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Parasitologia Médica Pobreza: importante em relação às doenças parasitárias. Quando não se tem acesso a saneamento básico, médicos, educação, mais o ciclo das doenças persiste. Origem do parasitismo A interdependência entre os seres vivos é dinâmica e busca dois aspectos: obtenção de alimentos e/ou proteção. Essas associações não são ao acaso, mas acontecem por duas razões fundamentais: fornecem oportunidades evolutivas e garantem a permanência da vida. “Sinergia vital”: interação simultânea de todas as espécies de diferentes reinos, buscando a manutenção da vida. A morte do hospedeiro não é objetivo do parasitismo, o objetivo é viver com você para que você possa o sustentar. Formas de associação Associação de espécies diferentes é uma simbiose. A simbiose pode apresentar formas diversas, tais como: 1. Forésia: na associação entre dois organismos de espécies diferentes, uma delas busca apenas abrigos e/ou transporte. Exemplo: a veiculação de ovos de Dermatobia Hominis por moscas ou mosquitos. Mosquito da dengue carrega o vírus sem trazer problema para ele. 2. Mutualismo: os organismos de espécies diferentes vivem em associação, havendo benefício mútuo. Exemplo: a associação de protozoários e bactérias no rúmen de bovinos. 3. Comensalismo: a associação entre duas espécies, na qual uma obtém vantagens sem promover prejuízos para a outra (hospedeiro). Exemplo: a Entamoeba coli vivendo no intestino grosso humano. 4. Parasitismo: a associação entre seres vivos, na qual existe unilateralidade de benefícios, ou seja, o hospedeiro é espoliado pelo parasito, pois fornece nutrientes e abrigo para esse, promovendo danos ao hospedeiro. Exemplo: a Entamoeba histolytica no intestino grosso humano. * Aquele que se beneficia não almeja a morte de seu hospedeiro. Porque no parasitismo se eu prejudico o outro e aquele outro morre, eu também morro. A associação parasitária tende ao equilíbrio, pois havendo a morte do hospedeiro, o parasita também morrerá. Exemplo: o tatu, que antes era o hospedeiro primitivo do Trypanossoma cruzi não morre, enquanto os humanos ou o gato adoecem rapidamente. Tipos de Adaptações Os parasitas para se associarem ou interagirem com o hospedeiro sofreram adaptações morfológicas, fisiológicas e biológicas ao longo de todo o processo evolutivo ocorrido. 1. Adaptações morfológicas Degenerações: representadas por perdas ou atrofia de órgãos locomotores, aparelho digestivo, etc. Exemplo: Cestoda que não apresenta tudo digestivo. Objetivo de se adaptar à uma situação. Hipertrofia: encontradas principalmente nos órgãos de fixação, resistência ou proteção e reprodução. Exemplo: alguns helmintos possuem órgãos de fixação muito fortes, como lábios, ventosas, acúleos, bolsa copuladora. 2. Adaptações biológicas Capacidade reprodutiva: os parasitas são capazes de produzir grandes quantidades de ovos, cistos ou outras formas infectantes. Sucesso que o Ascaris lumbricoides tem na reprodução. A fêmea deposita milhares de ovos. Tipos diversos de reprodução: o hermafroditismo, a partenogênese, a poliembrionia (reprodução de formas jovens), a esquizogonia, etc. Capacidade de resistência à agressão do hospedeiro: presença de antiquinase, a qual é uma enzima que neutraliza a ação dos sucos digestivos sobre numerosos helmintos; capacidade de resistir a ação de anticorpos ou de macrófagos, capacidade de induzir uma imunossupressão, etc. Tropismos: os diversos tipos de tropismos são capazes de facilitar a propagação, reprodução ou sobrevivência de determinada espécie de parasito. Os tropismos mais importantes são: geotropismo (abrigar-se na terra), termotropismo, quimiotropismo, heliotropismo, etc. Ação do parasito sobre o hospedeiro Os principais tipos de ação são: 1. Mecânica: ação exercida pela presença do parasito em determinado órgão, podendo ser uma ação obstrutiva durante sua migração. Exemplo: o enovelamento do Ascaris lumbricoides no intestino delgado. 