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ELETRICIDADE AULA 5 Prof. Felipe Neves Souza 2 CONVERSA INICIAL Conforme apresentado na primeira aula, em circuitos elétricos existem os elementos ativos e passivos. Os primeiros fornecem energia elétrica, como as fontes de corrente e tensão (independente ou dependente). Já os elementos passivos são os que absorvem energia elétrica, como os resistores, capacitores e indutores. Até o momento foram apresentados os métodos de análise e teoremas aplicados aos circuitos puramente resistivos. Porém, a maioria dos equipamentos elétricos que utilizamos no nosso dia a dia contém capacitores e indutores. Nesta aula, serão apresentados o princípio de funcionamento dos capacitores e indutores e a aplicação destes componentes em circuitos de primeira ordem, denominados RC e RL. Por fim, serão abordados os circuitos de segunda ordem, compostos por resistores, indutores e capacitores (RLC). TEMA 1 – CAPACITORES Enquanto os resistores dissipam energia elétrica, o capacitor é um elemento passivo que armazena energia em seu campo elétrico. Os capacitores são elementos muito utilizados em equipamentos eletrônicos, computadores etc. 1.1 Funcionamento dos capacitores O capacitor é constituído fisicamente por duas placas condutoras, utilizando materiais como alumínio, cobre, ouro, prata etc. Estas placas são separadas por um material dielétrico, também chamados de isolante elétrico, como o ar, cerâmica, papel, vidro, mica e principalmente plásticos, como poliéster, teflon, propileno, policarbonato e poliestireno. 3 Figura 1 – Capacitor A propriedade elétrica do capacitor é denominada capacitância, sendo medida em Farads (F). A capacitância é a razão entre a carga armazenada e a tensão entre seus terminais e depende diretamente da sua geometria. A capacitância é diretamente proporcional à área do capacitor e inversamente proporcional à distância entre suas placas, sendo calculada da seguinte forma: 𝐶 = 𝜖. 𝐴 𝑑 Em que 𝜖 é a permissividade do material, 𝐴 é a área da placa condutora e 𝑑 é a espessura do dielétrico ou a distância entre as placas condutoras. Desta equação, pode-se afirmar que, quanto maior a área das placas e a permissividade do material, maior será a capacitância. Além disso, quanto maior a distância entre as placas, menor será a capacitância. Quando uma diferença de potencial é aplicada entre os terminais de um capacitor, uma carga positiva (q) é depositada em uma das placas, enquanto uma carga negativa (–q) é depositada na placa oposta. A quantidade de cargas positivas será sempre igual à quantidade de cargas negativas. Desta forma, podemos afirmar que a carga do capacitor é diretamente proporcional à tensão aplicada, podendo ser descrita pela seguinte equação: 𝑞 = 𝐶 . 𝑉 Sendo q a carga em Coulombs (C), C a capacitância em Farads (F) e V a tensão em Volts (V). Comercialmente, encontramos diversos tipos de capacitores, os quais podem ter formas geométricas variadas, construídos com diferentes tipos de materiais. Como exemplo podemos citar o capacitor de poliéster, eletrolítico, 4 cerâmico, cerâmico eletrolítico, de tântalo, de mica, variável, SMD, entre outros. Alguns destes capacitores citados apresentam polaridade fixa, ou seja, têm um polo positivo e outro negativo, enquanto outros modelos não apresentam polaridade fixa. A figura a seguir apresenta a simbologia utilizada para capacitores em circuitos. O primeiro símbolo representa um capacitor não polarizado. Os demais representam capacitores polarizados, em que o sinal positivo (+) indica o ponto de maior potencial. Figura 2 – Símbolos para capacitores Saiba mais Para entender melhor o funcionamento de um capacitor, assista aos dois vídeos a seguir: <https://www.youtube.com/watch?v=GpEwamRX-6M>; <https://www.youtube.com/watch?v=r5UrM79CmDI>. Para complementar os estudos, recomendamos a leitura do seguinte material: <http://www.eletronicadidatica.com.br/componentes/capacitor/capacitor.h tm>. 