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Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -1 09.03.21 Estomago • 1200mL à 1500mL • Borda convexa (curvatura maior) • Borda concava (curvatura menor) • Divide-se em: o Fundo o Corpo o Antro Possui muco para produzir da acidez. • Irrigação: 1. Artéria gástrica esquerda (origem do tronco celíaco) 2. Artéria gástrica direita (ramo da artéria hepática) • Drenagem venosa: 1. Veias gástricas • Drenagem linfática: o Rico plexo linfático (mucosa, submucosa e subserosa) CAMADAS 1. Mucosa: contato com a luz 2. Submucosa: abaixo da mucosa, responsável pela nutrição e manutenção da mucosa. 3. Muscular própria: divide em camada muscular interna e externa, entre as camadas tem um plexo mioentérico responsável pelo movimento peristáltico. 4. Serosa: mais externa, lisa, úmida e que articula com os movimentos do peritônio. Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -2 MUCOSA CÁRDICA • Pequena dimensão • Glândulas semelhantes ao antro • Intercaladas por glândulas oxínticas e mistas Fovéolas curtas Não confundir muscular da mucosa com muscular própria. MUCOSA DO CORPO E FUNDO GÁSTRICO • Fovéolas curtas • Contém: o Células parietais – secretam HCl e fator intrínseco o Células principais – secretam pepsinogênio o Células enterocromafins – secretam histamina Fator intrínseco: se liga na vitamina B12, e esses dois juntos é absorvido no íleo terminal, sem o fator intrínseco não tem absorção da vitamina B12. Enterocromafins: estimular produção de ácido pelas células parietais. MUCOSA ANTRAL • Células neuroendócrinas (APUD) • Inibe: o Células G (gastrina) → ácido o Células D (somatostatina) o Células EC (serotonina MECANISMO DE DEFESA 1. Camada de muco que recobre a mucosa 2. Camada de células epiteliais: aumenta produção do tecido e mantém a integridade, uma vez que entre essas células há um tráfego de nutrientes fazendo com que elas fiquem permanentes enquanto o ciclo de vida é cumprido. 3. Fluxo sanguíneo → O2 e nutrientes 4. Prostaglandinas → produção de muco e bicarbonato (aumenta o pH); ativam fluxo sanguíneo. Quando tomamos AINE que inibe a prostaglandina, acabamos tendo uma facilitação à gastropatia por reduzir a produção de muco, bicarbonato e alteração negativa do fluxo sanguíneo. Cigarro e H pylori impedem o fluxo. ESTENOSE HIPERTRÓFICA DO PILORO Oliva pilórica: resulta da hipertrofia da muscular própria do piloro. Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -3 GASTRITES E GASTROPATIAS • Gastrite: inflamação da parede do estomago. o Primária: doença limitada à mucosa o Sistêmica: doença pode comprometer demais camadas. Doença de Crohn o Indicar estados clínicos: epigastralgia e desconforto abdominal sem evidência de doenças estabelecidas no estômago, mas há a clínica, dizemos que tem a dispepsia funcional. • Gastropatia: afecções gástricas agudas ou crônicas, sem inflamação. o Fenômenos degenerativos e regenerativos o Agressão química 1. Exógena: álcool e medicamentos 2. Endógenas: sais biliares, são produzidos dentro da circulação enteroepática, fazendo digestão de gordura. Juntamente com as enzimas do pâncreas podem refluir para o estomago (não deveria acontecer), e quando isso acontece pode ter uma lesão de natureza endógena. GASTROPATIAS AGUDAS • Frequentes • Início súbito com epigastralgia, náuseas, vômitos e hemorragia digestiva (não compromete o estado dinâmico) • Agentes agressores superam mecanismo de defesa • Principais causas: o AINE (incluindo AAS – inibem COX-1 e 2) o Isquemia: tabagismo o Álcool (dissolução do muco) ➔ Gastropatia hemorrágica ➔ Duodenopatia hemorrágica ➔ Ulceras gastroduodenais agudas Erosões ou úlceras • Perda da solução de continuidade da mucosa • Superficiais – em geral não ultrapassam a muscular da mucosa • Ocorrem em qualquer região do estômago • Menos frequentes no duodeno Ulcera gástrica: Grandes cirurgias e queimaduras, sepse, choque, traumatismos graves:::: ULCERA DE CUSHING Hipertensão