangue, problemas nos ligamento e malfuncionamento do sistema reprodutivo. FONTE: Pozebon et al. (1999). Podemos admitir que 50% do peso da queratina capilar são constituídos por cadeias laterais de aminoácidos, responsáveis pelas propriedades químicas dos pelos e cabelos. No entanto, a influência de outros grupos também é de grande importância. Se as ligações de hidrogênio não são rompidas, dificilmente, conseguir- se-á realizar qualquer reação com o cabelo, pois ele não se intumesce para absorver qualquer reagente. Acredita-se que a maior parte da rigidez mecânica dos fios se deve às ligações de hidrogênio e que as ligações dissulfídricas são responsáveis pela insolubilidade da queratina e da resistência química cabelos a certos tipos de reagentes, como ácidos e bases fracos. Em soluções alcalinas com pH 10, ocorre intumescimento lateral intenso das cadeias de queratina, pois as ligações de hidrogênio são rompidas. O mesmo ocorre em soluções ácidas de pH entre 1 e 2. Em pH 12, quebram-se completamente as ligações dissulfídricas e a penetração nas fibras é ilimitada. As cadeias laterais são predominantemente ácidas, em razão da presença duas vezes maior de ácido glutâmico e ácido aspártico que os aminoácidos básicos arginina, histidina e lisina. Isso significa que apesar da estrutura da queratina ser favorável às ligações salinas, ainda existe um excesso de cadeias laterais ácidas livres. Por essa razão, alguns cátions como amônio, sódio e traços de outros metais neutralizam essas cadeias. No entanto, estes cátions podem ser substituídos por outros íons positivos em concentração mais elevada como Ca2+, Na+, Al3+ e cátions com atividade de superfície, como os tensoativos e corantes catiônicos. 31 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 1.3.7 Classificação Tradicional dos Cabelos A forma do cabelo depende de vários fatores, incluindo o formato do folículo e sua abertura, os quais variam entre pessoas e etnias. Até hoje, o cabelo humano foi comumente classificado de forma singela. No que diz respeito à forma do cabelo, os estudos antropológicos anteriores enfatizaram a variabilidade intrínseca e entre os subgrupos étnicos: asiático, caucasiano e africano. Tal abordagem superficial dificilmente considera a alta complexidade da diversidade biológica humana, resultante de nossas origens múltiplas e miscigenadas. No que tange os fatores intrínsecos individuais dos cabelos, tais como diâmetro, forma, propriedades físicas entre outros, vários estudos populacionais com humanos vem sendo realizados a fim de se chegar a um consenso sobre as generalidades dos tipos de cabelos encontrados na população mundial. A descrição da forma dos cabelos com palavras clássicas ou sofisticadas, tais como liso, ondulado, cacheado, com frizz, crespo, entre outras, é subjetiva e pode levar a interpretações errôneas. Por isso as avaliações objetivas de parâmetros bem definidos como a curvatura média, a razão entre a curvatura mínima e a máxima, a proporção de fios lisos naturais, e outras são de grande interesse para caracterizar a verdadeira forma do cabelo humano. Um estudo recente publicado por de La Mettrie e colaboradores (2007), com 1442 voluntários em 18 países, descreve oito padrões capilares. No entanto, em nossa abordagem permanecerá a classificação segundo as três formas principais de cabelos. Na FIGURA 15, os padrões de formas seriam, da esquerda para a direita, respectivamente, as formas do cabelo em corte transversal esquemático dos cabelos asiático, caucasiano e africano, bem como a forma de suas respectivas mechas. A disposição celular no corte transversal é um grande fator que define se a forma do cabelo será lisa, ondulada ou cacheada ao sair do folículo. 32 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. O tipo e a forma das fibras têm efeito significativo no comportamento coletivo das mechas de cabelo. A probabilidade dos cabelos cacheados se tornarem embaraçados é muito maior, pois há mais contato entre as suas fibras. Já nos cabelos lisos, as mechas deslizam facilmente umas sobre as outras. De maneira geral, à medida que a complexidade geométrica da estrutura capilar aumenta, maior é o atrito interno e menor a liberdade de movimento. FIGURA 15 – CARACTERÍSTICAS DA FIBRA CAPILAR11 1.3.8 A Cor dos Cabelos A cor dos pelos e cabelos, assim como a da pele, se deve a grande quantidade de grânulos de pigmentos existentes nas células da haste. A maior parte deles presente no córtex, mas há também sinais de pigmentos na medula. 