1.2 Equacionamento dos capacitores Para obtermos a relação entre tensão e corrente de um capacitor, devemos recorrer à equação: 𝑞 = 𝐶 . 𝑉. Derivando ambos os termos, teremos: 𝑑𝑞 𝑑𝑡 = 𝑑(𝐶 . 𝑣) 𝑑𝑡 Conforme apresentado nas primeiras aulas, temos que a corrente elétrica é a variação da carga em relação tempo, ou seja: 𝑖 = 𝑑𝑞 𝑑𝑡 5 Substituindo 𝑑𝑞 𝑑𝑡 por i na primeira equação e retirando a constante C da derivada, teremos que a relação corrente-tensão para um capacitor será dada por: 𝑖 = 𝐶 . 𝑑𝑣 𝑑𝑡 Para obtermos a relação tensão-corrente, vamos reescrever esta equação da seguinte forma: 𝑑𝑣 = 1 𝐶 . 𝑖 . 𝑑𝑡 Integrando ambos os lados da igualdade: 𝑣 = 1 𝐶 ∫ 𝑖 𝑑𝑡 𝑡 −∞ Portanto: 𝑣 = 1 𝐶 ∫ 𝑖 . 𝑑𝑡 𝑡 𝑡0 + 𝑣(𝑡0) Em que: 𝑣(t0) é a tensão do capacitor no instante de tempo 𝑡 = 0 segundo. A potência armazenada no capacitor pode ser obtida por meio da equação já apresentada, ficando: p = v . i = v . 𝐶 . 𝑑𝑣 𝑑𝑡 A energia armazenada no capacitor será dada pela integral da potência no tempo: 𝜔 = ∫ 𝑝 . 𝑑𝑡 𝑡 𝑡0 = ∫ 𝑣 . 𝐶 . 𝑑𝑣 𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑡 𝑡0 = 𝐶 ∫ 𝑣 . 𝑑𝑣 𝑡 𝑡0 = 1 2 𝐶 . 𝑣² | 𝑡 𝑡0 Considerando que o capacitor estava descarregado no instante de tempo t = t0, teremos: 𝜔 = 1 2 . 𝐶. 𝑣² Vamos entender melhor como aplicar estas equações. Sabendo que um capacitor com capacitância de 10 pF é conectado a uma fonte de tensão contínua de 50 V, deseja-se saber qual será o valor da carga e da energia armazenadas. 6 Sabendo que 𝐶 = 10 nF e 𝑣 = 50 V, a carga armazenada será calculada da seguinte forma: 𝑞 = 𝐶. 𝑣 = 10. 10−9. 50 𝑞 = 500 𝑛𝐶 A energia armazenada será: 𝜔 = 1 2 𝐶 𝑣² = 10. 10−9. (50)2 2 𝜔 = 12,5 𝜇𝐽 Neste segundo exemplo, vamos considerando um capacitor de 10 µF conectado a uma fonte de tensão alternada 𝑣(𝑡) = 50 . 𝑆𝑒𝑛(2000.𝑡) V. Para determinarmos a função da corrente que circulará no capacitor, basta aplicar as equações: 𝑖 = 𝐶. 𝑑𝑣 𝑑𝑡 = 10. 10−6. 𝑑(50. 𝑆𝑒𝑛(2000. 𝑡)) 𝑑𝑡 𝑖 = 10. 10−6. 50.2000. 𝐶𝑜𝑠(2000. 𝑡) 𝑖 = 1. 𝐶𝑜𝑠(2000𝑡) 𝐴 1.3 Associação de capacitores Assim como os resistores, os capacitores podem ser associados em série ou em paralelo, de forma que podemos substituir um conjunto de capacitores por um único equivalente. O cálculo da associação de capacitores em série é similar ao cálculo de resistores em paralelo, em que a capacitância equivalente é igual à soma dos inversos de cada uma das capacitâncias em série. Figura 3 – Associação de capacitores em série = 1 𝐶𝑒𝑞 = 1 𝐶1 + 1 𝐶2 + ⋯ + 1 𝐶𝑛 7 Entretanto, o cálculo da capacitância equivalente para capacitores em paralelo será similar ao cálculo da resistência equivalente para resistores em série, bastando somar os valores de todas as capacitâncias. Figura 4 – Associação de capacitores em paralelo = 𝐶𝑒𝑞 = 𝐶1 + 𝐶2 + ⋯ + 𝐶𝑛 TEMA 2 – INDUTORES Os indutores também são elementos passivos que armazenam energia elétrica em seu campo magnético. Estes componentes são amplamente utilizados em circuitos elétricos, eletrônicos, sistemas de potência, fontes, transformadores, motores etc. Qualquer material condutor de corrente elétrica tem propriedades indutivas. Para aumentar este efeito indutivo, este material é enrolado em formato de bobina cilíndrica, formando diversas espiras. Um indutor está ilustrado na figura a seguir, em que temos uma bobina de um fio condutor com N voltas. Este fio está enrolado em material com núcleo magnético de comprimento l e seção transversal A. Figura 5 – Associação de capacitores em série 8 2.1 Equacionamento dos indutores A propriedade de oposiçãoà variação de corrente elétrica em um indutor é chamada de indutância, sendo medida em Henrys (H). A indutância de um indutor vai depender das suas dimensões e dos materiais utilizados, sendo dada pela seguinte equação: 𝐿 = 𝑁2. 𝜇. 𝐴 𝑙 Em que N é o número de espiras (voltas), 𝑙 é o comprimento do núcleo, 𝜇 é a permeabilidade magnética do meio e A é a área da seção transversal do núcleo. A relação entre tensão-corrente em um indutor será dada pela equação a seguir. Esta equação descreve que, se uma corrente elétrica flui por meio de um indutor, a tensão que surge em seus terminais será diretamente proporcional à variação desta corrente. 