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PONTO 3 – ZETÉTICA E DOGMÁTICA – APOSTILA – CONTINUAÇÃO 
 
Zetética e dogmática são dois diferentes enfoques teóricos a serem utilizados no 
estudo do Direito. Um acentua o aspecto de pergunta do problema, mantendo abertas 
à dúvida suas premissas; já o outro aborda o ângulo de resposta, estabelecendo 
pontos de partida e buscando um curso de ação. 
 
A diferença entre dogmática jurídica e zetética jurídica está na maneira de enfocar o 
direito enquanto objeto de estudo. É uma diferença que diz respeito à delimitação do 
objeto “direito” de análise. Dogmática tem sua origem na palavra grega dokein que 
significa doutrinar, ensinar. 
 
Zetética deriva de zetein, que significa perquirir, questionar, a zetética tem como 
perspectiva desintegrar e dissolver as opiniões, pondo-as em dúvida, exercendo 
função especulativa explicita e infinita. O refletir zetético liga-se as opiniões pela 
investigação e seu pressuposto principal é a duvida. O método zetético é analítico, 
sendo assim, para resolver algum problema ou investigar a razão das coisas, 
questiona as premissas de argumentação, ou seja, é cético. 
 
Zetética Jurídica. A Zetética (zetein) representa o ato de perguntar e tentar conhecer a 
natureza ou razão das coisas, partindo de evidencias, constatações que podem vir a 
ser modificadas e questionadas. 
 
A zetética é o pensamento investigativo, especulativo; preocupa-se em lançar 
perguntas, não em encontrar respostas. Seria até bom que as respostas fossem 
encontradas, mas é possível perguntar até mesmo sobre o ato de perguntar. A 
filosofia é essencialmente zetética. 
 
Dogmática advém de dokein, que significa ensinar, doutrinar, a dogmática releva o ato 
de opinar e ressalva algumas das opiniões e seu desenvolvimento, o pensamento 
dogmático é uma forma de enfoque teórico no qual as premissas de sua 
argumentação são inquestionáveis, como por exemplo, ocorre com a religião por ser a 
fé inquestionável. 
 
A dogmática em contraposição a zetética (que possui caráter amplo),é mais fechada, 
presa a conceitos fixos e adapta os problemas as premissas. 
 
 
Já a dogmática é o pensamento que parte de premissas pré-estabelecidas (lembre-se 
dos “dogmas da igreja”). A dogmática utiliza o raciocínio dedutivo, que parte do geral 
para o particular. O positivismo jurídico é essencialmente dogmático. As regras fazem 
com que o direito tenha uma forte conotação dogmática. 
 
A relação entre zetética e dogmática pode ser enfatizada na questão da diferenciação 
das premissas. A primeira parte do princípio que suas premissas são dispensáveis. Se 
as premissas não servirem, elas podem ser trocadas. Já a segunda, por estar “presa” 
a conceitos já fixados, se as premissas não se adaptam aos problemas, esses são 
vistos como “pseudoproblemas” e assim, substituídos. 
 
Um dogma é inquestionável não porque ele é verdadeiro, mas porque ele impõe uma 
certeza sobre algo que continua posto como dúvida. Sintetizando, podemos dizer que 
a zetética parte de evidências, e a dogmática de dogmas. 
 
Questões zetéticas têm uma função especulativa explícita e são infinitas. Questões 
dogmáticas têm uma função diretiva explícita e são finitas. Nas primeiras, o problema 
tematizado é configurado como um ser (que é algo?). Nas segundas, a situação nelas 
captada configura-se como um dever-ser (como deve ser algo?). 
 
Por isso, “o enfoque zetético visa saber o que é uma coisa, já o enfoque dogmático 
preocupa-se em possibilitar uma decisão e orientar a ação” (FERRAZ JR, 2003). 
 
Apesar de não haver uma divisória projetando uma radical distinção entre os dois 
tipos de enfoque, a diferença entre eles é importante. Os enfoques zetéticos têm uma 
função especulativa explícita e são infinitos, pois admitem uma questão sobre a 
própria questão e suas premissas são dispensáveis. Já o enfoque dogmático, em 
contraposição, tem uma função diretiva explícita e são finitos, pois parte de uma 
premissa inatacável, sendo assim o questionamento dogmático definido como finito. 
 
A zetética tem como âmbito investigativo parâmetros amplos, como característica 
principal o constante questionamento, ou seja, a zetética não se limita. O fato de ela 
ser descompromissada com a solução de conflitos (acentuando a pergunta), ela pode 
ser definida como especulativa. O enfoque zetético pode ser classificado de diversas 
formas: zetética empírica pura (a investigação não visa a aplicação), zetética empírica 
aplicada (a investigação tem como princípio conhecer o objeto para mostrar como 
este atua), a zetética analítica pura (em que a pesquisa é feita no plano lógico) e, por 
último, a zetética analítica aplicada (em que há a aplicação técnica da investigação). 
 
Quanto à finalidade a que se destinam, o pensamento dogmático se propõe a refletir 
sobre uma opinião inquestionável, porém dotada de legitimidade a qual foi assentada 
a priori. Em detrimento a isso, o modo de pensar zetético tem por finalidade o que é 
rejeitado e vedado no pensamento dogmático como a inquirição e a critica. 
Entende-se então, que a Filosofia seja zetética. Para Aristóteles (1969), a Filosofia 
surge do assombro motivado pelas vicissitudes do mundo, daquilo que é inesperado, 
do devir. 
 
Segundo Severino (1986), a Filosofia busca a ideia de um saber irrefutável, pela 
incessante procura, é a Filosofia fundamentalmente especulativa. 
 
O direito em sua vez é mais dogmático, porém as transformações no mundo moderno 
possibilitaram uma compreensão mais especifica das necessidades humanas, 
ressalta-se assim, a importância da Filosofia para o direito. O direito precisa 
desvencilhar-se dos preconceitos atribuídos pelo dogmatismo jurídico , para então, 
acompanhar a evolução social. 
 
É, portanto, a dogmática um instrumento para alcançar o verdadeiro sentido da 
norma jurídica, permitindo a ampliação do seu alcance. ... Desde a produção até 
imposição da consequência pelo descumprimento das normas jurídicas, a justiça, 
enquanto valor a ser alcançado pelo Direito. 
 
Podemos dizer, assim, que o nosso direito pós-positivista, no qual as regras convivem 
com os princípios, é um “misto” de zetética e dogmática. Na verdade, na própria 
filosofia, essa linha divisória entre zetética e dogmática (quando um pensamento deixa 
de ser investigativo e passa a ser dedutivo) não é muito bem definida. 
 
Particularmente considero o direito mais dogmático do que zetético. Você não é 
ensinado a contrariar as normas nem perguntar como ela é feita (Na verdade é mas é 
muito pouco como por exemplo no direito constitucional no assunto de processo 
legislativo), mas sim ensinado a entender a lógica e a obedecer o que está previsto 
nas normas. Presumo que o direito não seja completamente dogmático pelo fato de 
que para você obedecer algo é necessário que se tenda a importância desse algo e 
de como ele é feito. É ai que entra a zetética.

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