2. Espoliativa: quando o parasito retira nutrientes do hospedeiro. Exemplo: competição alimentar que existe entre o Ascari lumbricoides, as tenias e o hospedeiro. 3. Tóxica: produtos do metabolismo do parasito são tóxicos para o hospedeiro. Exemplo: a formação de granulomas pelos ovos de Schistosoma mansoni. 4. Imunogênica: partículas antigênicas de parasitos sensibilizam tecidos do hospedeiro, aumentam a resposta imunitária, a qual agrava a parasitose. Exemplo: a malária, a doença de Chagas e as leishmanioses. 5. Enzimática: penetração da pele por cercárias de Schistosoma mansoni ou a penetração de trofozoítos de histolytica na mucosa intestinal. 6. Inflamatória: o próprio parasita ou produtos de seu metabolismo estimulam o afluxo de células inflamatórias locais. Exemplo: formação de granulomas em torno de ovos de S. mansoni. 7. Anóxia: quando ocorre grande consumo de oxigênio pelo parasita nas hemácias, podendo provocar anoxia generalizada. Exemplo: o parasitismo de hemácias pelos plasmódios. Tipos de ciclos biológicos Denomina-se ciclo biológico ou ciclo vital as diversas fases e tapas que um parasito passa durante a sua vida. No ciclo vê-se a evolução do parasita. 1. Conceito de hospedeiros Hospedeiro definitivo: é quele que alberga o parasito em sua forma adulta ou forma reprodutiva final. Forma adulta. Hospedeiro intermediário: usualmente é um molusco ou artrópode no qual se desenvolvem as fases jovens. Forma intermediária. Exemplo: Aedes aegypti: intermediário – Ser humano: definitivo. 2. Tipos básicos de ciclos biológicos: Ciclo monoxênico/ciclo direto: no ciclo biológico só há participação de um hospedeiro. Esse ciclo também pode ser chamado de “ciclo direto”. Ciclo heteroxênico ou indireto: quando no ciclo biológico há participação de um hospedeiro intermediário. *Quando na região não tem o hospedeiro intermediário, não terá a doença. 3. Vetor Artrópode, molusco ou outro veículo capaz de transmitir o parasito entre dois hospedeiros. Eles podem ser divididos em: Vetor biológico: o parasito se reproduz ou se desenvolve no molusco ou no artrópode. Vetor mecânico: o parasito não se reproduz e nem se desenvolve no vetor, pois esse apenas o transporta. Vetor inanimado ou fômite: o parasito é transportado por objetos, tais como seringa, espéculo, talher, copo. Conceitos e objetivos Epidemiologia é a ciência que estuda a distribuição de doenças ou enfermidades, assim como a de seus determinantes na população humana. O objetivo principal da epidemiologia é a promoção da saúde mediante a prevenção de doenças, em grupos populacionais. Tríade epidemiológica de doenças A transmissão e a manutenção de uma doença na população humana são resultantes do processo interativo entre o agente, o meio ambiente e o hospedeiro humano. O agente é o fator cuja presença é essencial para a ocorrência da doença. O hospedeiro é o organismo capaz de ser infectado por um agente. O meio ambiente é o conjunto de fatores que interagem com o agente e o hospedeiro. Conceitos epidemiológicos de doenças As doenças infecciosas são classificadas de acordo com o agente etiológico em: protozoários, vírus, bactérias, etc. Formas de disseminação 1. Veículo comum O agente etiológico pode ser transferido por fonte única, como a água, os alimentos, o ar. Exemplo: as infecções alimentares e a cólera. 2. Propagação de pessoa a pessoa Exemplo: via respiratória (sarampo), oral-anal, genital (HIV) ou por vetores (leishmaniose, malária, Doença de Chagas). 3. Porta de entrada no hospedeiro humano Trato respiratório (tuberculose), gastrointestinal (cólera), geniturinário (HIV), cutâneo (leishmaniose, Doença de Chagas). 4. Reservatório dos agentesAntroponose: o homem é o único reservatório dos agentes. Exemplo: sarampo, filariose brancoftiana). Zoonose: quando o homem e outros vertebrados são reservatórios. Exemplo: Leishmaniose, Doença de Chagas. Período de incubação Intervalo entre a exposição ao agente (contato) e o aparecimento da enfermidade. Dinâmica da distribuição das doenças na população 1. Endemia A presença constante de uma doença em uma população de determinada área geográfica. 