𝑣 = 𝐿. 𝑑𝑖 𝑑𝑡 A relação corrente-tensão pode ser obtida seguinte forma: 𝑑𝑖 = 1 𝐿 . 𝑣. 𝑑𝑡 Integrando ambos os lados da igualdade: 𝑖 = 1 𝐿 ∫ 𝑣(𝑡). 𝑑𝑡 𝑡 𝑡0 + 𝑖(𝑡0) Sendo 𝑖(𝑡𝑜) a corrente total para o instante de tempo em que 𝑡 < 𝑡0. A potência no indutor poderá ser calculada por meio da relação p = v . i. Conforme já mencionado, o indutor é projetado para armazenar energia em seu campo magnético. Esta energia pode ser calculada por meio da integral da potência do indutor no tempo. Desta forma, temos que: 𝜔 = ∫ 𝑝. 𝑑𝑡 𝑡 𝑡0 = ∫ 𝐿. ( 𝑑𝑖 𝑑𝑡 ) . 𝑖𝑑𝑡 𝑡 𝑡0 = 𝐿 ∫ 𝑖. 𝑑𝑡 𝑑𝑡 . 𝑑𝑖 𝑡 𝑡0 = 𝐿 ∫ 𝑖. 𝑑𝑖 𝑡 𝑡0 𝜔 = 1 2 . 𝐿. 𝑖2. 𝑑𝑣 𝑉𝑆 − 𝑣 9 Considerando que o indutor estava inicialmente carregado, esta equação pode ser simplificada: 𝜔 = 1 2 . 𝐶. 𝑣² Considerando que uma corrente 𝑖 = 10 𝑡𝑒−5𝑡 flui por meio de indutor de 0,1 H, podemos determinar a energia armazenada utilizando a equação anterior. Primeiramente precisamos determinar a tensão no indutor: 𝑣 = 𝐿. 𝑑𝑖 𝑑𝑡 A derivada da corrente será: 𝑑𝑖 𝑑𝑡 = 10 . 𝑒−5𝑡 + 𝑡(−5). 𝑒−5𝑡 = 10. 𝑒−5𝑡 − 5. 𝑡. 𝑒−5𝑡 Substituindo: 𝑣 = 10 𝑑𝑖 𝑑𝑡 → 𝑣 = 𝑒−5𝑡 − 0,5. 𝑡𝑒−5𝑡𝑉 Por fim, a energia armazenada será: 𝜔 = 1 2 . 𝐿. 𝑖2 = 1 2 . (0,1). (10 𝑡𝑒−5𝑡)² 𝜔 = 5. 𝑡2. 𝑒−10𝑡𝐽 2.2 Associação de indutores Assim como os resistores e capacitores, podemos substituir um circuito composto por indutores associados em série ou paralelo por um único indutor equivalente. O cálculo da indutância equivalente para um circuito com indutores em série é similar ao cálculo da equivalência de resistores em série ou capacitores em paralelo, bastando somar todos os elementos: 10 Figura 6 – Associação de indutores em série = 𝐿𝑒𝑞 = 𝐿1 + 𝐿2 + ⋯ + 𝐿𝑛 A obtenção do valor da indutância equivalente de um circuito com indutores em paralelo é similar ao cálculo da equivalência de resistores em paralelo ou capacitores em série. Neste caso, o inverso da indutância equivalente será igual à somatória dos inversos de cada um dos elementos em paralelo. Figura 7 – Associação de indutores em paralelo = 1 𝐿𝑒𝑞 = 1 𝐿1 + 1 𝐿2 + ⋯ + 1 𝐿𝑛 TEMA 3 – CIRCUITOS DE PRIMEIRA ORDEM (RC) Tendo conhecimento do princípio de funcionamento e da relação corrente-tensão dos três elementos passivos (resistores, capacitores e indutores), podemos dar início à análise de circuitos que envolvam uma combinação destes elementos. O primeiro circuito a ser apresentado será o composto por um resistor e um capacitor, chamado de circuito RC. Este circuito, apesar de simples, apresenta diversas aplicações em soluções eletrônicas. 11 Em circuitos puramente resistivos, quando aplicadas as leis de Kirchhoff, eram obtidas equações algébricas. Agora, ao aplicar as leis de Kirchhoff em circuitos RC, obteremos equações diferenciais de primeira ordem. Por isso, este circuito é dito como um circuito de primeira ordem. Como os capacitores armazenam energia em seu campo elétrico, quando eles são utilizados em circuitos, temos dois casos a observar. O primeiro é quando o capacitor está inicialmente carregado e a alimentação do circuito será proveniente desta carga armazenada. Este caso é chamado de resposta natural. O segundo caso ocorre quando o capacitor está inicialmente descarregado e a energia do circuito é proveniente de uma fonte externa, realizando a carga deste capacitor. Este caso é chamado de resposta forçada. 3.1 Circuito RC sem fonte (resposta natural) Para entendermos melhor este conceito, considere um circuito em que um capacitor ficou conectado por um longo período de tempo e a fonte de tensão ou corrente foi removida de forma repentina. Neste instante, a energia que estava armazenada no capacitor será fornecida para o resistor. Este circuito está ilustrado na figura abaixo: Figura 8 – Circuito RC sem fonte A tensão inicial do capacitor será: 𝑣(0) = 𝑉0 A energia armazenada inicialmente no capacitor é obtida por: 𝜔0 = 1 2 . 𝐶. (𝑉0)² Se aplicarmos a LCK ao nó do circuito, teremos: 𝑖𝐶 + 𝑖𝑅 = 0 12 A corrente do capacitor é dada por: 𝑖𝐶 = 𝐶 𝑑𝑣 𝑑𝑡 Substituindo na equação, teremos: 𝐶. 