11 FONTE: The World’s Best Anatomical Charts. Anatomical Charts Company. 33 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Melanina Este pigmento, chamado melanina, é sintetizado no interior dos melanócitos localizados no topo da papila dérmica e transferido para as células de cabelo recém- formadas através de seus dendritos. FIGURA 16 – LOCALIZAÇÃO APROXIMADA DOS QUERATINÓCITOS E MELANÓCITOS NA PAPILA DÉRMICA12 Os grânulos de pigmentos são o produto final dos melanosomas, que se formam incolores na região do aparelho de Golgi e escurecem progressivamente a medida em que sintetizam a melanina enquanto migram para a periferia do melanócito. O tamanho desses grânulos é variável, mas quanto mais escuro for o fio de cabelo, maior é o seu tamanho médio. Assim, as etnias afro-descendentes possuem menos grânulos, mas de tamanhos maiores que as etnias caucasianas, por exemplo. 12 FONTE: Disponível em: <http://www.quimicaederivados.com.br/revista/qd479/cosmetico/cosmeticos02.html> Acesso em: 25/04/2009.34 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Os tons de cabelos humanos são resultado de dois tipos principais de pigmentos: a eumelanina, pigmento marrom a preto, e a feomelanina, amarelo a vermelho. Há também as tricosiderinas isoladas de cabelos vermelhos, mas presentes em pequenas quantidades. TABELA 6 – CONCENTRAÇÃO DE MELANINA EM AMOSTRAS DE CABELO Origem do cabelo Concentração de eumelanina Cabelo japonês preto 2,0% Cabelo italiano castanho 1,1% Cabelo escocês ruivo 0,3% Cabelo escandinavo loiro 0,06% Cabelo albino 0,0% FONTE: Adaptado de Leonardi (2004, p.43). Melanogênese O processo de biossíntese dos pigmentos de melanina é chamado de melanogênese. FIGURA 17 – MECANISMO SIMPLIFICADO PARA A FORMAÇÃO DE EUMELANINA E FEOMELANINA 35 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. A primeira etapa da formação das melaninas ocorre com a degradação da tirosina a 3,4-di-idroxifenilalanina (dopa) pela enzima tirosina hidroxilase ou tirosinase (FIGURA 18). A tirosinase é uma metaloenzima que requer a presença de DOPA, ácido ascórbico e traços de cobre para ser ativada. Esta etapa é a mais lenta e, portanto, crítica para a síntese da melanina. Quanto maior a disponibilidade de tirosina, mais intensa é a melanogênese. FIGURA 18. OXIDAÇÃO DA TIROSINA A DOPA. A segunda etapa, também catalisada pela tirosinase, é a desidrogenação da dopa para formar a dopaquinona, catalisada pela mesma enzima ( FIGURA 19). FIGURA 19 – OXIDAÇÃO DA DOPA A DOPAQUINONA 36 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Após as duas etapas de oxidação catalisada pela tirosinase, a dopaquinona formada pode reagir com oxigênio, dando início à via das eumelaninas, ou enxofre, para a via das feomelaninas (FIGURA 17). É a diferente combinação das variadas formas de eumelanina e feomelanina que dão a coloração natural dos cabelos e da pele. 1.3.9 Cabelos Brancos O encanecimento, processo de branqueamento os cabelos, está relacionado com a perda de pigmento das hastes e a perda progressiva da atividade da tirosinase dos bulbos pilosos. O fenômeno é considerado normal no envelhecimento. Nos caucasianos aparece primeiro na região das têmporas com a idade média de 34 anos e aos 50 anos metade da população terá pelo menos 50% de cabelos brancos. Acredita-se que o encanecimento ocorre em razão de uma inativação irreversível da tirosinase, por substâncias químicas ou traumas físicos ou psicológicos. Apesar da especulação sobre os processos ocorridos na via de degradação da melanina, ela ainda não está elucidada, mas parece ser resistente à lise enzimática. 2 PRINCIPAIS AFECÇÕES DOS CABELOS Apresentamos a seguir um breve resumo sobre as principais situações que afetam a saúde dos cabelos, tanto na haste como no folículo, pois a cosmética limita-se a mascarar ou contribuir para a prevenção e manutenção da integridade e saúde dos cabelos. O diagnóstico e a cura de doenças é um ramo da dermatologia, competindo aos médicos e farmacêuticos a abordagem adequada. 