2. Epidemia A ocorrência de uma doença em uma população, que se caracteriza por uma elevação progressiva, inesperada e descontrolada, ultrapassando os valores endêmicos ou esperados. 3. Pandemia São as epidemias que ocorrem ao mesmo tempo em vários países. Exemplo: peste bubônica, na idade média e a gripe espanhola no início do século XX. Prevenção primária Medidas que procuram impedir que o indivíduo adoeça, controlando os fatores de risco. Primordiais (medida adequada, saneamento ambiental, incluindo tratamento de água, esgoto e coleta de lixo, educação, alimentação adequada, áreas de lazer). Específicas (imunização, equipamento de segurança, uso de camisinha, proteção contra acidentes). Prevenção secundária Medidas aplicáveis aos indivíduos que se encontram sob a ação do agente patogênico (fase subclínica ou clínica). Exemplo: diagnóstico da infecção ou da doença e o tratamento precoce. Prevenção terciária Prevenção da incapacidade usando medidas destinadas à reabilitação, aplicadas na fase em que esteja ocorrendo ou que tenha ocorrido a doença. Exemplo: sequelas de AVE ou acidente automobilístico. Regras de nomenclatura e classificação O número dos seres vivos existentes na natureza é grande, por isso para serem estudados, tiveram que ser agrupados conforme sua morfologia, fisiologia, estrutura, filogenia, etc. 1. Classificação: é a ordenação dos seres vivos em classes, baseando-se no parentesco, semelhança ou ambos. 2. Nomenclatura: é a aplicação de nomes distintos a cada uma das classes reconhecidas numa dada classificação. 3. Taxonomia: é o estudo teórico da classificação, incluindo as respectivas bases, princípios, normas e regras. 4. Sistemática: é o estudo das formas de organismos, sua diversidade e toda e qualquer relação entre elas. A taxonomia reconhece, classifica e identifica os seres vivos, enquanto a sistemática estuda as características físicas e fisiológicas ou comportamentais para permitir a classificação. Nomenclatura zoológica A unidade taxonômica (unidade, grupo, etc), denomina-se táxon (plural taxa). Sete táxons: Reino – Filo – Classe – Ordem – Família – Gênero – Espécie. A nomenclatura das espécies deve ser latina e binominal: a primeira representa o gênero, a segunda espécie (deve ser escrita com a primeira letra minúscula, mesmo quando for nome de pessoa). Estas palavras devem ser sempre escritas com destaque. Quando a espécie possui subespécie, essa palavra virá em seguida à da espécie, sem nenhuma pontuação. Exemplo: Culex pipiens fatigans Culex = gênero; pipiens = espécie; fatigans= subespécie. Quando a espécie possui subgênero, este vira interposto entre o gênero e a espécie, separado por parênteses. Exemplo: Anopheles (Kerteszia) cruzi. Anopheles = gênero; (Kerteszia) = subgênero; cruzi = espécie. Quando se vai descrever uma espécie, seu nome deve ser simples, homenageando uma pessoa ilustre, ou elucidativo. A grafia deve ser sempre em latim ou latinizada. Quando for de homem, acrescenta-se um i e quando for de mulher acrescenta-se ae. Exemplo: cruzi, guimaraesi, mariae, etc. Havendo a necessidade de escrever o nome de uma espécie num trabalho, a primeira indicação deverá ter a citação do autor. Exemplo: Polygenis guimaraesi (Linardi, 1978). Quando há a necessidade de se abreviar a escrita do nome cientifico deve-se escrever a primeira letra do gênero em maiúsculo seguida de ponto. Exemplo: Aedes aegypti = A. aegypti Entamoeba coli = E. coli Espécie: coleção de indivíduos que se assemelham tanto entre si como os seus ascendentes e descendentes. Subespécie: quando alguns indivíduos de determinada espécie se destacam do resto do grupo por possuírem uma característica excepcional. Gênero: várias espécies apresentam caracteres comuns parra reuni-las num grupo. * Para ser da mesma espécie é necessário que os dois seres tenham cópula e produzam descendentes férteis. Império procariota: reino bactéria. Império eucariota: reinos protozoa, animalia, fungi, plantae e chromista.