𝑑𝑣 𝑑𝑡 + 𝑣 𝑅 = 0 Esta equação pode ser reescrita da seguinte forma: 1 𝑣 . 𝑑𝑣 = − 1 𝑅𝐶 𝑑𝑡 A resolução passo a passo pode ser observada no livro-texto da disciplina, em que se obteve a seguinte equação de tensão: 𝑣(𝑡) = 𝑉0. 𝑒 −𝑡 𝑅𝐶⁄ Por meio desta equação, podemos observar que a tensão do circuito terá um comportamento no qual diminuirá exponencialmente ao longo do tempo. Como esta resposta se deve à energia armazenada no capacitor e ao circuito em que ele se encontra conectado, ela é denominada resposta natural de um circuito RC. A figura a seguir ilustra a resposta natural de um circuito RC, no qual podemos observar que, para o instante de tempo t < 0 segundo, a condição inicial é obedecida. Após este instante, a tensão decaíra. A velocidade com que a tensão diminui está expressa em termos da constante de tempo do circuito (𝜏). Figura 9 – Resposta natural de um circuito RC A constante de tempo, expressa pela letra grega tau (𝜏), representa o tempo necessário para que a resposta desse circuito decaia 36,8% do seu valor inicial e/ou por um fator de 1/e. 𝒗(𝒕) = 𝑽𝟎𝒆 −𝒕 𝑹𝑪⁄ 13 Para calcularmos o valor da constante de tempo, devemos saber em qual instante de tempo a tensão terá diminuído até 36,8% do seu valor inicial, o que acontece no tempo 𝑡 = 𝜏: 𝑣(𝑡=𝜏) = 0,368. 𝑉0 = 1 𝑒 . 𝑉0 = 𝑒 −1. 𝑉0 Se substituirmos na equação anterior: 𝑒−1. 𝑉0 = 𝑉0. 𝑒 −𝜏 𝑅𝐶⁄ Portanto, para o circuito RC tempo: 𝜏 = 𝑅. 𝐶 Podemos reescrever a equação da tensão para o circuito RC sem: 𝑣(𝑡) = 𝑉0. 𝑒 −𝑡 𝜏⁄ Analisando a razão entre a tensão do capacitor em diferentes instantes de tempo e a tensão inicial, obteremos a seguinte tabela: Tabela 1 – Valores de 𝑣(𝑡) = 𝑉0. 𝑒 −𝑡 𝜏⁄ 𝒕 𝒗(𝒕) 𝑽𝟎 𝜏 0,36788 2𝜏 0,13534 3𝜏 0,04979 4𝜏 0,01832 5𝜏 0,00674 Por meio desta tabela, é possível observar que, para o instante de tempo 5𝜏 (cinco constantes de tempo), a tensão será menor do que 1% do valor da tensão inicial. Desta forma, podemos dizer que o capacitor está completamente descarregado após o período de tempo maior ou igual a cinco constantes de tempo (5𝜏). Na figura a seguir estão ilustradas as tensões de circuitos RC com constantes de tempo diferentes. 14 Figura 10 – Comportamento da tensão para diferentes constantes de tempo 3.2 Circuito RC com fonte (resposta forçada) No circuito RC da figura a seguir, temos representada uma chave aberta que será fechada no instante de tempo t = 0 segundo. Para qualquer instante de tempo t < 0, podemos considerar que o circuito se encontra aberto e, portanto, não há passagem de corrente elétrica. A partir do instante em que a chave for fechada, todos os elementos serão conectados em série. Figura 10: Circuito RC com fonte Quando a chave for fechada, a fonte de tensão contínuaserá subitamente ligada ao circuito. Esta condição pode ser modelada por uma função degrau. Na figura a seguir, encontra-se ilustrada uma função degrau para uma fonte de tensão ou corrente, as quais partem de zero ao valor máximo em 𝑡 = 0. 15 Figura 11 – Função degrau Para calcularmos a resposta forçada do circuito correspondente ao degrau aplicado, vamos aplicar a LTK na malha: 𝑉𝑆 = 𝑅. 𝑖(𝑡) + 𝑣 A tensão do capacitor será dada por: 𝑣 = 1 𝐶 ∫ 𝑖 . 𝑑𝑡 𝑡 𝑡0 + 𝑣(𝑡0) Desta forma: 𝑉𝑆 = 𝑅. 𝑖(𝑡) + 1 𝐶 ∫ 𝑖. 𝑑𝑡 + 𝑣(𝑡0) 𝑡 𝑡0 A resolução completa desta equação pode ser verificada nos livros da bibliografia básica, em que se chegou a: 𝑣(𝑡) = 𝑉𝑆 + (𝑉0 − 𝑉𝑆). 𝑒 −𝑡 𝑅𝐶⁄ Portanto, para qualquer instante de tempo menor do que zero (chave aberta), a tensão do capacitor será igual à sua carga inicial V0. 𝑣(𝑡) = 𝑉0 Para qualquer instante de tempo maior do que zero (chave fechada), a tensão do capacitor será dada por 𝑣(𝑡) = 𝑉𝑆 + (𝑉0 − 𝑉𝑆). 𝑒 −𝑡 𝑅𝐶⁄ , Esta é conhecida como resposta completa de um circuito RC a uma função degrau. A figura a seguir apresenta esta resposta para um circuito com um capacitor inicialmente carregado. 