37 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 2.1 DEFEITOS NA FIBRA As dermatoses foliculares e hipertricoses são alterações morfológicas ou estruturais dos pelos que podem ser hereditárias, congênitas ou adquiridas. Na maioria das vezes seu tratamento é difícil. Seguem abaixo os principais defeitos na fibra capilar e suas características/sintomas mais marcantes. Triconodose: Caracterizado pela torção dos cabelos que formam nós como consequência a procedimentos cosméticos ou atrito. É mais comum em cabelos curtos e crespos. Popularmente chamado de nó. Tricoptilose: Também é um quadro comum no qual os cabelos se apresentam frágeis e bifurcados, resultado do desgaste da cutícula. Popularmente conhecido como pontas duplas. Moniletrix: É uma situação rara e hereditária na qual a haste do cabelo apresenta-se com um aspecto de contas, com nódulos elípticos de 0,7 a 1,0 mm, separados por internódulos que carecem de medula. Os pelos são frágeis e se quebram a um ou dois centímetros de seu ponto de nascimento. Tricorrexe nodosa: Trata-se de uma resposta do cabelo a um trauma como sol, mar, pente, escova, xampus, etc. É caracterizado por pontos espessados ou enfraquecidos (nodos), que faz com que os fios se separem com facilidade. Pode ser proximal, distal ou focal. Pili torti: A haste do cabelo se retorce sobre o próprio eixo. É uma afecção congênita, caracterizada por deixar os cabelos secos e quebradiços, sobretudo no couro cabeludo. Hipertricoses: Caracterizam-se pelo crescimento desproporcional de pelos em qualquer parte do corpo, podendo ser congênita ou adquirida, difusa ou localizada. O quadro varia conforme a etnia e a influência genética. Os africanos e os asiáticos têm menor pilosidade que os caucasianos. Para diagnósticos mais precisos é imprescindível a orientação de um dermatologista. 38 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. 2.2 QUEDA Os cabelos crescem e caem continuamente de acordo com o ciclo de crescimento natural dos folículos pilosos. Em uma cabeça normal, em um dado momento, de 85 a 90% dos folículos estarão na fase anágena e 10% na fase telógena. Inúmeros fatores, entretanto, podem desequilibrar o ciclo normal dos cabelos. Se algum fator causar redução no período anágeno, o cabelo poderá se tornar mais fino, substituindo o cabelo que era terminal por cabelo do tipo vellus. Da mesma forma, quando se prolonga a fase telógena, a quantidade de folículos nesta fase aumentará, resultando em uma elevação considerável de queda capilar sem a sua reposição imediata – como seria em situações normais. A perda de cabelos, ou alopecia, é consequência de alterações no folículo piloso, e é considerada como um fenômeno natural que acompanha o processo de envelhecimento, sobretudo em homens, quando ocorre a substituição dos pelos terminais por pelos do tipo vellus. Algumas razões possíveis para essa transição estão citadas abaixo: Diminuição funcional das células da matriz capilar; Diminuição do fluxo sanguíneo que carregam os nutrientes para os folículos; Aumento da sensibilidade aos hormônios androgênios; Ativação do funcionamento das glândulas sebáceas, deteriorando o ambiente do couro cabeludo e folículo piloso; Desequilíbrio alimentar, resultando em falta de nutrientes para o folículo; Outros fatores como hereditariedade ou estresse mental extremo. A TABELA 7 apresenta os principais tipos de alopecia e suas características. 39 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. TABELA 7 – PRINCIPAIS ALOPECIAS E SUAS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS Tipo de alopecia Características principais Eflúvio telógeno Queda abundante e gradual de hastes normais após episódios febris, medicamentos ou estresse psicológico. Alopecia pós-parto Queda de cabelos dois ou três meses após o parto, em razão de um prolongamento da fase anágena de causa hormonal. Durante a gestação, aproximadamente 95% dos folículos no couro cabeludo encontram-se na fase anágena, decaindo para 70% até o quarto mês após o parto. Eflúvio anágeno Queda súbita de cabelosna fase anágena, muitas vezes, associada a medicamentos. Principalmente os citotóxicos. Alopecia areata Popularmente conhecida como calvície, afetando 2% da população, é o quadro mais fácil de ser reconhecido. As lesões estão assimétricas e esparsas, e em duas ou três semanas se espalham tomando extensões maiores da cabeça. Suas causas são variadas e pode ser reversível. Alopecia masculina É hereditária e só se manifesta na presença dos hormônios masculinos. Alopecia difusa A perda de cabelo nas mulheres não é rara, mas ocorre de maneira mais difusa comparada ao que se observa nos homens. Sua causa pode estar associada a disfunções da tireoide, influências hormonais, deficiência de ferro e medicamentos. FONTE: Wilkinson et al.