intracraniana::::: ULCERA DE CURLING GASTRITES AGUDAS • Pouco frequentes na prática • Infecção por H. pylori – geralmente gastrite crônica • Estágios iniciais de infecção pelo H. pylori são oligossintomáticos • Dificilmente diagnosticados pelo estudo anatomopatológico GASTRITE CRONICAS • Reação inflamatória da mucosa • Infiltrada por leucócitos mono e polimorfonucleares • Presunção clínica e endoscópica • Baixa correlação clínica, endoscópica e histopatológica • Processo inflamatório zonal ou focal: biópsias múltiplas. Pelo menos representando antro e corpo • As duas principais formas: o Gastrite crônica provocada pelo H. pylori o Gástrica crônica autoimune • Infecção mais prevalente na espécie humana • Redução na incidência nos países desenvolvidos • Adquirida na infância • Responsável por 80% dos casos de gastrites crônicas H. pylori • Bactéria gram-negativa • Forma de espiral • Contém 4-6 flagelos • Microaerófila • Contém hidrogenase – obtenção de energia Mecanismos de ação do H pylori Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -4 • Diversidade genômica – VacA e CagA → aumentam a resposta inflamatória e o dano causado a mucosa • São mais comumente encontradas no antro pois é a região que mais contém muco. • Estirpes CagA aumentam a indução de IL-8 (quimiotaxia) • Produz urease. A urease quebra amônia e transforma em bicarbonato, esse bicarbonato ajuda a alcalizar o meio que ela se encontra para se proteger do ácido. • Condições do hospedeiro → expressão aumentada de IL- 1beta e TNF-alfa • GC associada ao H. pylori, apresenta-se sob duas formas: 1. Antral (predominantemente antral) 2. Antro e corpo • A evolução de uma forma para outra não é conhecida • Características do hospedeiro e microrganismo GASTRITE ANTRAL • Inflamação difusa e intensa • Extensão para corpo distal • Atrofia e metaplasia intestinal (MI) • Hipersecreção gástrica • Tríade: gastrite antral + H. pylori + úlcera duodenal A metaplasia no antro pode alterar a parte fisiológica do estomago por uma substituição metaplasica intestinal. Há uma hipersecreção ácida podendo levar a uma úlcera duodenal. GASTRITE ANTRO E CORPO • Igual intensidade no antro e corpo • Evolução mais rápida para atrofia e MI • Focos múltiplos de atrofia e MI • Hipocloridria • Evoluem mais frequentemente para úlcera péptica gástrica e carcinoma gástrico • Mais comum em mulheres • Longo período pré-clínico assintomático • Anticorpo anti-célula parietal (localizada no corpo) • Anticorpo anti-fator intrínseco • Atrofia gástrica é lenta • Deficiência de vitamina B12 • Anemia perniciosa e neuropatia → estágio avançado Temos um processo inflamatório importante no corpo e fundo, e o antro é preservado. Na gastrite pela H pylori é o oposto, ocorre no antro podendo se estender até o corpo. A vitamina B12 é importante para maturação da célula vermelha na medula óssea. • Mucosa do corpo e fundo atróficos ----------------------------- • Pregas desaparecem ou são menos proeminentes • Infiltrado inflamatório mononucleares • Às vezes formam folículos linfóides • Desaparecem células parietais e principais • Metaplasia intestinal, pseudo-antral e pancreática • Mucosa antral normal ou com inflamação leve e inativa O que fazer quando suspeitar de gastrite autoimune? Biopsiar antro e corpo e enviar frascos para o patologista. Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -5 Biopsia de antro e corpo ÚLCERA PEPTICA • Lesão escavada da parede esofagogastrintestinal • Resultante da digestão ácido-péptica • Geralmente única e de evolução crônica • Se múltiplas – Síndrome de Zollinger-Ellison• 98% dos casos origina-se no bulbo duodenal e mucosa gástrica • Defesas do hospedeiro • Ação agressiva do suco gástrico 1. Queda das defesas locais 2. Aumento da agressão 3. Associação dos dois elementos • Úlcera duodenal – aumento da agressão • Úlcera gástrica – queda das defesas locais ULCERA DUODENAL • Hipersecreção ácida e níveis elevados e pepsinogênio • Maior capacidade de secreção ácida do