16 Figura 12 – Resposta completa do circuito RC com um capacitor inicialmente carregado Considerando que o capacitor deste circuito está inicialmente descarregado, ou seja, 𝑉0 = 0, logo temos que, para qualquer instante de tempo menor do que zero: 𝑣(𝑡) = 0 E para qualquer instante de tempo t > 0: 𝑣(𝑡) = 𝑉𝑆. (1 − 𝑒 −𝑡 𝑅𝐶⁄ ), A corrente que flui por meio do capacitor é obtida pela equação 𝑖 = 𝑑𝑣/𝑑𝑡: 𝑖(𝑡) = 𝐶 𝑑𝑣 𝑑𝑡 = 𝐶 𝑅𝐶 . 𝑉𝑆 . 𝑒 −𝑡 𝑅𝐶⁄ Então: 𝑖(𝑡) = 𝑉𝑆 𝑅 . 𝑒−𝑡 𝑅𝐶⁄ A figura a seguir apresenta a tensão do capacitor (VC) e a tensão do resistor (VR) ao longo do tempo. Figura 13 – Resposta para um circuito com um capacitor inicialmente descarregado 17 Com base neste gráfico, podemos observar que, conforme o capacitor está carregando, a tensão sobre o resistor diminui exponencialmente, até que após cinco constantes de tempo o capacitor atinge a tensão máxima, e a tensão no resistor é nula. Para a carga do capacitor, a constante de tempo representa o período de tempo em que ele vai atingir 63,2% da tensão máxima. 3.3 Equação geral Examinando a equação obtida para a resposta ao degrau em um circuito RC com o capacitor inicialmente carregado, observamos que esta tem dois componentes, podendo reescrevê-la da seguinte forma: 𝑣(𝑡) = 𝑉𝑆 + (𝑉0 − 𝑉𝑆). 𝑒 −𝑡 𝑅𝐶⁄ 𝑣 = 𝑣𝑓 + 𝑣𝑛 Em que: 𝑣𝑓 = 𝑉𝑆 𝑣𝑛 = (𝑉0 − 𝑉𝑆). 𝑒 −𝑡 𝜏⁄ Em que 𝑣𝑓 é a resposta forçada do circuito, pois ela ocorre em virtude de uma força externa ao circuito, proveniente de uma fonte de tensão ou corrente. Ela representa a condição forçada que o circuito deve assumir devido a uma excitação da entrada. A resposta forçada também é conhecida como regime permanente, pois o circuito tende a permanecer no mesmo estado após ter sido excitado. Por outro lado, 𝑣𝑛 é a resposta natural do circuito, conforme visto anteriormente. Parte desta resposta decairá para quase zero após as cinco constantes de tempo. Esta resposta também é chamada de transitória, por ser uma resposta que vai acabar com o tempo. Podemos concluir que a resposta completa do circuito é a somatória da resposta natural e da resposta forçada, sendo reescrita conforme indicado abaixo: 𝑣(𝑡) = 𝑣(∞) + [𝑣(0) − 𝑣(∞)]. 𝑒−𝑡 𝜏⁄ Em que 𝑣(0) é a tensão inicial do capacitor e 𝑣(∞) é a tensão do capacitor após cinco constantes de tempo. Com essa equação geral, em vez de precisarmos calcular todas as derivadas conforme demonstrado, podemos determinar a resposta ao degrau de um circuito RC de forma sistemática. 18 O mesmo se aplica para a equação de corrente do circuito RC, em que: 𝑖(𝑡) = 𝑖(∞) + [𝑖(0) − 𝑖(∞)]. 𝑒−𝑡 𝜏⁄ Em que 𝑖(0) é a corrente inicial do capacitor e 𝑖(∞) é a corrente do capacitor após cinco constantes de tempo. TEMA 4 – CIRCUITOS DE PRIMEIRA ORDEM (RL) Neste tema vamos abordar o funcionamento de um circuito composto por um resistor e um indutor. O método de análise de circuitos RL é similar ao dos circuitos RC, apresentado anteriormente. Veremos que o circuito RL também é caracterizado por uma equação diferencial de primeira ordem. Assim com o capacitor, o indutor também é capaz de armazenar energia elétrica e, quando utilizado em circuitos, a energia do circuito poderá ser fornecida por uma fonte externa ou pela energia armazenada no campo magnético deste indutor. 4.1 Circuito RL sem fonte (resposta natural) Para entender a resposta natural de um circuito RL, vamos considerar a situação de um circuito RL em que a fonte é removida repentinamente. A energia que havia sido armazenada no indutor será fornecida para o resistor, conforme indicado na figura. O indutor e o resistor ilustrados podem ser uma associação de diversos resistores. Figura 14 – Circuito RL sem fonte A corrente inicial no indutor será: 𝑖(0) = 𝐼0 Enquanto a energia armazenada neste indutor será dada por: 19 𝜔0 = 1 2 . 𝐿. (𝐼0)² Aplicando a LCK na malha, teremos: 𝑣𝑅 + 𝑣𝐿 = 0 Conforme visto anteriormente, a tensão em um indutor é obtida pela equação: 𝑣𝐿 = 𝐿. 𝑑𝑖 𝑑𝑡 Substituindo na equação anterior: 𝐿. 𝑑𝑖 𝑑𝑡 + 𝑅. 𝑖 = 0 A resolução completa desta equação pode ser verificada no livro indicado na bibliografia básica, em que se chegou a: 𝑖(𝑡) = 𝐼0. 