(1990; p. 463-6). 40 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. Caspa A caspa é uma anomalia do couro cabeludo caracterizada pela descamação excessiva do estrato córneo, cujo agente causador é a levedura13 lipofílica Malassezia furfur (anteriormente conhecida como Pityrosporum ovale). A caspa no couro cabeludo, cabelos e roupas é considerada um desagradável sinal de higiene precária. Afeta igualmente homens e mulheres, mas é mais problemático em mulheres em razão do comprimento dos cabelos e a constante necessidade de mantê-los visualmente aceitáveis. No entanto, trata-se de uma condição dermatológica não contagiosa que resulta em sintomas como descamação, formação de placas, eritema, prurido (coceira) e até a quebra de cabelos. As áreas mais afetadas são a fronte e as regiões atrás das orelhas abaixo da linha dos cabelos, mas outras partes da cabeça também podem ser igualmente afetadas. Os casos mais simples necessitam nada mais que lavagem diária com xampus suaves, mas os casos crônicos requerem tratamento contínuo para prevenir seu reaparecimento nos indivíduos com predisposição. A Malassezia furfur está presente na flora natural da maioria dos seres humanos adultos saudáveis sem causar qualquer problema. Mas em certas situações cujas circunstâncias sejam propícias ao seu desenvolvimento, essa levedura pode crescer descontroladamente, alimentando-se do sebo secretado pelas glândulas sebáceas associadas aos folículos pilosos e assim causar a irritação que promove o aumento na proliferação das células da epiderme e que resultam na descamação – o principal sintoma da caspa. As causas exatas desse crescimento descontrolado ainda não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que a produção e secreção excessiva de sebo, variações hormonais, estresse, certas doenças, desordens neurológicas (como o Parkinson, por exemplo), supressão do sistema imune, lavagem insuficiente dos cabelos ou com produtos inadequados e 13 Leveduras são fungos predominantemente unicelulares. 41 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores. sensibilidade exacerbada ao fungo podem contribuir para o desenvolvimento da caspa. Para muitas pessoas, a simples descamação é considerada caspa, mas não é assim tão simples. Vários outros fatores, como os descritos na TABELA 8, podem levar à descamação e ao prurido além da caspa propriamente dita. TABELA 8 – CONDIÇÕES COM SINTOMAS SEMELHANTES AOS DA CASPA Condições Sintomas Observados Pele seca É a causa mais comum de prurido e descamação, mas os flocos formados pela descamação da pele seca são geralmente menores e menos oleosos que os causados pela caspa. Dermatite seborreica Também conhecida como eczema seborreico, é uma condição frequentemente associada à caspa. É caracterizada por vermelhidão e oleosidade na pele e flocos brancos ou amarelados. Ela afeta todas as áreas ricas em glândulas sebáceas além do couro cabeludo, como as sobrancelhas, as laterais do nariz, as regiões atrás das orelhas, o tórax, as virilhas e as axilas. Em recém-nascidos é conhecida como crosta láctea. Psoríase Essa doença cutânea psicodermatológica causa acúmulo de células mortas, principalmente nos joelhos, cotovelos e tronco, mas também pode afetar o couro cabeludo, deixando flocos espessos e irritação local. Dermatite de contato Algumas vezes a sensibilidade a certos produtos cosméticos capilares ou corantes pode causar eritema (vermelhidão), prurido e descamação no couro cabeludo. FONTE: Disponível em: <http://www.mayoclinic.com/health/dandruff/DS00456> Acesso em: 14/03/09. ----------- FIM DO MÓDULO I -----------