estomago, relacionada com: 1. Maior número de células parietais 2. Maior sensibilidade das células parietais à gastrina 3. Hipergastrinemia ▪ Hiperplasia ou hiperfunção das células G ▪ Transtornos dos mecanismos inibitórios das células G ▪ Apudoma (tumor neuroendócrino) secretor de gastrina (gastrinoma) ▪ Infecção pelo H. pylori – relação com a urease – alcalinização do microambiente • Esvaziamento gástrico mais rápido que o normal • Outros fatores que podem contribuir para gênese da UD: 1. AINE: inibição das prostaglandinas 2. Corticoides: inibição das prostaglandinas 3. Tabagismo: vasoconstrição 4. Fatores genéticos: grupo sanguíneo O, gêmeos monozigóticos, história familiar ULCERA GÁSTRICA • Redução das defesas da mucosa • Preferencialmente na curvatura menor (incisura angular) • Região distal – limite entre estomago e duodeno • Papel do H. pylori é menos importante que nas UD • Cepas CagA-positivas 1. Maior produção de citocinas pró-inflamatórias 2. Maior lesão celular 3. Quebra da barreira da mucosa 4. Retrodifusão de H+ • Outros fatores que podem contribuir para gênese da UG: 1. AINE: principalmente AAS 2. Álcool: lesão celular mediada por neutrófilos e redução do fluxo sanguíneo 3. Tabagismo: vasoconstrição 4. Refluxo duodenal: tônus pilórico dos indivíduos com UG é menor Aspectos morfológicos • Lesão arredondada ou ovalada • Bordas regulares • Fundo limpo • UP pode ser: 1. Superficial → atinge até a submucosa 2. Profunda → atinge até a muscular própria 3. Perfurante → atinge todas as camadas 4. Penetrante → atinge todas as camadas, mas fica tamponado por órgãos vizinhos Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -6 Aspectos clínicos • Dor ou queimação epigástrica • Hemorragia é a consequência mais comum o Hemorragia maciça com hematêmese e melena o Pequenas hemorragias • Perfuração • Estenoses e deformações • Malignização: muito rara PÓLIPOS • Lesão da mucosa: proliferação de seus componentes • Protusão para luz: séssil ou pedunculada • Pouco comuns, raramente manifestam-se clinicamente • Achados incindentais – 4-5¢ das endoscopias ADENOCARCINOMA GÁSTRICO • 90% dos tumores malignos do estomago • Aspectos epidemiológicos o 2ª ou 3ª causa de óbito por câncer em ambos os gêneros o Grandes variações de incidências no mundo o Não tem bom prognóstico → diagnóstico tardio o Declínio na mortalidade nos últimos anos o Classificação de Lauren: ▪ Tipo intestinal: população de alto risco ▪ Tipo difuso: população de baixo risco Doença multifatorial • Alimentos salgados • Alimentos e bebidas cotendo: o Nitratos o Benzopirenos o Tanino o Deficientes em antioxidantes (vitamina C e E) INFECÇÃO PELO H PYLORI • Implicado tanto no tipo intestinal, como no difuso • Associação tanto com AG, como linfoma MALT • H. pylori – carcinógeno tipo I (OMS) • Principalmente cepas virulentes – CagA o Promoção de proliferação celular ▪ Dano direto pela atividade inflamatória ▪ Ação da amônia – induz aumento da atividade de replicação celular o Atividade inflamatória ▪ Neutrófilos liberam compostos nitrosos o Indução de gastrite crônica CONDIÇÕES PRÉ-NEOPLASICAS • Gastrite crônica atrófica multifocal (corpo e antro) o Metaplasia intestinal incompleta o Displasia • Gastrite autoimune (?) • Úlcera péptica gástrica – associação com AG é de 10% • Adenomas • Gastrectomia prévia • Precoce o Invasão da neoplasia até a submucosa • Avançado o Invasão da neoplasia além da submucosa Tipo intestinal • Tem metaplasia intestinal • Lembra adenocarcinoma intestinal Tipo difuso • São formadas por células monomórficas • Formam padrão em “anel de sinete” Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -7 Sinais inespecíficos • Anorexia • Perda de peso • Anemia • Vômitos Invasão de estruturas vizinhas por contiguidade Metástases linfonodais • Locais • Distantes – sinal de Troisier (envolvimento dos linfonodos supraclaviculares E) Disseminação hematogênica • Fígado • Pulmões • Ossos Disseminação peritoneal • Ovários – tumor de Krukemberg