𝑒 −𝑡𝑅 𝐿⁄ Por meio desta equação, podemos observar que o comportamento da corrente do circuito RC sem fonte apresenta um decaimento exponencial. Como o comportamento desta resposta deve-se a uma excitação externa (fonte de tensão ou de corrente), ela é denominada resposta natural de um circuito RL, sendo ilustrada na figura abaixo. Figura 15 – Resposta natural de um circuito RC Observa-se que a condição inicial é obedecida para o instante de tempo t < 0 e que, em seguida, ocorre a diminuição da corrente de acordo com a constante de tempo do circuito. A obtenção da constante de tempo para o circuito RL é similar ao do circuito RC, em que temos que a constante de tempo será dada por: 𝜏 = 𝐿 𝑅 𝒊(𝒕) = 𝑰𝟎. 𝒆 −𝒕𝑹 𝑳⁄ 20 A equação da corrente pode ser reescrita: 𝑖(𝑡) = 𝐼0. 𝑒 −𝑡 𝜏⁄ As correntes de um circuito RL para diferentes valores de constantes de tempo estão apresentadas na figura a seguir, em que novamente vemos que, quanto maior a constante de tempo, maior será o tempo de decaimento. Figura 16 – Correntes de um circuito RL para diferentes constantes de tempo 4.2 Circuito RL com fonte (resposta forçada) O circuito abaixo apresenta um circuito em série composto por uma fonte de tensão, um resistor e um indutor. Neste circuito, está indicada a presença de uma chave. Quando ela for acionada, o circuito será abruptamente ligado. A resposta do circuito a essa conexão abrupta é chamada de resposta ao degrau. A tensão da fonte é indicada por VS, enquanto a tensão inicial no indutor é 𝑣(0) = 𝑉0. O circuito da figura a seguir representa esta conexão súbita de uma fonte de tensão por meio de uma chave que pode abrir ou fechar o circuito. A tensão da fonte é constante e tem um valor de 𝑉𝑆. A tensão 𝑣 nos terminais do capacitor é o que desejamos estudar, e a tensão inicial do capacitor é 𝑣(0) = 𝑉0. 21 Figura 17 – Circuito RL com fonte Assim como para capacitores, em vez de trabalharmos com equações diferenciais, podemos utilizar a equação geral para determinar a corrente deste indutor. Esta corrente será composta pela somatória da resposta forçada e resposta natural. 𝑖 = 𝑖𝑛 + 𝑖𝑓 Resultando em: 𝒊 = 𝑽𝑺 𝑹 + (𝑰𝟎 − 𝑽𝑺 𝑹 ) 𝒆−𝒕 𝝉⁄ A figura abaixo apresenta a correntepara este circuito RL, considerando o indutor inicialmente carregado (a), em que observamos que a energia armazenada foi sendo liberada até que a corrente estabilizou após cinco constantes de tempo. Para o indutor inicialmente descarregado (b), o indutor acumulou energia até que atingiu a corrente máxima após cinco constantes de tempo. Figura 18 – Corrente para um circuito RL com o indutor inicialmente carregado (a) e corrente para um circuito RL com o indutor inicialmente descarregado (b) (a) (b) 22 Para a carga do indutor, a constante de tempo representa o período de tempo em que ele vai atingir 63,2% da tensão máxima. 4.3 Equação geral Assim como para o circuito RC, em vez de precisarmos calcular todas as derivadas conforme demonstrado, podemos determinar a resposta ao degrau de um circuito RC de forma sistemática utilizando as equações gerais, sendo: 𝑣(𝑡) = 𝑣(∞) + [𝑣(0) − 𝑣(∞)]. 𝑒−𝑡 𝜏⁄ 𝑖(𝑡) = 𝑖(∞) + [𝑖(0) − 𝑖(∞)]. 𝑒−𝑡 𝜏⁄ Em que 𝑖(0) é a corrente inicial do indutor, 𝑣(∞) é a corrente do indutor após cinco constantes de tempo, 𝑣(0) é a tensão inicial do indutor e 𝑣(∞) é a tensão do indutor após cinco constantes de tempo. TEMA 5 – CIRCUITOS DE SEGUNDA ORDEM (RLC) Agora que entendemos o funcionamento dos circuitos com dois elementos passivos, RC e RL, vamos estudar os circuitos com três elementos passivos, sendo eles: resistores, indutores e capacitores, também chamados de circuito RLC. Estes elementos podem ser conectados em série ou em paralelo. Os dois casos serão apresentados a seguir. A equação que rege o comportamento de um circuito RLC é uma equação diferencial de segunda ordem, por isso esses circuitos são chamados de circuitos de segunda ordem. 5.1 RLC série sem fonte (Resposta natural) A figura a seguir ilustra um circuito RLC série, o qual é excitado pela energia inicialmente armazenada no capacitor (V0) e no indutor (I0). Figura 19 – Circuito RLC série sem fonte 23 No instante inicial de tempo t = 0 segundo, a tensão do capacitor e a corrente do indutor serão respectivamente: 𝑣(0) = 1 𝐶 ∫ 𝑖. 𝑑𝑡 0 −∞ = 𝑉0 𝑖(0) = 𝐼0 Ao aplicar a LTK na malha, teremos: 𝑅 . 𝑖 + 𝐿. 𝑑𝑖 𝑑𝑡 + 1 𝐶 ∫ 𝑖. 𝑑𝑡 𝑡 −∞ = 0 Com o intuito de eliminar a integral da equação, vamos derivar esta equação, resultando em: 𝑑2𝑖 𝑑𝑡2 + 𝑅 𝐿 𝑑𝑖 𝑑𝑡 + 𝑖 𝐿. 𝐶 = 0 Portanto, o comportamento do circuito RLC série sem fonte pode ser expresso por essa equação diferencial de segunda ordem, visto que há uma segunda derivada. Para resolver esta equação, é necessário ter as condições iniciais do circuito, como o valor da corrente inicial e sua derivada ou, então, o valor da sua tensão inicial e sua derivada. A solução desta equação diferencial encontra-se apresentada no livro de referência da disciplina, no qual foi obtida a equação auxiliar ou equação característica: 𝑆² + 𝑅 𝐿 𝑆 + 1 𝐿. 𝐶 = 0 Esta é uma equação quadrática e tem duas soluções, indicadas como S1 e S2. Para resolvê-la, basta aplicar a fórmula de Bháskara. As raízes serão dadas por: 𝑆1 = − 𝑅 2. 𝐿 + √( 𝑅 2. 𝑙 ) 2 − 1 𝐿. 𝐶 𝑆2 = − 𝑅 2. 𝐿 − √( 𝑅 2. 𝑙 ) 2 − 1 𝐿. 𝐶 Podemos apresentar estas equações de forma mais simples, sendo: 𝑆1 = −𝛼 + √𝛼² − 𝜔0² 𝑆2 = −𝛼 − √𝛼² − 𝜔0² 24 Em que: 𝛼 = 𝑅 2. 𝐿 𝜔0 = 1 √𝐿. 𝐶 As raízes 𝑆1 e 𝑆2 são chamadas de frequências naturais, medidas em Nepers por segundo, pois elas estão associadas à resposta natural do circuito. A variável 𝜔0 é chamada de frequência de ressonância ou estritamente de frequência natural não amortecida, expressa em radianos por segundo (𝑟𝑎𝑑/𝑠). A variável 𝛼 é a frequência neperiana ou fator de amortecimento, expresso em Nepers por segundo. A equação característica pode ser reescrita em função de 𝛼 e 𝜔0. 𝑆2 + 2. 𝛼. 𝑆 + 𝜔0² = 0 Os valores das raízes obtidas satisfazem a equação diferencial dada. Assim obtemos: 𝑖1 = 𝐴1. 𝑒 𝑆1𝑡 𝑖2 = 𝐴2. 𝑒 𝑆2𝑡 Sendo as constantes 𝐴1 e 𝐴2 determinadas por meio condições iniciais do circuito. Como a equação diferencial é uma equação linear, qualquer combinação linear das suas soluções distintas 𝑖1 e 𝑖2 também será uma solução da equação diferencial. A solução completa requer a combinação linear entre 𝑖1 e 𝑖2, e a resposta natural de um circuito RLC série será: 𝑖(𝑡) = 𝐴1. 𝑒 𝑆1𝑡 + 𝐴2. 𝑒 𝑆2𝑡 Por meio das raízes da equação característica, podemos obter três tipos de soluções: 1. Se 𝛼 > 𝜔0, a resposta será superamortecido. Quando 𝛼 > 𝜔0, as raízes da equação serão reais e diferentes. Isso ocorre quando: 𝐶 > 4. 𝐿 𝑅2 A corrente do circuito será dada por: 𝑖(𝑡) = 𝐴1. 𝑒 𝑆1𝑡 + 𝐴2 . 𝑒 𝑆2𝑡 A qual decai e se aproxima de zero com o aumento de 𝑡. 2. Se α = ω0, a resposta será criticamente amortecido. Quando α = ω0, a solução terá raízes reais e iguais. Isso ocorre quando: 25 𝐶 = 4. 𝐿 𝑅2 Para este caso, a solução será: 𝑖(𝑡) = 𝐴1. 𝑒 −𝛼𝑡 + 𝐴2. 𝑡. 𝑒 −𝛼𝑡 Ou então, 𝑖(𝑡) = (𝐴1 + 𝐴2. 𝑡). 𝑒 −𝛼𝑡 3. Se 𝛼 < 𝜔0, teremos a resposta subamortecido. Para 𝛼 < 𝜔0, as raízes serão imaginárias. Isso ocorre quando: 𝐶 < 4. 𝐿 𝑅2 As raízes serão dadas por: 𝑆1 = −𝛼 + √−(𝜔0 2 − 𝛼2) = −𝛼 + 𝑗𝜔𝑑 𝑆2 = −𝛼 − √−(𝜔0 2 − 𝛼2) = −𝛼 − 𝑗𝜔𝑑 Em que: 𝑗 = √−1 𝜔𝑑 = √𝜔0² − 𝛼² Sendo 𝜔𝑑, chamada de frequência amortecida. A resposta natural será: 𝑖(𝑡) = (𝐴1. 𝑒 𝑗𝜔𝑑𝑡 + 𝐴2. 𝑒 −𝑗𝜔𝑑𝑡). 𝑒−𝛼𝑡 Aplicando a identidade de Euler: 𝑒±𝑗𝜃 = 𝐶𝑜𝑠(𝜃) ± 𝑗𝑆𝑒𝑛(𝜃) A resposta será: 𝑖(𝑡) = [(K1 + 𝐾2). 𝐶𝑜𝑠(𝜔𝑑 . 𝑡) + 𝑗(𝐾1 − 𝐾2). 𝑆𝑒𝑛(𝜔𝑑 . 𝑡)]. 𝑒 −𝛼𝑡 Ou de forma simplificada: 𝑖(𝑡) = [𝐴1. 𝐶𝑜𝑠(𝜔𝑑 . 𝑡) + 𝐴2. 𝑆𝑒𝑛(𝜔𝑑 . 𝑡)]. 𝑒 −𝛼𝑡 Para todos os casos, as constantes 𝐴1 e 𝐴2 devem ser determinadas por meio de condições iniciais do circuito. Na figura a seguir, encontram-se ilustrados os três tipos de resposta (superamortecido, criticamente amortecido e subamorterido). 26 Figura 20 – Respostas superamortecido, criticamente amortecido e subamortecido 5.2 Paralelo A figura a seguir ilustra um circuito RLC paralelo. Assim como o circuito anterior, a excitação dos elementos se dará pela energia inicialmente armazenada no capacitor (𝑉0) e no indutor (𝐼0). Figura 21 – Circuito RLC série sem fonte No instante de tempo inicial, em que t = 0 segundo, a corrente do indutor e a tensão no capacitor serão, respectivamente: 𝑖(0) = 1 𝐿 ∫ 𝑣. 𝑑𝑡 0 −∞ = 𝐼0 𝑣(0) = 𝑉0 Como os três elementos estão em paralelo, eles têm a mesma tensão 𝑣. Se aplicarmos a LCK ao nó superior, teremos: 𝑣 𝑅 + 1 𝐿 ∫ 𝑣 𝑑𝑡 𝑡 −∞ + 𝐶. 𝑑𝑣 𝑑𝑡 = 0 27 Com o intuito de remover a integral desta equação, vamos derivá-la: 𝑑2𝑣 𝑑𝑡2 + 1 𝑅. 𝐶 𝑑𝑣 𝑑𝑡 + 𝑣 𝐿. 𝐶 = 0 Por meio desta equação diferencial de segunda ordem, vamos obter a seguinte equação característica: 𝑆2 + 1 𝑅. 𝐶 . 𝑆 + 1 𝐿. 𝐶 = 0 As raízes da equação característica serão: 𝑆1 = − 1 2. 𝑅. 𝐶 + √( 1 2. 𝑅. 𝐶 ) 2 − 1 𝐿. 𝐶 𝑆2 = − 1 2. 𝑅. 𝐶 − √( 1 2. 𝑅. 𝐶 ) 2 − 1 𝐿. 𝐶 Podemos simplificar estas equações da seguinte forma: 𝑆1 = −𝛼 + √𝛼 2 − 𝜔0 2 𝑆2 = −𝛼 − √𝛼² − 𝜔0² Sendo: 𝛼 = 1 2. 𝑅. 𝐶 𝜔0 = 1 √𝐿. 𝐶 Os nomes dos termos 𝛼 e 𝝎𝟎 são os mesmos que foram apresentados para o circuito RLC série, frequência neperiana ou fator de amortecimento e frequência de ressonância ou estritamente de frequência natural não amortecida, respectivamente. Novamente, existem três possíveis soluções, dependendo se 𝛼 > 𝜔0, 𝛼 = 𝜔0 ou 𝛼 < 𝜔0. 1. Se 𝛼 > 𝜔0, teremos o caso superamortecido. Quando 𝛼 > 𝜔0, as raízes serão reais e diferentes. Isso ocorre quando: 𝐿 > 4. 𝑅2. 𝐶 A resposta será dada por: 𝑣(𝑡) = 𝐴1. 𝑒 𝑆1𝑡 +𝐴2. 𝑒 𝑆2𝑡 A qual decai e se aproxima de zero com o aumento de 𝑡. 2. Se α = ω0, teremos o caso criticamente amortecido. 28 Quando α = ω0, as raízes serão reais e iguais. Isso ocorre quando: 𝐿 = 4. 𝑅2. 𝐶 Para este caso, a solução será: 𝑣(𝑡) = 𝐴1. 𝑒 −𝛼𝑡 + 𝐴2. 𝑡. 𝑒 −𝛼𝑡 Ou então: 𝑣(𝑡) = (𝐴1 + 𝐴2. 𝑡). 𝑒 −𝛼𝑡 3. Se 𝛼 < 𝜔0, teremos o caso subamortecido. Para 𝛼 < 𝜔0, as raízes serão complexas. Isso ocorre quando: 𝐿 < 4. 𝑅2. 𝐶 As raízes serão dadas por: 𝑆1 = −𝛼 + √−(𝜔0 2 − 𝛼2) = −𝛼 + 𝑗𝜔𝑑 𝑆2 = −𝛼 − √−(𝜔0 2 − 𝛼2) = −𝛼 − 𝑗𝜔𝑑 Em que, 𝑗 = √−1e𝜔𝑑 = √𝜔0² − 𝛼², a qual é chamada de frequência amortecida. A resposta será: 𝑣(𝑡) = [𝐴1. 𝐶𝑜𝑠(𝜔𝑑 . 𝑡) + 𝐴2. 𝑆𝑒𝑛(𝜔𝑑 . 𝑡)]. 𝑒 −𝛼𝑡 Para todos os casos, as constantes 𝐴1 e 𝐴2 devem ser determinadas por meio de condições iniciais do circuito. 5.3 Circuito RLC série e paralelo com fonte (resposta forçada) Considere os circuitos RLC série (a) e paralelo (b) com uma fonte que foi conectada ao circuito abruptamente. Vimos que esta conexão abrupta é conhecida como resposta ao degrau. Figura 22 – Circuito RLC série (a) e paralelo (b) com fonte (a) (b) Assim como para os circuitos RC e RL, as respostas ao degrau para o circuito RLC série e paralelo serão respectivamente: 29 𝑣(𝑡) = 𝑣𝑛(𝑡) + 𝑣𝑓(𝑡) 𝑖(𝑡) = 𝑖𝑛(𝑡) + 𝑖𝑓(𝑡) Em que a resposta forçada do circuito RLC série é o regime permanente, ou valor final de 𝑣(𝑡). No circuito da figura anterior, o valor da tensão final do capacitor será o valor da fonte 𝑉𝑆, . Logo: 𝑣𝑓(𝑡) = 𝑣(∞) = 𝑉𝑆 Enquanto a resposta natural será obtida conforme apresentado anteriormente. Entretanto, para o circuito RLC paralelo, o valor final da corrente será a corrente total sobre o indutor IS. Logo: 𝑖𝑓(𝑡) = 𝑖(∞) = 𝐼𝑆 A resposta natural será obtida conforme apresentado anteriormente. FINALIZANDO Nesta aula, foram apresentados dois novos componentes largamente utilizados no nosso dia a dia: os capacitores e os indutores. Além disso, vimos como realizar associações destes componentes. Também foram apresentados circuitos que utilizam mais de um componente (RC e RL) e os circuitos que utilizam três componentes (RLC) ligados em série e em paralelo. Estes assuntos são fundamentais para a continuidade do nosso curso, e o conhecimento adquirido será utilizado no decorrer da graduação. É muito importante que você não fique com dúvidas a respeito deste assunto. Continue estudando e aumentando seu conhecimento não só com esta aula, mas praticando exercícios do livro-texto. 30 REFERÊNCIAS ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M, N. O. Fundamentos de circuitos elétricos. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012. NILSSON, J. W.; RIEDEL, S. A. Circuitos elétricos. 10. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015.